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Agência Câmara, 03 de março
de 2006
Projeto isenta trabalhador de baixa
renda de taxa bancária
Trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos
por mês poderão ficar isentos do pagamento de taxas bancárias
relativas à manutenção de conta corrente. É
o que prevê o Projeto de Lei Complementar 319/05, do deputado
Vanderlei Assis (PP-SP), em tramitação na Câmara.
Para ser isento, o trabalhador deverá apresentar uma declaração
ao banco onde é correntista. Caso seja verificada movimentação
de valores superior a cinco salários mínimos na conta,
a cobrança de taxas de manutenção será
restaurada.
Para o deputado Vanderlei Assis, a sociedade
brasileira passa por um processo de "bancarização",
e possuir uma conta bancaria deixou de ser opção e passou
a ser imposição. "Nesse quadro, não é
justo que trabalhadores de baixa renda sejam obrigados a arcar com o
custo de taxas de serviços incompatíveis com a renda que
têm", defende. Assis acrescenta que o lucro alcançado
pelo bancos no Brasil permite que eles não cobrem taxas dos mais
pobres.
Tramitação
Sujeita à análise do Plenário, a proposta tramita
apensada ao PLP 19/03, do ex-deputado José Ivo Sartori, que proíbe
a cobrança de taxas bancárias nas contas usadas exclusivamente
para receber benefícios da Previdência Social e ao qual
também está apensado o PLP 175/04. As matérias
tramitam em regime de prioridade e foram rejeitadas pela Comissão
de Finanças e Tributação. Agora, aguardam análise
da Comissão de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
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Diário Vermelho,
03 de março de 2006
MOVIMENTOS
Centrais preparam pressão redução
da jornada de trabalho
Por Marcel Gomes, para a Agência Carta
Maior*
Seis centrais sindicais brasileiras,
entre elas a CUT e a Força Sindical, venceram divergências
e firmaram um acordo para retomar as mobilizações pela
redução da jornada de trabalho no país, hoje de
44 horas semanais. Segundo um cronograma de atividades já acertado
entre os sindicalistas, o ápice desse movimento ocorrerá
no Dia do Trabalho, em 1º de maio, quando a questão estará
na pauta de reivindicações.
Até lá, as centrais planejam
reforçar o debate junto às bases. “Na primeira quinzena
de abril queremos concentrar uma campanha junto aos deputados federais
nos seus Estados. A idéia é fazer um trabalho conjunto
para buscar esse apoio”, explica Artur Henrique Silva Santos,
secretário-geral da CUT.
PEC Inácio Arruda já
é constitucional
Uma das estratégias é aumentar
o lobby em Brasília, agendando encontros com os presidentes da
Câmara e do Senado e com o presidente Lula. Isso será feito
na segunda quinzena de abril, ainda segundo o cronograma.
O objetivo é acelerar a tramitação
de projetos que tratam do tema no legislativo. Entre eles, um atrai
mais atenção. É a PEC 393 (Proposta de Emenda à
Constituição), de autoria do deputado federal Inácio
Arruda (PCdoB-CE), já aprovada em setembro de 2003 na Comissão
de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.
A proposta reduz a jornada para 40 horas semanais num primeiro momento,
para em seguida, progressivamente, reduzi-la para 35 horas. Um ano e
meio depois da aprovação, porém, a PEC ainda não
foi apreciada pelo plenário.
“O projeto já é constitucional,
é hora de o plenário votar. Nós temos de visitar
os deputados, fazer pressão”, disse o deputado federal
e ex-presidente da CUT Vicentinho (PT-SP), que na semana passada esteve
reunido com dirigentes da centrais, em São Paulo. Vicentinho
é o relator do PL 4653/04, que trata da redução
de jornada e tem outras 21 propostas apensadas.
Apesar de ser favorável à
redução, ele acredita que esse projeto de lei tem um “erro
de iniciativa”, pois a redução da jornada de trabalho
exigiria alteração na Constituição, o que
poderia ocorrer através de uma PEC, e não de um PL. Por
isso, Vicentinho sugeriu às centrais que apostem na PEC de Arruda.
1,8 milhão de novos empregos
A redução de jornada estava
prevista para ser discutida na reforma trabalhista. Mas como nem a reforma
sindical saiu do papel, não há previsão sobre quando
o assunto voltará à baila no Congresso. O Fórum
Nacional do Trabalho, que reuniu sindicalistas, empresários e
membros do governo para executar primeiro a reforma sindical, e depois
a trabalhista, não funciona mais.
Pelos cálculos do Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos),
órgão ligado aos sindicatos, a diminuição
da jornada de 44 para 40 horas teria a capacidade de gerar mais de 1,8
milhão de novos postos. Esse seria o número obtido se
os 18,3 milhões de brasileiros que fazem jornada de 41 a 44 horas
tivessem esse período excedente dividido entre novos trabalhadores.
Sobre hora extra não há
acordo
Para a CUT, a redução da
jornada de trabalho só resultará na geração
de vagas se houver limitação das horas extras. Isso porque
evitaria o que ocorreu em outros países, como na França,
onde a redução da jornada legal foi compensada pelo aumento
das horas extras dos funcionários, limitando a geração
de novas vagas.
No entanto, segundo o secretário-geral
cutista, essa proposta ainda não é consenso entre as centrais.
“É uma questão difícil de enfrentar porque
no começo desagrada o trabalhador, que tem nas horas extras uma
complementação de renda”, explica.
Para economista Cássio Calvete,
do Dieese, é fundamental que uma nova legislação
regule também o banco de horas dos empregados. Segundo ele, a
redução de jornada na França, de 39 para 35 horas,
não resultou em grandes melhoras na vida dos trabalhadores porque
os empresários passaram a usar o banco de horas mais regularmente.
“Reduziu-se a jornada, mas os trabalhadores passaram a trabalhar
domingos e feriados. A qualidade de vida deles não melhorou”,
afirma.
O fator desenvolvimento
Outro ponto a ser considerado é
a situação da economia. Segundo Calvete, a última
redução de jornada no Brasil ocorreu com a Constituição
de 1988, de 48 para 44 horas semanais, num período de recessão
e de baixo crescimento da produtividade do trabalho, o que diminuiu
o impacto positivo da mudança. Era uma conjuntura diferente da
atual, em que a economia demonstra melhores indicadores. “Pode
haver um efeito multiplicador da economia, catalisando o crescimento
econômico, pois aumenta massa salarial e demanda, a arrecadação,
reduzindo os gastos sociais”, diz o economista do Dieese.
Hoje, representantes de categorias
mais fortes e organizadas já trabalham 40 horas por semana. Em
São Paulo, há metalúrgicos e químicos cujas
fábricas aceitaram essa carga horária menor do que a legalmente
instituída. O desafio é expandir esse benefício
para todos.
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Diário Vermelho,
03 de março de 2006
Economia
Emprego formal na Argentina cresce 10%
em janeiro
O emprego formal na Argentina cresceu 10% em janeiro comparado a igual
mês do ano anterior, puxado pela forte expansão da economia,
disse o ministro do Trabalho, Carlos Tomada. A criação
de postos de trabalho no setor formal da economia cresceu 0,4% em relação
a dezembro, acrescentou ele. Há dois dias, o governo divulgou
os números oficiais de desemprego do quarto trimestre do ano
passado, exibindo queda a 10,1% em relação aos 12,1% do
mesmo período de 2004. "São 40 meses consecutivos
de variação positiva no nível de emprego, com crescimento
homogêneo em todo o país", disse Tomada.
O ministro indicou que a escalada
de janeiro dobrou em relação ao registrado em igual mês
de 2005 e veio em um período no qual habitualmente a atividade
cai. A Argentina chegou a ter 21,5% de sua força de trabalho
sem emprego em 2002, em meio a uma crise financeira que afetou todos
os seus indicadores. No entanto, há três anos a economia
Argentina cresce em uma média perto dos 9% e a geração
de emprego se multiplicou, apesar de o desemprego ainda se manter em
níveis elevados. Com agências
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Agência Diap, 03 de
março de 2006
Vale-Transporte
Governo cancela possibilidade de o pagamento
ser em dinheiro
O Governo, por meio da MP nº 283/06, editada no último dia
23 de fevereiro e publicada no DOU do dia 24/02, revogou a possibilidade
de os trabalhadores receberem o vale-transporte em dinheiro. A ameaça
de transformação do vale-transporte em dinheiro estava
presente na Medida Provisória (MP) nº 280/05, editada pelo
Governo no dia 16 de fevereiro e que foi fruto do acordo firmado entre
o Executivo e as centrais sindicais para corrigir a tabela do imposto
de renda das pessoas físicas em 8%.
Acontece que de maneira estranha e alheia
ao acordo firmado, o texto da MP 280 trouxe embutido em seu corpo o
dispositivo que permitia ao empregador o pagamento do vale-transporte
em dinheiro. A troca do vale-transporte por dinheiro, optativo ao empregador,
como afirmamos na Agência DIAP nº 1.258, poderia se transformar
em um grande transtorno para os trabalhadores. Quem iria garantir, por
exemplo, que o dinheiro a ser utilizado no deslocamento de casa para
o trabalho não teria outra finalidade, ou que eventuais reajustes
das passagens seriam repassados aos trabalhadores?
A iniciativa, como destacou a CUT,
“ao misturar matéria tributária com direito trabalhista,
abriu um precedente perigoso de ameaça e retrocesso aos direitos
dos trabalhadores”. Além de ser uma ameaça real,
chamamos atenção para o vício de inconstitucionalidade.
Estabelece a Lei Complementar nº 90, que dispõe sobre a
elaboração, redação, alteração
e consolidação das leis, que as leis (MP tem força
de lei assim que editada pelo Governo) não podem conter matéria
estranha a seu objeto ou a este não vinculado por afinidade,
pertinência ou conexão.
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CUT Notícias, 03
de março de 2006
Diferença salarial entre homens
e mulheres cai para 30%, mostra estudo
Elas estudam mais e até conciliam diferentes tarefas, seja no
trabalho, seja em casa. Mas continuam recebendo os menores salários
do mercado. A boa notícia é que a diferença entre
a remuneração de mulheres e homens vem diminuindo. Um
estudo desenvolvido pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações
Unidas para a Mulher (Unifem) mostra que, no início dos anos
90, os homens ganhavam até 50% a mais. Hoje, essa diferença
se aproxima de 30%.
Os dados estão no livro "O
Progresso das Mulheres no Brasil", a ser lançado na próxima
sexta-feira (3), em São Paulo, pelo Fundo de Desenvolvimento
das Nações Unidas para a Mulher (Unifem). O levantamento
analisa pesquisas que retratam a trajetória feminina entre 1992
e 2002. "Embora tenha havido uma evolução importante,
a disparidade mostra que as mulheres enfrentam dificuldades para vencer
os obstáculos no mercado", avalia uma das coordenadoras
do projeto, Júnia Puglia, em entrevista à Rádio
Nacional AM. "Houve mudança significativa da faixa etária
e da condição financeira dessas mulheres que estão
no mercado, com necessidade maior de se conciliar os diferentes papéis."
De acordo com a pesquisadora, a Constituição
de 1988 permitiu um avanço na direção de direitos
e na vigência de direitos individuais no Brasil. Houve uma lenta
evolução da mulher no papel de chefe e da participação
no mundo público. Uma das mudanças importantes nesse período
foi a lei de cotas, que já vigora há quatro períodos
eleitorais.
"Mas o panorama político
no país não incentiva a população a votar
em mulheres. O Brasil tem tido um resultado inferior ao da média
na América Latina, que tem menos de 10% de mulheres no Congresso
Nacional", revela Júnia. "Seria muito importante do
ponto de vista da representatividade feminina que elas tivessem maior
sucesso na carreira política". O livro da Unifem vai ser
distribuído principalmente entre pesquisadores, universidades
e formuladores de política pública. Para ampliar o acesso
à publicação, foi criada também uma página
exclusiva na Internet (www.mulheresnobrasil.org.br) com o conteúdo,
além de análises, artigos e tabelas sobre a pesquisa.
Fonte: Radiobrás
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Folha de São Paulo,
03 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Presidenciável do PMDB contrata publicitários para estudar
viabilidade de disputar vaga a deputado, caso fracasse intenção
de concorrer ao Planalto
Desanimado, Garotinho pensa na Câmara
RAPHAEL GOMIDE, SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
Desanimado com os rumos do PMDB às
vésperas da eleição interna que deverá definir
o candidato do partido à Presidência, o ex-governador Anthony
Garotinho contratou uma equipe de publicitários para estudar
a viabilidade de ele disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
O plano B de Garotinho vem sendo mantido em sigilo. Poucos de seus assessores
foram informados sobre ele. Em público, como reiterou em entrevista
ontem, Garotinho diz que não disputará a eleição
caso seja derrotado nas prévias, marcadas para o dia 19. Seu
único adversário na disputa, até agora, é
o governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. O prazo
para a inscrição nas prévias expira no dia 10.
Há pouco mais de duas semanas,
emissários de Garotinho procuraram publicitários especialistas
em pesquisas para fazer análises de mapas de eleições
passadas, levantar dados e organizar estratégias de campanha
caso ele decida concorrer a deputado federal. No caso de fracassar a
intenção de concorrer ao Planalto, a idéia de Garotinho
é usar sua popularidade no Rio a fim de atrair votos para a legenda
e eleger um maior número de deputados federais.
Nesse cenário, que seu grupo procura
negar, a governadora Rosinha Matheus, sua mulher, deixaria o cargo para
concorrer ao Senado. Isso abriria a possibilidade de a filha mais engajada
do casal, Clarissa Matheus, concorrer à Assembléia Legislativa.
Ela milita na Juventude do PMDB e atua na campanha do pai.
Ontem, quando questionado pela Folha
sobre a possibilidade de não disputar a eleição
presidencial, Garotinho repetiu que não se candidatará
a outro cargo. Ele apresentou como justificativa o fato de Rosinha insistir
em permanecer na função. "A governadora tem o desejo
de terminar o mandato, o que é justo." Reservadamente, Garotinho
tem dito que teme um boicote das lideranças do partido às
prévias e a ele. Oficialmente, tenta passar uma imagem de otimista,
como ontem, quando se reuniu com líderes da Juventude do PMDB
em 18 Estados, levado por Clarissa.
Em entrevista após o encontro,
ele disse que já não está tão temeroso a
respeito das articulações de seus adversários dentro
do partido. Para ele, a ala governista "está se convencendo
de que boicotar [as prévias] é quase impossível".
No camarote em que ele e a governadora receberam convidados no Carnaval,
Garotinho não demonstrava tanta tranqüilidade. Pelo menos
dois políticos que estiveram com ele comentaram que o ex-governador
parecia abalado e desestimulado com as resistências peemedebistas.
Garotinho desdenhou da hipótese
de seus adversários recorrerem à Justiça contra
as prévias. "Uma medida judicial seria muito desgastante
para os governistas." Uma candidatura de última hora também
foi rechaçada por Garotinho. Disse que só haveria dois
possíveis postulantes, os governadores Joaquim Roriz (DF) e Roberto
Requião (PR), mas que eles descartaram a possibilidade.
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Folha de São Paulo,
03 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Contrariado com a ausência de FHC e de Aécio, Tasso reclama
da indefinição na escolha do candidato e cobra prefeito,
que está na Argentina
Vacilante sobre renúncia, Serra
se isola
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Vacilante sobre sua a disposição
de concorrer à Presidência, o prefeito de São Paulo,
José Serra, confidenciou ontem a tucanos suas dúvidas
e avisou que não pretende dar uma resposta ao PSDB pelo menos
até segunda-feira. Com retorno previsto para ontem, Serra até
estendeu seu "exílio" na Argentina, de onde só
deverá voltar amanhã, evitando anúncio ao partido
antes do fim de semana.
Os números do Ibope, segundo os
quais os candidatos do PSDB estariam empatados com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva até em São Paulo, onde atuam,
abalaram o tucanato. E, antes convencidos da disposição
de Serra, seus aliados não tinham ontem tanta segurança
de que renunciará à prefeitura para concorrer. Mas também
duvidavam que consiga postergar a decisão por muito mais tempo.
Abandonado pelos demais integrantes do
chamado triunvirato, o presidente do partido, senador Tasso Jereissati
(CE), manifestava ontem sua irritação. Segundo seus interlocutores,
Tasso -que pretendia viajar ontem a São Paulo para uma conversa
"definitiva" com Serra- nem sequer conseguiu falar com ele
ao telefone. Em suas conversas, Tasso tem mostrado apreensão
quanto aos efeitos do tempo sobre a candidatura do partido. Ele tem
se declarado "aflito" e dito que "está passando
o tempo".
Ainda segundo tucanos, Tasso estaria
contrariado com a ausência do governador de Minas Gerais, Aécio
Neves, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ambos escalados
para atuar como "facilitadores". Aécio foi para o Canadá.
Depois de um palestra em Chicago, FHC foi para Trancoso, na Bahia. Ele
estaria tão incomodado que chegou a procurar Aécio no
Canadá."Tasso está preocupado. Até porque
os danos são cada dia maiores", disse o senador Sérgio
Guerra (PE), numa referência aos números da pesquisa Ibope.
Tasso pretendia dedicar os dias úteis
da semana à costura de um acordo entre Serra e o governador do
Estado, Geraldo Alckmin. Mas, com a permanência de Serra em Buenos
Aires, não teria agendado o encontro. Alckmistas e serristas,
por sua vez, reclamam que Tasso não tenha produzido o propalado
consenso partidário. Enquanto Serra exige garantias para se lançar
na disputa, Alckmin informa a aliados que voltará à carga
na segunda-feira, intensificando a agenda política e cobrando
pressa. Tasso está sob a pressão dos presidentes de diretórios
estaduais, como o de São Paulo, deputado Sidnei Beraldo. Ele
conta ter se queixado com Tasso da demora no cenário nacional.
"O atraso acaba pesando na escolha do candidato a governador",
disse.
"Volte amanhã"
Ontem, na inauguração da
Faculdade de Tecnologia de Jardim São Luiz, na zona sul, Alckmin
comparou o momento à "matinê de domingo no Cine Brasil",
em Pindamonhangaba. "Quando o carro derrapava na curva e o mocinho
ia cair no precipício fechava a tela e dizia: "Volte domingo
que vem". Então, volte amanhã. Hoje não tem
novidade."
O evento foi marcado por um incidente
em que, vestindo uma camisa da CUT, o vigia de uma Escola Técnica
fez protesto solitário por melhores salários e simpatizantes
do PSDB começaram a ameaçá-lo. Alckmin reclamou.
O Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula
Souza contratou pelo menos três ônibus para o transporte
de funcionários. Segundo a assessoria do CEETESP, "diretores
de ETEs e Fatecs foram convidados" e, "para facilitar a ida
de todos, a instituição julgou por bem contratar ônibus.
O centro utilizou recursos de transporte do seu orçamento para
o pagamento dos ônibus que saíram do campus da avenida
Tiradentes".
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Folha de São Paulo,
03 de março de 2006
"BALANÇA MAS NÃO CAI"
Apesar do câmbio, vendas externas se mantêm em alta; máquinas
e bens de consumo puxam importados
Importação cresce mais que
exportação
CLÁUDIA DIANNI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O saldo da balança comercial de
fevereiro resistiu à forte queda da cotação do
dólar e ficou em US$ 2,8 bilhões. Mas neste ano as importações
estão crescendo mais dos que as exportações -o
que não acontecia desde agosto do ano passado. Apesar do câmbio
desfavorável e das constantes queixas dos exportadores, as exportações
e o saldo comercial foram os mais altos já registrados em fevereiros.
O mesmo aconteceu com as importações e, conseqüentemente,
com a corrente de comércio (a soma de exportações
e importações, indicadora do grau de abertura do país).
As exportações somaram
US$ 8,7 bilhões no mês, 12,8% a mais do que em fevereiro
de 2005, e as importações ficaram em US$ 5,9 bilhões,
um crescimento de 19%. Os números foram turbinados na semana
que antecedeu o feriado de Carnaval. Até a terceira semana do
mês, a média diária dos embarques estava em US$
430 milhões, o que gerou preocupações entre os
analistas, mas, na quarta semana, a média saltou para US$ 584
milhões.
Segundo o vice-presidente da Associação
de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de
Castro, isso ocorreu porque muitos exportadores adiantaram embarques
previstos para março, para evitar atrasos causados pelo feriado.
"Certamente esse aumento será compensado no mês que
vem [neste mês de março]."
Mais importações
No bimestre, os embarques aumentaram
15,6%, e as compras, 20,7%. O aumento das importações
é efeito tanto da desvalorização do dólar
quanto do crescimento da economia, na avaliação do Ministério
do Desenvolvimento. Mas o secretário de Comércio Exterior,
Armando Meziat, disse que está preocupado com o câmbio.
"Se não fosse pela desvalorização do dólar,
o resultado das exportações estaria ainda melhor",
disse ele. No ano passado, as exportações cresceram acima
das importações durante quase todo o ano, o que foi considerado
tanto pelo governo quanto pelo mercado como um reflexo da baixa atividade
industrial.
Por isso, o ministério espera
que as importações continuem crescendo mais do que as
exportações até o fim do ano, segundo afirmou Meziat.
Para Castro, da AEB, o crescimento das importações não
é surpresa e está muito mais relacionado à desvalorização
do dólar do que ao crescimento da economia. Já para Meziat,
o aumento das importações de bens de consumo, de 26% em
fevereiro, é efeito do câmbio, mas a alta de 26,6% nas
importações de bens de capital é sinal de investimentos
das empresas e, portanto, de aquecimento da economia.
Os números do ano passado, porém,
mostram que as importações de bens de capital não
têm necessariamente uma relação direta com o aquecimento
da economia, uma vez que as compras nessa categoria cresceram 25%, mas
o PIB (Produto Interno Bruto) teve expansão de apenas 2,3%, e
a taxa de investimento, de 1,6%.
"Isso mostra que as empresas estão
aproveitando o dólar barato para substituir equipamentos ou dar
manutenção a seus parques industriais, mas não
aumentando a produção", afirma Castro. A AEB também
acredita que as importações devem crescer mais do que
as importações neste ano, mas acha que será pelo
resultado do câmbio. Castro também calcula que cerca de
500 empresas deixem de exportar em 2006.
Essa também é uma
preocupação do ministério, que, no ano passado,
detectou um saldo líquido negativo de 951 empresas no balanço
dos que passaram a exportar e os que abandonaram o mercado externo.
"Ainda estamos fazendo um levantamento para saber quais foram as
razões e queremos diversificar as exportações",
disse. "O Brasil tem 4,5 milhões de empresas e menos de
20% estão exportando, é preciso aumentar esse número",
disse Meziat. De acordo com Castro, a redução do número
de empresas exportadoras interrompeu um aumento que vinha sendo contínuo
desde 1997.
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GAZETA DO POVO, 03 de março
de 2006 | Brasil
Meio Ambiente | Legislação que
cria o sistema de concessão para uso de recursos florestais recebe
elogios do Greenpeace
Lei estimula comércio legal
de madeira
Brasília (AG) – O presidente Luiz Inácio Lula da
Silva sancionou ontem a Lei de Gestão de Florestas Públicas
que, entre outras medidas, cria o sistema de concessão para uso
dos recursos florestais, em lugar da alienação da propriedade
de terras públicas atualmente em vigor. As concessões
terão prazos que vão de 5 a 40 anos, mas apenas para as
atividades que não causem desmatamento, entre elas o manejo florestal
para a produção de madeira e produtos não-madeireiros,
como óleos, essências, frutos e sementes.
Lula sancionou a lei com veto a emendas
que, segundo as ONGs do grupo de trabalho florestas do fórum
brasileiro de ONGs e movimentos sociais, ameaçavam os objetivos
da proposta. O Greenpeace considera que a lei ajudará a regularizar
a tensa situação fundiária na Amazônia, ao
desestimular a grilagem de terras públicas e incentivar madeireiros
a respeitar a legislação.
“Com a nova lei, o poder
público se reapropria de suas próprias terras, que ao
longo da história sofreram saques perpetrados por grileiros,
madeireiros e fazendeiros”, disse Paulo Adario, do Greenpeace.
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GAZETA DO POVO, 03 de março
de 2006 | Economia
BALANÇA
Exportação sobe apesar
do dólar
Brasília (Folhapress) – O superávit comercial acumulado
neste ano já chega a US$ 5,666 bilhões. Esse resultado
é 14,2% maior que o registrado no mesmo período do ano
passado (US$ 4,963 bilhões) apesar da continuada desvalorização
do dólar, que nos últimos dias têm oscilado pouco
acima de R$ 2,10. Segundo dados divulgados ontem pelo Ministério
do Desenvolvimento, as exportações cresceram 18,6% nos
dois primeiros meses deste ano, chegando a US$ 18,021 bilhões,
e as importações, 17,7%, para US$ 12,355 bilhões.
Em fevereiro, o saldo da balança
comercial foi de US$ 2,882 bilhões, o que representa um crescimento
de apenas 1,65% sobre o mesmo mês do ano passado. Já em
relação a janeiro, foi registrada uma queda de 0,77%.
Fevereiro, porém, teve menos dias úteis.
Uma tendência que pôde ser
verificada no mês passado é que as importações
crescem a um ritmo mais forte que as exportações. Em fevereiro,
as vendas ao exterior totalizaram US$ 8,750 bilhões e as compras,
US$ 5,928 bilhões, um crescimento de 12,8% e 19%, respectivamente.
A média de exportações
de fevereiro – total exportado por dia útil – ficou
em US$ 486,1 milhões e a de importações, em US$
329,3 milhões. No acumulado dos 12 meses encerrados em fevereiro,
o superávit comercial é de US$ 45,463 bilhões,
diferença entre as exportações de US$ 121,129 bilhões
e importações de US$ 75,666 bilhões. O Ministério
do Desenvolvimento tem uma meta de exportações de US$
132 bilhões neste ano. Em 2005, a balança comercial brasileira
registrou um superávit de US$ 44,764 bilhões, recorde
da história, com exportações de US$ 118,309 bilhões
e importações de US$ 73,545 bilhões.
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GAZETA DO POVO, 03 de março
de 2006 | Economia
MERCADOS
Dólar recua 0,14% e se mantém
na casa de R$ 2,11
São Paulo (Folhapress) – O dólar fechou o dia ontem
com a menor cotação em quase cinco anos. A moeda norte-americana
teve um dia de volatilidade, mas foi influenciada pela elevação
da nota de risco do Brasil pela agência de classificação
de risco Standard & Poor’s. A divisa caiu 0,14%, e foi cotada
a R$ 2,113 para venda no fim dos negócios. Foi a menor cotação
desde 28 de março de 2001, quando a moeda foi vendida a R$ 2,117.
Também pesaram sobre a moeda o
anúncio do Banco Central de que o fluxo cambial encerrou o mês
de fevereiro positivo em US$ 7,75 bilhões e o resultado da balança
comercial. A baixa no dólar só foi contida pela notícia
de que os bancos mudaram sua posição em dólar de
vendida para comprada em US$ 200 milhões em fevereiro. Ao montar
um contrato com posição comprada em dólar, os bancos
indicam apostar na apreciação da moeda.
A Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa) encerrou o dia com leve queda de 0,13% aos 39.125 pontos,
acompanhando o comportamento das Bolsas americanas, que sofreram influência
dos resultados decepcionantes das vendas no varejo. As ações
mais valorizadas ontem foram as da Light ON, com alta de 7,64%.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de março de 2006
Moradia Popular: problema ou solução?
Opinião
Luiz Cláudio Romanelli e Mário João Figueiredo
O Brasil, como de resto toda a América
Latina, continua a ser um dos campeões em desigualdade de renda
e injustiça social. Após ter sido um dos países
que mais cresceram durante os chamados anos dourados do capitalismo
- de 1940 a 1965, chegando a desfilar como a oitava economia mundial
-, a partir da década de 1980, com a implementação
do famoso Consenso de Washington e das políticas neo-liberais,
viu suas taxas de crescimento econômico caírem a níveis
pífios, em torno dos 2% ao ano. A América Latina, em seu
conjunto, segundo recente relatório do Banco Mundial (Bird),
cresceu medíocres 0,7% ao ano na década de 1980 e 1,5%
ao ano nos 1990s.
Esse mesmo relatório, no entendimento
do banco, apresenta uma “novidade”: a pobreza como fator
limitante do crescimento econômico. Se essa premissa for verdadeira,
a oferta de moradia à população de baixa renda
pode se constituir em poderosa ferramenta auxiliar para o crescimento
econômico, por contribuir para a redução da pobreza
e das desigualdades sociais. Vejamos: inserida no contexto da construção
civil, usuário intensivo de mão-de-obra, a construção
em massa de habitações contribui para geração
de emprego e renda, especialmente à população mais
vulnerável sob o ponto de vista econômico e de qualificação.
Em síntese, obtêm-se mais empregos, mais renda e menor
necessidade de programas assistenciais.
Mais que isso, a oferta de habitação
digna implica, necessária e conjuntamente, na oferta de água
e saneamento à família beneficiada. Ora, é sobejamente
sabido que grande parte das doenças, especialmente da população
infantil, decorre da ausência de água potável e
saneamento. Então, mais moradia significa menos doença,
menor mortalidade - em especial a infantil - e, em conseqüência,
menor gasto com saúde.
Ainda, nenhum conjunto habitacional,
ao menos no Paraná, tem sido construído nos últimos
anos sem a necessária oferta de escola. A escola é gêmea
siamesa do desenvolvimento. A Coréia do Sul é exemplo
disso. Outro exemplo é a China, que, em documento datado da década
de 1950, colocava como um dos pontos estratégicos para o desenvolvimento
do país a elevação do nível de escolaridade
da população.
Colhendo os frutos desta e de outras
ações, há décadas o “dragão”
chinês vem soltando fogo pelas ventas em vôo desabalado
de desenvolvimento - em média de 10% de crescimento anual nos
últimos anos. Com isso, é hoje a quarta economia mundial.
Ora, saúde, educação
e renda compõem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH),
em que o Paraná se encontra em posição vexaminosa
em relação aos demais estados da região Sul.
Assim, defendemos a seguinte tese: moradia
popular é solução e não problema. E mais,
é solução importante de problemas nacionais maiores,
como desigualdade e injustiça social. Por sua vez, o Estado do
Paraná vem, ao longo dos anos, tentando inovar e investir na
produção de moradia à população de
baixa renda. Foram desenvolvidos desde o Programa Mutirão da
década de 1980, passando pela autoconstrução e
outros programas, como moradia à população indígena
e rural, até chegarmos atualmente com a gestão comunitária
na produção de moradia. Em relação a este
último, o que o diferencia dos demais não é apenas
a qualidade da moradia, mas principalmente a entrega da gestão
a uma associação de futuros moradores, que, além
de se responsabilizarem pelo andamento das obras, contribuem para a
redução de desperdício de preços e, tão
importante quanto, da corrupção.
Outra batalha travada diuturnamente diz
respeito a documentação e exigências burocráticas
e garantias para a concessão de financiamento a essa população.
Exigências estas, aliás, que não diferem muito,
em relação a qualquer modalidade de financiamento, no
Brasil, à população de baixa renda. Note-se a resistência
na implementação e expansão do microcrédito
no País. Isso sem se referir às criminosas taxas de juros
cobradas.
O paradoxo é que a casa, bem imóvel,
muito diferente, por exemplo, de um carro, não sai do lugar.
Comparem-se as exigências para ambos os créditos e será
fácil entender do que se está falando. Um ex-ministro
paranaense chegou a comparar a facilidade da concessão de crédito
ao produtor rural, que, mesmo na condição de arrendatário,
consegue comprar uma colheitadeira, cujo valor pode ultrapassar vinte
vezes o valor de uma moradia popular. Mas o mutuário da habitação
tem que se sujeitar a um interminável ritual burocrático.
Felizmente, a Caixa Econômica Federal, o mais importante órgão
financiador da habitação popular, vem travando internamente
essa mesma luta.
Contudo, um olhar mais aprofundado para
a questão revela que habitação popular é
assunto que ultrapassa os limites dos governos, seja federal, estadual
ou municipal. O êxito nesta empreitada depende, fundamentalmente,
da decisão da sociedade como um todo em assumi-la. Ou seja, depende
de vontade política e ação coordenada entre todos
os agentes que interagem direta ou indiretamente na produção
da moradia popular. Somente a somatória de forças da União,
dos estados, dos municípios, dos fornecedores de materiais de
construção, dos componentes da cadeia produtiva, dos formadores
de opinião, a moradia popular poderá deixar de ser um
assunto secundário para fazer parte da agenda principal daqueles
que pensam e decidem os rumos do País. Um iniciativa com o intuito
de tentar reunir os agentes públicos, privados e terceiro setor
para discutirem, localizarem as oportunidades e dificuldades do setor
e apontarem caminhos aos tomadores de decisão é a criação
do Fórum Popular da Habitação, agendado para os
dias 7 e 8 de março, em Curitiba.
Finalmente, entendendo-se que se deve
ir além, por meio deste artigo, propõe-se o encaminhamento
para a produção de moradias como componente importante
na erradicação do flagelo da miséria no Brasil.
Assim, à semelhança de programas como o Bolsa Família,
mas, por sua natureza, sem o caráter assistencialista, faz-se
a proposição da criação de um Programa de
Produção de Moradias Populares em escala relevante - um
milhão de unidades em quatro anos -, por meio de gestão
comunitária, no qual famílias enquadradas em programas
como o Bolsa Família recebam a casa como um investimento na cidadania,
não necessitando reembolsar o seu custo.
É fácil justificar uma
proposta de tal envergadura: em primeiro lugar, e se o Banco Mundial/Bird
finalmente estiver certo, a redução da miséria
pode, finalmente, ser de interesse da elite brasileira, por contribuir
com o crescimento econômico.
Em segundo lugar, e o mais importante, uma casa popular, apesar das
variações de lugar para lugar, tem um custo médio
de produção estimado em aproximadamente R$ 12 mil, mais
R$ 1 mil pelo terreno e outro R$ 1 mil de custos burocráticos.
Suponha-se que, ao todo, o custo chegue a R$ 15 mil por unidade. Um
milhão de unidades, portanto, custariam R$ 15 bilhões.
Ora, esse valor corresponde a menos de 10% da despesa do setor público
com juros, que atingiu a cifra de R$ 157,14 bilhões em 2005,
o equivalente a 8,13% de todo o PIB de 2005.
Desse custo, ou melhor, desse investimento,
há que se deduzir os empregos gerados, as bolsas-família
economizadas, a ativação da indústria e do comércio,
os impostos decorrentes, a redução com os gastos em saúde
e a redução de parte da violência que é originária
da miséria. Finalmente, poderíamos nos orgulhar de fazer
parte da história por salvar vidas e propiciar cidadania àqueles
brasileiros e paranaenses excluídos pelo capitalismo brasileiro.
Luiz Cláudio Romanelli é secretário da Habitação
e presidente da Companhia de Habitação do Paraná.
Mário João Figueiredo é doutor em Desenvolvimento
Econômico.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de março de 2006
Maria Cecília: "muitas pessoas desconhecem
os direitos ou têm dificuldade em os fazer aplicar".
Doença degenerativa dá direito
a benefícios
Roger Pereira
Mesmo sem ter atingido a idade ou o tempo
mínimo de contribuição, muitos pacientes de doenças
degenerativas têm direito a receber a aposentadoria integral,
desde que seja comprovada a incapacidade para o retorno ao trabalho
e tenha efetuado um mínimo de 12 contribuições
para o INSS. E esse é só um dos direitos assegurados por
lei aos portadores de doenças como câncer, aids, lepra
e paralisia, entre outras.
Voluntária da área de Direito
da Associação das Amigas da Mama, Maria Cecília
Palma explica que, além da aposentadoria por invalidez, todos
os portadores de uma doença degenerativa que forem empregados,
na forma da lei, poderão também requerer o auxílio-doença,
o saque integral do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço -
FGTS - e do PIS/Pasep, além de, após a aposentadoria,
ou se forem pensionistas, a isenção de Imposto de Renda
e CPMF sobre o benefício.
Além disso, os pacientes também
têm o direito de ter seus procedimentos médicos pagos pelo
Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelo plano de saúde
ao qual são conveniados, tendo, também, direito a transporte
gratuito para a realização do tratamento.
Maria Cecília esclarece que apesar
de os direitos serem garantidos por lei, muitas pessoas os desconhecem
ou têm dificuldade em os fazer aplicar. “O recebimento do
FGTS ou do PIS/Pasep é mais tranqüilo, já que o Banco
do Brasil e a Caixa Econômica Federal facilitam o processo. Já
a aposentadoria por invalidez, o auxílo-doença e a cobertura
dos procedimentos médicos pelo SUS e pelos planos de saúde,
às vezes, viram verdadeiras batalhas jurídicas”,
comenta.
Para isso, já existem vários
advogados especializados neste tipo de causa. A advogada Valéria
Lopes, que já obteve sucesso em mais de 30 casos defendendo pacientes
com doenças degenerativas, indica que as reivindicações
pela cobertura dos procedimentos médicos, pela tutela antecipada
e pela isenção de impostos são as mais procuradas.
Valéria lembra que a doença
nunca é esperada e, quando diagnosticada, há a necessidade
do tratamento imediato, mas, muitas vezes, o plano de saúde nega
a cobertura desse tratamento. Para isso, existem as ações
de tutela antecipada. Em casos de doenças degenerativas em que
o não tratamento possa causar risco para a vida do paciente,
a Justiça determina que o plano pague pelo tratamento, até
que o mérito seja julgado.
Surpresa
Esse foi o caso de Maria Bernardete Quadros,
45 anos, que foi surpreendida, no início do ano passado, com
o diagnóstico de um tumor no seio. Seu plano de saúde
não quis cobrir a quimioterapia e tentou impor um medicamento
diferente do recomendado pelos médicos. Alertada pela equipe
médica que o outro medicamento, bem mais barato, podia acarretar
problemas cardíacos e sem condições de bancar o
remédio do próprio bolso, Maria Bernardete suspendeu o
tratamento por dois meses, até que foi incentivada pelos médicos
a procurar a Justiça e, em dezembro do ano passado, conseguiu
a tutela antecipada. “Finalizei minhas seções de
quimioterapia na terça-feira, e hoje me sinto curada, graças
à essa luta e perseverança”, destaca.
No caso da aposentadoria por invalidez,
a advogada revela que, ao retornar ao trabalho após o término
do auxílio-doença, muitos pacientes acabam sendo demitidos.
No entanto, as perícias ainda os julgam aptos para o trabalho,
porém o mercado não reabsorve esses profissionais. Por
isso, sua única opção é procurar a Justiça.
“Os direitos existem, mas é preciso batalhar muito para
consegui-los”, declara.
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O ESTADO DO PARANÁ,
03 de março de 2006
LER e DORT preocupam os sindicatos
Rosângela Oliveira
O crescente aumento no número
de casos de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho vem
preocupando entidades que representam os trabalhadores. Por isso, foi
criado, em 28 de fevereiro, o Dia Internacional de Prevenção
à LER (lesões por esforços repetitivos) e DORT
(distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho). Ontem,
sindicatos de diversas categorias promoveram um ato público no
calçadão da Rua XV de Novembro, em Curitiba, para alertar
a população sobre essa realidade.
Segundo o secretário de Saúde
do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana,
Ademir Vidolin, muitas pessoas já ouviram falar em doenças
como tendinite, mas não sabem que ela pode aparecer devido a
uma função profissional. Por isso, destaca, antes de discutir
o surgimento das doenças é preciso discutir maneiras de
preveni-las. “As empresas tem que acordar para essa questão
da prevenção, e implantar, por exemplo, programas de orientação
postural, ao invés de apenas aumentar as jornadas de trabalho
e cobrar absurdos de metas de produção”, pondera.
Para o sindicalista, “é injusto que a pessoa entre sadia
no trabalho e saia dele doente”.
A LER e DORT são distúrbios
ou doenças do sistema músculoesquelético relacionadas
com o trabalho. Podem atingir, entre outros membros, as mãos,
punhos, braços, ombros e coluna cervical. Se não forem
diagnosticadas e tratadas precocemente, podem levar o trabalhador à
incapacidade temporária ou permanente.
Entre os fatores de risco que podem levar
ao adoecimento por LER e DORT estão: repetitividade, esforço
e força, postura inadequada, vibração, choques
de impacto, e fatores organizacionais - como imposição
de ritmo intenso e sobrecarga de trabalho, pressão por metas
e produtividade, e ausência de pausas durante a jornada de trabalho.
Os principais sintomas das doenças são: dor, formigamento,
dormência, fadiga muscular, perda da força muscular e perda
do controle de movimentos.
De acordo com Vidolin, quando um
acidente ou doença relacionada ao trabalho é identificada,
a empresa é obrigada a emitir o CAT (comunicação
de acidente de trabalho) ao Instituto Nacional de Seguridade Social
(INSS), para que o trabalhador tenha acesso aos seus direitos. Entre
eles, estão o afastamento por auxílio doença acidentário
ou previdenciário. “Hoje, nós sabemos que existem
muitas empresas se recusando a emitir o CAT, mas os trabalhadores podem
buscar auxílio e orientação no sindicato da sua
categoria ou outras instituições de apoio”, finaliza.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
03 de fevereiro de 2006 | Economia
Governo pode criar seguro mais barato
para carros usados
BRASÍLIA - Os proprietários de veículos usados
poderão ter um seguro mais barato. Chamada de seguro popular,
a nova modalidade de apólice deve cobrir as despesas com danos
causados a terceiros e perda total do veículo segurado.
Nos contratos atuais, o proprietário
precisa pagar uma parte do custo do conserto do veículo (franquia)
e o restante é pago pela seguradora. A proposta é da Superintendência
de Seguros Privados (Susep), do Ministério da Fazenda, e ainda
está em fase de elaboração. Segundo o diretor do
Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos
Autorizados (Sincodiv), Edson Maia, o seguro não incluirá
gastos com conserto do carro segurado.
"O reparo num carro mais antigo
é muito caro, porque, às vezes, o custo das peças,
por serem mais difíceis de ser encontradas, faz com que o custo
seja muito elevado", explicou Maia em entrevista à Rádio
Nacional. De acordo com ele, a mudança reduzirá em cerca
de metade o valor do seguro. Maia disse que o preço do seguro
de um veículo usado pode chegar atualmente a mais de 10% do seu
valor de mercado. "Quanto mais pessoas tiverem seguro menor vai
ser o risco de um prejuízo. Então, o risco diminui para
todos, e o seguro tem possibilidade de cair para todo mundo".
Segundo dados da Susep, há
uma queda significativa na contratação de seguro para
veículos com oito anos ou mais de uso. O seguro popular também
prevê a cobertura em caso de roubo, furto ou incêndio do
veículo. Ficam excluídos outros benefícios, como
assistência 24 horas e carros reservas que também elevam
o custo da apólice.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS, 03 de fevereiro
de 2006 | Política
País economiza R$ 500 milhões
na compra de bens e serviços
BRASÍLIA - O governo federal conseguiu economizar R$ 520 milhões
na compra de bens e serviços comuns, que são produtos
padronizáveis, como lápis e computadores e manutenção
de elevadores, por exemplo.
A informação foi
dada hoje pelo secretário de Logística e Tecnologia da
Informação do Ministério do Planejamento, Sergio
Santana, em entrevista coletiva. Segundo Santana, essa economia foi
possível por causa do pregão eletrônico, que, desde
maio do ano passado, obrigou os órgãos do governo federal
a usá-lo como modalidade preferencial de licitação.
O pregão eletrônico permite ao governo economizar entre
30% e 20% no preço do produto em relação ao preço
de mercado.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
03 de fevereiro de 2006
Supremo arquiva ação do
PFL que contesta MP sobre a Previdência
O ministro Sepúlveda Pertence, do Supremo Tribunal Federal, arquivou
à ADPF (argüição de descumprimento de preceito
fundamental), ajuizada pelo PFL (Partido da Frente Liberal) contra a
Medida Provisória 242/05. A MP alterou dispositivos da lei sobre
planos de benefícios da Previdência Social (Lei nº
8.213/91), modificando os cálculos da aposentadoria por invalidez,
do auxílio-doença e do auxílio-acidente.
Na ação, o partido alegava
que, embora a MP já tivesse sido rejeitada, as relações
jurídicas constituídas e decorrentes de atos praticados
durante a vigência da norma foram mantidas, já que o Congresso
não editou, no prazo fixado pela Constituição Federal,
o decreto legislativo para dizer como ficaram essas relações.
O PFL pedia, então, que o Supremo reconhecesse a inconstitucionalidade
da MP e desfizesse os efeitos decorrentes de sua vigência.
Ao analisar o caso, o ministro
Sepúlveda Pertence afastou a alegação de que não
haveria outro meio, a não ser a ADPF, para uma solução
eficaz da controvérsia, já que a MP havia sido revogada.
No despacho, o ministro informou que a norma já foi questionada
em ação direta de inconstitucionalidade.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
03 de fevereiro de 2006
Pedido de justiça gratuita pode
ser feito em qualquer tempo, decide TST
A 1ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) assegurou justiça
gratuita a um trabalhador que deixou de recolher custas processuais
de R$ 258,00 sem apresentar declaração de pobreza. Ex-empregado
da S-Comm Serviços e Engenharia de Comunicação
Ltda, de São Paulo, ele havia recorrido de sentença que
negou pedido de verbas trabalhistas, mas o recurso foi julgado deserto
pela segunda instância, isto porque “o reclamante, condenado
ao pagamento das custas processuais, não providenciou o respectivo
recolhimento, tampouco fez declaração, sob as penas da
lei, que autorizasse a concessão do benefício da justiça
gratuita”.
Para o relator do recurso no TST, ministro
João Oreste Dalazen, foi claramente demonstrado que o autor da
reclamação trabalhista não se encontrava em condições
de assumir as custas judiciais, sem prejuízo do sustento próprio
e da sua família. Nas razões do recurso ordinário
no TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo), ele já
havia reafirmado a condição de hipossuficente, “o
que seria suficiente para a concessão do benefício da
justiça gratuita”, afirmou.
Segundo a assessoria de imprensa do TST,
o relator esclareceu que, nos termos da Lei 1.060/50, o requisito único
para a obtenção da justiça gratuita é que
o postulante receba salário igual ou inferior ao dobro do salário
mínimo ou que declare não estar em condições
de pagar as custas do processo sem prejuízo do sustento próprio
ou de sua família. Também ressaltou que a jurisprudência
do TST (OJ 269, da SDI-1) é de que o benefício da justiça
gratuita pode ser requerido em qualquer tempo ou grau de jurisdicção,
desde que, na fase de recursos, o requerimento seja formulado no prazo
do recurso.
O ministro observou que a concessão
da justiça gratuita somente não pode ocorrer decorrido
o prazo para o recolhimento das custas porque implicaria ofensa a coisa
julgada. No caso, entretanto, afirmou, o pedido foi feito antes de o
seguimento do recurso ordinário ser negado. “Os casos de
assistência judiciária gratuita não se esgotam nos
dispositivos legais citados, sob pena de fazer-se tábula rasa
ao preceito constitucional que a garante gratuitamente a tantos quantos
dela necessitem”, disse.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
03 de fevereiro de 2006
TRT-SP: motorista é vulnerável
a acidente e atropelamento não é justa causa
Um acidente de trânsito, sem provas da culpa do motorista, não
é justa causa para dispensa do empregado. Este entendimento foi
aplicado pela 4ª Turma do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região - São Paulo), no julgamento do Recurso
Ordinário da Auto Ônibus Soamim Ltda.
De acordo com a assessoria de imprensa
do tribunal, um ex-empregado da viação entrou com processo
na Vara do Trabalho de Itapecerica da Serra (SP) buscando reverter sua
dispensa por justa causa. O motorista sustentou que não ficou
comprovado que ele tivesse culpa no acidente de trânsito que justificou
sua demissão.
De acordo com o Boletim de Ocorrência
juntado ao processo, um ciclista, ultrapassado pelo ônibus conduzido
pelo reclamante, virou-se para a direção do veículo
e foi atingido. Com o impacto, ele caiu no solo. O motorista prestou
socorro à vítima ligando para o Pronto Socorro Municipal.
A empresa entendeu que o ex-empregado cometeu um "ato desidioso"
que, de acordo com o artigo 482, alínea "e", da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), é falta grave que justifica a demissão
por justa causa.
A vara julgou o pedido do reclamante
procedente e condenou a viação a pagar ao ex-empregado
todas as verbas devidas pela dispensa sem justa causa. Inconformada,
com a sentença, a empresa recorreu ao TRT-SP insistindo que o
reclamante "incorreu na falta grave de desídia no cumprimento
de suas obrigações, ao atropelar ciclista".
Para o juiz Paulo Augusto Camara, relator
do recurso no tribunal, "a constante exposição ao
trânsito torna os motoristas de ônibus vulneráveis
a acidentes, razão pela qual a eventual ocorrência de um
infortúnio, por si só, não pode ser causa da ruptura
contratual motivada do empregado".
No entender do relator, é preciso
que sejam produzidas "provas concludentes acerca da culpa do motorista
no desencadeamento do acidente, o que não ocorreu na hipótese
dos autos". "O Boletim de Ocorrência simplesmente registra
o acidente, mas não prova a culpa do autor no evento. A ausência
de elementos comprobatórios acerca de imperícia, negligência
ou imprudência do motorista na condução do veículo,
que provocou a queda do ciclista, gerando-lhe lesões nas pernas
e fraturas nos dedos da mão, não autoriza, assim, a convalidação
da ruptura contratual motivada do reclamante", observou o juiz
Paulo Camara.
Por unanimidade, os juízes
da 4ª Turma confirmaram a sentença da Vara de Itapecerica
da Serra e condenaram a viação ao pagamento das verbas
rescisórias pela dispensa sem justa causa, "inclusive a
indenização equivalente ao seguro desemprego".

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