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Agência Câmara, 07 de março
de 2006
Sindicato da CVM quer 'educar' investidor
nacional
O presidente do Sindicato Nacional dos Servidores da Comissão
de Valores Mobiliários (CVM), Fábio Eduardo Galvão
Ferreira Costa, destacou há pouco a necessidade de o Estado
"educar o investidor nacional". Durante reunião da
Sub-Relatoria de Normas de Combate à Corrpução
da CPMI dos Correios, ele sugeriu que o governo destine verbas para
publicar, em jornais de grande circulação, as informações
da autarquia sobre o mercado de capitais.
Segundo Costa, atualmente a CVM não
pode julgar se um investimento é bom ou ruim. A autarquia,
afirmou, apenas certifica informações sobre as companhias
que vão realizar as operações financeiras. O
investidor, então, deveria educar-se para conferir as informações
que constam dos prospectos de investimento e saber de possíveis
riscos.
Fiscalização
Para aumentar a eficiência da
CVM e diminuir os casos de corrupção, Fábio Costa
pediu mais facilidade na hora de quebrar sigilos. Outra sugestão
é a criação de prazos para a guarda de correspondências
eletrônicas corporativas, relativas principalmente a operações
financeiras. O presidente pediu ainda a criminalização
do falso testemunho, inclusive quando prestado à autarquia.
Ele sugeriu que as decisões
da CVM tenham validade de primeira instância. Ou seja, diante
de uma decisão, o acusado só poderia recorrer judicialmente.
Hoje, o recurso é apresentado na própria CVM e as mudanças
são todas administrativas. Por fim, Costa pediu a criação
de um quadro de procuradores dentro da autarquia para levantar as
possibilidades de enquadramento criminal dos casos analisados.
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Agência Câmara,
07 de março de 2006
Projeto estende direitos sociais
a cooperativa de trabalho
O Projeto de Lei 6449/05, do deputado Walter Barelli (PSDB-SP), define
o ato cooperativo típico de cooperativas de trabalho, normatizando
a relação do sócio trabalhador com sua cooperativa.
Segundo o projeto, o ato cooperativo típico das cooperativas
de trabalho se caracteriza pela organização diretiva,
técnica, disciplinar e assistencial das atividades dos sócios
das cooperativas na prestação de serviços, de forma
continuada e em equipes coordenadas, quando identificadas com o objeto
social da cooperativa.
Direitos sociais
Conforme o projeto, são direitos
sociais mínimos dos cooperados que praticam o ato cooperativo:
- duração do trabalho normal
não superior a oito horas diárias e 44 semanais, exceto
quando a atividade, por sua natureza, demandar a prestação
de trabalho por meio de plantões ou escalas, facultando-se a
compensação de horários e jornadas;
- repouso semanal, preferencialmente
aos domingos;
- período de descanso anual, a
ser deliberado pela assembléia;
- adicionais de insalubridade, periculosidade
e penosidade sobre o valor da retribuição pecuniária
estipulada;
- adicional de trabalho noturno.
Finalidade
A cooperativa de trabalho poderá
adotar por objeto social qualquer gênero de serviço, operação
ou atividade, inclusive participar de licitação pública
que tenha por objeto os mesmos serviços, operações
e atividades previstas em seu objeto social.
O sócio poderá realizar
as atividades não eventuais constantes do objeto social da cooperativa
de trabalho em qualquer instalação, inclusive nas dependências
dos contratantes de serviços, privados ou públicos, desde
que preservada, em relação a estes, a autonomia diretiva,
técnica e disciplinar dos trabalhadores sócios.
Características
As cooperativas de trabalho podem realizar
operações de mercado com produtos ou serviços inerentes
a seu objeto social.
As operações decorrentes do ato cooperativo se regem pelos
preceitos gerais do cooperativismo e, especificamente, pelos seguintes
princípios:
– preservação do
caráter fundamental dos direitos sociais e do valor social da
livre iniciativa e do trabalho;
autogestão;
- capacitação e educação
permanente do sócio, visando a sua qualificação
técnico-profissional e a sua formação humana.
São aplicáveis às
operações decorrentes do ato cooperativo as normas de
segurança, medicina e higiene do trabalho previstas na legislação
em vigor e em atos normativos expedidos pelas autoridades competentes.
As operações decorrentes
do ato cooperativo retornarão integralmente ao sócio o
resultado das suas atividades laborativas, deduzidos exclusivamente
os recursos destinados ao rateio dos dispêndios administrativos,
financeiros, assistenciais e legais e, quando for o caso, aos investimentos,
reservas e provisões.
Justificativa
Segundo Barelli, é urgente a aplicação
dos direitos sociais previstos na Constituição à
relação existente entre o trabalhador cooperante e a sua
cooperativa. Para ele, é inadequada a mera sujeição
do trabalhador sócio (cooperado) ao arcabouço jurídico
construído pelo Direito Trabalhista. Ele cita a Declaração
Mundial sobre as Cooperativas de Trabalho Associado, segundo a qual
a relação do sócio trabalhador com sua cooperativa
deve ser considerada como distinta a do trabalho assalariado dependente
convencional e do trabalho individual autônomo.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo
nas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria
e Comércio; de Trabalho, Administração e Serviço
Público; e de Constituição e Justiça e de
Cidadania.
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Agência Senado, 07
de março de 2006
Representantes dos trabalhadores querem
fim do fator previdenciário no cálculo das aposentadorias
O fator previdenciário, criado em 1999 para calcular a aposentadoria
pela Previdência Social, foi criticado nesta segunda-feira (6),
em audiência pública, por representantes de confederações,
sindicatos e associações de trabalhadores. A audiência
foi realizada na Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa (CDH), a pedido do senador Paulo Paim (PT-RS), autor de
um projeto de lei cujo objetivo é extinguir o fator previdenciário
(PLS 296/03).
Atualmente, o valor-base para o cálculo
da aposentadoria consiste na média aritmética simples
dos maiores salários-de-contribuição correspondentes
a 80% de todo o período contributivo do segurado. Esse valor
é multiplicado pelo chamado fator previdenciário, que
é calculado considerando-se, na data de início do benefício,
a idade e o tempo de contribuição do segurado, a expectativa
média de sobrevida para ambos os sexos e uma alíquota
de 31%. Antes, a aposentadoria era calculada pela média aritmética
simples de todos os últimos salários-de-contribuição
do trabalhador, até o máximo de 36, apurados em até
48 meses.
Segundo o diretor do Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz,
a inclusão do fator previdenciário para a concessão
da aposentadoria foi uma atitude extremamente perversa que prejudica
principalmente os trabalhadores mais humildes, que começaram
a trabalhar mais cedo.
Da mesma forma pensa o representante
da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência
Social (Anfip), Floriano Martins. Para ele, as novas regras prejudicam
aqueles que ingressaram mais cedo no mercado de trabalho.
- Ou se extingue o fator previdenciário
ou se cria uma fórmula que permita o equilíbrio financeiro
e a satisfação do segurado para que ele possa se aposentar
aos 30 anos de contribuição e 55 de idade, no caso das
mulheres, e aos 35 anos de contribuição com 60 de idade,
se homem - afirmou Floriano Martins.
Representante da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), Lúcia Regina dos Santos Reis afirmou
que apóia integralmente o projeto de Paim. Já seus colegas
José Carlos Perret Schulte, da Confederação Nacional
dos Trabalhadores (CNTC), e Antônio Cortes, da Força Sindical,
querem que a proposta seja amplamente debatida e popularizada para que
"tenha o respaldo da sociedade e, portanto, não seja vetada
pelo governo", como observou Schulte.
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Nova Central, 07 de março
de 2006
Presidente da Nova Central condena fator
previdenciário em debate no Senado
Na opinião do presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores
e da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria
(CNTI), José Calixto Ramos, o fator previdenciário representava
um dos objetivos macroeconômicos do governo Fernando Henrique
Cardoso. Para José Calixto, esse dispositivo foi criado para
diminuir a despesa previdenciária.
O presidente da NCST afirmou também
que a Previdência Social não pode falar em déficit
quando o país possui mais de 50% de sua população
ativa em atividades informais, não recolhe cerca de R$ 50 bilhões
anuais devido à sonegação fiscal e registra desvio
de recursos previdenciários a outras finalidades.
José Calixto lembrou ainda que
muitos brasileiros morrem antes de gozar o benefício da aposentadoria
porque, conforme afirmou, a expectativa de vida da média dos
brasileiros é inferior às tabelas de sobrevida publicadas
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Paim defende derrubada do fator previdenciário
O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu,
na sessão de hoje, a aprovação de projeto de sua
autoria que derruba o fator previdenciário. Esse fator é
utilizado no cálculo da aposentadoria do trabalhador, segundo
estabeleceu a Lei 9.876/99. Paulo Paim informou que apresentou o projeto
como deputado e o reapresentou como senador em 2003.
Paim acredita que deve haver um amplo movimento pela derrubada do fator
previdenciário, com origem fora do Congresso Nacional e liderado
pelos movimentos sindicais.
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Agência Diap, 07 de
março de 2006
Reforma Trabalhista
Comissão de Trabalho poderá
votar projetos que alteram a CLT
Dezenove proposições poderão ser analisadas nesta
terça-feira, 07/03, a partir das 14h, pela Comissão de
Trabalho da Câmara. Da pauta, destacamos, entre outras matérias,
cinco projetos de lei que alteram a Consolidação das Leis
do Trabalho (CLT). O primeiro deles é o PL nº 4.731/04,
do Executivo, parte integrante da reforma processual trabalhista e que
compõe o chamado “Pacto por um Judiciário mais rápido
e republicano”, firmado em dezembro de 2004 pelos chefes dos três
Poderes.
De acordo com o projeto, será
dada nova redação aos artigos 880 e 884 da CLT, para simplificar
o processo de execução trabalhista ao determinar que o
executado pague ou nomeie bens - ainda que sejam insuficientes para
o pagamento integral da importância reclamada - para garantia
do pagamento. Se não o fizer e o juiz declarar a penhora dos
bens, o executado será impedido de recorrer. Outra proposição
alterando a CLT é o PL nº 3.165/04, que dá nova redação
ao artigo 899, e exige, para interposição de recurso judicial,
depósito prévio no valor total da condenação.
Há também o PL 4.732/04,
que dá nova redação ao artigo 896 para restringir
o recurso de revista (apelação ao Tribunal Superior do
Trabalho) das decisões proferidas às causas com valor
superior a 60 salários mínimos (R$ 15,6 mil).
Destacamos ainda o PL 2.428/03, que estabelece
a legitimidade do Ministério Público e dos sindicatos
para exercerem judicialmente a defesa de interesses ou direitos difusos,
coletivos e individuais trabalhistas e, por último, o PL 3.427/04,
de autoria do deputado Carlos Mota (PSB/MG), estabelecendo normas para
a execução fiscal trabalhista das contribuições
previdenciárias.
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Agência Diap, 07 de
março de 2006
Imposto de Renda
Projeto quer tornar gratuita a declaração
anual de isentos
A Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania (CCJC) da Câmara está com pauta cheia esta semana.
Destacamos, entre as mais de oitenta proposições a serem
apreciadas a partir desta terça-feira, 7/3, às 15h, o
PL nº 3.779/04, do deputado Tarcísio Zimmermann (PT/RS),
que tem a finalidade de tornar gratuita a declaração anual
de isentos à Receita Federal. O projeto conta com parecer favorável
do relator, deputado Jefferson Campos (PTB/SP).
O colegiado poderá apreciar
também o PL nº 4.505/04, que dispõe sobre o reconhecimento
do dia 26 de outubro como o Dia Nacional dos Trabalhadores Metroviários.
O projeto, que é de autoria do deputado Jamil Murad (PCdoB/SP),
conta com parecer favorável do relator, deputado Luiz Alberto
(PT/BA).
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Agência Diap, 07 de
março de 2006
Proteção Solar
Projeto pretende beneficiar trabalhadores
expostos à radiação solar
Entre as 21 matérias agendas pela Comissão de Seguridade
Social e Família para serem apreciadas nesta quarta-feira, às
9h30, destacamos o PL nº 5379/05, que acrescenta dispositivo à
CLT para proteger os trabalhadores em atividades sob radiação
solar. O projeto conta com parecer favorável da relatora, deputada
Maninha (PT/DF).
É importante destacar também
o PL nº 4675/04, que destina o valor arrecadado com o Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre o cigarro e derivados
do tabaco para o tratamento e prevenção de doenças
provocadas pelo uso desses produtos. O projeto conta com parecer favorável
do relator, deputado Dr. Benedito Dias (PP/AP).
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Folha de São Paulo,
07 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Declarações foram feitas em ato promovido por Alckmin
em memória de ex-governador
Em "dia de Covas", FHC prega
ousadia, e Serra, sacrifício
DA REPORTAGEM LOCAL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SANTOS
Evocando a "responsabilidade histórica"
do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, em discurso
ao partido, que na política não se constrói nada
sem ousar. A defesa de um ato de coragem foi encarada por aliados do
prefeito José Serra como um incentivo para que renuncie ao cargo
e concorra à Presidência da República.
"Covas tinha uma lealdade raríssima. Não se constrói
política sem lealdade. Não se constrói nada em
política sem coragem. Tem de ousar. Há momentos em que
se tem que ousar. Não se sabe se vai ganhar ou perder, tem de
saber em que lado está e se jogar. Lealdade e coragem",
afirmou. No evento -organizado pelo governador Geraldo Alckmin no quinto
aniversário da morte do antecessor, Mario Covas-, Serra insinuou
a disposição de concorrer à Presidência ao
pregar o sacrifício de interesses pessoais em favor da unidade
do PSDB.
Ataques
Num dia marcado pela cizânia, o
prefeito disse que "o exemplo [de Covas] é especialmente
pertinente nos dias atuais", quando "muitos se dedicam ao
que chamaria de ataques especulativos contra a unidade do PSDB e sua
clareza de propósito". "São ataques especulativos,
às vezes de dentro, às vezes de fora", queixou-se.
Ele citou Covas como um exemplo porque "jamais, em nome do interesse
pessoal e do que lhe era mais confortável, deixou de mirar no
essencial". "Todos nós fomos testemunhas de seu esforço,
do seu sacrifício pessoal inclusive, em favor do país,
do partido, em favor da unidade", disse Serra, após relatar
que o próprio Covas se submeteu à vontade partidária
em 1989, quando teve de se lançar candidato dois meses antes
das eleições.
Ao fazer seu apelo pela unidade, Serra
falou indiretamente da própria situação e tornou
pública a linha de raciocínio de seus aliados, segundo
a qual só pode sair da desvantagem na corrida presidencial se
contar com o apoio partidário no Estado. Ele lembrou que, em
1994, quando FHC foi lançado, "não tinha essa força
toda no Brasil". "O Real só estava em andamento. Era
uma esperança. E o Mario estava muito bem em São Paulo.
Eu me lembro da força que o Mario deu naquele momento. Uma força
importante. Antes do Real, em abril, maio. Porque candidatura é
uma boa quando a gente sai já à frente ou quando já
está em período de definição para o horário
eleitoral."
Para os serristas, esse foi um apelo
endereçado a Alckmin. Para alckmistas que lotaram a Sala São
Paulo, a promessa de sacrifício em favor do governador. Elogiado
por FHC após o discurso, Serra citou "homens públicos
que, mesmo quando são vivos, estão mortos, porque perdem
o sentido da História" -dando como exemplo os os primeiros-ministros
francês e inglês que, em 1938, assinaram o tratado de Munique,
abrindo concessões à Alemanha nazista. Para Serra, "eles
subestimaram o perigo ou fingiram não perceber o perigo que representava
Hitler".
Alckmin reafirmou, na saída, que
acredita ser o candidato da unidade e comentou o apelo pela ousadia
feito por FHC. "Ousar é sempre bom, mas é preciso
ousar com os pés no chão. É preciso unir o sonhador
ao realizador. Esse é o bom caminho", afirmou.
Tensão
Antes do ato, a tensão interna
no partido, provocada pela indefinição na escolha do candidato
à Presidência, atingiu um grau de evidência inédito.
Serra não compareceu pela manhã à missa em homenagem
a Covas, em Santos, e chegou a cogitar não ir ao ato na Sala
São Paulo, à noite, por temer que ele se tornasse um palanque
para Alckmin. Em Santos, Alckmin insistiu que a decisão do partido
tem que acontecer o quanto antes: "Acho que é um sentimento
de todo o partido, de que chegamos à hora de decisões
e [que isso] não precisa ser feito na véspera, no dia
31 de março."
No evento à noite, houve a exibição
de um vídeo sobre a vida política de Covas no qual Alckmin
apareceu como destacado coadjuvante. Quando Covas citou seu nome, na
gravação, a sala inteira aplaudiu. Serra sentou-se no
espaço reservado às autoridades, mas não ficou
perto de Alckmin. Separavam-nos Lila Covas, FHC, o senador Marco Maciel
(PFL-PE) e o vice-governador Cláudio Lembo.
Convite
Concebido como demonstração
de unidade, o ato acabou acirrando os ânimos no PSDB. Antes do
início do evento, serristas manifestaram preocupação
com a possibilidade de que Serra fosse hostilizado. O prefeito chegou
a cogitar não ir à cerimônia. O líder do
PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), ligado a Serra, afirmou
que as desavenças podem postergar ainda mais uma decisão
do prefeito. "O tempo, para nós, é a unidade",
afirmou.
Secretário municipal de
Subprefeituras, Walter Feldman disse que a preocupação
era que houvesse constrangimento ao prefeito. O convite para o ato,
feito pelo cerimonial do Palácio dos Bandeirantes, não
trazia o nome de Serra, mas citava Alckmin duas vezes. O erro foi corrigido
posteriormente. (CATIA SEABRA, CONRADO
CORSALETTE e MARIANA CAMPOS)
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Folha de São Paulo,
07 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006
Prefeito não aceitou proposta que encerraria disputa com Alckmin
PSDB discute lançar Serra ao governo
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DO PAINEL
Nos corredores e saguões da Sala
São Paulo, onde o PSDB homenageou Mario Covas ontem, aliados
de José Serra e de Geraldo Alckmin discutiam reservadamente a
possibilidade de o prefeito disputar o governo paulista nas eleições
deste ano. Segundo relatos colhidos pela Folha, a proposta foi apresentada
a Serra no final-de-semana. O prefeito teria ouvido tudo calado e afirmado
apenas que, por enquanto, ainda permanece na disputa para ser escolhido
candidato tucano a presidente.
Defensores da estratégia argumentam
que a candidatura Serra ao Bandeirantes seria a única maneira
de o partido manter o controle do Estado que governa há quase
12 anos, desde que Mario Covas foi eleito em 1994, já que Alckmin,
apesar dos bons índices de aprovação, já
foi reeleito uma vez, em 2002. Ainda segundo os entusiastas da idéia
nos dois grupos, o anúncio simultâneo das duas candidaturas
reverteria imediatamente o desgaste do partido por conta da atual disputa,
gerando o que chamam de "agenda positiva".
Segundo um cardeal tucano, é mais
fácil explicar ao paulistano a saída de Serra da prefeitura
para disputar o Estado, pois ele permaneceria na capital e estaria unido
em torno de um projeto. Os quatro nomes apresentados ao PSDB paulista
até agora -José Aníbal, Aloysio Nunes Ferreira,
Alberto Goldman e Paulo Renato Souza- derrapam nas pesquisas, atrás
de Marta Suplicy (PT), Orestes Quércia (PMDB), Aloizio Mercadante
(PT) e Carlos Apolinário (PDT).
O "pacote Bandeirantes" oferecido
a Serra viria acompanhado de um compromisso de Alckmin de, caso eleito,
acabar com a reeleição. Dessa forma, uma vez vitorioso,
o prefeito comandaria São Paulo por quatro anos e disputaria
o Planalto em 2010. Até o discurso de Fernando Henrique Cardoso
ontem foi evocado pelos defensores da estratégia para defendê-la.
O ex-presidente falou em "ousadia", o que seria a senha, segundo
essa corrente, para a dobradinha.
Nos dois grupos -de alckmistas
e serristas-, no entanto, a "tese do Bandeirantes" encontra
resistências. Aliados do governador acham que a corda da disputa
interna está esticada demais e que José Aníbal,
hoje aliado de Alckmin, imporia problemas a Serra. Já os partidários
do prefeito dizem que, se for para correr riscos, Serra preferirá
disputar o Planalto, ainda que não exista unidade do partido
em torno de seu nome. Já os aliados do prefeito mais exaltados
falam que ele não aceitará "prêmio de consolação"
se perder a indicação para presidente e que, se alguém
tiver de fazer sacrifícios, deve ser Alckmin, permanecendo até
o fim do cargo, trabalhando para eleger seu sucessor no Estado.
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Folha de São Paulo,
07 de março de 2006
RETRATO DO BRASIL
Estudo do Bird mostra que país foi da 2ª para a 10ª
posição, a melhor colocação em duas décadas
e meia
Brasil melhora em ranking da desigualdade
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de ocupar o posto de vice-líder
mundial em desigualdade social, o Brasil aparece em décimo lugar
na lista dos países com maior concentração de renda
citada em estudo do Bird (Banco Mundial). Embora não seja exatamente
um motivo de comemorações, é a melhor classificação
em pelo menos duas décadas e meia. "Ascensão e Queda
da Desigualdade Brasileira" é o título do trabalho,
publicado neste mês para tratar da evolução da concentração
de renda no país desde os anos 80. Sua conclusão é:
"Embora ainda muito alta pelos padrões internacionais, a
desigualdade brasileira não é imutável".
O estudo aponta que a concentração
da renda nacional cresceu até chegar a seu ponto máximo
em 1989, no ensaio de hiperinflação do final do governo
José Sarney (1985-1990). Depois de um período de oscilação,
segundo o Bird, vem caindo de forma quase contínua desde 1993,
assim como os níveis de pobreza. A desigualdade é medida
pelo índice de Gini, que varia entre dois extremos hipotéticos:
de zero, uma situação em que todos os habitantes teriam
a mesma renda, a 1, o que significaria toda a renda do país com
uma única pessoa.
De 1981 a 1989, o índice de Gini
brasileiro subiu de 0,574 a 0,625, deixando o país praticamente
empatado com a então campeã mundial da desigualdade -Serra
Leoa e seu 0,629. Em 2004, depois de 11 anos em tendência de queda,
o índice chegou a 0,564, atrás de nove países,
segundo os dados mais recentes à disposição do
Bird. Nessa relação só há países
africanos e latino-americanos, e apenas a África do Sul tem uma
economia razoavelmente desenvolvida.
O próprio trabalho faz ressalvas
ao ranking e aponta as dificuldades de comparação entre
as economias: metodologias e anos de coleta dos dados variam de país
para país -Serra Leoa, por exemplo, está fora da lista
pela ausência de estatísticas recentes. Mas a melhora da
colocação brasileira ajuda a mostrar, como argumenta o
texto, que a "desigualdade [do país] tem sido menos estável
do que às vezes se diz". Trata-se de uma referência,
explicitada em nota de rodapé, a trabalhos como "A Estabilidade
Inaceitável: Desigualdade e Pobreza no Brasil", dos pesquisadores
Ricardo Paes de Barros, Rosane Mendonça e Ricardo Henriques -este,
um dos idealizadores do programa Bolsa-Família.
Causas e méritos
Mais complicado é estabelecer
as causas da queda da desigualdade e da pobreza, cujos méritos
são disputados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva
e seus antecessores tucanos da gestão de Fernando Henrique Cardoso
(1995-2002), com os habituais exageros dos embates políticos.
A partir dos dados disponíveis, avalia-se que é razoável
admitir a influência do controle da inflação pelo
Plano Real, principal marca dos anos FHC, e dos programas oficiais de
transferência de renda, ampliados pelos petistas.
Conforme a Folha noticiou anteontem,
dados indicam que o mercado de trabalho respondeu por cerca de três
quartos da melhoria, enquanto os programas de transferência de
renda fizeram o restante do trabalho. O documento do Bird aponta quatro
outras hipóteses para estudo: a menor desigualdade de rendimentos
entre pessoas de diferentes escolaridades; entre áreas rurais
e urbanas; entre diferentes raças; e maior foco das políticas
sociais nos mais pobres.
A primeira possibilidade recebeu
mais atenção, uma vez que, segundo o estudo, as disparidades
entre os grupos mais e menos escolarizados explicam pelo menos um terço
da concentração de renda no país. Aponta-se que,
de 1993 a 2004, caiu a vantagem dos mais escolarizados no mercado de
trabalho. E, sem concluir, o texto pergunta se isso caracteriza um sucesso
-maior oferta de trabalhadores qualificados- ou um fracasso -a demanda
insuficiente por inovação tecnológica.
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Folha de São Paulo,
07 de março de 2006
TRABALHO
Empregador abaterá no IR valor da contribuição
paga ao INSS; medida vale para um empregado e salário de até
1 mínimo
Governo incentiva o registro de doméstico
SHEILA D'AMORIM
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Como forma de estimular o registro em
carteira de cerca de 1,8 milhão de trabalhadores domésticos
que ganham um salário mínimo ou mais e estão na
informalidade, o governo está garantindo aos empregadores a possibilidade
de abater no Imposto de Renda parte da despesa com a contribuição
patronal à Previdência Social. Hoje, deverá ser
publicada no "Diário Oficial" da União a medida
provisória assinada ontem pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva oficializando a medida.
O desconto valerá para a declaração
do IR de 2007, referente aos rendimentos deste ano. O abatimento será
limitado a um trabalhador doméstico por empregador, que poderá
descontar da base de cálculo do seu IR a contribuição
mensal de 12% ao INSS sobre um salário mínimo. Na prática,
o que o governo está propondo é que as pessoas que têm
empregados domésticos trabalhando sem registro e, portanto, não
pagam a contribuição previdenciária passem a fazê-lo
imediatamente e, no ano que vem, poderão deduzir parte do gasto
na declaração anual de ajuste.
No final das contas, o empregador terá
despesa maior do que a dedução a que terá direito
-gasto de R$ 528 por ano e ganho de R$ 145,20. Por isso, a medida foi
classificada como um "exercício de demagogia explícita"
pelo ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel. Segundo
ele, como o desconto será feito na base de cálculo do
imposto, a despesa feita será diluída e o abatimento,
no final, será de cerca de 3% do salário do trabalhador
-inferior aos 12% que serão recolhidos à Previdência.
O advogado Wladimir Novaes Martinez,
especialista em legislação previdenciária, concorda
com o abatimento a um salário mínimo, mas entende que
o governo não deveria limitar o abatimento a apenas um empregado.
"Quem emprega mais de uma pessoa deve ter benefício maior,
exatamente porque emprega mais." Além disso, Martinez entende
que o benefício deveria ser extensivo também a quem dá
emprego a diaristas -pessoas que trabalham um ou dois dias por semana,
sem registro.
Renúncia de R$ 289 mi
Os principais beneficiários da
MP poderão ser as 553 mil pessoas que já assinam a carteira
de seus empregados e fazem declaração anual do IR. Isso
representa renúncia fiscal de cerca de R$ 289 milhões,
segundo o secretário de Previdência, Helmut Schwarzer.
O universo de trabalhadores domésticos com carteira assinada
é maior, cerca de 1,67 milhão. No entanto muitos são
contratados por pessoas que são isentas de declarar o IR ou fazem
o ajuste com base no modelo simplificado, utilizando o desconto-padrão
de 20% -para essas pessoas, o benefício no IR é zero.
Dadas as limitações da
medida e as restrições impostas pelo governo, os efeitos
do abatimento tanto para quem já assina a carteira como para
o mercado de trabalho doméstico são considerados duvidosos
pelos especialistas, antes mesmo de a MP entrar em vigor.
Dedução
A princípio, todo contribuinte
do IR que tem empregado doméstico com registro em carteira poderá
abater na declaração anual os R$ 528. A medida valerá
até 2011, quando será feita uma avaliação
dos retornos obtidos. Segundo a Secretaria Especial de Política
para Mulheres, existem atualmente no país 6,47 milhões
de empregados domésticos, dos quais que 4,8 milhões não
têm carteira assinada. O governo, no entanto, quer beneficiar
um universo menor: 1,8 milhão. Segundo a ministra da Secretaria
Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéia Freire,
é aí que está o potencial de formalização
porque inclui os trabalhadores com ganhos iguais ou superiores a um
salário mínimo.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de março de 2006 | Brasil
Conheça a nova MP
Como vai funcionar
Quem vai poder abater?
Quem tem empregado doméstico com carteira assinada poderá
abater da base de cálculo do Imposto de Renda os gastos com a
contribuição previdenciária. A compensação
dessas despesas realizadas ao longo deste ano será feita na declaração
anual de ajuste a ser entregue no ano seguinte.
Como será o abatimento?
Cada contribuinte poderá abater os gastos relativos a apenas
um empregado e só terão o benefício os contribuintes
que fazem a declaração pelo modelo completo.
Até quando essa regra
terá validade?
A medida valerá até 2011, quando será feita uma
avaliação dos retornos obtidos.
Como é o pagamento da
contribuição hoje?
Atualmente, a alíquota da contribuição previdenciária
é de 20% do salário, sendo que 12% são de responsabilidade
do empregador e 8% podem ser descontados do salário do empregado.
Quanto poderá ser abatido?
O empregador poderá abater apenas a parcela sob sua responsabilidade
e o total será calculado com base no salário mínimo.
Qual a renúncia fiscal com a medida?
O governo calcula que deixará de arrecadar R$ 289 milhões
no ano que vem com o IR, considerando cerca de 553,6 mil contribuintes
que fazem a declaração anual de ajuste e já assinam
carteira do empregado doméstico.
Essa perda terá alguma
compensação?
Acredita-se que essa perda poderá ser compensada com o registro
de empregados que hoje trabalham sem carteira assinada e passarão
a pagar contribuição previdenciária.
Quais os efeitos esperados?
O objetivo do governo é estimular a formalização
dos trabalhadores domésticos. Pelos cálculos da área
técnica, dos 3,5 milhões de trabalhadores domésticos
que ganham mais do que um salário mínimo, 1,8 milhão
não é registrado. Levantamento feito pelo governo mostra
que cerca de 1,1 milhão de pessoas poderão regularizar
a situação do seu empregado doméstico.
Haverá algum ganho de
receita com a formalização?
Se ocorrer como o previsto pelo governo, haverá um ganho de arrecadação
mais do que suficiente para cobrir a renúncia fiscal inicial
da medida e ainda entrará para os cofres públicos uma
receita extra de R$ 424 milhões.
Como fica o abatimento
Em 2006
Abatimento máximo: R$ 522
Três meses com mínimo de
R$ 300 (janeiro a março) e dez meses com mínimo de R$
350 (abril a dezembro e mais o 13.º salário).
Em 2007
Abatimento máximo: R$ 546 ou R$
42 por mês
Considerando salário mínimo
de R$ 350 e incluindo o pagamento do 13.º salário.
O que muda para o empregador
Poderá abater do Imposto de Renda
R$ 522 em 2006 e R$ 546 em 2007, independentemente do salário
que paga ao empregado doméstico registrado.
O que muda para o empregado
O empregado doméstico que passar
a ser registrado tem direito a férias remuneradas com acréscimo
de 1/3 do salário, licença-maternidade, auxílio-doença,
aviso prévio de 30 dias e aposentadoria, entre outros.
Número de trabalhadores
em serviços domésticos nas seis principais regiões
metropolitanas do país, em milhões*
Jan/031,327
Jan/041,407
Jan/051,557
Jan/061,643
Participação dos
trabalhadores domésticos em relação ao total de
pessoas ocupadas, em %
Jan/037,2
Jan/047,5
Jan/058,0
Jan/068,2
Número de pessoas, nas
seis regiões, que contribuem para instituto de previdência**,
em milhões
Jan/0311,546
Jan/0411,348
Jan/0511,926
Jan/0612,692
*Dados da Pesquisa Mensal de Emprego,
do IBGE, para as regiões metropolitanas de São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Porto Alegre.
**INSS e outros, como os institutos estaduais
e municipais.
Fonte: Secretaria
Especial de Política para as Mulheres e IBGE.
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Folha de São Paulo,
07 de março de 2006
TRABALHO
Representantes de domésticas dizem que só fiscalização
vai combater informalidade e vêem medida "eleitoreira"
Incentivo fiscal é insuficiente,
diz sindicato
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Representantes dos trabalhadores domésticos
acreditam que a decisão do governo, de conceder incentivo fiscal
na declaração do Imposto de Renda do empregador doméstico,
é "insuficiente" para reduzir a informalidade no setor.
O presidente Lula assinou ontem a medida provisória que prevê
o incentivo. O Sindicato dos Trabalhadores Domésticos de São
Paulo (ligado à CUT), que representa as empregadas da capital
e tem cerca de 2.000 associados, diz que o anúncio é "meramente
eleitoreiro".
Para a Federação Nacional
dos Trabalhadores Domésticos (CUT), que reúne 30 sindicatos
no país, será necessário aguardar para avaliar
se o incentivo terá de fato impacto no setor. Emerenciana Lúcia
de Oliveira, presidente do sindicato, afirma que o governo nem sequer
discutiu o projeto com representantes dos trabalhadores: "Se o
governo estivesse de fato preocupado com o trabalhador doméstico,
teria tornado o pagamento do FGTS obrigatório [é opcional],
teria garantido estabilidade para as gestantes desse setor e criado
regras para a jornada de trabalho".
A medida provisória que garante
ao empregador abater da base de cálculo na declaração
anual do Imposto de Renda a contribuição de 12% sobre
o salário do doméstico para o INSS pode gerar, na avaliação
da sindicalista, confusão e aumento da informalidade. "Vai
ter patrão é rebaixando salário para pagar por
fora, o que na prática é aumentar a informalidade",
diz Lúcia de Oliveira, ao se referir ao fato de que o abatimento
previsto na MP pode ser feito apenas sobre o valor do salário
mínimo e limitado a um trabalhador.
"O governo pensa que a doméstica
é "bobinha", não sabe de seus direitos. O que
está por trás desse anúncio é um ano eleitoral",
diz. Para combater a informalidade, a federação nacional
da categoria acredita que o governo federal deveria intensificar a fiscalização
no setor. "Essa é uma categoria dispersa, formada em sua
maioria por mulheres de baixa escolaridade, com difícil acesso
à informação e com dificuldades de organização.
Tem de haver fiscalização e punição para
os empregadores que não recolhem as contribuições
previdenciárias e não registram em carteira", diz
Creuza Maria Oliveira, presidente da federação. Lúcia
de Oliveira concorda. "Se o INSS quer encher os cofres e aumentar
sua arrecadação, por que não fiscaliza e multa
os empregadores que não cumprem a lei?"
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de março de 2006 | Paraná
TRANSPORTE-Trabalhadores exigem 6% de reajuste,
empresas oferecem 5%; paralisação é por tempo indeterminado
Motoristas e cobradores de Curitiba
entram em greve
Feabio Alexandre/Gazeta do Povo
Cerca de 14 mil funcionários do transporte coletivo da capital
pararam de trabalhar hoje.
O transporte público de Curitiba entrou em greve à zero
hora de hoje, após decisão em assembléia dos trabalhadores
do Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte
de Passageiros (Sindimoc) e do Sindicato das Empresas de Transporte
de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp).
Segundo os sindicalistas, a paralisação é por tempo
indeterminado. O motivo é o reajuste nos salários. Enquanto
motoristas e cobradores exigem 6% de aumento, as empresas de transporte
oferecem 5%.
Antes do encontro, o clima era de acerto.
O vice-presidente do Sindimoc, Valdecir Bolete, chegou a considerar
como boa a proposta de 5%. “A inflação acumulada
nos últimos nove meses foi de 2,7%. Com o reajuste, teríamos
um ganho real de 2,3%”, explicava. O vice-presidente também
comentou que preferia fazer um acordo a ter que discutir a questão
na Justiça. “Se formos para o dissídio será
ruim. O juiz deve dar somente a inflação”, afirmou
antes da assembléia.
Quem também estava otimista com a decisão antes da assembléia
era o assessor jurídico do Setransp, Carlos Alberto Ribas Santiago.
Ele participou das reuniões de ontem e afirmou que os 5% de reajuste
deveriam ser aceitos pela empresa. Com a decisão da categoria,
a empresa prometeu viabilizar o aumento.
A assessoria da Urbs, empresa que administra
o transporte coletivo na capital e região, deve se manifestar
hoje. Perguntada se o aumento dos funcionários provocaria um
aumento no valor das tarifas dos ônibus, a assessoria disse que
não está nos planos do órgão o reajuste
no passe. Segundo a Urbs, a folha de pagamento representa 50% do valor
da tarifa e a negociação do aumento salarial não
deve refletir para o usuário final.
De acordo com a assessoria da Urbs, as
planilhas de custos já prevêem reajustes anuais dos funcionários,
desde que sejam aplicados os mesmos porcentuais da inflação
dos últimos doze meses.
Reunião
Ontem de manhã, o prefeito de
Curitiba, Beto Richa, se reuniu com o governador Roberto Requião
para discutir medidas que possam evitar um aumento nas tarifas do transporte
coletivo de Curitiba e região metropolitana.
Uma das medidas que mais influenciariam
no valor final do passe seria a redução do Imposto sobre
Serviços e Circulação de Mercadorias (ICMS) na
compra do óleo diesel. De acordo com o governo do estado, a desoneração
do ICMS na compra de óleo diesel poderá causar impacto
de 2,5% a 3% no valor final.
Sérgio Luís de Deus e Ewando
Schenkel - Gazeta do Povo Online
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de março
de 2006 | Economia
Comércio
Balança tem superávit
de US$ 6,2 bilhões
A balança comercial registrou superávit de US$ 629 milhões
na primeira semana de março, resultado de exportações
de US$ 1,423 bilhão e importações de US$ 794 milhões.
Ao contrário da tendência de crescimento forte verificada
no primeiro bimestre do ano, as importações tiveram uma
queda de 1,4% em relação a março de 2005. Com o
resultado, o superávit acumulado no ano chega a US$ 6,295 bilhões.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07 de março
de 2006 | Economia
Indústria
Produtividade cresce apenas 2,3%
em 2005
Depois de avançar 6,1% em 2004, a taxa de produtividade da indústria
brasileira avançou apenas 2,3% ano passado, conforme o Instituto
de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Na avaliação
do instituto, os juros altos afugentaram os investimentos. A estimativa
é de que o crescimento adequado deveria ser de 4%.
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JORNAL DO ESTADO, 07 de março
de 2006
Acidentes de Trabalho
Punho, palma e dedos são os alvos
Em 2004, 7.405 trabalhadores perderam a mão
devido ao uso de equipamentos obsoletos
Andressa Rovani
Folhapress
A mão é um dos principais instrumentos de trabalho do
profissional. Perdê-la significa não só um grande
trauma físico e psicológico como o fim inesperado da força
de trabalho do empregado.
Porém, apesar da relevância,
mais de um terço (34,2%) de todos os acidentes ocupacionais notificados
no Brasil atinge as mãos, segundo as últimas estatísticas
do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Quase 10% deles são
considerados traumáticos. Em 2004, 7.405 trabalhadores tiveram
uma ou ambas as mãos amputadas; outros 2.378 sofreram lesão
por esmagamento. Naquele ano, os acidentes mais comuns foram os ferimentos
do punho e da mão (14%), as fraturas (7%) e os traumatismos (5,2%).
“Os acidentes de trabalho envolvendo
as mãos têm chamado a atenção pelos índices
elevados. Nos dados oficiais, eles envolvem desde os traumáticos
até aqueles denominados ferimentos menores e doenças ocupacionais”,
aponta Maria Helena Palucci Marziale, professora da Escola de Enfermagem
de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo.
Tanto na área urbana como na rural,
são as máquinas e os equipamentos obsoletos e inseguros
que levam à mutilação das mãos. Segundo
o Plano Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador,
esses instrumentos são responsáveis por cerca de 25% dos
acidentes de trabalho graves e incapacitantes registrados no país.
Por isso, uma norma regulamentadora do
Ministério do Trabalho impede, a partir deste mês, a fabricação
de qualquer maquinário para trabalhadores de regiões não
urbanas sem proteção.
“Na área rural, há
máquinas picadoras de produtos vegetais que não apresentam
nenhum resguardo. Na Bahia, por exemplo, há 3.000 trabalhadores
mutilados vítimas do processo de produção do sisal”,
diz a pesquisadora Rosa Yamashita, da Fundacentro (Fundação
Jorge Duprat Figueiredo de Medicina e Segurança do Trabalho),
entidade ligada ao Ministério do Trabalho e Emprego.
“É preciso considerar ainda
que o registro dos casos depende da qualidade da assistência médica
que a população recebe em caso de acidente”, assinala
Francisco Pedra, pesquisador da Ensp/Fiocruz (Escola Nacional de Saúde
Pública Sergio Arouca). E completa: “Muitos diagnósticos
não conseguem relacionar a causa do acidente com o ambiente de
trabalho. Além disso, só os segurados entram nas estatísticas”.
Para o pesquisador, o fato de a empresa
ser obrigada a remunerar o trabalhador vítima de acidente nos
15 primeiros dias — o restante dos dias fica a cargo do INSS —
é um dos fatores que levam à baixa notificação
de casos.
Riscos biológicos tem avaliação
errada
Um corte ou uma pequena perfuração nas mãos pode
passar despercebido como acidente de trabalho. Mas, no setor de saúde,
são os pequenos ferimentos que escondem as lesões mais
graves.
Provocados por manipulação
de agulhas, cateteres intravenosos, lâminas e vidrarias e por
contato com fluidos corpóreos, ferimentos inofensivos à
primeira vista expõem o trabalhador a doenças como hepatite
e Aids.
“Muitos profissionais vitimados por lesões na pele não
notificam as ocorrências por não acreditarem na possibilidade
de contaminação. As reais conseqüências desses
casos ainda são desconhecidas, devido à ausência
de registros e de programas de acompanhamento”, diz Maria Helena
Palucci Marziale, professora da USP e coordenadora da Repat (Rede de
Prevenção de Acidentes de Trabalho com Material Biológico
em Hospitais Brasileiros), instituição ligada à
universidade.
Segundo dados recolhidos pela entidade,
as vítimas dos acidentes com risco biológico são,
predominantemente, mulheres, auxiliares de enfermagem, entre 20 e 29
anos (leia mais à pág. 3).
O Brasil tem quatro casos de soroconversão do HIV; nos Estados
Unidos, segundo Marziale, os casos de HIV chegam a 191 e os de hepatite
B, a 800 infectados. (AR)
Registraram como abandono do emprego
Ele não percebeu quando a prensa de 45 toneladas caiu sobre quatro
dedos de sua mão esquerda. Notou, porém, que o barulho
seco que a máquina fazia não havia se repetido. Daquela
vez, diz, o som foi “quase macio”. O registro como prensador
júnior era o primeiro de José Cícero Silva Junior,
22 anos. Ele diz ter achado estranho, quando saiu do hospital, que o
responsável pela firma não o tivesse procurado, não
atendesse a seus telefonemas e o tratasse como um desconhecido. “Enquanto
me recuperava, a ausência foi registrada como abandono de emprego.
Foi omissão total”, conta. Hoje, quase três anos
depois e passado o período de tratamento — que teve de
custear sozinho —, Silva Junior não pode mexer a mão
esquerda. Não conseguiu aposentar-se por invalidez. (AR)
Doença do trabalho cresceu 19 vezes
O trabalhador brasileiro anda cada vez mais doente. E a culpa é
do emprego. Entre 1980 e 2004, a notificação das doenças
relacionadas ao exercício da profissão aumentou 19 vezes.
Há 26 anos, as moléstias profissionais representavam apenas
0,3% dos acidentes de trabalho; em 2004, atingiram 6% das notificações
registradas formalmente, de acordo com as estatísticas da Previdência
Social. Do ponto de vista legal, acidentes de trabalho são os
que ocorrem no trajeto e no exercício da função,
além das doenças ocupacionais. Embora não totalmente
controladas, as velhas mazelas, como dermatoses e intoxicações,
deram espaço a novas síndromes. Classificada no fim da
década de 1980 como moléstia ocupacional, há 15
anos uma doença lidera o ranking das enfermidades entre trabalhadores:
é a lesão por esforço repetitivo ou os distúrbios
osteomusculares relacionados ao trabalho (LER/Dort) _que, por sua vez,
tem nas mãos do trabalhador um dos principais alvos. Só
na cidade de São Paulo, ao menos 310 mil pessoas têm o
diagnóstico clínico de LER, segundo um levantamento feito
pelo Datafolha em 2001 a pedido do Instituto Nacional de Prevenção
às LER/Dort (Prev LER). (AR)
Lesões não escolhem mais uma profissão
Quando a doença passou a
ser notificada, a categoria que se destacava era a de digitadores. Hoje,
porém, não há mais um público-alvo e a lesão
atinge diversas profissões, entre elas as com repetição
de movimento e sobrecarga. Um dos atingidos pela LER/ Dort é
Valdo Lopes da Silva, 41, que começou a trabalhar como bancário
em 1987. Afastado há seis anos do ambiente de trabalho, diz que
já ficou dias sem conseguir dormir. “Não sou mais
bancário, sou lesionado”, diz ele. Três dedos da
mão e o antebraço sofreram lesão. “Aos 35
anos, minha vida tinha acabado.” (AR)
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NOTÍCIAS DA NCST, 07
de março de 2006
STF deverá manter verticalização
O Supremo Tribunal Federal (STF) deverá frustrar a expectativa
de uma parte dos partidos políticos de acabar ainda nestas eleições
com a verticalização, regra que impede que partidos adversários
na disputa presidencial se aliem nos Estados.
Para dar uma resposta rápida aos partidos, que têm pressa
nessa definição para firmar as suas alianças, ministros
do STF cogitam julgar na semana que vem o mandado de segurança
movido pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) em janeiro, informou o jornal
Folha de S.Paulo. O deputado pediu a suspensão da tramitação
da emenda ou, caso o julgamento ocorresse após ela ser promulgada,
a proibição de sua aplicação nestas eleições.
Definição Como o julgamento dessa ação
só deverá ocorrer em abril, por causa de ritos que terão
de ser seguidos, o mandado de segurança de Miro Teixeira passou
a ser visto como alternativa para uma definição imediata.
Para decidir sobre a validade da verticalização nestas
eleições, o STF examinará o alcance do artigo 16
da Constituição, a seguir: "A lei que alterar o processo
eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação,
não se aplicando à eleição que ocorra até
um ano da data de sua vigência".
No Congresso, o argumento recorrente é que o artigo não
se aplicaria a emenda constitucional, porque fala em lei. Ministros
do STF ouvidos pela jornal rejeitaram essa interpretação
dizendo que a emenda não pode ser usada para driblar uma proibição
constitucional contra o casuísmo.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/03/2006
TST: Empregado dirigente de sociedade cooperativa
é estável
O dispositivo da legislação
ordinária (art. 55 da Lei nº 5.764 de 1971) que garante
estabilidade provisória aos empregados eleitos diretores de
sociedades cooperativas não afronta a Constituição
e, portanto, permanece em vigor. Esse posicionamento foi adotado pela
Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que negou recurso
de revista ao Banco Bradesco S/A, conforme voto do juiz convocado
Altino Pedrozo dos Santos (relator). A decisão garantiu a reintegração
de um empregado e o pagamento das parcelas decorrentes de sua demissão
indevida.
A manifestação do TST
também resultou na manutenção de acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (com jurisdição
no Estado do Rio de Janeiro). Com base nas provas do processo, o TRT
fluminense confirmou que o trabalhador fora demitido pelo Bradesco,
enquanto diretor da Cooperativa Habitacional dos Bancários
de Campos dos Goytacazes Ltda.
Sob essa condição, o
trabalhador detinha a estabilidade prevista na Lei 5764/71, concluiu
o TRT, que determinou o retorno do trabalhador aos quadros do Bradesco
e o pagamento dos salários correspondentes ao período
em que esteve afastado. Segundo a legislação, “os
empregados de empresas que sejam eleitos diretores de sociedades cooperativas
pelos mesmos criadas, gozarão das garantias asseguradas aos
dirigentes sindicais pelo artigo 543 da Consolidação
das Leis do Trabalho” (art. 55).
A defesa do Bradesco questionou a vigência
da legislação aplicada pelo TRT fluminense por entender
que não tinha sido recepcionada pela atual Constituição.
Afirmou, no TST, que a revogação ocorreu porque os dirigentes
de sociedades cooperativas não estão presentes em quaisquer
das hipóteses de estabilidade provisória inscritas na
Constituição, restritas aos dirigentes sindicais (art.
8º, VIII) e diretores de comissões internas de prevenção
de acidentes – CIPA (art. 10, II, “a” das Disposições
Constitucionais Transitórias).
O relator do recurso observou que o
argumento empresarial não possuía sustentação
jurídica pois os dispositivos constitucionais apontados não
tratam do tema disciplinado pela Lei 5764/71. “O fato de não
disporem sobre o assunto também não permite inferir
que houve revogação, porquanto ditas garantias não
excluem outras já previstas na legislação infraconstitucional”,
sustentou Altino Pedrozo.
Também foi destacado que outro
dispositivo constitucional, o art. 7º, I, da Constituição,
sobre a proteção da relação de emprego
contra dispensa arbitrária ou sem justa causa, refere-se à
generalidade dos trabalhadores. Já a garantia instituída
na lei questionada trata apenas dos empregados que ocupam cargo de
diretor de cooperativa.
“As leis ordinárias
prevendo casos de garantias no emprego em situações
especiais são compatíveis com a Constituição
Federal”, concluiu Altino Pedrozo. Para reforçar seu
argumento, citou, ainda, o artigo 118 da Lei n.º 8.213/1991,
que assegura estabilidade provisória ao empregado acidentado,
considerado constitucional pela Súmula nº 378 do TST.
(RR 608832/1999.3)
ATUALIZAÇÃO
DAS INFORMAÇÕES SINDICAIS
Sindicatos de Trabalhadores que concluíram
a solicitação de
Atualização até
07/03/2006 às 09:00 hrs
Por
Central Sindical
| CENTRAL |
ENTIDADES |
PERCENTUAL |
1.
CUT – CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES |
1.375 |
51,58% |
2.
FS – FORÇA SINDICAL |
559 |
20,97% |
| 3.
NCST – NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES |
384 |
14,40% |
4.
CGT – CONFEDERAÇÃO GERAL DOS TRABALHADORES |
138 |
5,18% |
5.
SDS – SOCIAL DEMOCRACIA SINDICAL |
138 |
5,18% |
6.
CAT – CENTRAL AUTÔNOMA DOS TRABALHADORES |
38 |
1,43% |
7.
CGT BRASIL CENTRAL GERAL DOS TRABALHADORES BRASIL |
16 |
0,60% |
8.
CENTRAL NACIONAL DOS TRABALHADORES – CNT |
08 |
0,30% |
9.
UNIAO SINDICAL INDEPENDENTE |
04 |
0,15% |
10.
UNIAO NACIONAL SINDICAL – UNIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS
|
02 |
0,08% |
11.
CENTRAL BRASILEIRA DE TRABALHADORES E EMPREENDEDORES - CBTE
|
01 |
0,04% |
12.
CENTRAL SINDICAL DOS TRAB. EM TRANSP. RODOVIARIOS |
01 |
0,04% |
13.
POLO SINDICAL DA REGIÃO DE LIVRAMENTO |
01 |
0,04% |
14.
UNIÃO SINDICAL BRASILEIRA (USB) BRASIL |
01 |
0,04% |
| TOTAL |
|
100,00 |
| Fonte:
Ministério do Trabalho |
|

|