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Agência Diap, 10
de março de 2006
Fator Previdenciário
Senado aprova fim da regra; inclusão
previdenciária e novos critérios de aposentadoria
Após o apelo de várias entidades de trabalhadores, que
estiveram presentes nesta segunda-feira em audiência promovida
pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para discutir o PLS
nº 296/03, uma importante vitória foi registrada hoje:
o colegiado aprovou o projeto que revoga o fator previdenciário.
O projeto, que é de autoria
do senador Paulo Paim (PT/RS), destacou a importância do fim
do fator previdenciário por prejudicar os trabalhadores, especialmente
os que começaram a trabalhar mais cedo. “Estamos dando
um passo importante em favor dos direitos dos trabalhadores brasileiros.
O fim do fator previdenciário é uma vitória histórica”,
declarou.
Aprovado no governo anterior e transformado
na Lei nº 9.876/99, o fator previdenciário é um
redutor das aposentadorias, aplicado no cálculo dos benefícios
por tempo de contribuição. Ele reduz em 30% e 35% -
respectivamente para homens e mulheres - o valor do benefício
que os trabalhadores recebiam quando na ativa.
Essa é mais uma importante conquista
dos trabalhadores e que contou com o apoio incondicional do senador
Paim. Ao lado das confederações, centrais, federações
e sindicatos de trabalhadores, procurou o senador gaúcho aprovar
o projeto que acaba com a penalização dos trabalhadores
no momento em que mais precisam de auxílio: a aposentadoria.
Aprovado em caráter terminativo, o projeto segue para votação
na Câmara dos Deputados.
Inclusão previdenciária
O Senado aprovou também o PLS
nº 318/05, do senador Rodolpho Tourinho (PFL/BA), que cria sistema
especial de inclusão previdenciária. O projeto determina
que a alíquota de contribuição previdenciária
- do contribuinte individual com renda mensal de até dois salários
mínimos e que trabalhe por conta própria, sem relação
de trabalho com empresa ou equiparado, e do segurado facultativo sem
renda própria que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico
no âmbito de sua residência, desde que pertencente a família
de baixa renda - será de 11% (onze por cento) sobre o valor
correspondente ao limite mínimo mensal do salário de
contribuição, desde que esses segurados optem pela exclusão
do direito ao benefício de aposentadoria por tempo de contribuição.
À Câmara
O parecer foi aprovado em homenagem
ao Dia Internacional da Mulher, nesta quarta-feira, dia 8 de março.
Vai agora ao exame da Câmara, já que tem poder conclusivo
na comissão.O relator da matéria na Comissão
de Assuntos Sociais foi o senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG).
Critérios especiais para
aposentadoria
A CAS aprovou ainda o parecer favorável
ao PLS nº 358/05 (Complementar), de autoria do senador Flávio
Arns (PT/PR), que estabelece critérios especiais para a concessão
de aposentadoria ao segurado portador de deficiência pelo Regime
Geral da Previdência Social.
Pelo texto, que será examinado
também pelo plenário, fica aberta a possibilidade de
aposentadoria por idade aos 55 anos, para os homens, e 50, para as
mulheres, desde que o portador de deficiência tenha feito pelo
menos 180 contribuições - no caso de ter-se inscrito
depois de 1991 - e de 60 a 180 contribuições para os
que tiverem se inscrito antes dessa data.
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Agência Diap, 10 de
março de 2006
Verticalização
Congresso promulga emenda que põe
fim à regra das coligações; polêmica agora
é com o STF
Em sessão solene do Congresso Nacional, os presidentes do Senado,
Renan Calheiros (PMDB/AL), e da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB/SP),
declararam promulgada, na manhã de ontem, 08/03, a Emenda Constitucional
nº 52, que autoriza os partidos a fazerem as coligações
que desejarem nas eleições, acabando, assim, com a regra
da verticalização. A promulgação foi resposta
à decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE),
que na semana passada, obrigou os partidos a seguirem nos estados e
municípios as coligações firmadas para a sucessão
presidencial nas eleições deste ano. Isto é, o
Tribunal manteve a verticalização.
O 1º secretário da Mesa do
Congresso, deputado Inocêncio Oliveira (PL/PE), leu o texto da
nova emenda, assinada pelas direções da Câmara e
do Senado, com cópias que serão destinadas às duas
Casas do Legislativo, à Presidência da República
e ao Arquivo Nacional.
A Emenda dá nova redação
ao artigo 17, parágrafo 1º, da Constituição
Federal para assegurar aos partidos o poder de adotar, na forma da lei,
os critérios de escolha e o regime de suas coligações
eleitorais em nível nacional, estadual ou municipal sem a obrigatoriedade
de vinculação.
O texto em vigor já garante aos
partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna,
organização e funcionamento, devendo seus estatutos estabelecer
normas de fidelidade e disciplina partidárias. A promulgação,
que ocorreu em breve cerimônia, sem discursos, foi encerrada sob
aplausos do plenário.
A polêmica quanto à
aplicação da regra da verticalização gerada
entre o TST e o Congresso não está concluída. Já
é certo que a AOB entrará com Ação Declaratório
de Inconstitucionalidade (Adin), no Supremo Tribunal Federal, questionando
a aplicação Emenda para as eleições deste
ano.
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Diário Vermelho,
10 de março de 2006
Programa de Alimentação do Trabalhador
CUT propõe que benefícios
do PAT sejam estendidos a domésticas e servidores
No próximo dia 13, a CUT levará até o Consea (Conselho
Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional) a proposta de
incluir as empregadas domésticas e todos os servidores públicos
no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), para
que as duas categorias conquistem o direito de receber vale-refeição
ou cesta básica de alimentos.
A proposta será defendida pelo
representante da CUT no Consea, Arimatéia França, durante
a próxima reunião do Conselho. A CGTB, que tem assento
no Consea, está junto com a CUT nessa reivindicação,
que objetiva atender trabalhadores que ganhem até cinco salários
mínimos. "Nossa proposta é que quem contrata trabalhadoras
domésticas também possa contar com a possibilidade de
abater do imposto de renda os investimentos com o auxílio-alimentação,
como já acontece com as empresas, que têm isenção
de 4%. Para estimular a prática no serviço público,
a fórmula pode incluir ajustes no Fundo de Participação
dos Municípios e outros repasses federais", explica Arimatéia,
que também é presidente da CUT-PB.
A idéia é anterior à
medida provisória que concede benefícios fiscais a quem
registrar trabalhadoras domésticas em carteira, encaminhada pelo
governo federal esta semana. Na opinião de Arimatéia,
a confluência da MP com a reunião do Consea pode ajudar
na adoção da proposta de incluir domésticas no
PAT. Desde sua origem, a proposta prevê o auxílio-alimentação
também para as trabalhadoras domésticas sem registro em
carteira. As verbas para viabilizar a medida, segundo Arimatéia,
poderão ser garantidas pelo Codefat (Conselho Deliberativo do
Fundo de Amparo ao Trabalhador) que, por sua autonomia, dispensaria
tramitação no Congresso Nacional. Segundo cálculos
do governo, há no Brasil 6,47 milhões de empregados domésticos,
dos quais 4,8 milhões não têm carteira assinada.
Entre os trabalhadores públicos,
os mais vulneráveis são os municipais, daí a importância
de estudar a concessão de benefícios a partir do Fundo
de Participação dos Municípios. "Mas, nesse
caso, será necessário negociar com o Congresso",
avalia o dirigente.
Arimatéia reconhece que
a medida, mesmo se aprovada, não funcionará sem fiscalização
ou outros mecanismos que garantam o respeito ao direito conquistado.
"Mas não podemos nos negar a lutar pelas mudanças
por temer que parte delas não serão cumpridas", contrapõe.
E sugere algumas medidas para garantir a aplicação prática
da conquista. "Primeiro, é necessário mudar a estrutura
sindical do Brasil, como tanto estamos lutando na defesa da reforma.
Mas já existem instrumentos que podemos usar desde já.
É preciso dar uma ampla e permanente divulgação
dos direitos existentes, e essa é uma tarefa dos ministérios
e dos sindicatos combativos. Acredito que a partir disso podemos estimular
os trabalhadores a reclamar o que merecem. E, é claro, organizar
os trabalhadores através de ação sindical".
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Diário Vermelho,
10 de março de 2006
Economia
Indústria encolhe 1,3% após
3 meses de alta, aponta IBGE
A produção industrial brasileira registrou queda de 1,3%
em janeiro na comparação com dezembro, segundo dados divulgados
ontem (9) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Foi o primeiro resultado negativo após três meses em alta.
Em relação a janeiro do ano passado, o crescimento foi
de 3,2%. Em dezembro, a indústria brasileira havia crescido 2,4%
em relação ao mês anterior. Diante do fraco resultado
do terceiro trimestre em razão do processo de ajuste de estoques
ainda existiam dúvidas sobre a continuidade da expansão
da indústria.
Com o resultado negativo de janeiro,
a taxa acumulada em 12 meses continua em desaceleração
e passou de alta de 3,1% até dezembro para 2,9% até janeiro.
As expectativas de analistas para o crescimento do setor apontam para
um crescimento da ordem de 4,19% no ano segundo o último Relatório
de Mercado, organizado pelo Banco Central junto a instituições
financeiras. Em 2004, a indústria cresceu 8,3% e em 2005, a expansão
ficou em 3,1%. O resultado do IBGE contraria dado do nível de
atividade da indústria paulista, divulgado nesta semana, que
apontou crescimento de 1,5% para a produção.
Entre as categorias de uso, houve queda
com bens de consumo duráveis (móveis, eletrodomésticos
e veículos), de 5,7%. Segundo o IBGE, o recuo ocorreu após
um aumento de 17,7% no mês anterior. A produção
de bens de capital (máquinas e equipamentos) teve queda de 3,6%,
e a de bens de consumo semiduráveis e não-duráveis
(roupas e alimentos) recuou 1,8%. Por atividade, a queda de 1,3% entre
dezembro e janeiro atingiu 12 dos 23 ramos pesquisados pelo IBGE. As
quedas mais significativas foram de veículos automotores (-7,6%),
farmacêutica (-10,2%) e máquinas, aparelhos e materiais
elétricos (-6,1%). Por outro lado, houve crescimento representativo
na indústria extrativa (1,6%), bebidas (2,9%) e vestuário
(4,9%).
Dados da CNI
Os resultados da produção industrial de janeiro mostram
uma "acomodação após um crescimento significativo",
segundo avalia o chefe da coordenação de indústria
do IBGE, Silvio Sales. De acordo com ele, essa acomodação
pode refletir ainda uma normalização dos estoques, que
parecia ter sido concluída em dezembro. No entanto, Sales alerta
que somente os dados de vendas industriais da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) que serão divulgados na semana
que vem poderão revelar a relação entre o movimento
de estoques e os dados da produção do setor. Caso a CNI
aponte crescimento das vendas, poderá ser um importante sinal
de reação da atividade industrial nos próximos
meses.
Sales salientou que em janeiro, na comparação
com dezembro, houve recuo na produção em 12 dos 23 segmentos
industriais ajustados sazonalmente pelo IBGE. Os destaques de impactos
de queda na produção nessa base de comparação
foram veículos automotores (-7,6%), farmacêutica (-10,2%)
e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-6,1%). Ele
destacou que esses três segmentos vinham de um crescimento forte
em dezembro ante novembro, trajetória que fora observada nos
dados industriais em geral e que podem ter levado a um efeito base nos
números ajustados de janeiro.
Segundo Sales, a queda de 1,3% na produção
em janeiro ante dezembro pode apontar que a indústria não
recebeu as encomendas esperadas do varejo e do mercado externo neste
início de ano. Mas para checar o que acontecerá com o
setor a partir de janeiro será necessário esperar os dados
de fevereiro. "Por enquanto o que há é uma acomodação
depois de forte crescimento, sem reversão no indicador de média
móvel trimestral", explicou.
Indústria extrativa
Para ele, não há contradição entre os dados
divulgados pela Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp) nesta semana, mostrando bom desempenho da
indústria paulista, e os dados do IBGE. Segundo Sales, os dados
da Fiesp não incluem produção, mas uma mistura
entre vendas, horas trabalhadas e nível de utilização
de capacidade. Além disso, segundo ele, ainda que aconteça
raramente, pode ser que em janeiro a indústria paulista tenha
se descolado do restante do País, mostrando desempenho bem melhor
do que a média. Mas essa possibilidade só poderá
ser confirmada pelo IBGE no próximo dia 15, quando serão
apresentados os dados regionais da indústria relativos a janeiro.
Os dados da produção industrial de janeiro mostraram mais
uma vez a indústria extrativa mineral com desempenho bem melhor
do que o apresentado pela transformação. Na comparação
com dezembro a extrativa mineral cresceu 1,6%, ante uma queda de 1,9%
na indústria de transformação. Ante janeiro de
2005, a extrativa mostrou crescimento de 12,8%, enquanto a transformação
elevou a produção em 2,7%. Sales observou que a indústria
extrativa vem sendo beneficiada pelos ótimos comportamentos na
produção de petróleo e de minério de ferro.
O segmento de petróleo e gás elevou a produção
em 12 4% em janeiro ante igual mês do ano passado e a extração
de minerais ferrosos aumentou 17,6%.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
10 de março de 2006 | Economia
Sazonalidade afeta o faturamento da indústria
BRASÍLIA - A desaceleração
sazonal da atividade produtiva em diversos setores levou a uma queda
de 6,19% no faturamento da indústria mineira no mês de
janeiro em relação a dezembro, segundo revela a Pesquisa
Indicadores Industriais da Fiemg, divulgada hoje.
De acordo com Lincoln Gonçalves
Fernandes, presidente do Conselho de Política Econômica
e Industrial da entidade, o recuo das vendas no mercado interno e das
exportações explica o desempenho negativo da indústria.
“Os números não surpreendem,
pois estão ligados a uma realidade sazonal mundial de desaquecimento
da atividade econômica, típico do início do ano”,
ressaltou Fernandes.
Entre os setores que sofreram as maiores
quedas estão os de mecânica (-40,64%), celulose, papel
e papelão (-27,56%), bebidas (-22,32%), vestuário e artefatos
de tecidos (-21,37%), produtos alimentares (-15%), material de transportes
(-12,17%) e calçados (-12,12%).
A valorização da taxa de
câmbio em 15,56% contribuiu para reduzir o valor das exportações
ao longo de 2005. Na comparação com janeiro do ano passado,
entretanto, o faturamento da indústria mineira subiu 7,64%, de
acordo com a pesquisa da Fiemg.
Fernandes acredita que a indústria
esteja se preparando para uma retomada mais forte da produção
nos próximos meses. Por isso, o nível de emprego em janeiro
deste ano aumentou 0,41% em relação a dezembro, impulsionado
pelos setores de material de transporte, extrativo mineral, celulose,
papel e papelão, bebidas e calçados.
Na comparação com
janeiro de 2005, o crescimento foi de 4,43%. Já as horas trabalhadas
caíram 1,21% em janeiro frente a dezembro, refletindo, principalmente,
o menor número de horas extras no mês e à continuidade
do período de férias coletivas. A utilização
da capacidade instalada da indústria mineira foi de 80,85% em
janeiro, contra 81,02% registrado em dezembro.
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Diário Vermelho,
10 de março de 2006
Economia
Brasil cria tanto emprego quanto os EUA,
diz Tesouro
O Brasil criou 3,4 milhões de empregos formais entre os anos
de 2003 e 2005, patamar semelhante ao observado nos Estados Unidos.
Essa é o principal destaque de relatório produzido pelo
Tesouro Nacional e divulgado ontem (9). De acordo com o estudo do órgão
ligado ao Ministério da Fazenda, foram criadas 2,3 milhões
de vagas no setor de comércio e serviços, 800 mil postos
na indústria, 125 mil empregos na agricultura e mais 31 mil cargos
no setor público. Com isso, o Brasil ganhou 3,4 milhões
de empregos formais nos três primeiros anos do governo de Luiz
Inácio Lula da Silva.
O Tesouro compara o resultado ao registrado
nos Estados Unidos, onde houve a criação de 4 milhões
de empregos no período. Vale observar, no entanto, que os dados
norte-americanos tratam apenas das vagas criadas do setor privado e
não incluem a agricultura, restando, portanto, apenas o comércio,
serviços e indústria. "O exposto sugere que o Brasil
é um dos países que mais criou empregos nos últimos
três anos.
A quantidade de empregos criados
foi próxima da quantidade criada nos Estados Unidos, país
que vem experimentando rápido crescimento econômico e cuja
força de trabalho é aproximadamente o dobro da brasileira",
destaca a nota do Tesouro. Apesar de o relatório destacar positivamente
o resultado do Brasil, o estudo faz uma ressalva com relação
aos outros dois grandes emergentes, a China e a Índia. "É
improvável, no entanto, que o crescimento do emprego no Brasil
se iguale ao crescimento observado na Índia e na China, países
cuja população é muito maior", completa a
nota.
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Folha de São Paulo,
10 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006
Presidenciáveis se encontram para selar
compromisso de apoio mútuo
Alckmin e Serra tentam fechar acordo
DA REPORTAGEM LOCAL
Postulantes à condição
de candidato do PSDB à Presidência, o prefeito José
Serra e o governador Geraldo Alckmin se encontraram ontem, reservadamente,
na tentativa de costurar um acordo. Segundo tucanos, o escolhido dependerá
do outro. E a intenção era fechar um compromisso de apoio
mútuo antes da decisão. Ontem, ao confirmar o encontro,
antecedido pela troca de telefonemas na véspera, Alckmin disse
que "foi uma boa conversa". "Trocamos hoje [ontem] uma
palavrinha com o prefeito", disse.
A Folha apurou que a conversa foi considerada
preliminar e que outras estão previstas. Tucanos dizem que ambos
estão considerando todas as hipóteses, inclusive a possibilidade
de Serra concorrer ao governo do Estado -a possibilidade, porém,
é considerada remota pelos serristas. Apesar da pressão
por uma decisão rápida, feita principalmente pelo senador
Tasso Jereissati (CE), a expectativa de líderes tucanos é
que a indefinição persista, pelo menos, até a próxima
semana. Os dois postulantes à candidatura devem pedir mais tempo
para negociar.
Hoje, Tasso, o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso e o governador de Minas, Aécio Neves, chegam
a São Paulo em busca de um entendimento.
Inauguração
Antes de se reunir com Serra, Alckmin
passou por um constrangimento na inauguração da primeira
siderúrgica da Gerdau no Estado de São Paulo, em Araçariguama.
Em seu discurso, o prefeito Carlos Aymar, do PFL, listou os investimentos
do governo federal na cidade. Segundo ele, o governo do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva "apoiou em todas as áreas em
que foi solicitado para a implantação dessa unidade",
incluindo R$ 12 milhões em investimentos em infra-estrutura nos
últimos três anos.
A seguir, fez uma cobrança
dirigida a Alckmin: "Balança a roseira da Sabesp, governador.
A Sabesp [empresa do Estado] não está cumprindo as regras
que o senhor determinou. Às vezes, as pessoas têm carinho
pelo senhor e não falam com o senhor". Embora cobre mudanças
na política tributária do governo federal, o presidente
da siderúrgica, Jorge Gerdau, elogiou o modelo macroeconômico.
"É um trabalho muito bom o do Lula, através do ministro
[Antonio] Palocci. Deu estabilidade", afirmou.
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Folha de São Paulo,
10 de março de 2006
TRABALHO
Em 72% dos 640 acordos salariais negociados em 2005, trabalhadores conseguiram
aumento real, segundo Dieese
Reajustes salariais são os melhores
em 10 anos
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os trabalhadores tiveram no ano passado
as melhores negociações salariais dos últimos dez
anos e conquistaram aumento real acima da inflação em
72% dos acordos realizados em 2005. No setor industrial, o desempenho
foi ainda melhor -oito em cada dez negociações concederam
ganhos reais ao trabalhador. A pressão menor da inflação
nos salários, o crescimento da economia pelo segundo ano consecutivo
e a criação de postos de trabalho contribuíram
para esses resultados, segundo informam economistas, sindicalistas e
especialistas em mercado de trabalho.
As informações constam
de levantamento nacional do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estaduais Sócio-Econômicos), divulgado ontem, a partir
de 640 acordos de categorias profissionais negociados entre janeiro
e dezembro em 18 Estados do país. Em 88% dessas negociações
(563 acordos), os trabalhadores conseguiram superar ou zerar as perdas
acumuladas pela inflação medida pelo INPC (Índice
Nacional de Preços ao Consumidor) nos 12 meses anteriores a cada
data-base. Em 2004, esse percentual havia sido de 81% -sendo que em
55% das negociações houve ganho real acima do INPC. O
índice, calculado pelo IBGE, é o mais usado nas negociações
e serve para corrigir o salário mínimo e benefícios
previdenciários. Ele fechou em dezembro em 5,53%.
"É o melhor resultado para
as negociações salariais já obtidos desde que a
pesquisa foi iniciada em 1996", diz Clemente Ganz Lucio, diretor
técnico do Dieese. "A inflação em baixa e
a redução dos juros, aliados ao crescimento do PIB, quase
que de forma contínua durante nove trimestres, o que não
ocorria no país havia 15 anos, tiveram impacto significativo
nas negociações", afirma. Dos 640 acordos analisados,
72% foram superiores à inflação -sendo que a maior
parte dos ganhos reais foram até 2% acima do INPC. Entre os acordos
que se enquadram nessa faixa de aumento real estão os firmados
por metalúrgicos, químicos e operários da construção
civil paulista. Os reajustes empataram com a inflação
em 16,3% das negociações.
"O aumento do nível de ocupação,
que cresceu 3,3% no ano passado, boa parte com carteira assinada, contribuiu
para elevar o poder de negociação dos sindicatos",
diz o economista Fábio Silveira, da RC Consultores. Só
na Grande São Paulo foram criados no ano passado 250 mil postos
de trabalho com carteira assinada, segundo o Dieese.
"A manutenção do emprego
saiu da pauta dos sindicatos e deu lugar à busca por aumento
real", concorda Eleno José Bezerra, presidente do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Paulo (Força Sindical).
Os metalúrgicos conseguiram 8,3% de reposição salarial
no ano passado, sendo 3% de aumento real. O recuo do desemprego estimulou
o trabalhador a participar das campanhas salariais com mais intensidade,
diz Sérgio Luiz Leite, secretário-geral da Fequimfar (federação
dos químicos paulistas).
Na análise dos técnicos
do Dieese, o desempenho favorável das exportações
também contribuiu para os resultados positivos das negociações
em 2005. "Os metalúrgicos, principalmente das montadoras,
se beneficiaram do desempenho das exportações, ainda que
tenham crescido em ritmo menor do que o de 2004. O setor calçadista
também", diz José Silvestre de Oliveira, supervisor
do Dieese em São Paulo.
Outro fator que influenciou as negociações
salariais foi o aumento real concedido ao salário mínimo
no ano passado (8,23%), segundo José Dari Krein, professor do
Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da Unicamp.
"As categorias com mais dificuldade de organização
sindical buscam estender o ganho do salário mínimo não
só aos pisos profissionais, mas para outras faixas de salário."
Por atividade econômica, os aumentos
reais foram mais freqüentes na indústria, setor em que 83,5%
dos acordos feitos foram acima do INPC acumulado. No comércio,
esse percentual atingiu 70,3% e nos serviços, 57,8%. "É
mais fácil negociar índices de reposição
com a inflação em patamares em torno de 5%, caso do ano
passado", diz Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários
de São Paulo -categoria que obteve, no ano passado, ganho real
de 1,2% no reajuste de 5,5% negociado ante uma inflação
de 5,01% pelo INPC (acumulado 12 meses antes da data-base dos comerciários,
em setembro).
O pagamento dos reajustes -ao contrário
de anos anteriores em que a tendência era de parcelamento em até
três vezes -foi pago em uma única vez em 95,5% dos acordos.
Há três anos, pelo menos um terço dos acordos foram
pagos em parcelas. A incidência de abonos negociados para compensar
as perdas salariais recuou no ano passado. Em 2005, 11% dos acordos
previam pagamento de abonos -percentual que chegou a 16% nos dois anos
anteriores.
Sem ganhos
Os trabalhadores não conseguiram
repor as perdas da inflação em 12% dos acordos firmados
no ano passado. Em 2003, considerado o pior ano para as negociações
salariais, esse percentual atingiu 58,4%. "A inflação
nesse ano chegou a 20%, o que dificultou as negociações",
afirma o supervisor do Dieese em São Paulo. Para o presidente
da CUT, João Felício, "não é prudente
gastar tempo demais comemorando, pois há muito por fazer".
"O desafio é realizar uma campanha unificada que defenda
direitos, não só econômicos, com acordos salariais
de maior duração", afirma.
Fonte Gráfico: Gazeta do Povo

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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de março de 2006 | Economia
Dieese prevê que 2006 será
bom ano para negociações salariais
O otimismo dos técnicos da instituição
resulta das expectativas de crescimento econômico para o ano e
da expectativa de retomada de investimentos produtivos e em infra-estrutura
no País.
Jander Ramon
SÃO PAULO - O Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese)
acredita que as campanhas salariais deste ano poderão manter
o mesmo bom desempenho verificado no ano passado, a melhor performance
em dez anos. O otimismo dos técnicos da instituição
resulta das expectativas de crescimento econômico para o ano e
da expectativa de retomada de investimentos produtivos e em infra-estrutura
no País, segundo o diretor-técnico do Dieese, Clemente
Ganz Lúcio.
Como 88% das negociações
salariais acompanhadas pela instituição no ano passado
resultaram em reajustes iguais ou superiores à inflação,
o diretor-técnico do Dieese observa que o ritmo de crescimento
de acordos bem-sucedidos tende a diminuir.
"Estamos chegando a um teto, um
patamar muito elevado e é difícil crescer mais, mas podemos
manter esse patamar e melhorar ainda mais os acordos nas campanhas deste
ano", comentou.
2004
Em 2004, 80,9% das negociações
conquistaram pelo menos as perdas inflacionárias acumuladas pelo
Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), apurado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
até a data-base das categorias, um desempenho amplamente superior
aos 41,6% dos acertos com tal performance em 2003.
PIB
Além do crescimento maior do Produto
Interno Bruto (PIB), projetado pela indústria na casa de 4%,
o Dieese acredita que as negociações salariais deste ano
serão diretamente influenciadas pela melhora do ambiente econômico
interno trazida por aumento de consumo, a ser provocado pela expansão
do salário mínimo, maior renda média dos trabalhadores
e pela manutenção da oferta de crédito.
Tal otimismo levou Lúcio a não
dar grande importância à queda de 1,3% da produção
industrial em janeiro ante dezembro, já considerado o ajuste
sazonal, conforme divulgado nesta quinta-feira pelo IBGE.
"Os dados mensais são ruins
para se fazer uma análise de longo prazo. O que podemos afirmar
é que a indústria sofreu em 2005, por ter atingido um
patamar de atividade muito elevado em 2004, e mesmo assim manteve os
empregos", disse Ganz Lúcio. "Entendemos que em 2006
o País crescerá economicamente mais do que o no ano passado
e que a indústria seguirá com bom desempenho", acrescentou.
Propulsor
Foi, inclusive, o setor industrial o
propulsor do bom desempenho dos acertos coletivos, no ano passado. Do
total de acordos avaliados pelo Dieese neste segmento, 83,5% obtiveram
ganho real, até a data-base de cada categoria. Outros 10% dos
acordos recompuseram a inflação, ao passo que apenas 6,5%
das negociações ficaram abaixo da inflação.
Por cadeia, os melhores acertos
foram firmados com as categorias de metalúrgicos e trabalhadores
dos segmentos de construção civil, artefatos de borracha,
papel, papelão e cortiça, todos com 100% das negociações
resultando em ganhos acima da inflação, e também
nos segmentos de químico e farmacêutico e de alimentação,
com, respectivamente, 75% e 80% dos acordos com ganho real.
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Folha de São Paulo,
10 de março de 2006
RECEITA ORTODOXA
Pesquisa do Banco Central com dados de 104 instituições
mostra ganhos totais de R$ 28,3 bi no ano passado
Lucro dos bancos cresce 36% em 2005
NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mais uma vez os bancos que atuam no Brasil
alcançaram lucros recordes no ano passado, segundo levantamento
feito pelo Banco Central com dados de 104 instituições
financeiras que operam no país. Em 2005, o setor registrou ganhos
de R$ 28,3 bilhões, valor 36% maior do que o apurado em 2004.
Boa parte desse crescimento vem das operações de crédito,
que tiveram forte expansão ao longo do ano passado. Em dezembro
de 2005, a carteira de empréstimos dos bancos analisados pelo
BC estava em R$ 463 bilhões, um aumento de 21,7% em relação
ao ano anterior.
No mesmo período, as aplicações
em títulos e valores mobiliários -composta, basicamente,
por títulos emitidos pelo governo federal- cresceram 14% e chegaram
a R$ 418,5 bilhões. Ou seja, os números indicam que, aos
poucos, os bancos nacionais e estrangeiros com atuação
no país começam a direcionar mais dinheiro para empréstimos
ao setor privado do que para títulos públicos. Esse cenário
pode se consolidar de vez caso seja mantida a atual trajetória
de queda da taxa básica de juros, a Selic, que remunera boa parte
dos papéis emitidos pelo governo.
A Selic está hoje em 16,5% ao
ano. Já os juros bancários, segundo pesquisa feita pelo
BC em janeiro, são de 46,1% ao ano na média, podendo chegar
a 147% ao ano em casos como o do cheque especial. Ou seja, ainda que
se trate de um negócio mais arriscado -as chances de calote são
maiores- e mais custoso -pois exige uma série de cuidados em
termos de análise de crédito e manutenção
de agências-, os empréstimos ao setor privado começam
a se mostrar um pouco mais lucrativos do que as operações
com títulos públicos.
No ano passado, as receitas proporcionadas
pelos empréstimos concedidos a clientes foram de R$ 129,8 bilhões,
enquanto as aplicações em títulos públicos
renderam R$ 81,3 bilhões. Junto com os ganhos com juros, o faturamento
com a cobrança de tarifas também tem ajudado, cada vez
mais, a engordar o lucro dos bancos. Em 2005, a prestação
de serviços bancários custou R$ 40,5 bilhões aos
clientes das instituições financeiras, 20,5% a mais do
que em 2004. Com isso, muitos bancos já são capazes de,
somente com o dinheiro obtido com a cobrança de tarifas, dar
conta de toda a sua folha de pagamentos. No ano passado, as despesas
com pessoal do setor ficou em R$ 35,7 bilhões.
"Paraíso
financeiro"
Na semana passada, o secretário-geral da CNBB (Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil), dom Odilo Pedro Scherer, criticou o
governo Lula e disse que o Brasil se transformou num "paraíso
financeiro", numa referência à política de
juros altos patrocinada pela atual equipe econômica e a seus efeitos
positivos nos balanços dos bancos. De fato, os números
levantados pelo BC mostram que, no governo Lula, os bancos têm
lucrado como nunca. Em 2005, por exemplo, a rentabilidade das instituições
financeiras -medida pela relação entre seus lucros e seus
patrimônios líquidos- ficou em 22,65%.
Ou seja, para cada R$ 100 investidos
pelos acionistas em seus respectivos bancos no ano passado, alcançou-se
um ganho médio de R$ 22,65. Em 2000, essa rentabilidade média
era de 11,49%. Por outro lado, os lucros recordes dos últimos
anos só foram possíveis graças ao socorro oficial
recebido pelos bancos -especialmente os estatais- durante o governo
FHC (1995-2002). Essa ajuda custou mais de R$ 100 bilhões aos
cofres do Tesouro Nacional, mas deixou o setor livre de seus bilionários
créditos podres e preparado para obter ganhos cada vez maiores.
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JORNAL FOLHA DE LONDRINA,
10 de março de 2006
Encarando a morte
‘‘Eu esperava cheiro de ração,
senti o cheiro de chumbo’’
Pensando bem, nada mudou: meus antepassados puxavam carroções
enquanto aguentavam. Velhos e cansados, eram mandados para o frigorífico.
Homens ingratos! Continuam ingratos! Eu mesma, como mãe, herdei
lindos bezerros que viraram reprodutores, que tiveram filhos e que ganharam
prêmios. Me orgulho tanto disso que até relevo o fato de
nunca ter podido namorar um boi formoso e conviver lado a lado com ele...
sonho de toda fêmea. Ao longo da minha vida, entupiram meu ventre
de sêmen de ampola, congelado. Coisa mais fria. Mas aceito, resignada,
a nova tecnologia. Aceito até o fato de terem sugado meu leite,
enquanto meu bebê, apartado de mim, comia capim em outro pasto.
É melhor pensar assim do que imaginar que o destino dele poderia
ser pior. Mas, gente, dei tudo de mim! Dei leite, dei carne, dei lucro.
E estou sadia! Posso dar muito mais! Então, vira esse rifle pra
lá, meu! Céus, o que está acontecendo ao meu lado?
Colegas se esvaindo em sangue? Não tem jeito mesmo, chegou a
minha vez. Então, que eu morra com dignidade! Vou encarar esse
idiota olho no olho. Ele não vai esquecer a cena. Mas, espera
aí... Vou apodrecer naquela vala? Não vão aproveitar
minha carne? Nem o couro? Quanto desprezo! Então, usem pelo menos
meus chifres. Mandem aqueles poderosos guardarem meus chifres de recordação.
Ah, eles já têm um... alguns! Então, entendi. Agora
entendi o motivo de tanto despeito, intolerância e maldade.
Carta ‘‘psicografada’’
da vaca Eterna (foto), que encarou com dignidade o rifle sanitário
na Fazenda Pedra Preta no dia 08/03/2006.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 10
de março de 2006 | Brasil
JUSTIÇA-Ministros limitam a remuneração do servidor
público, que perde o adicional por tempo de serviço
STF fixa teto salarial em R$ 24,5 mil
Brasília (AE) – O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu
ontem que quem ganha mais do que R$ 24,5 mil no serviço público
sofrerá um corte no salário. Em uma votação
unânime, os ministros concluíram que a fixação
do teto salarial nesse patamar, que equivale à remuneração
dos próprios integrantes do STF, acabou com o recebimento de
adicionais por tempo de serviço.
Eles disseram que não se pode
alegar direito adquirido para manter os adicionais. Mas, no mesmo julgamento,
que não foi concluído ontem, pode surgir uma brecha para
que as pessoas atingidas pelo corte sustentem em futuras ações
judiciais que têm direito à irredutibilidade de vencimentos.
O resultado da primeira parte do julgamento,
que confirmou o fim dos adicionais, deverá atingir o contracheque
de magistrados, especialmente estaduais. Depois da votação,
o presidente do STF, Nelson Jobim, contou que há tribunais que
pagam adicionais de até 72%. O máximo recebido no serviço
público federal era de 35%. “O adicional por tempo de serviço
é de 35%.
Determinados tribunais têm adicional
bem superior. Alguns chegam a 72%. Esses foram percebidos ilegalmente.
Logo terão de ser reduzidos”, anunciou Jobim. Na platéia
do julgamento, estavam presentes presidentes de associações
de juízes e do Ministério Público interessados
no resultado.
Jobim explicou que a segunda parte do
julgamento, que ficou empatada em 5 a 5, será resolvida em breve
pelo novo ministro do STF, Enrique Ricardo Lewandowski, que toma posse
na próxima quinta-feira.
Está em discussão um pedido
de três ministros aposentados do Supremo que recebiam uma gratificação
de 20% que era paga há décadas a pessoas que se aposentavam
no serviço público.
O relator da ação, Sepúlveda
Pertence, entendeu que esses ministros têm o direito de receber
essa gratificação durante o ano de 2004 porque, na ocasião,
os seus salários eram superiores ao teto.
Segundo Pertence, nesse caso há
o direito à irredutibilidade de vencimentos. Em 2005, os salários
deles se adequaram ao teto pois houve um aumento da remuneração
dos atuais ministros do Supremo. Isso poderá servir de brecha
para que outros juízes requeiram a manutenção de
gratificações alegando irredutibilidade de vencimentos.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
10 de março de 2006
Aposentadoria para dona-de-casa ganha
impulso
Redação/O Estado do Paraná
Brasília (ABr) - A proposta de conceder aposentadoria para as
donas-de-casa venceu ontem a primeira etapa no Senado Federal. A Comissão
de Assuntos Sociais (CAS) aprovou em decisão terminativa projeto
de lei (PL 318/05), do senador Rodolfo Tourinho (PFL-BA), que estabelece
a criação do sistema de aposentadoria especial para as
donas-de-casa.
A proposta foi aprovada por unanimidade pelos senadores que compõem
a CAS, no momento em que o Congresso Nacional realizava sessão
solene em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Quarta-feira, mulheres
de todos os estados brasileiros se reuniram em Brasília na Marcha
das Donas-de-Casa.
Segundo Tourinho, milhões de donas-de-casa passarão a
ter o direito aos benefícios da previdência social. Pelo
projeto, terão direito a uma alíquota de contribuição
de 11% para a Previdência, o segurado facultativo sem renda própria
que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico, desde que
pertença a família de baixa renda, e o contribuinte individual
com renda mensal de até dois salários mínimos e
que trabalhe por conta própria.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
10 de março de 2006 | Economia
Aprovado corte de R$ 900 mi para compensar
exportadores
BRASÍLIA - A Comissão Mista
de Orçamento do Congresso Nacional aprovou há pouco um
corte de R$ 900 milhões nas despesas orçamentárias
para destinar mais recursos aos estados exportadores atingidos pela
Lei Kandir.
O relator da comissão, deputado
Carlito Merss (PT-SC), está tentando, junto aos líderes
na comissão, definir como será feito o corte.
A comissão também aprovou
a destinação de mais R$ 900 milhões à mesma
finalidade, condicionados a um aumento na arrecadação.
Os dois valores, somados ao montante
que já constava no relatório (R$ 3,4 bilhões),
chegariam ao valor reivindicado pelos governadores para compensar as
perdas com a isenção fiscal nas exportações
– R$ 5,2 bilhões.
Também na reunião de hoje,
Merss leu o relatório final do orçamento e foi aberto
o prazo para apresentação de destaques. Na próxima
terça-feira, a comissão volta a se reunir para discutir
e votar o relatório, que, se aprovado, seguirá para votação
no plenário do Congresso.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de março de 2006 | Economia
Formalidade no mercado de trabalho pode
ser recorde neste ano
O Ipea estima que a taxa chegará pelo
menos a 54% este ano, o que significaria o nível mais elevado
da nova série da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, iniciada
em março de 2002.
Nilson Brandão Junior
Rio de Janeiro - A formalidade no mercado
de trabalho já recuperou em 2005 a queda sofrida em 2003, ano
de estagnação econômica, quando chegou a registrar
50,7% da população ocupada. Este ano, a taxa caminha para
um recorde. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
estima que a taxa chegará pelo menos a 54% este ano, o que significaria
o nível mais elevado da nova série da Pesquisa Mensal
de Emprego do IBGE, iniciada em março de 2002.
O cálculo do Ipea foi feito com
base nos dados de empregados com carteira, militares e setor público,
nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto -
São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador
e Recife. A taxa começou a se recuperar mais fortemente ano passado
e já chegou a 53,1% no último mês de janeiro, maior
taxa mensal dos últimos 37 meses, desde de dezembro de 2002 (53,7%).
O grau de formalização
recuou a partir do início de 2003. "Foi um período
difícil para o mercado de trabalho em relação ao
crescimento econômico. A qualidade do emprego gerado foi ruim",
explica o especialista do Ipea Marcelo Ávila, citando que a maior
parte dos empregos gerados era informal. Ele explica em que em momentos
de incerteza o empresário prefere contratar informais, que têm
custo de demissão mais baixo.
Melhora começou em 2004
Ávila conta que o quadro começou
a se reverter em 2004 e houve uma recuperação mais forte
no ano passado. O retorno à formalidade está ocorrendo
basicamente na renovação da ocupação: no
ano passado, 95% das 474 mil novos postos eram formais. Segundo ele,
no início de um período de recuperação econômica,
as empresas tradicionalmente aumentam a jornada de horas trabalhadas,
depois chamam trabalhadores temporários para, só então,
contratar empregados formais.
O aumento da formalização
no ano passado, segundo Ávila, veio principalmente do setor exportador
e foi favorecido por uma maior fiscalização dos ministérios
do Trabalho e da Previdência Social. Para este ano, além
destes dois fatores, ele aponta que o crescimento econômico será
mais forte - o Ipea estima que o PIB crescerá 3,4% depois do
avanço de 2,3% em 2005 - e cita que a Medida Provisória
que desonera a contratação de empregados domésticos
também deve ajudar.
A medida permite dedução
do Imposto de Renda (IR) da contribuição patronal ao INSS,
de 12%. O objetivo principal é justamente aumentar a contratação
de empregadas domésticas com carteira assinada. A regra começará
a valer para o IR 2007, referente ao ano-base de 2006.
Na hipótese de as demais formas
de emprego (sem carteira, informais e autônomos) permanecerem
no mesmo nível do atual, seria necessária a criação
de 174 mil postos com carteira assinada para se chegar aos 54% de formalização.
Ele também comenta que, na prática, a parcela dos trabalhadores
por conta própria vem caindo por sete meses consecutivos, ante
igual período do ano anterior, o que reforça a tendência
de aumento da participação, emprego formal.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
10 de março de 2006
Funcionário tem direito a rescisão
de contrato se salário atrasa
O não pagamento do salário,
mesmo que o atraso seja inferior a três meses, configura falta
grave do empregador, motivo suficiente para a rescisão indireta
do contrato de trabalho, pela qual o empregado recebe todas as verbas
rescisórias como se tivesse sido despedido sem justa causa, inclusive
a multa de 40% sobre o FGTS. A decisão é da 1ª Turma
do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) da 10ª Região.
O ex-empregado da Flora Garden Gramados
e Paisagismo Ltda, que teve negado o direito trabalhista, em primeira
instância, alegou que teria o direito aos benefícios por
não ter recebido o salário em dia. O juiz entendeu que
a falta de pagamento capaz de romper o contrato de trabalho é
aquela verificada por período superior a três meses, chamado
de mora contumaz.
De acordo com o juiz Oswaldo Florêncio
Neme Júnior, relator do processo no TRT, o pagamento do salário
é a mais elementar obrigação do empregador, já
que o trabalho remunerado é a principal forma de subsistência
do trabalhador.
Segundo ele, soma-se a isso, no caso,
o salário mensal de R$ 392,39, o que, para o juiz, não
é suficiente sequer para as necessidades básicas mensais.
“Não se pode imaginar que a pessoa que dependa desse pequeno
salário conte com algum centavo de sobra no final do mês.
Como então exigir que se aguarde três meses para considerar
resolvido o pacto laboral?”, questiona.
De acordo com o TRT-10, o juiz entendeu
que, tendo em vista as peculiaridades do caso, o simples não
pagamento do salário é capaz de caracterizar a falta grave
do empregador, autorizando o empregado a, nos termos da lei (artigo
483 da CLT), rescindir indiretamente o contrato de trabalho por falta
cometida pelo empregador. A situação ainda foi agravada
pelo fato de que nem mesmo o vale-transporte e o auxílio-alimentação
foram pagos pela empresa.
O relator complementa que não
importa se houve ou não calote nos contratos comerciais que a
Flora Garden vinha firmando, já que os riscos da atividade econômica
são suportados pelo empregador.
Desta forma, a decisão julgou
procedentes os pedidos de aviso prévio, liberação
do FGTS e pagamento da multa resilitória correspondente de 40%.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
09 de março de 2006
TST garante equiparação
salarial a advogados de mesmo grupo econômico
A Quarta Turma do TST (Tribunal Superior
do Trabalho) confirmou o direito do advogado de uma empresa à
equiparação salarial com os demais advogados que pertenciam
ao quadro de pessoal de outras empresas, pertencentes ao mesmo grupo
econômico da empregadora.
Segundo a assessoria do TST, essa foi
a conseqüência de julgamento relatado pelo ministro Barros
Levenhagen, que afastou recurso de revista interposto pela Usina Caeté
S/A contra decisão tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 19ª Região (com jurisdição em Alagoas).
A empresa sustentou no TST a inviabilidade
da equiparação salarial solicitada em juízo pelo
advogado empregado. Em sua ação, o profissional fez referência
a outros três advogados vinculados ao grupo econômico.
Segundo a empresa, o procedimento do
trabalhador e a decisão regional favorável afrontaram
a previsão legal sobre o tema, inscrita no artigo 461 da CLT.
"Sendo idêntica a função, a todo trabalho de
igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma localidade, corresponderá
igual salário, sem distinção de sexo, nacionalidade
ou idade", prevê a norma.
A interpretação do dispositivo,
segundo a empresa, demonstra a obrigatoriedade do trabalhador indicar
o empregado com quem pretende ser equiparado.
No caso concreto, o advogado não
fez a indicação, apenas mencionando os outros três
profissionais com atividade semelhante à sua. Também foi
alegado que não houve menção ao período
de tempo a que se referia a equiparação, a natureza do
trabalho executado e nem as diferenças salariais pretendidas.
Levenhagen não identificou a violação
ao dispositivo da CLT, que "não impede a indicação
de vários paradigmas (trabalhadores com quem se faz a comparação)
desde que essa indicação seja precedida da alegação
de que eles e o trabalhador que pediu a equiparação exerçam
as mesmas funções".
O relator também reproduziu
em seu voto o trecho da decisão regional em que é informada
a existência de vasta documentação, juntada pelo
advogado aos autos, que possibilitou a comparação com
os outros três advogados.
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NOTÍCIA DO INSS ,
10 de março de 2006
Direitos: quem pode receber benefícios
por acidentes de trabalho?
Confira as regras
Da Redação (Brasília) – Os benefícios
por acidente de trabalho são devidos aos empregados e trabalhadores
avulsos urbanos e rurais – exceto aos domésticos –
e aos segurados especiais. Os acidentes de trabalho são situações
que ocorrem pelo exercício do trabalho a serviço da empresa;
acidente por doença profissional ou do trabalho e ainda acidente
de trajeto, que é aquele que ocorre no percurso entre a residência
e o local de exercício profissional, ou entre dois locais de
trabalho, considerando a distância e o tempo de deslocamento compatíveis
com o percurso do referido trajeto.
Na falta de comunicação
do acidente (CAT) por parte da empresa, podem formalizá-la o
próprio acidentado, seus dependentes, a entidade sindical competente,
o médico que o assistiu ou qualquer autoridade pública,
não prevalecendo, nesses casos, o prazo previsto.
Para fins de cadastramento da CAT,
caso o campo "atestado médico" do formulário
de CAT não esteja preenchido e assinado pelo médico assistente,
deve ser apresentado atestado médico original, desde que nele
conste a devida descrição do atendimento realizado ao
acidentado do trabalho, inclusive o diagnóstico, com o Código
Internacional de Doenças (CID), e o período provável
para o tratamento, contendo assinatura, o número do Conselho
Regional de Medicina (CRM), data e carimbo do profissional médico,
seja particular, de convênio ou do Sistema Único de Saúde
(SUS). (Cristiano Torres)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/03/2006
Brasileiros defendem proteção
estatal de direitos trabalhistas
O brasileiro defende maior intervenção
do Estado na proteção dos direitos trabalhistas. A forte
presença estatal nesta questão foi defendida por 90% dos
brasileiros consultados em pesquisa feita recentemente em nove capitais
pela empresa de pesquisa de mercado no Brasil, Market Analysis. A consulta
foi feita a 1.020 pessoas, acima de 18 anos.
A pesquisa mostrou que o brasileiro é
o mais ferrenho defensor da intervenção estatal. Entre
20 países abrangidos pela enquete, somente o Quênia supera
o Brasil. Para 80% dos brasileiros consultados, maior ingerência
do estado na economia representa fator vantajoso para a sociedade.
Os dados revelados pela pesquisa são
significativos, acredita o presidente do Tribunal Superior do Trabalho,
ministro Vantuil Abdala. “Eles mostram a importância que
a sociedade atribui a uma Justiça do Trabalho atuante “,diz.
Ele lembra que a Justiça do Trabalho julga, por ano, cerca de
dois milhões de processos, o que indica que os trabalhadores
não estão satisfeitos com os empregadores. No TST, até
dezembro de 2005, são 227 mil processos em tramitação.
Vantuil Abdala afirma que o alto percentual
de brasileiros que defendem uma forte intervenção do Estado
na proteção aos direitos trabalhistas revela ainda que
a sociedade quer estar bem informada sobre quais são esses direitos.
“Por isso, a Imprensa presta um serviço à sociedade
ao informar sobre o Poder Judiciário, mas presta um desserviço
quando o faz de maneira equivocada”, avalia o ministro.
Outra pesquisa, concluída
recentemente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA),
órgão ligado ao Ministério do Planejamento, mostrou
que o mercado de trabalho foi o principal responsável pela redução
da desigualdade social no Brasil entre 1995 e 2004, mesmo com a queda
da renda média do trabalhador neste período. O trabalho
revelou que o ano de 2004 foi o menos desigual nos últimos 20
anos no País.
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10/03/2006
TST mantém férias proporcionais
para empregada doméstica
Embora não faça parte
dos direitos garantidos pela Constituição Federal (art.
7º, parágrafo único) aos empregados domésticos,
o pagamento de férias proporcionais pode ser deferido sem caracterizar
violação constitucional. Com base neste entendimento,
a Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento (rejeitou)
um agravo de instrumento que tentava reformar condenação
neste sentido.
O Tribunal Regional do Trabalho de Campinas
(15ª Região) havia condenado a ex-empregadora ao pagamento
de férias integrais relativas ao período 2000/2001 e férias
proporcionais em 6/12 no período de 2001/2002, acrescidas de
1/3 do abono de férias. A condenação incluía
ainda a multa prevista pela CLT (art. 477) para o caso de atraso no
pagamento de verbas rescisórias. A decisão mantinha a
sentença da Vara do Trabalho, fundamentada no fato de não
haver no processo nenhum comprovante de que a empregada doméstica
havia usufruído as férias.
Ao recorrer ao TST, a defesa da empregadora
argumentou que a Constituição Federal assegura aos trabalhadores
domésticos férias anuais remuneradas com pelo menos um
terço a mais do que o salário normal (o abono de férias),
e que tal norma revoga qualquer disposição em sentido
contrário. Por isso, não poderia ser aplicada a analogia
ou o princípio da isonomia para ampliar os direitos dos trabalhadores
domésticos. De acordo com essa linha de argumentação,
o deferimento de férias proporcionais “ofenderia o preceito
constitucional”. O mesmo entendimento seria aplicado no caso da
multa.
O relator do agravo, ministro Carlos
Alberto Reis de Paula, observou que “a Constituição,
ao assegurar o direito às férias anuais, não exclui
o direito a férias proporcionais, que é objeto de norma
infraconstitucional. Não se configura, pois, afronta à
Constituição” – ou seja, não se confirma
a alegação da defesa para a interposição
do recurso.
Com relação à
multa, o ministro Carlos Alberto ressalta em seu voto que também
não cabe a alegação de afronta à Constituição
“porque a multa não poderia ser abrangida por aquele dispositivo
constitucional por ter caráter de pena”. Por unanimidade,
os ministros da Terceira Turma negaram provimento ao agravo. (AIRR 386/2004-096-15-40.8)
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10/03/2006
Remuneração pela hora de descanso
tem natureza indenizatória
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho negou pedido para que a remuneração pelo intervalo
de refeição e descanso integre o salário para efeito
de cálculo das demais verbas trabalhistas. O pedido foi feito
em recurso de um ex-empregado da Açominas (Aço Minas Gerais
S/A), operador de tratamento de gases da usina em Ouro Branco, que usufruía
apenas meia hora de descanso durante a jornada de trabalho, quando a
lei determina intervalo de uma hora.
O Tribunal Regional do Trabalho de Minas
Gerais (3ª Região) condenou a empresa ao pagamento dos trinta
minutos extras por dia de trabalho, “a título de indenização”,
negando o pedido de incorporação da verba ao salário.
A decisão foi confirmada pela Turma do TST, de acordo com o voto
do relator do recurso do trabalhador, ministro Renato de Lacerda Paiva.
Pela CLT (parágrafo 4º do
art. 71), quando o trabalhador não usufrui do horário
de descanso e refeição, o empregador é obrigado
a remunerar o período com “acréscimo de no mínimo
50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho”.
Dessa forma, ressaltou o relator, os intervalos de descanso não
são computados na duração do trabalho, ressaltou
o relator.
“A natureza jurídica da
remuneração pelo repouso é indenizatória,
com intuito de proteger o trabalhador dos riscos à sua higidez
mental e física, não se destinando à contraprestação
direta pelo trabalho realizado naquele intervalo”, conclui o relator.
(RR 755035/2001)

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