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Agência Câmara,
13 de março de 2006
OIT
MTE recomenda ratificação
de convenções que tratam de relações do
trabalho na administração pública
A Comissão Tripartite de Relações Internacionais
(CTRI) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) aprovou o
encaminhamento ao Congresso Nacional da recomendação
de ratificação dos textos das Convenções
150 e 151, da Organização Internacional do Trabalho
(OIT). As duas convenções, de 1978, tratam, respectivamente,
da administração do trabalho e das relações
de trabalho nas administrações públicas.
Caso o Congresso atenda à orientação
e aceite a ratificação da Convenção 150,
o MTE deverá melhorar, num período de dois anos, seu
sistema de informação e prestação de serviços
a trabalhadores e empregadores. A ratificação trará
a sistematização e regulamentação das
informações e dos serviços prestados pelo Ministério
para este público e suas organizações.
A ratificação da Convenção
151, que trata do direito de negociação coletiva no
setor público, irá cobrir uma lacuna existente no ordenamento
jurídico brasileiro, já que faltam critérios
para negociação coletiva neste segmento. Hoje, a Constituição
estabelece a possibilidade de que o servidor público faça
greve e se organize em sindicatos, mas sem negociar coletivamente.
Atualmente, 64 países ratificaram a Convenção
150, e 43 países a 151.
A Comissão Tripartite
de Relações Internacionais é composta pelo governo,
trabalhadores e empregadores. O MTE representa o governo na comissão,
que tem como objetivo auxiliar o ministério na tomada de decisões
a respeito de assuntos de política internacional no âmbito
trabalhista.
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Diário Vermelho,
12 de março de 2006
Participação sindical
Sindicalistas comemoram inclusão
de trabalhadores na gestão do Sistema S
As centrais sindicais brasileiras se preparam para comemorar uma grande
conquista na próxima quinta-feira (16/3), quando serão
assinados pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula
da Silva, os Decretos Presidenciais que garantirão a participação
efetiva dos trabalhadores nos conselhos deliberativos do Sesi, Senai,
Sesc e Senac. A solenidade de assinatura será realizada na sede
da Confederação Nacional da Indústria (CNI), às
18 horas. Serão criados 300 assentos, em nível nacional
e estadual, nos colegiados das nove instituições que integram
o Sistema S.
A inclusão dos trabalhadores nos
conselhos deliberativos do Sistema S é reivindicada pelo movimento
sindical brasileiro há pelo menos duas décadas e é
um dos resultados do Fórum Nacional do Sistema S (Sesi, Senai,
Sesc, Senac, Sebrae, Senar, Sest, Senat e Sescoop). Ao longo dos dois
últimos anos, o fórum vem discutindo ações
que contribuam para uma maior integração dos “S”,
bem como a otimização e maximização de seus
serviços.
A expectativa do secretário geral
da Confederação Única dos Trabalhadores (CUT),
Artur Henrique da Silva Santos, é que os programas incluam o
debate sobre os direitos dos trabalhadores e a necessidade de organização
das categorias. “Uma das principais bandeiras da CUT sempre foi
a participação dos trabalhadores em diferentes conselhos,
como forma de democratizar não só a gestão do Estado
como o próprio pensamento estratégico do Brasil. A expectativa
é que os trabalhadores sejam tratados não apenas como
alunos, mas como protagonistas dos processos produtivos e de desenvolvimento”,
afirma.
Para o presidente da Força Sindical
e presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos, José
Pereira dos Santos, a inclusão dos trabalhadores na gestão
do Sistema S representa uma vitória. “É a construção
de um grande projeto nacional. É um importante passo para direcionarmos
os recursos do Sistema S para aquilo que o trabalhador realmente necessita.
Percebemos que a maior necessidade de aplicação dos recursos
do Sistema S está nos cursos de formação profissional
e integração da educação com a qualificação
profissional, onde o MEC poderia fazer parte”, diz.
O coordenador do Fórum Nacional
do Sistema S, Jair Meneguelli acredita que a participação
dos trabalhadores nos Conselhos Deliberativos destas entidades contribuirá
para melhorar a qualidade dos serviços e para a implantação
de projetos de grande interesse social. Meneguelli também acredita
que a inclusão dos trabalhadores contribuirá para a democratização
do Sistema e para a maximização do atendimento às
demandas da sociedade, possibilitando que mais filhos de trabalhadores
possam usufruir dos serviços.
“Desde que era presidente
da CUT, vislumbrava a participação dos trabalhadores no
Sistema S. Essa é a oportunidade de o chão de fábrica
entrar no Sistema e fazer parte do seu processo de decisão. Os
trabalhadores vêm para aprimorar e sugerir ações.
Ninguém melhor que os trabalhadores para dar subsídios
aos empresários e governo sobre as necessidades do setor. É
a idealização da democracia brasileira”, explica
Jair Meneguelli. Fonte: Fórum Nacional
do Sistema S.
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Nova Central, 13 de março
de 2006
Brasileiros defendem proteção
estatal para direitos trabalhistas
No Brasil, 90% são a favor da proteção
aos direitos trabalhistas
O brasileiro defende maior intervenção do Estado na proteção
dos direitos trabalhistas. A forte presença estatal nesta questão
foi defendida por 90% dos brasileiros consultados em pesquisa feita
recentemente em nove capitais pela empresa de pesquisa de mercado no
Brasil, Market Analysis. A consulta foi feita a 1.020 pessoas, acima
de 18 anos. A pesquisa mostrou que o brasileiro é o mais ferrenho
defensor da intervenção estatal. Entre 20 países
abrangidos pela enquete, somente o Quênia supera o Brasil. Para
80% dos brasileiros consultados, maior ingerência do estado na
economia representa fator vantajoso para a sociedade. Os dados revelados
pela pesquisa são significativos, acredita o presidente do Tribunal
Superior do Trabalho, ministro Vantuil Abdala.
“Eles mostram a importância
que a sociedade atribui a uma Justiça do Trabalho atuante “,diz.
Ele lembra que a Justiça do Trabalho julga, por ano, cerca de
dois milhões de processos, o que indica que os trabalhadores
não estão satisfeitos com os empregadores. No TST, até
dezembro de 2005, são 227 mil processos em tramitação.
Vantuil Abdala afirma que o alto percentual de brasileiros que defendem
uma forte intervenção do Estado na proteção
aos direitos trabalhistas revela ainda que a sociedade quer estar bem
informada sobre quais são esses direitos.
“Por isso, a Imprensa presta um
serviço à sociedade ao informar sobre o Poder Judiciário,
mas presta um desserviço quando o faz de maneira equivocada”,
avalia o ministro. Outra pesquisa, concluída recentemente pelo
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), órgão
ligado ao Ministério do Planejamento, mostrou que o mercado de
trabalho foi o principal responsável pela redução
da desigualdade social no Brasil entre 1995 e 2004, mesmo com a queda
da renda média do trabalhador neste período. O trabalho
revelou que o ano de 2004 foi o menos desigual nos últimos 20
anos no País.
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Folha de São Paulo,
11 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Sem alcançar acordo após reuniões, cúpula
do PSDB transfere definição para terça
Novo impasse frustra escolha tucana; Serra
admite disputa
DA REPORTAGEM LOCAL
Depois de mais uma rodada de negociação
-e mantido o impasse-, o PSDB adiou para terça-feira o prometido
anúncio de seu candidato à Presidência. Em duas
diferentes reuniões, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito
José Serra reafirmaram suas condições à
cúpula do partido. Serra quer aclamação. Alckmin,
disputa. Pela primeira vez, no entanto, Serra disse que é candidato
e se colocou à disposição do partido, ainda que,
num primeiro momento, não conte com o apoio de Alckmin. Até
ontem, ele investia num acordo com o governador, especialmente após
um encontro na casa de seu chefe de gabinete.
Mas, informado pela cúpula do partido da intenção
de Alckmin de disputar a preferência do PSDB, Serra liberou o
comando tucano a submeter, formalmente, seu nome a governadores e dirigentes
estaduais.
Sua intenção é que
a consulta baste para dispensar a disputa interna. Mas, mesmo reconhecendo
que esse não é o cenário ideal, o prefeito até
admitiria disputar com Alckmin se encontrasse, nessa consulta, respaldo
partidário. Aliados de Serra têm até argumentos
para minimizar uma possível derrota para Alckmin. Se renunciar
e perder internamente -possibilidade que consideram remota- Serra poderá
se lançar ao Palácio dos Bandeirantes. Os critérios
de escolha, porém, nem sequer foram discutidos. Otimistas, os
serristas viram na consulta uma tentativa de buscar o que Serra reivindica:
o respaldo partidário. Mas, certos de que o tempo pesa em favor
do governador, os alckmistas também comemoram o saldo do dia.
Como Alckmin disse ao comando do partido
que espera uma decisão para terça-feira -ainda que seja
o fórum para a disputa entre os dois-, os alckmistas acreditam
que ganharam a batalha. Até terça-feira, apostam os alckmistas,
Serra terá de dizer se aceita disputar contra Alckmin ou se desiste
da candidatura à Presidência. Mas não será
conclamado pelo PSDB, como desejava. Na saída da reunião,
anterior à ida do trio à prefeitura, Alckmin contou o
que dissera à trinca: "Não há mudança
naquilo que penso".
Na reunião com o presidente do
PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), o governador de Minas, Aécio
Neves, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso - a primeira do dia
-, Alckmin ouviu apelos pela unidade do partido, mas reiterou a disposição
de disputar com Serra. "O que perder apóia o outro sem nenhuma
mágoa", disse Alckmin, segundo relato a interlocutores.
O governador alegou ainda que, se desistir em favor de Serra, ficará
desmoralizado. E, insistindo que é o único candidato declarado,
reproduziu o que dissera na véspera ao prefeito: "Você
tem que decidir se é ou não candidato. Se for o escolhido
do partido, levanto sua mão".
No encontro, na casa do chefe-de-gabinete
de Serra, José Henrique Lôbo, o prefeito teria admitido
que sofre pressão para concorrer ao governo. Ele contou ao governador
que recebe e-mails e telefonemas sugerindo que se lance para o cargo.
Os dois marcaram para terça um outro encontro para a costura
de um entendimento. Os serristas alegaram, no entanto, que, ao postergar
mais uma vez uma resposta ao partido, Serra não só contraria
um impaciente Tasso como também ficaria vulnerável à
crescente pressão para que concorra ao Palácio dos Bandeirantes.
E, num dia marcado por rumores, o prefeito
chamou de "absolutamente falsa" a versão de que a cúpula
do PSDB teria sugerido que disputasse o governo. Serra resiste, mas
não rechaça a idéia. Até a hipótese
de FHC disputar o Senado está à mesa. Segundo tucanos,
a possibilidade é "remotíssima, mas não é
zero". "Nada está descartado", repetia Tasso.
Na manhã de ontem, Tasso já avisava que a decisão
ficaria para a semana que vem. Até lá, Aécio consultará
governadores e presidentes de diretórios. "Não existe
um nome porque tem toda uma rodada de conversações e consultas
com os governadores", disse Tasso, segundo o qual "os elementos
fundamentais estão dados".
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Folha
de São Paulo, 11 de março de 2006
PREÇOS
Índice de fevereiro foi de 0,41%; variação acumulada
em 12 meses fica em 5,51%, e previsão é desaceleração
ao longo do ano
IPCA indica que inflação caminha
para meta
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) sinalizou
que a inflação caminha para o centro da meta do governo
para este ano: o índice ficou em 0,41% em fevereiro, acumulando
variação de 5,51% em 12 meses. Essa é a menor taxa
acumulada desde maio de 2004 -5,15%. Divulgado ontem pelo IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA havia fechado janeiro
com alta de 0,59%, e a desaceleração no mês passado
só não foi maior por causa da pressão sazonal do
reajustes das mensalidades (5,38%). Sem o impacto dos colégios
(0,21 ponto percentual), o IPCA teria caído à metade, ficando
em 0,20%.
Para os próximos meses, especialistas
prevêem índices na faixa de 0,30%, o que assegura uma inflação
anual de 4,5%, ponto central da meta para 2006. Há um
intervalo de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo.
Os alimentos, que representaram em fevereiro a principal contribuição
negativa para a inflação, devem garantir o recuo do IPCA
nos próximos meses e a convergência do índice para
as metas de inflação -o que abre, em tese, espaço
para uma maior flexibilização da política monetária.
Eulina Nunes dos Santos, gerente de Índices
de Preços do IBGE, disse que não existem pressões
"evidentes" para março, o que deve levar o IPCA acumulado
em 12 meses a "convergir para números menores". "Não
há nada que indique uma taxa perto de 0,60% em março [IPCA
de março de 2005, que será substituído pelo de
março desde ano no cálculo de 12 meses]", afirmou.
Para Carlos Thadeu de Freitas Filho, economista do Grupo de Conjuntura
da UFRJ, a "expectativa para os próximos meses é
bastante positiva". Os dois efeitos que levaram o IPCA a recuar
neste mês -retração de alimentos e demais preços
livres- se manterão nas medições seguintes do índice,
levando o indicador a ficar no centro da meta do BC.
Sob influência da queda de preço
de carne bovina e frango, os alimentos foram os principais responsáveis
pelo recuo do IPCA. Caíram, em média, 0,28% em fevereiro,
com impacto negativo de 0,06 ponto percentual. Em razão do menor
consumo mundial por conta da gripe aviária, o frango teve queda
de 5,51%. Já a carne cedeu 2,89%. Também tiveram quedas
de destaque ovos (-3,31%) e legumes como cenoura (-16,51%) e tomate
(-13,87%).
Preços livres
Segundo Freitas, os preços livres,
sobre os quais recaem os efeitos da política de juros altos,
tiveram variação nula em fevereiro, com recuo de preços
de bens duráveis, como televisões e aparelhos de som e
informática, que registraram queda de 1,32%. Com a queda do dólar
e sem um crescimento acelerado do consumo, diz, a previsão é
que mantenham variações bem baixas nos próximos
meses.
"Avaliamos que a inflação
continuará desacelerando, respondendo principalmente à
diluição do impacto dos reajustes", diz a consultoria
LCA, que prevê alta de 0,33% em março. Apesar do cenário
benigno, há algumas incertezas. A principal delas é quanto
à evolução do preço dos combustíveis,
uma das maiores fontes de pressão do IPCA em fevereiro e cujos
preços devem se acelerar em março.
O álcool teve alta de 2,88%
em fevereiro, menos do que os 9,87% de janeiro. Mas a expectativa é
que o combustível suba ainda mais neste mês, antes do fim
da entressafra de cana-de-açúcar. Já a gasolina,
impulsionada pela mistura do álcool, sofreu aumento médio
de 0,57% em fevereiro, ante alta de 1,19% em janeiro. Em fevereiro,
também pesou o reajuste dos ônibus, de 1,25%.
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Folha de São Paulo,
12 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Principal programa social de Lula e bandeira de sua provável
campanha à reeleição pode ter reajuste de 12,7%
ainda neste ano
Governo analisa elevar valor do Bolsa-Família
LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo federal estuda reajustar o
valor do benefício pago pelo Bolsa-Família, principal
programa social da gestão Lula e bandeira de sua provável
campanha reeleitoral, em 12,7% ainda neste ano. O teto repassado a uma
família beneficiada subiria dos atuais R$ 95 para R$ 107 mensais.
Esse reajuste é semelhante ao INPC (Índice Nacional de
Preços ao Consumidor) acumulado desde outubro de 2003, quando
o Bolsa-Família foi implantado com o objetivo de unificar a transferência
de renda da União.
A proposta de reajuste do benefício
já está nas mãos do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Foi encaminhada pelo Ministério do Desenvolvimento
Social, com base em números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios) de 2004, que apontou redução da
pobreza no Brasil. Não há prazo para que a definição
do assunto seja divulgada. O estudo do ministério vai além.
Sugere também que o governo amplie o limite de renda para que
uma família seja incluída no benefício. Atualmente,
o programa atende a famílias com renda de até R$ 100 mensais
por pessoa. O valor passaria a R$ 120.
O Bolsa-Família será uma
das principais bandeiras do PT na campanha eleitoral de outubro. O programa
também foi o principal fator de recuperação do
presidente Lula nas intenções de voto no período
entre outubro de 2005 e fevereiro deste ano mostrada na última
pesquisa Datafolha.
Gastos
Se Lula optar pela ampliação
do limite de renda para incluir um novo beneficiado, praticamente não
haverá impacto no orçamento do Bolsa-Família, previsto
em R$ 8,7 bilhões para este ano. Isso porque o Ministério
do Desenvolvimento Social está estimando que, com as atualizações,
seria necessário atender a 11,1 milhões de famílias
até dezembro, enquanto a meta do governo federal já era
chegar a 11,2 milhões.
Para o secretário de Avaliação
e Gestão da Informação da pasta, Rômulo Paes
de Sousa, a linha de corte do Bolsa-Família está "defasada".
Ou seja, se não for atualizada, poderá deixar de fora
do benefício famílias pobres, mas que, devido a R$ 20
per capita, não estão no perfil do programa. A secretária
de Renda de Cidadania, Rosani Cunha, afirma que, sem essa atualização,
também será difícil migrar para o Bolsa-Família
os que ainda são beneficiados com os recursos do Cartão
Alimentação (criado em 2003) e do Auxílio-Gás,
implantado no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
O motivo é que os dois programas
remanescentes aceitavam atender famílias com renda per capita
de até R$ 120 mensais, valor que correspondia a meio salário
mínimo à época. "Esse valor que estamos propondo,
de R$ 120 para a linha de corte, é semelhante, inclusive, ao
apontado em estudos técnicos de outros pesquisadores", diz
a secretária. Ainda falta ao Ministério do Desenvolvimento
Social o cálculo do impacto que teria o reajuste de 12,7% do
valor do benefício no Orçamento total. Esse dado depende
da atualização do Cadastro Único (lista das famílias
pobres do país), que termina no dia 31.
Com base nessa atualização,
o governo saberá o número de integrantes de cada família
inscrita no Cadastro Único. Isso é importante porque o
benefício do Bolsa-Família é composto por dois
valores -o básico e o variável. O básico é
o mínimo repassado pela União às famílias
extremamente pobres. Hoje está em R$ 50 mensais. Com o reajuste,
passaria a R$ 56 por mês. Já o variável é
pago a famílias que têm crianças e jovens com até
16 anos incompletos. Atualmente está em R$ 15 mensais, com o
máximo de R$ 45, ou seja, até três filhos. A proposta
é que passe a R$ 17 mensais, mantendo o limite de três
filhos. Na média, as famílias recebem cerca de R$ 65 por
mês, com o limite dos R$ 95.
Metodologia
Para chegar a essa proposta apresentada
a Lula, os técnicos do ministério usaram três variáveis.
A primeira foi a atualização, com base no INPC, do limite
usado para considerar uma família dentro do perfil do Bolsa-Família.
Também foi levado em consideração o crescimento
populacional entre 2001 e 2004, com base na Pnad. Neste período,
segundo Rosani Cunha, enquanto a população brasileira
cresceu 4,4%, o número de famílias (medido por domicílios)
subiu 8,7%.
Essa diferença é explicada
pelo fato de o tamanho das famílias brasileiras estar diminuindo,
ou seja, em uma residência mora um menor número de pessoas.
A terceira variável foi o comportamento da pobreza, inclusive
por região. Um fato importante observado nesse item foi que,
apesar de no geral o Brasil ter conseguido reduzir o número de
pobres, as regiões metropolitanas tiveram aumento desse perfil.
Impacto
Segundo o Ministério do
Desenvolvimento Social, o Bolsa-Família aumenta o rendimento
médio dos beneficiados em 21,35%. Eles atingem, em média,
uma renda de R$ 365 por mês com o benefício. Esse dado
foi obtido por meio de uma pesquisa de opinião, realizada entre
10 de setembro e 4 de outubro de 2005. pesquisa, do Instituto Pólis,
ouviu responsáveis por receber o benefício em 2.317 domicílios
de 86 cidades. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais.
Ao questionar sobre a situação familiar, 87,8% dos entrevistados
avaliaram que melhorou muito desde que ingressou no programa. Em 61,7%
dos domicílios, os adultos dizem fazer três ou mais refeições
por dia.
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Folha de São Paulo,
12 de março de 2006
APOSENTADORIAS
Se a sistemática criada em 99 acabar, os benefícios subirão
30%; para especialista, haveria corrida à Justiça
Fim do fator afeta reforma previdenciária
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Se o projeto de lei do senador Paulo
Paim (PT-RS) que acaba com o fator previdenciário for aprovado,
a reforma previdenciária de 1998 perderá a identidade.
O projeto foi aprovado na quinta-feira pela Comissão de Assuntos
Sociais do Senado e agora vai à Câmara dos Deputados. Com
o fator, o valor das aposentadorias por tempo de contribuição
foi reduzido paulatinamente (cerca de 0,5% a cada mês) entre dezembro
de 1999 e novembro de 2004. Após 60 meses, a redução
média atingiu 30%.
Ainda que rejeitado pela maioria da sociedade,
o corte no valor das aposentadorias foi a solução encontrada
pelo governo para tentar reduzir os seguidos déficits da Previdência
Social. O objetivo era estimular os segurados a retardar o pedido do
benefício. fim do fator ocasionaria, imediatamente, efeito oposto
ao do cerne da reforma, ou seja, aumento dos mesmos 30% no valor inicial
das futuras aposentadorias por tempo de contribuição.
Pelo projeto de Paim, o valor inicial das aposentadorias por tempo de
contribuição passaria a ser calculado pela regra antiga
-com base na média aritmética simples dos últimos
36 salários-de-contribuição, apurada em período
não superior a 48 meses.
Segundo o senador, o fim do fator previdenciário
"objetiva resgatar os critérios anteriores de cálculo
dos benefícios previdenciários, evitando a utilização
da Previdência Social como instrumento de ajuste das contas públicas,
em evidente prejuízo para seus beneficiários". ara
Paim, "estamos dando um passo importante em favor dos direitos
dos trabalhadores. O fim do fator previdenciário é uma
vitória histórica". Ele estima que o fator reduza
em cerca de 30% as aposentadorias por tempo de contribuição
dos homens e em 35% as das mulheres.
Benefícios achatados
O advogado Wladimir Novaes Martinez,
especialista em legislação previdenciária, diz
que o fim do fator previdenciário provocaria uma avalanche de
processos judiciais por parte dos aposentados a partir do final de 1999.
Com a aplicação do fator previdenciário (que leva
em consideração o tempo de contribuição
do trabalhador, sua idade e sua expectativa de vida na data da aposentadoria),
um benefício inicial é fortemente achatado. ara ter uma
idéia desse achatamento, um homem com 55 anos de idade e 35 anos
de contribuição, que pagou ao INSS pelo teto desde julho
de 94, teria hoje direito de receber R$ 2.420. Com o fator, o valor
cairia para 74%, ou seja, cerca de R$ 1.800 por mês. A perda é
de 26%, ou R$ 620.
Martinez entende que o fator poderia
ser reformulado, poderia ser reimplantado gradualmente (isso levaria
30 anos, ou seja, até 2029) e poderia até acabar, como
pretende o projeto do senador. Mas o advogado diz que não abre
mão de uma coisa: o período básico de cálculo
(de julho de 94 até o momento do pedido de aposentadoria, estando
hoje em 151 meses) não pode ser modificado.
"Permitir a volta dos 36 meses
é um absurdo financeiro e atuarial que inspirará, gerará
e produzirá fraudes. Seria uma loucura." O maior temor de
Martinez foi muito usado no passado. Um trabalhador ficava contribuindo
por 32 anos com base no salário mínimo ou um valor um
pouco acima. Nos últimos três anos ele contribuía
pelo teto e obtinha uma aposentadoria muito maior. É importante
ressaltar que essa anomalia era permitida pela legislação.
O objetivo maior do fator previdenciário (estimular os segurados
a retardar a aposentadoria) vem sendo alcançado. Ao final de
99, a média geral de idade dos aposentados era de 51,7 anos (52,4
para homens e 50,1 para mulheres). Em 2005, era de 53,3 anos (54,4 e
51,3 anos, respectivamente). Na sexta-feira, a assessoria de imprensa
informou que o Ministério da Previdência Social não
se manifestaria sobre o assunto.
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Folha de São Paulo,
13 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
PSDB marcou para amanhã anúncio de candidato, mas pode
ter que delegar decisão a diretório
Hesitação de Serra leva
Aécio a transferir apoio a Alckmin
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
A hesitação do prefeito
José Serra desidratou o suporte partidário à sua
candidatura à Presidência. Antes favorável ao lançamento
de Serra ao Palácio do Planalto, o governador de Minas, Aécio
Neves, tem dito a interlocutores que, "a essa altura do campeonato",
o governador Geraldo Alckmin é a melhor opção do
PSDB para evitar mais desgaste num momento de ascensão do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Encarregado de consultar os demais governadores
sobre a candidatura ideal, Aécio chega a apostar no anúncio
de uma dobradinha amanhã, com Alckmin para a Presidência
e Serra para o Palácio Bandeirantes. A hipótese tem sido
rechaçada por serristas. A intenção da cúpula
do partido é chegar a um acordo até amanhã. Mas,
mantido o impasse, a Executiva Nacional do PSDB deverá se reunir
ainda amanhã, para a convocação do Diretório
Nacional na semana seguinte.
Convertido em voto, o apoio de Aécio
à candidatura Alckmin poderia desestimular Serra para uma disputa
interna. Como uma parte expressiva do PSDB de São Paulo já
defende Alckmin e Minas representa uma grande fatia do partido, Serra
poderia ficar em desvantagem, caso Aécio decidisse exercer influência.Os
aliados de Serra, no entanto, afirmam que um apoio de Aécio a
Alckmin não seria suficiente para derrotá-lo no diretório,
fórum que está sendo cogitado para palco da disputa entre
os dois.
Os serristas consultaram ontem os principais
aliados do prefeito dentro da Executiva Nacional e do diretório
para avaliar a possibilidade de disputa. Todos teriam estimulado o prefeito.
Na noite de sábado, Serra também ouviu seus principais
aliados em São Paulo, como os secretários Aloysio Nunes
Ferreira e Walter Feldman e o deputado Alberto Goldman. Os três
teriam incentivado Serra a concorrer. O prefeito não tinha se
decidido, sob o argumento de que não está certo se deve
deixar o cargo. "Ele só ouviu", contou Feldman, defensor
da candidatura.
Os aliados de Serra ainda têm a
expectativa de que Aécio seja leal à decisão do
presidente do partido, Tasso Jereissati (CE), caso ele venha a apoiar
o prefeito. Tasso, porém, não teria explicitado sua opinião
depois das reuniões da semana passada.
Aécio, Tasso e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso -integrantes
do chamado triunvirato- defendiam o nome do Serra mesmo quando as pesquisas
esboçaram a recuperação de Lula. Os números
mostravam que Serra era mais competitivo.
Com a insistência de Alckmin e a demora de Serra, o trio começou
a manifestar preocupação com o desgaste interno e também
com o risco de derrota.
Além de Aécio, FHC chegou
a propor que Serra concorresse ao governo do Estado, possibilidade descartada
pelos aliados do prefeito. "Estamos hoje discutindo o Serra ser
candidato a presidente.O prefeito Serra não cogita ser candidato
a governador . Essa hipótese não existe", reagiu
Aloysio. Segundo serristas, FHC continua defendendo a idéia,
mas teria prometido apoio ao prefeito para qualquer que seja sua decisão.
Serra e Alckmin teriam programado um
encontro para os próximos dias. Ontem, em suas visitas à
Bienal do Livro, afirmaram que o encontro não está marcado.
Alckmin disse que "não há razão para mudança
[da data]". "Espero que saia [o nome]. Mas também,
se não sair, não vai acabar o mundo", disse.
O governador admitiu a hipótese
de apoiar o fim da reeleição -objeto de interesse de Aécio-,
desde que seja mantido o mandato de quatro anos. Alckmin reafirmou que
sua "saideira" do governo será na inauguração
da estação Chácara Klabin, do Metrô. E, ao
deixar a Bienal, recolheu pessoalmente, na lama, lixo da marginal Tietê.
Serra chegou à Bienal quase duas horas após a saída
de Alckmin e avisou que não falaria sobre política. Estava
acompanhado do neto, do genro e da mulher, Mônica. Comeu e passeou
pelos estandes, mas não comprou nada.
Disse que, atualmente, está lendo
entrevistas do escritor argentino Ernesto Sabato, mas ressaltou não
se lembrar do nome da obra. Em 1987, Sabato concedeu ao ensaísta
Carlos Catania, também argentino, 11 entrevistas, que resultaram
no livro batizado com o seguinte título: "Meus Fantasmas".
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Matéria Regional para conhecimento
JORNAL DO ESTADO, 13 de março de 2006
A Curitiba da ONU
Helicópteros no céu e mais carros
que o normal anunciavam algo diferente na cidade. Ontem à noite,
mil delegados participaram da cerimônia de abertura do MOP3
Da redação
No céu, o barulho dos helicópteros dava a dica. Na terra,
uma movimentação grande de carros e pessoas próximo
ao Largo da Ordem no início da noite também anunciava
algo diferente. Curitiba já estava em clima de território
internacional com a abertura oficial da 3ª Reunião das Partes
do Protocolo de Cartagena Sobre Biossegurança (MOP3). O evento
começou às 19 horas no Memorial de Curitiba, no Largo
da Ordem, com a participação de cerca de mil delegados
e autoridades de vários países, além da ministra
do Meio Ambiente, Marina Silva e representantes da Prefeitura e Governo
do Estado.
Como a temática das apresentações
de abertura, ontem, era tecnologia, até a mensagem de boas-vindas
do prefeito da cidade, Beto Richa, foi transmitida por um telão.
O ponto alto da cerimônia foi a apresentação acrobática
do chamado “circo novo”, acompanhada por música eletrônica
com ritmos de MPB e bossa nova. “A idéia foi revelar o
Brasil aos delegados de uma forma diferente e moderna”, explicou
Mirele Camargo, responsável pela concepção do evento.
Os delegados também puderam acompanhar
a mostra “Ippuc 40 anos - Uma história de planejamento”,
que ocupa dois andares do Memorial e revela em painéis, fotografias,
maquetes, mapas, filmes e animação a evolução
do planejamento de Curitiba. No Teatro Londrina, que integra o Memorial,
foi transmitido o documentário produzido pela organização
ambiental Instituto Brasil Selvagem, sobre parques preservados existentes
no Brasil. O mesmo documentário será transmitido em telão
durante os dias do evento no calçadão da Rua 15 de Novembro,
a partir das 20 horas.
As atividades da MOP-3 começam, na prática, no Expo-Trade,
em Pinhais e contam representantes de 131 países. Durante os
dias de encontro, delegados analisarão providências e medidas
necessárias à implementação e ao cumprimento
do Protocolo, que trata da transferência, manejo e uso seguro
de Organismos Vivos Modificados (OVMs).
A abertura oficial da MOP3 marcou o início
de uma grande movimentação na cidade de Curitiba, que
recebe também as 188 delegações que virão
para a 8a Conferência das Partes da Convenção sobre
Diversidade Biológica, a COP8. O segundo evento, que inicia no
próximo dia 20 e vai até o dia 31, deve trazer à
cidade um número ainda maior de participantes: cerca de 6 mil
pessoas.
A abertura oficial da MOP3 marcou
o início de uma grande movimentação na cidade de
Curitiba que receberá também as 188 delegações
que virão para a 8ª Conferência das Partes da Convenção
sobre Diversidade Biológica (COP8), que se iniciará no
próximo dia 20 e irá até o dia 31 e deve trazer
à cidade um número ainda maior de participantes: cerca
de 6 mil pessoas.
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JORNAL DO ESTADO, 13 de março
de 2006
Preço da areia sobe 14,11%
Construtoras procuram alternativas na hora de
fazer concreto e argamassa
Bruna Martins Fontes
Folhapress
A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)
de alguns produtos usados na construção deixou alguns
deles mais baratos e deu ânimo aos que estão pensando em
reformar a casa.
Mas quem foi às compras para fazer melhorias como trocar piso
e azulejo ou erguer paredes percebeu que, quando entra areia no orçamento,
ele encarece bastante.
Desde fevereiro de 2005, o preço do metro cúbico do material
subiu 14,11% — 5,64% nos dois primeiros meses deste ano. Assim,
o metro cúbico de areia hoje é vendido por R$ 38, contra
os R$ 33 do mesmo mês do ano passado.
“A areia teve aumento bem maior do que a média dos outros
materiais de construção”, aponta João Claudio
Robusti, presidente do Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da
Construção Civil do Estado de São Paulo), que realiza
esse levantamento de preços.
A explicação para esse aumento contínuo —
e que deve continuar acontecendo — passa por dois fatores. Em
primeiro lugar, o fraco crescimento (1%) da construção
civil no ano passado levou alguns fornecedores a fecharem as portas,
segundo Robusti.
Menos exploração
Mas o problema mais grave é que, enquanto as cifras abundam,
os grãos vão ficando cada vez mais escassos. Segundo explica
Fernando Mendes Valverde, 61, diretor-executivo da Associação
Nacional das Entidades de Produtores de Agregados para Construção
Civil (Anepac), essa escassez de áreas para exploração
não tende a ser revertida. “A extração disputa
espaço com prefeituras que querem criar distritos industriais
e conjuntos habitacionais e também com atividades agrícolas.”
Assim, os extratores se alojam cada vez mais nas várzeas de rios,
que, por sua vez, acabam de ganhar nova legislação ambiental
para melhorar a fiscalização, que pode começar
a vigorar no final do mês.
Areia rosa e “artificial”
A escassez de matéria-prima já faz construtoras adotarem
alternativas como a areia artificial ou a rosa em concreto e argamassa.
Por ser bem fininha, com grãos pequenos e arredondados, a areia
rosa é bastante usada para fazer concreto usinado, que já
vem pronto e é bombeado nos locais de aplicação.
“Também é excelente para fazer argamassa. O setor
achava que só servia para isso, mas a escassez de areia fez com
que se usasse no concreto também”, conta Rubens Curti,
55, supervisor técnico de concreto da Associação
Brasileira de Cimento Portland (ABCP).
Mas, para adotar a areia rosa, é preciso alterar a receita do
concreto, colocando aditivos plastificantes, que aumentam a resistência,
e brita de dimensões maiores. Outro material que vem sendo bastante
usado é a areia artificial, só que ela dá um aspecto
mais áspero ao concreto. Para corrigir o problema, a saída
é fazer uma mistura dela com 30% de areia rosa.
Nenhuma das duas opções, no entanto, resolve o problema
do aumento de custos. A areia rosa é mais cara que a de rio,
e a artificial custa pelo menos o mesmo.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de março de 2006 | Mundo
AMÉRICA DO SUL-Discussão sobre
danos ambientais bloqueia, há 37 dias, a fronteira entre Uruguai
e Argentina
Guerra das “papeleras”
desafia Mercosul
Curitiba – Há 37 dias, Uruguai e Argentina travam uma batalha
na fronteira entre os dois países. Ativistas argentinos mantêm
bloqueada a estrada que une os distritos de Rio Negro (Uruguai) e Entre
Ríos (Argentina) como forma de protesto à construção
de duas indústrias de processamento de celulose (as papeleras)
na cidade uruguaia de Fray Bentos.
Para os manifestantes, a instalação
da espanhola Ence e da finlandesa Botnia acarretaria danos ao meio-ambiente,
em especial ao Rio Uruguai que marca a fronteira entre Bentos e a cidade
argentina de Gualeguaychú.
Juntas as duas unidades devem produzir 1,5 milhão de toneladas
de celulose. Especialistas argentinos entendem que o Rio Uruguai não
tem condições de absorver a proporção de
detritos. “A capacidade de absorção é muito
baixa, inclusive em relação aos rios da Prata e Paraná,
e isso favorece a disseminação de dioxinas (substância
química tóxica)”, disse Héctor Sejenovich,
professor de Ciências Sociais e Ambiente da Universidade de Buenos
Aires e membro da comissão bilateral montada pelos dois países
para analisar o caso.
O professor acredita inclusive que os
subprodutos das duas indústrias podem provocar danos diretos
ao ser humano. “Como saber qual a quantidade de dioxina suficiente
para provocar câncer? Com o vento, o produto pode se depositar
na grama que o gado come e ser transmitida ao ser humano?”, questionou.
A ameaça para o meio ambiente
e a saúde, porém, é contestada pelo lado uruguaio.
O intendente (governador) do Departamento uruguaio de Río Negro,
Omar Lafluf Hebeich, diz que foram tomadas todas “as precauções
necessárias” para reduzir ao máximo o impacto da
produção no ambiente. “O lançamento de dióxido
de cloro no rio ficará abaixo do que é exigido pela União
Européia”, explica.
Se a questão ambiental foi o motivo
inicial do protesto, o bloqueio da fronteira uruguai-argentina tornou-se
uma disputa política e diplomática entre as duas nações.
Os uruguaios afirmam que os ativistas
estariam sendo patrocinados pela indústria madeireira argentina,
pouco interessada em ver o rival e vizinho receber investimentos da
ordem de mais de US$ 1,8 bilhão de duas gigantes multinacionais
do setor de papel.
O sindicato dos caminhoneiros uruguaios
anunciou que irá suspender o trabalho para empresas de capital
argentino. Lideranças dos ativistas argentinos afirmam ter recebido
propostas de suborno por parte da Botnia para que os protestos fossem
interrompidos.
O tiroteio faz os dois lados acumularem
perdas. O bloqueio da estrada afeta 7,2% do comércio entre os
dois países que no passado chegou à marca dos 1,1 bilhão
de dólares.
O embate chegou até os gabinetes
dos presidentes Néstor Kirchner, da Argentina, e Tabaré
Vázquez, do Uruguai. A proximidade ideológica (ambos foram
eleitos por coalizões de esquerda), nesse caso, pouco contribuiu
para que se alcançasse uma solução.
Kirchner sugeriu a interrupção
das obras por três meses para a realização de um
estudo ambiental completo. Tabaré se disse “comovido”
com as declarações do colega, mas afirma que só
negocia quando os bloqueios forem suspensos.
Mercosul
Para o sociólogo e especialista
em gestão de negócios do Mercosul Rodrigo Rossi Horochoski,
o bloqueio da divisa entre Fray Bentos e Gualeguaychú exemplifica
um dos desafios a serem resolvidos pelo Mercosul. “De modo geral,
o Mercado não avança pelas pressões de certos setores
dos países. Os governantes têm medo de enfrentar esses
interesses.”
Segundo Horochoski, diferentemente da
maneira como se construíram as negociações na União
Européia, no Mercosul os interesses dos países participantes
são muitas vezes parecidos. “Não existe uma complementação.
Os potenciais econômicos são parecidos e isso gera entraves
como esse.”
Com a diplomacia longe de chegar
a um entendimento, a tendência é de que a questão
seja resolvida utilizando-se sim os caminhos do Mercosul. Nesse caso,
o Tribunal Arbitral do bloco.
Guilherme Voitch com AFP e EFE
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REVISTA ISTO É, 13 de março de 2006
Em 1980, a classe média
representava 31,7% da população economicamente ativa.
em 2000, caiu para 27,1%
Pesquisa
Sete milhões deixam a classe
média
Em duas décadas, famílias
brasileiras perderam poder de compra, acesso ao consumo e viraram novos
obres
Por Gilberto Nascimento
A classe média está menor. Entre 1980 e 2000, sete milhões
de pessoas que ocupavam essa faixa da sociedade perderam seus empregos
e não conseguiram recuperá-los. Em conseqüência,
tiveram seu poder de compra reduzido, o padrão de vida rebaixado
e, assim, saíram forçadamente da classe B para passar
a tomar parte na classe C. Segundo o IBGE, em 1980 os assalariados que
participavam do estrato social respondiam por 31,7% da População
Economicamente Ativa (PEA). Vinte anos depois, porém, essa participação
caiu para 27,1%. “A perspectiva é de que o número
de pessoas expulsas da classe média aumente nos próximos
anos”, diz o economista Márcio Pochman, professor do Instituto
de Economia da USP e um dos autores do Atlas da nova estratificação
social, estudo que mapeou as transformações na sociedade
brasileira na década de 1990. “O ajuste do mercado de trabalho
se deu principalmente nas profissões tipicamente de classe média,
e esse ajuste continua.”
Com a perda de sete milhões de integrantes, a camada média
da sociedade está reduzida, hoje, a uma faixa da qual fazem parte
57,8 milhões dos 180 milhões de brasileiros. A renda per
capita desse segmento social, em valores de novembro de 2005, varia
de 1,7 salário mínimo per capita até 19,4 mínimos.
Em todos os seus escalões, a classe média diminui de tamanho.
A “média baixa” passou de 44,5% em 1980, para 54,1%
em 2000. A “média média” caiu de 32,2% para
23,1%. A média alta foi a que menos sofreu, variando de 23,2%
para 22,8%. Porém, mesmo quem manteve o status social está
sofrendo outros tipos de perdas. Recursos antes usados para a compra
de bens ou recreação e cultura passaram, nos últimos
tempos, de acordo com o estudo, a ser gastos no pagamento de itens básicos
do dia-a-dia. As despesas com habitação, que em 1987 respondiam
por 17,6% do consumo total da classe média, ocupavam em 2003
nada menos que 29,5% do orçamento familiar. As despesas com transportes
saltaram, no mesmo período, de 8,7% para 16,9%. As compras de
bens, enquanto isso, diminuíram drasticamente. No período
1987-2003, o item “aumento de ativo” caiu de 10,8% para
3,9%. Significa a redução de compras de bens como carros
e imóveis.
A realidade de quem passou por essas transformações é
dramática. A assistente administrativa Lilian Vittoreti chegou
a ter empregada doméstica, casa na praia, freqüentava academia,
viajava nas férias e seus filhos estavam matriculados em escolas
particulares e em cursos de inglês. Tudo isso acabou depois que
seu marido perdeu o cargo de gerente numa rede de lojas em que tinha
participação no faturamento. No momento, ele está
desempregado e Lilian vende planos de saúde. “Estou ensaiando
uma volta por cima”, diz ela. “Mas tenho consciência
de que será muito difícil recuperar tudo o que já
tivemos.”
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REVISTA ISTO É, 13
de março de 2006
Imóveis
Hora de comprar
O sonho de comprar um imóvel está mais próximo
dos brasileiros. A oferta de crédito imobiliário é
farta e os juros estão menores do que em outros tipos de empréstimos.
“Serão R$ 19 bilhões em 2006, com juros reais entre
8% e 12% ao ano”, informa Osvaldo Fonseca, diretor-geral da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança.
Os imóveis também ficam atraentes como investimento. “A
demanda está reprimida há muito tempo. Em dez anos, os
imóveis renderão mais do que os fundos de renda fixa”,
opina o consultor Mauro Halfeld, autor do livro Seu dinheiro (Ed. Fundamento).
Mas, devido ao alto custo de transição e ao tempo que
ela leva, devem ser encarados como aplicações de longo
prazo. Comprar na planta é um investimento arriscado, já
que é difícil avaliar a saúde financeira de uma
construtora. O quadro abaixo traz dicas para fazer bons negócios.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de março de 2006 | Brasil
HABITAÇÃO-Governo vai ajudar 100
mil famílias que moram em palafitas
Lula anuncia R$ 1 bilhão
para moradias sociais
Recife – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou
ontem, durante a entrega de 224 apartamentos para famílias que
viviam nas palafitas no bairro de Brasília Teimosa, em Recife
(PE), que o governo federal vai investir R$ 1 bilhão na construção
de casas sociais em 2006. Os imóveis serão destinados
a famílias que não tem recursos para pagar moradia.
“A idéia é tirar
da situação degradante de pobreza 100 mil famílias
que ainda vivem em palafitas nas principais cidades do país”,
disse Lula.
Os imóveis entregues ontem possuem 39 metros quadrados, com dois
quartos, sala, cozinha e banheiro.
Lotes
Além da construção
de casas sociais, o governo quer legalizar o quanto antes a situação
de cerca de 900 mil lotes irregularmente ocupados em morros e alagados
de todo o país. Lula disse que já determinou ao ministro
das Cidades, Márcio Fortes, e à secretária de Patrimônio
da União, Alexandra Reschke, que comecem a estudar de imediato
mudanças na legislação que facilitem o acesso ao
título de posse àquelas pessoas que residem nos chamados
terrenos clandestinos. A primeira reunião para discutir o assunto
já está marcada para a próxima semana, segundo
ele afirmou em discurso para uma platéia formada em sua maior
parte de ex-favelados da capital beneficiados com a construção
de moradias populares.
“No Brasil temos 173 mil lotes
regularizados e 900 mil para ser legalizados. É um monte de gente
que mora em favela, pé de morro e encosta, que está lá
morando no barraco e que não bota um tijolo na casa porque o
terreno não é seu”, afirmou o presidente.
Lula e a primeira-dama Marisa visitaram
a casa entregue a Erinalda Maria da Silva, que em 2003 recebeu o presidente
e ministros em um barraco de tábuas e zinco. Na época,
prometeu que um dia voltaria a visitá-la em uma casa de tijolo.
Durante a visita a Recife e Olinda,
o presidente enfrentou três protestos, mas nenhum incidente grave
ocorreu. O de mais difícil controle envolveu trabalhadores rurais
ligados ao Movimento de Libertação dos Sem-Terra, que
queriam entrar à força no pavilhão do Centro de
Convenções, em Olinda, onde ocorreu a Olimpíada
do Conhecimento e à qual o petista dedicou o maior tempo do compromissos
oficiais ontem em Pernambuco.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de março de 2006 | Brasil
AUTO-ESTIMA
Presidente cita a si próprio e
o atacante Ronaldo como exemplos
Olinda (AE) – De volta à fase de auto-estima elevada, o
presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ele e o jogador
Ronaldo, do Real Madrid, são exemplos de superação
para a juventude. Em discurso para estudantes que participavam da Olimpíada
do Conhecimento, promovida pelo Senai, Lula não economizou frases
de auto-ajuda. “Minha vida é de disputa, a gente perde
e a gente ganha”, disse. “O importante é que o fato
de não ter conseguido algo em um momento não significa
que a gente não vai realizar o sonho amanhã.”
Lula lembrou que perdeu três
eleições até se tornar presidente. “Muitos
falavam para eu desistir”, disse. “As pessoas diziam que
o Ronaldinho, quando machucou a perna jogando pela Inter de Milão,
tinha acabado para o futebol”, afirmou. “Diziam: pára
Ronaldo, pára”, completou. “Ronaldo se sacrificou,
voltou e foi o artilheiro da Copa de 2002.”
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Matéria Regional para conhecimento
O ESTADO DO PARANÁ, 11 de março
de 2006
FIEP pede para Assembléia rejeitar
o novo mínimo
Redação/O Estado do Paraná
Rocha Loures: novo mínimo regional vai
atrapalhar as negociações.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado
do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, encaminhou ontem ofício
ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Hermas
Brandão (PSDB), pedindo que o Projeto de Lei 002/06, que estabelece
em R$ 437 o salário mínimo regional, seja rejeitado pela
Casa.
Segundo Rocha Loures, a solicitação da Fiep está
pautada numa ampla consulta realizada junto aos 94 sindicatos filiados
à entidade. Desse total, 65% das entidades afirmaram que mantêm
piso salarial estabelecido por convenção coletiva inferior
ao mínimo regional em discussão no Legislativo e, por
isso, posicionaram-se contrárias ao projeto de lei.
O entendimento dos sindicatos patronais do setor industrial, segundo
Loures, é que o estabelecimento do mínimo regional vai
prejudicar as próximas negociações, uma vez que
o valor proposto ultrapassa em 40% o salário mínimo nacional.
Na consulta feita junto aos sindicatos, a Fiep constatou que todas as
categorias econômicas industriais do Paraná têm piso
salarial superior a R$ 300,00.
No entendimento da Fiep, apesar de o salário mínimo vigente
ser insuficiente, qualquer aumento real de salários deve estar
alinhado com ganhos de produtividade de mão-de-obra, sob pena
de gerar pesados ônus para muitos setores industriais, empurrando-os
para a informalidade.
A Fiep defende, como premissa institucional, a livre negociação
entre empregados e empregadores, prática já comum no sistema
industrial paranaense, para a definição dos valores de
referência por meio de convenção coletiva. O documento
da Fiep informa que qualquer interferência governamental neste
tema causará desequilíbrios econômicos e o enfraquecimento
das entidades representativas.
A Fiep aponta ainda, no documento, alguns aspectos sobre a ilegalidade
de um parágrafo do projeto de lei, que obriga que mesmo aquelas
categorias que tenham convenção ou acordo coletivo em
vigor obedeçam ao salário mínimo regional, o que
contraria a Lei Complementar Federal n.º 103/00.
A proposta que fixa o novo salário mínimo regional em
R$ 437 foi entregue pelo governador Roberto Requião no dia 15
do mês passado à Assembléia Legislativa. Apesar
de ter sido bem recebida pelos sindicatos dos trabalhadores, ela também
encontrou opositores. A começar pelo presidente da Assembléia
Legislativa, Hermas Brandão, que criticou o projeto na frente
do governador, durante a entrega da proposta aos deputados estaduais.
Brandão disse que só vai votar o projeto depois de ouvir
todos os setores envolvidos. Além dos sindicatos dos trabalhadores,
Brandão faz questão de registrar a posição
dos empresários. O presidente da Assembléia acha que o
valor é muito alto e pode ter reflexos sobre a economia do Estado.
Embora a liderança do governo tenha solicitado e aprovado regime
de urgência para a matéria, o presidente da Assembléia
afirmou que não vai apressar a votação. Ele prevê
que o assunto seja examinado na próxima semana na Comissão
de Constituição e Justiça.

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