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Agência Diap, 14 de
março de 2006
Serra e a Reforma Sindical
Autor (a): Jeferson Barbosa da Silva
Há 13 anos - em 1993 - era intensa a mobilização
dos setores neoliberais para tratorar completamente a Constituição
Cidadã, no processo da Revisão Constitucional bancada
pelo FMI. O Movimento Sindical resistiu, enfrentou o debate, defendeu
com firmeza a nossa organização estruturada no artigo
8º da Constituição e aliando-se a tantas outras entidades
da sociedade civil, acabou vencendo a batalha para, em 09 de junho de
1994, enterrar definitivamente aquela terrível ameaça.
O então deputado Nelson Jobim,
por exemplo, na condição de relator das propostas de revisão,
declarou, num seminário da FIESP, São Paulo, que iria
usar muito mais a borracha do que a caneta, tamanho era o ímpeto
de modernidade da bancada neoliberal parida pelo Consenso de Washington
...
Integrante do grupo, o deputado José
Serra (PSDB/SP) apresentou a proposta nº 16.643 com a seguinte
redação:
Art. 8º. Os trabalhadores e os empregadores,
sem distinção de qualquer espécie, têm o
direito de constituir, sem autorização prévia,
entidades sindicais, observado o seguinte:
I – são vedadas ao Poder
Público, a interferência e a intervenção
na organização sindical;
II – são vedados quaisquer
atos de ingerência, por parte de empregadores ou de suas entidades
representativas, na constituição, funcionamento, custeio
e administração de entidades sindicais representativas
de trabalhadores;
III – às entidades sindicais
cabe defender os direitos de seus representados, inclusive em questões
judiciais e administrativas;
IV – as entidades sindicais têm
o direito de constituir federações, confederações
e centrais, bem como de filiar-se às mesmas, cabendo aos interessados
definirem sua forma de custeio;
V – ninguém será
obrigado a filiar-se ou manter-se filiado ao sindicato;
VI – a lei disporá sobre
os critérios de reconhecimento, pelo empregador ou por sua entidade
sindical, das entidades sindicais de trabalhadores, para efeito de negociação
coletiva;
VII – as entidades sindicais têm
o direito de elaborar seus estatutos e regulamentos administrativos,
de eleger livremente seus representantes, de organizar sua gestão
e de formular seu programa de ação;
VIII – a lei assegurará
ao trabalhador proteção contra quaisquer atos discriminatórios
decorrentes de sua filiação a sindicato ou participação
em atividades sindicais;
Parágrafo único –
aplica-se às entidades sindicais o disposto no art. 5º,
incisos XVII e XIX
Resumindo, para Serra acabariam as categorias,
o sindicato passaria a ser apenas dos representados, decisões
sobre o custeio caberiam aos interessados e, aqui o golpe mortal do
inciso VI: para poder participar da negociação coletiva,
a entidade profissional - sindicato, federação, confederação
ou central - teria, antes, de ser aceita pelos patrões!
À alegação de que
muita coisa mudou nesses treze anos a História mostra que a vilania
desses interessados reformadores só aumentou, que o discurso
anti-sindical é cada vez mais ousado, que o FMI continua cobrando
o fim de nossa organização sindical, e que quem vota ou
ajuda a eleger o inimigo, não tem de que se queixar na hora da
morte ... Jeferson Barbosa da Silva é
dirigente sindical.
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Diário Vermelho,
14 de março de 2006
Trabalhadores
Novo presidente do TST defende maior atuação
dos sindicatos
Principal responsável pela disseminação do sistema
de penhora on-line na Justiça do Trabalho, quando atuou como
Corregedor-Geral entre 2002 e 2004, o ministro Ronaldo Leal assume a
presidência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) com idéias
igualmente impactantes. Com posse marcada para 17 de abril, o futuro
presidente defende a maior atuação dos sindicatos em ações
repetitivas, a execução coletiva, aumento dos juros sobre
os créditos trabalhistas e a restrição de recursos
ao TST.
O tribunal, para seu futuro presidente,
é um dos dois pontos de estrangulamento do processo trabalhista,
ao lado da fase de execução - um recurso ao TST leva até
cinco anos para ser julgado. O ministro diz que a legislação
atual cria vantagens para as empresas, que conseguem adiar o fim das
ações e ganham com isso. Parte do problema foi minimizado
com a criação da penhora on-line, mas outra parte ainda
depende do desafogamento da Justiça do Trabalho. Remunerados
a taxas de juros de 0,5%, os créditos trabalhistas se transformaram
em uma linha de financiamento preferencial para as empresas, que procuram
preterir ao máximo seu pagamento, diz o presidente.
A última versão do levantamento
"O Judiciário em Números", elaborado pelo Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), aponta que a Justiça do Trabalho
recebeu 2,5 milhões de novos processos em 2004, uma média
de 1.018 por juiz na primeira instância, onde a taxa de congestionamento
chega a 53%. No TST, a situação se agrava: o número
de casos novos por magistrado foi de 8,3 mil, e a taxa de congestionamento,
de aproximadamente 70%. A carga por ministro - entre casos novos e pendentes
- chega a 21,5 mil processos.
Leia entrevista concedida por Leal ao
jornal Valor Econômico:
Valor: O TST inicia
no ano com uma sede nova, novos ministros, mas também convive
com problemas como o grande número de processos e a alta taxa
de recorribilidade interna. A ampliação da estrutura da
Justiça do Trabalho pode superar esses problemas?
Ronaldo Leal: Se nós
vivemos em uma sociedade de massas, as soluções de um
estado-cidade acabaram. Hoje, ou a Justiça do Trabalho tem soluções
massificadas, ou ela nega o direito do trabalhador. Nós estamos
negando todos os dias o direito do trabalhador porque demoramos. A Justiça
do Trabalho aplica uma imparcialidade em favor do trabalhador, porque
o trabalhador é um desvalido econômico, político
e social.
Mas, ele não perdeu sua condição
de desvalia, ela foi minimizada através do agrupamento dos trabalhadores,
da sindicalização. O trabalhador isolado é desvalido,
não muda de condição quando entra no Poder Judiciário.
Como é que vamos continuar com um sistema que obriga cada um,
cada pai-herói, a entrar em juízo, a procurar um advogado,
esperar a sentença, recorrer para o tribunal e recorrer para
o TST. E o advogado que trabalha para os empregados é menos afeito
ao recurso extraordinário.
Valor: Quem recorre
ao TST é a empresa?
Leal: Claro! Ou seja,
a empresa não quer saber de qualquer solução massificada
ou qualquer restrição ao acesso ao TST. Quer trazer um
por um dos processos.
Valor: Isso é
vantagem por quê?
Leal: É maravilhoso.
Imagine só, se o trabalhador morre antes de receber qualquer
coisa, afinal um recurso no TST demora 5 anos. Este é um dos
dois pontos de estrangulamento da Justiça do Trabalho: O TST.
O outro é a fase de execução.
Valor: O funcionamento do TST contribui pra isso?
Leal: Sim, hoje os recursos
de revista são apresentados indiscriminadamente, e quem sabe
recorrer vem pra cá. Quando não é aceito o recurso
de revista - que é analisado pelo presidente do tribunal - o
advogado entra com o agravo de instrumento e vem pra cá. Então
o TST fica entupido dessas causas protelatórias, que poderiam
ser na verdade resolvidas lá embaixo. Precisamos revalorizar
o juiz de primeiro grau e os tribunais regionais. E dar ao TST o papel
que ele deve mesmo ter: o de unificador de jurisprudência.
Valor: Então
é preciso criar novos filtros para impedir a chegada de processos?
Leal: Temos que criar
novos filtros. O TST é um dos pontos de estagnação
do processo.
Valor: E quanto à
execução?
Leal: É o outro
ponto de estrangulamento. Quando eu era corregedor, lutei muito pelo
sistema Bacen Jud. Há um mito de que o Bacen Jud é só
da Justiça do Trabalho, é na verdade de todo o Judiciário.
Mas ele casou muito bem com a Justiça do Trabalho. Porque o hipossuficiente
é o destinatário da prestação e o devedor
é o todo-poderoso empregador. Se você consegue bloquear
uma conta bancária de um devedor, ele está muito mais
persuadido a acabar com aquilo. Porque do contrário ele indica
à penhora quatro pneus furados e um trator que se encontra em
uma propriedade rural não-sei-onde. A lei estabelece que o primeiro
bem a ser penhorado é o dinheiro.
Valor: Mas isso não
entra em contradição com o princípio da penhora
do bem menos gravoso ao devedor?
Leal: Esta norma não
se aplica ao processo do trabalho. O princípio do bem menos gravoso
ao devedor significa: vamos privilegiar quem não quer pagar.
Quando eu era corregedor criei um cadastro em que as empresas podem
indicar uma conta única para sofrer bloqueio. As grandes empresas
nacionais, todas elas, se cadastraram na corregedoria.
Mas por que as grandes não pagam
logo, e preferem se cadastrar para sofrer bloqueio? Porque elas têm
os meios processuais ao seu dispor para adiar a entrega do dinheiro
ao trabalhador. Eu não sou contra a empresa, veja bem, só
estou olhando um contexto da Justiça do Trabalho. Nesse contexto,
se a norma estabelece alguma vantagem, a empresa, que é um ser
capitalista por natureza, vai aproveitar essa vantagem. O juro do crédito
trabalhista é de 1% ao mês, ou 0,5% ao mês, dependendo
da situação. Mas o juro do crédito tributário
é taxa Selic.
Se a empresa não tem dinheiro
para pagar os dois, o que faz: vai pagar o crédito trabalhista,
que cobra 0,5% ao mês, ou vai pagar o crédito tributário,
que vai cobrar de juro a taxa Selic? A empresa vai optar por pagar o
crédito tributário. O ministro Vantuil Abdala, já
no tempo que era vice-presidente do TST, sugeriu taxa Selic para o crédito
trabalhista e duas vezes a taxa Selic na execução. O projeto
está tramitando no congresso. Tramitando há muito tempo.
Não passa porque há forças que não deixam
passar.
Valor: Quando à
execução, o que mais precisa ser feito?
Leal: Nós precisamos
da massificação da execução, da execução
coletiva. Eu sou a favor de qualquer massificação do processo.
Se o trabalhador A, B, C, D tem o mesmo tipo de lesão, quem defende
o direito deles é o sindicato, que faz a defesa coletiva. A execução
pode ser conjunta, bastando haver um contador habilitado para fazer
o levantamento coletivo, e julga em massa. O empregador vai impugnar
o valor de um ou de outro trabalhador, mas o resto passa.
Valor: Então
a saída é a massificação de todo o processo?
Leal: Sim, e há
uma outra saída massificadora ainda, que é o controle
concentrado. Haveria um controle concentrado do alcance do sentido de
uma norma que seja extremamente onerosa. Determinadas figuras legitimadas,
como as definidas para a ação direta de inconsticionalidade
(Adin), poderiam entrar diretamente no TST. Poderiam pedir uma interpretação
do alcance do sentido da lei previamente.
Valor: Mas haveria realmente
impacto no volume de ações que chegam ao TST?
Leal: Sim, por exemplo bancários,
eles têm uma quantidade imensa de causas. Mas tal como a Adin
até há pouco tempo, não teria efeito vinculante
para as instâncias inferiores. Nós teremos que nos conformar
com o caráter não vinculativo do nosso controle concentrado.
Ele serviria apenas como emulação, idéia geral
do que o tribunal superior iria fazer quando a causa chegasse lá.
Valor: Mas não
seria igual a uma súmula?
Leal: A súmula
é semelhante, mas ela só vai ser baixada depois que a
ação já tramitou na vara, no tribunal, muitos anos,
e muitas causas que se repetiram aqui por muito tempo.
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Folha de São Paulo,
14 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Prefeito transfere ônus da decisão
ao PSDB na esperança de reverter favoritismo de Alckmin
Serra admite candidatura à Presidência,
mas sem prévia
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Um dia após ser informado de que
não detém o apoio de parcela expressiva do partido, o
prefeito de São Paulo, José Serra, admitiu ontem, pela
primeira vez publicamente, sua candidatura à Presidência.
Mas, reafirmando que não enfrentará uma prévia,
transferiu ao PSDB a responsabilidade de uma eventual opção
pela candidatura do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin,
que não apresenta o mesmo desempenho que ele nas pesquisas.
À espera do resultado de uma pesquisa
que supostamente registraria sua recuperação na corrida
presidencial, Serra tenta ganhar tempo com o gesto. Sua intenção
é esperar até quinta-feira, quando devem ser divulgados
os números de um levantamento do instituto Ibope. Se não
conseguir adiar a decisão do partido, o prefeito deve abrir espaço
para que Alckmin seja declarado o candidato, provavelmente hoje. O prefeito
deixou uma brecha para o desembarque da disputa ao afirmar que não
aceitará uma prévia. "Decidi deixar à disposição
do partido a minha indicação para disputar a presidência
da República, mas sem realização de prévia.
Se tiver disputa vamos ter de examinar", disse Serra, à
porta de sua casa, um dia após uma longa conversa com o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso.
Interlocutores de Serra traduziram a
declaração como uma tentativa de sair do corner e impor
um xeque-mate ao partido, que terá de assumir o ônus da
decisão. "A decisão não é minha, como
muita gente vinha pensando. Não se trata de uma decisão,
se trata de colocar à disposição. Se o partido
entender que sim, poderei vir a ser o candidato", argumentou. Ao
saber das declarações de Serra, Alckmin afirmou que "todas
as informações estão disponíveis para que
o PSDB faça uma boa escolha". "Tenho certeza de que
o PSDB vai chegar à eleição forte e unido pelo
bem do Brasil."
Embora chamando de legítima a
postulação do governador, Serra insinuou ainda que a insistência
de Alckmin por uma disputa poderá provocar racha partidário.
"Ele [Alckmin] fala inclusive de se fazer uma prévia, consulta
prévia, coisas assim. Acho isso, no entanto, inadequado do ponto
de vista da soma de forças que se necessita para uma campanha
muito difícil como a que teremos pela frente."
Governadores
O triunvirato que coordena a escolha
do candidato, formado por Tasso, FHC e Aécio, convidou os governadores
do partido para um almoço hoje, em São Paulo, com a presença
de Serra e de Alckmin. Além de Aécio e Alckmin, o PSDB
tem cinco governadores. A inclusão deles na reunião final
busca, primeiro, criar um fórum maior para tentar um entendimento.
Aécio, Tasso e FHC avaliam que passou a hora de uma palavra final
do triunvirato bastar para a escolha do candidato.
Esse triunvirato já foi totalmente
pró-Serra. FHC continua a apoiar o prefeito. Tasso era favorável
a Alckmin, atuou em favor de Serra quando o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva recuperou cacife nas pesquisas e voltou a preferir o governador
diante da hesitação do prefeito, que descumpriu acordo
para responder no início do mês se queria ser candidato.
Como revelou ontem a Folha, Aécio, antes simpático a Serra,
passou a apoiar Alckmin após a demora do prefeito em assumir
sua pré-candidatura. Ontem, porém, Aécio telefonou
a Serra, negando que apóie o governador.
Pesquisas
Serra disse que se apresentou ao PSDB
em razão do fato de que as pesquisas, "há muitos
meses", vêm apontando seu nome "como o mais forte para
disputar com o presidente Lula neste ano". "Vejo, no entanto,
que não há condições de fazer uma prévia
no PSDB. Porque uma prévia vai acabar dividindo o partido, criando
problemas, rivalidades, inclusive, no fundo, favorecendo o adversário",
alegou.
O prefeito disse que pretende se candidatar
porque "o Brasil precisa mudar". "O Brasil, nos últimos
anos, foi tomado por uma onda de corrupção, perda de moralidade
na vida pública, de economia estagnada, com desemprego alto e
em elevação, que é o que vai acontecer nesse ano.
Temos que dar outro rumo para o Brasil." Cuidadosamente estudada
e discutida com aliados, a declaração antecedeu um encontro
de Serra com o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati, e o governador
de Minas, Aécio Neves.
Na véspera, Serra saiu de
uma reunião com FHC certo de que não contaria com o apoio
de Minas e do Ceará numa disputa interna. O prefeito passou a
madrugada analisando, com aliados, as chances de vitória numa
consulta ao partido. Segundo os cálculos, ele poderia até
ganhar, mas a disputa produziria traumas em São Paulo. Serra
avalia que, se vencer, poderá ter a vitória pontual transformada
em derrota mais à frente. Correrá o risco de ver Alckmin
cruzar os braços no maior colégio eleitoral do país,
com 22,36% do eleitorado. Antes mesmo da conversa com FHC e aliados,
os serristas tinham informações de que o prefeito não
teria maioria nem em Minas nem no Ceará. Segundo reconheceu o
governador do Ceará, Lúcio Alcântara, dos nove deputados
federais do partido no Estado, apenas um apóia o prefeito.
Colaboraram KENNEDY ALENCAR, da Sucursal de Brasília, e CONRADO
CORSALETTE, da Reportagem Local
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Folha de São Paulo,
14 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Governador classifica declaração de Serra de desnecessária;
apoiadores tentam evitar mobilização de última
hora pró-prefeito
Chance de desistir é zero, diz
Alckmin a aliados
JOSÉ ALBERTO BOMBIG, DO PAINEL
CHICO DE GOIS, DA REPORTAGEM LOCAL
Ao ser informado de que José Serra
havia admitido publicamente a intenção de disputar a Presidência,
o governador Geraldo Alckmin disse a seu grupo de apoio no PSDB que
a chance de ele desistir da pré-candidatura em favor do prefeito
é "zero".
O governador também chegou a classificar a atitude como "desnecessária",
por entender que não há mais tempo nem clima partidário
que permitam uma candidatura única, como pediu Serra.
Logo após a declaração
do prefeito, aliados do governador dispararam uma série de telefonemas
na tentativa de neutralizar qualquer possibilidade de que a candidatura
de Serra ganhasse corpo no PSDB entre a noite de ontem e a tarde de
hoje, quando é esperada uma decisão tucana. Segundo eles,
se preciso, o governador irá às prévias contra
Serra. "É impossível retroceder. Geraldo empenhou
sua palavra e vai até o fim. Não aceitaremos uma "candidatura
filho único'", disse um tucano pró-Alckmin.
Na avaliação dos alckmistas,
a fala de Serra embutiu também um recado a Tasso Jereissati,
presidente do PSDB, e a Aécio Neves, governador de Minas Gerais:
o prefeito de São Paulo estaria se sentindo traído pela
dupla. Apesar de dizer que nada mudaria após a declaração
de Serra, ontem o governador estava propenso a cancelar viagem ao Rio,
marcada para hoje, para permanecer em São Paulo, onde deverá
ser anunciada a decisão.
Entendimento
Pela manhã, antes do anúncio
de Serra, Alckmin havia declarado que trabalhou para ser o candidato
do "entendimento" no partido. "Percorri todas as instâncias
partidárias, desde governadores, senadores, parlamentares, prefeitos,
vereadores e militantes; percorri a maior parte dos Estados, ouvindo
e dialogando, e disse que ia trabalhar para ser o candidato do entendimento.
E é isso que estou fazendo."
O governador afirmou que espera
que a decisão seja tomada hoje. "O presidente Tasso estabeleceu
a data de amanhã [hoje] para equacionar essa definição
partidária. Tenho a impressão de que isso está
mantido, se não estiver, não tem nenhum problema."
O governador rasgou elogios a Aécio Neves, que tem dito a interlocutores
que, "a essa altura do campeonato", Alckmin é o melhor
nome do PSDB. "O Aécio é meu irmão, gosto
muito dele. Ele é uma bela revelação, porque todo
mundo já conhecia sua vocação política e
capacidade de articulação como presidente da Câmara,
e ele revelou depois, como governador de Minas, uma outra grande vocação,
de administrador."
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Folha de São Paulo,
14 de março de 2006
MÃO ABERTA
Setor, com renda de 4 a 10 salários mínimos, endivida-se
mais e consome quase tanto quanto classes A e B
Classe C puxa alta generalizada do consumo
ADRIANA MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL
Todas as classes socioeconômicas
registraram ganhos no consumo no ano passado, quando o PIB do país
teve uma pequena alta de 2,3%. A diferença foi a intensidade
desse crescimento, informa levantamento anual da consultoria LatinPanel
publicado ontem. Pelo segundo ano consecutivo, em 2005 a classe média
classificada como C -com renda mensal familiar entre 4 e 10 salários
mínimos- comprou e gastou mais. Isso só aconteceu porque
essa turma se endividou para gastar, explica a LatinPanel.
A expansão na quantidade de itens
comprados nas lojas por esses consumidores C foi de 7%. Quanto ao gasto
médio, a alta foi de 10% em relação a 2004 (nominal).
Na média, todas as classes sociais (de A a E) registraram elevação
média de 6% no volume adquirido e de 9% no montante gasto no
ano passado -abaixo, portanto, do desempenho do grupo de consumidores
da classe C. Outra conclusão da pesquisa é a de que, na
cidade de São Paulo, a quantidade de itens comprados por todas
as classes e o volume gasto supera a média nacional.
Pelas contas dos pesquisadores da LatinPanel,
enquanto o topo da pirâmide social (classes A e B) gasta por mês
em compras R$ 2.256, a sua renda está acima disso e, portanto,
a conta "fecha". Já quem está no meio da pirâmide
(classe C) recebe R$ 1.255 mensais e desembolsa R$ 1.369. Ou seja, não
há mágica: falta dinheiro. "Esse grupo recebe como
classe C e pensa e gasta como A. Sem saída, acaba se endividando",
diz Margareth Ikeda Utimura, diretora comercial da LatinPanel. "Atualmente,
o comprador da classe C adquire 42 das 45 categorias mais consumidas
pela A e B, como condicionador, suco pronto, pós-xampu."
Nessa conta, para acomodar despesas e
rendimento, a classe média brasileira está com mais dívidas
em comparação aos dois extremos da pirâmide, as
classes A e E. Foram pesquisados 45 milhões de domicílios
no país em 71 categorias de produtos em julho e agosto.
Os campeões de venda
Mesmo tendo de recorrer a mecanismos
de crédito para consumir, é inegável que a elevação
na renda ajudou a população a gastar mais. O IBGE apurou
elevação de 2% no rendimento real em 2005. Pela análise
da LatinPanel, a alta foi de 4%. Mais de 1,8 milhão de lares
que não compravam nenhuma das 71 categorias pesquisadas voltou
a consumi-las -ou o fez pela primeira vez- em 2005. Cerca de 300 mil
domicílios retornaram ao mercado por causa das promoções
no comércio.
Os maiores crescimentos na demanda (em
variação percentual) em 2005 foram, pela ordem: suco em
pó, desodorante, pós-xampu, massa instantânea, catchup,
salgadinhos, petit suisse (iogurte infantil), caldos, sucos prontos
e xampu. Por segmento, o campeão de vendas no ano foi higiene
e beleza (alta de 11%). Alimentos teve o pior resultado (4%). Esses
números apresentados ontem ganham importância porque: 1)
a base de comparação de 2004 é forte, logo, houve
expansão na demanda em cima de outra expansão; 2) revela
uma tendência para 2006 -espera-se que esse cenário de
altas nas vendas, com base em crédito barato, mantenha-se neste
ano para a classe média.
"Surpreendemo-nos com essa
puxada no consumo da classe C. Ainda acreditamos que será o crédito
que vai sustentar essa alta também em 2006, com a possível
queda nos juros, somada a algum ganho de renda", diz Utimura. Há
uma expectativa de que a expansão no PIB neste ano atinja até
4%, pelas previsões do mercado.
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Folha de São Paulo,
14 de março de 2006
TRABALHO
Combate à informalidade atinge 375 mil empresas
Governo atribui a fiscalização
criação de 746 mil empregos formais de 2005
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A formalização de trabalhadores
bateu recorde em 2005. Dados divulgados ontem pelo Ministério
do Trabalho mostram que no ano passado 746.272 trabalhadores passaram
a ter carteira assinada por conta da fiscalização nas
empresas. O comércio foi o setor em que foi encontrado o maior
contingente de informais. O resultado de 2005 foi o melhor da série
histórica, produzida desde 1996 pela Secretaria de Inspeção
do Trabalho, e representa um aumento de 5,26% ante 2004. O número
de empresas que foram alvo das ações de combate à
informalidade somou 375.097 e superou em 24% o total de empresas fiscalizadas
no ano anterior.
"O planejamento foi melhor em 2005,
estava mais focado. Além disso, pela primeira vez foi obrigatória
a atuação das CCITs (Comissões de Colaboração
com a Inspeção do Trabalho), que ajudaram a planejar a
fiscalização nos Estados", declarou o secretário
substituto de Inspeção do Trabalho, Leonardo Soares. As
CCITs são formadas por governo e entidades de trabalhadores.
Soares explicou que as diretrizes da
fiscalização no ano passado foram a formalização
de trabalhadores, o combate à sonegação no recolhimento
de FGTS e a redução no número de acidentes de trabalho.
No ano passado, as equipes de fiscais também tiveram mais acesso
aos bancos de dados oficiais -como Caged (Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados) e Rais (Relação Anual de Informações
Sociais)-, o que permitiu racionalizar as operações nas
empresas.
Entre os Estados, São Paulo
foi o campeão na informalidade. O ministério descobriu
e regularizou a situação de 160.513 trabalhadores informais.
O número corresponde a 21,5% do total no país. No comércio,
a fiscalização do ministério formalizou 155.884
trabalhadores no ano passado. A indústria aparece em segundo
lugar na mão-de-obra informal apurada e regularizada: 154.884.
Soares lembra que o número de trabalhadores formalizados não
pode ser comparado ao saldo de vagas criadas em 2005 de acordo com os
dados do Caged. "O Caged registra um saldo [1,254 milhão
em 2005]. A comparação tem que ser feita com o total de
trabalhadores contratados no ano passado." Em 2005, as contratações
formais ultrapassaram 12,2 milhões de trabalhadores.
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JORNAL DO ESTADO, 14 de março
de 2006
Brasil desce do muro
Governo Lula deve ratificar defesa de
regras estritas para transgênicos
Da Redação com agências
O primeiro dia de trabalhos na 3ª Reunião das Partes do
Protocolo de Cartagena Sobre Biossegurança (MOP3), no Expo Trade,
em Pinhais, foi como todos já imaginavam. Após a solenidades
de abertura oficial do evento, que contou com discursos dos anfitriões
Beto Richa, prefeito de Curitiba, e Roberto Requião, governador
do Estado, a temática do dia orbitou a questão sobre a
rotulagem de produtos e da identificação de organismos
geneticamente modificados.
A grande expectativa do dia ficou por conta da posição
brasileira sobre o assunto, se a favor de um controle mais rigoroso
deste tipo de produto nas transações internacionais, ou
pela adoção de uma expressão mais branda e barata.
No começo da noite, porém, a ministra do Meio Ambiente,
Marina Silva, anunciou que o Brasil defenderá regras mais estritas
para o comércio internacional de transgênicos durante a
MOP3. A decisão foi tomada após uma reunião com
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra chefe da
Casa Civil, Dilma Rousseff.
Isso quer dizer que O País defenderá o uso do termo “contém’’
organismos vivos modificados no artigo 18 do texto do protocolo nas
cargas de produtos agrícolas destinadas à exportação.
A expressão era motivo de briga dentro e fora do governo. O uso
de “contém’’ significa que o País terá
de segregar grãos transgênicos dos convencionais na cadeia
produtiva — o que, segundo a indústria e o Ministério
da Agricultura, onera a produção nacional.
Pela posição brasileira, os produtores que já segregam
os grãos transgênicos dos convencionais deverão
rotular suas cargas com “contém’’ imediatamente.
Quem ainda não segrega — ou seja, a maior parte da indústria
— terá um prazo de quatro anos para se adaptar à
regra.
A decisão brasileira era a mais esperada no MOP3, e foi comemorada
por diversos setores e por ONGs, que vêem no gesto uma grande
chance das medidas de “precaução” serem adotadas
no cenário mundial, já que o País é um dos
maiores exportadores de grãos do mundo.
O Greenpeace foi uma das entidades que festejou a adesão nacional
para a expressão “contém”, mas também
aproveitou para tecer críticas ao Palácio do Planalto
com a intenção de protelar a medida. “O Brasil já
identifica os transgênicos contidos em carregamentos de soja para
exportação para seus principais mercados, como União
Européia, Japão e China. Como alguém pode seriamente
pedir um período de transição para implementar
medidas que já vêm sendo aplicadas há vários
anos?”, perguntou Benedikt Haerlin, consultor político
do Greenpeace Internacional. “Esse pedido só pode agradar
aos amigos do livre comércio global e às empresas de biotecnologia,
mas não será levado a sério pelos países
membros participantes da reunião de Curitiba. Essa proposta não
favorece a credibilidade do Brasil nas negociações”,
concluiu em nota à imprensa.
Ciber ação — Desde a semana passada, ONGs brasileiras
e internacionais estavam divulgando ciber ação direcionada
ao presidente Lula, exigindo que ele defendesse o avanço das
negociações do Protocolo de Cartagena e garantisse a proteção
da biodiversidade e soberania dos povos. Já são mais de
3 mil e-mails enviados até o momento.
A decisão brasileira marcou uma mudança de rumo em relação
à posição adotada pelo país na MOP passada,
realizada em 2005. Na ocasião, o país, junto com a Nova
Zelândia, bloqueou um texto final de compromisso de todas as partes,
impedindo o consenso em relação ao nível de detalhamento
das informações das cargas transgênicas comercializadas
internacionalmente.
Mas a decisão brasileira ainda deve sofrer muitas críticas,
e dos dois lados da disputa. A indústria de alimentos, a mais
afetada com a rotulagem, deve reagir, e pressionar os demais governos.
Até mesmo o consenso que tanto se espera no MOP3 pode ficar para
uma próxima edição da Reunião.
Na reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança
(MOP3) os representantes dos países que assinaram o Protocolo
de Cartagena sobre Diversidade Biológica analisam documentos
e tomam decisões sobre as medidas necessárias à
implementação e ao cumprimento do protocolo.
Organização do MOP quer
consenso até a sexta-feira
Ainda não se sabe se o “contém’’
OVM (organismo vivo modificado) será efetivamente incorporado
pelo Protocolo de Cartagena. É provável que seja, porque
o País é o maior exportador de grãos que é
membro do protocolo, e, com a Nova Zelândia, foi o único
a objetar a adoção da expressão num encontro anterior
(MOP2), no ano passado, no Canadá.
A indefinição do governo brasileiro dominou ontem os discursos
de abertura da MOP3, que se realiza até sexta-feira. Na primeira
saia justa do encontro, o governo recebeu críticas de organizações
não-governamentais participantes e do anfitrião, o governador
do Paraná, Roberto Requião (PMDB).
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vinha protelando a adoção
da regra definitiva havia seis meses, segundo o diretor de políticas
públicas do Greenpeace no Brasil, Sérgio Leitão.
Ele diz que a indefinição só interessa à
indústria da biotecnologia.
“O (governo do) Brasil não fez o dever de casa para este
evento. Deveria ter reunido a sociedade civil e a indústria para
debater o assunto, mas ficou parado.’’ O Greenpeace combate
a transgenia e trata produtos modificados como fontes de contaminação.
Na MOP2, o Brasil havia adotado o critério temporário
da informação “pode conter OVM’’ —
ao qual se opunham ambientalistas e países importadores —
assumindo compromisso de fechar a questão até a MOP3.
Compromisso — “Precisamos assumir o compromisso de não
sairmos de Curitiba sem resolver essa questão, que é crucial
para países em desenvolvimento”, disse a presidente da
Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade
Biológica (COP), Nasron Fatimah Raya. Ela lembrou que ainda existem
itens pendentes da MOP2 — realizada em Montreal (Canadá)
em janeiro de 2005 — que terão que ser definidos até
a próxima sexta-feira, quando termina o evento.
O encontro começou com uma sessão plenária e a
divisão das delegações em grupos. De acordo com
a secretária da reunião, Cyrie Sendashonga, a divisão
é um esforço para que seja possível cumprir toda
a pauta da convenção.
“Como a rotulagem dos organismos geneticamente modificados não
foi definida na última reunião, pretende-se chegar a um
consenso até o fim desta semana”, explicou Cyrie. Segundo
ela, a reunião deve ter a maior participação de
todos os encontros, com 1,6 mil delegados. O presidente da Convenção
sobre Diversidade Biológica, Ahmed Djoghlaf, também ressaltou
que espera que a decisão desta semana “seja benéfica
para todos do planeta e, principalmente, para as futuras gerações”.
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JORNAL DO ESTADO, 14 de março de 2006
Brasileiro gasta 3% mais do que ganha
Pesquisa revela que houve aumento de 6% no consumo
de itens de maior valor agregado
Ana Ehlert
O brasileiro está consumindo 6% mais produtos, como suco em pó,
desodorante, pós-xampu, massa instantânea, katchup, salgadinhos,
queijinhos petit suisse, caldos, sucos concentrados e xampu —
o que mostra uma melhora na renda média domiciliar. Para pagar
por estes produtos, porém, as famílias brasileiras gastaram,
em 2005, 9% mais que em 2004, segundo a pesquisa especial sobre o consumo
em 2005 realizado pela LatinPanel (empresa dos grupos Ibope, Taylor
Nelson Sofres e NPD).
A má notícia é que o pagamento por estes bens endividou
o brasileiro, que em média, gasta 3% a mais do que ganha. E,
para sair do sufoco, ele recorre aos empréstimos consignados,
ao cartão de crédito (presente em 39% dos lares), financiamentos
e, quando não consegue mais driblar a matemática, cai
na inadimplência e nas compras a prazo.
Parcelar as compras, aliás, é prática que permeia
todas as classes no País. Cerca das 53% das famílias brasileiras
compram itens de vestuário a prazo, fenômeno que se repete
na compra de eletroeletrônicos (51%), móveis (42%) e supermercados
(29%). Nos itens vestuário e eletroeletrônicos, a classe
C, curiosamente, apresenta o mesmo perfil de gastos da classe AB.
A pesquisa mede o volume médio consumido pelas famílias,
numa cesta de 70 categorias dos segmentos de alimentos, bebidas, higiene
pessoal e limpeza doméstica. A renda média domiciliar
apresentou um crescimento de 4% em 2005.
As médias e padrões de consumo apontadas em Curitiba e
região, de acordo com a assessoria da LatinPanel, não
apresentou variações significativas. Deste modo, os padrões
médios do curitibano segue os do restante do País.
Metodologia — As informações foram extraídas
das séries históricas estruturadas a partir de 8,2 mil
entrevistas realizadas semanalmente em todo o País ao longo de
2005, em municípios a partir de 10 mil habitantes. A amostra
cobre 82% da população do domiciliar e 91% do potencial
de consumo do país.
Lazer consome mais recursos que educação
As famílias brasileiras gastaram mais com lazer do que com educação
em 2005. Cerca de 5% dos gastos das famílias são destinados
à diversão, enquanto que apenas 2% são revertidos
para educação, dos país e dos filhos. Outro destaque
se dá com a alimentação fora do lar, que consome
8% da receita familiar na média Brasil.
Nos gastos com lazer chama a atenção o gosto do brasileiro
por jogos e apostas, hábito em cerca de 23% das famílias.
A classe AB é a mais apostadora (27% do lares), seguida pela
classe C (23%) e DE (20%). O aluguel e compra de CDs, DVDs e Vídeo
Games já é prática em 28% dos lares brasileiros.
Aqui, a distância de penetração entre as classes
é maior: AB (40%), C (30%) e DE (20%).
Os bem não duráveis, por sua vez, estão levando
25% da renda das famílias em todo o país mensalmente.
Destes 25%, os alimentos são o segmento que absorve a maior fatia
(72%), seguido por produtos de higiene (15%), limpeza (07%) e bebidas
(incluindo alcoólicas) com 06%.
No item alimentos, a classe DE consome 22% mais grãos e farináceos
que a média Brasil. Já classe AB é adepta ferrenha
dos pratos prontos, item que consome 73% a mais que a média do
conjunto das famílias brasileiras.
Classe C se consolida como a endividada
A pesquisa realizada pela LatinPanel sobre consumo em 2005 revelou que
a classe C foi a que mais se destacou na média geral de expansão
do consumo no País. Enquanto o volume médio de consumo
da cesta de 70 categorias pesquisada pela LatinPanel evolui 6% na média
nacional, na classe C a expansão foi de 7%. O gasto médio
também se sobressaiu: 10% contra 9% da média nacional.
Para sustentar o padrão de consumo, a classe C se endividou mais
do que a média nacional das famílias. Os lares da classe
C em 2005 gastaram mensalmente 8% a mais do que arrecadaram, enquanto
a média das famílias no Brasil ficou no patamar de 3%
de endividamento.
O fenômeno tem explicação. A classe C gosta de experimentar
marcas premium, mas não sustentam as compras. Cerca de 82% as
famílias deste segmento da população experimentam
marcas novas e aspiram ao padrão de consumo da classe AB.Uma
amostra disso, está no comparativo das diferenças entre
renda e gastos com não duráveis. A classe AB tem renda,
na média, 82% maior que a classe C. No entanto, a classe AB gasta
somente 43% a mais que a classe C no consumo de não duráveis.
“A classe C está mais próxima da renda das classes
E, mas os gastos com não duráveis estão mais próximos
da AB”, diz Ana Claudia Fioratti, diretora executiva da LatinPanel
Brasil.
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AGÊNCIA RADIOBRÁS,
14 de março de 2006
Aldo e líderes partidários
discutem amanhã fim do voto secreto
Iolando Lourenço
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente da Câmara
dos Deputados, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), reúne-se amanhã
(14), na hora do almoço, com os líderes partidários
para discutir a proposta de emenda à Constituição
(PEC 349/01) que acaba com o voto secreto no plenário. Pela Constituição,
na Câmara, é secreta a votação nos processos
de cassação de deputados, na análise de vetos presidenciais
e na eleição dos membros da Mesa Diretora, entre outros
assuntos. A PEC está em tramitação na Casa.
Aldo disse que, em determinadas circunstâncias,
o voto aberto é uma garantia democrática da fiscalização
do eleitor. "Em outras situações, o voto secreto
constitui uma proteção contra pressões de poderes
corporativos e, às vezes, do próprio governo, como é
o caso dos vetos presidenciais", afirmou o deputado, que pretende
ouvir a opinião dos líderes sobre a questão.
O presidente da Câmara disse que,
por princípio, é favorável ao voto aberto, mas
entende que o voto secreto pode proteger o parlamentar de influências
externas e/ou pressões. Segundo ele, os deputados devem avaliar
os motivos que levaram os constituintes de 1988 a incluir na Constituição
o voto secreto.
A proposta de emenda à Constituição
foi apresentada em 9 de maio de 2001 pelo deputado Luiz Antônio
Fleury (PTB-SP). Aprovada em outubro de 2002 pela Comissão de
Constituição e de Justiça e em dezembro de 2004
pela Comissão Especial de Mérito, a proposta está
pronta para ser levada a votação no plenário da
Câmara.
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DIÁRIO ONLINE / ABC
PAULISTA, 14 de março de 2006 | Geral
Fiscal que tentou extorquir Sindicato
dos Metalúrgicos é solto
O fiscal da Secretaria da Receita Previdenciária
Fernando Alberto de Oliveira, que tentou extorquir R$ 350 mil do Sindicato
dos Metalúrgicos de São Paulo, teve nesta sexta-feira
a liberdade provisória concedida pelo do juiz da 4ª Vara
Criminal Fernando Marcelo Mendes. A liberdade foi concedida mediante
pagamento de fiança de R$ 10 mil.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
de São Paulo, Eleno Bezerra, disse nesta segunda-feira estar
surpreso com a decisão. "Parece que para este fiscal, o
crime está compensando", disse. Para ele, esta situação
mostra a necessidade urgente e imperiosa de se fazer a reforma Judiciária
neste país, para impedir que corruptos e criminosos, sobretudo
aqueles presos em flagrante, ganhem rapidamente a liberdade, e para
acabar com as desigualdades praticadas contra aqueles que não
têm condições de pagar um advogado. "Quando
uma dona-de-casa rouba uma lata de leite num supermercado, ela fica
presa durante meses, enquanto outros que têm recursos para se
defender saem rapidamente da cadeia", afirmou Eleno.
Oliveira esteve no sindicato em dezembro
e apresentou uma planilha com supostos valores que seriam devidos pelo
sindicato, apresentados ao sindicato através de um despachante.
A pretexto de lançar um auto de infração de R$
6 milhões, que resultaria na exclusão do Sindicato do
PAES - Parcelamento de Débito junto à Previdência
Social - Oliveira exigiu R$ 350 mil em troca da diminuição
da dívida para menos de R$ 900 mil, que poderiam ser parcelados
em 60 vezes.
No dia 24 de fevereiro, através
do despachante, o auditor recebeu R$ 100 mil e ficou de comparecer à
sede do Sindicato no dia 3 de março para receber os R$ 250 mil
restantes. Quando Oliveira compareceu ao sindicato e reiterou a exigência
dos R$ 250 mil, foi preso em flagrante logo após o recebimento
do dinheiro.
A prisão foi feita numa operação
conjunta da Superintendência da Polícia Federal em São
Paulo e da Divisão de Inteligência de Brasília.
O Sindicato vai acompanhar o processo
e pedir que o fiscal seja julgado e punido. "Não podemos
permitir que a corrupção seja uma prática sem punição.
Este fiscal foi preso quando tentava embolsar R$ 250 mil do Sindicato,
mas já havia recebido R$ 100 mil. Deve ter pago a fiança
com parte deste dinheiro.
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CORREIO DO ESTADO / CAMPO
GRANDE (MS), 14 de março de 2006 | Economia
Falta mão-de-obra na construção
Cícero Faria
Dourados
O setor da construção civil
em Dourados está buscando mão-de-obra fora da cidade,
porque há falta de profissionais qualificados para atender à
grande demanda. Há vários meses que estão sobrando
vagas devido ao número de edificações de todos
os portes em execução, afirmou o presidente do Sindicato
dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil
de Dourados, Odair Pereira dos Anjos.
A construção do shopping
center absorveu mais de 250 profissionais e ainda há vagas para
outras contratações, mas o mercado está com déficit
de pessoal. Com previsão para ser inaugurado no final de abril,
somente no reboco da ala sul do shopping estavam trabalhando 60 pedreiros
na semana semana passada.
Odair dos Santos explicou que o problema
enfrentado pelas construtoras é a falta de qualificação
dos operários. "Atualmente está muito difícil
encontrar para contratação um carpinteiro ou um azulejista",
comentou. Dos dez mil trabalhadores do setor da construção
civil, menos de 300 estão desempregados. O maior problema é
a falta de preparo profissional.
O dirigente sindical disse que, por isso,
o sindicato da categoria, que está preparando o lançamento
de uma série de cursos para preparar melhor os operários
em todas as áreas, como carpintaria, hidráulica, eletricidade
e alvenaria.
Outra obra que aqueceu o mercado é
a da sede da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), que está
gerando 150 empregos diretos e 240 indiretos. O encarregado da obra
Emanuel Arruda afirmou que "já está faltando operários
aqui".
Outro segmento que está absorvendo
muitos operários é o imobiliário. Atualmente dezenas
de projetos estão sendo executados, principalmente a construção
de edifícios residenciais de quatro andares (que a lei não
exige elevador), para abrigar pessoas de fora que estudam nas quatro
universidades que funcionam em Dourados – UFGD, UEMS, Uniderp
e Unigran.
A procura por apartamentos é
intensa nas 40 imobiliárias da cidade, pelos acadêmicos
e por famílias que estão se mudando para a cidade. Como
os imóveis são disputados e poucos estão disponíveis,
construtoras e empresários investem em novas edificações.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
14 de março de 2006
Embolsar moedas de troco gera justa causa,
decide TRT-SP
A 2ª Turma do TRT (Tribunal Regional
do Trabalho) da 2ª Região manteve a dispensa por justa causa
de um ex-empregado do Atacadão Distribuição Comércio
e Indústria Ltda. que, trabalhando na função de
caixa, se apropriava de moedas de troco. A turma entendeu que o trabalhador
cometeu improbidade.
O trabalhador entrou com processo na
62ª Vara do Trabalho de São Paulo, sustentando que a loja
atacadista não tinha provas de que ele desviara troco de um cliente,
falta grave que justificou sua dispensa. Assim, requereu o pagamento
de verbas e indenizações trabalhistas.
Em sua defesa, o Atacadão afirmou
que o fato foi descoberto depois que o freguês pediu a contagem
das moedas no caixa operado pelo reclamante. Com a contabilidade, foi
descoberta a diferença no valor alegado pelo cliente. Testemunhas
ouvidas no processo confirmaram a acusação da empresa.
Com a sentença desfavorável
da vara, que julgou improcedente o pedido, o empregado apelou ao TRT-SP,
insistindo na ausência de provas.
Segundo o juiz Sérgio Pinto Martins,
relator do recurso ordinário no tribunal, "a pena trabalhista
mais severa, que é a rescisão do contrato de trabalho
por justo motivo, deve ser provada pelo empregador, de modo a não
restar dúvidas da conduta do obreiro e não se cometa injustiça".
De acordo com o relator, "na dúvida
na interpretação da prova, não se interpreta a
matéria favoravelmente ao autor, mas de acordo com o ônus
da prova. No caso dos autos, não há dúvida".
Para ele, "a primazia da realidade mostra que o autor cometeu a
falta que lhe foi atribuída".
Com isso, por unanimidade, os juízes
da 2ª Turma acompanharam o voto do juiz Pinto Martins, mantendo
a dispensa por justa causa do ex-empregado do atacadista.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
14 de março de 2006
Empresa deve indenizar empregado por descanso
não usufruído, diz TST
A 1ª Turma do TST (Tribunal Superior
do Trabalho) negou pedido para que a remuneração pelo
intervalo de refeição e descanso não utilizados
pelo empregado fossem reintegrados ao salário para efeito de
cálculo das demais verbas trabalhistas. Com isso, a Açominas
deverá indenizar as horas não usufruídas.
O pedido foi feito em recurso de um ex-empregado
da Açominas (Aço Minas Gerais S/A), operador de tratamento
de gases da usina em Ouro Branco, que usufruía apenas meia hora
de descanso durante a jornada de trabalho, quando a lei determina intervalo
de uma hora.
O TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
da 3ª Região havia condenado a empresa ao pagamento dos
trinta minutos extras, por dia de trabalho, “a título de
indenização”.
A decisão foi confirmada pela
Turma do TST, de acordo com o voto do relator do recurso do trabalhador,
ministro Renato de Lacerda Paiva, que negou o pedido de incorporação
da verba ao salário como pretendia a empresa.
Pela CLT (parágrafo 4º do
artigo 71), quando o trabalhador não usufrui do horário
de descanso e refeição, o empregador é obrigado
a remunerar o período com “acréscimo de no mínimo
50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho”.
Dessa forma, ressaltou o relator, os intervalos de descanso não
são computados na duração do trabalho, ressaltou
o relator.
“A natureza jurídica da
remuneração pelo repouso é indenizatória,
com intuito de proteger o trabalhador dos riscos à sua higidez
mental e física, não se destinando à contraprestação
direta pelo trabalho realizado naquele intervalo”, conclui o relator.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
14 de março de 2006
TRF-4 autoriza pagamento de reforma residencial
com FGTS
A 4ª Turma do TRF (Tribunal Regional
Federal) da 4ª Região confirmou nesta quarta-feira (8/3)
a liberação de valores do FGTS para que um casal de Candelária
(RS) possa quitar um financiamento feito na Caixa Econômica Federal
e realizar uma reforma residencial. A decisão, por maioria, negou
recurso interposto pelo banco contra a sentença da Justiça
Federal de Santa Cruz do Sul (RS).
A CEF alegou que a operação
de compra de material para reforma não seria financiável
pelo SFH. Por isso, o casal não poderia utilizar o fundo para
o pagamento.
O juiz federal Márcio Antônio
Rocha, convocado para atuar no TRF, considerou que o saque “é
perfeitamente cabível, podendo o trabalhador servir-se de seu
patrimônio junto ao FGTS para efetuar o pagamento do financiamento
para a reforma de seu imóvel”.
O magistrado explicou que a Lei 8.036/1990
revelava uma preocupação social, pois os recursos do FGTS
deveriam ser utilizados essencialmente para saneamento básico
e para o financiamento habitacional de baixa renda.
No entanto, ressaltou, na tentativa de
conter a alta disponibilidade de recursos (da poupança e do fundo)
e o respectivo excesso de liquidez, “foram ampliados os limites
de valor máximo do imóvel financiado perante o SFH, e
junto ao FGTS foram liberados para financiamento imóveis de até
R$ 350 mil (que obviamente não se destinam a mutuários
de baixa renda), liberando-se inclusive o financiamento de imóveis
usados”, afirmou.
Segundo o TRF-4, a propriedade do casal
é uma casa de madeira, adquirida sem financiamento habitacional.
Para o juiz, não há como se exigir novos esforços
justamente da população menos favorecida. Ele conta que
o casal mantém seus recursos no fundo “assumindo, heroicamente,
um financiamento de R$ 8 mil a juros de 1,18% ao mês, atualizado
pelo INPC, quando também precisam de recursos para morar com
dignidade”.
No caso em análise, o casal, “por
ter contratado um financiamento para melhoria de sua habitação,
porém limitada a uma reforma para troca de tábuas, deve
remunerar a CEF com uma taxa equivalente próxima de 13,5% ao
ano”, disse.
Em tema de habitação, concluiu,
“não se tolera que o cidadão, trabalhador e mutuário
veja-se forçado a arcar com operações financeiras
eminentemente mercantis, comerciais, com juros mais elevados, devendo
concomitantemente permanecer com recursos próprios, egressos
de seu trabalho, enquanto o sistema financeiro, na existência
de excesso de recursos, privilegia a rentabilidade das instituições
financeiras”.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
14 de março de 2006
Empresa deve indenizar empregado por descanso
não usufruído, diz TST
A 1ª Turma do TST (Tribunal Superior
do Trabalho) negou pedido para que a remuneração pelo
intervalo de refeição e descanso não utilizados
pelo empregado fossem reintegrados ao salário para efeito de
cálculo das demais verbas trabalhistas. Com isso, a Açominas
deverá indenizar as horas não usufruídas.
O pedido foi feito em recurso de um ex-empregado
da Açominas (Aço Minas Gerais S/A), operador de tratamento
de gases da usina em Ouro Branco, que usufruía apenas meia hora
de descanso durante a jornada de trabalho, quando a lei determina intervalo
de uma hora.
O TRT (Tribunal Regional do Trabalho)
da 3ª Região havia condenado a empresa ao pagamento dos
trinta minutos extras, por dia de trabalho, “a título de
indenização”.
A decisão foi confirmada pela
Turma do TST, de acordo com o voto do relator do recurso do trabalhador,
ministro Renato de Lacerda Paiva, que negou o pedido de incorporação
da verba ao salário como pretendia a empresa.
Pela CLT (parágrafo 4º do
artigo 71), quando o trabalhador não usufrui do horário
de descanso e refeição, o empregador é obrigado
a remunerar o período com “acréscimo de no mínimo
50% sobre o valor da remuneração da hora normal de trabalho”.
Dessa forma, ressaltou o relator, os intervalos de descanso não
são computados na duração do trabalho, ressaltou
o relator.
“A natureza jurídica da
remuneração pelo repouso é indenizatória,
com intuito de proteger o trabalhador dos riscos à sua higidez
mental e física, não se destinando à contraprestação
direta pelo trabalho realizado naquele intervalo”, conclui o relator.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
14 de março de 2006
Coletivização chega a instâncias
iniciais
Defendida pelo ministro do TST
(Tribunal Superior do Trabalho) Ronaldo Leal como a saída para
desafogar a Justiça trabalhista, a coletivização
dos processos trabalhistas já começa a chegar às
primeiras instâncias. De acordo com o Valor Econômico, a
nova tendência começou a partir da revogação
do Enunciado nº 310 do TST, ocorrida em setembro de 2003. O entendimento
vigente até então, fixado pelo TST desde 1993, inviabilizada
na prática o ajuizamento de ações coletivas pelos
sindicatos. Novos processos movidos com base nesse entendimento já
demonstram o impacto que a substituição pode ter na economia
processual.

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