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Agência Câmara, 15 de março
de 2006
CCJ aprova dispensa de trabalhadoras para
exames médicos
O substitutivo do Senado ao Projeto de Lei 1542/91, sobre exames de
saúde para mulheres, foi aprovado hoje na Comissão de
Constituição e Justiça e de Cidadania. De autoria
do deputado Ricardo Izar (PTB-SP), o projeto garante à servidora
pública e à trabalhadora de empresa privada o direito
de realizar anualmente as consultas e exames clínicos preventivos
previstos no Programa de Atenção à Saúde
da Mulher, do Ministério da Saúde.O projeto assegura às
trabalhadoras a dispensa uma vez por ano para realizar essas consultas
médicas. O texto segue para votação pelo Plenário.
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Agência Câmara,
15 de março de 2006
CCJ aprova licença-maternidade
de 120 dias para adotante
A Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania aprovou nesta tarde, quanto à admissibilidade, a PEC
381/01, que estende a licença-maternidade de 120 dias para a
mãe adotante, sem prejuízo do emprego ou do salário.
De autoria do deputado Feu Rosa (PP-ES), a proposta será ainda
analisada por uma comissão especial.
Legislação
atual
A Constituição assegura esse direito à mãe
biológica. Já a Lei 10421/02 concede à trabalhadora
regida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) 120
dias de licença no caso de adoção ou guarda judicial
de criança com até 1 ano de idade; 60 dias, no caso de
crianças de 1 a 4 anos de idade; e 30 dias, se a criança
adotada tiver de 4 a 8 anos de idade.
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Diário Vermelho,
15 de março de 2006
Economia
Emprego na indústria de SP tem
leve alta em janeiro
O emprego na indústria paulista cresceu 0,12% em fevereiro, em
dado sem ajuste sazonal, desempenho considerado "chocho" pela
Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp). No mês passado, foram abertas 2.600 vagas na indústria,
segundo a pesquisa da entidade, que passou por uma reformulação,
divulgada ontem (14). "Esse número está dizendo (mostrando)
o ânimo da atividade industrial do último trimestre, do
último semestre do ano passado porque o emprego tem uma defasagem
em relação à produção", disse
Paulo Francini, diretor de pesquisas econômicas da Fiesp. "E
aquele período foi chocho (para a produção), então
o emprego é chocho agora", acrescentou.
Entre os 47 sindicatos da indústria
ouvidos pela pesquisa, 21 relataram desempenho negativo do emprego em
fevereiro, 19 apontaram contratações e 7 divulgaram estabilidade.
Destacaram-se as contratações nos sindicatos de massas
alimentícias e biscoitos - com alta do emprego de 4,33% - e doces
e conservas alimentícias - alta de 2,64% -, em razão da
preparação para a Páscoa. Outro sindicato com variação
percentual significativa foi o de malharias e meias, com avanço
do emprego de 2,53% devido à preparação da coleção
de inverno. Na contramão, o emprego em congelados e supercongelados
caiu 14,93% no mês, após o final da safra de alguns produtos.
Base de dados
A nova metodologia da pesquisa, apresentada
ontem (14), trouxe ainda o comportamento do emprego por Código
Nacional de Atividade Econômica (CNAE), ou setores. Entre os 21
CNAEs consultados, o destaque de fevereiro ficou com fabricação
de coque, refino de petróleo, elaboração de combustíveis
nucleares e produção de álcool, com aumento do
emprego de 16,91% por conta da antecipação da colheita
da safra de cana-de-açúcar. Além da inclusão
das 21 CNAEs na pesquisa, a nova metodologia elevou de 880 para 1350
os estabelecimentos informantes.
A base de dados para ponderação
também foi alterada da Relação Anual de Informações
Sociais (RAIS) de dezembro de 2003 para uma média dos dados de
janeiro a junho de 2005 do Cadastro de Estabelecimentos e Empresas (CEE)
do Ministério do Trabalho. "O objetivo da nova metodologia
é atualizar a base amostral para torná-la mais próxima
da indústria de transformação do Estado de São
Paulo", disse Francini. A nova pesquisa resgatou os dados de emprego
até julho de 2005 e por enquanto não trará a variação
mensal do emprego com ajuste sazonal, porque isso exige um maior período
de série histórica. Na nova pesquisa, os setores com maior
peso no emprego total da indústria são alimentos e bebidas
- 15,2% - e veículos automotores - 9,9%.
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Agência Diap, 15 de
março de 2006
Sistema S
Trabalhadores vão participar da
gestão do Sistema S
Trabalhadores terão assento nos conselhos
deliberativos e influência na aplicação dos recursos
do Sesi, Senai, Sesc e Senac
Nesta quinta-feira, 16/03, o presidente
da República Luiz Inácio Lula da Silva assinará
Decretos que garantirão a participação efetiva
dos trabalhadores nos conselhos deliberativos do Sesi, Senai, Sesc e
Senac, de forma verticalizada. O evento será realizado na sede
da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A inclusão dos trabalhadores na
gestão destas Instituições é um dos resultados
do Fórum Nacional do Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Senac, Sebrae,
Senar, Sest, Senat e Sescoob) que ao longo dos dois últimos anos
vêm discutindo ações que possam contribuir para
maior integração dos “S”, bem como a otimização
e maximização de seus serviços.
A participação efetiva
dos trabalhadores no Sistema S vem sendo reivindicada pelo movimento
sindical brasileiro há pelo menos duas décadas. Foi uma
das bandeiras de luta do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista
quando o então metalúrgico Luiz Inácio Lula da
Silva presidia a entidade e o atual coordenador do Fórum Nacional
do Sistema S e ex-deputado federal, Jair Meneguelli, estava à
frente da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
“Desde que era presidente da CUT,
vislumbrava a participação dos trabalhadores no Sistema
S. Essa é a oportunidade do chão de fábrica entrar
no Sistema e fazer parte do seu processo de decisão. Os trabalhadores
vêm para aprimorar e sugerir ações. Eles estarão
ali para contribuir e não para interferir na forma de gestão
e administração. Ninguém melhor que os trabalhadores
para dar subsídios aos empresários e governo sobre as
necessidades do setor. É a idealização da democracia
brasileira”, comemora Jair Meneguelli.
“Avanço
democrático”
Segundo Meneguelli, a abertura do Sistema S “é um avanço
democrático cujos resultados, a médio e longo prazos,
vão ser mais uma prova de que a classe trabalhadora, quando ouvida
e respeitada, pode contribuir e muito para o desenvolvimento do Brasil.
Mais que uma vitória política dos trabalhadores, a abertura
é uma grande oportunidade para que este segmento da sociedade
possa deliberar sobre a destinação de uma soma de recursos
capaz de beneficiar milhões de pessoas em todo o país.”
Meneguelli acredita que a participação
dos trabalhadores nos Conselhos Deliberativos destas entidades contribuirá
para melhorar a qualidade dos serviços e para a implantação
de projetos de grande interesse social, além da democratização
do Sistema e da maximização do atendimento para a sociedade,
possibilitando que mais filhos de trabalhadores possam usufruir dos
serviços.
Critérios
de participação
Os critérios para atuação dos trabalhadores nos
Conselhos Deliberativos das instituições serão
estabelecidos pelo Ministério do Trabalho. No total serão
300 cadeiras em todo o Brasil com seis trabalhadores e seis suplentes
no Conselho Nacional e de um a três nos conselhos estaduais.
Parcerias
Registramos também que na semana passada o Sistema S firmou acordo
com o Ministério do Trabalho e Emprego para qualificar trabalhadores
que procuram o Sistema Público de Emprego. Também serão
qualificados trabalhadores para a retomada da indústria naval
brasileira. Inicialmente, será feito um diagnóstico para
identificar a demanda real por qualificação do setor,
nos estados de Pernambuco e do Rio de Janeiro.
O levantamento servirá para a
definição do Plano Setorial de Qualificação
Naval, a ser desenvolvido em parceria com o Senai, dentre outras entidades
de educação profissional.
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Folha de São Paulo,
15 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Prefeito, que tentou demover governador de disputar vaga, falta a festa
de lançamento
Lula avalia que escolhido torna a disputa imprevisível;
líderes empresariais gostaram
Sem Serra, PSDB lança Alckmin à
Presidência
O governador de São Paulo, Geraldo
Alckmin, 53, venceu a batalha interna do PSDB e foi indicado pelo partido
para disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva em outubro. Sempre atrás de José Serra nas pesquisas
de intenção de voto, o governador valeu-se da indefinição
do prefeito para ocupar espaço político e reverter um
quadro que lhe era desfavorável. O Planalto e o PT avaliam que
a disputa será menos previsível do que seria contra Serra.
Empresários festejaram a escolha -era o nome que preferiam desde
sempre. A novela tucana durou quatro meses, desde que Alckmin revelou
a intenção de concorrer, em dezembro.
Durante quase todo o tempo, Serra
teve a preferência da cúpula do PSDB, mas a melhora da
avaliação de Lula e o risco embutido no abandono prematuro
da prefeitura fizeram-no postergar demais a decisão. Quando,
anteontem, se colocou à disposição do partido,
desde que não houvesse prévias, era tarde demais. Alckmin
não cedeu ao apelo final do prefeito para abrir mão do
confronto, e este, então, desistiu. O anúncio do nome
do governador foi feito na sede do PSDB, na presença da cúpula
e dos governadores tucanos, mas sem o prefeito, que se limitou a divulgar
uma nota. Mais tarde, Alckmin visitou Serra na prefeitura -numa cena
cercada por mal-estar. Tasso Jereissati apoiou o nome de Serra ao governo
do Estado. Ele pensa nisso, mas ainda resiste.
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Folha de São Paulo,
15 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Planalto aposta que Serra e Aécio não vão se empenhar
para eleger Alckmin, mas o considera mais "imprevisível"
do que prefeito
Lula festeja divisão tucana, mas
teme novidade
KENNEDY ALENCAR, PEDRO DIAS LEITE, DA SUCURSAL
DE BRASÍLIA
ELIANE CANTANHÊDE, COLUNISTA DA FOLHA
Apesar de avaliar que o processo de escolha
do candidato tucano pode favorecê-lo, já que gerou insatisfações
internas no grupo serrista, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva considera o governador Geraldo Alckmin um candidato "mais
imprevisível" a ser enfrentado na campanha. Lula acredita
que dois tucanos com aspirações presidenciais para 2010,
o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de
Minas, Aécio Neves, não se esforçarão pela
eleição de Alckmin.
Ontem, ao ser informado da escolha, Lula
disse que já esperava por essa solução. Disse que
Alckmin jogou politicamente melhor do que Serra. A auxiliares o presidente
tem dito que avalia que a eleição será dura. Sabe
que o escândalo do "mensalão" voltará
a ser reprisado no horário eleitoral gratuito. E sempre achou
Alckmin um candidato mais difícil do que Serra por considerá-lo
mais imprevisível e um nome que pode se apresentar como novidade.
A nota de Serra sobre a escolha de Alckmin,
na qual ele reafirma que uma prévia seria danosa à candidatura
tucana, foi lida no Palácio do Planalto como uma declaração
de que o prefeito não assimilou bem a derrota. "Nós
já tínhamos falado anteriormente que não íamos
escolher adversário. Se é o Alckmin, é o Alckmin,
está escolhido. Parece que o Serra não quis encarar, então
vamos encarar o Alckmin, vamos à luta", afirmou o ministro
Paulo Bernardo (Planejamento).
Já o vice-presidente José
Alencar disse que Lula continua "imbatível". "Acreditamos
que a sua popularidade, tendo em vista as dificuldades por que ele tem
passado nos últimos meses, é uma coisa que nunca aconteceu
na história do Brasil. É uma prova evidente do valor dele
como cidadão que possui sensibilidade social incomum, sentimento
nacional arraigado e probidade absoluta, e sou testemunha disso, no
trato da coisa pública. Acho que é um candidato absolutamente
imbatível."
PFL
Parte da cúpula do PFL avaliou ontem que "o risco aumentou
muito" com a escolha de Alckmin. Em público, porém,
toda a cúpula o elogiou, como nome com mais chances de vencer.
Nos bastidores, há um temor de que Alckmin não tenha fôlego
para queimar os mais de 25 pontos percentuais de diferença para
Lula. Poderia, assim, perder para o petista já no primeiro turno.
Essa hipótese foi reforçada
com a informação de que o deputado Enéas Carneiro
(Prona-SP) está doente e não concorrerá. A eleição
pode ficar resumida a Lula, Alckmin, Heloísa Helena (PSOL) e
mais um ou dois candidatos. "O Lula vai perder para o Lula",
disse o senador, Jorge Bornhausen (SC), presidente do PFL. Para ele,
Alckmin "tem as qualidades necessárias para ser presidente".
Bornhausen e os senadores Marco Maciel
(PE) e José Jorge (PE) estavam entre os pefelistas que defendiam
Serra, por um motivo prático e outro eleitoral: o partido herdaria
a Prefeitura de São Paulo por cerca de três anos, e eles
consideravam Serra mais competitivo. Do outro lado, ficaram os senadores
Antonio Carlos Magalhães (BA) e José Agripino Maia (RN),
que julgavam que Alckmin, por ser menos conhecido, tem menos rejeição
e mais chances de crescer nas pesquisas. Bornhausen disse que aguarda
uma palavra definitiva do Supremo Tribunal Federal sobre a verticalização
para depois consultar governadores, parlamentares e lideranças
regionais sobre a posição do partido. Ele vai apresentar
três alternativas: candidatura própria, aliança
com o PSDB ou simplesmente não ter opção para a
Presidência.
É considerado praticamente certo,
porém, que o PFL se coligará ao PSDB e indicará
o vice. O nome do grupo de ACM é Agripino. Bornhausen, que era
cotado para vice se a chapa fosse encabeçada por Serra, deverá
tentar apresentar uma opção do seu grupo, como José
Jorge. No caso do PMDB, a avaliação é que a escolha
de Alckmin simplesmente fez evaporar a "ala tucana" do partido,
que trabalhava discretamente por Serra.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 15
de março de 2006 | Brasil
ORÇAMENTO
Estados exportadores ganham mais
R$ 900 milhões
Brasília (Agência Câmara e ABr) – Os integrantes
da Comissão Mista de Orçamento votaram ontem um adendo
ao relatório do deputado Carlito Merss (PT-SC) para garantir
a inclusão de R$ 900 milhões na proposta orçamentária
deste ano.
O objetivo é compensar os estados
exportadores com as perdas da Lei Kandir. A mudança foi viabilizada
a partir do corte de 12,5% nas emendas de comissões e das bancadas
estaduais, o que representará R$ 974 milhões. Os R$ 74
milhões a mais, por um acordo fechado ontem, serão usados
para atender destaques na negociação final do relatório.
O relator da proposta orçamentária, deputado Carlito Merss
(PT-SC), disse que todos os partidos concordaram com essa proposta,
com exceção do PDT, que ainda não se manifestou.
Merss afirmou que o acordo será respeitado, mas avaliou que o
corte nas emendas é ruim porque vai prejudicar os estados mais
pobres, que exportam menos.
Lei Kandir
O repasse de R$ 900 milhões
será adicionado aos R$ 3,4 bilhões já previstos
na proposta orçamentária para compensar as perdas dos
estados exportadores com a Lei Kandir. Outros R$ 900 milhões
viriam de uma suplementação condicionada ao crescimento
na arrecadação. No total, os estados exportadores deverão
receber R$ 5,2 bilhões, mesmo volume de repasses do ano passado.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o governo
procurará medidas para segurar os gastos do país enquanto
o relatório não for aprovado. “O governo vai avaliar
junto com a Advocacia-Geral da União quais são as medidas
para segurar o gasto do país.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 15
de março de 2006 | Brasil
CÂMARA-Aldo reconhece que acabar com sigilo
em votação será difícil, já que é
“uma proteção” para parlamentares
Fim do voto secreto emperra
Brasília (Folhapress) – Terminou sem acordo a reunião
entre o Colégio de Líderes da Câmara e o presidente
da Casa, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), para tratar da Proposta
de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o voto secreto, em plenário,
nos processos de cassação.
Segundo o deputado Renato Casagrande
(PSB-ES), ficou acertado que todos os líderes partidários
vão consultar suas bancadas sobre o tema e, após a consulta,
Aldo convocará uma nova reunião de líderes para
debater a questão.
A idéia é levar o mais rápido possível a
votação em plenário da PEC que acaba com o voto
secreto. A proposta ganhou força após a absolvição
no plenário, na semana passada, dos deputados Roberto Brant (PFL-MG)
e Professor Luizinho (PT-SP). Para vários deputados, principalmente
os integrantes do Conselho de Ética, o resultado caracterizou
um “acordão” feito entre PFL, PSDB e PT para livrar
os parlamentares envolvidos no suposto esquema do mensalão.
“Vamos ouvir nossas bancadas. Não
dá para adiantar qual a tendência dos deputados. Eu pessoalmente
sou favorável ao fim do voto secreto”, afirmou Casagrande.
A proposta de voto aberto para os processos de cassação
de mandato também é defendida, “por princípio”,
por Aldo Rebelo. Apesar de defender essa tese, ele reconhece que será
uma questão difícil, já que o voto secreto representa
“uma proteção” para os parlamentares em votações
que podem lhes trazer pressões.
Segundo Aldo, caberá ao plenário
da Câmara analisar se o fim do voto secreto valerá para
os atuais processos de cassação, caso a emenda seja aprovada
rapidamente. “Se a matéria vier a ser apreciada e se trata
de processo em curso, pode suscitar recurso ao STF (Supremo Tribunal
Federal). De qualquer jeito, são interpretações
que cabem, por um lado à própria Câmara, ao Congresso
ou ao Poder Judiciário”, afirmou.
Na reunião de ontem do Colégio
de Líderes ficou definida apenas a pauta prioritária de
votações para esta semana. O plenário deve votar
a medida provisória (MP) que abre crédito extraordinário
de R$ 350 milhões ao Ministério dos Transportes para obras
emergenciais na malha rodoviária do país, conhecidas como
Operação Tapa-buraco. Segundo Casagrande, a Câmara
vai priorizar nas próximas semanas as votações
do projeto que trata da nova legislação para os chamados
“portos secos” e o projeto que cria a Lei Geral das Micro
e Pequenas Empresas. Os deputados devem votar ainda o requerimento que
pede urgência para o projeto que estabelece o novo valor do salário
mínimo.
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JORNAL DO ESTADO, 15 de março
de 2006
Abertura de novos negócios
Brasil é o sétimo mais empreendedor
O brasileiro detém essa colocação
no ranking mundial, divulgado ontem pelo Sebrae
Ana Ehlert
O Brasil manteve o sétimo lugar em ranking de empreendendorismo
elaborado pela Global Entrepreneurship Monitor divulgado ontem pelo
Serviço Brasileiro de Apoia a Micro e Pequena Empresa (Sebrae).
A posição é a mesma da pesquisa divulgada no ano
passado. No entanto, três novos países passaram a fazer
parte do levantamento, que contém agora dados de 37 nações.
Apesar de ter mantido a posição, o índice de empreendendorismo
caiu de 13,5% para 11,3%. A taxa é medida pela porcentagem de
pessoas de um determinado país com idade entre 18 e 64 anos que
abriram um negócio há no máximo 42 meses.
À frente do Brasil aparecem Venezuela (25%), Tailândia
(20,7%), Nova Zelândia (17,6%), Jamaica (17%), China (13,7%) e
Estados Unidos (12,4%). Já os países menos empreendedores
são Hungria (1,9%), Japão (2,2%), Bélgica (3,9%)
e Suécia (4%).
Quando a pesquisa começou a ser realizada, no ano 2000, o Brasil
ocupava a liderança do ranking. O País vem desde então
perdendo posições.
No Brasil, há cerca de 13 milhões de empreendedores. O
levantamento mostra, porém, que, desse total, 7 milhões
foram motivados a abrir um negócio por enxergar uma oportunidade
e 6 milhões por necessidade — perda ou dificuldade de arrumar
um emprego, por exemplo.
O diretor-executivo do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho,
Márcio Pochmann, afirma que, entre as medidas que poderiam ajudar
os empreendedores estão a aprovação da Lei Geral
de Micro e Pequenas Empresas, que será analisada na Câmara;
a redução do ICMS para micro e pequenas empresas que trabalham
com produtos de cestas básicas; a inserção do tema
empreendedorismo nas escolas.
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FOLHA DE LONDRINA, 15 de março
de 2006
Economia não deve ser abalada pelas
eleições
Baixa inflação, dívida pública inexpressiva,
risco país em 200 pontos, que não deixam saudade dos 2.000
pontos atingidos nas eleições de 2002. ''As condições
favoráveis para uma queda contínua e sustentável
das taxas de juros brasileiras estão dadas'', segundo o jornalista
e analista econômico Carlos Alberto Sardenberg, que ministrou
palestra ontem sobre a Conjuntura Econômica Brasileira no Centro
de Eventos do Catuaí Shopping, integrando o 1º Circuito
de Debates CBN que está inserido na programação
cultural de 2006 do Catuaí.
Segundo ele, a meta inflacionária
para 2006, que é de 4,5%, deve ficar ainda abaixo do índice,
mesmo com as altas da gasolina e álcool, favorecendo a redução
dos juros. ''Toda a circunstância aponta para uma queda maior
do que a realizada na última reunião do Copom, que foi
de 0,75% da taxa Selic. A diferença é que o cenário
permite uma redução gradual e consistente'', analisa o
jornalista, âncora da rádio CBN, colunista dos jornais
'O Estado de S. Paulo' e 'O Globo', e autor dos livros 'Aventura e Agonia
nos Bastidores do Cruzado' e 'Jogo Aberto'.
Esse cenário é resultado
de um processo de queda: em 2002, em números redondos, a taxa
era de 12%, caindo para 9% em 2003, 7% em 2004 e 5% em 2005. ''Uma inflação
abaixo dos 5% ao ano é bastante rara no país'', afirma
ele, que participou da equipe de comunicação do governo
entre 85 e 87, presenciando as taxas escandalosas de inflação
do Plano Cruzado.
O quadro deve favorecer o varejo, influenciado
ainda por outros fatores positivos, dentre eles, a queda sistemática
do desemprego, o expressivo crescimento do crédito para pessoa
física no ano passado e o dólar barato, que projetam aumento
do consumo. ''Estamos num ano de copa do mundo, que sempre impulsionam
as vendas de eletroeletrônicos, não somente da televisão.
Paralelo a isso, podemos prever uma redução na compra
de bens mais caros, os duráveis, porque as famílias brasileiras
começaram o ano mais endividadas, devido ao grande estímulo
ao crédito em 2005'', destaca Sardenberg.
Já para o empresário, as
boas perspectivas para a economia brasileira esbarram num velho fantasma:
as altas cargas tributárias. ''Enquanto não houver uma
consciência política de redução dos gastos
públicos, a carga tributária não vai diminuir.
Isso é herança de uma política que atrela o aumento
dos impostos ao aumento dos gastos públicos, que só crescem.''
Mas mesmo esse quadro favorável
não deve, sozinho, servir para alavancar o crescimento da economia
brasileira, que ficou em torno de 2,3% em 2005, um dos piores índices
da América Latina. ''As condições externas são
extremamente favoráveis e são as melhores dos últimos
30 anos. A previsão de superávit nas exportações
é boa para 2006 e 2007. Mesmo assim, o Brasil não acompanha
o ritmo mundial, porque o governo não vem criando boas condições
para investimentos'', ressalta Sardenberg.
Da Redação
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 15 de março de 2006 | Economia
Produção industrial cresce
em 12 de 14 regiões pesquisadas
Cinco Estados ficaram além da média.
Entre eles, a taxa mais elevada foi de 12,1%, registrada no Amazonas.
| Desempenho
da produção industrial em
2005 |
| Região |
Variação |
Amazonas
Minas Gerais
Bahia
São Paulo
Pará
Goiás
Pernambuco
Nordeste
Rio de Janeiro
Espírito Santo
Paraná
Santa Catarina
Ceará
Rio Grande do Sul
|
12,1%
6,3%
4,1%
3,8%
3,8%
3,2%
3%
2,4%
2%
1,4%
0,8%
0,1%
-1,6%
-3,5%
|
Rio de Janeiro - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) informou hoje que a produção industrial encerrou
o ano de 2005 com crescimento em 12 das 14 áreas investigadas.
No período, seis Estados registraram alta acima da média
nacional, de 3,1%, divulgada na última terça-feira: Amazonas,
Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Pará e Goiás.
Já Pernambuco, região Nordeste,
Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina
apresentaram taxas positivas, porém abaixo da média do
País. Ceará e Rio Grande do Sul tiveram resultados negativos
(veja tabela ao lado).
Dezembro
No mês de dezembro de 2005, na
comparação com o mesmo mês de 2004, a produção
industrial cresceu em oito dos 14 locais pesquisados. Acima do índice
nacional, situaram-se: Bahia (10,0%), Pernambuco (8,8%), Minas Gerais
(5,7%), Pará (4,0%), São Paulo (3,8%), região Nordeste
(3,7%), Rio de Janeiro (3,5%) e Goiás (3,1%). As demais regiões
registraram taxas negativas: Rio Grande do Sul (-0,3%), Paraná
(-1,6%), Espírito Santo (-3,0%), Santa Catarina (-3,7%), Amazonas
(-4,4%) e Ceará (-6,6%).
Primeiro e segundo semestre
Na passagem do primeiro para o segundo
semestre do ano passado, acompanhando o movimento observado para indústria
nacional, verificou-se desaceleração no ritmo de crescimento
em 11 locais. Os movimentos mais acentuados de redução
ocorreram no Amazonas, que passou de 20,2% no período janeiro-junho
para 5,1% no segundo semestre, no Ceará (de 6,1% para -7,6%),
Paraná (8,0% para -5,3%) e em Santa Catarina (de 6,5% para -5,5%).
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SITE DO IBGE, 15 de março
de 2006
Índice Nacional da Construção
Civil variou 0,31%, em fevereiro
O Custo Nacional da Construção
Civil, calculado pelo IBGE em convênio com a CAIXA, teve variação
de 0,31% em fevereiro, o que significou um recuo de 0,12 ponto percentual
em relação ao mês de janeiro (0,43%).
No ano, o acumulado é de 0,74%
e, nos últimos doze meses, foi de 6,31%.
O custo nacional por metro quadrado passou
para R$ 547,14, sendo R$ 319,85 e R$ 227,29 relativos aos materiais
e a mão-de-obra, respectivamente.
Em relação a fevereiro
de 2005 (0,65%), o índice atual recuou 0,34 ponto percentual.
Os acumulados do ano e dos últimos doze meses também situaram-se
abaixo das taxas observadas em iguais períodos do ano passado
(1,37% e 11,01%).
A parcela dos materiais variou 0,25%;
0,30 ponto percentual abaixo da taxa de janeiro (0,55%). A mão-de-obra
cresceu de forma mais acentuada em fevereiro com alta de 0,38% contra
0,27% de janeiro (mais 0,11 ponto percentual).
Quanto aos acumulados, os materiais subiram
0,80% no ano, bem abaixo do índice de igual período de
2005 (1,45%). Para a mão-de-obra, o acumulado foi de 0,65%, também
abaixo de 2005 (1,27%).
Nos últimos doze meses foram observadas
as seguintes variações: 5,71% (materiais) e 7,17% (mão-de-obra).
Região Nordeste apresentou
maior índice em fevereiro
Pressionado pelo resultado da Bahia,
a Região Nordeste teve a maior alta (0,69%) em fevereiro. A região
Norte ocupa a segunda posição com índice de 0,41%.
Os demais resultados regionais, todos menores que o índice nacional
(0,31%), foram, em ordem decrescente: 0,22% no Sul; 0,18% no Centro-Oeste
e 0,12% no Sudeste.
Quanto às taxas acumuladas no
ano, a mais alta (1,58%) foi registrada também na região
Nordeste. O menor resultado coube ao Sul (0,32%). Nos últimos
doze meses destacaram-se o Norte com o maior acumulado (7,58%) e o Centro-Oeste
com o menor (5,44%).
Os custos regionais foram: R$ 584,07
(Sudeste); R$ 549,21 (Sul); R$ 529,81 (Norte); R$ 519,32 (Centro-Oeste)
e R$ 505,60 (Nordeste).
Entre os estados, Bahia registrou
índice mais elevado em fevereiro
Refletindo o reajuste salarial da mão-de-obra,
o estado da Bahia registrou em fevereiro o índice mais elevado
(1,90%). A seguir, com percentual também expressivo ficou o Pará
(0,97%), devido ao complemento salarial, conforme acordo firmado em
agosto, quando do reajuste da categoria.
Bem abaixo, ficaram o Ceará (0,31%),
Sergipe (0,28%), Roraima (0,25%) e Rio Grande do Sul (0,24%). Os resultados
mais baixos foram: 0,03% em Rondônia; 0,07% no Amazonas, Rio Grande
do Norte, Pernambuco e Rio de Janeiro; 0,09% em Minas Gerais e 0,10
na Paraíba.

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24 HORAS NEWS / MATO GROSSO,
15 de março de 2006
30% das madeireiras ainda estão
paradas em Sinop, aponta Sindicato
Tania Rauber
Sinop
Os três primeiros meses do ano foram
de muitas expectativas para o setor madeireiro em Sinop e toda a região
para reaquecimento da produção, retomada das vendas e
afastar a crise que se arrasta desde o segundo semestre de 2005. Com
as atividades parcialmente paradas desde junho do ano passado, após
Operação Curupira, muitas indústrias começam
a retomar suas atividades, mas o número de empresas paradas ainda
chega a 30% no município. Os dados apresentados pelo Sindicato
das Indústrias Madeireiras do Norte do Mato Grosso (Sindusmad)
apontam que, das cerca de 250 a 300 empresas do município, 30%
estão trabalhando com 50% da capacidade, e 40% estão trabalhando
normalmente.
As empresas estão se reativando
aos poucos. Muitos já se recadastraram e estão trabalhando
com as GFs – Guias Florestais. Hoje 238 empresas já foram
avaliadas e 119 habilitadas, de um montante de 320 que se recadastraram
na Secretaria Estadual de Meio Ambiente –Sema- até o momento.
É uma expectativa boa que está começando este mês”,
avaliou o presidente do Sindusmad, Jaldes Langer.
Ele explicou que, desde dezembro, muitos
empresários deram férias coletivas aos funcionários
e outros pararam as atividades, na expectativa sobre como a Sema iria
atuar na gestão ambiental do Estado, que assumiu no dia 1º
de janeiro. A falta de matéria-prima, conseqüente da demora
na liberação de planos de manejo, fizeram com que milhares
de desempregos fossem gerados no setor no ano passado, atingindo também
o comércio.
O número de demissões foi
superior às novas contratações na maioria dos meses.
Em janeiro o quadro reverteu e o número de admissões superou
as demissões. “O setor deu uma retomada após o período
de chuvas, resolvendo o problema de licenciamento ambiental com a Sema.
Mas, ainda estamos apreensivos, precisando retomar o parque industrial
e a geração de empregos, que é um problema social
muito grande”, enfatizou.
Programas direcionados ao setor
também estão sendo implantados em Sinop. No mês
passado foi lançado o PEIEX – Programa de Extensão
Industrial Exportadora – que atenderá 252 indústrias
madeireiras e moveleiras de Sinop e região, com assistência
e assessoria para o ingresso no mercado externo. “Todos os setores
econômicos estão buscando alternativas pela atual realidade
que Mato Grosso passa. Não podemos ficar parados”, concluiu
Langer
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24 HORAS NEWS / MATO GROSSO,
15 de março de 2006
Sindicato debate redução
da jornada de trabalho e assédio moral
O Sindicato dos Trabalhadores em Escolas
Particulares (SINTRAE-MT) reunirá a categoria para um grande
debate na mesa redonda “Jornada de trabalho e assédio moral
no trabalho”, no dia 15, às 18h30. O evento contará
com a participação do médico e autor do livro “Assédio
Moral no Ambiente de Trabalho”, Ivo Antônio Vieira, que
falará sobre o assédio moral e suas conseqüências
para a saúde física e psíquica do trabalhador.
O assédio moral, isto é,
a exposição dos trabalhadores a situações
humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada
de trabalho e no exercício de suas funções, é
prática comum nas escolas.
Os problemas enfrentados pelos trabalhadores
quanto à jornada de trabalho serão apresentados pela assessora
jurídica do SINTRAE-MT, Carmem Lúcia e Silva, que divulgará
os dados levantados em uma pesquisa feita recentemente pelo sindicato,
segundo a qual 30% dos trabalhadores cumprem uma carga horária
de mais de 40 horas semanais.
O SINTRAE-MT integra a Campanha Unificada
pela Redução da Jornada de Trabalho, que dá apoio
ao PEC (Projeto de Emenda Constitucional) de autoria do senador Paulo
Paim (PT-RS) e do deputado Inácio Arruda (PCdo B-CE), que prevê
a redução da jornada de trabalho sem redução
do salário. De acordo com dados do Dieese, a redução
da jornada vai gerar 2,8 milhões de novos postos de trabalho.
A mesa redonda ocorrerá
na sede do SINTRAE-MT, à rua Antônio Batista Belém,
378, no bairro Lixeira.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
15 de março de 2006
Mesmo durante aviso prévio, reincidência
gera justa causa, diz TRT-SP
Mesmo que o mau comportamento do empregado
tenha sido relevado pelo empregador, ele pode servir de justificativa
para que a dispensa sem justa seja transformada em dispensa motivada,
ainda que as faltas ocorram durante o período de aviso prévio.
Com esse entendimento, a 9ª Turma do TRT (Tribunal Regional do
Trabalho) da 2ª Região manteve a dispensa por justa causa
de uma ex-funcionária do 2º Ofício de Registro de
Títulos e Documentos e Civil de Pessoa Jurídica de São
Paulo.
Segundo a assessoria de imprensa do TRT-SP,
a trabalhadora cumpria aviso prévio de 30 dias depois de ter
sido demitida, sem justa causa, pelo empregador. Durante este período,
ela se atrasou e faltou três dias sem justificativa. Por isso,
sua dispensa foi transformada em dispensa por justa causa.
A ex-empregada do cartório entrou
processo na 64ª Vara do Trabalho da capital, reclamando que, durante
os 8 anos de vigência do contrato de trabalho, os atrasos eram
comuns a ela e aos demais servidores do cartório.
Em sua defesa, o 2º Ofício
alegou que, no curso do aviso prévio, a reclamante faltou três
dias sem justificar e teve dez atrasos, variando de 12 minutos a 1 hora,
em dias alternados. Para o cartório, este comportamento configura
a desídia, prevista no artigo 482, alínea “e”,
da Consolidação das Leis do Trabalho, como “justa
causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador”.
Como o juiz da vara julgou o pedido improcedente,
a ex-funcionária apelou ao TRT-SP, insistindo que os atrasos
e faltas sempre foram permitidos pelo empregador.
Para o juiz Luiz Edgar Ferraz de Oliveira,
relator do recurso ordinário no TRT, “embora os fatos do
passado, tolerados e perdoados, não possam ser objeto de punição
atual, eles servem como justificativa para as punições
atuais, diante de novas infrações do empregado”.
De acordo com a assessoria, o relator
afirmou em seu voto que “a tolerância do empregador em relação
aos pequenos atrasos do empregado, ou a outras infrações
menores, não significa autorização para o relaxamento,
a morosidade, a desídia e a liberdade de comportamento”.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/03/2006
TST decide que não cabe ao MP cobrar
depósito atrasado do FGTS
A Quarta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho decidiu que não cabe ação civil pública
para cobrar o recolhimento do FGTS atrasado de trabalhadores, pois essa
destina-se à solução dos grandes conflitos socioeconômicos
e não da reparação da lesão passada. A decisão
foi adotada no julgamento do recurso da empresa L.G. Engenharia, Construção
e Comércio Ltda, contra a qual o Ministério Público
do Trabalho propôs ação para cobrar o recolhimento
de parcelas atrasadas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço,
de outubro de 2002 em diante, dos atuais e ex-empregados.
O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª
Região (DF e Tocantins) havia decidido pela legitimidade do Ministério
Público, por se tratar de um fundo público cujos recursos
são destinados à política de desenvolvimento urbano,
porém a Quarta Turma do TST deu provimento parcial ao recurso
da empresa para declarar a ilegitimidade do MPT nessa ação.
“A ação civil pública,
pela natureza de ação cominatória (imposição
de obrigação de fazer ou não fazer, sob pena de
pagamento de multa) ou condenatória genérica (indenização
para um fundo genérico de reparação dos interesses
lesados), não tem feição reparatória, pois
seria impossível a reparação individualizada de
um conjunto indeterminado de lesados”, disse o relator, ministro
Ives Gandra Martins Filho. O objetivo da ação civil pública,
afirmou, é solucionar o problema da lesão em relação
ao futuro, impedindo que se perpetue no tempo uma situação
contrária ao ordenamento jurídico.
O ministro ressaltou que a ação
civil coletiva visa, justamente, à reparação da
lesão que já ocorreu, relacionada à defesa dos
interesses individuais homogêneos, como é evidente nessa
ação do MPT. O pedido feito nela refere-se a fatos passados
e com sujeitos indeterminados, não cabendo a legitimidade do
Ministério Público, nos termos da Lei 7.437/85, que trata
da ação civil pública, afirmou.
O ministro esclareceu que “interesses
individuais homogêneos”, definidos na lei como “decorrentes
de origem comum”, tratam de lesão que não é
potencial, mas efetiva, como, por exemplo, empregados portadores do
vírus HIV demitidos por esse motivo. No caso, a lesão
demanda uma reparação determinada e o Código de
Defesa do Consumidor criou instrumento idôneo para defender esses
interesses, que é a ação civil coletiva, que supõe
a habilitação dos lesados, para o recebimento da indenização
a que fazem jus, esclareceu.
Ives Gandra explicou que, por expressa
limitação constitucional, a ação civil pública
destina-se apenas à defesa dos interesses difusos e coletivos,
“à solução dos macroconflitos socioeconomicos”.
Interesses difusos, afirmou, supõem a existência de lesão
a um bem usufruído por muitos, sem que se possa definir previamente
os lesados. Assim, são típicas de caráter difuso
as lesões ao meio ambiente, ao patrimônio histórico,
aos direitos do consumidor. (RR 443/2004)
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15/03/2006
Vantuil fala sobre penhora de bens pessoais
de sócios
A aplicação à execução
trabalhista da teoria da “despersonalização da pessoa
jurídica”, que permite a penhora de bens pessoais de sócios
e administradores para a satisfação de débitos
deve ser aplicada apenas em condições excepcionais. O
presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Vantuil Abdala,
ressalta a importância da penhora de bens dos sócios, mas
sugere cautela na aplicação. A possibilidade de penhora
dos bens pessoais de sócios e administradores é prevista
no novo Código Civil – o que deve aumentar o número
de processos trabalhistas com pedidos neste sentido.
Antes da entrada em vigor do novo Código
Civil, em 2002, a legislação não era clara sobre
a permissão para a penhora e execução de bens particulares
visando ao pagamento de verbas decorrentes de sentenças trabalhistas.
Mas o novo Código, em seu art. 50, diz que, “em caso de
abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de
finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir,
a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando
lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas
obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos
administradores ou sócios da pessoa jurídica.”
Desde então, a Justiça
do Trabalho vem adotando esse entendimento. Em março de 2004,
a Terceira Turma do TST manteve decisão do Tribunal Regional
do Trabalho de Campinas (15ª Região) que havia aplicado
a teoria da desconsideração da pessoa jurídica
num processo em que os sócios, à época da execução,
não indicaram os bens da empresa passíveis de execução
nem comprovaram a existência de patrimônio para a satisfação
do crédito. Em agosto de 2005, a Quinta Turma do TST decidiu
no mesmo sentido ao não conhecer (rejeitar) um recurso de revista
contra acórdão do TRT de Minas Gerais. O TRT determinou
a penhora de bens dos sócios de uma empresa de autopeças
ao constatar “o desaparecimento da executada [a empresa], sem
patrimônio e próxima da insolvência”. Os sócios
haviam se desligado da sociedade, com transferência de cotas,
justamente na data do trânsito em julgado da decisão a
ser executada.
O ministro Vantuil Abdala ressalta que
não há regra geral relativa à despersonalização
da pessoa jurídica. “Cada caso é um caso, e todos
os aspectos precisam ser avaliados para verificar seu enquadramento
nos casos previstos no Código Civil” – como abuso
da personalidade jurídica, desvio de finalidade e confusão
patrimonial, especialmente visando à inviabilidade da execução.
“O TST sempre tem adotado o art. 50 do Código Civil com
cautela e comedimento”, diz.

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