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Agência Diap, 16 de
março de 2006
Salário Mínimo
DIAP e DIEESE oferecem sugestões
à Comissão Especial Mista
Os membros da Comissão Especial Mista que debate a implementação
de uma política permanente de reajuste do salário mínimo
realizaram mais uma audiência pública na manhã de
ontem, dia 14/03. Foram convidados para a reunião representantes
do DIAP e do DIEESE. Além do diretor de Documentação,
Antônio Augusto de Queiroz, o DIAP contou com a participação
do membro do corpo técnico, Flávio Tonelli Vaz. O DIEESE
foi representado pelo economista Frederico Melo.
O diretor do DIAP, Antônio Augusto
de Queiroz, iniciou sua exposição com registros sobre
o histórico recente do Congresso no debate desta matéria.
Ele relembrou as discussões na Câmara da primeira lei aprovada
sobre salário mínimo no período pós-constituinte,
a Lei nº 7.789, de 1989. Esta lei foi resultado de iniciativa da
Comissão de Trabalho da Câmara, por intermédio de
uma subcomissão, cuja coordenação coube ao então
deputado e hoje senador Paulo Paim (PT/RS).
Naquela época, por solicitação
do presidente da Comissão, deputado Carlos Alberto de Oliveira,
o DIAP, em parceria com o DIEESE, elaborou uma minuta de anteprojeto
que serviu de base ao relator da matéria, deputado Célio
de Castro. Ao transportar o debate para a conjuntura atual, Queiroz
fez duras críticas às reiteradas alegações
daqueles que criticam o aumento real do salário mínimo.
Ele classificou como “falaciosos” os supostos impactos negativos
desse aumento sobre as contas das prefeituras, da Previdência
e das microempresas.
Em relação às prefeituras,
o diretor do DIAP disse que, se uma delas gasta mais de 60% de sua receita
líquida corrente com pagamento de pessoal - limite imposto pela
Lei de Responsabilidade Fiscal - ou há gente em excesso na máquina
pública ou esse município não deveria ter sido
criado. Ele propôs que o Congresso Nacional crie restrições
à criação de municípios e estimule consórcios
de prefeituras para que alguns gastos sejam divididos. “Assim
como o Congresso Nacional discute a cláusula de barreira para
impedir o funcionamento dos partidos que não alcançarem
determinado percentual de votos, poderia criar restrições
à emancipação indiscriminada de municípios”,
declarou.
No que se refere ao impacto nas contas
da Previdência, Queiroz opinou que esse argumento faz parte de
uma campanha que busca criar ambiente favorável à privatização
do sistema previdenciário, tornando-o mais atraente aos bancos
e demais instituições financeiras interessadas em sua
administração. “Atualmente é muito comum
fazer estardalhaço em torno do suposto déficit da Previdência,
que, na verdade, é superavitária. O déficit final
nas contas é motivado pelo pagamento de benefícios que
são assistenciais e pelo superávit fiscal do governo”,
acrescentou.
Antônio Augusto também rechaçou
o risco de um eventual aumento do salário mínimo inviabilizar
as micro e pequenas empresas. Ele acredita que, nesse caso, esteja acontecendo
uma “apropriação do discurso” por parte dos
grandes empresários, que muitas vezes são pressionados
por seus funcionários a oferecerem reajustes equivalentes ao
aumento do mínimo, provocando um impacto na margem de lucro das
maiores empresas.
A participação do DIAP
na audiência foi complementada com a exposição do
ex-diretor e integrante do corpo técnico do Departamento, Flávio
Tonelli Vaz, que sugeriu que o Congresso Nacional vincule uma parcela
da Cofins a um fundo voltado aos pequenos municípios que eventualmente
tenham dificuldades de efetuar o pagamento da folha de pessoal. A proposta
busca evitar o desequilíbrio nas contas de algumas prefeituras,
que poderia ser motivado com reajustes reais mais representativos ao
salário mínimo. Confira a íntegra da palestra na
seção Destaque da página do DIAP.
Distribuição de renda
O economista Frederico Melo, do DIEESE,
considera o aumento do salário mínimo um “instrumento
essencial” para melhorar a distribuição de renda
no País. Para demonstrar a abrangência do aumento real
da remuneração básica, o economista citou pesquisas
relativas ao ano de 2004 - quando 65% dos aposentados e pensionistas
recebiam benefícios de um salário mínimo -, e de
2003 - quando 75% dos trabalhadores ativos ganhavam até três
salários. “Quem ganha salários vinculados ao mínimo
são os perdedores da barganha salarial, porque são pessoas
menos mobilizadas para reivindicar aumentos mais robustos”, disse.
Ele também destacou que uma política
de fortalecimento do salário mínimo tem o papel de estimular
alguns segmentos econômicos e aumentar o consumo da população,
especialmente de alimentos e de produtos semiduráveis, como roupas.
“Isso estimula a economia e favorece a descentralização
dos recursos, pois as indústrias desses setores estão
espalhadas por todo o País.”
A Comissão Especial Mista do Salário
Mínimo já tem reunião agendada para a próxima
semana. Na terça, dia 21/03, a Comissão fará uma
audiência pública com representantes da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e do Conselho Nacional de Segurança
Alimentar e Nutricional (Consea). O presidente da Comissão, deputado
Jackson Barreto (PTB/SE) pretende ainda fazer uma audiência pública
com o ministro da Previdência Social, Nelson Machado, para discutir
a relação do mínimo com o pagamento dos aposentados.
Histórico da comissão
A Comissão Especial Mista do Salário
Mínimo já cumpriu uma intensa agenda de debates desde
sua instalação no final do ano passado. Além do
ministro do Trabalho, os membros do colegiado debateram a matéria
com representantes de trabalhadores e de empregadores, de aposentados
e pensionistas e técnicos de institutos de economia.
Ontem ouviu as sugestões do DIAP
e do DIEESE e, na semana passada, abriu espaço para a manifestação
de representantes de prefeitos e servidores públicos. Os representantes
de prefeitos pediram à Comissão Especial Mista do Salário
Mínimo a criação de um fundo de auxílio
no valor de R$ 400 milhões para conseguir pagar o reajuste do
mínimo de R$ 300 para R$ 350. Um levantamento da Confederação
Nacional dos Municípios mostra que, atualmente, 363 prefeituras
não têm condições de cumprir a Lei de Responsabilidade
Fiscal, já que gastam mais de 54% de suas receitas com pagamento
de pessoal. Segundo a entidade, o número de municípios
nessa situação vai triplicar com a elevação
do mínimo.
Em contrapartida à proposta dos
prefeitos, o relator, senador Paulo Paim (PT/RS), lembrou que a segunda
etapa da reforma tributária PEC nº 285/05, prevê o
aumento do Fundo de Participação dos Municípios
(FPM), que passaria de 22,5% para 23,5% da arrecadação
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Renda
(IR). Com isso, segundo o senador, as prefeituras conseguiriam elevar
as receitas em R$ 1,2 bilhão por ano. “O aumento do FPM
ajudaria não só o pagamento do salário mínimo,
mas também os investimentos em educação, saúde,
habitação e na divisão de renda”.
Já o presidente da Confederação
dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB), João Domingos
Santos, afirmou que os reajustes para o salário mínimo
não vão “quebrar” o poder público em
nenhuma esfera. Apesar de reconhecer que o impacto será maior
nas regiões Norte e Nordeste, Santos observou que a massa salarial
dos servidores municipais que ganham até um salário mínimo
representa apenas 8% das despesas das prefeituras com pessoal. Segundo
a entidade, esses funcionários representam 29% dos trabalhadores
das prefeituras em todo o País.
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Diário Vermelho,
16 de março de 2006
Artimanha
Empresas brasileiras usam novos "paraísos
fiscais"
Países europeus passaram a ocupar a preferência das empresas
brasileiras para desenvolver operações com o objetivo
de pagar menos impostos. Os tradicionais paraísos fiscais, famosos
na década de 90, deixaram de ser tão interessantes porque,
sob pressão internacional, alteraram normas que ofereciam isenção,
sigilo bancário e de participação em sociedades.
Ainda assim, locais como Cayman, Aruba e Ilhas Virgens Britânicas
têm uma imagem atrelada a operações ilícitas.
"Politicamente corretos", países
europeus como Hungria, Holanda, Espanha, Áustria e Luxemburgo
oferecem uma vantajosa combinação de incentivos internos
e acordos internacionais. Ao adquirir participação de
40% na Sidenor, por exemplo, a Gerdau usou uma holding húngara.
O país oferece uma tributação de 16% - carga bem
menor que os 34% do Brasil. A estrutura das empresas, porém,
pode ser mais complexa.
Receita federal
A AmBev resolveu criar na Europa
uma holding que abriga boa parte de suas operações na
América Latina, como a Maltería Pampa, na Argentina, e
a equatoriana Cervecería Suramericana, além de outras
quatro empresas. Mesmo instaladas em países vizinhos ao Brasil,
os resultados dessas companhias percorrem uma longa cadeia de empresas
no organograma do grupo, inclusive uma holding em outro continente,
antes de chegar às demonstrações da AmBev. O movimento
não passa despercebido pela Receita Federal. A AmBev, por exemplo,
foi autuada no valor total de R$ 3 bilhões, que inclui o imposto
devido, juros e multa. O Fisco não aceita a forma como foi usado
o tratado internacional entre Brasil e Espanha. O alcance desses acordos
ainda não foi definido - é a discussão central
de outro processo que se originou de uma autuação contra
a Volvo.
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Folha de São Paulo,
16 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Tucano diz que governo é "omisso" em relação
a invasões promovidas pelo MST
Lula ironiza a escolha do PSDB, mas afirma que
governador é competente
Alckmin inicia campanha com defesa da
religião e da família
DA REDAÇÃO, DA AGÊNCIA
FOLHA, EM CAMPINAS
DO ENVIADO A ITABAIANA E ARACAJU
O primeiro dia de Geraldo Alckmin como
candidato do PSDB à Presidência começou com a defesa
da família, da religião e da tradição e
passou por ataques ao MST e ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva. Em Sergipe, Lula evitou criticar o adversário. Disse que
o governador é "competente" e destacou ter uma boa
relação com ele: deu até parabéns ao PSDB
pela escolha. Questionado se Alckmin seria um adversário difícil,
ironizou: "Eu acho que ele foi um adversário muito difícil
para o [José] Serra". Segundo pesquisa Ibope divulgada ontem,
Lula venceria Alckmin já no primeiro turno, com vantagem de 24
pontos percentuais (43 a 19).
Pela manhã, o governador, que
é católico praticante, disse que "a pátria
são as famílias, a religião, os costumes, a tradição".
Ele se dirigia a uma platéia de empresários, na abertura
do 10º Congresso Mundial de Jovens Empreendedores, em São
Paulo. Questionado se suas declarações são um sinal
de que estaria mais inclinado para a direita, Alckmin retrucou: "Quem
apostar que eu sou de direita ou de centro vai errar. Eu sou o candidato
da mudança". E o governador deu indicações
de quais seriam essas mudanças. Falando a uma platéia
de empresários, Alckmin disse que "governo não gera
emprego, quem gera emprego é a iniciativa privada" e que
"o governo apenas cria condições para que a atividade
empreendedora floresça". Antes do discurso, recebeu o apoio
de Guilherme Afif Domingos, presidente da Associação Comercial
de São Paulo e um dos nomes cogitados pelo PFL ao governo estadual.
À tarde, ao participar de inauguração
de uma obra em Campinas, Alckmin criticou o governo Lula: "Vejo
com preocupação [as invasões] porque o país
precisa de estabilidade e de segurança para novos investimentos.
O governo é lerdo na reforma agrária e é omisso
nessas invasões de propriedade", disse o governador ao lançar
obras na rodovia Anhangüera.
Em Aracaju (SE), Lula também se
referiu ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), mas citando
a organização como possível aliada nas próximas
eleições. Pela manhã, em Itabaiana (SE), Lula já
insinuado uma aliança: "Saio daqui com o prazer de ter encontrado
os companheiros do movimento social, do Movimento Sem Terra, que a gente
não nega que, em muitos anos de batalhas, muitas vezes nós
temos pontos de vista diferentes, mas nas nossas divergências
a gente sabe diferenciar quem é o adversário comum, quem
é que nós queremos vencer e o que nós queremos
construir".
Ao falar de Alckmin, Lula elogiou o governador:
"Eu tenho um profundo respeito pelo Alckmin, tenho uma relação
de amizade boa, temos uma convivência democrática. Eu acho
que ele é um candidato à altura para disputar a Presidência
da República". Lula disse porém que ele, como nordestino,
tem mais condições de "arrumar" o Nordeste:
"Eu tenho consciência que, como nordestino, ou nós
arrumamos o Nordeste ou outras pessoas não vão querer
arrumar o Nordeste". Indagado sobre sua opinião acerca da
escolha de Alckmin, Lula disse: "Eu não achei nada. Veja,
eu tenho uma boa relação com o Alckmin e durante muito
tempo... Veja, isso é uma decisão do PSDB e eu só
quero dar os parabéns".
Ontem, o governador de Minas, Aécio
Neves, afirmou que seria "falsear a verdade" dizer que o prefeito
de São Paulo, José Serra, está feliz, mas rechaçou
a idéia de que o PSDB está dividido: "Obviamente,
ele [Serra] deve estar vivendo um momento de alguma angústia.
Mas o seu espírito público, a sua racionalidade, prevalecerão."
(LEANDRO BEGUOCI, MAURÍCIO SIMIONATO e EDUARDO SCOLESE)
Gráfico: Gazeta do Povo

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olha de São Paulo,
16 de março de 2006
EM ALTA
Papéis rendem em dólar 22% no ano e 72% em 12 meses, mais
que as médias dos emergentes, de 8% e 32%, diz Morgan Stanley
Brasil lidera rentabilidade de emergentes
MARCELO BILLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O aperto monetário nas grandes economias
mundiais ainda não drenou recursos dos países emergentes.
Pelo contrário, eles continuaram crescendo. O dinheiro continua
atrás de ganhos recordes registrados em 2005 e, pelo menos por
enquanto, repetidos no início deste ano. Até anteontem,
um conjunto de papéis brasileiros contabilizado pelo banco americano
Morgan Stanley havia registrado alta de 22%. A rentabilidade é
muito superior à media dos emergentes, que subiram 8%, dos latino-americanos,
15%, e dos asiáticos, 5%, sempre segundo o Morgan Stanley, que
publica índices de ativos para várias regiões e
países.
Mas não foi só no início
deste ano que os fundos de ações de emergentes mostraram
desempenho excepcional. Essa tem sido a regra desde 2004. Desde então,
o Brasil tem apresentado retornos acima da média, tanto dos emergentes
quanto das demais regiões. Médias escondem surpresas.
Mas os dados mostram que o país está entre os que têm
papéis com rentabilidade muito atrativa. Entre março de
2005 e março de 2006, os papéis brasileiros subiram, em
dólares, 72%, contra média de 32% dos 26 países
emergentes acompanhados pelo índice do Morgan. A queda do dólar
ajudou, mas outras moedas emergentes também ganharam valor.
Os fundos de ações especializados
em emergentes já captaram, em termos líquidos, US$ 910
milhões neste ano. Os cálculos são do Emerging
Portfolio Fund Research, empresa americana que monitora cerca de 10
mil fundos. O resultado, medido até quarta-feira da semana passada,
eleva a captação anual a US$ 20,9 bilhões, o maior
volume já registrado em 12 meses, isso após recorde no
ano fechado de 2005.
Analistas já apontaram que dificilmente
2006 repetirá o desempenho de 2005. Mesmo com o início
de ano promissor, a maioria avalia que entrará menos dinheiro
nos emergentes, principalmente porque o mundo deve entrar numa era de
juros mais altos nas economias centrais (EUA, Europa e Japão),
reduzindo a atratividade de ativos emergentes. Por enquanto, o que mantém
o fluxo extremamente positivo para países como o Brasil são
as perspectivas de crescimento econômico global, principalmente
dos emergentes, e a memória dos bons resultados recentes.
O último período ruim para
papéis de empresas emergentes foi entre 2002 e 2003. De março
de 2002 a março de 2003, com a tensão eleitoral, a queda
registrada para o índice Brasil do Morgan -algo similar ao Ibovespa,
por exemplo- foi de 38%, contra uma queda média de 20% dos países
emergentes. Desde então, só foram registrados ganhos.
Por um lado, a memória de resultados positivos sugere que, como
as projeções são de crescimento econômico,
os ganhos vão continuar. Por outro, há analistas apontando
para a probabilidade cada vez maior de um ajuste de preços -jargão
do mercado financeiro para o popular "tudo o que sobe tem que cair".
Os resultados, por enquanto, mostram
um otimismo inabalado no desempenho das ações. Darren
Read, do UBS, um dos grandes estrategistas para investimentos em países
emergentes, lembra que suas economias crescerão, em média,
5,5% neste ano, contra 3,7% do mundo desenvolvido. No caso do Brasil,
analistas projetam crescimento máximo de 3,5%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de março de 2006 | Economia
PESQUISA-Emprego formal cresce 1,44% em janeiro
em comparação com dezembro
Construção civil contrata
20 mil com carteira assinada em janeiro no país
Dirceu Portugal
As obras de tapa-buraco nas estradas aqueceram o mercado de trabalho
São Paulo (Folhapress) – O nível de emprego na construção
civil do país cresceu em janeiro 1,44% em relação
a dezembro de 2005, com a abertura de 20 mil novas vagas com carteira
assinada. Segundo o Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo) e a GVconsult, responsáveis
pela pesquisa, o resultado é o melhor nos últimos 12 meses
terminados em janeiro. No Paraná, a construção
civil puxou o nível de emprego medido pelo Departamento Intersindical
de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese).
Na pesquisa divulgada no começo da semana, o Dieese-PR atribui
à operação tapa-buracos nas estradas federais o
aumento das contratações no setor.
O presidente do Sinduscon-SP, João
Cláudio Robusti, afirma que a alta no período já
era aguardada em razão da sazonalidade de dezembro, que é
um mês típico de demissões no setor. Entretanto,
também considera que os números surpreenderam.
“O resultado do primeiro mês de 2006 revela um forte crescimento
de 9,12% no nível de emprego na construção civil
na comparação com os números de janeiro de 2005,
quando havia 1,297 milhão de empregados formais no setor”,
disse Robusti.
Em janeiro deste ano, a construção
civil brasileira registrou 1,415 milhão de trabalhadores formais.
O número praticamente iguala ao alcançado em setembro
de 2005. Porém, está abaixo de 1,429 milhão de
empregados somados em outubro de 2005, melhor resultado do ano passado.
Por regiões do país, o
emprego da construção civil cresceu mais na Região
Sudeste, com um avanço de 1,7% em janeiro. A Região Norte
permanece apresentando as maiores quedas (-1,3%). No Sul do Brasil,
apesar da variação positiva de 1,9%, o setor contratou
3.914 pessoas. Em seguida estão o Nordeste e Centro-Oeste, com
uma evolução de 1% de contratações cada
uma.
No estado de São Paulo, o ritmo
de crescimento também foi forte. Foram empregados 5.644 trabalhadores
formais em janeiro, alta de 1,47% sobre dezembro de 2005. O setor empregava
390,5 mil pessoas em janeiro no estado. O número representa 9,73%
trabalhadores a mais do que em igual período de 2005, quando
havia 355,9 mil postos de trabalho na construção.
A cidade de São Paulo apresentou
evolução de 1,43% em janeiro, com a abertura de 2.594
vagas. Havia 184,1 mil trabalhadores da construção, o
que significa 8,92% a mais do que os 169 mil trabalhadores em janeiro
do ano passado.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de março de 2006 | Economia
TESOURO NACIONAL-Emissão de R$ 14,8 bilhões
e pagamento de juros elevam débito em títulos públicos
Dívida do governo cresce 2,6%
e já ultrapassa a marca de R$ 1 trilhão
Brasília (AE) – A dívida do governo federal em títulos
públicos rompeu em fevereiro a marca de R$ 1 trilhão.
O Tesouro Nacional e o Banco Central (BC) divulgaram ontem o resultado
da consolidação dessa dívida, que alcançou
R$ 1,01 trilhão, um crescimento de 2,6% em relação
aos R$ 984,93 bilhões registrados em janeiro. Em relação
a fevereiro do ano passado, o aumento foi de 19,45%. O crescimento da
dívida foi provocado pelo lançamento de R$ 14,8 bilhões
de novos papéis e pelo pagamento de juros no valor de R$ 10,45
bilhões.
O coordenador da Dívida Pública
do Tesouro, Paulo Valle, disse que essa marca de R$ 1 trilhão
não é economicamente “relevante”. O indicador
que deve ser considerado, segundo ele, é a relação
da dívida líquida (que abate do saldo o total os créditos
que o governo tem a receber) e o Produto Interno Bruto (PIB), que está
em 51,6%. “Não é segredo para ninguém que
a gente tem déficit nominal (o resultado da receitas menos despesas,
incluindo o pagamento de juros). É natural que a dívida
cresça. O importante é a dívida líquida,
que tem tendência de queda”, afirmou.
Valle explicou que as agências internacionais de classificação
de risco (rating) não estão, necessariamente, preocupadas
com o estoque da dívida interna, mas sim com seu perfil e com
a relação dívida líquida e PIB. “Do
ponto de vista das agências, esse número de R$ 1 trilhão
não tem efeito nenhum”, disse o coordenador. “Qualquer
analista avalia que a situação da dívida melhorou
substancialmente.”
Do ponto de vista do perfil, no
mês de fevereiro houve um avanço importante. O prazo médio
da dívida atingiu 29,53 meses, ante 28,76 meses observados em
janeiro passado. O prazo médio dos lançamentos de títulos
foi de 54,97 meses, o maior registrado na série histórica,
iniciada há sete anos. Em janeiro, o prazo médio das emissões
foi de 36,44 meses. Também foi recorde o prazo médio de
emissão dos títulos prefixados, que chegou a 22,82 meses
em fevereiro.

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Matéria Regional para conhecimento...
FOLHA DE LONDRINA, 16 de
março de 2006
Cresce informalidade na construção
civil do PR
Sinduscon-PR diz que cerca de 70% dos problemas
no setor estão concentrados em construções particulares
Curitiba O grande problema no setor
da construção civil ainda é a informalidade. Dados
divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) mostram que em 2003, 44% dos 145 mil trabalhadores que atuavam
no setor eram informais. Em 2004, o índice de informalidade entre
os 151 mil trabalhadores atingia 52% do total. De acordo com dados do
Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná
(Sinduscon-PR), cerca de 70% dos problemas no setor estão concentrados
em construções particulares.
O presidente da Federação
dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil
e do Mobiliário do Paraná (Fetraconspar), Geraldo Ramthun,
alerta que o trabalhador que atua sem carteira assinada não tem
direito aos benefícios da Previdência Social e nunca vai
se aposentar. ''No futuro, a perda do trabalhador é inevitável'',
afirmou. Com isso, o trabalhador não tem direito a férias
e 13º salário. Se sofrer um acidente também não
receberá o auxílio-doença do Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS).
Segundo ele, muitos trabalhadores da
construção preferem não ter a carteira assinada
porque têm uma renda maior na informalidade. Ramthun disse que
um pedreiro com carteira assinada ganha R$ 600. Caso trabalhasse sem
registro, a renda mensal ficaria entre R$ 900 e R$ 1 mil. Outro problema
muito comum no setor é a falta de equipamentos de segurança.
A Delegacia Regional do Trabalho (DRT)
é uma das entidades que tem trabalhado para reduzir a informalidade
na construção. Em 2004, 2.477 trabalhadores do setor foram
tirados da informalidade. Em 2005, este número saltou para 2.768.
No ano passado, a construção civil foi o quarto setor
com maior número de funcionários tirados da informalidade
pela DRT e só perdeu para a indústria (11.359 empregados),
agricultura (6,3 mil) e o comércio (5,1 mil). No ano passado,
a DRT também realizou 480 autuações no setor. Em
2004, foram 565 autuações.
Em 2003, a construção teve
1.446 acidentes e 25 óbitos, últimos números divulgados
pelo INSS em conjunto com o Ministério do Trabalho e Emprego.
Em 2002 foram 1.729 acidentes e 20 óbitos.
Para o chefe da seção de
inspeção no trabalho da DRT-PR, Luiz Fernando Busnardo,
o maior problema na construção é a terceirização
na prestação de serviços que domina o setor. ''O
trabalhador é substituído durante etapas da construção'',
disse. Segundo ele, a falta de registro é uma das maiores irregularidades
encontradas pela DRT.
O pedreiro Antonio Bonfim, 37 anos,
contraria as estatísticas da informalidade e prefere trabalhar
com registro em carteira. ''A pessoa ganha mais sem registro mas não
tem os seus direitos garantidos'', disse. Ele está há
14 anos na profissão e nunca trabalhou sem carteira assinada.
O pedreiro Norberto Moreira, 42 anos, disse que prefere trabalhar registrado
para garantir a aposentadoria. Ele atua há 20 anos na área
e ganha um salário de R$ 640.
Andréa Bertoldi
Equipe da Folha
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FOLHA
DE LONDRINA, 16 de março de 2006
Comitê tem ações para fiscalizar

Antonio Bonfim prefere trabalhar com registro em carteira

Norberto Moreira quer garantir a aposentadoria

Curitiba - Para combater os números do trabalho informal na construção
civil, foi criado em 2001, no Paraná, o Comitê Diretor
do Programa de Combate à Informalidade no Mercado de Trabalho
da Construção Civil, que é formado por representantes
do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-PR),
dos Sinduscons do Paraná, da Federação dos Trabalhadores
(Fetraconspar), Delegacia Regional do Trabalho, Ministério Público
do Trabalho, INSS, Fiep, Fundacentro e outras entidades empresariais
e profissionais.
O comitê realiza uma série
de ações, dentre as quais fiscalização integrada
no sentido de verificar o cumprimento da legislação trabalhista
e de segurança do trabalho. Do total de obras fiscalizadas pelo
Comitê em 2005, 54% continham irregularidades. Após a vistoria,
o índice caiu para 42%. Em 2002 o índice após a
visita ficou em 50,7%; em 2003, 51,8% e, em 2004, 43%. Vale lembrar
que são resultados apenas das vistorias realizadas pelo Comitê
na Região Metropolitana de Curitiba, em Londrina, Maringá
e Cascavel.
O presidente do Conselho Regional de
Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR), Álvaro Cabrini
Junior, disse que o comitê tem ''o compromisso de diminuir a informalidade
no setor''.
O coordenador do Comitê e vice-presidente
da área técnica do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Euclésio Manoel Finatti,
acredita que a o aumento da informalidade é provocado pela falta
de informação que as empresas e proprietários de
obras têm para fazer uma obra correta. Ele disse que o excesso
de tributos incentiva a informalidade. Finatti destaca que os tributos
cobrados posteriormente são muito maiores que trabalhar de forma
correta.
A idéia das 20 entidades que integram
o Comitê é criar uma cartilha orientativa com todas as
informações para o dono da obra. A publicação
deve acontecer no final deste mês.
O Comitê vem atuando em diversas
frentes de ação. Uma delas é desenvolvida nos canteiros
de obras, onde representantes das entidades que fazem parte da parceria
fazem o levantamento das condições básicas de segurança.
Eles seguem um check-list estabelecido pela NR-18 (norma de segurança
do trabalho da construção civil) e observam itens sobre
o cumprimento da legislação trabalhista, especialmente
o registro em carteira do pessoal da obra.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 16 de março de 2006 | Economia
Bunge quer criar estrutura mundial de
comércio no País
Segundo a empresa, o principal problema que
impede o início dos trabalhos é o alto preço dos
serviços cobrados pelos usineiros
Gustavo Porto
ARAÇATUBA - A gigante Bunge Alimentos
S.A. Confirmou, nesta quarta-feira, seu interesse em criar no Brasil
uma estrutura mundial para o comércio do açúcar
e do álcool. A empresa informou que, apesar de já procurar
há alguns meses no mercado unidades sucroalcooleiras, os altos
preços pedidos pelas usinas e destilarias impediram os negócios.
Além do excelente cenário
mundial para os derivados da cana-de-açúcar, a dependência
da soja e as dificuldades logísticas para o processamento e escoamento
do grão no Brasil foram fundamentais para o convencimento da
diretoria empresa, nos Estados Unidos, para a entrada no novo mercado.
"Nós temos uma boa estrutura e um custo menor de processamento
(de soja) na Argentina", explicou o gerente de Novos Processos
e Biocombustíveis, Tecnologia e Inovação da Bunge
no Brasil, Frederico Kladt.
Estrutura
A estrutura de comercialização de açúcar
contará ainda com divisões e executivos na Europa. "A
prioridade é a comercialização do açúcar,
porque já temos conhecimento logístico e essa estrutura
montada, mas não descartamos também exportar álcool
no futuro", disse Kladt, que participou, nesta quarta-feira, da
Feira de Negócios do Setor de Energia (Feicana/Feibio), em Araçatuba
(SP).
Apesar de ainda não fecharem contratos
de venda do açúcar, Oriente Médio e Rússia
são os mercados visados pela Bunge no setor de açúcar.
Segundo o executivo, o principal
problema continua sendo o alto preço. "O valor pedido pelos
usineiros, que era de US$ 30 por tonelada processada pela usina, agora
chega a US$ 80", afirmou Kladt. Ele admitiu ainda a possibilidade
de a Bunge se associar a uma outra empresa na aquisição
de alguma unidade sucroalcooleira.
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O
ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 16 de março de 2006 | Economia
Previdência suspende quase 81 mil
benefícios
BRASILIA - O governo federal divulgou
nesta quarta-feira uma lista com 80.989 nomes de aposentados e pensionistas
que tiveram seus benefícios suspensos por não realizarem
o recadastramento no Censo Previdenciário.
O bloqueio do benefício será
válido já a partir do pagamento de março, a ser
depositado nos cinco primeiros dias úteis de abril. Para não
perder o dinheiro, o aposentando ou pensionista deve atualizar o seu
cadastro na agência bancária que recebe o pagamento. Após
13 dias, o benefício será liberado.
O estado que mais teve benefícios
suspensos foi São Paulo, onde 15.662 pessoas deixaram de receber.
Rio de Janeiro vem atrás com uma diferença razoável:
9.401. Em seguida figurou Minas Gerais, com 6.961 de pagamentos bloqueados.
Em contrapartida, no Estado de Roraima apenas 86 aposentados e pensionistas
tiveram seu pagamento suspenso.
A Previdência começou a
convocar para o Censo em outubro do ano passado. Foram chamados cerca
de 2,4 milhões de pessoas, que, segundo o Instituto Nacional
de Seguridade Social (INSS), eram mais vulneráveis à eventuais
fraudes por terem cadastros com informações incompletas.
De acordo com a Legislação, o governo deve realizar o
Censo Previdenciário a cada cinco anos.
Documentos
Os documentos obrigatórios para
fazer o Censo são o Cadastro de Pessoa Física (CPF) e
um documento de identificação, que pode ser a própria
Carteira de Identidade, Carteira de Trabalho e Previdência Social
(CTPS), Passaporte, Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
ou registro de conselho profissional. O INSS recomenda, também,
que o beneficiário apresente um comprovante de residência
e o Número de Inscrição do Trabalhador (NIT).
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
16 de março de 2006
CCJ da Câmara aprova licença-maternidade
para mães adotivas
A CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados aprovou,
nesta terça-feira (14/3), quanto à admissibilidade, a
PEC (proposta de emenda à constituição) 381/01,
que estende a licença-maternidade de 120 dias para a mãe
adotiva, sem prejuízo do emprego ou do salário.
O autor da proposta, deputado Feu Rosa
(PP-ES), afirma que o objetivo é assegurar o atendimento das
necessidades da criança em sua adaptação à
família e criar condições favoráveis à
relação afetiva entre mãe e filho.
A Constituição assegura
esse direito à mãe biológica. Já a Lei 10421/02
concede à trabalhadora regida pela CLT (Consolidação
das Leis do Trabalho) 120 dias de licença no caso de adoção
ou guarda judicial de criança com até 1 ano de idade;
60 dias, no caso de crianças de 1 a 4 anos de idade; e 30 dias,
se a criança adotada tiver de 4 a 8 anos de idade.
Feu Rosa lembrou que, em 2000, o Supremo
Tribunal Federal considerou o direito à licença-maternidade
não extensível à mãe que é adotante.
"Estamos diante de um caso de interpretação literal
da Constituição, cuja existência nunca esteve a
serviço de qualquer limitação dos direitos de cidadania",
afirmou o deputado.
A relatora da proposta na CCJ, deputada
Sandra Rosado (PSB-RN), manifestou-se favoravelmente quanto à
admissibilidade da proposta, que segundo ela atende aos pressupostos
legais para modificação da Constituição,
pois não restringe, e sim, amplia direitos e garantias individuais.

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