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JORNAL GAZETA DO POVO, 22 de março de
2006 | Economia
HABITAÇÃO-Associação
projeta crescimento de 50% do volume de recursos para a casa própria
em 2006
Crédito imobiliário
deve superar recorde
Condições mais favoráveis, tanto para quem financia
quanto para quem solicita empréstimos para a compra de imóveis,
devem fazer com que o volume de operações em 2006 ultrapasse
o recorde do ano passado. Segundo estimativa da Associação
Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança
(Abecip), o volume de contratações deverá crescer
de 40% a 50% em relação a 2005 – ano em que a captação
de recursos para habitação já foi a maior dos últimos
dez anos.
No Paraná, a Caixa Econômica Federal concedeu R$ 96,6 milhões
– R$ 86,4 milhões, mais R$ 10,2 milhões em subsídios
do governo federal – para aquisição de imóveis,
construção e compra de material nos dois primeiros meses
deste ano. “Se a média de captação do primeiro
bimestre se mantiver até o fim do ano, o aumento será
de pelo menos 20% em relação ao ano passado”, afirma
o gerente de habitação da Caixa no Paraná, Gueber
Roberto Laux. O volume total de financiamento habitacional do banco,
em 2005, foi de R$ 476,3 milhões no estado, incluindo todas as
modalidades de crédito.
A estimativa, porém, é de que o aumento seja superior,
uma vez que janeiro e fevereiro são tradicionalmente meses de
baixa captação. “Essa é uma projeção
mínima. Normalmente o segundo semestre tem quase o dobro de movimentação
dos primeiros seis meses”, diz o gerente da Caixa.
Segundo Laux, o aumento dos recursos
para a casa própria deve-se às mudanças das normas
para utilização do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), que passaram a vigorar em maio de 2005. O governo federal liberou
o financiamento do FGTS com subsídio para a construção
de casas para famílias que ganham até cinco salários
mínimos.
Outras medidas impulsionaram o setor
de habitação. No mês passado, o governo reduziu
o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de uma cesta de materiais
de construção, o que deve baratear imóveis novos
a médio prazo. Além disso, foi regulamentado o chamado
“patrimônio de afetação”, que aumenta
a segurança para o comprador.
As mudanças já mostram
resultados. De acordo com a Abecip, os empréstimos para habitação
praticamente dobraram no país em fevereiro, em comparação
com igual período do ano passado. As contratações
cresceram 99,5% com a tomada de recursos – foram R$ 478,2 milhões
no mês passado, contra R$ 239,7 milhões em fevereiro de
2005. A associação não tem dados do Paraná.
Audrey Possebom com agências

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AGÊNCIA DIAP, 22 de
março de 2006
Hauly recua e diz que não vai
mexer nos direitos trabalhistas
Pressão do movimento sindical faz relator
recuar; direitos trabalhistas não farão parte do projeto,
segundo o relator
O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB/PR),
relator do projeto de lei complementar - PLP nº 123/04, que cria
o Super-Simples, finalmente se rendeu aos apelos do movimento sindical
ao anunciar aos integrantes do FST - Fórum Sindical dos Trabalhadores
que estava suprimindo de seu substitutivo a precarização
das relações de trabalho.
Segundo José Carlos Perret Schulte,
coordenador do Fórum e secretário-geral da CNTC (Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Comércio), a audiência de
hoje, dia 21/03, com o relator foi decisiva para convencê-lo da
injustiça de reduzir direitos dos empregados das micro e pequenas
empresas.
O relator, desde que apresentou sua primeira
versão do substitutivo, vem recebendo apelos no sentido de suprimir
a parte que trata das relações de trabalho, mas estava
resistindo por se tratar de uma exigência do Governo, notadamente
do Ministério da Fazenda, representado pelo Secretário
de Política Econômica, Bernard Appy.
De fato, o substitutivo do relator recebeu
diversas críticas, tanto de parlamentares quanto de entidades
sindicais. Entre os parlamentares, quem mais chamou a atenção
para este aspecto da precarização foi o deputado Sérgio
Miranda (PDT/MG), que alertou as centrais sindicais, as confederações
e os sindicatos em geral. O SINAIT – Sindicato Nacional dos Auditores
Fiscais do Trabalho denunciou a redução de direitos e
também o fim da fiscalização do trabalho.
Em contato com o DIAP, o relator reiterou
a informação de que irá suprimir do substitutivo
a parte relativa aos FGTS e afirmou que fez um acordo com o presidente
da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB/SP), para que a matéria seja
votada na terça-feira da próxima semana, em sessão
extraordinária.
É importante que sejam excluídos
do substitutivo do relator todos os artigos sobre trabalho porque se,
eventualmente, for mantida a flexibilização das fiscalização
do trabalho, o trabalhador será prejudicado. Sem fiscalização,
não há direitos trabalhistas.
Caso o relator se mantenha firme
nessa posição - pois se há pressão por parte
dos trabalhadores também existe uma forte investida do patronato
para flexibilizar os direitos trabalhistas - os trabalhadores poderão
comemorar essa que pode ser uma importante vitória do movimento
sindical diante da sanha neoliberal de retirar direitos dos trabalhadores.
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Diário Vermelho,
22 de março de 2006
Trabalhadores
Fevereiro teve o maior número de
empregos formais para o período
No mês de fevereiro foram registrados 176.632 empregos formais
(com carteira assinada). Este foi o maior resultado para o mês
no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério
do Trabalho (Caged) e representa um aumento de 0,68% no nível
de emprego em relação a janeiro. O Caged foi criado pelo
governo federal, através da Lei nº 4.923/65, que instituiu
o registro permanente de admissões e dispensa de empregados,
sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirma que os números surpreenderam,
mas ainda não podem ser considerados uma tendência. "Ainda
é cedo para dizer que 2006 será melhor que 2004. Continuamos
prevendo que 2006 será melhor que 2005 mas um pouco pior que
2004", informou. Segundo o Caged, no bimestre, a geração
de novos postos de trabalho chegou a 263.248, a maior variação
bimestral já registrada pelo levantamento. O último recorde
para o período foi em 2004, quando foram criados 239.180 novos
empregos.
Setores favorecidos
A recuperação dos setores
de serviço, industrial, agropecuário e construção
civil puxou os números do mercado de trabalho no mês passado.
No setor de serviço, foram gerados 77.966 empregos formais e,
na agropecuária, 24.360 novos postos de trabalho. Nos dois setores,
ocorreu o melhor desempenho para meses de fevereiro. Já a indústria
de transformação foi responsável pela abertura
de 23.558 novas vagas, o segundo melhor desempenho para mês de
fevereiro, inferior apenas ao resultado de fevereiro de 2004.
"Esperamos um crescimento mais robusto
do emprego na indústria de transformação a partir
de abril, como reflexo da redução da taxa Selic (a taxa
básica de juros da economia), desde o final do ano passado",
informou Marinho. Na construção civil, foram gerados 14.993
empregos formais, também um recorde para o mês. "Esta
é uma tendência para o setor. A construção
civil deve crescer mais que em 2005", disse o ministro.
Elaboração de estudos
Um destaque nos números do Caged
é o resultado de fevereiro na indústria de calçados.
Depois de uma seqüência de três meses de queda consecutivos,
foram gerados 2.098 empregos no setor. Entre as áreas metropolitanas,
São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte registraram o maior
número de empregos formais criados em fevereiro. Nos últimos
12 meses, o número de empregos formais criados chegou a 1.327.971,
um crescimento de 5,31% em relação ao estoque divulgado
pelo Caged no início de março de 2005. Nos 38 meses do
Governo Lula até fevereiro foram gerados 3.685.938 novos empregos
formais, segundo o Caged.
Os dados desse cadastro servem
de base para a elaboração de estudos, pesquisas, projetos
e programas ligados ao mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que subsidia
a tomada de decisões para ações governamentais.
O Caged também é usado pelo Programa de Seguro-Desemprego,
para conferir os dados referentes aos vínculos trabalhistas,
além de outros programas sociais.
Veja as vagas criadas de março de 2005 a fevereiro
de 2006:
Março — 102.965
Abril — 266.095
Maio — 212.450
Junho — 195.536
Julho — 117.473
Agosto — 135.460 |
Setembro — 189.458
Outubro — 118.175
Novembro — 13.831
Dezembro — 286.719
Janeiro — 86.616
Fevereiro — 176.632 |
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Folha de São Paulo,
22 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Tucano afirmou que a qualidade do governo depende "das pessoas
que o compõem" e que, "em São Paulo, não
tem ladrão"
Lula é responsável por ministros,
diz Alckmin
CHICO DE GÓIS, DA REPORTAGEM LOCAL
MAURÍCIO SIMIONATO, DA AGÊNCIA FOLHA, EM PIRACICABA
O pré-candidato do PSDB à
Presidência, Geraldo Alckmin, endureceu as críticas ao
governo e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "é
o responsável por seus ministros" e que a qualidade do governo
depende "das pessoas que o compõem". O tucano também
afirmou que a população vê, "em outros governos,
dinheiro sendo roubado" e que, "em São Paulo, não
tem ladrão".
As primeiras críticas foram feitas
pela manhã, em Piracicaba (interior paulista), no lançamento
da pedra fundamental de uma fábrica. "O presidente da República
é responsável pelos seus ministros. A qualidade do governo
é a qualidade das pessoas que o compõem e cabe ao presidente
escolher", disse Alckmin, após ser questionado se ele considerava
um erro do presidente Lula a permanência de Antonio Palocci como
ministro da Fazenda. A CPI dos Bingos investiga a participação
de Palocci em um esquema de lobby coordenado por ex-assessores dele.
O governador afirmou também que
a notícia de que a violação do sigilo bancário
do caseiro Francenildo dos Santos Costa -que testemunhou contra Palocci-
partiu da Caixa Econômica Federal é "uma ameaça
à toda a sociedade" e, por isso, "não pode ser
tolerada". "Muito grave o ocorrido e a punição
tem de ser exemplar. A injustiça cometida contra um cidadão
é uma ameaça a toda a sociedade e não pode ser
tolerada."
Sem ladrão
À tarde, em Perus, zona norte
de São Paulo, na entrega de um posto móvel do Poupatempo,
o governador enfrentou vaias de um pequeno grupo de estudantes que carregava
um cartaz em que se lia "Cadê a cultura e a educação"
e, no verso, "Mala direta, vote nulo". No palanque, Alckmin
falou sobre o Poupatempo e, em seguida, sem citar nomes, disse: "A
gente vê por aí, em outros governos, dinheiro sendo roubado,
corrupção, dinheiro sendo desperdiçado. [...] Aqui,
em São Paulo, vocês podem ficar tranqüilos, porque
aqui não tem ladrão". Vaias e aplausos se misturaram.
"Se a oposição não
estivesse presente, ia ficar tão chata a inauguração.
Agora tem alegria, tem contestação", emendou Alckmin.
Os jovens continuaram a vaiar o governador. "A democracia não
é a ditadura dos cemitérios, não é o silêncio
dos pântanos", disse. Como faz reiteradamente, o pré-candidato
do PSDB à Presidência voltou a se valer da memória
do ex-governador Mario Covas. "Jogaram ovo, bateram nele, xingaram,
mas o povo tinha o Mario Covas no coração." Na entrevista
coletiva concedida após o discurso, Alckmin evitou dizer para
quem dirigia a frase de que "em outros governos [há] dinheiro
sendo roubado". Iniciou dizendo que "foi um recado para...",
mas não completou a frase.
Em vez disso, procurou identificar as
vaias como um ato da oposição. "Não é
movimentação espontânea, mas também não
sei a origem disso." Clébio Ferreira de Souza, 21, um dos
manifestantes, negou que seja filiado ao PT e criticou os políticos.
"Aqui na periferia não chega nada, só em época
de eleição." Alckmin afirmou que estava "zen".
"Vão brigar sozinhos, porque comigo não vão
conseguir." Quando estava deixando Perus, encontrou Zenaide Juliano
Horvath, 76, que morou em Pindamonhangaba quando Alckmin foi prefeito.
Ela lhe mostrou uma imagem de Nossa Senhora do Rosário, autografada
por ele. "Ora por mim", pediu o tucano.
Garotinho
Alckmin e o ex-governador do Rio
Anthony Garotinho (PMDB) esboçaram uma espécie de pacto
de não-agressão a partir das próximas semanas.
Eles já conversaram por telefone em pelo menos duas ocasiões
nos últimos dias. Em público, Garotinho tem poupado Alckmin
e o PSDB das pesadas críticas que costuma dirigir a Lula e ao
PT. Esse acordo poderá vir a ser alterado caso se consolide a
hipótese de que Lula irá ao segundo turno. Garotinho e
Alckmin disputariam a segunda vaga. Embora a assessoria de Garotinho
não confirme, até o fim da semana ele e Alckmin poderão
ter um encontro pessoal.
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Folha de São Paulo,
22 de março de 2006
Câmara aprova projeto que proíbe
pesquisas 15 dias antes da votação
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A Câmara dos Deputados aprovou
ontem à noite a restrição à divulgação
de pesquisas eleitorais nos últimos 15 dias antes da votação.
A restrição é um dos itens do projeto de lei que
visa baratear os custos de campanhas eleitorais. O projeto ainda precisa
passar por uma última votação no Senado. Mesmo
que seja aprovada também pelos senadores, não é
certo que a medida tenha validade já para a eleição
deste ano, em razão da exigência de que mudanças
nas regras sejam aprovadas com um ano de antecedência para entrarem
em vigor. Deve haver uma nova batalha jurídica sobre o tema,
semelhante à que está sendo travada com relação
à quebra da verticalização nas coligações.
A votação foi simbólica,
tornando impossível saber quantos a defenderam e quantos foram
contrários. Partidos como PT, PDT e PSOL apoiaram a restrição,
argumentando que ela evitaria manipulações eleitorais.
"A opinião do eleitor é formada ao longo dos meses
e não por pesquisas nos últimos dias", disse o líder
do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS). Legendas como PFL e PMDB
foram contra, alegando liberdade de expressão. "O Supremo
não vai permitir isso. Nenhuma lei por ir contra a garantia constitucional
do direito à informação", disse o deputado
Pauderney Avelino (PFL-AM).
A sessão foi tumultuada. O PT,
em uma inusitada aliança com o PSOL, o PPS e o PDT, reclamou
do fato de o sentido original do projeto ter sido diluído. O
que causou mais revolta foi a derrota da medida considerada de maior
caráter moralizador, o estabelecimento de um teto para gastos
de campanha pela Justiça Eleitoral. A versão aprovada
deixa a cargo da Câmara a tarefa de aprovar um teto. Contudo,
se isso não for feito até 10 de junho, o teto é
definido por cada partido. Na prática, nada deve mudar, uma vez
que os partidos terão um estímulo a não votar a
lei.
Outro item polêmico foi a manutenção
da presença de cabos eleitorais nas eleições. Deputados
apontaram incoerência com o espírito do projeto de lei,
já que foi aprovada a proibição da distribuição
de brindes como chaveiros e camisetas por candidatos. As aparições
em outdoor também foram vetadas, além da doação
por candidatos de prêmios a entidades ou troféus em eventos
esportivos, práticas comuns em campanhas. "Sem estabelecer
o teto e mantendo os cabos eleitorais, tudo isso vira perfumaria",
protestou Ivan Valente (PSOL-SP).
Uma medida aprovada poderá
restringir a possibilidade de que seja pedida a impugnação
na Justiça de candidatos ou partidos por irregularidades cometidas.
Agora, para que a representação seja feita, a lei exigirá
que isso ocorra "relatando fatos e indicando provas". "No
lugar de um avanço como esperávamos, está havendo
uma restrição à sociedade", disse Miro Teixeira
(PDT-RJ). Ainda falta votar 15 destaques para concluir a tramitação,
o que pode ocorrer até o final da semana.
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Folha de São Paulo,
22 de março de 2006
PÚBLICO X PRIVADO
Governo Kirchner acusa empresa controlada por franceses de não
cumprir o contrato de concessão
Argentina reestatiza empresa de água
e esgoto
FLÁVIA MARREIRO
DE BUENOS AIRES
Depois de três anos de embate com
o consórcio privado que controlava a empresa Aguas Argentinas,
o governo argentino rompeu o contrato com a concessionária e
reestatizou ontem, por decreto, o serviço de água e esgoto
na Grande Buenos Aires. Para substituir Aguas Argentinas, cujo controle
acionário é da francesa Suez (39,9% das ações),
foi criada uma nova estatal, com 90% de ações do governo.
Os outros 10% seguirão com os funcionários, o chamado
PPP (Programa de Propriedade Participada).
No anúncio da decisão,
o ministro do Planejamento, Julio de Vido, alegou o reiterado "não
cumprimento" do contrato de concessão e afirmou que o rompimento
se deu "por culpa" da empresa, que não teria cumprido
planos de investimento e de ampliação dos serviços.
Citando relatórios da agência reguladora, acusou a Aguas
Argentinas de pôr em risco a saúde dos usuários,
pelo suposto elevado nível de nitrato na água. A empresa
informou por nota que em setembro de 2005 seus controladores já
haviam pedido o rompimento do contrato, "por culpa do concedente",
e rechaçou os argumentos do governo de Néstor Kirchner.
Disse ter feito "trabalho exemplar" desde 1993, quando começou
a operar. Afirmou que fará uma transferência "ordenada"
do serviço.
Não havia detalhes desse processo
ontem. No anúncio, o ministro Julio de Vido instruiu aos diretores
da nova estatal a fazerem uma auditoria dos ativos e assumir de imediato
o serviço. A disputa entre governo e a empresa começou
em 2002, no auge da crise argentina. Desde então, a maior parte
das tarifas públicas estão congeladas. A empresa e outros
concessionários de serviços, como os de telefonia, tentavam,
sem sucesso, obter da Casa Rosada autorização para reajuste.
No ano passado, tanto a controladora Suez como a espanhola Aguas de
Barcelona (25% das ações) já haviam anunciado que
deixariam o consórcio e buscavam compradores. Mas as negociações
eram barradas pela falta de perspectiva de alta nas tarifas. A reestatização,
como já havia acontecido com o serviço de correios, ficou
mais próxima. Ontem, um porta-voz da empresa espanhola afirmou
que a decisão não causou "surpresa". A Suez
não havia se pronunciado.
Após a renegociação
da dívida em moratória -controversa, mas considerada exitosa-,
o embate com as privatizadas é o principal problema da relação
de Kirchner com o organismos multilaterais como o FMI e com os governos
da França e da Espanha. A disputa com as empresas e a "insegurança
jurídica" do país também é apontada
por analistas como entrave ao investimento estrangeiro. A Bolsa de Buenos
Aires fechou ontem em baixa de 0,59%, mas operadores não relacionavam
o resultado à decisão.
Consertar o que considera "erros"
do amplo processo de privatização da era Carlos Menem
(1989-1999) é uma das bandeiras políticas de Kirchner.
Por isso e por causa da perspectiva de alta da inflação,
consultoras privadas descartam reajustes nas tarifas neste ano. Antes
da decisão de ontem, o último round entre Aguas Argentinas
e Kirchner havia sido em fevereiro. Em discurso, o presidente reclamou
da empresa e chamou de "flagelo" as falhas no serviço.
A empresa respondeu cobrando subsídios e reajustes.
Diferentemente de outras concessionárias
como a Telefônica e a Telecom, que fecharam acordos recentes com
a Casa Rosada, a Suez se recusava a tirar a ação no tribunal
de arbítrio do Banco Mundial onde cobra do governo argentino
o ressarcimento do US$ 1,7 bilhão investidos no país.
Aguas Argentinas era responsável, até ontem, pelo abastecimento
e serviços de esgoto de 12 milhões de pessoas de Buenos
Aires e região metropolitana (cerca de um terço da população
do país). O governo anunciou investimento de cerca de US$ 135
milhões entre 2006 e 2007 na nova estatal, e a notícia
foi comemorada pelo sindicato de funcionários .
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Folha de São Paulo,
22 de março de 2006
ORÇAMENTO
Comparação de despesa per capita é feita com 2
últimos anos de FHC
Sob Lula, gasto social cai e assistencial
sobe, diz estudo
MARCELO BILLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O gasto social per capita caiu nos três
primeiros anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
em comparação com os últimos anos do governo de
Fernando Henrique Cardoso. O gasto médio per capita entre 2003
e 2005 foi de R$ 1.492, contra R$ 1.534 nos dois últimos anos
de mandato de FHC. Os cálculos sobre gasto social foram apresentados
ontem pelo economista Marcio Pochmann, ex-secretário do Desenvolvimento,
Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de São Paulo na gestão
Marta Suplicy (2001-2004), hoje pesquisador do Instituto de Economia
da Unicamp.
Pochmann usou o indicador per capita
por considerar que ele é "a medida mais fina" para
apurar o comportamento dos gastos sociais, já que, na prática,
ele está tentando medir os gastos com atendimento de saúde,
educação, assistência social, que, teoricamente,
deveriam crescer com uma população relativamente maior.
Os valores foram atualizados pelo IGP-DI, índice de preços
da Fundação Getúlio Vargas.
O pesquisador só obteve dados
que permitem comparações interanuais a partir de 2001,
por isso ele compara apenas os dois últimos anos de FHC com os
três primeiros de Lula. A queda na gestão de Lula é
quase totalmente explicada pelo aperto econômico de 2003, quando
o gasto social por habitante caiu de R$ 1.546 em 2002 para R$ 1.414,
queda de cerca de 9%.
"Na verdade há uma certa
estabilidade do gasto social. O ano de 2003 foi exceção",
diz Pochmann. Após a queda de 2003, o gasto voltou a subir em
2004 (7,7%) e em 2005 (1,1%), mas não atingiu o pico de 2002,
quando o gasto social por habitante foi, nas estimativas de Pochmann,
de R$ 1.546,02. Assim, em todo o período analisado pelo economista
da Unicamp há um comportamento bem homogêneo dos gastos
caso seja realmente excetuado o ano de 2003.
Assistência social
A única grande diferença
marcante na gestão Lula são os gastos com assistência
social, rubrica onde estão incluídos os gastos dos programas
assistenciais e de transferência de renda, como o Bolsa Família.
Nesse caso, há aumento significativo. Nos três anos do
governo Lula, os gastos com assistência social subiram, em média,
11,11% em relação aos dois últimos anos de FHC.
Uma comparação com outros
gastos do Orçamento mostra que o crescente esforço do
governo para atingir superávits fiscais cada vez maiores, pelo
menos no caso do superávit primário, que não considera
o pagamento de juros da dívida pública, não comprometeu
significativamente os gastos sociais. O preço do aperto, sempre
na comparação segundo a metodologia de Pochmann, que considera
o gasto por habitante, recaiu mais fortemente sobre o investimento do
governo.
Investimentos
Enquanto entre 2001 e 2002 os gastos
de investimento do governo federal eram de R$ 115,45 por habitante,
entre 2003 e 2005 eles caíram, em média, para R$ 63,98,
redução de consideráveis 39,7%. O gasto por habitante
com encargos da dívida pública também caiu -era
de R$ 1.012,50 no primeiro período e ficou em R$ 880,97 no segundo,
queda de aproximadamente 13%.
Não são poucos os economistas
que apontam para a taxa crescente dos gastos sociais como um problema
a ser enfrentado pelo Brasil. Na prática, todos apontam para
a Previdência Social. Mais de dois terços do gasto social
per capita brasileiro são consumidos pela Previdência Social.
A Previdência gastou, no ano passado,
R$ 1.033 do total de R$ 1.539 por habitante despendido pelo governo
federal. Um ajuste fiscal mais rigoroso, diz parte dos economistas,
só seria sustentável, na pior das hipóteses, com
estancamento do déficit da Previdência, na melhor, com
sua redução. Em ambos os casos, seria necessário,
dizem os analistas, reformar o sistema previdenciário.
"Os conservadores dizem que
o espaço para fazer mais superávit primário são
os gastos sociais. É claro que parte dele poderia ser reorganizado
ou feito de maneira mais eficaz, mas a discussão é ideologicamente
enviesada. O gasto social pode não ser feito de maneira perfeita,
mas o financiamento da dívida é?", diz Pochmann,
referindo-se aos mais de 8% do PIB que o Brasil gasta com pagamento
de juros anualmente.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22
de março de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006
Procurador-geral envia parecer ao STF
a favor da verticalização
São Paulo (Folhapress) – O procurador-geral da República,
Antônio Fernando Souza, enviou ao STF parecer a favor da Ação
Direta de Inconstitucionalidade (Adin) que questiona a Emenda Constitucional
n.º 52/06. A emenda, aprovada este ano pelo Congresso, acaba com
a chamada verticalização, que obriga que os partidos sigam
nos estados as mesmas alianças feitas para a eleição
presidencial, e entra em vigor imediatamente. Proposta pela OAB, a Adin
sustenta que a medida viola a Constituição, que determina
que as mudanças no processo eleitoral não podem ser aplicadas
às eleições que ocorram até um ano da data
da vigência da nova lei.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 22
de março de 2006 | Brasil
GOVERNO
Mínimo será corrigido por
MP, afirma Marinho
Brasília (AE) – O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, anunciou
que o governo editará uma medida provisória entre os dias
29 e 30 de março para garantir o aumento do salário mínimo
a partir de 1.º de abril, caso o Congresso Nacional não
aprove até aquela data o projeto de lei que reajusta de R$ 300
para R$ 350 o valor do mínimo.
Marinho reconheceu que é muito
difícil que o Congresso consiga aprovar o projeto até
a próxima semana. “Teremos de editar uma medida provisória
mas, evidentemente, que isso é um constrangimento político
para o Congresso”, disse o ministro.
Diante das críticas de integrantes
do governo, o plenário aprovou ontem a urgência para a
votação do projeto que reajusta o mínimo.
A decisão da Câmara
ocorreu após mobilização de integrantes da Comissão
Especial Mista do Salário Mínimo, que se reuniram com
o presidente da Câmara, Aldo Rebelo. Durante o encontro, Aldo
Rebelo defendeu a urgência e lembrou que na semana passada já
havia lembrado aos líderes partidários a necessidade desse
regime de tramitação, em razão da proximidade do
mês de abril.
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AGÊNCIA RADIOBRÁS,
22 de março de 2006
Teto do judiciário nos estados
será de R$ 22,1 mil a partir de junho
Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A partir de junho,
desembargadores, juizes e servidores da Justiça Estadual não
poderão ter salário maior que R$ 22,1 mil. Para a Justiça
Federal, o limite será R$ 24,5 mil – remuneração
dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O teto salarial foi
definido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) hoje (21). De
acordo com a Constituição Federal (CF), nenhum servidor
público pode ganhar mais que um ministro do STF.
As novas regras foram fixadas em duas
resoluções. Uma delas aplica-se à União
e aos estados que pagam seus funcionários pelo regime de subsídio
– parcela única onde estão incluídas gratificações,
abonos, representações e outros adicionais.
Nestes casos, o conselho decidiu que
além da parcela única poderão ser pagos, em separado,
cinco tipos de benefícios: remuneração de professor
já que a constituição federal permite que juízes
dêem aula; gratificação pelo exercício da
Justiça Eleitoral, também autorizado pela CF uma vez que
a justiça eleitoral não tem quadro próprio de juizes;
benefícios previdenciários; verbas indenizatórias,
como ajuda de custo para mudança no caso de transferência;
e exercício cumulativo de funções, no caso de férias
de juiz de outra comarca, por exemplo.
Apenas nesta última hipótese
é preciso respeitar o teto salarial. Nas demais hipóteses,
a soma do salário como benefícios pode ultrapassar os
limites de R$ 22,1 mil (na Justiça Estadual) e R$ 24,5 mil (na
Justiça Federal). O secretário-geral do CNJ, Flávio
Dino, destaca que, apesar de autorizar estas exceções,
a resolução termina com outras 37 parcelas que hoje são
somadas ao salário. "Havia 42 parcelas e estamos reduzindo
para 5. O que mais pesava era o adicional por tempo de serviço,
que foi extinto e agora está incluído no subsídio",
explica.
Em uma segunda resolução,
o CNJ estabeleceu que mesmo os estados que ainda não utilizam
o regime de subsídios terão que respeitar o teto salarial
de R$ 22,1 mil, equivalente a 90,25% da remuneração de
um ministro do Supremo. O limite vale para a soma do salário-base
com todos os benefícios e gratificações.
Flávio Dino esclarece que as decisões
não são retroativas e ninguém terá que devolver
salário já recebido, mas todos deverão estar enquadrados
nas novas regras na folha de pagamento de junho.
O Conselho Nacional de Justiça
é um órgão do Poder Judiciário, com atuação
em todo território nacional, instituído por emenda constitucional
em 2004 e instalado em junho de 2005. É composto por 15 membros
e presidido pelo ministro indicado pelo Supremo Tribunal Federal, atualmente,
o presidente do STF, Ministro Nelson Jobim. Entre outras atribuições,
cabe ao CNJ controlar a atuação administrativa e financeira
do Poder Judiciário e fazer cumprir os deveres funcionais dos
magistrados.
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AGÊNCIA RADIOBRÁS,
22 de março de 2006
Começa em São Paulo campanha
para alertar sobre mortes de jovens pobres e negros no país
Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – Entidades ligadas
ao movimento negro e de direitos humanos lançaram hoje (21) a
campanha Não Matem os Nossos Jovens: Eu Quero Crescer. A campanha
é uma extensão do movimento iniciado em 1991, que usou
como base dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), para alertar a população sobre o número
de jovens pobres e negros mortos no país.
A campanha, organizada pela Coordenação
Nacional de Entidades Negras (Conen), foi retomada para mostrar à
população que o extermínio da população
jovem negra não diminuiu e sim aumentou. O Conen pretende ainda
pressionar os governos estaduais a elaborarem e desenvolverem políticas
públicas voltadas para essa população.
Segundo um dos coordenadores do Conen,
Julião Vieira, dados do Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (PNUD) mostram que a cada ano morrem, pelo menos,
30 mil jovens no Brasil. "A faixa etária é de 14
a 25 anos de idade e a grande maioria é de pobres, negros, moradores
das periferias dos grandes centros urbanos de São Paulo, Rio
de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e alguns estados da
região Norte".
Vieira disse ainda que, com a campanha,
o Conen pretende mostrar à população que, para
construir uma nação igualitária, justa e democrática
é preciso manter a juventude viva.
Ele explicou que na avaliação
do Conen o governo estadual de São Paulo – onde se inicia
a campanha a ser ampliada para todo o país – não
tem cumprido com seu papel na recuperação e formação
dos jovens que vivem nas periferias. "Não há nenhum
programa ou projeto voltado para essa juventude. Muito pelo contrário.
Não há ações para resolver o problema do
extermínio, do desemprego da juventude".
Para reverter o quadro o Conen acredita
que é preciso atenção principalmente à questão
do trabalho, enfatizou Vieira. "Existe um número grande
de jovens que se formam nas universidades e ensino técnico, mas
não conseguem entrar no mercado de trabalho". A campanha
fará ainda um movimento para ampliar e garantir a implementação
de cotas para negros nas universidades públicas e privadas.
A campanha continuará em
Salvador, onde será realizado um seminário nacional, previsto
para maio, no qual os estados receberão informações
sobre a necessidade de as entidades voltadas ao movimento negro realizarem
ações públicas e reuniões com os secretários
estaduais de segurança pública, educação
e trabalho onde houver. "Isso para retomar essa discussão
de alguns projetos que existem na esfera federal, mas que por alguma
dificuldade não são implementadas pelos governos estaduais".
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FOLHA DE SÃO PAULO, 22 de março
de 2006
Despesa crescente no setor desde 95 reduz
desemprego
O Brasil teria 2,2 milhões de desempregados a mais no ano de
2004 caso o país não tivesse, no período que separa
aquele ano de 1995, elevado os gastos sociais em 34%. Entre 2003 e 2004,
quase 34% das novos empregos urbanos criados no país estavam
diretamente pelo gasto social.
As estimativas também são do economista Marcio Pochmann,
que estimou, além da evolução dos gastos públicos
nos últimos anos, o impacto deles para o emprego e a distribuição
de renda no Brasil. "Neste caso, medimos apenas o impacto direto
no emprego", diz o economista, lembrando que a pesquisa não
faz menção aos efeitos indiretos que o gasto, por exemplo,
na construção de um hospital público, tem no emprego
de outros setores.
Entre 1995 e 2004, foram criadas 13 milhões de novas vagas no
mercado de trabalho brasileiro. No período, o gasto social cresceu
34%. Sem este crescimento, estima Pochmann, a taxa de desemprego teria
chegado, em 2004, a 11,4%, contra os 9% efetivamente registrados pela
Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística).
Também entre os anos de 1995 e 2004, diz Pochmann, diminuiu a
concentração de renda no Brasil. O índice de Gini
(índice que varia de 0 a 1 e, quanto maior, revela maior desigualdade)
para o Brasil caiu de 0,585 para 0,547, redução de 6,5%.
No período em que o índice caiu, o rendimento médio
dos trabalhadores brasileiros perdeu poder de compra, registrando queda
de 18,8%. Já o salário mínimo ganhou poder de compra,
tendo subido 29,8% em termos reais.
"Se a remuneração mínima sobe, e o rendimento
médio cai, há queda na desigualdade. A alta dos gastos
sociais também ajuda a reduzi-la", lembra Pochmann. O economista
estima que 87% da queda do índice de Gini são explicados
pela alta do gasto social e do salário mínimo.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 22 de março de 2006 | Economia
Queda do desemprego das mulheres é
mais lenta
Entre 2004 e 2005, a taxa de desemprego total
das mulheres diminuiu de 21,5% para 19,7%, enquanto o decréscimo
entre os homens foi de 16,3% para 14,4%
Flávio Leonel
São Paulo - A redução
no desemprego entre as mulheres foi mais lenta que a dos homens em 2005
na Região Metropolitana de São Paulo, o que resultou no
aumento da diferença entre as taxas destes grupos, segundo pesquisa
divulgada nesta terça-feira pela Fundação Seade,
com apoio do Conselho Estadual da Condição Feminina.
De acordo com o estudo, entre 2004 e
o ano passado, a taxa de desemprego total das mulheres diminuiu de 21,5%
para 19,7% da População Economicamente Ativa (PEA) e atingiu
o menor nível desde 1998, mas o decréscimo foi menos intenso
que o verificado entre os homens, cuja taxa passou de 16,3% para 14,4%.
Com esse movimento, as mulheres, que
representavam 52,9% do total de desempregados da região em 2004,
passaram a corresponder a 54,0% em 2005, mantendo-se como maioria, em
relação aos homens, desde 2000. Já a taxa de participação
feminina na região - proporção de mulheres com
dez anos de idade ou mais na situação de ocupadas ou desempregadas
- permaneceu estável entre 2004 e 2005 em 55,5%.
O levantamento destacou que, embora no
maior patamar desde o início da pesquisa (em 1985), é
a primeira vez, nos últimos dez anos, que essa taxa não
apresentou crescimento. Entre os homens, a taxa de participação
manteve trajetória declinante, ao passar de 73,0%, em 2004, para
72,4%, em 2005.
Na avaliação da Fundação
Seade, como em 2004, a redução da taxa de desemprego total
das mulheres resultou basicamente do crescimento do nível ocupacional.
No ano passado, o estudo constatou alta
de 4,2% neste indicador, o que manteve a trajetória de crescimento
pelo sétimo ano consecutivo e repetiu o bom desempenho de 2004
(4,1%). "Como a proporção feminina no mercado de
trabalho permaneceu estável e seu nível de ocupação
ampliou-se, o decréscimo do desemprego indica que parcela das
desempregadas conseguiu ocupar-se", observaram os técnicos
da fundação.
Rendimento
Em contraste com o bom desempenho do
nível de ocupação feminina, em 2005, o estudo da
Fundação Seade constatou que o rendimento médio
por hora das mulheres ocupadas diminuiu 2,1%, enquanto o dos homens
aumentou ligeiramente (0,7%).Com isso, o valor recebido pelas mulheres
(R$ 4,87) passou a corresponder a 75,6% do recebido pelos homens (R$
6,44).
Por posição na ocupação,
o rendimento médio real por hora diminuiu entre as assalariadas
(1,3%) e as empregadoras (11,1%), mas elevou-se entre as trabalhadoras
autônomas (2,8%) e domésticas (3,2%). Entre os homens,
o aumento do rendimento horário médio foi praticamente
generalizado, mas com intensidades diferenciadas.
A menor diferença entre
os rendimentos feminino e masculino foi encontrada em Serviços,
setor em que a remuneração das mulheres equivalia a 98,4%
da dos homens, em 2004, passando para 92,1%, em 2005. Em compensação,
na Indústria permanece a maior desigualdade, uma vez que as mulheres
tinham apenas 61,8% do rendimento masculino, em 2004, passando pra 61,2%,
em 2005.
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Revista Consultor Jurídico,
22 de março de 2006
Direitos trabalhistas
Qual deve ser a periodicidade da participação
nos lucros?
Por Sylvia Romano
Há três anos, temos reiterado
posições jurídicas que, ao que parece, vêm
se firmando nos tribunais. À época, foi dito que os acordos
coletivos e convenções coletivas poderiam sobrepor-se
ao texto de Lei Federal desde que não ofendessem normas relativas
à higiene, medicina, segurança do trabalho e/ou a própria
Constituição.
Ora, porém, a própria Constituição
dizia que o pagamento da participação nos lucros deveria
efetuar-se. Mas, concomitantemente, previa em seu inciso XVI, do artigo
7º, o “reconhecimento dos acordos coletivos e convenções
coletivas”.
Assim foi que, posteriormente, a Lei
Federal, que regulamentou a PLR — Participação nos
Lucros e Resultados, exigiu a semestralidade, mas hierarquicamente colocar-se-á
sempre abaixo do item XVI do artigo 7º.
Assim é que, se a empresa possui
um acordo coletivo que preconiza o pagamento da PLR mensalmente e se
a Constituição Federal ordena primordialmente o reconhecimento
dos acordos coletivos e estes houverem por bem flexibilizar a norma
federal que exigiu a semestralidade, tornando-a mensal, há de
ser a PLR, mensal e válida com sua parcela revestida de jurisdicidade
e intitulada PLR sem tributação, sem que se forme salário
e sem que haja reflexo da mesma nas verbas de 13º salário,
férias, DSR ou verbas rescisórias.
Nesse sentido, o Acórdão
200.506.93764 do TRT da 2ª Região (São Paulo), em
que são partes Antonio Batista Camilo e Volkswagen do Brasil:
"Emenda — Participação
nos Lucros. A participação nos lucros e resultados, por
expressa disposição constitucional, é desvinculada
da remuneração (CF, 7º, XI). O seu pagamento na proporção
de 1/12 não confere à parcela natureza salarial. A periodicidade
semestral mínima (Lei nº 10.101/00, artigo 3º, parágrafo
2º) foi flexibilizada com a chancela sindical, cujo reconhecimento
obriga a Constituição Federal (art. 7º, XXVI). Indevidas
as integrações".
Bem como o processo oriundo da 9ª
Vara de Trabalho de Campinas, Processo 15.66/04, em que são partes
Daniel Antonio Palermo e Motorola Industrial Ltda:
"... o enquadramento dos empregados
a esses padrões salariais garantirá a cada um deles, a
concessão, pela empresa, de uma cota utilidades segundo a situação
própria de trabalho a que estiver submetido cada empregado, sendo
certo que esta cota de utilidades não será considerado
salário conforme fundamentação legal referida na
cláusula primeira deste, e terá por base as condições
e os limites estabelecidos em a CLÁUSULA QUARTA seguinte”.
A denominada cota de utilidade são
aquelas elencadas no parágrafo 2º do artigo 458 da CLT,
reforçando a vontade das partes pactuantes em considerar tais
parcelas como de natureza indenizatória.
Ora, os documentos coletivos legalizam
e legitimam o quanto pactuado pelas entidades envolvidas, pois a partir
do advento da Carta Política de 1988, se entendeu ter havido
o incremento da autonomia da vontade coletiva expressada por meio de
seus representantes sindicais, pois tratam de especificidades da categoria,
saindo da generalidade da lei, de acordo com as negociações
empreendidas.
Ademais, pela adoção da
teoria do conglobamento, de um documento coletivo pode constar uma cláusula
aparentemente in pejus, decorrente certamente da transação
efetuada pelas partes e que foi aceita em concessão ao deferimento
de outras cláusulas in mellius, ou mesmo porque o documento como
um todo representa benefício à categoria, nada obstante
um ou outro ponto possa se apresentar como prejuízo.
Deste modo, com razão a reclamada,
pois efetivamente não há que se cogitar de salário
pago por fora do holerite como noticiou a exordial, razão pela
qual ficam rejeitados os pedidos de integração das utilidades
nas demais parcelas do contrato e do distrato e alteração
do salário na CTPS.
Ao acompanhar a modernidade, o
Poder Judiciário andou bem. Porém, aconselho muita prudência
na tomada dessa decisão, pois tímidos são os primeiros
passos, embora robustos e revestidos de legalidade irrefutável.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
22 de março de 2006
Empresa liquidada judicialmente pode sofrer
processos trabalhistas
A 8ª Turma do TRT-SP (Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região) negou, por unanimidade, recurso
da Unimed, empresa operadora de planos de saúde, contra decisão
que favoreceu uma ex-empregada.
Segundo a assessoria do TRT-SP, a ex-funcionária
ganhou uma ação monitória na 4ª Vara do Trabalho
de Santos, cobrando as verbas e indenizações trabalhistas
assumidas, mas não quitadas, no Termo de Rescisão de Contrato
do Trabalho.
Em sua defesa, a Unimed alegou que, na
época, estava sob regime de liquidação extrajudicial,
decretado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar),
em 2003.
Segundo a operadora, o artigo 24-D da
Lei 9.656/98 e o artigo 18 da Lei 6.024/74 suspendem as "ações
e execuções iniciadas sobre direitos e interesses relativos
ao acervo da entidade liquidanda, não podendo ser intentadas
quaisquer outras, enquanto durar a liquidação".
No entanto, o juiz Rovirso Aparecido
Boldo, relator do recurso no tribunal alegou que o artigo 83 da Nova
Lei de Falências (Lei 11.101/2005) situa o crédito trabalhista
no topo da ordem de preferência dos créditos na falência.
"Se há previsão
legal para que os credores menos privilegiados prossigam na ação,
com muito mais razão estender-se-á tal garantia aos titulares
de direito creditício oriundos da legislação do
trabalho", observou o juiz.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/03/2006
Denunciação da lide na JT deve
observar interesse do trabalhador
A adaptação, pelo Tribunal Superior do Trabalho, de sua
jurisprudência à ampliação das atribuições
da Justiça do Trabalho promovida pela reforma do Judiciário,
levou à revogação da orientação jurisprudencial
que apontava a incompatibilidade da denunciação da lide
com o processo trabalhista. O mecanismo, previsto na legislação
civil, permite a uma das partes (denunciante) trazer para a disputa
judicial um terceiro com quem mantenha relação jurídica.
Mas o fato de o TST ter revogado a OJ nº 277 da SDI-1 não
significa que haverá a adoção indiscriminada do
mecanismo daqui por diante.
Em processo julgado pela Segunda Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, sob a relatoria do ministro Horácio
Pires, os ministros deixaram claro que a utilização do
mecanismo na Justiça do Trabalho deve ter sua pertinência
analisada, caso a caso, tendo sempre em vista os interesses do trabalhador.
Entre esses interesses, está o rápido desfecho da causa,
já que o acolhimento da denunciação da lide poderá
retardar o fim da demanda em função da natureza jurídica
do denunciado e da forma de execução.
“Com o advento da Emenda Constitucional
nº45, de 2004, é possível, a princípio, o
instituto da denunciação da lide no processo trabalhista.
Todavia, doutrina e jurisprudência mostram cautela ao admiti-la,
já que, para tanto, devem ser considerados os interesses do trabalhador,
notadamente no rápido desfecho da causa, haja vista a natureza
alimentar do crédito trabalhista, bem como a própria competência
da Justiça do Trabalho para apreciar a controvérsia que
surgirá entre o denunciante e o denunciado”, afirmou o
ministro Horácio Pires.
O recurso julgado pela Segunda Turma
do TST envolve a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab),
a Prefeitura Municipal de Londrina (PR) e uma funcionária celetista.
Desde a primeira instância, a Cohab insistiu na denunciação
da lide, para que a Prefeitura Municipal compusesse o pólo passivo
da ação trabalhista, já que nos oito anos anteriores
ao ajuizamento da ação trabalhista, a servidora trabalhou
na Prefeitura Municipal, não desenvolvendo qualquer atividade
para a COHAB, onde ingressou por concurso.
O pedido foi rejeitado em primeiro grau
e a sentença foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho do
Paraná (9ª Região). Segundo o acórdão
do TRT/PR, a figura da denunciação da lide é inaplicável
ao processo trabalhista pois a intervenção de terceiros
implica uma relação processual paralela, que extrapola
os limites de relação de trabalho. A decisão é
anterior à vigência da EC nº 45/2004. No recurso ao
TST, a defesa da COHAB sustentou que sua condenação ao
pagamento de horas extras à funcionária foi injusta, e
que a Prefeitura Municipal de Londrina deveria responder pela condenação.
O ministro relator rejeitou o recurso.
Segundo Horácio Pires, embora a EC nº 45/2004 tenha ampliado
competência da Justiça do Trabalho, de modo a alcançar
não somente a relação de emprego mas também
a relação de trabalho em sentido amplo, a viabilidade
da denunciação da lide deve ser analisada caso a caso.
“No caso vertente, como ponderou o ministro Simpliciano Fernandes,
a denunciação da lide vai condicionar o recebimento do
crédito trabalhista à outra relação. Se
a Prefeitura Municipal integrar a lide, a execução não
será mais direta como seria com a COHAB, mas sim por meio de
precatório, retardando o recebimento do crédito”,
disse o relator.
O ministro Horácio Pires
acrescentou que, no caso em questão, a rejeição
da denunciação da lide não implicará em
“prejuízo incontestável” para a COHAB. Quando
o mecanismo é aceito, o denunciante pode exercer o direito nos
próprios autos. Quando a denunciação é rejeitada,
o denunciante deve procurar ressarcir-se dos prejuízos em ação
própria (é a chamada “ação de regresso”).
(RR 1.944/2001-018-09-40.7)
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22/03/2006
Veja os prazos de prescrição
para diferença na multa de 40%
O início do prazo de prescrição para o trabalhador
demitido sem justa causa pleitear na Justiça do Trabalho a diferença
da multa de 40% do FGTS, decorrente da correção dos expurgos
dos Planos Verão (1989) e Collor I (abril de 1990) no saldo geral
do Fundo, pode variar de acordo com a data da demissão e a situação
de cada trabalhador. Em diversos julgamentos, os ministros do Tribunal
Superior do Trabalho estão consolidando a jurisprudência
quanto ao início do prazo prescricional para o ajuizamento dessas
ações.
Em novembro de 2005, o Pleno do TST alterou
a redação da Orientação Jurisprudencial
nº 344, que define como marco inicial do prazo para ajuizamento
de reclamação trabalhista para a diferença da multa
de 40% do FGTS a data do trânsito em julgado da ação
na Justiça Federal. Para os demais trabalhadores, que não
recorreram à Justiça Federal, o marco inicial é
a vigência da Lei Complementar 110, salvo os que foram demitidos
após a edição da Lei.
Segundo a nova redação
da OJ 344, “o termo inicial do prazo prescricional para o empregado
pleitear em juízo diferenças da multa do FGTS, decorrentes
dos expurgos inflacionários, deu-se com a vigência da Lei
Complementar nº 110, de 30.06.01, salvo comprovado trânsito
em julgado de ação anteriormente proposta na Justiça
Federal que reconheça direito à atualização
do saldo da conta vinculada.”
A Lei Complementar 110 reconheceu o direito
à atualização do saldo das contas vinculadas do
FGTS. Depois que o Supremo Tribunal Federal reconheceu o direito adquirido
dos trabalhadores à correção do saldo do Fundo,
o governo editou a Lei regulamentando o pagamento dos expurgos inflacionários,
condicionou o pagamento à desistência das ações
na Justiça Federal e exigiu a assinatura de termo de adesão.
Os trabalhadores que optaram pelo acordo aceitaram deságio no
valor da correção e parcelamento no pagamento.
Com o reconhecimento do direito pelo
STF, muitos trabalhadores que foram posteriormente demitidos decidiram
reivindicar, na Justiça do Trabalho, a diferença na multa
de 40% do FGTS que é devida ao trabalhador demitido sem justa
causa.
Para os trabalhadores que ajuizaram ações
na Justiça Federal para pedir a correção do saldo
devedor do FGTS dos expurgos inflacionários dos planos econômicos,
o prazo de prescrição (dois anos, conforme a Constituição)
começa a contar a partir do trânsito em julgado da decisão,
independente de ter ocorrido antes ou depois da Lei Complementar 110.
Este entendimento do TST foi durante o julgamento de embargos em recurso
de revista (ERR 844/2004).
Em 6 março último, a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do TST julgou
que, se o rompimento do contrato de trabalho (sem justa causa) ocorreu
após a edição da Lei Complementar 110, o prazo
para o trabalhador ajuizar a ação trabalhista para cobrar
a diferença na multa começa a contar a partir da rescisão
contratual e não da entrada em vigor da norma legal.
As ações para pedir
a diferença na multa de 40% do FGTS são de competência
da Justiça do Trabalho porque cabe ao empregador o pagamento
da multa ao trabalhador. As ações ajuizadas para pedir
a correção no saldo do FGTS tramitaram na Justiça
Federal porque o gestor do Fundo é a Caixa Econômica Federal
(CEF).
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