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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 23 de março de 2006 | Panorama
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AQUIDAUANA NEWS / MS, 23
de março de 2006
Construção Civil: preparação
para achatamento salarial
O salário na construção
civil que já chegou a 2.2 salário mínimo, vem caindo,
desde 1995, e hoje é de apenas 1.6 salário mínimo.
Os trabalhadores na indústria da construção civil
de Campo Grande estão preparando uma manifestação
pública pelas principais vias da Capital em protesto à
política econômica do governo, responsável pelo
achatamento de seus salários.
Até 1995, segundo o sindicato
da categoria, eles (pedreiros e carpinteiros) ganhavam em média
2.2 salários mínimos, que equivaleriam hoje (com o salário
a R$ 300,00) a R$ 660,00 e devido à política diferenciada
do governo para o reajuste do mínimo e o índice de inflação,
que serve de parâmetro para as demais negociações
salariais, o vencimento dos trabalhadores na construção
civil caiu para 1.6, que equivale a R$ 486,00.
Revoltado com esse quadro, que tem sido
motivo de muita reclamação na classe, a diretoria do Sindicato
dos Trabalhadores na Indústria da Construção e
do Mobiliário de Campo Grande - Sintracom reuniu-se e decidiu
ir para as ruas para mostrar para a opinião pública o
problema que tem prejudicado milhares de famílias não
só de Campo Grande, mas de Dourados, Três Lagoas, Corumbá
e dezenas de outras cidades onde vigoram pisos salariais. O presidente
do sindicato, Samuel da Silva Freitas, reuniu-se com os diretores Castelo
Gonçalves Blanco, Carlos Alberto Martins e José Manoel
Vera Jacques. Eles decidiram fazer uma concentração na
área central com serviço de som e distribuição
de panfletos mostrando a indignação do trabalhador com
a política de achatamento salarial do governo.
O movimento já tem o apoio
da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria
que também participará dessa atividade em Mato Grosso
do Sul. Samuel da Silva Freitas disse que a CNTI já constatou
o mesmo problema em todo o País e esse achatamento atinge também
os aposentados que estão tendo seus vencimentos reduzidos a cada
ano.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 23 de março de 2006 | Economia
CEF libera crédito para clientes
de construtoras
Para o comprador dos imóveis valem os
prazos, limites e taxas de financiamento imobiliário em vigor
em todas as linhas ofertadas pela instituição financeira
Stella Fontes
SÃO PAULO - A Caixa Econômica
Federal (CEF) assinou hoje seis cartas de garantia de concessão
de crédito imobiliário, no valor total de R$ 107 milhões,
para clientes de construtoras que atuam na cidade de São Paulo.
Os contratos, firmados por meio da linha Alocação de Recursos,
destinada a empresas da construção civil e lançada
em outubro do ano passado, garantem que CEF financiará a aquisição
dos empreendimentos previstos no acordo, caso seja esse o interesse
do comprador.
"Essa linha garante que o comprador
poderá financiar o imóvel pela Caixa com recursos próprios,
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e da caderneta
de poupança", explicou o superintendente de Negócios
da CEF, Henrique Carlos Parra Parra. "O acordo é firmado
com a construtora, mas o financiamento é contratado pelo comprador
do imóvel", acrescentou.
Conforme Parra, a CEF já colocou
no mercado cerca de R$ 140 milhões em cartas de garantia da modalidade
Alocação de Recursos, incluindo os contratos assinados
nesta quarta, e tem outros R$ 390 milhões em propostas em andamento,
também referentes a empreendimentos localizados na cidade de
São Paulo. Os contratos em análise, segundo o superintendente,
representam a possibilidade de financiamento de 3,2 mil unidades.
"Trata-se de uma modalidade que
foi muito bem aceita pelo mercado, porque garantimos a concessão
de crédito imobiliário ao comprador do imóvel com
os prazos e condições da CEF", disse. Para enquadrar-se
nessa modalidade, o empreendimento deve ter mais de 50% das obras já
concluídas ou participação de investidores que
represente 50% do empreendimento.
Contrato
Para o comprador dos imóveis incluídos
no contrato firmado pela CEF com a construtora, valem os prazos, limites
e taxas das linhas de financiamento imobiliário em vigor em todas
as linhas ofertadas pela instituição financeira. As modalidades
que operam com recursos do FGTS têm limite de financiamento de
100% do valor do imóvel e taxa de juros a partir de 6% ao ano.
Com recursos da caderneta, o limite
de financiamento é de 80% do valor de venda da unidade e taxa
a partir de 9,57% ao ano. Com recursos próprios da CEF, é
possível financiar até 90% do valor do imóvel,
com juros de 12% ao ano. Os limites para valor do imóvel a ser
financiado são de até R$ 100 mil (FGTS) e R$ 350 mil (poupança).
Não há limite nas linhas que operam com recursos próprios
da instituição.
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CFT/PR, 23 de março
de 2006
Entrevista de bargas sobre os trabalhadores
no sistema S
"O acordo construído no Foro Nacional
dos S representa uma conquista importante"
Por Dentro - Qual a importância
da participação dos trabalhadores nos Conselhos do Sistema
"S"?
Bargas - A participação
dos trabalhadores na direção das instituições
do Sistema S representa uma conquista histórica. Sabemos que
o que foi conquistado está longe daquilo que o movimento sindical
reivindica. A defesa de uma gestão tripartite e paritária
sempre fez parte das reivindicações do movimento sindical,
porém o movimento reconhece que o acordo construído no
Foro Nacional dos S representa uma conquista importante. Essa conquista
só foi possível graças ao amadurecimento político
da classe empresarial, que entendeu a importância dos trabalhadores
na gestão dessas instituições. Essa participação,
sem dúvida, contribuirá para o aprimoramento dos serviços
prestados pelo sistema. É importante salientar que esse acordo
representa também a confirmação de que o diálogo
e a negociação são o caminho mais eficaz para a
superação dos conflitos naturais das relações
entre capital e trabalho. Agora, cabe as centrais sindicais fazer por
merecer esta conquista. Para isso, é necessário que as
lideranças sindicais, ao ocuparem esses espaços de representação,
respeitem a história e a cultura dessas instituições
e busquem o conhecimento técnico e político, pois, sem
esses preceitos, os trabalhadores não conseguirão avançar
em direção aos objetivos por eles reivindicados.
Por Dentro - O Ministério
teve participação no processo?
Bargas - Toda a negociação
se deu no Foro dos S, presidido pelo Jair Meneguelli (presidente do
Sesi) , onde participaram os representantes do sistema S, das confederações
patronais, dos trabalhadores e membros do governo. Os acordos ali produzidos,
quando analisados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apresentavam
uma série de inconsistências, principalmente no que se
referia à forma de indicação dos representantes
dos trabalhadores, bem como os critérios para credenciar as entidades
sindicais que farão as indicações. Isso exigiu
alguns dias de negociação entre o MTE e as Confederações
Nacionais do Comércio e a da Indústria (CNC e CNI), que
acabou gerando critérios diferentes entre as entidades ligadas
à indústria, Sesi e Senai , e as do comércio, Sesc
e Senac.
Por Dentro - E como será
feita a indicação? As Centrais indicarão os representantes?
Bargas - Nos Conselhos
Nacionais do Senai e do Sesi terão assento seis titulares e seis
suplentes, indicados pelas confederações de trabalhadores
da indústria e centrais sindicais. Para isso essas entidades
terão que cumprir o seguinte critério de representatividade:
contar com pelo menos 20% de trabalhadores sindicalizados entre o número
total de trabalhadores da indústria em todo o país. Confederações
ou centrais sindicais que não atingirem esse percentual (20%)
poderão se unir para atender ao requisito de representatividade.
A indicação dos representantes dos trabalhadores será
proporcional à representatividade das entidades sindicais.
Nos Conselhos Regionais do Senai e Sesi,
serão um titular e um suplente, ambos indicados pela organização
dos trabalhadores com mais representatividade na região. Nos
Conselhos Nacionais do Sesc e do Senac, terão assento seis titulares
e seis suplentes, indicados pelas centrais sindicais.
No caso dessas duas entidades, os trabalhadores
também participarão do Conselho Fiscal. No caso do Sesc
, será um titular e um suplente e, no caso do Senac, dois titulares
e dois suplentes, ambos indicados pelas centrais sindicais.Já
nos Conselhos Regionais do Sesc e do Senac , serão de dois a
três titulares e igual número de suplentes, dependendo
da quantidade de comerciários inscritos no INSS no respectivo
estado.
As centrais sindicais se credenciarão
para indicar os seus representantes cumprindo os critérios de
representatividade definidos por ato do ministro do Trabalho e Emprego.
Fonte: Osvaldo Bargas, Coordenador do Fórum Nacional do Trabalho.
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CFT/PR, 23 de março
de 2006
Carlos Mota propõe alterações
na legislação trabalhista
Os fiscais do trabalho poderão ter uma ferramenta mais eficaz
para que as multas sejam cumpridas. O deputado Carlos Mota (PSB/MG)
apresentou em plenário o projeto de lei 6759/2006, que estabelece
procedimentos para a inspeção e altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT).
A proposta que será encaminhada
às comissões técnicas da Câmara objetiva
permitir a adesão voluntária dos empregadores em curto
prazo. A cópia do auto de infração deverá
ser encaminhada ao Ministério Público do Trabalho para
cobrança de impostos e contribuições sociais, sem
prejudicar a cobrança da multa. “Hoje os profissionais
trabalham apenas com a lavratura de autos de infração
que redundam na aplicação de multas de nenhum efeito intimidativo,
tudo funcionando como um estímulo para o descumprimento da lei”,
ponderou.
Conforme o parlamentar, o trabalho dos
agentes tem sido prejudicado pela ausência de instrumentos eficazes
que propiciem a adesão voluntária dos maus empregadores
às suas determinações. Ele explica que atualmente
há um grande desperdício em função da total
ausência de conseqüências e mesmo que os empregadores
sejam multados, os empregados precisam ajuizar as reclamações
para resgatar seus direitos.
“Os empregados têm que arcar
com o ônus da prova, sempre de difícil materialização,
o que representa um grave contra-senso”, disse. O deputado também
destacou que a fiscalização convive com pressões
que tornam mais importante a representação de dados estatísticos
do que a garantia dos direitos trabalhistas. Para ele, é urgente
que seja repensado esse papel, com o acréscimo de atribuições
que visem a solução dos litígios trabalhistas em
seu nascedouro. O projeto tem o aval do Sindicato Nacional dos Auditores
Fiscais do Trabalho (Sinait).
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Agência Diap, 23 de
março de 2006
Revisão Constitucional
Presidentes dos partidos divergem sobre
a revisão da Carta a partir de 2007
A Comissão Especial da Revisão Constitucional (PEC 157/03),
que convoca revisão da Carta de 88 a partir de 1º de fevereiro
de 2007, ouviu nesta terça-feira, 21/03, os presidentes de partidos
políticos. Participaram da audiência o presidente nacional
do PCdoB, José Renato Rabelo; o líder do PDT na Câmara,
deputado Miro Teixeira (RJ), representando o presidente do partido,
Carlos Lupi; o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini
(SP); e o deputado Inaldo Leitão (PB), que falou em nome do PL.
PCdoB e PT são contra
Para o presidente do PCdoB, Renato Rabelo,
a revisão constitucional já foi feita em 1993 [período
estabelecido na Constituição], motivo pelo qual seu partido
é tradicionalmente contra a revisão. Ainda segundo Rabelo,
a redução do número de artigos e assuntos abordados
pela atual Constituição, defendida por algumas pessoas,
não é uma questão meramente formal, mas poderá
atingir o conteúdo e o mérito do texto constitucional.
Ele ressaltou que o País não perdeu a governabilidade
nem passa por uma mudança social que justifique a revisão
da Constituição.
Também se posicionou contra a
revisão o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini
(SP). Em sua opinião, o atual processo de emendas à Constituição
deve ser mantido, porque preserva a segurança jurídica
e impede que se crie a imprevisibilidade que uma ampla reforma traria.
PDT e PL são favoráveis
O líder do PDT na Câmara,
deputado Miro Teixeira (RJ), defendeu a realização da
revisão constitucional, desde que restrita aos aspectos da ordem
tributária e do pacto federativo. Em sua opinião, a proposta
da revisão deve definir, com antecedência, o que será
tratado pelos parlamentares. “Se não for assim, não
haverá a confiança da população”,
destacou. De acordo com o parlamentar, a discussão da matéria
objeto da revisão deve ser feita no sistema unicameral, com votação
no sistema bicameral e quorum de 3/5 dos votos.
O deputado Inaldo Leitão (PB),
que falou em nome do PL, apoiou a proposta nos termos propostos pelo
relator, deputado Roberto Magalhães (PFL/PE). Para Inaldo, nestes
18 anos de vigência da Constituição, o mundo passou
por profundas transformações que não estão
expressas no texto constitucional, o que é evidenciado pelo “emendamento
frenético” realizado pelos parlamentares. Em sua opinião,
a Carta é detalhista e contempla temas que deveriam vir na legislação
ordinária.
Novas audiências
Ao terminar a audiência pública,
o deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (PT/SP), que presidiu os trabalhos,
convocou novas reuniões para a próxima terça e
quarta-feira, dias 28 e 29 de março. Na terça serão
ouvidos os presidentes do PSB, deputado Eduardo Campos (PE); do PSDB,
senador Tasso Jereissati (CE); e do PV, José Luiz de França
Penna. Para quarta-feira, foram convidados os presidentes do PPS, deputado
Roberto Freire (PE); do PP, Pedro Corrêa; do PTB, Flávio
Martinez; e do Psol, senadora Heloisa Helena (AL).
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Diário Vermelho,
23 de março de 2006
DENÚNCIA
Querem que trabalhador pague a conta da
gripe do frango
Por Leonardo Severo*
Em concorrida coletiva à imprensa
realizada na tarde desta quarta-feira (22), os presidentes da CUT, João
Antonio Felício, e da Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Alimentação (Contac), defenderam medidas
emergenciais em defesa da saúde, do emprego e dos salários
dos cerca de 800 mil trabalhadores do setor.
“Diante da retração
do mercado externo, ocasionada pelo avanço da gripe aviária,
as indústrias avícolas estão deixando de alojar
pintos e anunciando férias coletivas, com vistas a reduzir a
produção interna e impedir a queda nos preços.
Entre outros exemplos, temos a redução dos abates em Montenegro-RS,
de 415 mil para 200 mil frangos/dia; a demissão de 200 trabalhadores
em março - muitos deles lesionados - e o anúncio de mais
100 até o final de abril em Criciúma-SC. Durante a coletiva,
outros exemplos serão apresentados”, alertou Siderlei,
frisando que tal prática configura locaute.
Setor cresceu, trabalhador perdeu
O anúncio feito recentemente pela
Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de
Frango (Abef), de uma retração de 25% no mercado externo,
aponta para o risco iminente de desemprego em massa no setor, com empresas
já demitindo, anunciando férias individuais e coletivas,
e deixando de alojar aves. “São dados concretos, que sinalizam
para uma brusca interrupção da produção
nos próximos 20 dias”, acrescentou o presidente da Contac.
Destacando o compromisso da CUT com os
trabalhadores do setor, João Felício ressaltou que “se
antes os trabalhadores da indústria avícola vinham pagando
com sua saúde, lesões e invalidez pelo aumento exponencial
da produção sem correspondência com o número
de contratações, agora, o risco é o desemprego.
Crescente, a produção nacional
de carne de frango saltou de 5 milhões e 976 mil toneladas em
2000 para 9 milhões e 348 mil toneladas em 2005, quando alcançou
um recorde histórico, com faturamento de US$ 20 bilhões.
Neste mesmo período, as exportações do produto
(correspondentes a 30% do volume da produção nacional),
aumentaram de US$ 870 milhões para mais de US$ 3,5 bilhões,
totalizando 2.761 mil toneladas. A musculatura desses números
foi anabolizada pela decomposição da saúde dos
trabalhadores do setor, pelo abismo existente entre a magnitude do crescimento
da produção e as contratações.
Retração projetada
é de 25%
Conforme a Abef, o país exportou
em fevereiro 198.887 toneladas do produto, “o que representa uma
queda do 8% em comparação com o mesmo mês do ano
passado e de 7% em relação a janeiro de 2006”. O
faturamento com exportações chegou a US$ 244,2 milhões,
6% a mais que em fevereiro de 2005, mas 13% a menos que em janeiro deste
ano. Diante dos números, os empresários projetam uma retração
imediata de 25% na produção voltada ao mercado externo.
“Para o empresariado a opção
é manter a margem de lucro, reduzindo custos e demitindo. Já
para os trabalhadores os obstáculos erguidos no exterior devem
fortalecer uma ação mais voltada ao mercado interno e
a políticas públicas que estimulem o barateamento do preço
do produto, ampliando o consumo anual dos atuais 35,48 kg por habitante,
muito restritos às regiões mais desenvolvidas do país”,
defendeu João Felicio.
Reivindicações da CUT-Contac
Em documento conjunto, CUT e Contac elencam
as reivindicações que serão encaminhadas ao governo
e ao empresariado, com vistas à defesa do setor:
1) Participação dos trabalhadores
e do Ministério do Trabalho no grupo interministerial sobre a
gripe aviária, contemplando a preocupação com a
saúde, emprego e salário;
2) Garantia de seguro desemprego a todos
os funcionários durante o período da crise, com retorno
ao trabalho com o mesmo salário;
3) Criação de um fundo
emergencial, formado com receitas da exportação, para
alavancar o setor em épocas de crise;
4) Vacinação imediata e disposição de medicamentos
aos trabalhadores do setor avícola, das granjas e das fábricas,
bem como das comunidades limítrofes aos aviários;
5) Aquisição de equipamentos
de proteção anticontaminação, com fiscalização
rigorosa e análise periódica da saúde dos trabalhadores;
6) Formação de equipes
de emergência ou plantão 24 horas com técnicos nas
regiões produtoras, com equipamentos e helicópteros para
transporte imediato dos materiais da amostra;
7) Contratação e credenciamento
de laboratórios (de universidades e particulares) próximos
às regiões produtoras, para o rastreamento da fauna hospedeira/transmissora;
8) Incrementar o consumo da carne de
frango em instituições públicas como as Forças
Armadas, restaurantes universitários e Febems, bem como utilizar
o produto como reforço na merenda escolar;
9) Viabilizar a ampliação
do consumo de frango à população beneficiada por
projetos sociais como o Bolsa Família, incorporando novos consumidores.
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Nova Central, 23 de março
de 2006
Seminário da Nova Central do Rio
de Janeiro
A NCST-RJ debate mudanças na Justiça do Trabalho. O tema
será a pauta do seminário estadual da Nova Central do
Rio de Janeiro, na próxima segunda-feira. Com destaque para a
importância de se reavaliar a importância da representação
classsita.
1º SEMINÁRIO ESTADUAL DA
NCST/RJ
Rio de Janeiro, 27 de março de 2006
13:30h às 17:30h - Entrada franca
Centro Cultural dos Rodoviários
Rua Camerino, 66 - Centro
A IMPORTÂNCIA DA REPRESENTAÇÃO CLASSISTA
A PARTIR DA EMENDA CONSTITUCIONAL 45 QUE AMPLIOU A COMPETÊNCIA
DA JUSTIÇA DO TRABALHO.
PROGRAMAÇÃO
Segunda-feira - 27 de março de 2006
13:30h – Palestrantes: Sebastião
José da Silva – NCST/RJ; José Calixto Ramos
(NCST), Antônio Alves de Almeida (CNTC), Omar José
Gomes (CNTTT), Juracy Martins dos Santos (Fed. Emp. Saúde)
e André Zilberkrein (AJUCLA/RJ);
15:00h –
Debatedores: Luiz Rodrigues (Feticom), Olímpio Coutinho
(Fenavenpro), Fernando Bandeira (Fedvig), Antonio Tristão
(Fittr), Deuzélio Oliveira (FTI Alimentação),
Fernando Cascavel (Fesep) e Cléber Guimarães (Fed.
Comerciários);
16:30h –
Ato de Filiação à NCST
Sindicato dos E.E.S. de Saúde do Rio.
17:30h – Coquetel de encerramento. |
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Folha de São Paulo,
23 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/REGRAS DO JOGO
Tribunal decide que regra não pode ser mudada agora, a menos
de um ano da eleição
Supremo engessa alianças ao manter
verticalização em 2006
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O STF (Supremo Tribunal Federal) confirmou
ontem a validade da regra da verticalização das coligações
partidárias nas eleições deste ano e adiou para
a disputa de 2010 a aplicação da emenda constitucional
que liberou a formação de alianças estaduais, independentemente
das parcerias da eleição presidencial. A decisão
tem prós e contras para PT e PSDB. Favorece uma polarização
na eleição presidencial entre o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e o pré-candidato tucano, Geraldo Alckmin, mas
tornará mais difícil para ambos fazer alianças.
Por 9 votos a 2, foi julgada procedente
uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pela
OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) contra a emenda constitucional.
A definição ocorre a seis meses e uma semana das eleições.
Alguns partidos pressionaram o STF por um rápido julgamento,
porque dependiam dele para articular as suas alianças. Assim,
a ação tramitou em tempo recorde -apenas 13 dias.
Pela regra da verticalização,
os partidos não podem se coligar nos Estados com partidos adversários
na disputa à Presidência da República. Isso significa
que somente as siglas que não participarem da eleição
presidencial terão liberdade para fazer diferentes alianças
nos Estados, conforme as conveniências locais. A verticalização
foi instituída pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nas eleições
de 2002, a partir de uma interpretação da Lei Eleitoral
e da Constituição, sugerida pelo então presidente
daquele tribunal, Nelson Jobim, que hoje preside o STF. No final do
julgamento de ontem, Jobim defendeu a verticalização.
Antes de promulgar a emenda, os partidos
tentaram derrubar a verticalização no TSE. Em 3 de março
último, o tribunal manteve a interpretação adotada
quatro anos antes, ao responder a uma consulta feita pelo PSL. Cinco
dias depois, o Congresso promulgou a emenda constitucional nº 52,
que assegura aos partidos autonomia para definir coligações
"sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas
de âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal". A
OAB propôs a ação no dia seguinte.
Anualidade
O plenário do STF apreciou ontem
exclusivamente a aplicação da emenda a estas eleições.
A maioria dos ministros entendeu que a validade imediata dela violaria
outro princípio constitucional, pelo qual o processo eleitoral
não pode ser alterado a menos de um ano da votação.
Trata-se do artigo 16 da Constituição, que tem o seguinte
teor: "A lei que alterar o processo eleitoral entrará em
vigor na data de sua publicação, não se aplicando
à eleição que ocorra até um ano da data
de sua vigência".
Para a maioria dos ministros, emendas
constitucionais estão enquadradas nessa limitação
temporal. Para eles, a preservação das regras um ano antes
é importante para evitar casuísmos dos grupos políticos
majoritários. "A anualidade visa exatamente a preservar
a segurança do processo eleitoral, afastando qualquer alteração
ao sabor das conveniências do momento", disse Enrique Lewandowski,
na sua estréia em julgamentos no STF.
Interpretações
Os dois ministros que votaram contra
esse entendimento foram Marco Aurélio de Mello e Sepúlveda
Pertence. O primeiro foi contra a verticalização na recente
decisão do TSE. O segundo manifestou-se dessa forma em 2002,
quando o TSE adotou a regra. Marco Aurélio disse que o TSE errou
na interpretação adotada em 2002. Assim, a emenda da verticalização
teria repetido uma norma existente desde 1997, data da edição
da Lei Eleitoral. "Não há que se falar em anterioridade
[anualidade] se a Lei Eleitoral é de 1997", afirmou Marco
Aurélio.
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Folha de São Paulo,
23 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/SÃO PAULO
Prefeito recebe Paulinho, do PDT; Aloysio Nunes conversa com Quércia,
do PMDB, e diz que candidatura tem o apoio do PTB e do PPS
Serra costura alianças para sair
ao governo
DA REPORTAGEM LOCAL
Embora se declare indeciso, o prefeito
de São Paulo, José Serra, já costura uma aliança
para disputar o Palácio dos Bandeirantes. Anteontem, por exemplo,
Serra recebeu o presidente estadual do PDT, Paulo Pereira da Silva,
o Paulinho, e o deputado Geraldo Vinholi (PDT). Programada para tratar
sobre um centro de solidariedade, a conversa desviou para a corrida
ao governo de São Paulo. Amigos do prefeito apostam num anúncio
até o fim de semana, após uma romaria a seu gabinete.
"Serra disse que não tem como escapar. E não tem
muito tempo", disse Paulinho, segundo o qual os dois discutiram
uma eventual aliança, mesmo que apenas no segundo turno, caso
o PDT decida manter a candidatura de Carlos Apolinário.
Animado, o secretário de Governo,
Aloysio Nunes Ferreira, afirmou, na audiência, que a candidatura
Serra contaria com amplo suporte partidário, incluindo PTB e
PPS. Ainda anteontem, Aloysio conversou com o ex-governador e presidente
estadual do PMDB, Orestes Quércia. O secretário acenou
com a possibilidade de Quércia concorrer ao Senado pela chapa
de Serra, caso o prefeito venha mesmo a disputar. Segundo tucanos, Quércia
respondeu que a candidatura Serra não inibiria a hipótese
de se lançar ao governo do Estado, mas reconheceu que ainda não
se decidiu. Tanto o PDT como o PMDB argumentam que é preciso
esperar a acomodação do cenário nacional antes
do desenho das candidaturas no Estado.
A composição com Quércia
não é a que mais agrada ao PFL, que prefere o nome de
Guilherme Afif Domingos para o Senado. Nesse caso, o deputado e presidente
nacional do PMDB, Michel Temer, poderá ser candidato a vice.
Além da articulação de alianças, Serra autorizou
a peregrinação de tucanos a seu gabinete. Segundo o líder
do PSDB na Assembléia, Ricardo Tripoli, ele mesmo marcou para
as 15h de hoje o ato em que 22 deputados estaduais deverão oficializar
o apoio à candidatura. Foi seu chefe-de-gabinete quem programou,
para o início da noite de ontem, a ida de 9 dos 12 vereadores
tucanos a seu gabinete.
Segundo o vereador Juscelino, Serra se
disse contente com o gesto. Questionado pelos vereadores sobre a disposição
de concorrer, reagiu: "Calma, calma. Preciso ouvir mais gente".
Pré-candidato ao Governo, José Aníbal não
estava lá. Na véspera, Tripoli e o líder do governo
na Assembléia, Edson Aparecido, foram destacados para informar
ao vereador a decisão da bancada em favor da candidatura Serra.
"Vou disputar porque é legítimo. O que é isso?
Interdição?", disse ontem.
Dentro do ritual estimulado pelo próprio
Serra, hoje a bancada federal se reúne em Brasília na
casa do deputado Júlio Semeghini, de onde deverá telefonar
para Serra manifestando apoio à candidatura. Os dez deputados
federais também querem ir à prefeitura. Aliados de Serra
fixam como etapa para o anúncio da decisão uma conversa
com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que também
pedirá que o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), concorra ao governo
fluminense. Ontem, 128 dos 208 prefeitos do PSDB estiveram na prefeitura
para entregar um abaixo-assinado apelando para que Serra se candidate
a governador. "Serra governador em nada prejudicaria os destinos
da maior capital do país", diz o documento.
Segundo Alberto Mourão, prefeito
de Praia Grande e coordenador do ato, Serra não se manifestou
sobre a candidatura e disse que iria refletir. O prefeito de Itararé,
João Jorge Fadel, usou carro oficial na visita, o que é
proibido. Sua assessoria alegou que cumpria agenda oficial na cidade.
Ao longo do dia, Serra deu sinais contraditórios. Classificou
a visita dos prefeitos como "gesto de simpatia", "o que
não significa tirar daí conseqüência imediata".
Por falar demais em futebol, foi
questionado por um jornalista se anunciaria a candidatura em caso de
vitória do Palmeiras. "Mais fácil o Palmeiras ganhar",
disse ele. Mas fez questão de frisar que estava de brincadeira.
Outro sinal da intenção de sair seria o cuidado de deixar
a prefeitura organizada para a saída. Segundo tucanos, Serra
tem discutido a substituição dos secretários que
concorrerão à Câmara. Uma das apostas é a
indicação do secretário de Serviços, Andrea
Matarazzo, para a Secretaria de Subprefeituras. A peregrinação
de tucanos não foi a única à prefeitura. Um grupo
de 80 motoboys protestou ontem à tarde em frente ao edifício
contra a exigência de adquirir um kit para poder trafegar. (CATIA
SEABRA E CONRADO CORSALETTE)
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Folha de São Paulo,
23 de março de 2006
BIODIVERSIDADE
Modelo mais detalhado já feito para o futuro da Amazônia
indica que só criar parques não freia destruição
Floresta encolhe 40% em 2050, diz estudo
CLAUDIO ÂNGELO
EDITOR DE CIÊNCIA
Uma cifra assombra a Amazônia.
Um estudo publicado hoje prevê que 40% da floresta pode desaparecer
em 2050 se nada for feito para conter o ciclo de destruição
imposto pelo avanço da fronteira agrícola. Pior, a política
de criação de áreas protegidas adotada hoje pelo
governo não basta para conter a tendência. É preciso
fazer algo muito mais complicado: cumprir a lei.
O número apocalíptico vem de uma simulação
de computador. É a mais detalhada já feita do futuro da
Amazônia, construída ao longo dos últimos anos por
uma equipe do Brasil e dos EUA. O grupo usou uma série de dados
históricos sobre tendências de desmatamento de 1997 a 2002,
e conseguiu prever com precisão como a destruição
evoluiria nos dois anos seguintes.
"Para 2003 e 2004, o desmatamento
caiu em cima da curva do nosso pior cenário", disse à
Folha Britaldo Soares-Filho, do Centro de Sensoriamento Remoto da UFMG
(Universidade Federal de Minas Gerais). Ele é um dos principais
arquitetos do novo modelo computacional, disponível na internet
(www.csr.ufmg.br/simamazonia) e apresentado hoje num artigo científico
na revista "Nature" (www.nature.com).
Partindo da série histórica,
o modelo apresenta dois futuros possíveis para a floresta. No
primeiro, em que tudo fica como está em termos de ação
do governo e do setor produtivo ("business as usual"), a área
da maior floresta tropical do mundo sofre uma redução
drástica, de 5,4 milhões para 3,2 milhões de quilômetros
quadrados em nove países. Nesse cenário catastrófico,
dois terços da cobertura florestal de seis bacias hidrográficas
amazônicas desaparecem. A situação é particularmente
dramática nas florestas secas de Mato Grosso, palco da expansão
recente da soja (perdem 76% da área), e nas florestas de babaçu
do Maranhão (perdem 97%). Quase uma centena de mamíferos
tem seu habitat reduzido em 40%.
As emissões de carbono correspondentes
a tamanha perda de floresta são de deixar qualquer industrial
americano do petróleo esfumaçando de inveja: são
32 bilhões de toneladas do principal responsável pelo
aquecimento global lançadas na atmosfera em 2050. Isso equivale
a quatro anos de emissões mundiais.
Outro mundo é possível
A principal novidade do estudo, no entanto,
é a inclusão do chamado fator "governança"
em um dos cenários do modelo.
Os cientistas ainda debatem o sentido da palavra. Mas segundo o ecólogo
Daniel Nepstad, do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia)
e do Woode Hole Research Center, dos EUA, ela consiste basicamente da
implementação de políticas públicas na Amazônia.
A reserva legal é respeitada pelos produtores, a pavimentação
de novas rodovias é feita segundo critérios de proteção
ambiental e o programa de criação de unidades de conservação
na floresta segue a toda.
"Simplesmente implementando a lei
ambiental atual seria possível evitar 1 milhão de quilômetros
quadrados de desmatamento" em 2050, afirma Nepstad, que juntamente
com Soares-Filho é o autor principal do estudo. Isso considerando
um limite de reserva legal (o quanto se pode desmatar dentro de uma
propriedade) de 50%, mais baixo do que os 80% previstos pela lei. Mas
para a lei ser cumprida, diz o pesquisador, seriam necessárias
pressões de mercado -que Nepstad afirma existirem- por carne
e soja ambientalmente corretas.
Pague para preservar
A economia de carbono no cenário
de governança é de 17 bilhões de toneladas. "Todo
o Protocolo de Kyoto [acordo mundial contra as emissões de gases-estufa]
prevê a redução de 2 bilhões de toneladas",
compara Nepstad. "Cumprir a lei na Amazônia evita 17 bilhões.
É uma oportunidade gigantesca para o Brasil", diz. Tanto
Nepstad quanto Soares-Filho defendem que a comunidade internacional
banque essas emissões evitadas, já que o Brasil estaria
deixando de lucrar domesticamente (ao reduzir a conversão de
floresta em pasto e lavoura) para prestar um serviço ao planeta
(a estabilização do clima).
"A inclusão do conceito
de governança é muito bem-vinda", diz Gilberto Câmara,
diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e especialista
em modelagem ambiental na Amazônia. Ao mesmo tempo em que elogia
o estudo, Câmara afirma ter dúvidas sobre a tal "governança
privada". "Há uma grande disparidade dos atores sociais
na Amazônia. Rondônia tem um perfil, a Terra do Meio tem
outro."
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Folha de São Paulo,
23 de março de 2006
"O LONGO VÔO DA GALINHA"
Estudo da CNI mostra que PIB per capita demora cem anos para dobrar
se mantiver ritmo atual
Brasil cresce menos que mundo desde 1996
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Se mantiver o ritmo de crescimento registrado
nos últimos dez anos, o Brasil demorará cerca de cem anos
para dobrar o PIB (Produto Interno Bruto) per capita, segundo estudo
divulgado ontem pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
O estudo mostra que a economia brasileira cresceu menos do que o resto
no mundo entre 1996 e 2005 e está perdendo "importância
relativa na economia mundial". A CNI atribui o fraco desempenho
do país ao baixo nível de investimento.
Para modificar esse quadro seriam necessárias
"reformas estruturais" e "solução de problemas
como o excesso de burocracia, o rigor da legislação trabalhista,
os altos custos e a falta de acesso ao crédito", segundo
avaliação da instituição. Entre 1996 e 2005,
o Brasil cresceu em média 2,2% ao ano contra média de
3,8% da economia mundial, segundo a CNI. No mesmo período, a
economia brasileira acumulou expansão de 22,4% para um crescimento
de 45,6% na economia mundial. Com o desempenho fraco da economia, houve
empobrecimento da população, conclui o estudo. Nos últimos
dez anos, o PIB per capita do Brasil aumentou, em média, 0,7%
ao ano. A média anual do resto do mundo para esse mesmo indicador
foi de 2,6%.
Nesse ritmo, diz o estudo, o Brasil levaria
cem anos para chegar ao nível de renda de economias como a Coréia
do Sul ou Portugal. Em 2004, o PIB per capita desses dois países
foi, respectivamente, de US$ 20.400 e US$ 19.250, ante US$ 8.020 no
Brasil, US$ 39.710 nos Estados Unidos e US$ 12.460 na Argentina. A projeção
foi feita a partir do PIB per capita calculado pela paridade do poder
de compra. Esse critério procura levar em consideração
as diferenças de preços ou de custo de vida entre os vários
países e o poder de compra das diferentes economias.
Mesmo na comparação com
outros países da América Latina, o fraco crescimento brasileiro
levou a um aumento menor da renda per capita. Na Argentina, o PIB per
capita subiu 2,2%, no México, 2,1%, e, no Chile, 2,8%. Na comparação
com países emergentes, o desempenho do Brasil é ainda
pior nesse indicador: o rendimento médio dos chineses, por exemplo,
aumentou 7,7% ao ano.
Investimento
O nível de investimento no país
é baixo se comparado ao resto do mundo, mas ainda menor se comparado
a outros países emergentes. Segundo a CNI, de 1995 a 2004, o
volume de investimentos no Brasil representou 19,3% do PIB. Em outros
países emergentes, como os da Ásia, a taxa média
foi de 32,6%. Na média mundial, os investimentos representaram
22,1% do PIB.
A falta de investimento levou a um desempenho
mais fraco da economia. Nos últimos dez anos, segundo a CNI,
em apenas duas ocasiões (2000 e 2004), o ritmo de crescimento
do PIB brasileiro aproximou-se do ritmo mundial. Na média anual
desses últimos dez anos, o PIB brasileiro cresceu a um ritmo
que é 1,6 ponto percentual inferior à média mundial.
Em 25 anos, segundo o estudo da CNI, houve três momentos históricos
em que o PIB brasileiro cresceu menos que a média mundial: o
primeiro, de 1981 a 1983; o segundo entre 1987 e 1992 e o último,
que começou em 1996, mantém-se em 2005 "com perspectivas
de continuidade em 2006", segundo a entidade.
No ano passado, a economia do país
cresceu 2,3%. De acordo com a CNI, que cita dados do FMI (Fundo Monetário
Internacional), a economia do resto do mundo registrou um crescimento
de 4,3% no mesmo período. Para este ano, analistas de mercado
ouvidos pelo Banco Central estimam crescimento de 3,5% para o Brasil.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de março de 2006 | Economia
PESQUISA-Brasil levará cem anos para
dobrar PIB per capita, revela estudo da CNI
Renda do brasileiro cresceu abaixo
da média mundial na última década
Brasília (AE) – O Brasil está
perdendo importância na economia mundial e um dos resultados disso
é o empobrecimento da população. Estudo da Confederação
Nacional da Indústria (CNI) revela que, nos últimos dez
anos (entre 1996 e 2005), a renda per capita do Brasil aumentou 0,7%
ao ano, ante a média mundial de 2,6%. “Se o Brasil mantiver
o atual ritmo de crescimento econômico levará um século
para conseguir dobrar a renda per capita e chegar próximo à
atual renda per capita da Coréia do Sul ou de Portugal”,
afirma o estudo. Em 2004, a renda per capita dos brasileiros era de
US$ 8.020, equivalente a cerca de um quinto da dos norte-americanos.
Com o baixo ritmo de expansão
da economia, o PIB per capita do Brasil teve um dos piores desempenhos
do mundo e cresceu menos até que a de outros países da
América Latina na última década. Na Argentina,
que enfrentou uma violenta crise financeira e política entre
2001 e 2002, o PIB per capita aumentou 2,2%. No México, a renda
cresceu 2,1% e, no Chile, 2,8%.
No mesmo período, China e Índia lideraram a expansão
do PIB per capita. O rendimento médio dos chineses aumentou 7,7%
ao ano entre 1996 e 2005. Caso a China mantenha esse ritmo de crescimento,
a renda média da população, que era de US$ 5.530
em 2004, dobrará em nove anos e vai superar a dos brasileiros,
lembra a nota da CNI. “Mantidas as condições de
crescimento da última década, o futuro do Brasil será
ruim”, prevê Paulo Mol, economista da CNI.
Para chegar a essas conclusões,
o estudo da CNI levou em conta o fato de que o país cresceu 2,2%
em média ao ano, durante os últimos dez anos, enquanto
que o restante do mundo teve uma expansão de 3,8%. Novamente
um alerta: entre 1996 e 2005, o Produto Interno Bruto (PIB) do país
aumentou 22,4%. No mesmo período, o mundo cresceu 45,6%. Ou seja,
por dez anos consecutivos, o Brasil cresceu menos que a média
mundial.
O baixo desempenho da economia brasileira
é resultado da falta de investimentos. “O Brasil investe
pouco comparativamente à média mundial, sobretudo em relação
aos países emergentes da Ásia”, diz a nota. De 1995
a 2004, o volume de investimentos representou 19,3% do PIB, taxa inferior
aos 32,6% das economias emergentes da Ásia. Por isso, lembram
os técnicos da CNI, os países asiáticos são
os que mais crescem. Na média mundial, os investimentos equivaliam
a 22,1% do PIB na última década.
Além de aumentar os investimentos,
o Brasil precisa enfrentar outros desafios para retomar o crescimento.
Paulo Mol destaca que a expansão da economia a taxas compatíveis
com a do resto do mundo também depende de avanços nas
reformas estruturais e da solução de problemas como o
excesso de burocracia e o rigor da legislação trabalhista.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de março de 2006 | Brasil
CONGRESSO
Câmara aprova redução
de custo de campanha sem fixar teto
Brasília – A Câmara concluiu a votação
do projeto que reduz custos de campanha sem aprovar os pontos considerados
mais moralizadores. A fixação de um teto de gastos vai
depender da disposição dos próprios parlamentares,
já que foi retirada a prerrogativa da Justiça Eleitoral
de fazê-la no caso de omissão do Congresso.
A transparência na campanha
ficou relativa, com a obrigatoriedade de publicar na internet a cada
mês apenas o relatório de gastos, mas sem o nome dos doadores,
e manteve a permissão para a contratação de cabos
eleitorais. O projeto, que já tinha sido aprovado pelo Senado,
será votado novamente pelos senadores porque foi alterado pelos
deputados. Depois de concluída toda a tramitação,
há ainda a polêmica se ele valerá ou não
para as eleições deste ano. A lei estabelece que as mudanças
nas regras eleitorais precisam ser feitas um ano antes das eleições.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de março de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES
A discussão
O que é
Instituída em 2002 pelo Tribunal
Superior Eleitoral (TSE), a verticalização impede que
as alianças feitas no estados sejam diferentes das coligações
nacionais.
Foi essa a regra que vigorou na eleição
presidencial daquele ano.
Na época, o PT denunciou a medida
como talhada para favorecer o PSDB.
Polêmica em 2006
Em 8 de fevereiro deste ano, a Câmara
dos Deputados aprovou por 329 votos a 142 a Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) que determina o fim da regra de verticalização.
Mas a Constituição determina
que as mudanças no processo eleitoral não podem ser aplicadas
às eleições que ocorram até um ano da data
da vigência da nova lei.
OAB e procurador-geral
A OAB, por entender que a emenda contraria
a Constituição, pois foi promulgada neste ano entrou com
uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin) contra a
PEC aprovada no Congresso.
O procurador-geral da República,
Antônio Fernando Souza, enviou ao STF parecer a favor da Adin
apresentada pela OAB.
STF
Os ministros do STF entenderam
que a PEC não vale para as eleições deste ano.
Ou seja, mantiveram a verticalização para as eleições
de 2006.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de março de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES-Decisão do STF
atrapalha planos do ex-governador Garotinho
Verticalização dificulta
candidatura do PMDB
Brasília e Curitiba – O limite imposto às coalizões
eleitorais, a chamada verticalização, produzirá
alterações imediatas no cenário da disputa presidencial.
Para a alegria do governo, o PMDB, que realizou consulta interna no
último domingo e escolheu o ex-governador e ex-secretário
de governo e Coordenação do Estado do Rio Anthony Garotinho
para disputar a Presidência, terá dificuldade para manter
de pé a candidatura. A participação de Garotinho
incomoda a administração federal porque ajuda a arrastar
a disputa para um segundo turno.
Como o PMDB quer lançar pelo menos
18 candidatos a governador e a verticalização atrapalha
as alianças que são articuladas na maioria dos estados,
peemedebistas de todas as alas apostam que a melhor solução
é descartar o candidato.
O presidente do Senado, Renan Calheiros, não ficou surpreso com
a decisão do STF, mas reconheceu que a candidatura do PMDB à
Presidência ficou comprometida. “Em função
da manutenção da verticalização, o PMDB
deverá privilegiar o seu fortalecimento nos estados.”
“O quadro das candidaturas vai
ficar bem reduzido”, concorda o presidente do PFL, senador Jorge
Bornhausen. O PFL, que ameaça lançar o prefeito do Rio,
César Maia, na corrida presidencial para aumentar o cacife nas
negociações com o PSDB em cada estado, terá de
refluir, rapidamente, se quiser manter a aliança com os tucanos
no governo de São Paulo.
Para o presidente do PMDB no Paraná,
deputado estadual Dobrandino da Silva, só será possível
afirmar que a manutenção da verticalização
foi boa para o partido no estado após a convenção
nacional em junho.
“Temos de esperar para ver
se teremos candidato nacional para depois fazermos coligações
por aqui. Mas temos conversado com o PSDB que tem nomes fortes.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de março de 2006 | Brasil
PESQUISA-IBGE nega que calendário de
divulgações dos estudos esteja relacionado com o ano eleitoral
Verba social atende 15,6% das famílias
Rio de Janeiro – Mais de 8 milhões de famílias em
todo o país apresentavam em 2004 pelo menos um de seus integrantes
beneficiado com verbas repassadas por programas sociais do governo.
Significa que o dinheiro transferido por esses programas, vários
já reunidos no Bolsa Família, chegou a 15,6% das 51,8
milhões de moradias existentes no País, fazendo parte
da renda de 38,9 milhões de brasileiros, de acordo com a publicação
Acesso a transferência de renda de programas sociais, divulgada
ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Foi a primeira vez que o tema foi abordado
pelo IBGE, o que impede qualquer tipo de comparação com
períodos anteriores. Os dados foram encomendados pelo Banco Mundial,
como forma de avaliar o impacto distributivo dos programas sociais no
Brasil com vistas a futuros financiamentos já solicitados pelo
governo para aplicação na área social. O banco
também garantiu apoio ao IBGE na elaboração da
Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), a ser realizada no segundo
semestre.
De acordo com o levantamento, as verbas sociais chegaram prioritariamente
às parcelas mais carentes da população. A maioria
dos beneficiados pertence a famílias com os níveis mais
baixos de renda, com maior número de pessoas por domicílio
e menor posse de bens duráveis, além daquelas que vivem
em áreas com menor densidade de serviços como água
potável, energia e saneamento.
Também integram o contingente
contemplado pelos programas sociais as famílias com mais crianças
fora da escola e menor índice de escolaridade, incluindo adultos
em cursos de alfabetização.
Números
Em 50,3% dos 8 milhões de domicílios
atendidos, a renda mensal familiar per capita era inferior a R$ 65 –
25% do salário mínimo vigente em setembro de 2004 (R$
260), época em que foram coletados os dados. Enquanto 91% dos
assistidos apresentavam renda domiciliar per capita de até um
salário mínimo, em apenas 0,7% das moradias (85.913) os
rendimentos médios estavam acima de dois salários mínimos.
No Nordeste, um em cada três domicílios
(32%) tinha ao menos um beneficiário de programas sociais, o
maior índice detectado pela pesquisa. No Norte, segunda maior
concentração, o índice ficou em 18,2%, bem acima
do registrado nas regiões economicamente mais desenvolvidas,
como Sudeste (7,9%) e Sul do país (10,5%). Entre os dois extremos,
aparece o Centro-Oeste, com 14% dos domicílios assistidos por
verbas sociais. Ao comparar aspectos demográficos e socioeconômicos,
o IBGE constatou que a proporção de pessoas desempregadas
nas famílias assistidas pelo governo é bem maior em relação
às que não foram atendidas. Outra conclusão importante
é que existem mais crianças e adolescentes (48,6%) entre
os que receberam, em comparação com os que não
receberam dinheiro de programas sociais (28%).
No Nordeste, 93,8% das casas com moradores
beneficiados pelos programas possuíam renda média domiciliar
inferior a um salário mínimo. Já nos domicílios
não assistidos por programas sociais nos mesmos Estados, a família
com rendimento de até um salário mínimo domiciliar
per capita representava 43% da amostra total.
Os dados que permitiram as análises
divulgadas hoje foram recolhidos na Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD) realizada em 2004, cujos resultados gerais
foram divulgados no fim do ano passado. O IBGE negou que os estudos
ou o calendário de divulgações tenham relação
com o ano eleitoral.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de março de 2006 | Brasil
PALIATIVO
Programas assistencialistas não
resolvem, diz economista
Curitiba – Oitenta reais. Equivalente a um conjunto de roupa?
Um jantar? Parece pouco, mas faz diferença no orçamento
familiar da dona de casa Andréa Aparecida dos Santos, de 31 anos,
mãe de três filhos e residente na Vila das Torres. Desde
2003 ela recebe a quantia do programa Bolsa-Família, do governo
federal. O marido, o carrinheiro José Wilson Roberto Pereira,
de 38 anos, ganha de R$ 40 a R$ 50 por semana com a captação
e venda de papel jogado fora. “Ajuda bastante, dá para
comprar um remédio ou uma roupa”, diz Andréa, agradecida.
Mesmo assim, a atitude não
é tão bem vista por pesquisadores acostumados a estudar
a pobreza. “Como uma medida paliativa, acho os programas assistenciais
válidos, mas não estou vendo em paralelo a atuação
de programas de regastes sociais efetivos, como educação
e saúde”, diz a economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento
Econômico e Social (Ipardes), Maria Luíza Marques Dias,
que atualmente participa de uma pesquisa envolvendo beneficiados de
programas sociais do governo. A economista ressalta que enquanto não
for investido em educação, dificilmente o Brasil deixará
de ser um país assistencialista. “Está provado que
quanto antes a criança começar a estudar, quanto antes
ela começar a ser treinada, melhor será seu desempenho
na escola. Com o assistencialismo, corremos o risco de formar uma legião
de acomodados, que esperam do governo algo para sobreviver, quando na
verdade deveriam estar sendo criadas oportunidades de emprego”,
diz Maria Luíza.
Breno Baldrati e Denise Drechsel
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de março de 2006 | Brasil
FISCALIZAÇÃO
ONG lança telefone para
denúncia de irregularidades
Rio – A Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria
e pela Vida lançou ontem um número telefônico, 0800-202000,
para receber denúncias de irregularidades nos programas sociais
de transferência de renda do governo federal – como o Bolsa-Família,
trunfo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição
de 2006 –, estados e municípios. Segundo o coordenador
do instituto, Maurício Andrade, a ONG resolveu tomar a iniciativa
devido à repetição, nos meios de comunicação,
das denúncias de benefícios irregulares.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de março de 2006
Rotulagem será exigida em 60 dias, mas
não há regras
Regulamentação do Paraná
muda lei federal e pode ser inconstitucional
Reprodução da TV Paranaense
A letra “T” será o símbolo que as empresas
deverão usar
Começa a contar nesta quinta-feira o prazo de 60 dias para que
todos os produtos para alimentação humana ou animal comercializados
no Paraná tragam na embalagem uma letra T dentro de um triângulo
amarelo caso sejam compostos por materiais transgênicos. O decreto
que regulamenta a lei estadual de produtos com organismos geneticamente
modificados (OGMs) foi assinado nesta quarta-feira, na 8.ª Conferência
das Partes da Convenção de Diversidade Biológica
(COP8), no Expo Trade, em Pinhais.
Dois meses é o prazo que o governo estabeleceu para que a indústria
se adapte e para que ele mesmo monte uma estrutura de fiscalização.
Uma força-tarefa de várias secretarias será incumbida
da missão, mas os responsáveis não foram nomeados.
Os laboratórios que irão testar se os produtos têm
ou não transgênicos não foram identificados. O que
já está certo é que os fabricantes que não
cumprirem a medida estarão sujeitos a sanções,
como multas entre R$ 100 e R$ 2 mil, apreensão dos produtos e
até cancelamento da licença de funcionamento.
O secretário estadual de Agricultura,
Orlando Pessuti, faz questão de frisar que não está
proibindo ninguém de produzir ou consumir produtos transgênicos.
A legislação estadual representaria somente a aglutinação
de direitos já garantidos em outros marcos jurídicos,
como a Constituição, o Código de Defesa do Consumidor
e a Lei Nacional de Biossegurança. A medida valeria para todos
os produtos fabricados ou vendidos no Paraná, inclusive para
os exportados, importados ou trazidos de outros estados. Uma lista de
produtos que circula na internet, fabricados por empresas transnacionais
e também pela indústria paranaense, deve ser o primeiro
alvo de fiscalização.
A lei estadual não estabelece
o porcentual mínimo de material transgênico. Mas o governador
Roberto Requião disse que não irá tolerar porcentual
algum. Já a legislação nacional prevê que
produtos com menos de 1% de transgênicos não são
obrigados a portar rótulo. É nessa diferença que
o Partido da Frente Liberal (PFL) se apoiou para impetrar ação
direta de inconstitucionalidade contra a lei estadual junto ao Supremo
Tribunal Federal. A Adin alega que o Paraná não pode legislar
para modificar uma lei federal, o que estaria fazendo ao eliminar a
tolerância de 1%. O deputado federal Eduardo Sciarra diz que já
há parecer da Procuradoria Geral da República pela inconstitucionalidade
da lei.
Ao assinar o decreto, Requião
reconheceu o insucesso da primeira tentativa de legislar sobre assuntos
da esfera do governo federal. A decisão de proibir o plantio
de transgênicos foi derrubada pelo Supremo Tribunal Federal, por
ser considerada inconstitucional. Mas disse não temer que uma
outra batalha judicial inviabilize a nova lei.
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FOLHA DE LONDRINA, 23 de
março de 2006
Governo reduz déficit na Previdência
Social
Apesar da queda em fevereiro, déficit
acumulado de R$ 7,296 bilhões é 11,4% maior que o do ano
passado
Agência Estado
Brasília - Com arrecadação recorde, a Previdência
Social fechou o mês de fevereiro com um déficit de R$ 2,44
bilhões, 50% menor do que o resultado de janeiro. Em relação
a fevereiro de 2005, o rombo nas contas do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS) diminuiu 38,6%. Em janeiro, o tamanho do déficit
- R$ 4,84 bilhões - assustou pelo crescimento de 88,5% em comparação
ao mesmo mês de 2005.
Os dados de fevereiro foram divulgados
ontem pelo Ministério da Previdência Social. Enquanto a
arrecadação das receitas previdenciárias somou
R$ 9,31 bilhões, as despesas com o pagamento de benefícios
chegaram a R$ 11,75 bilhões. No bimestre, o déficit acumulado
soma R$ 7,2 bilhões, 11,4% acima do registrado no mesmo período
do ano passado.
''Foi um resultado muito positivo. Eu
digo isso porque no mês passado as manchetes dos jornais eram
de que o déficit explodira. Agora, podem colocar na primeira
página que o déficit caiu pela metade'', disse Helmut
Schwarzer, secretário de Previdência Social.
Segundo ele, a diminuição
do déficit refletiu o aumento de 20,8% da arrecadação
das contribuições previdenciárias em comparação
com fevereiro de 2005 e de 13,3% sobre janeiro deste ano. O valor da
arrecadação de fevereiro é recorde histórico,
sem levar em consideração os resultados de dezembro, que
sazonalmente são elevados por conta do pagamento das contribuições
sobre o 13º salário.
O secretário ponderou que, em
janeiro, o resultado ruim foi provocado pela antecipação
do pagamento de precatórios (dívidas por sentenças
judiciais) e o aumento das transferências de recursos a outros
órgãos, como o Sistema S (Sesc, Sesi, Senai, Senac) e
o Fundo Nacional de Educação, fatores que não se
repetiram em fevereiro.
Também houve no mês passado
uma melhora na recuperação de créditos devidos,
que somou R$ 800,8 milhões, ante R$ 498,8 milhões em janeiro.
Para o secretário, o crescimento da arrecadação
ainda refletiu a melhoria da gestão na cobrança das contribuições
e o aumento do emprego.
Schwarzer também tem a expectativa,
já manifestada pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci, de
que as mudanças que estão sendo implementadas na gestão
das contas da Previdência podem, em pouco tempo, ter o impacto
do tamanho de uma reforma.
Na avaliação do secretário,
há espaço para a melhoria das contas da Previdência,
sem que seja necessária uma emenda constitucional. ''Temos ainda
um potencial muito grande para melhorar a qualidade. Não há
necessidade de uma emenda constitucional. Este não é o
momento'', disse. Ele citou algumas das medidas que vão ajudar
a melhorar os resultados: recenseamento dos segurados do INSS, a informatização
dos sistemas, maior controle no pagamento de benefícios - principalmente
do auxílio-doença - e a compensação automática
de créditos tributários das empresas que são devedoras
da Previdência.
Agência Estado
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SITE UOL, 23 de março
de 2006 | Economia
Delphi, ex-filial da GM, consegue acordo
com sindicato para sair da crise
TROY, EUA, 22 mar (AFP) - O fabricante
de autopeças em quebra Delphi Corp. anunciou nesta quarta-feira
ter adotado um plano de reestruturação com seu principal
sindicato, uma boa notícia para a General Motors (GM), que também
está atravessando uma crise.
A Delphi, que era controlada pela GM,
continua sendo seu fornecer de equipamentos.
Segundo a empresa de autopeças,
o acordo com o sindicato United Auto Workers atinge cerca de 13.000
operários que são elegíveis para receber uma compensação
de 35.000 dólares por sua retirada antecipada.
Cerca de 5.000 trabalhadores receberão
a proposta de contratos com salário mensal, em vez de uma retirada
antecipada.
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JORNAL DO COMMERCIO / MANAUS,
23 de março de 2006 | Economia
Sindicato entra com recurso jurídico
para anular licitação
O Sinduscon-AM (Sindicato das Indústrias
da Construção Civil do Amazonas) entrou com mandado de
segurança para anulação da licitação
promovida na segunda-feira (20) para o término da construção
da sede da Câmara Municipal de Manaus, no bairro de Santo Antônio.
O sindicato já havia entrado com
pedido de impugnação da licitação por entender
que alguns itens prejudicavam a competição em igualdade
de condições por privar a maioria das empresas. Entre
os pontos contestados está o valor do edital, R$ 2.000,00.
Segundo a entidade de classe, a cobrança
exorbitante contraria finalidade da despesa, que é o pagamento
dos custos operacionais com impressão do material que informa
a descrição dos documentos e habilitação
necessária para a participação no certame.
Outro ponto combatido pelo Sinduscon
foi à exigência de que todos os profissionais que iriam
trabalhar na obra integrassem o quadro da empresa concorrente. “As
construtoras trabalham com contração de mão-de-obra
temporária, segundo a demanda de serviço. Esse reordenamento
logístico das funções permite economia que, por
conseqüência, é repassada para os clientes com diminuição
dos valores cobrados. Mais do que implantar o sistema de terceirização
para controle financeiro, nossos filiados adotam sistemática
operacional para racionalizar a aplicação da mão-de-obra,
conforme a necessidade. Qual a finalidade de um pintor num canteiro
de obras quando ela se encontra no alicerce?", explicou o presidente
do Sinduscon-AM, Joaquim Auzier.
A falta de conformidade técnica
também foi questionada pelo presidente do Sindicato, já
que o edital exigia Certificação junto ao PBQP-H (Programa
Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat) e mais o Certificado
de Sistema de Qualidade ISO 9001-2000.
Os dois certificados atestam a
mesma competência, respaldam a mesma habilidade. Se um equivale
ao outro, o sindicato contesta a necessidade de ambas. Por que não
apenas um ou outro, questionou o advogado da entidade, Ricardo Alexandre
Frota Pinto, ressaltando a obrigatoriedade da apresentação
de tais documentos.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/03/2006
TST recebe 493 recursos com novas competências
da JT
O Tribunal Superior do Trabalho recebeu
493 recursos, encaminhados pelo Superior Tribunal de Justiça
no período de seis meses – entre julho e dezembro de 2005
– em decorrência das novas competências atribuídas
à Justiça do Trabalho pela Emenda Constitucional da Reforma
do Judiciário (EC 45). Até agora, “a dose foi homeopática,
possibilitando que a Justiça do Trabalho se preparasse às
mudanças”, avalia o presidente do TST, ministro Vantuil
Abdala.
Os processos enviados pelo STJ serão
julgados pelo TST como recursos de revista, mas serão respeitados
os princípios processuais dos recursos especiais do Superior
Tribunal de Justiça, para que a parte não tenha prejuízo.
O presidente do TST avalia que as mudanças
estabelecidas pela EC 45 começam a repercutir nas Varas do Trabalho.
“Há demanda reprimida de trabalhadores informais que ainda
não perceberam as mudanças operadas pela EC 45”,
afirma, em referência à nova competência da JT para
julgar litígios decorrentes de relações de trabalho
e não apenas as de emprego, o que engloba metade dos trabalhadores
brasileiros hoje no mercado informal. .
O ministro assegura que a Justiça
do Trabalho está em condições de atender às
novas demandas, inclusive por ser, tradicionalmente, mais célere
em comparação com outros segmentos do Judiciário.
Várias iniciativas podem ser adotadas para aperfeiçoar
essa característica, afirma, citando projeto de lei que prevê
teto de 60 salários mínimos para ações que
tramitam com procedimentos processuais simplificados ao máximo,
ou seja, pelo rito sumarísssimo. Hoje, o teto é de 40
salários mínimos, o que já abrange cerca de 40%
das ações ajuizadas na Justiça do Trabalho.
Para Vantuil Abdala, a ampliação
da competência da Justiça do Trabalho nada mais é
que o reflexo de uma nova realidade no mundo do trabalho. Hoje, afirma,
não existe apenas a tradicional forma de relação
de emprego, com o trabalho subordinado, horário e salário.
As novas tecnologias impõem novas situações e condições
de trabalho nas quais, muitas vezes, o trabalhador exerce atividades
longe dos olhos do empregador.
O presidente do TST defende a regulamentação
das novas formas de relações de trabalho, como as cooperativas
de trabalho ou outras gêneros de terceirização.
“Não podemos impedir que elas existam, mas podemos evitar
que se transformem em focos de abuso”.
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23/03/2006
Omissão de empresa não afasta
direito de presidente de CIPA
A omissão do empregador que deixa de indicar o presidente da
Comissão Interna de Prevenção de Acidente (CIPA)
não pode prejudicar aquele que vier a ocupar o posto por delegação
dos demais integrantes da comissão. A CIPA é composta
por representantes do empregador e dos empregados. Cabe ao empregador
designar, dentre seus representantes, o presidente da comissão.
O vice-presidente é eleito pelos empregados. No caso julgado
pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, sob a relatoria
do ministro João Oreste Dalazen, discutiu-se se o membro da CIPA,
eleito como representante dos empregados e escolhido pelo titulares
da comissão para a presidência, faz jus à garantia
no emprego.
A estabilidade está prevista no
artigo 10, inciso II, alínea “a”, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias (ADCT). Em princípio, o presidente
da CIPA designado pelo empregador não se beneficia de garantia
no emprego por que dela não necessita. No caso em questão,
o empregador abdicou de sua prerrogativa de designar o presidente dentre
os representantes. Com isso, os empregados elegeram, dentre seus representantes,
o presidente e o vice-presidente da Comissão Interna de Prevenção
de Acidente da Petrocoque S/A Indústria e Comércio.
A Constituição veda a dispensa
arbitrária ou sem justa causa do empregado eleito para cargo
de direção de comissões internas de prevenção
de acidentes, desde o registro de sua candidatura até um ano
após o final de seu mandato. A garantia é necessária
para proteger o empregado no momento em que, eleito para a CIPA, passa
a defender os interesses da categoria na exigência de medidas
preventivas de acidentes. Mas o entendimento do TST é o de que
o dispositivo que veda a dispensa arbitrária ou sem justa causa
circunscreve-se aos representantes dos empregados, não alcançando
os representantes do empregador.
O presidente eleito da CIPA foi demitido
pela Petrocoque durante a vigência de sua estabilidade provisória
no emprego. Na ação trabalhista que ajuizou, esclareceu
que foi empossado em 02/07/99, sendo-lhe portanto assegurada a garantia
de emprego até 02/07/01. O TRT de São Paulo (2ª Região)
acolheu o recurso do empregado, reconhecendo sua garantia no emprego,
e condenou a empresa a pagar salários relativos ao período
de estabilidade não usufruído. A Petrocoque alegou que
presidente da CIPA não faz jus à garantia de emprego,
mas o TRT/SP desconsiderou o argumento por entender que a eleição
do trabalhador como presidente da comissão não configurou
fato impeditivo de seu direito, pois ele continuou sendo representante
dos empregados.
Segundo o ministro João Oreste
Dalazen, embora, em tese, o presidente da CIPA não detenha a
estabilidade provisória no emprego pelo fato de ser designado
pelo empregador, se o empregador abdica desse direito, isso não
implica correlata perda de estabilidade do empregado alçado a
tal cargo porque continua sendo representante dos empregados no órgão.
“O empregado eleito representante titular dos empregados junto
à CIPA que, por conta de procedimento diferenciado, é
eleito por todos os membros titulares para a posição de
presidente, mantém intacto o direito à garantia no emprego”,
afirmou Dalazen. A decisão foi unânime. (RR 143.396/2004-900-02-00.8).

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