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Diário Vermelho, 24 de março
de 2006
Sindical
Metalúrgicos do Rio denunciam tentativa
de quebra da unidade da categoria
O Sindicato dos Metalúrgicos do Rio (Sindimetal) denuncia que
o Sindicato de Montagem Industrial, de atuação meramente
cartorial, tenta na justiça a todo custo dividir a categoria
e ganhar para ele a contribuição sindical dos metalúrgicos.Segundo
Maurício Ramos, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
do Rio, “esse sindicato criado em 1998 nunca teve qualquer atuação
política ou reivindicativa. Apenas busca captar recursos com
contribuições sindicais. Agora, tentam ganhar esse dinheiro
em nossa base”.
“Essa pessoa do PT é um
metalúrgico da Nuclep que sempre fez oposição ao
Sindimetal e, agora, faz esse papelão de dividir a categoria.
Para isso, eles entraram com várias ações. Mas
estamos realizando assembléias nas fábricas para denunciar
e repudiar essa atitude que divide e fragiliza os trabalhadores”,
alerta Maurício.
No dia 22, houve uma audiência
sobre o caso, porém foi suspensa porque mais de uma pessoa disse
ser o presidente do Sindicato de Montagem Industrial. Mesmo não
sendo citado, o Sindimetal entrou com ação para participar
da audiência, pois é parte interessada no assunto. Até
o momento, dois juízes deram ganho parcial de causa para o Sindicato
de Montagem Industrial e a contribuição está sendo
recolhida em juízo.
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GAZETA DE RIBEIRÃO
/ SÃO PAULO, 24 de março de 2006
Cresce empregos na construção
civil
Elisa Vitachi / Cosmo Araraquara
O índice de pessoas contratadas
para a construção civil aumentou em Araraquara, segundo
o secretário de Desenvolvimento Econômico, Paulo Sérgio
Sgobbi. Segundo ele, o aumento é devido novos empreendimentos
na cidade.
"Estamos assistindo grandes obras
como o Centro Empresarial América, além daqueles residenciais.
Isso tem favorecido o aumento na oferta de empregos na construção",
analisa. Até novembro de 2005, o setor teve índices negativos,
entretanto, somente este ano, o setor já acumulou a criação
de 186 novas vagas.
Em todos os setores, a cidade já
gerou, este ano, 1190 vagas de trabalho, um crescimento de 2,32%. Além
do setor da construção civil, o setor de serviços
também se destacou, com a criação de 190 postos
de serviços.
Sgobbi lembra também que o Posto
de Atendimento ao Trabalhador (PAT) também tem indicado o aumento
na oferta de emprego na cidade. "Foram 2.582 pessoas que passaram
pelos atendentes no mês passado contra 766 em fevereiro de 2005.
Já o número de trabalhadores que conseguiu emprego foi
70% superior em relação ao ano passado", analisa.
No mês passado, Araraquara teve
um saldo de 476 novos empregos. É o segundo melhor resultado
desde 1999, quando o Caged iniciou o levantamento das novas vagas oferecidas
no País. Em 2000, a cidade teve a criação de 210
novos empregos, mas o saldo dos dois primeiros meses foi negativo, em
17 vagas. Mas no ano passado, a cidade teve seu melhor mês de
fevereiro, ao registrar saldo positivo de 1.251 novos empregos.
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Nova Central, 24 de março
de 2006
Mais de 80 mil ações migram
para Justiça do Trabalho com a EC 45
As Varas de Trabalho receberam, no ano passado, 81.386 ações
decorrentes da novas competências atribuídas à Justiça
do Trabalho pela Emenda da Reforma do Judiciário (EC 45) que
haviam sido ajuizadas nas Justiças Estadual e Federal. “É
um número expressivo se considerarmos que as estatísticas
dizem respeito apenas ao primeiro ano de vigência da emenda”,
afirma o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Vantuil
Abdala.
A avaliação do ministro
é que estes números referentes à migração
de competência, levantados pelo setor estatístico do TST,
são parciais, pois muitos dos litígios que tratam de temas
que passaram para a competência da Justiça do Trabalho
ainda se encontram nas Varas e Tribunais federais e estaduais, pois
não há triagem antecipada sobre os temas tratados nas
demandas, cabendo ao próprio juiz a iniciativa de decidir pela
definição da competência.
Das 81.386 ações recebidas
pelas Varas do Trabalho, 37.809 vieram da Justiça Estadual e
43.577, da Justiça Federal. A jurisdição do Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região, com sede em Campinas,
foi a que registrou o maior número, com um total de 13.588 de
ações encaminhadas pelos dois segmentos do Judiciário,
seguida da 3ª Região (Minas Gerais), com 10.642.
Entre as novas competências da
Justiça do Trabalho estão o julgamento de demandas referentes
a indenização por dano moral decorrente de acidente de
trabalho, antes julgadas pela Justiça Estadual, e disputas intrasindicais.
A estatística indica, preliminarmente,
que a ampliação da competência trará para
a Justiça do Trabalho uma média de 80 mil novas ações
por ano. Entretanto, há ainda a demanda reprimida de trabalhadores
autônomos de renda baixa, como encanadores, eletricistas, entre
outros, que, até antes da EC 45, não tinham acesso à
Justiça do Trabalho, pondera o presidente do TST.
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Folha de São Paulo,
24 de março de 2006
ESCÂNDALO DO "MENSALÃO"/PALOCCI
EM APUROS
Presidente do BNDES é a opção preferencial caso
presidente tenha de demitir ministro
Contrariado, Lula já estuda nomes
para suceder Palocci
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apesar de ainda decidido a tentar manter
o ministro da Fazenda no cargo, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva já estuda reservadamente nomes para a hipótese
de o desfecho do caso Francenildo dos Santos Costa levar Antonio Palocci
a deixar o governo. Ontem, o presidente do BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social), Guido Mantega, surgiu como
nome mais cotado. Nas palavras de um ministro, "Lula seria o ministro
da Fazenda" com a eventual substituição de Palocci
por Mantega. Ou seja, este seguiria a determinação para
manter o "paloccismo". Lula viraria o fiador da política
econômica.
Lula avalia que a substituição
de Palocci tem de ser um último recurso, esgotadas as tentativas
para salvá-lo do atual imbróglio. Com Mantega, crítico
interno de Palocci, poderia ser ruim a sinalização para
o mercado num eventual segundo governo Lula. Daí o presidente
ter de virar o fiador da política e manter um Banco Central conservador.
Outros nomes aventados em conversas reservadas da cúpula do governo
são: os ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e Paulo
Bernardo (Planejamento), o líder do governo no Senado, Aloizio
Mercadante (PT-SP), e o secretário-executivo de Palocci, Murilo
Portugal.
Furlan é benquisto pelo empresariado,
mas é forte crítico de Palocci e tem perfil independente
demais para obedecer Lula cegamente. Bernardo tem a vantagem de ser
afinado com Palocci e com a atual política, mas seria menos íntimo
de Lula do que Mantega. Mercadante foi opção pensada no
final do ano passado. Também tem proximidade com o presidente,
mas está disputando a indicação do PT para concorrer
ao governo paulista com a ex-prefeita Marta Suplicy. Antigo crítico
de Palocci, poderia assumir o posto, desde que se dispusesse a não
ter arroubos para mudar a política. Portugal encontra muita resistência
no PT. Além disso, integrou a equipe econômica de Fernando
Henrique Cardoso e não dispõe da intimidade com Lula necessária
ao cargo.
Tensão no Planalto
Lula está preocupado com o rumo
das investigações sobre a violação do sigilo
do caseiro Francenildo. Palocci teve discussões ontem com auxiliares
por conta do episódio e demonstrou tensão em conversas
no início da noite.
As conversas sobre a eventual substituição de Palocci
ganharam força porque, se até o final do mês ele
decidir sair ou for obrigado a fazê-lo, ainda poderá tentar
se eleger deputado federal e manter foro privilegiado para responder
a suspeitas de corrupção de sua gestão em Ribeirão
Preto (SP).
Palocci luta para ficar no cargo. Avalia
que, se deixar o governo, correrá risco de ter a prisão
pedida por um juiz de primeira instância por conta das investigações
do Ministério Público paulista. Até ontem, a prioridade
de Lula era mantê-lo, mas ciente de que não pode descartar
substituí-lo.
Mudanças na equipe
Negocia-se nos bastidores do ministério
a substituição de dois importantes integrantes da equipe
de Palocci: o secretário do Tesouro, Joaquim Levy, e seu secretário-adjunto
José Antônio Gragnani. O governo já está
sondando pessoas para substituí-los. Ambos começaram a
arrumar as malas no final do ano passado, mas os planos foram adiados
por conta da crise em torno de Palocci, que, na época, além
das denúncias de corrupção durante sua gestão
em Ribeirão, enfrentava disputas com a ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff.
No caso de Levy, que está cotado
para assumir uma vice-presidência no BID (Banco Interamericano
de Desenvolvimento), pesou ainda o fato de o posto não ter sido
desocupado. A expectativa é de que isso ocorra após uma
assembléia anual, em abril. Já Gragnani deverá
se apresentar em maio no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT),
nos EUA, para temporada de estudos. A situação de Palocci,
no entanto, está dificultando a substituição dos
dois técnicos que comandaram o processo de mudança do
perfil do endividamento público, com diminuição
da quantidade de títulos corrigidos pelo dólar e aumento
do prazo dos papéis emitidos pelo governo. Um dos cotados para
assumir o lugar de Levy é Alexandre Tombini, diretor de Estudos
Especiais do Banco Central. O substituto de Gragnani deverá vir
do mercado financeiro.
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Folha de São Paulo,
24 de março de 2006
TRABALHO
Taxa avança de 9,2% para 10,1% em fevereiro; oferta de vagas
no mercado não dá conta da demanda, diz IBGE
Desemprego sobe, mas renda volta a R$
1.000
PEDRO SOARES, DA SUCURSAL DO RIO
A taxa de desemprego nas seis maiores
regiões metropolitanas do país subiu em fevereiro para
10,1%, alta de 0,9 ponto percentual ante janeiro (9,2%), informou ontem
o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar
do aumento, a taxa é a menor para um mês de fevereiro da
nova série da nova PME (Pesquisa Mensal de Emprego). Já
o rendimento cresceu 1,1% de janeiro para fevereiro, para R$ 999,80.
É a primeira vez que se aproxima da média de R$ 1.000,
marca não alcançada desde fevereiro de 2003.
Depois de oito meses num patamar menor
do que 10% (chegou a 8,3% em dezembro), a taxa de desemprego subiu em
razão da maior procura por trabalho, sem a contrapartida do crescimento
do número de postos de trabalho, segundo o IBGE. Em fevereiro,
o número de pessoas ocupadas teve redução de 0,4%,
o que corresponde a uma redução de 85 mil vagas -número
considerado estatisticamente estável pelo IBGE. Já a população
desocupada nas seis áreas (São Paulo, Rio, Recife, Belo
Horizonte, Porto Alegre e Salvador) cresceu num ritmo forte: 9,5% ou
194 mil pessoas a mais procurando trabalho, o que pressionou a taxa
de desemprego para cima. Em fevereiro, os empregados nessas regiões
eram 19,922 milhões de pessoas. Estavam desempregados, por sua
vez, 2,232 milhões de pessoas. Esses dois contingentes somam
a força de trabalho, a chamada PEA (População Economicamente
Ativa).
Alerta vermelho
Na avaliação de Cimar Azeredo Pereira, gerente da pesquisa
do IBGE, os dados de fevereiro "acenderam um alerta", embora
ainda não se possa falar em "deterioração
do mercado. A expectativa, diz Azeredo, é que o desemprego subirá
ainda mais em março, a julgar o comportamento histórico
do mercado, que sempre gera poucos empregos nos três primeiros
meses do ano, período no qual cresce a procura por trabalho.
"O mercado de trabalho continua estagnado desde o segundo semestre
do ano passado, com pequeno crescimento de novos postos de trabalho",
disse Azeredo. Em meses nos quais houve queda do desemprego, como dezembro
de 2005, o motivo foi a menor procura por trabalho, e não uma
forte geração de vagas.
Para Fábio Romão, da LCA,
a alta da taxa de desemprego já era esperada, embora não
na intensidade com que subiu em fevereiro. Marcelo de Ávila,
do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), também
diz que a taxa de desemprego "subiu mais do que o esperado"
em razão da dispensa de trabalhadores temporários e do
ingresso de mais pessoas no mercado de trabalho. Apesar do decréscimo
de postos de trabalho de janeiro para fevereiro, Romão diz que
o resultado não é de todo ruim. É que, diz, o emprego
ainda aumenta se comparado com o mesmo mês de 2005 -2,5%, ou 491
mil pessoas ocupadas a mais- e que há uma crescente formalização.
As contratações com
carteira cresceram 0,3% (22 mil pessoas) de janeiro para fevereiro.
Na comparação com fevereiro de 2005, a alta foi de 5,1%
-acréscimo de 398 mil pessoas ocupadas com carteira. Já
o emprego sem carteira cedeu -3,4% (-104 mil) na comparação
com janeiro e 3,6% (-109 mil) em relação a fevereiro de
2005. O contingente de trabalhadores conta própria, informais
em sua maioria, subiu 1% (39 mil) ante janeiro e 0,6% (23 mil) em relação
a fevereiro de 2005.
Fonte do Gráfico: Gazeta do Povo

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Folha
de São Paulo, 24 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/ESTADOS
Partido tem pré-candidatos aos governos estaduais em pelo menos
20 Estados, e a verticalização só atrapalharia as
alianças
Força regional inibe candidatura
do PMDB
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PMDB é o partido com mais nomes próprios
para disputar governos estaduais em outubro. Levantamento preliminar
realizado pela Folha mostra que a sigla dispõe de pré-candidatos
em pelo menos 20 Estados. Hoje, os peemedebistas já comandam
oito Estados e o Distrito Federal. A manutenção da verticalização
e o alto número de candidatos em condições de entrar
para valer nas disputas estaduais devem levar o PMDB a pressionar pelo
não-lançamento de um nome próprio à Presidência.
Em Mato Grosso do Sul, o candidato favorito ao governo
local é André Puccinelli. Seu desejo é se coligar
ao PSDB, lançando a tucana Marisa Serrano ao Senado. Ocorre que
o PSDB terá candidato a presidente: se o PMDB também estiver
na eleição presidencial, a aliança no Estado ficará
inviabilizada. Esse é um exemplo que se multiplica pelo país.
Por ser o partido com mais nomes para as disputas estaduais, alianças
locais com PMDB interessam ao PSDB e ao PT. Pelo levantamento da Folha,
petistas e tucanos podem ter até 16 e 18 candidatos próprios
a governos estaduais em outubro, respectivamente. Esse é apenas
o número da largada, que tende a ser desidratado na hora de formar
as alianças. Apesar disso, o presidenciável do PMDB, Anthony
Garotinho, insiste que a candidatura própria é a melhor
opção para o partido. Ele disse ontem que conversou com
peemedebistas de todos os Estados e saiu convencido de que "não
há outra alternativa: o PMDB tem que ter candidato".
A maior preocupação das cúpulas
do PT e do PSDB é montar palanques sólidos em Estados
com grandes eleitorados para que seus candidatos a presidente tenham
a quem falar nas viagens pelo país. A prioridade é o chamado
"triângulo das Bermudas" da política, formado
por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que juntos têm
mais de 50 milhões de votantes, cerca de 42% do total do país.
Os tucanos acham que estão quase resolvidos no
"triângulo". Aécio Neves (MG) é candidato
à reeleição, e o cenário empurra José
Serra (SP) à candidatura. No Rio, as discussões estão
em aberto. O PT não vai tão bem no "triângulo".
Não tem candidato favorito em nenhum dos três Estados.
Por essa razão, os petistas devem procurar o PMDB com mais vigor
para tentar estruturar palanques mais sólidos no Sudeste. No
Nordeste, a âncora mais desejada é formada pela trinca
Bahia, Pernambuco e Ceará -quase 17% do eleitorado do país.
O PFL domina a Bahia (Paulo Souto é candidato à reeleição).
Em Pernambuco, o vice-governador Mendonça Filho é um dos
favoritos, em possível aliança com o PMDB, que lançaria
o atual governador, Jarbas Vasconcelos, ao Senado -se os peemedebistas
desistirem de disputar o Planalto.
No Ceará, o quadro está aberto. O PSDB
é governo, mas tem sofrido pressão para trocar o atual
governador, Lúcio Alcântara.
Embora esteja distribuído por todo o país, a grande trincheira
do PMDB desde 2002 passou a ser a região Sul. São todos
peemedebistas os governadores do Paraná (Roberto Requião),
Santa Catarina (Luiz Henrique) e Rio Grande do Sul (Germano Rigotto).
O cenário mais provável é que os três sejam
candidatos à reeleição. A dúvida maior é
Rigotto, que saiu desgastado pela derrota na sua empreitada de se tornar
o candidato do PMDB a presidente.
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Folha de São Paulo,
24 de março de 2006
NA MIRA DO LEÃO
Consumidores de SP que gastaram acima da renda declarada serão
intimados a dar explicação e multados
Receita intima 2.000 por gasto no cartão
FÁTIMA FERNANDES, CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A partir de informações
das operadoras de cartões de crédito, a Receita Federal
encontrou pelo menos 2.000 contribuintes (pessoas físicas) que,
juntos, gastaram R$ 400 milhões em 2004, mas informaram em suas
declarações de Imposto de Renda terem rendimentos de R$
70 milhões. Eles serão intimados a partir de hoje para
se explicar ao fisco. Os 2.000 contribuintes, só do município
de São Paulo, deixaram de declarar rendimentos de ao menos R$
330 milhões, segundo o fisco. Esse dinheiro deixou de ser tributado,
segundo a Delegacia de Fiscalização da Receita Federal
de São Paulo.
Entre os consumidores identificados no
levantamento do fisco estão profissionais liberais e empresários
que gastaram o dinheiro em lojas de luxo de São Paulo, segundo
a Folha apurou. A média de gastos daria R$ 200 mil por contribuinte.
Para obter as informações, a Receita Federal se baseou
no artigo 5º da lei complementar 105, de 2001, e na instrução
normativa nº 341, de 2003. Essa lei obriga as operadoras de cartões
a informar a movimentação mensal dos consumidores que
gastam acima de R$ 5.000 em compras feitas por operadora de cartão.
Se o consumidor gastar R$ 4.999,99 em dez cartões de crédito
diferentes, escapa do cruzamento de dados do fisco com os das operadoras,
segundo admitem auditores da Receita.
"Quem possui apenas um cartão
de crédito e gasta acima de R$ 5.000 tem suas informações
entregues ao fisco. Quem tem mais de um cartão e gasta R$ 40
mil [divididos em vários cartões, sem ultrapassar os R$
5 mil por mês em um único cartão] não cai
na malha fina. Os consumidores têm, nesse caso, tratamento diferenciado.
Isso fere o princípio da isonomia, que é uma garantia
constitucional", diz o advogado João Piza, ex-presidente
da OAB-SP. Os contribuintes que estiverem na lista de devedores do fisco
serão convocados pela Receita e terão de pagar o imposto
devido -27,5% sobre a renda omitida- mais multa, que pode variar de
50% a 150% sobre o valor do imposto que deixou de ser recolhido.
"Há algum tempo estou ciente
dessa lei. Por isso, divido as compras em três cartões",
diz a empresária I.B.M., 55, que ontem à tarde fazia compras
no shopping Iguatemi. "Acho que a Receita está fazendo esse
cruzamento de informações só porque estamos em
ano de eleição", afirma a consumidora, que gasta,
em média, entre R$ 5.000 e R$ 10.000 por mês em compras
com cartão. A consumidora O., que prefere não se identificar,
diz que costuma comprar em dinheiro em vez de usar o cartão de
crédito. Ontem à tarde, ela pagou em "cash"
cerca de R$ 1.700 por um sapato da loja da Louis Vuitton do shopping
Iguatemi. "Acho que enviar esses dados [à Receita Federal]
é uma violação [do sigilo fiscal] do consumidor."
Ex-funcionária da própria
Receita Federal em Brasília, M., 72, concorda que há violação
de direitos. "Não acho correto enviar os dados do cartão
de crédito para a Receita, mesmo havendo notificação."
M. afirma que acabou de comprar seis passagens aéreas para os
Estados Unidos no cartão de crédito e que gastou "bem
mais" de R$ 5.000 em uma única operação de
um cartão de crédito. "Só por isso vou entrar
na fiscalização da Receita? No meu caso, isso nem é
problema. Declaro sempre tudo o que ganho e tudo o que gasto com comprovantes
e recibos", diz a ex-servidora.
Legislação estadual
No Estado de São Paulo foi criada
a lei 12.294, que entrou em vigor em 6 de março deste ano, que
obriga as operadoras de cartões a informar ao fisco estadual
o montante de vendas efetuadas pelos estabelecimentos comerciais do
Estado por meio de cartão de crédito ou débito.
As vendas abaixo de R$ 5.000 poderão não ser informadas.
"Para nós, essa legislação tem valor indiciário
e deve entrar em prática assim que forem acertados detalhes técnicos
com as operadoras", diz Antonio Carlos de Moura Campos, diretor-adjunto
do Deat (Diretoria Executiva da Administração Tributária)
da Fazenda paulista.
Ao obter informações da
venda por meio de cartão de crédito, é mais fácil
verificar se há indícios de sonegação, já
que a loja tem de informar mensalmente seu faturamento e, com base nesse
valor, pagar o ICMS. Em 2005, a Receita autuou quase 900 contribuintes
do país por meio de informações de administradoras
de cartão. As infrações totalizaram R$ 240 milhões.
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Folha de São Paulo,
24 de março de 2006
PRODUÇÃO
No ano passado, 79% do crescimento da indústria ficou em áreas
como de veículos e equipamentos de comunicação
Expansão industrial se concentra
em 5 setores
JANAÍNA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL
Em 2005, 79% do crescimento da produção
industrial brasileira ficou concentrado em cinco setores, que conseguiram
driblar os problemas trazidos pelos juros altos e pelo real valorizado.
A conclusão é de pesquisa divulgada ontem pelo Iedi (Instituto
de Estudos para Desenvolvimento Industrial). De acordo com o levantamento,
intitulado "Concentração e Desigualdade", que
abarcou 27 setores, a produção brasileira teve expansão
de 3,1% no ano passado. Desse percentual, 80% ficaram restritos à
fabricação de veículos automotores; indústrias
extrativas; edição, impressão e reprodução
de gravações; material elétrico; aparelhos e equipamentos
de comunicação e indústria farmacêutica.
Em contrapartida, 13 setores importantes
mostraram aumento minguado da produção ou sofreram retração.
Na lista, estão máquinas e equipamentos, metalurgia básica,
têxtil e artigos de couro, mobiliário, madeira, vestuário
e acessórios.
O problema é que eles pertencem ao grupo de indústrias
que mais empregam. Assim, a oferta de vagas aumentou só 1,1%
no ano passado.
PIB potencial
O nó enfrentado pela indústria
brasileira é, segundo os empresários, resultado de uma
política monetária que dificulta as vendas nos mercados
externo e interno. Os exportadores têm as margens de lucro reduzidas
porque o real está bastante valorizado em relação
ao dólar, moeda usada para fechar a maioria dos contratos de
comércio exterior. Quem produz para o mercado interno, por sua
vez, vê os juros altos como um cabresto que segura a demanda.
Pior: dificulta a tomada de crédito para financiar novos investimentos.
"Isso na veia de alguns setores. Queremos uma política econômica
melhor", afirmou o diretor-executivo do Iedi, Julio Gomes de Almeida.
Para os empresários, o problema
é que a equipe econômica tem fixação no chamado
PIB potencial -ou seja, a produção e as riquezas do país
só podem aumentar de forma controlada, para evitar a inflação.
Assim, na avaliação do setor produtivo, o governo sinaliza
que a produção alargada em mais de 3,5% incomodaria. "Quando
crescemos além desse patamar, a economia é abatida a tiros",
avaliou o presidente do Iedi, Josué Gomes da Silva, também
presidente da Coteminas. Para ele, o PIB potencial "constrange
o crescimento". O diretor-executivo do Iedi concordou. Na avaliação
do especialista, ao adotar juros escorchantes, o Banco Central acaba
conduzindo o país ao crescimento medíocre. "Podem
acabar produzindo uma justificativa para a própria política
que defendem."
Tecnologia
Outra pesquisa feita pelo Iedi,
"Desempenho Industrial Segundo a Intensidade Tecnológica",
mostra que o grupo de alta tecnologia cresceu 12,5% em 2005, enquanto
o de média intensidade registrou alta de 2,6% (abaixo do percentual
registrado pela indústria de transformação, de
2,8%). O segmento de média-baixa intensidade ficou praticamente
com os mesmos resultados, com expansão de apenas 0,2%.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de
março de 2006
Violência marca protesto contra
lei trabalhista
Manifestações de ontem contra
o CPE na França reuniram entre 220 mil (balanço da polícia)
e 450 mil pessoas (balanço dos organizadores
Christophe Simon/France Presse

Milhares de pessoas ocuparam as ruas de Bordeaux em protesto contra
projeto do governo francês; em Ajácio um policial coloca
o pé sobre a cabeça de um manifestante; outro estudante
São Paulo - A polícia
anunciou ter detido ontem 420 pessoas na França em manifestações
de estudantes contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), que motivou
confrontos violentos, principalmente em Paris, onde pelo menos 60
pessoas ficaram feridas. O número de prisões é
o mais elevado desde o início das manifestações
contra o CPE.
Os protestos de ontem contra o CPE
reuniram entre 220 mil (balanço da polícia) e 450 mil
pessoas (balanço dos organizadores). Brigas entre grupos de
jovens e policiais foram constatadas em Marselha (sudeste), Lyon (centro-leste)
e Rennes (oeste), assim como em várias cidades da periferia.
Em Paris, no final de uma manifestação,
centenas de jovens atacaram policiais e bombeiros que tentavam apagar
os veículos incendiados.
Policiais utilizaram gás lacrimogêneo
e entraram em confronto com os manifestantes na região do museu
dos Inválidos, perto do prédio do Ministério
das Relações Exteriores na capital francesa.
Manifestantes atearam fogo em carros,
saquearam lojas e atiraram pedras contra policiais ao final da passeata
contra a lei trabalhista. Dezenas de jovens depredaram carros e quebraram
vitrines de lojas.
A lei do primeiro emprego, aprovada
pelo Parlamento no mês passado, pretende reduzir o desemprego
entre os jovens, facilitando sua contratação. Mas uma
cláusula, que permite ao empregador demitir sem justificativa
ou indenização, desagrada os jovens.
Os estudantes foram chamados
a aderir a uma ''jornada nacional de ação'' convocada
pelas uniões sindicais, prevista para a próxima terça-feira.
Folhapress
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SITE DA NCST, 24 de março
de 2006
Votação do reajuste do salário
mínimo ficará para próxima semana
A votação do projeto de lei sobre o reajuste do salário
mínimo ficará para a próxima semana. Isso porque
a Câmara dos Deputados retirou o pedido de preferência que
tinha a matéria.
O projeto de lei eleva de R$ 300 para
R$ 350 o salário mínimo a partir do dia 1º de abril.
Se ele não for votado até o dia 31 de dezembro, na Câmara
e no Senado, o novo valor só entra em vigor se o governo federal
editar uma medida provisória sobre o assunto.
Na terça-feira, o ministro Luiz
Marinho (Trabalho) já tinha criticado a demora dos parlamentares
ao dizer que o Congresso Nacional precisava "trabalhar mais".
Na ocasião, ele também adiantou que o Executivo já
prepara essa MP.
O projeto de lei do salário mínimo
recebeu 12 emendas. Dessas, quatro são do líder do PFL
na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), propondo o aumento do mínimo
para R$ 360, R$ 370, R$ 380 e R$ 390. "O que mostra que ele tem
muita convicção sobre o valor que ele quer", provocou
o relator.
Há uma outra emenda do PSOL
elevar o mínimo para R$ 570.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/03/2006
TST afasta adicional por suposta “insalubridade
de voz humana”
A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho reformou a decisão regional que garantiu a uma telefonista
gaúcha o direito de receber adicional de insalubridade por trabalhar
ouvindo vozes humanas. A moça atendia ligações
de usuários de telefones celulares dos sistemas pré-pago
(a cartão) e pós-pago (com conta) da Telet S/A (Claro).
O adicional foi concedido porque, segundo o TRT do Rio Grande do Sul
(4ª Região), não há como se distinguir os
sinais recebidos no fone de ouvido da voz humana.
Mas, de acordo com o relator do recurso
no TST, ministro Carlos Alberto Reis de Paula, a jurisprudência
é clara ao garantir o adicional somente nos casos previstos na
relação oficial elaborada pelo Ministério do Trabalho
em norma regulamentadora (NR). O Anexo 13-A da NR-15 garante direito
ao adicional de insalubridade em grau médio aos profissionais
de telefonia e radiotelegrafia que manipulam aparelhos do tipo Morse
e recepção de sinais em fones.
A telefonista recebia ligações
telefônicas dos clientes pela central de computação,
que distribui uma ligação para cada uma das atendentes.
Trabalhava com um fone de ouvido, digitava dados fornecidos pelos usuários
no terminal do vídeo e tinha acesso a todas as informações
do cliente. Segundo o TRT/RS, não há como se distinguir
os sinais recebidos em fone da voz humana por isso “qualquer sinal
recebido em fone deve ser considerado como agente insalubre, seja decorrente
de impactos, como aqueles típicos de radiotelegrafia, seja aqueles
sinais correspondentes a voz humana”.
O argumento foi rejeitado pelo ministro
Carlos Alberto Reis de Paula e pelos demais integrantes da Terceira
Turma do TST. “Esta Corte, em evidente tradução
do sentido da expressão genérica da norma, entende que
a recepção de fala através de fones de aparelhos
telefônicos da atividade de telefonia, via de regra, não
se inclui nos ‘sinais em fone’ de que trata o dispositivo
regulamentador do Ministério do Trabalho”, ressaltou o
ministro relator. O entendimento está expresso na Orientação
Jurisprudencial nº 4 da SDI-1 do TST. (RR 1165/2002-002-04-00.0).

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