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Agência Diap, 27 de março de
2006
Trabalho Escravo
Mais de trezentos trabalhadores são
libertados nos estados de Tocantins e Maranhão
O Grupo Especial Móvel de Fiscalização
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertou neste mês,
em ação conjunta com a Polícia Federal e o Ministério
Público do Trabalho, 318 trabalhadores em situação
análoga à escravidão. Do total, 197 foram localizados
no município de Ananais, Norte do Tocantins, e 121 no estado
do Maranhão.
De comum, tanto no Tocantins quanto no
Maranhão há o mau trato dos trabalhadores, e o viver em
condições subumanas. A alimentação, quando
fornecida, contém alimentos estragados, as acomodações
são precárias, a falta de água potável e
de energia elétrica são comuns, bem como a retenção
dos salários e a não assinatura da carteira de trabalho.
Portanto, os trabalhadores se vêem desprovidos de condições
mínimas para o trabalho e de todo tipo de proteção
social.
Não é de hoje que anunciamos
na Agência DIAP ações promovidas para retirar trabalhadores
de condições degradantes de trabalho e de vida. Infelizmente,
sob a égide de que a impunidade irá perdurar, inúmeros
fazendeiros insistem em manter e propagar o não cumprimento das
obrigações trabalhistas e o devido respeito para com os
mais fracos na relação capital e trabalho, o ser humano.
Uma vez localizados e retirados
do neoescravismo, os ruralistas são fichados no Cadastro de Empregadores,
conhecido como "lista suja", e impedidos de participar de
licitações, obter financiamentos públicos, além
de serem obrigados a reparar as mazelas provocadas.
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AGÊNCIA DIAP, 27 de
março de 2006
Malha fina, problemas e soluções
Autor (a): Paulo Antenor de Oliveira
A cada ano, aumenta o número de
contribuintes que têm suas declarações retidas para
uma melhor análise por parte da Secretaria da Receita Federal,
o que se chama comumente de Malha Fina. Esse crescimento é sinal
de melhoria na eficiência da Receita Federal, que ampliou os parâmetros
a serem analisados. Assim, a compra de imóveis, aquisição
de veículos, gastos com cartões de crédito, retenção
de CPMF, podem ser citadas como algumas das informações
que passaram a ser verificadas mais recentemente.
No entanto, ao mesmo tempo que há
que se comemorar o aumento de informações vistoriadas,
percebe-se claramente que a verificação destes itens por
parte da Secretaria da Receita Federal tornou-se mais lenta. Em algumas
unidades do fisco ainda se está processando a malha do exercício
fiscal de 2001. Basta ir a qualquer Centro de Atendimento ao Contribuinte
e verificar que vários contribuintes têm sido privados
de um atendimento conclusivo sobre a malha fina.
Legalmente, a Receita Federal dispõe
de até cinco anos para efetuar as contestações
que achar conveniente nas declarações de renda. No entanto,
esse prazo não precisa necessariamente ser todo utilizado. É
importante verificar as causas e ao mesmo tempo propor soluções
para buscar o equilíbrio entre a necessidade da Receita Federal
em fiscalizar e o respeito ao contribuinte não permitindo que
sua situação perante o fisco fique indeterminada por mais
tempo que o necessário:
a) hoje na SRF, do total de 7.696 mil
fiscais, apenas 1.645, ou seja, cerca de 20% estão efetivamente
atuando na fiscalização. Evidentemente que não
só dos contribuintes pessoas físicas, de quem tratamos
neste artigo, mas de todos, pessoas físicas e jurídicas.
A solução seria a melhor alocação da mão-de-obra
de todos os servidores da Carreira de Auditoria da Receita Federal.
b) a retirada dos Técnicos da
Receita Federal da análise das declarações retidas
em malha trouxe a conseqüente piora no atendimento ao contribuinte.
Apenas a título de exemplo, em algumas unidades da SRF, cerca
de 90% dos atendimentos da malha fina poderiam se dar nos Centros de
Atendimento ao Contribuinte, de forma conclusiva.
A situação pode piorar
se o PLC 20/2006, que está sendo analisado no Senado Federal
e que cria a Super-Receita, não for alterado. O Projeto de Lei
não deixa clara a incumbência de orientação
ao contribuinte, ao dizer apenas que essa é uma atividade privativa
do fiscal. Se este ponto não sofrer alteração,
o contribuinte não receberá sequer orientação
nos pontos de atendimento da Receita Federal. A solução
seria retomar a malha fina como era até 1999, com a participação
de todos os servidores da Carreira de Auditoria e corrigir o erro no
PLC 20/2006.
c) o sistema que os servidores utilizam
para analisar as declarações é lento, e muitas
vezes fica paralisado por dias, o que inviabiliza o acesso às
informações que deveria disponibilizar. A solução
seria ampliar os investimentos na área tecnológica, o
que vem sendo feito, porém sem uma resposta concreta ao problema
que já perdura demasiadamente.
Na Secretaria da Receita Federal, o Sindireceita
vem demonstrando, rotineiramente, o mau funcionamento da malha fiscal,
que gera uma longa espera para o contribuinte. É preciso repensar
essa realidade e oferecer ao contribuinte o maior número possível
de verificações, mas que também garanta uma rápida
solução em caso de problemas. A Secretaria da Receita
Federal deve buscar um sistema que atenda as necessidades do fisco,
mas que principalmente respeite o contribuinte.
Paulo Antenor de Oliveira é
presidente do Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal
- Sindireceita. E-mail: pa@sindireceita.org.br
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DIÁRIO VERMELHO,
26 de março de 2006
MOVIMENTOS
Fracassa reunião Villepin-estudantes;
França à espera da greve
geral
Os líderes das quatro principais
entidades estudantis da França ignoraram um convite para uma
reunião convocada para este sábado (26) pelo primeiro-ministro
Dominique de Villepin. Eles disseram que continuarão com as manifestações
contra o Contrato de Primeiro Emprego (CPE), aprovado pela maioria governista
no Parlamento no último dia 16. O primeiro ministro propôs
a reunião, mas apenas para discutir mudanças na lei e
não a sua retirada.
"A palavra está com a rua",
sintetizava em sua edição de ontem o jornal Le Monde.
Sindicalistas confirmaram a greve geral convocada para a próxima
terça-feira (28) em repúdio ao CPE. Os estudantes, que
já paralizaram diversas escolas e universidades, devem participar
também do dia de luta – reeditando uma aliança que
teve seu ponto alto na quase-sublevação de maio de 1968.
"Esta terça pode ser a hora da virada", previa ontem
Bernard Thibault, secretário-geral da principal central sindical
francesa, a CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores,
de inspirtação comunista).
"O convite é uma provocação"
"O convite é uma provocação,
pois Dominique de Villepin se propõe a discutir as formas de
implementar a CPE", afirma Bruno Juliard, presidente da Unef (União
dos Estudantes da França), a maior entidade estudantil do país.
Os estudantes que boicotaram o encontro
com o chefe de governo divulgaram uma carta aberta a Villepin, criticando
o governo da direita. "Isto é grave. É uma piada
propor um diálogo assim", disse Julie Coudry, a presidente
da Confederação dos Estudantes.
Na sexta-feira, os líderes do
movimento anti-CPE saíram resapontados de uma primeira tentativa
de negociação, desde que começou a maré
de manifestações de rua. Depois de pouco mais de uma hora,
nenhum avanço foi registrado. "O primeiro ministro não
tinha nada a nos dizer", atacou outro dirigente sindical, François
Chérèque, da CFDT.
O que prevê a lei repudiada
O CPE é repudiado porque flexibiliza
direitos trabalhistas a pretexto de abrir postos de trabalho para a
juventude. Em especial, permite que o patrão demita um trabalhador
de menos de 26 anos de idade e dois anos no emprego, sem lhe pagar os
seus direitos. As pesquisas mostram que a maioria dos franceses não
concorda com a lei.
Diante da recusa das entidades estudantis,
Villepin reuniu-se com representantes de outros grupos de estudantes,
ligados à base do governo e que não participam dos protestos
das últimas semanas. "Quero dar respostas às duas
principais preocupações dos jovens sobre o CPE: o período
de dois anos e as condições do término do contrato",
disse o governante ao fim do encontro, em um indicativo da defensiva
em que se encontra o governo.
Outro que tira partido do enfraquecimento
de Villepin é Nicolas Sarkozy, ministro do Interior, que rivaliza
com o primeiro ministro para ser o candidato da direita nas próximas
eleições presidenciais. "Com 20 anos de desemprego
em massa, 15 anos de um crescimento econômico medíocre,
dez anos de um poder de compra ridículo, sete mudanças
políticas desde 1981, como podemos acusar os jovens por estarem
gritando o que seus pais pensam?", disse Sarkozy ontem, numa reunião
do UMP, o partido do governo.
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NOVA CENTRAL, 27 de março
de 2006
Deputados analisam proposta que cria fundo
para pagar execuções trabalhistas
A Câmara analisa o Projeto de Lei
6541/06, que cria o Fundo de Garantia das Execuções Trabalhistas
(FGET) para custear o pagamento das indenizações julgadas
pela Justiça do Trabalho. A proposta foi apresentada pela comissão
mista que estudou a regulamentação da Emenda Constitucional
45, que já previa a criação desse fundo.
O FGET adiantará ao trabalhador
o valor devido pelo empregador até 40 salários mínimos
(atualmente, R$ 12 mil), quando a penhora de seus bens não for
possível ou for insuficiente para quitar a dívida. O devedor
pagará ao fundo juros de 5% sobre o valor adiantado, além
de multa em caso de atraso.
Além da verba orçamentária
própria, o fundo será composto por receita de multas aplicadas
pela Justiça e pela fiscalização do trabalho e
por lucros de aplicações financeiras e receitas patrimoniais.
O valores depositados no FGET são impenhoráveis.
Conselho
Para gerir o fundo, o projeto cria um
conselho deliberativo, que será composto por três representantes
dos trabalhadores, três dos empregadores, um da Justiça
do Trabalho, um do Ministério Público do Trabalho, um
do Ministério do Trabalho e Emprego, um da Caixa Econômica
Federal, um do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e um
do Banco Central.
Nenhum dos integrantes desse conselho
será remunerado.
A secretaria-executiva será de
responsabilidade do Ministério do Trabalho, e a Caixa Econômica
será o agente operador do fundo.
Tramitação
A matéria foi apensada ao PL
4597/04, do deputado Maurício Rands (PT-PE), que trata do mesmo
assunto. Os projetos estão na Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania e, em seguida, serão submetidos
à análise do Plenário.
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NOVA CENTRAL, 27 de março
de 2006
Carga tributária chega a 35% do
valor pago por medicamentos
O consumidor paga R$ 35 de imposto em
cada R$ 100 desembolsados com remédios nas drogarias brasileiras.
A conclusão é de estudo feito pelo Instituto Brasileiro
de Planejamento Tributário (IBPT). O levantamento mostra que
a carga tributária média no preço final dos medicamentos
é de 35,07%, índice muito maior que o dos alimentos em
geral, como leite (13,75%), arroz e feijão (16,54%) e carnes
(18,67%). É ainda mais alta que a dos medicamentos veterinários
(14,31%), insumos agrícolas (14,31%), rações de
uso animal (23,43%) e é até mesmo superior à de
aviões (29,47%), embarcações (29,51%) e flores
(18,91%).
Os três principais tributos incidentes
sobre os medicamentos são ICMS, Cofins e contribuição
previdenciária (INSS). “O peso dos impostos nos medicamentos
chegou a níveis insuportáveis. Isso pode ter acontecido
pelo fato de os remédios representarem a segunda ou terceira
maior arrecadação de impostos em alguns estados do país”,
afirma Ciro Mortella, presidente da Federação Brasileira
da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), que encomendou
o estudo ao IBPT.
O levantamento mostrou que a tributação
sobre os medicamentos no Brasil é a mais alta do mundo. Em outros
países, como os Estados Unidos, a taxação é
de 5%; no Canadá de 7%; no México, 15% e na Alemanha e
Espanha, 16%. Se for comparar a carga tributária incidente no
preço final dos medicamentos com outros produtos essenciais à
população, principalmente itens da cesta básica
e insumos agrícolas, a tributação nos remédios
surpreende, segundo Gilberto Luiz do Amaral, presidente do IBPT. “A
carga tributária é tão desigual que há a
ironia no mercado que diz que a pessoa que entra mugindo em uma farmácia
gasta menos do que tossindo. É uma incoerência de política
pública”, afirma Amaral. Segundo o estudo, os medicamentos
veterinários pagam 14,3% menos tributo do que os humanos.
O que mais pesa sobre a carga tributária
dos medicamentos é o ICMS, que varia de alíquota conforme
o estado. A maioria dos estados cobra 17%. Em Minas Gerais , São
Paulo e Paraná sobe para 18% e no Rio de Janeiro, 19%. “Sabemos
que a discussão tributária está em diversos setores
no Brasil. Vamos buscar conversar com cada estado e a União”,
observa Mortella. Segundo a Febrafarma, cerca de um terço da
população brasileira não tem condições
de adquirir remédios sem subsídios.
CÁLCULO INJUSTO
Segundo a Pesquisa de Orçamentos
Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o gasto com remédios é o principal item individual
de gasto familiar, sendo que parcela de renda mais baixa da população
compromete índice maior do orçamento para a compra de
medicamentos. O peso do custo dos remédios é maior para
quem ganha de R$ 400 a R$ 600. Nessa faixa de renda, o desembolso mensal
com remédios é de R$ 21,04, o que representa 3,2% do total
das despesas, segundo a POF. O levantamento distribuiu as famílias
em 10 faixas de renda. Começa nas casas com rendimento de até
R$ 400 e vai até os salários de mais de R$ 6 mil ao mês.
As famílias com ganho de mais de R$ 6 mil têm o maior gasto
médio mensal com medicamentos (R$ 116,01). Mas como o rendimento
é maior, o custo no orçamento doméstico é
o mais baixo entre as faixas de renda pesquisadas: 1,33%. Em Minas Gerais,
o gasto anual das famílias com medicamentos é mais alto
do que a média brasileira: R$ 500,64, ou R$ 41,72 ao mês.
Os laboratórios brasileiros venderam
1,61 bilhão de unidades em 2005. É 2,32% a menos do que
em 2004. O incremento nas vendas de genéricos e as exportações
maiores livraram a indústria farmacêutica brasileira de
amargar perdas mais significativas no ano passado. O faturamento do
setor chegou a R$ 22,2 bilhões. Segundo Mortella, a expectativa
é de que o faturamento das laboratórios seja mantido este
ano.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 25 de março de 2006
ESCÂNDALO DO "MENSALÃO"/
PALOCCI EM APUROS
Ministro rompe silêncio, admite ter cometido erros e afirma que
economia está "no céu"
Palocci diz viver inferno e vincula crise
às eleições
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci,
rompeu o silêncio que já durava dez dias e aproveitou uma
cerimônia ontem em São Paulo para se defender. Admitiu
ter cometido erros e disse que hoje vive o "inferno", em contraponto
com a situação econômica que, segundo ele, "está
no céu".
Desde o dia 14, quando a CPI dos Bingos
ouviu o caseiro Francenildo Costa, que contradisse Palocci ao afirmar
que ele freqüentava a casa alugada por lobistas, o ministro não
fala à imprensa. Ontem, mesmo a contragosto, permitiu a presença
de repórteres na sala da cerimônia de posse do novo conselho
da Câmara Americana do Comércio, em São Paulo, mas
não deu entrevistas.
Ao iniciar seu discurso de 36 minutos
(16 a mais que o previsto), Palocci anunciou a quebra de protocolo.
Disse que não iria ler o texto "longo e chato" que
havia preparado, mas que gostaria de ter uma "conversa franca".
Na platéia, havia 700 pessoas, entre presidentes de grandes companhias,
advogados e consultores.
Aparentando calma, disse várias
vezes que a economia não será afetada pela crise política,
elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ligou o que
chamou de inferno pessoal às eleições.
"Sou político e não
me recuso a fazer o debate político, não me recuso a falar
sobre as coisas que me envolvem, mas, às vezes, o que faz parte
da política chega a um nível de exacerbação
exagerada", disse.
Em nenhum momento, Palocci fez uma citação
direta das acusações que pesam contra ele. Pelo contrário,
disse que, apesar da proximidade das eleições, os opositores
devem pensar no que é o melhor para o Brasil, independentemente
dos interesses partidários. "Precisamos ter serenidade para
atravessar esse período de crise. Caso contrário, corremos
o risco de ter uma eleição muito agressiva, que vai acabar
agredindo o eleitor em vez de oferecer a oportunidade de debater democraticamente
diferentes programas para melhorar o Brasil."
Sobre o silêncio, Palocci disse
que, como ministro, sempre irá se recolher quando as acusações
forem baixas. "Fiquei um pouco retraído nesta semana, mas
vou fazer isso sempre que a discussão resvalar para algum plano
que desrespeite a instituição, que desrespeite pessoas,
que desrespeite o trabalho de cada um."
Nos 36 minutos de discurso, Palocci gastou
uns cinco minutos em cumprimentos e anunciando que não iria ler
o discurso, uns 20 minutos falando sobre os pilares de sustentação
da economia brasileira e mais ou menos dez minutos sobre a situação
política.
Os convidados não tiveram a oportunidade
de fazer perguntas a Palocci. Leia abaixo trechos do discurso do ministro
da Fazenda:
CÉU E INFERNO
- "Como é possível uma economia que está no
céu e um ministro da Fazenda que está no inferno, no terceiro
ou quarto círculo do inferno de Dante [Alighieri, autor de "A
Divina Comédia"]? Isso é possível porque a
economia brasileira começa a ganhar maturidade [...] e isso não
é só do meu período, foram vários esforços
que permitiram ao Brasil atingir um grau de profundidade que suas políticas
se tornam mais permanentes do que as pessoas".
FIRMEZA DE LULA - "Atingimos
um nível de consolidação dos nossos compromissos
de equilíbrio fiscal, de melhora nas contas externas, de controle
do processo inflacionário, que formam uma combinação
de pilares que o Brasil nunca teve no passado. [...] Isso foi possível
graças à firmeza do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva. Insisto que nada teria acontecido sem o apoio do presidente,
que é muito racional, toma decisões claras e sabe que,
às vezes, é preciso fazer um esforço a longo prazo
para obter resultados."
FUTURO - "Temos
como desafio neste e nos próximos anos continuar o nosso trabalho,
com as reformas microeconômicas, completar trabalhos como a lei
de falência, temos muito o que fazer".
CRISE E ECONOMIA - "É
verdade que a política está cobrando o seu preço,
a política está recrudescendo. Não penso que isso
vá prejudicar a economia. Mesmo nos momentos de mais tensão
política, como no ano passado, não tivemos desarranjos
do processo econômico. Mas, de qualquer forma, o bom funcionamento
das instituições é fundamental para que o país
caminhe bem."
FORÇAS POLÍTICAS
- "Infelizmente, penso que neste momento as forças políticas
se encontram num processo de conflito extremamente negativo para o país."
ISOLAMENTO - "Sou
político, [...] não me recuso a falar sobre as coisas
que me envolvem, mas, às vezes, o que faz parte da politica chega
a um nível de exacerbação exagerada. Algumas pessoas
não têm limites entre investigar o que é justo e
o que é perseguir. Essa é uma questão que está
presente no atual momento de conflito no Brasil e nós precisamos
de serenidade. Caso contrário, corremos o risco de ter uma eleição
muito agressiva, que vai acabar agredindo o eleitor em vez de oferecer
a oportunidade de debater democraticamente diferentes programas para
o Brasil."
ISOLAMENTO 2 - "Disseram
nesta semana que eu me afastei da imprensa. Quero que vocês compreendam
que não posso, como ministro da Fazenda, debater todo tipo de
acusação baixa e ofensas. Não posso. Sempre que
essas coisas acontecem, eu me silencio um pouco, mas não deixo
de fazer os meus compromissos. Não posso fazer do Ministério
da Fazenda um debate desses temas."
ERROS - "Neste
período de crise, houve erros de todas as partes. Eu não
sou daqueles que acham que só a oposição está
errada. O governo cometeu erros, o partido cometeu erros, eu certamente
cometi erros, e todos nós temos de pagar pelos erros que cometemos,
mas não se pode transformar o debate político numa crise
sem fim, em agressões a vidas pessoais. Não se pode permitir
que a política atinja esse nível. Mas, quando chega a
isso, me afasto."
ELEIÇÃO
- "Se não conseguirmos equilibrar esse processo político,
poderemos ter problemas, não na economia, mas poderemos comprometer
o próprio processo e o ambiente de uma eleição
positiva que nós precisamos e podemos ter no Brasil."
SEGURANÇA - Quero
dizer a vocês que fiquem tranqüilos e seguros, que não
só o nosso trabalho mas também o presidente Lula está
muito vigilante em relação ao processo econômico
e, mais do que isso, aquilo que está conquistado [...] dá
garantia para que o Brasil e a nossa política econômica
não sofram impactos indesejáveis."
IMPRENSA- "A imprensa
brasileira é dinâmica, é aberta, é democrática,
faz bem ao Brasil, mesmo quando ela briga conosco. [...] Porém,
alguns colegas de imprensa precisam prestar atenção no
que dizem porque ofendem pessoas, agridem famílias."
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 25 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Presidente ironiza oposição ao prever que será
processado por conta de uma cadela que subiu com broches do PT ao palco
onde discursou
Lula diz que "jogo baixo" deve
marcar campanha eleitoral
THIAGO GUIMARÃES
DA AGÊNCIA FOLHA, EM VITÓRIA
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva previu ontem, em Vitória,
um cenário de ataques para este ano eleitoral. Em discurso repleto
de referências indiretas a seus adversários, afirmou que
não fará "jogo rasteiro" e que "tropa com
moral baixa não ganha guerra".
"Podem ficar tranqüilos, que
este é um ano em que, se depender de alguns, não de todos,
o jogo vai ser muito baixo", afirmou Lula, para uma platéia
majoritariamente petista -pelo menos 1.300 militantes se credenciaram
para a visita, uma comemoração aos cem anos do porto de
Vitória.
Em fala pontuada por aplausos e gritos
de apoio da platéia, o presidente afirmou nunca ter atacado outros
políticos durante seu mandato: "Jogo rasteiro é para
outro tipo de gente, para quem não respeita o povo quando a gente
se dirige ao povo."
Lula disse ainda que, depois de eleições
perdidas no passado, muitas vezes "já estava saindo pelo
Brasil outra vez para levantar a moral da tropa". "Porque
tropa com moral baixa não ganha guerra. E nós chegamos
lá."
Ele comparou seus "quatro anos"
de governo com os "10, 15 ou 20 anos deles". A cada pergunta
que fazia -quem gerou mais empregos e cuidou mais da agricultura familiar,
da educação e dos pobres-, o público gritava seu
nome.
Lula voltou a responsabilizar a oposição
pela não-aprovação, pelo Congresso, do Orçamento
da União para 2006. "Porque o Brasil é assim: o governo
quer trabalhar e tem uma banda que não quer que o governo trabalhe",
afirmou o presidente.
O morador de Vila Velha Adalberto de
Castro, 42, que carregava duas cadelas pincher enfeitadas com capas
e broches do PT, subiu ao palco. Lula aproveitou para ironizar as afirmações
da oposição de que estaria fazendo campanha antes do prazo
legal.
"Vocês vão ler na imprensa,
amanhã [hoje], que alguns partidos vão entrar com um processo
contra mim, por causa deste cachorrinho. Anote aí, eu vou ser
processado por causa da Princesinha [nome de uma das cadelas]. Vão
dizer que a Princesinha estava fazendo campanha."
Um caminhão de som que seria utilizado
ontem em um protesto de professores e militantes de esquerda, foi vetado
por ordem do governo do Espírito Santo. A Folha ouviu essa afirmação
de um guarda de trânsito e de dois policiais militares, durante
a confusão causada pelo veto. A assessoria do governador Paulo
Hartung (PMDB) disse que não houve impedimento ao protesto, apenas
ao caminhão de som, cujo tráfego seria proibido no centro
de Vitória.
Rio
No lançamento do projeto de revitalização
da zona portuária do Rio de Janeiro, o presidente foi homenageado
com um rap composto por um operário do porto e prometeu reajuste
salarial a servidores públicos.
Escrito por Elias Henrique de Medeiros,
o Henriquinho, o rap alude à trajetória de Lula e exalta
os brasileiros a terem esperança. "Esse é o nosso
orgulho/ Brasileiro de ser/ O homem que hoje é presidente/ Era
igual a eu e você/ Isso não é um sonho/ É
real/ A vida ensina/ É Lula presidente/ Esse é um exemplo
de vida", diz.
Lula agradeceu a homenagem. Ressaltou
a importância da revitalização do porto do Rio.
"A geografia deu ao Rio de Janeiro o que não deu a nenhuma
outra cidade no mundo, e o Rio de Janeiro vai perdendo isso na medida
em que as pessoas não cuidam daquilo que a natureza nos deu.
Então, a gente lê notícias de praias poluídas,
a gente lê notícia de violência, lê notícia
de coisas se degradando." O porto, diz, será "um cartão
de visita" da cidade.
O projeto de revitalização
da zona portuária é apoiado pelo BNDES e pela Caixa Econômica.
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Folha de São Paulo,
26 de março de 2006
ESCÂNDALO DO "MENSALÃO"/
DANÇA DAS CADEIRAS
Senador tem a confiança de Lula e estaria disposto a manter os
rumos da política econômica
Mercadante ganha força como substituto
de Palocci
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Cresceu a possibilidade de o líder
do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), substituir o ministro
Antonio Palocci Filho na Fazenda. O presidente do BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social), Guido Mantega, segue cotado
com menos força do que até anteontem à noite. Lula
analisa outros nomes, não descartados, mas com menor chance.
A Folha apurou que Mercadante é
o preferido de parte da cúpula do governo e do PT. Tem a proximidade
com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que Mantega também
possui e que é considerada o critério principal para a
troca de Palocci. A favor do senador contam o maior peso e traquejo
político para missão espinhosa e o melhor trânsito
com o empresariado nacional.
No fim do ano passado, quando Palocci
enfrentou duelo sobre política econômica contra a chefe
da Casa Civil, Dilma Rousseff, o ministro da Fazenda pediu demissão
três vezes, mas Lula não aceitou. O presidente, porém,
sondou Mercadante para o cargo.
Pesa contra Mercadante o temor de arroubos
para mudar o "paloccismo" da política econômica.
Mercadante, porém, já sinalizou que, se for o escolhido,
dará provas inequívocas de manutenção do
rumo econômico.
Exemplo: crítico da meta de inflação
de 4,5% ao ano, poderia dizer que acha que esse patamar deva continuar
num eventual segundo governo Lula. "Beijaria a cruz dos mercados",
diz um ministro, e se firmaria no posto.
Para Lula, Mercadante amadureceu politicamente
e deixaria a disputa pela candidatura petista ao governo paulista para
assumir a Fazenda. Ele foi referência econômica no PT até
Palocci virar o homem-forte na área.
Um integrante da cúpula do governo
diz ser "o fim da linha" para Palocci, petista que coordenou
o programa de governo de Lula em 2002, convenceu o presidente a abandonar
o receituário econômico tradicional do PT, aprofundou a
ortodoxia fiscal e monetária do governo FHC e virou o ministro
mais forte em seus quase três anos e meio de governo.
Palocci deverá sair em breve,
como antecipou ontem a Folha. O presidente da Caixa, Jorge Mattoso,
também. Mattoso teria, no mínimo, perdido credibilidade
para continuar na Caixa, instituição centenária
e com imagem arranhada no episódio.
Uma parte da cúpula do governo
defende uma troca na Fazenda ainda no final de semana para o novo titular
ser apresentado até hoje à noite, e para que o mercado
abra calmo amanhã. Lula, porém, tem dito que deve decidir
até amanhã, quando encontrará Mercadante.
Caseiro
Palocci só poderia permanecer
se um rápido desfecho da apuração da Polícia
Federal isentasse o ministro ou sua assessoria de participação
na quebra ilegal do sigilo do caseiro Francenildo Costa. Há,
porém, suspeitas de que Marcelo Netto, assessor especial do ministro,
tenha participado do vazamento, o que ele nega em conversas reservadas.
Mesmo que Palocci seja isentado da quebra
ilegal de sigilo, há o agravante da perda das "condições
políticas" para continuar, segundo palavras do próprio
ministro da Fazenda em reunião com Lula na quinta-feira.
Lula estava decidido a bancar Palocci
a qualquer custo quando a crise era alimentada pelo debate se ele havia
ou não freqüentado a chamada "casa do lobby".
No entanto, avalia que não pode segurá-lo após
a quebra ilegal do sigilo do caseiro e de indícios de participação
de assessores pelo menos no vazamento.
Francenildo diz que Palocci freqüentou
a casa alugada em Brasília por ex-auxiliares para fazer lobby
e dar festas com garotas de programa. Palocci disse à CPI dos
Bingos que nunca foi à casa. Em reuniões do governo, admitiu
ter ido à casa para atividade de caráter privado, mas
nunca para participar de corrupção.
Na opinião de Lula e principais
auxiliares, o presidente está sendo visto pela opinião
pública como protetor de um poderoso ministro contra um cidadão
de origem humilde à custa de abusos das instituições
do Estado. Essa imagem é tida no Planalto como mortal eleitoralmente.
Além de Mercadante e Mantega,
há outros cotados para a Fazenda: os ministros Paulo Bernardo
(Planejamento) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) e o secretário-executivo
da Fazenda, Murilo Portugal.
Bernardo é afinado com Palocci
e bem avaliado por Lula, mas não teria tanta intimidade com o
presidente. Portugal é solução difícil de
ser aceita pelo PT, apesar de querido pelo mercado. Furlan seria independente
demais. A chance de um banqueiro ou empresário existe, mas é
pequena.
Confirmada a saída de Palocci,
ele manterá o direito de concorrer a deputado federal nas eleições
de outubro. O ministro teme que um juiz de primeira instância
acate eventual pedido de prisão por suspeitas de corrupção
do tempo em que foi prefeito de Ribeirão Preto. Um mandato de
deputado lhe daria foro privilegiado -poderia responder a eventuais
processos somente no STF (Supremo Tribunal Federal).
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Folha
de São Paulo, 26 de março de 2006
DESIGUALDADE
Para Ipea, que realizou estudo, vínculo mais frágil com
empresas pode explicar tempo maior para subir na carreira
Mulher espera 35% a mais por promoção
MAELI PRADO
DA REPORTAGEM LOCAL
Se um recém-formado com nível universitário leva
6,5 anos, por exemplo, para ser promovido a gerente ou diretor, uma mulher
nas mesmas condições sobe de patamar em dez anos. Ou seja,
para elas, o salto na carreira demora 35% a mais, mostra estudo que analisou
a evolução profissional de administradores, contadores,
chefes de seção, economistas, engenheiros e supervisores
dentro de grandes empresas.
O mesmo levantamento, que foi realizado pelo Ipea (Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada), órgão ligado ao
Ministério do Planejamento, conclui que a tendência é
que essa diferença, apesar de existir, não é tão
grande nas empresas de capital estrangeiro. Uma explicação
possível é que essas companhias seriam mais eficientes
-uma eventual discriminação poderia levar à ineficiência.
É a primeira vez no Brasil que um pesquisador
calcula as diferenças de tempo para promoção de
homens e mulheres nas grandes empresas. Para chegar a esse dado, o economista
Danilo Coelho tomou como base informações de 1996 a 2004
da Rais (Relação Anual de Informações Sociais),
uma espécie de censo anual do mercado de trabalho formal do Ministério
do Trabalho.
De acordo com ele, a promoção
mais lenta das mulheres, seja nas empresas de capital nacional ou estrangeiro,
não é explicada somente por preconceito dos empregadores.
"Pode ser discriminação,
mas pode ser também que as mulheres tenham um vínculo
mais frágil com as empresas. Elas podem ter alternativas mais
atraentes que os homens fora do mercado de trabalho, como ter filhos."
Licença-maternidade
A professora do Ibmec São Paulo
Regina Madalozzo, especializada em economia do trabalho, aponta na mesma
direção. "A coisa mais óbvia que a gente pode
imaginar é que o fato de as mulheres deixarem de trabalhar para
tirar licença-maternidade de quatro meses já explica parte
do tempo a mais que elas levam para serem promovidas. São pelo
menos quatro meses a mais."
O nível educacional, lembram especialistas,
não pode ser a razão para uma ascensão mais lenta
das mulheres, já que elas, em média, são mais escolarizadas
do que os homens. "Esses números podem refletir uma procura
das empresas por custos mais baixos", diz a economista Anita Kon,
da PUC-SP. "Quando as mulheres têm filhos, saem e uma pessoa
tem que ser contratada para substituí-las."
Dados da Pnad (Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio), do IBGE, mostram os efeitos da ascensão
mais lenta das mulheres dentro das grandes empresas brasileiras de transformação:
elas representam atualmente apenas 14% dos cargos de comando, como gerência
e direção.
De qualquer forma, o quadro é
melhor do que o de anos atrás: em 1996, por exemplo, as mulheres
representavam 22% do total de empregados nessas indústrias e
somente 8% dos cargos de comando (leia texto abaixo).
Indústria de transformação
O economista tomou como base, para realizar
o estudo, os trabalhadores da indústria de transformação
(aquela que agrega valor ao produto, como vestuário, calçados,
eletroeletrônicos, alimentícia, entre outras).
Os funcionários pesquisados foram
os que exerciam cargos de administrador, contador, chefe de seção,
economista, engenheiro, supervisor de vendas e supervisor de compras
de 1996 a 2004.
Apurou-se, por meio dos dados fornecidos
pelas empresas ao Ministério do Trabalho, quanto tempo homens
e mulheres nesses cargos levaram para ser promovidos a gerente ou diretor.
O pesquisador selecionou apenas quem
tinha entre 20 e 26 anos quando entrou na empresa e curso superior completo.
Coelho chegou a dois resultados diferentes
sobre o tempo adicional que a mulher leva para ser promovida em relação
ao homem. O primeiro, que apontou uma diferença de 35%, é
mais representativo, já que leva em conta toda a amostra.
O segundo cálculo feito pelo pesquisador
exclui o efeito que a profissão em si pode ter sobre uma promoção
(engenheiros, por exemplo, são promovidos mais rapidamente do
que advogados, e a proporção de homens engenheiros é
maior).
Nesse caso, o resultado também
é desfavorável para as mulheres: elas levariam 23% a mais
de tempo para serem promovidas do que os homens, em média.
Mas esse cálculo não é
tão representativo, já que, para fazê-lo, o pesquisador
teve de retirar da base pesquisada aqueles funcionários cuja
posição na empresa antes do período analisado por
ele (com início em 2006) é desconhecida. Isso reduz o
universo pesquisado e contamina a amostra, pois retira exatamente os
funcionários que foram promovidos mais rapidamente (a maioria
homens, que já eram gerentes ou diretores em 2006 e dos quais
se desconhece o cargo anterior).
Esses funcionários cuja posição
anterior se ignorava foram retirados porque, sem essa informação,
não era possível calcular o efeito do cargo que exerciam
sobre a promoção que tiveram.
Mais gente, promoção
tardia
Além da comparação
do tempo até a promoção entre homens e mulheres,
outra conclusão do estudo foi que contratações
podem retardar promoções, de homens ou mulheres, dentro
de uma empresa: a cada 1% de mais funcionários, o tempo de emprego
até uma promoção sobe 6,7%. "Isso ocorre porque
a quantidade de cargos de gerência e direção em
uma empresa cresce menos, proporcionalmente, do que o número
de empregados", diz Coelho.
Os números apontam ainda em quais
cargos os funcionários, de qualquer sexo, têm mais chance
de promoção: em primeiro lugar, aparece o chefe de seção,
e, em seguida, os supervisores.
Em terceiro, vêm os engenheiros,
que levam 29% a menos de tempo para serem promovidos do que advogados,
economistas, administradores e contadores. O estudo do Ipea mostra ainda
que, na região Sudeste, a competição por promoções
é mais acirrada: os trabalhadores de indústria de transformação
da região levam, em média, 12% a mais de tem- po para
subir de posição.
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Folha
de São Paulo, 27 de março de 2006
PANORÂMICA
VENEZUELA
Hugo Chávez ameaça desapropriar
casas a fim de resolver déficit habitacional
O presidente venezuelano, Hugo Chávez,
disse ontem que poderia determinar a desapropriação de
casas de pessoas que já possuam outras propriedades ou regular
seu preço de modo a tentar resolver o déficit habitacional
do país.
O presidente ameaçou proprietários
que possuam mais de uma habitação e não queiram
vender a casa excedente a preços regulados com a desapropriação.
"Se tivermos de regulamentar isso, avisem; se tivermos de expropriar,
avisem", disse Chávez a seus ministros durante seu programa
dominical de TV. "Nós viremos com uma ordem presidencial
de expropriação para uso público e lhes pagaremos
o preço real", disse.
Chávez transformou o problema
habitacional num dos temas centrais de sua autoproclamada revolução
bolivariana. Especialistas estimam que o déficit habitacional
no país seja de 1,6 milhão de casas, sem mencionar o problema
das favelas em torno de Caracas.
Chávez já se valeu do instrumento
da desapropriação para colocar fazendas consideradas improdutivas
em seu programa de reforma agrária.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de março de 2006 | Política
ELEIÇÕES 2006-Radialistas reclamam
do novo prazo
Congresso muda legislação
para apresentadores
O plenário da Câmara Federal aprovou na quarta-feira uma
emenda ao projeto de lei 5.855/05 que determina aos pré-candidatos
apresentadores de televisão e rádio que se afastem de
suas funções na data da convenção do partido.
Na prática, a nova regra pode tirar os candidatos comunicadores
do ar quase quatro meses antes das eleições, dependendo
da data da convenção. O texto final deve passar novamente
pela apreciação do Senado e deve valer para esta campanha.
As convenções partidárias
serão realizadas entre os dias 10 e 30 de junho e o registro
de candidatura será feito pelos partidos até 5 de julho.
Pela regra atual, os comunicadores precisam afastar-se das emissoras
60 dias antes das eleições, ou no início de agosto.
O argumento para a antecipação do afastamento dos radialistas
e apresentadores é de que eles teriam privilégio por estarem
mais expostos na mídia do que os outros concorrentes nas eleições.
Radialistas que são pré-candidatos discordam. "Não
é privilégio. É uma atividade profissional e com
o afastamento está se impedindo o exercício da profissão.
Dois meses, como era nas eleições anteriores, é
o suficiente. O maior problema é que o profissional vai ficar
de três a quatro meses sem receber seu salário", diz
o vereador de Curitiba Luizão Stellfeld (PC do B), que acaba
de voltar para um programa esportivo de televisão, no qual é
comentarista. Agora pode ter de sair do programa até o fim de
junho, já que pretende ser candidato a deputado estadual.
O radialista e deputado estadual Barbosa
Neto (PDT), pré-candidato ao Senado, diz que há uma preocupação
exagerada nessa exposição dos comunicadores quando, ao
mesmo tempo, a Câmara Federal não modificou as questões
mais importantes. Ficaram presos a pequenas coisas e não mexeram
onde tinham que mexer", diz Neto.
O apresentador de televisão e
vereador Roberto Hinça (PDT), acha que essa emenda deve ser barrada
na Justiça, pois prejudicaria os veículos de comunicação.
"Prejudica muito a parte comercial do programa porque o apresentador
tem nome e alguns contratos de patrocínio são fechados
em função dessa credibilidade. Se ele sai, os contratos
podem ser revogados, provocando prejuízo ao veículo de
comunicação", diz.
Com um programa que leva seu nome, Hinça
conta que já fez "malabarismos" nas eleições
de 2004 com a legislação atual, já que 90 dias
antes do dia da votação seu nome não pode ser falado
e nem mostrado no programa. No caso dele, o programa mudou de nome e
o cenário foi reformado. O vereador é pré-candidato
a uma vaga na Assembléia Legislativa.
O deputado estadual Ratinho Júnior
(PPS), que é radialista e apresentador de tevê, diz que
com o afastamento antecipado quem sofre mais são os comunicadores
que prestam assistência social através do programa. "O
rádio e a tevê não são meus meios de fazer
política. Não uso o rádio para angariar votos,
dando cadeira de rodas ou inalador. Já os que usam desse meio
para manter o eleitorado, vão sofrer", disse o deputado,
que pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Há 39 anos atuando como
radialista, o vereador de Curitiba Mário Celso Cunha (PSDB) não
será candidato neste ano, mas critica a mudança no prazo.
"E uma discriminação com radialista. Os médicos
e dentistas continuam trabalhando com sua clientela. Os professores
de cursinho têm contato com 5 mil alunos por dia. E radialistas
e apresentadores não podem continuar na atividade", diz
o vereador, lembrando que a bancada de radialistas diminuiu na Assembléia
Legislativa. Não foram reeleitos Luiz Carlos Alborghetti, Ricardo
Chab e Algaci Túlio, o que provaria que ter programa de rádio
não garante uma eleição.
Daniela Neves
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de março de 2006 | Política
CRÍTICAS
Projeto proíbe verbas oficiais
O deputado estadual Neivo Beraldin (PDT) é um contundente crítico
de radialistas que são deputados. É dele o projeto de
lei que proíbe ao governo do estado repassar dinheiro a emissoras
de rádio que tenham parlamentares estaduais como proprietários.
O projeto está tramitando na Assembléia Legislativa.
Na semana passada Beraldin enviou à
Secretaria Estadual de Comunicação um requerimento para
saber quais deputados, que possuem programas de rádio e televisão,
receberam recursos financeiros do governo do estado e quais os valores
repassados, desde 2001 até agora.
Para o pedetista, a antecipação
do afastamento de comunicadores que são pré-candidatos
é mais do que necessária. "A maior parte só
trabalha para a reeleição deles mesmos. Passam o programa
criticando os prefeitos, apontando os problemas dos bairros, porém,
como deputados não agem para solucionar tais problemas. Poderiam
se aprofundar na análise do orçamento estadual e fiscalizar
a aplicação do dinheiro público, que são
funções dos deputados", diz Beraldin.
Para o deputado, radialistas que
se elegem deveriam se afastar dos programas na data da posse. "É
uma situação muito desigual", diz. (DN)
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de março
de 2006
Desemprego assombra Brasil e Argentina
Essa é a questão em comum
apontada por pesquisa de opinião pública realizada nos
dois países
São Paulo Um levantamento de opinião pública ajuda
a lembrar que brasileiros e argentinos habitam universos mentais paralelos
e têm uma atitude diversa diante do futuro. Realizada pelo Instituto
Ipsos, com base em 2.200 entrevistas nos dois países, a pesquisa
''Dados de opinião pública da Argentina e do Brasil''
tem números que ajudam a contar a história dos dois povos,
revelando ambições e decepções no interior
de cada fronteira. Na última década o Brasil teve um crescimento
mais equilibrado do que a Argentina, com uma queda respeitável
no número de pessoas que sobrevivem abaixo da linha de pobreza.
No país vizinho, a mancha de pobreza dobrou.
O levantamento registra esses dois mundos
e mostra o brasileiro, em geral, como um cidadão mais otimista,
embora preocupado com a corrupção. Já os argentinos,
mais cautelosos ao examinar o futuro, se incomodam com o crescimento
da pobreza. A pesquisa revela que tanto para brasileiros (62%) como
para argentinos (66%) o principal problema é a falta de empregos
sinal de que, embora nos últimos anos a oferta de postos de trabalho
esteja em alta aqui e lá, o fantasma do desemprego segue feio
o suficiente para encabeçar a lista dos temores coletivos e individuais.
Há duas perguntas cruciais: ''Como o senhor acredita que estará
seu país dentro de um ano?'' A outra pergunta é uma continuação
da primeira: ''Como estará sua situação pessoal
neste período?''
Um grande número de brasileiros
e argentinos acha que a vida vai melhorar, mas os nossos otimistas são
mais otimistas do que os deles. Para 53% dos brasileiros, o país
vai estar melhor em 2007 e um espetacular total de 68%, ou mais de dois
terços da população, acha que sua vida individual
vai avançar. Menos da metade dos argentinos 47% acredita no progresso
do país no ano que vem e um número muito semelhante, 46%,
acredita que sua vida estará mais confortável. Descobre-se
nesse levantamento uma diferença curiosa. O número de
brasileiros que acredita no progresso individual é quase 30%
superior ao daqueles que acreditam na melhoria do país como se
não houvesse tanta ligação entre os dois destinos.
Na Argentina, um idêntico número de pessoas acredita no
progresso individual e no avanço do país.
Como sabem os estudiosos dos humores
e sonhos das populações, sempre que fala de seu futuro
a maioria das pessoas está falando sobre o passado, também.
Julga o próprio esforço para subir na vida, mas também
avalia a atuação dos sucessivos governos que contribuíram
para deixar o país em determinada situação. Suas
opiniões estão dentro de um contexto, e têm um lugar
definido.
Para Clifford Young, diretor executivo
da Ipsos no Brasil, a pesquisa mostra que os dois povos enfrentam situações
opostas. ''O brasileiro vive uma situação de relativa
estabilidade econômica, que lhe permite planejar o próprio
futuro numa situação que lhe parece segura. O argentino
não consegue fazer projetos de longo prazo nem se programar.
Sua referência segue sendo o passado, que deixou traumas muito
fortes.''
Embora o crescimento econômico
da Argentina nos últimos três anos tenha atingido níveis
que o Brasil só conheceu nos tempos do milagre econômico
de Delfim Netto, as dores de um passado recente ainda produzem sofrimento.
Na Argentina, o número de cidadãos que são definidos
estatisticamente como ''miseráveis'', passou de 8,2% da população
em 1990 para 16,9% em 2004. No mesmo período, a mancha de miseráveis
brasileiros encolheu de 23,4% da população para 14,2%.
''Considerando o tamanho do desastre,
o pessimismo relativo dos argentinos é até surpreendente,''
avalia o historiador Boris Fausto, co-autor de um livro sobre os dois
países. O saldo social ajudou a criar no Brasil um consenso político
em torno da estabilidade econômica, numa ''postura mais pragmática,''
diz Young.
Passado Na Argentina, o desastre social
produziu incertezas e mantém sombras do passado o mesmo país
que hoje cresce a 8% ao ano já enfrentou uma recessão
de quadro anos seguidos, quando o PIB chegou a cair 10%, depois de encolher
4% no ano anterior. Uma das questões colocadas pelo Ipsos revela
a persistência do antiamericanismo na Argentina. Para 21% dos
entrevistados, as multinacionais prejudicam seu país. É
um número pequeno, mas só 13% de brasileiros têm
essa opinião.
A visão dos argentinos sobre
si próprios alimenta sua cultura contemporânea, onde o
cinema chama a atenção pela quantidade de filmes inspirados
no passado, retratado de forma idílica. Essa situação
não deve iludir brasileiros que adoram comparar-se com o vizinho.
Mesmo mais pobres, os argentinos usufruem de uma situação
de conforto, educação e saúde bem superior. ''Eles
estão preocupados com a pobreza e a segurança porque isso
é novidade para eles,'' diz Fausto. ''Mas a nossa pobreza e nossa
falta de segurança são mais dramáticas.''
Paulo Moreira Leite
Agência Estado
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O ESTADO DO PARANÁ,
25 de março de 2006
Cooperativas debatem redução
de salários
Redação/O Estado do Paraná
O presidente da Federação
dos Trabalhadores em Cooperativas no Estado do Paraná (Fetracoop),
Mauri Viana, afirmou que a entidade vai apresentar aos trabalhadores
da Copacol uma proposta alternativa ao que chamou de “terrorismo
da empregabilidade” que a categoria está enfrentando em
função da redução das exportações
provocadas pela gripe aviária. A federação vai
defender na assembléia geral, marcada para amanhã, em
Cafelândia, Oeste do Estado, a manutenção dos atuais
salários. “Não podemos concordar com nenhum tipo
de redução salarial”, defende Mauri.
A Copacol, para evitar mais demissões, pretende reduzir em 20%
os salários dos seus empregados. A contraproposta da Fetracoop
é que a cooperativa não altere os salários e demita
os trabalhadores, pagando todos os direitos contratuais, seguro desemprego
e demais verbas rescisórias. Mas com a garantia de recontratação
dos mesmos funcionários dispensados após o término
da crise do setor aviário.
“A expectativa é que a crise dure entre cinco a oito meses.
Neste período os trabalhadores ficariam em casa recebendo o seguro
desemprego, com a certeza que serão recontratados pela Copacol.”
Na opinião de Viana, o setor cooperativista teve lucro nos últimos
cinco anos e há oito anos está se beneficiando com a redução
de impostos e taxas do governo federal e estadual.
A assembléia geral para definir se os trabalhadores concordam
com a redução nos salários, foi uma sugestão
apresentada pelo Ministério Público do Trabalho e o Ministério
do Trabalho, durante uma mesa-redonda envolvendo representantes da Fetracoop
e da Ocepar, ocorrida na semana passada, na Delegacia Regional do Trabalho,
em Curitiba.
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O ESTADO DO PARANÁ, 25 de março
de 2006
Entidades protestam contra a carga tributária
Redação/O Estado do
Paraná
No próximo dia 4 de abril, será lançado em Curitiba
o movimento “De Olho no Imposto”, para esclarecer a população
sobre a carga de tributos no Brasil e o destino dos recursos arrecadados.
Duas dezenas de entidades paranaenses encampam a proposta criada pela
Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O presidente
da entidade, Guilherme Afif Domingos, proferirá palestra, às
11h, na sede do CRC-PR (XV de Novembro, 2987), sobre a natureza do movimento
e o tamanho da carga tributária brasileira, conclamando a população
a participar desta ação. Depois do evento, os participantes
sairão em carreata em direção ao centro da cidade.
A meta do “De Olho no Imposto” é reunir 1,5 milhão
de assinaturas para encaminhar à Câmara Federal um projeto
de lei popular que regulamente o parágrafo 5.º do artigo
150 da Constituição Federal, que prevê a discriminação
em nota fiscal do valor dos impostos sobre produtos e serviços.
“Com isso, põe-se fim à fantasia de que pobre não
paga imposto no Brasil. Todos, indistintamente, pagam, e muito, sem
que isso se reverta em benefício da sociedade”, diz Afif
Domingos. Até agora, as entidades envolvidas conseguiram colher
500 mil assinaturas em municípios do interior de São Paulo.
Entre os escandalosos números dos impostos no Brasil, contabilizam-se
112 tributos e encargos e mais de 16 mil normas em vigor.
O movimento também realizará os “Feirões
do Imposto”, para mostrar a real carga de tributos para bens específicos.
Sobre uma casa popular, por exemplo, paga-se 39,5% de seu valor em impostos.
A conta da luz elétrica soma 100% de seu valor em tributos. Até
uma simples caneta esferográfica tem embutidos 48% de impostos
em seu preço final. E os números não param. “Os
cofres do sistema federal de arrecadação recebem cerca
de R$ 1,5 bilhão provenientes de impostos diariamente. Só
em 2006 a previsão é que se arrecade mais de R$ 800 bilhões
em tributos”, diz o presidente da Associação Comercial
do Paraná (ACP), Cláudio Slaviero.
Ao informar o cidadão, as lideranças do “De Olho
no Imposto” querem oferecer à população argumentos
para que ela saiba cobrar seus direitos. “A partir do momento
em que o cidadão, principalmente o das camadas mais pobres, toma
conhecimento do tamanho do desembolso em impostos, ele passa a exigir
melhores condições de tratamento”, afirma Afif Domingos.
“Na redistribuição dos impostos, que são
arrecadados nos municípios, a União fica com 60%, os Estados
com 25% e os municípios com 15%”, lembra Gilberto Amaral,
presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário
(IBPT). A má distribuição, segundo ele, faz com
que, em vez de se investir mais em programas locais, “a maior
parte do bolo fique em Brasília, distante do cidadão”.
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O ESTADO DO PARANÁ,
26 de março de 2006
ou a justiça do trabalho tem soluções
massificadas, ou ela nega o direito do trabalhador
Edésio Passos
O Tribunal Superior do Trabalho
recentemente inaugurou novas e modernas instalações, avança
no sistema de informatização, completa o quadro dos ministros
nos termos da EC-45/05, agiliza as normas para a execução
processual, referendando a execução das contas bancárias
on-line. Contribuiu, também, na elaboração das
novas leis processuais que gradativamente vão sendo sancionadas
e publicadas. Entretanto, esse conjunto de importantes medidas, dentre
outras que poderiam ser apontadas, não são suficientes
para a superação da crise que vem se agravando face o
crescimento e acúmulo de ações, com a excessiva
demora na prestação jurisdicional.
O ministro Ronaldo Leal assume a presidência do Tribunal Superior
do Trabalho (TST) a 17 de abril. Vem credenciado pela sua capacidade
jurídica e experiência administrativa que adquiriu, em
especial na Corregedoria Geral do TST. Tem por missão avançar
no enfrentamento das questões processuais, assim como completar
o quadro da modernização da Corte Trabalhista. O magistrado
concedeu recentemente entrevista ao jornal Valor Econômico, que
vem sendo amplamente divulgada diante dos posicionamentos firmados por
aquele magistrado, posições importantes sobre a atual
situação da Justiça do Trabalho e medidas para
enfrentamento da crise que a estrangula. Dada a importância das
idéias do ministro do TST, transcrevemos a entrevista concedida
ao jornal, com destaques em subtítulos.
As soluções massificadas
Valor: O TST inicia no ano com uma sede nova, novos ministros, mas também
convive com problemas como o grande número de processos e a alta
taxa de recorribilidade interna. A ampliação da estrutura
da Justiça do Trabalho pode superar esses problemas?
Ronaldo Leal: Se nós vivemos em uma sociedade de massas, as soluções
de um estado-cidade acabaram. Hoje, ou a Justiça do Trabalho
tem soluções massificadas, ou ela nega o direito do trabalhador.
Nós estamos negando todos os dias o direito do trabalhador porque
demoramos. A Justiça do Trabalho aplica uma imparcialidade em
favor do trabalhador, porque o trabalhador é um desvalido econômico,
político e social.
Mas, ele não perdeu sua condição de desvalia, ela
foi minimizada através do agrupamento dos trabalhadores, da sindicalização.
O trabalhador isolado é desvalido, não muda de condição
quando entra no Poder Judiciário. Como é que vamos continuar
com um sistema que obriga cada um, cada pai-herói, a entrar em
juízo, a procurar um advogado, esperar a sentença, recorrer
para o tribunal e recorrer para o TST. E o advogado que trabalha para
os empregados é menos afeito ao recurso extraordinário.
Recursos no TST
Valor: Quem recorre ao TST é a empresa?
Leal: Claro! Ou seja, a empresa não quer saber de qualquer
solução massificada ou qualquer restrição
ao acesso ao TST. Quer trazer um por um dos processos.
Valor: Isso é vantagem por quê?
Leal: É maravilhoso. Imagine só, se o trabalhador
morre antes de receber qualquer coisa, afinal um recurso no TST demora
5 anos. Este é um dos dois pontos de estrangulamento da Justiça
do Trabalho: O TST. O outro é a fase de execução.
Valor: O funcionamento do TST contribui pra isso?
Leal: Sim, hoje os recursos de revista são apresentados indiscriminadamente,
e quem sabe recorrer vem pra cá. Quando não é aceito
o recurso de revista - que é analisado pelo presidente do tribunal
- o advogado entra com o agravo de instrumento e vem pra cá.
Então o TST fica entupido dessas causas protelatórias,
que poderiam ser na verdade resolvidas lá embaixo. Precisamos
revalorizar o juiz de primeiro grau e os tribunais regionais. E dar
ao TST o papel que ele deve mesmo ter: o de unificador de jurisprudência.
Valor: Então é preciso criar novos filtros
para impedir a chegada de processos?
Leal: Temos que criar novos filtros. O TST é
um dos pontos de estagnação do processo.
O estrangulamento da execução
Valor: E quanto à execução?
Leal: É o outro ponto de estrangulamento. Quando
eu era corregedor, lutei muito pelo sistema Bacen Jud. Há um
mito de que o Bacen Jud é só da Justiça do Trabalho,
é na verdade de todo o Judiciário. Mas ele casou muito
bem com a Justiça do Trabalho. Porque o hipossuficiente é
o destinatário da prestação e o devedor é
o todo-poderoso empregador. Se você consegue bloquear uma conta
bancária de um devedor, ele está muito mais persuadido
a acabar com aquilo. Porque do contrário ele indica à
penhora quatro pneus furados e um trator que se encontra em uma propriedade
rural não-sei-onde. A lei estabelece que o primeiro bem a ser
penhorado é o dinheiro.
Valor: Mas isso não entra em contradição
com o princípio da penhora do bem menos gravoso ao devedor?
Leal: Esta norma não se aplica ao processo do
trabalho. O princípio do bem menos gravoso ao devedor significa:
vamos privilegiar quem não quer pagar. Quando eu era corregedor
criei um cadastro em que as empresas podem indicar uma conta única
para sofrer bloqueio. As grandes empresas nacionais, todas elas, se
cadastraram na corregedoria.
Mas por que as grandes não pagam logo, e preferem se cadastrar
para sofrer bloqueio? Porque elas têm os meios processuais ao
seu dispor para adiar a entrega do dinheiro ao trabalhador. Eu não
sou contra a empresa, veja bem, só estou olhando um contexto
da Justiça do Trabalho. Nesse contexto, se a norma estabelece
alguma vantagem, a empresa, que é um ser capitalista por natureza,
vai aproveitar essa vantagem. O juro do crédito trabalhista é
de 1% ao mês, ou 0,5% ao mês, dependendo da situação.
Mas o juro do crédito tributário é taxa Selic.
Se a empresa não tem dinheiro para pagar os dois, o que faz:
vai pagar o crédito trabalhista, que cobra 0,5% ao mês,
ou vai pagar o crédito tributário, que vai cobrar de juro
a taxa Selic? A empresa vai optar por pagar o crédito tributário.
O ministro Vantuil Abdala, já no tempo que era vice-presidente
do TST, sugeriu taxa Selic para o crédito trabalhista e duas
vezes a taxa Selic na execução. O projeto está
tramitando no congresso. Tramitando há muito tempo. Não
passa porque há forças que não deixam passar.
Valor: Quando à execução, o que mais precisa
ser feito?
Leal: Nós precisamos da massificação
da execução, da execução coletiva. Eu sou
a favor de qualquer massificação do processo. Se o trabalhador
A, B, C, D tem o mesmo tipo de lesão, quem defende o direito
deles é o sindicato, que faz a defesa coletiva. A execução
pode ser conjunta, bastando haver um contador habilitado para fazer
o levantamento coletivo, e julga em massa. O empregador vai impugnar
o valor de um ou de outro trabalhador, mas o resto passa.
Controle concentrado
Valor: Então a saída é a massificação
de todo o processo?
Leal: Sim, e há uma outra saída massificadora
ainda, que é o controle concentrado. Haveria um controle concentrado
do alcance do sentido de uma norma que seja extremamente onerosa. Determinadas
figuras legitimadas, como as definidas para a ação direta
de inconstitucionalidade (Adin), poderiam entrar diretamente no TST.
Poderiam pedir uma interpretação do alcance do sentido
da lei previamente.
Valor: Mas haveria realmente impacto no volume de ações
que chegam ao TST?
Leal: Sim, por exemplo bancários, eles têm
uma quantidade imensa de causas. Mas tal como a Adin até há
pouco tempo, não teria efeito vinculante para as instâncias
inferiores. Nós teremos que nos conformar com o caráter
não vinculativo do nosso controle concentrado. Ele serviria apenas
como emulação, idéia geral do que o tribunal superior
iria fazer quando a causa chegasse lá.
Valor: Mas não seria igual a uma súmula?
Leal: A súmula é semelhante, mas ela
só vai ser baixada depois que a ação já
tramitou na vara, no tribunal, muitos anos, e muitas causas que se repetiram
aqui por muito tempo”.
O que fazer?
As idéias do ministro Ronaldo Leal devem ser projetadas no concreto
do dia-a-dia da advocacia trabalhista, hoje uma das mais numerosas.
A OAB e as entidades representativas dos advogados laboralistas, dos
magistrados e dos procuradores do trabalho, as entidades sindicais de
empregados e empregadores, têm a oportunidade de convocar debates
sobre a temática da crise da Justiça do Trabalho, discutindo
as proposições com a nova direção do TST
e com o Conselho Nacional de Justiça. A Justiça do Trabalho
recebe mais de dois e meio milhões de novos processos a cada
ano, média superior a mais de mil por juiz na primeira instância.
O estrangulamento no trâmite da ação atinge seu
auge no TST, onde julgamentos esperam muitos anos. O ano em curso será
pródigo no debate de programas eleitorais, de governo e de proposições
legislativas. A crise institucional possibilita intervenção
mais direta da sociedade na exigência de soluções
concretas dos que se propuserem a governar e a legislar. A Justiça
do Trabalho deve ser ponto desse debate, visando que partidos e candidatos
assumam compromissos relacionados com o segmento do sistema de resolução
dos conflitos trabalhistas.
E.mail: edesiopassos@terra.com.br
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REVISTA ISTO É, 27 de março
de 2006

Ecos do passado: as imagens dos confrontos lembram maio de 68
protesto
a revolta dos incluídos
estudantes franceses vão às
ruas e entram em choque com a polícia para protestar contra lei
do governo que flexibiliza o trabalho dos jovens
Por Fernando F. Kadaoka
A França está em convulsão. Conflitos entre a polícia
e estudantes universitários, passeatas de sindicatos de trabalhadores
e muitas bombas de gás lacrimogêneo tomaram conta das ruas
nos últimos dias. O ápice da crise pode se dar nesta terça-feira
28 se for concretizada a ameaça das organizações
estudantis e das centrais sindicais – juntas, elas prometem paralisar
o país com uma gigantesca greve geral. O mundo já assistiu
a semelhante filme em maio de 1968, quando das barricadas de Paris se
irradiou a utopia socialista sob o lema “exigir o impossível”.
Na crise atual, porém, esqueça-se a utopia. A revolta
é essencialmente conservadora e pleiteia apenas a manutenção
de direitos sociais já adquiridos. Os estudantes franceses brigam
contra o Contrato do Primeiro Emprego (CPE), lei recém-aprovada
pelo governo do primeiro-ministro Dominique de Villepin. Ela determina
que as empresas que contratarem jovens com menos de 26 anos poderão
demiti-los sem aviso prévio ou pagamento de indenizações
dentro de um prazo de até dois anos – para os trabalhadores
em geral esse período de teste no emprego se limita a três
meses. A lei faz parte do processo de desmonte do pesado estado de bem-estar
social francês. O problema é que não apenas os estudantes,
mas também a maioria dos franceses não deseja nenhuma
mudança nesse status quo. No caso do CPE, cerca de 70% dos franceses
são contrários a sua vigência.
Os estudantes fazem muito barulho como sempre. Na semana passada, mais
da metade das 84 universidades do país parou. Cerca de 1,5 milhão
de pessoas participaram dos atos de protesto – entre elas havia
estudantes, professores, trabalhadores, aposentados, opositores do governo,
neonazistas e baderneiros.
O déjà vu de maio de 1968 ficou por conta somente da invasão
da Sorbonne, a mais tradicional universidade francesa: com cassetetes
e bombas de gás lacrimogêneo, a polícia retirou
de seu campus cerca de 200 universitários.
“Nossa revolta não é para conseguir mais, é
para não perder o que temos”, diz o estudante Nadjet Boubakeur.
Um dos grandes líderes do movimento é o universitário
Bruno Julliard. Ele ameaça: “Se até a noite de sábado
(dia 25) o governo não tiver anulado essa lei, continuaremos
com os protestos.” O primeiro-ministro, De Villepin, continua
intransigente e admite apenas pequenas mudanças no texto da lei,
mas não a sua extinção.
O CPE surgiu no esteio dos conflitos nos subúrbios franceses,
quando o descontentamento dos jovens descendentes de imigrantes eclodiu
numa enorme onda de violência e queima de automóveis. Enquanto
a taxa de desemprego no país é de 9,6%, entre os menores
de 26 anos ela alcança 23%. Em subúrbios das grandes cidades,
o desemprego entre os jovens bate os 40%. “Para a esquerda, essa
lei é o fim dos direitos trabalhistas. Para a direita, uma solução
pragmática para o desemprego. Para mim, é o fim do sonho
dos estudantes de classe média que esperavam ter as mesmas condições
de trabalho dos pais”, disse a ISTOÉ Kalypso Nicolaidis,
professora da Oxford University. O governo francês diz que a rigorosa
legislação trabalhista desestimula a contratação
de jovens, uma vez que as empresas têm de arcar com altos custos
para funcionários ainda inexperientes. Faz sentido. Ocorre, porém,
que benefícios sociais são um vespeiro difícil
de mexer. Basta lembrar que até mesmo a ex-primeira-ministra
britânica Margaret Thatcher, a “dama de ferro”, suou
o tailleur para esmagar os sindicatos e implementar mudanças
na área trabalhista.
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REVISTA ISTO É, 27
de março de 2006
Cena sombria: no Congresso, em Brasília,
políticos fazem malabarismos com a ética e desrespeitam
eleitores

Marco Aurélio Mello, do STF:
"Pagamos caro por guardar a Constituição"
O que pesa sobre cada envolvido
Impunidade
o grande circo brasil
deputados que caçoam dos eleitores, leis
que protegem poderosos, mas punem cidadãos comuns e choques entre
poderes. o país virou um picadeiro de contradições
Por Rodrigo Rangel e Sônia Filgueiras
Colaborou Luiz Cláudio Cunha
A blusa amarela esvoaçante, contrastando com o tapete verde da
Câmara dos Deputados, dava um destaque especial à senhora
de cabelos grisalhos. Dançando entre as cadeiras do plenário,
na madrugada de quarta-feira, tratava-se da deputada Ângela Guadagnin
(PT-SP) extravasando sua alegria pela absolvição, minutos
antes, do deputado João Magno (PT-MG). Ele tornou-se o sétimo
integrante do bloco dos mensaleiros a se livrar da cassação.
Magno enfiou a mão no esquema de propinas operado pelo publicitário
Marcos Valério – o valerioduto –, de lá retirou
R$ 425 mil para jogar no caixa 2 de sua campanha em Minas Gerais e saiu-se
livre. Tudo pela solidária complacência de um Congresso
cada vez mais cúmplice das pequenas e grandes ilegalidades que
praticam parlamentares de todas as cores partidárias.
A dança da madrugada, em tudo ridícula diante dos olhos
dos brasileiros, pareceu mais do que uma extemporânea comemoração:
a deputada Ângela pisoteou ali, com seus passinhos bizarros, o
que restava do respeito que se deve ao Congresso. Caía sobre
aquela casa, em meio ao show, uma lona de circo.
Horas antes, o mesmo plenário, sem deputado dançante,
salvou da forca outro felizardo – o deputado Wanderval Santos
(PL-SP), que chorou de emoção. Nos dois casos, contrariando
o parecer do Conselho de Ética, que pedia condenações.
Virou moda o plenário, protegido pelo anonimato do voto secreto,
desfazer o que o conselho constrói com o voto aberto de seus
membros, refletindo a indignação da sociedade brasileira.
Sempre com a mão amiga do governo, que escolhe a dedo a hora
da votação, em dias de quórum baixo e muitas abstenções.
O país do mensalão, ao que parece, entrou na era dos sinais
trocados, confundindo o que é certo com o que é errado.
Enquanto os deputados vão sendo absolvidos, o mesmo caixa 2,
que para eles não é crime, fora do Congresso é
tratado com intolerância. Ainda não foram esquecidas as
cenas dos empresários que, no ano passado, saíram algemados
de suas casas e locais de trabalho, apenas pela suspeita da prática
que os políticos tratam como banal. Foi assim com a família
Schincariol e com Eliana Tranchesi, a dona da loja de roupas finas Daslu.
A cervejaria e o templo do alto consumo foram invadidos pela Polícia
Federal, em cena acompanhada pela tevê, com direito a metralhadora
em punho e triunfal apreensão de documentos e notas fiscais fraudulentas.

Escárnio: ao fazer um show de dança no
plenário da Câmara comemorando a absolvição
do deputado João Magno (PT-MG), que teve R$ 420 mil de caixa
dois em sua campanha, a deputada Ângela Guadagnin indignou o País
Os pesos e medidas diferentes para crimes cometidos pelos
que têm mandato ou estão sob a proteção do
Estado e, na outra ponta, para os que são cidadãos brasileiros
comuns, vão possibilitando o surgimento de situações
surrealistas. O tesoureiro-símbolo do PT, Delúbio Soares,
réu confesso do caixa 2, que passou mudo e teso pela CPI dos
Correios, agora tomou coragem para abrir o bico. Ele pede na Justiça
uma “reparação moral” à União,
por ter seu nome usado como exemplo de “peculato” numa prova
de concurso para procurador da Fazenda. Quer R$ 200 mil para se ressarcir
do constrangimento a que diz ter sido submetido. O ex-ministro Anderson
Adauto, igualmente confiante, tem passeado pela CPI dos Correios com
tons desafiadores: “Todos aqui já usaram de caixa 2.”
O governo e o PT chegaram a ir ao Supremo Tribunal Federal pelo sagrado
direito de preservação do sigilo bancário de Paulo
Okamoto, presidente do Sebrae e doador universal da família Lula
da Silva. Até agora ele não conseguiu explicar por que
pagou, do bolso, as contas do amigo Lula e da filha do amigo, Lurian.
Já o caseiro Francenildo dos Santos Costa, o Nildo, não
precisou de ninguém conhecido para escancarar sua conta de filho
de lavadeira: um anônimo invadiu o terminal da Caixa Econômica
Federal, sem ordem judicial, e derrubou a privacidade que o STF protege
com tanto zelo no caso do amigão Okamoto.
Às vésperas de uma acirrada prévia do PMDB, crucial
para a sorte de Lula na eleição de 2006, o ministro Edson
Vidigal, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), considerou
a disputa ilegal. Não pesou o fato de o partido contemplar a
modalidade em seus estatutos, nem que se trata de uma organização
privada e legal. Em seguida, ele viajou ao seu Estado natal, Maranhão,
para se lançar candidato a governador pelo PSB. Ali, tem como
aliado o PT de Lula. Fez com isso a alegria de seu padrinho na política,
o senador José Sarney, que jogou tudo na anulação
das prévias, como queria o Palácio do Planalto. Outros
juízes, os desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas
Gerais, fizeram diferente: entraram em greve contra a diretriz do Conselho
Nacional de Justiça que proíbe o nepotismo e salários
acima do teto de R$ 22 mil.
Quando não é da toga, é da farda que vem o mau
exemplo de um país que perpetua privilégios. O general
Francisco de Albuquerque fez voltar à plataforma um avião
da TAM que taxiava na pista, tirou um casal do vôo e embarcou
com a mulher rumo a Brasília. A Comissão de Ética
Pública da Presidência da República concluiu que
o general recebeu tratamento privilegiado, mas não merecia punição.
O argumento: não ficou provado que o militar se valeu de seu
prestígio para embarcar. Nem era o caso, para quem, casualmente,
é o comandante do Exército e chefe de 170 mil homens armados.
Num país com tantas inversões, não é mais
possível duvidar da profecia de Delúbio Soares, quando
começou a CPI: “Isso ainda vai virar piada de salão!”
O pior é que não era piada.
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O REGIONAL ONLINE / CATANDUVA
(SP), 27 de março de 2006
Governo pensa em implantar Sindicato por
empresa
José Carlos Longo representou a Força
Sindical em encontro realizado no Japão
Da Reportagem Local
O Governo Federal estuda a possibilidade
de implantar no Brasil o Sindicato por Empresa, o que segundo o presidente
do Sindicato dos Empregados no Comércio de Catanduva (SECC),
José Carlos da Silva Longo, não seria bom para os trabalhadores.
“O nosso governo pensou em implantar
o Sindicato por Empresa, com o nome de Sindicalismo Pluralista, porém,
fomos contra. As grandes redes teriam seus sindicalistas. Mas quem seriam?
Os gerentes, o chefe de secção? E as negociações?”,
questiona.
Longo representou pela Força Sindical,
mais de mil sindicatos, no Programa para Jovens Líderes Sindicais,
realizado no Japão, no último mês.
O sindicalista esteve nas cidades de
Tokyo, Saga, Hiroshima e participou de debates, conheceu indústrias,
e o atual sistema de contratação feito no Japão.
”Temos inúmeras diferenças
sindicais. No Japão, por exemplo, o sistema usado é o
Sindicato por Empresa, ou seja, as empresas com mais de três funcionários
podem ter seu próprio sindicato. Isso seria inviável no
Brasil. Os trabalhadores ficariam sem representantes, uma vez que aqui
temos como modelo a Unidade Sindical que se consagra por base territorial”.
Segundo ele, as principais preocupações
no comércio do Japão são o baixo número
de sindicalizados, as contratações por hora e os trabalhadores
deste sistema não são sindicalizados, sendo na maioria
jovens e mulheres.
“Interessante notar que há
uma grande estabilidade para os trabalhadores fixos, porém, as
contratações por hora estão ganhando terreno. E
por fim a baixa natalidade no país. O governo japonês está
elaborando estudos de projetos para que mais mulheres engravidem”.
Apesar do grande número de brasileiros
que moram no Japão, Longo garante que a vida da maioria não
é fácil.
“O Japão, todo mundo sabe,
é um País de primeiro mundo, mas existe a parte sofrida.
Os brasileiros, na maioria, estão ali. Moram em cubículos,
trabalham de 11 a 14 horas por dia, quando a carga horária seria
de 40 horas semanais, não têm lazer, a comida é
muito cara. Enfim, quem está trabalhando lá acaba guardando
dinheiro. A qualidade de vida do brasileiro no Japão não
é boa”.
Em Tokyo os trabalhadores ganham US$
6,5 por hora.
“Isso para jovens. Os pais de família
têm salários diferenciados e ganham muito mais. Porém,
há de se notar que o custo de vida é muito alto. A taxa
sindical no Japão é 1,65% do salário, o que resulta
em US$ 50 por mês”.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
27 de março de 2006 | Economia
Empregos formais crescem 0,68% em fevereiro
BRASÍLIA - O Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho,
registrou 176.632 empregos formais (com carteira assinada) em fevereiro.
O número representou um aumento de 0,68% em relação
a janeiro. A informação é da "Agência
Brasil".
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
dá detalhes do Caged - que registra admissões e dispensa
de empregados, sob o regime da Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) - em uma coletiva à imprensa na sede do Ministério.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
27 de março de 2006
TRT-SP: empresa que assume clientela responde por processos trabalhistas
Para a 5ª Turma do TRT-SP (Tribunal
Regional do Trabalho de São Paulo), a empresa de serviços
que assume a clientela e as atividades de outra também é
responsável pelas dívidas trabalhistas dela. Com este
entendimento, a turma decidiu que a Saúde ABC Planos de Saúde
Ltda. deve responder, solidariamente, pelos processos movidos contra
a Interclínicas Planos de Saúde S.A. e a Interclínicas
Serviços Médico-hospitalares S/C Ltda. Leia aqui a íntegra
da decisão.
Segundo a assessoria de imprensa do TRT-SP,
uma ex-empregada da Interclínicas entrou com ação
na 69ª Vara do Trabalho de São Paulo, reclamando o pagamento
de verbas rescisórias e a declaração da responsabilidade
solidária da Saúde ABC pela dívida.
A Saúde ABC alegou que não
sucedeu a Interclínicas, tendo, por determinação
da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), assumido
apenas a carteira de clientes dela, compulsoriamente, nos termos da
Lei 9.656/98. Além disso, sustentou a tese de que não
existe sucessora de empresa em liquidação extrajudicial.
O juiz da vara não reconheceu
a sucessão trabalhista, "tendo em vista o não aproveitamento
de alguns dos elementos que constituem a empresa, como pessoas e bens".
Inconformada, a trabalhadora recorreu ao TRT-SP.
Para a relatora do Recurso Ordinário
no tribunal, juíza Maria José Bighetti Ordoño Rebello,
"devem prevalecer os fatos e o bom senso sobre a letra fria da
lei".
De acordo com ela, o parágrafo
5º, do artigo 24, da Lei 9.656/98, "visa preservar o direito
dos consumidores dos planos de saúde, porém não
serve para excluir a responsabilidade da segunda recorrida com relação
aos empregados da primeira".
"A clientela, no caso da prestação
de serviços, é o bem mais importante do fundo de comércio.
Fundo de comércio é a capacidade que a empresa tem de
gerar lucros", explicou a juíza.
"Afronta o senso comum de justiça
permitir que outra instituição continue a atividade desenvolvida
pela primeira, recebendo apenas a sua melhor parte, a carteira de clientes,
e deixe para trás os direitos de natureza alimentar de quem contribuiu
para a existência dessa própria carteira com o suor de
seu trabalho", observou.
Por unanimidade, a 5ª Turma
acompanhou o voto da juíza Maria José Rebello, condenando
a Saúde ABC a responder, solidariamente, pelas verbas rescisórias
devidas à ex-empregada da Interclínicas.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
25 de março de 2006
Justiça Federal proíbe INSS
de cancelar benefício obtido em recurso
O juízo da 2ª Vara Federal
de Campinas concedeu este mês liminar em ação civil
pública movida pelo MPF (Ministério Público Federal)
e determinou que o INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social) não
poderá mais suspender o pagamento de benefícios obtidos
por segurados da instituição que recorreram ao Conselho
de Recursos ou à Câmara de Julgamento.
Segundo a assessoria de imprensa do MPF,
no ano passado, o INSS havia editado a instrução normativa
118. Pela norma, o INSS recorria de todas as decisões do conselho
e da câmara. Quando as instâncias administrativas de julgamento
não apreciavam em 30 dias o recurso do próprio instituto,
o órgão suspendia automaticamente o pagamento do benefício
determinado pelas instâncias recursais.
De acordo com a norma, milhares de segurados
que recorreram às instâncias recursais do INSS para obter
benefícios podem ter suspensos seus direitos automaticamente,
se as câmaras administrativas não julgarem a apelação
do INSS em um mês.
A decisão judicial, que vale para
todo o Brasil, prevê também que o INSS deve cumprir todas
as decisões administrativas do Conselho de Recursos e da Câmara
de Julgamento que foram suspensas pela aplicação da norma.
Para cada procedimento administrativo em que ficar caracterizado o descumprimento
da decisão, foi estipulada multa de R$ 5.000.
Para o procurador da República
Gilberto Guimarães Ferraz Júnior, autor da ação,
a norma criada pelo INSS é ilegal e tem caráter protelatório,
ou seja, adia ao máximo a concessão de benefícios
aos segurados que recorrem às instâncias superiores da
autarquia - a Câmara de Julgamento e o Conselho de Recursos da
Previdência Social.
O MPF tomou conhecimento da norma ao
atuar em mandado de segurança impetrado em 2005 pela segurada
Nair Custódio Salvador. Ela havia obtido por decisão administrativa
a concessão de benefício, mas, apesar disso, o INSS recusou-se
a pagar o valor devido, fundamentando-se na instrução
normativa 118.
O procurador argumenta que a norma criada
pelo INSS fere o artigo 61 da lei 9.784/99, que rege o processo administrativo
na administração federal, que prevê que só
a autoridade recorrida ou imediatamente superior poderá dar efeito
suspensivo a recurso impetrado pelo órgão demandado. Além
disso, nenhuma norma administrativa do INSS pode contradizer a lei.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de março de 2006 | Trabalhista
Preço da informalidade
Trabalho informal é ilícito
e gera danos morais
A São Paulo Transportes foi condenada
a pagar indenização de R$ 50 mil para a família
de um Policial Militar, morto a serviço da empresa. A decisão
é da 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª
Região (São Paulo). Cabe recurso.
Segundo o processo, quando desempenhava
as funções de “motorista de apoio de fiscalização”,
sem contrato de trabalho, o policial foi agredido por perueiros que
protestavam contra a apreensão de seus veículos. No mesmo
dia, ele enfartou e morreu.
A família do PM entrou com ação
na 62ª Vara do Trabalho de São Paulo, pedindo o reconhecimento
do vínculo empregatício, além de indenização
em virtude da “imensa dor íntima causada pela irreparável
e irreversível perda à sua esposa e filhas”.
A primeira instância acolheu os
argumentos e condenou a SP Trans a pagar saldo de salário, férias
proporcionais, 13º salário proporcional, FGTS acrescido
de multa de 40% e reparação pelos danos morais. A empresa
recorreu ao TRT-SP. Sustentou que não houve vínculo de
emprego e, por isso, não teria de pagar as verbas rescisórias,
nem a indenização.
A juíza Catia Lungov, relatora
da matéria, considerou que documentos e testemunhas comprovaram
que “houve verdadeira terceirização informal, através
da qual um grupo de servidores militares, liderados por colegas graduados,
atuava como empresa de prestação de serviços à
reclamada”.
No entendimento da juíza, o policial
“não se encontrava amparado por contrato formal de trabalho,
quer como empregado, quer como prestador de serviços, vindo sua
família a sofrer as agruras decorrentes do falecimento inopinado
e da condição precária em que o falecido se inseria
no mercado de trabalho”.
“Assim, embora não se possa
reconhecer o falecido como empregado, sem dúvida é trabalhador,
cuja morte ocasionou dano aos familiares, que merece reparo a ser suportado
pela ré, que praticou ato ilícito ao permitir trabalho
informal”, concluiu.
A decisão da 7ª Turma
foi unânime. Os juízes negaram o vínculo empregatício,
mas condenaram a São Paulo Transportes a pagar indenização
de R$ 50,4 mil à família do policial.
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DIÁRIO DE CUIABÁ,
27 de março de 2006 | Social
Benefício para deficientes e idosos
supera Bolsa-Família
Programa de transferência de renda
para idosos e deficientes, o BPC (Benefício de Prestação
Continuada) cresce, em média, 10% ao ano, atinge 2,1 milhões
de pessoas e, com o aumento do salário mínimo, passará
a movimentar mais de R$ 9 bilhões, superando o Bolsa-Família.
Mas, segundo um estudo recém-concluído, o programa poderia
ser maior.
O trabalho da Universidade de Brasília,
do Anis (Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero)
e do Centro Internacional da Pobreza da ONU (Organização
das Nações Unidas) sugere mudanças para que mais
pessoas sejam beneficiadas.
"O critério de seleção
é tão restritivo que só pessoas com deficiências
muito graves são beneficiadas. Entendemos que deveriam ser aceitos
os que vivem a experiência da desigualdade por ter funcionalidades
diferentes das consideradas normais”, diz Debora Diniz, professora
da UNB e uma das autoras do estudo.
O conceito de funcionalidade, adotado
pela Organização Mundial de Saúde, leva em conta,
no caso dos deficientes, o contexto social em que eles vivem.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/03/2006
Fundação é impedida
de reduzir percentual de adicional noturno
As vantagens concedidas em grau superior ao previsto em instrumentos
coletivos, por tolerância ou benevolência do empregador,
integram-se ao contrato de trabalho, quando sua repetição
as tornar habituais, não podendo ser reduzidas ou suprimidas
em prejuízo do trabalhador.
Com base neste entendimento, a Segunda
Turma do Tribunal Superior do Trabalho, em voto relatado pelo ministro
Renato de Lacerda Paiva, manteve a decisão regional que impediu
uma fundação maçônica mineira de reduzir
o percentual do adicional noturno pago a um ex-empregado.
Por liberalidade, a Fundação
Maçônica Manoel dos Santos pagava adicional noturno de
70% a seus empregados, ao passo que a convenção coletiva
da categoria previa percentual inferior. A partir de julho de 1997,
a fundação passou a utilizar o percentual de 50% previsto
nos instrumentos coletivos.
Na ação trabalhista que
ajuizou após ser demitido, o trabalhador cobrou, entre outros
itens, diferenças relativas ao adicional noturno. De acordo com
o TRT de Minas Gerais (3ª Região), ainda que o empregador
tenha reduzido o percentual para se adequar aos parâmetros estabelecidos
na convenção coletiva de trabalho da categoria profissional,
a alteração constitui alteração lesiva ais
direitos do empregado.
O acórdão do TRT mineiro,
mantido pela Segunda Turma do TST, afirma que a alteração
foi danosa ao interesse do trabalhador e feriu os princípios
da intangibilidade contratual, hipossuficiência de uma das partes
e imperatividade de norma trabalhista.
De acordo com o TRT/MG, na medida em
que a fundação optou por pagar adicional noturno em valor
superior ao previsto em instrumento normativo, criou um plus em benefício
do empregado, já que o benefício concedido possibilitou
ao empregado a adequação do seu padrão de vida
aos valores de sua remuneração.
No recurso ao TST, a fundação
maçônica alegou que a decisão afrontou os dispositivos
da CLT que regulam as relações de trabalho e suas alterações
(artigos 444 e 468) e também ao dispositivo constitucional que
recomenda o reconhecimento das convenções e acordos coletivos
de trabalho (artigo 7º, inciso XXVI).
Segundo o ministro Renato Paiva, a decisão
do TRT adequou os fatos às previsões legais, na medida
em que é necessário prestigiar e valorizar a negociação
coletiva feita pelos sindicatos, mas sem permitir alterações
contratuais lesivas aos trabalhadores.
“Revelando-se, pois, notadamente
prejudicial aos interesses do empregado a adaptação do
valor do adicional noturno àquele estipulado por norma coletiva,
solução outra não há senão manter
assegurado o padrão remuneratório até então
observado pela empresa, independentemente da existência de cláusula
coletiva em sentido diverso”, concluiu o ministro Renato Paiva.
A decisão foi unânime. (RR 743.978/2001.9)
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27/03/2006
TST unificará posição
sobre natureza de intervalo não concedido
O Tribunal Superior do Trabalho deverá unificar em breve o posicionamento
a respeito da natureza do intervalo que permite ao trabalhador fazer
refeições e descansar um pouco entre os dois turnos de
sua jornada. A CLT determina que esse intervalo seja de, no mínimo,
uma hora para jornadas de oito horas. Até pouco tempo atrás,
quando o intervalo mínimo era desrespeitado sem que houvesse
acréscimo na jornada, o empregador cometia mera infração
administrativa. Uma lei modificou a CLT para punir a prática,
determinando que o tempo suprimido do intervalo seja pago com o mesmo
adicional das horas extras (mínimo de 50% sobre a hora normal).
Agora o que o TST discute é a
natureza jurídica desse pagamento, se indenizatória ou
remuneratória. Não há consenso entre os órgãos
colegiados e, por isso, a questão deverá ser submetida
em breve ao Tribunal Pleno. Na prática, quando a natureza da
parcela é remuneratória ou salarial, ela integra a remuneração
para todos os efeitos, ou seja, repercute sobre as demais verbas decorrentes
do contrato de trabalho. A caraterização do pagamento
pelo intervalo não usufruído como verba de natureza indenizatória
não gera reflexos sobre os demais títulos que compõem
a remuneração.
Na última decisão do TST
sobre o tema, a divergência entre ministros ficou ainda mais exposta.
A Terceira Turma do TST decidiu, por maioria de votos, declarar o caráter
indenizatório da parcela, contra o voto do ministro Carlos Alberto
Reis de Paula, que aponta seu caráter salarial. A divergência
foi aberta pelo ministra Maria Cristina Peduzzi. Duas outras Turmas
têm precedentes no mesmo sentido da recente decisão –
a Segunda (por maioria de votos) e a Quarta (com ressalva do ministro
Milton de Moura França). Para a ministra, foi a própria
redação do artigo 71 da CLT que incitou a controvérsia
a respeito da natureza jurídica da parcela, na medida em que
estabeleceu a aplicação do mesmo adicional utilizado para
as horas extras.
Peduzzi sustenta que o adicional mínimo
de 50% foi arbitrado aleatoriamente pelo legislador, sem intenção
de igualá-lo às horas extras. A ministra ressalta que
o conceito de natureza salarial das verbas trabalhistas tem nítida
relação com a contraprestação ou a retribuição
pelo serviço prestado. "Ora, a indenização
a que tem jus o empregado pela não-concessão dos intervalos
intrajornada não corresponde ao efetivo exercício de trabalho
extraordinário. Não há, nessa hipótese,
o caráter de retribuição do serviço prestado.
O fato gerador da parcela é uma conduta ilícita do empregador",
explica.
O argumento foi rebatido pelo ministro
Carlos Alberto Reis de Paula, que salientou que a Seção
Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do TST é
pela natureza salarial dos valores decorrentes da supressão do
lapso mínimo necessário para repouso e alimentação,
em trabalho contínuo de duração que exceda seis
horas. Segundo ele, o argumento de Peduzzi baseia-se na assertiva de
que o valor pago corresponde a trabalho não prestado, mas quando
o intervalo concedido é de meia-hora e o empregador é
condenado a pagar a hora cheia acrescida de adicional, os sessenta minutos
englobarão tempo de descanso e tempo de trabalho.
“Considerando que parte da
parcela paga corresponde a trabalho efetivamente prestado, a interpretação
do dispositivo legal de forma mais favorável ao trabalhador levaria
a declarar a natureza salarial do pagamento", disse Carlos Alberto.
O ministro Alberto Bresciani acompanhou a ministra Peduzzi, salientando
que a questão deve ser analisada sob o aspecto de haver ou não
excesso de jornada. Bresciani afirmou que quando a supressão
do intervalo eleva a jornada, o tempo deve ser remunerado como hora
extra e declarado seu caráter salarial. Quando a não concessão
do intervalo não gera trabalho extra, o tempo deve ser pago como
hora normal, com caráter indenizatório. A mesma ressalva
é feita pelo ministro Milton de Moura França nas decisões
da Quarta Turma do TST sobre a matéria. (RR 250/2002-022-02-00.6
e RR 864/2002-044-15-00.4)
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NOTÍCIA DO INSS,
27 de março de 2006
Benefícios: Mães adotivas
têm direito ao salário-maternidade
Benefício, no entanto, varia de
acordo com a idade da criança
Da Redação (Brasília) – As trabalhadoras
que contribuem para a Previdência Social e adotam crianças
têm direito ao salário-maternidade, concedido também
à segurada que ganhar a guarda judicial para fins de adoção.
O benefício, que existe desde abril de 2003 – quando foi
sancionada a Lei nº 10.421 – precisa ser solicitado nas Agências
da Previdência Social. O período, no entanto, varia de
acordo com a idade: se a criança tiver até um ano de idade,
o salário-maternidade será de 120 dias; se tiver de um
ano a quatro anos de idade, será de 60 dias; enquanto de quatro
a oito anos de idade ela recebe por 30 dias.
Para a concessão do salário-maternidade,
não é exigido tempo mínimo de contribuição
das trabalhadoras empregadas, empregadas domésticas e trabalhadoras
avulsas, desde que comprovem filiação, nesta condição,
na data do afastamento para fins de salário-maternidade. Já
a contribuinte facultativa e a individual têm que ter, pelo menos,
dez contribuições para receber o benefício. A segurada
especial receberá o salário-maternidade se comprovar,
no mínimo, dez meses de trabalho rural.
A trabalhadora que exerce atividades
ou tem empregos simultâneos tem direito a um salário-maternidade
para cada emprego ou atividade, desde que contribua para a Previdência
Social nas duas funções.
O salário-maternidade deve ser
solicitado em uma Agência da Previdência Social, mediante
a apresentação de documento de identidade, carteira de
trabalho ou carnês de contribuição, CPF, número
do PIS ou Pasep e certidão de nascimento da criança. Se
o nome da mãe adotiva não estiver na certidão de
nascimento da criança, ela deve apresentar o termo de guarda
no qual conste o seu nome. (Cristiano Torres).

Edital
de Convocação – Assembléia Geral Extraordinária
- O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
e do Mobiliário de Santo André, Mauá, Ribeirão
Pires e Rio Grande da Serra, inscrito no CNPJ/MF sob
nº 57.518.276/0001-81, com sede Rua Monte Casseros, 270,
4º andar, Centro – Santo André/SP, e Sub-Sede
na Av. Santo André, nº 852 – Vila Aurora em
Ribeirão Pires-SP, através do seu presidente Luiz
Carlos Biazi, convoca todos os trabalhadores para participarem
da Assembléia Geral Extraordinária,
a realizar-se no dia 31 de março de 2006, às 18:00
horas, em primeira convocação em nossa sede social
na rua Monte Casseros, 270 – 4º andar, Centro –
Santo André/SP, para deliberar sobre a seguinte ordem do
dia: 1) Leitura, discussão e aprovação
da ata da anterior; 2) Autorização
para o Sindicato participar da Assembléia de fundação
da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção da Madeira e Assemelhados, e votar
favoravelmente ou não pela fundação e decidir
ou não a ela filiar-se; 3) Aos trabalhadores
sócios do Sindicato, autorizar a participar da entidade,
designar e votar nos candidatos associados que participarão
dos Congressos Estadual e Nacional da CUT, da F.S.C.M.-CUT e Associação
Solidária, conforme prevê o regulamento dos referidos
Congressos; 4) Autorizar a participação,
designar e referendar os candidatos associados que participarão
dos Congressos Estadual e Nacional da CUT, da F.S.C.M.-CUT, e
Associação Solidária, na forma disciplinada
nos regulamentos dos respectivos congressos. Se na hora acima
aprazada não houver quorum, a assembléia será
realizada no mesmo dia e local uma hora depois e as deliberações
terão plena validade com qualquer número de trabalhadores
e sócios presentes para todas as categorias. Santo André,
27 de março de 2006. Luiz Carlos Biazi
– Presidente.
Obs.
Edital Transcrito, Fonte: Diário
de São Paulo, 27 de março de 2006.
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