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Diário Vermelho, 27 de março
de 2006
OPINIÃO
Alckmin, o leilão da CTEEP e a
volta da privataria
Por Artur Henrique*
O adiamento do leilão da
CTEEP (Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista)
previsto pelo governo do Estado para o dia 15 de março, e sem
nova data definida, é resultado concreto da oposição
da sociedade e dos trabalhadores do setor. O fato, que levou à
suspensão da greve de eletricitários prevista para o dia
13, não nos autoriza, no entanto, desmobilizar a campanha contra
o programa de privatização do governo tucano do Estado
de São Paulo. A indicação de Geraldo Alckmin para
concorrer pelo PSDB à presidência da República só
reforça a importância desta campanha e o perigo da volta
da “privataria” da era FHC ao cenário nacional.
A coincidência entre estes dois fatos, o projeto de vender a CTEEP
e a indicação de Alckmin para concorrer à presidência,
é também uma excelente oportunidade para mostrarmos ao
eleitorado brasileiro a responsabilidade do candidato do PSDB pelos
prejuízos provocados ao País pelo Programa Nacional de
Desestatização inventado pelo governo FHC e felizmente
suspenso pelo governo Lula. Esta discussão mostra com toda clareza
os projetos de País que estarão em jogo em outubro: o
da direita conservadora, interessada em desmontar o Estado e manter
o Brasil na órbita neoliberal da dependência internacional
e o da esquerda brasileira que quer reconstruir a capacidade de investimento
do Estado e garantir ao País uma rota de crescimento sustentável
e com justiça social.
É verdade que não há muita diferença entre
José Serra e Geraldo Alckmin. Enquanto o primeiro, como ministro
do Planejamento de FHC, batia o martelo no primeiro leilão de
privatização federal, o da CVRD, o segundo, eleito vice-governador
de Mário Covas em São Paulo, foi nomeado presidente do
Conselho Diretor do Programa Estadual de Participação
da Iniciativa Privada na Prestação de Serviços
Públicos e na Execução de Obras de Infra-Estrutura.
Um nome bonito para os famosos PPPs (as parcerias público-privadas
que tanto o PSDB combateu quando a iniciativa partia do governo Lula).
Em seguida, em 1996, por designação do governador Mário
Covas, passou a exercer também a presidência do Conselho
Diretor do Programa Estadual de Desestatização.
Sob direção de Alckmin, apenas no Estado de São
Paulo, foram entregues ao setor privado empresas públicas como
a Sabesp, Fepasa, Ceagesp, Telesp e várias estradas estaduais.
No setor de energia Alckmin comandou a venda de empresas de geração
estratégicas como a Paranapanema e Tietê, além da
Comgás. A gigante Cesp, retalhada, foi vendida aos pedaços,
e o mico continuou na conta do povo paulista. A Tietê foi entregue
para à americana AES, aquela tal que utilizou o dinheiro do BNDEs
e depois deu o cano em RS 1,2 bilhão no nosso banco público.
No segmento da distribuição de energia, foram vendidas
a CPFL e a Elektro, outro pedaço da Cesp. O resultado os paulistas
conhecem: pedágios, aumento de tarifas dos serviços públicos,
apagão e daí por diante.
Em nível nacional, no entanto, o sistema de distribuição
e geração permaneceu quase inteiramente sob controle público.
Depois do apagão, inclusive, começou a receber novos investimentos
federais. Ou seja, enquanto o Brasil caminha para construir um modelo
energético em que a distribuição da energia continua
na mão do Estado, o governador de São Paulo quer continuar
privatizando. Os prejuizos para o povo brasileiro são muitos
e o primeiro deles é sempre o que diz respeito aos empregos.
Na CTEEP, criada em 1999, a partir da divisão da CESP, são
hoje 2.985 postos de trabalho altamente capacitados, operando em 102
sub-estacões, responsáveis por 11.781 kilómetros
de linhas de transmissão. No projeto de privatização
de Alckmin não há nenhuma salvaguarda que garanta a manutenção
dos empregos.
Em audiência pública realizada na Assembléia Legislativa
de São Paulo, deputados e sindicalistas apresentaram um projeto
alternativo de criar uma holding entre a CESP, CTEEP e EMAE que se chamaria
Companhia Paulista de Serviços Públicos de Energia e Infra-estrutura.
Segundo a proposta, o Estado continuaria controlando, indiretamente,
essas empresas através da holding. A idéia seria diluir
a dívida da CESP no capital das outras empresas, fazendo com
que se tornasse administrável.
Mas este tipo de alternativa não encontra eco dentro da “privataria”
tucana. Num balanço federal, ela foi responsável pela
venda de 68 empresas federais, de diversas áreas, por supostos
R$ 87,6 bilhões. Uma mentira, segundo denunciaram vários
estudiosos brasileiros. Privatizou-se o patrimônio nacional a
troco de um dinheiro que mal paga um ano do serviço da dívida
externa com alguns detalhes: as empresas foram vendidas em parcelas,
mas os juros e a amortização da dívida se paga
de imediato; o governo brasileiro vendeu a prazo e com juros baixos;
antes de privatizá-las o governo brasileiro assumiu dívidas
e investiu nas empresas estatais. Depois de contabilizar os prejuízos
e somar as parcelas da grande maracutaia nacional, conclui-se que, de
toda a operação de privatização, sobrou
muito pouco para o Brasil.
Há alguns dias, o jornalista Mauro Santayana, escreveu para Carta
Maior um pouco da história da fundação da CVRD,
que, também vale lembrar aqui para que se possa dimensionar aqui
o tamanho do crime cometido contra a pátria. A empresa, segundo
ele, foi construída depois de vigorosa resistência contra
os interesses da Itabira Iron, de Percival Farquhar. A troco de empréstimos
do Eximbank o Brasil ofereceu como contrapartida a cessão das
bases do Nordeste para as operações das forças
norte-americanas e o envio de tropas brasileiras para a guerra na Europa.
Ali, sustenta Santayana, “perdemos vidas valiosas, entre elas
as dos bravos pilotos do Esquadrão de Caça, dizimados
em centenas de missões quase suicidas”. E conclui o jornalista:
“Não investimos na Vale somente os recursos do Erário:
investimos em sangue, investimos em coragem, investimos na dignidade
do patriotismo”.
Por tudo isto, neste momento em que o PSDB indica seu candidato a presidência
da República, é muito oportuno lembrar esta questão
e reforçar a luta contra a privatização da CTEEP.
Esta mobilização, certamente, nos ajudará a afastar
do horizonte as ameaças de uma nova onda de desmanche das empresas
públicas, duramente construídas pelo povo brasileiro ao
longo de várias gerações.
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CFT/PR, 28 de março
de 2006
Reforma Sindical, algumas ponderações
Para quem pensa que a Reforma Sindical está parada, é
interessante lembrar de alguns fatos. No final do ano de 2005, mais
precisamente no dia 13 de dezembro, a Câmara Federal foi palco
de uma batalha que deve ser relembrada. Apesar do substitutivo do Deputado
Federal Tarcisio Zimmermann (resultado de 14 projetos existentes que
tratam do mesmo tema) ter sido retirado de discussão da Comissão
de Trabalho da Câmara, muitos fatos estão acontecendo e
deve receber nossas atenções.
Nesse episódio, quem presenciou
o acontecimento até estranhou, as Centrais Sindicais e o FST
– Fórum Sindical dos Trabalhadores estavam aparentemente
do mesmo lado. A CUT e a Força Sindical, grandes defensoras da
reforma proposta pelo FNT – Fórum Nacional do Trabalho
pediam a retirada do documento e de outro lado o FST em ampla vantagem
poderia ter mantido a posição de manter a votação
na comissão, mas não o fez, estrategicamente. O Deputado
do PT analisando a questão achou por bem retirar de pauta, ficando
a Comissão sem proposta para votar, uma vez que a Dra. Clair
tinha destaques e o Deputado Barbieri não havia apresentado o
seu substitutivo. De lá para cá as coisas continuam acontecendo,
talvez sem a devida atenção dos integrantes do FST e do
movimento sindical que defende a manutenção do artigo
8º da CF como ele está. Vamos a alguns fatos que parecem
isolados:
Recadastramento
Sindical – desde a edição da Portaria 197
(18.04.2005) pelo Ministério do Trabalho, as Entidades Sindicais
brasileiras podem (é facultativo) se recadastrar junto ao Ministério
e para isso acessam um programa que foi elaborado já dentro da
nova proposta que pretende o FNT, ou seja, estrutura sindical brasileira
organizada por setor e ramo de atividade. Detectamos isso no momento
em que uma categoria não consegue registrar suas ações
no processo, ou seja, inserir as suas diversas datas-base, principalmente
a categoria diferenciada. A resposta é que deverão ser
efetivados acertos através do Ministério, quando o correto
seria percorrer o caminho inverso, ou seja, após regularizar
todas as pendências existentes, efetivar o recadastramento.
Entrevista de Osvaldo Bargas ao Boletim
nº 67 (19 a 25 de março de 2006) do MTE, quando faz referência
à indicação de trabalhadores no Sistema “S”,
deixa claro que o critério para indicação é
através das Centrais e Confederações e as mesmas
devem cumprir o que já foi defendido no FNT, ou seja, a representatividade
de 20% de trabalhadores sindicalizados.
PEC 426/05 da Deputada Federal Vanessa
Grazziotin – PCdoB/AM, uma leitura minuciosa mostra que a Deputada
defende claramente a PEC 369/05, alterando o termo dissídio coletivo
para ação normativa, ficando essa PEC apensada à
369/05.
Os fatos citados, se vistos isoladamente
podem até passar desapercebidos, mas ligados, nos mostram claramente
que a reforma sindical está caminhando e por ações
vindas do governo ou da base aliada. Não nos custa nada atentar
a esses e outros fatos e montar o mosaico para enfrentá-los.
Fonte: Carlos Zimmer, Diretor da Feeb/PR – carlaozimmer.zip.net
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2006
CRISE NO GOVERNO/A QUEDA DE PALOCCI
Escândalo derruba Palocci; Mantega
assume Fazenda
Novo ministro diz que política não
será alterada; Murilo Portugal pede demissão
Presidente da CEF afirma que entregou extratos a Palocci, é indiciado
pela PF e cai
O ministro da Fazenda, Antonio Palocci
Filho, não resistiu ao escândalo da violação
do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que o acusou
de freqüentar a chamada casa do lobby, em Brasília. Palocci
entregou sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no meio da tarde. Foi substituído ontem mesmo por
Guido Mantega, que presidia o BNDES. Crítico histórico
da política econômica e dos juros altos dentro do governo,
Mantega mudou sua opinião: disse que o rumo adotado até
agora será mantido e que o presidente é seu fiador.
Horas antes, o até então
presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, afirmou
em depoimento à Polícia Federal que entregou os dados
de violação do sigilo de Francenildo diretamente a Palocci.
Indiciado pela PF pelo crime, Mattoso também caiu. À noite,
depois de Mantega ter vacilado quando perguntado se mudaria ou não
sua equipe, o secretário-executivo da Fazenda, Murilo Portugal,
também pediu demissão. O mercado, que reagira bem à
demissão de Palocci, tomou a saída de Portugal como um
sinal de instabilidade.
Lula relutou em aceitar a saída
de Palocci. Auxiliares o alertaram de que a crise se agravara e que
a ofensiva contra o caseiro estava se caracterizando como crime de Estado
aos olhos da opinião pública. A estratégia do governo
foi individualizar as culpas para poupar Lula. "Está ficando
provado que o lado mais fraco não é o do simples caseiro.
É o da mentira", disse Francenildo.
O médico Palocci foi o segundo
ministro mais longevo no cargo desde o fim da ditadura militar, em 1985.
Político influente no PT, foi coordenador da campanha de Lula
em 2002 e firmou-se como o ministro mais poderoso da Esplanada após
a queda de José Dirceu (Casa Civil) e de Luiz Gushiken (Comunicação
de Governo) na esteira do escândalo do "mensalão"
no ano passado.
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2006
CRISE NO GOVERNO/O SUCESSOR
Novo ministro da Fazenda, alinhado com "desenvolvimentistas",
negou mudanças de rumo e citou Lula como "fiador" do
atual modelo
"Política econômica
não mudará", diz Mantega
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
"A política econômica
não mudará. A política econômica é
a política econômica do presidente Lula. O presidente Lula
é o fiador dessa política econômica. Além
disso, a política econômica não deve mudar porque
é a política econômica mais bem-sucedida dos últimos
15 ou 20 anos no Brasil." Na primeira entrevista coletiva como
ministro da Fazenda, Guido Mantega não se incomodou em ser redundante
para dar o único recado que lhe coube. Toda a preocupação
de Mantega esteve em desarmar suspeitas de que seu pensamento alinhado
com a corrente dita "desenvolvimentista" -condição
que não negou- vá se traduzir em novas orientações
à frente da pasta.
O novo ministro tratou de ser veemente
em relação aos temas mais caros ao mercado e mais incômodos
para os críticos da política econômica. "O
superávit primário é sagrado", disse, em relação
à economia de receitas destinada ao pagamento da dívida,
cuja meta é de 4,25% do PIB. "Nós vamos rigorosamente
cumprir o que está no Orçamento. O superávit primário
será cumprido a risca", disse. Seu antecessor pretendia
elevar o superávit, mas já havia sido derrotado nos embates
com a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
Questionado sobre a possibilidade de
acelerar a queda dos juros do Banco Central, não hesitou: a pergunta
deveria ser dirigida ao BC, disse. Em outras palavras, não haverá,
ao menos oficialmente, interferência política no BC. A
única hipótese de mudanças admitida por Mantega
foi na composição de sua equipe. "Em princípio,
considero a equipe da Fazenda muito eficiente, mas não descarto
a possibilidade de fazermos algumas mudanças. Mas só depois
que eu sentar na cadeira, analisar mais de perto a eficiência
de cada um é que poderei me pronunciar a esse respeito."
Após a entrevista, no corredor,
disse que "certamente" se entenderia com Murilo Portugal,
segundo na hierarquia do ministério e uma espécie de guardião
da ortodoxia na pasta. Portugal pediu demissão pouco depois.
O discurso de Antonio Palocci sobre as virtudes da política econômica
foi repetido pelo sucessor. Foram mencionadas a recuperação
das contas externas, a queda dos índices de inflação,
a geração de empregos e a quitação da dívida
com o FMI. Mantega ainda não acertou a retórica, porém,
quanto ao prometido "ciclo de crescimento duradouro" da economia.
Ora dizia que o país estava iniciando esse ciclo, ora que o ciclo
já havia começado, ora que a missão do governo
era levar o país ao ciclo.
No mais, evitou cuidadosamente
as questões sobre a conduta de Palocci, os danos à imagem
do governo e as reações do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva e do PT. Incomodou-se, porém, quando foi mencionado
que Lula perdera todos os seus principais auxiliares. "Eu sou auxiliar
do presidente desde 1990", reclamou. Principal porta-voz econômico
de Lula na campanha de 2002, Mantega -que defendia, por exemplo, metas
de inflação mais folgadas- acabou relegado a segundo plano
com a ascensão de Palocci.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 28 de março
de 2006 | Brasil
REPERCUSSÃO
Saída de Palocci inicia
reforma ministerial
A mudança no Ministério da Fazenda desencadeia o processo
de reforma esperada no governo federal. Os ministros que disputarão
cargos nas próximas eleições, como o paranaense
Paulo Bernardo, ministro do Planejamento, precisam se descompatibilizar
até sexta-feira, dia 31 de março. Entre os cotados para
deixar o governo também estão José Alencar (Defesa),
Saraiva Felipe (Saúde), Agnelo Queiroz (Esportes), José
Fritsch (Pesca), Marina Silva (Meio Ambiente), Ciro Gomes (Integração
Nacional), Miguel Rosseto (Desenvolvimento Agrário), Helio Costa
(Comunicações) e Alfredo Nascimento (Transportes). A reforma
ministerial deve ser discutida entre Lula e os ministros Jaques Wagner
(Relações Institucionais), Dilma Roussef (Casa Civil)
e Luiz Marinho (Trabalho). O destino de Wagner também deve ser
definido nos próximos dias. O ministro já declarou publicamente
a intenção de disputar o governo da Bahia.
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2006
EUROPA
Jovens dos subúrbios de Paris prometem violência hoje,
mas não se identificam com estudantes que se opõem a lei
trabalhista
França faz jornada de protestos,
mas periferia segue alheia
FÁBIO VICTOR
ENVIADO ESPECIAL A PARIS
Hoje, uma vez mais, a França vai
rugir. Na batalha que travam há dois meses com o governo contra
uma nova lei trabalhista para jovens, estudantes e sindicalistas prometem
protestos de grande porte e, pela primeira vez desde o início
da crise, greve.
A paralisação afetará parte dos transportes públicos
em todo o país, assim como alguns setores do funcionalismo e
trabalhadores da educação -a maioria das universidades
já está parada. Vem acompanhada por um indicativo para
uma outra possível greve, na semana que vem.
A idéia é tornar insustentável
a pressão sobre o primeiro-ministro Dominique de Villepin a fim
de que ele retire o CPE (Contrato de Primeiro Emprego), previsto para
vigorar a partir do mês que vem. Concebida para estimular a contratação
de jovens de 15 a 26 anos, a lei foi rejeitada pela população
por também diminuir encargos sociais, permitindo que o empregado
seja demitido sem justa causa até dois anos após a contratação.
Contaminado pelo saldo de violência
que acompanhou as manifestações das últimas semanas
(mais de mil presos e centenas de feridos), o tom do chamamento é
grave. Expressões como "Terça-feira Negra",
"Dia da Virada", "Jornada de Mobilização"
e "Dia da Ação " inundam as ruas e a mídia
da França. Em Clichy-sous-Bois, subúrbio pobre e desolador
a 20 km de Paris, não significam muito. Ali, onde no ano passado
teve início a maior revolta social dos últimos anos no
país, a percepção do atual motim é totalmente
alheia àquela observada na classe média revoltosa da Paris
intramuros.
Foi em Clichy que dois adolescentes morreram
eletrocutados ao fugirem da polícia em outubro, incidente que
serviu de estopim para a "revolta dos incendiários",
um grito violento contra a discriminação dos jovens do
subúrbio que terminou com quase 10 mil carros queimados e fez
a França decretar estado de emergência. Naquela ocasião,
a Folha foi duas vezes à cidade. Ao retornar ontem, encontrou
um lugar parado no tempo. O ar carregado, a tensão e a violência,
que agora assombram Paris espasmodicamente, nunca sumiram do cotidiano
de Clichy, independentemente de haver ou não novos carros queimados.
Na terça-feira passada, às
11h30 da manhã, um bando atacou um supermercado e uma loja de
bijuterias num centro comercial. Ainda há vidros quebrados no
local, e a lojinha não foi reaberta. Dias depois uma briga entre
curdos e turcos, na qual uma bomba foi detonada, apavorou um bairro.
Nas manifestações de Paris, majoritariamente pacíficas,
a violência vem dos "casseurs " (bagunceiros), grupos
localizados e alheios à causa, que vão às marchas
só para brigar, quebrar e assaltar. Encapuzados, em sua maioria
negros e magrebinos, os marginais, dizem os parisienses, vêm das
"banlieux" (periferias) como Clichy.
Os moradores de lá não
apenas atestam as acusações, como justificam ou legitimam
o uso da violência, a confirmarem que a guerra dos estudantes
não é a mesma guerra dos incendiários. "Quebram
e roubam para se divertir e, vá lá, também para
dizer: "estamos aqui. Vivemos na merda, ninguém liga para
nós, mas existimos". Claro que vão protestar, veja
como se vive aqui ", observa Kemal, 19 anos, apontando para um
prédio aos pedaços.
"É a única forma que
têm de serem ouvidos e notados", conta Majou, 17 anos, cercada
de cinco garotos na mesma faixa etária. Matam aula em frente
ao liceu Alfred Nobel. Todos se dizem contra o CPE, mas, antes dela,
afirmam ser contra todo o governo.
O diabo Sarkô
Um deles afirma que irá hoje à
capital e que vai "quebrar tudo". Quase imediatamente surge
o nome que incendeia qualquer "banlieu". "Vamos para
acabar com Sarkozy", diz um. "Sarkozy de merda, não
vai ter sossego", emenda outro. Nicolas Sarkozy, o ministro do
Interior linha-dura, é o diabo em forma de gente na periferia.
Aqui talvez resida a subtrama mais interessante da crise. Para os líderes
dos protestos contra o CPE, o vilão da vez é o premiê
Villepin, mentor da lei e principal adversário político
de "Sarkô" no governo, além de seu rival na corrida
para suceder o presidente Jaques Chirac nas eleições de
2007.
À medida que Villepin se afunda
com sua resistência em retirar o CPE, Sarkozy busca ganhar capital
político, e cada vez mais abertamente. No sábado, em um
encontro de seu partido, o UMP, fez um discurso em que apoiava as motivações
dos jovens. Ontem exortou o governo a ampliar o diálogo com os
manifestantes. Pode até funcionar com o grosso dos envolvidos,
na Paris intramuros. Não convence as "banlieux". Foi
"Sarkô" quem , no início da revolta incendiária,
chamou os jovens suburbanos de "escória" e "ralé",
jogando combustível na crise.
O vilão Villepin
Villepin tampouco seduz quem vive em
Clichy, ainda que a maior motivação do governo para criar
o CPE tenha sido justamente a rebelião do ano passado, que escancarou
o agudo problema do desemprego entre os jovens franceses (de quase 23%
na faixa etária, salta para até 40% nas periferias). Cada
vez mais acossado, o premiê ontem fez um convite a sindicalistas
e estudantes, com quem iniciara um diálogo tímido no fim
de semana, para discutirem amanhã "ajustes" na lei,
sem no entanto mencionar sua retirada, única alternativa considerada
pelos manifestantes.
O CPE, ao qual se opõem cerca
de 70% dos franceses, tem sido elogiado por toda a Europa, por supostamente
marcar o início do fim de um sistema de seguridade social paternalista
e arcaico. Em Clichy-sous-Bois, onde esse sistema parece nunca ter funcionado
plenamente, toda a discussão faz pouca diferença.
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Folha de São Paulo,
28 de março de 2006
RECEITA ORTODOXA
Tesouro atribui resultado a dívida do INSS
Aperto fiscal do governo recua 29% e fica
em 2,33% do PIB no 1º bimestre
ANA PAULA RIBEIRO
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA
O superávit primário do
governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco
Central) no primeiro bimestre alcançou R$ 7,446 bilhões,
ou o equivalente a 2,33% do PIB. O resultado representa uma queda de
29% ante o economizado no mesmo período de 2005. Assim como no
ano passado, a meta para o superávit primário das contas
públicas, que incluem, além do governo central, Estados,
municípios e empresas estatais, alcança 4,25% do PIB.
Em 2005, entretanto, o saldo superou a meta e atingiu 4,84%.
Segundo nota do Tesouro, a queda
no resultado deve-se, em parte, às despesas com precatórios
(dívidas judiciais) do INSS no valor de R$ 1,5 bilhão
e ao crescimento dos gastos com seguro-desemprego e Loas (Lei Orgânica
da Assistência Social). O Tesouro contribuiu para o resultado
acumulado do ano com um superávit de R$ 14,725 bilhões,
e o BC, com apenas R$ 5,7 milhões. Juntos, esses saldos foram
mais do que suficientes para compensar o déficit da Previdência,
de R$ 7,284 bilhões. Em fevereiro, o superávit do governo
central foi de R$ 3,45 bilhões -queda de 12,3%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 28 de março
de 2006 | Economia
EXPORTAÇÕES
Saldo da balança sobe em
ritmo menor
O saldo da balança comercial acumula um crescimento de 8,73%
no ano. Até a quarta semana de março, o superávit
– saldo positivo entre exportações e importações
– está em US$ 8,682 bilhões. No mesmo período
do ano passado, o saldo acumulava um crescimento de cerca de 40%. Os
dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento. Esse
desempenho do saldo comercial já era esperado, já que
neste ano espera-se a recuperação das importações
– até agora, o ritmo de aumento das compras de produtos
importados tem se mantido acima das vendas ao exterior.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
28 de março de 2006
Maioria das empresas atua na informalidade
Redação/O Estado do
Paraná
Brasília (ABr) - Em todo o Brasil,
existem mais de 5 milhões de pequenas e médias empresas
formalizadas. Mas o governo federal estima que cerca de 9,5 milhões
atuem na informalidade, segundo Cândida Cervieri, diretora do
Departamento de Micros, Pequenas e Médias Empresas do Ministério
do Desenvolvimento. Cervieri acredita que os dados são um sinal
de que o País precisa flexibilizar as linhas de crédito
para que mais empresas possam atuar legalmente.
“Se conseguirmos passar essas empresas para a formalidade, teremos
um aumento maior de desenvolvimento, de inclusão social e poderemos
reverter algumas questões”, afirma.
Segundo Cândida, existe no Brasil um lapso de acesso ao financiamento
por pequenas e médias empresas, ou seja, uma distância
entre o que o sistema financeiro pode oferecer e a procura dos pequenos
e médios empresários. Mesmo assim, o País registra
a cada por ano a abertura de 470 mil novas empresas formais no mercado.
O financiamento do setor de pequenas e médias empresas é
tema da Conferência Internacional sobre Financiamento para o Empreendedorismo
e o Crescimento de Pequenas e Médias Empresas.
“O principal problema do pequeno empresário é o
acesso ao financiamento. Na realidade, há disponibilidade de
linhas de crédito para o pequeno empresário, no entanto
para que ele acesse ao financiamento é necessário que
ele apresente garantia que muitas vezes eles não dispõe”,
exemplifica Antônio Sérgio Martins, secretário de
Desenvolvimento da Produção do ministério.
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram
que, no período de 1996 a 2003, a soma de novas ocupações
nas micros e pequenas empresas avançou 3,2 vezes mais do que
o constatado nas demais empresas. “As micros e pequenas empresas
no Brasil representam 99% das empresas brasileiras”, afirma Cervieri.
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JORNAL
O TEMPO / MINAS GERAIS, 28 de março de 2006 | Economia
Crédito faz pequenas empresas atuarem
na ilegalidade
BRASÍLIA – Em todo o Brasil,
existem mais de 5 milhões de pequenas e médias empresas
formalizadas. Mas o governo federal estima que cerca de 9,5 milhões
atuem na informalidade, segundo Cândida Cervieri, diretora do
Departamento de Micro, Pequenas e Médias Empresas do Ministério
do Desenvolvimento.
Cervieri acredita que os dados são
um sinal de que o país precisa flexibilizar as linhas de crédito.
Segundo ele, existe no Brasil um lapso de acesso ao financiamento por
pequenas e médias empresas, ou seja, uma distância entre
o que o sistema financeiro pode oferecer e a procura dos pequenos e
médios empresários.
Mesmo assim, o país registra a
cada por ano a abertura de 470 mil novas empresas formais no mercado.
A partir de hoje, o financiamento do setor de pequenas e médias
empresas será tema da Conferência Internacional sobre Financiamento
para o Empreendedorismo e o Crescimento de Pequenas e Médias
Empresas.
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) mostram que no período de 1996 a 2003, a soma
de novas ocupações nas micro e pequenas empresas avançou
3,2 vezes mais do que o constatado nas demais empresas.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
28 de março de 2006 | Política
Câmara tem que votar reajuste do
mínimo até dia 30
BRASÍLIA - O plenário da
Câmara deve votar esta semana o projeto de lei que estabelece
o novo valor do salário mínimo para este ano em R$350.
Caso o projeto não seja aprovado até o dia 30, o governo
planeja encaminhar uma medida provisória determinando o reajuste
no salário.
Na semana passada, o ministro do Trabalho
e Emprego, Luiz Marinho, considerou um "constrangimento" o
atraso na votação da matéria em plenário.
Também está prevista na
pauta do plenário da Câmara desta semana a continuidade
da votação do projeto de lei que cria a Timemania e do
projeto que trata da utilização e proteção
da vegetação da Mata Atlântica.
Para que todas essa votações
ocorram, os deputados precisam primeiro votar duas medidas provisórias
que abrem crédito extraordinário para o Ministério
da Integração Nacional e para o Ministério das
Cidades.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 28 de março de 2006 | Economia
Carteira assinada cresce entre ocupados
em fevereiro
Seguindo a tendência, a fatia dos sem
carteira prosseguiu em declínio. Em fevereiro, este total atingiu
21,6% dos ocupados, enquanto em janeiro eram 22,2%
Jacqueline Farid
O - A participação dos
trabalhadores com carteira assinada no total de ocupados nas seis principais
regiões metropolitanas do País manteve a trajetória
de crescimento em fevereiro. No mês passado, a participação
desse grupo era de 45,9% dos ocupados, superior aos 45,6% de janeiro
deste ano e aos 45% de fevereiro de 2005. Os dados foram divulgados
nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), e são correspondentes à pesquisa mensal de emprego
de fevereiro.
Seguindo a tendência, a fatia dos
sem carteira prosseguiu em declínio. Em fevereiro, este total
atingiu 21,6% dos ocupados, enquanto em janeiro eram 22,2%. Na comparação
com fevereiro de 2005, quando eram 22,3%, a queda é menor.
Ao mesmo passo, o porcentual de trabalhadores
por conta própria - como camelôs, também considerados
informais - ficou em 19,1% em fevereiro deste ano, menor do que os 19,4%
de igual mês de 2005. O total, porém, é superior
aos 18,8% de janeiro.
O gerente da pesquisa, Cimar Azeredo,
explica que o aumento da fatia dos ocupados por conta própria
em fevereiro em relação a janeiro ocorreu porque muitos
dos trabalhadores temporários contratados pelo comércio
no final do ano são dispensados em janeiro e depois retomam as
atividades por conta própria. Além disso, o carnaval em
fevereiro faz com que muitos desocupados aproveitem as festas para montar
barracas temporárias para vendas de produtos vinculados às
festas.
São Paulo
Segundo mostra a pesquisa, o movimento
no cenário de formalização do mercado de trabalho,
apurado na média das seis regiões, praticamente não
ocorreu em São Paulo - responsável por cerca de 40% do
total dos ocupados contabilizados na pesquisa. A participação
dos trabalhadores com carteira assinada na região se manteve
em 47,3% em fevereiro, exatamente o mesmo porcentual de igual mês
do ano passado, e subiu pouco em relação a janeiro (47,1%).
A participação dos sem
carteira no mercado de trabalho paulista ficou inalterada entre fevereiro
do ano passado, quando atingiu 24,3%; e janeiro deste ano, com 24,3%;
mas caiu um pouco em fevereiro de 2006, que havia correspondido a 23,9%
dos ocupados.
No caso dos trabalhadores por conta
própria, a situação de São Paulo foi similar
à registrada na média das regiões, com aumento
em fevereiro (16,5%) deste ano em relação a janeiro (16,1%),
mas estabilidade em relação a fevereiro de 2005 (16,5%).
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 28 de março de 2006 | Economia
Exportações e importações
baterão recorde, diz economista
Exportações ficarão perto
de US$ 11,6 bilhões e as importações, ao redor
de US$ 7,76 bilhões
Nilson Brandão Junior
RIO - As exportações e
importações do País deverão bater recorde
histórico mensal em março, na comparação
com meses anteriores de outros anos. A estimativa do ex-assessor econômico
do Ministério do Planejamento e economista-chefe da Mandarim
Gestão de Ativos, Eduardo Velho.
Com base nas médias diárias
das quatro primeiras semanas, Velho estima que as exportações
ficarão perto de US$ 11,6 bilhões e as importações,
ao redor de US$ 7,76 bilhões em março. No último
sábado, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior (Mdic), Luiz Fernando Furlan, havia antecipado ao Estado que
a perspectiva é de que as vendas externas ultrapassarão
a faixa dos US$ 11 bilhões, pouco depois de participar de uma
regata no Rio de Janeiro, e que o valor encostaria no recorde histórico.
Nas exportações, o maior
valor foi registrado em agosto do ano passado, de US$ 11,346 bilhões.
Já o maior valor mensal de importações também
foi no mesmo mês de agosto, no valor de US$ 7,689 bilhões.
Balança comercial
O saldo da balança comercial (exportações
menos importações) da quarta semana de março foi
anunciado nesta segunda-feira. Segundo os dados, o saldo foi superavitário
em US$ 864 milhões, registrando o quarto melhor resultado do
ano.
As exportações somaram
US$ 2,563 bilhões, com média diária de US$ 512,6
milhões. Na comparação com março do ano
passado, a média das vendas externas apresentou até agora
um crescimento de 20,1%. As compras externas, por sua vez, atingiram
US$ 1,699 bilhão, com média diária de US$ 339,8
milhões. A média das importações registrou
um crescimento maior: 25,7%.
No acumulado do ano, até a quarta
semana do mês, as exportações cresceram 17,6% e
as importações continuam em ritmo de crescimento maior:
22,3%. O saldo acumulado no mês passou para US$ 3,016 bilhões
e no ano, o superávit acumulado é de US$ 8,682 bilhões.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
28 de março de 2006
Adicional noturno acima de valor estipulado
por sindicato não pode ser reduzido
A 2ª Turma do TST (Tribunal Superior
do Trabalho) manteve decisão do TRT-MG (Tribunal Regional do
Trabalho de Minas Gerais) que impediu uma fundação maçônica
a reduzir o percentual do adicional noturno pago a um ex-empregado.
De acordo com a assessoria do TST, a
Fundação Maçônica Manoel dos Santos pagava
adicional noturno de 70% a seus funcionários, quando a convenção
coletiva da categoria previa percentual inferior. A partir de julho
de 1997, a fundação passou a utilizar o percentual de
50%, previsto nos instrumentos coletivos. Na ação trabalhista
que ajuizou após ser demitido, o trabalhador cobrou, entre outros
itens, diferenças relativas ao adicional noturno.
De acordo com o TRT-MG, ainda que o empregador
tenha reduzido o percentual para se adequar aos parâmetros estabelecidos
na convenção coletiva de trabalho da categoria profissional,
a alteração constitui alteração lesiva aos
direitos do empregado. A Turma entendeu, por unanimidade, que as vantagens
concedidas em grau superior ao previsto em instrumentos coletivos, por
tolerância ou benevolência do empregador, integram-se ao
contrato de trabalho, quando sua repetição as tornar habituais.
Portanto, elas não podem ser reduzidas ou suprimidas em prejuízo
do trabalhador.
O acórdão, mantido pela
2ª Turma, afirma que a alteração foi danosa ao funcionário
e feriu os princípios da intangibilidade contratual, hipossuficiência
de uma das partes e imperatividade de norma trabalhista. De acordo com
o TRT-MG, na medida em que a fundação optou por pagar
adicional noturno em valor superior ao previsto em instrumento normativo,
criou um benefício extra ao empregado, que o possibilitou adequar
seu padrão de vida aos valores de sua remuneração.
Ainda segundo a assessoria do TST, a
fundação alegou que a decisão afrontou os dispositivos
da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que regulam
as relações de trabalho e suas alterações
(artigos 444 e 468) e também ao dispositivo constitucional que
recomenda o reconhecimento das convenções e acordos coletivos
de trabalho (artigo 7º, inciso XXVI).
Segundo o relator do processo,
Renato Paiva, a decisão do TRT adequou os fatos às previsões
legais, na medida em que é necessário prestigiar e valorizar
a negociação coletiva feita pelos sindicatos, mas sem
permitir alterações contratuais lesivas aos trabalhadores.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
28 de março de 2006
TST garante horas extras para jornada
de trabalho dividida em dois períodos
O TST (Tribunal Superior do Trabalho)
reconheceu o direito de uma fisioterapeuta de Minas Gerais a receber
horas extras após exercer sua jornada semanal, que é prevista
para 30 horas. Segundo a assessoria do tribunal, o contrato de trabalho
firmado entre as partes previa uma situação muito específica,
na qual a profissional teve de assinar um termo aditivo que dividiu
seu período de atividade em dois períodos _um com jornada
de semanal 30 horas e outro de 10.
O TRT-MG (Tribunal Regional do Trabalho
de Minas Gerais), em segunda instância, julgou inválido
esse aditivo, por considerar um artifício para burlar a lei trabalhista.
A 1ª Turma do TST (Tribunal Superior do Trabalho) manteve a decisão,
ao recusar o agravo de instrumento da empregadora, a Associação
das Pioneiras Sociais.
A fisioterapeuta foi contratada pela
entidade, gestora da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação,
para trabalhar 40 horas semanais, antes da edição da Lei
8.856, em 1994, que assegurou à categoria profissional jornada
reduzida de 30 horas.
Em 2001, as partes celebraram um termo
aditivo ao contrato de trabalho para a cisão de seu cargo em
dois: terapeuta funcional, com 30 horas semanais, como manda a lei,
e de monitor de reabilitação, com dez horas semanais de
trabalho. A soma dos dois salários (R$ 3.314,90 mais R$ 1.548)
correspondia ao valor anterior.
Ao confirmar a sentença, a associação
foi condenada ao pagamento de 10 horas extras por semana, desde a data
em que a lei entrou em vigência até a data de demissão
da empregada. Segundo a decisão de segunda instância, mesmo
com o termo aditivo, não houve efetiva redução
da jornada nem alteração nas atividades da fisioterapeuta.
"O desmembramento do cargo em duas
funções, com o conseqüente fracionamento do salário,
foi estabelecido apenas como pretexto para manter a mesma carga horária
(40 horas semanais), constatando-se o nítido intuito de fraudar
a legislação trabalhista, o que não pode ser admitido",
registrou o acórdão do TRT-MG.
No recurso ao TST, a entidade buscou
a aplicação de dispositivo do artigo 444 da CLT (Consolidação
das Leis de Trabalho), que estabelece o livre pacto entre as partes
nas relações contratuais de trabalho.
Ainda segundo a assessoria do TST, o
relator do processo no tribunal, Guilherme Bastos, ressaltou que as
disposições de proteção ao trabalho são
exceções para essa regra, como já havia registrado
a decisão do TRT-MG.
Segundo o Tribunal Regional, "não
obstante deva ser respeitada o livre pacto das cláusulas contratuais,
também é certo que os ajustes devem observar as disposições
legais mínimas de proteção ao trabalhador, sob
pena de serem considerados inválidos como ocorreu na hipótese".
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/03/2006
TST garante exame de ação sobre
complementação de aposentadoria
A discussão judicial em torno
de parcelas de complementação de aposentadoria, que tem
sua origem na relação de emprego, é de competência
da Justiça do Trabalho. Com esse entendimento do ministro Aloysio
Corrêa da Veiga (relator), a Quinta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho deferiu recurso de revista a um eletricitário. A
decisão unânime do TST garante a tramitação
de processo movido contra a Centrais Elétricas de Santa Catarina
S/A – Celesc e a Fundação Celesc de Seguridade Social
(Celos).
A possibilidade de discussão sobre
o tema havia sido negada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª
Região (com jurisdição em Santa Catarina), que
determinou a extinção do processo, que havia sido favorável
ao trabalhador na primeira instância. O TRT entendeu que a discussão
só possuía natureza previdenciária. “A ação
está relacionada, exclusivamente, com as alterações
da forma e aplicação dos índices utilizados na
complementação da aposentadoria feitas pela CELOS, que
não manteve com o trabalhador qualquer relação
empregatícia”, registrou o órgão regional.
O eletricitário recorreu ao TST
sob a alegação de violação ao art. 114 da
Constituição Federal, que lista as competências
da Justiça do Trabalho, além de mencionar afronta à
jurisprudência do Tribunal. Sustentou seu direito a ter o pedido
de atualização da complementação da aposentadoria,
em decorrência do critério de correção do
benefício adotada pela entidade de previdência privada.
A análise do art. 114 do texto
constitucional, segundo o ministro Aloysio Veiga, indica expressamente
a competência da Justiça do Trabalho para conciliar e julgar
os dissídios entre trabalhadores e empregadores, bem como outras
controvérsias, decorrentes da relação de trabalho.
“Nesse passo, inarredável a conclusão de que, sendo
a complementação de aposentadoria originária do
próprio contrato de trabalho, ainda que detenha utilidade previdenciária,
impossível excluí-la da competência desta Justiça
Especializada”, afirmou o relator.
Aloysio Veiga destacou que o TST
já editou diversas súmulas e orientações
jurisprudenciais que interpretam e regulam o tema da complementação
de aposentadoria. É o caso da Orientação Jurisprudencial
nº 156 e das súmulas nº 97, 106, 288, 326 e 327. Também
foi lembrado pelo relator que o Supremo Tribunal Federal também
entende ser da competência da Justiça do Trabalho a competência
para solucionar as causas que envolvam pedido de complementação
de aposentadoria, quando decorrentes do contrato de trabalho. (RR 5290/2003-014-12-00.6)
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28/03/2006
TST admite interpretação mais ampla para multa da CLT
O uso de cooperativa fraudulenta para
mascarar a relação de emprego, autoriza a aplicação
da multa do artigo 477, §8º, da CLT – prevista para
os casos em que há atraso na quitação das verbas
rescisórias do empregado. Essa possibilidade foi confirmada
pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao negar recurso
de revista relatado pelo ministro Lélio Bentes. O recurso foi
proposto pela Citrosuco Paulista S/A, condenada a indenizar um trabalhador
terceirizado pela Justiça do Trabalho da 15ª Região
(sediada em Campinas).
O julgamento do tema foi retomado com
o voto do ministro Emmanoel Pereira, que manifestou sua concordância
com a proposta do relator. “É preciso combater as intermediações
ilegais de mão-de-obra”, considerou Emmanoel Pereira. O
terceiro voto foi dado pelo presidente da Turma, ministro João
Oreste Dalazen, diante da intenção do empregador em burlar
a legislação, verificada no caso concreto.
A manifestação inicial
sobre o tema ocorreu na Vara do Trabalho de José Bonifácio
(SP), onde o trabalhador ingressou contra a Cooperativa dos Colhedores
e Trabalhadores Rurais e a Citrosuco Paulista. A primeira instância
reconheceu o vínculo de emprego entre o autor da ação
e a empresa e determinou a aplicação da multa do art.
477, §8º. No TRT, a sentença foi confirmada diante
da comprovação de fraude na intermediação
de mão-de-obra. Também foi mantida a multa pelo atraso
no pagamento das verbas rescisórias.
No TST, a Citrosuco Paulista sustentava
que a intermediação da mão-de-obra coube aos produtores
rurais da região, donos dos pomares (laranjais) e responsáveis
pela entrega dos frutos às indústrias. Em seu voto, Lélio
Bentes sustentou que, para apreciar a alegação da empresa,
teria de reexaminar fatos e provas, procedimento vedado pela Súmula
nº 126 do TST.
O relator também reconheceu que
a jurisprudência reiterada do TST nega a aplicação
da multa quando o empregador – diante de dúvida razoável
sobre a existência da relação de emprego –
deixa de quitar as verbas rescisórias. A interpretação
majoritária do Tribunal indica que a multa visa reprimir o atraso
injustificado no pagamento da rescisão.
A decisão da Primeira Turma, contudo,
optou por uma interpretação mais ampla da norma face à
constatação do “manifesto propósito da empresa
de burlar a lei, por meio de cooperativa fraudulenta, com o indisfarçável
propósito de se eximir das obrigações impostas
pela legislação trabalhista”. Em situações
em que há o reconhecimento da fraude, a dúvida razoável
deixaria de existir.
A não aplicação
da multa “equivaleria a alterar a ordem natural das coisas, colocando
as conseqüências à frente das causas que a geraram”,
acrescentou o relator.
Segundo a CLT, o pagamento das parcelas
deve ocorrer até o primeiro dia útil imediato ao término
do contrato, ou até o décimo dia, contado da data da notificação
da demissão, quando da ausência do aviso prévio,
indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento. O
atraso sujeita o empregador à multa a favor do empregado no valor
de um salário (art. 477, 8º), além de multa de 160
BTN. (RR 215/2001-110-15-00.3)

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