 |
Agência Diap, 29 de março de 2006
Salário Mínimo
Se Congresso não aprovar PL do
mínimo, Governo vai editar medida provisória
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá editar esta
semana uma Medida Provisória para estabelecer o aumento do Salário
Mínimo de R$ 300 para R$ 350. A medida já havia sido anunciada
pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, caso o Congresso
não aprovasse a tempo o projeto de lei enviado pelo Governo estabelecendo
o novo piso. Como a Câmara dos Deputados ainda não aprovou
o projeto e a pauta do Senado está trancada por nove medidas
provisórias, não há outra alternativa para o Executivo,
que não seja a de editar uma MP para estabelecer o novo piso.
|
EPTV.COM / SÃO PAULO,
29 de março de 2006
Falta de terrenos impede construção
de moradias
Burocracia entre prefeituras e CDHU adia sonho
da casa própria
Um impasse entre a Companhia de Desenvolvimento
Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e as prefeituras
da região Central está adiando o sonho da casa própria
de muita gente. Em algumas cidades, a companhia já até
disponibilizou o dinheiro para a obra, mas a contrução
das moradias esbarra no problema da falta de terrenos.
Os lotes são doados pelas prefeituras.
O problema pode ser prorrogado mais uma vez este ano, por causa das
eleições de outubro. Por causa do calendário eleitoral,
a lei só permite a assinatura de convênios entre a CDHU
e as prefeitura até o dia 30 de abril.
Em São Carlos, a Associação
de Engenheiros calcula um déficit entre 7 mil e 8 mil moradias.
A gerência regional da CDHU informou que há dinheiro desde
2002 para a construção de mil novas unidades em São
Carlos. Em Matão, a verba seria para construir 200 novas residências.
Em aguaí, 122 famílias foram sorteadas há um ano
e meio, mas mudanças no projeto solicitadas pela administração
municipal e a falta de terrenos impede que cerca de 500 pessoas realizem
o sonho da casa nova.
Para José Eduardo de Assis Pereira,
conselheiro da Associação de Engenheiros, há falta
de cooperação. “A burocracia que existe entre os
governos federal, estadual e municipal não deixa gerar as unidades
habitacionais”, afirmou Pereira.
A Prefeitura de Aguaí informou
que está estudando a viabilização de áreas
para a construção das casas populares. Em Matão,
o secretário de Governo, Ademir de Souza, disse que a prefeitura
desconhece a existência do projeto da CDHU. Disse que estão
em processo a compra e a desapropriação de 26 alqueires
para construção de moradias.
Em São Carlos, a Secretaria de
Comunicação da prefeitura informa que três conjuntos
habitacionais da CDHU na cidade ainda aguardam regularização.
Um lote com 500 unidades, perto do campus 2 da USP, também espera
a regularização por parte da prefeitura. A administração
alega que não seria prudente ceder um novo espaço, para
um novo conjunto, nessas mesmas condições.
|
JORNAL HOJE / MS, 29 de
março de 2006
Caixa Econômica Federal prevê
a construção de casas populares
Camila Ferreira
Foi realizado na tarde de hoje (28-03-2006),
as 15h30mim, na rua Taufic Farran, na Vila Piloto, a assinatura de convênio
com a Caixa Econômica Federal que prevê a construção
de casas populares.
As casas serão construídas
no bairro Jardim Novo Ipanema, em um condomínio residencial denominado
“Conjunto Habitacional Azaléia”, concluidas até
o final deste ano, segundo a coordenadora do setor de Habitação
da prefeitura, Cleonice Fontoura.
“O mínimo que uma pessoa
pode desejar é ter um lar, e hoje as condição desse
pessoal é desumana e não podemos fingir ou até
mesmo fazer de conta que eles não existem”, desabafou a
prefeita.
Recuros
O convenio prevê a destinação
de recurso no valor de R$ 236.1892,58 para construção
de 26 unidades habitacionais. As casas serão destinadas a 13
famílias que residem em barracos de lona e plástico na
Vila Piloto, próximo ao Parque Natural do Jupiá e também
para outras famílias que vivem em condição de vulnerabilidade
em outras partes do município.
|
TRIBUNA CATARINENSE, 29
de março de 2006 | Geral
Banco do Brasil oferece financiamento
para reforma e construção sem fiadores
O Banco do Brasil está disponibilizando
a seus clientes, uma linha de crédito especial para quem deseja
efetuar reformas e construções, sem fiadores ou garantia.
Os interessados podem obter até R$ 20 mil em crédito através
do programa da linha BB Material de Construção. O crédito
pode ser contratado em todas os estabelecimentos conveniados à
rede de cartões Visanet.
No Banco do Brasil, o limite de crédito
é pré-aprovado e o financiamento facilita a aquisição
de material básico, de acabamento, hidráulico, elétrico
e de ferragens para a construção.
Segundo a direção do Banco,
o grande atrativo da linha de crédito é a taxa de juros
de 1,9% ao mês e isenção de IOF (Imposto sobre Operação
Financeira) para empréstimos com prazos de até 12 meses.
Nas contrações para períodos situados entre 13
e 24 meses, a taxa é de 2,9%. Outra vantagem é que o cliente
do Banco pode estender o pagamento da primeira parcela do financiamento
até 59 dias após a contratação.
Desde outubro do ano passado, a linha
passou a financiar também a compra de armários planejados
para cozinhas, quartos e banheiros. Para isso, basta que a loja seja
afiliada à Visanet e tenha convênio com o Banco do Brasil.
Para contratar a linha de crédito não é necessário
que o cliente vá a uma agência do Banco. Ele pode solicitar
o financiamento diretamente nos terminais das lojas de material de construção,
onde passa seu cartão da bandeira Visa na função
débito e faz a opção pelo financiamento.
Lançado no final de 2003, o BB
Material Construção acumula, em Santa Catarina desembolsos
no valor de R$ 22,3 mil e 17,4 mil operações contratadas
no estado. A carteira ativa da linha, que é o valor das operações
em curso, está atualmente em R$ 600 milhões, valor distribuído
por 420 mil contratos no país.
O Banco do Brasil dispõe de recursos
da ordem R$ 1 bilhão para financiar a compra de material de construção.
Parte desses recursos são do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
A estimativa da instituição é de que o pacote de
incentivo do governo federal para o setor de construção
civil aumente a demanda para a utilização total desses
recursos.
|
Diário Vermelho,
29 de março de 2006
João Batista Lemos
Guerra entre capital e trabalho na França
No ano em que se comemora o 135º aniversário da Comuna de
Paris (1871), uma nova guerra entre capital e trabalho vem perturbando
o cotidiano da velha França. Ontem, o país despertou com
uma greve geral, que paralisou o estratégico setor de transportes,
escolas, bancos, repartições públicas e outros
ramos da economia. Ao longo do dia, cerca de 3,0 milhões de pessoas
(segundo os sindicalistas) saíram às ruas de Paris e outras
cidades francesas para protestar, na maior manifestação
popular realizada na França desde a longa greve nacional de dezembro
de 1995, que obrigou o então primeiro-ministro Alain Juppé
a arquivar seu reacionário projeto de reforma previdenciária.
Com o apoio da maioria da sociedade,
a classe trabalhadora exige a revogação do Contrato do
Primeiro Emprego (CPE), imposto pelo governo da direita, com a cumplicidade
do Parlamento, sob o pretexto de combater o desemprego. O CPE flexibiliza
a legislação e reduz direitos dos novos candidatos ao
mercado de trabalho (jovens de até 26 anos). Entre outras coisas,
confere ao patronato o privilégio da demitir sem justificativa
durante a vigência do famigerado contrato, de 24 meses, acabando
com uma conquista reconhecida inclusive pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT), que em sua Resolução
158, ratificada no Brasil durante o governo Itamar Franco e pouco tempo
depois denunciada pelo neoliberal FHC, simplesmente proíbe a
demissão imotivada.
Consciência de classe
A greve e os 135 atos de protesto realizados
ontem dão curso a um movimento iniciado algumas semanas atrás
e que deve prosseguir ao longo dos próximos dias “até
a revogação da CPE”, a julgar pela disposição
dos seus principais líderes. O primeiro-ministro, Dominique de
Villepin, insiste em manter a nova lei, que traduz renitentes convicções
neoliberais da direita francesa e os interesses insaciáveis dos
capitalistas que representa. Aliado ao presidente Jacques Chirac, Villepin
está plantando vento e tende a colher mais tempestade.
A consciência de classe e o espírito de luta da classe
trabalhadora francesa são admiráveis. O movimento pela
revogação do Contrato do Primeiro Emprego encerra preciosas
lições para as forças progressistas do nosso país,
especialmente para os sindicalistas. Em primeiro lugar, cabe ressaltar
que os fatos em questão comprovam a centralidade política
do trabalho e da luta de classes, desmentindo o pensamento “único”
dominante de que a classe trabalhadora e os sindicatos estão
superados e já não têm maior relevância econômica
e política na atualidade. Ao mesmo tempo, o movimento se insere
num quadro de crescente resistência e contra-ofensiva dos trabalhadores
em todo o mundo contra o neoliberalismo e o imperialismo.
Por suas características, a luta
também é reveladora de transformações operadas
no perfil do moderno proletariado ao longo das últimas décadas,
que demandam novas atitudes do movimento sindical. Convém lembrar
que a jornada de protestos foi deflagrada por jovens estudantes, universitários,
o que longe de alterar seu conteúdo essencialmente classista
reflete, antes, importantes mudanças sociais.
Os protagonistas, no caso, são
os candidatos ao primeiro emprego, que pertencem à classe trabalhadora
e disto têm notável consciência. São jovens
proletários, com melhor formação e (por conseqüência)
maior consciência, a quem o capitalismo do século XXI,
na sua mais recente versão (o neoliberalismo), só pode
oferecer a perspectiva do desemprego estrutural e massivo ou, se muito,
ocupações precárias e de baixa remuneração.
O fio condutor da rebelião de
jovens desempregados e discriminados nos subúrbios parisienses
durante o último trimestre de 2005 também foi a luta de
classes entre capital e trabalho. Os violentos protestos tiveram por
alvo (ainda que não muito consciente) as mazelas do capitalismo
neoliberal, destacadamente a estagnação do emprego e o
avanço da intolerância neofascista contra jovens franceses
descendentes de trabalhadores imigrantes.
Esses acontecimentos realçam os
novos desafios com que se defronta hoje o movimento sindical. Salta
aos olhos a necessidade de uma coordenação maior entre
as organizações estritamente sindicais com outros setores
do movimento social que também estão direta ou indiretamente
associados à classe trabalhadora, como vem a ser o caso dos jovens
estudantes e desempregos.
Lições
Como uma lição que deve
ser assimilada também no Brasil convém destacar o vigor,
a consciência e a combatividade da juventude que flui para o mercado
de trabalho exigindo um futuro mais decente, com a manutenção
e ampliação dos direitos sociais, ao invés da flexibilização
e redução apregoada pelos ideólogos e políticos
neoliberais. Os fatos evidenciam a necessidade de iniciativas mais eficazes
por parte do movimento sindical e estudantil no sentido de organizar
a juventude trabalhadora brasileira em torno da luta por um novo projeto
de desenvolvimento nacional com soberania e valorização
do trabalho, orientado para o pleno emprego e o respeito às conquistas
e direitos trabalhistas.
Não custa lembrar que também
aqui as classes dominantes deflagraram uma ofensiva raivosa contra os
direitos da nossa classe trabalhadora consagrados na Constituição
e na CLT. O objetivo do capital é elevar as taxas de lucros ampliando
o grau de exploração da força de trabalho nacional,
mas o pretexto aqui (como na França) é combater o desemprego
e melhorar a competitividade da indústria. Na verdade, o desemprego
massivo não resulta dos benefícios garantidos pela legislação
trabalhista, decorre antes das próprias contradições
inerentes ao modo capitalista de produzir e às relações
sociais de produção características do sistema.
O neoliberalismo agravou o problema, principalmente em nações
economicamente mais frágeis e dependentes.
A classe trabalhadora não deve
se deixar levar pelo canto de sereia dos neoliberais. É preciso
identificar as reais causas do desemprego, apontá-las e exigir
uma solução progressista, que em nosso caso começa
por mudanças de fundo nas políticas econômicas,
de forma a conseguir taxas mais elevadas e sustentadas de crescimento
do PIB e caminhar na direção de um novo projeto de desenvolvimento
nacional, fundado na soberania e valorização do trabalho.
Cumpre um grande esforço de mobilização e conscientização
para a luta. Talvez esta seja a principal lição que podemos
extrair do extraordinário movimento contra o Contrato do Primeiro
Emprego que o Estado capitalista francês quer impor à revelia
dos interesses e da opinião da maioria da sociedade.
O neoliberalismo não é
a única via ou o único caminho possível para a
marcha (no final das contas, progressista) da humanidade, a batalha
da classe trabalhadora francesa, a revolução bolivariana
e outros fatos relevantes do nosso tempo mostram também que o
neoliberalismo não é invencível e, como sugeriu
o Fórum Social Mundial, um outro mundo é possível,
desde que sejamos capazes de lutar com energia pelos ideais que faz
135 anos animaram a heróica Comuna de Paris e motivaram, na seqüência,
muitas outras revoluções.
|
Folha de São Paulo,
29 de março de 2006
EUROPA - Com cenas de saque e violência,
manifestação contra lei trabalhista deixa premiê
isolado; greve pára transportes e escolas
Protesto atrai ao menos 1 milhão
na França
FÁBIO VICTOR
ENVIADO ESPECIAL A PARIS
A maior manifestação dos
franceses contra uma nova lei trabalhista, e a primeira acompanhada
de greve, reuniu ontem mais de um milhão de pessoas pelo país,
gerou novamente cenas assombrosas de violência e aumentou a pressão
sobre o primeiro-ministro Dominique de Villepin para a retirada do CPE
(Contrato do Primeiro Emprego). Transportes públicos, companhias
aéreas, escolas públicas e privadas, correios e veículos
da mídia pararam parcialmente. Até parte da indústria
de turismo de Paris, a cidade mais visitada do mundo, foi afetada. Atrações
como a torre Eiffel e o museu D'Orsay fecharam em razão da greve.
Trens e metrôs funcionaram em operação
tartaruga, com vagões superlotados e confusão nos horários
de pico.
O mais vultoso sinal da rejeição nacional ao CPE não
produziu afrouxamento do governo, que admite no máximo alterar
alguns pontos do texto, mas jamais retirar a lei, como pedem os manifestantes.
O CPE, planejado para diminuir o enorme desemprego entre os jovens na
França (22,2%) e previsto para entrar em vigor em abril, permite
que os empregadores demitam um funcionário sem justa causa até
dois anos após a contratação, ponto que, na visão
dos críticos, produzirá uma legião de empregos
precários.
A polícia calculou em 1,05 milhão
os participantes das marchas em toda a França, recorde dos dois
meses de crise e o dobro do que anunciara no sábado retrasado,
até ali a maior jornada. Os organizadores (sindicalistas e estudantes)
estimaram o total em 2,68 milhões, contra o 1,5 milhão
divulgado em 18 de março. Pelos números da organização,
foi a maior manifestação da história recente da
França. Pelos da polícia, ficou abaixo dos 2,2 milhões
que, segundo o jornal "Le Monde", se reuniram em 1995 contra
a reforma de financiamento da seguridade social do então premiê
Alain Juppé.
Garrafas e pedras
Enquanto em outras cidades o movimento
cresceu, a manifestação de Paris foi menor que a de 11
dias atrás (92 mil, para a polícia, e 700 mil, no cálculo
dos organizadores, contra 350 mil e 800 mil). Mas um conflito entre
vândalos e a polícia afetou a marcha antes mesmo do seu
final. Ao contrário dos últimos protestos, quando a pancadaria
costumava ocorrer à noite, após a dispersão, ontem
ela começou às 17h locais (12h em Brasília), quando
as primeiras levas de manifestantes chegavam à Place de la République,
ponto final da passeata.
A reportagem da Folha acompanhou os conflitos
na rua de Fauborg du Temple, um dos acessos à praça e
maior foco da violência no local. Um cordão da tropa de
choque da Polícia Nacional fechava a via, enquanto os "casseurs"
(bagunceiros), muitos encapuzados e mascarados e quase todos nitidamente
alheios ao protesto contra o CPE, se aglomeravam no centro da praça,
aos pés da enorme estátua com a representação
da República.
Atiravam garrafas, pedras, bombas caseiras
e qualquer objeto que lhes surgisse à frente, como guarda-chuvas
e uma roda de bicicleta. Chamavam a polícia para o confronto
e gritavam ofensas contra o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, que
implantou uma política linha-dura de combate à delinqüência
nas periferias e no ano passado se referiu aos adolescentes suburbanos
que queimaram milhares de carros como "escória".
Eram esses mesmos jovens que ontem desafiavam
a polícia. A tropa, superequipada, ficava postada em posição
de combate e, de repente, corria em pequenas células em direção
à turba, onde distribuía pancada e prendia um ou outro.
Nos momentos mais agudos, atirava balas de borracha e bombas de gás
lacrimogêneo. Só em Paris, 4.000 policiais foram mobilizados.
Segundo a polícia, 488 pessoas foram presas e 51 ficaram feridas
-cinco policiais.
Prisões
Sarkozy, que é rival político
de Villepin no governo e tenta tirar proveito da crise, ordenara à
polícia que protegesse os manifestantes, "especialmente
os mais jovens", e que prendesse "o máximo possível"
de vândalos. Guardas à paisana e seguranças contratados
por centrais sindicais se infiltraram na multidão e também
efetuaram prisões. Dezenas de jornalistas na praça usavam
capacete de motoqueiro, e alguns, máscaras para gás. Isso
não impediu, porém, que um fotógrafo que usava
capacete fosse atingido por uma pedra no rosto, que ficou banhado de
sangue.
"É uma vergonha. Não
há nada por trás disso -uma mensagem, uma ideologia, nada.
Fazem só para quebrar a regra. Nem mostram o rosto, só
o dedo [médio] levantado, o que revela o que pensam", comentou
Jean-Luc Lechemia, um consultor de recursos humanos de 45 anos que assistia
às manifestações. Ainda no início da tarde,
durante a concentração na Place D'Italie, os "casseurs"
promoveram diversos pequenos saques. A reportagem viu dois, um deles
numa barraca de sanduíche e bebidas. Num arrastão, avançaram
e levaram várias latas de cerveja.
A dona da banca, Aicha Boyer, lamentou.
"Você viu? Não estão com fome, fazem para depredar.
Isso não representa a juventude francesa." Como mais de
70% da população, ela é contra o CPE, por avaliar
que a lei foi imposta sem discussão e que viola garantias sociais
básicas. É uma idéia bem diferente da do aposentado
Jacques Cadiot, 66, que não foi ao protesto, mas se queixava
dos seus efeitos num café de Paris.
"A lei não é
o ideal, mas é claro que é muito melhor do que o que temos.
Esse país não é mais uma democracia, virou uma
ditadura dos sindicatos. A França não admite copiar os
outros países, quer ser diferente, e assim está indo para
o buraco."
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de março de 2006 | Mundo
GOVERNO
Villepin ignora atos e mantém as
mudanças
Paris – Questionado em seu próprio partido e com sua popularidade
em queda livre, o primeiro-ministro francês, Dominique de Villepin,
se agarra a sua reforma trabalhista para jovens, o polêmico Contrato
de Primeiro Emprego (CPE), apesar dos protestos sindicais e estudantis.
Ele parece determinado a enfrentar a pressão da rua. Antes mesmo
de receber informações sobre o sucesso da mobilização,
o primeiro-ministro aproveitou a sessão parlamentar de ontem
para reforçar a sua intenção de manter o CPE. O
projeto autoriza a demissão dos menores de 26 anos sem justificativa
durante os primeiros 24 meses de trabalho. Villepin só se dispõe
a retoques superficiais nos seus dois pontos mais controvertidos: a
duração do período de experiência e a não
justificação da demissão. O primeiro-ministro criticou
as cinco confederações sindicais por rejeitarem sua proposta
de diálogo. Em seguida, renovou o convite para uma reunião,
hoje, mas rejeitou os “ultimatos” e “condições
prévias” da oposição.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de março de 2006 | Mundo
TRABALHO-Governo de Angela Merkel se mantém
afastado das negociações entre empregadores e empregados
Na Alemanha, greves ganham a adesão
de médicos e metalúrgicos
Nortbert Foersterling/EFE
Clínicos tomam banho no Rio Nektar, em Tuebingen. Eles reclamam
das condições dos hospitais
Berlim – A tensão social aumentou nesta semana na Alemanha.
Grupos de servidores públicos estão em greve há
oito semanas. Médicos resolveram lançar uma série
de protestos por tempo intederminado. A partir de hoje, deve haver paralisações
de metalúrgicos. No entanto, não se esperam na Alemanha
manifestações sociais como as que tomam conta da França.
As passeatas no país por melhores salários e condições
de trabalho não chegam a desafiar o governo da chanceler Angela
Merkel.
Mais de 1 mil operários da BMW
de Leipzig interromperam o trabalho por uma hora ontem numa “greve
de advertência”, antecipando-se a medidas similares que
serão adotadas por outras fábricas em todo o país
nesta quarta-feira, numa demonstração de solidariedade
ao sindicato metalúrgico IG Metall, que reivindicou 5% de aumento
salarial para os 3,4 milhões de trabalhadores deste ramo econômico.
“Alemanha não tem
uma cultura de conflito social”, afirma o cientista político
berlinense Peter Grottian, explicando que as greves, qualquer que seja
sua amplitude, não ameaçam o governo. As autoridades políticas
não têm o costume de se intrometer nos conflitos salariais,
cuja solução é de exclusiva competência das
organizações de patrões e trabalhadores, explica.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de março de 2006 | Mundo
GRÃ-BRETANHA
Reclamação em Londres
é previdenciária
Londres – Cerca de 1,5 milhão de funcionários públicos
da Grã-Bretanha entraram em greve ontem, fechando milhares de
escolas e atrapalhando o trânsito em meio a um crescente embate
a respeito do sistema previdenciário do país. Um grupo
de 11 sindicatos resolveu realizar um protesto de 24 horas que, segundo
prometeu, seria a maior greve do país desde 1924.
Os sindicatos pretendem fazer dessa a
primeira de uma série de manifestações contra um
plano para obrigar alguns funcionários do setor público
a trabalhar mais e para reduzir o salário dos que se aposentam
com menos de 60 anos de idade.
Em Liverpool, os usuários do transporte
público enfrentavam problemas porque os túneis sob o Rio
Mersey foram fechados e as balsas pararam de operar. Todas as viagens
de ônibus e trem foram canceladas na Irlanda do Norte e, em londres,
70% das escolas não abriram as portas.
Está em jogo a decisão
do governo de cancelar a chamada regra dos 85 anos, segundo a qual os
membros do Plano de Aposentadoria do governo Local podem se aposentar
com 60 anos recebendo seu salário integral se a somatória
de sua idade com os anos de serviço ultrapassar a marca dos 85.
|
Nova Central, 29 de março
de 2006
Participação no Sistema S
Nova Central apresenta propostas sobre
a participação de trabalhadores no Sistema S
Mobilização para rever a reorganização
da representação classista
Com o Centro Cultural dos Rodoviários
totalmente lotado, a Nova Central Sindical de Trabalhadores do Rio de
Janeiro realizou o seu primeiro seminário. O evento, realizado
segunda-feira, dia 27, teve por tema “A importância da representação
classista após a Emenda Constitucional 45”. Coordenado
pelo presidente da NCST/RJ, Sebastião José da Silva, contou
com a participação de representantes de federações,
sindicatos e confederações.
Entre os participantes estavam o presidente
da CNTT e vice-presidente da Nova Central, Omar José; os diretores
nacionais da NCST, Sebastião Soares, Luiz Tenório, Olímpio
Coutinho, Francisco Calazans, entre outros. Depois de vários
debates sobre a necessidade a representação classista
como fundamento da democratização da Justiça do
Trabalho, além de possibilitar uma compreensão social
das causas trabalhistas, foi aprovado que a NCST/RJ vai desenvolver
campanha para que essa representação seja reincorporada
à Justiça do Trabalho.
Aprovou-se indicativo para que a direção
nacional da Nova Central realize, ainda neste semestre, seminário
com representantes da Nova Central de todos os estados para debater
o assunto e deliberar com relação às formas de
encaminhamento.
Nova Central participa de reunião sobre
o Sistema “S”
A NCST participou de reunião no Ministério do Trabalho,
ontem, dia 28, para debater e deliberar sobre critérios de representação
junto ao Sistema “S”. A central foi representada, na reunião,
pelo presidente da CSPB e diretor de Finanças da Nova Central,
João Domingos Gomes dos Santos.
Ainda que a representação
dos trabalhadores ocorra de forma minoritária, a participação
dos trabalhadores na direção das instituições
do Sistema S representa um grande avanço, pois a defesa de uma
gestão tripartite e paritária, nessas instituições,
sempre fez parte das reivindicações do movimento sindical.
Essa conquista só foi possível graças ao amadurecimento
político da classe empresarial, que entendeu a importância
dos trabalhadores na gestão dessas instituições.
Segundo João Domingos, cabe, agora, às centrais sindicais
implementar uma atuação qualificada no Sistema S, com
conhecimento técnico e participação construtiva,
com propostas e projetos.
A participação dos trabalhadores
será por indicação das suas entidades representativas.
Nos Conselhos Nacionais do Senai e do Sesi terão assento seis
titulares e seis suplentes, indicados pelas confederações
de trabalhadores da indústria e centrais sindicais. Para isso
essas entidades terão que cumprir o seguinte critério
de representatividade: contar com pelo menos 20% de trabalhadores sindicalizados
entre o número total de trabalhadores da indústria em
todo o país. Confederações ou centrais sindicais
que não atingirem esse percentual (20%) poderão se unir
para atender ao requisito de representatividade. A indicação
dos representantes dos trabalhadores será proporcional à
representatividade das entidades sindicais.
Nos Conselhos Regionais do Senai e Sesi,
serão um titular e um suplente, ambos indicados pela organização
dos trabalhadores com mais representatividade na região. Nos
Conselhos Nacionais do Sesc e do Senac, terão assento seis titulares
e seis suplentes, indicados pelas centrais sindicais. No caso dessas
duas entidades, os trabalhadores também participarão do
Conselho Fiscal. No caso do Sesc , será um titular e um suplente
e, no caso do Senac, dois titulares e dois suplentes, ambos indicados
pelas centrais sindicais.
Já nos Conselhos Regionais do
Sesc e do Senac, serão de dois a três titulares e igual
número de suplentes, dependendo da quantidade de comerciários
inscritos no INSS no respectivo estado. As centrais sindicais se credenciarão
para indicar os seus representantes cumprindo os critérios de
representatividade definidos por ato do ministro do Trabalho e Emprego.
|
Nova Central, 29 de março
de 2006
Cooperativa fraudulenta pode ser multada
conforme a CLT
O uso de cooperativa fraudulenta para mascarar a relação
de emprego, autoriza a aplicação da multa do artigo 477,
§8º, da CLT – prevista para os casos em que há
atraso na quitação das verbas rescisórias do empregado.
Essa possibilidade foi confirmada pela
Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao negar recurso de
revista relatado pelo ministro Lélio Bentes. O recurso foi proposto
pela Citrosuco Paulista S/A, condenada a indenizar um trabalhador terceirizado
pela Justiça do Trabalho da 15ª Região (sediada em
Campinas).
O julgamento do tema foi retomado com
o voto do ministro Emmanoel Pereira, que manifestou sua concordância
com a proposta do relator. “É preciso combater as intermediações
ilegais de mão-de-obra”, considerou Emmanoel Pereira. O
terceiro voto foi dado pelo presidente da Turma, ministro João
Oreste Dalazen, diante da intenção do empregador em burlar
a legislação, verificada no caso concreto.
A manifestação inicial
sobre o tema ocorreu na Vara do Trabalho de José Bonifácio
(SP), onde o trabalhador ingressou contra a Cooperativa dos Colhedores
e Trabalhadores Rurais e a Citrosuco Paulista. A primeira instância
reconheceu o vínculo de emprego entre o autor da ação
e a empresa e determinou a aplicação da multa do art.
477, §8º. No TRT, a sentença foi confirmada diante
da comprovação de fraude na intermediação
de mão-de-obra. Também foi mantida a multa pelo atraso
no pagamento das verbas rescisórias.
No TST, a Citrosuco Paulista sustentava
que a intermediação da mão-de-obra coube aos produtores
rurais da região, donos dos pomares (laranjais) e responsáveis
pela entrega dos frutos às indústrias. Em seu voto, Lélio
Bentes sustentou que, para apreciar a alegação da empresa,
teria de reexaminar fatos e provas, procedimento vedado pela Súmula
nº 126 do TST.
O relator também reconheceu que
a jurisprudência reiterada do TST nega a aplicação
da multa quando o empregador – diante de dúvida razoável
sobre a existência da relação de emprego –
deixa de quitar as verbas rescisórias. A interpretação
majoritária do Tribunal indica que a multa visa reprimir o atraso
injustificado no pagamento da rescisão.
A decisão da Primeira Turma, contudo,
optou por uma interpretação mais ampla da norma face à
constatação do “manifesto propósito da empresa
de burlar a lei, por meio de cooperativa fraudulenta, com o indisfarçável
propósito de se eximir das obrigações impostas
pela legislação trabalhista”. Em situações
em que há o reconhecimento da fraude, a dúvida razoável
deixaria de existir.
A não aplicação
da multa “equivaleria a alterar a ordem natural das coisas, colocando
as conseqüências à frente das causas que a geraram”,
acrescentou o relator. Segundo a CLT, o pagamento das parcelas deve
ocorrer até o primeiro dia útil imediato ao término
do contrato, ou até o décimo dia, contado da data da notificação
da demissão, quando da ausência do aviso prévio,
indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento. O
atraso sujeita o empregador à multa a favor do empregado no valor
de um salário (art. 477, 8º), além de multa de 160
BTN.
|
Folha de São Paulo,
29 de março de 2006
CRISE NO GOVERNO/BASTIDORES
Duas semanas após revelação
de dados do caseiro, identidade do mandante é desconhecida
Governo trava guerra sobre responsáveis
pela violação
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A queda de Antonio Palocci não
encerrou duas questões que atazanam e põem em pé
de guerra setores do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira
delas é a apuração das responsabilidades pela violação
do sigilo e o esclarecimento de quem tomou conhecimento do assunto -ou
teve acesso aos próprios extratos violados. A segunda questão
decorre da primeira: o grupo da Fazenda que caiu, ligado a Palocci,
acredita ter sido empurrado para o abismo por assessores palacianos
e ministros influentes. Numa reação, tenta dividir com
outros setores responsabilidades pela quebra do sigilo bancário
do caseiro Francenildo dos Santos Costa.
Essa guerra interna vem sendo travada
longe dos holofotes, principalmente em torno de como se processou a
divulgação dos dados da fracassada operação
para tentar desqualificar o depoimento do caseiro, que contradisse o
ex-ministro Palocci sobre suas visitas à chamada "casa do
lobby".
Investigações
As investigações do governo
e do PT sobre o caseiro começaram logo após a publicação
da entrevista em que ele contradisse Palocci, no dia 14 de março,
uma terça-feira. Membros do governo obtiveram a informação
de que uma suposta testemunha havia revelado que o caseiro teria recebido
uma quantia volumosa de dinheiro. Essa informação circulou
entre ministros, dentro e fora do Palácio do Planalto, e parlamentares
petistas.
Um deles era o senador Tião Viana
(PT-AC), que sempre citava um jardineiro de uma casa vizinha à
usada pelo grupo de Ribeirão Preto (SP). "Esse jardineiro
disse que Nildo disse a ele que receberia uma bolada para derrubar Palocci.
Só que agora o jardineiro não quer falar", comentava
o senador pelos corredores do Congresso. O senador diz que soube apenas
da informação sobre a existência da testemunha,
mas não da operação que levou à quebra do
sigilo bancário. Ontem, o caseiro confirmou a existência
do jardineiro e disse que comentou com ele sobre a intenção
de comprar um terreno (leia texto na pág. A7). Com base nas informações
supostamente obtidas do jardineiro foi montada a operação
para quebrar o sigilo bancário do caseiro, divulgado pela revista
"Época" em 17 de março. Ao longo daquele dia,
ministros, assessores e senadores do PT disseram a jornalistas que viria
uma "bomba" contra Francenildo.
Na mesma sexta-feira, a informação
de que haveria uma revelação que comprometeria o caseiro
circulou também no Palácio do Planalto. Assessores do
presidente negam que ele tenha tido conhecimento da quebra do sigilo
bancário, mas essa versão circula entre alguns políticos
de Brasília, ainda que sem comprovação. Em depoimento
à Polícia Federal, anteontem, o ex-presidente da Caixa
Econômica Federal Jorge Mattoso disse que entregou os dados do
sigilo violado a Palocci na noite de 16 de março, uma quinta-feira.
Mas não revelou a mando de quem o sigilo foi violado.
Os agentes da PF não acreditam
na versão de Mattoso, de que ele teria mandado levantar os dados
do caseiro depois de receber informação de dentro da própria
Caixa sobre operações atípicas de Francenildo.
A PF trabalha com a suspeita de que o dado foi transmitido à
CEF por assessores do Ministério da Fazenda. O principal suspeito
é o ex-assessor especial Marcelo Netto, que nega envolvimento
no caso.
|
Folha de São Paulo,
29 de março de 2006
CRISE NO GOVERNO/A DESPEDIDA
Ex-ministro se diz vítima de ilações, afirma que
deixa governo para contribuir com Lula e que errou ao buscar convivência
com oposição
Palocci credita saída a "quadro
conflituoso"
EDUARDO SCOLESE, PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Um dia após ter sido demitido
do Ministério da Fazenda, Antonio Palocci afirmou ontem que,
diante de um quadro "tenso" e "conflituoso", o pedido
de afastamento do governo foi a "melhor maneira" que encontrou
para contribuir com o país e o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Ele defendeu suas ações na Fazenda, agradeceu
a Lula e disse que nunca atentou contra a democracia e contra as instituições.
"Penso que foi a melhor maneira de contribuir com o país
e com o presidente Lula, frente ao quadro conflituoso e tenso. Na vida
pública, há momentos de afirmar e momentos de recuar.
Temos de ter tranqüilidade de identificar esses momentos",
afirmou, em discurso lido de dez minutos diante de cerca de 500 pessoas
no Salão Nobre do Palácio do Planalto.
Palocci, apontado pelo ex-presidente
da Caixa Jorge Mattoso como receptor de dados do sigilo bancário
do caseiro Francenildo dos Santos Costa, falou durante a cerimônia
de posse de seu sucessor, Guido Mantega. O início do discurso
foi marcado pela exposição de pontos que considera positivos
em sua gestão na Fazenda. A seguir, mesmo que indiretamente,
entrou na questão política. Disse ter enfrentado um "círculo
infernal" de acusações.
"Para quem enfrentou, como eu enfrentei
nesses últimos meses, o círculo infernal das suspeições
e dos prejulgamentos, a tentação talvez fosse a de dizer
como o poeta italiano: lascia dire le genti, e sigue il suo corso, ou
siga o seu curso e não olhe para trás", afirmou.
"Certamente, o verso do poeta serve para um sentimento que nutro,
o de não levar mágoa nem ódio no coração.
Nem mesmo contra alguns que, até bem próximos de nós,
aceitam palavras que não são as nossas quanto a fatos
recentes que, ou são pura acusação, ou são
ilações e denúncias sem materialidade em fatos."
Malfeitorias
Palocci nada falou sobre Mattoso
e Francenildo. Mas afirmou: "Jamais patrocinei nesses três
anos malfeitorias com os recursos públicos, nem atentei, de nenhuma
forma, contra a democracia e as instituições de meu país."
O ex-ministro disse que o seu erro talvez tenha sido acreditar na possibilidade
de conviver de forma pacífica com a oposição. "O
que mais me encheu de confiança é a certeza de ter procurado
um novo caminho para a convivência serena e civilizada entre contrários.
(...) Talvez eu tenha falhado nesta minha crença de convivência
pacífica." Após sua fala, Palocci ouviu um discurso
de Lula recheado de elogios à sua atuação na Fazenda
e, a seguir, em meio a um forte abraço, deu um beijo no rosto
do presidente. Após sua fala, alguns chegaram a aplaudi-lo de
pé. Os ministros fizeram fila para abraçá-lo.
|
Folha de São Paulo, 29 de março
de 2006
PANORÂMICA - TRABALHO
Desemprego em SP sobe para 16,3%
O desemprego total na região metropolitana de São Paulo
cresceu em fevereiro para 16,3% da PEA (População Economicamente
Ativa), após situar-se em 15,7% no primeiro mês de 2006,
revelou pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo
Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Apesar do incremento, a taxa de fevereiro é a mais baixa para
o mês desde 1998. O rendimento, por sua vez, subiu 0,2% em janeiro
em relação ao último mês de 2005, para R$
1.088, de acordo com a pesquisa. Ante janeiro do ano passado, contudo,
houve elevação de 3,7%. Entre os assalariados, o rendimento
ficou estável no primeiro mês deste ano, em R$ 1.167.
(DO VALOR ONLINE)
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de março de 2006 | Economia
MERCADO-Investidores acompanham com cautela
os primeiros passos de Guido Mantega
Dólar fecha em alta mesmo
após fala do novo ministro da Fazenda
São Paulo – O dólar fechou ontem em alta de 1,75%,
cotado a R$ 2,209. O risco-país ficou em 238 pontos, alta de
2,14% em relação ao fechamento de anteontem. Ambos se
estabilizaram nesses valores no início da tarde. O anúncio
de Guido Mantega para o Ministério da Fazenda, na véspera,
foi o principal motivo para a disparada do dólar. O mercado,
que já esperava a saída de Antônio Palocci, foi
surpreendido na segunda-feira pela nomeação de Mantega
– um dos menos cotados pelo mercado.
“A saída de Palocci já
estava precificada, mas mudanças na economia sempre geram alvoroço.
O mercado tinha expectativas diferentes quanto à nomeação
e fez ajustes de posição”, diz Guari Guazil, da
corretora Guitta. Para Sandra Utsumi, economista-chefe do Espírito
Santo Securities, o mercado abriu no escuro, com a perspectiva de mudanças
na equipe da Fazenda e do Banco Central e, sobretudo, curioso sobre
o pronunciamento de Mantega e do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva na cerimônia de posse do novo ministro.
A divisa norte-americana chegou a ser cotada a R$ 2,238, com alta de
quase 2,76% no início das operações. Com a valorização
da moeda norte-americana, o fluxo foi positivo, sobretudo pela atuação
dos exportadores. O mercado de câmbio atingiu o equilíbrio
e permaneceu na cotação de R$ 2,20. A moeda resistiu ao
discurso de Mantega e do presidente Lula e à divulgação
da nova taxa de juros nos Estados Unidos.
Segundo Guazil, o comunicado (leia mais
no box) divulgado no fim da reunião do Federal Reserve (Fed,
o banco central norte-americano) não trouxe novidades ao que
o mercado esperava. Conforme o esperado, o comitê elevou o juro
dos fed funds para 4,75% ao ano e deu sinais de que manterá o
ciclo de elevações. Foi a primeira reunião do Fed
após a saída de Alan Greenspan, já sob a presidência
de Ben Bernanke. “O comunicado veio como o mercado esperava e
a situação já estava calma por aqui. Isso ajudou
a manter a taxa de câmbio”, afirma Guazil.
Para os próximos dias, os investidores
deverão manter a postura de cautela, esperando a definição
da equipe do Ministério da Fazenda e da linha a ser adotada por
Mantega. “O mercado vai acompanhar o passo-a-passo do ministro,
atento ao seu perfil de atuação. A saída do presidente
do Banco Central, Henrique Meirelles, já foi descartada, mas
a cautela continua”, diz Guazil.
O próximo teste será a
primeira reunião do Conselho Monetário (Copom) com Mantega
à frente do Ministério da Fazenda, na quinta-feira. O
encontro definirá a próxima TJLP. A expectativa do mercado
é de taxa a 8,25% – enquanto Mantega, até então,
defendia a casa dos 7%.
“A definição
da TJLP vai dizer se o discurso de Mantega sobre cortes mais bruscos
na taxa de juros conflitará com o BC”, diz Sandra Utsumi.
|
JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
29 de março de 2006 | Geral
Programa contra trabalho infantil começa
hoje
RECIFE - Crianças e adolescentes
de 9 a 17 anos, que realizam trabalhos de adultos para ajudar os pais,
na feira da Sulanca, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, começaram
a ser cadastradas hoje, por técnicos e assistentes sociais da
Secretaria da Infância e da Juventude.
Os técnicos informam aos pais
que a prática ilegal prejudica o desempenho escolar. De acordo
com a secretária municipal da infância e da juventude,
Elizabeth Ferreira, um levantamento realizado indicou que mais de 50
crianças trabalhavam vendendo mercadorias, fazendo embalagens
e carregando carroças pesadas.
Ela destacou que o problema é
uma questão cultural, já que na época muitos pais
foram advertidos sobre a irregularidade, mas continuaram com a prática,
argumentaram que estavam atuando no próprio negócio, preparando
os filhos para enfrentar as dificuldades da vida desde cedo.
"Queremos conscientizar os pais
de que eles estão queimando etapas, prejudicando a saúde
física e mental das crianças e jovens", destacou.
Atualmente, 1.300 crianças e jovens estão sendo beneficiados
em Caruaru pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.
Além disso, 13 famílias
participam do programa do governo federal de geração de
renda, trabalhando na confecção de roupas, doces e salgados,
por meio cooperativas.
|
JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
29 de março de 2006 | Economia
Confiança do consumidor na economia
brasileira cai
RIO DE JANEIRO - O Índice de Confiança
do Consumidor da Fundação Getulio Vargas (FGV) caiu 1,0%
entre fevereiro e março, ao passar de 108,2 para 107,1. Na comparação
com o mês anterior, houve piora das expectativas em relação
aos próximos meses e melhora nas avaliações sobre
a situação presente.
Entre os quesitos relacionados ao presente,
a melhora na avaliação sobre a situação
financeira da família propiciou a recuperação.
Entre fevereiro e março, a parcela dos consumidores que a consideram
boa aumentou de 18,7% para 19,5% enquanto a dos que a julgam ruim diminuiu
de 17,5% para 16,2%.
No índice de expectativas, a queda
mais acentuada ocorreu no indicador de compras de bens duráveis,
em que a parcela dos que prevêem comprar mais nos próximos
seis meses baixou de 16,8% para 12,6% enquanto a proporção
dos que planejam comprar menos aumentou de 36,5% para 36,6%.
A "Sondagem de Expectativas do Consumidor"
é realizada com base em uma amostra de 2.000 domicílios
em sete das principais capitais brasileiras. A coleta de dados, para
a edição de março, foi feita entre 1º e 22
de março.
|
O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 29 de março de 2006 | Economia
Juros nos Estados Unidos sobem para 4,75%
ao ano
SÃO PAULO - Como já era
esperado, o banco central dos Estados Unidos (Fed) elevou hoje a taxa
de juros do país em 0,25 ponto porcentual - de 4,5% para 4,75%
ao ano. A decisão foi unânime entre os membro da instituição.
De acordo com comunicado, as expectativas para inflação
continuam contidas. Contudo, o Fed não descartou algum aperto
adicional da política monetária, caso seja necessário.
|
O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 29 de março de 2006 | Economia
São Paulo é a ´elite´
dos salários, aponta IBGE
Mesmo assim, o estado faz a média por
baixo com outras regiões em setores com remunerações
mais reduzidas, como construção e serviços domésticos
Jacqueline Farid
RIO - São Paulo é a "elite"
do mercado de trabalho nos segmentos que pagam os maiores salários,
mas faz a média por baixo com outras regiões em setores
com remunerações mais reduzidas, como construção
e serviços domésticos. Segundo o gerente da pesquisa mensal
de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), Cimar Azeredo, "na miséria todos (as regiões)
são iguais" no que diz respeito ao rendimento dos trabalhadores.
No segmento de Serviços, por exemplo,
São Paulo dispara na frente no conjunto das seis regiões
pesquisadas, com salário de R$ 1.620,90 em fevereiro deste ano,
ante uma média de R$ 1.379,60. Para ele "é enorme"
a distância entre São Paulo e Recife (R$ 739,30) no rendimento
dessa categoria. Porém, no segmento de Serviços Domésticos,
com os menores salários entre os setores pesquisados pelo IBGE,
a distância de São Paulo diminui muito. O rendimento dos
domésticos na região foi de R$ 379,70 em fevereiro, pouco
acima dos R$ 349,80 da média.
O mesmo ocorre no segmento de Construção,
no qual, ainda que o mercado de trabalho paulista se mantenha com salário
mais elevado - de R$ 769 - do que a média - de R$ 690 - a diferença
não é tão forte quanto em segmento mais "nobre"
em salários como Serviços. Outro setor de bons salários
no qual a distância de São Paulo é respeitável
é a Indústria, com média de R$ 1.051,60 nas seis
regiões e de R$ 1.212,60 no mercado do estado.
Salários menores
O levantamento realizado por Azeredo
mostra também que, exceto nos segmentos de Educação
e Serviços Domésticos, São Paulo paga os melhores
salários entre as seis regiões.
Os trabalhadores na Educação
de Porto Alegre, com rendimento real médio de R$ 1.574,90, ganham
mais que os paulistas, que têm uma média salarial de R$
1.494,30. O grupo de Serviços Domésticos também
paga menos no estado do que em outras regiões. Os gaúchos,
por exemplo, têm rendimento médio de R$ 384,20, enquanto,
os paulista, de R$ 379,70.
|
SITE DA PRESIDÊNCIA,
29 de março de 2006

Presidência
da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI Nº 11.276, DE 27 DE MARÇO DE 2006.
Institui o dia 5 de maio como o "Dia
Nacional do Líder Comunitário".
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber
que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o Fica instituída a data anual de 5 de maio como o "Dia
Nacional do Líder Comunitário".
Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 27 de março de 2006; 185o da Independência
e 118o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Gilberto Gil
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 28.3.2006

|