O ESTADÃO.COM
/ SÃO PAULO, 29 de março de 2006 | Economia
São Paulo é a ´elite´
dos salários, aponta IBGE Mesmo
assim, o estado faz a média por baixo com outras regiões
em setores com remunerações mais reduzidas, como construção
e serviços domésticos RIO
- São Paulo é a "elite" do mercado de
trabalho nos segmentos que pagam os maiores salários, mas
faz a média por baixo com outras regiões em
setores com remunerações
mais reduzidas, como construção
e serviços domésticos. Segundo o gerente da pesquisa
mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), Cimar Azeredo, "na miséria todos (as regiões)
são iguais" no que diz respeito ao rendimento dos
trabalhadores...
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Cheiro
de golpe no ar
Quando
grupos adversários como a CUT e a Força Sindical se unem
é bom prestar atenção. Muita atenção.
É o que está acontecendo neste momento na construção
civil. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil do Espírito Santo, Aécio Darli de Jesus Leite, que
é testa de ferro do engenheiro civil Antonio de Souza Ramalho,
presidente do Sintracom-SP, está convocando uma assembléia
nacional no dia 7 de abril para criar uma Confederação
dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção,
Madeira e Assemelhados. Como já existe a Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), entidade sólida
e representativa dos trabalhadores da construção e do
mobiliário, é o caso de perguntar: por que centrais adversárias
se uniram para criar uma nova entidade? Se estes grupos têm críticas
em relação à atual diretoria da CNTI, não
seria o caso deles tentarem disputar a Confederação democraticamente,
através do voto? Assim, a fórmula que Ramalho e Aécio
encontraram para esvaziar a CNTI tem um nome que todos julgavam fora
do meio sindical – isto é golpe!

Aécio
e Ramalho
Para se ter uma idéia do trabalho sindical realizado
em São Paulo pelo engenheiro Antonio de Souza Ramalho e em Vitória
pelo Aécio, basta dizer o seguinte: OS
PISOS SALARIAIS DA CIDADE MAIS RICA E DA MAIS VIOLENTA DO BRASIL SÃO
DOS MENORES DO PAÍS. (veja matéria do
Estadão anexa) As convenções coletivas
paulistana e capixaba estão entre as piores vigentes no Brasil.
E as condições de trabalho nas bases do Ramalho e do Aécio?
São as mais precárias que se encontra pelo país.
Isto quer dizer o seguinte: em São Paulo e em Vitória
os patrões deitam e rolam e o trabalhador não tem vez.
Já imaginou uma Confederação nas mãos destas
pessoas?
CONTRA
A HISTÓRIA
Quem esteve em Praia Grande-SP em agosto de 1981, quando os trabalhadores
brasileiros ousaram se reunir em uma conferência para discutir
a criação de uma central sindical, certamente há
de condenar a prática golpista destes que se apresentam como
sindicalistas. Contrariando a ordem vigente, delegados de todo o Brasil
foram à CONCLAT e decidiram que só a união dos
trabalhadores em torno de uma entidade única teria força
para reivindicar melhores salários e condições
de trabalho. Nasceu aí a proposta de criar a CUT. Depois, em
1991, os pelegos de sempre, que dizem defender os trabalhadores; mas,
na verdade, trabalham contra, criaram a Força Sindical sob as
bênçãos e o patrocínio do cassado ex-presidente
Collor. A entidade, logo, ficou famosa por abrir mão de direitos
históricos dos trabalhadores. Por isso, tornou-se conhecida como
Farsa Sindical por ter apoiado Collor e
as privatizações que entregaram de bandeja e a preço
de banana boa parte do parque produtivo brasileiro.
QUEM
MUDOU?
Como as centrais historicamente rivais se uniram para aplicar um golpe
contra uma entidade séria e representativa como a CNTI, vale
a pergunta: foi a CUT que endireitou ou foi a Força Sindical
que entortou? Até então, este negócio de hoje ser
de esquerda e, amanhã, fechar com a direita, era prática
da Força. Terá a CUT, então, se tornado apenas
mais uma central sem compromisso com o trabalhador? Afinal, princípios
não vão para a lata de lixo ao bel prazer dos dirigentes
sindicais. Pelo menos no caso da CNTI e das Federações
que a criaram esta prática não é utilizada.
NOVA
CENTRAL
A tentativa de golpe começou a ser tramada no momento em que
o presidente da CNTI, José Calixto, foi eleito presidente da
Nova Central Sindical dos Trabalhadores, entidade criada em meados do
ano passado. O crescimento da Nova Central, hoje a terceira maior do
Brasil e com possibilidade de se tornar a segunda, parece ter preocupado
os líderes das duas centrais – CUT e Força Sindical.
Como não estão conseguindo bloquear o crescimento da Nova
Central, resolveram, então, golpear a entidade nacional de origem
de Calixto.
SALÁRIO
MÍNIMO
Ao invés de se unirem para aplicar um golpe contra a CNTI, a
CUT e a Força Sindical deveriam, sim, somar forças para
defender o salário mínimo de R$ 400. Se fizessem isto,
teriam o apoio da Nova Central, da CNTI e de todas as entidades sindicais
brasileiras realmente comprometidas com o trabalhador. Mas este não
é o jeito de fazer as coisas do golpista. Esta gente atua da
mesma forma que grupos especializados em lesar o assalariado. Por isso,
eles estão contra a Nova Central e a CNTI. Estas entidades não
negociam direitos dos trabalhadores.
JUROS
ALTOS
Outra bandeira de luta que a Nova Central e a CNTI não teriam
problema algum em empunhar junto com a CUT e Força Sindical é
contra os juros altos. A economia brasileira está estabilizada
e isto é bom. No entanto, a Nova Central e a CNTI não
aceitam os juros altos impostos pelo governo Lula. Eles penalizam o
trabalhador empregado que vê seu salário ser corroído
nas altas prestações que tem de pagar quando precisa comprar,
por exemplo, um eletrodoméstico. Além disso, os juros
altos provocam o desemprego e deixam milhões de famílias
sem renda alguma.
PELEGOS GOLPISTAS
Mas estas questões como salário mínimo e juros
altos não interessam à CUT e à Força Sindical.
O que seus dirigentes querem é poder. O poder de prejudicar o
trabalhador brasileiro. Por isso, o surgimento da Nova Central, uma
entidade que tem o compromisso de defender o trabalhador, incomoda os
velhos e os novos pelegos. Por isso, a Nova Central está sendo
atacada através do golpe que está sendo tramado contra
a CNTI. Quando perceberam o crescimento da Nova Central, os dirigentes
cutistas e da força esqueceram suas diferenças e se uniram.
Que baixaria....