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Assembléia do Engenheiro divisionista...
Diário de São Paulo, 31 de março de 2006
O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil de São Paulo (Sintracon) realiza hoje assembléia
com a categoria. Os peões votam se querem a filiação
do sindicato à Confederação Nacional dos Trabalhadores
nas Indústrias da Madeira e Assemelhados. A entidade será
lançada no dia 7 e tem o apoio da Central Única dos Trabalhadores
(CUT) e da Força Sindical. A assembléia de hoje será
realizada na rua Conde de Sarzedas, 286, centro da Capital.
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Agência Diap, 31 de
março de 2006
Boato Falso
Fim do 13º e outros direitos dos
trabalhadores não é verdade; “notícia ‘internética’
é falsa”
Volta e meia circula na internet uma “informação”
que desinforma. Trata-se de mensagem eletrônica que diz que foi
aprovado na Câmara dos Deputados o fim do 13º salário.
A notícia é falsa. Diante de várias consultas feitas
à assessoria parlamentar do DIAP, decidimos veicular novamente
esta informação para lançar luz às desinformações
sobre o “fim do 13º salário”. Em 2005, informamos
na Agência DIAP nº 1.286, de 29/11/05, que a aprovação
do fim do 13º pelo Congresso é falsa.
A proposição que mais se
aproximava disso, o PL nº 5.483/01, enviado ao Congresso pelo ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, tinha por finalidade flexibilizar a CLT,
mediante modificação no artigo 618, para permitir a prevalência
do negociado sobre o legislado.
Ou seja, o projeto autorizava que a negociação
coletiva pudesse reduzir ou eliminar direitos trabalhistas. Mas aquele
projeto, que há havia sido aprovado na Câmara e aguardava
votação conclusiva no Senado, foi retirado de tramitação
pelo Governo Luiz Inácio Lula da Silva logo no primeiro ano do
mandato.
Resistência na Comissão
de Trabalho
O projeto, elaborado na gestão
do ex-ministro do Trabalho e Emprego, deputado Francisco Dornelles (PP/RJ),
apesar da grande resistência do movimento sindical e da luta do
então deputado e atual senador Paulo Paim (PT/RS), foi aprovado
na Câmara e enviado para apreciação do Senado. Nesta
Casa, a matéria ainda chegou a tramitar sob o número de
PLC nº 134/01.
A resistência e combate ao projeto
na Comissão de Trabalho da Câmara foram implacáveis;
ao ponto de a matéria não ser aprovada na comissão.
O que obrigou o presidente da Câmara à época, deputado
Aécio Neves (PSDB/MG), a avocar o projeto para votação
diretamente no plenário da Casa.
Entretanto, o presidente Lula, que havia
assumido o compromisso de sustar a tramitação desse projeto,
enviou a Mensagem nº 78/03, pedindo o arquivamento do PLC nº
134/01. Assim, em sessão do dia 10 de abril de 2003, a mensagem
foi lida e aprovada pelo plenário do Senado, sendo o projeto
definitivamente arquivado.
O Senado Federal, por intermédio
do Oficio nº 594, de 08/05/03, endereçado ao Ministro de
Estado Chefe da Casa Civil da Presidência da República,
encaminhou a Mensagem nº 60/03 (SF), ao Excelentíssimo Senhor
Presidente da República, participando o arquivamento do Projeto
de Lei da Câmara nº 134/01.
A notícia,
portanto, é falsa!
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Agência Diap, 31 de
março de 2006
Licença-Maternidade
Benefício pode ser ampliado de
quatro para seis meses
No que depender da senadora Patrícia Saboya Gomes (PSB/CE), a
licença-maternidade poderá ser ampliada de quatro para
seis meses. A senadora cearense apresentou ao Senado projeto de lei
que prorroga a licença-maternidade mediante concessão
de incentivo fiscal às empresas que adotarem essa medida para
beneficiar as trabalhadoras.
O projeto (PLS nº 281/05) cria o
programa Empresa Cidadã, cujo objetivo é estimular a ampliação
do benefício por mais 60 dias. O programa permite às empresas
a dedução integral do imposto de renda do valor da remuneração
paga à empregada nos 60 dias de prorrogação da
licença-maternidade. A adesão ao programa é voluntária,
tanto para a trabalhadora quanto para o empresário.
De acordo com o projeto, que se
baseou em texto elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP),
os quatro meses estabelecidos pela Constituição serão
acrescidos de mais 60 dias em troca de incentivos fiscais às
empresas que aderirem à idéia. O projeto está em
discussão na Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa do Senado, cujo relator é o senador Paulo Paim
(PT/RS).
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Agência Diap, 31 de
março de 2006
Imóvel
Conselho do FGTS aprova aumento do subsídio
para compra de casa própria
O Conselho Curador do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço)
aprovou nesta quarta-feira, 29/03, o aumento no limite do subsídio
para a aquisição de imóveis populares. O subsídio
é o valor repassado para famílias com renda até
cinco salários mínimos, como forma de desconto no valor
do imóvel para posterior cálculo do financiamento. A atualização
será feita com base no reajuste do salário mínimo,
de 16,6%.
Diante da previsão de aumento
do salário mínimo para R$ 350, sobem o piso e o teto das
três faixas de renda (até R$ 1.750) definidas para o auxílio.
Com isso, quem ganha até um salário terá subsídio
de até R$ 14 mil no financiamento do imóvel; para os que
recebem até três salários, o auxílio máximo
será de R$ 10,5 mil; e para a terceira faixa, até cinco
salários-mínimos, o limite será de R$ 17 mil.
A atualização valerá
a partir da publicação de resolução específica
no Diário Oficial da União. O ministro das Cidades, Márcio
Fortes, que presidiu a 91ª reunião do Conselho Curador do
FGTS, destacou que com a decisão mais pessoas conseguirão
adquirir a casa própria. Fortes substituiu o ministro do Trabalho,
Luiz Marinho, na presidência da reunião.
O Conselho também aprovou aumento
de R$ 300 milhões no orçamento para subsidiar a construção
de moradias populares. O valor agora será de R$ 1,3 bilhão.
O ministro explicou que "no exercício anterior foram aplicados
R$ 900 milhões e havia R$ 1,2 bilhão disponíveis".
Outra decisão tomada pelo Conselho Curador foi a redução
de 10% para 8% ao ano na taxa de juros do Programa de Financiamento
de Infra-Estrutura para o Transporte Coletivo Urbano (Pró-Transporte)
com recursos do FGTS.
Da Agência Brasil.
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Agência Senado, 31
de março de 2006
Paim pede que senadores apóiem
projeto que beneficia trabalhadores acima de 45 anos
Ao discursar em Plenário nesta quinta-feira (30), o senador Paulo
Paim (PT-RS) reclamou de um recurso interposto por outros senadores
que impede que o Projeto de Lei do Senado (PLS) 126/05, já aprovado
na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em caráter terminativo,
seja encaminhado para a apreciação da Câmara dos
Deputados. De autoria de Paulo Paim, o projeto institui o Programa Nacional
de Estímulo ao Emprego de Trabalhadores Experientes (Pnete).
Paulo Paim manifestou a sua tristeza
ao saber do recurso, dizendo não entender a iniciativa dos senadores
(os quais preferiu não nomear), já que o projeto foi aprovado
terminativamente na CAS por unanimidade. Com isso, explicou o senador,
o projeto deveria ser encaminhado automaticamente para a apreciação
da Câmara. No entanto, alguns senadores apresentaram recurso para
que a matéria seja antes apreciada pelo Plenário do Senado.
Paim ressaltou que tal fato atrasará a aprovação
da lei.
O senador explicou que o projeto apenas
autoriza o Poder Executivo a desenvolver uma política de incentivo
para a contratação de trabalhadores de mais de 45 anos
de idade em situação de desemprego involuntário
há mais de seis meses. De acordo com o projeto, o governo concederá
subvenção econômica à geração
de empregos destinados a tais trabalhadores.
Paim comunicou a apresentação de requerimento solicitando
aos senadores que assinaram o recurso a concordância para retirá-lo,
para que a matéria possa ser enviada diretamente à Câmara.
Em aparte, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) ponderou que, caso a matéria
tenha mesmo de ser apreciada pelo Plenário do Senado, sua aprovação
faria com que tivesse mais chances de ser aprovada também pela
Câmara.
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Folha de São Paulo,
31 de março de 2006
CRISE NO GOVERNO/ A VIOLAÇÃO DO
SIGILO
Advogado afirma que ex-ministro está com alterações
na pressão e que não pode falar hoje
Palocci diz não ter condições
de saúde para depor à polícia
ANDRÉA MICHAEL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Contratado pelo ex-ministro Antonio Palocci
na última quarta-feira, o advogado José Roberto Leal informou
ontem à Polícia Federal que seu cliente não irá
se apresentar para prestar depoimento hoje, conforme previsto, devido
a problemas de saúde.
Leal defende Palocci no inquérito no qual a PF busca os responsáveis
pela violação ilegal do sigilo bancário do caseiro
Francenildo dos Santos Costa, em operação que aconteceu
na sede da Caixa Econômica Federal, em Brasília, na noite
de 16 de março.
Segundo Leal, Palocci está com
alterações de pressão arterial, decorrentes de
estresse nervoso. O ex-ministro foi intimado para prestar depoimento
na manhã da quinta-feira, na residência oficial do Ministério
da Fazenda. No momento da intimação, havia um médico
e enfermeiros na casa de Palocci, que se submetia a um exame de sangue.
À Folha Leal disse que seu cliente não tinha condições
de prestar depoimento na data marcada inicialmente: hoje, às
10h. "Com certeza ele não irá. O [ex-]ministro não
tem condições. Quando foi à casa dele ontem [anteontem],
para intimá-lo, a própria polícia viu que havia
um médico colhendo sangue do [ex-]ministro."
Na tarde de ontem, Leal entrou em contato
com o delegado Rodrigo Carneiro Gomes. Informado pelo advogado sobre
a impossibilidade de Palocci cumprir a intimação policial,
Gomes cobrou-lhe uma justificativa formal, por escrito, acompanhada
de um atestado médico. Até o fechamento desta edição,
havia chegado à PF somente um comunicado de Leal afirmando que
seu cliente não compareceria ao depoimento devido a recomendação
médica para permanecer em repouso.
Se o atestado médico não for encaminhado ao delegado até
o horário marcado para depoimento, Palocci será novamente
intimado. Seu comparecimento é obrigatório somente na
terceira intimação, à qual, se ele não comparecer,
poderá ser conduzido com força policial. Segundo a PF,
Leal disse que Palocci só se apresentaria para depor na próxima
semana, provavelmente quarta ou quinta.
Para Gomes, o depoimento de Palocci é
considerado "decisivo" para chegar aos responsáveis
pela ordem de violar o sigilo. A PF quer descobrir também quem
repassou os dados à imprensa. Apesar do depoimento do ex-presidente
da Caixa Jorge Mattoso, que disse ter entregue os extratos a Palocci,
o ex-ministro refuta qualquer participação na violação
do sigilo do caseiro.
Jantar
Mattoso esteve com Palocci, na tarde
do dia 16 de março, quando houve a violação do
sigilo, em reunião no Palácio do Planalto. Na noite daquele
dia, em um jantar no restaurante La Torreta, em Brasília, ele
recebeu, das mãos do consultor da presidência Ricardo Schumann,
os extratos. Em seu depoimento à PF, Mattoso disse que, durante
o jantar, recebeu uma ligação de Palocci. Depois, levou
os documentos pessoalmente ao ministro.
A PF pretende ouvir Mattoso novamente.
Em depoimento à PF, Antonio Carlos Ferreira, chefe do departamento
jurídico da Caixa, confirmou ter visto Mattoso receber um envelope
durante o jantar e também que o viu falando ao telefone. Nega,
no entanto, ter qualquer participação na violação.
Gabriel Nogueira, assessor de imprensa da Caixa que estava no jantar,
também foi convidado pela PF para depor.
Vazamento
Em depoimento à PF anteontem,
um servidor do setor de controladoria da Caixa disse que foi informado
por Mattoso que os dados bancários do caseiro seriam divulgados
por uma revista. O diálogo aconteceu em uma reunião no
dia 17, ocorrida às 16h, na sede da Caixa. Na reunião,
o servidor recebeu das mãos do executivo cópias dos extratos
que registram a movimentação financeira do caseiro. Mattoso
orientou os técnicos da Caixa para que as movimentações
atípicas fossem informadas ao Banco Central e ao Coaf (Conselho
de Controle de Atividades Financeiras). Mattoso disse também,
segundo o servidor, que sabia que os dados seriam divulgados por uma
revista, já que havia sido procurado por um jornalista para falar
sobre o assunto. Por volta das 19h do mesmo dia, a "Época"
divulgou os dados em seu site na internet.
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Folha
de São Paulo, 31 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Rosinha decide ficar no cargo; ex-governador não descarta ser vice
de Alckmin, mas afirma considerar a hipótese pouco provável
Garotinho diz achar "difícil"
aliança com PSDB
SERGIO TORRES
DA SUCURSAL DO RIO
Pré-candidato do PMDB à Presidência,
Anthony Garotinho elogiou ontem o pré-candidato tucano, Geraldo
Alckmin, e disse achar difícil uma aliança com o PSDB.
A hipótese de tentar ser vice de Alckmin não foi descartada
por Garotinho, que a considerou, no entanto, pouco provável.
"Da mesma forma que julgam que eu posso ser vice de Alckmin, ele
pode ser o meu vice. Eu não descarto nada. É o PMDB que
tem que tratar da aliança. Eu acompanho o partido", afirmou.
Mulher de Garotinho, a governadora do Rio Rosinha Matheus anunciou que
permanecerá no cargo. Assim, ele só terá como opção
neste ano disputar a Presidência ou compor como candidato a vice
em uma chapa presidencial.
Para Garotinho, "são muito grandes"
as diferenças entre PMDB e PSDB, "do ponto de vista ideológico".
"Para haver algum tipo de aliança o PSDB teria que rever
publicamente seu compromisso com o modelo econômico neoliberal.
Acho difícil, muito difícil, que eles façam uma
revisão e queiram fazer um programa mais progressista para o
Brasil voltar para o desenvolvimento." Ainda assim, a aproximação
entre Garotinho e Alckmin se consolidou nas últimas semanas.
Eles têm conversado por telefone. Ontem, Garotinho disse que o
governador voltou a telefonar.
O fato de Rosinha não renunciar indica que não
são boas as relações do casal com dirigentes do
PMDB nacional e estadual.
O partido pressionou Garotinho a desistir da disputa presidencial e
concorrer a deputado federal. Teria uma votação expressiva
e ajudaria o PMDB do Rio a ter bancada numerosa.
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Folha de São Paulo,
31 de março de 2006
ELEIÇÕES 2006/DANÇA DAS
CADEIRAS
Titulares deixam cargo para disputar as eleições; comando
da maioria das pastas ficará com os atuais secretários-executivos
Presidente troca 8 ministros; Tarso será
coordenador político
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Oito ministros deixam hoje do governo
Luiz Inácio Lula da Silva para disputar as eleições
de outubro. Jaques Wagner (Relações Institucionais) será
substituído pelo ex-ministro da Educação Tarso
Genro. O ministro Waldir Pires (Controladoria Geral da União)
será convidado oficialmente hoje para ocupar a Defesa no lugar
do vice-presidente José Alencar (PRB), que ficará disponível
para repetir a dobradinha com Lula nas eleições. "O
presidente me pediu que substituísse [Wagner] com a consciência
de que o governo tem uma enorme responsabilidade política neste
ano, que é um ano eleitoral, para manter a estabilidade do governo
e a estabilidade das instituições e, sobretudo, fazer
um trabalho de agregação, que já está sendo
feito", disse Tarso.
Outra possibilidade de vice de Lula,
Ciro Gomes (PSB) deixará a Integração Nacional
para o seu número dois, o secretário-executivo, Pedro
Brito, também do seu partido. Ciro poderá ser candidato
a deputado federal para ajudar a campanha de seu irmão, Cid Gomes,
ao governo do Ceará. Alfredo Nascimento (Transportes) sai para
concorrer a senador pelo PL do Amazonas. O secretário-executivo,
Paulo Sérgio Oliveira Passos, assumirá seu posto. O petista
Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) deixa a pasta para
disputar o Senado no Rio Grande do Sul. Entra o número dois,
Guilherme Cassel (PT).
Agnelo Queiroz deixa o Esporte para concorrer
ao governo do Distrito Federal pelo PC do B. Quer passar o posto ao
seu secretário-executivo, Orlando Silva, seu correligionário.
Isso deve acontecer, mas falta uma conversa ainda hoje com Lula.
Saraiva Felipe (PMDB) deixará a Saúde. Por ora, a tendência
é que seu substituto seja o secretário-executivo, José
Agenor Alvarez da Silva. Mas há pressão da ala governista
do PMDB para colocar um político. O presidente do Senado, Renan
Calheiros (AL), e o senador José Sarney (AP) estavam reunidos
às 20h de ontem com Lula para tratar da vaga.
O petista José Fristch (Pesca)
sai para concorrer a governador de Santa Catarina ou a senador pelo
Estado -neste hipótese, atenderia a pedido de Lula para apoiar
o peemedebista Luiz Henrique da Silveira, candidato à reeleição.
Mas não é fácil essa composição.
Os que ficam
Quatro ministros desistiram de projetos
eleitorais a pedido do presidente: o petista Paulo Bernardo (Planejamento),
o petebista Walfrido Mares Guia (Turismo), o peemedebista Hélio
Costa (Comunicações) e o petista Luiz Marinho (Trabalho).
Marina Silva decidiu permanecer no Meio Ambiente, apesar de pressões
para que disputasse o governo do Acre pelo PT.
Na prática, pouco muda na
distribuição partidária dos cargos e na condução
dos programas. Na maioria dos casos, secretários-executivos assumirão
as pastas. Hoje expira o prazo para desincompatibilização
estipulado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). do. (KENNEDY
ALENCAR, EDUARDO SCOLESE E PEDRO DIAS LEITE)
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Folha de São Paulo,
31 de março de 2006
EFEITO COLATERAL
PIB do país somou R$ 1,938 trilhão em 2005; se considerado
o PIB per capita, posição mundial cai para 72ª
Dólar fraco eleva Brasil a 11ª
maior economia
PEDRO SOARES, DA SUCURSAL DO RIO
CLARICE SPITZ, DA FOLHA ONLINE, NO RIO
Depois de perder posições
nos últimos anos, a desvalorização do dólar
fez a economia brasileira avançar no ranking das maiores do mundo.
Com um PIB estimado em R$ 1,938 trilhão (ou US$ 796 bilhões)
pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística),
o Brasil subiu da 15ª para a 11ª posição mundial.
A ressalva é que o crescimento ocorreu apenas porque o real se
valorizou ante o dólar, e não porque a economia brasileira
teve desempenho melhor do que a dos demais países. Pelo contrário,
o PIB brasileiro subiu 2,3%, contra uma expansão média
de 4,3% da economia mundial, estimada pelo FMI. No quarto trimestre
de 2004, o PIB totalizou R$ 521,9 bilhões.
Considerando um dólar médio
de R$ 2,43 no ano passado, o PIB brasileiro conseguiu ultrapassar Índia,
Austrália e Holanda. Deixou ainda o México para trás
e voltou a ser a maior economia da América Latina, segundo o
ranking elaborado pela Austin Rating, a partir das estimativas do FMI
para o PIB de 155 países.
Por esse critério, os países
de maior PIB são EUA, Japão e Alemanha. O economista-chefe
da Austin Rating, Alex Agostini, recorda, porém, que o crescimento
brasileiro no ano passado foi um dos menores das Américas e que
o país só avançou no ranking do PIB por causa da
valorização do real de 12,4% ante o dólar no acumulado
de 2005.
Para Guilherme Maia, da Tendências,
não fosse a valorização do moeda local o país
teria até perdido posições. Já o economista
Fábio Giambiagi, do Ipea, relativiza a importância dos
rankings, pois eles comparam economias muitos diferentes entre si, com
moedas distintas e padrões de poder de consumo discrepantes.
O ranking não considera a PPP (Paridade de Poder de Compra),
medida usada para comparar o tamanho de diferentes economias e o poder
de compra de cada país, levando em conta os preços relativos
dos diferentes países.
PIB per capita
Pelos dados do IBGE divulgados ontem,
o PIB per capita (que varia de acordo com o tamanho da economia e da
população) somou R$ 10.520 -US$ 4.321. Na comparação
com 2004, o PIB per capita subiu apenas 0,8% -menos do que a alta de
3,4% registrada de 2003 para 2004.
O desempenho nem sequer se aproxima do
crescimento vegetativo da população -cerca de 2% ao ano.
No ranking per capita elaborado pela Austin Ratings, o Brasil está
em 72º lugar, atrás de países como Argentina (71º),
Panamá (70º) e Costa Rica (69º). Com relativamente
pouca população e renda elevada, Luxemburgo, Noruega e
Suíça lideram o ranking de renda per capita.
Perdas e ganhos
Os dados do IBGE mostram ainda uma perda
expressiva de peso da agricultura na economia brasileira -de 10,1% em
2004 para 8,4% em 2005. O motivo foi a crise no campo detonada pela
estiagem prolongada do início de 2005, que reduziu a produção
das lavouras, além da redução das cotações
das principais commodities agrícolas.
Os preços dos produtos agropecuários
tiveram forte queda em 2005 (9,3%), o que provocou a contração
do PIB em valores do setor -R$ 145,8 bilhões em 2005. Em volume,
o PIB da agropecuária avançou só 0,8%, abaixo da
média e menos do que os demais setores.
Com isso, a agricultura, que ganhava
peso na economia do país desde 2001, perdeu espaço para
a indústria -cuja participação na economia saltou
de 38,9% para 40%- e serviços -de 55,6% para 57%. O PIB da indústria
somou R$ 590,6 bilhões. Já o dos serviços foi estimado
em R$ 985,3 bilhões. Já sob a forma de impostos sobre
produtos, a economia movimentou R$ 209,1 bilhões.
Fonte do gráfico: Gazeta do Povo, 31 de março de 2006

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Folha de São Paulo,
31 de março de 2006
TRABALHO
Valor entra em vigor amanhã, com aumento real de 13%; impacto
maior com o reajuste será nas contas da Previdência
Lula assina MP que eleva mínimo
a R$ 350
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva assinou ontem a medida provisória que aumenta o salário
mínimo de R$ 300 para R$ 350. O governo enviou ao Congresso no
início de fevereiro um projeto de lei com o reajuste do mínimo,
mas o texto não foi votado até agora.
Para que o novo valor comece a valer
a partir de amanhã, como tinha sido combinado com as centrais
sindicais, o governo decidiu editar a MP. O reajuste para R$ 350 representa
aumento real (acima da inflação) de 13% para o mínimo.
O novo valor e a antecipação da data de correção
em um mês foram negociados entre o governo e as centrais.
O pacote incluiu também o reajuste
da tabela do Imposto de Renda em 8%, que começou a valer já
no mês passado. A decisão de aumentar o mínimo foi
antecedida por uma polêmica. Antes, o governo já queria
fazer a medida dessa forma, mas enviou o projeto ao Congresso a pedido
do próprio Legislativo. Como os parlamentares, envolvidos com
CPIs e processos de cassação, não votaram o texto,
o Executivo reagiu.
"Nosso prazo está
terminando. Não vai dar tempo [de aprovar o projeto]. No dia
29, mais tardar dia 30, vamos apresentar uma MP. Será um constrangimento
político para o Congresso. Está faltando o pessoal trabalhar
mais. Eles perdem muito tempo com assuntos, como a CPI dos Bingos, que
não acrescentam valor para a sociedade brasileira", disse
o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, na semana passada. Na época,
o líder do PFL, Rodrigo Maia, respondeu à crítica
no mesmo tom. "Esse ministro não tem moral para criticar
ninguém. Quando era presidente da CUT, queria um mínimo
muito maior que esse."
Impacto nas contas
Na exposição de motivos
que acompanha o projeto de lei que não foi aprovado, o governo
afirmava que o gasto total com o aumento de R$ 50 mensais será
de R$ 9,4 bilhões neste ano. Nas despesas (líquidas) da
Previdência e da Assistência Social, o impacto será
de cerca de R$ 7,8 bilhões em 2006. Outro R$ 1,5 bilhão
será gasto com o pagamento de seguro-desemprego e do abono anual
do PIS (14º salário). Na proposta orçamentária
deste ano, que também não foi aprovada, o Executivo criou
reserva de contingência específica de R$ 1,2 bilhão
para o que chamou de "riscos previdenciários". (PDL
e ES).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 31
de março de 2006 | Paraná
MEIO AMBIENTE-Lei estabelece mecanismos para
uso racional de água em edificações novas ou em
construção
Novos prédios devem economizar
água
Foram necessários dois anos além do prazo inicial (março
de 2004) para que a Lei 10.785, que criou o Programa de Conservação
e Uso Racional da Água das Edificações (Purae),
de setembro de 2003, fosse regulamentada e entrasse em vigor. Mas, a
partir da última segunda-feira, todas as novas edificações,
ou aquelas em construção, devem se adequar às novas
regras de uso racional da água.
De acordo com o secretário municipal
de urbanismo, Luís Fernando Jamur, a regulamentação
da lei demorou devido aos ajustes feitos depois de uma ampla discussão
com a sociedade civil. O projeto de lei proposto pelo vereador João
Cláudio Derosso previa a reutilização da água
em qualquer tipo de edifício, independentemente do porte, atitude
contestada pelas entidades de classe. “A regulamentação
resolveu arestas da lei que eram exageradas, utópicas. Antes
ficaria inviabilizada a construção, por exemplo, de habitações
populares, devido ao alto custo”, explica o diretor do Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Paraná
(Sinduscon-PR), Volmir Selig. Derosso não concorda. “Ainda
acho possível a aplicação em edifícios populares”,
diz.
Mecanismos
Edifícios em construção também têm
de se adequar às regras.
A partir de agora, as residências devem ter mecanismos que economizem
água, como descarga de vasos sanitários com volume de
água reduzido, torneiras dotadas de arejadores que diminuem a
velocidade da água e cisternas para a captação
da água da chuva, que po-derá ser utilizada nas descargas
de vasos sanitários, para regar plantas e na limpeza doméstica
de calçadas, veículos, entre outros. Edificíos
de habitação coletiva e edificações comerciais
e industriais ainda devem obedecer normas adicionais. “Chegamos
a um meio termo. Assim atendemos a demanda de preservação
do meio ambiente sem inviabilizar novas construções”,
afirma Selig. “Mesmo sendo um país beneficiado pela natureza,
é preciso haver a conscientização sobre o uso racional
da água. Somos pioneiros, com uma lei tão ampla assim”,
ressalta Jamur.
Desde o início desta semana,
as construtoras não estão recebendo o alvará de
construção sem que os dispositivos de uso racional da
água sejam previstos nos novos projetos. Ao término da
construção, a Secretaria Municipal de Urbanismo fiscalizará
se houve a instalação dos equipamentos. Do contrário,
não é emitido o “habite-se”, documento que
atesta a legalidade do imóvel sob o ponto de vista jurídico.
Além disso, uma câmara técnica setorial será
formada para orientar o setor de construção civil, acompanhar
a evolução da aplicação das novas regras
e até sugerir possíveis ajustes na legislação.
Themys Cabral
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JORNAL GAZETA DO POVO, 31
de março de 2006 | Paraná
DOCUMENTAÇÃO
Falta do “habite-se” cria
problemas
O “habite-se” atesta que o imóvel foi construído
seguindo as exigências da legislação municipal.
Mas não é uma garantia de que a construção
foi executada em obediência às normas de engenharia e arquitetura,
portanto não atesta segurança e qualidade. Mesmo assim,
a falta do documento provoca uma série de restrições:
Venda: o imóvel
fica desvalorizado e os compradores podem desistir do negócio.
Herança: sem
o documento, o imóvel não pode ser herdado.
Condomínio: prédios
não podem constituir condomínio legal sem o “habite-se”.;
Casas: a falta do documento
impede a averbação no Registro Geral de Imóveis,
logo a casa não existe judicialmente.
Comercial: a concessão
de alvará só ocorre com a existência do documento.
Financiamento: só
é liberado com a apresentação do “habite-se”.
Seguro: fica praticamente
inviável. Mesmo se houver a contratação do serviço,
a seguradora pode se negar a pagar as despesas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 31
de março de 2006 | Mundo
LEGISLAÇÃO-Decisão está
nas mãos do presidente Jacques Chirac
Justiça francesa aprova nova lei
trabalhista
Paris – O Conselho Constitucional da França aprovou ontem
a polêmica lei trabalhista para jovens. Cabe agora ao presidente
Jacques Chirac sancioná-la, o que pode gerar novas manifestações
populares, ou vetá-la, o que pode levar à queda do seu
primeiro-ministro. Ao contrário do que se esperava, o tribunal
constitucional não fez qualquer restrição à
lei, que permite a demissão de trabalhadores menores de 26 anos,
sem justa causa, durante um período de experiência de dois
anos. Se tais restrições fossem feitas, o primeiro-ministro
Dominique de Villepin se veria obrigado a alterar o projeto.
Assessores disseram que Chirac entrará
em rede nacional de tevê às 15 horas (hora de Brasília)
de hoje para anunciar sua decisão, após várias
semanas de protestos que envolveram milhares de estudantes e trabalhadores
em toda a França. Fontes parlamentares disseram que Chirac deve
sancionar a lei do Contrato do Primeiro Emprego (CPE) no mesmo dia.
Segundo Villepin, a lei é essencial no combate ao desemprego
juvenil, mas sindicatos e entidades estudantis exigiam que Chirac devolvesse
a lei ao Parlamento, já sem os artigos referentes ao CPE.
O ministro do Trabalho, Jean-Louis Borloo,
disse que não há hipótese de o governo desistir
da lei. Ele afirmou que, segundo a Constituição, nem Chirac
nem Villepin têm direito de vetar leis aprovadas no Parlamento.
Chirac vem dando apoio a Villepin, apontado
por muitos como candidato do governo à sucessão presidencial
em 2007. Mas manter um primeiro-ministro tão impopular pode prolongar
os protestos e ainda levar à queda do gabinete. “Ele só
tem um tiro e perde, não sei aonde estamos indo”, disse
um assessor de Chirac ao jornal Le Figaro. Não há nenhuma
boa solução, então temos de escolher a menos pior”.
Analistas dizem que a onda de protestos
deixa o futuro de Villepin incerto. Uma pesquisa a ser divulgada no
fim de semana mostra, segundo o jornal Le Parisien, que a taxa de aprovação
do primeiro-ministro é de apenas 29%. Entre os eleitores do partido
governista UMP (centro-direita), o apoio a ele caiu 16 pontos porcentuais.
Os sindicatos aconselharam Chirac a não
sancionar o projeto. “Essa seria uma decisão com graves
consequências”, disse Bernard Thibault, dirigente da central
sindical CGT, pró-comunista.
Os protestos, por exemplo, já
derrubaram a confiança dos consumidores na França para
níveis ainda abaixo do esperado, segundo cifras divulgadas na
quinta-feira.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 31 de março
de 2006 | Mundo
REAÇÃO
Protestos provocam transtornos
Paris – Ontem, houve 345 quilômetros de congestionamentos
na França devido a bloqueios rodoviários dos manifestantes
contra a lei do Contrato do Primeiro Emprego (CPE). Também houve
linhas ferroviárias interditadas. Sindicatos e entidades estudantis
convocaram uma nova greve geral para terça-feira que vem. Há
dois dias, entre 1 e 3 milhões de pessoas saíram às
ruas contra o projeto do CPE. Por causa dos protestos, a maior parte
das 84 universidades francesas teve de cancelar aulas e exames. Na quarta-feira,
o governo determinou que diretores de escolas interditadas por protestos
reabram as instituições à força, se necessário
com ajuda policial.
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O ESTADO DO PARANÁ, 31 de março
de 2006
República de “pelegos”
Opinião
Francisco C. Weffort
No momento em que Lula busca um novo período para seu governo,
fica a impressão de que o ex-sindicalista, mais do que a integração
da classe operária à democracia, dedicou-se a construir
um governo de “pelegos”. Tradição do sindicalismo
brasileiro, os “pelegos” eram criticados, há algum
tempo, porque cumpriam a função de amaciar o cavalo para
maior comodidade do cavaleiro.
Líder de um sindicalismo então combativo, Lula usou a
palavra contra seus adversários, como antes dele muitos na esquerda.
Em filme-documentário recente, chamou de “pelegão”
até Lech Walesa, importante líder sindical polonês
que se elegeu presidente da República e fracassou no governo.
Típico do “pelego” é viver de dinheiro público,
fazer demagogia social e cuidar dos próprios interesses pessoais
e corporativos, mesmo a despeito da lei. Dentre os muitos exemplos,
o mais recente é a devassa do sigilo bancário do caseiro
Francenildo, por ordem de um gerente da Caixa Econômica Federal.
Como sabemos que o governo vem tomando como prática usual o loteamento
político de cargos, é bem provável que esse gerente
da CEF seja um “pelego” a serviço de algum outro.
Vale lembrar, a propósito, a confissão pública
de Lula que, desrespeitando a lei, mandou se calar um “alto companheiro”
que sabia de irregularidades na instituição em que trabalhava.
No caso de Francenildo, o procedimento foi inverso. Nada de irregular
foi encontrado na conta do caseiro. Mas foi igual o desrespeito à
lei pelos “pelegos” da CEF. O “pelego” faz o
que o cavaleiro manda, em especial quando este é um “companheiro”
de alta hierarquia.
A partir do “núcleo duro” do governo, criou-se um
estilo que contamina muita gente na administração federal.
Atento ao marketing e às pesquisas eleitorais, Lula joga para
a arquibancada, promete investigação, punições,
etc., assim transmitindo a imagem de que não tem nada a ver com
isso.
Os ministros, por seu lado, tratam de amaciar as coisas, deslocar o
foco, dilatar prazos, etc. Foi na preocupação de deslocar
o foco que o ministro do Trabalho, um ex-sindicalista, usou palavras
de desprezo a propósito do caseiro, segundo ele, manipulado pela
oposição. Quanto ao ministro da Justiça, seu papel
é o de amaciar, buscar atenuantes. Conhecido criminalista, reconheceu
que o assunto “é grave e será apurado”, mas,
logo a seguir, disse que isso é prática usual, tratando
o crime como se fosse um “vazamento”. Não tem algo
de semelhante sua intervenção nas patranhas do “mensalão”
do Delúbio e do Marcos Valério? Quanto ao presidente da
CEF, que dirige um banco altamente informatizado, ninguém acreditou
quando ele disse à imprensa que precisava de “quinze dias”
para descobrir quem cometeu o crime contra os direitos de Francenildo.
E, agora, o Coaf se dedica a investigar a vida financeira do caseiro.
A propósito, que dizer do delegado da Polícia Federal
que, ao ser indagado pela imprensa por que ainda não abrira inquérito
depois de vários dias do crime, teve o desplante de responder:
“Como demorando? Você está no Brasil, pelo amor de
Deus!”. Como a Coaf, a PF se dedica agora a investigar Francenildo,
na evidente tentativa de intimidação do governo contra
cidadãos, especialmente os mais pobres, que se disponham a acusá-lo.
O cidadão que acompanha a avalancha dos fatos e a degenerescência
de conceitos, instituições e personalidades não
consegue entender por que a oposição, supostamente tão
poderosa, é incapaz de abrir, na forma da lei, o sigilo bancário
do ex-sindicalista, hoje empresário, Paulo Okamotto, que pagou
contas de Lula não se sabe com dinheiro de quem. Ou do biólogo
Fábio Lula da Silva, filho do presidente e hoje também
empresário, favorecido por um milionário contrato com
a Telemar, empresa da qual participam fundos de pensão, nos quais
outros “pelegos” têm considerável influência.
É claro, o cidadão sabe que o STF, atendendo ao PT, impediu
a continuação da presença de Francenildo na CPI.
E, depois da inacreditável greve dos desembargadores de Minas
Gerais, tem também a impressão de que o estilo pelego
chegou ao sistema judiciário.
Meio século atrás, um dos grandes temores da direita era
de que o Brasil viesse a ser uma “república sindicalista”.
Chegamos a ela, mas a direita não tem nada a temer. O que temos
aí é apenas um governo de “pelegos”. E os
“pelegos”, como é da sua natureza e dos seus privilégios,
prejudicarão o povo, jamais os grandes interesses que a direita
e eles próprios defendem. Se algum dia vier a se interessar pelo
Brasil, que dirá Lech Walesa de Lula, se não que também
é um “pelegão” e que também fracassou
no governo?
Francisco C. Weffort foi um dos fundadores
do PT. É decano do Instituto de Estudos de Políticas Econômicas
e Sociais e professor visitante de História Comparada do Instituto
de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio
de Janeiro.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
31 de março de 2006 | Economia
Massa salarial brasileira teve aumento
de 5,3%
RIO DE JANEIRO – A massa salarial
– soma de todos os salários recebidos por trabalhadores
brasileiros – teve aumento de 5,3% no último ano, segundo
cálculo divulgado hoje, pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
O instituto divulgou os últimos
números sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do ano passado. Com
isso, o PIB per capita – quanto cada cidadão teria da riqueza
brasileira se ela fosse dividida igualmente – foi a R$ 10,5 mil
por ano.
O aumento da massa salarial resultou,
segundo o IBGE, em um aumento do consumo das famílias. Ao longo
de 2005, as famílias brasileiras gastaram R$ 1,075 trilhão.
Isso faz com que o consumo seja responsável
por mais da metade do PIB brasileiro, que ficou em R$ 1,9 trilhão.
Segundo o IBGE, outro indicador do consumo apresentou boa elevação:
as operações de crédito cresceram 36,7%.
O efeito colateral, segundo o instituto,
foi a queda na taxa de poupança do país, que foi de 23,2%
para 22,2% do PIB. Foi a primeira queda do nível de poupança,
após quatro anos seguidos de crescimento.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
31 de março de 2006 | Economia
“Temporários” seguram
emprego
FREDERICO DAMATO
Boa parte dos empregos temporários
criados no final do ano foram mantidos, o que evitou uma alta no número
de desempregados em fevereiro – época típica de
demissões – e refletiu na estabilidade da taxa de desemprego
na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).
Segundo Pesquisa de Emprego e Desemprego
(PED) divulgada ontem pela Fundação João Pinheiro
(FJP), a taxa de desemprego na região ficou em 15,5% em fevereiro,
mesmo nível registrado em janeiro e 14,4% inferior em relação
a igual mês de 2005.
O número de demissões em
fevereiro foi de 9.000, 66% a menos se comparado com os 27 mil postos
de trabalho eliminados em fevereiro de 2005. Já o número
de desempregados ficou estimado em 376 mil em fevereiro, 1.000 a menos
ante janeiro.
A população ocupada foi
estimada em 2,047 milhões e a População Economicamente
Ativa (PEA) em 2,423 milhões de pessoas.
“A queda dos juros e a estabilidade
econômica estão passando maior confiança ao empresário
mineiro, que projeta crescimento para este ano. Daí a manutenção
da maioria dos empregos temporários”, explica a analista
da FJP, Kátia Barrio.
A estudante universitária Maria
Angélica de Pinho, 20, engrossou a estatística dos temporários
mantidos no emprego, ao ser efetivada como vendedora da rede atacadista
Nelma Hanum & Cia. “Fiquei três meses para encontrar
um emprego. Agora tenho que dar tudo de mim para conquistar o meu espaço
aqui dentro”, afirma.
Serviços
O setor de serviços foi o único
da RMBH com saldo positivo entre contratações e demissões.
Houve acréscimo de mil postos de trabalho em fevereiro, o que
representa pífio acréscimo de 0,1% em relação
ao mês anterior. O comércio apresentou déficit de
4.000 empregos.
Indústria e construção
civil apresentaram, cada um, saldo negativo de 3.000 postos de trabalho.
Na indústria o destaque negativo ficou por conta do segmento
têxtil e vestuário (-7,5%).
O rendimento real médio
dos trabalhadores na Grande BH aumentou pelo sétimo mês
consecutivo. De acordo com a pesquisa, o rendimento médio alcançou
em janeiro R$ 854, contra R$ 822 em dezembro (alta de 3,9%). Na mesma
base de comparação, o salário médio subiu
2,7% e ficou em R$ 899.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
31 de março de 2006 | Economia
Caixa Econômica conheceu ontem a
primeira presidente em 144 anos
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda,
Guido Mantega, deu posse ontem à nova presidente da Caixa Econômica
Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, de 44 anos. Funcionária
da instituição há 22 anos, ela é a primeira
mulher a chegar ao topo do banco, que existe há 144 anos.
De acordo com a "Agência Brasil",
a cerimônia foi fechada a jornalistas e aberta a fotógrafos
e cinegrafistas.
Fernanda Coelho, que era superintendente
nacional de Desenvolvimento e Estratégias Empresariais, assumiu
o lugar de Jorge Mattoso, que pediu demissão após ser
envolvido em denúncia de quebra ilegal do sigilo bancário
do caseiro Francenildo Santos Costa.
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PORTAL REVISTA EXAME, 31
de março de 2006
Brasileiro pagou, em média, quase
R$ 4 mil em impostos em 2005
Estudo mostra que, no ano passado, a carga tributária
brasileira foi 37,8% em relação ao PIB. Proporcionalmente
à renda, pobres pagam mais
Por Fabrícia Peixoto
A carga tributária brasileira
é reconhecidamente uma das mais altas do mundo, mas quando o
fato é detalhado em números, o cenário fica ainda
mais assustador. Somente no ano passado, cada brasileiro desembolsou,
em média, 3 987 reais para o pagamento de impostos. É
como se todos tivessem trabalhado durante 145 dias do ano apenas para
arcar com os tributos – e também com a ineficiência
de arrecadação – do governo.
Essas e outras comparações
fazem parte de um estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento
Tributário (IBPT), baseado em diversas fontes. Uma das constatações
diz respeito à corrupção nas três esferas
de governo. "Reunimos dados da Justiça, do Legislativo e
da imprensa e chegamos à conclusão de que o brasileiro
trabalha 45 dias do ano para ‘pagar’ pela corrupção
e pela má qualidade do sistema de arrecadação.
Os outros 100 dias são para pagar impostos", diz Gilberto
Luiz do Amaral, presidente do IBPT.
O peso dos impostos no Brasil é
gigantesco sob qualquer ótica. Em relação ao PIB,
por exemplo, corresponde a 37,8%, considerando os números do
ano passado, ou seja, 732 bilhões de reais. Somente o governo
federal abocanhou 26,5% total, sendo o grande responsável pelo
aumento dos impostos em 2005. Outra forma de se avaliar o impacto da
carga tributária é descontando a inflação
do período. Nesse caso, o cenário também é
crítico. O crescimento real da arrecadação de impostos
foi de 1,02% em 2005, o que representa um acréscimo de 19,5 bilhões
nas contas dos governos.
Entre os encargos federais, o Imposto
de Renda é, de longe, o que mais afeta o bolso dos brasileiros.
Através desse imposto, a união pôde recolher 124,5
bilhões de reais no ano passado. Em segundo lugar, com 87,8 bilhões
de reais, vem a Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social (Cofins). A situação promete ser um pouco melhor
este ano. Com a ajuda da MP do Bem e da correção da tabela
do Imposto de Renda, a carga tributária brasileira deve cair
para 36,8% em 2006.
Pesado e injusto
Segundo o presidente do IBPT, uma das
principais características da carga tributária brasileira
é que, além de pesada, é também injusta.
"O princípio por trás do imposto, e isso vem desde
Adam Smith [um dos principais teóricos da ciência econômica],
é que os ricos devem pagar mais. No Brasil, é exatamente
o contrário", diz.
Amaral explica a lógica do sistema
invertido no Brasil: apesar de os impostos serem os mesmos para todos,
os ricos conseguem poupar, enquanto os pobres não têm renda
excedente. Com isso, o primeiro grupo pode compensar a alta carga tributária
com os rendimentos no mercado financeiro (poupança, fundos e
outros), mas os menos favorecidos não têm essa opção.
O presidente do IBPT lembra, ainda, o impacto dos medicamentos. "Esse
tipo de produto é o que mais paga impostos, cerca de 37%, e está
provado que as famílias mais pobres gastam mais com remédios,
proporcionalmente a sua renda, do que os ricos", diz Amaral.
O pior do mundo
O Brasil não chega a ser
o líder mundial em carga tributária. Outros quatro países
estão a sua frente. "Mas quando se observa a aplicação
desses impostos (serviços públicos, saúde, educação
etc), o Brasil certamente é o pior", diz Amaral. O campeão
de arrecadação é a Suécia, com 50,7% do
PIB (2004). Em seguida vêm Noruega, França e Itália.
China, Índia e Rússia – países que costumam
disputar investimentos com o Brasil – têm uma carga média
de 16,7% sobre o PIB.

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