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Revista Nueva Época Semanal, 31 de março
de 2006
EM 28 DE ABRIL
Campanha mundial contra a indústria
do amianto no Canadá
Boletim da Federação Internacional
Latinoamericana dos Trabalhadores na Indústria da Construção
|Ano 3 – Nº 104
Director: Carlos Gaitán | Editado con el apoyo de CNV-Internationaal
de Holanda
La FLATIC –organización
profesional de trabajadores industriales y de la construcción,
afiliada a la CLAT y a la CMT–, co-fundadora de la ICM (Internacional
de la Construcción y la Madera) como parte de la desaparecida
FMTCM, participó del acuerdo de incorporar los sindicatos de
este sector a la naciente federación mundial unitaria. Asume
la lucha común y ve con agrado la orientación que le imprime
su Secretaria General, Anita Normark.
Cada vez más, las posiciones correctas
y las acciones positivas a favor de los trabajadores permitirá
ir construyendo una férrea unidad. Hoy la ICM desarrolla una
nueva etapa en la lucha contra el asbesto y desde la FLATIC apoyaremos
el esfuerzo como parte de las acciones a favor de los trabajadores.
He aquí los detalles.
Fundada el 9 de diciembre de 2005 en
Buenos Aires, la Internacional de Trabajadores de la Construcción
y la Madera (ICM) realizará, el 28 de abril, una campaña
en todo el mundo, con demostraciones pacificas y peticiones frente a
las embajadas y consulados de Canadá para convencer al gobierno
de ese país a que cese su agresivo mercadeo y promoción
del asbesto en países en desarrollo como la India, Zimbabwe y
Brasil.
Recordemos que el asbesto o amianto se
encuentra entre los más importantes carcinógenos humanos
y que entre los agentes potencialmente tóxicos para el pulmón,
es el que tiene mayor incidencia y que se emplea profusamente en las
industrias de la construcción, astilleros y talleres textiles.
El uso a gran escala del asbesto lo podemos
ubicar durante la Segunda Guerra Mundial, ya que sus características
de resistencia al calor, al desgaste, a los ácidos, su flexibilidad
y sus propiedades aislantes lo hacen esencial para más de tres
mil aplicaciones.
La campaña
Anita Normark, secretaria general de
la ICM, explicó los detalles de la campaña e hizo hincapié
en que: "Hoy día la exposición al asbesto garantiza
que continúe la epidemia, por lo menos, a otra generación,
cambiando los cementerios de asbesto del mundo desarrollado al mundo
en desarrollo". Ejemplo de ello es lo que ocurrió en Estados
Unidos a partir de 1970, cuando sus industrias productoras de asbesto
se reinstalan en territorio mexicano, ya que en el propio debían
hacer frente a miles de demandas interpuestas por los trabajadores que
presentaban un avanzado deterioro de su salud.
"Apelo hoy -subrayó la secretaria
general de la ICM- a todos los sindicatos a unir esfuerzos en ayudar
a convencer al gobierno canadiense a reconocer que el asbesto es la
industria con mayor mortandad y que debe ser prohibida en todos los
países" y seguidamente añadió: "En este
momento, al menos hay una muerte cada 5 minutos. No existe un nivel
seguro de exposición al asbesto, por lo que no es aceptable la
mínima exposición. Esta es la calamidad de salud industrial
evitable de la era moderna".
En otro tramo de su disertación,
la dirigente sindical exaltó: "Nuestro clamor es eliminar
el sufrimiento y salvar las vidas de los trabajadores que continúan
muriendo por enfermedades resultado de la exposición a este extremadamente
peligroso producto. Más de 10.000 personas mueren anualmente
por enfermedades provocadas por el asbesto. Hoy, el 90 por ciento del
asbesto es usado en los productos del cemento para techos, materiales
de construcción y tuberías de cemento".
Países productores de asbesto
"Canadá es uno de los mayores
exportadores de asbesto -puntualizó Normark- y nosotros nos dirigimos
a su gobierno para mostrarle que los trabajadores, en diferentes partes
del mundo, están preocupados por su menosprecio a la salud ocupacional
y pública de sus ciudadanos y trabajadores".
"Rusia, China y Brasil son también
grandes productores y exportadores de asbesto y tenemos que convencerlos
de utilizar otros materiales alternativos. Sin embargo, sus gobiernos,
a diferencia del gobierno canadiense, no financia las campañas
de publicidad masivas en los países en desarrollo para convencerlos
que el asbesto es perfectamente seguro. Mientras que 40 países
industrializados han prohibido el asbesto y están utilizando
materiales alternativos; mientras que los países en desarrollo
son objetivo de los vendedores de asbestos, quienes niegan los peligros
en la salud con tal de obtener ganancias" criticó Normark.
También se informó
que para el 28 de abril más de 100 sindicatos de la construcción
de la ICM, están planeando varias actividades, desde pequeñas
y grandes marchas hasta encuentros educativos y de capacitación,
para dar a conocer al gobierno y diplomáticos canadienses, el
devastador deterioro que produce el asbesto en los trabajadores y poner
punto final a esta industria de la muerte.
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Agência Diap, 03 de
abril de 2006
Censo Sindical
Cadastro nacional já conta com
mais de 11 mil entidades sindicais
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) já registrou
o cadastro de 11.645 entidades sindicais, das quais cerca de 1,6 mil
atualizações somente nos últimos dois meses, quando
a Secretaria de Relações do Trabalho (SRT) intensificou
as visitas de orientação nos estados. Uma equipe técnica
da SRT orientou as entidades sindicais e treinou os técnicos
das Delegacias Regionais do Trabalho (DRTs) sobre a importância
da atualização das informações sindicais.
É que os dados constarão do Novo Cadastro Nacional de
Entidades Sindicais (CNES).
O cadastro dará origem a um banco
de dados real e confiável sobre as entidades sindicais existentes
no país, garantindo transparência e participação
social. A atualização é realizada por meio da internet
no site do MTE: www.mte.gov.br. De abril de ano passado até o
início deste ano, 9 mil entidades sindicais haviam atualizado
os dados pelo site.
Após a conclusão das visitas,
a SRT espera que as validações ocorram de forma acelerada,
uma vez que os funcionários foram qualificados para desenvolver
suas atividades. A expectativa é de que todos os processos sejam
analisados o mais rapidamente possível, já que o anuário
está previsto para ser lançado em julho. A publicação
irá conter as informações e estatísticas
sobre as entidades sindicais do país e permitirá que a
sociedade tenha acesso fácil e imediato a dados sobre a organização
sindical brasileira.
Para mais informações
sobre a atualização, entre em contato pelos telefones
(61) 3317-6798 / 6792, pelo e-mail: atendimento.srt@mte.gov.br ou no
órgão do MTE mais próximo.
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Agência Diap, 03 de
abril de 2006
Salário Mínimo e o Congresso
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
Os parlamentares, com toda razão, têm reclamado do excesso
de medidas provisórias, mas quando as matérias são
enviadas sob a forma de projeto de lei, o Congresso não delibera
dentro do prazo, dando razão ao Governo. O salário mínimo
é o exemplo mais recente. Desde 1995, o valor do mínimo
vinha sendo fixado por medida provisória. Este ano, acertadamente,
o Governo encaminhou um projeto de lei, mas a Câmara dos Deputados
não foi capaz de aprová-lo até 1º de abril,
data da entrada em vigor do novo valor, forçando o presidente
a recorrer, mais uma vez, ao instrumento da medida provisória.
Essa falta de empenho do Legislativo
em fazer valer suas prerrogativas dá razão ao Governo
que, diante da morosidade na apreciação das matérias
de seu interesse, recorre à figura da medida provisória,
que tem força de lei e vigência imediata, ainda que apenas
pelo prazo de 120 dias. A postura do Governo em relação
ao salário mínimo este ano é elogiável sob
vários aspectos, que vão desde o envio da matéria
ao Congresso sob a forma de projeto de lei e a negociação
com a representação dos trabalhadores, passando pela antecipação
da vigência, até o aumento real concedido.
Quanto à negociação
com as centrais é um exemplo de civilidade por parte do Governo.
Pode-se até criticar o fato de o Governo não ter convocado
todos os segmentos do movimento sindical e ter optado por apenas algumas
centrais sindicais, mas o caminho está correto. Que os temas
de interesse dos trabalhadores sejam sempre debatidos com a classe,
por intermédio de suas representações.
Em relação ao conteúdo
da negociação, a antecipação da vigência
do mínimo, que passa de maio para abril, e o aumento real de
13% acima da inflação, indicam o acerto do entendimento,
que se dá em favor dos trabalhadores que recebem a menor remuneração,
beneficiando o maior contingente de trabalhadores e aposentados do país.
A crítica cabível aqui é que não se cuidou
de garantir, já no projeto, a extensão do aumento real
também para os benefícios previdenciários com valor
superior ao mínimo.
Como o Congresso não conseguiu
aprovar o projeto com o novo salário mínimo até
o final de março, o presidente da República será
forçado a editar uma medida provisória sobre o tema. Com
isto, quem perdeu foi o Congresso, que deixou escapar a oportunidade
de votar a matéria dentro do prazo e, em conseqüência,
enfraqueceu sua luta contra o uso abusivo de medidas provisórias.
Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e Diretor de Documentação do
DIAP.
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Nova Central, 03 de abril de 2006
É obrigação do
empregador emitir recibos que comprovem pagamento ao trabalhador
Empregador deve comprovar que fez o pagamento à trabalhadora.
Do contrário, terá de pagar tudo novamente. Testemunha
não é prova. Quem não tem o hábito de
emitir recibos deve ficar atento quando faz o pagamento da doméstica,
porque ela poderá pedir na Justiça o pagamento de verbas
que não tiverem a comprovação. Ou seja, na hora
da dispensa ou mesmo no pagamento do mês é recomendado
que o empregador guarde a documentação como prova.
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Folha de São Paulo,
01 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/SÃO PAULO
Tucano diz que foi necessário renunciar a cargo para que "comboio
continue progredindo"
Serra deixa Prefeitura após 15
meses para disputar governo
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
Um ano e três meses após
assumir a prefeitura, o tucano José Serra renunciou ontem ao
cargo para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Para justificar
sua saída com dois anos e nove meses de mandato pela frente -mesmo
tendo assumido o compromisso formal de ficar até o fim-, Serra
afirmou que sua opção "é a que exige maior
sacrifício" e, seguindo o discurso em um teleprompter, reproduziu
todos os argumentos reunidos até agora para sustentar a decisão.
"Se assumo o risco de sair do comboio
que está em plena marcha, o faço para assegurar as condições
para que continue progredindo. A meu ver, é a decisão
correta. Pensei muito. Uma decisão difícil, a mais difícil
que tomei na minha vida. Mas, embora arriscada, é necessária",
disse. Apesar de adotar um tom emocional, ao ponto de encher os olhos
de lágrimas ao se referir ao amigo e secretário de Governo,
Aloysio Nunes Ferreira, Serra mostrou-se armado para a batalha contra
o PT. Citou dados sobre o governo da antecessora, a petista Marta Suplicy,
sua possível adversária, e contou ter pronto um balanço
das ações de sua gestão em comparação
à passada.
Para se vacinar contra a esperada ofensiva
petista, foi para o ataque: "O time adversário, que fez
barbaridade dos túneis, dos Jardins, não tem moral para
abrir a boca a respeito de obras e de tudo o mais", reagiu Serra,
chamando de previsível o argumento petista. "Não
têm nem terão outra coisa para dizer. Depois da bagunça
com que deixaram a prefeitura (...), diante da falta de propostas e
de rumo em que está o Brasil agora, realmente não vai
haver para eles discurso fora este."
Tanto no anúncio como na entrevista, Serra consumiu maior parte
do tempo explicando a renúncia após ter assinado um documento
se comprometendo a concluir o mandato. Ao responder se tinha mentido,
disse, duas vezes, que as circunstâncias -inclusive pesquisas
de opinião- mudaram desde então: "Naquele momento,
eu disse a verdade. As circunstâncias passaram a ser outras. Naquele
momento não tinha por que não o fazer [assinar]".
O novo prefeito
Em entrevista, Serra defendeu o sucessor,
o pefelista Gilberto Kassab, cuja participação no governo
Celso Pitta foi explorada na eleição passada. "Quanto
a alguém ter ocupado durante um ano uma secretaria num governo
que foi ruim para São Paulo, isso não pode ser entendido
como a decretação da falência múltipla de
órgãos para exercer cargos públicos".
Serra chegou ao Anhembi -palco do discurso- com um disquete. Lá,
imprimiu seu discurso para que fosse exibido num teleprompter. A seu
pedido, as letras teriam de ser grandes. O texto foi elaborado num momento
de mágoa de Serra com os que o acusam de usar a prefeitura como
trampolim. No Anhembi, reunido com secretários, teria se emocionado
ao reclamar dos críticos.
Por isso recorreu a sua biografia na
abertura do discurso para dizer que, em nome de seus ideais, decidiu
disputar o governo. "Uma posição conquistada, confortável,
troco pelo risco de mais uma batalha". Ao longo do discurso ele
insistiu em pontos como o de que "a melhor maneira de servir à
cidade" é manter as parcerias com o governo do Estado. Ou
de que "São Paulo não pode viver mais o risco de
retrocesso".
Antes, Serra entregou a carta-renúncia
ao presidente da Câmara, Roberto Tripoli, no campo de Marte, onde
pousou de helicóptero. Embora tenha dito duas vezes que contava
com a preferência do PSDB para a Presidência, Serra descartou
a possibilidade de se apresentar para a corrida caso o candidato do
partido, Geraldo Alckmin, não decole. "Estamos nessa batalha
conjuntamente. O jogo não admite substituição."
Serra optou pelo Anhembi após
uma manhã de indefinições. Num primeiro momento,
os secretários foram convocados para um almoço. Mais tarde,
foram informados de que deveriam deixar o horário das 18h livre
para reunião. Só pela manhã, a prefeitura consultou
o presidente do Anhembi, Caio Carvalho, sobre o uso do local. No anúncio,
Serra parafraseou Fernando Pessoa para explicar a saída: "A
batalha vale a pena se o sonho e a alma não são pequenos".
E concluiu: "Acredito que o povo de São Paulo saberá
compreender minhas razões. E a ele me submeterei como já
fiz sete vezes na minha vida".
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FOLHA DE SÃO PAULO,
01 de abril de 2006
TRABALHO
Fabricante pede a corte de falências fim de contrato com sindicato;
medida pode levar a greve, que afetaria GM
Delphi pede anulação de
acordo trabalhista
DA FOLHA ONLINE
A fabricante norte-americana de autopeças
Delphi anunciou ontem que pediu à corte de falências dos
Estados Unidos para romper acordos trabalhistas feitos com sindicatos
e pode demitir mais de 28 mil funcionários com fechamentos ou
vendas de fábricas no país.
As decisões da empresa, em concordata desde outubro de 2005,
podem levar a uma greve que prejudicaria a produção da
montadora General Motors, sua maior compradora.
A Delphi pediu à corte de falências para romper os contratos
feitos com o UAW (principal sindicato da indústria automobilística
dos EUA) e com outros sindicatos do setor automobilístico, que
a empresa afirma não mais poder honrar.
Os planos da Delphi incluem ainda o fechamento ou venda de 21 de suas
28 fábricas nos EUA. As 21 fábricas empregam cerca de
20 mil funcionários horistas.
A empresa deve demitir também 8.500 funcionários não-sindicalizados
em outros países.
O UAW informou em comunicado que, se a corte rejeitar o pedido da Delphi
e a empresa, mesmo assim, quiser impor a quebra dos acordos, "será
impossível evitar uma longa greve".
A GM lamentou a posição da Delphi, mas ainda espera que
possa haver um acordo.
"Pedidos para rejeitar acordos trabalhistas são bastante
comuns em processos de reorganização, e vimos essa abordagem
funcionar em outros casos", disse o executivo-chefe da GM, Rick
Wagoner.
Greve e GM
Uma greve prolongada na Delphi é pouco provável, segundo
o analista-chefe para o setor automobilístico da agência
de classificação de risco Standard & Poor's, Bob Schulz.
"Há uma série de razões para pensarmos que
as três partes chegarão a um acordo. Há muito tempo
até a audiência em maio", quando a corte deve julgar
o pedido da Delphi, disse ele.
Se a greve se prolongar, porém, a produção da GM
pode ser interrompida e a empresa pode ter o mesmo destino da Delphi,
que foi subsidiária da GM até 1999. A GM teve prejuízo
de US$ 10,6 bilhões no ano passado.
A GM fez um acordo com a Delphi e o UAW pelo qual terá de contratar
até 5.000 dos funcionários da Delphi. Para seus próprios
funcionários, a GM anunciou um acordo com o UAW para estimular
113 mil funcionários horistas a aderir ao plano de aposentadorias
antecipadas.
Executivos da GM também já disseram que não vêem
risco de concordata.
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Folha de São Paulo,
02 de abril de 2006
CRISE NO GOVERNO/CERCO AO EX-MINISTRO
Assessor de Márcio Thomaz Bastos estava na casa de Palocci quando
extrato foi entregue
Palocci ordenou a Mattoso violação
do sigilo do caseiro
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Antonio Palocci Filho, ministro da Fazenda
em 16 de março, ordenou diretamente ao então presidente
da Caixa, Jorge Mattoso, que violasse o sigilo bancário do caseiro
Francenildo Costa. Pressionou o colega Márcio Thomaz Bastos a
pedir que a Polícia Federal acobertasse sua conduta, ameaçando
revelar a presença de um auxiliar direto do ministro da Justiça
em sua casa na noite daquela quinta, quando Mattoso lhe entregou o extrato
do caseiro. Segundo relatos obtidos pela Folha, Palocci fez pressões
até a última hora para permanecer no cargo. Discutiu com
Mattoso e Thomaz Bastos duramente na segunda-feira passada, dia de sua
queda. Mattoso rejeitou assumir sozinho a culpa.
Por telefone, Palocci chegou a pedir
ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não fosse
demitido, mas afastado temporariamente. Lula, porém, respondeu
secamente que não dava. Havia acabado de ser informado de que
não havia mais dúvida de que Palocci ordenara a violação
do sigilo do caseiro, apesar de o então ministro ter negado isso
várias vezes no decorrer do imbróglio. Palocci deu a ordem
para Mattoso quebrar o sigilo na tarde de 16 de março, quando
lhe disse que tinha a informação de que o caseiro recebera
soma de dinheiro e que suspeitava que havia sido comprado pela oposição
para atacá-lo. De noite, Palocci convidou o secretário
de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel
Goldberg, para ir à sua casa. Lá, encontrou também
Mattoso. A membros do governo, Goldberg disse que não presenciou
a entrega do extrato.
Na sua versão, Palocci e Mattoso
teriam se reunido a sós no escritório, e o então
ministro da Fazenda teria pedido que a PF investigasse Francenildo por
falso testemunho e suborno para mentir sobre uma autoridade. Palocci,
que estava acompanhado por seu assessor Marcelo Netto, disse que "a
imprensa" divulgaria que o caseiro havia recebido recursos incompatíveis
com sua renda de R$ 700 mensais. Segundo seu relato, ele não
viu o extrato, mas ouviu pedido de Palocci para acionar a PF.
No dia seguinte, o chefe-de-gabinete
de Thomaz Bastos, Cláudio Alencar, relatou ao ministro que Palocci
havia pedido a Goldberg para a PF investigar Francenildo. No mesmo dia,
o extrato vazou por meio do blog da revista "Época".
Oficialmente, a PF começou a investigar o caseiro na quinta-feira
seguinte, dia 23, e o colocou sob suspeita de lavagem de dinheiro devido
a um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras
encaminhado no dia 20. Antes, o contato de Francenildo com a PF havia
ocorrido entre a quinta, 16, e a sexta, 17, quando entrou e saiu do
programa de proteção a testemunhas do órgão.
Últimos dias
Uma semana depois, no domingo passado,
Lula e Palocci tiveram uma conversa pessoal. O então ministro
da Fazenda continuava a negar as evidências de sua participação
no caso. Mas Lula já havia recebido informações
de Thomaz Bastos de que a PF tinha convicção da participação
de Palocci. O ministro da Justiça disse que o depoimento de Mattoso
no dia seguinte não lhe deixaria saída. Lula informou
a Palocci que a situação era insustentável e que
ele deveria se preparar para sair.
Antes de viajar para Curitiba, ainda
no domingo, dia 26, Lula se reuniu com auxiliares na Base Aérea
de Brasília, atrasando seu vôo em mais de uma hora. Pediu
que fizessem uma apuração final durante a manhã
de segunda e que lhe apresentassem um resultado definitivo em reunião
à tarde. Solicitou ainda que o presidente do BNDES (Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social), Guido Mantega, fosse a
Brasília no dia seguinte. Já queria demitir Palocci, contrariado
com as negativas do ministro, que só admitira que sua assessoria
poderia ter vazado o extrato.
Na manhã de segunda, em conversa
tensa com Mattoso, Palocci disse ao presidente da Caixa que ele não
diminuiria sua culpa em nada se o responsabilizasse. Depois de soltar
um palavrão, Mattoso afirmou que Palocci acabara com sua vida
e que ele não pagaria o pato sozinho. Com a recusa de Mattoso,
Palocci ficou nervoso e trocou ofensas com Thomaz Bastos. Disse que
contrataria um detetive particular para investigar Francenildo porque
a Polícia Federal trabalharia só a favor da oposição
e contra o governo.
Palocci disse que o caseiro teria viajado
para o Piauí com passagem paga por um senador e que nem isso
a PF conseguia apurar. Palocci fez pressão em forma de ameaça.
Disse que Thomaz Bastos poderia se complicar porque Goldberg estivera
na sua casa na quinta em que Mattoso lhe entregara o extrato de Francenildo.
Thomaz Bastos respondeu com um palavrão. Disse que Palocci chamara
o secretário sem seu conhecimento, que ele estava em Rondônia
e que não permitiria que a PF fosse usada politicamente ou forçada
a acobertar eventual prática criminosa de membros da cúpula
do governo. Em público, o ministro não informou que seu
assessor havia presenciado o encontro entre Mattoso e Palocci.
Quando Lula chegou de Curitiba, foi informado
por auxiliares de que Mattoso estava na PF naquele momento e que diria
que entregou os extratos a Palocci. Lula agradeceu o relato, pediu que
deixassem a sala e solicitou um telefonema para o ministro da Fazenda.
Não chamou Palocci para seu gabinete e afirmou que seria uma
conversa rápida. O presidente disse a Palocci que, diante das
circunstâncias, ele deveria deixar o governo. O auxiliar pediu
que não fosse demitido, mas afastado, a fim de tentar provar
sua eventual inocência e retornar ao posto. Lula não aceitou.
A auxiliares, Lula se queixou de Palocci ter insistido em negar participação
na violação do sigilo. Outros membros da cúpula
do governo também se mostraram surpresos. Ciro Gomes, que chegou
a chamar de "golpista" setores da imprensa, disse que ia escrever
uma carta para um jornal pedindo desculpa por sua crítica.
Oferta de R$ 1 milhão
Segundo a edição desta semana da revista "Veja",
em conversa de Palocci com Mattoso e o advogado criminalista Arnaldo
Malheiros, amigo de Thomaz Bastos, foi aventada a idéia de oferecer
R$ 1 milhão "a algum funcionário da Caixa que se
dispusesse a assumir a culpa pela quebra do sigilo". Segundo a
revista, "não se sabe se a proposta teve andamento prático".
Ainda segundo a "Veja", o empresário Eurípedes
Soares da Silva, o suposto pai biológico de Francenildo, também
teria tido sigilos fiscal e bancário violados.
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Folha de São Paulo,
03 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/ESTADOS
Coalizão PSDB-PFL controla dez Estados com 57% dos eleitores,
enquanto os três do PT concentram apenas 3,1% do eleitorado
Aliança tucana larga na frente
nos Estados
FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com a aliança quase formada entre
PSDB e PFL, os dois partidos entram na disputa presidencial com os governadores
de dez Estados, onde estão concentrados 57% dos eleitores do
país. O PT tem apenas três governadores, que representam
meros 3,1% do eleitorado, pois são de Estados de menor expressão.
Do ponto de vista numérico, o cenário não é
muito diverso de 2002 para o PSDB, quando os tucanos se aliaram formalmente
ao PMDB para tentar eleger José Serra, que acabara de deixar
o Ministério da Saúde. Naquele ano, as duas siglas somavam
11 governos estaduais, com 55% dos eleitores do país -esse era
o número de meados de 2002, e não o resultado da eleição
anterior, de 1998.
A diferença é que, desta
vez, o PSDB volta a ter como aliado um partido que sempre foi mais fiel
do que o PMDB. A candidatura presidencial do tucano Geraldo Alckmin
conta com o apoio total dos governadores pefelistas. Em 2002, José
Serra enfrentou várias dissidências no PMDB.
Prefeitos
A coalização tucano-pefelista também tem desta
vez o apoio direto dos prefeitos das duas maiores cidades do país,
São Paulo e Rio de Janeiro -ocupadas pelos pefelistas Gilberto
Kassab e Cesar Maia, respectivamente. Em 2002, a cidade de São
Paulo era comandada pela petista Marta Suplicy -uma das mais inflamadas
apoiadoras do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
O PT ganhou a eleição presidencial no segundo turno contra
José Serra (61,3% dos votos contra 38,7%). A diferença
de 2002 para hoje é que o petista entrou na disputa pelo Palácio
do Planalto há quatro anos com muito mais governadores do seu
lado. Lula tinha na sua retaguarda cinco governadores petistas: Rio
de Janeiro, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Acre e Amapá.
Além disso, algumas circunstâncias o favoreceram naquele
ano.
São Paulo e Bahia
Em São Paulo, o PT conseguiu colocar
o seu candidato a governador no segundo turno (quando José Genoino
disputou e perdeu para Geraldo Alckmin). Na Bahia, comandada politicamente
pelo pefelista Antonio Carlos Magalhães, a campanha de Lula teve
portas abertas, pois, à época, ACM estava em desacordo
com José Serra. Hoje, é incerto o resultado da eleição
paulista para o PT, pois o tucano José Serra aparece em pesquisas
como favorito para vencer a eleição no primeiro turno.
Na Bahia, o quarto maior eleitorado do país, ACM tem declarado
que fará todo o possível para viabilizar Geraldo Alckmin,
pois agora o pefelista baiano tornou-se um desafeto de Lula.
O futuro dos candidatos petistas nas
disputas estaduais em geral é considerado um problema pela direção
do PT, sobretudo nos maiores colégios eleitorais. Nesta época,
em 2002, a sigla já havia realizado pesquisas e montado várias
pré-estruturas para as campanhas regionais. Desta vez, quase
nada. Até os estudos internos sobre conjuntura eleitoral do país
têm sido escassos na agremiação.
Outros partidos
O quadro evolutivo dos governadores de
Estado mostra uma certa estabilidade entre os partidos. PSDB, PMDB e
PFL sempre tiveram a maioria nos últimos 12 anos. O PT, mesmo
tendo chegado ao Palácio do Planalto, registra uma participação
modesta em governos estaduais. Outro fato a ser notado é a decadência
acentuada do PP -partido derivado diretamente da Arena, sigla que deu
sustentação à ditadura militar (1964-1985). A cada
eleição, conquista menos Estados. Em 2002, nada.
Agora, tem apenas Goiás, porque
o pepista Alcides Rodrigues era o vice do governador Marconi Perilo
(PSDB), que renunciou ao mandato para disputar uma vaga no Senado na
eleição de outubro. Entre os partidos médios e
pequenos, PSB, PPS e PDT têm conseguido se manter sempre na faixa
de um a quatro governos estaduais a cada eleição.
Cláusula de barreira
Desta vez, as siglas pequenas todas
vão optar por priorizar as eleições para a Câmara
dos Deputados. É que passou a vigorar a cláusula de barreira.
O partido com menos de 5% dos votos para deputado em todo o país
terá várias restrições funcionais (pouco
tempo de TV no horário gratuito e só 1% do fundo partidário).
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Folha de São Paulo,
03 de abril de 2006
CENÁRIOS
Economia do país avançará 3,8%, e a da região,
4,1%, diz IIF; ambiente continua favorável para latino-americanos
Brasil deve crescer menos que a AL em
2006
DA AGENCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
DO ENVIADO ESPECIAL A BELO HORIZONTE
A banca internacional traça um
cenário cor-de-rosa para a América Latina neste ano. As
projeções do IIF (sigla em inglês para Instituto
Internacional de Finanças), associação que agrega
os grandes bancos internacionais, são que a região crescerá
4,1% neste ano. O cenário, em termos de crescimento, não
é tão bom para o Brasil, que crescerá, na avaliação
do IIF, 3,8%, a menor taxa entre as maiores economias da região.
Em geral, os indicadores melhoram para quase todos os países
para os quais a instituição divulgou estimativas (Argentina,
Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Venezuela). Só
na Argentina a inflação continua preocupando. A previsão
da instituição é que a inflação no
país vizinho seja de 14,9%, contra os 12,3% de 2005 e média
de 5% em toda a região. Mas o relatório divulgado ontem
pela entidade, que faz encontro paralelo ao do BID (Banco Interamericano
de Desenvolvimento), prevê que o país vizinho também
crescerá acima da média: 6,7%.
O BID, por outro lado, prevê expansão
acima de 4% para o Brasil, apesar de também vislumbrar cenário
econômico favorável para a América Latina, segundo
seu relatório anual. No documento, o banco informa que seu capital
cresceu 17% em 2005 e que pretende focar seus empréstimos nas
áreas social e de infra-estrutura e na popularização
do crédito.
A América Latina surfa praticamente
nas mesmas boas condições de 2005: crescimento significativo
do mundo, alta dos preços das commodities e farta liquidez. A
redução dos indicadores de vulnerabilidade externa dos
países, diz o relatório do IIF, deve continuar neste ano.
"Alguns dos países da região devem continuar usando
a maré externa favorável para reduzir a dívida
pública. A combinação de melhor desempenho fiscal
com o crescimento das exportações e a emissão de
dívida em moedas locais deve reduzir a dívida em dólar
dos países para algo em torno de 105% das exportações,
contra 232% em 1998."
O otimismo em relação à
região não é só da banca. Relatório
elaborado por economistas para seminário do BID começa
com a seguinte sentença: "Todas as estrelas estão
perfeitamente alinhadas para a América Latina no mercado financeiro
mundial". Desde que surgiu o mercado de títulos de países
emergentes, no início dos anos 90, relata o documento, o mercado
nunca esteve tão disposto a comprar seus papéis.
O juro está em queda, e
há dinheiro "saindo pelas orelhas", diz Ricardo Hausmann,
da Universidade Harvard. Paulo Leme, da Goldman Sachs, lembra que só
a América Latina viu suas reservas crescerem, nos últimos
anos, em proporção que representa 20% do PIB da região,
reflexo da melhora dos indicadores externos. Hausmann, no entanto, tem
dúvidas sobre a solidez do cenário. Ele lembra que não
é a primeira vez que o mercado desenha um cenário róseo
para a região. (PAULO PEIXOTO E
MARCELO BILLI)
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REVISTA ISTO É, 03
de abril de 2006
Lessa, no Rio: prioridade para a geração
de empregos
Debate
Um plano para o Brasil
Ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa
faz programa que vai em busca do que todos querem: o crescimento
Por Aziz Filho
O economista Carlos Lessa é um apaixonado à moda antiga.
A qualquer causa que abraça, se entrega de corpo e alma. Aos
69 anos, ele está mergulhado na confecção de um
programa econômico para o Brasil. O vetor escolhido é o
PMDB, partido que fundou e ao qual é filiado, mas as idéias
que ele vai costurando – polêmicas, diga-se – cabem
em qualquer debate sério sobre o desenvolvimento. Para começar,
Lessa elege os banqueiros como adversários e não teme
os efeitos de uma reação dos especuladores contra a redução
dos juros. “China, Índia e Rússia são países
obscuros, mas favoritos dos investidores porque crescem”, sustentou
o professor a ISTOÉ. “Se o Brasil crescer, poderá
negociar tudo. A China recebe três ou quatro vezes mais investimentos
do que nós e só permite aplicação no setor
produtivo”, compara. “Lá, o capital especulativo
é repelido.”
O vocabulário de suas teses desenvolvimentistas pouco tem a ver
com o economês dos colegas. Lessa alterna números com exemplos
populares e apelos emocionados – até assustadores. Classifica
como “insulto” uma recente declaração do presidente
Lula de que não estaria preocupado com o crescimento, mas sim
com a estabilidade. “Nenhuma sociedade convive com estagnação
a longo prazo, um processo sempre autofágico que destrói
os alicerces sociais”, afirma. “O Brasil é o quarto
país em homicídios, com 47 mil mortes violentas em 2005,
praticamente o número de americanos mortos no Vietnã em
dez anos. As sementes da violência se multiplicam em uma velocidade
gigantesca e as projeções sociais apontam para um cenário
dantesco.”
Lessa alerta para o perigo da criação, dentro do território
nacional, de “micronações que ameacem a ordem republicana”.
Elas seriam o lado mais obscuro da informalidade que assola a economia.
Nas favelas cariocas, sublinha ele, os traficantes têm braço
armado e até moeda própria, um vale-drogas. “Daqui
a pouco um traficante mais esperto vai emitir bônus”, calcula.
A falta de perspectiva para os jovens que não têm sequer
a esperança de repetir o desempenho dos pais e avós, segundo
ele, transforma o futuro brasileiro em campo minado. O ligeiro aumento
do índice de empregos formais no governo Lula, explica, é
mérito de uma ação fiscalizadora do Ministério
do Trabalho, “que merece os parabéns”.
O professor não chega a detalhar sua estratégia para baixar
os juros, aumentar a taxa de investimento de 20% para 25% do PIB e criar
dois milhões de empregos por ano, crescendo a 5%, mas não
seria correto definir seu programa como simplório. Ele não
despreza os nós da economia, como a insuficiência de energia
e de petróleo na hipótese de um crescimento mais acelerado.
“Jeito tem, mas o olhar principal deve estar dirigido para o interior
da economia brasileira.” A geração de empregos,
para ele, deve ser prioridade absoluta, com ações em todas
as direções, incluindo frentes de obras de saneamento,
urbanização e habitação. “Temos capacidade
na indústria de cimento, uma vez que os materiais geralmente
são locais, como brita e areia. O componente importado é
pequeno. Talvez tenhamos uma certa pressão por máquinas,
mas a indústria pode responder com rapidez”, sonha. E onde
arrumar dinheiro para tocar as obras? A resposta mostra que Lessa tem
menos medo da inflação do que dos efeitos corrosivos do
desemprego: “Se um programa desses é prioritário
para recuperar a economia, emita-se dinheiro ou títulos de dívida
pública.”
“Se elevarmos o investimento, o risco de inflação
não existe. O emprego aumenta, a indústria de alimentos
volta a investir, a de tecidos também, e as cadeias comerciais
ampliam suas gôndolas”, defende o formulador. Ele propõe
um programa de aumento de energia e de expansão da siderurgia
para dar conta das obras públicas. “O problema é
que, desviando a siderurgia para o mercado interno, você começa
a ter problemas de balança comercial e precisa ampliar outras
exportações para compensar. Mas aí a taxa de câmbio
dificulta. Não é um exercício simples”, admite.
Com estas idéias, algumas em plena formatação,
Lessa tem percorrido os principais centros do País. Preferencialmente,
em reuniões entre os filiados do PMDB. Para sentir-lhes o pulso,
já fez mais de 40 viagens nos últimos tempos. Está
aliado ao ex-governador Anthony Garotinho e se desdobra para convencer
o PMDB a lançá-lo candidato com um programa de governo
sem as impressões digitais das escolas ortodoxas seguidas pelos
últimos ministros da Fazenda, Pedro Malan e Antônio Palocci.
A exemplo de todas as causas que abraçou ao longo da vida, como
a recuperação do casario histórico do centro do
Rio de Janeiro, Lessa sabe que essa também vai demandar muita
luta – e uma boa luta é tudo o que ele sempre gostou de
praticar.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de abril de 2006 | Economia
Novo mínimo injeta R$ 15 bilhões
no mercado, disse Lula
Ele também enfatizou o aumento do poder
aquisitivo com o novo salário mínimo.
Milton F.da Rocha Filho
SÃO PAULO - No seu programa semanal
de rádio, Café com o Presidente,retransmitido pela rede
Radiobrás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, explicou
que editou uma Medida Provisória para o salário mínimo,
com o temor de que o Congresso até o final de abril não
o tivesse aprovado, como havia prometido aos sindicatos que negociaram
o novo valor de R$ 350,00.
Lula enfatizou que o aumento do mínimo
concedido agora, é "o maior aumento real do salário
mínimos dos últimos dez anos. Portanto, eles sabem que
o aumento real de 13% e uma inflação de 4,5% é
um aumento considerado muito bom. Mas é importante lembrar que
essa quantia vai conseguir injetar na economia brasileira aproximadamente
R$ 15 bilhões".
Segundo o presidente, esse aumento real
do salário " vai dinamizar ainda mais o poder de compra
dos trabalhadores, ainda mais o comércio, portanto, eu acho que
contrariando aqueles que diziam - e que dizem ainda - que é preciso
crescer para distribuir, nós estamos provando que é possível
distribuir para crescer".
Lula também enfatizou o aumento
do poder aquisitivo com o novo salário mínimo. "Quando
nós tomamos posse, o salário mínimo dava para comprar
um pouco mais que uma cesta básica, por exemplo, 1,3 cesta básica.
Hoje, o salário mínimo pode comprar duas cestas básicas.
Um pouco mais até: 2,2 cestas básicas. Ou, seja, significa
que praticamente dobrou o poder aquisitivo do trabalhador brasileiro,
no que diz respeito à cesta básica".
O presidente também disse que
a correção de 8% na tabela do Imposto de Renda, é
um ganho a mais para o trabalhador, principalmente para "os trabalhadores
operários, bancários, porque durante muito tempo não
se fez correção da tabela do imposto de renda".
"Então, o que nós
fizemos foi, em 2005, uma correção de 10%, em 2006 fizemos
uma correção de 8% e pretendemos continuar fazendo as
correções que forem necessárias para que possamos
fazer com a política de imposto de renda, justiça social.
Ou seja, cobrar mais de quem ganha mais e favorecer aquelas pessoas
que ganham menos. Porque não é justo que um trabalhador,
por fazer uma hora-extra a mais no final do mês, tenha de pagar
em imposto de renda daquele dinheiro que ele suou para ganhar".
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DIÁRIO DO GRANDE
ABC, 03 de abril de 2006
Santo André pode reabrir Centro
do Trabalhador
A Prefeitura de Santo André conseguiu
acalmar os ânimos do Sindicato dos Metalúrgicos. Quinta-feira,
o governo abriu negociação com a classe a fim de encontrar
uma solução para a questão do Centro de Solidariedade
ao Trabalhador, fechado recentemente sob orientação do
Ministério do Trabalho.
Segundo o secretário de Governo,
Mário Maurici, Prefeitura, CUT (Central Única dos Trabalhadores)
e sindicalistas se reunirão hoje para tentar encontrar um caminho
e garantir que os serviços continuem sendo prestados na cidade
pelo posto que funcionava na sede do próprio Sindicato dos Metalúrgicos.
"Se houver consenso entre as partes, faremos uma minuta de convênio
que será enviada à Câmara para aprovação
ou não dos vereadores", diz.
A bronca do Sindicato dos Metalúrgicos,
que quinta-feira levou cerca de 200 pessoas para as ruas e lotou a Câmara
a fim de protestar contra o fechamento do Centro de Solidariedade, é
que o Executivo estaria sendo passivo em relação ao assunto.
"Falta determinação para resolver o problema. Fico
pensando se há motivação política, pois
precisamos de um convênio com a Prefeitura para continuar funcionando,
mas o governo se recusa a fazê-lo", afirma Adonis Bernardes,
secretário-geral do Sindicato – ele também reclama
que o PT estaria preocupado apenas com o posto mantido pela CUT, entidade
ligada ao PT, que não sofreu sanções por conta
da determinação do Ministério do Trabalho.
"Caso o governo não consiga
manter o atendimento nos moldes existentes hoje (com os dois postos
em funcionamento), ao menos tentaremos garantir que o processo continue
em Santo André com a participação destas forças
(CUT e Força Sindical). O objetivo é garantir as duas
estruturas", ressalta Maurici.
Depois de mais de uma hora de reunião
no Paço Municipal em que a imprensa foi barrada, mas que contou
com a participação de uma comissão formada por
cinco representantes do Sindicato e outra por nove vereadores, o Sindicato
dos Metalúrgicos saiu satisfeito. "Entendemos que há
uma possibilidade de solução do caso", diz Bernardes.
Quem não gostou muito do encontro
foi o vereador Carlos Ferreira (PDT). "É evidente que o
encaminhamento será feito em prol da CUT. Quem não quer
enxergar isso é porque é cego. Acredito que o governo
tentará um acordo porque está sob pressão",
aposta.
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de abril de 2006
Recurso infrutífero
Empresa não pode recorrer de reforma
não lhe traz benefício
Parte de um processo não pode
recorrer se a reforma da decisão não lhe trouxer nenhum
benefício. O entendimento é da 1ª Turma do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo). Os
juízes rejeitaram recurso da Afonso Distribuidora de Veículos
na ação que investiga a conduta dos seus advogados, acusados
de conluio num processo trabalhista.
O ex-empregado da concessionária
entrou com processo na 2ª Vara do Trabalho de Praia Grande, pedindo
o pagamento da verba que entedia devida pela empresa. Durante a audiência,
o trabalhador disse ao juiz que sua advogada estava em conluio com os
advogados da empresa e desistiu da ação.
A desistência foi homologada pelo
juiz, que determinou a expedição de ofícios à
Comissão de Ética da OAB, ao Ministério Público
Estadual, ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério
Público Federal, para investigação.
A concessionária recorreu da sentença
ao TRT paulista. Sustentou que houve cerceamento de defesa, pois não
teve “oportunidade de direito de resposta acerca das declarações
do reclamante”. A empresa ainda afirmou que o ex-empregado “agiu
por vingança, pois tinha dívidas” com a ela.
O relator do caso, juiz Plínio
Bolívar de Almeida, considerou que a concessionária não
tem “interesse recursal” para apelar contra a expedição
dos ofícios, “na medida em que a reforma da sentença
não lhe beneficia”.
“Na realidade, o recurso deveria
ser interposto pelos terceiros prejudicados, no caso, os advogados atuantes
na causa”, explicou o relator. Os juízes da 1ª Turma
acompanharam o voto do relator e mantiveram a expedição
dos ofícios para apuração da conduta dos advogados
no processo.
RO 00829.2004.402.02.00-9
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de abril de 2006
Sem obrigação
Não incidem juros em descontos
devolvidos pelo patrão
Não deve incidir juros e correção
monetária sobre descontos devolvidos pelo empregador na rescisão
do contrato. O entendimento é da 1ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho que negou recurso a um trabalhador baiano, empregado de
um supermercado adquirido pelo grupo Paes Mendonça. O montante
descontado ao logo do contrato de trabalho foi restituído ao
empregado no momento da rescisão contratual, somando R$ 224.
O relator do recurso, ministro João
Oreste Dalazen, lembrou que, no caso em questão, o empregador
sequer estava obrigado a devolver os descontos.
A defesa do empregado alegou que a devolução
“pura e simples” dos valores descontados em época
de inflação alta significa apropriação indevida
de grande parte da quantia, já que durante o período de
vigência do contrato de trabalho (1979 a 1996) houve inclusive
alteração de padrões monetários.
O pedido de incidência de juros
e atualização monetária sobre os descontos efetuados
para a cooperativa vem sendo negado desde a primeira instância.
O TRT da Bahia (5ª Região) rejeitou o pedido do trabalhador
ressaltando que, embora os descontos tenham sido autorizados espontaneamente
por ele, a empresa devolveu os valores no ato de rescisão, conduta
a que não estava obrigada. O TRT-BA também concluiu que
a busca de correção dos valores era “injusta, já
que o empregado usufruiu, durante todo o tempo em que trabalhou, dos
benefícios oferecidos pela cooperativa.
O supermercado alegou que sua função
era de mero repasse dos valores descontados e que não teve ganhos
ou benefícios com tais descontos.
O ministro Dalazen esclareceu que não
se discutiu a licitude dos descontos em favor da entidade cooperativa,
uma vez que a decisão regional revela que o empregador estava
autorizado pelo empregado a efetuar os referidos descontos, sem qualquer
vício que possa macular o procedimento adotado.
RR 524.927/1999.3
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CONSULTOR JURÍDICO,
03 de abril de 2006
Contrato restrito
Trabalho em campanha eleitoral não
gera vínculo
Trabalho em campanha eleitoral não
gera vínculo empregatício com o candidato ou o partido.
O entendimento é da 10ª Câmara do Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas, SP). Os juízes
livraram o vereador José Antero de Paiva Grilo (PFL), do município
de Jacareí, de pagar as verbas trabalhistas a Silvana Aparecida
da Silva. Cabe recurso.
Depois de ter trabalhado para a campanha
eleitoral do vereador, Silvana entrou com reclamação na
1ª Vara do Trabalho de Jacareí. Pediu o reconhecimento do
vínculo empregatício com o candidato, registro na carteira
de trabalho, férias, 13º salário, Fundo de Garantia
e recolhimento do INSS.
A primeira instância negou o pedido.
No recurso ao TRT de Campinas, a autora da ação alegou
que ficou comprovada a prestação diária de serviço
com remuneração mensal, além de ter sido “peça
importante na reeleição do candidato”.
O juiz José Antonio Pancotti,
relator da matéria, esclareceu que “não houve prova
documental quanto a existência da relação jurídica
definida pela CLT, seja no período eleitoral, seja nos demais
períodos. Os fatos narrados afastam a existência de subordinação
entre as partes, considerando-se subordinação como o estado
de sujeição do empregado ao empregador, aguardando ou
executando suas ordens”.
Para o relator do recurso, a contratação
de pessoal para prestação de serviços nas campanhas
eleitorais não gera vínculo empregatício com o
candidato ou partido, conforme previsto no artigo 100 da Lei 9.504/97.
“Para que o vínculo empregatício fosse reconhecido,
indispensável que a trabalhadora comprovasse que seu trabalho
tenha se desenvolvido fora do período da campanha eleitoral.”
Como a autora da ação somente
trabalhou como cabo eleitoral e não provou prestação
de serviços fora desse período, o TRT não acolheu
o recurso, mantendo a decisão da primeira instância. “O
repasse de valores para cobrir despesas não se confunde com salário;
portanto, inapto para autorizar o reconhecimento do vínculo empregatício”,
conclui Pancotti.
Processo 00445-2005-023-15-00-4
ROPS
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ULTIMA INSTÂNCIA, 03 de abril de 2006
Projeto pretende dificultar inclusão
de consumidores em cadastros de dívidas
Tramita na Câmara de Deputados o
Projeto de Lei 6558/06, do deputado Marcos de Jesus (PFL-PE), que
proíbe o cadastro de informações negativas de
consumidores com dívidas não pagas, enquanto o montante
ou quaisquer das condições do débito estiverem
contestados em juízo.
O projeto altera o Código
de Defesa do Consumidor (Lei 8078/90). O objetivo, segundo o autor,
é proteger o consumidor de mais uma desvantagem imposta
pelo sistema de proteção ao crédito e restabelecer
o equilíbrio da relação de consumo, para impedir
a inviabilização de sua vida econômica e sua fragilização
como parte da discussão judicial da dívida.
Responsáveis
De acordo com o autor da proposta, as
instituições financeiras e os estabelecimentos comerciais
que vendem a crédito são os principais responsáveis
pela inclusão de informações negativas nos cadastros
e bancos de dados de consumidores.
Segundo o deputado, diante da inadimplência
do consumidor em qualquer um de seus contratos de crédito, os
comerciantes fornecem aos bancos de dados as informações
referentes ao consumidor e ao contrato não pago.
Marcos de Jesus observa, no entanto,
que o consumidor muitas vezes recorre à Justiça para anular
o débito ou desfazer o negócio, por discordar dos lançamentos
de encargos efetuados a seu débito ou por não ter recebido
o produto conforme a compra realizada.
Nesses casos, a inclusão do nome
nos cadastros de proteção ao crédito pode servir
como represália da instituição financeira ou do
fornecedor do bem.
Direito incerto
O parlamentar argumenta que a prática,
além de fundamentar-se em direito incerto, uma vez que a dívida
se encontra em discussão judicial, representa uma forma espúria
de pressão sobre o consumidor. "Para evitar o colapso de
seu crédito na praça, ele acaba por aceitar os termos
impostos pelo credor."
O parlamentar lembra que um dos princípios
da Política Nacional de Relações de Consumo é
"o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de
consumo", e um de seus direitos, "a proteção
contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos
ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas
ou impostas no fornecimento de produtos ou serviços".
Tramitação
O projeto tem caráter conclusivo
e tramita em conjunto com o PL 836/03, do deputado Bernardo Ariston
(PMDB-RJ), que trata do mesmo tema. As propostas serão analisadas
pelas comissões de Defesa do Consumidor; e de Constituição
e Justiça e de Cidadania.
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ULTIMA INSTÂNCIA,
03 de abril de 2006
Projeto altera regra para registro de
entidade beneficente
A Câmara analisa o Projeto de Lei
6551/06, que transfere para os conselhos municipais de assistência
social a obrigação de conceder o registro e o certificado
de funcionamento das entidades filantrópicas. A proposta, que
altera a Lei Orgânica da Assistência Social (8742/93), foi
apresentada pelo deputado Chico Sardelli (PV-SP).
Atualmente, o registro e o certificado
são expedidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social,
cabendo aos conselhos municipais apenas a fiscalização
das entidades beneficentes. Para o deputado, essa norma vai contra o
espírito da Constituição de 1988, que previu a
descentralização das ações de assistência
social.
Demora
Além disso, na opinião
de Sardelli, o fato de os conselhos municipais já serem os responsáveis
pela fiscalização mostra que eles têm competência
para acumular a tarefa de cuidar do registro e certificado das entidades.
Os dois documentos são importantes para que a organização
seja dispensada da cobrança de impostos e contribuições
à Previdência, como a contribuição de 20%
sobre a folha de salários da organização.
"Dessa forma, permite-se que o órgão
fiscalizador atue de maneira imediata no sentido do reconhecimento do
direito à isenção previdenciária, evitando
demora, por vezes insuportável, para entidades que operam com
apertados orçamentos", argumenta Sardelli.
O Brasil tem cerca de 6.500 entidades
filantrópicas reconhecidas, que realizam atividades de assistência
social como programas voltados para crianças, adolescentes, idosos
e portadores de deficiência.
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo
e será analisado pelas comissões de Seguridade Social
e Família; e de Constituição e Justiça e
de Cidadania.
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ULTIMA INSTÂNCIA,
03 de abril de 2006
Projeto de Lei prevê isenção
de Imposto de Renda em aposentadorias
Tramita na Câmara o Projeto de
Lei 6555/06, do deputado Alberto Fraga (PFL-DF), que muda a Lei 7713/88
e isenta de Imposto de Renda os rendimentos provenientes da aposentadoria,
reserva ou reforma das pessoas físicas pagos pela Previdência
Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios,
por qualquer pessoa jurídica de direito público interno
ou por entidade de previdência complementar.
A proposta isenta somente os rendimentos
de aposentadoria provenientes de atividade profissional. Fraga argumenta
que os aposentados e reformados receberão a isenção
como recompensa, pois "já contribuíram por toda a
vida profissional, fazendo jus à isenção como forma
de poder alcançar melhor qualidade de vida".
Tramitação
O projeto tramita em caráter
conclusivo em conjunto com o PL 2770/03, do deputado Milton Monti (PL-SP),
que isenta do IR os rendimentos de previdência privada. O projeto
será analisado pelas comissões de Seguridade Social e
Família; de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 3 de
abril de 2006 | Economia
ENTREVISTA
Empresário defende a tese
de que “o povo tem que saber” o quanto paga em tributos

O presidente da Associação Comercial de São Paulo
(ACSP), Guilherme Afif Domingos, já passou por 30 municípios
paulistas para divulgar a campanha “De olho no imposto”.
Em Curitiba, sua primeira parada fora de São Paulo – estão
previstas palestras também em Mato Grosso e na Bahia –
ele vai reiterar a tese de que, ao saber o quanto paga em impostos,
o cidadão vai exigir que eles sejam melhor aplicados pelos governos.
E, de preferência, que os valores sejam investidos perto de sua
casa, onde as pessoas têm mais condições de fiscalizar
a atuação dos políticos. Daí a necessidade
de uma reforma fiscal que eleve o porcentual de impostos repassado aos
municípios, hoje em 15%. Atualmente, a União embolsa 60%
do que é recolhido e os estados outros 25%. Para Afif Domingos,
uma redistribuição das funções e um enxugamento
os gastos reduziriam a carga tributária dos atuais 37,85% para
27%. Confira a seguir trechos da entrevista que o empresário
concedeu à Gazeta do Povo:
Como o setor privado vê a exigência
de incluir o valor dos impostos no rodapé da nota fiscal de cada
produto ou serviço?
Estamos tendo uma resposta muito positiva
do setor privado. Afinal, ele está cansado de ser acusado de
ladrão. Quando os preços aumentam, é fácil
dizer que a culpa é do especulador, do comerciante. Enquanto
isso, a carga tributária vai atingindo patamares insuportáveis.
Por isso, precisamos mostrar quem é que paga. O povo tem que
saber.
O que pode acontecer quando o consumidor
tiver noção de quanto paga em impostos?
Veja o que acontece nos Estados Unidos.
Lá, o preço que aparece nas etiquetas dos produtos é
o valor liquido, sem impostos. Agora imagine se no Brasil você
ver na televisão uma propaganda anunciando um carro a R$ 15 mil
e, chegando à concessionária, perceber que tem que pagar
mais R$ 10 mil em impostos. O consumidor não vai gostar, claro.
Vai lembrar que paga imposto, mas que mesmo assim também precisa
pagar a escola, a saúde e tudo mais. Então vai perceber
que alguma coisa não está funcionando.
E como mudar o histórico de
má aplicação dos impostos no Brasil?
Temos que levar em conta que a
corrupção vem da centralização do poder.
E isso só se muda com uma reforma fiscal. É preciso colocar
mais recursos nas mãos dos municípios, porque para o cidadão
é mais fácil vigiar o poder municipal do que o poder federal.
Tenho certeza de que quando houver uma redistribuição
das funções, poderemos diminuir a carga tributária
em 10 pontos porcentuais. O princípio é deixar nas mãos
de cada nível – municipal, estadual e federal – aquilo
que ele souber fazer melhor que os demais. Com isso, a carga tributária
no Brasil não precisará ser superior a 27% do PIB, e teremos
maior qualidade com menor custo, abrindo espaço para a iniciativa
privada finalmente poder decolar. (FJ)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 3 de
abril de 2006 | Economia
TRIBUTOS-No ano passado, brasileiros pagaram
mais de R$ 700 bilhões em impostos
Campanha quer discriminar valor
do imposto na nota fiscal
O brasileiro paga muito imposto, mas não sabe disso. No ano passado,
União, estados e municípios arrecadaram R$ 732,87 bilhões
em tributos, o que equivale a 37,85% do Produto Interno Bruto (PIB).
Um recorde, que deixou para trás os 36,8% de 2004 e faz qualquer
um duvidar que há duas décadas esse porcentual estava
próximo de “discretos” 20%. As cifras, levantadas
pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT),
contrastam com uma pesquisa do instituto Ipsos Opinion, segundo a qual
74% da população nem sequer sabe o que é imposto.
E os que sabem lembram muito mais do IPTU (68%), que incide sobre imóveis,
e do IPVA (28%), cobrado dos proprietários de veículos.
Poucos lembram do Imposto sobre Circulação de Mercadorias
e Serviços (ICMS), embutido em cada produto que se compra, da
margarina ao sabão em pó.
Para reverter esse quadro, um grupo de
entidades capitaneadas pela Associação Comercial de São
Paulo (ACSP) e pelo IBPT trazem amanhã para Curitiba a campanha
“De olho no imposto”, que pretende tornar obrigatória
a inclusão, nas notas fiscais, do valor que o consumidor está
pagando em impostos na compra de cada produto. A idéia é
coletar 1,5 milhão de assinaturas para encaminhar ao Congresso
um projeto que vai regulamentar o parágrafo 5.º do artigo
150 da Constituição – o texto prevê que o
consumidor seja informado sobre os impostos que incidem em produtos
e serviços.
“A partir do momento em que o cidadão, principalmente o
das camadas mais pobres, toma conhecimento do tamanho do desembolso
em impostos, ele passa a exigir melhores condições de
tratamento”, diz Guilherme Afif Domingos, presidente da ACSP.
“Se você fizer as contas, o montante de sua renda que vai
para o pagamento de impostos não vai ficar em menos de 40%. Isso
significa que você trabalha no mínimo 150 dias por ano
para o governo. Como o brasileiro continua a achar que o estado dá
saúde, educação, tudo de graça, acaba não
cobrando o atendimento que merece.” Depois de percorrer 30 cidades
de São Paulo, Afif Domingos fará sua primeira palestra
sobre o assunto no Paraná amanhã, às 10 horas,
na sede do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (Rua
XV de Novembro, 2987).
No site do movimento (www.deolhonoimposto.org.br),
o consumidor pode saber, por meio do Sistema Permanente de Acompanhamento
das Receitas Tributárias – apelidado de “impostômetro”
– o quanto já pagou em impostos desde o início do
ano. O mostrador, que usa uma metodologia criada pelo IBPT, já
ultrapassa a marca dos R$ 208,5 bilhões, o que corresponde a
cerca de R$ 25 mil por segundo – nesse ritmo, o total do ano tende
a ultrapassar os R$ 800 bilhões. Na seção “calculadora
do imposto”, basta preencher alguns dados, como salário
e gastos em saúde, educação e supermercado, para
saber o quanto cada pessoa já recolheu desde o início
do ano.
Na mesma página, o cidadão
pode também aderir ao abaixo-assinado que será encaminhado
ao Congresso. A meta, segundo Afif Domingos, é entregar a proposta
ao Senado até a metade do ano. “No Senado, com bons padrinhos,
multipartidários, acredito que conseguiremos aprovar o texto
neste ano. Na Câmara, ficaria para o ano que vem.”
Fernando Jasper
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JORNAL GAZETA DO POVO, 3 de
abril de 2006 | Economia
JUSTIÇA-Sistema alternativo para a mediação
entre patrões e empregados
Conciliação prévia
evita processo trabalhista
Henri Miléo/Gazeta do Povo
Depois de espera de oito anos, juiz dá baixa na carteira de trabalho
de Vilmar Ávilla em 10 minutos.
Irati – Uma nova fórmula de conciliação,
colocada em prática antes mesmo da abertura do processo judicial,
surge como opção prática e objetiva nas demandas
trabalhistas. Há sete anos, o juiz Carlos Henrique Mendonça
instituiu um sistema alternativo na Vara do Trabalho de Marechal Cândido
Rondon, Oeste do estado, idéia que agora está sendo implantada
em Irati, na Região Central, município para onde foi transferido.
Durante dois dias na semana, ele reúne
trabalhadores que tenham dúvidas e se queixam dos patrões,
atendendo pessoalmente cada um. Em uma conversa informal, ele ouve os
argumentos do trabalhador e já faz um cálculo prévio
do que a pessoa tem direito de receber. “Ela vem sozinha, sem
advogado e conversa com a gente”, explica Mendonça. Após
a reunião, o juiz envia uma carta ao empregador, convidando ele
a comparecer na semana seguinte, também sem a necessidade de
advogado, trazendo documentos e para ouvir sua versão. É
aí que começa o trabalho do juiz, de conciliar as duas
partes envolvidas. “O segredo é nunca juntar na mesma sala
patrão e empregado”, revela.
De acordo com o juiz, o índice de conciliação varia
entre 80 e 87% e diminui para apenas uma semana um conflito que poderia
se tornar um processo e demorar 9 anos para ser julgado. “As pessoas
querem resolver seus problemas com rapidez e simplicidade”, diz
Mendonça. Além disso, o sistema alternativo evita os custos
para patrões e empregados, além de desafogar o número
de processos acumulados pela Justiça do Trabalho. Segundo funcionários
da Vara do Trabalho de Irati, um levantamento apontou que a abertura
de um processo custa para os cofres da União cerca de R$ 1 mil.
Para Mendonça, as reuniões
também servem como uma espécie de consultoria para os
empresários. “Eles aproveitam para tirar dúvidas
e para se organizarem no futuro, não cometendo mais erros que
podem lhe custar uma ação”, diz.
Mesmo com a divulgação
em programas de rádio e em jornais locais, no primeiro dia de
audiências em Irati, na última quarta-feira, apenas uma
pessoa foi conversar com Mendonça. O trabalhador rural Vilmar
Ávilla queria dar baixa em sua carteira para ter direito a sacar
o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Há oito
anos ele era garçom de uma churrascaria em Curitiba, mas desde
que entrou com um processo contra seu antigo patrão não
conseguiu encerrar seu vínculo com a empresa. Em apenas 10 minutos,
a situação do ex-garçom foi resolvida e o próprio
juiz vai dar a baixa na carteira, uma ação prevista na
lei. “Se fosse pelo sistema tradicional, a gente teria que intimar
um representante da empresa. Teria custo de advogado, viagem e demoraria
mais um bom tempo para tudo ser resolvido”, explica o juiz. O
ex-garçom aprovou o novo sistema: “economizei tempo e dinheiro,
pois resolvi rapidamente meu problema”, comemora.
De acordo com Mendonça, a idéia
é que todas as Varas do Trabalho do país usem esse novo
sistema. “É possível fazer, basta apenas querer”,
afirma.
O Tribunal Regional do Trabalho
(TRT) da 9.ª Região, com sede em Curitiba, instituiu uma
comissão de conciliação no órgão
para tentar facilitar acordos entre patrões e funcionários.
O que está em estudo é uma forma alternativa de conciliação
apenas em segunda instância, quando já existe um processo
tramitando na Justiça trabalhista. Esse sistema seria diferente
do adotado pelo juiz Carlos Henrique Mendonça na Vara do Trabalho
de Irati.
Eduardo Biagini
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Matéria Regional para conhecimento
O ESTADO DO PARANÁ, 02 de abril de 2006
Mínimo é o novo desafio
para Requião
Elizabete Castro
No intervalo da apreciação da Emenda 40, que proíbe
o nepotismo e que somente entrará em votação, provavelmente,
depois da Páscoa, a bancada governista vai partir para a ofensiva
a partir desta semana e pressionar pela votação da mensagem
do governador Roberto Requião (PMDB), que implanta o novo salário
mínimo estadual, que varia entre R$ 427 e R$ 437. A discussão
do projeto irá opor, mais uma vez, o Palácio Iguaçu
e o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão
(PSDB), que não admite votar a proposta tão cedo.
O governador já avisou à sua base que não abre
mão de aprovar o novo piso estadual. Por sua vez, a liderança
do governo quer inserir na pauta da Assembléia uma matéria
que considera de mais apelo popular do que o nepotismo, com o argumento
de que enquanto os deputados se dedicam a discutir um tema da moda,
está sendo deixado de lado um projeto que beneficiaria quase
400 mil trabalhadores. "Num país de miseráveis como
esse, dois reais a mais na conta de alguém faz uma diferença
enorme", afirmou um dos interlocutores do governador, acrescentando
que a crítica de que o novo piso pode causar desemprego esmorece
diante dos resultados da gestão de Requião. Conforme o
Palácio Iguaçu, a política fiscal de Requião
criou 280 mil empregos em três anos, contra 39 mil vagas abertas
em oito anos de governo Lerner.
Mas o presidente da Assembléia Legislativa já avisou que,
antes de dar a ordem para a votação do projeto em plenário,
não abre mão de ouvir um punhado de entidades ligadas
a trabalhadores e empresários. "Vou chamar a CUT, a Força
Sindical, a Fiep, a Ocepar e outros segmentos. Quero ouvir todos sobre
o assunto", afirmou Brandão que, já no dia da entrega
da mensagem por Requião, afirmou que tinha dúvidas se
o novo mínimo poderia ser suportado por pequenas e médias
empresas. E estava ao lado de Requião, quando o governador disse
que os trabalhadores é que não suportam mais um mínimo
tão baixo, já que o valor nacional é de R$ 350.
Brandão disse que, antes da Páscoa, não haverá
condição para votar a matéria em plenário.
E que não pretende criar um debate entre as entidades, mas oferecer
a cada uma a oportunidade de expressar sua oposição. "Quero
saber se concordam ou não", afirmou o deputado tucano que,
na semana passada, já teve arranhada suas boas relações
com o governador, após o embate sobre a Emenda 40, de autoria
do deputado Tadeu Veneri (PT) e assinada por outros 25 deputados. O
segundo a assinar foi Brandão.
O presidente da Assembléia observou que, algumas empresas do
setor agropecuário estão dispensando trabalhadores por
conta dos efeitos da gripe aviária que afetou as exportações.
"O mercado interno absorve no máximo 30% da produção
de frango. Temos uma crise e não podemos resolver a questão
do novo mínimo, assim no afogadilho. Temos que ir com calma,
principalmente no momento de muitas demissões", argumentou.
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FOLHA DE LONDRINA, 01 de abril
de 2006
Ações trabalhistas assustam
empregadores
Câmara já protocolou 205 pedidos
de conciliação
Todo empresário, principalmente os donos de micros e pequenas
empresas, fica preocupado na hora de contratar um funcionário.
Além dos encargos sociais, que em alguns casos chegam a 100%
do valor do salário pago ao trabalhador, o empregador teme a
possibilidade de futuras ações trabalhistas. Não
é para menos, a Justiça do Trabalho está abarrotada
de ações.
Somente em 2006 a Câmara de Conciliação
que funciona no Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias
e Contabilidade de Londrina Sescap-Ldr, protocolou 205 pedidos de conciliação
entre patrões e empregados. Em março foram 95 protocolos.
Em Londrina existem outras Câmaras de Conciliação
que tem um movimento parecido.
O presidente do Sescap-Ldr, José
Joaquim Ribeiro, afirma que um dos grandes problemas está na
própria legislação trabalhista, a famosa CLT, que
foi criada em 1943 ainda no governo do presidente Getúlio Vargas.
De lá para cá o sistema de produção e a
economia, de um modo geral, mudaram muito e a legislação
trabalhista não acompanhou as mudanças. ''Hoje a legislação
praticamente só protege o empregado. É preciso que as
empresas também sejam protegidas. Quando uma empresa passa por
dificuldades ou fecha ela elimina postos de trabalho, e ninguém
ganha com isso, ao contrário'', comenta Ribeiro.
Segundo ele, muitas vezes o funcionário
é seduzido a ingressar com uma ação assessorado
por pessoas que querem conseguir vantagem da empresa. A frequência
com que isso ocorre tem deixado os empresários apavorados. Ribeiro
defende que seja estudado uma flexibilização da legislação.
''Se você considerar vai perceber que a legislação
atual não incentiva a criação de vagas no mercado
de trabalho. Muito pelo contrário. De que adianta tanta proteção
se falta emprego?'', analisa Ribeiro.
O advogado Caio Marcelo Rebouças
de Biasi, assessor jurídico do Sescap-Ldr, diz que os empresários
precisam ficar muito atentos para não serem surpreendidos. ''Muitas
vezes o empresário está agindo errado sem saber'', afirma
ele. Biasi comenta, por exemplo, que todas as empresas com mais de 10
funcionários precisam ter cartão ponto para registrar
a entrada e a saída dos trabalhadores. ''Com o cartão
você consegue provar qual foi o momento da entrada e da saída
do funcionário. Sem o cartão ponto, numa eventualidade
de uma ação trabalhista, a prova é testemunhal
ficando mais difícil comprovar o período realmente trabalhado'',
diz Biasi.
Segundo ele, outra situação
que tem se tornado comum é a ação por dano moral
ingressada contra os patrões. Uma pesquisa feita pela Confederação
Nacional da Indústria mostra que no Rio de Janeiro, de cada dez
ações trabalhistas,três pedem indenização
por danos morais. Em 1995, tramitavam no Superior Tribunal de Justiça
181 ações por danos morais. Em dezembro de 2005 esse número
passava de 10 mil.
O advogado Caio Biasi diz que o melhor
caminho para reduzir essas ações é profissionalizar
a relação entre patrão e empregado. Apesar de todos
os encargos sociais é necessário que o empregador registre
todos os seus funcionários e siga corretamente a legislação.
É caro, mas sai mais barato do que enfrentar
ações na justiça.
Da Redação
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FOLHA DE LONDRINA, 02 de abril
de 2006
Conselho facilita uso do FGTS para habitação
Resolução possibilita subsídios
para a compra de material de construção e aquisição
da casa própria
Brasília - O Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS) ampliou, na semana passada, as faixas salariais
para acessar recursos do Fundo, por meio da Resolução
460, que neste ano dispõe de R$ 1,3 bilhão para subsidiar
a construção da casa própria de famílias
de baixa renda. De acordo com as novas regras, serão atendidas
famílias com renda mensal de R$ 350; R$ 1.050 e R$ 1.750. As
quantias anteriores eram de R$ 300; R$ 900 e R$ 1.500, respectivamente.
''O aumento tem a finalidade de adequar-se
ao novo salário mínimo'', explica o ministro das Cidades,
Marcio Fortes de Almeida. O Conselho também determinou a diminuição
de R$ 10% ao ano para 8% ao ano, além da Taxa Referencial de
Juros (TR), usada na correção de contratos imobiliários.
A Resolução 460 possibilita
subsídios com recursos do FGTS para a compra de material de construção
e aquisição da casa própria. Podem pleitear recursos
os governos municipais, estaduais, cooperativas habitacionais, associações
de moradores ou qualquer cidadão, diretamente no balcão
da Caixa Econômica Federal. ''Embora as solitações
possam ser feitas individualmente, nosso esforço é para
que o programa opere por meio das operações coletivas,
que somam os investimentos do Governo Federal e dos governos locais'',
destaca o ministro.
Segundo o ministro, com as parcerias,
que estão sendo chamadas de Operações Estruturadas,
é possível evitar o financiamento, ou seja, a devolução
do dinheiro. Já o mutuário que vai direto ao balcão
assume o financiamento. A proporção de subsídio
e financiamento/contrapartida é feita de acordo com a localidade
e a faixa salarial dos beneficiários.
Da Redação
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FOLHA DE SÃO PAULO, 01 de abril de
2006
ACIDENTE
Prédio de três andares
desaba em cidade no sul da Bahia e deixa nove feridos
Nove pessoas ficaram feridas na madrugada de ontem após o desabamento
de um prédio de três andares em Teixeira de Freitas (820
km de Salvador).
Chovia muito no momento do desabamento. Todos os feridos foram levados
a hospitais e clínicas do município e liberados no final
da manhã.
O primeiro andar do prédio era ocupado por uma clínica
veterinária. Nos outros dois andares, havia oito apartamentos
de dois quartos -com o desabamento, apenas parte das paredes ficou intacta.
Segundo a prefeitura, havia 14 pessoas no prédio no momento do
acidente.
O secretário de Infra-Estrutura da cidade disse que rachaduras
no edifício, causadas pela construção de outro
prédio, provocaram o acidente. As obras foram embargadas. (DA
AGÊNCIA FOLHA, EM SALVADOR)
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
03/04/2006
TST: advogado autônomo não tem
vínculo com o INSS
A contratação de advogados
autônomos para representar judicialmente o Instituto Nacional
do Seguro Social (INSS) é regulamentada pela Lei nº 6.539/78,
que estabelece expressamente a inexistência de vínculo
empregatício com a autarquia. Ainda que um advogado exerça
a atividade por muitos anos, portanto, não cabe o pedido de reconhecimento
de vínculo. Com base nesse entendimento, a Quinta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho deu provimento a um recurso do INSS e julgou improcedente
um pedido neste sentido formulado por uma advogada.
A advogada foi contratada em setembro
de 1978 para prestar serviços ao INSS nos municípios de
São Bernardo e Diadema (SP). Em janeiro de 1981, foi convocada
para atuar em São Paulo, junto à 5ª Vara de Acidentes
de Trabalho. Em junho de 1999, foi dispensada. O pedido de reconhecimento
de vínculo foi negado pela Vara do Trabalho mas reconhecido pelo
Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (2ª Região),
no julgamento do recurso ordinário. O Regional entendeu que a
advogada atuou por mais de vinte anos “como se procuradora fosse”,
e que o trabalhador autônomo “não se submete à
rotina que lhe foi imposta”. Além disso, a contratação,
sendo anterior à Constituição Federal de 88, não
estava condicionada à aprovação em concurso público.
O INSS recorreu ao TST contra a condenação.
O relator do recurso, ministro João Batista Brito Pereira, constatou
ser incontroverso o fato de que a advogada foi contratada em função
da Lei nº 6.539/78. “A Administração Pública
está adstrita ao princípio da legalidade, de sorte que
não se afigura possível reconhecer o vínculo de
emprego com o INSS sob pena de violação do art. 1º
daquela lei”, afirmou o relator em seu voto. “A natureza
da relação jurídica havida entre as partes –
de prestação autônoma de serviços –
é fixada por lei, e seria portanto indispensável a demonstração
de que a contratação NÃO se fez sob o regime daquela
lei.”
Na sessão de julgamento do recurso
de revista, a própria advogada apresentou sua defesa, dizendo
que ao longo dos 20 anos não exerceu outra atividade, atuando
em mais de 24 mil processos como procuradora credenciada do INSS. Alegou
também que na época havia três tipos de contratação
– por concurso, temporária e como celetista – e que
uma contratação por 21 anos “não é
temporária”.
O relator, porém, se disse impressionado
com a pretensão da advogada “após ter exercido por
21 anos a representação do INSS como mandatária
autônoma sem jamais ter-se insurgido contra os termos do contrato
de prestação de serviços autônomos”,
especialmente porque “não se cuida, na hipótese,
de pessoa que possa alegar desconhecimento de sua situação
jurídica”. No seu entendimento, o fato de ter atuado durante
um período na cidade de São Paulo “não pode
ser atribuído a uma ‘convocação’, a
implicar subordinação jurídica”, nem altera
a natureza da prestação do serviço.
Seguindo o voto do relator, a Quinta
Turma, por unanimidade, restabeleceu a sentença de primeiro grau,
que julgou improcedente o pedido de reconhecimento de vínculo.
(RR 2111/1999-027-02-00.0)
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03/04/2006
TST esclarece direito de aidético
demitido à reintegração
A reintegração ao emprego
do portador do vírus HIV só é devida quando comprovada
a natureza discriminatória de sua demissão. Sob esse entendimento,
a Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou, por unanimidade,
recurso de revista a um trabalhador paulista. A decisão do TST
confirmou manifestação do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (com sede na cidade de São Paulo), que
cancelou o retorno do empregado conforme sentença da primeira
instância.
A decisão inicial do processo
foi favorável ao trabalhador que obteve sua volta aos quadros
da Formtap Indústria e Comércio Ltda. A Vara do Trabalho
deferiu-lhe também o pagamento dos salários, férias
acrescidas de um terço, 13º salário e FGTS correspondentes
ao período entre a demissão e a efetiva reintegração.
O TRT paulista, contudo, reformou a sentença.
Baseou sua decisão de acordo com as provas dos autos, em que
não foi demonstrada a discriminação do empregado.
Ao contrário, apurou-se que a demissão teve como causa
dificuldades financeiras da empresa, que também dispensou, simultaneamente,
outros funcionários.
A defesa do trabalhador alegou, no TST,
que a dispensa sem justa causa teria violado dispositivos da Constituição
Federal, inclusive o art. 7º, I, que menciona a proteção
do empregado face à despedida arbitrária, nos termos de
lei complementar.
O relator do recurso, ministro Luciano
de Castilho, esclareceu que os dispositivos constitucionais apontados
não estabelecem, de maneira específica, garantia de emprego
ao doente de AIDS, tampouco tratam de discriminação, que,
inclusive, não ficou provada no processo.
“A garantia de emprego do
empregado portador do vírus HIV, reconhecida pela jurisprudência
do Tribunal Superior do Trabalho, diz respeito à proteção
contra a dispensa arbitrária motivada pela discriminação
oriunda do fato de o empregado ser soropositivo”, explicou o relator.
“Não se aplica na hipótese de dispensa decorrente
de motivo de ordem econômica, oriunda de problemas financeiros
da empregadora, comprovados nos autos”, acrescentou. (RR 54600/2002-900-02-00.0)
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03/04/2006
TST: acordo após condenação
não afasta contribuição ao INSS
A homologação de acordo
judicial entre as partes, ocorrido após o trânsito em
julgado de sentença que condenou a empresa ao pagamento de
verbas ao empregado, não afasta a incidência da contribuição
previdenciária. O entendimento foi manifestado pela Quinta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao deferir recurso de revista
ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, conforme o voto
do juiz convocado Walmir Oliveira da Costa (relator).
A controvérsia decorre de reclamação
trabalhista proposta por um ex-empregado contra a Chocolates Dizioli
S/A na primeira instância paulista. O exame judicial da questão
resultou em condenação da empresa ao pagamento de verbas
salariais, tais como horas extras e o décimo terceiro salário
– que atraem a incidência da contribuição
previdenciária.
Após o trânsito em julgado
da sentença, contudo, as partes firmaram um acordo que teria
como objeto as parcelas de natureza indenizatória. O acerto afastou
a execução judicial e a Justiça do Trabalho paulista
negou o desconto da contribuição ao INSS, uma vez que
o tributo não incidiria sobre verbas indenizatórias.
“O acordo é ato pelo qual
as partes transigem a respeito de direito que lhes são próprios,
não sendo possível que terceiro intervenha na formulação
ou nos efeitos da conciliação”, registrou o Tribunal
Regional do Trabalho paulista ao vedar o recolhimento da contribuição
previdenciária.
A autarquia recorreu ao TST sob a alegação
de violação ao princípio constitucional que prevê
o respeito à coisa julgada (art. 5º, XXXVI). Nesta condição,
o INSS sustentou que a sentença teria se tornado imutável
em relação à incidência da contribuição.
A violação constitucional
foi constatada pela Quinta Turma do TST. Segundo Walmir Costa, uma vez
transitada em julgado a decisão da primeira instância,
essa sentença adquiriu força de lei, não podendo
beneficiar ou prejudicar terceiros (no caso, o INSS). Nesse contexto,
segundo o relator, “não é juridicamente possível,
por meio de acordo judicial, as partes deliberarem em prejuízo
do direito do INSS às contribuições previdenciárias
incidentes sobre verbas salariais”.
A decisão tomada pelo TST
considerou o acordo judicial inválido em relação
às contribuições previdenciárias incidentes
sobre parcelas de natureza salarial. Os autos retornarão à
primeira instância paulista a fim de que os valores devidos ao
INSS sejam objeto de execução. (RR 43900/2002-902-02-40.1)

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