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Folha de São Paulo, 04 de abril de 2006
EUROPA
Crise fortalece Sarkozy, líder do partido governista e forte
rival do premiê Villepin na eleição presidencial
de 2007
Sindicatos querem 1 milhão nas
ruas em atos na França
DA REDAÇÃO
Sindicatos e associações
estudantis da França afirmam que colocarão hoje nas ruas
mais de 1 milhão de pessoas, na quinta "jornada nacional
de protesto" contra a lei do primeiro emprego. A maior passeata
está prevista para Paris, onde 4.000 policiais acompanharão
o cortejo entre as praças da República e da Itália.
Atos de vandalismo praticados por indivíduos isolados renderam
nas manifestações anteriores 2.700 prisões em todo
o país. As greves esparsas atingirão sobretudo o setor
público e as estatais. Não funcionarão escolas
e correios. Os transportes serão medianamente afetados. Deixarão
de circular a metade das composições do metrô parisiense
e 40% dos trens intermunicipais. Greves nas torres de controle poderão
afetar o tráfego aéreo.
Os jornais deixarão de circular
em razão da adesão à greve dos sindicatos dos operários
gráficos. Essa era, ontem, a única grande paralisação
no setor privado. A lei contestada, aprovada há um mês
pela Assembléia Nacional, foi promulgada domingo pelo presidente
Jacques Chirac. Ele no entanto exigiu que ela não fosse aplicada,
antes que deputados e senadores modificassem dois pontos bastante sensíveis.
Trata-se de reduzir de 24 para 12 meses o prazo de vigência de
contratos de trabalho para jovens com menos de 26 anos e de anular o
dispositivo que permitia a demissão não justificada.
Mas as cinco confederações
sindicais, os 11 partidos e grupos de esquerda e as entidades estudantis
querem que a lei seja completamente abandonada. Bruno Julliard, presidente
da Unef, um dos sindicatos estudantis, condicionou o diálogo
com o governo ao engavetamento definitivo do texto original. A contestação
dessa lei, conhecida pela sigla CPE, enfraqueceu Chirac e seu primeiro-ministro,
Dominique de Villepin. E, paralelamente, fortaleceu o ministro do Interior,
Nicolas Sarkozy, que é também o presidente do partido
do governo, a UPM.
Entre domingo e ontem Sarkozy telefonou
às lideranças sindicais e estudantis para se certificar
das concessões a serem feitas. No atual estágio da crise
cabe aos líderes da UPM na Assembléia e no Senado o encaminhamento
das emendas ao texto já publicado. São parlamentares fiéis
a Sarkozy, rival do premiê Villepin como candidato do bloco de
centro-direita às eleições presidenciais de 2007.
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O ESTADO DO PARANÁ
/ INTERNACIONAL, 04 de abril de 2006
Entenda a polêmica sobre a nova
lei trabalhista na França

Estudantes protestaram em várias cidades nas últimas semanas
Estudantes e sindicatos estão realizando protestos desde meados
de março contra uma nova lei trabalhista que dá flexibilidade
para empregadores contratando jovens até 26 anos. Muitos dos
protestos acabaram em violência.
A nova lei, aprovada pela Assembléia Nacional francesa e sancionada
pelo presidente Jacques Chirac no dia 31 de março, facilita contratação
e a demissão de funcionários jovens.
O que a polêmica lei determina?
A lei que cria o Contrato do Primeiro Emprego (Contrat Premiere Embauche,
em francês ou CPE) é parte de uma legislação
trabalhista mais ampla.
O CPE é um novo contrato voltado para jovens de até 26
anos que oferece um período de experiência de dois anos.
Neste período, empregadores podem demitir sem oferecer explicações
ou conceder aviso prévio. Para outros empregados, o período
de experiência geralmente varia entre um e três meses.
Depois do período de dois anos, o CPE é transformado em
um contrato normal de trabalho, com mais estabilidade.
O presidente Chirac propôs reduzir o período de experiência
para um ano e obrigar empregadores a dar uma razão para demissões,
mas estudantes e sindicalistas querem o fim do CPE.
Qual a razão para a introdução
deste contrato?
O presidente francês, Jacques Chirac, e o governo do primeiro-ministro
Dominique de Villepin alegam que o contrato é uma forma de reduzir
o desemprego.
A França é um dos países com a taxa mais alta de
desemprego entre jovens em toda a Europa. Mais de 20% dos jovens na
faixa etária entre 18 e 25 anos estão desempregados, o
dobro da média nacional de desemprego, que é de 9,6%.
Quais são os argumentos a favor
e contra a nova lei?
Villepan argumenta que a medida vai aumentar oportunidades para jovens
trabalhadores, já que muitos deles conseguem apenas contratos
mais curtos de emprego.
Alguns empregadores afirmam que temem contratar novos funcionários
devido a dificuldades para demitir, caso eles não se adaptem
ao cargo ou não sejam mais necessários.
Em uma entrevista a uma revista para jovens, o primeiro-ministro Dominique
de Vileppin disse que é preciso dar uma chance para que a lei
funcione, mas afirmou que a norma pode ser melhorada.
Os críticos da nova lei afirmam que este contrato poderá
tornar ainda mais difícil para que jovens consigam um emprego
permanente e poderá ser usada de forma imprópria por empresas
maiores.
Sindicalistas e estudantes temem que a nova lei gere exploração
dos empregados e pediram medidas diferentes para criação
de empregos.
Os protestos de estudantes estão relacionados aos distúrbios
de rua de 2005?
O desemprego entre jovens e a falta de oportunidades foram apontados
como causas dos protestos violentos nos bairros mais pobres da França
em 2005.
O governo afirma que a nova lei vai ajudar jovens desempregados nessas
áreas, onde as taxas de desempregos nesta faixa etária
chegam a 40%.
O que o primeiro-ministro Dominique de Villepin está arriscando?
Depois dos distúrbios em bairros pobres em 2005, esta é
a segunda crise grave que Villepin precisa enfrentar em seu primeiro
ano no cargo.
O premiê afirma que está preparado para negociar alguns
aspectos, mas já afirmou que não vai revogar a lei.
Villepin ainda conta com o apoio do presidente Jacques Chirac, que pediu
o diálogo, mas insiste que o CPE é "um elemento importante"
na luta contra o desemprego entre jovens.
A questão deve testar ainda mais a liderança de Villepin.
Pesquisas de opinião sugerem que a maioria dos franceses acredita
que o primeiro-ministro, que tem ambições presidenciais,
tratou da reforma de forma desajeitada.
Relatos em jornais franceses afirmam que o principal rival de Villpean
na corrida para a indicação da sucessão de Chirac
no partido do governo, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, estaria
tomando o lugar de Villepan na negociação com os líderes
dos protestos.
Uma pesquisa de opinião divulgada nesta terça-feira, 4
de abril, indica que 55% dos franceses são a favor da anulação
da nova lei.
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Folha de São Paulo,
04 de abril de 2006
TRABALHO
Dado pode ser bandeira em campanha à reeleição
Lula afirma que salário mínimo
já compra o dobro de cestas básicas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva aproveitou seu programa semanal de rádio, o "Café
com o Presidente", para fazer propaganda do governo e disse que
o aumento do salário mínimo de R$ 300 para R$ 350, que
começou a vigorar neste mês, "dobrou o poder aquisitivo
do brasileiro no que diz respeito à cesta básica".
"Quando nós tomamos posse, o salário mínimo
dava para comprar pouco mais que uma cesta básica, por exemplo,
1,3 cesta básica. Hoje, o salário mínimo pode comprar
duas cestas básicas. Um pouco mais até: 2,2 cestas básicas
(...). Esse é um ganho extraordinário, porque significa
que a pessoa está levando para casa mais comida. Portanto seus
filhos vão ter mais sustança para sobreviver dignamente
neste país", disse, num prenúncio do que será
uma de suas bandeiras na campanha à reeleição.
O presidente também comemorou
a correção da tabela do Imposto de Renda em 8% neste ano.
"Pretendemos continuar fazendo as correções que forem
necessárias para que possamos fazer, com a política de
Imposto de Renda, justiça social, ou seja, cobrar mais de quem
ganha mais e favorecer aquelas pessoas que ganham menos", disse
Lula, na mesma linha que costuma usar em seus discursos pelo país.
"Não é justo
que um trabalhador, por fazer uma hora extra a mais no final do mês,
tenha que pagar Imposto de Renda daquele trabalho que ele suou para
ganhar", completou o presidente. Lula aproveitou para criticar,
indiretamente, o governo FHC, que manteve a tabela congelada por anos.
"É um ganho a mais para o trabalhador, sobretudo para o
trabalhador de classe média baixa, sobretudo para os trabalhadores
operários, bancários, porque durante muito tempo não
se fez correção", afirmou.
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Folha de São Paulo,
04 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/REFORMA MINISTERIAL
Presidente compara eleição com a Copa e diz que o "negócio
é jogar para a frente"
Lula empossa seus reservas e pede "coragem"
na campanha
PEDRO DIAS LEITE, EDUARDO SCOLESE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em fala improvisada dirigida a seus novos
ministros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou ontem
o período eleitoral com a Copa do Mundo de futebol e pediu "humildade"
e "coragem" aos recém-empossados para "brigar"
nos nove meses restantes da gestão petista. Em discurso de improviso
no Palácio do Planalto, enquanto ainda tenta esfriar a crise
que culminou na semana passada com a demissão de Antonio Palocci
Filho do Ministério da Fazenda, o presidente sugeriu que os integrantes
de primeiro escalão de governo esqueçam o passado e mirem
suas ações naquilo que virá daqui pra frente. Para
dar esse recado, mais uma vez usou uma metáfora futebolística.
"Não haverá bola atrasada
para o goleiro. Ou seja, no nosso time nós já sabemos
que temos de jogar para o gol do adversário (...) O nosso negócio
é jogar para frente. A nossa defesa é o ataque."
A fala do presidente ocorreu em solenidade de posse dos ministros que
assumem na vaga de titulares que pretendem disputar as eleições
de outubro. O Salão Nobre estava lotado, com cerca de 500 pessoas,
entre parlamentares, funcionários do governo e novos e antigos
ministros. O recado aos novos auxiliares de primeiro escalão
veio ao final de um discurso de 40 minutos, no qual elogiou um a um
aqueles que deixam a Esplanada dos Ministérios. "Nós
precisamos trabalhar mais, muito mais, fazer mais e fazer melhor, porque
nós sabemos o que nos espera", disse.
"O jogo que temos que enfrentar
é mais ou menos igual à Copa do Mundo. Não adianta
dizer que o Brasil é a melhor seleção. Teoricamente
é. Não adianta dizer que o Brasil tem os melhores jogadores.
Teoricamente tem. Se a gente analisar, a gente vai dizer: o Brasil vai
ser campeão do mundo. Todo mundo sabe que Copa do Mundo é
assim. Como todo mundo sabe que a disputa neste país também
não é fácil. Nós temos que ter, daqui pra
frente, pé no chão, muita humildade, mas muita coragem
de brigar, porque nós temos muito ainda a apresentar ao povo
brasileiro", afirmou o presidente.
O pedido de "coragem" para
"brigar" foi dirigido a Orlando Silva (Esporte), Paulo Sérgio
Oliveira Passos (Transportes), Waldir Pires (Defesa), Pedro Brito (Integração
Nacional), Tarso Genro (Relações Institucionais), Altemir
Gregolin (Aquicultura e Pesca), Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário),
José Agenor (Saúde) e Jorge Hage (Controladoria Geral
da União). Lula pediu a eles que "não inventem"
nenhuma "vírgula" nos próximos meses. O presidente
sugeriu que eles coloquem mais lenha para queimar e dêem continuidade
aos projetos deixados por seus antecessores -Agnelo Queiroz, Alfredo
Nascimento, José Alencar, Ciro Gomes, Jaques Wagner, José
Fritsch, Miguel Rossetto, Saraiva Felipe e Waldir Pires, respectivamente.
Ontem pela manhã, separadamente,
Lula se reuniu com cinco desses novos ministros. A alguns deles, secretários-executivos
até ontem, o presidente teve de se apresentar. Segundo a Folha
apurou, Lula disse a eles que José Agenor (sem partido) é
de fato o único ministro interino. Como Lula quer negociar a
Saúde com o PMDB, teve de anunciar outros três como interino
para simular incerteza em outras pasta.
Ontem, em meio a elogios aos antigos
ministros e sugestões de que usem suas ações nas
campanhas eleitorais, Lula encontrou uma brecha para cutucar a imprensa.
Ao se referir ao trabalho de Waldir Pires na CGU, disse que "a
sociedade brasileira ainda não foi informada corretamente pela
imprensa sobre o trabalho da Controladoria Geral da União".
Ao final da solenidade, o vice-presidente Alencar defendeu a nota do
Exército divulgada na última sexta, aniversário
do golpe militar de 1964, na qual exalta a atuação da
Força. "Vi e aprovei [a nota]. É uma exaltação
ao Exército e eu, como brasileiro, exalto o Exército,
como ministro da Defesa. Pude conhecer de perto as três Forças.
São realmente instituições das quais o povo deve
se orgulhar, pelo que elas representam, de trabalho e de comportamento."
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Folha de São Paulo,
04 de abril de 2006
REAL FORTE
Movimento de pulverização das exportações
foi interrompido em 2005; 40 empresas respondem por 43% das vendas
Empresas pequenas deixam de exportar
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No ano passado, o número de micro,
pequenas e médias empresas que abandonaram o mercado externo
ultrapassou o número de empresas desse porte que passaram a exportar.
Pesquisa do Ministério do Desenvolvimento mostra que, entre as
empresas que exportam até US$ 100 mil, 2.593 estrearam no mercado
externo em 2005, mas 3.662 deixaram de exportar, principalmente por
problemas de concorrência, preço e câmbio.
O ministério já havia divulgado
que no ano passado o Brasil registrou saldo negativo no movimento de
empresas que entraram e saíram do mercado externo. No total,
951 empresas pararam de exportar. Segundo a AEB (Associação
Brasileira de Comércio Exterior), ocorreu uma interrupção
da alta no número de empresas exportadoras que começou
em 1997. Para a AEB, a queda é reflexo da desvalorização
do dólar, que torna as exportações menos rentáveis
e atrativas aos pequenos negócios.
O ministério divulgou um novo
levantamento ontem que mostra o perfil das empresas menores que deixaram
de exportar. Do total de desistentes, a maioria, 1.834, é do
ramo industrial. Também foi grande o número de empresas
de comércio e de serviços que deixaram de exportar: 1.391.
As demais empresas se dividem em agronegócios, construção
civil, pessoas físicas e outros setores.
O secretário de Comércio
Exterior, Armando Meziat, disse que no Brasil há 4,5 milhões
de empresas, mas menos de 20% exportam. Em 2005, 17.657 empresas exportaram,
mas o grosso dos embarques está concentrado em 40 grandes companhias,
responsáveis por 43% das vendas.
De acordo com a Funcex (Fundação
Centro de Estudos de Comércio Exterior), apesar de haver cerca
de 6.000 micro e pequenos exportadores, essas empresas respondem por
apenas 2,3% do valor exportado pelo Brasil. Segundo o Ministério
do Desenvolvimento, as pequenas empresas têm mais dificuldade
de manter o cliente externo porque não têm como acumular
prejuízos quando o câmbio está desfavorável.
De acordo com Meziat, 75% das pequenas
e médias empresas que deixaram de exportar em 2005 não
eram exportadores contínuos porque não exportaram em 2002
ou em 2003. "Isso indica que são empresas que ainda estão
se aparelhando para o comércio exterior, portanto, elas ainda
podem voltar para o mercado externo", disse ele. (CLÁUDIA
DIANNI)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 04
de abril de 2006 | Economia
BALANÇA COMERCIAL
Exportações batem
recorde em março
Brasília – As exportações brasileiras encerraram
o mês de março num total de US$ 11,367 bilhões,
o que representou um recorde para qualquer mês do ano. As importações
atingiram US$ 7,686 bilhões e só não foram recorde
também porque ficaram abaixo das compras feitas em agosto de
2005, que somaram US$ 7,689 bilhões. Segundo o Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, com
isso, o superávit da balança comercial em março
alcançou US$ 3,681 bilhões, o melhor resultado da história
para este período do ano.
Quando se observa o acumulado de 2006,
todos os resultados da balança foram recorde. No primeiro trimestre
do ano, as exportações somaram US$ 29,388 bilhões,
as importações, US$ 20,042 bilhões, e o saldo da
balança, US$ 9,346 bilhões.
Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando
Meziat, é preciso destacar que somente as vendas de produtos
manufaturados no primeiro trimestre deste ano cresceram 12,8% em relação
ao mesmo período de 2005. Para ele, isso mostra que os empresários
brasileiros estão buscando exportar cada vez mais produtos de
maior valor agregado, o que gera mais riqueza para o país e mais
empregos.
No acumulado de 12 meses, as exportações
chegam a US$ 123,245 bilhões, o que representa um crescimento
de 20,5% em relação aos 12 meses anteriores. Já
as importações somaram US$ 77,446 bilhões, com
aumento de 17% sobre o período anterior. O superávit da
balança em 12 meses está em US$ 45,799 bilhões.
Armando Meziat destacou também
que com esses resultados a corrente de comércio do Brasil em
12 meses atingiu a marca de US$ 200 bilhões, o que confirma o
nível crescente de abertura da economia brasileira. “O
número mais importante desse resultado são os US$ 200
bilhões na corrente de comércio. Aumentar essa corrente
é o grande objetivo de qualquer país em desenvolvimento”,
disse Meziat.
Ele afirmou que o Brasil deve atingir
com folga a meta de exportações prevista para este ano,
que é de US$ 132 bilhões. O mercado financeiro também
prevê, para 2006, um superávit comercial de US$ 40 bilhões.
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de abril
de 2006
Saiba quem tem direito ao salário
família
Trabalhadores que contribuem com a Previdência Social e que recebem
salários mensais de até R$ 623,44 têm direito a
receber o salário-família. O benefício, pago pela
Previdência, foi instituído pelo governo federal para auxiliar
no sustento dos filhos naturais, adotivos ou enteados de até
14 anos incompletos, de tutelados que não possuem bens suficientes
para o próprio sustento ou inválidos. Quem recebe até
R$ 414,78 deve receber um salário-família de R$ 21,27;
acima deste valor e até R$ 623,44, a cota cai para R$ 14,99.
No entanto, será que esse valor
do salário-família é suficiente para auxiliar no
sustento dos filhos? Por exemplo, um litro de leite integral custa,
em média, R$ 1,10, enquanto o preço de um pão francês
é R$ 0,25. Se o filho toma um litro de leite a cada dois dias
e consome um pão por dia a conta chega a R$ 24. Pelo menos, a
boa notícia é que se o pai e a mãe do menor de
14 anos estiverem na faixa salarial dos que têm direito ao salário
família, os dois podem receber o benefício.
O advogado Ed Nogueira de Azevedo lembra
que têm direito ao salário-família os trabalhadores
empregados ou avulsos e os aposentados, seja por invalidez ou por tempo
de serviço (65 anos para os homens e 60 anos para as mulheres).
Aposentados recebem o benefício junto com o pagamento da aposentadoria.
''Empregados domésticos, contribuintes individuais, segurados
especiais não têm direito ao recebimento do salário-família'',
informa. Para conceder o benefício, a Previdência não
exige tempo mínimo de contribuição.
O advogado explica que empregados
registrados em carteira de trabalho podem solicitar o salário-família
através do seu empregador. Já os trabalhadores que contribuem
com o INSS, mas não têm vínculo empregatício
devem requisitar o pagamento através do seu sindicato de classe,
enquanto os aposentados devem recorrer diretamente nas agências
da Previdência. Para fazer a solicitação do salário
família, os trabalhadores devem apresentar ao INSS a carteira
de trabalho e a certidão de nascimento do filho. Caso o beneficiário
seja maior de 14 anos e inválido, o órgão exige
a apresentação de um documento emitido pela perícia
comprovando a invalidez.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 04 de abril de 2006 | Economia
Custo básico da construção
civil tem deflação em março
Mesmo com a queda, 55 dos 70 insumos pesquisados
tiveram aumento de preço superior ao da inflação
medida pelo IGP-M
Milton F.da Rocha Filho
SÃO PAULO - O Custo Unitário
Básico (CUB) da construção civil paulista apresentou
uma deflação de 0,18% em março, em comparação
a fevereiro. É isso o que aponta o índice oficial do setor,
calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção
do Estado (SindusCon-SP). O índice é responsável
por reajustes nos contratos do setor.
Segundo o estudo, em março, os
preços dos materiais de construção caíram
em média 0,22%, enquanto os custos das construtoras com mão-de-obra
registraram queda de 0,14%.
Com esse resultado, o CUB acumulado no
ano caiu de 0,48% no primeiro bimestre para 0,30% no primeiro trimestre.
E a variação do índice acumulada em 12 meses caiu
de 4,64% no período encerrado em fevereiro para 3,73% no período
encerrado em março.
Em março, o Custo Unitário
padrão da construção civil paulista (H8-2N) foi
de R$ 929,36 por metro quadrado. De um total de 70 insumos da construção,
55 apresentaram em março variação superior ao da
inflação medida pelo Índice Geral de Preços
do Mercado IGP-M, que foi de -0,23% no mês passado.
| Maiores
aumentos de março |
| Produto |
Alta |
Caixa
de passagem com tampa de PVC
Brita 2
Cal hidratada
Tábua de pinho 2ª industrial
Óleo diesel
Tubo de ferro fundido
Telha cerâmica paulista
Azulejo decorado
Tinta a óleo para interiores
Tubo de cobre
|
6,58%
4,83%
4,78%
4,07%
3,91%
3,58%
3,52%
2,50%
1,01%
0,96%
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AQUIDAUANA NEWS / MATO GROSSO
DO SUL, 04 de abril de 2006
Reajuste do salário mínimo
reduz piso da construção civil
Os trabalhadores da construção
civil, que já tiveram um piso equivalente a 2,2 salários
mínimo, estão ganhando agora apenas 1,6 salário
mínimo devido a reajustes maiores concedidos ao salário
mínimo nos últimos anos. Agora mesmo, o mínimo
está ganhando uma injeção de 16%, elevando-o para
R$ 350,00. E isso tem acabado com as conquistas da construção
civil depois de muita luta com a classe patronal.
Diante dessa dura realidade, os trabalhadores
na indústria da construção civil de Campo Grande
estão preparando uma manifestação pública
pelas principais vias da Capital em protesto à política
econômica do governo, responsável pelo achatamento de seus
salários.
Até 1995, segundo o sindicato
da categoria, eles (pedreiros e carpinteiros) ganhavam em média
2.2 salários mínimos, que equivaleriam hoje (com o salário
a R$ 300,00) a R$ 660,00 e devido à política diferenciada
do governo para o reajuste do mínimo e o índice de inflação,
que serve de parâmetro para as demais negociações
salariais, o vencimento dos trabalhadores na construção
civil caiu para 1.6, que equivale a R$ 486,00.
Revoltado com esse quadro, que tem sido
motivo de muita reclamação na classe, a diretoria do Sindicato
dos Trabalhadores na Indústria da Construção e
do Mobiliário de Campo Grande - Sintracom decidiu ir para as
ruas para mostrar para a opinião pública o problema que
tem prejudicado milhares de famílias não só de
Campo Grande, mas de Dourados, Três Lagoas, Corumbá e dezenas
de outras cidades onde vigoram pisos salariais.
O presidente do sindicato, Samuel da
Silva Freitas reuniu-se com os diretores Castelo Gonçalves Blanco,
Carlos Alberto Martins e José Manoel Vera Jacques. Eles decidiram
fazer uma concentração na área central com serviço
de som e distribuição de panfletos mostrando a indignação
do trabalhador com a política de achatamento salarial do governo.
O movimento já tem o apoio da
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria
que também participará dessa atividade em Mato Grosso
do Sul. Samuel da Silva Freitas disse que a CNTI já constatou
o mesmo problema em todo o País e esse achatamento atinge também
os aposentados que estão tendo seus vencimentos reduzidos a cada
ano.
SOLUÇÃO
A diretoria do Sintracom sugere que o
governo autorize o mesmo índice estabelecido para o salário
mínimo, para as categorias que ganham acima do mínimo
conforme se estabelece em convenções coletivas de trabalho.
Caso contrário, o achatamento será uma constante, até
chegar a um ponto em que todos receberão apenas um salário
mínimo, o que é inconcebível, segundo Samuel. "Nossos
esforços para valorizar o trabalho de nossos operários
estão indo pelo ralo. Hoje, ao ganhar apenas 1.6 salário
mínimo, representa uma perda de 37,5% do que nosso setor já
ganhou até 95", explica o líder sindical.
O diretor Carlos Alberto informou que essa perda representa hoje R$
174,00 mensais de perda. "É um dinheiro muito significativo,
que perfaz quase R$ 2.500,00 no ano se considerarmos as perdas sobre
o décimo terceiro salário e as férias", informa.
Castelo Gonçalves Blanco, diretor
tesoureiro, explicou que enquanto os sindicatos conseguem reposição
salarial baseado apenas nos índices maquiados da inflação,
estabelecidos pelo governo, que gira em torno de 6%, o reajuste do mínimo,
que têm muito interesse político tanto por parte do Executivo
como do Legislativo, é sempre superior a 15%.
Agora mesmo, ao estabelecer o novo
mínimo em R$ 350,00 o governo concedeu 16% de reajuste contra
6% conseguidos pela maioria dos sindicatos de trabalhadores no Brasil.
"O governo precisa estabelecer o mesmo indexador", reforçou
Castelo Blanco.
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GAZETA DE LIMEIRA, 04 de
abril de 2006
Sindicato suspeito convoca, mas não
realiza assembléia
A Polícia Civil passa a apurar
irregularidades na fundação de um sindicato, que marcou
uma assembléia na manhã de ontem e não realizou.
Representantes de dez sindicatos de Limeira e Região compareceram
à Assembléia e alegam direitos prejudicados com o possível
novo sindicato.
A assembléia foi anunciada em
um edital publicado na edição do Jornal da Tarde de 24
de março. Nele, consta uma convocação para todos
os trabalhadores de armazéns gerais e logística do estado
para a realização de uma assembléia para a fundação,
aprovação de estatutos e eleição de posse
e diretoria do novo sindicato, o Sintralesp.
O endereço publicado no edital é da Rua Daniel Batista
de Oliveira, 669, no Jardim Barão de Limeira. Os responsáveis
pelo edital seria uma comisão organizadora formada por três
pessoas. Ao tomar conhecimento do edital, o presidente do Sindicato
dos Motoristas de Transporte de Carga de Osasco e Região (Simtratecor),
Carlos Alberto Quissi, entrou em contato com representantes de sindicatos
da região de Limeira, alegando que o novo sindicato estaria apropriando
a base de atuação do Simtratecor e de outras centrais
sindicais da região.
Na manhã de ontem, representantes
de sindicatos limeirenses compareceram ao local indicado, uma residência.
No local, foram atendidos pelo morador, que afirmou ser cunhado de um
integrante da comissão organizadora do suposto sindicato e negou
a existência da assembléia.
Segundo João Botelho, advogado
do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de
Limeira, o setor de atuação do novo sindicato estaria
violando a base de atuação da central limeirense. “Não
podemos deixar surgir um novo sindicato se já existe um registrado
e que oferece toda a base de defesa necessária para garantir
os direitos desses trabalhadores”.
ASSINATURAS
Com a inexistência da assembléia,
os representantes sindicais formalizaram uma ata de reunião para
oficializar não-cumprimento da fundação do sindicato.
Ao todo, 58 assinaturas foram colhidas. “É nossa sustentação
jurídica no caso”. Segundo Artur Bueno de Camargo, presidente
do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação
de Limeira, não haveria motivos para existência do sindicato.
“Isto é prejudicial ao trabalhador, porque não há
garantias de que seus direitos vão ser defendidos”.
Camargo afirma que, apesar de a preponderância
por direito da empresa escolher, a área de atuação
do suposto sindicato estaria interferindo bases sindicais da cidade.
O presidente do Sindicato dos Empregados
do Comércio de Limeira (Sinecol), Paulo César da Silva,
afirmou que há a invasão de base. “Nosso sindicato
já oferece apoio aos trabalhadores do comércio da cidade”.
O proprietário da residência
onde ocorreria a assembléia não foi localizado até
o fechamento desta edição para comentar o caso. (RS)
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JORNAL
O POVO / FORTALEZA, 04 de abril de 2006
REAJUSTES EM 2005
Salários conseguem recuperar inflação
Desde 2004, as negociações salariais
no Brasil vêm apresentando resultados cada vez mais positivos do
ponto de vista da reposição das perdas inflacionárias
para o trabalhador
Adriana Albuquerque
da Redação
Em 2005, 71,2% dos acordos e convenções
coletivas de trabalho realizados no Ceará resultaram em reajustes
salariais iguais ou maiores que a inflação registrada
pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC), calculado
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No Brasil, esse número foi de 87,8%. O levantamento foi divulgado
ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Sócio Econômicos (Dieese).
De acordo com Reginaldo Aguiar, supervisor
técnico do Dieese no Ceará, o resultado das negociações
salariais em 2005 mostra algumas conquistas. "Com o passar do tempo
e os níveis inflacionários mais baixos, as categorias
estão discutindo mais o ganho real e não só a reposição
salarial", observa.
Ele lembra que 2003 teve um dos piores
desempenhos no tocante às negociações. "Mais
da metade das categorias não conseguiu sequer repor a inflação
medida pelo INPC. Em 2004, porém, esse quadro foi melhorando
e 2005 vem confirmando essa tendência", constata.
Na distribuição de reajustes
por setor no Ceará, o comércio foi destaque ao conceder
aumento igual ou maior que a inflação em 100% dos acordos
e convenções coletivas de trabalho em 2005. Na indústria,
esse número foi de 72,4%. O setor de serviços, por sua
vez, foi o que apresentou os piores números para os trabalhadores:
apenas 62,5% das negociações salariais resultaram em reajuste
igual ou maior que a inflação. Ou seja, 37,5% das categorias
envolvidas tiveram reajustes menores do que índice inflacionário.
Revelando que o Ceará segue outra
tendência nacional, o levantamento mostra que 44,1% das categorias
no Estado têm data-base no mês de maio. Janeiro vem em seguida
(25,4%), depois março (10,2%), abril (6,8%) e setembro (1,7%).
Os dados nacionais do levantamento apontam ainda que 16% dos reajustes
salariais no ano passado corresponderam exatamente ao INPC até
a data-base das categorias envolvidas nas negociações.
Para 35% dos acordos o ganho real foi de 1% e em 37% dos casos as negociações
resultaram em reajustes de mais de 1% acima da inflação.
No caso de 12% dos acordos, no entanto, a correção ficou
abaixo do INPC até a data-base das categorias.
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DIÁRIO DO NORDESTE,
04 de abril de 2006 | Cidade
Trabalhadores informais na busca de um
sonho
Há um ano e quatro meses Maria
do Socorro Aquino vem participando de reuniões do MLB, na esperança
de conseguir moradia digna. Ela mora com o marido, três filhos
e uma neta em casa de aluguel. São três quartos, sala e
cozinha, ainda sem reboco, no valor de R$ 140,00, no bairro Henrique
Jorge.
Como manicure, chega a tirar em média
R$ 100,00 por mês. O marido é motorista e não tem
trabalho fixo. A única renda certa da casa é de uma das
filhas, que tem aposentadoria especial, no valor de um salário
mínimo.
Socorro participou da ocupação
e já fez seu cadastro. “Sei que posso receber uma casa
com apenas um quarto, mas pelo menos não vou estar pagando aluguel
e vai sobrar dinheiro para minha família viver em paz. Nós
estamos batalhando é por uma moradia digna. Aqui não tenho
nem uma casa terminada”, diz.
Maria José Nascimento Ferreira
também esteve na ocupação. Como trabalha o dia
todo, na quinta-feira foi impedida pelos policiais de retornar, à
noite, ao prédio do INSS. Mesmo assim, o MLB garantiu que ela
fará o cadastro hoje, junto com as outras famílias que
estão faltando.
Empregada doméstica, ganha R$
240,00 por mês, paga R$ 60,00 de aluguel e sustenta o filho de
12 anos sozinha. “Tenho outra filha de 14 anos que mora com minha
mãe. Não tenho ajuda do pai deles e o financiamento da
casa própria é muito caro para mim”, afirmam.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
04 de abril de 2006
Quebra de sigilo fiscal pode ser autorizada
para pagamento de dívida trabalhista
Na execução definitiva
do processo trabalhista, a Justiça do Trabalho pode determinar
a quebra de sigilo fiscal de sócio de empresa na busca de patrimônio
suficiente à liquidação da dívida. Este
entendimento foi firmado pela SDI (Seção especializada
em Dissídios Individuais) do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho
de São Paulo), no julgamento de um mandado de segurança
impetrado por um sócio da empresa Farmácia Homeopática
Center.
Segundo a assessoria de imprensa do TRT-SP,
uma ex-empregada da farmácia ganhou, na 76ª Vara do Trabalho
de São Paulo, direito de receber verbas e indenizações
trabalhistas. Como a empresa encerrou as atividades e o débito
com a reclamante não foi quitado, o juiz da vara determinou o
bloqueio on line das contas bancárias dos sócios da farmácia.
Ainda assim, não foram encontrados
valores suficientes para a liquidação do processo. Por
conta disso, o juízo de 1ª instância determinou a
expedição de ofício à Receita Federal solicitando
informações sobre os bens do sócio majoritário
do negócio, para eventual penhora.
Por entender que a determinação
representava quebra de sigilo fiscal, o empresário entrou com
um mandado de segurança no TRT-SP, sem obter sucesso.
De acordo com o juiz Delvio Buffulin,
relator do mandado no tribunal, a execução do processo
visa "o cumprimento da efetividade da sentença, orientado
pelos princípios da celeridade e economia processual, incumbindo
ao juiz zelar pelo rápido andamento do feito, conforme os artigos
765 e 878 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)".
Para o relator, o fato de nenhum valor
ser encontrado nas contas bancárias do impetrante, da empresa
ou de seus demais sócios, "por si só já autoriza
a quebra do sigilo fiscal na busca de patrimônio que satisfaça
o pagamento do crédito exeqüendo".
Por unanimidade, os juízes
da SDI acompanharam o voto do juiz Delvio Buffulin e mantiveram a quebra
do sigilo fiscal do empresário.
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CONSULTOR JURÍDICO,
04 de abril de 2006
Vínculo de emprego
TST enquadra empregado de associação
como bancário
Empregado de associação
de bancos é bancário. O entendimento é da 1ª
Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros enquadraram como
bancário um empregado da Asbace — Associação
Brasileira dos Bancos Estaduais e Regionais. A entidade sustentava no
recurso que a associação não exercia atividade
bancária, mas sim de prestação de serviço.
O ex-empregado atuava como digitador
e fazia compensação de cheques. Ele trabalhava no centro
regional da Asbace em Goiânia e, depois da demissão, entrou
com reclamação trabalhista, pedindo direitos e benefícios
próprios das Convenções Coletivas de Trabalho firmadas
pelo Sindicato dos Bancários.
Para se defender, a Asbace alegou que
é uma associação de bancos estaduais, sem fins
lucrativos, e que não desempenharia atividades-fim dos bancos.
Porém, o argumento não se sustentou porque foi constatado
que a Asbace exerce “atividades de processamento eletrônico
de documentos, compensação de cheques e outros papéis
e retaguarda administrativa e operacional de seus associados”.
Assim, o trabalhador saiu vitorioso,
tanto na primeira como na segunda instância. O Tribunal Regional
do Trabalho da 18ª Região (Goiás) concluiu que, embora
“o objeto social” da Asbace seja “representar e promover
os interesses e fortalecer institucionalmente os bancos estaduais e
regionais, públicos e privados, perante as autoridades públicas,
órgãos de classe, sociedade civil organizada e comunidade
em geral”, a associação exerce atividades como “processamento
eletrônico de documentos, compensação de cheques
e outros papéis e retaguarda administrativa e operacional de
seus associados”.
A 1ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho manteve a decisão. O relator do recurso, ministro
João Oreste Dalazen, observou que o serviço de compensação
bancária compõe o núcleo de atividades tipicamente
bancárias. O ministro acrescentou que a Fenaban considera como
atividade especificamente bancária a compensação
de cheques e outros papéis.
O relator também se reportou à
legislação (Lei de Greve) que enquadra a compensação
bancária entre os serviços essenciais. Dalazen lembrou
ainda que a própria Asbace admitiu no processo que, constituída
e dirigida por bancos, é representada nas convenções
coletivas da categoria pelo sindicato de seus associados.
RR 609/2002-008-18-00.1
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FOLHA DE SÃO PAULO,
04 de abril de 2006
CAPITALISMO VERMELHO
Políticas governamentais para
desenvolver campo e mudanças demográficas elevam salários
Escassez encarece mão-de-obra na
China
Eugene Hoshiko/Associated Press
Trabalhadores montam sapatos em Wenzhou, na China; indústria
tem escassez de mão-de-obra
DAVID BARBOZA
DO "NEW YORK TIMES"
A constante falta de mão-de-obra
em centenas de fábricas chinesas levou especialistas a concluírem
que a economia está sofrendo uma profunda mudança que
vai afetar o mercado global de bens industrializados.
A escassez de trabalhadores está provocando o aumento de salários
e fazendo crescer a classe média do país, o que poderá
tornar os produtos chineses menos baratos. Fabricantes já falam
em mudar fábricas para países de menor custo, como o Vietnã.
Na fábrica da Well Brain em Shenzhen, uma das zonas econômicas
especiais da China, as mudanças são claras. No último
ano, a empresa de médio porte que produz pequenos aparelhos eletrônicos
como enroladores de cabelo, cafeteiras e bandejas elétricas aumentou
os salários, melhorou os benefícios e até enviou
recrutadores para encontrar trabalhadores na zona rural.
Esse tipo de comportamento era inédito até três
anos atrás, quando milhões de jovens ainda afluíam
a Shenzhen em busca de qualquer tipo de trabalho.
Alguns anos atrás, "as pessoas apareciam na porta",
disse Liang Jian, gerente de recursos humanos da Well Brain. "Agora,
colocamos um anúncio procurando cinco pessoas, e talvez apareça
uma."
Apesar das queixas dos donos de fábricas, porém, a situação
tem um lado positivo para os membros da maior força de trabalho
do mundo. Economistas dizem que a falta de pessoal está levando
empresas a melhorar condições de trabalho e a recrutar
trabalhadores de maneira mais agressiva.
As mudanças também sugerem que a China pode estar subindo
na escala econômica, enquanto os trabalhadores vêem outras
oportunidades além de ser montadores não-capacitados.
O aumento dos salários também pode levar os consumidores
chineses a comprar mais produtos de outros países, ajudando a
equilibrar os superávits comerciais do país.
"A próxima grande história na China é como
eles vão sair dos produtos baratos: brinquedos, têxteis
e equipamentos esportivos", diz Jonathan Anderson, economista da
UBS em Hong Kong. "Eles vão fazer coisas diferentes."
Escassez
Quando houve períodos de escassez de mão-de-obra no final
de 2004, os líderes do governo os consideraram anomalias passageiras.
Mas agora eles dizem que o problema provavelmente será mais persistente.
Especialistas dizem que a escassez está aumentando porque a economia
chinesa está superaquecida, porque os incentivos fiscais ajudaram
a manter pessoas trabalhando no campo e porque as fábricas continuam
se expandindo enquanto o número de jovens chineses começa
a se nivelar.
A prosperidade também avança para o interior, e trabalhadores
que antes poderiam ter migrado para outros lugares permanecem mais perto
de casa.
Embora as estimativas sejam difíceis de verificar, os dados oficiais
sugerem que as principais indústrias exportadoras estão
procurando pelo menos 1 milhão de novos trabalhadores, e o número
real poderia ser muito maior.
"Estamos vendo o fim do período de ouro da mão-de-obra
extremamente barata na China", disse Hong Liang, economista do
Goldman Sachs.
"Há muitos trabalhadores, mas a oferta de não-especializados
está diminuindo."
Por causa dessa escassez, os níveis salariais na indústria
da China estão subindo, ameaçando em algum momento enfraquecer
a competitividade chinesa nos mercados mundiais.
Alguns analistas, porém, discutem o significado dessa escassez.
"Os relatos de escassez de trabalhadores fabris não-capacitados
e semicapacitados são exagerados", disse Andy Rothman, analista
do banco CLSA. "Mas as companhias estão tendo dificuldade
para encontrar pessoal experiente para preencher cargos de gerência
média e sênior."
Em Shenzhen, uma das primeiras cidades a se beneficiar das reformas
econômicas do país, diretores de fábricas dizem
que encontrar trabalhadores de baixo custo está mais difícil
que nunca.
Política governamental
A política do governo está tendo um papel na criação
da escassez de mão-de-obra no litoral. Ao tentar diminuir a diferença
de renda entre os ricos urbanos e os pobres rurais na China, o governo
eliminou no ano passado o imposto agrícola e também reforçou
iniciativas para desenvolver economias locais em Províncias pobres
do interior.
Hoje, mesmo áreas remotas começam a se desenvolver. Isso
está criando empregos no centro do país e oferecendo alternativas
para jovens que antes eram obrigados a viajar milhares de quilômetros
em busca de empregos.
Segundo a Goldman Sachs e outros especialistas, o começo de uma
mudança demográfica já está reduzindo o
número de jovens entre 15 e 24 anos, que formam grande parte
da força de trabalho migrante. De forma semelhante, o número
de mulheres entre 18 e 35 anos começou a cair neste ano.
As mulheres são importantes porque as fábricas chinesas
gostam de contratar mulheres do campo, que se dispõem a migrar
por períodos de três a cinco anos para ganhar dinheiro
e voltar para casa com economias e a esperança de encontrar um
marido.
A política de filho único da China também está
agravando a escassez. A primeira geração de jovens nascidos
sob essa política está saindo da educação
secundária, e muitos vêem oportunidades que não
existiam na geração anterior.
Muitos vão para a faculdade para não ter de trabalhar
em fábricas. No ano passado, as universidades chinesas matricularam
14 milhões de estudantes, contra cerca de 4,3 milhões
em 1999.
Como conseqüência disso, os fabricantes já começam
a procurar outros lugares para produzir. "Muitas companhias estão
se mudando para Wuhan, Chongqing e Hunan", disse Hong, ao citar
cidades do interior da China. "Mas Vietnã e Bangladesh também
estão lucrando. Estamos investindo com força no Vietnã."
Tradução de Luiz Roberto
Mendes Gonçalves
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
04/04/2006
TST discute ônus da prova em pedido
de licença-paternidade
A Primeira Turma do Tribunal Superior
Trabalho manteve decisão em que foi assegurada licença-paternidade
a trabalhador, apesar da alegação de que ele comunicou
ao empregador o nascimento do filho quando já havia passado o
prazo para a concessão do benefício. A Turma negou provimento
ao recurso da Cepalv Celulose e Papel Ltda e confirmou decisão
do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas (15ª Região),
segundo a qual caberia à empresa provar que a comunicação
foi extemporânea.
No recurso, a Cepalv insistiu que caberia
ao empregado comprovar o direito à licença de cinco dias.
Porém, o relator, juiz convocado Guilherme Bastos, afirmou que
houve, por parte do TRT, correto enquadramento jurídico à
questão.
De acordo com decisão do Tribunal
Regional, além de não provar que a comunicação
do nascimento do filho foi feita fora do prazo, pela ficha do empregado,
constatou-se que a empresa tinha conhecimento do nascimento do filho
dele. “A falta de comunicação oportuna não
é verossímel, pois para efeito de recebimento de salário-família
e dependência previdenciária, é necessário
o conhecimento do departamento pessoal da empresa”, registrou.
(AIRR 736495/2001)
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04/04/2006
Empresa é absolvida por usar vídeo
com palestra de ex-empregado
A Justiça do Trabalho negou pedido de indenização
por danos morais e materiais feito por um supervisor de venda em reclamação
trabalhista contra o ex-empregador. A Spaipa –Indústria
Brasileira de Bebidas, onde trabalhou até 1999, utilizou, em
programas de treinamento de vendedores, gravação na qual
aparece dando palestra, o que o levou a alegar uso indevido de imagem,
com a “exploração clandestina e não-autorizada
de imagem”, especialmente agravada pelo fato de trabalhar para
empresa concorrente.
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho negou provimento ao recurso (agravo de instrumento), confirmando
sentença de primeiro grau e decisão do Tribunal Regional
do Trabalho de Campinas (15ª Região) que haviam julgado
improcedente o pedido de indenização. Na petição
inicial da ação, o supervisor de venda pediu 100 salários
mínimos por dano moral e R$ 27.240,00 por dano material.
Se a gravação foi feita
na vigência do contrato de trabalho, sem comprovação
de ter havido coação do empregador para a gravação,
sem que tenham sido comprovados abalo íntimo ou danos à
sua imagem social (honra objetiva), não houve violação
ao princípio constitucional (art. 5º, X) da inviolabilidade
à intimidade, à honra e à imagem de pessoas, concluiu
o relator do recurso, juiz convocado Guilherme Bastos.
De acordo com o TRT-15ª Região,
o supervisor de venda admitiu ter concordado em realizar a gravação
da fita. “Ademais, tinha plena ciência de que a fita seria
divulgada para treinamento de vendedores”. Na decisão,
o Tribunal Regional também ressalta que os requisitos para configurar
o dano moral não estão presentes no caso, como , por exemplo
“a diminuição de um bem jurídico ou moral
de determinada pessoa”. “Até porque a exibição
da fita apenas demonstraria os excelentes conhecimentos do recorrente
(supervisor) na área de vendas”.‘ (AIRR 766/2001)

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