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Diário Vermelho, 6 de abril de 2006
Dieese cria site para trabalhador comparar
salário
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos
(Dieese) criou o site meusalario.org.br para que o trabalhador brasileiro
possa comparar seu salário com a média internacional,
como já ocorre em outros países. O programa, que é
coordenado pela Fundação Wage Indicator, de Amsterdã,
já existe no mercado internacional e foi iniciado pela Holanda
em 2000. No Brasil, o site está disponível em fase experimental.
O Departamento Intersindical de Estatística
e Estudo Socioeconômicos (Dieese) criou o site meusalario.org.br
para que o trabalhador brasileiro possa comparar seu salário
com a média internacional, como já ocorre em outros países.
O programa, que é coordenado pela Fundação Wage
Indicator, de Amsterdã, já existe no mercado internacional
e foi iniciado pela Holanda em 2000. No Brasil, o site está disponível
em fase experimental. O projeto no país será financiado
pela fundação. "Depois deste período o programa
será auto-sustentado", afirmou a diretora da fundação,
Paulien Osse.
A entidade já investiu R$ 4 milhões ao longo dos últimos
cinco anos de existência do projeto, hoje presente em dez países
da Europa, além da África do Sul, Coréia do Sul,
Estados Unidos, Hungria e Índia e agora no Brasil. Os recursos
são financiados por sindicatos, Ministério do Trabalho
e chancelarias internacionais que estão envolvidas em exportações
de produtos. O projeto "Meu Salário" é um conjunto
de websites internacionais, mantidos e alimentados por entidades sindicais,
universidades e institutos de pesquisa.
O presidente do Dieese, Clemente Granz Lúcio, afirmou que foram
cinco meses para concretizar o programa no país. Segundo ele,
a base de dados do site no Brasil é de 2004, com números
atualizados. O banco de dados será abastecido com informações
da Relação Anual de Informações Sociais
(Rais) do Ministério do Trabalho. Paulien declarou que o site
oferece informações importantes a sindicatos e trabalhadores
e pode ajudar nas negociações salariais com empresas internacionais.
"As experiências mostram que os sindicatos holandeses estão
aumentando a filiação", afirmou.
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Diário Vermelho, 6
de abril de 2006
Mundo enfrente crise de emprego sem precedentes,
alerta OIT
O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), o chileno Juan Somavia, alertou que o mundo atravessa uma crise
de emprego sem precedentes que afeta todas as sociedades. No encontro
Fórum da Nova Sociedade, Somavia lembrou que, embora na última
década o emprego mundial tenha crescido 25%, a metade dos trabalhadores
do mundo é pobre, vive com menos de US$ 2 por dia, não
tem acesso aos sistemas de proteção social e está
empregada na economia informal.
O diretor-geral da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), o chileno Juan Somavia, alertou que
o mundo atravessa uma crise de emprego sem precedentes que afeta todas
as sociedades. No encontro Fórum da Nova Sociedade, Somavia lembrou
que, embora na última década o emprego mundial tenha crescido
25%, a metade dos trabalhadores do mundo é pobre, vive com menos
de US$ 2 por dia, não tem acesso aos sistemas de proteção
social e está empregada na economia informal (90% na Índia
e 60% na América Latina).
Somavia afirmou que a situação
"acabará afetando todas as sociedades", porque os trabalhadores
dos países sem emprego buscam saída nos países
mais desenvolvidos. Os trabalhadores do primeiro mundo também
sofrem com a degradação de suas condições
de trabalho, sobretudo a precarização e a "desvalorização"
do trabalho, que se traduz em "desconfiança" e em uma
"perda de credibilidade" dos cidadãos nas instituições
e nos líderes políticos.
Venezuela e Bolívia
A crise, disse o diretor-geral do organismo ligado às Nações
Unidas (ONU), "é notada nas urnas e nas ruas", e em
países tão diferentes como Venezuela, Bolívia e
França, que estão reagindo à situação
e, cada um em sua medida, exigem melhores condições de
emprego. Para Somavia, os novos governos da Venezuela e da Bolívia
são resultado do fracasso das alternativas anteriores mais conservadoras
e que não solucionaram os problemas das pessoas. Por isso, a
vitória de Evo Morales, segundo ele, é "uma grande
oportunidade para a Bolívia", que tem que comemorar o fato
de que seu dirigente é um indígena que representa a maioria
dos cidadãos do país.
No caso da França, explicou Somavia,
a degradação do emprego se traduz em uma luta entre gerações,
em descontentamento social, instabilidade, incerteza e confusão
da classe média, que é a que mantém a estabilidade
de um país. Para o diretor-geral da OIT, embora não existam
"receitas mundiais" contra a crise do emprego, os governos
deveriam buscar, com sua política, "a criação
de empregos dignos e de qualidade". Somavia pediu mais coordenação
entre os organismos internacionais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário
Internacional (FMI), para evitar "a atual disfunção
na solução de problemas".
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Diário Vermelho, 6
de abril de 2006
Franceses bloqueiam ruas e trens em novo
protesto contra lei antitrabalhista
Novos protestos irromperam hoje pelas ruas e estradas de ferro da França,
contra a adoção do novo Contrato do Primeiro Emprego no
país, lei antitrabalhista que permite aos empregadores demitir
jovens até 26 anos sem quaisquer direitos trabalhistas. Trabalhadores
e estudantes exigiram que o parlamento considere um projeto anulando
a CPE e a CNE, leis que vigoram no país há pouco tempo.
Manifestantes bloquearam ruas,
linhas de trem e serviços de entrega nesta quarta-feira na França
para exigir a revogação do Contrato do Primeiro Emprego
(CPE). Os protestos acontecem no mesmo dia em que líderes sindicais
se reunirão com parlamentares para tentar contornar a crise.
Em Nantes, manifestantes bloquearam o tráfego no centro comercial
da cidade por cerca de três horas. Em Toulouse (sul), caminhões
dos correios foram barrados. Na cidade alpina de Chambery, estudantes
bloquearam linhas de trens, segundo a rádio Europe-1. De acordo
com a polícia, 383 manifestantes foram presos na capital, onde
34 pessoas — entre elas, quatro policiais — ficaram levemente
feridas. Outras 243 pessoas foram detidas em toda a França.
Doze sindicatos de trabalhadores e uniões de estudantes contrários
ao Contrato do Primeiro Emprego (CPE) pediram hoje que o parlamento
francês coloque em votação uma nova proposta de
lei para anular a lei antitrabalhista ainda antes do próximo
dia 17. Em declaração conjunta, os trabalhadores unidos
contra o CPE declararam que a condição para o início
das negociações sobre uma nova lei sobre emprego e formação
dos jovens é que o Parlamento revogue o CPE antes do feriado
da Páscoa. Os trabalhadores e estudantes revelaram também
que estão dispostos a continuar com a mobilização
"sem excluir nenhum meio de ação".
Na proposta, se juntaram também aos trabalhadores e estudantes
também se juntaram o Partido Comunista e outras forças,
como o Partido Socialista, de centro e a principal força da oposição.
O PCF defende a extinção do CPE e do Contrato do Novo
Emprego, que é idêntico ao CPE, só que vale para
todas as idades. CNE, que entrou em vigor em agosto, tem a mesma filosofia
que o CPE — a demissão sem justificativa é possível
nos dois primeiros anos de experiência —, mas afeta todas
as idades e se aplica apenas a empresas com menos de 20 empregados.
A proposta para revogar o CPE deve ser votada antes do dia 17, pois
o Parlamento entra em recesso por duas semanas depois do feriado. No
entanto, os trabalhadores e estudantes tornaram a destacar, na nota
conjunta, que encontrarão os parlamentares da UMP "não
para negociar melhoras no CPE, mas para obter sua revogação".
Acompanhados pelos ministros de Coesão Social, Jean-Louis Borloo,
e do Emprego, Gérard Larcher, os parlamentares da UMP devem receber
nesta quinta-feira os representantes das organizações
de estudantes. Após estes encontros, os parlamentares se reunirão
com os líderes das patronais francesas.
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Nova Central, 06 de abril
de 2006
Apenas 19% dos vereadores possuem ensino
superior, aponta pesquisa
Um censo produzido a pedido do Senado Federal em todas as Câmaras
Municipais do país apontou que 41% dos vereadores têm apenas
o ensino fundamental. A pesquisa foi feita pelo Interlegis, um programa
desenvolvido pelo Senado Federal, em parceria com o Banco Interamericano
de Desenvolvimento (BID). Os dados do 1º Censo do Legislativo,
divulgados nesta quarta-feira, mostram que 18% dos vereadores não
têm sequer o ensino fundamental --14% cursaram os primeiros anos
e 4% não freqüentou a escola (mas sabem ler e escrever).
Outros 40% dos vereadores concluíram somente o ensino médio.
O ensino superior foi concluído por 19% --desse total só
3% conseguiram fazer pós-graduação.
A pesquisa apontou uma predominância
absoluta do sexo masculino nas Câmaras Municipais: 88% dos vereadores
são homens. Segundo o censo, a média do salário
da categoria é de R$ 1.740,93. A faixa etária dos vereadores
é elevada: 63% têm 40 anos ou mais --dos quais 44% estão
na faixa até 50 anos; 16% têm entre 51 e 61 anos e 3%;
62 anos ou mais. Segundo o censo, 6% dos vereadores têm de 18
a 28 anos, e a faixa entre 29 a 39 responde por 31%. Os dados do Censo
foram coletados nas 5.562 Câmaras Municipais do Brasil, entre
julho e agosto do ano passado.
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Folha de São Paulo,
06 de abril de 2006
CONGRESSO
Mostra ainda baixa escolaridade
Censo aponta câmaras municipais
precárias
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O primeiro "Censo do Legislativo Brasileiro", divulgado ontem
pela presidência do Senado, expôs a precariedade das condições
de trabalho e a baixa escolaridade dos 60 mil vereadores e deputados
das câmaras e assembléias municipais do país. O
maior percentual (43%) é de vereadores com ensino médio
completo ou cursado parcialmente. Outros 28% cursaram o ensino fundamental,
mas só a metade deles chegou a concluí-lo. Só 19%
completaram o ensino superior e 4% são analfabetos funcionais.
Mais de 88% são homens e 75% têm
entre 29 e 50 anos. O levantamento mostrou que o legislativo municipal
está com um perfil mais pluripartidário. "Mesmo nas
pequenas assembléias, raramente um partido tem mais de 40% das
cadeiras", disse o cientista político da universidade francesa
Sorbonne, Stéphane Monclaire, que participou do estudo. Os partidos
com mais representantes nas câmaras e assembléias são
PMDB (16,67%), PSDB (12,75%), PFL (12,44%) e PP (10,38%). O salário
médio dos vereadores é R$ 1.700. "Se considerarmos
apenas os municípios pequenos e médios, a remuneração
média cai para R$ 450", disse o senador Efraim Morais (PFL-PB),
diretor nacional do programa Interlegis, rede virtual criada para melhorar
a qualidade de atuação do Legislativo.
Uma das conclusões do estudo
é que o quadro de precariedade contribuiu para que as câmaras
municipais sofram interferência do Executivo. Embora 95,8% possuam
computadores, mais de um quarto delas não tem conexão
com a internet, e só 17,4% dos vereadores têm gabinete
próprio. A equipe que realizou o levantamento visitou os 5.564
municípios brasileiros. O trabalho foi financiado pelo Senado
e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Hoje, cerca de
3.000 cidades instalaram a estrutura para integrar a rede.
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Valor, 06 de abril de 2006
Lula sinaliza com reforma sindical em
2007
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu ontem um
fórum qualificado para, pela primeira vez neste ano eleitoral,
afirmar que as reformas trabalhista e sindical são inadiáveis
em 2007. Durante solenidade de abertura da Semana Internacional de Construção
e Iluminação, disse, a empresários e dirigentes
sindicais desses setores, estar convencido de que ambas as reformas
são "o próximo passo que nós temos que dar.
Apenas começamos um processo de
desobstrução ao desenvolvimento da construção
civil no país. Obviamente que tudo isso vai ter que ser combinado
mais à frente, numa diminuição da informalidade
dos trabalhadores, para que a gente possa dar mais trabalho com Carteira
Profissional assinada, portanto, mais estabilidade. É isso, obviamente,
que leva vocês a ajudar a fazer o trabalho que é preciso
fazermos, primeiro, a reforma da estrutura sindical, que está
no Congresso Nacional, e a reforma da legislação trabalhista,
que precisa ser adequada ao século XXI, e não ficar com
resquícios da metade do século XX."
A exemplo da campanha eleitoral de 2002, na qual os petistas se apresentavam
como os únicos capazes de mexer na legislação sindical
e trabalhista do país, Lula ontem sinalizou que um consenso pode
ser obtido se o trabalho que o governo, ao seu ver, vem fazendo, de
intermediar o diálogo entre as partes envolvidas, puder continuar
sendo feito. (A reforma é) plenamente possível fazer se
nós continuarmos sentando, empresários, trabalhadores
e governo, sem a pergunta ou a insinuação de quem : é
o país. Se o país ganhar, ganharão os empresários,
ganharão os trabalhadores e ganhará o governo. É
por isso eu estou convencido que esse será o próximo passo
que nós temos que dar.
Encaminhada ao Congresso em março de 2005, a reforma sindical
acabou barrada pela crise política. Antes, havia sido discutida
por um ano e meio no Fórum Nacional do Trabalho, instância
criada em 2003 pelo governo para debater as reformas sindical e trabalhista,
que não chegou a sair do papel.
Construção Civil
O setor de construção civil
emprega atualmente cerca de 1,4 milhão de trabalhadores com carteira
assinada. Trata-se do sexto segmento da economia que mais emprega no
país, atrás da agropecuária,comércio, serviços
prestados à família (como saúde e educação),
setor público, e serviços privados não-mercantis
(empregadas domésticas, por exemplo).
Em seu discurso, Lula aproveitou para cobrar do Congresso votações
de projetos, em especial do Orçamento. Para ele, os congressistas
não podem deixar que o clima eleitoral prejudique o país.
"Se o Orçamento tivesse sido votado no ano passado, nós
já teríamos colocado mais R$ 4,3 bilhões na educação
brasileira, que é o Fundeb. Como o Orçamento não
foi aprovado, nós não colocamos quatro meses desse dinheiro
na educação brasileira.
Então vejam, não
é porque tem um ano eleitoral que as pessoas acham que, prejudicando
o Brasil, vão prejudicar o governo. Por que não votaram
o Orçamento ainda? Ah, porque não podemos votar o Orçamento,
porque não vamos dar dinheiro para o governo gastar, porque é
um ano eleitoral. Ora, isso não está prejudicando o governo,
isso prejudica este país. Eu espero que nesta semana votem."
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Matéria regional para conhecimento
Gazeta do Povo, 06 de abril de 2006 | Paraná
MEIO AMBIENTE | Área de proteção
na região de Palmas vai permitir a permanência dos proprietários
na terra
PR ganha primeiro refúgio
ambiental
Mais de um ano de negociações – e pelo menos três
de pesquisa – culminaram na publicação ontem, em
diário oficial, da criação do Refúgio de
Vida Silvestre dos Campos de Palmas. A unidade de proteção
ambiental é a quarta estabelecida no Paraná em menos de
um mês para assegurar os remanescentes de biomas ameaçados
de extinção. Em abril, foram criados o Parque Nacional
dos Campos Gerais e as reservas biológicas das Araucárias
e das Perobas.
O refúgio é uma modalidade
nova de unidade de conservação e tem o diferencial de
permitir que os proprietários permaneçam nas terras. Até
por isso, o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula
da Silva já traz as possibilidades de atividades econômicas
permitidas. “Na região há muita agropecuária
extensiva, que pode conviver com a preservação ambiental”,
explica o coordenador do grupo de trabalho Mata Atlântica, Wigold
Schäffer. Ele aponta, porém, que a plantação
de 2 mil hectares de pinus, realizada logo depois da primeira demarcação
de terras e logo embargada pelos órgãos ambientais, não
será aceita. Na área de entorno, que é de 500 metros,
todas as atividades continuam, à exceção de ações
de grande impacto, como uma indústria poluidora.
O refúgio tem 16,5 mil hectares,
entre os municípios de Palmas e General Carneiro. É nessa
região que o papagaio-do-peito-roxo, espécie ameaçada
de extinção, faz seu ninho. A área possui várzeas
e campos úmidos em bom estado de conservação, e
abriga as nascentes do Rio Chopim, que tem grande importância
no cenário regional. Como a paisagem é um dos pontos altos
do local, o Ministério do Meio Ambiente aposta que o refúgio
irá se transformar em um pólo de ecoturismo.
Ainda está em fase de conclusão
do processo de mapeamento o Refúgio de Vida Silvestre do Rio
Tibagi. Técnicos do Ministério do Meio Ambiente estiveram
na semana passada nos Campos Gerais visitando as áreas que devem
integrar a unidade. A principal preocupação é com
a proximidade da área com o distrito industrial de Ponta Grossa.
Um levantamento mais minucioso apontou que nenhuma fábrica será
atingida pelas restrições da zona de amortecimento, que
é de 500 metros. Dirimidas as dúvidas, a expectativa é
de que a assinatura do decreto criando o refúgio aconteça
na próxima semana.
Uma comissão formada por representantes
de agropecuaristas ainda promete brigar na Justiça para inviabilizar
a implantação efetiva das unidades, se ficar comprovado
que haverá impactos negativos na economia da região. Katia
Brembatti
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Matéria regional para conhecimento
Gazeta do Povo, 06 de abril de 2006 | Política
SALÁRIO MÍNIMO
Entidades começam a se posicionar
As divergências entre o governo do estado e a Assembléia
Legislativa na votação da proposta do novo salário
mínimo regional sacudiram as entidades organizadas. Depois de avisar
que não vai ceder à pressão do governador Roberto
Requião (PMDB) para acelerar a votação, o presidente
da Assembléia, Hermas Brandão, começou a receber
ontem manifestações contra e a favor da proposta. “Estão
chegando dezenas de correspondências e várias entidades vieram
me procurar”, disse. “Mas isso não basta, todos têm
que vir aqui colocar oficialmente a posição em plenário”,
emendou.
O presidente vai abrir espaço
para todos os segmentos nas sessões após o feriadão
da Semana da Páscoa. Hermas Brandão voltou a questionar
a viabilidade da criação de um salário mínimo
diferenciado de R$ 437 no Paraná e o risco de desemprego. “Não
tenho posição definida, mas se todas as entidades forem
favoráveis não tenho porque ser contra”, declarou.
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Gazeta do Povo, 06 de abril
de 2006 | Política
RELAÇÃO INTERNACIONAL | Líder
venezuelano deve passar 6 horas em Curitiba
Governo espera visita de Chávez
ao PR no dia 21
A vinda do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a Curitiba já
tem data marcada e programação agendada pelo governo do
Paraná. A expectativa é que o líder venezuelano
passe pela capital no próximo dia 21, feriado de Tiradentes,
e se reúna com o governador Roberto Requião e empresários
paranaenses. Segundo a embaixada da Venezuela, porém, a visita
de Chávez ao Brasil ainda não foi confirmada e só
será acertada em cima da hora.
Caso se confirme, a passagem do presidente
venezuelano pelo estado será meteórica. Chávez
virá para Curitiba direto da Argentina, onde participará
de um evento, permanecendo em solo brasileiro por seis horas, tempo
suficiente para causar o rebuliço que sempre o segue por causa
de suas posições polêmicas. A visita seria uma retribuição
à presença de Requião na Venezuela, em novembro
do ano passado, quando liderou a missão governamental e empresarial
do Paraná naquele país.
O cerimonial do Palácio Iguaçu
está organizando uma recepção para Chávez,
com a presença do governador Roberto Requião, seguida
de um almoço. De acordo com a programação, ele
também participa do fechamento de uma missão comercial
com empresários venezuelanos, que chegam ao Paraná dois
dias antes, no dia 19.
A expectativa inicial do governo era
poder contar com Chávez por dois dias em Curitiba. O secretário
do estado da Comunicação, Airton Pissetti, pretendia levar
o presidente venezuelano à Escola Latino Americana de Agroecologia,
na Lapa. A instituição foi criada no ano passado em parceria
entre os governos da Venezuela e do Paraná, Universidade Federal
do Paraná (UFPR), Via Campesina Internacional e o Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Os organizadores da missão
empresarial, coordenada pela Secretaria da Indústria, Comércio
e Assuntos do Mercosul do Paraná, no entanto, prevêem que
não haverá tempo suficiente para os planos de Pissetti.
O grupo que vem a Curitiba é formado por 40 empresários
venezuelanos que pretendem estreitar a relação comercial
entre os dois países. Empresários paranaenses estão
sendo convidados para participar de encontros com o grupo.
Chávez deve dar um tom mais
político do que econômico para o encerramento da missão.
Ele vai se encontrar com Roberto Requião, que já foi comparado
pela imprensa nacional com o líder venezuelano por ter posições
parecidas, principalmente na defesa do nacionalismo e contra o liberalismo
econômico. Durante sua visita à Venezuela, ao lado de Chávez,
Requião fez declarações sobre o liberalismo econômico
que, segundo ele, impõe suas idéias sobre os países
latino-americanos. A adida comercial da Venezuela em Brasília,
Luz Emília Toledo, não dá certeza sobre a a vinda
de Chávez a Curitiba, mas confirma que, se vier, passará
apenas pelo Paraná. De acordo com ela, o líder venezuelano
não tem, dessa vez, encontro marcado com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. Daniela Neves
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Folha de São Paulo,
06 de abril de 2006
ESCÂNDALO DO MENSALÃO/ O DESFECHO
Bancada do PT vê desrespeito ao regimento e apresenta recurso
para anular votação
Governo perde e relatório que atesta
o mensalão é aprovado
FERNANDA KRAKOVICS, LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em uma derrota do governo, o relatório
final da CPI dos Correios foi aprovado ontem por 17 votos a 4 em uma
sessão tumultuada, depois de dez meses de trabalho. Prevendo
o resultado desfavorável, o PT e o PMDB tentaram obstruir a sessão
e não votaram. Foram feitas 35 alterações de última
hora no documento. A bancada do PT protocolou um recurso na Mesa da
Câmara pedindo a anulação da votação.
Os petistas alegam que o presidente da CPI, senador Delcídio
Amaral (PT-MS), desobedeceu normas regimentais ao não permitir
que fossem votadas emendas para fazer alterações pontuais
-os chamados destaques.
Apesar da pressão dos governistas,
o relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), sustentou no texto a
existência do mensalão para a compra de apoio parlamentar.
Também afirmou que o esquema foi abastecido com dinheiro do Banco
do Brasil, por meio do fundo Visanet. O PT e seus aliados argumentavam
que as irregularidades se resumiam a um caixa 2 eleitoral e negavam
o uso de dinheiro público. No mesmo dia em que o mensalão
foi reconhecido oficialmente, o plenário da Câmara absolveu
outro acusado de se beneficiar do esquema.
O documento aprovado pela CPI manteve
a afirmação de que não há provas para acusar
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter sido omisso em
relação ao mensalão, com a ressalva de que ele
não teria dificuldades para perceber a existência do esquema.
O relatório pede ainda o indiciamento de pelo menos 118 pessoas.
Entre elas, dois ex-ministros da equipe de Lula por suposta corrupção
ativa (José Dirceu e Luiz Gushiken), além do empresário
Marcos Valério Fernandes de Souza e do ex-tesoureiro petista
Delúbio Soares, apontados como responsáveis pela operação
do mensalão.
"Foi uma vitória suada, mas
corresponde ao que se esperava do Parlamento. Foi uma vitória
da investigação correta sobre os fatos que tivemos que
averiguar", afirmou Serraglio. Entre as alterações
feitas pelo relator, a maioria de ordem técnica, está
a inclusão no relatório de trecho esclarecendo que o PT
contesta o caráter público do fundo Visanet -o Banco do
Brasil possui um terço das cotas desse fundo, que banca a publicidade
de cartões de crédito e de débito com a bandeira
Visa.
Serraglio excluiu dos pedidos de indiciamento
o ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb, que era acusado
de condescendência criminosa, alegando que o crime estava prescrito.
Ele fez o mesmo com o vice-governador de Minas Gerais, Clésio
Andrade (PTB), e com o atual presidente dos Correios, Jânio Pohren.
O relator cancelou os pedidos de indiciamento dos dois principais investigados
de irregularidades na exploração de franquias dos Correios,
Armando Ferreira Cunha e João Leite Neto. O sub-relator de contratos,
deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), contestou essas alterações
e afirmou que não foi consultado a respeito. "Vai ter que
fazer a CPI da CPI", disse Cardozo.
Confusão
A surpresa da sessão foi o voto
favorável do deputado Medeiros (PL-SP), que é da base
aliada e filiado a um partido acusado de envolvimento com o mensalão.
A oposição também atraiu os votos dos deputados
Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP),
que foram aplaudidos. "Votar contra esse relatório é
caixão e vela preta", disse Bentes. Os petistas tentaram
interromper a votação, que durou menos de meia hora, mas
foram impedidos pelo presidente da CPI. "Estamos em processo de
votação, não cabe questão de ordem. Eu vou
continuar a votação", afirmava Delcídio, enquanto
o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) se dirigia aos berros a ele.
Delcídio foi criticado por
colocar em votação o texto do relator logo após
ele ter lido as alterações de última hora que fez.
Essas alterações foram distribuídas aos parlamentares
quando a votação já havia começado e não
foram discutidas na comissão. Depois da aprovação
do texto, o presidente da CPI também não colocou em discussão
os destaques que haviam sido apresentados pelos parlamentares. "É
ilegítimo, ilegal e contra o regimento terminar a votação
sem analisar os destaques", disse o líder do governo no
Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Durante o dia ainda foi tentado
um acordo entre o PT e os partidos de oposição, mas nenhum
dos lados quis ceder.
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Folha de São Paulo,
06 de abril de 2006
ESCÂNDALO DO MENSALÃO/ A HORA DA
IMPUNIDADE
O petista João Paulo Cunha era acusado de ter se beneficiado
de recursos do "valerioduto" e foi o 8º mensaleiro a
ser inocentado
Deputados absolvem ex-presidente da Câmara
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apontado como o principal alvo da oposição
após a cassação do ex-ministro José Dirceu
(PT), o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP)
conseguiu ontem salvar o seu mandato no plenário, dando seqüência
à esteira de absolvições dos deputados acusados
de participação no escândalo do mensalão.
A absolvição ocorreu no mesmo dia em que foi aprovado
o relatório da CPI dos Correios que reconhece a existência
do mensalão, do qual o petista recebeu R$ 50 mil por meio do
publicitário Marcos Valério de Souza. Com um discurso
que centrou fogo na imprensa e na opinião pública, João
Paulo obteve 256 votos pela sua absolvição.
Pela cassação votaram 209
deputados, ou seja, faltaram 48 votos para que o petista fosse cassado,
como recomendava o parecer do Conselho de Ética. Houve ainda
9 abstenções e 7 brancos, além de 2 votos nulos.
João Paulo, 47, é o oitavo parlamentar acusado de envolvimento
no mensalão absolvido pelo plenário. A decisão
reforça a tese do clima de "pizza" que se alastrou
pela Casa. Até agora, apenas três deputados perderam o
mandato: Roberto Jefferson (PTB), que denunciou o mensalão, José
Dirceu e o presidente do PP, Pedro Corrêa. Outros quatro renunciaram
e quatro ainda serão julgados.
Após a polêmica causada
pela dança da deputada petista Angela Guadagnin (SP) em comemoração
à absolvição de João Magno (PT-MG), ontem
não houve manifestação no plenário. O próprio
João Paulo seguiu para sua casa logo após discursar e
não acompanhou o desfecho da votação. Apesar do
peso político, prevaleceu em favor de João Paulo sua teia
de relações costurada nos dois anos que presidiu a Câmara
(fevereiro de 2003 a fevereiro de 2005). A força do trabalho
nos bastidores, especialmente entre o chamado "baixo clero",
ofuscou as múltiplas acusações e os documentos
e versões contraditórias do petista, detalhadas em um
duro parecer do relator do processo, Cézar Schirmer (PMDB-RS).
Denúncias
O principal fato a incriminar o petista
foi o saque de R$ 50 mil do "valerioduto" feito por sua mulher.
Houve o agravante de que a primeira versão apresentada para justificar
a visita dela ao Banco Rural foi a de que ela teria ido pagar uma conta
de TV a cabo. Ontem, ele disse que o constrangimento por tê-la
envolvido no episódio a impediu de comparecer à Câmara.
Acompanharam a votação sua filha, Juliana, a irmã
mais velha, Maria Aparecida, e o sogro. O relator também apontou
conflito de interesses na contratação da agência
SMPB, de propriedade do publicitário Marcos Valério, para
fazer a publicidade da Câmara. Na mesma época, em setembro
de 2003, o saque do "valerioduto" era realizado.
Agraciado com presentes por Valério
-uma caneta Mont Blanc para si, uma viagem ao Rio para a secretária-,
João Paulo acabou cultivando uma relação íntima
com o publicitário, segundo apontou o relator. "De todos
os processos analisados, a materialidade das acusações
é a mais indiscutível e indubitavelmente comprovada",
afirmou Cézar Schirmer.
Carreira
Ex-metalúrgico com base eleitoral
em Osasco (SP), João Paulo salvou o mandato, mas ainda terá
de lutar contra o desgaste produzido pelo seu envolvimento no mensalão
em sua meteórica ascensão política. Se fosse cassado,
ficaria inelegível por oito anos. "É muito duro.
Eu sofro, sofri e sofrerei", afirmou. À frente da Câmara,
ele chegou a presidir o Brasil por dois dias, no início de 2004,
durante viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à
Venezuela que coincidiu com uma internação médica
do vice, José Alencar.
Antes de a crise explodir, sonhava em
disputar pelo PT o governo de São Paulo. João Paulo passou
o dia ontem amarrando as últimas conversas com deputados. Esteve
na liderança do PP e do PL angariando apoios de última
hora. Na tribuna, em discurso de 50 minutos, reclamou: "A opinião
pública nem sempre acerta, nem sempre tem o condão de
dizer o que é certo e o que é errado. Ela às vezes
é desmentida depois". (FÁBIO
ZANINI, CYNTHIA GARDA E SILVIO NAVARRO)
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Folha de São Paulo,
06 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Ex-governador do Rio derruba pré-convenção e segue
como único pré-candidato do PMDB
Garotinho derrota Quércia e fica
na disputa até junho
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após uma tensa reunião
da Executiva Nacional do PMDB, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho
conseguiu ontem derrotar a ala governista do partido e sustentar sua
pré-candidatura à Presidência até a convenção
nacional da sigla, em junho. A reunião foi marcada por uma intensa
disputa entre Garotinho e o ex-governador de São Paulo Orestes
Quércia, que na véspera surpreendeu ao lançar o
nome do ex-presidente Itamar Franco ao Palácio do Planalto. A
manobra de Quércia fortalece a sua candidatura ao governo paulista.
A idéia também agrada ao PT, que considera sua inclusão
na disputa fundamental para tentar evitar uma vitória de José
Serra (PSDB) no primeiro turno.
Quércia abriu o encontro afirmando
que o nome de Itamar tem o aval de lideranças do partido e que
a vitória de Garotinho na consulta informal feita pela sigla
não tinha validade jurídica. "Tenho convicção
de que o Itamar será candidato. O governador Garotinho não
ouviu o Itamar, mas eu ouvi, e ele está disposto a ser candidato",
disse. Outro ponto de embate foi a realização de uma pré-convenção
no início de maio para deliberar se o partido terá ou
não candidatura própria à Presidência.
Irritado, Garotinho tentou se impor.
Afirmou que "não era palhaço". "Eu vou
à convenção em junho e questionarei qualquer mudança
de data na Justiça." Garotinho também enfrentou Quércia,
afirmando que tinha a palavra do presidente do PMDB mineiro, deputado
Fernando Diniz, de que Itamar não tinha pretensão de concorrer
ao Planalto. Interlocutores de Itamar no encontro disseram que ele não
irá à convenção porque almeja disputar uma
vaga no Senado. O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), dirimiu
o embate, afirmando que a consulta partidária vencida por Garotinho
"podia não ser válida judicialmente, mas, politicamente,
era".
E agendou um encontro para o dia 19 entre
Garotinho e os pré-candidatos da sigla nos Estados. No final,
o ex-governador do Rio saiu vitorioso. Conseguiu a maioria dos votos
na Executiva contra a proposta da pré-convenção
e segue como único pré-candidato do partido.
Liderança
Após semanas de polêmica,
os deputados do PMDB elegeram ontem Waldemir Moka (MS) como líder
da bancada. Ele teve 35 dos 44 votos. O resultado representa uma derrota
para o governo, que trabalhava para emplacar o nome de Wilson Santiago
(PB), mais alinhado com o Planalto.
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Folha de São Paulo,
06 de abril de 2006
PANORÂMICA – EUROPA
Sindicatos dão até o dia
15 para que lei trabalhista francesa seja arquivada
DA REDAÇÃO
Fortalecidas pelas passeatas de anteontem, que reuniram de 1 milhão
a 3 milhões de pessoas, as confederações sindicais
francesas deram o prazo até o dia 15, início do recesso
parlamentar da Semana Santa, para que o presidente Jacques Chirac arquive
a lei do primeiro emprego. Os líderes do partido governista nas
duas Casas do Legislativo receberam ontem os líderes de quatro
das confederações sindicais, que reiteraram o pedido de
arquivamento da lei. As outras entidades sindicais e estudantis serão
recebidas hoje.
Há no bloco governista a
tentativa de encontrar uma saída honrosa para formalizar o recuo,
o que machucará a imagem de Chirac e aliados. O primeiro-ministro,
Dominique de Villepin, afastado das negociações, disse
ontem aos deputados que tirará "todas as conclusões
necessárias nos próximos dias", no que pode ter sido
uma menção a sua próxima renúncia, com o
fim de uma lei em que empenhou seu prestígio. Chirac emitiu nota
em que apelou aos estudantes para que voltassem às aulas. Mas
protestos esparsos prosseguiam sobretudo no interior do país,
com o bloqueio de estradas em Poitiers e Rennes, piquetes diante de
um mercado público em Nantes e em centros dos correios.
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O Estado do Paraná,
06 de abril de 2006
Brasil já é auto-suficiente
em petróleo
Redação/O Estado do Paraná
A Petrobras deve anunciar no dia 21 deste
mês a conquista da auto-suficiência na sua produção
de petróleo. A empresa atingirá também superávit
de US$ 3 bilhões. A informação é do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva. “Ela vai produzir um pouco mais
do que aquilo que nós consumimos, mas ela não vai parar
de importar porque nós precisamos importar petróleo leve
para misturar ao nosso petróleo pesado”, disse ao participar
da inauguração de uma fábrica de pneus em Camaçari
(BA).
O presidente destacou que o governo tem
adotado uma política industrial que tem promovido o crescimento
do setor produtivo. “Pouco tempo atrás, se dizia que (o
País) não deveria ter política industrial. Nós
resolvemos assumir a responsabilidade de que precisávamos de
política industrial.” Segundo ele, de 23 atividades pesquisadas,
15 tiveram crescimento. O setor farmacêutico, por exemplo, cresceu
26%, o automotor, 4,8% e a produção de bens de capital,
8,6%. No setor energético, o crescimento foi de 42% e na construção
civil, 19%.
Elogios
Nos dois discursos feitos ontem na Bahia, o presidente Lula destacou
os resultados positivos da economia. Os números do comércio
exterior, o controle da inflação, o aumento da massa salarial
e do crédito foram citados pelo presidente. “O Brasil está
vivendo um momento muito importante. Se vocês acompanham os números
da economia, nós não temos nenhuma razão para reclamar
da situação econômica”, afirmou.
Lula voltou a defender, assim como havia
feito anteontem, em discurso a empresários da construção
civil, que cabe ao presidente falar sobre as notícias boas do
país. “Os dados são muito promissores e como tem
algumas pessoas pessimistas no Brasil, eu sou obrigado a me levantar
todo dia otimista”, disse ao participar da inauguração
de uma fábrica de pneus no município baiano.
Ele acrescentou que qualquer que seja
a notícia ruim o presidente precisa passar otimismo e alegria
para a sociedade. A razão, segundo ele, é que muitas avaliações
e informações negativas divulgadas não se tornam
realidade. “Lógico que quando se trata de salário
nós sempre queremos mais, é assim a vida do ser humano,
a gente sempre quer mais”, ponderou. O presidente afirmou que
o salário mínimo terá reajuste real de 13%. “O
que há muito não acontecia, mas o mínimo sempre
é pouco, porque é mínimo.”
O presidente defendeu ainda que o projeto
de desenvolvimento do País para as próximas décadas
precisa ser definido por toda a sociedade. “Nós estamos
vivendo um momento em que a responsabilidade não é do
presidente da República apenas, não é do governador
apenas, não é do prefeito apenas e não é
de nenhum de nós, individualmente. É uma responsabilidade
coletiva para que possamos traçar juntos o tipo de país
que nós queremos ser nos próximos 30 anos.”
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O Estado do Paraná,
06 de abril de 2006
Serasa registra queda em falências
e concordatas
Redação/O Estado do Paraná
São Paulo (AE) - O volume de falências
e concordatas do primeiro trimestre apresentou queda expressiva, segundo
levantamento nacional divulgado ontem pela Serasa. Nos três primeiros
meses do ano, as falências requeridas tiveram queda de 64% ante
o mesmo período do ano passado e as falências decretadas
diminuíram 34,5%.
O volume de concordatas deferidas caiu
66,7%. Sem base de comparação, por causa da vigência
a partir de junho de 2005 da Nova Lei de Falências, foram registrados
63 requerimentos de recuperação judicial e nenhum de recuperação
extrajudicial. Em março, a pesquisa da Serasa revelou uma queda
de 59,2% nos pedidos de falência em relação a março
de 2005 e uma diminuição de 41,5% no volume de falências
decretadas. Foi verificada também uma queda de 50% no volume
de concordatas deferidas. Em março, foram registrados 23 requerimentos
de recuperação judicial e nenhum de recuperação
extrajudicial.
Na avaliação dos técnicos
da empresa de análise de crédito, a queda nos indicadores
de falência pode ser explicada pela nova legislação,
que desestimulou a utilização do requerimento de falência
como um instrumento de cobrança. Em relação aos
mecanismos criados em substituição à concordata
(recuperação judicial e extrajudicial), a análise
é que o mercado está “se adaptando” a esses
novos institutos legais e aguarda jurisprudência sobre o assunto.
A empresa também atribuiu as quedas
do volume de falências à maior liquidez da economia, que
decorre tanto do desempenho das exportações de bens e
serviços quanto da alta do consumo das famílias, decorrente
da expansão do crédito. Este, na avaliação
da Serasa, tem sido “o grande financiador da atividade econômica
no âmbito doméstico”.
A Serasa previu que os indicadores
de falência e concordata serão também influenciados
favoravelmente com a aprovação de um projeto de lei que
trata do cadastro positivo de crédito. De acordo com a empresa,
essa nova legislação pode possibilitar o estabelecimento
de políticas mais adequadas aos diversos tomadores de crédito,
o que significará maior segurança nessas transações
e, portanto, redução de custos e ampliação
de recursos e abrangência, tanto para pessoa física quanto
para jurídica.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 06 de abril de 2006 | Economia
Crescimento de 6% na indústria
puxará PIB de 4,5%, diz Mantega
Ele avaliou como extremamente favorável
o crescimento do setor de bens de capital (bens que servem para a produção
de outros bens, como máquinas e material de transporte) que,
na avaliação dele, reflete o fortalecimento do mercado
interno e a melhora do nível de emprego
ADRIANA FERNANDES
BRASÍLIA - O ministro da Fazenda,
Guido Mantega, disse hoje que a indústria deve crescer 6% neste
ano e que só este resultado já garantiria uma expansão
de 4,5% do Produto Interno Brasileiro (PIB) no período. Ele avaliou
como extremamente favorável o crescimento do setor de bens de
capital (bens que servem para a produção de outros bens,
como máquinas e material de transporte) que, na avaliação
dele, reflete o fortalecimento do mercado interno e a melhora do nível
de emprego.
"É um setor que puxa outros
setores, muito dinâmico", afirmou o ministro, que destacou
o fato de esse aquecimento estar ocorrendo no início do ano.
"Muitas vezes, no início do ano é meio morno, cresce
menos. Estamos vendo este ano que a economia está se aquecendo,
desde o início do ano e em condições muito favoráveis",
afirmou.
Entre as condições favoráveis
ele citou a queda dos juros e da inflação e o aumento
do crédito. No entender dele, não há conjuntura
mais favorável e satisfatória para um ministro da Fazenda.
Ele se disse muito satisfeito nesta primeira semana no cargo.
Mais uma vez, Mantega afirmou que
não há possibilidade de mudanças na política
econômica e que "inflexão" na política
econômica é uma palavra que não existe no seu vocabulário.
"Não podemos mudar o que está sendo bem-sucedido",
afirmou. Bem-humorado, Mantega chegou a brincar: "Ninguém
rasga nota de R$ 100,00 aqui no Ministério da Fazenda".
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PORTAL CRM / PARÁ,
06 de abril de 2006
Novo salário mínimo está
em vigor desde sábado
O governo federal publicou na sexta (31), no Diário Oficial da
União, a medida provisória que faz o reajuste do salário
mínimo de R$300,00 para o valor de R$350,00, a partir deste sábado,
dia 01º de abril. A decisão aconteceu em reuniões
entre o governo e centrais sindicais há mais de um mês,
mas o projeto de lei que definia o aumento não foi votado até
agora no Congresso e para que o reajuste fosse efetivado hoje, o governo
que recorrer à Medida Provisória publicada ontem.
Historicamente, o novo valor do salário
mínimo sempre foi anunciado em 1º maio, com o mês
de abril para o debate a respeito do seu valor. Porém, esta historia
vem mudando a partir do ano de 2000. Nesse período, a discussão
foi antecipada e o salário mínimo, corrigido a partir
de 3 de abril. Nos três anos seguintes – de 2001 a 2003
–, o novo valor entrou em vigor em 1º de abril. Em 2004 e
2005 voltou novamente para 1º de maio. Neste ano (2006), novamente
o salário mínimo volta a entrar em vigor a partir de 01º
de abril.
O novo Mínimo – O novo salário
mínimo de R$ 350.00, além de uma correção
de 16,67%, teve sua vigência antecipada para abril. Segundo estimativas
do DIEESE, esse reajuste deverá representar agora um aumento
real de cerca de 12% frente à inflação estimada
em aproximadamente 4 % no período dos últimos 12 meses.
O aumento do salário mínimo da ordem de R$ 50,00, em maio,
representaria um ganho de R$ 450,00 no ano de 2006. A antecipação
gera um total de R$ 500,00 para o mesmo período, o que significa
um acréscimo de 11,1%. Assim, o acréscimo de R$ 50,00
ao salário mínimo representa uma variação
de 1,15% sobre a massa salarial total obtida pelo trabalhador durante
o ano.
Considerando-se que o aumento real obtido
no salário mínimo nos dois últimos anos foi de
21,29%, a maior parte do aumento real do período foi conquistado
nos anos das campanhas das Centrais Sindicais dos Trabalhadores, podendo-se
atribuir um peso significativo ao papel da ação sindical
na obtenção destes resultados. O acordo que envolveu o
novo Mínimo, e a nova Tabela do Imposto de Renda, reuniu as seguintes
Centrais Sindicais :
CAT – Central Autônoma dos
Trabalhadores; CGT - Confederação Geral dos Trabalhadores;
CGTB - Central Geral.Dos Trabalhadores do Brasil; CUT – Central
Única dos Trabalhadores; Força Sindical e SDS –
Social Democracia Sindical.
Efeitos importantes do reajuste do
Salário Mínimo
1 – O papel distributivo
Conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio
(PNAD) de 2004, 31,6% do total de ocupados no Brasil recebem até
um salário mínimo, o que corresponde a 23,4 milhões
de trabalhadores5. Se a estes forem somados os aposentados que recebem
igual valor, chega-se a 40 milhões de pessoas que têm seu
rendimento referenciado a até um salário mínimo.
A valorização do rendimento conjunto de trabalhadores,
quando confrontado a um mercado de trabalho que ocupa 74 milhões
de pessoas, é extremamente significativa devido à abrangência
do seu potencial distributivo. De um a dois salários mínimos
são mais 32,6 %, ou seja, 24,1 milhões de ocupados .
Também em termos regionais, a
valorização do salário mínimo cumpre função
econômica e social importante. No Nordeste, a participação
dos ocupados que recebem até um salário mínimo
é a mais a elevada do Brasil, com 58% dos trabalhadores, entre
um e dois são mais 24,90. Isto quer dizer que entre um e dois
salários mínimos são 82,60 % dos trabalhadores.
A região Norte apresenta a segunda participação,
com 37,4% dos ocupados recebendo até um salário mínimo,
entre um e dois são mais 33,6 % e de um até dois salários
são 71,00 % dos ocupados. Na região Centro-Oeste, um quarto
dos trabalhadores recebe até um salário mínimo.
No Sul e no Sudeste, representam cerca de um quinto dos ocupados que
ganham até um salário mínimo .
2 – O novo Salário
Mínimo e os pisos de categorias
O DIEESE realiza uma pesquisa nacional de pisos salariais por categorias
de trabalhadores. Na última pesquisa foram registrados 175 pisos
salariais. Com base nesta pesquisa, estima-se que os pisos de 46 categorias
– ou seja, 26% do total – deverão ser corrigidos
para valores do novo salário mínimo, uma vez que têm
seus valores definidos entre R$ 300,00 e R$ 350,00.
3 – Salário Mínimo
e Seguro Desemprego
Nos últimos anos, cerca de cinco milhões de trabalhadores
têm recorrido ao Seguro Desemprego, que em média tem sido
de 1,4 salários mínimos. Também estes trabalhadores
desempregados terão o seguro corrigido pelo reajuste do salário
mínimo.
4 – O efeito dinâmico
do Salário Mínimo no mercado interno
Considerando os dados da PNAD que indicam que quase 40 milhões
de brasileiros ganham até um salário mínimo, e
que seu valor será acrescido de R$ 50,00, estima-se que seu impacto
potencial no poder de compra dos trabalhadores será de R$ 25,5
bilhões/ano (incremento de renda na economia). Deste total a
estimativa é de que cerca de 6.00 % seja no Norte , 45,00 % no
Nordeste , 31,00 % no Sudeste , 11,50 % no Sul e 6,50 % no Centro Oeste.
A economia do Norte, portanto, deverá receber cerca de R$ 1,5
bilhão nos próximos 12 meses.
Deste total, quase metade deverá
entrar na economia paraense.. Em se tratando de salário mínimo,
este valor deverá ser destinado, prioritariamente, ao consumo
dos chamados “bens de salário”, propiciando um acréscimo
de demanda por alimentos, vestuário, remédios, etc. Trata-se,
portanto, de um efeito positivo sobre o mercado interno através
do crescimento da produção de bens de consumo.
Esse aumento do consumo, decorrente da
melhoria do poder de compra dos trabalhadores, determinará maior
arrecadação de impostos da União. Um cálculo
estimado da arrecadação tributária adicional aponta
para R$ 6,2 bilhões/ano, com base em uma tributação
média do consumo de 24,5%.
O poder de compra do novo Salário
Mínimo
1 – O Salário Mínimo
e a Cesta Básica do DIEESE
O poder de compra do salário mínimo tem apresentado melhoria
quando medido em quantidade de Cestas Básicas que é capaz
de adquirir. Para efeito deste cálculo, o DIEESE utiliza definições
extraídas do decreto lei 399, de 30 de abril de 1938, que estabeleceu
um conjunto de alimentos (e suas quantidades) que deveria necessariamente
ser consumido por um trabalhador para repor sua capacidade para o trabalho.
Considerando a média anual desta relação observa-se
que: o indicador cresce no período entre 1995 e 1997, mantém-se
relativamente entre 1997 e 2000, para novamente melhorar em 2001 e 2002.
Em 2003, seu valor cai voltando ao patamar de 2001; em 2004, é
novamente equivalente ao patamar de 2002, e apresenta a melhor relação
do período em 2005, como mostra o quadro 5.
Esta cesta – utilizada para o cálculo
do salário mínimo necessário – prevê
o consumo de 12 (Norte e Nordeste) ou 13 (demais regiões) itens
básicos. Além disso, na Constituição Brasileira,
o salário mínimo é definido como uma quantia capaz
de suprir as necessidades de um trabalhador e sua família com
alimentação, moradia, saúde, educação,
transporte, vestuário, higiene, lazer e previdência social.
O novo salário mínimo de
abril de 2006, quando confrontado ao último valor pesquisado
da cesta básica revela um crescimento deste indicador, indicando
um poder de compra de 1,91 cesta básica. Esse poder de compra,
quando confrontado com as médias históricas do indicador
é o maior desde 1979.
2 – Salário Mínimo Necessário e Salário
Mínimo Oficial
Na comparação do Salário Mínimo Necessário
com o salário mínimo oficial, no ano de 1995, observa-se
que o salário mínimo necessário era 8,5 vezes maior
que o oficial. Em 1996, essa relação se reduz para 7,4
vezes. Entre 1997 e 2003, o indicador apresenta pequeno decréscimo,
passando de 6,9 vezes para 6,2 vezes. O indicador apresenta quedas consecutivas
em 2004 e 2005, caindo para 5,9 e 5,3 vezes, respectivamente.
A avaliação dos resultados
positivos - que revelam queda no indicador da relação
do salário mínimo necessário com o salário
mínimo oficial - deve ser atribuída a dois fatores.
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A VOZ DA CIDADE / RIO DE
JANEIRO, 06 de abril de 2006
Assessor do Sindicato dos Metalúrgicos
é espancado por membros da Chapa 2
PORTO REAL/VOLTA REDONDA - O assessor do Sindicato dos Metalúrgicos
Hilton Silva, 44 anos, conhecido como Chevete, foi agredido ontem, à
tarde, na porta da fábrica da Volks, em Porto Real, pouco antes
da realização de uma assembléia dos empregados
da fábrica. Os autores da agressão, segundo a vítima,
foram cerca de 30 homens que fazem segurança para a Chapa 2,
da Força Sindical, comandados por um homem conhecido como Richard
que, segundo denúncias, usava bota com bico de aço. Hilton
disse que após ter almoçado com outros seis sindicalistas
se dirigiu para a porta da fábrica para aguardar o início
da assembléia, quando os agressores chegaram e começaram
a espancá-lo. “Eles chegaram em uns dez carros gritando
que era para a gente sair de lá e começaram a chutar a
minha cabeça.
Estavam a fim de me arrebentar mesmo”,
disse Hilton ao chegar ao setor de emergência do Hospital Vita
para ser medicado. Ele tinha um corte na cabeça, onde recebeu
três pontos e um hematoma no olho esquerdo, que estava tapado.
“Corro o risco de ficar cego desse olho”, disse ele, antes
de ser medicado. Hilton disse ainda que para se proteger se refugiou
no interior da fábrica, mas foi perseguido pelos agressores.
“Mesmo depois de terem me agredido eles tentaram quebrar a portaria
para invadir a fábrica e me pegar. Quase arrebentaram toda a
portaria da Volks para tentar me agredir novamente”, relatou.
Hilton e os colegas, que presenciaram
a agressão, disseram que os homens agiram a mando de um ex-diretor
do Sindicato dos Metalúrgicos identificado apenas como Isaque,
que faz parte da chapa de oposição. “Ele (Isaque)
já vinha ameaçando a gente antes, sempre com um monte
de seguranças e hoje (ontem) ele concretizou a ameaça”.
A vítima atribuiu a fúria
de seus agressores ao desespero dos membros da Chapa 2 que, na sua opinião,
já sabem, através das pesquisas, que vão perder
as eleições. “Pelas pesquisas eles já sabem
que vão perder. Por isso estão agindo com violência.
E essa atitude de hoje (ontem) demonstra o total desespero deles”,
ressaltou Hilton, afirmando que depois de ser medicado compareceria
à delegacia para registrar queixa contra os agressores que responderão
por agressão e lesão corporal dolosa. “Se colocarem
eles na minha frente reconheço cada um”, afirma o assessor
do sindicato.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
06 de abril de 2006
Demissão por e-mail não
caracteriza dano moral, diz TRT-SP
A simples comunicação prévia da demissão,
por e-mail, não ofende o empregado. Com base neste entendimento,
a 8ª Turma do TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de São
Paulo negou provimento ao recurso de um médico contratado como
auditor da Fundação Sabesprev (Sabesp de Seguridade Social),
que foi demitido antes do final da auditoria.
Segundo o TRT-SP, o médicoalegou
que o seu afastamento _justificada pela necessidade de apuração
de irregularidades que ele mesmo apontara_ e a comunicação
da rescisão do contrato antes do final da auditoria, por e-mail,
atentaram contra a sua idoneidade profissional e caráter.
Para o juiz Antônio José
Teixeira de Carvalho, relator designado do processo no tribunal, "a
comunicação feita pela ré informando que o autor
não mais a representava, ou mesmo a rescisão do contrato,
sem justo motivo, antes do término da auditoria, (...) não
impõe ao reclamante a pecha de ladrão. Até porque
a dispensa (...) foi sem justo motivo".
Ainda segundo o relator, o afastamento
do profissional para apuração das denúncias não
justificariam indenização. "Embora não fosse
(...) o próprio investigado, mas o denunciante, suas funções
estavam atreladas às irregularidades por ele constatadas".
"O fato do empregado tão somente ter sido afastado da prestação
de serviços porque a reclamada procederia a uma auditoria, por
si só, não gera a presunção de que houve
dano moral do empregado, porque também não gera a presunção
de que ele era culpado", concluiu o juiz. Por maioria de votos,
os juízes da 8ª Turma negaram provimento ao recurso.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
06/04/2006
TST rejeita tese de prova falsa e mantém
negativa de vínculo
A Seção Especializada em
Dissídios Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho
rejeitou recurso em ação rescisória e manteve a
sentença que negou a existência de vínculo de emprego
entre um trabalhador de Rondonópolis (MT) e a empresa Rondoeixo
Implementos Rodoviários Ltda. Na audiência trabalhista,
o proprietário da empresa negou a relação de emprego,
afirmando que o trabalhador era, de fato, seu sócio. Afirmou
que seu nome não só não constava nos registros
da firma porque estava “sujo na praça”. Na Justiça
Comum, afirmou justamente o contrário, negando qualquer participação
societária do reclamante.
O vínculo trabalhista não
foi reconhecido e a ação foi julgada improcedente. Dizendo-se
“surpreso com sua alegada condição de sócio”
e detentor de 33% da sociedade, o trabalhador ingressou na Justiça
Civil com uma ação de prestação de contas,
procedimento preparatório para dissolução da sociedade.
Alegou que, se era sócio da empresa e nada recebeu, teria direito
à divisão de lucros da alegada sociedade. Mas, na Justiça
Civil, o proprietário da empresa, Afaf Samir Charanek, negou
a existência de sociedade, qualificando a ação civil
como uma “aventura jurídica”.
Foi com base nessa segunda afirmação
que o trabalhador ajuizou a ação rescisória na
Justiça do Trabalho. Segundo ele, depoimentos mentirosos induziram
o juiz da Vara do Trabalho de Rondonópolis em erro e a sentença
deveria ser desconstituída por basear-se em prova falsa. No pedido
rescisório, o trabalhador alegou ter havido “confissão
expressa da utilização de prova falsa pela parte adversa
na ação trabalhista, pois no depoimento por ela prestado
no juízo cível confessa expressamente não existir
sociedade entre os ora demandantes”.
A ação rescisória
foi julgada improcedente pelo TRT do Mato Grosso (23ª Região)
e o trabalhador recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho. De acordo
com o relator do recurso no TST, ministro Emmanoel Pereira, para que
haja a configuração de prova falsa não basta a
comprovação da falsidade mediante sentença criminal
ou civil transitada em julgado. É preciso que a alegada prova
falsa tenha sido determinante e responsável pelo sucesso ou pelo
fracasso da ação trabalhista, o que não ocorreu
no caso. A configuração de prova falsa é tratada
no artigo 485 (inciso VI) do Código de Processo Civil.
“No caso em questão, o juiz
do Trabalho, ao indeferir o reconhecimento de vínculo de emprego,
baseou-se não só nos depoimentos apontados como falsos,
mas especialmente nas declarações do próprio reclamante
quanto à liberdade por ele demonstrada no curso da relação
jurídica havida entre as partes”, afirmou o ministro Emmanoel
Pereira. Segundo ele, se o fato foi irrelevante para a decisão,
não cabe o pedido rescisório. O recurso em ação
rescisória foi conhecido e desprovido pela SDI-2 do TST. Com
isso, está mantida a decisão do TRT do Mato Grosso.
Segundo o acórdão do TRT/MT,
uma vez afastada a hipótese de vínculo trabalhista em
razão dos elementos que o caracterizam, pouco importa para o
juízo trabalhista a exata definição da relação
jurídica que envolveu as partes litigantes, até porque
a competência para tanto escapa à sua competência.
A instância regional também esclareceu que o convencimento
do juiz não foi formado apenas com base nas declarações
das testemunhas mas, e principalmente, nos dizeres do próprio
autor da ação em seu depoimento pessoal. (ROAR 211/ 2003-000-23-00.8)

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