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Para
conhecimento, matéria do site da Força Sindical
Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Indústria da Construção Civil
06/04/2006
A Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT)
realizarão hoje, dia 7 de abril, às 10 horas, a assembléia
para criação da Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Indústria da Construção Civil.
Participarão as federações dos trabalhadores do
Amazonas, Bahia, Acre e Espírito Santo. Cada uma das centrais
terá 50% dos cargos da diretoria. Participarão também
outros sindicatos independentes.
Segundo Antonio de Sousa Ramalho, presidente
do Sindicat,o dos Trabalhadores na Indústria da Construção
Civil de São Paulo, o objetivo é organizar os trabalhadores
em âmbito nacional. A construção civil representa
15,6% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega 30% dos trabalhadores
do setor industrial. São 13 milhões e 800 mil empregados
de forma direita e indireta. A assembléia será realizada
na rua Tabatinguera, 192, na Quadra dos Bancários.
AGENDA
Assembléia
Data: 7 de abril, sexta-feira
Horário: às 10 horas
Local: Quadra dos Bancários
Rua Tabatinguera, 192
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Folha de São Paulo,
07 de abril de 2006
RETOMADA
Setor espera crescimento de 5,1% no ano, puxado pelo calendário
eleitoral
Construção civil se recupera
e contrata 36,6 mil no bimestre
1º.ago.05 - Joel Silva/Folha
Imagem
Empregado da construção civil em obra no interior de São
Paulo
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O setor da construção civil
avançou mais rapidamente no primeiro bimestre do ano e recuperou
com pequena folga as perdas em termos de emprego sofridas ao longo de
2005. Em janeiro e fevereiro, foram criadas 36,6 mil novas vagas (+2,6%)
em nível nacional. No final de fevereiro, a construção
civil no país empregava 1,432 milhão de trabalhadores
formais, 3.000 a mais do que o melhor resultado de 2005, de outubro
passado.
Em 2006, as empresas da área esperam
crescimento de até 5,1%, muito acima da média registrada
nos últimos 15 anos. Esses e outros dados gerais do setor devem
ser apresentados hoje pelo Sinduscon, que representa as empresas do
setor. "As várias esferas de governo estão tirando
as travas neste ano eleitoral, dando um sinal claro às empresas
de que se pode acreditar em um crescimento real", afirma João
Claudio Robusti, presidente do Sinduscon. Para 2006, o setor espera
investimentos com verbas públicas de R$ 18,7 bilhões para
a área habitacional. Um terço dos recursos virá
das cadernetas de poupança, e o restante, do FGTS (Fundo de Garantia
do Tempo de Serviço) e da CEF (Caixa Econômica Federal).
Apesar da expectativa de mais emprego
e atividade no setor, o Brasil aumentou em mais de 20% o seu déficit
habitacional ao longo dos últimos dez anos. Enquanto o país
cresceu em média 2,3% ao ano nos últimos 15 anos terminados
em 2004, o setor de construção teve um desempenho médio
de apenas 1,2%. Para Eduardo Zaidan, da Zaidan Engenharia, apesar da
expectativa "moderadamente otimista" para 2006, o governo
Lula "não foi bom" para o setor. "Para a área
ir bem, é preciso boa gestão em vários setores
da economia", afirma. Em uma escala de 0 a 100, pesquisa realizada
entre os empresários da construção mostra um grau
de otimismo em torno de 50. "Estamos com a água entre a
boca e o nariz", afirma Zaidan.
"Vôos de galinha"
O empresário Mauricio Bianchi,
da BKO Engenharia, afirma, por exemplo, que o Brasil "só
tem crescido para cima", referindo-se aos lançamentos de
edifícios empreendidos pelo setor imobiliário nas grandes
cidades. "Em termos de obras para esgoto, pavimentação
e energia elétrica, não tem acontecido quase nada",
afirma. Segundo Bianchi, mesmo na área habitacional o setor vem
vivendo, assim como a economia como um todo, "vôos de galinha"
periódicos.
Por região, o nível
de emprego na construção apresentou melhores desempenhos
no Norte e no Nordeste, 1,5% e 1,7%, respectivamente. O pior resultado
foi na região Sul, com aumento de 0,7%. Segundo Bianchi, há
cerca de 15 anos a construção civil tinha o dobro dos
funcionários de hoje. A maior parte do enxugamento deu-se pela
redução da atividade e crises no setor, mas também
houve ganhos significativos de produtividade. Em 1995, por exemplo,
empresas consideradas produtivas despendiam cerca de 40 homens/hora
por m2 construídos. Hoje, a relação é de
32 homens/hora em empresas como a BKO Engenharia. Em obras em que o
uso de materiais pré-moldados é intensivo, essa relação
já caiu para 16 homens/hora por m2.
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TRIBUNA CATARINENSE, 07
de abril de 2006 | Geral
Custo da construção civil
cai 0,39% no mês de abril
Apesar desta variação negativa
no mês, o acumulado no ano aponta uma alta de 0,33%
O valor do Custo Unitário Básico
(CUB) médio habitacional em Santa Catarina apresentou queda de
0,39 % e passa a valer R$ 861,27 em abril, de acordo com pesquisa mensal
feita pelo Sindicato da Indústria da Construção
Civil da Grande Florianópolis (Sinduscon). Apesar desta variação
negativa no mês, o acumulado no ano aponta uma alta de 0,33% e
de 4,49% na variação dos últimos 12 meses. O Sinduscon/Florianópolis
(Sindicato da Construção Civil) monitora os preços
de 40 materiais, cinco de mão de obra e um aluguel de equipamento
para calcular o CUB, de acordo com a norma 12.721/99, da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Conforme a pesquisa, dos 40 itens de
material monitorados, oito tiveram redução de preço,
11 aumentaram e 21 permaneceram estáveis. As maiores altas foram
da Placa de Gesso (5,37%), da Cerâmica Esmaltada Comercial (3,17%)
e da Tábua Corrida, ou Assoalho de Madeira (3,06%). Por outro
lado, os produtos que tiveram maior redução de preços
foram o Tubo PVC Esgoto 100mm (8,69%), o Eletroduto de PVC Leve 1 ½”
(5,89%) e o Tubo PVC 3/4" (5,59%). Quanto à mão-de-obra,
serviços como o de carpinteiro, pintor e servente, também
tiveram queda com variações de (0,27), (3,66) e (0,45)
respectivamente.
Na avaliação de Amílcar
Lebarbenchon da Silveira, diretor de Economia e Estatística do
Sinduscon da Grande Florianópolis, a queda do CUB nos últimos
dois meses é, em parte, decorrente da redução das
alíquotas de IPI sobre alguns insumos, em vigor desde o mês
de fevereiro. “Já sentimos uma pequena queda nos preços
em virtude da alteração das alíquotas do IPI, mas
o setor espera maior oferta de crédito imobiliário e redução
dos juros para estimular a retomada dos investimentos”, explica
Lebarbenchon.
A pesquisa do Sinduscon representa o
valor parcial da construção, sem levar em conta custos
adicionais de uma obra como terrenos, fundações especiais,
elevadores, ligações de água e luz e remuneração
de serviços de engenharia. Um dos objetivos do CUB é disciplinar
o mercado de incorporação imobiliária, servindo
como parâmetro para definir o custo dos imóveis.
Como fica o valor do CUB em abril/2006:
Valor do CUB médio habitacional: R$ 861,27
Variação no mês: - 0,39%
Variação no ano: 0,33%
Variação nos últimos doze meses: 4,49%
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INFORME SERGIPE, 07 de abril
de 2006 | Economia
Pequenas da construção civil
estão na maior feira da América Latina
Da Redação: Fonte - Sebrae Nacional
O setor da construção civil representa 20,56% do PIB nacional,
segundo dados recentes da Fundação Getúlio Vargas,
e emprega 12,455 milhões de pessoas direta e indiretamente no
Brasil. Como em todos os setores, mais de 99% das empresas que atuam
no setor são micro e pequenos negócios.
Para prestigiar o setor, o presidente
da República, Luiz Inácio da Silva, participou na terça-feira
(4) da abertura da Semana Internacional da Indústria da Construção
e Iluminação em São Paulo, no Pavilhão de
Exposições do Anhembi. A Semana é organizada e
promovida pela Alcantara Machado e integra a Feicon Batimat - Feira
Internacional da Indústria Construção, parceria
com a Reed Exhibitions; a Feicon Cozinhas & Banheiros e a Feicon
Cerâmica Vermelha, que acontecem no Pavilhão de Exposições
do Anhembi.
A Feicon (Feira Internacional da Indústria
da Construção) é a maior feira do gênero
da América Latina e a quarta maior do mundo. Serão 800
expositores, em aproximadamente 100 mil metros quadrados. Os organizadores
esperam 170 mil visitantes até o sábado (8). Serão
lançados mais de 2.500 novos produtos.
Em vários Estados, o Sebrae participa
no apoio à cadeia da construção civil, levando
capacitação e apoiando o desenvolvimento de projetos para
as micro e pequenas empresas. Na Feicon, o Sebrae em São Paulo
apóia 39 empresas, que ocuparão um estande de 570 metros
quadrados.
Pela primeira vez na feira acontecerá
uma rodada de negócios internacional. Promovido pelo Sebrae,
o 'Projeto Exportação' reúne quatro compradores
internacionais (da América do Sul) e sete nacionais. A agenda
já está fechada com 20 empresas vendedoras de São
Paulo. Entre os expositores do estande do Sebrae, estão as empresas
de cerâmica vermelha de Tambaú e Vargem Grande do Sul,
reunidas em Arranjos Produtivos Locais (APL), e da Associação
da Cerâmica Vermelha de Itu e Região (Acervir).
Tradição em cerâmica
Para o gerente do Sebrae em São
João da Boa Vista, a 234 quilômetros de São Paulo,
responsável pelos APL de Tambaú e Vargem Grande do Sul,
Rodrigo Matos do Carmo, a feira será um grande momento para que
os empresários possam mostrar seus produtos, buscar novos compradores
e mercados. “Apesar de serem pequenas, algumas empresas já
estão exportando e lançando produtos diferenciados”.
A cadeia da construção
civil é muito forte na região de São João
da Boa Vista. Segundo dados da Associação dos Engenheiros
da região, são construídas na cidade cerca de 500
casas por ano. “É uma cidade de 80 mil habitantes, colonizada
por italianos. Temos baixo índice de criminalidade e muitos investimentos
em imóveis”, diz. No entorno de São João
da Boa Vista, há uma grande quantidade de marmorarias e olarias.
Por isso, o escritório do Sebrae
na região tem atuado na área de comércio e varejo
com o Programa de Capacitação Empreender. Já com
os profissionais liberais e prestadores de serviços, como engenheiros,
arquitetos, pedreiros, entre outros, foi desenvolvido o programa Boa
Obra, e as indústrias trabalham basicamente dentro dos APL –
uma parceria entre o Sebrae e a Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp).
A concentração de indústrias
de cerâmicas nos municípios vizinhos de Vargem Grande do
Sul e Tambaú levaram à criação dos dois
APL, que atualmente trabalham na metodologia da Gestão Orientada
para Resultados (Geor), sistema de acompanhamento e orientação
para os projetos apoiados pelo Sebrae. “O problema da cerâmica
na região é o baixo valor agregado. Em média, um
milheiro de telhas custa em torno de R$ 100. O nosso objetivo é
que as empresas saiam da concorrência de commodoties e produzam
produtos diferenciados”, diz Rodrigo Matos.
O projeto dos APL tem três etapas:
gestão (consultoria na área), produção e
conformidade –para padronização, certificação
de produtos e novas tecnologias - e novos mercados e novos produtos.
“Já estamos na segunda etapa e agora partindo para a terceira”.
Para isso, segundo o gerente, além da participação
na Feicon, entre dos dias 2 e 4 de junho o Sebrae, em parceria com a
Associação dos Engenheiros da região, promoverá
o 5º Salão da Construção Civil.
Serviço:
Feira Internacional da Indústria da Construção
Data - até 8
de abril
Horário - das
10h às 19h
Local - Pavilhão
de Exposições do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana
Público -
Exclusivamente para industriais, comerciantes, compradores e técnicos
do setor e afins, sendo proibida a entrada para menores de 16 anos,
mesmo que acompanhados. É obrigatória a apresentação
de cartão comercial.
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A TARDE ONLINE / SALVADOR,
07 de abril de 2006
IBGE: construção civil sobe
0,20% em março
O Índice Nacional da Construção
Civil registrou variação de 0,20% em março, recuando
0,11 ponto percentual em relação a fevereiro (0,31%),
divulgou nesta quinta-feira o IBGE.
A variação do mês
foi a menor apurada pelo instituto desde setembro de 2005 (0,14%). No
ano, o acumulado do índice ficou em de 0,94% e, em 12 meses,
em 6,02%. O resultado de março foi inferior também ao
apurado em março de 2005 (0,47%).
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Nova Central, 07 de abril
de 2006
Cheque pré-datado depositado antes
da data prevista em acordo gera indenização
A juíza Márcia Santos Capanema de Souza, da 7ª Vara
Cível do Rio, condenou o Ponto Frio a indenizar uma consumidora
por ter depositado um cheque pré-datado antes da data acordada.
Ana Maria Romana Secundino vai receber uma indenização
de R$ 5 mil por danos morais. A cliente fez uma compra parcelada em
três vezes. Um dos cheques, que deveria ser apresentado em 19
de novembro de 2004, foi depositado nove dias antes, o que causou descontrole
em sua conta corrente. Ana Maria compareceu à loja e efetuou
o pagamento, ocasião em que a empresa se comprometeu a devolver
o cheque. Segundo a cliente, o Ponto Frio demorou a cumprir o prometido,
acarretando demora na exclusão do seu nome dos cadastros restritivos
de crédito, o que teve que ser feito pela própria autora.
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Nova Central, 07 de abril
de 2006
Trabalhador pode contribuir com o INSS
por dois empregos
Segurado deve observar se não ultrapassa
o limite de contribuição
Quem tem dois empregos deve ficar atento
para não ultrapassar o limite de contribuição da
Previdência Social. Esse limite é atualmente de R$ 293,50
para o trabalhador empregado, o que corresponde a 11% do teto do salário
de contribuição e de benefícios da Previdência,
de R$ 2.668,15. Se as contribuições nos dois empregos
do segurado forem somadas e ultrapassarem R$ 293,50, o trabalhador pagará
a maior para a Previdência.
Para corrigir essa situação,
o empregado deve comunicar esse fato às empresas em que trabalha.
Existem duas opções: uma é a diminuição
proporcional do recolhimento nas duas empresas ou o recolhimento normal
em uma delas e somente a diferença na outra. É importante
que as duas empresas documentem o que está ocorrendo, para evitar
problemas com a fiscalização do INSS.
Em relação aos valores
que já tiver pago a mais, o segurado poderá pedir restituição.
Para isso, ele deve se dirigir ao setor de arrecadação
da agência da Previdência Social de sua região.
Empregado e autônomo - Já
o segurado que trabalha em empresa e como autônomo deverá
observar os dois rendimentos. A soma dos rendimentos sobre os quais
incidem as contribuições não poderá ultrapassar
o teto da Previdência, de R$ 2.668,15. Isso porque as alíquotas
são diferentes: 7,65 a 11% para o empregado, 11% para o autônomo
que presta serviço para empresas e 20% para o autônomo
que presta serviço para pessoas físicas.
Por exemplo, se o trabalhador recebe
R$ 2.000,00 como empregado e R$ 1.000,00 como autônomo que presta
serviço a pessoas físicas, ele deverá contribuir:
R$ 220,00 (11% sobre R$ 2.000,00), o que é descontado pela empresa,
e recolher, em guia, mais R$ 133,63 (20% sobre R$ 668,15).
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Folha de São Paulo,
07 de abril de 2006
ESCÂNDALO DO MENSALÃO/ A HORA DA
IMPUNIDADE
Cinco integrantes renunciaram, e quatro aceitaram ficar no posto somente
até o dia 25
Conselho de Ética se rebela após
absolvição de João Paulo
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Cinco integrantes do Conselho de Ética
da Câmara decidiram renunciar ao órgão em protesto
contra a absolvição no plenário de João
Paulo Cunha (PT-SP), ex-presidente da Casa, anteontem, por 256 votos
contra 209. O conselho havia recomendado a cassação de
João Paulo -o oitavo congressista absolvido no escândalo
do mensalão. Ontem, nove integrantes do órgão,
seis deles titulares, assinaram uma carta de renúncia.
Surpreendido, o presidente do conselho,
Ricardo Izar (PTB-SP), tentou convencer os signatários a permanecer
até a votação de dois processos pendentes, os de
Vadão Gomes (PP-SP) e José Janene (PP-PR). Ao chegar à
Câmara, Izar encontrou o grupo à sua espera, com a carta
de renúncia já assinada, e convocou uma reunião
a portas fechadas. Na sala, fez um apelo para que eles permanecessem
pelo menos até a votação dos dois processos pendentes
do caso do mensalão: "Fiz um apelo para que eles ficassem.
Não podemos fugir da raia", disse Izar. "Eu é
que teria de comandar uma renúncia. Não podemos esquecer
das três grandes vitórias", citando as cassações
dos deputados José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ)
e Pedro Corrêa (PP-PE).
Após o apelo, parte do grupo manteve
a decisão de abandonar o órgão, mas alguns dos
integrantes aceitaram a proposta de ficar no cargo até a votação
do processo contra Vadão, agendada para o próximo dia
25. "Com tristeza comunicamos que está encerrada nossa missão
neste Conselho [...] Nosso Conselho, hoje, tornou-se mais decorativo
do que de decoro. Tem muito mais função estética
do que de aconselhamento ético", diz a carta endereçada
a Izar. O ofício trazia a assinatura dos titulares Júlio
Delgado (PSB-MG), Chico Alencar (PSOL-RJ), Orlando Fantazzini (PSOL-SP),
Nelson Trad (PMDB-MS), Benedito de Lira (PP-AL) e Carlos Sampaio (PSDB-SP)
e dos suplentes Cézar Schirmer (PMDB-RS), Marcelo Ortiz (PV-SP)
e Cláudio Magrão (PPS-SP). Desses nove, cinco deputados
-Júlio Delgado, Chico Alencar, Orlando Fantazzini, Benedito de
Lira e Cézar Schirmer- disseram que não participarão
de mais nenhuma reunião do Conselho. "Meu trabalho no Conselho
de Ética se esgota hoje [ontem]. O plenário não
tem mais nenhum pudor", disse Delgado, relator da cassação
de Dirceu. Os outros quatro admitiram a possibilidade de votar somente
os dois casos inacabados. Depois disso, também prometeram deixar
o órgão.
Edmar Moreira (PFL-MG) não assinou
o ofício, mas disse que sairá após o último
processo. Relator do processo que pedia a cassação de
João Paulo, Cézar Schirmer desabafou: "Tenho respeito
pelos colegas do Conselho, mas não compensa. Fica a sensação
de impotência diante de tamanha frouxidão moral que estamos
vendo", declarou. João Paulo foi acusado de ter se beneficiado
de um saque de R$ 50 mil feito pela sua mulher nas contas de Marcos
Valério no Banco Rural, no dia 4 de setembro de 2003. No dia
anterior, o próprio João Paulo recebeu Valério.
O petista também é acusado de ter favorecido Marcos Valério
para que sua agência SMPB ganhasse a conta de publicidade da Câmara
dos Deputados em 2003.
"Pizza"
Desde o início da crise do "mensalão",
o Conselho recomendou 11 cassações de mandato e duas absolvições.
O plenário acatou as duas absolvições, mas reverteu
seis cassações. Outros dois casos ainda serão julgados
no plenário (ambos pela cassação) e dois seguem
no Conselho. A saída em bloco dos deputados deverá mudar
substancialmente a composição do Conselho e, conseqüentemente,
afetar as próximas decisões. Isso porque a indicação
dos deputados ao Conselho é feita pelos partidos no início
da legislatura e dura por quatro anos. Caso o deputado mude de partido,
ele não perde a vaga. Mas caso ele abandone o Conselho, como
ocorre agora, a vaga volta para o partido de origem.
Por exemplo: com a renúncia
dos deputados do PSOL (ex-petistas), o PT retoma duas cadeiras e passa
a controlar três votos. Nos bastidores, fala-se que PP e PT vêem
na mudança dos nomes uma chance de absolver Vadão e Janene
já no Conselho, evitando com isso mais desgaste no plenário
da Câmara. No caso de Janene, com o afastamento da deputada Ângela
Guadagnin (PT-SP), ainda será nomeado um novo relator para o
processo, mas há impasse regimental sobre a contagem de novo
prazo, o que poderá prolongar o caso por meses.
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Folha de São Paulo,
07 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/PESQUISA
Na corrida pelo governo do Estado, tucano tem 34 pontos de vantagem
sobre Marta Suplicy; contra Mercadante, distância é ainda
maior
Serra vence no primeiro turno, aponta
Ibope
DA REPORTAGEM LOCAL
Pré-candidato do PSDB ao governo
de São Paulo, o ex-prefeito José Serra venceria em primeiro
turno se as eleições fossem hoje, segundo pesquisa do
Ibope. Realizado a partir de sábado, dia seguinte à renúncia
de Serra, o levantamento mostra que ele possui entre 51% e 57% das intenções
de voto, conforme o cenário. É na simulação
contra a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e o ex-governador Orestes Quércia
(PMDB) que o tucano tem 51% da preferência. Marta aparece em segundo
lugar, com 17%, seguida de Quércia (8%). O deputado federal Luiz
Antônio Fleury Filho (PTB) e o vereador Carlos Apolinário
(PDT) têm, cada um, 3%. Votos nulos e em branco somam 10%.
A pesquisa, encomendada pelo Sindicato
das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região
(Setcesp), revela que Serra tem maior vantagem sobre Marta no interior.
Serra está dez pontos à frente de Marta na cidade de São
Paulo: 41% contra 31%. Na região classificada como "periferia"
-incluindo cidades vizinhas à capital-, Serra tem 52%, contra
15% de Marta. No interior, a diferença aumenta para 56% a 10%.
O índice de intenções de voto em Serra é
de 52% no cenário em que Quércia é substituído
pelo ex-governador Paulo Maluf (PP). Nele, Marta tem 18% da preferência.
Maluf (5%), Fleury (4%) e Apolinário (3%) estão tecnicamente
empatados. Votos em branco e nulos somam 9%.
Mercadante
Serra chega a 55% na simulação
que inclui o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT),
no lugar de Marta. Nesse cenário, o petista fica em terceiro
lugar, com 7%, atrás de Quércia, com 11%. Como a margem
de erro é de três pontos percentuais, para cima ou para
baixo, os dois estão tecnicamente empatados. Serra tem seu melhor
desempenho no cenário em que Maluf e Mercadante são apresentados
como adversários. Ele chega a 57% das intenções
de voto, contra 8% do senador petista, tecnicamente empatado com Maluf
(5%), Fleury (5%) e Apolinário (5%).
Na pesquisa Datafolha feita nos dias
16 e 17 de março, a diferença entre os percentuais recebidos
por Marta e Mercadante não atingia os dez pontos percentuais
registrados pelo levantamento do Ibope (17% contra 7%): a ex-prefeita
tinha 14% das intenções de voto, contra 12% do senador.
A diferença residia no fato de que, contra Mercadante, Serra
alcançava 58% das intenções de voto (46 pontos
à frente do senador), enquanto contra Marta o percentual do tucano
caía para 50% (36 pontos à frente da ex-prefeita).
Gestão na prefeitura
A gestão de Serra na Prefeitura
de São Paulo também foi avaliada pela pesquisa, feita
em todo o Estado. A administração foi classificada como
ótima ou boa por 49% dos eleitores. Esse índice é
menor na capital -46% -do que nas outras regiões: chega a 51%
na periferia e a 49% no interior. O Ibope não mediu o impacto
da renúncia de Serra sobre sua candidatura. O gerente de projetos
do Ibope, Maurício Tadeu Garcia, disse, no entanto, que o fato
de ele manter uma vantagem de cerca dez pontos sobre Marta -a mesma
diferença com que se elegeu prefeito- seria um "indicativo"
de que não foi expressivo.
Como é a primeira vez que o Ibope
inclui o nome de Serra na lista de candidatos, não foi possível
analisar a migração de votos em seu favor. Eles teriam
saído tanto dos eleitores de Marta como de Quércia. Em
pesquisa realizada no fim de fevereiro, sem Serra, Marta aparecia, por
exemplo, com 26% das intenções e Quércia, com 20%.
Em outra simulação, Quércia tinha 26% e Mercadante,
14%. O Ibope ouviu 1204 eleitores em 63 municípios entres os
dias 1º e 3 de abril.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de abril de 2006 | Política
LEGISLATIVO-Assembléia recebe manifestações
de 15 entidades
Setor produtivo reage contra o mínimo
regional
A cobrança do governador Roberto
Requião (PMDB) para que os deputados apressem a votação
do projeto de lei que estabelece o salário mínimo regional
provocou reação do setor produtivo. O presidente da Assembléia
Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), recebeu manifestações
de 15 entidades representativas da indústria e do comércio
– a maioria patronal e contra a criação do teto
regional.
A reação do empresariado
começou na terça-feira, após a reunião do
secretariado do governo, durante a qual Requião fez duras críticas
aos parlamentares e cobrou rapidez na aprovação do projeto,
que estipula um salário mínimo estadual entre R$ 427 e
R$ 437,80, de acordo com a categoria profissional. Em resposta à
pressão pública do governador, Hermas Brandão avisou
que só colocará o mínimo em votação
depois de ouvir a sociedade sobre o projeto.
Se dependesse apenas das entidades que
enviaram comunicado à Assembléia, dificilmente o projeto
seria aprovado na íntegra. A maioria dos sindicatos patronais
demonstra preocupação com o aumento da informalidade e
do desemprego que pode ser provocado com a implantação
do teto estadual.
“No momento em que nosso segmento
está sendo invadido por produtos chineses, o governo estadual
deveria se preocupar com a sobrevivência dessas empresas”,
afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação
e Tecelagem no Estado do Paraná (Sinditêxtil), Adilson
Filipaki, em comunicado enviado aos parlamentares.
As empresas metalúrgicas têm
a mesma preocupação. No documento encaminhado à
Assembléia, os sindicatos das Indústrias Metalúrgicas,
Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal-PR)
e de Ponta Grossa (Sindimetal-PG) afirmam que o mínimo “vai
gerar um aumento brutal nos custos operacionais das indústrias”.
O salário mínimo regional
proposto pelo governo estadual deve beneficiar diretamente cerca de
190 mil paranaenses, pouco menos de 6% do total de trabalhadores empregados
do estado. A estimativa, feita pelo Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PR), representa o número
de paranaenses que têm carteira assinada mas não possuem
dissídio ou acordo coletivo de trabalho.
Apesar do projeto prever aumento apenas
para essa parcela de trabalhadores, os empresários temem que
outras categorias passem a exigir o mesmo aumento porcentual para seus
níveis salariais.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de abril de 2006 | Política
MAIS RENDA
Trabalhadores apóiam projeto
Se aprovado pelos deputados, o salário
mínimo estadual de R$ 437 será o maior piso regional do
país. Atualmente Rio de Janeiro (R$ 369,45) e Rio Grande do Sul
(R$ 374,67) são os únicos estados brasileiros a adotarem
o mínimo regional, previsto pela Lei Complementar n.º 103,
de 14 de julho de 2000.
De acordo com a proposta do governo,
o novo salário deve ser aplicado nas categorias que não
possuem dissídio ou acordo coletivo de trabalho, como trabalhadores
domésticos, cujas condições de negociação
salarial são consideradas desfavoráveis.
O projeto de lei atende a uma sugestão
do deputado estadual Hermes Fonseca (PT), do advogado trabalhista e
diretor da Itaipu Binacional, Edésio Passos, lideranças
do movimento sindical e outros deputados da base de apoio ao governo
na Assembléia Legislativa. Diversas entidades trabalhistas já
se manifestaram a favor da criação do mínimo regional,
como a Central Única dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR)
e Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região.
Nesta semana a Assembléia recebeu
manifestações do Sindicato dos Oficiais Marceneiros e
Trabalhadores na Indústria de Serrarias e de Móveis de
Madeira (Somsjop) e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção e do Mobiliário de Toledo (Sintracon),
comunicando sua posição favorável ao mínimo
regional estadual. O ofício enviado pelos sindicatos afirma que
o novo piso vai proporcionar uma melhoria na condição
de renda dos trabalhadores e um aumento no consumo, estimulando a atividade
produtiva.
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JORNAL
GAZETA DO POVO, 07 de abril de 2006 | Política
COMÉRCIO
Reajuste pode chegar a 65%, diz estudo
A Federação do Comércio do Paraná
(Fecomércio) enviou um estudo à Assembléia Legislativa
no qual critica o salário mínimo regional proposto pelo
governo. Assinado pelo Sistema Fecomércio, que representa 57
entidades sindicais do setor de comércio e serviços, o
documento afirma que os valores estipulados pelo governo “são
exagerados e contribuirão para o aumento da informalidade e do
desemprego”.
Para demonstrar a situação, a Fecomércio-PR
registrou os pisos salariais vigentes, conforme data base de cada entidade,
projetando o aumento porcentual em relação ao mínimo
federal e estadual. Em média, esses valores ficaram 25% acima
do salário mínimo nacional. Segundo o estudo, porém,
há casos em que esse reajuste ultrapassa 40%, podendo chegar
a 65%, como deve ocorrer nas funções de motoboy, empacotadores
e entregadores de Curitiba e Cascavel.
Darci Piana, presidente da Fecomércio, afirma
que os salários negociados com os sindicatos de trabalhadores
são baseados em valores “razoáveis e adequados”,
que atendem as peculiaridades de cada região do Paraná.
“Somos favoráveis ao aumento salarial. Todavia, com as
dificuldades que estamos atravessando, de baixa lucratividade e carga
tributária elevada, este aumento proposto resultará em
demissões nos setores de comércio e serviços.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de abril de 2006 | Política
DEPUTADOS
Comissão vai pedir apoio
O deputado estadual Mauro Moraes
(PMDB) vai liderar uma comissão formada por representantes da
Nova Central Sindical dos Trabalhadores, CGT e Força Sindical
para pedir apoio dos deputados na aprovação do mínimo
regional. Moraes defende a proposta desde o ano passado, quando apresentou
uma indicação legislativa ao governo sugerindo o piso.
Segundo o deputado, o governador tem razão quando afirma que
a mensagem, que tramita desde fevereiro, já deveria ter sido
votada porque está em regime de urgência. Para Moraes,
o apelo dos sindicatos patronais não deve influenciar o voto
dos deputados. Segundo ele, o piso regional no Rio de Janeiro e Rio
Grande do Sul não provocou problemas de redução
de vagas no mercado de trabalho.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 07
de abril de 2006 | Brasil
PREVIDÊNCIA-Aposentados e pensionistas
que ganham acima do salário mínimo terão aumento
acima da inflação
INSS reajusta aposentadorias em 5%
Brasília – Os aposentados
e pensionistas do INSS que ganham acima do salário mínimo
terão um reajuste de 5% a partir do próximo pagamento.
O reajuste vai beneficiar cerca de 9 milhões dos 24 milhões
de beneficiários da Previdência Social. Desde 1997 esta
é a primeira vez que os aposentados dessa faixa salarial ganham
um aumento real. Até então o governo vinha aplicando apenas
o INPC, cujo índice acumulado entre maio de 2005 e março
deste ano ficou em 3,3%.
A medida foi anunciada pelos ministros
do Trabalho, Luiz Marinho, e da Previdência, Nelson Machado, e
ainda será levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
– que fará o anúncio oficial hoje – porque
uma das entidades que participava da negociação não
concordou com o reajuste, insistindo num reajuste de 6%.
O reajuste terá um impacto de
R$ 1 bilhão no caixa da Previdência. Segundo o ministro
Nelson Machado, não foi possível elevar o porcentual por
causa das limitações orçamentárias. Ficou
decidido ainda que o governo vai antecipar de novembro para setembro
o pagamento da primeira parcela do 13.º salário. No ano
que vem, o pagamento do 13.º será feito em julho e dezembro.
“Achamos que é pouco, mas
já é um avanço”, disse o presidente do Sindicato
Nacional dos Aposentados e Pensionistas, ligado à Força
Sindical, João Batista Inocentini.
Ficou decidido ainda que será
criada uma comissão para regulamentar a gratuidade de dois assentos
nos ônibus interestaduais e do desconto de 50% nas linhas intermunicipais,
além de outras reividicações dos aposentados.
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JORNAL O GLOBO, 07 de abril
de 2006
Na prática, país já
iniciou reforma trabalhista
Geralda Doca
BRASÍLIA. Os trabalhadores brasileiros
têm hoje mais possibilidades de recorrer à Justiça
trabalhista para fazer valer seus direitos em situações
desconsideradas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT)
ou impensáveis quando ela foi elaborada. Como a legislação
não foi atualizada, os juízes estão despachando
decisões em causas envolvendo as novidades do mercado, como uso
do celular e de e-mails, terceirização, assédio
moral e discriminação, além de novas profissões.
É como se a reforma trabalhista, em alguma medida, estivesse
sendo feita na prática.
Desde que teve seus poderes ampliados,
com a reforma do Judiciário há um ano, a Justiça
do Trabalho passou a cuidar de qualquer relação trabalhista
e não só daquelas com vínculo empregatício.
Com isso, autônomos, representantes comerciais, corretores, trabalhadores
avulsos, contratados por terceiros e ensacadores ganharam um canal específico.
Só o Tribunal Superior do Trabalho
(TST) recebeu cerca de 500 processos que estavam espalhados. E as instâncias
inferiores já recebem uma infinidade de novas ações.
A engenheira Carolina Passos Ferreira é um exemplo. Após
quatro anos nos canteiros de obra de uma firma de engenharia da Bahia,
ganhando metade do salário dos colegas homens, entrou na Justiça
por assédio moral e discriminação. A empresa foi
condenada a equiparar o contracheque e indenizá-la em R$ 5 mil.
— É pouco, mas já
representa um avanço. Dificilmente a Justiça dava ganho
de causa por dano moral — comemora Carolina, hoje funcionária
pública.
Professor foi indenizado por sofrer maus-tratos
de alunos
Devido a maus-tratos de alunos e diretores
de uma universidade de Brasília, o professor José Roberto
de Lima Bueno ganhou ação similar:
— Fiquei indignado quando soube
que minha demissão fora decidida na cama. Uma aluna era namorada
do diretor!
Mas não é só a Justiça
que tenta adequar as normas à nova realidade. Empregadores e
trabalhadores também estão se antecipando à reforma
com acordos coletivos que mudam pontos da CLT, como jornada de trabalho
e hora extra. Ou inovam, como na adoção da Participação
no Lucro e Resultado.
As próprias negociações
refletem uma flexibilização na legislação.
As centrais sindicais não existem no papel e, por isso, não
poderiam representar os trabalhadores. Mas ganharam força. Reúnem-se
com o governo e fizeram as montadoras aceitar comissões de fábrica.
Os metalúrgicos de São Paulo chegaram a um acordo para
que acidentados com lesão permanente tenham estabilidade até
a aposentadoria — e não por um ano após a alta como
diz a lei.
Na semana passada, o TST deu aval a uma
negociação dos motoristas de ônibus urbanos do Rio,
que abre precedentes. Em vez de tirar uma hora corrida de almoço,
conforme prevê a lei, eles descansam cinco minutos na parada e
trabalham menos uma hora por dia.
— Como a CLT não dá conta da realidade, os acordos
vão avançando — diz o advogado trabalhista Siqueira
Neto.
O presidente do TST, Vantuil Abdala,
destaca que não há legislação que trate
da terceirização, um dos maiores fenômenos do mercado.
Apenas uma súmula do tribunal trata de casos irregulares. É
a situação das cooperativas de serviços e da contratação
de funcionários como pessoas jurídicas (que não
assinam recibos nem pagam impostos e não têm direitos como
FGTS e INSS).
Foi assim que a funcionária pública
Franciele Carvalho de Oliveira ganhou uma causa contra um grande banco.
Ela era funcionária de uma cooperativa contratada como digitadora
por uma terceirizada da instituição. Ficou caracterizado
o vínculo e o banco teve que pagar os direitos devidos.
Também com base numa súmula
do TST, que iguala trabalhadores de cooperativa de crédito aos
bancários, dois ex-funcionários da prestadora de serviços
de uma grande montadora em Brasília saíram vitoriosos.
Eles exerciam atividades típicas de banco: faziam análise
de cadastro e fechavam contratos, mas ganhavam como comerciários.
A Justiça determinou a equiparação:
— Trabalhava duas horas a mais
que os bancários e recebia menos — conta Iege Wesguebre
Machado, que deu entrada num apartamento com a indenização.
Apesar das mudanças, há
queixas de que a Justiça é conservadora e tende a barrar
acordos não previstos na CLT. Para o presidente do Conselho de
Relações do Trabalho da Confederação Nacional
da Indústria (CNI), Dagoberto Godoy, os acordos se limitam à
jornada.
— Os sindicatos estão
limitados ao estabelecido na lei. Isso prejudica as entidades representativas
— diz o consultor jurídico da Força Sindical, Antonio
Rosella.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 07 de abril de 2006 | Economia
Brasil caminha para ser opção
de investimento sem risco
Segundo o Instituto de Finanças Internacional,
o Brasil está em circulo virtuoso agora, com a inflação
e as taxas de juros caindo
Adriana Chiarini
RIO DE JANEIRO - O economista do Instituto
de Finanças Internacional (IIF) Frederick Jaspersen disse, nesta
quinta-feira, que o Brasil pode chegar ao "investment grade"
(condição de baixo risco de crédito), mas ressaltou
que "o mais importante para isso é que haja continuidade
na política econômica".
De acordo com Jaspersen, o Brasil está
em circulo virtuoso agora, com a inflação e as taxas de
juros caindo. O IIF projeta para o País um crescimento do Produto
Interno Bruto (PIB) de 3,8% este ano, mas que pode ser até maior.
O diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, afirmou que as políticas
macroeconômicas na América Latina e no Brasil estão
institucionalizadas.
Eleições
O IIF acredita que as eleições
nos países da América Latina este ano, inclusive no Brasil,
não devem afetar muito as políticas econômicas,
exatamente por este motivo. Dallara e o presidente do banco Itaú,
Roberto Setúbal, destacaram, porém, a importância
de o próximo governo promover reformas nas áreas tributária,
previdenciária, trabalhista e fiscal.
Dallara afirmou que a maior parte do
investimento que está vindo para o Brasil do exterior é
direto em produção, de longo prazo. Trata-se assim, disse,
de investidores que estão informados dos riscos do País
mas consideram que há oportunidades.
Ele completou sobre a mudança
de ministro da Fazenda que "políticas e instituições
são muito mais importantes do que qualquer indivíduo",
e que "estamos em uma fase em que as políticas foram institucionalizadas".
Alta nos juros
Dallara disse ainda que uma possível
alta dos juros nos Estados Unidos, na Europa e no Japão, constitui
"uma preocupação". Ele explicou que a situação
tornaria o ambiente possivelmente "mais desafiador para os mercados
emergentes".
Jaspersen, por sua vez, afirmou que caso
ocorra aumento de juros nos países desenvolvidos "no fim
deste ano ou início do ano que vem, a região da América
Latina está muito mais bem preparada do que estava no passado".
O presidente do Itaú, Roberto
Setúbal, acrescentou que os países da América Latina
estão fiscalmente mais responsáveis e com contas externas
superavitárias. "Não se vislumbra crises ou dificuldade
maior."
Os representantes da IIF participaram
de entrevista coletiva antes do início do Encontro Anual de Presidentes
de Bancos Latino-Americanos, evento que será realizado a portas
fechadas.
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JORNAL O POVO / FORTALEZA,
07 de abril de 2006 | Economia
Desemprego chega a 14,79% e informalidade
continua em alta
Apesar de apresentar saldo negativo no Estado,
acompanhando os números da Região Nordeste, os dados relativos
ao emprego formal em Fortaleza e Região Metropolitana foram positivos
em fevereiro
Adriana Albuquerque
da Redação

ELIMINAÇÃO de empregos com carteira assinada ocorreu
no Interior (Foto: Talita Rocha/Especial para O POVO)
O Nordeste foi a única região no País a apresentar
saldo negativo pelo segundo mês consecutivo no emprego formal,
de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em fevereiro deste
ano, foram admitidos 111.448 trabalhadores contra 138.461 desligamentos,
o que resulta num saldo negativo de 27.013 postos de trabalho. No Ceará,
a redução de vagas foi de 494.
O desempenho negativo, no entanto, não
se repete na Capital e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF),
que apresentaram ampliação de 1.482 e 1.576 postos de
trabalho em fevereiro, respectivamente. Isso quer dizer que a eliminação
de empregos com carteira assinada se deu no interior do Estado. Foram
2.070 vagas a menos, de acordo com números divulgados pela Secretaria
do Trabalho e Empreendedorismo (Sete) e Sistema Nacional de Emprego/
Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (Sine/IDT).
A indústria de transformação
(-1.887) e a agropecuária (-447) foram os principais setores
que influenciaram o saldo negativo do emprego no Ceará. No bimestre
janeiro/fevereiro de 2006, os dois setores fecharam 3.097 e 1.914 vagas,
respectivamente. O setor da construção civil, por sua
vez, destacou-se pelo segundo mês consecutivo, apresentando o
maior número de contratações no Estado.
Em Fortaleza e RMF, além da construção
civil, os serviços também apresentaram números
expressivos. Na Capital, foram abertas 1.167 e 747 novas vagas nos setores
de serviços e construção civil em fevereiro de
2006. Na RMF, estes setores criaram 1.201 e 859 novos empregos no mesmo
período.
Com relação ao mês
anterior, a taxa de ocupação, que era de 43,13% da população
economicamente ativa (PEA), registrou pequena queda, ficando em 42,42%
da PEA. Destaque para a taxa de ocupação informal, que
permaneceu em alta, representando 57,14% da PEA. A inserção
pelo sistema público no mercado de trabalho de pessoas com deficiência
em fevereiro de 2006, também teve destaque, apresentando seu
melhor desempenho pelo terceiro ano consecutivo. Foram colocados no
mercado de trabalho 115 trabalhadores com deficiência neste período.
Houve uma ampliação do
desemprego em fevereiro de 2006, que passou de 13,19% no mês anterior,
para 14,79%. Foram 16.574 desempregados a mais que no mês anterior,
sendo que o número de pessoas que deixaram a população
ocupada é de 12.985. "Isso reflete duas coisas: a redução
da taxa de ocupação, além da retomada da busca
por trabalho de pessoas que estavam paradas", explica Mardônio
Costa, diretor de estudos e pesquisas do IDT.
Ele acrescenta que os números
divulgados traduzem o comportamento sazonal do emprego formal nos primeiros
meses do ano e que a tendência de queda na ocupação
deve manter-se por um curto período de tempo. "A partir
de agora a tendência é melhorar, até porque há
fortes indícios de crescimento da economia", conclui Mardônio
Costa.
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CORREIO DE SERGIPE.COM,
07 de abril de 2006
Seguro-desemprego só beneficia
empregados demitidos sem justa causa
O benefício do seguro-desemprego
acompanhará o aumento do salário mínimo em 16,66%.
Somente os trabalhadores que foram demitidos sem justa causa têm
direito a recebê-lo. O Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo
de Amparo ao Trabalhador) publicou na última terça-feira
na resolução do Diário Oficial da União
que o valor mínimo desse benefício sobe de R$ 300 para
R$ 350 e o máximo passou de R$ 561,30 para R$ 654,85. "O
índice de correção é o mesmo aplicado ao
salário mínimo. O valor mínimo recebido não
pode ser inferior ao salário mínimo e como este foi reajustado
o seguro-desemprego também aumenta", explica Jane Araújo,
chefe da seção de emprego e salário da Delegacia
Regional do Trabalho (DRT).
A resolução 479 do Codefat
prevê que a partir do último dia 1º de abril o cálculo
do valor do seguro-desemprego mudou. Para trabalhadores que ganharam
até R$ 577,77 nos três meses anteriores à demissão,
o benefício vai corresponder ao valor do salário mensal
multiplicado por 0,8, respeitando o piso de R$ 350. Já os trabalhadores
que recebiam entre R$ 577,78 e R$ 963,04 o seguro-desemprego vai corresponder
ao valor do salário menos R$ 577,77 multiplicado por 0,5, acrescido
de um valor fixo de R$ 462,22. Para a média salarial superior
a R$ 963,04, o valor da parcela será fixo e sempre igual a R$
654,85.
Já as divisões de pagamento
do seguro continuam as mesmas. Quem trabalhou de seis a 11 meses em
uma empresa, receberá em três parcelas, mas se o período
foi de 12 a 23 meses essa divisão sobe para quatro parcelas.
E se a pessoa esteve empregada há mais de 24 meses o benefício
é pago em cinco parcelas.
"Os documentos solicitados para
que o trabalhador dê entrada no seguro-desemprego são a
carteira de trabalho dada baixa, termo de rescisão de contrato,
comprovante de que recebeu o fundo de garantia, a comprovação
de depósito da multa rescisória e o requerimento próprio
fornecido pela empresa. Depois se dirige até a DRT para dar entrada",
informa Jane Araújo.
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TRIBUNA DO INTERIOR / PARANÁ,
07 de abril de 2006
Rossoni: "oposição
não está travando o mínimo regional"
Da Redação
Curitiba
O líder da oposição,
deputado Valdir Rossoni (PSDB) criticou a atitude do deputado Mauro
Moraes (PMDB), que teria declarado na imprensa que os parlamentares
de oposição estavam segurando os projetos que propõem
o salário mínimo regional na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ).
A proposta inicial foi feita pelo governador
Requião e, logo em seguida, Moraes apresentou um projeto com
o mesmo teor só que com valor maior.
O deputado Rossoni lembrou que é
favorável ao piso regional de R$ 437,00 proposto pelo governo,
recomendando inclusive que o governador estendesse o mesmo valor percentual
de aumento para o salários dos servidores. Esse comentário
do deputado Mauro Moraes mostra que ele não acompanha os trabalhos
da Assembléia, provocou Rossoni, que lamentou que o parlamentar
não estivesse presente na sessão.
Em aparte, o deputado Reni Pereira (PSB)
que faz parte da CCJ, disse que a matéria está parada
devido a um pedido de vistas ao relatório do deputado Hermes
da Fonseca (PT) pelo deputado Mário Sérgio Bradock, que
é do partido do governo, o PMDB. Ele (Mauro Moraes) tem de primeiro
se inteirar para saber quem está segurando o trâmite da
matéria, antes de sair falando que a oposição está
articulando na CCJ. A não ser que o deputado Bradock já
está na oposição e eu não esteja sabendo,
ironizou.
Rossoni disse que espera explicações
do deputado Mauro Moraes. "Não aceito crítica de
quem não participa da vida desta Casa, de quem é ausente,
vaquinha de presépio, de quem nunca encaminhou um projeto, e
só pega carona nas obras do governo e da prefeitura de Curitiba",
disse.
O líder do PSDB, deputado Ademar
Traiano fez coro ao pronunciamento. "Ele (Mauro Moraes) é
polivalente: tudo o que o governador faz é Mauro Moraes, Na Prefeitura
de Curitiba é a mesma coisa. Tudo o que o prefeito Beto Richa
constrói, o Mauro Moraes entra de carona" conclui.
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de abril de 2006
Execução trabalhista
Administrador voluntário responde
por dívidas de empresa
Se uma associação sem fins
lucrativos não tem patrimônio para quitar a dívida
trabalhista, os bens de seus administradores podem ser penhorados, mesmo
que os dirigentes não sejam remunerados. O entendimento é
da 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(São Paulo). Os juízes acolheram recurso de uma ex-empregada
da Apae de Osasco e determinaram que a primeira instância prossiga
a execução contra seus administradores. Cabe recurso.
Em 1999, a 2ª Vara do Trabalho do
município condenou a entidade a pagar verbas e indenizações
para a ex-funcionária. O processo entrou em fase de execução
em 2001. Como a Apae não quitou o débito, a primeira instância
bloqueou as contas bancárias da associação e tentou
leiloar os bens penhorados, sem sucesso.
A trabalhadora, então, pediu à
Vara do Trabalho que fosse aplicado para o processo o instituto da “despersonalização
de pessoa jurídica”, que transfere a responsabilidade sobre
dívidas a sócios e administradores de empresas. Como o
pedido foi negado, a ex-empregada recorreu ao TRT-SP. Insistiu que a
execução prosseguisse contra a presidente e a vice-presidente
da entidade.
O juiz Rafael Edson Pugliese Ribeiro,
relator, entendeu que, “o fato de a ré ser uma associação
que não busca auferir lucros para reparti-los entre seus associados
não pode servir como um escudo para proteger os bens particulares
de seus administradores”.
Para o relator, “a administração
de uma instituição de Utilidade Pública Federal
é um encargo da mais alta relevância, exigindo de sua diretoria
grande dedicação e seriedade. Não se pode tolerar
irresponsabilidade e descaso dos administradores de uma associação
pela simples razão de não receberem, em tese, remuneração
por suas atividades”.
“O risco do empreendimento, pouco
importando sua finalidade, não pode ser transferido aos seus
empregados, tampouco à sociedade. A responsabilidade pelo gerenciamento
de uma associação sempre será daqueles que a administram”,
concluiu.
Para o professor de Direito do Trabalho
da PUC-SP e advogado do PLKC, Marcel Cordeiro, a decisão está
de acordo com o artigo 2º, parágrafo 1º, da CLT. Pela
regra, “equiparam-se ao empregador, para os efeitos exclusivos
da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições
de beneficência, as associações recreativas ou outras
instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores
como empregados.”
“Mesmo que seja a Apae, estamos
tratando de empregador e empregado. A entidade tem de obedecer a mesma
base legal de uma empresa com fins lucrativos. Quando falamos de empresa
é bastante corriqueiro que o administrador responda pelos seus
atos, inclusive com seu patrimônio pessoal”, esclarece o
advogado.
De acordo com Marcel Cordeiro, o princípio
da despersonalização de pessoa jurídica é
muito forte nos Estados Unidos e veio para o Brasil em 1990, com o Código
de Defesa do Consumidor. “Apesar de fazer parte do CDC, é
uma lei federal. Assim, a Justiça do Trabalho trouxe o instituto
para si para obrigar o administrador a responder pelos seus atos. Depois
desse princípio, ficou até mais difícil fazer a
defesa do patrimônio do empregador, porque agora o juiz tem embasamento
legal para determinar a penhora”.
AP 02035.1999.382.02.00-1
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de abril de 2006
Questão de competência
Justiça do Trabalho julga mudança
de regime trabalhista
A Justiça do Trabalho tem competência
para julgar ação que pede mudança do regime celetista
para o estatutário. A decisão é da 3ª Seção
do Superior Tribunal de Justiça, que julgou ação
de um funcionário contra o município de Palmeiras dos
Índios (Al).
No caso, o funcionário foi contratado
como celetista pelo município sem concurso público, antes
da Constituição de 1988. Em 1991, passou para o regime
estatutário. O funcionário entrou com ação
contra o município pedindo restituição de diferença
nos salários.
O juiz da 3ª Vara da cidade considerou
que, como o pedido tinha cunho trabalhista, deveria ser julgado por
um Tribunal do Trabalho. Já o Tribunal Regional do Trabalho da
19ª Região considerou-se incompetente para julgar a questão;
pois, devido à mudança de regime, ela seria estatutária.
O conflito de competência foi levado ao Superior Tribunal.
Em sua decisão, o ministro Felix
Fischer, afirmou que a mudança de regime era nula, pois ocorreu
após a vigência da nova Constituição. O ato
nulo não gera efeitos, sendo como se nunca tivesse existido.
Segundo Fischer, a Justiça Trabalhista é competente para
julgar a validade da transformação da mudança de
regime de trabalho e, como o contrato original foi feito segundo a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), julgar as controvérsias entre empregado
e empregador.
CC 53502
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CONSULTOR JURÍDICO,
07 de abril de 2006
Mudança de emprego
Juiz dá 24 horas para empresa dar
baixa em carteira
Empresa de limpeza tem de dar baixa na
carteira de trabalho de 33 funcionários em 24 horas. A decisão,
do dia 4 de abril, é do juiz Roberto Vieira de Almeida Rezende,
da 5ª Vara do Trabalho de Santo, litoral de São Paulo atendendo
a pedido do Sindilimpeza, sindicato dos trabalhadores de limpeza da
Baixada Santista, contra a empresa Liderança Limpeza e Conservação.
Cabe recurso.
Segundo os autos, no dia 17 de março
a empresa de limpeza encerrou seu contrato de prestação
de serviços com a Delegacia da Receita Federal em Santos. No
entanto, não deu baixa na carteira de trabalho dos funcionários
para que eles pudessem trabalhar em outro lugar.
Na Medida Cautelar Inominada, o sindicato
alegou que a empresa que substituirá a Liderança pretende
manter os terceirizados, mas, para isso, necessita da anotação
da baixa dos contratos na CTPS. O juiz acolheu o argumento. Considerou
que, “configura ofensa não apenas ao artigo 469 da Consolidação
das Leis do Trabalho, como também à cláusula 13
da norma coletiva da categoria dos trabalhadores substituídos,
cujo teor é claro no sentido de que todas as despesas decorrentes
da transferência devem ser suportadas pela empresa”.
Para o juiz, a demora da anotação
de baixa na carteira de trabalho “importará a perda da
possibilidade de que 33 trabalhadores permaneçam empregados na
Baixada Santista. Tal fato teria, inclusive, importante repercussão
social na região e é dever desta Justiça Operária
evitar a instabilidade das relações socioeconômicas”.
MCI 00544.2006.445.02.00-8M
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
07 de abril de 2006
Juiz determina demissão para que
funcionários continuem trabalhando
O juiz Roberto Vieira de Almeida Rezende,
titular da 5ª Vara do Trabalho de Santos, determinou que a empresa
Liderança Limpeza e Conservação desse baixa na
carteira de trabalho de 33 funcionários, para que eles possam
continuar trabalhado no mesmo local.
Segundo a assessoria do TRT-SP (Tribunal
Regional do Trabalho de São Paulo), a liminar foi concedida em
medida cautelar ajuizada pelo Sindilimpeza (Sindicato dos Trabalhadores
nas Empresas de Asseio e Conservação) de Cubatão,
Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente.
De acordo com sindicato, no último
dia 17, a empresa de limpeza encerrou seu contrato de prestação
de serviços com a Delegacia da Receita Federal de Santos, e propôs
aos empregados a transferência para postos de trabalho na cidade
de São Paulo. No entanto, ela não arcaria com as despesas
pelo deslocamento.
O Sindilimpeza alegou que a empresa que
substituirá a Liderança pretende manter os terceirizados,
mas que eles necessitam da anotação de baixa dos contratos
na carteira.
Para o juiz Roberto Rezende, a postura
da Liderança "configura ofensa não apenas ao artigo
469 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), como também
à cláusula 13 da norma coletiva da categoria dos trabalhadores
substituídos, cujo teor é claro no sentido de que todas
as despesas decorrentes da transferência devem ser suportadas
pela empresa".
De acordo com o titular da vara, consta
do processo que o representante da Receita Federal confirmou que a nova
empresa prestadora de serviços "propõe-se a admitir
os funcionários da reclamada, à exceção
das empregadas grávidas".
Segundo o juiz, a demora da anotação
de baixa na carteira de trabalho "importará a perda da possibilidade
de que 33 trabalhadores permaneçam empregados na Baixada Santista.
Tal fato teria, inclusive, importante repercussão social na região
e é dever desta Justiça Operária evitar a instabilidade
das relações socioeconômicas".
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
07/04/2006
TST nega dano moral por descaracterização
de justa causa
A Quinta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho negou provimento (rejeitou) a um pedido de indenização
por dano moral e material de um ex-escriturário da Transportadora
Itapemirim, de Salvador (BA), demitido após o desaparecimento
de vales-transporte. A empresa alegou ato de improbidade por entender
o desaparecimento como furto, enquanto o trabalhador afirmava ter sido
assaltado.
O escriturário tinha, entre suas
atribuições, a compra, o controle e a distribuição
dos vales-transporte aos trabalhadores da empresa. No dia 26 de janeiro
de 1998, a Transportadora o demitiu por justa causa “por ter se
apropriado de vales-transporte no valor de seis mil reais”. Segundo
a versão do trabalhador, este teria sido vítima de assalto
– registrado em delegacia policial – logo após a
aquisição dos vales. Numa primeira reclamação
trabalhista, a Vara do Trabalho de Salvador descaracterizou a justa
causa, condenando a empresa ao pagamento das verbas rescisórias
por demissão imotivada.
Depois disso, o trabalhador ajuizou nova
reclamação visando ao pagamento de indenização
por dano moral e dano material. Em suas alegações, afirmou
que “desde a despedida por justa causa carregaria a pecha de ímprobo”,
e que a empresa teria dificultado, também, a obtenção
de novo emprego, ao divulgar sua versão dos fatos, que não
pôde ser comprovada.
A Vara do Trabalho, porém, considerou
não existir no processo “o mais tênue indício
de que a acusação tenha chegado ao conhecimento dos amigos
e familiares, tampouco de que essa lhe tenha trazido conflitos psíquicos
de grande magnitude, não havendo notícia de que esteja
em tratamento por depressão ou qualquer outro distúrbio
mental.”
Com relação às supostas
manobras da empresa para impedi-lo de conseguir nova colocação,
a Vara ouviu testemunhas e considerou seus depoimentos “pouco
confiáveis”. Além disso, as anotações
na carteira de trabalho do ex-escriturário demonstraram que ele
havia passado por oito empregos depois da demissão – três
antes e cinco depois do ajuizamento do pedido de indenização.
No julgamento do recurso ordinário, o Tribunal Regional do Trabalho
da Bahia (5ª Região) manteve o entendimento da Vara, julgando
o pedido improcedente.
O ex-escriturário recorreu então
ao TST, alegando que o dano moral havia sido devidamente demonstrado,
e que sua configuração “prescinde de prova efetiva
de sua ocorrência, pois a lesão causada no ofendido opera-se
em seu âmago subjetivo”.
O relator do recurso de revista, ministro
Gelson de Azevedo, ressaltou em seu voto que “a responsabilidade
civil do empregador pela indenização por dano moral pressupõe
a existência de três requisitos – a prática
de ato ilícito ou com abuso de direito, o dano propriamente (prejuízo
material ou sofrimento moral) e o nexo causal entre o ato praticado
pelo empregador ou por seus prepostos e o dano sofrido pelo trabalhador.”
No caso em questão, a causa do dano seria a ausência de
comprovação dos atos de improbidade que deram motivo a
sua demissão.
O relator verificou, no entanto,
que “não ficaram demonstrados os prejuízos material
e/ou moral alegados”: ele conseguiu colocação no
mercado de trabalho pouco mais de um mês após a demissão
e, por outro lado, não conseguiu demonstrar que houvesse passado
por sofrimento ao ter que justificar sua demissão aos familiares
e amigos. Além disso, o ministro Gelson ressaltou que o TST “tem
entendido que a desconstituição da demissão por
justa causa não pode ser considerada, isoladamente, como motivo
caracterizador de dano moral”. (RR 233/2001-016-05-00.0)

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