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Agência Senado, 08 de abril de 2006
Salário Mínimo
Parlamentares debatem em Curitiba política
para o salário mínimo
A comissão mista - formada por deputados federais e senadores
- que estuda a implementação de uma política permanente
de reajuste para o salário mínimo estará em Curitiba
nesta segunda-feira (10) para debater o assunto em audiência pública.
Está prevista a presença, na reunião, do governador
do Paraná, Roberto Requião, e de representantes de entidades
de trabalhadores e de empresários. A audiência, que terá
início às 14h, será realizada no Museu Oscar Niemeyer,
na rua Marechal Hermes, nº 999.
Criada em dezembro de 2005, a comissão
já promoveu dez audiências públicas com o objetivo
de debater uma política para o salário mínimo.
A sessão em Curitiba será a primeira realizada fora do
Congresso Nacional. Além de uma política permanente de
reajuste, a comissão também vem discutindo questões
como o vínculo entre o valor do salário mínimo
e o de aposentadorias e pensões; o uso do fator previdenciário
no cálculo da aposentadoria e a própria situação
da Previdência Social, entre outros itens.
A comissão é presidida
pelo deputado federal Jackson Barreto (PTB-SE) e tem como relator o
senador Paulo Paim (PT-RS).
Participantes Foram convidados para a audiência, além do
governador Roberto Requião, o presidente da Central Única
dos Trabalhadores do Paraná (CUT-PR), Roni Anderson Barbosa;
o presidente da Federação das Indústrias do Paraná
(Fiep), Rodrigo Rocha Loures; o presidente da Força Sindical
do Paraná, Sérgio Butka; o presidente da Associação
Comercial do Paraná, Cláudio Gomes Slaviero; o supervisor
técnico do escritório regional do Paraná do Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos
(Dieese), Cid Cordeiro Silva; a procuradora regional do Trabalho da
9ª Região Lair Carmen Guimarães; o presidente da
Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep),
Ágide Meneguette; o presidente da Associação dos
Municípios do Paraná, prefeito Luiz Lázaro Sorvos,
de Nova Olímpia (PR); e o presidente da Assembléia Legislativa
do Paraná, deputado Hermas Brandão. Ricardo Koiti Koshimizu
/ Repórter da Agência Senado.
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Nova Central, 08 de abril
de 2006
Descaso da empresa com a saúde
do trabalhador gera indenização por danos morais
Para a 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
(TRT-SP), o descaso da empresa com a saúde do empregado é
motivo para que ele peça a rescisão indireta do contrato
de trabalho e seja indenizado pelos danos morais sofridos. Este entendimento
foi firmado no julgamento do processo de um ex-empregado da Cinpal Cia.
Industrial de Peças para Automóveis. Submetido a dieta
rigorosa por sofrer de gastrite, o trabalhador solicitou à indústria
de autopeças autorização para trazer a refeição
pronta de casa, além de alteração no horário
do intervalo para descanso e alimentação.
Sem uma resposta ao seu pedido, o empregado
não compareceu mais ao trabalho. A empresa considerou as ausências
como faltas injustificadas e demitiu o metalúrgico por justa
causa. O trabalhador entrou, então, com processo na Vara do Trabalho
de Taboão da Serra (SP), pedindo que fosse declarado o rompimento
do contrato por culpa do empregador. Além das verbas rescisórias,
ele reclamou reparação pelos danos morais sofridos com
o episódio. Em sua defesa, a Cinpal alegou que não permite
aos seus empregados que levem de casa a própria refeição,
mas que analisava o pedido do ex-empregado quando ele abandonou o emprego.
O juiz da vara julgou o processo procedente
em parte, reconhecendo a rescisão indireta do contrato de trabalho,
mas negou a indenização por danos morais. Insatisfeitos
com a sentença, a empresa e o reclamante recorreram ao TRT-SP.
Para o juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros, relator do Recurso Ordinário
no tribunal, "é evidente que o reclamante fez o possível
para continuar prestando serviços à ré. Todavia,
seus esforços não encontraram contrapartida". No
entender do relator, "a insólita omissão da empresa
em resolver questão relevante e inadiável, que dizia respeito
à saúde de seu empregado, praticamente obrigou o trabalhador
a ver-se na contingência de deixar o emprego, buscando na tortuosa
e demorada via judicial, a rescisão indireta do contrato de trabalho".
Segundo o juiz Ricardo Trigueiros,
configurado que a empresa foi responsável "por atos de desrespeito
à dignidade e integridade física e moral do autor, não
há como deixar de deferir a indenização por danos
morais". Por maioria de votos, os juízes da 4ª Turma
acompanharam o relator, condenando a empresa a pagar ao ex-empregado
as verbas devidas em dispensa sem justa causa e indenização
por danos morais, estipulada no dobro do valor de todas as verbas rescisórias.
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Folha de São de Paulo,
08 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/SÃO PAULO
PC do B negocia aliança com peemedebista e lançamento
de Aldo ao Senado, com compromisso com petistas de apoio em 2º
turno
PT quer Quércia na disputa para
barrar Serra
DA REPORTAGEM LOCAL
Alan Marques - 5.abr.06/Folha Imagem
Orestes Quércia no gabinete da presidência do PMDB, em
Brasília
Disposto a evitar a eleição
do ex-prefeito José Serra (PSDB) no primeiro turno, o PT está
trabalhando abertamente pelo lançamento da candidatura do presidente
estadual do PMDB, o ex-governador Orestes Quércia, ao Palácio
dos Bandeirantes. Pelo acordo em negociação, o PC do B
-aliado histórico do PT- fecharia aliança com Quércia,
lançando o nome do presidente da Câmara, Aldo Rebelo, ao
Senado.
O PT iria para a disputa tendo o PL como
aliado. Um dos articuladores do acerto, o deputado estadual Fausto Figueira
diz que a idéia é estabelecer um compromisso de apoio
mútuo para um eventual segundo turno no Estado. "Estamos
trabalhando na construção de um palanque para que se evite
a perpetuação do PSDB no Estado", explicou o deputado,
segundo o qual a proposta "não é repelida nem no
PC do B nem no PMDB".
Acordo nacional
Na Assembléia Legislativa, ele e outros dois deputados -Cândido
Vacarezza (PT) e Nivaldo Santana (PC do B)- costuram o acordo. Mas,
segundo um outro petista, a articulação tem um braço
no PT nacional. O próprio presidente do partido, Ricardo Berzoini,
já declarou à Folha que a alternativa capaz de impedir
a vitória de Serra em primeiro turno seria "estimular a
candidatura de Quércia". Ainda segundo petistas, para fechar
o acordo, Quércia estaria buscando garantia de participação
de indicados num eventual segundo governo do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva.
Segundo o presidente nacional do
PC do B, Renato Rebelo, Aldo e Quércia já discutiram diretamente
a hipótese de aliança. Mas nada conclusivo. O lançamento
da candidatura de Aldo ao Senado embute uma maldade. Irritados com o
comportamento do senador Eduardo Suplicy, um dos algozes do PT no Congresso
Nacional, petistas ameaçam descarregar seus votos em Aldo. Eles
chegam a lembrar que, na eleição passada, Suplicy só
foi eleito graças ao voto útil de tucanos. Figueira, no
entanto, não admite a possibilidade. "Desconheço
essa versão." (CATIA SEABRA)
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Folha de São Paulo,
08 de abril de 2006
PÉ NO ACELERADOR
Segundo o IBGE, avanço em fevereiro ocorreu em 11 das 14 regiões
pesquisadas; média foi de 5,4%
Bem de consumo eleva produção
industrial
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
A produção industrial cresceu
em 11 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística) em fevereiro na comparação
com igual mês do ano passado. O comportamento do setor foi ditado
pelo maior dinamismo na produção de bens de consumo, como
celulares, televisores, alimentos e bebidas, e pelo crescimento da indústria
extrativa, com destaque para petróleo e minério de ferro.
Em termos percentuais, o Amazonas liderou o desempenho regional e cresceu
18%, muito acima da média nacional.
A expansão foi puxada pela produção
de material eletrônico e equipamentos de telecomunicações.
A segunda maior taxa foi registrada no Rio de Janeiro (9,9%), impulsionado
pela extração de petróleo. A taxa de crescimento
da produção industrial de São Paulo foi de 5,1%,
levemente abaixo da média nacional de fevereiro, de 5,4%. Segundo
Fernanda Vilhena, economista da Coordenação de Indústria
do IBGE, essa é a quinta taxa positiva seguida e refletiu a expansão
de 15 dos 20 ramos industriais pesquisados. "São Paulo registrou
aumento mais generalizado da produção."
Os principais destaques foram: farmacêutica
(36,4%), máquinas e equipamentos (7,8%) e veículos automotores
(5,0%). Em compensação, as principais pressões
negativas vieram de produtos de metal (-10,4%), metalurgia básica
(-5,8%) e perfumaria, sabões e produtos de limpeza (-5,8%). A
região Sul do país apresentou desempenho na contramão
da indústria nacional: em Santa Catarina, a indústria
recuou 0,2%; no Rio Grande do Sul, a retração foi de 1,3%;
e, no Paraná, a queda chegou a 7,4%. Segundo Vilhena, a indústria
nacional está invertendo a tendência de queda verificada
no segundo semestre do ano passado. "Nas regiões, o cenário
predominante é de reversão do processo de desaceleração,
que pode ser verificado na passagem do quarto trimestre [do ano passado]
para o primeiro bimestre deste ano."
Em 2005, a indústria gaúcha
foi prejudicada pelo desempenho da agricultura, em razão de problemas
climáticos que causaram quebra de safra e redução
nas projeções de investimentos. Com isso, o setor de máquinas
e equipamentos agrícolas contribuiu para puxar os resultados
para baixo. Em fevereiro, a produção de máquinas
e equipamentos caiu 17%, a de calçados e artigos de couro recuou
8,6% e a de produtos de metal teve queda de 16,2%. A retração
da indústria gaúcha já foi mais intensa: no quarto
trimestre de 2005, ela havia recuado 3,9%. No primeiro bimestre deste
ano, a queda foi de 1,9%.
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Folha de São Paulo,
08 de abril de 2006
IMPOSTO DE RENDA - Mês tem dois fins de
semana prolongados
Aproveite os feriados para fazer declaração
DA REPORTAGEM LOCAL
Os contribuintes ainda têm três
semanas para prestar contas ao fisco. Neste ano, o prazo final de entrega
será encurtado em dois dias porque 30 deste mês é
um domingo -assim, o prazo final é a sexta-feira anterior, dia
28. Neste mês haverá dois finais de semana prolongados,
em seguida, antes do prazo final de entrega (nos dias 13 a 15, devido
à Semana Santa, e 21 a 23, devido ao Dia de Tiradentes). Assim,
os contribuintes podem aproveitar esses dois finais de semana para prestar
contas ao fisco. Outro fim de semana prolongado (28 deste mês
a 1º de maio) começa exatamente no último dia de
entrega. Assim, quem pretende viajar no fim de semana prolongado pelo
feriado do Dia do Trabalho não deve deixar a entrega para a última
hora. O programa para fazer a declaração já pode
ser baixado para qualquer computador no site www.receita.fazenda.gov.br.
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Folha de São Paulo,
08 de abril de 2006
ECONOMIA GLOBAL
Desemprego fica em 4,7%; Bolsas e títulos
do Tesouro caem
EUA criam 211 mil vagas em março
DA REDAÇÃO
A economia dos Estados Unidos gerou 211
mil empregos em março, movimento que reduziu a taxa de desemprego
para 4,7% no mês, o menor nível em quatro anos. Em fevereiro,
o desemprego havia ficado em 4,8%. Nesse mês, foram criados 225
mil empregos, de acordo com dados revisados divulgados ontem. Já
em janeiro, a economia norte-americana criou 154 mil vagas.
O resultado, divulgado pelo Departamento de Trabalho, sugere que a expansão
forte da economia está fazendo com que empresas contratem mais
funcionários.
"O mercado de trabalho está
ótimo", disse Bill Cheney, economista-chefe do John Hancock
Financial Services. "As empresas estão indo bem atualmente.
Os lucros estão aumentando. Eu acho que as empresas estão
em um ponto em que se sentem confortáveis contratando funcionários."
Ações e títulos
O resultado, porém, fez caírem
ações e títulos do Tesouro dos Estados Unidos devido
à preocupação de que o mercado de trabalho forte,
em que os salários tendem a subir, possa pressionar a inflação.
A inflação mais alta, por sua vez, faria com que o Fed
(Federal Reserve, o banco central dos EUA) tivesse que aumentar os juros,
o que desaceleraria a economia. A taxa de juros está hoje em
4,75% nos EUA. O Fed vem aumentando os juros em todas as suas reuniões
desde junho de 2004, e analistas esperam que haja pelo menos mais uma
ou duas altas de 0,25 ponto percentual nos juros.
A taxa de juros mais alta nos Estados
Unidos é prejudicial aos países emergentes, como o Brasil.
Quando os títulos norte-americanos, considerados os mais seguros,
rendem mais, os investidores tendem a tirar dinheiro de países
emergentes, onde o risco é maior, para investir lá. O
principal índice da Bolsa de Nova York, o Dow Jones, caiu 0,86%,
fechando a 11.120 pontos. Já a Nasdaq caiu 0,94%, ficando em
2.339 pontos no fechamento de ontem. O rendimento do título do
Tesouro americano com vencimento em dez anos ficou ontem em 4,99%, o
mais alto desde 2002. A expectativa de que o Fed vá subir mais
ainda a taxa de juros gera menor procura por esses títulos, o
que por sua vez faz os juros pagos por eles subirem.
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Folha de São Paulo,
09 de abril de 2006
DATAFOLHA/PRESIDÊNCIA
Sem peemedebista, presidente tem mais da metade dos votos válidos
e vence no 1º turno
Ex-governador do Rio, que tem 15% das preferências, fica a 5 pontos
do 2º colocado
Lula segue líder; Garotinho fica
mais perto de Alckmin
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Ficou mais acirrada a disputa pelo segundo
lugar na corrida presidencial de 2006. Nova pesquisa Datafolha revela
uma queda de 11 para 5 pontos na diferença entre o ex-governador
paulista Geraldo Alckmin (PSDB) e Anthony Garotinho (PMDB). O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue na liderança, com
40% das intenções de voto e sem nenhuma perda em sua avaliação
positiva nas últimas três semanas -marcadas por uma nova
escalada de escândalos. Alckmin continua à frente na disputa
pelo segundo lugar, mas as intenções de voto no tucano
caíram de 23% para 20%. Garotinho subiu de 12% para 15%. À
frente dos dois, Lula oscilou negativamente de 42% para 40%.
O levantamento nacional, registrado no
TSE com o nº 4196/2006, foi feito na quinta e na sexta-feira entre
3.795 pessoas em 182 municípios do país. A margem de erro
é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa
anterior havia sido realizada entre os dias 16 e 17 de março.
Exposição no rádio
e na TV
Nunca Garotinho teve tantas intenções
de voto nesta disputa. A subida, porém, coincide com um período
de forte exposição do candidato na TV, em uma série
de programas políticos do PMDB. Ao todo, o PMDB e Garotinho tiveram
oito dias de inserções nacionais em emissoras abertas
de TV e de rádio desde o início de março, seis
desses dias dentro do período compreendido entre as duas últimas
pesquisas Datafolha. Em cada dia, o PMDB teve cinco minutos de propaganda
distribuídos ao longo da programação. No total,
Garotinho e seus partidários tiveram 40 minutos em cada uma das
emissoras de rádio e TV abertas do país.
Em algumas das inserções,
o candidato atacou os juros altos e louvou programas de sua autoria
no Rio, como o Cheque-Cidadão e os restaurantes a R$ 1. Garotinho
também teve forte exposição na mídia por
causa da prévia eleitoral do PMDB, em 19 de março. A pesquisa
Datafolha anterior captou o mesmo movimento a favor de Alckmin, que
chegou a 23% depois de ter sido escolhido candidato do PSDB à
Presidência. Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino,
nos dois casos é preciso considerar a exposição
dos candidatos nesses períodos. "Sempre que há algo
amplificado pela TV, ocorre um reflexo imediato na opinião pública",
afirma Paulino.
Vitória no primeiro turno
Em um eventual segundo turno, Lula bateria
tanto Alckmin como Garotinho. No primeiro cenário, venceria por
52% a 37%. Contra Garotinho, por 54% a 32%. Na disputa direta com Alckmin,
o petista venceria por 70% a 20% na região Nordeste, seu principal
reduto eleitoral. Entre os mais pobres (renda de até cinco salários
mínimos), Lula teria 54%, contra 34% de Alckmin. Entre os mais
ricos (renda acima de dez mínimos), perderia por 58% a 31%. Caso
o PMDB desista de ter candidato próprio à Presidência,
Lula tem chances de vencer a eleição no primeiro turno,
mesmo com a candidata do PSOL, Heloísa Helena, no páreo.
Neste cenário, Lula teria 52% dos votos válidos em 1º
de outubro; Alckmin, 28%.
Um candidato é declarado
vitorioso já no primeiro turno da eleição se obtiver
maioria absoluta dos votos válidos (excluídos os brancos
e nulos). Sem Garotinho e Helena na disputa, as chances de Lula aumentam
e colocam o presidente com 55% dos votos válidos já no
primeiro turno. No Estado de São Paulo e na região metropolitana
da capital, o ex-governador paulista tem o dobro das intenções
de voto, 41% e 42%, respectivamente, do que na média nacional.
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Folha de São Paulo,
09 de abril de 2006
DATAFOLHA/PRESIDÊNCIA
Alckmin tem menor índice de rejeição, mas enfrenta
resistências entre tucanos
Maioria acha que petista será reeleito
DA REDAÇÃO
A pesquisa Datafolha revela que mais
da metade dos eleitores (52%) acredita que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT) será reeleito em outubro. Apenas 18% dos entrevistados
pelo instituto apostam na vitória de seu adversário mais
forte, o tucano Geraldo Alckmin. Outros 10% crêem que o peemedebista
Anthony Garotinho será o vencedor. Lula é considerado
favorito até pela maioria dos simpatizantes do PSDB. Nesse segmento
do eleitorado, 46% acreditam que ele vencerá, e 17% apostam em
Alckmin. Apenas entre os simpatizantes do PMDB o candidato tucano é
visto como favorito em relação ao atual presidente (49%
a 34%).
A expectativa de vitória de Lula
é maior no Nordeste (68%), região em que o petista também
concentra seu maior percentual de votos. Apenas 7% dos eleitores nordestinos
consideram que Alckmin será o vitorioso -na região Sudeste,
essa taxa é quase quatro vezes maior. As intenções
de voto em Lula, tanto no primeiro como no segundo turno, variaram dentro
da margem de erro da pesquisa, de dois pontos. Já a rejeição
ao presidente caiu quatro pontos, de 33% para 29%, entre o levantamento
de março e o atual. Na pesquisa de fevereiro, o petista era rejeitado
por 30% dos entrevistados.
Garotinho também desfruta de forte
queda na rejeição ao seu nome -de 39% para 32%. Entre
todos os candidatos apresentados aos eleitores, Alckmin tem a menor
rejeição, 17%, o que significa espaço para crescer.
Mas o tucano enfrenta resistências no próprio partido -possível
reflexo do recente processo de escolha do candidato, em que houve polarização
entre "alckmistas" e aliados de José Serra. Enquanto
apenas 5% dos simpatizantes do PT descartam votar em Lula, 18% dos que
preferem o PSDB rejeitam a candidatura do ex-governador de São
Paulo.
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Folha de São Paulo,
09 de abril de 2006
Os franceses e a economia de mercado
JOSÉ ALEXANDRE SCHEINKMAN
Desde fevereiro , a França tem
sido sacudida por manifestações contra a lei que estabeleceu
um novo contrato de primeiro emprego, CPE nas suas iniciais em francês,
para os menores de 26 anos. Num país em que a legislação
trabalhista torna difícil um empregador despedir um assalariado,
uma empresa poderia demitir sem justa causa um contratado pelo CPE durante
os primeiros dois anos de emprego. O primeiro-ministro Dominique de
Villepin defende o CPE como um instrumento para combater o desemprego
entre os de até 25 anos, que atinge 23%, e em particular o desemprego
entre os jovens suburbanos, que ultrapassa 40%, mas os adversários
da medida argumentam que o número total de empregos não
será afetado -as empresas vão simplesmente substituir
empregos estáveis por contratos CPE.
A lei foi aprovada com pouco debate,
utilizando a disciplinada maioria de direita na Câmara dos Deputados.
O governo foi pego de surpresa pela reação negativa de
grande parte da sociedade. Mas o surpreendente é o despreparo
do governo francês. Uma pesquisa da Globescan constatou que, na
França, somente 36% dos entrevistados concordaram que "o
sistema de livre mercado é o melhor sistema para o futuro do
mundo", a menor taxa observada entre 20 países. Enquanto
isso, essa proposição foi aprovada por 74% dos entrevistados
chineses e 57% dos brasileiros.
Os franceses parecem, sobretudo, acreditar
que o sistema capitalista é incapaz de criar empregos. A partir
da década de 30, alguns economistas keynesianos argumentaram
que a economia de mercado era incapaz de manter o pleno emprego. Um
prognóstico comum era que a Grande Depressão voltaria
com o fim da Segunda Guerra Mundial. O pós-guerra desmentiu essa
predição, mas, a partir da década de 80, o ressurgimento
do desemprego tornou de novo popular na França a idéia
de que o aumento de produtividade destrói empregos. Os exemplos
dos EUA e do Reino Unido, países nos quais os impostos são
menores, o emprego é menos regulamentado, o Estado investe mais
e melhor na criação de ciência e tecnologia e que
têm menos desemprego, é simplesmente ignorado.
Um corolário dessa doutrina é
que, para diminuir o desemprego, é preciso dividir o emprego
existente entre um maior número de trabalhadores. O resultado
mais conhecido dessa hipótese é a semana de 35 horas,
introduzida em 1998 pelo governo socialista. Para diminuir o impacto
sobre os custos da empresa, alguns impostos sobre o trabalho foram reduzidos,
aumentando o déficit da previdência francesa. A lei também
garantiu que os salários mais baixos não sofreriam redução.
Em geral, é difícil medir o impacto de uma mudança
legal, porque é preciso ter em conta outras transformações
que ocorrem ao mesmo tempo no ambiente econômico.
A lei francesa teve, entretanto, uma
peculiaridade que torna mais fácil a estimação
do seu efeito. As empresas grandes tiveram que cumprir as 35 horas a
partir de 2000, enquanto as empresas menores só foram afetadas
em 2002. Se as 35 horas gerassem mais postos, o emprego nas firmas maiores
deveria ter crescido mais do que nas firmas menores em 2000-2002. Mas
nesse período não se encontra diferença de comportamento
do emprego entre as firmas grandes e as pequenas. Como geradora de emprego,
a lei das 35 horas parece ter sido um fracasso. A reforma proposta por
Villepin teria no máximo um impacto moderado sobre o emprego
e não vale a comoção que gerou. O que falta na
França são políticos mais corajosos que proponham
mudanças profundas na legislação trabalhista, nos
impostos e no sistema de educação superior e pesquisa.
José Alexandre Scheinkman, 58, professor de economia na Universidade
Princeton (EUA), escreve quinzenalmente aos domingos nesta coluna.
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Nova Central, 10 de abril
de 2006
Ajuda-alimentação de empresa
participante do PAT não tem caráter salarial
A Subseção de Dissídios Individuais 2 (SDI-2) do
Tribunal Superior do Trabalho negou pedido de uma aposentada da Caixa
Econômica Federal para o restabelecimento da ajuda-alimentação,
suprimida em 1997, quando se aposentou. A SDI-2 negou provimento ao
recurso em ação rescisória ajuizada pela ex-funcionária
da CEF, mantendo decisão de segundo grau em que foi julgado improcedente
pedido de pagamento de valores correspondentes a esse auxílio.
O relator, ministro Gelson de Azevedo,
disse que o acórdão do Tribunal Regional do Trabalho de
Santa Catarina (12ª Região), objeto do pedido de desconstituição,
está de acordo com a jurisprudência do TST (OJ 133, SDI-1):
“a ajuda-alimentação fornecida por empresa participante
do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), instituído
pela Lei 6.321/76, não tem caráter salarial. Portanto,
não integra o salário para nenhum efeito legal”.
Na decisão em que julgou a ação
rescisória improcedente, o TRT/SC registra que o acórdão
levou em consideração que a CEF alterou, em 1992, a forma
de pagamento do auxílio-alimentação, pago até
então em dinheiro, para o fornecimento de tíquete, em
atendimento ao PAT. Com base nessa alteração, passou a
pagar o benefício nos termos estabelecidos na Lei 6.321/76, na
qual foi estabelecida a natureza indenizatória da ajuda. Portanto,
legal a supressão de seu pagamento a partir da ruptura do contrato,
que ocorreu com a aposentadoria, concluiu o Tribunal Regional.
A defesa da aposentada alegou haver erro
de fato, o que, pelo Código de Processo Civil, possibilita a
desconstituição de decisão transitada em julgado,
porque essa adotou como fundamento a Lei 6.321, de 1976, quando as normas
a serem aplicadas seriam àquelas vigentes quando o benefício
foi instituído, ou seja, em 1970. Entretanto, o ministro Gelson
de Azevedo rejeitou a alegação. “Não foi
demonstrada a existência de fato algum que tivesse escapado à
percepção do julgador”, disse. (ROAR 1118/2002-000-12-00.0)
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Nova Central, 10 de abril
de 2006
Câmera instalada no banheiro para
monitorar horários de empregados gera indenização
por dano moral
A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho confirmou, por unanimidade,
condenação por danos morais imposta pela Justiça
do Trabalho mineira à empresa Peixoto Comércio, Indústria,
Serviços e Transportes Ltda. O pagamento da indenização
decorre da violação à intimidade de um ex-empregado
devido à instalação de câmera de vídeo
em sanitário do estabelecimento. O Tribunal negou agravo de instrumento
à empresa, que já teve seus recursos, em outros dois processos,
indeferidos pelo TST.
A indenização foi originalmente
decidida pela 2ª vara do Trabalho de Uberlândia (MG) e fixada
em R$ 1,2 mil após exame de reclamação trabalhista
ajuizada, em setembro de 2003, por um ajudante de carregamento. A alegação
foi a de que a instalação do equipamento de filmagem teve
como objetivo controlar os horários de trabalho e saída
dos empregados para o uso dos banheiros, conduta que resultou em afronta
à privacidade.
A defesa da empresa sustentou que, à
época dos fatos, havia contratado prestadora de serviços
de segurança, que instalou uma câmera, por equívoco,
no sanitário de um de seus armazéns. Quatro dias após,
quando percebido o erro, a diretoria teria retirado a câmera.
Também foi alegado que se tratava de uma câmera “psicológica”,
pois não estaria funcionando.
A sentença da 2ª Vara do
Trabalho, contudo, rejeitou as alegações patronais. “É
incontroverso que a empresa instalou câmera de vídeo dentro
de um banheiro”, constatou. “Não importa se a máquina
estava ou não filmando, ou se a instalação decorreu
de má-fé ou simples negligência e que foi retirada
quatro dias depois. O que importa é que a empresa violou, de
forma injustificável, a intimidade dos empregados”, entendeu
o juiz de primeira instância, que foi seguido pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 3ª Região (com jurisdição em
Minas Gerais).
No TST, a empresa renovou seus argumentos
e afirmou que o TRT mineiro não teria se manifestado sobre a
ausência dos elementos característicos para condenação
em danos morais, igualmente não demonstrados pelo trabalhador,
a quem caberia o ônus da prova do dano moral.
O relator da questão no
TST, juiz convocado Guilherme Bastos, confirmou a validade da decisão
regional e, com isso, a condenação da empregadora. “Restou
comprovada a invasão da intimidade ao se constatar a instalação
de câmera de vídeo no banheiro, tendo o preposto (testemunha
da empresa) admitido expressamente em depoimento que não eram
falsas”, afirmou o relator ao incorporar em seu voto trecho do
acórdão do TRT mineiro. (AIRR 1660/2003-044-03-40.1)
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Folha de São Paulo,
10 de abril de 2006
VENEZUELA
Incidente elevou tensões
Chávez ameaça expulsar embaixador
americano
DA REDAÇÃO
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
ameaçou ontem expulsar do país o embaixador dos Estados
Unidos, em meio a mais um episódio de tensão entre Caracas
e Washington. ""Se o senhor continuar provocando, vá
preparando suas malas, cavalheiro, porque vou expulsá-lo daqui,
embaixador Brownfield", disse Chávez em seu programa semanal
de rádio, "Alô, Presidente". "Vou expulsá-lo
da Venezuela se continuar provocando o povo venezuelano." A recente
escalada de tensão começou na sexta-feira, quando simpatizantes
de Chávez jogaram frutas e ovos no carro do embaixador dos EUA
em Caracas, William Brownfield. O Departamento de Estado americano reagiu,
advertindo a Venezuela de que poderia sofrer conseqüências
se não protegesse seu enviado.
Chávez acusou Brownfield
de provocar o protesto e ameaçou declará-lo "persona
non grata" caso voltem a ocorrer incidentes semelhantes. Em fevereiro,
a Venezuela expulsou um adido militar americano sob a acusação
de espionagem. No dia seguinte, os EUA responderam expulsando uma diplomata
da embaixada venezuelana em Washington.
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Folha de São Paulo,
10 de abril de 2006
CRISE NO AR
Sindicatos vão pedir intermediação de ministro
nas negociações para evitar cortes; aeroportos terão
protestos amanhã
Trabalhadores da Varig recorrem a Marinho
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os funcionários da Varig vão
pedir ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, que seja mediador nas negociações
que envolvem a companhia e, principalmente, na questão de redução
de pessoal prevista no plano de recuperação da Varig aprovado
em dezembro passado. Participam de uma audiência amanhã,
em Brasília, representantes do Sindicato dos Aeroviários
do Estado de São Paulo, que reúne trabalhadores em terra,
e do Snea (Sindicato Nacional dos Aeronautas), que representa pilotos
e comissários da aérea.
"O ministro acompanha a situação
da Varig desde que presidiu a CUT. Nossa maior preocupação
é com o corte de pessoal de 13%, previsto no plano de recuperação
judicial aprovado no ano passado", diz Graziela Baggio, presidente
do Snea. A Varig tem por volta de 11 mil funcionários no país
e uma dívida trabalhista de cerca de R$ 150 milhões. Os
funcionários fazem manifestação, no mesmo dia da
audiência com Marinho, em três aeroportos do país:
Salgado Filho, em Porto Alegre, Congonhas, em São Paulo, e Santos
Dumont, no Rio. A expectativa é que 80% dos funcionários
participem dos protestos.
"Nossa idéia é fazer
uma passeata do aeroporto de Congonhas até a Assembléia
Legislativa de São Paulo para buscar apoio dos deputados à
companhia", diz Ricardo Lazzarini, diretor da Apvar (associação
de pilotos). Sindicatos e associações de funcionários
da Varig (de pilotos, comissários e mecânicos) têm
propostas divergentes para os débitos da empresa. As associações
defendem transformar as dívidas da companhia -previdenciária
e trabalhista- em ações. Para os sindicatos, receber passivos
trabalhistas em participação acionária deveria
ser uma escolha voluntária de cada trabalhador. "É
hora de unir esforços e deixar as divergências de lado",
afirma Lazzarini, da Apvar.
Crise
O governo federal deve concluir nos próximos
dias um plano com possíveis soluções para a crise
financeira da empresa, segundo informou na última sexta-feira
a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O assunto divide opiniões.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, por exemplo, declarou ser contra
socorrer financeiramente a aérea e que não há recursos
previstos para ajudar a Varig ou qualquer outra empresa.
A ministra não forneceu detalhes
de como seria a ajuda do governo à companhia. Um dos pedidos
da Varig é a concessão de prazos mais longos de pagamento
de suas dívidas -especialmente com a BR Distribuidora e a Infraero,
com quem trava disputa judicial por causa do pagamento de tarifas aeroportuárias.
A situação da Varig tem se agravado, segundo informou
o próprio presidente da companhia, Marcelo Bottini, na semana
passada, quando se cogitou uma eventual paralisação das
atividades. Ele descartou, porém, a hipótese de a Varig
parar, mas reconheceu problemas no caixa.
Hoje, Anac (Agência Nacional
de Aviação) e Infraero devem se pronunciar sobre acordo
operacional proposto entre a Ocean Air e a Varig. O acordo prevê
compartilhamento de despesas e vôos -a Ocean Air entraria com
as aeronaves e a Varig, com os passageiros. Ao menos 15 aviões
da Varig, parados por falta de manutenção, poderiam ser
usados por meio do acordo.
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de abril
de 2006
Previsões mostram mais empregos
e salários
São Paulo Por trás do otimismo apontado pela pesquisa
da Serasa está a aposta das empresas de que a massa salarial
continuará crescendo, estimulada pela recuperação
do emprego, pelo aumento da oferta de crédito e pela redução
dos juros. Além disso, o consumo também será favorecido
pelos efeitos da Copa do Mundo e das eleições.
Os fabricantes de televisores, por exemplo,
entraram em campo para bater todos os recordes de vendas neste ano de
Copa. A expectativa da Eletros, entidade que reúne as empresas
do setor, é de que os brasileiros comprem 10,9 milhões
de TVs, o equivalente a 1,1 milhão de aparelhos a mais que o
recorde anterior, registrado em 2005 (9,8 milhões de unidades).
Se a previsão se confirmar, representará aumento de 12%.
A Semp Toshiba, que disputa a liderança
de vendas de TVs com a Philips, espera vender este ano de 20% a 25%
mais do que em 2005, quando faturou quase R$ 1,9 bilhão. ''Estamos
otimistas porque as nossas vendas de televisores cresceram 30% no primeiro
trimestre, em relação a igual período do ano passado'',
afirma Luís Freitas, diretor de Vendas da empresa.
O otimismo da indústria é
confirmado pelo varejo. A Casas Bahia, maior rede de eletroeletrônicos
e móveis do País, espera faturar R$ 13,5 bilhões
este ano, R$ 2 bilhões a mais do que em 2005. Michael Klein,
diretor-executivo, diz que a rede pretende investir este R$ 200 milhões
este ano. Metade dos recursos deverá ser aplicada em 100 novas
lojas. A rede espera chegar ao fim de dezembro com 600 pontos de venda.
Os outros R$ 100 milhões deverão ser usados na construção
de três novos centros de distribuição. Com esses
investimentos, a rede deverá abrir 10 mil postos de trabalho
com carteira assinada este ano. Hoje, a rede emprega 56 mil pessoas.
De acordo com as instituições
financeiras que participaram da pesquisa, a oferta de crédito
deverá crescer tanto para os consumidores quanto para as empresas.
Já entre as empresas em geral, 50% apostam na queda da taxa básica
de juros (Selic).
Não foi por obra do acaso que
a Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo (Fiesp) já reviu sua estimativa de crescimento para o PIB
deste ano, de 3% para 4%. A entidade detectou que o nível de
atividade industrial no Estado vem crescendo desde novembro de 2005.
Um dos primeiros sinais disso foi
dado pelo setor automobilístico. No mês passado, as montadoras
bateram recorde com a produção de 230,8 mil veículos,
o que representou aumento de 12,3% em relação a fevereiro.
O recorde anterior havia sido registrado em agosto de 2005, com 230,6
mil unidades produzidas. (M.R.)
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de abril
de 2006
Pesquisa mostra otimismo de empresários
Questionário aplicado pela Serasa
revela que indústrias esperam aumento de faturamento em relação
ao ano passado.
São Paulo O otimismo está de volta entre as empresas,
tanto em relação aos próprios negócios quanto
às perspectivas para a economia como um todo neste e no próximo
ano.
É o que mostra uma pesquisa inédita
da Serasa, que ouviu 960 empresas de diferentes setores em todo o País.
Desse total, 65% estão convencidas de que o faturamento de suas
empresas deve aumentar em relação a 2005, enquanto 25%
esperam repetir o mesmo desempenho do ano passado. Somente 10% acreditam
na possibilidade de queda no faturamento.
A perspectiva de crescimento de vendas
é maior nas indústrias. Nada menos do que 70% dos empresários
do setor esperam faturar mais este ano. Nos serviços, essa proporção
é de 65% e no comércio, de 61%.
O otimismo dos empresários chama
a atenção por causa do período em que a pesquisa
foi feita. Segundo a Serasa, os questionários foram respondidos
entre os dias 6 e 15 de março, auge da crise que culminou com
a queda do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
''Trata-se de uma demonstração
clara de que as empresas têm conseguido separar de uma maneira
importante as coisas políticas dos seus negócios'', afirma
Elcio Anibal de Lucca, presidente da Serasa. ''É óbvio
que, se continuar a situação de insegurança em
relação à instabilidade política, a longo
prazo isso vai repercutir na economia. Mas no curto, não.''
Quase metade dos entrevistados (49%)
espera que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apresente em 2006
taxa de crescimento maior do que a do ano passado em 2005, a expansão
foi de apenas 2,3%.
Outros 31% acham que o desempenho será
igual ao de 2005 e 19% avaliam que a possibilidade é de encolhimento.
As expectativas para o próximo ano são ainda melhores:
53% das empresas acham que a economia vai crescer mais do que neste
ano e 32% prevêem que ficará estável.
Outra boa notícia é que
a perspectiva das empresas é de manutenção e até
de crescimento dos investimentos. A maioria dos entrevistados (51%)
afirmou que os investimentos ficarão estáveis em relação
a 2005. Mas outros 36% disseram que vão investir mais este ano.
Só 13% das empresas deverão investir menos.
''A idéia da pesquisa é
mostrar o que pensam os empresários'', conta De Lucca. Ele argumenta
que a experiência de se apurar a perspectiva empresarial mostra
que as tendências identificadas são referências importantes
para a antevisão dos eventos econômicos e seus efeitos
no mercado.
''O que os empresários pensam
é o que vai acontecer mesmo. Só não acontece se
surgirem variáveis muito graves. Curiosamente, algumas dessas
variáveis têm aparecido, mas isso não afetou o desempenho
da economia'', diz De Lucca.
A pesquisa de perspectiva empresarial
passará a ser divulgada trimestralmente pela Serasa.
Marcelo Rehder
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de abril de 2006
Inflação da construção
civil fica próxima a zero
Recuo do índice foi influenciado pela
estabilidade nos preços relativos à mão-de-obra

Rio de Janeiro - O Índice Nacional da Construção
Civil (INCC) foi de 0,2% no mês de março. O número
representa um recuo de 0,11 ponto percentual em relação
a fevereiro (0,31%). O resultado é o melhor registrado desde
o mês de setembro do ano passado (0,14%). A taxa de março
também é 0,27 ponto percentual menor do que a apurada
no mesmo período de 2005 (0,47%).
A redução no índice de março,
divulgado quinta-feira passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), foi influenciada pela estabilidade nos
preços relativos à pela mão-de-obra que tiveram
aumento de apenas 0,04%, configurando uma variação de
0,34 ponto percentual em relação ao mês anterior
quando a taxa ficou em 0,38%.
As regiões com índices
mais altos no mês foram Norte e Nordeste, ambas com 0,24%. O levantamento
que é realizado pelo IBGE em convênio com a Caixa Econômica
Federal também apontou o custo nacional por metro quadrado que
passou dos R$ 547,14 de fevereiro para R$ 548,22 no mês de março.
Compõe o valor, R$ 320,85 relativos a materiais e R$ 227,37 referentes
à mão-de-obra.
Preços - O Custo Unitário
Básico (CUB) da construção civil pesquisado pelo
Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado
do Paraná (Sinduscon-PR) foi reajustado em 0,12% no mês
de março. O reajuste reflete o aumento médio de 0,26%
nos preços dos materiais em relação ao mês
de fevereiro. Os custos com mão-de-obra e encargos sociais permanecem
estáveis desde o mês de julho de 2005. Nos últimos
12 meses, o CUB-PR acumula alta de 6,04%.
Alguns materiais que tiveram desoneração
ou redução da alíquota do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) já baixaram de preço no mês
de março, de acordo com a pesquisa do Sinduscon-PR. Registraram
redução de preço o azulejo branco 15 x 15 cm (3,30%);
aço CA-50 para concreto (1,92%); vaso sanitário (1,59%);
tubo de PVC (0,83) e registro de pressão (0,36%). ''A previsão
é de que a desoneração do IPI irá refletir
no comportamento dos preços ainda nos próximos meses com
a renovação dos estoques dos fornecedores da construção'',
avalia o presidente do Sinduscon-PR, Julio Araujo Filho.
No trimestre, diversos materiais
acumulam altas significativas de preço. Maiores reajustes no
período foram tinta látex (10,08%); tubo PVC esgoto (9,01%);
dobradiça em ferro (6,25%); chapa de compensado 17 mm (6,20%);
eletroduto de PVC (6,10%); vidro 4 mm (5,93%), entre outros. A areia
lavada para concreto subiu 3,23% no mês de março e acumula
aumento de 23,08% em 12 meses. E o tijolo de 8 furos encabeça
a lista dos maiores aumentos: 30,74% em 12 meses.
Das agências
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FOLHA DE LONDRINA, 09 de abril
de 2006
Emprego formal no setor cresce 1,2% em
fevereiro
São Paulo - O nível de emprego formal na construção
civil brasileira cresceu 1,2% em fevereiro na comparação
com o mês anterior, com a abertura de 16,5 mil novas vagas, segundo
levantamento do Sindicato da Indústria da Construção
Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) e da GVconsult com
base em pesquisa do Ministério do Trabalho. Conforme o sindicato,
no primeiro bimestre, o setor gerou 36,6 mil empregos, uma alta de 2,6%,
repondo assim as 34 mil vagas fechadas nos dois últimos meses
de 2005.
Ao final de fevereiro, a construção
civil nacional registrava 1,432 milhão de trabalhadores formais,
0,2% acima do contingente existente em outubro (o melhor resultado mensal
do ano passado). No acumulado de 12 meses, o emprego cresceu 10,3%.
Segundo a pesquisa, o número de postos formais na construção
civil na Região Sudeste registrou, em fevereiro, incremento de
8,4 mil vagas, uma alta de 1,1% na comparação com o mês
anterior.
Agência Estado
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FOLHA DE LONDRINA, 08 de abril
de 2006
Empresários cobram reforma trabalhista
José Suassuna/22-09-2005
Não é o valor do salário que pesa e sim os impostos;
em alguns setores eles chegam a custar 100% de gasto extra
O escritor e pensador francês Honoré de Balzac, autor de
livros como A Comédia Humana, uma vez disse: Um país que
tem muitas leis, não tem leis. Pior acontece quando as leis não
acompanham a evolução da própria humanidade. No
Brasil a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), criada
em 1943 é um exemplo disso. Naquele momento, no governo de Getúlio
Vargas, ela foi aplaudida como uma das mais completas e modernas do
mundo. E realmente era. O problema é que de lá para cá
a relação entre o trabalho e o capital mudou muito e a
CLT não.
Conforme alguns setores empresariais,
hoje a CLT mais atrapalha do que ajuda o desenvolvimento da economia
brasileira. A discussão sobre a Reforma Trabalhista chegou a
esquentar no Congresso em 2004, mas foi esquecida pelos parlamentares.
O tema não tem previsão para retornar à pauta.
''Atualmente contratar ou demitir um
funcionário é muito caro. E as empresas
sofrem com isso. Antigamente havia poucas
empresas e menos concorrência ainda. Hoje a concorrência
é brutal e, para competir, as empresas precisam ter custos reduzidos
e a folha de pagamento interfere muito. É bom deixar claro que
não é o valor do salário que pesa e sim os impostos.
Em alguns setores os impostos e outros penduricalhos chegam a custar
para o empregador 100% de gasto extra mais do que efetivamente o funcionário
recebe'', explica o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro.
Segundo o deputado do PT de Pernambuco,
Maurício Hands, é preciso fazer uma faxina na CLT. Ele
cita, por exemplo, em entrevista ao site Congresso em Foco, o artigo
da lei que regulamenta quantos quilos um trabalhador pode pegar no trabalho
manual. ''Não são os direitos trabalhistas que oneram
o custo do trabalho no Brasil o problema são os fatores extra-folha,
como as contribuições para a Previdência Social,
de 20% a 23%, para Sebrae (Serviço Brasileiro de Assistência
Gerencial às Pequenas e Médias Empresas Incra (Instituto
Nacional de Reforma Agrária), para o chamado sistema S (Sesi,
Sesc, Senai e outros), uma série de incidências sobre a
folha que, na verdade, não representa custos do trabalho, mas
incidências para fiscais que podem ser retiradas. Aí sim
estaremos reduzindo custo da força de trabalho no Brasil sem
reduzir os direitos dos trabalhadores'', afirma Hands.
Hoje, para fugir dos encargos trabalhistas,
muitas empresas estão partindo
para uma suposta terceirização.
A saída encontrada é ''convidar'' o funcionário
a abrir uma empresa própria e continuar prestando serviço.
O funcionário deixa de ter carteira assinada e passa a fornecer
nota fiscal. ''A relação capital/trabalho está
desarrumada. Em Londrina, por exemplo, as convenções coletivas
quase nunca chegam a um acordo. São sempre decididas na Justiça'',
diz Ribeiro.
Uma dessas categorias, prossegue
ele, é a do comércio varejista. ''As divergências
são grandes e ninguém sai ganhando com isso, ao contrário,
a economia perde. É preciso colocar novamente a reforma trabalhista
na pauta. Sabemos que é uma área de conflito, mas é
necessário que a CLT seja rediscutida. É necessário
que a lei seja atualizada até porque as relações
de trabalho mudaram, a economia mudou. Essa revisão é
imprescindível para reduzir os conflitos entre empresas e empregados
e para modernizar e abrir novas vagas no mercado de trabalho'', comenta
Ribeiro.
Da Redação
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O ESTADO DO PARANÁ,
09 de abril de 2006
Encontro internacional dos comerciários
debate Mercosul
Edésio Passos
“Democracia não é
uma palavra vazia. É realidade que sobrevive quando substanciada
por conteúdo social”, diz Vicente Silva, presidente da
Fetraparaná e da CGT.PR, destacando um dos pontos significativos
da declaração aprovada no I Encontro Internacional do
Trabalho do Mercosul, juntamente com o VI Encontro dos Comerciários
do Paraná, realizados em Guaratuba, Paraná, de 29 a 31
de março, pela Federação dos Empregados no Comércio
do Estado do Paraná, Comissão de Entidades Sindicais de
Comércio e Serviços do Cone Sul, Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Comércio, Confederação
Geral dos Trabalhadores e Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone
Sul. Frisou Vicente Silva que o objetivo dos eventos foi de “promover
a integração das entidades sindicais, a troca de conhecimento
dos procedimentos jurídicos e constitucionais dos países
participantes e o fortalecimento das relações de trabalho
no Mercosul”. Participaram dirigentes sindicais, advogados e assessores
das entidades sindicais do Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Chile.
Tivemos a honra de apresentar a exposição sobre “Negociação
Coletiva”, em debates com o plenário, juntamente com o
dr. Aramis Silveira, consultor jurídico da Fetraparana e dirigente
da OAB.PR, e dos representantes das entidades sindicais da Argentina
e do Chile, abordando as realidades de cada país e indicando
rumos de superação dos problemas enfrentados em comum
pela classe trabalhadora.
Registramos, ainda, como conferencistas, a Dra. Rosalie Michaele Bacila
Batista, juíza vice-presidente do TRT.PR, abordando vários
aspectos de atualização em Direito do Trabalho, o dr.
Luiz Eduardo Gunther, juiz corregedor do TRT.PR., apresentando questões
relativas a decisões da Justiça do Trabalho, e o jornalista
Altamiro Borges, editor da Revista Debate Sindical, analisando a organização
sindical e os principais aspectos das proposições da reforma
sindical em tramitação no Congresso Nacional. Nos paineis
de debates a presença do secretário geral da CNTC José
Carlos Schulte, os advogados paranaenses Aramis Silveira e Roberto Barranco,
e os representantes das entidades sindicais da região do Mercosul.
Evidenciadas as questões do Mercosul a partir do diagnóstico
jurídico, político, social e econômico, procurando
indicar rumos a serem seguidos na busca da efetiva integração
dos povos e países do cone sul e, ademais, da América
Latina. Foi apresentado um panorama do Direito do Trabalho e de seu
setor sindical, em especial do Mercosul, na perspectiva da imprescindível
a aprovação de uma Carta Social. Tendo sido desenvolvido
até o momento basicamente um ajuste comercial e uma incipiente
união aduaneira, poucos avanços têm sido assinalados
no campo social, embora com a manutenção dos grupos de
debate sobre relações de trabalho, a criação
do Foro Consultivo Econômico-Social do Mercosul e do Observatório
do Mercado de Trabalho, além da aprovação da Declaração
Sócio-Laboral. Entretanto, os recentes anos de governos neoliberais
criaram impasses que agora têm que ser superados por uma nova
visão, a partir das políticas dos governos de centro-esquerda
ora em desenvolvimento. com reflexos diretos nas expectativas de empregados
e empregadores quanto a um ajuste social.
As recentes confrontações de brasileiros e paraguaios
ocorridas na Ponte da Amizade (Foz do Iguaçu/Ciudad del Este)
é o exemplo da incapacidade de organismos do Mercosul em superar
os impasses surgidos com a crise na região. Os representantes
sindicais vêm sistematicamente alertando os governos dos dois
países da deflagração de manifestações,
assim como a necessidade de exame de propostas de conformação
de uma zona livre de comércio.
Ao final dos debates do Encontro Internacional do Mercosul, os dirigentes
sindicais aprovaram a Carta de Guaratuba, sintetizando a linha de pensamento
sobre as questões apresentadas, que transcrevemos, pela sua importância
no atual contexto:
Carta de Guaratuba
“Resta evidenciado, a globalização já é
uma realidade inserida no contexto social de todos os países,
o que determina não sejam mais somente os fatores e circunstâncias
locais a regrar o curso das relações de trabalho, consumo
e comerciais. A realidade mundial consiste em que tudo quanto ocorre
em um País seja rapidamente difundido e produza reflexos, em
maior ou menor intensidade, em todos os demais.
Há, assim, a necessidade de se estender a realidade de cada nação,
fazendo um comparativo dos meios de produção, distribuição
e consumo, com ênfase no elemento humano, buscando alcançar
o melhor da experiência de cada país como caminho a percorrer
na luta permanente em prol de condições mais justas, mais
humanas e mais coerentes.
Não olvidamos que a integração entre culturas diversas
e conhecimentos que se somam permitiu a inserção de inovações
e invenções tecnológicas e científicas,
com ampla repercussão nas relações de trabalho,
em todo o mundo, sendo paradoxal o fato de que todos contribuem para
a criação de novos meios e facilidades em toda a escala
comercial e industrial e estes novos instrumentos acabam por gerar uma
redução de vagas no mercado de trabalho.
Vemos diariamente as máquinas tomando o lugar dos homens, a exemplo
do que se constata nos bancos, onde o chamado “auto-atendimento”
redundou na redução de cerca de três milhões
de postos de trabalho, apenas nesta categoria específica bancária,
significando a diminuição de cerca de 89% do número
de empregados existente há uma década.
As benesses buscadas em decorrência do progresso científico-tecnológico
haveriam de resultar em melhores condições de vida e existência
para todos, também para aqueles que efetivamente contribuíram
para tais realizações, e não como forma de destruição
de vagas de trabalho.
Conscientes dessa realidade e de seu papel na constante busca da melhoria
das condições de vida e de trabalho, os trabalhadores
do Mercosul, representados neste Encontro pelas delegações
compostas de dirigentes sindicais e de advogados trabalhistas da Argentina,
Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, reunidos em Guaratuba, Paraná,
afirmam suas preocupações e expectativas no aprimoramento
da legislação de cada nação integrante do
Mercosul a respeito das condições de trabalho e de salário,
protegendo os empregos e permitindo que todos sejam beneficiários
das realizações tecnológicas e não suas
vítimas, instituindo normas que permitam aos trabalhadores dos
países integrantes do bloco o direito ao emprego e a percepção
de salários justos, suficientes a uma subsistência digna,
com acesso à saúde, à educação e
ao lazer.
A fim de efetivar a possibilidade de fruição de tais direitos,
torna-se indispensável a redução semanal do trabalho,
limitada a 40 horas, sem prejuízo dos salários, o que
será naturalmente suportável pelo capital, mas com evidentes
benefícios àqueles que, com seu esforço individual,
são os reais construtores do progresso.
Democracia não é uma palavra vazia. É realidade
que sobrevive quando substanciada por conteúdo social.
Os participantes deste I Encontro Internacional do Trabalho do Mercosul,
cônscios de suas responsabilidades de preservar os valores sociais
do trabalho e a dignidade da pessoa humana do trabalhador, se comprometem
envidar todos os esforços no sentido de alcançar nos seus
respectivos países a efetivação dessa realidade”.
Edésio Passos é advogado, ex-deputado federal (PT/PR).
E.mail: edesiopassos@terra.com.br
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O ESTADÃO.COM, 10 de
abril de 2006 | Economia
Indústria melhora projeção
do PIB, mas continua abaixo de 5%
Os empresários esperam que a economia
brasileira cresça mais do que o previsto anteriormente, porém,
a melhor das previsões não passa de 4,5%
Paula Puliti
SÃO PAULO - Apesar do bom desempenho
da produção industrial nos últimos meses, os empresários
ainda não compartilham da opinião do ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, de
que o Produto Interno Bruto (PIB) pode crescer, no mínimo, 5%
neste ano.
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi) acredita que, dadas as atuais condições,
de juros declinantes, o PIB será superior ao verificado no ano
passado (2,3%), por volta de 4% e 4,5%. Já a Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) revisou
para cima sua projeção inicial de incremento, de 3% para
4% neste ano.
E o Centro das Indústrias do Estado
de São Paulo (Ciesp), menos otimista, melhorou sua estimativa,
mas ainda manteve a variação abaixo dos 4%. Segundo o
Departamento de Economia da entidade, a economia deve crescer 3,5% neste
ano. A projeção anterior era de 3%.
Comportamento positivo
A melhora no ânimo da indústria
está diretamente ligada ao comportamento mais positivo do mercado
interno, que volta a ser o motor da produção, substituindo
o papel que as exportações haviam desempenhado em 2004
e 2005. As maiores contribuições são ao aumento
da renda, do emprego e do crédito.
Para os próximos meses, lembra
o diretor executivo do Iedi, Julio Gomes de Almeida, a tendência
é de consolidação dos números positivos
da indústria, com o impacto dos cortes da taxa básica
de juros (Selic, atualmente em 16,5% ao ano) atingindo o consumo e o
aumento do salário mínimo. Se esse cenário se confirmar,
os investimentos devem também seguir uma tendência positiva.
"Para o PIB crescer 4%, o
PIB da indústria deverá crescer no mínimo 6%, e
estamos confiantes de que esse número será alcançado",
ressaltou o diretor do Departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini.
A expectativa dos empresários é de que a produção
industrial continue em alta nos próximos meses.
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O ESTADÃO.COM, 10
de abril de 2006 | Economia
Para sustentar gasto público, tributos
podem chegar a 54% do PIB
As projeções dos economistas da
Fipe mostram que as despesas do governo brasileiro estão 25%
acima da média internacional e podem dobrar nos próximos
20 anos, caso nada seja feito.
Thiago Velloso
SÃO PAULO - Para sustentar o gasto
do governo, que cresceu entre 1995 e 2004 a uma taxa real de 5,3% na
sua proporção do Produto Interno Bruto (PIB), chegando
a 20,72% do PIB, a carga tributária do País deve saltar
dos atuais 38% do PIB para 54% nos próximos 20 anos. Esse foi
um dos resultados de um estudo encomendado pela Federação
do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) à
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A pesquisa tenta demonstrar que a carga
de tributos elevada do País deriva essencialmente da expansão
do gasto governamental e só será resolvida com a redução
drástica das despesas da União e, num segundo momento,
com uma reforma tributária que simplifique os impostos e diminua
as alíquotas. "O governo arrecada muito, gasta muito e o
faz mal. É necessária uma racionalização
dos tributos e do gasto, senão ficaremos presos ao baixo crescimento
que vemos hoje", disse a economista Maria Helena Zockun, coordenadora
da pesquisa.
De acordo com as informações
do levantamento, a despesa do consumo per capita do governo federal
(gasto por habitante) somava R$ 1.416 e atingiu, em 2004, o patamar
de R$ 2.061, o que demonstra uma alta anual de 3,5%. As projeções
dos economistas da Fipe mostram que as despesas do governo brasileiro
estão 25% acima da média internacional e podem dobrar
nos próximos 20 anos, caso nada seja feito.
De acordo com Maria Helena, a conclusão
do estudo é de que, antes que se realize a reforma tributária,
o País precisará passar por um choque de gestão
e eficiência nas aplicações dos recursos arrecadados
no setor privado.
País gasta mal com educação
Alguns exemplos dados na pesquisa mostram
que o País descola em vários aspectos na eficiência
do gasto, com relação a economias de portes semelhantes.
De acordo com os dados, os gastos com a educação primária
por aluno com um porcentual da renda per capita no Brasil estão
abaixo de países, como Filipinas e Tunísia, e se equivalem
ao de outras nações, como Bolívia e Irã.
Já a aplicação na educação secundária
no País fica acima apenas de países, como Botsuana, Guatemala,
Quênia e Indonésia. Quanto ao analfabetismo, o Brasil continua
com um índice semelhante ao da Bolívia e da Malásia
e maior que o da Costa Rica e do Panamá.
A distorção aparece quando
observadas as despesas por aluno no ensino universitário. Neste
quesito, o Brasil consome mais recursos que o Reino Unido, Finlândia
e a Alemanha. "O nosso estudo mostra que somos o país que
mais gasta com o aluno universitário, em relação
ao primário, que é contrário ao resultado de nações,
como o Japão e a Coréia do Sul", disse Maria Helena.
Mortalidade infantil é alta
apesar dos gastos com saúde
A mesma situação se repete
na área de saúde, onde o País gasta mais que o
Reino Unido e a Noruega, mas tem um índice de mortalidade infantil
comparável ao de países em situação econômica
muito pior do que a brasileira. "Para cada mil nascidos, o Brasil
deveria ter apenas 15 mortos, dado o que gasta em Saúde, mas
são 35. Além disso, com o que se gasta na Saúde,
o brasileiro deveria ter cinco anos a mais de expectativa de vida",
disse Simon Silva Silber, um dos economistas responsáveis pela
pesquisa.
Proposta de imposto único
De forma a viabilizar a reforma tributária,
os pesquisadores da Fipe propõem que o governo brasileiro mantenha
constante o gasto real por habitante, permitindo o crescimento que seja
apenas proporcional ao aumento populacional. Para tanto, há algumas
medidas, como a definição do limite de endividamento do
governo federal, seguindo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e o
aumento da Desvinculação Temporária de Recursos
da União (DRU), que se encontra hoje em 20% das despesas do governo
federal, para 40%.
"Todo país que tem uma alta
rigidez orçamentária encontra dificuldades na eficiência
dos gastos. No Brasil, os limites de responsabilidade fiscal estão
definidos apenas para Estados e municípios. E, pelos nossos cálculos,
o governo brasileiro já bateu no seu limite", afirmou Silber,
que ainda ressaltou a importância do combate à fraude com
os recursos públicos. "Estimamos que aproximadamente 1 milhão
de pessoas que já morreram recebem aposentadoria. Também
quadruplicou o auxílio-doença nos últimos quatro
anos, de R$ 3 bilhões para R$ 12 bilhões", acrescentou.
A partir da adoção de medidas
como essa, a Fipe sugere a unificação de diversos tributos
e a criação de alíquotas uniformes, como uma maneira
de simplificar o sistema tributário. Para o setor produtivo,
seriam substituídos o ICMS, IPI, ISS, Pis-Pasep, Cofins e Simples
por um único imposto sobre o consumo de bens e serviços,
que incidiria sobre o valor adicionado a uma alíquota de 12%
única e uniforme em todas as operações internas.
Ao contrário do que ocorre hoje,
a tributação não incidiria sobre investimentos
e exportações. No âmbito da renda, os pesquisadores
defendem a substituição do IRPF, IRPJ, CSLL e outras contribuições
à Previdência por um Imposto de Renda único e abrangente.
Efeitos das mudanças
Os efeitos de tais ações
seriam a redução da carga tributária, que hoje
se encontra em 38% do PIB para 28% e a redução média
de 19% nos preços dos produtos. Por exemplo, no ramo da habitação,
o valor dos bens poderia cair 23,3% e, no ramo da higiene, a queda experimentada
poderia chegar a 70,8%.
Os economistas da Fipe estimam que a
reforma tributária pode acontecer somente entre o quinto e o
oitavo ano após o choque de gestão proposto e a conclusão
da reforma da Previdência. A modificação no sistema
tributário levaria a uma redução de 24% da receita
com tributos. Porém, a reforma só poderia ser implementada
com a eficácia desejada, quando a relação dívida/PIB
chegar a 30% - hoje está em torno de 50%.
O estudo ainda revela que, no caso brasileiro,
quanto menor a renda do cidadão, mais perverso se torna o sistema
tributário. De acordo com as informações, nas famílias
com renda de até dois salários mínimos, as cargas
tributárias direta e indireta chegam próximas a 50% da
receita, porcentual que se reduz para 25% nas famílias que recebem
mais de 30 salários mínimos.
Com a reforma tributária da forma
proposta pela Fipe, o aumento de renda líquida para os que ganham
até dois salários chegaria a 30%. "O estudo mostra
que nós não estamos em ciclo de reação coisa
nenhuma. A nossa estrutura tributária está matando a possibilidade
de o Brasil crescer fortemente", afirmou Paulo Rabello de Castro,
presidente do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio-SP.
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O ESTADO DE SÃO PAULO,
10 de abril de 2006 | Economia e Negócios
Setor já tem mais de 70% dos empregos
em SP
De 1995 a 2005, o emprego em serviços
cresceu 28%, para 6,492 milhões de pessoas
O setor de serviços, que respondia
por metade da força de trabalho em 1970 na Grande São
Paulo, coração industrial do País, já representa
mais de 70% do pessoal ocupado na região e caminha para o nível
dos 80% até 2010, conforme projeções do Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Este avanço ocorre
em paralelo à queda do peso do emprego industrial, que deverá
passar de 42% a 17% nestes 40 anos.
A evolução paulistana reflete
bem o que ocorre nas grandes cidades do País. O trabalho do Ipea
mostra que, de forma geral, a indústria está se deslocando
dos grandes centros urbanos para a periferia e, depois, em direção
a cidades menores, diz o economista Daniel da Mata, um dos autores do
trabalho junto com pesquisadores do Banco Mundial e da Brown University.
Enquanto isso, aumenta a oferta e a especialização no
setor terciário (serviços) nas cidades maiores.
Estimativas da Fundação
Seade comprovam o movimento e mostram que o avanço dos serviços
não representa, necessariamente, precarização da
mão-de-obra. Entre 1995 e 2005, o emprego no setor de serviços,
incluindo o comércio e trabalhos domésticos, cresceu 28%,
para 6,492 milhões de pessoas. Quase dois terços (63%)
das novas vagas têm carteira assinada. Já o pessoal ocupado
na indústria encolheu 6,5%, para 1,627 milhão de pessoas.
Nessa década, houve expressivo
crescimento de pessoal no setor de serviços especializados (47%),
pessoais (93%), auxiliares (140%), comunitários (66%), saúde
(31%), oficinas de reparação mecânica (30%), reformas
e conserto de edificações (30%).
Em São Paulo, portanto, cai a
presença das fábricas e aumenta a dos escritórios.
Para o economista do Seade, Vagner Bessa, contudo, predomina na região
metropolitana paulista o trabalho em empresas de maior porte e com maior
nível de qualificação. Ele explica que cresceram
tanto os serviços prestados às empresas (jurídico,
financeiro, gestão, consultoria) como os pessoais, voltados à
classe média.
De fato, houve uma desconcentração
industrial, mas São Paulo manteve e continua atraindo sedes de
empresas que estavam em outras regiões do País. A sede
executiva da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), por exemplo,
foi transferida da Torre do Rio Sul, no Rio, para o Faria Lima Financial
Center. A diretoria da Aracruz, que tem planta industrial no Espírito
Santo e ficava baseada no Rio, também foi, há cerca de
um ano, para São Paulo.
Segundo o pesquisador do Ipea, as indústrias
vão para as pequenas cidades em busca de custos menores, salários
mais baixos e aluguéis mais baratos. Isso deverá fazer
com que o peso do emprego industrial nas pequenas cidades, que era de
19% em 1970, chegue a 26% até 2010.
Outro motivo do avanço dos serviços
em São Paulo é a forte onda de terceirização
na indústria e os investimentos em produtividade desde a década
passada.
O cientista político e secretário
de Trabalho do município, Gilmar Viana Conceição,
afirma que São Paulo, "como todo o Brasil, teve industrialização
tardia e desconcentração industrial precoce". Ele
lembra que o crescimento econômico e demográfico paulista
se deu a partir de uma base industrial.
"E agora? O que se faz com essa massa de pessoas que veio atraída
pela indústria, que hoje não existe mais como antes?",
questiona Conceição, citando a necessidade de identificar
vetores de crescimento e expansão de serviços potenciais,
além da elaboração de políticas de médio
e longo prazos.N. B.J.
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Revista Consultor Jurídico,
10 de abril de 2006
Liberdade de dieta
Empregado não é obrigado
a comer comida da empresa
A empresa não pode proibir o funcionário
de levar seu próprio almoço para o trabalho. Com esse
entendimento, a 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho condenou
a Cinpal Cia Industrial de Peças para Automóveis a indenizar
um ex-funcionário.
Os juízes decidiram que a empresa
terá de pagar as verbas devidas por demissão sem justa
causa e indenização por danos morais, fixada no dobro
do valor de todas as verbas rescisórias. A decisão do
tribunal foi baseada no entendimento de que o descaso da empresa com
a saúde do empregado é motivo para que ele peça
a rescisão indireta do contrato de trabalho e seja indenizado
pelos danos morais sofridos.
Saúde em jogo
O trabalhador, que sofria de gastrite
e tinha de se submeter a uma dieta rigorosa, solicitou à empresa
autorização para levar a refeição pronta
de sua casa. Também pediu a alteração no horário
do intervalo para descanso e alimentação.
Sem uma resposta ao seu pedido, o empregado
não compareceu mais ao trabalho. A empresa considerou as ausências
como faltas injustificadas e demitiu o metalúrgico por justa
causa.
O funcionário, então, recorreu
à Vara do Trabalho de Taboão da Serra (SP) pedindo que
fosse declarado o rompimento do contrato por culpa do empregador. Além
das verbas rescisórias, ele reclamou reparação
pelos danos morais sofridos com o episódio.
Em sua defesa, a Cinpal alegou que não
permite aos seus empregados que levem de casa a própria refeição,
mas que analisava o pedido do ex-empregado quando ele abandonou o serviço.
A primeira instância julgou o processo
procedente em parte, reconhecendo a rescisão indireta do contrato
de trabalho, mas negou a indenização por danos morais.
A empresa e o ex-funcionário recorreram ao TRT-SP.
Para o juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros,
relator do recurso, “a insólita omissão da empresa
em resolver questão relevante e inadiável, que dizia respeito
à saúde de seu empregado, praticamente obrigou o trabalhador
a ver-se na contingência de deixar o emprego, buscando na tortuosa
e demorada via judicial a rescisão indireta do contrato de trabalho”.
Segundo o relator, como ficou comprovado
que a empresa foi responsável “por atos de desrespeito
à dignidade e integridade física e moral do autor, não
há como deixar de deferir a indenização por danos
morais”. O voto do relator foi acompanhado por maioria.
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Revista Consultor Jurídico,
10 de abril de 2006
Valor da palavra
No trabalho, negociação
vale mais do que a CLT
por Adriana Aguiar
O melhor lugar para resolver conflitos trabalhistas
é a mesa de negociação. A opinião é
do novo comandante da área trabalhista do Machado, Meyer, Sendacz
e Opice, Sólon Cunha. Para ele, hoje a negociação
é mais importante que as regras inscritas na CLT, já que
— com exceção das normas que contrariam dispositivos
que protegem a segurança e a saúde do trabalhador —
os tribunais têm decidido cada vez mais que deve prevalecer o
negociado sobre o legislado.
Segundo o advogado, o maior erro de gestão
empresarial é ainda encarar os sindicatos como inimigos e evitar
a aproximação. Sólon Cunha esclarece que essa negociação
não significa suprimir direitos do trabalhador, mas estabelecer
acordos entre as partes. Isso não quer dizer que a CLT tenha
perdido sua importância, de acordo com o advogado, que acredita
que a Consolidação das Leis Trabalhistas precisa de uma
atualização porque as normas foram feitas para a era industrial,
e agora estamos diante da era tecnológica do trabalho, da prestação
de serviços.
Nesta entrevista à revista Consultor
Jurídico, Sólon Cunha também fala sobre os impactos
da ampliação da competência da Justiça do
Trabalho com a Emenda Constitucional 45 e sobre as reformas Trabalhista
e Sindical. Também questiona a competência da Justiça
trabalhista para julgar reclamações de empregados cadastrados
como pessoa jurídica ou que participam de sociedades por cotas.
O advogado, que começou fazendo
estágio no Pinheiro Neto Advogados, decidiu abrir mão
do seu pequeno escritório e encarar um grande desafio de coordenar
uma equipe com 29 advogados trabalhistas no MMSO. Foi professor de Direito
do Mackenzie e da pós-graduação da PUC-SP, mas
decidiu deixar a carreira universitária para se dedicar ao seu
novo projeto.
Também participaram da entrevista
os jornalistas Lílian Matsuura, Márcio Chaer e Rodrigo
Haidar.
Leia a entrevista
ConJur — Como o senhor
avalia esse primeiro ano da Justiça do Trabalho depois da ampliação
da competência trazida com a Emenda Constitucional 45?
Sólon Cunha —
Logo depois que a Emenda entrou em vigor, fui a um evento organizado
pela Amatra [Associação dos Magistrados do Trabalho] em
São Paulo para discutir qual seria o impacto da ampliação
das competências da Justiça do Trabalho. O que eu notei
é que cada área interpretou a mudança da forma
mais favorável ao seu interesse. Os advogados trabalhistas ficaram
felizes, porque o aumento da competência gera mais trabalho. Os
juízes ficaram preocupados com a possibilidade de perda de especialização
da Justiça do Trabalho. Por outro lado, a Amatra estava muito
feliz com o resultado final, porque eles entraram na Reforma do Judiciário
com a possibilidade de extinção da Justiça do Trabalho
e saíram com a vitória da ampliação da competência.
A idéia inicial da Reforma era a de que os processos trabalhistas
passassem para a Justiça Federal comum e o que aconteceu foi
justamente ao contrário, uma ampliação da competência.
Depois desse ano, essas questões se acomodaram, o TST baixou
um provimento em relação a custas, procedimentos, honorários
de advogados e sucumbência esclarecendo bem a situação.
ConJur — Quem mais perdeu
com a ampliação da competência?
Sólon Cunha —
No início, o empregado e a empresa perderam porque a indecisão
sobre as competências fez com que os processos ficassem parados
por muito tempo. O processo que era da área cível ficou
represado no Tribunal de Justiça de São Paulo, que está
bastante congestionado. Então, quando chega a vez do relator
decidir, o desembargador apenas encaminha esse processo para a Justiça
Trabalhista. O leigo não entende o que aconteceu, já que
a ação ficou parada por dois anos para o desembargador
apreciar e dizer que não é com ele. A demora ao decidir
a competência também acabou gerando juros trabalhistas
muito altos. Geralmente em uma liquidação de execução
de um processo trabalhista longo, os juros e a correção
monetária superam o valor do principal. A demora do processo
trabalhista hoje não é interessante. Os juros são
de 1% ao mês, em quatro anos já são quase 50% de
juros.
ConJur — Então não
é mais barato recorrer na Justiça do Trabalho, como dizem?
Sólon Cunha —
Já foi barato recorrer, quando a prescrição era
de dois anos após a rescisão do contrato. Hoje a prescrição,
embora de dois anos após a extinção do contrato,
retroage a cinco anos. O empregador não pagava os direitos porque
era mais vantajoso não pagar e esperar que o trabalhador fosse
à Justiça do Trabalho, já que o prazo para ele
entrar com a ação era pequeno. Hoje com os juros de 1%
ao mês, o processo vai se protelando e a dívida vai ficando
muito maior. Claro que no caso de uma empresa grande ainda pode ser
vantajoso levar o processo para a Justiça para evitar que o precedente
se multiplique, mas as empresas que estão na Justiça do
Trabalho geralmente são pequenas e médias.
ConJur — As ações
que eram do Direito Civil e que foram remanejadas para a Justiça
do Trabalho estão sendo julgadas pelo Código de Processo
Civil ou pela CLT?
Sólon Cunha —
Um provimento do TST decidiu que essas ações serão
julgadas pelo procedimento trabalhista. No caso do Recurso Ordinário
não há problemas porque ele é muito parecido com
a apelação, porque revê fatos e provas. Mas o Recurso
de Revista é bem especializado e por isso favoreceu os advogados
trabalhistas que tiveram que assumir esses processos. No Machado Meyer,
por exemplo, todas as ações que foram para a Justiça
do Trabalho foram remanejadas para a área trabalhista.
ConJur — A Justiça
do Trabalho tem estrutura para absorver a demanda que veio de outros
tribunais?
Sólon Cunha —
A Justiça do Trabalho tem sofrido alterações no
curso da sua história, e sempre tem respondido à altura.
O Fórum Trabalhista de São Paulo é excelente e
funciona com rapidez. Há um projeto de ampliação
do número de varas trabalhistas que já foi autorizado
pelo Conselho Nacional de Justiça. O TST também quer duplicar
o número de juízes por vara. Cada vara terá dois
juízes conduzindo os processos, provavelmente um deles deverá
usar a sala de audiência pela manhã e outro à tarde.
Isso vai dar ainda mais dinamismo para os processos em São Paulo.
O maior cliente da Justiça do Trabalho e que entope o TST é
o governo.
ConJur — Para o governo,
juros de 1 % ao mês não é pouco?
Sólon Cunha —
É, por isso o governo fica eternizando o débito.
ConJur — Segundo números
divulgados pelo CNJ sobre os dados de 2004 da Justiça do Trabalho,
em 74% dos casos uma das partes recorre da decisão de primeira
instância. O que o senhor acha disso?
Sólon Cunha —
Esse número não leva em consideração que
quase metade dos processos tem conciliação em primeira
audiência. O advogado trabalhista não recorre muito. Por
exemplo, há uma orientação jurisprudencial no TST
que diz que não cabe Mandado de Segurança contra a decisão
judicial que tenha sido baseada em lei. Temos pouquíssimos pedidos
de Mandados de Segurança aceitos pelo tribunal. Nós não
temos Recurso Especial no processo trabalhista. Recurso Extraordinário
para o Supremo em matéria trabalhista é uma dificuldade.
O TST já fez duas grandes reformas das suas súmulas e
orientações jurisprudenciais, e vai fazer a terceira com
o objetivo de esclarecer ainda mais as questões, diminuindo a
admissibilidade dos recursos. O que faz os advogados recorrerem é
a fase de execução de crédito, que é complicada
porque tem muitos detalhes e envolve negociação de valores.
Há a perícia e cálculos que não terminam
mais. O que acontece freqüentemente é que um advogado tem
uma execução, por exemplo, de R$ 57 mil e que a parte
contrária concordou com R$ 54 mil, mas o advogado impugna a conta
e leva aquela dívida, muitas vezes sem que o cliente saiba. Os
juízes mais antigos chamam para audiência de conciliação
e tentam aproximar as partes do cálculo.
ConJur — Qual seria a solução
para diminuir a quantidade de recursos na Justiça do Trabalho?
Sólon Cunha —
O rito sumaríssimo resolve grande parte do problema, que é
apuração dos valores, já que os pedidos são
líquidos. Porque o grande problema na Justiça do Trabalho
é a apuração de valores. Temos o valor dado à
causa, valor do pedido, o valor arbitrado em sentença, o valor
de alçada para efeito de recurso. Depois vem o valor de liquidação
pedido pelo exeqüente, o valor de contestação de
cálculo do executado, o valor da perícia, o valor do perito
assistente, o valor da sentença homologatória. Além
dessa variedade de valores, não havia uma tabela unificada de
correção monetária. Posteriormente, porém,
este último problema foi sanado, pois o TST elaborou uma tabela
unificada, o que já foi um passo gigantesco, já que antes
cada Tribunal Regional tinha sua tabela de correção monetária.
Mas a grande massa de advogados não tem estrutura no seu escritório
para fazer cálculo. O reclamante muitas vezes não tem
dinheiro para pagar perito. Então, o cálculo na Justiça
do Trabalho é, sem dúvida, um ponto a ser pensado.
ConJur — Como funciona
o processo de execução trabalhista?
Sólon Cunha —
Os autos do processo de execução e liquidação
são os mesmos. Mas mesmo assim a fase de execução
é complicada porque demanda mais serviço do que a fase
de conhecimento. O pior é que a vara trabalhista está
trabalhando com um número muito reduzido de servidores. Quando
eu era estagiário eram nove funcionários por vara, se
não me engano. Hoje a relação é de três
funcionários por vara. Na relação administrativa
do TST esse número é maior, mas os funcionários
têm férias, afastamento por saúde, etc. A relação
de fato é três para uma vara.
ConJur — A reforma processual
poderia trazer algum procedimento para agilizar a fase de execução?
Sólon Cunha —
O TST tem um projeto que cria um fundo que atenderia reclamantes com
processos de até certo montante. A idéia é que
esse fundo pague o reclamante e se sub-rogue no direito do reclamante
para cobrar a empresa. Com isso eles conseguiriam unificar as execuções
e o governo teria mais força coercitiva por esse fundo, para
cobrar a empresa devedora. Há um fundo social nessa questão
que é a distribuição de renda. Esse fundo poderia
atender a comunidade mais pobre, reclamações trabalhistas
de pequena monta, de natureza alimentar. Isso é um pouco complicado
porque a Justiça do Trabalho tem dificuldade de encontrar as
empresas na fase de execução. Essas empresas devedoras
são pequenas e médias empresas que mudam de endereço
e fecham. A informalidade no Brasil é muito grande. Então,
o caminho é o da fiscalização. O governo deveria
investir mais na estrutura do Ministério do Trabalho, que é
muito precária.
ConJur — Como a Justiça
do Trabalho está encarando as novas relações de
emprego como as cooperativas, as empresas unipessoais e as sociedades
por cotas?
Sólon Cunha —
Essas relações de trabalho não são novas.
O que é novo e que está em discussão é se
essa pessoa que tem uma pessoa jurídica uniprofissional, por
exemplo, poderia ingressar na Justiça do Trabalho em função
de relação de trabalho. Na minha opinião, se o
trabalhador de fato atuar através de uma pessoa jurídica,
perde a competência da Justiça do Trabalho. Mas se o trabalhador
vai à Justiça do Trabalho alegando que aquela pessoa jurídica
é fraudulenta e foi exigida pela empresa com objetivo de fraudar
a relação de emprego, então esse trabalhador deve
ter sua reclamação julgada na Justiça trabalhista.
O que importa na Justiça do Trabalho é a relação
de fato, é o que chamamos de “contrato realidade”.
ConJur — A CLT está
adequada a essa nova realidade?
Sólon Cunha —
Do ponto de vista processual sim. Tanto que o Código de Processo
Civil acompanhou algumas regulamentações da CLT, como
a audiência única, notificação postal, unificação
de execução ao processo de conhecimento, não haver
agravo em decisão interlocutória. Achamos que temos leis
fortes, mas, na verdade, a informalidade é muito alta. E esse
é o maior problema porque desestabiliza a concorrência.
Em um exemplo bem simplista: um carrinho de cachorro quente ou de hambúrguer
na rua compete com o McDonald´s. Temos uma grande massa de trabalhadores
à disposição de pequenas empresas que desestabilizam
o mercado das empresas grandes com a informalidade na contratação
e na relação de emprego.
ConJur — Qual seria a maior
causa para o aumento do trabalho informal?
Sólon Cunha —
O aumento do trabalho informal é causado muito mais pela lei
tributária do que pela lei trabalhista. Isso não quer
dizer que a CLT não precise de reformas, porque ela foi feita
para a realidade industrial e estamos no mundo de serviços. A
tecnologia mudou bastante a realidade do trabalho. Enquanto o trabalhador
marca seu horário de entrada por um crachá com chip, a
nossa CLT fala em cartão de ponto, livro de ponto contrato manual.
Nos últimos 20 anos foram montadas pelo menos cinco comissões
de reforma da CLT, mas nenhuma proposta foi concretizada. Seria o caso
de ter uma comissão efetiva e permanente para pensar em uma reforma
na CLT, como se fez esse grande esforço na Reforma do Judiciário.
ConJur — A reforma ideal
da CLT significa suprimir direito do trabalhador?
Sólon Cunha —
Não. Significa atualizar as leis. O que eu estou propondo é
uma análise da CLT sob o ponto de vista da realidade. Por exemplo,
tele marketing hoje é um dos ramos com maior nível de
emprego do Brasil e a CLT não fala absolutamente nada do trabalho
de tele marketing. O juiz tem que fazer analogia a telefonista, mecanógrafo,
datilógrafo. A mesma coisa do trabalho a distância, o tele-trabalho,
que também não temos nenhuma regulamentação.
ConJur — Ou seja, mais
do que flexibilizar, é modernizar?
Sólon Cunha —
Isso. Mas ultimamente o advogado de reclamante avalia muito mais a norma
coletiva do que a CLT quando faz uma inicial trabalhista, porque elas
dão mais direitos do que a CLT. Em regra a norma coletiva dá
pisos salariais maiores, jornadas extra com adicional maior, adicional
de permanência. Enfim, as garantias que a convenção
estabelece são superiores às da CLT.
ConJur — As empresas devem
se aproximar mais da negociação sindical?
Sólon Cunha —
Exatamente. Esse é o caminho para resolver os impasses entre
empresas e trabalhadores. A negociação sindical é
muito forte no Brasil. A época do sindicato ruim, pelego, já
acabou. O sindicato no Brasil é perfeito, impecável. E
o sindicalismo de trabalhador hoje é mais preparado do que o
sindicalismo patronal. Os empresários não gostam de participar
de sindicatos. É como reunião de condomínio, as
pessoas pagam a conta, mas não vão à reunião.
Isso é um erro das empresas porque hoje a negociação
coletiva é gestão empresarial. Se a empresa concorrente
fizer um acordo de compensação de horas e a outra empresa
não fizer, esta fica em desvantagem com os trabalhadores. Mas
ainda temos empresários no Brasil que não conversam com
sindicalistas, como se a entidade sindical fosse inimiga. Isso é
um erro de gestão empresarial.
ConJur —Como está
o andamento da Reforma Sindical e da Reforma Trabalhista?
Sólon Cunha —
Elas estão paradas. A lei de organização sindical
que está sendo proposta tem quase 100 artigos, mas foi muito
pouco debatida. Tanto o empresário quanto os sindicatos dos trabalhadores
acham que a lei não vai passar, mas ela está caminhando.
A reforma sindical está pronta para ir para o Congresso e está
com sérias distorções. Por exemplo, a mudança
da contribuição sindical que teoricamente seria extinta
em quatro anos pode ser substituída por uma contribuição
que, segundo os economistas, ia ficar seis ou sete vezes mais cara do
que a contribuição sindical atual. Outro problema está
na questão da central sindical que teria prerrogativa de sindicato,
mas uma função política e por isso não representaria
categoria alguma. O projeto também colocou a central sindical
no topo da pirâmide do sistema confederativo e não tem
par na área patronal. O poder que está se dando a essa
central sindical é muito maior do que o que ela tem hoje e desproporcional
do lado das empresas. E a formação de sindicatos vai depender
da benção da central sindical. Por isso é necessário
que se amplie as discussões com relação a essa
Reforma.
ConJur —E a Reforma Trabalhista?
Sólon Cunha —
A Reforma Trabalhista foi descaracterizada. O governo federal diz que
o Fórum Nacional do Trabalho é um fórum paritário,
não partidário, mas a direção do Fórum
e a coordenação estão no Ministério do Trabalho,
em advogados que já pertenceram ao movimento sindical. Então
não há um equilíbrio de forças entre trabalhadores
e empregadores. Isso fez com que os representantes patronais se afastassem
do Fórum e nesse ponto está o erro do empresário.
A única solução que eu vejo nesse campo, e digo
como presidente do Sindicado da Sociedade de Advogados, é a negociação
coletiva. Eu acho que essa é a saída. É a negociação
coletiva com a participação ativa de empresas e trabalhadores.
ConJur — A negociação
com os sindicatos é o caminho até para as pequenas e as
médias empresas?
Sólon Cunha —
Ainda mais para as pequenas e médias empresas, que não
participam dos negócios achando que o grande empresário
vai resolver os problemas para eles, e não vai.
ConJur — Mas existem direitos
que não podem ser negociados. Qual o limite?
Sólon Cunha —
A nossa legislação até admite que o negociado se
sobreponha ao legislado em várias oportunidades. A nossa Constituição
diz, por exemplo, que não pode haver redução salarial.
Mas podemos ter redução ou aumento de horas de trabalho
pela negociação coletiva. Ou seja, tudo está passível
de flexibilização. Mas houve um exagero no teor dos acordos
contrariando normas de segurança ou normas que podem prejudicar
a saúde do trabalhador, como suprimir horário de almoço,
suprimir os repousos. Por isso, o TST invalida acordos de negociações
que violem direitos constitucionais dos trabalhadores. Ao mesmo tempo
várias leis que foram promulgadas depois prestigiam o negociado
sobre o legislado. Isso não é tirar direitos do trabalhador,
é negociar.
ConJur — Como o senhor
vê a situação das cooperativas no Brasil?
Sólon Cunha —
A Justiça trabalhista brasileira precisa aprender a punir o excesso
e a pessoa de má-fé, e não a regra. É palavrão
falar de cooperativas no Brasil porque algumas pessoas exageraram. Ao
invés de o Ministério Público e de o Ministério
do Trabalho fecharem as cooperativas fraudulentas, eles abrem inquérito
civil para todas as cooperativas. Qualquer advogado que tem um mínimo
de responsabilidade vai recomendar ao cliente que se afaste, se possível,
das cooperativas. Mas na área de saúde, por exemplo, a
cooperativa é intrínseca ao setor. Cooperativas de auxiliares
de enfermagem, de atendimento de pronto-socorro existem há muito
tempo no Brasil. Com a onda de fechar às cooperativas não
sei o que será dessa área.
ConJur — Flexibilizar as
leis trabalhistas aumentaria o número de empregos?
Sólon Cunha —
O número de empregos só vai aumentar quando diminuir o
custo do empregado no Brasil. Eu estudei isso a fundo porque eu tive
uma auditoria na qual um cliente estrangeiro me pediu para levantar
quanto custa um empregado no Brasil para cada R$ 1 gasto. Para o analista
simplório deve ser contado como custo: os impostos, o salário,
o 13º, a previdência social e fundo de garantia. E o resultado
é cerca de 1,36. Mas outros consideram que as férias também
devem entrar como custo, porque o empregado não presta serviço.
Nessa lógica também deve se incluir o descanso semanal
remunerado e o feriado. Então, esse número aumenta para
quase 1,60. Ainda se levarmos em consideração a contribuição
social para terceiros, como Sesi, Sesc, Senai, essa conta vai barrar
no déficit da Previdência, que é o maior déficit
do Brasil. E então não tem jeito, é um círculo
vicioso, e ninguém sabe de quanto é esse déficit.
ConJur — Se reduzisse o
custo de um empregado não haveria mais contratação?
Contratando mais não se recolheria mais para a Previdência?
Sólon Cunha —
Essa é uma tese, a tese do imposto único. Há essa
tese, há a tese da diminuição da informalidade.
Mas o maior déficit da Previdência vem do setor público.
ConJur — Temos algo a aprender
com os países da América Latina que reformaram suas leis
trabalhistas?
Sólon Cunha —
Com o Chile temos muito que aprender principalmente na parte previdenciária,
que é muito forte no país. A nossa legislação
trabalhista também poderia pensar melhor sobre o primeiro emprego.
Os recém formados não arrumam emprego no Brasil. Mulheres
negras têm ainda mais dificuldade. Pessoas obesas também
não arrumam emprego facilmente.
ConJur — Como o senhor
vê os pontos abordados na Reforma Processual que abrangem a área
trabalhista?
Sólon Cunha —
Primeiro o TST, que é um órgão com ministros sérios
e unidos, não tem condições de sobrevivência
se continuar com muitos processos para poucos ministros, mesmo com a
chegada de mais dez. Por isso, em um instinto de preservação
do órgão, eles estão reduzindo as possibilidades
de acesso ao TST. Mas ainda não temos como avaliar se essa restrição
de recursos será boa ou ruim porque será uma situação
nova. Desde que eu comecei a advogar, há 20 anos, temos todos
os recursos do jeito que estão, com alguma mudança ou
outra. Outro problema é que o TST faz uma dupla revisão
da decisão, já que o processo já foi revisado no
Tribunal Regional. Por isso, o objetivo do TST é uniformizar
a jurisprudência. Eu tenho muito receio no caso de depósito
para rescisória em relação às pequenas e
médias empresas, já que pagar para ter acesso à
Justiça não é uma coisa que me parece razoável.
Isso provavelmente vai também atingir os reclamantes.
ConJur — Também
segundo os dados do CNJ, 45% das sentenças são reformadas
em segunda instância e 40% das decisões dos TRTs reformadas
pelo TST. O que é uma alta taxa de reforma. Não podemos
causar injustiças se restringirmos os recursos?
Sólon Cunha —
Do jeito que a reforma está sendo conduzida, devem ser restringidos
os Recursos de Revista no TST. Mas as pessoas podem entrar com Recurso
Extraordinário no Supremo que também serve para isso.
ConJur — A alta taxa de
reforma significa que o juiz não está decidindo corretamente?
Sólon Cunha —
Não. As decisões dos juízes de primeira instância
estão a cada dia melhores. Os concursos públicos estão
admitindo bons juízes nos últimos anos. Eles têm
conhecimento da teoria, mas algumas vezes não têm maturidade
e experiência de vida para decidir. Esses juízes novos
normalmente vão para varas mais distantes e ficam muito próximos
do litígio. Uma coisa é ter um litígio em São
Paulo, que a fábrica é na periferia e o juiz nem sabe
onde é. Outra coisa é a influência política
das cidades do interior, onde todos se conhecem e a fábrica fica
próxima do Fórum. A solução seria ter um
estágio, um treinamento para esses novos juízes. Os Tribunais
de São Paulo e de Campinas que eu conheço, estão
fazendo muitos cursos para esses juízes que ingressam na magistratura
do Trabalho. Isso tem dado excelente resultados. Todo juiz mais antigo
do Tribunal deveria ter a obrigação de trabalhar conjuntamente
com os juízes recém-empossados. O juiz hoje está
muito solitário.
ConJur — Como está
o processo de informatização da Justiça do Trabalho?
Sólon Cunha —
A informatização da Justiça do Trabalho é
excelente. Foi um projeto em que foi investido muito dinheiro e que
deu resultado. Podemos acompanhar todos os processos pela internet.
Se o processo tramita de uma gaveta para outra, os advogados são
avisados por e-mail. Esse processo de informatização já
se estendeu por quase toda a Justiça do Trabalho. Os serviços
informatizados estão se ampliando cada vez mais, em Porto Alegre,
por exemplo tem o processo de protocolo drive-thru. O advogado entra
na garagem do Fórum pega o protocolo e vai embora. Também
tem a cópia do acórdão no drive-thru em que o advogado
digita o número do seu processo, o número OAB, durante
o prazo do recurso, e o acórdão já sai impresso.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
10/04/2006
TST mantém condenação
por invasão de privacidade de trabalhador
A Primeira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho confirmou, por unanimidade, condenação por
danos morais imposta pela Justiça do Trabalho mineira à
empresa Peixoto Comércio, Indústria, Serviços e
Transportes Ltda. O pagamento da indenização decorre da
violação à intimidade de um ex-empregado devido
à instalação de câmera de vídeo em
sanitário do estabelecimento. O Tribunal negou agravo de instrumento
à empresa, que já teve seus recursos, em outros dois processos,
indeferidos pelo TST.
A indenização foi originalmente
decidida pela 2ª vara do Trabalho de Uberlândia (MG) e fixada
em R$ 1,2 mil após exame de reclamação trabalhista
ajuizada, em setembro de 2003, por um ajudante de carregamento. A alegação
foi a de que a instalação do equipamento de filmagem teve
como objetivo controlar os horários de trabalho e saída
dos empregados para o uso dos banheiros, conduta que resultou em afronta
à privacidade.
A defesa da empresa sustentou que, à
época dos fatos, havia contratado prestadora de serviços
de segurança, que instalou uma câmera, por equívoco,
no sanitário de um de seus armazéns. Quatro dias após,
quando percebido o erro, a diretoria teria retirado a câmera.
Também foi alegado que se tratava de uma câmera “psicológica”,
pois não estaria funcionando.
A sentença da 2ª Vara do
Trabalho, contudo, rejeitou as alegações patronais. “É
incontroverso que a empresa instalou câmera de vídeo dentro
de um banheiro”, constatou. “Não importa se a máquina
estava ou não filmando, ou se a instalação decorreu
de má-fé ou simples negligência e que foi retirada
quatro dias depois. O que importa é que a empresa violou, de
forma injustificável, a intimidade dos empregados”, entendeu
o juiz de primeira instância, que foi seguido pelo Tribunal Regional
do Trabalho da 3ª Região (com jurisdição em
Minas Gerais).
No TST, a empresa renovou seus argumentos
e afirmou que o TRT mineiro não teria se manifestado sobre a
ausência dos elementos característicos para condenação
em danos morais, igualmente não demonstrados pelo trabalhador,
a quem caberia o ônus da prova do dano moral.
O relator da questão no
TST, juiz convocado Guilherme Bastos, confirmou a validade da decisão
regional e, com isso, a condenação da empregadora. “Restou
comprovada a invasão da intimidade ao se constatar a instalação
de câmera de vídeo no banheiro, tendo o preposto (testemunha
da empresa) admitido expressamente em depoimento que não eram
falsas”, afirmou o relator ao incorporar em seu voto trecho do
acórdão do TRT mineiro. (AIRR 1660/2003-044-03-40.1)

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