SWISSINFO, 11 de abril de 2006
Na Suíça: Sindicato imita patrões
e demite empregados
A central sindical Unia luta para defender empregos.
Mas o principal sindicato suíço se diz forçado a demitir
seus própios colaboradores.
CONTEXTO
Fundado em 1° de janeiro de 2005 com a
fusão de cinco sindicatos, Unia tornou-se o maior sindicato da Suíça
com mais de 200 mil membros e mil funcionários.
Esse sindicato já assinou 500 convenções
coletivas de trabalho nos setores de serviços, construção,
artesanato e indústria.
O orçamento de 2006, aprovado pelos
delegados sindicais dia 25 de março (160 milhões) prevê
um défice de 8 milhões.
Para reduzi-lo, a assembléia geral aprovou
a supressão de 60 postos de trabalho, incluindo 27 demissões.
Dados importantes
Na Suíça, cerca de 25% dos trabalhadores
são sindicalizados (30% na França, 29% na Grã-Bretanha,
25% na Alemanha, 12% nos Estados Unidos).
A greve é um instrumento raramente utilizado
pelos sindicatos suíços. Vigora na Suíça há
mais de 70 anos o princípio chamado de "paz do trabalho",
em que os sindicatos renunciaram à greve em troca de melhores salários.
A Suíça está entre os
países industrializados que perdeu menos jornadas de trabalho devido
a greves na última década: somente 1,5 dia por mil trabalhadores;
foram 12 dias na Alemanha e 54 nos Estados Unidos.
Criada há um ano e meio, Unia tinha suscitado esperanças no
meio sindical. (Keystone)

A decisão é criticada na imprensa suíça enquanto
o patronato acusa Unia de colocar em perigo a paz social apoiando greves que
lutam contra as reestruturações.
Pela primeira vez, o termo fusão engloba
um valor positivo", declaravam os dirigentes sindicais há um ano
e meio, saudando a fundação de Unia a partir de cinco sindicatos
de trabalhadores.
Geralmente a palavra "fusão"
é um sinal de alarme para qualquer sindicato, haja visto que significa
quase sempre reestruturação e desemprego.
Ao tornar-se a maior central sindical do país,
Unia também não escapou dessa lógica. O orçamento
deste ano, que os delegados sindicais aprovaram dias atrás, prevê
demissões.
Sinergias sindicais
Para reduzir um défice que chegou a 8 milhões de francos suíços,
o gigante sindical decidiu cortar sessenta postos de trabalho, incluindo 27
demissões.
A medida é sem precedentes no meio sindical
suíço e suscitou críticas da imprensa e entre os trabalhadores.
"Desde o início, dissemos que a
união entre vários sindicatos provocaria certas sinergias e
nunca demos garantias de manter todos os postos de trabalho", explica
Renzo anbrosetti, co-presidente da Unia.
A direção do sindicato parte
do princípio que não tinha outra escolha porque os custos com
pessoal representam dois terços do orçamento.
"Sem demissões seríamos
obrigados a aculumar défices e dilapidar o capital e as cotizações
pagas por nossos membros. Nossa obrigação é de gerir
esta organização e utilizar os recursos de maneira correta",
acrescenta Renzo Ambrosetti.
Outras 27 demissões
Recentemente Unia teve de enfrentar a demissão de outra 27 empregados
da construtora Hoch- und Tiefbaugenossenschaft, em Berna. A empresa faliu
e a Unia detinha metade do capital.
"Quando a esse caso, é bom precisar
que praticamente todos os demitidos já encontraram outro emprego, sublinha
Renzo Ambrosetti. Além disso, os demitidos beneficiaram-se de um plano
social e outras vantagens que deveriam ser aplicadas por todas as empresas
em circunstâncias similiares."
Mas fica a pergunta se o sindicato pode continuar
a lutar contra a supressão de empregos de maneira credível,
se ele próprio aplica tais métodos?
"Não queremos fustigar o sindicato
por causas dessas demissões mas também não louvamos essa
decisão" afirma Rudolf Stämpfli, presidente da União
Patronal Suíça.
"Mas Unia deve apredenter que reestruturações
de empresas podem provocar demissões, acrescenta. Trata-se de um processo
normal, mesmo se não é uma coisa boa. Uma reestruturação
visa aumentar a eficiência e isso pode implicar supressão de
cargos."
Ataques do patronato
Do lado do patronato, não são as demissões no sindicato
que provocam o descontemento mas a estratégia mais agressiva aplicada
pela Unia para lutar contra as reestruturações e as decisões
patronais.
O principal alvo das críticas é
a ameaça de greve para obter melhores salários e condições
de trabalho na construção civil e na metalurgia, sobretudo na
crise da Swissmetal, uma siderúrgica na cidadezinha de Reconvillier,
perto de Berna.
Segundo Rudolf Stämpfli, nesse conflito
Unia apoiou ações ilegais e mostrou que não é
um parceiro confiável.
"Há alguns meses, Unia assinou
uma convenção coletiva com Swissmen, organização
patronal da indústria de máquinas ao qual pertence Swissmetal.
Os dirigentes sindicais deveriam ter recorrido aos dispositivos previstos
na convenção coletiva para chegar a uma solução
mas preferiram apoiar a greve", afirma o presidente da União Patronal
Suíça.
A paz social em perigo?
"Se o sindicato não respeita as convenções coletivas
que assina, as empresas também podem colocá-las em questão.
É um jogo perigoso que ameaça a paz social", acrescenta
Rudolf Stämpfli.
Essas críticas são claramente
rechaçadas pelos dirigentes da União, como explica Renzo Ambrosetti:
"nosso sindicato já assinou 500
convenções coletivas de trabalho e, até agora, tem sido
um parceiro correto e confiável quando encontra patrões responsáveis.
Não era o caso, por exemplo, da direção de Swissmetal,
que praticou uma política inaceitável. Mas é um caso
raríssimo.".
swissinfo, Armando Mombelli
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Agência Senado, 11 de abril de 2006
Trabalhadores poderão ter direito
a vale-hospedagem
A Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) reúne-se
nesta terça-feira (11), a partir das 18h30, para examinar e votar
pauta com quatro itens, entre eles o Projeto de Lei 488/03, do senador
Leonel Pavan (PSDB-SC). A proposta institui o vale-hospedagem e cria
dedução do lucro tributável, para fins de imposto
de renda, de empresas que adotarem Programas de Hospedagem e Lazer para
seus trabalhadores.
O projeto, de acordo com seu autor, tem
duplo objetivo: resolver o problema da ociosidade da rede hoteleira
nacional e facilitar o acesso dos trabalhadores aos serviços
de turismo. Pavan diz que sua proposta "é inspirada na experiência
exitosa do cheque-férias, instituído na França,
em 1982".
A pauta da CDR inclui ainda o Projeto
de Lei 433/03, de autoria do senador César Borges (PFL-BA), que
dispõe sobre o recolhimento ao Tesouro Nacional de parcela da
Tarifa de Embarque Internacional para ampliar os recursos do Fundo Geral
de Turismo (Fungetur). O relator do projeto, senador Sérgio Cabral
(PMDB-RJ), apresentou parecer favorável, na forma de substitutivo.
A comissão votará, também,
projeto de lei da Câmara (PLC 122/05), de autoria do deputado
Bernardo Ariston (PMDB-RJ), que dispõe sobre o programa de qualificação
dos serviços turísticos e aferição do Selo
de Qualidade Nacional de Turismo. O relator do projeto é o senador
Leonel Pavan, que apresenta parecer favorável à proposição.
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Agência Senado, 11
de abril de 2006
Valdir Raupp quer limitar horas extras
dos trabalhadores

O senador Valdir Raupp (PMDB-RO) quer alterar a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) para limitar a 30 horas mensais o número
de horas extras que um empregado pode prestar à empresa em que
trabalha. O projeto (PLS 76/06) apresentado pelo parlamentar aguarda
decisão terminativa na Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
Raupp argumenta que a disseminação
de horas extras pelo país tem causado prejuízo na oferta
de postos de trabalho. Com dados de recente pesquisa realizada pela
Central Única dos Trabalhadores (CUT), ele informou que oito
em cada dez trabalhadores fazem hora extra no Brasil. Na opinião
do senador, as horas suplementares não representam solução
nem para o trabalhador, que precisa de mais horas de lazer e de mais
postos de trabalho, nem para o empregador, que precisa de mercado interno
para vender seus produtos e serviços.
Valdir Raupp também alega que
as justificativas utilizadas pelos empregados para a prestação
do serviço extraordinário são a necessidade de
complementar a renda familiar e o medo do desemprego. Aos empregadores,
afirma o parlamentar, interessa a exploração mais intensiva
de um empregado, o que o dispensa de novas contratações
e despesas com treinamento.
Ao citar indicadores recentes, que apontam um aumento na renda do trabalhador
brasileiro, Valdir Raupp disse que essa melhoria pode estar concentrada
nas categorias mais privilegiadas.
Em sua opinião, persistem
os índices relevantes de desemprego e muitos jovens estão
encontrando o mercado de trabalho fechado. "A redução
do número de horas extras pode, em nossa visão, aumentar
o número de empregos e distribuir melhor a renda. Ademais, jornadas
que chegam a dez horas diárias são desumanas", ressalta.
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Folha de São Paulo,
11 de abril de 2006
CRISE NO GOVERNO/VIOLAÇÃO DE SIGILO
Encontro se deu no mesmo dia em que ministro da Justiça apresentou
advogado a ex-colega
Lula se reuniu com Palocci e Bastos após
acerto de defesa
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No mesmo dia em que se reuniram na casa
do então ministro Antonio Palocci para definir estratégias
de sua defesa, o ministro Márcio Thomaz Bastos e o próprio
Palocci estiveram com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
até as 22h. Já outros participantes da reunião
na casa de Palocci, o ex-presidente da Caixa Econômica Federal
Jorge Mattoso e o advogado Arnaldo Malheiros, seguiram para um encontro
com a cúpula da estatal num apartamento da Asa Sul, em Brasília.
Antes de partir para destinos diferentes, Palocci, Thomaz Bastos, Mattoso
e Malheiros trataram, no dia 23 de março, da violação
do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, conforme revelou
a revista "Veja".
Na versão de Malheiros, houve
uma discussão genérica sobre o que seria o crime de violação
de sigilo. De acordo com ele, não entraram em detalhes, como
uma eventual confissão de Palocci de que seria o mandante da
violação. Na versão do ministro da Justiça,
ele apenas apresentou o advogado criminalista ao então ministro
da Fazenda. No entanto, essas versões se chocam com os bastidores
apurados pela Folha a respeito da reunião da noite entre Lula,
Thomaz Bastos e Palocci. A partir daquela data, Lula passou a estudar
nomes para substituir Palocci e sondou o então presidente do
BNDES, Guido Mantega, que assumiria a Fazenda na semana seguinte.
Mais: na noite daquele dia, Thomaz Bastos
disse a Lula, na frente de Palocci, que achava que o ministro da Fazenda
deveria deixar o governo. Ou seja, há indícios de que
o ministro da Justiça tinha mais informações do
que apenas as obtidas numa discussão genérica sobre o
crime de violação de sigilo, como relata Malheiros. Na
reunião com Lula e Thomaz Bastos, Palocci ficou contrariado,
mas reconheceu que perdera "as condições políticas"
de permanecer na Fazenda. No entanto, de acordo com a versão
de membros da cúpula do governo, ele continuou a negar até
o dia de sua demissão, 27 de março, segunda-feira, a autoria
da violação e do vazamento do sigilo.
Ordem para Mattoso
A Folha apurou que Palocci deu a ordem
para Mattoso violar o sigilo. O então presidente da Caixa entregou
o extrato a Palocci no dia 16 de março e esteve na casa do então
ministro com Malheiros e Thomaz Bastos no dia 23, uma semana depois.
Ao sair da casa de Palocci, Malheiros e Mattoso seguiram juntos, segundo
a Folha apurou, para um apartamento na Asa Sul, em Brasília.
Lá, se reuniram com a a vice-presidente de Tecnologia da CEF,
Clarice Copetti, o consultor da presidência Ricardo Schumann e
o chefe-de-gabinete de Mattoso, Philippe Torelly.
Na versão contada ontem à
Folha, o objetivo desse encontro foi reconstituir o processo de extração
de dados da conta do caseiro Francenildo Costa na Caixa. Não
há relato sobre eventual oferta de dinheiro para que um funcionário
da estatal assumisse a responsabilidade pela violação.
Reportagem da revista "Veja" diz que essa hipótese
foi discutida nessa data e que a oferta seria de R$ 1 milhão.
Os supostos envolvidos negam. A tentativa de suborno realmente aconteceu,
segundo disseram à Folha dois funcionários que participaram
do acesso aos dados bancários do caseiro. Mas, oficialmente,
os funcionários negam que tenham recebido tal proposta.
Detalhes
Conforme a Folha apurou, na reunião
na casa de Palocci, ele próprio e Thomaz Bastos estavam preocupados
em saber detalhes de toda a operação. Mattoso disse que
ele mesmo não dispunha de detalhes, mas iria levantá-los
com sua equipe. A violação dos dados ocorrera havia uma
semana. Depois, Mattoso e Malheiros ouviram a descrição
de Clarice Coppeti. Ela teria deixado claro que todos os procedimentos
estavam registrados pelos equipamentos da Caixa e seriam "facilmente
reconstituíveis". Frisou, inclusive, que, àquela
altura, a comissão de sindicância da própria instituição
já tinha condições de reconstituir toda a operação,
passo a passo.
O primeiro a sair foi Malheiros, cerca
de 40 minutos depois. Mattoso ainda continuou no apartamento, com os
assessores. Dois dias antes dessa reunião no apartamento da Asa
Sul, Copetti recebeu, ao lado de Mattoso, uma comissão de senadores
da CPI dos Bingos. Na ocasião, expôs dificuldades para
rastrear o acesso aos dados bancários do caseiro. Uma sindicância
fora aberta na Caixa para apurar eventuais responsabilidades. Depois
de tentar evitar seu depoimento à Polícia Federal, Mattoso
assumiu a responsabilidade pela violação dos dados bancários
do caseiro -que prefere classificar de cumprimento de uma rotina burocrática-
na segunda-feira, 27 de março, data de sua demissão.
Ontem, os supostos participantes da reunião
negaram a presença no encontro ou se recusaram a falar sobre
ele. Philippe Torelly afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que
não tomou conhecimento da reunião. Clarice Copetti também
nega. Ricardo Schumann, que reassumiu ontem o cargo no comando da estatal
depois de um período de licença, não respondeu
à Folha.
Lula segura ministro
Em reunião ontem da Coordenação
de Governo, grupo que reúne os ministros que discutem com o presidente
as diretrizes da gestão petista, Lula pediu a eles apoio irrestrito
a Thomaz Bastos ao debater a revelação da revista "Veja"
desta semana de que o ministro da Justiça foi à casa de
Palocci com Malheiros. Foi decidido que o ministro da Justiça
se colocaria à disposição para ir ao Congresso
o mais rápido possível. Lula acha que Thomaz Bastos agiu
corretamente entre "a solidariedade a Palocci e a firmeza para
apurar a violação", segundo expressão ouvida
pela Folha ontem no Planalto.
Além da avaliação
da situação de Thomaz Bastos, Lula e auxiliares ouviram
uma exposição do ministro da Fazenda, Guido Mantega. O
novo titular da Fazenda disse que, no auge da campanha eleitoral, a
economia estará crescendo a uma taxa de 4% ao ano.
(KENNEDY ALENCAR, ELIANE CANTANHÊDE e MARTA
SALOMON)
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Folha de São Paulo,
11 de abril de 2006
Não há ambiente político
para pedir impeachment de Lula, avalia oposição
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
e o ex-prefeito José Serra, pré-candidato ao governo paulista,
disseram ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), que
os tucanos não têm interesse em patrocinar um processo
de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aldo
conversou separadamente com eles, na semana passada. Apesar do recrudescimento
da crise política com a demissão do ministro Antonio Palocci
(Fazenda) e com a pressão sobre Márcio Thomaz Bastos (Justiça),
os líderes da oposição no Congresso mantêm
o discurso dos tucanos e negam que pretendam entrar com pedido de impeachment.
Eles alegam que, apesar de considerarem
que há elementos que comprovariam crime de responsabilidade de
Lula, não há ambiente político para o impeachment.
A posição do PSDB é acompanhada pelo PFL, seu parceiro
preferencial nas eleições. "Há impeachment
quando há uma comoção popular que faça o
cidadão pressionar o seu parlamentar para votar pelo impeachment.
Isso não se configurou", afirmou o senador José Agripino
(RN), líder do PFL no Senado. A senadora Heloísa Helena
(AL), pré-candidata do PSOL à Presidência, afirmou
ontem que existem "motivos legais" para abrir processo por
crime de responsabilidade contra Lula, mas concorda que faltam "condições
políticas" para tal. ""Motivos legais existem,
mas isso não deve ser feito às vésperas de uma
eleição. O povo vai decidir no voto."
Oposicionistas argumentam que um pedido
de impeachment pode ter efeito contrário ao pretendido, já
que Lula conta com boas taxas de aprovação popular. Na
última pesquisa Datafolha, o presidente tinha 40% das intenções
de voto no cenário com Anthony Garotinho (PMDB). Mesmo com ambiente
político favorável, um processo de impeachment passa por
tramitação complicada. Ao ser proposto, por qualquer cidadão
ou entidade, o pedido vai ao crivo do presidente da Câmara, que
decide se ele segue adiante ou vai ao arquivo.
Aldo tem sido um fiel aliado de Lula
desde que assumiu o comando da Câmara: em sua gestão, quatro
pedidos de impeachment contra o presidente foram arquivados. Dois estão
em análise. No dia 8 de maio, o Conselho Federal da OAB (Ordem
dos Advogados do Brasil) decidirá se apresenta ou não
à Câmara um pedido de impeachment de Lula.
O presidente do PT, deputado Ricardo
Berzoini (PT-SP), atacou aqueles que defendem o impeachment: "Medo
das urnas. Esse é o principal motivo [de um pedido de impeachment].
Cada vez que sai uma pesquisa eleitoral, a oposição treme
em razão das urnas que enfrentará em outubro e principalmente
pelo fato de que, até agora, ainda não apresentou qual
é seu programa para o país". (ELIANE
CANTANHÊDE, RANIER BRAGON E ADRIANO CEOLIN)
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Folha de São Paulo,
11 de abril de 2006
FRANÇA
Presidente recua após dois meses de protestos contra norma que
facilitava demissão de jovens; Villepin é o grande derrotado
Chirac engaveta contestada lei trabalhista
DA REDAÇÃO
Depois de praticamente dois meses de
passeatas gigantescas de protesto sindical e estudantil, o presidente
Jacques Chirac anunciou ontem o engavetamento da lei do primeiro emprego.
A lei procurava beneficiar recém-formados com menos de 26 anos
com um contrato de 24 meses, durante os quais os empresários
teriam menos encargos, e os estagiários, menos direitos. A possibilidade
de demissão sem causa formalizada desencadeou os protestos em
praça pública.
O primeiro-ministro Dominique de Villepin
foi o grande desgastado por um processo que corroeu sua popularidade
e provavelmente inutilizou suas chances de disputar no ano que vem a
sucessão presidencial. "As esperanças presidenciais
de Villepin estão praticamente mortas", disse Christophe
Barbier, da revista "L'Express". Não está claro
se o premiê planeja deixar seu posto a curto prazo. Ele declarou
ontem que "as condições necessárias de calma
e confiança não estavam presentes" e disse que prosseguiria
o diálogo com sindicatos para a adoção de medidas
que reduzam o desemprego entre os jovens (22%, ou mais que o dobro do
desemprego dos que têm mais de 26 anos).
Associações estudantis
planejavam para hoje manifestações que não foram
desmarcadas. Bruno Julliard, líder da Unef, a principal dessas
entidades, disse: "Obtivemos uma vitória, mas há
ainda questões indefinidas". Os estudantes desencadearam
o movimento, mas suas lideranças permaneceram pulverizadas e
sofreram a concorrência da mobilização pela internet.
Cinco confederações sindicais assumiram nas últimas
três semanas o comando do protesto. Elas não mais participam
da organização das passeatas que podem ocorrer hoje.
"Talvez possamos tomar champanhe,
porque foi uma vitória inegável do movimento social",
disse Gerard Aschieri, presidente da confederação FSU.
Formalmente, Chirac não abandonou o plano de elaborar para os
jovens uma política de emprego. Seus porta-vozes disseram que
ele criaria outros mecanismos. O ministro do Trabalho, Jean-Louis Borloo,
disse em entrevista ao "Le Monde" que o objetivo era beneficiar
159 mil jovens e que, para tanto, o Tesouro estava disposto a gastar
150 milhões. Agilizando a aplicação de mecanismos
em vigor, o governo daria a empresários um auxílio para
premiar a contratação de jovens de baixa qualificação
ou de famílias de menor renda.
Um dos deputados do partido majoritário
disse à Reuters que a nova política seria financiada por
meio de um aumento dos impostos sobre cigarros e que as discussões
começariam na Assembléia Nacional já esta semana.
Observadores acreditam que as esquerdas não tenham se fortalecido
com o episódio. O Partido Socialista, maior formação
da oposição, esteve a reboque dos protestos.
Seu secretário-geral, François
Hollande, não cresceu na proporção em que minguava
a taxa de aprovação de Villepin. Os mesmos observadores
afirmam que, guardadas as proporções, a única liderança
incólume foi o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy.
Desde o início, ele se dissociou
da forma dogmática com que o primeiro-ministro tratava o assunto
e deu declarações em favor da flexibilidade do posicionamento
oficial.
Além disso, depois que Chirac
promulgou a lei, em 2 de abril, as negociações se deslocaram
para o Senado e para a Assembléia, onde eram feitas por lideranças
de bancadas ligadas a Sarkozy, que é também o presidente
da UMP, o partido do governo. Pesquisa demonstrou que 83% dos franceses
acreditam que Chirac esteja bastante enfraquecido. "A crise real
é de confiança", disse à Associated Press
o analista Dominique Moisi.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11
de abril de 2006 | Mundo
FRANÇA
Cronologia
O Contrato de Primeiro Emprego (CPE), vigente desde 2 de abril deste
ano para as empresas com mais de 20 trabalhadores, é um dos artigos
da Lei de Igualdade de Oportunidades com que o governo francês
respondeu à onda de violência nos bairros da periferia
em outubro e novembro de 2005.
Precariedade –
A oposição e os sindicatos consideram o CPE uma extensão
do também “precário” Contrato de Nova Contratação,
vigente desde agosto de 2005 para trabalhadores de qualquer idade em
empresas com menos de 20 empregados.
Promessa – Após
pressão popular, o presidente Chirac anunciou em 31 de março
deste ano que o período de experiência do CPE deveria ser
reduzido a um ano e que os jovens teriam o direito a conhecer o motivo
de sua demissão.
16 de janeiro –
O primeiro-ministro Villepin anuncia a criação do Contrato
de Primeiro Emprego (CPE) para jovens menores de 26 anos. Durante os
dois anos de experiência, os jovens poderiam ser demitidos sem
justa causa.
31 de janeiro –
Começa o debate na Assembléia Nacional e ocorrem os primeiros
protestos nas ruas.
9 de fevereiro –
O Governo recorre à moção de confiança para
impor o projeto de lei na Assembléia Nacional.
9 de março –
Aprovação definitiva da Lei de Igualdade de Oportunidades,
que inclui o CPE.
28 de março –
Entre 1 e 3 milhões de pessoas participam de manifestações.
4 de abril –
Entre 1 e 3 milhões de pessoas participam do quinto dia de protestos
e paralisações. Bloqueios continuam nos dias seguintes.
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Matéria regional para conhecimento
JORNAL GAZETA DO POVO, 11 de
abril de 2006 | Política
GASTOS
Aumento do salário mínimo
vai custar R$ 3,8 milhões às prefeituras do Paraná
O aumento de R$ 50 no salário mínimo, válido a
partir deste mês, vai causar um impacto de R$ 3,8 milhões
por mês nos cofres das prefeituras paranaenses. O aumento de gasto
é considerado pesado pelo presidente da Associação
dos Municípios do Paraná (AMP), Luís Sorvos, prefeito
de Nova Olímpia. A estimativa não considera pagamento
de férias remuneradas.
Sorvos participou ontem de uma audiência
pública convocada pela comissão especial mista do salário
mínimo do Congresso Nacional, que vai elaborar um projeto sobre
recuperação do salário no Brasil. O grupo passou
por Curitiba para ouvir a sociedade sobre o assunto. A comissão
vai visitar ao menos dez estados de todas as regiões do país.
O salário mínimo passou de R$ 300 para R$ 350 neste mês.
Aproximadamente 30% dos servidores públicos municipais do Paraná,
ou 75.223 pessoas, recebem o salário base.
Os deputados e senadores que participam
da comissão defendem que a recuperação do salário
mínimo é um mecanismo eficiente de redistribuição
de renda no país. “Nos últimos dez anos está
havendo uma trajetória de recuperação do salário
mínimo. Queremos dar continuidade para que a proposta não
fique mais ao sabor dos governantes todo o ano”, diz a deputada
federal Dra. Clair (PT-PR).
A proposta do senador Paulo Paim (PT-RS)
é indexar o aumento do salário mínimo nacional
ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), somado à inflação
anual. “Desde que o salário mínimo foi criado, em
1942, até 2002, o PIB aumentou perto de 500%. Já o salário
mínimo teve um decréscimo de 75%”, diz Paim. “Se
o salário acompanhasse o PIB, estaria próximo de R$ 1.600
hoje.”
Para o senador, que há 30 anos
estuda a questão do salário mínimo, a reação
das prefeituras cada vez que o salário mínimo sobe não
passa de “falácia”. “Eles sempre dizem que
vão quebrar e nunca quebram”, diz Paim, relator da comissão
do Congresso Nacional.
Luís Sorvos afirma que os
prefeitos não são contra aumento de salário, mas
precisam de uma mudança na distribuição tributária
para conseguir um equilíbrio nas contas. “Não há
folga hoje no nosso orçamento para bancar aumento de despesas”,
diz o presidente da AMP. Apesar do Fundo de Participação
dos Municípios ter aumentado em 25% de 2004 para 2005, não
acompanhou o aumento das despesas, como combustível, tarifas
de energia e água.
Daniela Neves
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Matéria regional para conhecimento
JORNAL GAZETA DO POVO, 11 de abril de 2006 | Política
CONGRESSISTAS
Apoio ao teto regional
A deputada federal Dra. Calir (PT-PR) e o senador Paulo Paim (PT-RS)
defenderam ontem a adoção do salário mínimo
regional do Paraná. Eles afirmam que a proposta apresentada pelo
governo à Assembléia Legislativa deveria ser votada logo.
“É inadmissível que
o Paraná ainda não tenha votado o piso regional”,
diz o senador petista. No seu estado de origem, o Rio Grande do Sul,
o teto regional foi estabelecido na época do governo de Olívio
Dutra (PT). A deputada Clair diz que a implantação do
piso regional no Paraná vai servir de patamar para outras categorias
e pressionar por um salário mínimo maior no país.
O líder da oposição
na Assembléia, deputado Valdir Rossoni (PSDB) também cobrou
a votação rápida da proposta, para que os deputados
não fiquem com o ônus de não ter aprovado o projeto,
que no seu entender é demagógico. (DN)
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de abril
de 2006
Mínimo de R$ 437 ganha apoio nacional
Membros da Comissão Mista do Salário
Mínimo do Congresso Nacional apoiaram a proposta regional do
governo do Estado
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) ganhou um apoio
importante em sua briga contra alguns deputados estaduais para a aprovação
do salário mínimo regional de R$ 437, proposto pelo governo.
Parlamentares que compõem a Comissão Mista do Salário
Mínimo, que estiveram ontem em Curitiba, não só
declararam-se favoráveis à implantação do
piso regional como também prometeram cobrar do presidente da
Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), agilidade
na votação.
''Se o Paraná tem condição
de pagar um salário maior do que o restante do País, não
tem porque ficar apegado ao valor nacional'', defendeu o presidente
da comissão, deputado federal Jackson Barreto (PTB/SE). Para
o relator da comissão, senador Paulo Paim (PT/RS), é incompreensível
a resistência de alguns deputados em aprovar a mensagem do governo.
''O Paraná tem que aprovar o piso regional. E já aprova
atrasado'', disse Paim. Requião enviou a mensagem à Assembléia
Legislativa em meados de fevereiro.
Desde a aprovação da lei
que determinou que os Estados podem criar salários mínimos
regionais, só o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul aprovaram
projetos nesse sentido. Nos dois Estados, segundo Paim, os salários
já são superiores a R$ 400, com o reajuste ficarão
em torno de R$ 500, e nunca houve problema para a economia local. ''Ninguém
quebrou por causa disso'', afirmou o senador.
Os parlamentares vieram a Curitiba para
realizar a primeira audiência pública fora do âmbito
do Congresso Nacional para discutir junto a representantes dos setores
público e privado, propostas para a criação de
uma política permanente de reajustes do salário mínimo.
Depois de Curitiba, serão realizadas audiências públicas
em mais nove capitais.
O objetivo da comissão é
estabelecer, por meio de legislação, um mecanismo permanente
de reajuste do salário mínimo nacional. ''Toda vez que
chega a época do reajuste, há um desgaste danado para
chegar a um índice. Com a legislação, isso já
estaria definido'', explica a deputada federal Dra. Clair (PT/PR), integrante
da comissão.
Uma das propostas levantadas pelos parlamentares
até agora prevê a vinculação ao Produto Interno
Bruto (PIB). O salário mínimo seria reajustado pelo índice
inflacionário dos últimos 12 meses mais o dobro do valor
do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Por exemplo, se a inflação
dos últimos 12 meses fosse de 4%, e o PIB ficasse em 5%, o salário
seria reajustado em 14%.
Na audiência pública,
a diretoria da Associação dos Municípios do Paraná
(AMP) pretendia mostrar aos parlamentares um quadro mostrando o impacto
do salário mínimo nas contas das prefeituras do Estado.
De acordo com o presidente da AMP e prefeito de Nova Olímpia,
Luis Sorvos, o novo mínimo do País, de R$ 350, significará
um aumento das despesas das 399 prefeituras do Paraná de pelo
menos R$ 3,8 milhões/mensais (ou R$ 49,4 milhões por ano,
já incluindo o 13º salário). Para Sorvos, o reajuste
dos servidores que ganham o salário mínimo é justo,
mas o aumento deveria ser acompanhado de uma contrapartida financeira
para que as prefeituras pudessem suportar o reajuste.
Maigue Gueths
Equipe da Folha
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JORNAL DO ESTADO, 11 de abril de 2006
Audiência pública discute
salário mínimo
O presidente da Comissão Especial da Câmara dos Deputados
destinada a estudar a política de reajustes do salário-mínimo,
deputado Jackson Barreto (PTB/SE), promove hoje, às 14 horas,
no Auditório do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, audiência
pública sobre o tema. Barreto está percorrendo todos os
estados brasileiros com o mesmo objetivo. O evento conta com o apoio
da AMP (Associação dos Municípios do Paraná),
que apresentará ao deputado um quadro mostrando o impacto do
salário-mínimo nas contas das prefeituras do Estado. De
acordo com o presidente da entidade e prefeito de Nova Olímpia,
Luis Sorvos, o novo mínimo do País, de R$ 350, significará
um aumento das despesas das 399 prefeituras do Paraná de pelo
menos R$ 3,8 milhões mensais (ou R$ 49,4 milhões por ano,
já incluindo-se o décimo-terceiro salário) às
399 prefeituras do Paraná. A estimativa não considera
as férias remuneradas dos servidores públicos.
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de abril de 2006
Salários regionais podem elevar
o mínimo no País
Rhodrigo
O relator da Comissão Mista Especial do Salário Mínimo,
senador Paulo Paim (PT-RS), apoiou ontem a proposta do mínimo
regional no Paraná. Na audiência pública da comissão
realizada ontem em Curitiba, Paim afirmou que, se aprovada, a proposta
paranaense que tramita na Assembléia Legislativa poderá
servir de exemplo para outros estados, que poderão vir a instituir
um salário base maior que o mínimo em nível nacional.
"É inadmissível que não se vote o piso regional.
Até agora somente o Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul o instituíram",
disse. Segundo o senador, a comissão vai defender que todos os
estados brasileiros elaborem pisos regionais. Integrante da comissão,
a deputada federal dra. Clair (PT) disse na audiência pública
que além de beneficiar os trabalhadores, o piso regional vai
injetar mais dinheiro da economia e pode servir de patamar para outras
categorias. Análises recentes do Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese)
revelaram que o salário mínimo regional proposto pelo
governador Roberto Requião - que varia conforme as categorias,
entre R$ 427,00 e R$ 437,80 - deve aumentar em 25% o poder de compra
de 390 mil trabalhadores paranaenses, o que significa um acréscimo
mensal de R$ 16,5 milhões na economia do Paraná.
O secretário de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção
Social, Emerson Nerone, disse que o governo estadual abriu a discussão
sobre proposta do mínimo regional porque o PIB paranaense é
muito superior a de estados do nordeste, que não podem arcar
com um piso salarial maior.
Segundo dra. Clair, a expectativa da comissão é que até
o fim do ano possa se chegar a uma proposta de política permanente
para o reajuste do salário mínimo. A deputada acredita
que o projeto pode ir a votação ainda neste ano.
O presidente da comissão, deputado federal Jackson Barreto (PTB-SE),
afirmou que já foram feitas 12 audiências públicas
em Brasília, sendo que a de Curitiba foi a primeira fora do Distrito
Federal. "O objetivo da comissão é criar uma proposta
de recuperação permanente do salário mínimo
e dos benefícios dos aposentados", afirmou.
Paim vem delineando uma proposta, debatida com diversos setores da sociedade,
de que o mínimo deveria ter seu aumento relacionado com o crescimento
anual do Produto Interno Bruto brasileiro. Segundo o senador, o piso
salarial deveria subir o dobro do crescimento percentual do PIB. "Se
o PIB crescesse 3%, o salário cresceria 6%", explicou. Paim
justificou a sua proposta: "De 1942 a 1992 o PIB brasileiro aumentou
mais de 500% e o salário mínimo teve um decréscimo
real de 70%".
A comissão informou que estuda também a criação
de um fundo para apoiar municípios que tenham dificuldades para
o pagamento de aumentos do salário mínimo a servidores,
a fim de que não sejam extrapolados os limites impostos pela
Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa é exatamente a preocupação
da Associação dos Municípios Paranaenses (AMP).
O presidente da AMP, Luiz Sorvos, explicou que não é contra
o salário mínimo, mas é preciso que haja contrapartida
de receitas, através de um aumento no Fundo de Participação
dos Municípios (FPM). "Dos municípios do Paraná,
79% dependem do FPM para gerir suas contas. Há um projeto de
Osmar Dias tramitando que pode trazer mais de 10% da arrecadação
em contribuições para os estados", disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 11 de abril de 2006
| Economia
PESQUISA
Empresário mais otimista
São Paulo – A Serasa divulgou pesquisa que aponta o otimismo
do empresário brasileiro, apesar da crise política e do
calendário eleitoral. A fundação ouviu em março
960 empresas de diferentes setores em todo o país. Desse total,
65% estão convencidas de que o faturamento de suas empresas deve
aumentar em relação a 2005. As empresas de grande porte,
principalmente da indústria, revelam maior otimismo: 74% acreditam
no crescimento, com destaque para a região Nordeste e para os
estados de Minas Gerais e Espírito Santo. No item indicadores
macroeconômicos, 49% acreditam que o PIB deverá crescer
em 2006.
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JORNAL DO ESTADO, 11 de abril de 2006
ALTAS HORAS
Noite maldormida reduz produtividade
Pesquisa da Unifesp aponta que privação
de sono pode gerar de apatia a isolamento
Raquel Bocato
Folhapress
O turno começava às 19 horas e terminava às 7 horas.
Nesse período, havia uma pausa de 15 minutos para a refeição.
A tarefa era proteger o prédio da Secretaria de Cultura da Prefeitura
de São Paulo.
Havia quatro anos que o vigilante Claudio Ferreira Galvão, 49,
atuava na mesma função. No entanto, em meados de outubro
de 2003, a empresa de segurança patrimonial para a qual trabalhava
alegou que ele teria cochilado. Eram 3h10 da madrugada. Foi demitido
por justa causa.
Galvão alega ter sido sempre um ótimo funcionário.
“Eu me senti bastante injustiçado”, desabafa. Ele
entrou com uma ação na Justiça do Trabalho para
receber as verbas rescisórias do período em que permaneceu
na firma.
Há poucos dias, a 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
(TRT-SP) concedeu-lhe ganho de causa. A sentença salienta que
o vigilante noturno tinha uma “jornada extensa e desgastante”.
No veredicto, o juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros, relator do processo,
ressaltou que a falta de sono regular durante a noite pode desencadear
“problemas de adaptação ou até mesmo de saúde”.
O profissional — que teve depressão e encontra-se em licença
médica — afirma que não cochilou naquele dia. A
empresa de vigilância diz que entrará com recurso no Tribunal
Superior do Trabalho em breve.
A decisão do TRT-SP reacendeu o debate sobre o trabalho noturno
e a privação de sono.
O neurologista Flávio Alóe, do Centro Interdepartamental
para os Estudos do Sono, do Hospital das Clínicas de São
Paulo, diz que é “praticamente impossível”
acostumar-se a jornadas noturnas. “Mesmo habituado a trabalhar
à noite, basta que o profissional se exponha à luz solar
para sentir alterações em seu ritmo.”
O índice de mortalidade entre os que dormem pouco ou fora do
horário noturno, acrescenta o neurologista, é maior do
que os que mantêm boas noites de sono. Aumentam também
os riscos de transtornos cardiovasculares, de obesidade e de infertilidade.
No dia-a-dia, para o trabalhador, o cansaço excessivo causado
por noites maldormidas ou pela privação do sono pode produzir
alteração cognitiva, diminuição da atenção,
redução da memória de curto e longo prazos, menor
capacidade de planejamento estratégico e alterações
de humor.
Uma pesquisa do Instituto do Sono, ligado à Universidade Federal
de São Paulo (Unifesp), finalizada neste ano, demonstra que,
depois de 24 horas privadas de sono, pessoas sedentárias apresentam
irritação, cansaço e fadiga.
Uma das etapas do estudo consistia em deixar um grupo de 28 voluntários
sem dormir por 96 horas. Após 48 horas, além da exacerbação
de todos os sintomas do primeiro dia, as pessoas demonstraram sensibilidade
maior a ruídos e cansaço psicológico. Isolamento,
apatia e irritabilidade foram manifestados por quem passou 72 horas
sem descansar.
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AGÊNCIA BRASIL –
RADIOBRÁS, 11 de abril de 2006
Brasil e Espanha vão ampliar cooperação
na área trabalhista
Brasília - O ministro do Trabalho e Assuntos Sociais da Espanha,
Jesús Caldera, se reúne hoje (11), às 10 horas,
com os ministros do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e da Previdência
Social, Nelson Machado. Durante o encontro, será assinado entre
os dois países memorando de entendimento de cooperação
e assistência técnica em matéria trabalhista.
O documento, resultado da Declaração
de Brasília sobre a Consolidação da Parceria Estratégica
Espanha-Brasil, assinada pelos presidentes dos dois países em
24 de janeiro de 2005, intensificará a cooperação
bilateral nos âmbitos do emprego, da formação profissional,
das relações trabalhistas, das condições
de trabalho e da imigração.
A assinatura será no gabinete
do ministro Luiz Marinho. Às 16h30, no Hotel Meliá Park,
no Setor Hoteleiro Sul, Caldera concederá entrevista.
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INFO MONEY, 11 de abril
de 2006 | Previdência
Envelhecimento populacional deve reduzir
ritmo de crescimento econômico
SÃO PAULO - Na onda da medicina
preventiva, que aumenta a expectativa de vida da população,
e como resultado da sociedade moderna, onde casais optam por não
ter ou ter poucos filhos, a população mundial está
envelhecendo.
A afirmação acima não
é novidade para ninguém e já foi discutida diversas
vezes. Porém, de acordo com estudo divulgado pelo banco suíço
UBS nesta quarta-feira (05), o grande problema deste envelhecimento
populacional é o impacto que ele poderá causar na economia
mundial. De maneira geral, o estudo prevê uma redução
no ritmo de crescimento econômico mundial.
Mão-de-obra
Uma das conseqüências do "amadurecimento"
da população é na mão-de-obra das empresas.
À medida que um número menor de jovens profissionais vai
entrar no mercado, um grande número de pessoas pedirá
a aposentadoria.
De acordo com estudo, dois desafios serão
lançados para amenizar o problema. O primeiro está relacionado
a algumas leis trabalhistas: segundo relatório, o aumento da
jornada de trabalho, retardo da idade de aposentadoria e o aumento no
número de imigrantes podem acalmar, mas não resolver,
o problema.
O segundo desafio diz respeito à
divisão de receitas. Com o aumento da população
idosa, gastos com saúde e fundos de pensão tendem a aumentar,
ao passo que a receita (gerada pelo trabalho e contribuição
das gerações jovens) não deverá crescer
na mesma proporção.
Diante dessa nova realidade, o impacto
para a Previdência Social será grande, e não há
como evitar novos aumentos da carga tributária, uma vez que a
população ativa terá que contribuir mais para garantir
os benefícios dos aposentados.
Impactos no mercado financeiro
A desaceleração da economia
e a redução da taxa de poupança das empresas, conseqüência
do fenômeno populacional, não devem, no entanto, enfraquecer
o mercado financeiro.
De acordo com o estudo, a ocasião
levará à diversificação geográfica
dos ganhos corporativos, de forma que, segundo a pesquisa, "os
ganhos serão cada vez mais independentes do crescimento econômico
do próprio país".
O estudo prevê, portanto, que em
vários países a cultura de investimento será reforçada:
afinal é preciso estar preparado para viver mais, já que
isso exige maior acúmulo patrimonial.
A taxa de juro deve ser ainda mais afetada
pelo fluxo de capital internacional, à medida que os investidores
procuram um melhor retorno para os seus investimentos. O envelhecimento
da população, contudo, favorece à inovação
e deve abrir espaço para o surgimento de novos produtos financeiros
voltados a essa parcela da população.
Adequações e mudanças
A mudança levará, também,
a uma adequação dos produtos e serviços. Segundo
o relatório, o aumento da idade da população fará
com que as companhias mudem o foco para atingir esse determinado público-alvo.
Alguns setores devem ser particularmente
afetados pelo envelhecimento da população. Enquanto no
setor automobilístico e de alimentação as empresas
devem migrar para países onde os custos de mão de obra
são menores, no setor financeiro e de ortopedia, por exemplo,
os produtos e serviços serão ajustados para atender à
demanda idosa.
As novas indústrias, como
robótica e equipamentos médicos domésticos, irão
oferecer soluções para a redução de mão
de obra. Tendência que aliás, já vem se registrando
em países como o Japão, onde já foram lançados
vários modelos de robôs voltados ao atendimento da população
idosa ou para atuar em áreas que exigem menos qualificação.
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INFO MONEY, 11 de abril
de 2006
Cartórios têm até
esta segunda-feira para comunicar óbitos ao INSS
SÃO PAULO - Os cartórios
devem informar ao INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), até
esta segunda-feira (10) as comunicações de morte registradas
no mês de março. Não apenas as mortes, mas a não
ocorrência de falecimentos também precisa ser informada,
sob risco de pena.
A exigência do INSS em conhecer
os óbitos de trabalhadores e segurados busca facilitar as concessões
de pensão por morte e, assim, evitar o pagamento de benefícios
a pessoas que já morreram.
Como informar
A informação deve chegar
à Previdência Social pela Internet ou por meio de um disquete.
Para o primeiro caso, basta fazer um cadastro no Ministério da
Previdência Social pelo e-mail sisobi@df.previdenciasocial.gov.br
e acessar o Sisobinet.
Se a opção for o disquete,
o cadastro é dispensado. O disquete deve ser entregue no Serviço
de Manutenção de Benefícios da Gerência Executiva
da região mais próxima.
Antes que esses meios eletrônicos
fossem adotados, as informações sobre os óbitos
demoravam mais de três meses para chegar ao INSS.
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INFO MONEY, 11 de abril
de 2006
Serasa: 37% acreditam que o desemprego
deverá aumentar no semestre
SÃO PAULO - De acordo com os dados
da pesquisa de Perspectiva Empresarial da Serasa, divulgados nesta segunda-feira
(10), 37% dos entrevistados acreditam que a taxa de desemprego deverá
crescer até o final do 1o semestre. Entretanto, 38% acreditam
em queda da taxa até o final do ano.
Dentre as 960 empresas dos setores da
indústria, comércio, serviços e instituições
financeiras de todo o país, as mais otimistas em relação
ao desemprego estão entre os segmentos de médio porte,
instituições financeiras, São Paulo, Interior e
Minas Gerais. Já as menos otimistas são as empresas do
comércio e as regiões Centro-Oeste e Sul.
A maior parte dos segmentos analisados
(47%) está fortemente alinhada com a estabilidade da renda do
brasileiro, tanto para o 1º semestre quanto para o ano. As instituições
financeiras e o Rio de Janeiro apostam em crescimento da renda mais
para o final do ano, enquanto os empresários das regiões
Centro-Oeste e Sul são os menos otimistas.
PIB, dólar a taxa de juros
Para a maior parte das empresas (49%),
o PIB deverá crescer este ano. Os mais otimistas estão
entre os segmentos de médio e grande portes, com destaque para
as instituições financeiras.
A expectativa para a taxa de câmbio
do dólar é de estabilidade no final do 1º semestre
e de desvalorização do real até o final do ano.
A região Centro-Oeste e o Rio de Janeiro são os destaques,
com elevada perspectiva de evolução do dólar no
segundo semestre.
A percepção de queda
na taxa de juros é compartilhada por todos os segmentos e a expectativa
é que isso ocorra mais fortemente no final do 1º semestre.
No entanto, as instituições financeiras e as empresas
de grande porte mostram-se mais otimistas do que os demais segmentos.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,10
de abril de 2006 | Economia
Preços ao consumidor variam 0,30%
no dia 7
RIO DE JANEIRO - A inflação
medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S)
registrou 0,30%, na medição até o dia 7. A variação
ficou 0,08 ponto percentual (p.p.) acima da divulgada na última
semana, na medição até 31 de março, que
ficou em 0,22%.
Conforme a Fundação Getúlio
Vargas (FGV), "Vestuário" e "Alimentação"
foram os grupos que mais contribuíram para o aumento na taxa
do IPC-S, ao passarem de -1,10% para 0,56% e de -0,32% para -0,21%,
respectivamente.
"Habitação"
e "Transportes" passaram a contribuir menos, ao registrarem
decréscimos nas taxas: passaram de 0,34% para 0,29% e de 1,43%
para 1,25%. Informações sobre as variações
das demais classes de despesa no site da FGV.
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O ESTADÃO.COM, 11
de abril de 2006 | Economia
Brasil cai no ranking de produtividade
do trabalho industrial
O País caiu para a 22ª posição
em relação aos outros países (período 2001-2004,
porque ainda não há dados disponíveis do ano de
2005 relativos aos outros países), depois de ter, nos anos 90,
ficado nas primeiras posições (6º lugar de 1991-1995
e 4º lugar de 1996 a 2000)
Fabio Graner
BRASÍLIA - O fraco desempenho
da produtividade do trabalho industrial na primeira metade desta década
fez o Brasil despencar no ranking mundial deste indicador e se distanciar
das principais economias do mundo. Segundo o documento, o País
caiu para a 22ª posição em relação
aos outros países (período 2001-2004, porque ainda não
há dados disponíveis do ano de 2005 relativos aos outros
países), depois de ter, nos anos 90, ficado nas primeiras posições
(6º lugar de 1991-1995 e 4º lugar de 1996 a 2000).
"O baixo crescimento da produtividade
tende a reduzir os ganhos de competitividade conquistados com a modernização
do parque industrial brasileiro ocorrida nos anos 90", diz o documento.
"Esse é o dado mais preocupante: os ganhos da década
de 90 estão sendo perdidos nos anos 2000", acrescentou o
gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, Renato da Fonseca.
De 2001 a 2004, a Índia foi o
país que apresentou maior crescimento de produtividade em média
por ano: 10,1%. Em seguida, aparecem no ranking os também asiáticos
Cingapura, Malásia e Tailândia. Os Estados Unidos ocuparam
a 5ª posição, com produtividade anual média
crescendo a uma taxa de 6,1%.
Sinal de alerta
Para a CNI, esse distanciamento do Brasil
em relação ao mundo acende um sinal de alerta, sobretudo
do ponto de vista das exportações. "Assim como parte
do desempenho exportador dos últimos anos é creditada
aos ganhos de produtividade da década de 90, o baixo crescimento
da produtividade tende a comprometer o vigor dos setores exportadores
no futuro", diz a nota.
Segundo a entidade, para o Brasil se
recuperar no ranking da produtividade é precisar elevar o nível
de investimento, sobretudo o voltado para a inovação tecnológica.
"Deixar de fazê-lo significa permitir que o Brasil volte
a se distanciar dos demais países do mundo em termos competitivos",
sentencia o boletim.
Para Renato da Fonseca, a queda na taxa
de juros precisa ocorrer de forma consistente, de modo a tornar o investimento
mais barato e também produzir um crescimento econômico
mais vigoroso e sem interrupções, o que estimularia os
empresários a investir.
Números comprovam
O fraco desempenho da produtividade do
trabalho na indústria de transformação, que levou
à queda do Brasil no ranking, é comprovada pelos números
do boletim. Em 2005, houve queda de 1,4% na produtividade - calculada
dividindo-se a produção pelo número de trabalhadores.
Nos últimos cinco anos, o crescimento acumulado da produtividade
foi de 3,4%, o que redundou em uma média anual de apenas 0,7%.
De acordo com a nota da CNI, a queda
na produtividade ocorrida no ano de 2005 "não chega a surpreender",
uma vez que, com a desaceleração no aumento da produção,
mas com a continuidade do crescimento no emprego, a tendência
natural era que houvesse um impacto negativo nesse indicador.
O resultado, segundo a CNI, consolida
o primeiro quinqüênio da década como um dos piores
dos últimos 35 anos, ganhando apenas da segunda metade dos anos
80, a chamada década perdida. De 1986 a 1990, a produtividade
da indústria teve uma queda média anual de 0,7%. "A
redução da produtividade em 2005 é menos preocupante
que o baixo desempenho no acumulado do primeiro quinqüênio
desta década", explica o documento, acrescentando que o
problema maior ocorreu no período 2001-2003, quando a produção
industrial cresceu muito pouco (1,7%) e a produtividade ficou praticamente
inalterada.
Comparando-se a produtividade média
anual dos cinco anos passados com o índice de 1996 a 2000, cujo
crescimento médio anual da produtividade foi de 5,9%, fica evidente
a forte desaceleração ocorrida. No período 1993-1995,
que capta os anos iniciais da pesquisa de emprego da CNI, a produtividade
média anual foi de 7,9%.
| A
PRODUTIVIDADE DO TRABALHO NA INDÚSTRIA
(taxa de crescimento média por ano, em %) |
| Posição |
Países |
1991-1995 |
1996-2000 |
2001-2004 |
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
|
Índia
Cingapura
Malásia
Tailândia
Estados Unidos
Coréia do Sul
Suécia
Japão
Taiwan
Reino Unido
Hong Kong
México
Bélgica
Alemanha
Austrália
Noruega
Holanda
Argentina
Canadá
França
Dinamarca
Brasil
Itália
|
6
10,3
6,9
2,8
4,2
8,9
7,5
1,9
5,2
3,1
7,7
5,8
2,8
3,3
3,3
0,8
3,5
8,4
4,0
4,3
3,3
7,2
3,2
|
6
5,6
5,5
1,9
5,5
11,7
7,4
4
5,2
2,7
5,5
5,2
3,6
3
3,8
0,9
2,3
4,8
3,4
4,3
2,9
5,9
1,1
|
10,1
8,2
6,9
6,2
6,1
6,0
5,5
5,3
4,3
3,9
3,7
3,6
3,3
2,6
2,4
2,4
2,3
2,2
1,8
1,5
1,4
1,3
-0,9.
|
| |
|
Posição
do Brasil:
6º |
Posição
do Brasil:
4º |
Posição
do Brasil:
22º |
Fonte: CNI
|
CONESUL NEWS / PONTA PORÃ,
11 de abril de 2006 | Economia
Campo Grande: Construção
civil da Capital quer 13% de reposição salarial
Midiamax News
Os trabalhadores na indústria
da construção civil de Campo Grande querem 13% de reposição
salarial e mais 5% de aumento real para vigorar, com efeito retroativo,
a partir de 1º de março, data base da categoria. Além
disso, pedem também outros benefícios pessoais e maior
segurança de trabalho.
De acordo com informações
do presidente do sindicato da classe (Sindicato dos Trabalhadores na
Indústria da Construção Civil e do Mobiliário
de Campo Grande), Samuel da Silva Freitas, os pedidos de 13% de reposição
salarial mais 5% de aumento real se justificam diante dos 16.7% que
o governo deu para o salário mínimo vigente no País,
que passou de R$ 300,00 para R$ 350,00.
"Não temos nada contra esse
reajuste, que alías, deveria ser muito maior. O que não
queremos é ficarmos no prejuízo, defasados", esclareceu.
Esse reajuste do governo, segundo Samuel, prejudicou os pisos salariais
de quase todas categorias profissionais. "Por isso estamos pedindo
pelo menos 13% de reposição salarial e mais 5% de aumento
real, para não sairmos prejudicados. Além disso, é
preciso lembrar também que o salário do trabalhador precisa
ser valorizado a cada negociação. Não podemos retroceder",
afirma.
Esses números estão
sendo negociados com a classe patronal. Samuel acredita no bom senso
dos empresários principalmente nesse período em que há
uma injeção muito grande de recursos no setor. "É
preciso destacar também a importância do trabalhador no
desenvolvimento da economia, especialmente no aquecimento da construção
civil deste país. É ele quem está na linha de frente,
lutando de sol a sol para o crescimento do setor", reforma o líder
sindical.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
11 de abril de 2006
TST nega auxílio-alimentação
a ex-funcionária da Caixa
O TST (Tribunal Superior do Trabalho)
negou pedido de uma aposentada da Caixa Econômica Federal para
o restabelecimento de auxílio-alimentação, suprimido
em 1997, ano em que ela se aposentou. A SDI-2 (Subseção
de Dissídios Individuais) do tribunal negou provimento ao recurso
em ação rescisória ajuizada pela ex-funcionária
da Caixa, e manteve a decisão do TRT-12 (Tribunal Regional do
Trabalho da 12ª Região), em Santa Catarina.
O relator do recurso, ministro Gelson
de Azevedo, disse que o acórdão da segunda instância
está de acordo com a jurisprudência do TST: "A ajuda-alimentação
fornecida por empresa participante do PAT (Programa de Alimentação
ao Trabalhador), instituído pela Lei 6.321/76, não tem
caráter salarial. Portanto, não integra o salário
para nenhum efeito legal", afirmou o ministro.
Na decisão, o TRT registra que
o acórdão levou em consideração que a Caixa
alterou a forma de pagamento do auxílio-alimentação
em 1992. Pago em dinheiro, passou a ser fornecido através de
tíquete, em atendimento ao PAT.
Com base nessa alteração,
passou a pagar o benefício nos termos estabelecidos na Lei 6.321/76,
na qual foi estabelecida a natureza indenizatória da ajuda. Portanto,
a supressão de seu pagamento a partir da ruptura do contrato,
que ocorreu com a aposentadoria, foi considerada legal pelo tribunal.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
11 de abril de 2006
TRT-SP: humilhado por revirar lixo ganha
indenização de R$ 40 mil e uma pizza
A 6ª Turma do TRT-SP (Tribunal Regional
do Trabalho de São Paulo) condenou a Infraero (Empresa Brasileira
de Infra-Estrutura Aeropurtuária) e uma empresa de terceirização
de serviços a indenizar um funcionário que havia sido
ridicularizado por ter revirado o lixo para tentar encontrar uma pizza.
As empresas foram condenadas a pagar
R$ 40.014 ao trabalhador, sendo que R$ 40 mil são referentes
à indenização e R$ 14 "correspondem ao preço
médio de uma pizza", segundo escreveram os juízes
da turma do TRT na decisão.
Segundo a assessoria de imprensa do TRT-SP,
um ex-empregado da Tese Administração, Serviços
e Comércio Ltda., contratado para trabalhar como funcionário
terceirizado da Infraero no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos
(SP), ajuizou ação na 7ª Vara do Trabalho do município.
No processo, o auxiliar de serviços
gerais reclamou que a empregadora divulgou comunicado advertindo-o por
estar "fuçando e revirando o lixo para comer pizza"
e, com isso, foi apelidado de "lixeiro". Ele não negou
o fato, mas pediu que as empresas fossem condenadas a indenizá-lo
pelos danos morais sofridos com a divulgação.
A empresa Tese, em sua defesa, sustentou
que "nada mais fez do que retratar os fatos ocorridos naquela semana",
que "os colegas do reclamante já tinham conhecimento daqueles
fatos" e que a prática do ex-empregado estaria denegrindo
sua imagem.
O juiz da vara condenou as empresas a
pagarem, solidariamente, reparação no valor de R$ 2.500,00.
Insatisfeito com a sentença, o reclamante apelou ao TRT-SP para
que a indenização fosse aumentada.
Para o juiz Paulo Eduardo Vieira de Oliveira,
relator do recurso ordinário no tribunal, ainda que o trabalhador
tenha agido de forma errada, a empregadora não podia "nomeá-lo
de ‘comedor de lixo, fuçador de lixo ou lixeiro’,
ou ainda divulgar os fatos ocorridos para os demais empregados, pois,
agindo assim, abusou de seu poder de direção".
De acordo com o relator, "infelizmente,
verifica-se que a primeira reclamada (Tese Ltda.), aproveitando-se da
crise de empregos que assola o país, tratava seus empregados
de forma desrespeitosa e cruel".
O juiz Paulo Eduardo de Oliveira estranhou,
ainda, a contratação, pela Infraero, "de uma empresa
que assim agia com seus empregados". Para ele, a estatal tem responsabilidade
pelos atos praticados pela empregadora.
A indenização por danos
morais, explicou o relator, "deve ter dupla finalidade: ressarcitiva
(para que possa minorar os efeitos do ato na consciência do lesado)
e punitiva (para que o agente agressor não mais volte a agir
daquela maneira), em ambas as hipóteses considerando a capacidade
de pagamento do ofensor".
Por unanimidade, a 6ª Turma
elevou valor da indenização para R$ 40.014. Os juízes
da turma esclareceram que R$ 40 mil referem-se à indenização
propriamente dita, e R$ 14 "correspondem ao preço médio
de uma pizza, para que as reclamadas pensem melhor ao tomar atitude
idêntica à que ocorreu no presente processo".
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
11/04/2006
TST multa INSS por litigância de má-fé
A Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho impôs multa
ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por litigância de
má-fé. No agravo de instrumento com o qual buscou o pronunciamento
do TST sobre o prazo decandencial das contribuições previdenciárias,
a defesa sustentou que a decisão regional que declarou o prazo
de cinco anos violou a Lei Orgânica da Seguridade Social e o Código
Tributário Nacional. Ocorre que o processo encontra-se em fase
de execução de sentença e, nessa fase, só
cabe recurso ao TST em caso de ofensa literal e direta à Constituição
Federal.
De acordo com a relatora do agravo, juíza
convocada Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro, “ao
insistir em fundamentação manifestamente incabível,
a autarquia previdenciária incorre na hipótese legal definidora
da litigância de má-fé na atuação,
em flagrante descompasso com as normais legais atinentes”. Por
esse motivo, a relatora aplicou a multa por litigância de má-fé
prevista no artigo 18 do Código de Processo Civil.
O presidente da Primeira Turma do TST,
ministro João Oreste Dalazen, criticou a atuação
do procurador do INSS no processo e salientou que a multa tem um caráter
pedagógico. “Compreendemos a posição do procurador
do INSS e seu dever de zelar pelo interesse e patrimônio públicos,
mas não se pode lançar mão de um recurso desfundamentado
só pelo dever de recorrer. Esta é uma forma de sobrecarregar
o Poder Judiciário indevidamente. Por isso, esse procurador deve
ser alertado e cientificado”, afirmou Dalazen.
O ministro Lelio Bentes Corrêa
concordou com a imposição da multa, afirmando que a atuação
do procurador do INSS no caso foi “absolutamente inadequada”.
Antes de encerrar o julgamento, o presidente do colegiado alertou para
o risco de inviabilização do TST se não for adotado
“uma postura rígida e firme” em relação
à admissibilidade do recurso de revista. “Estou seguro
disso. Estamos com 227 mil recursos para solucionar, se não formos
enérgicos, se não adotarmos uma postura pedagógica
para aplicar com rigor a técnica do recurso de revista, vamos
nos inviabilizar”, alertou Dalazen. (AIRR 00253/2004-036-24-40.9)

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