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INFONET, 13 de abril de 2006
Construção civil espera
investimento recorde
A construção civil deve
voltar a crescer com força este ano, depois do desempenho medíocre
em 2005. A estimativa dos empresários do setor é de que
os investimentos em obras públicas e o crédito para habitação
cheguem a R$ 80 bilhões, mais que o triplo do valor desembolsado
no ano passado, ao redor de 25 bilhões de reais.
Só dos cofres do governo federal
sairiam cerca de R$ 29 bilhões. A expectativa é que o
PIB do setor cresça 5,1% contra 1,3% em 2005. Há grande
otimismo no setor com relação aos investimentos neste
ano de 2006.
Por Ivan Valença
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A VOZ DA CIDADE / VOLTA
REDONDA (RJ), 13 de abril de 2006 | Economia
Trabalhadores da construção
civil ganham reajuste salarial entre 12% e 16.85%
VOLTA REDONDA - Terminou recentemente o
acordo salarial 2006/2007 dos cerca de seis mil trabalhadores do ramo
da montagem e construção pesada da região Sul Fluminense.
A categoria, vinculada ao Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil, recebeu reajuste salarial entre 12% e 16.85%. O índice
calculado soma ganho real (2,37%), INPC do período de fevereiro
de 2005, a mesma data deste ano, o equivalente a 4,63%, mais 5% referentes
ao vale-transporte, que deixará de ser descontado. Os trabalhadores
também foram beneficiados com o aumento do valor do seguro de
vida, que passou de dez para 20 salários. O acordo foi assinado
no dia 4 de abril com os sindicatos patronais (Sinicon e Sindemon) e
homologado pelas partes na mesma semana.
Com o aumento salarial no setor de montagem,
o soldador TIG foi um dos mais beneficiados, pois recebeu 11,85% de
reajuste, além dos 5% do vale-transporte. No ramo da construção
pesada, saíram ganhando os operadores de motoscraper, motoniveladora,
pá-mecânica, trator de esteira e de guindaste que vão
engordar o salário em 13,35% (8.35% de reajuste, mais 5% do vale
transporte).
Os ajudantes e serventes dos dois setores
também saíram em vantagem. Ganharam 8,41%, mais 5% do
vale-transporte, o equivalente a 13,41% de aumento. Os demais profissionais
da montagem e da construção pesada conquistaram 7,14%,
mais 5% do vale- transporte, obtendo 12,14% de aumento salarial.
Segundo o presidente do Sindicato da
Construção Civil, Dejair Martins, outra conquista significativa
para a categoria foi o enquadramento dos trabalhadores da Usiminas Mecânica
S/A no acordo. “Esses funcionários fazem as obras de reforma
do alto forno 3 da CSN e foram inseridos no acordo coletivo de montagem.
A empresa já estava interessada em fazer parte da convenção
coletiva e agora conseguimos representar de forma legitima os trabalhadores
e defender seus direitos”, afirma.
O Sindicato da Construção
Civil, Montagem e Construção Pesada do Sul Fluminense
abrange os municípios de Volta Redonda, Barra Mansa, Resende,
Itatiaia, Porto Real, Quatis e Rio Claro. A data-base da categoria nos
dois setores envolvidos é dia 1º fevereiro.
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Agência Senado, 13
de abril de 2006
Auditores criticam perda de direitos com
o Supersimples
O representante da Federação Nacional do Fisco Estadual
(Fenafisco) no Fórum Fisco Nacional, Rogério Macanhão,
disse que o Projeto de Lei Complementar 123/04 é o começo
de um projeto maior que vai acabar com os direitos trabalhistas. Segundo
ele, mais tarde as grandes empresas vão reivindicar os mesmos
direitos que serão concedidos às micro e pequenas empresas.
Já o representante da Federação Nacional dos Auditores
Fiscais da Previdência Social (Fenafisp), Paulo Cesar Andrade
Almeida, afirma que vê no projeto uma pequena reforma trabalhista
e previdenciária.
Eles participaram hoje de reunião
do Fórum Fisco Nacional, que reúne sindicatos e entidades
de auditores fiscais para debater mudanças na Lei Geral da Micro
e Pequena Empresa (PLP 123 e outros). De autoria do deputado Jutahy
Junior (PSDB-BA), o projeto cria o Simples Nacional, conhecido como
Supersimples.
Frente parlamentar e sindical
Contra a aprovação do substitutivo,
o deputado Babá (Psol-PA) defendeu a criação de
uma frente parlamentar e sindical. Ele também critica a retirada
de conquistas dos trabalhadores. O representante do Sindicato Nacional
dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Carlos André
Nogueira, propôs que o Fórum Fisco Nacional debata o substitutivo
ao projeto com a CUT e a Força Sindical. Segundo ele, o substitutivo
pode causar sérios danos à arrecadação de
impostos, ao trabalhador, aos estados e municípios, porque facilita
a criação de "empresas laranjas", ao retirar
a exigência, na abertura da empresa, do endereço da sede
do estabelecimento e da comprovação de propriedade do
imóvel ou o contrato de locação.
Para ele, essa medida dificulta
a ação fiscalizatória do governo. Além disso,
alerta que os municípios devem perder arrecadação
de 6% a 10% no Imposto sobre Serviços (ISS). Ao final, os participantes
concordaram em realizar um seminário no próximo dia 26,
na Câmara, para continuar o debate com parlamentares.
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Agência Senado, 13 de abril de 2006
Trabalhadores mais velhos são beneficiados
O Plenário aprovou nesta quarta-feira (12) projeto de lei de
autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) que institui o Programa Nacional
de Estímulo ao Emprego de Trabalhadores Experientes (Pnete).
O projeto (PLS 126/05) tem por meta, segundo Paim, beneficiar trabalhadores
com mais de 45 anos de idade, desde que não tenham renda própria
de qualquer natureza.
Em seu artigo 1°, a proposição estabelece como objetivo
principal a criação de postos de trabalho para os brasileiros
mais velhos e com experiência. Tem ainda como meta buscar a integração
com programas similares, com destaque para o Programa Primeiro Emprego.
A matéria vai agora para análise da Câmara dos Deputados.
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Agência Senado, 13
de abril de 2006
Projeto aprovado beneficia representantes
sindicais
O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (12) projeto
de lei de autoria do deputado Celso Russomanno (PP-SP) que permite o
empregado, na qualidade de representante sindical, faltar ao trabalho
sem prejuízo do seu salário, quando estiver participando
de reunião oficial junto a organismos internacionais do qual
o Brasil seja membro. O projeto vai agora à sanção
presidencial.
De acordo com o projeto (PLC 100/05)
o empregado poderá comparecer às reuniões internacionais,
com destaque para as realizadas pela Organização Internacional
do Trabalho (OIT), pelo tempo que se fizernecessário. O senador
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) apresentou requerimento solicitando que a Comissão
de Assuntos Econômicos (CAE) se pronunciasse sobre a matéria,
mas este foi recusado.
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Agência Senado, 13
de abril de 2006
Projeto que assegura direito de sindicalização
aos empregados de entidades sindicais é aprovado
O Plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (12) o Projeto
de Lei da Câmara nº 28/05 que altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) para assegurar o direito de sindicalização
aos empregados de entidades sindicais. A matéria, que irá
à sanção presidencial, contou com o parecer favorável
do relator da proposição, senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Em seu parecer, Eduardo Azeredo alega
que o parágrafo único do artigo 526 da CLT não
reconhece o direito de sindicalização aos empregados de
entidade sindical, enquanto a atual Constituição estabelece
a liberdade de associação profissional ou sindical a todos
os brasileiros, exceto aos militares. Segundo Azeredo, a regra contida
na Constituição é auto-aplicável, o que
invalidaria disposições contrárias ao princípio
da autonomia sindical.
Outro projeto de lei da câmara
aprovado pelo Plenário institui o Dia Nacional de Conscientização
da Esclerose Múltipla, a ser celebrado anualmente em 30 de agosto
(PLC 96/05). Relatada pelo senador Augusto Botelho (PDT-RR), a matéria
também será encaminhada à sanção
presidencial. Segundo Augusto Botelho, a aprovação do
projeto possibilitará a promoção de campanhas públicas
de captação de recursos para a pesquisa e divulgação
de informações sobre os sintomas e conseqüências
da esclerose múltipla. A proposição, segundo ele,
também poderá colaborar para o tratamento precoce da doença,
que se caracteriza por grave lesão do sistema nervoso central.
O Plenário também abriu
a primeira sessão de discussão, em primeiro turno, da
Proposta de Emenda á Constituição nº 30/02,
que dispõe sobre a elegibilidade dos substitutos dos titulares
das chefias do Poder Executivo nos seis meses anteriores às eleições.
A matéria, que deverá voltar a ser discutida na próxima
Ordem do Dia, conta com o parecer favorável do relator da proposição,
senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
A proposta, que acrescenta dois novos
parágrafos ao artigo 14 da atual Constituição,
determina que não serão considerados inelegíveis
os agentes públicos que substituírem o presidente da República,
governadores de estado, do Distrito Federal e prefeitos nos seis meses
anteriores à eleição, desde que a soma das substituições
nesse período não exceda a quinze dias.
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Agência Diap, 13 de
abril de 2006
Relações Trabalhistas
OIT discute pesquisa sobre o tema no mundo;
intenção é estabelecer uma recomendação
internacional
Representantes da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), do Ministério do Trabalho e Emprego, do Tribunal Superior
do Trabalho, do Ministério Público do Trabalho, advogados
e lideranças sindicais discutiram nesta terça-feira, 11/04,
em seminário realizado no TST, os resultados de uma ampla pesquisa
realizada pela Organização sobre a relação
de trabalho em âmbito mundial. A exposição dos resultados
coube ao professor Enrique Marin, consultor da OIT e coordenador da
pesquisa.
O documento, que abrange uma variada
gama de legislações e práticas em vigor em mais
de 60 Estados-Membros da OIT, será levado a sua próxima
Conferência, em Genebra, como um projeto de recomendação
sobre parâmetros mínimos de proteção ao trabalhador,
a começar pela definição do que a OIT entende por
relação de trabalho.
As recomendações são
deliberações da OIT que servem de orientação
para os países integrantes, sem força de convenção
– que, uma vez assinadas, passam a integrar o ordenamento jurídico
dos Estados signatários. Na abertura do encontro, o vice-presidente
do TST, ministro Ronaldo Lopes Leal, ressaltou que o tema é da
máxima importância e, de sua discussão na OIT, resultará
“uma axiologia da relação de trabalho naquilo que
realmente nos interessa, que é a garantia aos trabalhadores”.
Reforçando a oportunidade da discussão,
Ronaldo Leal citou os juristas e estudiosos brasileiros e estrangeiros
que vêm, há algum tempo, prevendo “o fim do emprego”,
diante das mudanças provocadas, sobretudo pela globalização
e pelo avanço tecnológico.
Desafios
O ministro de Estado do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, observou que,
embora existam definições clássicas da relação
de trabalho, “o mundo atual, com seu dinamismo constante, propõe
inúmeros desafios nessa área”. Marinho lembrou a
importância que magistrados, advogados, representantes do Estado
e dos trabalhadores discutam o tema antes de levá-lo à
Conferência da OIT, pois a discussão confere à proposta
mais representatividade. Citou como exemplo de trabalho colegiado a
criação e a atuação do Fórum Nacional
do Trabalho, que participa intensamente das discussões e propostas
de reforma da legislação trabalhista e reforma sindical
no País.
Norma difusa
A socióloga Laís Abramo,
diretora do Escritório da OIT no Brasil, afirmou que a relação
de emprego é uma noção jurídica de uso universal,
mas que “atualmente essa noção vem se tornando difusa,
com o surgimento e o ressurgimento de novas e velhas formas de contratação”.
A pressão do mercado e a crise
mundial do emprego têm gerado o que ela define como “déficit
de trabalho decente”, daí a importância de discutir
o tema em profundidade. ”É pela relação de
trabalho que se criam direitos e obrigações recíprocas
entre empregado e empregador, e ela é também o principal
meio de acesso do trabalhador aos direitos relativos ao trabalho e à
seguridade social”, observou. Laís assinalou que o déficit
de trabalho decente torna os Estados “incapazes de eliminar a
pobreza, reduzir a desigualdade social e garantir a governabilidade
democrática.”
Terceirização
Na apresentação do resumo
do relatório, o professor Enrique Marin chamou a atenção
para o caráter mundial do problema da precarização
do trabalho, em especial para as chamadas “relações
triangulares” – ou terceirizadas – , nas quais há
dificuldade até mesmo de definir quem é o empregador.
Marin lembrou que as repercussões negativas dessa situação
atingem não só os trabalhadores e suas famílias,
mas também as próprias empresas e a sociedade em geral,
pois podem envolver até questões de segurança.
Como exemplo, citou o caso de alguns
aeroportos que, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, tiveram
que tomar medidas extremas de segurança e constataram que muitos
trabalhadores subcontratados não tinham documentos, não
havia controle adequado de sua movimentação e não
se sabia quais deles tinham antecedentes criminais. Outro exemplo foi
o de uma usina nuclear escocesa, fechada após um acidente nuclear,
em que a gerência havia perdido o controle da cadeia de contratações
terceirizadas, o que dificultou a apuração de responsabilidades.
Combate às fraudes
Após a exposição
de Marin, a Procuradora-Geral do Trabalho, Sandra Lia Simon, disse que
uma das principais metas do Ministério Público do Trabalho
é justamente combater a fraude no trabalho por meio de terceirização
e outras formas de contratação, como as cooperativas de
mão-de-obra fraudulentas, tanto na área privada quanto
nas instituições públicas.
“A preocupação quanto
a isso é tão grande que temos dado grande prioridade ao
assunto”, disse. “Estamos sempre atentos, também,
para que as políticas de combate ao desemprego não tragam
ainda mais precarização ao trabalho, e que as novas alternativas
não piorem a qualidade de vida dos trabalhadores.” Sandra
Lia ressaltou que o Ministério Público do Trabalho tem
uma atuação diferenciada no contexto mundial e não
se encaixa na estrutura tripartite da OIT – em que têm assento
os empregados, os empregadores e os Estados.
“Acho que não existe algo
parecido com o MPT em nenhum outro país do mundo, e, quando vamos
às Conferências da OIT, temos até dificuldades em
explicar nosso papel”, observou. “A Constituição
Federal nos deu poderes para defender os interesses públicos
e, também, para impor o cumprimento da lei, por meio das ações
públicas. Por meio de parcerias com a Justiça do Trabalho,
o Ministério do Trabalho e a OIT, temos atuado nas propostas
de elaboração da legislação, e é
nesse espírito que pretendemos contribuir para as discussões
de hoje”, concluiu.
Leis não cumpridas
Em nome do TST, o ministro Luciano
de Castilho disse que o Brasil dispõe de um bom ordenamento jurídico
de proteção ao trabalhador, mas ainda não temos
relações democráticas no trabalho. “Quem
vê a legislação brasileira de fora fica encantado.
No entanto, a nossa experiência é a de que temos leis boas
que não são cumpridas, dando um enorme trabalho à
Justiça do Trabalho e ao Ministério Público”.
O ministro Luciano lembrou que o Brasil tem uma enorme herança
da escravidão, forma dominante de trabalho do século XVI
ao século XIX. “Quando a escravidão foi abolida,
em 1888, foi substituída pelo subemprego. A origem das nossas
relações de trabalho é o mais forte se impondo
ao mais fraco”, finalizou. Informações do TST com
intertítulos do DIAP.
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Diário Vermelho, 13 de abril de 2006
Trabalhador ganha, em média, R$
4,70 por hora no Brasil
O brasileiro ganha em média R$ 4,70 por hora de trabalho, segundo
dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O valor quadruplica para homens que possuem curso superior. A pesquisa
mostrou que as mulheres estudam mais, trabalham mais e ganham muito
menos: trabalhadoras com mais de 12 anos de estudo ganham R$ 10,10 por
hora, enquanto os homens recebem R$ 16,40. Além de ganhar 60%
a menos, o total de mulheres que encaram a dupla jornada é duas
vezes maior que o total de homens que fazem o mesmo. Cerca de 91,3%
das mulheres que trabalham fora cuida também de afazeres domésticos.
No caso dos homens, a parcela despenca para 46,3%.
O tempo gasto para cuidar da casa também é desigual. Mulheres
gastam em média 22,1 horas por semana com afazeres domésticos,
enquanto homens ficam 9,9 horas por semana nesta função.
A luta feminina é mais intensa no Sul, onde 94,1% das mulheres
trabalham fora e em casa. No Norte e no Nordeste, as parcelas que enfrentam
batente dobrado também estão acima da média nacional:
92,8% e 91,8%, respectivamente. Com agências
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Economia
CRISE-Empresa denominada Varig Operacional passa
a concentrar os bens. No Rio de Janeiro, artistas divulgam manifesto
e afirmam que a companhia aérea sempre esteve ligada à
cultura
Justiça manda apreender
bens da Varig para os empregados
Rio de Janeiro – O juiz Evandro Guimarães, da 14.ª
Vara do Trabalho, do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro,
autorizou terça-feira à noite o arresto de bens da Varig
para seus empregados. A informação é do advogado
José Crescêncio da Costa Junior, do Escritório Bezerra
Neves e Costa.
Segundo o advogado, a ação
foi movida pelas associações que fazem parte do Trabalhadores
do Grupo Varig (TGV) e Sindicato Nacional dos Aeronautas. Com o deferimento
do juiz, os bens passam agora a ser administrados pelos empregados e
concentrados por uma empresa denominada Varig Operacional. O passivo
da companhia permanece na antiga Varig.
Ao ser perguntada sobre a ação de arresto de bens movida
pelos empregados, a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas,
Graziella Paggio, disse desconhecer o processo. O sindicato tem sido
representado pelo TGV nas ações relacionadas ao processo
de recurso judicial.
Artistas
Ainda ontem, um grupo de cerca de cem
nomes de peso do cenário artístico brasileiro se reuniu
no Rio de Janeiro para manifestar seu apoio à companhia aérea,
em um evento em que não faltaram críticas ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva.
Participaram, entre outros, Marco Nanini,
Gerald Thomas, Irene Ravache, Marieta Severo, Louise Cardoso, Zezé
Motta, Zezé Polessa, Jacqueline Laurence, Mauro Mendonça,
a jogadora de vôlei Virna, Cristina Pereira, Angelina Muniz, Lília
Cabral, Julia Lemmertz e Selma Reis.
Os artistas subiram ao palco do Teatro
Leblon para dar seu apoio ao som do tradicional jingle da companhia.
O ator Marco Nanini leu o manifesto em nome da Associação
dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro, em que afirmou que a Varig
sempre esteve ligada à cultura brasileira, com apoio ao teatro,
música, artes plásticas, dança e cinema.
O dramaturgo Gerald Thomas desferiu os
maiores ataques a Lula. “Será que ele (Lula) vai ouvir
alguma coisa? Esse cara não ouve mais ninguém”,
disse.
Thomas fez uma comparação
entre a ajuda dada pelo governo americano a companhias americanas em
situação semelhante a da Varig e vociferou: “Essa
quadrilha do poder só coloca um obstáculo atrás
do outro, quando a Varig tenta criar alianças, seja com o Fernando
Pinto (presidente da estatal aérea portuguesa TAP), seja com
a Alvarez (& Marsal – consultoria norte-americana contratada
para cuidar da reestruturação)”.
Representando a Varig, o diretor
de marketing da companhia, Faustino Pereira, e o diretor de atendimento
a clientes, José Dolabela, subiram ao palco. “Quem diria
que nós dois aqui no palco e a turma toda na platéia”,
disse Faustino ao se dirigir aos artistas. O coreógrafo Carlinhos
de Jesus, que estava sentado na platéia, retribuiu com um grito:
“Nós não brilhamos sem a estrela da Varig.”
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Nova Central, 13 de abril
de 2006
IBGE mostra que mulheres estudam mais,
mas ganham menos que os homens
As mulheres brasileiras estudam, em média, um ano a mais que
os homens. Mesmo assim, continuam ocupando cargos de nível secundário
e ganhando salários menores que seus colegas do sexo masculino.
O retrato foi traçado pela Síntese de Indicadores Sociais,
divulgada ontem(12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). A veterinária Tânia Guimarães de Souza,
de 44 anos, decidiu abandonar a profissão depois de dois anos
por causa dos rendimentos baixos e foi trabalhar como secretária
por um salário mais alto. Passados 20 anos, ela diz que não
se arrepende da opção, mas que em relação
aos homens as desigualdades são evidentes.
"Eu acho que as mulheres têm
mais oportunidades de trabalho, mas a chance delas crescerem em uma
empresa são bem menores. Já passei por várias empresas
e vejo que as mulheres são colocadas em níveis mais baixos,
talvez por uma cultura machista dos diretores das empresas ou porque
a própria mulher se coloca em uma posição inferior",
acrescentou. Tânia enfatizou que a mulher muitas vezes perde oportunidade
de promoção no trabalho porque se recusa "a fazer
favores para o chefe". Ela lembrou que passou por uma experiência
semelhante "ao se livrar do assédio sexual de um chefe,
perder a chance de ser promovida e ter o salário aumentado".
Ainda segundo a pesquisa, as desigualdades em relação
aos homens continuam dentro de casa. Mesmo depois de cumprir uma jornada
de trabalho fora de casa, a mulher gasta mais 4,4 horas cuidando da
casa, enquanto que o homem dedica apenas duas horas para os afazeres
domésticos.
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Folha de São Paulo,
13 de abril de 2006
ESCÂNDALO DO MENSALÃO/ HORA DAS
CONCLUSÕES
Líderes da oposição atacam presidente, mas negam
intenção de pedir impeachment
Lula é o responsável por
"quadrilha", afirma Tasso
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A oposição acusou ontem
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ser o responsável
pela formação da "organização criminosa"
que, segundo denúncia feita pelo procurador-geral da República,
Antonio Fernando de Souza, é integrada por membros do governo
e do PT. Apesar disso, parlamentares do PSDB e do PFL afirmaram que
não pedirão o impeachment do presidente Lula para não
serem acusados de golpismo nas eleições.
"Quero dizer que esse fato envolve
sim, diretamente, o presidente da República. Ele é responsável
pelo governo. O grande responsável pela formação
da quadrilha é o presidente da República", disse
o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE). O procurador-geral
denunciou 40 pessoas ao Supremo Tribunal Federal sob acusação
de integrar uma "organização criminosa" comandada
pelo ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) e pelos petistas José
Genoino, Delúbio Soares e Sílvio Pereira. Lula foi poupado
nessa parte do inquérito. Segundo o procurador-geral, não
há elemento capaz de justificar uma ação penal
contra o presidente.
Apesar do discurso contundente, a oposição
está cautelosa quanto a ações práticas.
Para tucanos e pefelistas, um pedido de impeachment poderia favorecer
o PT nas eleições. "Vão tentar caracterizar
como tentativa de golpe e transformar o Lula em vítima. Colocaríamos
água na tese deles de que é o candidato dos pobres contra
o candidato dos ricos", afirmou o deputado Alberto Goldman (PSDB-SP).
Em Minas Gerais, o governador Aécio Neves (PSDB) disse que não
torce pelo impeachment, apesar da gravidade das denúncias.
O texto do procurador-geral foi elogiado
no plenário do Senado. "A denúncia é muito
apropriada, entretanto penso que a responsabilidade principal é
do presidente da República", afirmou o senador Antonio Carlos
Magalhães (PFL-BA). Mas houve críticas: "Se estão
ali os altos escalões do governo, não citou o presidente
Lula porque não quis. Mas que o presidente Lula é o grande
responsável eu não tenho dúvida. Tudo isso aconteceu
em volta dele e ele não sabe de nada?", questionou o senador
Pedro Simon (PMDB-RS).
As poucas e tímidas manifestações
petistas no plenário foram compensadas pela visita do ministro
Tarso Genro (Relações Institucionais) aos líderes
do PSDB e do PFL no Senado, Arthur Virgílio (AM) e José
Agripino (RN). "É um direito da oposição levantar
essa questão [impeachment], mas não tem racionalidade
jurídica, política nem o apoio da população",
afirmou Tarso. Na Câmara, governistas atacaram Antonio Fernando.
O líder do governo na Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou
que o procurador foi "mordido pela mosca azul", expressão
que significa deslumbramento com o poder. Mas Chinaglia também
elogiou o desempenho "independente" do procurador.
Para o líder do PT na Câmara,
Henrique Fontana (RS), o tom da denúncia foi "adequado".
"Os tempos do engavetador-geral da República eram dos tucanos.
O relatório é adequado, pois descreve situação
de caixa dois e repasse ilegal para a base aliada. Esse processo, comandado
pelo publicitário Marcos Valério, alimentou o PFL e o
PSDB. Infelizmente, também o PT", declarou. O senador Almeida
Lima (PMDB-SE) começou a recolher assinaturas para criar uma
CPI para investigar suspeitas contra Lula. No final da tarde de ontem,
tinha o apoio de seis senadores. (FERNANDA
KRAKOVICS, ADRIANO CEOLIN E FÁBIO ZANINI).
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Folha de São Paulo,
13 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006
Itamar concorre com Garotinho em prévias
do PMDB
RAPHAEL GOMIDE
ENVIADO A JUIZ DE FORA (MG)
Minutos depois de se encontrar com o
pré-candidato do PMDB à Presidência Anthony Garotinho
e horas após uma reunião com o ex-ministro José
Dirceu, o ex-presidente Itamar Franco anunciou ontem, em Juiz de Fora,
sua intenção de disputar a legenda do partido para tentar
voltar ao Palácio do Planalto. Ele ocupou a Presidência
de 1992 a 1994, após o impeachment de Fernando Collor. O anúncio
de Itamar foi feito ao lado de Garotinho, que procurou disfarçar
sua irritação, principalmente com o fato de Itamar ter
se reunido com Dirceu, seu inimigo, momentos antes de sua chegada ao
escritório do ex-presidente.
Itamar disse ter tomado a decisão
de madrugada, enquanto lia o livro "Ponto Crítico",
de Dan Brown (autor do best-seller "Código da Vinci"),
depois de "15 a 20 dias meditando" sobre o assunto. Questionado
pela Folha sobre quem o havia convidado ou sugerido a candidatura, respondeu
que a idéia veio "lá de cima", apontando para
o céu. "Tenho disposição e vou disputar a
convenção", disse Itamar, para quem Minas vai decidir
a eleição. Internamente, já tem o apoio do PMDB
de Minas, segundo o presidente do partido no Estado, deputado federal
Fernando Diniz.
A decisão ocorre em um momento
oportuno, quando governadores do partido -como o do Rio Grande do Sul,
Germano Rigotto, e o do Paraná, Roberto Requião-, já
não podem mais disputar a vaga, por não terem se desincompatibilizado.
"O encontro com Garotinho foi rápido. Ele perguntou: "O
senhor é candidato?" Respondi: "Sou". E acabou",
relatou Itamar, bem-humorado e aparentando empolgação.
Oficialmente, ao lado de Itamar, Garotinho disse que a nova pré-candidatura
fortalece a posição de candidatura própria do PMDB,
contra a "polarização nociva da disputa entre PT
e PSDB".
O ex-governador do Rio se mostrava tenso,
batia os pés no chão sem parar durante a entrevista. "Dirceu
veio aqui para forçá-lo a concorrer", disse ele a
assessores. Garotinho afirmou que não se sente traído:
"Estou preparado para tudo. Estou em uma corrida de obstáculos
e vou disputar [a legenda, internamente] quantas vezes for necessário.
Vou até o fim". Itamar não negou encontros com José
Dirceu. "Se disser que não, estou mentindo." Garotinho
sorriu. "Tive o prazer de conversar com ele [Itamar], com quem
tenho amizade de muitos anos (...). Se ele soube da minha intenção
de me candidatar, teve a educação de não falar."
Itamar negou que vá recuar.
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Folha de São Paulo,
13 de abril de 2006
BOLSA-FAMÍLIA
Governo avalia estipular prazo para benefício
LUCIANA CONSTANTINO, KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após aumentar o limite de renda
para que uma família seja incluída no Bolsa-Família,
o governo federal estuda agora a definição de um tempo
máximo de permanência dos beneficiados no programa e a
integração com outros projetos sociais da União.
A proposta é ampliar as chamadas "portas de saída"
do Bolsa-Família e ter um período determinado para que
recebam o recurso. Assim, pais com filhos em idade universitária,
por exemplo, deverão ter prioridade no Prouni (Programa Universidade
para Todos), que oferece bolsas em instituições particulares.
Já quem tiver filhos no ensino médio terá preferência
em programas de qualificação profissional.
Além disso, essas famílias
teriam a possibilidade de receber o benefício por um período
mais longo do que aquelas sem filhos.
Não há limite de permanência atualmente. As contrapartidas
exigidas estão ligadas à educação dos filhos
e à saúde das crianças. Ontem, foi publicado no
"Diário Oficial" da União o decreto do presidente
Lula ampliando o limite mensal de renda para que uma família
seja incluída no programa. Passou de até R$ 100 para até
R$ 120 mensais por pessoa, como antecipou a Folha anteontem.
A atualização evitará
redução da meta do programa. Sem ela, o Bolsa-Família
chegaria a 8,5 milhões de famílias atendidas, marca atingida
em dezembro de 2005. Com a ampliação do teto, o governo
atingirá 11,1 milhões até junho- a meta inicial.
Ficou para a próxima semana, porém, a definição
do reajuste do valor do benefício. Hoje o teto é R$ 95
mensais. A Folha apurou que a tendência é Lula autorizar
aumento de 12,7%, para R$ 107 mensais. O Bolsa-Família será
uma das bandeiras de Lula na campanha à reeleição.
O reajuste integra a rotina de anúncio de medidas positivas que
Lula pretende retomar para tentar reverter a repercussão negativa
gerada pelo caso da quebra do sigilo de Francenildo Costa.
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Folha de São Paulo,
13 de abril de 2006
PRODUÇÃO
Sondagem conjuntural do Ibre revela que há mais empresários
que prevêem melhora dos negócios nos próximos meses
Indústria espera novo ciclo de
crescimento
MARCELO BILLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Depois de um período de ajuste
de estoques e produção em baixa, a indústria brasileira
prepara-se para começar novo ciclo de crescimento, que deve intensificar-se
nos próximos meses. Pelo menos é essa a expectativa dos
empresários do setor, sugerem os resultados preliminares da Sondagem
Conjuntural da Indústria de Transformação, cuja
prévia foi divulgada ontem.
A pesquisa mostrou que 54% dos 491 empresários consultados pelo
Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da FGV) dizem avaliar que a
situação dos negócios será melhor nos próximos
seis meses, ou seja, no período entre abril e setembro de 2006.
A proporção não
diz muito, mas a evolução dela no tempo, sim. Ela só
tem aumentado desde o primeiro trimestre de 2005, quando apenas 42%
responderam que esperavam uma situação boa para os seis
meses seguintes. Desde aquele trimestre, a proporção dos
"otimistas" em relação ao futuro só subiu.
Por outro lado, a proporção de "pessimistas",
os que consideram que a situação irá piorar, caiu
do pico de 22% no segundo trimestre de 2005 para os atuais 10%. Poucos
empresários disseram que os estoques mantidos por eles são
insuficientes, enquanto a proporção dos que avaliam ter
excesso de estoque é de 11%. Reflexo, diz Aloisio Campelo, do
Ibre, do processo de ajuste de estoques que começou no final
de 2005.
O segundo semestre do ano passado foi
um período de desaceleração da indústria,
que reduziu a produção e passou a ajustar seus estoques.
"As empresas ajustaram os estoques para enfrentar a demanda fraca
e adaptar-se ao novo cenário", diz Campelo. Agora, mostra
a pesquisa, a diferença entre os que dizem ter muito estoque
e os que dizem ter estoque insuficiente é de seis pontos percentuais
(média histórica de sete pontos), ou seja, as empresas
estão mais ou menos ajustadas, ainda que haja exceções.
Outro sinal de que o ajuste de estoques
abriu caminho para novo ciclo de alta da produção é
que, antes do ajuste, os empresários avaliavam que haveria crescimento
da procura por seus produtos, mas, ao mesmo tempo, diziam que não
elevariam a produção. Traduzindo: o aumento da demanda
era perfeitamente atendido com os estoques acumulados. Agora, há
expectativa de aumento da procura e também da produção.
Segundo a pesquisa, 16% dos industriais responderam que esperam demanda
forte por seus produtos, índice só alcançado em
abril em 2004. A julgar pelas previsões dos empresários,
eles responderão a esse sinal do mercado consumidor com mais
produção: 56% prevêem alta da produção
e 25%, do emprego.
O quadro geral da pesquisa, diz
Campelo, não é tão diferente do encontrado em abril
do ano passado. Mas há uma diferença crucial: aquelas
eram expectativas captadas no momento em que a economia entrava em ciclo
de desaceleração. Agora, ao contrário, são
projeções feitas com base em um cenário que, todos
esperam, seja de aquecimento econômico.
"São expectativas moderadas, que mostram uma evolução
gradual, uma recuperação gradual", diz Campelo, que
lembra ainda que a crise política, que em outros tempos poderia
afetar o cenário econômico, não tem tido impacto
na expectativa dos empresários, tampouco na dos consumidores.
"[Os empresários] não parecem estar sendo muito sensibilizados
com o que está ocorrendo no plano político. Apenas com
a agenda econômica", afirma Campelo.
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Matéria Regional para conhecimento
JORNAL GAZETA DO POVO, 13 de
abril de 2006 | Política
ASSEMBLÉIA-Discussões sobre proposta
do governo começam na segunda-feira
Força Sindical e Fiep vão
debater mínimo regional
Jorge Éder/Agência Senado Hermas:
“A Assembléia vai abrir espaço para todos os setores”
O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB)
vai começar a discussão sobre o salário mínimo
regional na próxima segunda-feira. As primeiras entidades que terão
espaço durante a sessão no plenário são a
Federação das Indústrias do Estado do Paraná
(Fiep) e a Força Sindical.
De acordo com Hermas, a proposta só
deverá ser votada depois de apresentadas as posições
das entidades patronais e trabalhistas. “A Assembléia é
uma casa democrática e vai abrir espaço para que todos
os setores discutam e opinem sobre este diferencial, evitando assim
que a implantação seja feita de forma impositiva”,
disse.
A Fiep deve apresentar à Assembléia um estudo sobre o
impacto econômico que as empresas sofrerão caso seja implantado
o salário mínimo regional. O projeto de lei, de autoria
do governo do estado, estabelece um teto estadual de R$ 437,50.
Ontem 20 lideranças de entidades
sindicais patronais ligadas à indústria se reuniram com
Hermas Brandão, para pedir a rejeição ao projeto
proposto pelo governador Roberto Requião. Segundo os representantes
da indústria, a lei, caso seja aprovada, pode trazer “graves
conseqüências sociais” para o estado, como o aumento
do desemprego e da informalidade.
O piso estadual proposto pelo Executivo
é 45,6% mais alto do que o atual mínimo nacional, que
será reajustado em cerca de 16%. Segundo os empresários,
o porcentual é três vezes maior do que o acumulado pelos
principais índices utilizados para corrigir contratos.
A Fiep defende que a livre negociação
entre empregadores e empregados, por meio dos sindicatos, é a
melhor forma de estabelecer a remuneração para o trabalhador
do setor industrial. De acordo com a federação, dezenas
de setores industriais têm data base em maio, e o estabelecimento
do salário mínimo regional vai criar “embaraço”
para as negociações e dificultar os acordos coletivos.
Impacto
O presidente do Conselho Regional de
Economia do Paraná (Corecon-PR), o economista Sérgio Hardy,
criticou ontem a polêmica criada em torno da proposta de criação
do salário mínimo regional. “As manifestações
que alardeiam o desemprego e o fechamento de empresas não encontram
respaldo nas experiências e nos dados das economias que já
adotaram o piso regional”, disse.
Segundo ele, o mínimo proposto
por Requião vai trazer benefícios para a economia paranaense.
“Em 2001, os estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul adotaram
a medida e não há registro e divulgação
de crescimento do desemprego e de falência.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Política
TRABALHADORES
Comitê quer rapidez na votação
Representantes de trabalhadores, estudantes, entidades, movimentos populares
e de partidos políticos criaram ontem o Comitê pela Aprovação
do Salário Mínimo Regional. Eles pretendem pedir à
Assembléia a imediata aprovação do projeto do governador
Roberto Requião que cria o salário mínimo regional
no Paraná. O primeiro ato do comitê será realizado
na próxima terça-feira, dia 18, em audiência pública
no Plenarinho da Assembléia Legislativa. Para o dia 25 abril
está previsto ainda um dia de luta pela aprovação
do mínimo regional, com manifestações em frente
ao Palácio Iguaçu e nas galerias da Assembléia
Legislativa.
“O piso regional do Paraná
vai trazer qualidade de vida à população, poder
de compra e maior distribuição de renda”, disse
Eliane Nazaré de Oliveira, do Conselho Estadual da Mulher e do
Instituto da Mulher Negra. “Só para citar um exemplo: o
aumento do salário mínimo nacional vai injetar na economia
nada mais de R$ 25 bilhões. E o Paraná, assim como os
estados do Sul, tem condições e economia forte suficiente
para aplicar um mínimo de R$ 437.”
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SITE DA FIEP, 13 de abril
de 2006
Indústria pede rejeição
de proposta do Governo
Vinte líderes de entidades sindicais filiadas à Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) se reuniram
nesta quarta-feira (12/03) com o presidente da Assembléia Legislativa,
deputado Hermas Brandão, para discutir o projeto de lei de iniciativa
do governo estadual que estipula um salário mínimo regional
de R$ 437,50.
Os industriais pediram a rejeição
do projeto. Eles revelaram ao parlamentar a preocupação
do setor produtivo com a matéria, alertando que se ela for aprovada
pode trazer graves conseqüências sociais para o Estado, como
o aumento do desemprego e da formalidade.
Os representantes da indústria
contestam a criação do piso estadual, que representa um
aumento de 45,6% sobre o atual mínimo nacional, cujo aumento
será de cerca de 16%. Segundo os empresários, o percentual
já é três vezes maior do que o acumulado pelos principais
índices utilizados para corrigir contratos.
A Federação entende que a melhor forma de estabelecer
a remuneração para o trabalhador do setor industrial é
a livre negociação entre empregadores e empregados, através
dos sindicatos de cada categoria. A entidade alertou o presidente da
Assembléia de que em maio dezenas de setores industriais têm
data base e o estabelecimento do salário mínimo regional
vai criar embaraço para as negociações e dificultar
os acordos coletivos.
Na próxima semana a Fiep vai apresentar aos deputados estaduais
um estudo mostrando o impacto econômico que as empresas sofrerão
caso o projeto de lei seja aprovado. Em conjunto, a Federação
vai mostrar que a atual crise na agricultura e a perda de faturamento
da indústria não permitem a absorção de
mais um custo financeiro sobre a folha de pagamento.
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JORNAL DO ESTADO, 13 de abril de 2006
Fiep diz não ao mínimo regional
Industriais garantem que não terão
como arcar com as despesas do salário de R$ 437
Abraão Benício
Lideranças sindicais e representantes da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) estiveram reunidos
ontem com o presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão
(PSDB) para discutir o projeto de lei, enviado pelo governo do Estado
ao Legislativo, que estabelece o salário mínimo regional
de R$ 437,00. “Não somos contra a proposta, mas não
queremos que o projeto seja aprovado da forma com está. A indústria
e o comércio do Paraná não tem condições
de arcar com este reajuste”, argumenta o coordenador do Conselho
Temático de Relações do Trabalho da Fiep, Amilton
Stival.
Hermas garante que antes de ir a votação o tema será
amplamente debatido. “É muita responsabilidade. Temos que
saber se a aprovação deste novo mínimo não
vai acabar gerando desemprego no estado”.
Na próxima segunda-feira, durante a sessão da Assembléia,
os deputados vão ouvir o presidente da Fiep, Rodrigo Costa da
Rocha Loures. Na terça, será a vez dos representantes
da frente sindical apresentarem suas idéias aos parlamentares.
“As próximas duas semanas serão dedicadas ao debate
do projeto. Vamos ouvir os dois lados interessados. Pretendo colocar
o projeto em votação no início de maio”,
comenta Hermas.
Efeito contrário — A Fiep argumenta que o setor industrial
do Paraná já não vive um bom momento e que a aprovação
do mínimo regional vai acabar gerando mais prejuízos que
benefícios para os trabalhadores. “A indústria paranaense
está entrando no oitavo mês consecutivo de queda na venda
da produção. Este projeto vai significar um reajuste de
46% em relação ao atual salário mínimo.
O governo não está levando em consideração
que além do salário, os empregadores terão a despesa
com encargos, que será muito maior que atual. Certamente, vai
gerar demissão em massa”, afirma Stival.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos (Dieese), caso entre em vigor, cerca de 390 mil
trabalhadores paranaenses teriam seus vencimentos vinculados ao mínimo
regional de R$ 437,00.
“Engraçado que os trabalhadores do Estado não estão
incluídos neste projeto. Porque só os empresários
têm que pagar esta conta. Se o projeto é tão bom
assim, o governador deveria ter incluído seus servidores”,
destaca Stival.
O deputado Durval Amaral (PFL) entende da mesma maneira, e defende que
a proposta seja estendida aos servidores estaduais. “Temos informações
que existem categorias de servidores do Estado que têm o piso
salarial bem abaixo desta proposta. Queremos que estas categorias encaminhem
cópias de seus contra-cheques para que possamos anexá-las
ao projeto do governador. Quer dizer, pimenta nos olhos dos outros é
refresco. Se quer propor este aumento, o próprio Estado deveria
dar o exemplo”, cobra.
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O ESTADO DO PARANÁ,
13 de abril de 2006
Pressões contra e a favor marcam
mínimo regional
Rhodrigo Deda
Foto: João de Noronha/O
Estado
Serathiuk deu explicações sobre o impacto do novo mínimo
regional na economia.
A proposta de salário mínimo regional encaminhada à
Assembléia Legislativa do Paraná pelo governador Roberto
Requião está mobilizando entidades patronais e de trabalhadores.
De um lado, 20 líderes de instituições ligadas
à Federação das Indústrias do Estado do
Paraná (Fiep) se reuniram ontem com o presidente da AL, deputado
Hermas Brandão (PSDB), e pediram a rejeição do
projeto. De outro, o Comitê pela Aprovação do Salário
Mínimo Regional definiu em sua reunião inaugural ontem
que iniciará uma mobilização na próxima
terça-feira, dia 18, no plenarinho da Assembléia Legislativa
do Paraná, para pressionar pela agilização na votação
da proposta.
Os industriais que conversaram com Brandão disseram que estão
preocupados com a matéria. Segundo eles, se a proposta for aprovada,
pode trazer graves conseqüências sociais para o Estado, como
o aumento do desemprego e da informalidade. Eles contestam a criação
do piso estadual, que irá representar um aumento de 45,6% sobre
o atual mínimo nacional, cujo aumento será de cerca de
16%.
Para a federação, a melhor forma de estabelecer a remuneração
para o trabalhador do setor industrial é a livre negociação
através dos sindicatos de cada categoria. A entidade disse a
Brandão que em maio dezenas de setores industriais têm
data-base e o estabelecimento do piso regional vai criar embaraço
para as negociações e dificultar os acordos.
Na segunda-feira, a Fiep irá ao plenário da Assembléia
apresentar aos deputados estaduais um estudo do impacto econômico
que sofrerão as empresas, caso o projeto seja aprovado. A entidade
pretende mostrar também que a atual crise na agricultura e a
perda de faturamento da indústria não permitem a absorção
de mais um custo financeiro sobre a folha de pagamento. A Fiep é
a primeira das entidades a ser consultada pela Assembléia sobre
a questão do piso regional. Na terça-feira será
a vez da Força Sindical expor seu ponto de vista.
Pressão
O movimento criado ontem pelo diretório do PMDB de Curitiba vai
pressionar na próxima semana o Legislativo paranaense para que
agilize a votação da mensagem do governador, que propõe
instituir um piso regional no Estado, variando entre R$ 427 e R$ 437.
"Queremos que a votação ocorra logo, para que o governador
possa homologá-la no dia primeiro de maio, uma data simbólica
para os trabalhadores", afirmou o presidente do PMDB de Curitiba,
Doático Santos. Segundo ele, o movimento é suprapartidário,
reunindo diversas entidades da sociedade civil, entre elas o Conselho
Regional de Economia do Paraná (Corecon). O presidente do Corecon,
Sérgio Hardy, lembrou anteontem que "em 2001, os estados
do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul adotaram a medida e não
há registro e divulgação de crescimento do desemprego
e de falências".
No encontro do comitê, esteve presente o delegado regional do
Trabalho, Geraldo Serathiuk, que disse concordar com o mínimo
proposto por Requião. Ele explicou que poucos setores serão
diretamente afetados pelo mínimo regional, uma vez que não
atingem as categorias que possuem convenções trabalhistas.
"Não vai haver quebradeira", afirmou. De acordo com
Serathiuk, o que alguns setores temem é o impacto indireto da
medida, que poderá servir de referência futura para convenções
salariais.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Brasil
PESQUISA-País tem 17,6 milhões
de pessoas com mais de 60 anos, mostra estudo do IBGE
Brasil entra no clube dos dez países
com mais idosos
Rio – O Brasil ingressou definitivamente no grupo dos 10 países
com o maior número de pessoas com mais de 60 anos de idade. São
17,6 milhões de brasileiros nesta faixa etária (9,7 %
da população atual), de acordo com o estudo Indicadores
Sociais 2005, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE).
Os números mostram que o processo
de envelhecimento da população brasileira “caminha
a passos largos”, embora ainda bem longe do cenário verificado
em países como Itália, Japão, Alemanha e França,
todos com estrutura demográfica já considerada envelhecida.
Juntos, os 10 países respondem por 62% da população
idosa mundial.
No caso brasileiro, o Rio de Janeiro lidera a relação
de estados com a maior proporção de idosos, com pouco
mais de 2 milhões de pessoas acima de 60 anos, 13,3% da população
local. Em números absolutos, São Paulo registra o maior
contingente de idosos no país, 4 milhões nesta faixa etária,
10,1% da população. O Paraná é o 6.º
no ranking nacional e o Rio Grande do Sul é o estado da Região
Sul com maior número de idosos.
Índice
De acordo com os números do IBGE, o Índice de Envelhecimento
do Brasil passou de 0,11 no início da década de 80 para
0,25 em 2004. Ou seja, para cada 100 jovens até 15 anos há
atualmente 25 idosos. Embora a Organização das Nações
Unidas e o Estatuto do Idoso no Brasil, lançado em 2003, considerem
“idosos” aqueles com 60 ou mais anos de vida, o Índice
de Envelhecimento é calculado internacionalmente levando-se em
conta a população acima dos 65 anos.
Assim como nos demais países,
o crescimento no número de idosos no Brasil está diretamente
relacionado a dois fenômenos: queda contínua da taxa de
fecundidade e diminuição da taxa bruta de mortalidade.
Entre 1991 e 2004, o número de óbitos no Brasil caiu de
6,8% para 6,3%, enquanto a taxa de fecundidade declinou de 2,9 para
2,1 filhos.
Ainda jovens
“Olhando para o que aconteceu nos
últimos 15 anos, é inegável que o Brasil está
envelhecendo rápido demais, mas no cenário mundial ainda
somos vistos como uma sociedade jovem”, disse a economista Lúcia
Maria Cunha, responsável pelos estudos feitos pelo IBGE sobre
a população idosa.
Ela explicou que pela metodologia utilizada
pela ONU a população é considerada envelhecida
quando o índice de envelhecimento é superior a 1, quatro
vezes maior que a taxa atual do país.
Os números do IBGE revelam que
o envelhecimento da população brasileira ocorre de forma
bastante diferente nos estados, em associação estreita
com as desigualdades socioeconômicas do país.
Enquanto os estados da Região
Norte têm índices de envelhecimento que variam de 0,07
a 0,18, nas regiões Sudeste e Sul crescem de forma significativa,
atingindo 0,43 no Rio, a maior taxa registrada em todo o país.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Brasil
COMPORTAMENTO
Brasileiro casa mais e divórcios
diminuem
Rio de Janeiro – O brasileiro está casando mais e as uniões
estão mais duradouras. De acordo com Síntese dos Indicadores
Sociais 2005 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), com base nos dados da Pnad 2004 (Pesquisa Nacional de Amostra
de Domicílio), o número de casamentos no país cresceu
7,7%.
Já os divórcios tiveram
queda de 3,7% em relação a 2003. O número de separações
judiciais – dissolução legal da sociedade conjugal-
foi 7,4% menor que no ano anterior.
Segundo o IBGE, os casamentos também
ficaram mais duradouros. Os casamentos duraram em média 11,5
anos em 2004. Na década de 90, o tempo médio de união
era de 9,5 anos. No ano 2000, as uniões tinham uma duração
de 10,5 anos.
Segundo a pesquisa, o Rio Grande
do Sul e Santa Catarina são os estados em que as uniões
legais são mais resistentes. No RS, por exemplo, o casamento
durava em média 13 anos. Por outro lado, no Amazonas, os casais
ficavam em média 8,8 anos juntos e no Acre, os casamentos duravam
em média 9,8 anos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Brasil
COMPORTAMENTO
20% das idosas moram sozinhas
Curitiba – A pesquisa do IBGE revela que, entre as mulheres com
mais de 70 anos, uma em cada cinco mora sozinha, ou 19,6%, enquanto
para os homens a proporção é de apenas 11,7%. Isso
se explica pela maior independência e convívio social que
as idosas apresentam, como comprova o curso de dança de salão
oferecido de graça pelo Sesc 3.ª idade: a turma é
formada por seis homens e 45 mulheres. O coordenador do curso, Evaldo
Prazeres, conta que cerca de 40% moram sozinhas.
O que chama atenção é
que a preferência de morar só se dá mesmo entre
quem tem filhos que desejam receber os pais idosos. É o caso
de Vilma Pedron, 79 anos, há três morando sozinha no Bairro
Alto, em Curitiba. Ela conta que a vida toda teve parente morando em
casa e por muito tempo, a família teve um comércio no
andar de baixo. Quando o marido faleceu, apesar da tristeza, ela se
sentiu em paz. “Estou realizada”, diz. Seu nível
de independência é alto, pois nem empregada ela quer ter.
Para senhoras como ela, que estão
prontas para ficar sozinhas, as conveniências dos serviços
e comércio ajudam muito: entrega em casa de remédios,
comida, atendimento médico, o que precisar.
Evaldo destaca que, entre o grupo para
o qual ensina dança, a maioria é de viúvos, mas
mesmo aqueles que já têm novos companheiros moram em casas
separadas.
A pesquisa de indicadores sociais
também revela que, em 2004, 77,4% da população
com 60 anos ou mais recebia pensão ou aposentadoria, cerca de
13,7 milhões de idosos. Já entre os que têm mais
de 70, a proporção era superior a 90%. Trata-se de um
problema para a saúde financeira de um país em desenvolvimento
que já possui uma população envelhecida: um quarto
da população brasileira é idosa.
Helena Carnieri
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Brasil
PESQUISA-Taxa de fecundidade é menor
em mulheres com maior escolaridade; Relação vale para
brancas e negras
Quanto mais estudo, menos filhos
Rio e Curitiba – Quanto mais escolarizada, a mulher opta por ter
menos filhos. A conclusão consta da Síntese de Indicadores
Sociais divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). A relação entre escolaridade e fecundidade vale
tanto para mulheres brancas como negras. Mesmo assim, a fecundidade
é menor entre mulheres brancas do que entre as de cor negra em
todas as regiões do país.
Em 2004, mulheres em idade fértil
– 15 a 49 anos – com baixo nível de instrução
escolar, o que significa até três anos de estudo, tinham
em média 3,9 filhos. Já para as mulheres com oito anos
ou mais de estudo, a taxa de fecundidade caía para 1,5 filho.
Entre mulheres que recebiam mais de cinco salários-mínimos,
por exemplo, e tinham até três anos de estudo, a média
era de 4,3 filhos. Já entre mulheres com a mesma faixa de renda,
mas com oito anos ou mais de estudo essa média caía para
1,4 filho.
Diferença
Mesmo galgando cargos no mercado de trabalho,
as mulheres com alta escolaridade ainda ganham menos em relação
aos colegas homens na mesma posição, aponta a pesquisa.
Apesar de o estudo ter reflexos no salário das mulheres, entre
pessoas com alto nível de preparo é maior a disparidade
de rendimento entre homens e mulheres. Enquanto mulheres com até
quatro anos de estudo receberam em 2004 80,8% do rendimento dos homens
com esse nível de escolaridade, aquelas com 12 anos ou mais de
banco escolar receberam 61,6% do rendimento dos homens.
A gerente geral de um hotel de Curitiba,
que prefere não se identificar, conta que três outros colegas
de mesmo nível ganham 50% mais do que ela, mesmo tendo pós-graduação
e mais preparo do que alguns deles. “Acredito que, se fosse homem,
meu salário seria maior. Quando as pessoas contratam um homem
pensam em questões como o sustento da família, a relevância
da renda para o homem”, diz.
Para a consultora de empresas de Curitiba
Maria Christina Andrade Vieira esse fato é corrigido nas grandes
empresas, que vêm se esforçando para igualar os valores
como política de responsabilidade social.
“Principalmente as multinacionais
têm essa preocupação, assim como em contratar pessoas
da raça negra”, lembra.
Mais de 90% das mulheres brasileiras
trabalham fora e ainda cuidam dos afazeres domésticos, que as
mantêm ocupadas por mais 4,4 horas diárias, segundo estudo.
A dupla jornada é mais pesada
na região Nordeste, onde as mulheres gastam mais horas no trabalho
doméstico.
Na outra ponta, as mulheres do
Distrito Federal são as que dedicam menos tempo aos afazeres
do lar.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Brasil
PESQUISA
Cai número de mortes por
violência entre jovens do sexo masculino
Rio – Os homens com idade entre 20 e 24 anos continuam sendo as
maiores vítimas de homicídios e acidentes de trânsito.
No entanto, em 2004, o número de jovens do sexo masculino mortos
por causas externas apresentou uma pequena redução. A
taxa caiu de 184 em 2003 para 171 óbitos em cada 100 mil homens,
ficando no mesmo patamar registrado em 1995.
Para as mulheres nessa faixa etária,
a incidência de mortes violentas se mantém praticamente
inalterada nos últimos 20 anos, com um mínimo de 18 e
máximo de 22 óbitos por 100 mil habitantes. Os dados são
da Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE.
O estudo mostra que a taxa de mortalidade
infantil também manteve a trajetória de queda, passando
de 45,1% em 1991 para 26,6% em 2004.
“A taxa de mortalidade infantil
neste patamar coloca o Brasil na 99.ª posição no
ranking dos países com as mais baixas taxas estimadas pela Organização
das Nações Unidas (ONU) e num padrão semelhante
ao de países desenvolvidos como a França e a Espanha”,
acrescentou o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes.
Entre 1991 e 2004, a expectativa de vida
do brasileiro aumentou em quatro anos. Para as mulheres a esperança
de vida saltou de 70,9 para 75,5 anos e para os homens, de 63,2 para
67,9 anos.
Analfabetismo
O Brasil possuía, em 2004, uma
proporção de 11,4% da população de 15 anos
ou mais de idade que se declarava não saber ler e escrever.
Uma taxa de analfabetismo superior a
de outros países em desenvolvimento como o México (9,7%,),
China (9,1%), Chile (4,3%), Argentina (2,8%) e Cuba (0,2%).
O quadro era mais grave no campo,
cuja taxa de analfabetismo atingia mais de um quarto da população
rural brasileira. O porcentual de pessoas no campo que se declaravam
não saber ler e escrever chegava a 25,8%, enquanto nas áreas
urbanas essa proporção era de 8,7%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Brasil
PESQUISA
Ricos ganham 16 vezes mais do que
os mais pobres
Rio – Em 2004, os brasileiros mais ricos ganhavam 16 vezes mais
do que os trabalhadores mais pobres. Mais uma vez, o salário
das mulheres era inferior ao dos homens em ambas as classes sociais,
segundo a Síntese de Indicadores Sociais 2004, do IBGE.
Desenvolvido com base nos dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios 2004 (Pnad), o estudo aponta
que os maiores rendimentos pagos naquele ano foram para os empregadores
(R$ 2.366,00). Depois vieram os militares e funcionários públicos
estatutários (R$ 1.300,10) e os empregados com carteira de trabalho
assinada (R$ 784,60). Os trabalhadores domésticos receberam os
menores rendimentos (R$ 355,20).
A desigualdade regional também
foi marcante em 2004. Segundo a pesquisa do Instituto, os menores rendimentos
foram pagos no Nordeste (R$ 492,50) e Norte (R$ 667,10). A menor diferença
entre as duas regiões foi na categoria dos trabalhadores domésticos
(77%).
Sul e Sudeste
Os trabalhos de melhor remuneração
com carteira assinada e também a maior proporção
de empregadores estavam concentrados nas regiões Sudeste (39,4%
e 4,5%, respectivamente) e Sul (35,1% e 5,2%, respectivamente).
Já a maioria dos trabalhadores
informais e por conta própria, que totalizavam 40,2% da população
ocupada em 2004, estavam mais concentrados no Norte (13,6% e 18,4%,
respectivamente) e Nordeste (14,4% e 20,3%).
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de abril de 2006 | Economia
INDÚSTRIA
Emprego e salário aumentam
Rio de Janeiro – O mercado de trabalho industrial começou
a responder, ainda que timidamente, ao recente aquecimento da atividade
do setor. Em fevereiro, houve aumento de 0,5% no número de ocupados
na indústria em relação a janeiro, no primeiro
crescimento em comparação com o mês anterior após
quatro meses de queda. Na mesma base de comparação, a
massa salarial (folha de pagamento real) do setor cresceu 2,4%.
Isabella Nunes, economista da Coordenação
de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), observou que o emprego e o salário na indústria,
que mostraram desaceleração no ano passado, respondendo
à perda de ritmo na atividade do setor no período, começaram
a refletir agora o reaquecimento da economia que vem ocorrendo desde
dezembro. Ela disse que o emprego sempre responde com algum atraso aos
sinais da produção, como está ocorrendo neste início
de ano.
Os dados da folha industrial foram “inflados” em fevereiro
pelo pagamento de benefícios como 14.º salário nas
indústrias extrativas (petróleo e mineração).
O setor extrativo elevou a folha em 31% em fevereiro, em relação
a janeiro, puxando para cima os dados da indústria em geral,
cuja folha de pagamento real subiu 2,4% em comparação
com o mês anterior.
Isabella explica que a folha está
também influenciada pela queda na inflação e o
aumento na ocupação, mas o principal impacto veio da extrativa.
Na comparação com fevereiro do ano passado, a folha cresceu
2,1% e no acumulado do primeiro bimestre aumentou 0,8%.
Recuperação
Aumento de 0,5% no número
de ocupados na indústria em fevereiro, em relação
a janeiro, foi registrado pelo IBGE. Nos quatro meses anteriores houve
queda da oferta de emprego.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 13 de abril de 2006 | Economia
Desvalorização do real e
alta das importações preocupa Fiesp
Para a federação, o câmbio
ideal para devolver a competitividade correta dos produtos brasileiros
é algo em torno de R$ 2,80 e R$ 2,70
Paula Puliti
SÃO PAULO - O diretor do Departamento
de Comércio Exterior da Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca,
acredita que os aspectos positivos do aumento das importações
sobre o câmbio devem ser avaliados com cuidado.
O governo, sobretudo o ministro Luiz
Fernando Furlan, afirmam que o incremento das compras externas resulta
em uma redução na venda de dólar futuro, o que
tende a desvalorizar o real. Mas o que preocupa os empresários
é justamente a qualidade dessas importações. "Podemos
pagar um preço caro, como o desemprego, se contarmos apenas com
as compras para desvalorizar o real", diz o empresário.
Ele explica que o aumento das compras de máquinas e equipamentos
sem similar nacional, de insumos e matérias-primas deve ser aplaudido.
O maquinário importado significa
investimento em produção de modernização,
enquanto as matérias primas e os insumos mais baratos diminuem
os custos de produção. "O problema é se a
melhora do câmbio para o exportador vier às custas de um
aumento das importações de bens de consumo", afirmou,
ressaltando que isso pode significar a substituição da
produção local pela estrangeira. "É má
importação", destacou.
De acordo com o empresário, a
percepção generalizada é a de que o câmbio
ideal para devolver a competitividade correta dos produtos brasileiros
é algo em torno de R$ 2,80 e R$ 2,70. "O câmbio no
atual patamar provoca queda nos investimentos porque fragiliza as empresas",
afirmou.
Ainda assim, Giannetti disse estar
convencido de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está
de fato preocupado com a situação de câmbio valorizado
e juros altos e seus efeitos sobre a economia do País. Mas não
acredita que o ministro fará qualquer anúncio público
de eventuais mudanças na política monetária. "Existe
uma máxima no mercado de que ´câmbio não se
anuncia, se pratica´", afirmou.
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COSMO ONLINE / BAIXADA SANTISTA,
13 de abril de 2006
São Vicente (SP): Ministro anuncia
Primeiro Emprego
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho,
estará em São Vicente, nesta quinta-feira, dia 13, para
um encontro com o prefeito Tércio Garcia (PSB). Eles assinarão
o Termo de Cooperação Técnica entre a Prefeitura
e o Governo Federal, por meio do Ministério do Trabalho, para
o lançamento do Programa Municipal de Apoio e Incentivo ao Primeiro
Emprego.
O programa inclui a implantação
do Centro Social da Juventude, e a inauguração do Centro
de Empreendedorismo Juvenil. A cerimônia acontece a partir das
9 horas, no Complexo de Eventos e Convenções da Costa
da Mata Atlântica (Avenida Capitão Luiz Pimenta, 811).
Segundo o secretário de Relações
Governamentais de São Vicente, Renato Caruso, o Centro de Empreendedorismo
Juvenil vai atender de 40 a 50 jovens. A entidade fica na Rua Guarani,
70, Parque São Vicente.
Já o Centro Social da Juventude
poderá capacitar profissionalmente 300 jovens. "Primeiramente
será feita uma pesquisa de mercado para saber as demandas da
cidade. Com base no estudo, vamos oferecer os cursos", explica
Caruso. Ele informa que o centro profissionalizante será ancorado
pela ONG "Vila Nova Instituição Promocional (VIP)".
Esta ONG-âncora abrirá concorrência para que outras
sete ONGs sejam as executoras do projeto.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 13 de abril de 2006 | Economia
Otimismo e pessimismo crescem na indústria,
diz FGV
Ao mesmo passo que aumentou de 20% para 25%
os empresários que consideram boa a situação, subiu
de 19% para 22% os que a consideram fraca
Paula Puliti
SÃO PAULO - O porcentual de empresários
que consideram boa a situação atual dos negócios
subiu em abril para 25%. A 159ª Sondagem Trimestral da Indústria
de Transformação, divulgada nesta quarta-feira pela Fundação
Getúlio Vargas, mostrou que, em janeiro este total estava em
20%, ao passo que, no mesmo mês do ano anterior, essa parcela
representava 21% dos entrevistados.
Porém, embora tenha aumentado
o número de otimistas, também cresceu o porcentual de
pessimistas. Na pesquisa de abril, 22% consideravam fraca a situação
dos negócios, contra 19% em janeiro. No mesmo mês do ano
anterior o total era ainda menor: 16%.
Vale ressaltar ainda que na pesquisa
de julho de 2005 o percentual de empresários pessimistas com
os negócios atuais era de 40%, e os que avaliavam a situação
como boa, 18%.
Outras projeções
As projeções das empresas
para o segundo trimestre do ano são melhores do que as realizadas
na pesquisa de igual mês de 2005. De abril a junho, a procura
por produtos industrializados deverá aumentar em relação
ao primeiro trimestre para 46% das 491 empresas consultadas, e diminuir
para 12% delas. Na pesquisa realizada em abril de 2005, 45% das empresas
projetavam aumento da demanda no segundo trimestre e 12% apostavam em
redução.
As estimativas para aumento de produção
também são melhores na pesquisa de abril deste ano: 56%
acreditam em aumento da produção neste segundo trimestre
e 13% projetam redução da atividade. Na mesma pesquisa
realizada em abril do ano passado, os percentuais eram 52% (aumento
da produção) e 11% (queda).
Entre as empresas que pretendem contratar
neste segundo trimestre, o percentual cresceu para 25% ante 24% na pesquisa
realizada em abril do ano passado. Mas, na mesma base de comparação,
as empresas que pretendem reduzir o número de trabalhadores subiu
de 10% para 17%.
Melhora nos negócios
O levantamento revela ainda que as expectativas
para os próximos seis meses melhoraram em abril, de 50% para
54% dos entrevistados, quando se comparam os dados com a pesquisa anterior,
que projetava a situação dos negócios para o período
janeiro a junho/2006. Já os que acreditam em piora mantiveram-se
estáveis, em 10%.
A pesquisa mostra que o saldo de
44 pontos porcentuais entre as respostas da ponta positiva e as da ponta
negativa é o melhor resultado desde janeiro de 2005, quando o
saldo foi de 51 pontos. De lá para cá, foram realizadas
cinco novas sondagens pela FGV.
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CONSULTOR JURÍDICO,
13 de abril de 2006
Direito com ressalva
Justiça reconhece greve do INSS
mas multa sindicato
A greve dos servidores do INSS, ocorrida
entre 2 de junho e 16 de agosto de 2005, foi considerada legítima,
mas o sindicato deverá pagar multa pelos excessos cometidos.
A decisão é da juíza federal Maria Lúcia
Lencastre Ursaia, da 3ª Vara Cível da Justiça Federal
de São Paulo que diminui a multa diária do sindicato pela
metade.
Com isso, o Sisprev — Sindicato
dos Trabalhadores em Saúde e Previdência no Estado de São
Paulo foi condenado a pagar multa diária de R$ 5 mil, totalizando
o valor de R$ 325 mil pelos 64 dias em que perdurou o descumprimento
da ordem judicial (14 de junho a 16 de agosto de 2005).
A Ação Civil Pública
foi proposta pelo Ministério Público Federal contra o
Sisprev em que se requeria o retorno dos servidores do INSS —
Instituto Nacional do Seguro Social ao trabalho, ou no mínimo
60% deles para garantir o atendimento à população.
A juíza havia reconhecido o direito
de greve do setor público, desde que mantidos os serviços
essenciais, como o direito à saúde, incluindo-se nele
o direito à previdência social e à assistência
social. Assim, concedeu liminar determinando o retorno ao trabalho de
60% dos servidores para garantir a prestação dos benefícios
de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez, pensão
por morte, benefício da LOAS, auxílio-reclusão
e salário-maternidade. Fixou multa diária no valor de
R$ 10 mil, duplicado a cada três dias, enquanto perdurasse o descumprimento
da medida liminar.
Finda a greve, diante do Termo de Compromisso
assinado entre governo e grevistas, verificou que se reconhecera a legitimidade
das pretensões dos servidores e que elas — ainda que parcialmente
— só foram atendidas através da paralização.
Para a juíza restou comprovado que, apesar da instalação
da Mesa de Negociação Permanente, o governo federal só
formalizou propostas de reajustes às categorias que se mobilizaram
através de greve.
Segundo a juíza, a greve
tornou-se o único instrumento efetivo de negociação
à disposição dos servidores. Quanto à multa
inicial pelo descumprimento da ordem judicial, entendeu ser excessiva
reduziu-a pela metade. O valor a ser pago pelo réu será
destinado ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.

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