 |
SITE DO SINDUSCON PARANÁ, 17 de abril
de 2006
Alfabetização na construção
civil
Canteiro da Educação promove alfabetização
de trabalhadores
Dar oportunidade para o trabalhador aprender
a ler e escrever é uma atitude que vai além das questões
de responsabilidade social e cidadania. Para as empresas de construção
civil hoje é imprescindível empregar trabalhadores alfabetizados
e melhor qualificados. A capacitação profissional é
hoje condição essencial para o setor avançar na
adoção das novas tecnologias de produção,
aumentar a produtividade e atender as exigências da qualidade,
da segurança do trabalho e meio ambiente.
Sintonizadas com essa realidade, as empresas
construtoras Harbor, Laguna e Pasini dão o exemplo ao setor da
construção civil em Curitiba. Há mais de um ano
elas participam do Projeto "Canteiro da Educação"
para oferecer programas de alfabetização ou de continuidade
de estudos aos seus trabalhadores. O "Canteiro da Educação"
é desenvolvido pelo Sinepe (Sindicato das Escolas Particulares
do Paraná) em parceria com o "Amo Curitiba Ações
Voluntárias", Secretaria de Estado da Educação
e Secretaria Municipal de Educação de Curitiba.
O programa de alfabetização
é realizado no próprio canteiro de obra, em uma escola
próxima ao canteiro ou em outro local definido pelos participantes.
O aluno não paga pela inscrição ou material. A
empresa terá gastos se decidir oferecer um lanche antes da aula,
vale transporte, reproduzir material de apoio didático e, ainda,
se optar por entregar outros materiais.
Veja em www.sinepepr.org.br como
sua empresa pode participar do Projeto "Canteiro da Educação".
|
CINFORMO ONLINE / SERGIPE, 15 de abril de
2006
Cidade
Sintracon realiza manifestação
na segunda-feira
Cerca de 200 funcionários reivindicam
o pagamento do salário atrasado há um mês
Na próxima segunda-feira, 17, a partir das 7h da manhã,
operários da empresa contratada pela Petrobras para a construção
de casas populares farão protesto no Tecarmo. De acordo com o
presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de Sergipe – Sintracon –, Jaime Ubelino de Souza,
os funcionários estão com os salários atrasados
há trinta dias.
“Estamos indo fazer a manifestação no Tecarmo, por
entender que, se a empresa contratada pela Petrobras não pagou
os operários, que deve se responsabilizar é a própria
Petrobrás, já que foi ela que terceirizou o trabalho”,
explicou Jaime Ubelino.
De acordo com o presidente, a empresa petrolífera foi procurada
e não houve nehuma negociação entre as partes.
“Fui lá e eles me disseram que era para procurar a Justiça.
Pentão estaremos indo lá para conversar com o diretor
da obra para que se possa viabilizar uma solução para
o problema”, completou.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
16 de abril de 2006
Arapongas se prepara para feira da indústria
moveleira
Redação/O Estado do Paraná
Foto: Divulgação
Região concentra 545 indústrias do setor: um dos maiores
pólos moveleiros.
A região de Arapongas, no norte do Paraná, sede da FIQ
2006 - Feira Internacional da Qualidade em Máquinas, Matérias
- Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira, que
será realizada de 27 a 30 de junho, concentra 545 indústrias
do setor e é um dos maiores pólos moveleiros do País.
Localizada entre as cidades de Londrina e Maringá, importantes
centros econômicos do norte do Paraná, a região
conta com rodovias de fácil acesso que compõem um elo
de integração com o Mercosul. Os aeroportos locais têm
vôos constantes para as várias regiões brasileiras.
A ampla estrutura hoteleira que cresce ano a ano, fortalecida pelo desenvolvimento
do turismo de negócios na região, oferece mais de 15 mil
leitos para a época da feira com valores 20% menores que os praticados
no ano de 2004 durante a quarta edição da FIQ.
No Pavilhão de Exposições Expoara, que realiza
o evento, os visitantes contam com 5 mil vagas de estacionamento com
seguro, sendo gratuitos para expositores. Para os visitantes, o custo
é de R$ 7 por dia. Nesta edição, o estacionamento
vai contar com um serviço de vans para levar e trazer visitantes
do local estacionado até a porta principal de acesso ao pavilhão.
Dentro do evento, totens com informações completas estarão
estrategicamente espalhados, no Busca Fácil FIQ, que orienta
quem chega sobre empresas expositoras, produtos e eventos paralelos.
A área de alimentação no Expoara é composta
de opções variadas entre restaurantes e fast food. Para
a noite, a parceria do Expoara com o Londrina Convention e Visitors
Bureau garante um verdadeiro festival gastronômico nos restaurantes
da cidade, com cardápios diferenciados.
O acesso à internet será centralizado em um cyber localizado
no espaço segmentado do FIQ Soft, área que contará
com a presença de empresas do setor de software direcionado ao
segmento moveleiro. Outra diferenciação da feira, é
que os expositores não terão custos com energia elétrica
que somam valores significativos, principalmente para quem expõe
máquinas.
A expectativa dos organizadores do evento é receber nos quatro
dias de feira cerca de 25 mil pessoas. Além da feira expositiva,
serão realizados no evento visitas programadas de negócios,
negociações com importadores de tecnologia e um congresso
nacional que vai discutir o futuro do setor nos mercados nacional e
internacional.
|
Agência Diap, 17 de
Abril de 2006
Alimentação
Programa de Alimentação
do Trabalhador completa 30 anos
Segundo informações do Ministério do Trabalho e
Emprego (MTE), o Programa de Alimentação do Trabalhador
(PAT) completa 30 anos nesta sexta-feira, 14/04. Nessas três décadas,
o PAT já beneficiou milhões de trabalhadores e tem cumprido
seu papel de programa estratégico de promoção da
segurança alimentar e da saúde do trabalhador. O PAT foi
criado pela Lei nº 6.321, de 1976, como uma das soluções
para reduzir os problemas de desnutrição dos trabalhadores.
Naquela ocasião, a idéia foi solidificada pelos Ministérios
do Trabalho e Emprego, da Saúde e da Fazenda, com o objetivo
social de facilitar a alimentação dos trabalhadores que
ganham até cinco salários mínimos mensais.
Beneficiados
Atualmente, o PAT conta com 98.032 empresas inscritas, beneficiando
8.693.948 de trabalhadores em todo o país. São Paulo é
o estado com maior número de beneficiários, 3.386.874
(38,96%). Em seguida estão os estados do Rio de Janeiro, com
955.914 (11,01%), e Minas Gerais, com 774.956 (8,91%).
Os benefícios podem ser oferecidos
na forma de refeições preparadas, cestas de alimentos
ou documentos para a aquisição da alimentação.
As empresas inscritas podem ter acesso a um incentivo fiscal de até
4% do Imposto de Renda devido, além de terem os valores gastos
com a alimentação isentos de encargos trabalhistas e previdenciários,
por não se caracterizarem como salário.
No ano passado, a Comissão Tripartite
do Programa de Alimentação do Trabalhador (CTPAT), formada
por representantes do governo, trabalhadores e empregadores, aprovou
alterações nos parâmetros nutricionais mínimos
do programa, com o objetivo de adequá-los ao atual perfil nutricional
do trabalhador brasileiro.
Pela decisão da CTPAT, as refeições
principais (almoço, jantar e ceia) deverão conter de 600
a 800 calorias, admitindo-se um acréscimo de 20% (400 calorias)
em relação ao Valor Energético Total (VET) de 2.000
calorias. As refeições menores (desjejum e lanche) deverão
conter de 300 a 400 calorias, admitindo-se um acréscimo de 20%
(400 calorias) em relação ao VET de 2000 calorias por
dia.
A mudança será feita por
portaria interministerial, ainda em análise. A CTPAT considera
que a portaria que está em vigor, de 1999, está defasada
em relação aos atuais padrões nutricionais.
Inscrição
A adesão dos empregadores ao PAT é simples e pode ser
feita durante todo o ano pela internet. No ato da inscrição,
o empregador deve optar por uma ou mais das modalidades de benefício
oferecidas. É necessário, no entanto, que o empregador
que nunca se inscreveu faça um pré-cadastro. Para isso,
informações como o número de inscrição
do CNPJ devem ser enviadas para o endereço eletrônico pat@mte.gov.br.
Para os que já estão inscritos, o alerta é para
a atualização dos dados, principalmente o número
de beneficiários. Para se inscrever ou obter informações
sobre o PAT, basta acessar o sítio do Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE), www.mte.gov.br.
|
Nova Central/SP, 14 de abril
de 2006
Ação criminosa contra o
sindicalismo brasileiro
CRIMINOSA, PORQUE CONFIGURA DESACATO
A SENTENÇA JUDICIAL E AFRONTA, DE FORMA TRUCULENTA, O ESTADO
DEMOCRÁTICO DE DIREITO, COM O BENEPLÁCITO DO MINISTÉRIO
DO TRABALHO, EM MAIS UMA GRAVE IRREGULARIDADE DO GOVERNO LULA.

O movimento sindical do Estado de São Paulo, representado pela
NOVA CENTRAL SINDICAL DOS TRABALHADORES, constituída por centenas
de sindicatos e dezenas de federações neste Estado, vem
a público para REPUDIAR VEEMENTEMENTE o comunicado divulgado
aos órgãos de imprensa, na data de 07/04/2006, dando conta
da criação de mais uma Confederação específica
para a área da construção civil, a qual, eles afirmam,
será administrada: 50% pela CUT e os outros 50% pela FORÇA
SINDICAL, fato este que, por si só, demonstra a intenção
de assumirem, de forma ditatorial, o comando do sindicalismo brasileiro,
contra a vontade da própria classe trabalhadora.
A falsidade de tal divulgação
comprova-se por dois aspectos: primeiro, porque os efeitos da assembléia
foram judicialmente suspensos por meio de medida liminar proferida pelo
MM. Juiz Federal do Trabalho, DR.EDUARDO RANULSS, entendendo que a pretensão
desses oportunistas traidores, fere o artigo 8º,II, da Constituição
Federal; segundo, porque a proposta foi rejeitada por maioria absoluta
das Federações e Sindicatos que se fizeram presentes e
votaram contra, mesmo sob a ameaça de “nutridos seguranças”,
contratados pelos que pretendiam praticar a ilegalidade.
O povo brasileiro precisa saber que,
a exemplo do que vem ocorrendo em outros países, em especial
na França, onde trabalhadores e estudantes se uniram para impedir,
em seu País, a nefasta ação do neoliberalismo,
que financia aqui no Brasil os TRAIDORES que têm por objetivo
destruir o movimento sindical brasileiro, começando pela tentativa
de esfacelamento de uma das maiores e mais importantes entidades de
trabalhadores do Brasil, como a CONFEDERAÇÃO NACIONAL
DOS TRABALHADORES NA INDÚSTRIA, os autores de tal agressão,
temos o dever de desmascarar.
O Ministério do Trabalho, do governo
Lula, agindo como mero departamento da CUT, que agora está mancomunada
com sua antiga rival, FORÇA SINDICAL, na questão de desmonte
da estrutura sindical de nosso País, procede o registro dessas
grotescas entidades, em curtíssimo espaço de tempo, atropelando
as impugnações, inclusive decisões judiciais, com
base em pareceres desprovidos de fundamento jurídico, como ocorreu
recentemente, quando o mesmo grupo desordeiro criou outra Confederação
a qual, mesmo impedida judicialmente, foi registrada pelo Ministério
do Trabalho do governo Lula.
Este manifesto está sendo encaminhado
às autoridades do País, inclusive ao nosso Presidente
nacional, companheiro JOSÉ CALIXTO RAMOS, para que sejam tomadas
enérgicas providências, não só quanto ao
crime de desacato à decisão judicial que anulou os efeitos
da assembléia de criação da referida Confederação,
conforme Certidão do Sr. Oficial de Justiça, mas também
e principalmente, exigir dos senhores Deputados e Senadores, o necessário
empenho para impedir essa nociva atuação do Ministério
do Trabalho, que macula o Estado de Direito.
A NOVA CENTRAL SINDICAL DOS TRABALHADORES
DE SÃO PAULO, continua sua luta para fazer prevalecer o lema
que enobrece nossa Bandeira.: ORDEM E PROGRESSO. Por ORDEM, entenda-se
o respeito às normas legais vigentes; PROGRESSO é a dignidade
do homem trabalhador, ideal do sindicalismo sério.
Por São Paulo, pelo Brasil,
avante, companheiros! Luiz Gonçalves – Presidente
|
Folha de São Paulo,
14 de abril de 2006
Mulher faz jornada extra de 4 h em casa
DA SUCURSAL DO RIO
Acordar cedo, trabalhar o dia todo, chegar
tarde e ainda cuidar da casa e preparar o jantar para a família.
Tal rotina era compartilhada em 2004 por 91,3% das mulheres brasileiras
que trabalhavam fora. Elas destinavam 22 horas por semana, em média,
aos afazeres domésticos. Em 2004, 35,4 milhões de mulheres
estavam ocupadas -dessas, 32,3 milhões também se dedicavam
aos serviços domésticos.
A dupla jornada não era tão
freqüente entre os homens -46,3% dos que trabalhavam também
cuidavam de afazeres domésticos, de acordo com a Síntese
dos Indicadores Sociais, publicação do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística) feita com base em dados
da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2004.
Mesmo entre os que ajudam em casa, a repartição do trabalho
doméstico também não era das mais justas: os homens
gastam cerca de dez horas semanais com os cuidados da casa. Supondo
uma jornada de 8 horas nos cinco dias úteis da semana, os homens
destinavam quase 2 horas diárias ao trabalho no lar, enquanto
as mulheres gastavam 4 horas e 24 minutos diários adicionais
a essa atividade.
"A mulher acaba acumulando o trabalho
fora com os afazeres da casa", analisa o presidente do IBGE, Eduardo
Nunes.
Em São Paulo, 88,4% das trabalhadoras também se dedicavam
aos serviços domésticos, dispondo, em média, de
cerca de 20 horas semanais com isso. Mesmo mais dedicadas ao lar, as
mulheres permanecem por mais tempo na escola: as que estavam empregadas
têm, em média 8,6 anos de estudo, contra 7,6 anos dos homens.
Segundo o IBGE, as explicações para o maior nível
de estudo das mulheres é que o fato de estarem menos inseridas
no mercado de trabalho -73,2% dos homens com mais de dez anos de estudo
trabalham, contra 51,6% das mulheres- e de se ocuparem mais tardiamente.
Remuneração
Mais anos de estudo não garantem,
porém, uma remuneração igual para as mulheres.
O rendimento/hora feminino (R$ 4,20) correspondia a 84% da renda média
dos homens -R$ 5. Quando analisado o rendimento médio mensal,
porém, a diferença era maior: a renda das mulheres (R$
644,80) representava 77,33% da dos homens (R$ 833,80). Quanto mais anos
de estudo, maior é a distância do rendimento feminino para
o masculino, revela o IBGE. Na faixa de 12 anos de estudo ou mais (ao
menos superior incompleto), as mulheres ganhavam por hora (R$ 10,10)
62% do rendimento masculino (R$ 16,40). A diferença era menor
no grupo com até quatro anos de estudo: a renda feminina (R$
2,10) correspondia a 84% da dos homens (R$ 2,60).
Para Ana Lúcia Sabóia,
coordenadora da Síntese de Indicadores Sociais, a diferença
do padrão de renda de homens e mulheres, mesmo quando considerado
o rendimento por hora, derruba o argumento de alguns especialistas de
que as mulheres ganham menos por estarem inseridas parcialmente no mercado
de trabalho. Os dados mostram ainda que o emprego feminino é
de pior qualidade e que menos mulheres conseguem atingir o topo de suas
carreiras. Em 2004, 26,2% das trabalhadoras eram não remuneradas
(especialmente aquelas que ajudam os maridos que trabalham por conta
própria) ou domésticas, percentual superior ao de mulheres
com carteira de trabalho assinada -25,7%. Entre os homens, 33,8% eram
empregados registrados formalmente.
Segundo o IBGE, só 3,9% das mulheres
empregadas estavam, em 2004, em cargos de direção -ou
1,379 milhão. No caso dos homens, o percentual era de 5,5%. O
Distrito Federal tinha o mais elevado percentual de mulheres em cargos
de direção (8%) em razão do maior número
de mulheres no serviço público, cujo ingresso ocorre principalmente
por concurso público.
Pesquisa
A Síntese de Indicadores Sociais tem como principal base de dados
a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2004.
A publicação reúne ainda dados da Pesquisa de Registro
Civil, com informações de mortalidade infantil, casamentos,
divórcios e mortes por causas externas. A Pnad é uma pesquisa
feita numa amostra representativa dos domicílios do país
e investiga desde informações sobre emprego, rendimento,
condições e tipos de moradia, serviços públicos
(água, saneamento e outros) até acesso a bens duráveis
(geladeira e outros). A maior parte dos dados da Pnad foram apresentados
em outubro de 2005. No mês passado, o IBGE divulgou um suplemento
sobre programas oficiais de transferências de renda e educação.
|
Folha de São Paulo,
14 de abril de 2006
CONGRESSO
Governo diz que investimentos estavam paralisados;
oposição protesta
Sem Orçamento, governo libera R$
26,2 bi com 2 MPs
KENNEDY ALENCAR, NEY HAYASHI DA CRUZ
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Diante do impasse que impede a aprovação
do Orçamento deste ano, o governo Lula recorreu a duas medidas
provisórias para liberar mais R$ 26,2 bilhões em verbas
que terão as mais diversas finalidades, indo desde o investimento
das estatais à compra de aviões para a Força Aérea.
Uma das MPs foi publicada em edição extra do "Diário
Oficial" da União que circulou ontem e destina R$ 1,8 bilhão
para diversos ministérios. Na segunda-feira, outra MP deve liberar
mais R$ 24,4 bilhões, dos quais R$ 20,5 bilhões se referem
a investimentos de empresas estatais, principalmente do grupo Petrobras.
Incluindo essas duas anunciadas ontem,
o governo federal já editou, neste ano, nove medidas provisórias
para liberar R$ 28,042 bilhões em recursos que estão previstos
no Orçamento de 2006. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo,
disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu
editar a MP que libera R$ 24 bilhões do Orçamento de 2006
porque "os investimentos das estatais estão travados e isso
ameaça o desempenho da economia". As empresas do grupo Petrobras
respondem por R$ 15,923 bilhões do total liberado pela MP.
Segundo Bernardo, Lula decidiu editar
a MP na quarta, um dia após o fracasso das negociações
com a oposição para aprovar o Orçamento deste ano.
Lula reuniu os principais ministros, avaliou que a oposição
pretende arrastar ainda mais a votação e optou por editar
a MP: "O presidente disse que não podia comprometer o crescimento
da economia e a geração de empregos por falta de acordo
político no Congresso. Esperou o quanto pôde". Segundo
ele, a Petrobras, a Eletrobrás e outras estatais estavam impedidas
de fazer os investimentos de 2006, o que poderia comprometer a capacidade
de produção de petróleo e de energia: "Essas
empresas obedecem a regras do mercado, têm ações
na Bolsa e peso muito grande na economia".
"Na terça-feira, fizemos,
a contragosto, concessões para destinar R$ 5,2 bilhões
à Lei Kandir. Após cedermos, apareceram vários
pedidos pontuais de liberação de recursos vindos da oposição
que atrapalharam o acordo. O país não pode atravessar
o ano sem Orçamento", afirmou. Além da MP de R$ 24
bilhões, o governo editou outra, de R$ 1,8 bilhão, para
liberar investimentos e custeio das pastas das Cidades, da Integração
Nacional e da Previdência, entre outras: "Tínhamos
de mandar R$ 10 milhões para as despesas de nossa base na Antártida.
Esses recursos fazem parte de acordo internacional".
Ao todo, as duas MPs vão destinar
R$ 5,7 bilhões a vários programas do governo. O Ministério
da Defesa é o que mais recebeu recursos -R$ 1,127 bilhão
para a aquisição e modernização de equipamentos
e operações. O Ministério dos Transportes ficou
com R$ 1,088 bilhão, sendo que R$ 948 milhões serão
para manutenção e recuperação de estradas.
A pasta do Desenvolvimento Agrário recebeu R$ 500 milhões.
Dos R$ 173 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia,
R$ 25,3 milhões vão para o projeto de implantação
de uma usina de enriquecimento de urânio. Não faltou dinheiro
para propaganda. A MP liberou R$ 36,8 milhões para publicidade
institucional da Presidência da República.
A oposição na Câmara
prometeu derrubar as MPs: "É uma quebra de compromisso,
que mostra o quanto esse governo não é confiável
em qualquer acordo", disse o líder do PSDB na Casa, Jutahy
Júnior (BA): "Vamos trabalhar para mostrar que o Orçamento
não pode ser editado por medida provisória", disse.
A ameaça foi repetida pelo líder do PFL na Casa, Rodrigo
Maia (RJ): "Vamos trabalhar para derrubar ou no Congresso ou na
Justiça".
|
Folha de São Paulo,
14 de abril de 2006
IMPOSTO DE RENDA
Apenas 8,5 milhões já declararam
DA REPORTAGEM LOCAL
Cerca de 13,5 milhões de contribuintes
têm apenas mais duas semanas para entregar as declarações
do Imposto de Renda deste ano. Até as 15h30 de ontem, a Receita
Federal havia recebido apenas 8,5 milhões de declarações.
Esse número representa aumento de 13,3% na comparação
com as entregas em igual período de 2005. O número de
declarações transmitidas até ontem representa 39%
do total de 22 milhões esperados para este ano. Segundo a Receita,
a média de declarações entregues por hora aumentou
de 22 mil na semana passada para 34 mil nesta semana. O dia de maior
movimento foi terça-feira, com 371 mil declarações
entregues. No ano passado, a Receita recebeu quase 9 milhões
de declarações somente na última semana do prazo
de entrega.
|
Folha de São Paulo,
15 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/DATAFOLHA
Presidenciável tucano tinha 69% no mês passado; nota média
recuou de 7,3 para 7,1
Alckmin deixou governo de SP com 66% de
aprovação
DA REDAÇÃO
O pré-candidato à Presidência
Geraldo Alckmin (PSDB) deixou o governo de São Paulo com a aprovação
de 66% dos eleitores do Estado -taxa levemente inferior à alcançada
no mês passado, quando tinha 69% de ótimo/bom. Hoje o tucano
é tido como regular por 25% e ruim/péssimo por 6%. Sua
nota média também caiu um pouco, de 7,3 em março
para 7,1, revela a pesquisa do Datafolha realizada nos dias 6 e 7 de
abril.
A curva de avaliação do
ex-governador oscilou pouco durante seu segundo mandato. Começou
com 59% de aprovação, em março de 2003, atingindo
65% em dezembro de 2003. Um ano depois, a aprovação a
Alckmin caiu para 60%, num período marcado pelo aumento da violência
no Estado -considerado na época o principal problema de São
Paulo. O grande número de seqüestros pesava bastante nessa
avaliação feita por 27% dos eleitores. A segurança
pública era considerada a pior área da administração
estadual.
Depois disso, a curva de aprovação
voltou a subir, atingindo seu recorde no mês passado -logo após
o lançamento da candidatura de Alckmin à Presidência
pela cúpula do PSDB. A forte exposição do tucano
na mídia provavelmente influenciou o aumento da aprovação
ao seu governo. As acusações de irregularidades em sua
gestão (publicidade da Nossa Caixa, guarda-roupa de sua mulher,
favorecimento de seu acupunturista), porém, provocaram tanto
um recuo de três pontos no índice de aprovação
(de 69% para 66%) como nas intenções de voto no governador
-de 48% para 41% no Estado de São Paulo. Essa queda pesou bastante
no resultado de Alckmin no país, que passou de 23% para 20%.
A aprovação ao governo
Alckmin é mais acentuada no interior (70%) do que na região
metropolitana (61%). A taxa de ruim/péssimo é mais elevada
na capital (9%). O governador é mais bem avaliado entre os idosos
-71% de ótimo/bom-, índice que cai para 61% entre os eleitores
da faixa entre 35 e 44 anos. De forma geral, Alckmin se sai um pouco
melhor entre os eleitores que não fazem parte da População
Economicamente Ativa (68%) -aposentados, rentistas, donas-de-casa.
A aprovação a Alckmin,
que é de 65% entre os tem até o ensino médio, alcança
71% entre aqueles que possuem nível superior. É nesse
estrato de escolaridade, porém, que o tucano possui mais críticos
(9% de reprovação). As maiores taxas de aprovação
a Alckmin situam-se entre os que possuem renda familiar superior a 10
salários mínimos (73%) e, obviamente, entre os simpatizantes
do PSDB (90% de aprovação). Mesmo entre os eleitores do
PT, contudo, ele obtém 53% de aprovação, contra
9% de reprovação.
|
Folha de São Paulo,
15 de abril de 2006
CRISE NO AR
Com liquidação do Aerus, aposentados receberão
só parte da poupança; atuais funcionários perderão
todo o investimento
Fundo da Varig deixa rombo de R$ 1,66
bi
ELVIRA LOBATO, JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
Os funcionários da Varig perderão
toda a poupança que acumularam para a aposentadoria no fundo
de pensão Aerus, se a liquidação for mantida. O
tamanho do rombo nos planos da Varig é de R$ 1,663 bilhão.
Quase metade do patrimônio do fundo está aplicada em ativos
como imóveis e ações, o que pode atrasar ainda
mais o pagamento de aposentados e pensionistas. Segundo dados obtidos
pela Folha, os 8.289 empregados ativos colocaram R$ 447 milhões
no fundo de pensão, recursos que pretendiam usar para salvar
a empresa. Com a liquidação, o dinheiro será distribuído
entre os aposentados e pensionistas, que têm preferência
no recebimento, de acordo com a lei que rege a previdência complementar.
Os técnicos do Aerus acreditam
que os funcionários ainda não se deram conta da tragédia.
""A ficha ainda não caiu", disse um integrante
da administração que não quis se identificar. O
comando do fundo teme pelo que possa ocorrer na segunda-feira e já
reforçou a segurança para proteger o pessoal do atendimento.
A expectativa é que haja corrida, principalmente de aposentados,
em busca de informações. A liquidação expôs
um conflito de gerações entre aposentados e funcionários
da Varig. Os aposentados pediram a intervenção à
SPC (Secretaria de Previdência Complementar), na tentativa de
impedir que os funcionários resgatassem suas poupanças
no Aerus para salvar a empresa.
Os funcionários buscavam salvar
seus empregos. Os aposentados, salvar as aposentadorias. O governo acabou
decretando não só a intervenção no fundo
de pensão como também a liquidação dos dois
planos de aposentadoria dos empregados da Varig, o que descontentou
aos dois lados. Os aposentados também serão muito prejudicados.
As perdas atingem mais severamente os 4.419 beneficiários do
plano 1, o mais antigo, que reúne os que foram enquadrados até
1995. Esse plano tem R$ 170 milhões de patrimônio, quando
seria necessário R$ 1,45 bilhão para pagar as aposentadorias.
No plano 2, mais recente, que conta com 2.373 aposentados e pensionistas,
o patrimônio, de R$ 567 milhões, cobre apenas 43% do que
seria necessário para assegurar os benefícios prometidos
(R$ 950 milhões).
Desconhecimento
A extensão do problema não
foi percebida ainda nem por empregados nem por aposentados. O piloto
João Stepanski, presidente do conselho deliberativo da Associação
dos Aposentados do Aerus, insistia ontem em que seu filho, também
piloto, não perderia as economias por estar na ativa e que as
contribuições do pessoal da ativa não se misturavam
com o dinheiro dos aposentados. Foi Stepanski quem pediu à SPC
que fizesse a intervenção no fundo Aerus. Ele é
contra a liquidação dos planos e qualifica a decisão
como ""um desastre".
Segundo especialistas, a poupança
acumulada pelos funcionários e a dos aposentados passam a formar
um bolo só, com a liquidação. Como o bolo é
inferior ao dinheiro necessário para cobrir as obrigações
perante os aposentados, os da ativa não têm chances de
recuperar suas contribuições. O aeroviário aposentado
Demóstenes Magalhães, 60, é um dos que irão
ao Aerus para saber o que será de seu futuro. ""Dizem
que meu plano tem 43% do que deveria ter. Não sei se isso quer
dizer que receberei 43% do que saldo a que teria direito."
Rateio
Pela lei nº 109, que rege os fundos
de pensão, a liquidação interrompe a contribuição
dos ativos e o pagamento das aposentadorias. O processo, segundo especialistas,
é igual ao das liquidações de instituições
financeiras. Os aposentados têm assegurado o recebimento de 11
dias do mês de abril, mas, a partir daí, tudo vai depender
do ritmo da liquidação. O liquidante, Dionísio
Brentano, fará o levantamento dos ativos e a relação
dos credores, que receberão à medida em que forem sendo
vendidos os bens. Em fevereiro, o patrimônio do Aerus era de R$
1,3 bilhão, mas, desse total, cerca de 30% referem-se a planos
de aposentadorias de outras empresas patrocinadoras, que não
foram afetados pela liquidação.
Quase metade do patrimônio (48,6%)
está aplicada em títulos de renda fixa; 13,7% estão
em imóveis e o restante, em ações.
Segundo a lei, a liquidação poderá ser levantada
desde que haja um fato novo que viabilize a recuperação
da entidade.
Segundo técnicos do Aerus, se o governo liberasse o dinheiro
da ação indenizatória movida pela Varig (julgada
favoravelmente pelo STJ), de cerca de R$ 4,5 bilhões, ela poderia
quitar sua dívida de R$ 2,1 bilhões com o fundo.
|
Folha de São Paulo,
15 de abril de 2006
TRANSPORTES
Anvisa iniciou movimento em fevereiro
Perda com greve de fiscais em Santos passa
de US$ 80 mi, diz sindicato
MARIANA CAMPOS
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SANTOS
Os prejuízos causados pela greve
de fiscais da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária),
deflagrada em fevereiro, já passam de US$ 80 milhões (R$
171 milhões) no porto de Santos (litoral paulista), segundo estimativa
do Sindicado das Agências de Navegação do Estado
de São Paulo. O vice-presidente do sindicato, José Roque,
afirmou que o custo diário de um navio parado varia de US$ 40
mil a US$ 90 mil (R$ 85 a R$ 192 mil), de acordo com o tipo da embarcação.
Desde o início da greve, há quase dois meses, aproximadamente
60 navios desviaram suas escalas. Roque afirmou que, desde a semana
passada, alguns deles se dirigiram a outros portos em que não
há greve apenas para receberem a inspeção da Anvisa
e ficarem livres do procedimento em Santos.
"Houve uma autorização
da coordenadoria da Anvisa de São Paulo para que o navio que
foi inspecionado em um primeiro porto brasileiro não precise
ser inspecionado no segundo. Então, um navio que vem de uma região
com febre amarela ou gripe aviária vai a um porto alternativo
só para inspeção. Depois, vem para Santos e não
fica na fila", disse. A Anvisa informou, por meio de sua assessoria
de imprensa, que a possibilidade da liberação no segundo
porto brasileiro existe, mas que depende das informações
transmitidas pelo capitão do navio via rádio. A liberação
não existe, porém, se o navio for procedente de portos
do Maranhão, do Pará e do Amazonas.
Wellington do Nascimento Rodrigues,
do comando de greve em Santos, confirmou a informação
da assessoria ao dizer que o navio está livre da segunda inspeção
dependendo das informações passadas pelo comandante. De
acordo com ele, 6 dos 30 funcionários da Anvisa estão
trabalhando. Três deles fazem inspeção nos navios.
"De todo o serviço realizado pelo posto da Anvisa em Santos,
de 35% a 40% estão sendo executados."
|
Folha de São Paulo,
16 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Aumento da máquina pública significa uma despesa extra
de R$ 625 milhões por ano
Governo Lula criou 37,5 mil cargos públicos
em 3 anos
FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo federal criou 37.543 cargos
públicos no período entre sua posse (janeiro de 2003)
e o último mês de fevereiro, o que representa 7,72% sobre
o contingente de servidores civis da ativa que o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva encontrou quando subiu a rampa do Planalto. Há
duas semanas, o governo conseguiu aprovar a medida provisória
269, que cria 4.175 cargos para Defesa, Transporte, Desenvolvimento
e Saúde.
O aumento da máquina por Lula
significa uma despesa extra de R$ 625 milhões por ano, entre
custos com os novos cargos e o preenchimento de postos criados pelo
governo anterior, mas que na prática não funcionavam.
É mais do que teve a Cultura para investir no ano passado (R$
402 milhões) e praticamente o mesmo tamanho do investimento federal
no programa Luz para Todos em 2005 (R$ 688 milhões), uma das
vedetes da campanha de reeleição do presidente. Logo ao
assumir, Lula iniciou um processo de aumento da máquina pública
que prossegue até hoje. Dos postos que criou, 2.268 integram
o filé mignon da administração federal, os cargos
de confiança. São 21.428, um aumento de 11,3%, todos de
livre nomeação e freqüentemente preenchidos seguindo
critérios de indicação política. Os outros
35.275 exigem concurso público.
O retrato da engorda na máquina
foi dado pelo próprio governo em dois documentos enviados em
resposta a requerimento do líder da oposição na
Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA), em 22 de março
deste ano. Nas notas técnicas 82/06 e 85/ 06, totalizando dez
páginas, o Ministério do Planejamento indica que o gasto
com o aumento da máquina ainda deve aumentar. Nem todos os cargos
criados já percorreram o trâmite burocrático que
vai da alocação de um espaço físico à
realização de concurso ou nomeação, no caso
de funções de confiança. "Quando cargos criados
tiverem provimento autorizado, o processo deverá respeitar a
prévia existência de recursos orçamentários
destinados a tal finalidade", diz o ministério.
Argumentos do governo
O governo dá três razões
para o aumento da máquina: substituição de trabalhadores
terceirizados no governo de Fernando Henrique Cardoso, recomposição
de áreas em que havia deficiência de pessoal e criação
de novas carreiras no serviço público federal. Em seu
segundo mandato (1998-2002), FHC reduziu o número de servidores
civis ativos da administração direta, autarquias e fundações
em 8,6% (ou 47 mil postos a menos). Segundo o Planejamento, fez isso
em grande medida terceirizando funções. Lula recebeu 485.741
servidores civis no Executivo (excluindo aposentados) e em dezembro
de 2005 havia elevado esta cifra em mais 23 mil (4,7%). Muitos dos cargos
criados por Lula deverão ser preenchidos ao longo de 2006.
"O governo compromete o presente
e o futuro. Está criando despesas vitalícias e de difícil
reversão, que vão exigir uma carga tributária cada
vez maior para serem sustentadas", afirmou Aleluia. Para Francisco
Vignoli, professor da Fundação Getulio Vargas, o debate
sobre o gasto do governo é "pobre". "Está
impregnado pela disputa política, o que o distorce". Segundo
Vignoli, estudioso de finanças públicas, houve aumento
nas despesas de custeio da União, mas em ritmo menor que nos
municípios.
"Em algumas áreas houve um
nítido trabalho de reconstrução, como no Ibama,
mas em outras o resultado é menos claro. Não há
dados conclusivos para a área de educação, por
exemplo", afirma. As notas técnicas do Planejamento revelam
a dependência do governo das medidas provisórias para expandir
a folha de pagamento. Foram 26.365 (74%) cargos concursados criados
pelo governo por esse meio nos primeiros três anos de mandato.
Isso significa que três em cada quatro cargos surgidos no governo
Lula resultaram de ato do Executivo, com vigência imediata, e
não de projeto de lei. Quando são discutidos pelo Congresso,
os cargos já são um fato consumado, apesar dos protestos
da oposição de que as MPs que os geraram não atendem
aos critérios constitucionais de urgência e relevância.
A prática não vem
de agora. Nos momentos finais do governo FHC, uma MP editada de comum
acordo com a equipe petista que entrava criou 13 mil cargos. Sob Lula,
quase todos os ministérios foram contemplados. Entraram no bolo
9.665 de agências reguladoras, 4.000 do Incra (Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária), 2.640 para a
Polícia Federal, entre outros. A Educação recebeu
mais 3.900 cargos para as várias universidades federais implantadas
neste governo. Foram destinados 25 para a Universidade do Semi-Árido
(RN), 80 para a Universidade de Alfenas (MG), 608 para a Universidade
da Grande Dourados (MS) e 1.276 para a Universidade do Recôncavo
Baiano. Mas a campeã folgada foi a Universidade do ABC, criada
na base política de Lula e de seu ex-líder na Câmara
Professor Luizinho (PT-SP). Só ela recebeu 1.911 novos cargos.
|
Folha de São Paulo,
17 de abril de 2006
CRISE NO GOVERNO/ O PRESIDENTE
Plano é usar agenda da CPI dos Bingos para "manchar"
imagem do petista; estratégia passa por quebrar sigilo bancário
de Paulo Okamotto
Para oposição, Lula agora
é o alvo principal
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Os líderes da oposição
no Congresso planejam usar a agenda carregada da semana e os holofotes
da CPI dos Bingos, a última ainda em curso, para tentar uma investida
final contra a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
que, segundo avaliam, segue descolada da série de escândalos
que atingiram o governo. Com o fim da CPI dos Correios, a idéia
é trabalhar, já com viés de campanha, para associar
a imagem do presidente às denúncias que pontuaram a crise
política.
"Esse governo não tem mais
agenda, só agenda de candidato. Temos que intensificar a ligação
do nome dele aos fatos do governo, colar os fatos ao Lula", disse
Jutahy Júnior (BA), líder do PSDB na Câmara dos
Deputados. "O discurso é que o Lula é o chefe da
quadrilha. Agora é passar para a população mais
pobre, porque a classe média já o abandonou", afirmou
o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA), líder da oposição
na Câmara. Para atingir o objetivo, a oposição buscará
munição na CPI dos Bingos. A principal meta é conseguir
aprovar a quebra do sigilo bancário do presidente do Sebrae,
Paulo Okamotto, amigo de Lula.
Ex-tesoureiro de campanha do PT, Okamotto
não abriu seu sigilo e, em depoimento à CPI, esquivou-se
de falar do pagamento que diz ter feito de dívida de R$ 29,4
mil de Lula com o PT em 2004. "A CPI dos Bingos tem todos os elementos
para pegar o presidente. Tem o Roberto Teixeira, o Okamotto. Certamente
eles vão levar ao presidente. Tem que mostrar que ele é
o responsável [pelos esquemas de corrupção]",
afirmou o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Segundo o senador Álvaro Dias
(PSDB-PR), a oposição tentará a quebra do sigilo
de Okamotto pela terceira vez. "O Okamotto é essencial,
ele está blindado pelo poder. Ninguém conseguiria resistir
tanto. O sigilo é uma blindagem ao presidente", disse. Além
da ofensiva pelos extratos bancários de Okamotto, a oposição
pressionará o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente
Lula, cujo depoimento está marcado para amanhã. Teixeira
é investigado pela CPI após denúncias do economista
Paulo de Tarso Venceslau, ex-militante petista. Venceslau acusou Teixeira
de ser ligado à empresa Cepem, segundo ele usada pelo PT para
caixa dois nos anos 90.
Thomaz Bastos
Enquanto a oposição
busca meios para desgastar o governo por mais tempo, o PT aposta no
bom desempenho do ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça)
para esvaziar a crise. A própria oposição se divide
quando o assunto é o depoimento do ministro, que deve ser na
quinta-feira. "Acho que ele não vai ser poupado, mas estão
exagerando um pouco, à medida que a Polícia Federal, subordinada
a ele, está investigando tudo", disse ACM. Para evitar que
o caso da violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa,
que testemunhou contra o ex-ministro Antonio Palocci, perca força,
PFL e PSDB tentarão ainda votar a convocação do
ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso. De acordo
com o relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN),
o episódio da quebra do sigilo deve ser usado em seu parecer
final como exemplo da "continuidade" das ações
da chamada "turma de Ribeirão Preto" em Brasília.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 17
de abril de 2006 | Brasil
RENDA-Setor de bens de consumo deve garantir
crescimento da economia em 2006
Com R$ 2 bilhões, novo mínimo
aquecerá o mercado interno
São Paulo – O pagamento do novo salário mínimo
vai injetar uma renda extra de quase R$ 2 bilhões por mês
na economia a partir de maio, ajudando a sustentar a recuperação
do mercado interno. Em um ano, o incremento chega a R$ 25,4 bilhões,
estima o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Sócio-Econômicos (Dieese).
De acordo com o Dieese, 39,9 milhões
de brasileiros têm seu rendimento referenciado no salário
mínimo, que passou de R$ 300 para R$ 350. Cerca de 16 milhões
são beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS).
Além do aumento de R$ 50 no mínimo, o consumo tem sido
favorecido pelo crescimento da massa de rendimentos do trabalho, estimulado
pela retomada do emprego.
O ritmo de atividade de indústrias
voltadas para o chamado setor de bens de consumo, que inclui alimentos,
produtos de limpeza, higiene pessoal e material de construção,
entre outros, dá sinais de aceleração, o que abre
perspectivas para o crescimento da economia em 2006.
Alimentos
A Caramuru Alimentos, maior processadora
de grãos de capital nacional no país, com faturamento
anual de R$ 1,5 bilhão por exemplo, registrou aumentos de 10%
a 16% nas vendas de óleos, pratos pré-cozidos e farinhas
nos últimos três meses, comparadas com igual período
do ano passado. “O mercado está reagindo bem”, diz
Cesar Borges de Sousa, vice-presidente da Caramuru.
No setor de artigos de higiene pessoal,
o faturamento das empresas no trimestre cresceu 16%, em média,
informa a Associação Brasileira da Indústria de
Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Para o ano,
a estimativa inicial da entidade é de crescimento de 14% no faturamento
do setor, número que deverá ser revisto para cima.
As vendas de embalagens de papelão
ondulado consideradas um dos termômetros do ritmo da atividade
econômica também surpreenderam.
De acordo com a Associação
Brasileira do Papelão Ondulado (ABPO), foram expedidas 526,4
mil toneladas nos primeiros três meses do ano, o que representou
crescimento de 5 9% em relação a igual período
de 2005 (497,1 mil toneladas). “Esperávamos entre 3,5%
e 5%”, diz Paulo Sérgio Peres, presidente da entidade.
“No ano passado, o mercado interno mais patinou do que andou.
Qualquer melhora no consumo tem reflexo nas vendas do setor. É
o que estamos assistindo agora.”
O varejo de material de construção
está otimista com a recuperação da massa de rendimentos
da população. Nos últimos três meses, as
vendas aumentaram 6% sobre igual período de 2005. “Ainda
não temos um espetáculo do crescimento , mas é
um número interessante”, diz Cláudio Elias Conz,
presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de
Material de Construção (Anamaco). A expectativa é
de que as vendas cresçam entre 6% e 7% neste ano.
|
FOLHA DE LONDRINA, 16 de abril
de 2006
Mínimo Regional: Salário
de R$ 437 promete discussão acalorada
Parado há dois meses na Assembléia
Legislativa, projeto do salário regional volta a ser analisado
amanhã pelos deputados
Fotos: Divulgação
Stival: ‘‘Somos a favor da livre negociação’’
Mannala: ‘‘ Maioria das empresas que empregam os trabalhadores
ligados à Força Sindical já pagam mais do que isso’
Curitiba - Mais do que uma discussão econômica, a questão
do salário mínimo regional de R$ 437 é um assunto
que está mexendo nos meandros políticos do Paraná.
Em ano eleitoral o governador Roberto Requião (PMDB) lança
uma medida que, segundo ele, vai beneficiar pelo menos 490 mil trabalhadores
paranaenses. Em ano eleitoral, a Assembléia Legislativa segurou
o projeto por dois meses, já sinalizou que acredita que o aumento
pode ser prejudicial à economia do Estado e apenas agora vai
começar a ouvir as entidades que representam patrões e
empregados para só depois tomar uma decisão. O debate
começa amanhã. E promete ser acalorado. Primeiro terá
a palavra, durante a sessão de amanhã, a Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Na terça-feira
é a vez da Força Sindical do Paraná expor seus
argumentos.
As únicas afirmações
do presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB),
sobre o salário mínimo regional no último mês
é que é preciso ouvir as entidades envolvidas, mas ''o
que se tem ouvido é que a medida pode gerar desemprego, principalmente
no setor rural, que está sofrendo uma grave crise.'' O argumento
de Brandão já foi ratificado pelo deputado Durval Amaral
(PFL), presidente da Comissão de Constituição e
Justiça (CCJ) da Assembléia. E Amaral completou. ''O projeto
do governo não vale para os servidores do Estado. Vamos apresentar
uma emenda em plenário exigindo que valha. E também possui
uma contradição quando diz em um artigo que vale apenas
para os trabalhadores sem dissídio coletivo e em outro que vale
para todos, com piso salarial definido ou não, que recebem menos
que este valor. Queremos suprimir este último por causa do setor
rural'', afirmou.
A bancada aliada ao governo, ao contrário
do que acontece com a maioria dos projetos enviados pelo Executivo à
Assembléia, está ''quieta'' com relação
ao assunto. Tanto os membros PMDB quanto o PT afirmam, quando questionados
ou pressionados pelo governador, apenas que querem votar o projeto e
que antes só é preciso ouvir as entidades envolvidas.
Então, com a palavra a Fiep e a Força Sindical, as duas
primeiras de várias entidades que, segundo Brandão, serão
ouvidas pelos deputados ao longo de abril.
''Somos a favor da livre negociação.
O projeto sobe o salário mínimo no Paraná em 46%,
enquanto no Brasil a alta é de 16%. Dia primeiro de maio a inflação
acumulada de um ano, com base no INPC, vai ser de 4,15%. Além
de tudo, a indústria faz o orçamento para o ano em setembro
e outubro do ano anterior. Por que não teve discussão
antes? A indústria não está preparada para isso'',
argumentou o coordenador do Conselho Temático de Relações
do Trabalho da Fiep, Amilton Stival. O contra-argumento da Força
Sindical está embasado justamente na questão da livre
negociação. ''A maior parte das empresas que empregam
os trabalhadores representados pelos sindicatos ligados à Força
Sindical já pagam mais do que isso. A livre negociação
vai continuar, como antes, com a gente'', explicou o secretário
da Força Sindical, Núncio Mannala.
Como, segundo o secretário da
Força Sindical, boa parte das indústrias ''já paga
um salário acima do proposto pelo governo do Estado'', para Mannala
o novo salário mínimo vai trazer benefícios para
aquelas categorias que são desorganizadas. O secretário
da Força Sindical acredita ainda que o salário mínimo
regional vai aquecer a economia paranaense, uma vez que vai aumentar
a renda do trabalhador e fomentar o comércio, que na lógica
da central sindical, vai, em função disso, contratar mais.
''A médio e longo prazo vai diminuir as diferenças salariais
entre as categorias, equacionando as vendas do comérico e até
aumentando a formalidade'', defendeu. Mannala acredita também
que o salário maior vai evitar o processo de migração
de trabalhadores do interior do Estado para a Capital.
Segundo Stival esse argumento não
é verdadeiro já que a indústria do Paraná
está em queda pelo oitavo mês consecutivo. O coordenador
disse ainda que muitas empresas têm planos de carreira e que alguns
cargos, como o de auxiliar-aprendiz, passariam a ganhar mais que um
funcionário efetivo e isso acarretaria no aumento salarial de
todos os trabalhadores e não só dos que ganham abaixo
do novo salário mínimo.
A Fiep não tinha, até
o fechamento da reportagem, o cálculo do impacto financeiro da
nova medida nas contas das empresas, porém promete levá-lo
à Assembléia amanhã. E, caso o salário seja
aprovado, Stival diz que a Federação vai estudar medidas
judiciais para barrá-lo. O coordenador da Fiep não descartou
um aumento regional para 2007. Mas daí, segundo ele, ficaria
no máximo entre 5% e 10%. ''Para se ter idéia do impacato,
imagina se transferíssemos o aumento para o produto final'',
advertiu.
Andréa Bordinhão
Equipe da Folha
|
FOLHA DE LONDRINA, 16 de abril de 2006
Carga Tributária: Cresce o peso
de impostos e juros
Brasileiros trabalham em média 167 dias
para pagar o Fisco e instituições financeiras; média
anterior era de 155 dias
Cesar Augusto/Arquivo Folha/ 09-01-2006
Segundo estudiosos, dos 38% da carga tributária do País,
mais de 24 pontos percentuais incidem sobre a produção.
São Paulo - O brasileiro trabalha em média cinco meses
e meio por ano só para pagar impostos e juros cobrados nas várias
modalidades de crédito ao consumo. Levantamento feito a pedido
do Grupo Estado mostra que hoje é necessário trabalhar
167 dias por ano para pagar o Fisco e as instituições
financeiras - número maior que o apontado nos últimos
estudos, de 155 dias em média.
São 142 dias só para pagar
impostos e contribuições cobrados pelos governos federais,
estaduais e municipais no ano passado, segundo estimativas dos economistas
José Roberto Afonso e Beatriz Barbosa Meirelles. É como
se cada contribuinte tivesse pago R$ 4,16 mil de tributos em 2005, tomando
como base a arrecadação per capita. No total, a sociedade
transferiu para os cofres do governo R$ 754,4 bilhões, valor
correspondente 38,9% do Produto Interno Bruto (PIB) - número
recorde.
Já os cálculos referentes
aos juros mostram que o consumidor gasta 25 dias do seu salário
para pagar os encargos devidos a bancos e financeiras. O levantamento
feito pela Consultoria Partner considerou os dados fechados de crédito
ao consumo até fevereiro deste ano e constatou um aumento de
três dias no comprometimento da renda, comparado a março
de 2005.
De acordo com o estudo, apesar da alta
do salário médio (R$ 932,90) e da queda da taxa de juros,
a quantidade de dias comprometidos subiu por causa do aumento da demanda
do crédito ao consumo, que foi de R$ 124,2 bilhões para
R$ 162,6 bilhões.
Segundo dados da Associação
Nacional dos Executivos de Finanças, Administração
e Contabilidade (Anefac), o juro médio das diversas modalidades
de crédito para pessoa física estava em 7,54% ao mês
em março. Se anualizada, a taxa sobe para 139,24%. Para pessoa
jurídica, a média está em 4,44% ao mês ou
68,42% ao ano.
Na avaliação do vice-presidente
da entidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, apesar das quedas
promovidas nos últimos meses por causa da redução
da taxa nominal de juros básicos da economia (Selic), os juros
se encontram em níveis elevados no País, seja pelo baixo
volume de crédito disponível (em torno de 31,3% do PIB
quando a média internacional passa de 100%) ou pelos custos que
incidem sobre as taxas, como impostos e inadimplência.
''Os juros altos podem controlar a inflação
e atrair investidores do mercado financeiro, mas agravam as despesas
do setor público, afetam a carga tributária e desestimulam
o crescimento da economia'', argumenta o diretor do Instituto de Estudos
para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio
Gomes de Almeida.
Para especialistas, a combinação
de juros altos e carga tributária exorbitante pode ser um veneno
para o desenvolvimento econômico de um País. Juntos, os
dois componentes são inibidores de investimentos produtivos e
limitadores do crescimento. O grande problema é que o Brasil
está no topo do ranking nesses dois quesitos.
Renée Pereira
Agência Estado
|
FOLHA DE LONDRINA, 16 de abril
de 2006
Produção é a grande
vítima da carga tributária
São Paulo - Além de ter a maior taxa de juros do mundo
(16,5% ao ano), o Brasil também tem uma das maiores cargas tributárias
do planeta. E, dos 38% de carga, mais de 24 pontos porcentuais incidem
sobre a produção.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro
de Ética Concorrencial (Etco), Emerson Kapaz, nos países
desenvolvidos ocorre o contrário: o governo opta por tributar
mais propriedade e renda, diz ele. ''Nos Estados Unidos, apenas 8% da
carga tributária (30%) incide sobre a produção;
no Canadá, 11% de uma carga de 36%; e na Austrália, 8,9%
de uma carga de 32%.''
Para o ex-ministro da Fazenda, Mailson
da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria, esse
sistema é injusto, caótico e conspira contra o crescimento
da economia do País. ''No Brasil, o sistema tributário
tira o dinheiro dos pobres e dá para os ricos. Na compra de um
pãozinho, por exemplo, o pobre paga o mesmo ICMS que o rico.
Uma distorção.'' O certo, diz ele, seria tributar os setores
mais favorecidos com Imposto de Renda e imposto sobre propriedade e
renda.
O diretor titular do departamento de
pesquisas e estudos econômicos da Federação das
Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, destaca
que há países com carga tributária até maior
que a do Brasil, em torno de 40%. ''A diferença é que
lá a população tem educação, saúde
e segurança de graça, ao contrário do que ocorre
aqui. O governo gasta demais e não devolve para o cidadão,
em forma de serviços públicos, os impostos pagos.''
Os dois problemas brasileiros -
carga tributária e juros altos - têm a mesma origem, que
é o elevado nível dos gastos, afirma Mailson. Segundo
ele, hoje o setor público gasta 40% do PIB - nível de
país nórdico. ''Desse total, 33% refere-se às despesas
rígidas, aquelas que não se pode cortar, como é
o caso de juros e previdência''. Segundo o ex-ministro da Fazenda,
o gasto da previdência é 13% do PIB, o dobro da média
mundial.
|
FOLHA DE LONDRINA, 16 de abril
de 2006
Prejuízo para a competitividade
Genebra - As altas taxas de juros e a carga tributária pesada
são dois dos fatores que mais contribuem para que o Brasil não
consiga desenvolver uma economia mais competitiva. Economistas e analistas
de diversos institutos de pesquisa internacionais apontam os dois aspectos
como sérios obstáculos para o País nos próximos
anos.
Pelo ranking anual de competitividade
elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD),
uma das entidades de pesquisa mais reconhecidas da Europa, o Brasil
ocupa a 51 posição entre 60 países avaliados. Segundo
seus analistas, se não houver uma reforma tributária importante
no País, além de uma harmonização dos vários
sistemas de cobrança nos Estados, a economia nacional sofrerá
para se tornar competitiva. ''O Brasil precisa completar suas reformas'',
avalia a entidade.
Para o IMD, um dos pontos mais críticos
são as taxas de juros e o custo de capital como limitador do
desenvolvimento econômico do País. De acordo com o estudo,
se esses pontos fossem resolvidos, o Brasil passaria da 51 para a 41
posição no ranking das economias mais competitivas.
Já o Fórum Econômico
Mundial, com sede em Davos, na Suíça, aponta que nem o
controle da inflação, nem o ajuste fiscal e nem mesmo
as taxas recordes de exportação conseguem evitar que o
Brasil continue despencando nos rankings da entidade sobre competitividade
das economias. Um dos fatores que mais pesam na avaliação
é, mais uma vez, a taxa de juros.
Em 2005, o Brasil caiu oito posições
no ranking do Fórum e ocupa, entre 104 países, o 65º
lugar. O País é superado por Gana, Namíbia e El
Salvador. Em 2004, o País já havia perdido três
posições no ranking do Fórum.
O fator mais alarmante foi a penúltima
posição ocupada pelo Brasil entre 102 países avaliados
em relação aos juros. Na prática, isso significa
que o País é o segundo onde a taxa de juros mais pesa
sobre a competitividade da economia. Observado de outra maneira, isso
significa que, das 102 economias avaliadas, os bancos nacionais são
os vice-campeões no ranking dos que mais lucram no mundo já
naquela época.
Jamil Chade
|
FOLHA DE LONDRINA, 16 de
abril de 2006
População reclama da falta
de retorno do que é pago
São Paulo - A sociedade brasileira está cansada de pagar
tantos impostos e não ter quase nenhum retorno. Além disso,
quando precisa de recursos extras para comprar um bem ou para qualquer
imprevisto tem de pagar taxas exorbitantes de juros.
A consultora Marcia Silva Vieira, por
exemplo, costuma usar o cheque especial apenas por alguns dias no mês
por descasamento entre o recebimento de seus benefícios e o vencimento
de algumas contas. Mas, apesar de ser pequeno o tempo de uso no mês,
ela diz que os juros são extremamente altos. Segundo levantamento
do Procon de São Paulo, divulgado semana passada, a taxa do cheque
especial caiu um pouco em relação à abril do ano
passado mais ainda está em 157,7%.
Mas o que deixa a consultora mais indignada
é a quantidade de impostos que o governo cobra. Ela calcula que
todo mês pelo menos 20% de sua renda é transferida para
o Fisco. ''É um absurdo, pois não tenho nenhum benefício
em troca.''
Além de pagar os impostos, a contribuinte
paga convênio médico, faculdade privada, previdência
particular e alguns seguros para proteger seus bens, já que o
governo também não consegue oferecer segurança
adequada à população. ''Pago quase uma fortuna
e não uso nada, pois os serviços oferecidos não
têm nenhuma qualidade. É uma afronta à dignidade
do brasileiro.''
Outra contribuinte indignada com a falta
de retorno dos impostos pagos ao governo é a analista Cintia
Watai. ''Estaria feliz se os serviços públicos funcionassem
direitinho. Teria o maior prazer em pagar.''
Segundo ela, além do Imposto
de Renda abocanhar 27,5% do seu salário, todos os serviços
têm de ser particulares, e custam caro. ''Se tivesse algum retorno
sobraria até para praticar o lado social. Se os impostos não
fossem tão altos, poderia ajudar uma instituição
social.''
(R.P/AE)
|
JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
16 de abril de 2006 | Economia
Missão avaliará chances
de investimentos na América
BRASÍLIA - O governo brasileiro
enviará, em maio, missão de empresários à
América Central, região que oferece muitas oportunidades
de investimentos. A informação é do assessor para
Assuntos Internacionais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, Pompeu Andreucci, um dos organizadores da
missão, realizada em parceria com a Agência de Promoção
de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Segundo ele, a missão, liderada
pelo ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, é voltada
para a busca de oportunidades, negócios, comércio e investimentos.
Também integrará a comitiva o ministro de Minas e Energia,
Silas Rondeau.
Quatro países estão incluídos
no roteiro: Panamá, Costa Rica, Guatemala, El Salvador e Honduras.
A missão foi idealizada depois da visita de Lula à Guatemala,
em 2005, quando o presidente brasileiro se reuniu com todos os chefes
de estado da América Central. "Foram abertas portas políticas
que proporcionam negócios para o Brasil e para empresários
do país", disse Andreucci, em entrevista.
De acordo com Andreucci, o objetivo é
aumentar o comércio, criar oportunidades de negócios e
mostrar aos empresários brasileiros que há um grande potencial
de investimento na região. "Os lucros são grandes
para os empresários que quiserem aproveitar a oportunidade",
afirmou.
De 1985 a 2005, as exportações
brasileiras para a América Central cresceram 1.228%. Para as
demais regiões, o crescimento foi de 371%, lembrou Andreucci.
"Esses números mostram mais dinamismo do comércio
brasileiro nessa região".
Andreucci disse que os principais setores
de interesse dos governos envolvidos são energias renováveis
(etanol, biodiesel, solar), infra-estrutura (construção
civil e transportes), linhas de transmissão elétrica,
têxtil e confecções. Terão prioridade para
participar da missão empresas que trabalhem nesses setores e
as que já mantêm comércio com a América Central.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 14 de abril de 2006 | Economia
Paraguai dá a entender que deixará
o Mercosul
Segundo a chanceler paraguaia, Leila Rachid,
o bloco "não é o projeto que originalmente desejávamos
ter em 91"
Marina Guimarães
BUENOS AIRES - Como se não bastasse
o conflito entre o Uruguai e a Argentina por causa da construção
de duas fábricas de celulose na fronteira entre ambos países,
agora o Paraguai somou um novo componente que ameaça a unidade
do Mercosul. A chanceler paraguaia, Leila Rachid, disse que o Mercosul
não é o projeto que seu país deseja e deu a entender
que o Paraguai quer abandonar o bloco regional .
"Hoje em dia, o Mercosul, tal como existe, não é
o projeto que originalmente desejávamos ter em 91", afirmou
a ministra referindo-se ao Tratado de Assunção, que criou
o bloco. As declarações foram feitas logo após
uma reunião entre Rachid e o presidente Nicanor Duarte.
Segundo ela, o Mercosul "terá
quer redefinir seu caminho" para atender as demandas das economias
menores do bloco. Na última terça-feira, o presidente
paraguaio também teceu alguns comentários críticos
ao afirmar que o bloco vive um momento de "grande incerteza, com
discursos que não batem com a realidade". Nicanor Duarte
foi taxativo ao dizer que se a situação não mudar,
"não tem sentido que o Paraguai permaneça no Mercosul".
Para completar o recado do presidente,
a ministra declarou um dia depois que "Paraguai vai continuar participando
daquele bloco enquanto satisfaça seus interesses". O governo
do Paraguai vem realizando seguidos ataques e críticas contra
o Mercosul, principalmente contra o Brasil e a Argentina. Porém,
essa foi a primeira vez que o presidente e sua ministra declaram abertamente
a intenção de deixar o bloco.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 14 de abril de 2006 | Economia
Previdência suspende mais 50 mil
benefícios
Beneficiários não atualizaram
dados cadastrais e tiveram seus benefícios suspensos
Rosana de Cassia
BRASÍLIA - O Ministério
da Previdência Social publicou nesta quinta-feira o segundo edital
de suspensão de benefícios do Censo Previdenciário.
Ele suspende 50.127 benefícios de segurados convocados em novembro
de 2005 e que não compareceram às agências bancárias
para atualizar seus dados cadastrais até 31 de março.
Segundo nota divulgada pelo Ministério
da Previdência, os segurados com os benefícios suspensos
só receberão o pagamento de abril depois que fizerem o
Censo em uma agência do banco pagador do benefício.
O edital com os nomes está
disponível na página do Ministério da Previdência
na internet. A Previdência informa ainda que na próxima
semana publicará outro edital suspendendo 36.408 beneficiários,
que foram convocados por carta para o Censo Previdenciário, mas
tiveram a correspondência devolvida pelos Correios.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
15 de abril de 2006
Pausa no trabalho
Acidente durante atividade extra não
é indenizado
O fato de o acidente ter ocorrido no
local de trabalho, por si só, não caracteriza acidente
de trabalho. O entendimento é dos juízes da 2ª Turma
do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São
Paulo), que negaram indenização a um funcionário
do Instituto Criança Cidadã.
De acordo com a relatora, juíza
Maria Aparecida Pellegrina, "o trabalhador não estava a
serviço da empregadora, mas, sim, em momento de descontração,
durante a jornada de trabalho, sem autorização da recorrida,
subiu no telhado para pegar uma pipa".
O auxiliar de serviços gerais
sofreu acidente ao cair de um telhado da instituição,
por isso entrou com ação reclamando que sofreu acidente
de trabalho. Ele sustentou que consertava telhas quando caiu e que ficou
incapacitado por lesões na mão e no pulso. O reclamante
pediu a reintegração no emprego ou pensão até
os 65 anos de idade.
O instituto apresentou uma testemunha
que ouviu do empregado que ele teria subido no telhado para pegar uma
pipa. A entidade sustentou que serviços pesados são feitos
por terceiros e reparos simples são efetuados pelo zelador, e
que, no horário do acidente, o reclamante deveria estar acompanhando
as crianças do instituto no café da manhã. Como
o juiz da 78ª Vara do Trabalho de São Paulo julgou o pedido
improcedente, o trabalhador apelou ao TRT-SP.
Segundo a relatora, o artigo 186
do Código Civil dispõe que "aquele que por ação
ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,
violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito". Mas, na sua opinião, não
houve conduta ilícita por parte do instituto e, por, isso, este
não tem o dever de indenizar.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
16 de abril de 2006
Exploração do desemprego
Agência de emprego é condenada
por cobrar e não cumprir
A empresa de recolocação
profissional Interview, acusada de captar clientes com ofertas e vagas
inexistentes, está sujeita a pagar multa diária de R$
50 mil se continuar com este tipo de prática. A decisão
liminar é da juíza Andréia Mara Bertoline, da 2ª
Vara Cível do Fórum Central de São Paulo. Cabe
recurso.
A ação foi ajuizada pelo
Ministério Público de São Paulo. Segundo a promotora
de Justiça Adriana Borghi Fernandes Monteiro, uma das autoras
da ação, “aproveitando-se da grave crise de empregos,
muitas empresas passaram a operar no mercado sem qualquer pudor ou ética,
especialmente na forma como desenvolvem o seu marketing, expondo muitos
consumidores às práticas comerciais abusivas”.
Em um dos casos investigados pelo MP,
a vítima pagou R$ 2.130 para fazer “avaliação
psicológica” e concorrer a uma vaga inexistente em uma
grande rede de supermercados.
Para a promotora, a conduta, infelizmente,
não é exclusiva da Interview, mas de muitas outras empresas
do ramo. “Aguardamos decisão semelhante no processo que
movemos contra a Gatework, e vamos continuar a coibir esse tipo de atitude
de qualquer empresa de recursos humanos”.
Caso semelhante
As empresas de recolocação
profissional Dow Right e Alphalaser também foram proibidas de
captar clientes que eram enganados com propostas de empregos em agosto
de 2005.
A decisão foi do juiz Gustavo
Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível Central de São
Paulo, que acolheu parcialmente a ação do Ministério
Público contra as empresas. A multa diária fixada neste
caso foi de R$ 20 mil.
A Dow Right Consultoria em Recursos
Humanos entrou com recurso, em setembro de 2005, contra sentença
que condenou duas empresas. Segundo a defesa, o MP não é
legítimo para entrar com Ação Civil Pública
no caso, já que, segundo alegou, o contrato celebrado entre maiores
capazes acaba com a legitimidade ativa do Ministério Público,
pois os interesses podem ser defendidos judicialmente por ação
individual.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
17 de abril de 2006
Litigância de má-fé
INSS é multado por recorrer para
arrastar processo
O Tribunal Superior do Trabalho aplicou
multa por litigância de má-fé ao INSS. No Agravo
de Instrumento em que a autarquia pediu o pronunciamento do TST sobre
o prazo decadencial das contribuições previdenciárias,
a defesa sustentou que a decisão da segunda instância violou
a Lei Orgânica da Seguridade Social e o Código Tributário
Nacional. Ocorre que o processo está em fase de execução
de sentença e só cabe recurso ao TST em caso de ofensa
direta à Constituição Federal. A decisão
é da 1ª Turma do Tribunal.
O presidente da Turma, ministro João
Oreste Dalazen, criticou a atuação do procurador do INSS
no processo e salientou que a multa tem um caráter pedagógico.
“Compreendemos a posição do procurador do INSS e
seu dever de zelar pelo interesse e patrimônio públicos,
mas não se pode lançar mão de um recurso desfundamentado
só pelo dever de recorrer. Esta é uma forma de sobrecarregar
o Poder Judiciário indevidamente. Por isso, esse procurador deve
ser alertado e cientificado”, afirmou.
O ministro Lélio Bentes Corrêa
concordou com a imposição da multa, afirmando que a atuação
do procurador do INSS no caso foi “absolutamente inadequada”.
Antes de encerrar o julgamento, Oreste Dalazen alertou para o risco
de inviabilização do TST se não for adotado “uma
postura rígida e firme” em relação à
admissibilidade do recurso de revista.
“Estou seguro disso. Estamos com
227 mil recursos para solucionar, se não formos enérgicos,
se não adotarmos uma postura pedagógica para aplicar com
rigor a técnica do recurso de revista, vamos nos inviabilizar”,
finalizou.
AIRR 00253/2004-036-24-40.9
|
CONSULTOR JURÍDICO,
17 de abril de 2006
Falta grave
Luta no trabalho dá justa causa
mesmo fora do expediente
A luta corporal entre empregados nas
dependências da empresa, mesmo que ocorra fora do expediente,
dá justa causa para a demissão dos envolvidos.O entendimento
unânime é da 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região (São Paulo), no julgamento do Recurso
Ordinário de um empregado do restaurante Gauchinho Grill.
Para o relator, juiz Ricardo Artur Costa
e Trigueiros, "considerando a prova oral produzida, não
poderia mesmo a reclamada tolerar ofensas físicas de natureza
grave que pudessem levar à morte seus empregados".
Segundo o relator, são "irrelevantes
os motivos da briga e que esta tenha ocorrido fora do horário
de expediente, se a prova patenteia que o conflito se passou no alojamento
da empresa, e que o reclamante, armado com uma faca e embriagado, envolveu-se
em luta corporal com colegas, também alcoolizados, provocando
ferimentos num deles, além de danos patrimoniais".
O trabalhador ajuizou processo na 49ª
Vara do Trabalho de São Paulo para descaracterizar a justa causa
da sua demissão e, assim, receber as verbas e indenizações
devidas na dispensa sem motivo.
De acordo com o empregado, após
desentender-se com um colega de serviço em um baile, eles se
reencontraram no alojamento da churrascaria onde estavam hospedados
e brigaram. Para o empregado, a briga não poderia justificar
a demissão, pois ocorreu fora do horário de expediente
e não trouxe prejuízo ao empregador.
Segundo depoimento de uma testemunha
ouvida no processo, os funcionários envolvidos na luta estavam
bêbados e o reclamante atingiu o colega com uma faca.
O juiz da vara julgou o pedido
improcedente. O empregado recorreu ao TRT-SP, insistindo que uma desavença
pessoal, fora do horário de serviço, não é
falta grave que justifique demissão por justa causa.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
17 de abril de 2006
MPF oferece denúncia contra fiscais
da DRT do Rio
O MPF (Ministério Público
Federal) ofereceu nesta quinta-feira (13/4) denúncia contra 56
pessoas, presas na operação Paralelo-251 e envolvidas
em um esquema de corrupção na DRT (Delegacia Regional
do Trabalho) do Rio de Janeiro.
De acordo com informações
da assessoria do MPF, os procuradores da República Carlos Aguiar
e José Augusto Vagos protocolaram o documento, com mais de 500
páginas, dia 11 de abril, na 4ª Vara Federal Criminal. Dentre
os denunciados, há quarenta e quatro auditores fiscais do Ministério
do Trabalho, dois deles aposentados, onze agentes administrativos e
uma ex-auditora, demitida do quadro em 2004 pela prática do crime
de corrupção.
Na denúncia, todos os auditores
fiscais são acusados do crime de inserção de dados
falsos no sistema informatizado do Ministério do Trabalho. Vinte
e cinco deles também são acusados de tráfico de
influência, corrupção ativa e passiva e formação
de quadrilha. Já os agentes administrativos são acusados
de formação de quadrilha. Dentre eles, sete também
poderão responder pelos crimes de corrupção ativa
e passiva e dois deles por falsidade ideológica.
As penas para esses crimes variam de
um a doze anos e podem ser aumentadas pela repetição da
prática dos crimes. A pena máxima para inserção
de dados falsos pode chegar a 12 anos.
De acordo com a denúncia, nas
fiscalizações realizadas em empresas, em troca do recebimento
de propina, os auditores denunciados omitiam as irregularidades encontradas
durante a inspeção, deixando de lavrar o auto que levaria
ao pagamento de uma multa. Com isso, muitos trabalhadores não
tinham suas carteiras de trabalho registradas ou chegavam a cumprir
jornada de trabalho além do limite permitido por lei.
Ainda de acordo com a denúncia,
os fiscais também deixavam de autuar as empresas mesmo encontrando
atraso no pagamento dos salários e no recolhimento do FGTS e
da Contribuição Social. As fraudes consistiam, também,
no lançamento de informações falsas no banco de
dados do Ministério do Trabalho com o objetivo de aparentar uma
situação regular das empresas quanto ao cumprimento dos
encargos trabalhistas.
Além disso, a denúncia
aponta a existência de um sistema paralelo para a realização
de homologações fraudulentas.
Ainda de acordo com informações
da assessoria do MPF, havia também a existência de um esquema
para destruir os autos de infração lavrados contra as
empresas que estavam arquivados no Semur-DRT (Setor de multas e recursos).
Com a subtração dos autos, impedia-se que as empresas
autuadas tivessem que pagar as multas correspondentes. Esse esquema
contava com a participação dos agentes administrativos
lotados no setor, auditores fiscais do trabalho e dos próprios
representantes de empresas, os quais pagavam propina para a retirada
dos autos.
"A conivência entre
fiscais e representantes de empresa era tanta que alguns dos denunciados
recebiam pagamento mensal para interferir nas fiscalizações
que eventualmente viessem a ocorrer na empresa. Há casos em que
os postos de atendimento do Ministério do Trabalho se transformavam
num palco de corrupções nos quais os fiscais burlavam
o sistema de agendamento prévio para as homologações,
atendendo a contadores e representantes de empresas. Muitos deles vinham
desacompanhados dos empregados e, em troca de propina, chancelavam o
termo de rescisão, contrariando a legislação que
determina a rigorosa verificação do cumprimento dos encargos
trabalhistas e a presença do empregado e empregador, ou seu representante,
no ato da rescisão, proibindo qualquer cobrança pelo serviço.
Essas fraudes ocorriam principalmente nos postos situados nos bairros
da Taquara, São Cristóvão, Vila Isabel e Penha",
esclarecem os procuradores da República.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
17 de abril de 2006
Acidente de trabalho só gera indenização
se comprovada culpa do empregador
Para a Justiça do Trabalho, um
funcionário só deve ser indenizado por acidente no caso
de seu empregador ser culpado pelo ocorrido. Com esta convicção,
os juízes da 2ª Turma do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho
de São Paulo) negaram indenização a um ex-funcionário
do Instituto Criança Cidadã.
Segundo a assessoria de imprensa do tribunal,
um ex-auxiliar de serviços gerais da instituição
abriu uma ação na 78ª vara trabalhista de São
Paulo reclamando ter sofrido um acidente de trabalho ao cair de um telhado
no estabelecimento da empregadora.
O ex-funcionário sustentou que,
no momento do acidente, estava consertando telhas quando caiu. Em decorrência
do episódio, ele alegou ter ficado incapacitado por lesões
na mão e no pulso. O reclamante pediu a reintegração
no emprego ou indenização até os 65 anos de idade.
Em sua defesa, o instituto apresentou
uma testemunha que ouviu do ex-empregado que ele teria subido no telhado
para pegar uma pipa. A entidade sustentou que serviços pesados
são feitos por terceiros e reparos simples são efetuados
pelo zelador. Além desses argumentos, o empregador alegou que,
no horário do acidente, o reclamante deveria estar acompanhando
as crianças no café da manhã.
Como o juiz de primeira instância
julgou o pedido improcedente, o trabalhador recorreu ao TRT-SP. No tribunal
regional, a juíza Maria Aparecida Pellegrina, relatora do recurso,
considerou que o fato do acidente ter ocorrido na sede do instituto,
por si só, não caracteriza acidente de trabalho.
De acordo com a assessoria do TRT-SP,
a juíza considerou que "o trabalhador não estava
a serviço da empregadora, mas em momento de descontração,
durante a jornada de trabalho e, sem autorização da recorrida,
subiu no telhado para pegar uma pipa".
A juíza Maria Aparecida citou
o artigo 186 da Código Civil para jutificar seu voto contra o
recurso do ex-funcionário: "aquele que, por ação
ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,
violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral,
comete ato ilícito".
Para ela, somente quando configurada
a culpa da empregadora suriria a obrigação de reparar
o dano, seguindo os moldes do artigo 927 do Código Civil. Por
unanimidade, a 2ª Turma acompanhou o voto da relatora e decidiu
a favor do instituto.

|