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Folha de São Paulo, 19 de abril de 2006
TRABALHO
Na tentativa de reduzir informalidade, empresas e trabalhadores oferecerão
atendimento para manutenção e reparos
Setor de construção cria
central de serviços
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Trabalhadores e empresários da
construção civil criaram uma central de serviços
para qualificar a mão-de-obra do setor, diminuir a informalidade
e oferecer serviços de manutenção e reparos por
meio de atendimento telefônico.
Em fase experimental, o projeto já conta com duas equipes de
eletricistas e pedreiros que atualmente prestam serviços a condomínios
da cidade de São Paulo. A previsão é entrar em
funcionamento pleno em junho (as informações estão
sendo dadas pelo telefone do sindicato: 3388-4800).
"Nosso objetivo é treinar
os trabalhadores, recuperar sua auto-estima e reverter a imagem de pouca
profissionalização no setor", afirma Sérgio
Luiz Victor, gerente-geral da área comercial da Votorantim Cimentos.
A empresa, uma das parceiras do projeto, investiu R$ 120 mil para a
instalação de um "call center" na sede do Sindicato
dos Trabalhadores da Construção Civil de São Paulo
(Força Sindical) e vai treinar pedreiros em cursos que começam
na próxima semana.
No ano passado, a Votorantim informa
ter investido R$ 4 milhões no treinamento de 35 mil profissionais
em parceria com lojas de material de construção e R$ 1,5
milhão na qualificação de jovens de baixa renda.
Só na cidade de São Paulo o sindicato estima que existam
hoje 150 mil operários informais que prestam serviços
em residências e condomínios. Com carteira assinada, são
225 mil. Outros 200 mil trabalham sem registro, por meio de empreiteiras
e terceirizações.
"Uma das maiores dificuldades é
qualificar a mão-de-obra e tirar esse pessoal da informalidade.
É preciso que as empresas invistam no trabalhador. Também
queremos dar oportunidade aos portadores de deficiência",
diz Antonio de Sousa Ramalho, presidente do sindicato. Dados da entidade
mostram que 7% dos peões da capital fazem cursos superiores,
e 38%, o ensino médio. Segundo André Nogueira, consultor
do projeto, um dos objetivos da central é fazer com que os trabalhadores
se tornem autônomos e recolham contribuição previdenciária.
"Outra idéia é que possam montar microempresas para
prestar serviços. É uma forma de gerar emprego e renda."
Chamado de "Call Center da Cidadania",
a central tem apoio ainda da Viapol, fabricante de mantas asfálticas
para impermeabilização, da administradora de condomínios
Manager e da fábrica de pincéis e ferramentas Atlas, segundo
o consultor. A central sindical italiana Uil (Unione Italiana del Lavoro)
é parceira do projeto. A CEF deve montar uma agência no
local para financiar empréstimos para os operários adquirirem
ferramentas, segundo o sindicato. Em campanha salarial, cerca de 1.700
peões fizeram ontem paralisações de duas horas
em quatro obras devido ao impasse nas negociações. Eles
pedem aumento real de 12%.
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2006
Lula quer "minirreforma" sindical
e trabalhista
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva quer aproveitar o último Dia do Trabalho de seu mandato
e promover uma "minirreforma" sindical e trabalhista antes
das eleições. Ele pretende anunciar um pacote de medidas
para aliviar as dívidas acumuladas com promessas de campanha
não cumpridas. O pacote, segundo informação do
Ministério do Trabalho, inclui pontos polêmicos, cujo anúncio
ainda é incerto, como o início da regulamentação
da terceirização da mão-de-obra e a regulamentação
do trabalho aos domingos.
O Ministério do Trabalho, porém,
não garante que todas as medidas do pacote serão anunciadas
até o dia 1º de maio. Entre as mudanças está
também a criação do Conselho Nacional das Relações
de Trabalho (CNRT), que vai substituir o Conselho Nacional do Trabalho.
O CNRT será composto por trabalhadores, empregadores e representantes
do governo e vai formular propostas para as áreas sindical e
trabalhista.
O governo quer ainda legalizar
as centrais sindicais -como Força Sindical, CUT (Central Única
dos Trabalhadores) e CGT (Central Geral dos Trabalhadores)-, que atualmente
não têm respaldo jurídico. Também está
nos planos do Palácio do Planalto promover mudanças na
composição das instâncias que deliberam sobre políticas
públicas estaduais que utilizam recursos do FAT (Fundo de Amparo
ao Trabalhador). Para os funcionários públicos deverá
ser garantido o direito de greve e de negociar coletivamente, com a
ratificação de uma convenção da OIT (Organização
Internacional do Trabalho).
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2006
Indústria de SP cria 11 mil vagas,
informa Ciesp
DA FOLHA ONLINE
A indústria paulista criou 11.071
postos de trabalho no mês passado, um aumento de 0,53% em relação
a fevereiro, segundo o Ciesp (Centro das Indústrias do Estado
de São Paulo). De acordo com os empresários, a antecipação
da safra de cana-de-açúcar permitiu o aumento das contratações.
Além disso, também foram destaque no mês passado
os setores de calçados -com abertura de 2.100 vagas- e produtos
alimentares -4.877 postos de trabalho a mais. Sertãozinho foi
a diretoria do Ciesp que apresentou a maior variação positiva
de vagas -10,01%.
O desempenho do emprego industrial no
mês passado mostra uma melhora significativa em relação
a igual mês do ano passado, quando foram criadas apenas 2.805
vagas. No acumulado do ano, o setor gerou 15.341 novas vagas, 1.188
a mais do que no mesmo período do ano passado. A expectativa
do Ciesp é que 13,3 mil empregos sejam criados neste ano, número
um pouco superior ao de 2005, quando foram abertas 13.069 vagas. Na
semana passada, pesquisa da Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), que segue outra metodologia, mostrou
que a indústria paulista criou 6.038 empregos em março
-alta de 0,29% sobre fevereiro. (KAREN CAMACHO)
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Agência Diap, 19 de
abril de 2006
Eleição presidencial de
2006 poderá repetir 1950
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
A campanha eleitoral presidencial de
2006, bem como seus desdobramentos, poderá lembrar as eleições
de 1950, em que Getúlio Vargas, pelo voto popular, retornou à
Presidência da República, tendo disputado contra os candidatos
brigadeiro Eduardo Gomes (UDN), Cristiano Machado (PSD) e João
Mangabeira (PSB).
Os adversários do presidente Getúlio
Vargas, que desde a campanha o acusaram de corrupto, autoritário
e de praticar assistencialismo, não deram trégua no segundo
governo, levando o presidente ao suicídio em 1954. Os adversários
do presidente Lula, igualmente, não lhe darão trégua
alguma na campanha nem no segundo mandato, caso seja reeleito.
Naquela eleição, como nesta,
a candidatura de centro, que poderia constituir-se na terceira via,
foi traída por seu partido. Em 1950, o candidato do PSD, Cristiano
Machado, foi abandonado pelo partido, que apoiou majoritariamente o
candidato do PTB, Getúlio Vargas. Foi nessa época que
surgiu a expressão “cristianizar”. Neste pleito,
igualmente, a tendência é que o partido de centro, o PMDB,
que poderia se constituir em real alternativa de poder, ou não
lance candidato ou “cristianize” seu candidato, apoiando
o atual presidente ou mesmo o candidato da oposição.
As coincidências estão até
nos preconceitos. Naquela época, o candidato da UDN, brigadeiro
Eduardo Gomes, numa frase infeliz, disse que não precisava de
voto de marmiteiro, ofendendo os operários, que votaram maciçamente
em Getúlio Vargas. Agora, FHC, o principal patrono da candidatura
tucana, também numa frase infeliz, ofendeu os pobres do Brasil,
ao dizer que as pessoas de origem humilde que ascendem socialmente ficam
deslumbradas e vulneráveis à prática de corrupção.
Tal como em relação a Getúlio
Vargas em 1950, o objetivo da atual oposição é
de impedir um novo mandato para o presidente Lula. Se não conseguirem
derrotá-lo no voto, vão propor seu impeachment, conforme
antecipam os jornais com quase seis meses de antecedência do pleito.
Prudentemente, parece que a oposição
desistiu de ir para as ruas pedir o impeachment do presidente nesse
período pré-eleitoral e decidiu concentrar sua luta no
campo institucional, dentro do Congresso, porque se o fizesse, muito
provavelmente haveria resistência de setores dos movimentos sociais,
fato que criaria um clima de instabilidade no País. De qualquer
modo, a julgar pelo clima político de agora, as eleições
deste ano e um eventual segundo mandato do presidente Lula serão
muito tumultuados. Antônio Augusto de Queiroz é jornalista,
analista político e Diretor de Documentação do
DIAP.
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Agência Diap, 19 de
abril de 2006
Proteção ao trabalhador
Nova medida que garante proteção
e segurança para trabalhadores está em vigor
Segundo informações do Ministério do Trabalho e
Emprego, já está em vigor a norma regulamentadora que
define novas regras de proteção e segurança para
os trabalhadores que se expõem a riscos biológicos, químicos,
radiações ionizantes, inclusive os que cuidam da limpeza
e conservação destes ambientes.
De acordo com o Departamento de Saúde
e Segurança do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE),
a NR-32 possui três grandes eixos. O primeiro é a capacitação
contínua dos trabalhadores; em seguida, definição
dos programas que tratam dos riscos; e, por fim, determinação
das medidas de proteção contra os riscos.
Para que o cumprimento da norma
seja supervisionado periodicamente e as dúvidas esclarecidas,
está sendo criada a Comissão Tripartite Permanente Nacional
da NR-32, formada pelo Governo, empregadores e trabalhadores. A NR-32
está disponível no endereço: www.mte.gov.br/Empregador/segsau/Legislacao/Normas/
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/REGRAS DO JOGO
Projeto proíbe pesquisas 15 dias antes de eleições;
STF tende a julgar medida inconstitucional
Congresso aprova lei que limita campanha
eleitoral
FERNANDA KRAKOVICS, SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Desgastado pela banalização
do caixa dois e pelo escândalo do mensalão, o Senado aprovou
ontem projeto de lei que tenta reduzir os custos das campanhas eleitorais
acabando com os showmícios e simplificando os programas de TV.
Na esteira da proposta, foi proibida a divulgação de pesquisas
de intenção de voto 15 dias antes do pleito. Ficaram de
fora, porém, medidas consideradas moralizadoras, como a definição
de um teto para gastos nas campanhas eleitorais e a prestação
de contas em tempo real na internet. Elas eram defendidas no começo
da crise.
O texto vai à sanção
presidencial. Após entrar em vigor, a sua aplicação
nas eleições deste ano será provavelmente questionada
no STF (Supremo Tribunal Federal), porque a Constituição
exige que as mudanças nas regras eleitorais sejam feitas, ao
menos, um ano antes da disputa. Outro problema são as pesquisas
eleitorais. Se o STF julgar a constitucionalidade da proibição
de divulgação de pesquisas de intenção de
voto nos 15 dias que antecedem as eleições, a tendência
dos ministros será afirmar que a norma viola o princípio
constitucional do direito à informação. Esse é
um dos direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, inscritos
na Constituição: "é assegurado a todos o acesso
à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando
necessário ao exercício profissional".
Medidas
Entre as medidas aprovadas estão a proibição de
showmícios, da apresentação remunerada ou não
de artistas, de propaganda por meio de outdoors, da distribuição
de brindes e camisetas e da exibição de cenas externas
nos programas de TV. Cotado para ser o vice na chapa de Geraldo Alckmin
(PSDB) na disputa presidencial, o relator, senador José Jorge
(PFL-PE), vetou a prestação de contas de campanha, em
tempo real, na internet. "É uma idéia para o futuro,
chegará o momento em que isso será possível. Para
as próximas eleições a versão da Câmara
é mais condizente com a nossa realidade", afirmou José
Jorge, refutando modificação proposta pela senadora Patrícia
Saboya (PSB-CE).
Nesse trecho, o relator manteve o texto
da Câmara, segundo o qual a discriminação das receitas
e despesas dos candidatos será colocada na internet apenas nos
dias 6 de agosto e 6 de setembro, mas sem a identificação
dos doadores. O projeto também estabelece que o tempo de propaganda
eleitoral na TV e no rádio será proporcional ao número
de deputados federais de cada partido resultante da eleição,
e não ao do início da legislatura. A medida visa coibir
o troca-troca partidário.
De autoria do presidente do PFL, senador
Jorge Bornhausen (SC), esse projeto de lei foi proposta em agosto do
ano passado como uma resposta do Congresso ao escândalo do mensalão.
Desde então, saíram do texto original a criação
de um teto para gastos eleitorais, a redução do tempo
de duração da campanha em um mês e a criação
de medidas para punir o tesoureiro, e não só o candidato,
em caso de irregularidades no financiamento e na prestação
de contas. A Câmara havia proibido a propaganda eleitoral por
meio de telemarketing e de anúncios em jornal, mas isso foi restabelecido
pelo Senado.
Aplicação
A aplicação da lei deve ser questionada no STF. Podem
ser autores de uma eventual ação direta de inconstitucionalidade
contra a lei recém-aprovada os partidos políticos, as
entidades civis de caráter nacional, como a OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil), e o procurador-geral da República, Antonio Fernando
de Souza. No julgamento, os ministros deverão examinar artigo
por artigo da lei, para ver o que interfere no processo eleitoral e,
por isso, não pode valer neste ano.
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2006
CONGRESSO
Verba para uma ponte em Aracaju emperrou votação durante
o dia
Planalto cede e oposição
aceita aprovar Orçamento
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo mergulhou ontem no varejo político
e conseguiu finalmente aprovar, às 23h15, o Orçamento
da União deste ano, cujo atraso é o maior desde 1994.
Nas negociações finais, o governo cedeu e uma série
de miudezas regionais tomou o lugar das discussões sobre as despesas
públicas prioritárias a serem -definidas por Executivo
e Legislativo. Em um plenário com cerca de 50 dos 594 parlamentares,
a votação foi simbólica, o que só foi possível
porque todos os acordos já haviam sido fechados. O grande empecilho
do dia foi a verba para uma ponte em Aracaju -R$ 85 milhões,
ou 0,02% da arrecadação federal-, cuja conclusão
está prevista para agosto. O governador João Alves (PFL-SE),
originalmente, nem reivindicava recursos orçamentários
para a obra, mas sim um empréstimo do BNDES.
Comandados pelo ministro Tarso Genro
(Relações Institucionais), que ontem pela manhã
recebeu o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os negociadores
do Palácio do Planalto argumentaram com o governador que um parecer
da Secretaria do Tesouro Nacional vetava o empréstimo, porque
o Legislativo sergipano extrapola os limites de gastos com pessoal fixados
pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Alves teve de ir a Brasília
para uma reunião com o presidente do Congresso, Renan Calheiros
(PMDB-AL), e representantes da equipe econômica que se arrastou
até as 21h30. Ao final, o governador se declarou satisfeito:
disse haver convencido seus interlocutores de que regularizaria em tempo
hábil a situação do Estado.
Como o Orçamento é meramente
autorizativo, a previsão de uma despesa no texto não garante
sua execução, mas os políticos colhem dividendos
em suas regiões ao arrancar compromissos reais ou imaginários
do governo. A bancada amazonense, por exemplo, conseguiu um remanejamento
dos investimentos da Petrobras para viabilizar um gasoduto de Manaus
a Coari. A companhia resistia à obra por considerar excessivo
o preço cobrado pelas empreiteiras. Mas o deputado Pauderney
Avelino (PFL-AM) desdenhou da conquista dos colegas: "São
R$ 110 milhões, não dá para nada. Depois o governo
cancela e o dinheiro não sai".
Liderado pelo senador Antonio Carlos
Magalhães, o PFL baiano empenhou-se em projetos de irrigação
para dois municípios do Estado. Acabou ficando com uma "promessa"
de liberação integral de R$ 170 milhões destinados
pelo Orçamento às áreas de saúde e educação
na Bahia. Na semana passada, o governo também teve de destinar
R$ 5,2 bilhões aos Estados como compensação pelo
fim do ICMS sobre exportações.
Apesar de todo o esforço e desgaste,
o texto aprovado pelos parlamentares vai durar pouco. Já está
em preparação um bloqueio dos gastos na casa dos R$ 20
bilhões, que deverá ser feito por decreto após
a sanção presidencial. O Executivo enviou ao Congresso
um projeto que subestimava as despesas -não havia recursos nem
para o reajuste do salário mínimo para R$ 350. Com as
correções, mais as emendas dos parlamentares, a previsão
de gastos subiu de R$ 391 bilhões para R$ 407,1 bilhões,
e os investimentos passaram de R$ 14,3 bilhões para algo em torno
de R$ 20 bilhões.
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Folha de São Paulo, 19 de abril de
2006
PANORÂMICA - INADIMPLÊNCIA
Dívidas do Natal elevam em 42%
registros do SPC
Os brasileiros não estão conseguindo honrar os compromissos
assumidos no Natal. Passados 90 dias do não-pagamento das dívidas,
41,97% registros a mais foram incluídos no SPC Brasil (Serviço
de Proteção ao Crédito) em março deste ano
em relação ao mesmo mês de 2005. Araken de Carvalho
Novaes, presidente do SPC, ressaltou que a oferta de crédito
consignado corroeu boa parte dos ganhos dos trabalhadores no final do
ano. O volume de inclusões de registros no SPC Brasil superou
em 22,71% o de fevereiro e em 24,5% o de janeiro. (DA FOLHA ONLINE)
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Folha de São Paulo,
19 de abril de 2006
IMPOSTO DE RENDA
Até ontem, 45% prestaram contas ao fisco
Mais da metade não entregou declaração
DA REPORTAGEM LOCAL
Faltando dez dias para terminar
o prazo de entrega, 12 milhões de contribuintes ainda não
fizeram as declarações do Imposto de Renda deste ano.
Até as 18h de ontem, a Receita tinha recebido 10 milhões
de declarações, número equivalente a 45% do total
esperado (22 milhões de documentos). "O brasileiro mais
uma vez deixará para cumprir sua obrigação com
o fisco no último momento. E quem deixa para fazer a declaração
no limite do prazo tem mais chance de cair na malha fina", adverte
Joaquim Adir, supervisor nacional do Imposto de Renda. Quem atrasar
a entrega receberá a notificação da multa no momento
em que for enviar a declaração pela internet. O valor
mínimo da multa é de R$ 165,74; o máximo, de 20%
do imposto devido.
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Matéria regional para conhecimento
JORNAL GAZETA DO POVO, 19 de abril de 2006 |
Política
SALÁRIO-Força Sindical defende aprovação
do piso estadual de R$ 427
Mínimo regional será
votado no início de maio
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão,
disse ontem que a mensagem que prevê a adoção de um
salário mínimo regional no Paraná deve ser votada
na primeira semana de maio. Como o primeiro dia do mês, segunda-feira,
é feriado, a votação deve ocorrer entre 2 e 3 de
maio.
Antes de colocar a proposta em votação,
Hermas quer ouvir representantes dos trabalhadores e do setor produtivo.
Ontem o Legislativo abriu espaço para a Força Sindical
se posicionar sobre o projeto. A central dos trabalhadores é
favorável à aprovação do mínimo regional
no estado. “O Paraná tem hoje o 5.º PIB nacional,
mas ao mesmo tempo os piores índices sociais. O salário
regional muda a condição de quem ganha menos que um salário
mínimo”, disse Sérgio Butka, presidente da Força
Sindical no Paraná.
O sindicalista apresentou dados do Dieese que mostram que 23% da população
paranaense tem renda per capta de até meio salário mínimo,
ou R$ 175. Dentro desse grupo, 6,7% dos trabalhadores têm carteira
assinada, índice menor do que no Rio Grande do Sul, onde há
5,8% de trabalhadores informais e 4,3% em Santa Catarina.
Butka rebateu os argumentos do presidente
da Federação das Indústrias do Estado do Paraná
(FIEP), Rodrigo da Rocha Loures, que disse na segunda-feira que a adoção
do mínimo regional pode causar desemprego e aumento de trabalho
sem carteira assinada. “O mínimo regional melhora o poder
aquisitivo da população, que vai consumir mais, contribuindo
principalmente para a indústria alimentícia e têxtil”,
disse o presidente da Força.
A informalidade, na opinião da
central sindical, é combatida com fiscalização.
Sérgio Butka disse que já conversou com o delegado da
Delegacia Regional do Trabalho, Geraldo Seratiuk, para que a central
sindical e a DRT fechem um acordo para intensificar a fiscalização
dos empregos irregulares no estado. “Informalidade é uma
questão de fiscalização. Não é o
mínimo regional que vai fazer aumentar ou diminuir isso”,
disse Butka.
A Força ainda apresentou o resultado
da implantação do salário mínimo regional
no Rio Grande do Sul. Segundo ele, nos dois primeiros anos, o número
de empregos aumentou 3,3%, e o poder aquisitivo dos trabalhadores teve
um acréscimo de 2%.
Cobrança
Durante a reunião com os
secretários, ontem, o governador Roberto Requião novamente
pediu aos deputados estaduais a votação imediata do salário
mínimo regional. “A minha expectativa é em relação
ao salário mínimo que o trabalhador paranaense está
esperando. Eu queria que a Assembléia Legislativa votasse de
uma vez por todas o salário mínimo dos trabalhadores”,
disse Requião.
Daniela Neves
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Matéria regional para conhecimento
JORNAL GAZETA DO POVO, 19 de abril de 2006 |
Política
DEBATES
Prós e contras
A Assembléia abriu nesta semana o debate sobre as opiniões
a respeito do projeto do governo, apresentado em fevereiro, que cria faixas
variáveis de pisos regionais entre R$ 427 e R$ 437,80 para categorias
não organizadas em sindicatos. Na segunda-feira o presidente da
Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, apresentou argumentos contrários
à aprovação do projeto, durante a sessão plenária.
Na próxima semana, a Assembléia ouvirá representantes
da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), que também é
favorável à adoção do mínimo. Ainda
deverão participar da discussão a Central Única dos
Trabalhadores (CUT), Federação da Agricultura do Estado
do Paraná (Faep), Organização das Cooperativas do
Paraná (Ocepar) e Federação dos Trabalhadores na
Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep).
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Matéria regional para conhecimento
FOLHA DE LONDRINA, 19 de abril
de 2006
Força Sindical defende mínimo
de R$ 437
Mauro Frasson
Sérgio Butka argumentou que o Paraná tem o 5-º PIB
do País e está entre os piores indicadores sociais
Curitiba - A Força Sindical do Paraná defendeu ontem no
plenário da Assembléia Legislativa a aprovação
do salario mínimo regional de R$ 437. O presidente da entidade,
Sérgio Butka, afirmou que a medida, além de beneficiar
cerca de 490 mil trabalhadores no Estado, deve aquecer a economia e
amenizar a desigualdade salarial no Paraná que, segundo dados
do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos
(Dieese), tem o maior índice do Sul do País de trabalhadores
com renda familiar per capita até meio salário mínimo.
Butka argumentou que o novo salário não deve gerar desemprego
e nem aumentar os índices de informalidade. O projeto será
votado na primeira semana de maio, conforme afirmou o presidente da
Casa, deputado Hermas Brandão
(PSDB)
A Força Sindical calcula, com
base em dados do Dieese, que o salário mínimo regional
deve injetar pelo menos R$ 16,5 milhões por mês na economia
paranaense. Já o impacto financeiro para as grandes indústrias,
defendeu Butka na tribuna, será quase nulo porque em sua maioria
elas já pagam piso salarial acima desse valor. Já o impacto
para as pequenas e médias empresas foi calculado pela entidade,
também com base em números do Dieese, em 0,9%. Esse baixo
índice seria justificado no fato de o governo do Estado já
ter reduzido a alíquota de ICMS destas empresas, ‘‘proporcionando
aumento da produtividade e o estímulo ao consumo.’’
O presidente da Força Sindical
relatou aos deputados estaduais que 23,8% das trabalhadoras domésticas
do Paraná, a classe mais afetada pelo novo salário, possuem
renda familiar per capita de meio salário mínimo. Este
é o pior índice do Sul do Brasil. Além disso, Butka
mostrou que 20% dos trabalhadores em geral do Paraná que não
possuem carteira assinada têm renda familiar per capita de meio
salário mínimo. Já entre os trabalhadores com carteira
assinada este índice é de 6,7%. Estes dois índices
também são os piores do Sul do País. ‘‘Temos
os piores indicadores do Sul do País, mas temos o 5º PIB
nacional. É uma incoerência’’, afirmou.
Os exemplos dos estados do Rio Grande
do Sul e do Rio de Janeiro, que já adotaram salários mínimos
regionais ano passado, foram citados pelo presidente da Força
Sindical como modelos que deram certo. No Rio Grande do Sul, afirmou,
mesmo com os ‘‘problemas da estiagem em 2005, com a queda
na produção e na exportação, entre 2004
e 2005, houve crescimento no emprego de 3,3% e aumento na renda de 1,6%
na região metropolitana de Porto Alegre’’. Já
no Rio de Janeiro, explicou, o salário mínimo regional
‘‘teve um efeito indireto nas negociações
coletivas, que aumentaram o valor base dos salários nas negociações,
promovendo aquecimento da economia’’.
Após sua explicação,
Butka não foi questionado pelos deputados.
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de abril de 2006
Requião pede votação
do salário mínimo
Elizabete Castro
Foto: Theo Marques/SECS
Governador quer votar o mínimo, mas a Assembléia prefere
debater o assunto.
O governador Roberto Requião (PMDB) voltou a pedir ontem a votação
da mensagem que encaminhou aos deputados estaduais propondo a votação
do salário mínimo regional em duas faixas, de R$ 427 e
R$ 437.
Há dias, o governador vem tentando apressar a votação,
mas a matéria ainda está em fase de debates na Assembléia
Legislativa. Ontem, foi a vez da Força Sindical expor sua posição
sobre a proposta. O presidente da entidade, Sérgio Butka, defendeu
a aprovação do novo piso com o argumento de que um acréscimo
na massa salarial significa distribuir renda e com isso, vários
setores da economia são impulsionados.
Foi uma resposta à posição da Fiep (Federação
das Indústrias do Paraná), que no dia anterior, segunda-feira,
alegou que o setor industrial não tem como suportar uma elevação
do piso, correndo o risco de redução das vagas de trabalho.
"Melhorar o poder aquisitivo do trabalhador não gera desemprego.
Ao contrário, melhora o lado social e a arrecadação
dos impostos", afirmou o presidente da central sindical.
Butka apresentou números aos deputados sobre os indicadores salariais
do Estado, produzidos pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos SócioEconômicos). De acordo com o representante
da entidade, o Paraná é o estado da região Sul
que tem o maior percentual de famílias com renda per capita de
até meio salário mínimo. Enquanto no Rio Grande
do Sul, essa faixa é de 20,7%, e em Santa Catarina, de 13,7%,
no Paraná, 23,8% dos trabalhadores têm média salarial
mensal menor que um salário mínimo, comparou o líder
sindical.
Ele disse ainda que a informalidade - trabalhadores sem carteira assinada
- não tem relação direta com o aumento do salário
mínimo, como sugeriu o presidente da Fiep, Rodrigo Rocha Loures.
Para Butka, falta fiscalizar as empresas que usam a mão-de-obra
sem reconhecer os direitos dos trabalhadores. Ele afirmou que, em noventa
dias, as entidades sindicais vão firmar um convênio com
a Delegacia Regional do Trabalho para implantar um programa de fiscalização
da informalidade.
Hoje, será a vez da Fetaep (Federação dos Trabalhadores
da Agricultura do Estado do Paraná) debater a proposta com os
deputados. Na próxima segunda-feira, está prevista a intervenção
da CUT e Faep (Federação da Agricultura do Paraná).
Ontem, o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão
(PSDB), recebeu um pedido da Nova Central de Trabalhadores, criada no
Paraná em 2005, para participar da rodada de audiências.
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O ESTADO DO PARANÁ,
19 de abril de 2006
Mínimos regionais
Editorial do Jornal O Estado do Paraná
Quando acabaram com os salários
mínimos regionais no Brasil, buscou-se fazer justiça.
Entendia-se que como todos os brasileiros são iguais perante
a lei, se é necessário fixar uma remuneração
mínima por seu trabalho, que seja a mesma para todos. Cabe aqui,
forçando um pouco, aplicar a regra da igualdade enunciada por
Rui Barbosa para evidenciar um equívoco. E equívoco não
apenas improdutivo, mas até prejudicial para o desenvolvimento
nacional e especialmente regional. Rui dizia que “a regra da igualdade
consiste em aquinhoar desigualmente os desiguais, na medida em que se
desigualam”.
Não é preciso ser versado em economia e conhecedor profundo
da economia brasileira para saber, desde logo, que regionalmente o Brasil
mantém profundas desigualdades econômicas e sociais. Não
se há de comparar um Rio Grande do Sul ou um Paraná com
um Piauí ou Maranhão. E São Paulo se diferencia
de todas as outras unidades da federação, seja em abundância
de riquezas, em produção, como em chocantes diferenças
sociais. No estado que é comparado a uma locomotiva que puxa
o País, todas as soluções e todos os problemas
tendem a maximizar-se.
Essas diferenças gritantes e reais entre os estados indica que
a igualdade está em desigualar os desiguais, não porque
os trabalhadores de cada um deles não sejam merecedores de iguais
remunerações mínimas, mas em razão de que
são diferentes e, às vezes, abismalmente distintas as
condições de pagar.
Há municípios, principalmente no Nordeste brasileiro,
que a economia gira em torno das aposentadorias e pensões pagas
pela previdência social pública. O maior produtor é
o INSS e dos parcos proventos que paga vivem as economias locais.
O relator da Comissão Mista Especial do Salário Mínimo,
senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul, um velho lutador por
um mínimo mais digno para os trabalhadores e parlamentar tão
ativo na luta pelo proletariado que chegou a desentender-se até
com seu próprio partido e o governo Lula, no episódio
da reforma da Previdência, esteve em Curitiba com seus pares para
a primeira audiência pública daquela comissão, fora
de Brasília. Aqui encontrou o que já existe no Rio Grande
do Sul e Rio de Janeiro. Uma proposta de salário mínimo
regional feita pelo governador Roberto Requião variável
entre R$ 427,00 e R$ 437,80, ampla, mas não completa, pois desde
logo exclui os servidores públicos e outras categorias.
Nem é preciso dizer que um salário mínimo regional
superior ao salário mínimo nacional, ou melhor, federal,
ditado pela União, que agora chega a R$ 350,00, no Paraná
se justifica plenamente. Não somos um mar de rosas, mas este
é um dos estados mais ricos do País. Justifica-se, portanto,
que seu mínimo seja superior a estados que vivem com maiores
dificuldades. Paim e sua comissão apoiaram a proposta de Requião
e apoiarão, certamente, outras iniciativas dessa ordem que possam
ser tomadas em outros estados, como já aconteceu no Rio e no
Rio Grande do Sul.
Argumentos para isso não lhe faltam, mas destacou um que é
decisivo. O novo salário mínimo regional paranaense beneficiará,
segundo calcula-se, 390 mil trabalhadores. Isso significará uma
injeção de R$ 16,5 milhões no poder de compra desse
contingente de trabalhadores, dinheiro que vai circular no comércio,
na indústria, no setor de serviços. Isso não é
gastar, mas promover o desenvolvimento econômico.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19 de abril de 2006
| Paraná
CASCAVEL
Operário morre eletrocutado
O colador de painéis Antônio Carlos Domingues, 23 anos,
morreu eletrocutado no fim da tarde de ontem. Ele era funcionário
de uma empresa de Maringá e estava trabalhando na colocação
de um outdoor nas margens da BR-467, no distrito de Sede Alvorada, quando
ocorreu o acidente. Quando os paramédicos do Siate chegaram,
já o encontraram morto. Com a descarga elétrica, Domingues
caiu de uma altura de três metros.
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FOLHA DE LONDRINA, 19 de
abril de 2006
Grupo monta projeto para zerar dívida
Atualmente 95% da dívida do País
é interna e só 5% externa

Há 11 anos, a dívida pública do Brasil era de R$
146 bilhões. Hoje, esse número alcança a casa dos
R$ 3 trilhões. Mais dívida implica menos desenvolvimento
e conseqüentemente mais miséria. Pensando em reverter esse
cenário, um grupo de economistas e advogados montou um projeto
para liquidar a dívida pública do País. O ‘‘Brasil
sem dívidas: um modelo para reflexão’’ tem
por objetivo conscientizar a sociedade e apresentar uma saída
para o problema.
O projeto prevê que em cinco anos
a dívida de pelo menos 22 Estados estaria quitada. O grupo avaliou
que, utilizando os recursos que passam pelos cofres públicos,
seria possível montar um processo de liquidação
da dívida.
Segundo o economista Almir Rockenbach,
a idéia de criar um projeto de liquidação de dívida
surgiu após a tentativa, frustrada, do grupo de amigos em construir
uma proposta de desenvolvimento econômico, segundo as vocações
regionais de cada Estado. Porém, a tentativa esbarrou no endividamento
público que, por sua vez, ‘‘engessou’’
os governos e provocou a paralisação em todas as áreas,
como educação, saúde, tecnologia, cultura e segurança.
‘‘Bom, então
observamos que para colocar em prática um projeto de desenvolvimento
que atenda toda a comunidade, seria necessário antes de qualquer
coisa, montar um plano de equacionamento da dívida, pois com
esse problema fica difícil pensar em desenvolvimento’’,
avaliou o economista. Atualmente 95% da dívida do País
é interna e só 5% externa.
Num primeiro momento, o grupo avaliou
os balanços de cada Estado e da União, com o objetivo
de encontrar a suficiência para pagamento dessa dívida.
‘‘Se você pretende pagar uma dívida é
preciso ter suficiência financeira’’, adiantou. A
princípio não foi encontrado suficiência nem no
governo estadual, nem no federal. ‘‘Os estados são
obrigados a pagar à União, pela forma como foi contratada
a dívida, um percentual do que arrecada com os tributos. Nesse
processo de transferência de recursos os governos ficam engessados
e impossibilitados de investir’’, disse Rockenbach.
Depois de analisar melhor os balanços
de cada estado, o grupo encontrou números que poderiam ser um
princípio da suficiência. ‘‘Observamos que
da receita tributária total e do custeio, havia uma sobra, pois
o governo anuncia o superávit primário, que nada mais
é da receita menos despesa’’, explicou.
Diante disso, o grupo passou a defender
a idéia de que seja utilizada uma parte dos excedentes de recursos
que passam pelos cofres públicos, e que portanto compõem
o superavit primário, para atender um programa de liquidação
da dívida dos estados.
Conforme Rockenbach, o prazo de cinco
anos indica que se fosse disponibilizado R$ 22 bilhões anualmente
e instalado um fundo de recuperação das finanças
públicas, esse dinheiro seria suficiente para liquidar a dívida
de 22 estados. ‘‘Pelos dados de 2004, esses estados devem,
juntos, perto de R$ 85 bilhões. R$ 22 bi, em cinco anos, dá
R$ 110 bi, é aí que está a suficiência’’,
disse. Como o dinheiro entra mês a mês, segundo o economista,
a saída seria utilizar esses recursos de forma lenta e gradual,
pagando a dívida do estado que deve menos para o que deve mais.
De acordo com o economista, o
objetivo é apresentar esse projeto a diversas entidades de classe,
sindicatos, formadores de opinião, que possam servir de canal
para que as idéias cheguem ao governo. ‘‘Hoje o governo
está dizendo que não dá para fazer, mas nós
estamos apresentando uma proposta, um contraponto’’, frisou.
O grupo pretende também conscientizar a sociedade civil através
de palestras e seminários. E, em breve, deverá lançar
uma cartilha explicativa.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 19 de março de 2006 | Economia
Países da América Latina
crescerão mais do que Brasil em 2006
Segundo a Cepal, o PIB dos países da
América Latina e Caribe crescerá 4,6%. A Argentina liderará
o crescimento no Cone Sul, com expansão de 7,5%. Para o Brasil,
a Cepal projeta um crescimento de 3,5%
Marina Guimarães
BUENOS AIRES - O Produto Interno Bruto (PIB)
dos países da América Latina e Caribe crescerá
4,6% durante 2006, um pouco superior à cifra do ano passado,
segundo projeções da Comissão Econômica para
a América Latina e Caribe (Cepal), publicadas nesta terça-feira,
em Santiago do Chile. Nestes limites, o Cone Sul (Argentina, Chile,
Paraguai, Uruguai) e a Comunidade Andina são as regiões
com uma maior taxa de expansão, com 6,9% e 5,7%, respectivamente,
sendo que a Argentina liderará o crescimento no Cone Sul, com
expansão de 7,5%. Para o Brasil, a Cepal projeta um crescimento
de 3,5%.
Segundo a Cepal, o prolongamento das
boas condições internacionais favorecerá o crescimento
em 2006. "O dinamismo do intercâmbio comercial mundial, liderado
pelas economias asiáticas, tem permitido a manutenção
dos elevados preços dos produtos básicos", destacou
o documento, completando que estes fatores, "somados à demanda
interna ativa, continuarão sendo os principais impulsionadores
da expansão latino-americana".
A comissão estimou ainda que a
inflação se manterá em um nível similar
ao observado em 2005, em torno de 5% e 7%. "Este nível,
historicamente baixo, se espera ainda em um contexto no qual os preços
da energia continuarão sendo altos", observou.
A Cepal estima ainda que o crescimento
dos Estados Unidos será levemente inferior ao 3,5% do ano passado,
aproximando-se a 3%. Em contrapartida, se espera que as economias européias
acelerem moderadamente seu crescimento de maneira persistente durante
o segundo semestre do ano.
O documento também diz que Ásia,
novamente, será a zona mais dinâmica, já que Japão
conseguiria taxas de crescimento próximas a 3% e China e Índia
manteriam seu elevado crescimento, fechando o ano com taxas da ordem
de 9% e 7%, respectivamente.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 19 de março de 2006 | Economia
Banco Central prevê que economia
indiana crescerá 8%
Os juros do país foram mantidos em 5,75%,
ao passo que a inflação está prevista entre 5%
e 5,5%
EFE
NOVA DÉLHI - A economia da Índia
continuará crescendo entre 7,5% e 8% no atual ano fiscal devido
ao bom comportamento dos setores de serviços, industrial e agrário,
indicou nesta terça-feira o Banco Central do país.
A máxima autoridade monetária do país manteve as
taxas de juros em 5,75%, contrariando as previsões dos analistas,
apesar dos temores de uma escalada inflacionária por causa dos
elevados preços do petróleo.
O Banco Central prevê uma inflação
de 5% a 5,5% para o ano fiscal 2006-2007, que começou em 1º
de abril, mas continuará vigiando a possível subida dos
preços devido à volatilidade dos valores do petróleo.
"A política monetária
da instituição tem como objetivo garantir uma situação
com taxas de juros que permitam manter o crescimento, além da
estabilidade dos preços", indicou o Banco Central indiano.
A autoridade monetária indiana anunciou a criação
de novas infra-estruturas como fator fundamental para o crescimento
industrial e para alcançar as metas do Produto Interno Bruto
(PIB) no ano fiscal 2006-2007.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 19 de março de 2006 | Economia
Pessimismo do consumidor cresce em SP
Segundo a Fecomercio-SP, o Índice de
Confiança do Consumidor caiu 3,7% de março para abril
Flavio Leonel
SÃO PAULO - Pesquisa divulgada
nesta terça-feira pela Federação do Comércio
do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) apontou que o consumidor
da Região Metropolitana está mais pessimista com a situação
econômica do Brasil. De acordo com a entidade, o Índice
de Confiança do Consumidor (ICC) apresentou queda de 3,7% em
abril sobre março, registrando 133 pontos em uma escala que vai
de 0 a 200. Na comparação com igual período de
2005, quando o ICC atingiu 142 pontos, houve retração
ainda mais expressiva, de 6,3%.
De acordo com a Fecomercio-SP, o resultado
foi influenciado pela variação negativa do Índice
de Expectativas do Consumidor (IEC), que ficou em 135,2 pontos (o que
representou queda de 5,4% ante o mês anterior), e pela queda do
Índice de Condições Econômicas Atuais (ICEA),
que apresentou redução de 0,8%, em relação
a março, com 129,8 pontos. O IEC indica a percepção
do consumidor em relação ao futuro, enquanto o ICEA mede
o grau de otimismo dele em relação ao presente.
Resultado menor
A entidade paulista destacou que os consumidores
com renda inferior a 10 salários mínimos se mostraram
menos confiantes em relação à situação
do Brasil no médio e longo prazos, com baixas de 9% e de 13%,
respectivamente. Segundo os técnicos da Fecomercio-SP, esse foi
um dos fatores que contribuíram para a retração
no IEC, que também foi influenciado pelo maior pessimismo quanto
ao campo "Situação de sua Família" para
12 meses (queda de 3,7%).
Já a redução de
0,8% no ICEA, segundo a entidade, foi conseqüência da baixa
confiança do consumidor com rendimentos inferiores a 10 salários
mínimos no que diz respeito também ao campo que avalia
a situação familiar. Na avaliação da Fecomercio-SP,
isso ocorre em virtude do alto nível de endividamento do consumidor,
o que compromete a renda e o impede de assumir novas dívidas.
De acordo com o presidente da Fecomercio-SP,
Abram Szajman, a pesquisa demonstra o cenário atual da limitada
capacidade de compra do consumidor. "A retração do
ICC deixa claro que a tímida expansão da renda tem reduzido
o poder de compra do brasileiro, que já se encontra altamente
endividado", disse, em nota à imprensa.
Para Szajman, se a percepção
do consumidor não se alterar nos próximos meses, é
provável que o ICC apresente uma trajetória de queda mais
acentuada do período atual em diante.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 19 de março de 2006 | Economia
Estimativa para déficit da Previdência
cai R$6 bilhões
Segundo o secretário-executivo do Ministério
do Planejamento, um dos responsáveis pela economia é o
recadastramento dos aposentados
Renata Veríssimo e Fabio Graner
BRASÍLIA - O recadastramento dos
aposentados é um dos responsáveis pela queda de R$6 bilhões
nas estimativas do déficit da Previdência deste ano. Segundo
informou o secretário-executivo do Ministério do Planejamento,
João Bernardo, o rombo, previsto em R$ 50 bilhões no final
do ano passado, deve fechar 2006 entre R$43 bilhões e R$ 44 bilhões,
segundo a última estimativa.
Bernardo explicou que apenas o recadastramento
dos primeiros 100 mil aposentados e pensionistas trará uma economia
anual de R$ 1,2 bilhão. O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
disse que a tendência é que haja uma estabilidade dos gastos
com a Previdência. "Isto caminha para um controle."
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
19 de abril de 2006 | Economia
Banco Popular diz que já efetuou
2,2 mi de empréstimos
BRASÍLIA - Cerca de 1,5 milhão
de pessoas de baixa renda teve acesso a uma conta bancária por
meio do Banco Popular do Brasil, segundo dados da estatal. Em um ano
e meio de funcionamento, o banco concedeu mais de 2,2 milhões
de empréstimos.
A média é de R$ 100 por
pessoa, de acordo com o diretor presidente da instituição,
Robson Rocha. O Banco Popular, subsidiário do Banco do Brasil,
segundo Rocha, tem na sua missão duas vertentes: promover a inclusão
bancária e democratizar o acesso ao crédito da população
de baixa renda.
"O objetivo é o oferecer
a uma grande parcela da população a oportunidade de abrir
uma conta. Não precisa comprovar renda e nem endereço,
basta apenas o CPF e o documento de identidade. É muito fácil,
é exatamente para esse público de menor renda que muitas
vezes não consegue abrir conta no banco tradicional", afirmou.
Robson Rocha informou que já foram
emprestados R$ 227 milhões. Destes, R$ 142 milhões já
foram pagos. Além da conta corrente, o banco também oferece
um seguro de vida popular e o Microcrédito, que concede empréstimos
para clientes de baixa renda, entre R$ 50 a R$ 600 a juros máximos
de 2%.
"Isso que devemos perseguir, chamamos
de microfinanças, que é o microcrédito", disse".
Microfinança é a disponibilidade de todos os produtos
e serviços bancários a esse público", acrescentou.
O diretor presidente ressalta que o sistema do banco popular só
funciona por meio de cartão de saque.
Não são oferecidos talões
de cheque. "Nós devemos entender que o cliente não
comprova renda e também não há necessidade de comprovação
de endereço", destacou. Quase cinco mil pontos de atendimento
do Banco Popular do Brasil estão espalhados por cerca de 1.200
municípios brasileiros.
"O que o Banco do Brasil fez ao
criar o Banco Popular foi permitir que essa população
pudesse ter acesso à tecnologia porque esse cliente vai ao ponto
de atendimento que funciona através de correspondência
bancária, ou seja, dentro de farmácias, dentro de supermercados,
de lojas populares. O banco funciona nesses ambientes com seus terminais
de computador", explicou Rocha.
"Naquele momento, a pessoa pode
fazer um depósito para um parente ou por qualquer outra pessoa
em qualquer outro ponto do país na mesma hora, ou seja, toda
a tecnologia moderna que o sistema bancário tem também
está instalada, hoje, em favor do pessoal de menor renda",
completou.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
19 de abril de 2006 | Economia
Empresas e cidadãos podem ajudar
os jovens em risco
BELO HORIZONTE - Empresários e
contribuintes do Fundo da Infância e Adolescência (FIA)
se reuniram na sede da Federação das Indústrias
do Estado de Minas Gerais, nesta terça-feira, para conhecerem
os resultados da Campanha Fundo Amigo 2005 da Fundação
Telemig Celular.
A campanha é uma ação
permanente para divulgar a possibilidade de renúncia fiscal por
parte de pessoas físicas e jurídicas à fundos de
apoio à infância e adolescência. Empresas podem destinar
até 1% de seu imposto de renda devido e pessoas físicas
até 6%.
O governo deixa de arrecadar, em favor
de programas e ações em benefício de crianças
e adolescentes. Segundo levantamento feito pelo Instituto Telemig celular
o número de contribuições estão aumentando.
De 2000 a 2005, em Minas Gerais, o volume de recursos destinados, via
incentivo fiscal, cresceu mais de 4200%.
Para o Diretor Executivo do Instituto,
Marcus Fuchs, este número deve crescer ainda mais. “Apenas
8% do potencial das empresas mineiras estão sendo utilizados
por falta de conhecimento da renúncia fiscal. Nossa meta é
divulgar, estimular e orientar as empresas sobre o uso adequado desses
incentivos”, afirma.
Dos 853 municípios mineiros, 324
têm conselhos e 126 têm fundos municipais para arrecadar
recursos. “Os recursos podem ser destinados ao município
de escolha do empresário, onde será gerido por um conselho
em que sociedade civil e governo participam”, explica Fuchs.
Quando destina recursos para um Fundo
da Criança e do Adolescente, uma empresa ou um cidadão
amplia a quantidade de dinheiro disponível para projetos sociais.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/04/2006
Pagamento proporcional do salário
mínimo depende de acordo
Não existe impedimento legal para o pagamento do salário
mínimo de forma proporcional às horas trabalhadas pelo
empregado desde que exista um ajuste contratual expresso nesse sentido.
A ausência de acerto entre as partes pressupõe o pagamento
do valor integral do salário mínimo. Esse entendimento
foi aplicado pela Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho ao
deferir recurso de revista a uma merendeira que trabalhou para a Prefeitura
de Coreaú, município cearense.
A decisão do TST, relatada pelo
ministro Carlos Alberto Reis de Paula, modifica acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 7ª Região (com jurisdição
no Ceará) que reconheceu o direito da trabalhadora ao pagamento
das diferenças salariais. O cálculo dos valores, entretanto,
foram feitos com base em 50% do salário mínimo, pois a
jornada de trabalho da merendeira era de quatro horas diárias.
Durante o exame do tema, o relator observou
a inexistência de comprovação que indicasse o acerto
entre as partes em torno do pagamento proporcional do salário
mínimo. A constatação levou o ministro Carlos Alberto
a reconhecer e determinar o pagamento das diferenças salariais,
com base em alguns precedentes do TST.
“Não comprovada a existência
de ajuste prévio e expresso, no sentido de pagar salário
mínimo proporcional ao tempo de serviço prestado, inafastável
o reconhecimento do direito às diferenças salariais decorrentes
dos valores efetivamente pagos e o valor do salário mínimo”,
registrou o relator ao acrescentar, em seu voto, ementa de outro processo,
relatado pelo ministro João Oreste Dalazen.
No mesmo julgamento, a Terceira Turma
negou recurso do município e manteve a parte da decisão
regional que reconheceu o direito da trabalhadora à reintegração
no emprego. O retorno aos quadros do município foi determinado
diante da constatação de que, desde 5 de maio de 1982,
a merendeira prestava serviços à Prefeitura de Coreaú.
A prova dos autos indicou que,
à época da promulgação da Constituição,
a merendeira já contava com mais e cinco anos continuados de
trabalho, situação que lhe assegurou a estabilidade no
emprego prevista no art. 19 do Ato das Disposições Transitórias
do mesmo texto constitucional.(RR 739790/2001.9)
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19/04/2006
Extinção de filial afasta estabilidade
de membro da CIPA
A previsão de estabilidade provisória
ao empregado que integra a Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes (CIPA) não é uma vantagem pessoal, mas uma
garantia para as atividades dos membros da Comissão. “A
estabilidade só tem razão de ser quando em atividade a
empresa”. Com essa jurisprudência, citada pelo ministro
Lélio Bentes Corrêa (relator), a Primeira Turma do Tribunal
Superior do Trabalho deferiu recurso de revista à Perdigão
Agroindustrial S/A. A empresa tinha sido condenada a indenizar um empregado
membro da CIPA, que demitira após fechamento de filial.
A dispensa do trabalhador foi considerada
ilegal pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(com sede na cidade de Campinas-SP), que garantiu-lhe o pagamento dos
salários correspondentes ao período que faltou para completar
seu mandato (de abril de 2002 a janeiro de 2003). Também condenou
a Perdigão a quitar os salários dos 12 meses subsequentes,
acrescidos de reflexos, FGTS, multa de 40%, férias e 13º
salário.
O TRT entendeu que o direito da empresa
fechar a filial não poderia impedir o trabalhador de receber
os salários relativos ao período de seu mandato na CIPA.
Admitir o contrário, segundo o órgão de segunda
instância, significaria transferir o risco do negócio ao
empregado, “o que é vedado por nosso ordenamento legal”.
No TST, contudo, prevaleceu a jurisprudência
consolidada sobre o tema, inscrita em sua Súmula nº 339,
item II, que condiciona a estabilidade provisória do membro da
CIPA ao funcionamento da empresa. “Extinto o estabelecimento,
não se verifica a despedida arbitrária, sendo impossível
a reintegração e indevida a indenização
do período de estabilidade”, prevê a Súmula.
No caso concreto, o ministro Lélio
Bentes observou que a indenização deferida pelo TRT ao
trabalhador, correspondente ao mandato na CIPA, era indevida em razão
do fechamento do estabelecimento. Esse entendimento, segundo o relator,
“aplica-se igualmente aos casos relacionados à extinção
de filial da empresa”.
(RR 1663/2002-035-15-00.3)
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EDIÇÃO
DO DIA 18/04/2006
D. Oficial: 11211
D. Justiça: 11204


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