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Agência Senado, 26 de abril de 2006
Trabalhadores estão dispostos
a sacrificar 2,9 mil empregos para salvar Varig, afirma representante
de empregados
Os empregados da Varig estão dispostos a aceitar cortes no número
de empregos na companhia como contribuição ao plano de
recuperação da empresa. Para adequar o quadro às
condições operacionais do momento, eles aprovam uma redução
de 2.900 postos, como revelou o coordenador dos Trabalhadores do Grupo
Varig, Márcio Marsillac, em audiência pública realizada
no Senado, nesta terça-feira (25), para debater a crise e apontar
alternativas destinadas a salvar a companhia da falência.
O plano envolve ainda uma negociação
para que os empregados remanescentes abram mão de 30% de seus
salários, acrescentou Marsillac. No depoimento, ele pediu pressa
e uma ação "proativa" do governo para que se
mantenha a empresa viva. Argumentou que a demora pode complicar seriamente
o quadro atual, agravado pela redução da entrada de recursos
no caixa da empresa em razão da queda sazonal do movimento no
setor, nos primeiros meses do ano.
A audiência foi promovida por quatro
comissões: Serviços de Infra-estrutura (CI), Assuntos
Econômicos (CAE), Assuntos Sociais (CAS) e Desenvolvimento Regional
e Turismo (CDR). Os debates serão retomados na próxima
semana, com a presença da ministra-chefe da casa Civil, Dilma
Rousseff, entre outros representantes do governo que serão convidados
a manifestar-se sobre a crise.
Marsillac criticou a intervenção
no fundo Aerus, dos empregados da Varig, pela Secretaria de Previdência
Complementar do Ministério da Previdência Social. A decisão,
como explicou, impede a execução do plano de recuperação
proposto pelos empregados. A proposta implicava mobilizar recursos do
fundo para as indenizações dos empregados que seriam dispensados,
além de assegurar a recuperação e recolocação
em linha de dez aeronaves, medida considerada fundamental para a recuperação
do fluxo de caixa.
No depoimento, Marsillac lembrou que
a empresa já chegou a operar vôos deficitários,
para a África, apenas para atender interesses diplomáticos
do Brasil. Também salientou que os trabalhadores reconhecem que
os atuais problemas da companhia foram causados por gestão inadequada
e até temerária. No entanto, fez questão de destacar
prejuízos provocados por erros de políticas de governo,
como no congelamento tarifário do Plano Cruzado. Por decisão
da Justiça, conforme Marsillac, essa questão garante à
Varig indenização da ordem de R$ 6,8 bilhões.
- A empresa tem crédito moral
de sobra para com país e com sociedade brasileira, mas também
créditos de ordem econômica e financeira ; e é isso
o que vai garantir a recuperação da Varig- argumentou.
Mantra
O presidente do Sindicato Nacional dos
Aeronautas, Elnio Borges, criticou o "mantra", segundo ele
repetido por autoridades e até por sindicalistas da Central Única
dos Trabalhadores (CUT), de que dinheiro público não será
usado para salvar a Varig. Garantiu que os planos para a recuperação
da empresa não passam por esse caminho e que as interpretações
nessa linha - como denunciou - camuflam interesses a favor da falência
da empresa, de sua entrega a concorrentes ou de sua venda, "na
bacia das almas", para especuladores.
Borges citou como fato estranho a decisão
da BR – estatal vinculada à Petrobras - de suspender a
oferta de crédito para a venda de combustível à
companhia. Isso ocorreu, segundo ele, apenas um mês depois de
firmado um acordo entre a Varig e seus credores para ampliação
do prazo das dívidas, em janeiro. Também criticou a intervenção
no fundo Aerus, impedindo a mobilização de recursos de
curto prazo para socorrer a empresa.
- Os trabalhadores consideram criminosa
a intervenção - afirmou Borges, observando que seria usado
apenas um quarto das reservas disponíveis do fundo no reforço
ao caixa da Varig.
O diretor-geral da Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Sérgio
Silveira Zuanazzi, contestou críticas à falta de apoio
do governo para salvar a empresa. Segundo ele, esse apoio vem ocorrendo
há muitos governos, do contrário o "desfecho"
da situação da empresa já teria sido outro. O que
está em questão, como afirmou, diz respeito à forma
de capitalização da empresa - se o aporte de recursos
virá do governo ou do setor privado.
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Agência Diap, 26 de
abril de 2006
Acidentes do Trabalho
Atos relembram o Dia Mundial em Memória
das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho
Nesta sexta-feira, 28 de abril, em todo o mundo será lembrado
o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças
do Trabalho. A data relembra o outro lado do trabalho: o que acidenta,
incapacita e mata. No Brasil, os números apontam para uma guerra
invisível em que morrem todos os anos, três mil trabalhadores
- uma morte a cada duas horas de trabalho - e outros 300 mil se acidentam
- três acidentes a cada minuto trabalhado.
Em São Paulo inúmeras atividades
serão realizadas pelo governo, entidades sindicais e movimentos
sociais. Os eventos serão realizados ao longo da semana e se
estenderão até o dia 2 de maio. O objetivo dos eventos
é dar visibilidade a esse grave problema de saúde pública
e sensibilizar os meios de comunicação e a sociedade civil
para que coloquem os temas relacionados à Saúde do Trabalhador
na sua agenda diária.
Dados da Dataprev indicam, em 2004, houve
7.405 amputações de mãos entre os cerca de 23 milhões
de segurados do Seguro de Acidentes do Trabalho que representam menos
de um terço da população economicamente ativa,
estimada hoje em 83 milhões de trabalhadores. Os números
de acidentes e doenças, portanto, são muito maiores do
que apresentam os dados oficiais.
São gastos R$ 32,8 bilhões
por ano, segundo dados da Previdência Social, com benefícios
por incapacidade temporária ou permanente, considerando-se que
parte majoritária da assistência é prestada pelo
Sistema Único de Saúde (SUS), que os benefícios
por incapacidade temporária ou permanente são arcados
pelo Ministério da Previdência Social e que parcela dos
trabalhadores passa a ser beneficiária da Assistência Social.
Por que 28 de abril?
Em 2003, a Organização
Internacional do Trabalho (OIT ) adotou o 28 de abril como o dia oficial
da segurança e saúde nos locais de trabalho. O movimento
começou no Canadá e espalhou-se por diversos países
organizado por sindicatos, federações, confederações
locais e internacionais, entre elas a Confederação Internacional
das Organizações Sindicais Livres - CIOLS - e o Conselho
Sindical da Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico - TUAC/OCDE.
Em maio de 2005, foi instituído
o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças
do Trabalho, a ser celebrado em 28 de abril a cada ano, pela Lei nº
11.121/05, oriundo do PL nº 856/03, de autoria do deputado Roberto
Gouveia (PT/SP).
Dados da OIT
Segundo estimativas da OIT, ocorrem anualmente
no mundo, cerca de 270 milhões de acidentes de trabalho, além
de aproximadamente 160 milhões de casos de doenças ocupacionais.
Essas ocorrências chegam a comprometer 4% do PIB mundial. Em um
terço desses casos, cada acidente ou doença representa
a perda de quatro dias de trabalho.
Dos trabalhadores mortos, 22 mil
são crianças, vítimas do trabalho infantil. Ainda
segundo a OIT, todos os dias morrem, em média, cinco mil trabalhadores
devido a acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho.
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Nova Central, 26 de abril
de 2006
Desemprego aumenta na Grande SP e renda
cai, revela pesquisa
O desemprego na Grande São Paulo subiu de 16,3% da População
Economicamente Ativa (PEA), em fevereiro, para 16,9% em março.
O dado, divulgado nesta terça-feira pela Fundação
Seade em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticos
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), é considerado como
"normal para o período" segundo ambas instituições.
Em janeiro, a taxa havia ficado em 15,7%, e, em março do ano
passado, em 17,3%.
Segundo a pesquisa, não foi somente
o número de vagas que apresentou queda de fevereiro para março.
O fenômeno também foi percebido no rendimento médio
real dos ocupados e assalariados, que foi reduzido em 1,64% e 2,4%,
respectivamente. Com a diminuição, a média ficou
em R$1.072 e R$1.140.
O contingente de desempregados passou
de 1,64 milhão em fevereiro para 1,69 milhão no terceiro
mês deste ano. Esse aumento foi resultado do corte de 118 mil
ocupações e pela criação de 69 mil postos
de trabalho. O setor que mais encerrou vagas foi o Comércio,
com corte de 61 mil pessoas. A indústria, por sua vez, demitiu
32 mil de seus funcionários, ao passo que, em terceiro lugar,
figurou o setor de Serviços, com extinção de 29
mil vagas.
Sazonalidade
O crescimento do desemprego foi qualificado
como "sazonal" (específico desta época do ano)
pelos técnicos de ambas as instituições. "Tivemos
um primeiro trimestre típico, com expansão do desemprego
na Grande São Paulo, como constatado em anos anteriores",
informou o gerente de Análise da Pesquisa de Emprego e Desemprego
(PED), pela Fundação Seade, Alexandre Loloian.
A expectativa é que, em 2006,
a taxa diminua, mas, segundo os mesmos especialistas, ainda não
é possível estimar em quanto poderá se posicionar
a taxa de desemprego no final do ano. Eles admitem, com base no mesmo
comportamento histórico, que o desemprego possa diminuir já
a partir de abril, ou no mais tardar, em maio.
"É natural que a taxa de
ocupação cresça a partir de abril ou maio. Isso,
necessariamente, pode não se refletir na taxa de desemprego,
porque é também neste período que muitas pessoas
voltam a procurar trabalho e, nessas circunstâncias, a taxa de
desemprego pode se estabilizar ou até crescer", ponderou
a assessora especial da Diretoria Técnica do Dieese, Patrícia
Lino Costa. "O importante é que a ocupação
volte a crescer", reiterou ela.
Cenário positivo
Na visão de Loloian, o cenário
econômico do País ainda se mostra positivo para o mercado
de trabalho, por conta de ser este um ano eleitoral, haver perspectiva
de queda dos juros e, mais relevante ainda, indicações
de continuidade do crescimento da economia mundial.
As dúvidas, segundo ele, prevalecem
sobre os riscos de ser deflagrada uma crise do petróleo, capaz
de comprometer o crescimento econômico global, e o comportamento
do câmbio, considerado, no meio empresarial, o real valorizado
ante o dólar.
"Ainda temos a grande variável
dos investimentos no Brasil. Porque, sejamos claros, investimento não
depende só de juros, mas dos rumos da economia traçados
pela política econômica e de um ambiente favorável
aos investimentos. Não há ainda esse clima para investimentos",
opinou, ao justificar que esse será o fator primordial a ditar
a queda do índice de desemprego.
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Folha de São Paulo,
26 de abril de 2006
ESCÂNDALO DO MENSALÃO/ O PRESIDENTE
Para senador, requerimento assinado por 35 parlamentares não
tinha "fato determinado"
Renan veta "CPI do Lula" e alivia
pressão sobre petista
LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Alegando a inexistência de um fato
determinado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), arquivou
ontem o requerimento para criar a "CPI do Lula", que contava
com a assinatura de 35 senadores, oito a mais do que o necessário.
O pedido, do senador Almeida Lima (PMDB-SE), apontava como alvo das
investigações cinco itens. Entre eles, o pagamento de
uma dívida do presidente e de pessoas próximas a ele pelo
presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, e denúncias contra familiares
de Luiz Inácio Lula da Silva.
Apesar de parte dos senadores da oposição
ter assinado o requerimento, o arquivamento já era esperado,
até para evitar que a CPI dos Bingos ficasse esvaziada. A comissão
já tenta investigar alguns desses temas -embora já esteja
definhando.
Para os governistas, que querem tirar Lula do foco da crise, a decisão
foi positiva. O presidente do Senado citou parecer da CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça), que em 1996 foi usado
para arquivar o pedido de criação da CPI dos Bancos.
O argumento era que a falta de objetivo preciso da comissão poderia
levar frustração, e não esclarecimento, à
opinião pública. Renan ainda justificou sua decisão
dizendo que os temas listados no requerimento estão sendo ou
já foram objetos de investigação.
"Para a constituição
de CPI, o fato determinado é essencial, é sagrado. Listar
fatos difusos, desconexos ou pulverizados na tentativa de viabilizar
sua instalação não encontra respaldo na Constituição
nem nos regimentos das Casas legislativas e menos ainda no Supremo Tribunal
Federal", disse Renan, ao anunciar o arquivamento no plenário
do Senado.
Antes, o presidente da Casa havia enumerado as CPIs instaladas no último
ano -sendo três mistas (deputados e senadores) e a dos Bingos,
composta apenas por senadores- afirmando ter dado "apoio logístico
e político" para que todas trabalhassem.
"Nunca se investigou tanto. Os pedidos
continham fato determinado, prazo de funcionamento e o terço
constitucional necessário", afirmou Renan. E completou:
"Quando se tentou desfigurar o relatório da CPI dos Correios,
por meio de requerimentos intempestivos, esta presidência manteve
o apoio às conclusões (...). Em nenhuma dessas oportunidades
foi suprimido ou violado o direito da minoria de investigar". Indiretamente,
o senador se referia à tentativa do PT de derrubar a sessão
em que foi aprovado o relatório final da CPI dos Correios.
O senador Almeida Lima, em viagem oficial
à Áustria, não comentou o assunto ontem. Coube
à senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), uma das que assinaram
o requerimento, a defesa do pedido de instalação da CPI.
A senadora, pré-candidata à Presidência da República,
não concordou com a justificativa dada por Renan: "Como
coloquei minha assinatura [no requerimento], interpretei que há
fato determinado. Não concordo que não haja fato determinado".
Já a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), considerou
"correta" a decisão do presidente da Casa. "O
requerimento era inadequado e inconstitucional."
Objetivos
No requerimento, Almeida Lima estabelecia
como alvos de investigação o aporte de R$ 10 milhões
feito pela Telemar na empresa Gamecorp, da qual um dos sócios
é Fábio Luiz, filho de Lula, e a suposta prática
de tráfico de influência por Genival Inácio da Silva,
irmão do presidente. O documento também previa apuração
da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo
Costa e a investigação da origem do dinheiro transportado
na cueca, no ano passado, pelo petista José Adalberto Vieira
da Silva.
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Folha de São Paulo,
26 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Berzoini, presidente do partido, acerta com representantes dos movimentos
sociais ato para junho em defesa do mandato de Lula
PT se une a CUT, MST e UNE para defender
Lula
ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente do PT, deputado Ricardo
Berzoini (SP), se reuniu ontem com representantes dos sindicatos, dos
estudantes e dos sem-terra para definir a participação
destes em atos de defesa do mandato do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. A intenção é dar uma resposta às
iniciativas pró-impeachment da oposição. Do encontro
de Berzoini com CUT (Central Única dos Trabalhadores), UNE (União
Nacional dos Estudantes) e MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra) ficou marcada para junho uma grande manifestação
pró-Lula. A reunião, na sede da CUT em São Paulo,
a portas fechadas, também teve a participação do
presidente do PC do B, Renato Rabelo, além de um representante
do PSB.
Segundo a UNE e o secretário nacional
de Comunicação da CUT, Antonio Carlos Spis, a reunião
foi solicitada pelos partidos políticos. Eles negam. "Esse
tipo de mobilização tem dois objetivos. Primeiro, a defesa
do mandato do presidente e, ao mesmo tempo, as reivindicações
que esses movimentos apresentam ao presidente", disse Rabelo. "É
uma reposta a essa situação política que vivemos
hoje. Há um desespero por parte da direita que procura a todo
custo retornar ao poder. Nós, exatamente, procuramos fazer esse
esforço de unir o movimento social", completou.
O anúncio da manifestação
ocorre num momento que o impeachment de Lula vem sendo discutido por
entidades de classe como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Berzoini
negou, porém, que esse tenha sido o tema principal, mas, sim,
a "conjuntura política". "Eles [movimentos sociais]
sabem o que está em jogo. A volta da aliança PSDB-PFL
significa retrocesso para os movimentos sociais. Menos negociação,
menos diálogo, mais truculência e, principalmente, um programa
neoliberal de privatização e desmonte do Estado. Sabem
que não há dúvida do lado que eles têm."
Para o presidente da CUT, João
Felício, Berzoini tem razão. "Para conseguir avançar
nas mudanças, da nossa plataforma, nós não vemos
uma outra candidatura a não ser a do Lula. Isso não tem
nenhuma dúvida do nosso lado", disse. Felício tentou
desvincular o movimento de junho a um ato "pró-Lula",
mas se contradisse. "Não é um ato contra o impeachment.
É obvio que, se a proposta de impeachment vier de setores ultra-retrógrados,
os tresloucados do neoliberalismo, com certeza nós vamos nos
colocar contra."
Reação
O presidente da OAB, Roberto Busato,
em entrevista ao blog de Josias de Souza, disse considerar "radical"
e "inconseqüente" a promessa dos movimentos de reagir
a um eventual pedido de impeachment contra Lula. "A Ordem continua
do mesmo lado em relação à sociedade brasileira,
na sua luta a favor da ética, da moral. E, infelizmente, vê
hoje os movimentos sociais, que sempre foram abrigados por ela, tachá-la,
por meio de seus dirigentes, de tresloucada, de neoliberal, o que é
um atentado a tudo que a OAB construiu a favor da República."
Apesar da onda de invasões
em todo o país, o líder nacional do MST João Paulo
Rodrigues, que também participou da reunião, disse que
o movimento está do lado de Lula. "Nós viemos trazer
aqui com toda clareza, as nossas críticas, as nossas preocupações,
e ao mesmo tempo dizer que os movimentos sociais tem lado." Sobre
o impeachment de Lula, Rodrigues disse que se a "elite" insistir
nisso, ela "terá confusão". Segundo a representante
da UNE, Lúcia Stumpf, os movimentos sociais querem do presidente
uma nova carta aberta. "Uma carta não voltada ao mercado
financeiro, como apresentou na eleição de 2002, mas, sim,
para o movimento social, para as necessidades do nosso povo."
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de abril
de 2006
Centrais defendem aprovação
do salário mínimo regional
Fotos: Divulgação
Epitácio Antonio dos Santos, da NCST, destacou o aumento no consumo

Gladir Antonio Basso, da CGT, valorizou a melhor distribuição
de renda
Curitiba - Para fechar o debate dos representantes trabalhistas sobre
a implantação do salário mínimo regional
de R$ 437, representantes da Coordenação Federativa de
Trabalhadores (CFT) do Paraná e da Nova Central de Trabalhadores
do Estado do Paraná (NCST) defenderam o projeto ontem na Assembléia
Legislativa. As duas centrais sindicais representam cerca de 1,1 milhão
de trabalhadores em todo o Estado. Amanhã e na próxima
terça-feira, devem falar aos deputados estaduais representantes
dos empregadores. As duas entidades fizeram referência ao Banco
Mundial, que já anunciou que o Brasil poderia receber mais investimentos
se tivesse uma distribuição de renda melhor.
‘‘Se não há
massa salarial não tem consumo e a economia não gira’’,
afirmou o secretário da CFT-PR e também vice-presidente
nacional da Central Geral dos Trabalhadores (CGT), Gladir Antonio Basso.
Ele citou o exemplo do Rio Grande do Sul, que adotou o salário
mínimo regional há alguns anos. ‘‘Lá
aumentou o volume de empregos’’, defendeu.
O secretário da CFT-PR salientou
que o impacto para as prefeituras do Estado também será
pequeno. Segundo ele, o presidente da Associação dos Municípios
do Paraná (AMP), Luiz Sorvos, declarou que o salário mínimo
regional vai quebrar as prefeituras. Para rebater a afirmação,
Basso, com base em dados do Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), argumentou que o impacto
médio na folha de pagamento das prefeituras paranaenses será
de apenas 0,4%. ‘‘E isso nem vai ser para todas. As que
têm plano de carreira já pagam mais e não vão
sofrer nada’’, argumentou.
O presidente da NCST, Epitácio
Antonio dos Santos, lembrou da questão do 13º salário.
Segundo ele, os próprios empresários vão ser beneficiados
com a medida. ‘‘O comércio no final do ano sempre
aquece. E é época do trabalhador gastar o 13º. E
com o salário maior, vai ter mais consumo’’, calculou.
Santos sugeriu, após a aprovação do salário
mínimo regional, a criação de uma comissão
‘‘para avaliar a implementação do piso regional,
formada por parlamentares, Dieese e representates sindicais dos trabalhadores
e empregadores’’.
O projeto de lei que prevê
a implantação salário mínimo regional no
Estado será votado no próximo dia 3 de maio. Ainda vão
expôr seus argumentos aos deputados a Associação
Comercial do Paraná (ACP), a Federação das Associações
Comerciais, Industriais e Agrícolas do Estado do Paraná
(Faciap) e a Federação dos Agricultores do Estado do Paraná
(Faep).
Andréa Bordinhão
Equipe da Folha
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FOLHA DE LONDRINA, 26 de abril
de 2006
Governador acredita na aprovação
do mínimo
José Suassuna
Requião acredita que ‘‘ninguém terá
coragem de votar contra’’ o mínimo de R$ 437
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou, ontem
de manhã, durante reunião semanal do secretariado, que
seu projeto para implantação de um salário mínimo
regional no valor de R$ 437, que irá à votação
no dia 3 de maio na Assembléia Legislativa, será aprovado
por unanimidade dos deputados. ‘‘Ninguém terá
coragem de votar contra’’, acredita.
Se depender das centrais sindicais,
o governador tem razões de sobra para tanta confiança.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical,
e Central Geral dos Trabalhadores (CGT) já avisaram que pretendem
lotar as galerias da Casa para pressionar os deputados pela aprovação
do projeto. O deputado Antonio Anibelli (PMDB) garantiu que não
há riscos da lei não ser aprovada. ‘‘É
uma proposta que jamais a Assembléia do Paraná deixaria
de aprovar’’, disse.
O tema de ontem da reunião do
secretariado foi o salário mínimo regional proposto pelo
governo. Para falar sobre o assunto, foram convidados o economista do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
– Regional Paraná (Dieese-PR) Cid Cordeiro, o presidente
da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, Rone
Barbosa, e o delegado regional do Trabalho no Paraná, Geraldo
Serathiuk.
O presidente da CUT defendeu o salário
mínimo regional como meio de distribuição de renda
entre os trabalhadores. De acordo com ele, o projeto vai beneficiar
entre 500 a 800 mil trabalhadores do Paraná, que hoje recebem
até um salário mínimo e meio. Destes, 100 mil são
domésticos com carteira, 90 mil pertencem a categorias não
organizadas e cerca de 600 mil são informais.
O economista Cid Cordeiro mostrou que
o aumento não deve trazer problemas para prefeituras e empresas.
O impacto do novo valor, segundo cálculos do Dieese, é
de 0,9% nas contas de pequenas e médias empresas e de 0,4% para
as prefeituras. Por lei, as prefeituras não adotarão o
mínimo regional, mas a expectativa é que os futuros reajustes
dos servidores, assim como de outros trabalhadores, serão pressionados
com essa nova realidade no Estado. Como exemplo, Cordeiro citou o caso
da Prefeitura de Cambé. Segundo Cordeiro, apenas 195 trabalhadores
(8% do funcionalimso) seriam beneficiados em uma negociação
futura dos servidores, o que acarretaria em um aumento de R$ 17 mil
nas contas do município.
‘‘Eu proponho um salário
de R$ 437, que não é grande coisa e vejo essa reação
toda, esses setores conservadores adormecidos da sociedade têm
que acordar. O Brasil precisa de consumo, trabalhador tem que viver.
Quem diz que não pode pagar para empregada, então quer
uma escrava’’, afirmou Requião, que também
aproveitou para criticar os deputados e a demora da tramitação
do projeto na Assembléia. ‘‘Minha mágoa é
que quando mando um projeto para beneficiar empresários, ele
é aprovado em 48 horas na Asembléia, mas quando é
para benificiar trabalhadores, fica lá dormindo por dois ou três
meses’’, disparou.
Maigue Gueths
Equipe da Folha
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O ESTADO DO PARANÁ, 26 de abril de
2006
Indústria sem confiança
Editorial do Jornal O Estado do Paraná
O setor industrial é sempre um termômetro que se deve consultar
quando se trata de aferir o estágio de apreciação
das condições atuais e futuras da economia brasileira,
e a própria disposição dos empresários do
ramo quanto ao planejamento dos negócios.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou
recentemente os números do Índice de Confiança
do Empresário Industrial (Icei), relativos ao mês de abril,
e o resultado não é otimista. Nos últimos cinco
trimestres o indicador alusivo às condições vigentes
no panorama econômico ficou abaixo de 50 pontos.
No modelo usado pela CNI para atestar com segurança o grau de
confiabilidade dos empresários, um índice inferior a 50
pontos mostra a indiscutível falta de confiança do setor
industrial na economia.
Uma projeção feita para os próximos seis meses
acresceu a preocupação dos dirigentes da entidade, tendo
em vista que mesmo uma tímida expectativa de melhora ainda se
situou abaixo do índice verificado em abril de 1999, quando o
País viveu o auge de sua mais severa crise cambial.
De acordo com a CNI, o ritmo da produção industrial, nos
próximos meses, deverá manter-se bastante modesto, pois
os empresários estão convencidos de que não haverá
mudanças significativas na economia para impulsionar os negócios.
Diante disso, as empresas restringem ou adiam os planos de investimento.
Com o crescimento de 5,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2004, o
Icei de outubro chegou a 63,8 pontos, num máximo de 100. A última
aferição mostra um nível precário de confiança
(abaixo de 50 pontos), destacando a CNI que o cenário atual se
deve à deterioração das condições
das pequenas e médias empresas industriais.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 25 de abril de 2006 | Economia
Economia do Governo Central cai quase
R$3 bilhões
Nos três primeiros meses de 2006 foram
acumulados R$14,606 bilhões, contra os R$17,038 bilhões
do primeiro trimestre de 2005
Fabio Graner e Adriana Fernandes
BRASÍLIA - O Governo Central (Tesouro,
Previdência e Banco Central) acumulou no primeiro trimestre deste
ano um superávit primário - arrecadação
menos as despesas, exceto o pagamento de juros - inferior em quase R$3
bilhões ao registrado no mesmo período do ano passado.
Nos três primeiros meses de 2006 foram R$14,606 bilhões,
o equivalente a 3,06% do Produto Interno Bruto (PIB), contra R$17,038
bilhões, ou 3,89% do PIB, no primeiro trimestre de 2005.
Detalhadamente, o Tesouro Nacional economizou
R$24,493 bilhões no período, ante R$25,624 bilhões
nos três primeiros meses de 2005. A Previdência Social,
por sua vez, apresentou déficit de R$9,897 bilhões, ante
R$8,586 bilhões. Já o Banco Central teve superávit
de R$10,1 milhões no primeiro trimestre, ante déficit
de R$100 mil no mesmo período do ano passado.
Segundo o Tesouro, mesmo com o resultado
inferior, "o desempenho no primeiro trimestre está em linha
com a meta de 4,25% do PIB para o setor público consolidado".
A meta de superávit primário
para o 1º quadrimestre é de R$28,7 bilhões, mas esse
valor inclui o resultado das estatais federais que será divulgado
na próxima quarta-feira pelo BC, na nota sobre o resultado do
setor público consolidado.
Março
O governo também informou que
em março o superávit foi de R$7,069 bilhões, contra
R$3,58 bilhões de fevereiro. Em março, o Tesouro apresentou
superávit de R$9,678 bilhões, a Previdência teve
déficit de R$ 2,612 bilhões e o BC um superávit
de R$4,4 milhões.
Despesa total
A despesa total do governo central aumentou
no primeiro trimestre deste ano 14,5% em relação ao mesmo
período do ano passado, saindo de R$77,621 bilhões para
R$88,879 bilhões.
As despesas do Tesouro Nacional somaram
R$51,923 bilhões, sendo R$26,028 bilhões relativos a pessoal
e encargos sociais e R$25,770 bilhões, de custeio e capital.
As transferências do Tesouro ao Banco Central totalizaram, no
primeiro trimestre, R$124 milhões.
No primeiro trimestre de 2005, as despesas
do Tesouro somaram R$44,994 bilhões, sendo R$22,7 bilhões
de pessoal e encargos sociais e R$22,122 bilhões de custeio e
capital. Naquele período, a transferências do Tesouro ao
Banco Central totalizaram R$165 milhões.
As despesas com a Previdência Social
entre janeiro e março deste ano totalizaram R$36,613 bilhões,
ante R$32,240 bilhões no mesmo período do ano passado.
Já as despesas do Banco Central somaram R$342,8 milhões
ante R$386,6 milhões de janeiro a março de 2005. As transferências
para Estados e municípios atingiram, no primeiro trimestre, R$22,071
bilhões, 8,7% superior aos R$20,304 bilhões de janeiro
a março de 2005.
A receita total do governo central
somou R$ 125,557 bilhões no primeiro trimestre de 2006, um crescimento
de 9,2% sobre o mesmo período de 2005.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 25 de abril de 2006 | Economia
Banco Mundial elogia programas de combate
à pobreza do Brasil e do México
México conseguiu reduzir a porcentagem
de afetados pela extrema pobreza de 24,2% para 17,6% da população,
de 106 milhões de habitantes
EFE
MÉXICO - Durante sua primeiro
dia de visita oficial ao México, o presidente do Banco Mundial,
Paul Wolfowitz, elogiou o programa brasileiro Bolsa Família,
do governo Lula, cujos fins, segundo ele, são muito similares
aos do projeto mexicano "Oportunidades", implementado pelo
presidente Vicente Fox.
Wolfowitz, que assumiu a Presidência
do Banco Mundial em junho passado, está no México para
apoiar os esforços do país em obter um crescimento econômico
mais dinâmico e mais inclusivo para a maioria da população.
O México é um dos principais
beneficiários do banco, que financia atualmente um total de 19
projetos no país, por meio de empréstimos de US$ 3,3 bilhões
e doações de US$ 800 milhões, segundo relatórios
da instituição.
No período 2000-2005, o México
conseguiu reduzir a porcentagem de afetados pela extrema pobreza de
24,2% para 17,6% da população de 106 milhões de
habitantes, segundo dados do Banco Mundial.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 25 de abril de 2006 | Economia
Feirão de Imóveis começa
na quinta com 43 mil unidades
A primeira etapa será realizada em São
Paulo, onde ficará disponível cerca de R$1 bilhão
em crédito
Beth Moreira
SÃO PAULO - A nova edição
do Feirão Caixa da Casa Própria, da Caixa Econômica
Federal, começa na próxima quinta-feira, com mais de 43
mil imóveis com valores a partir de R$17 mil à disposição.
De acordo com o superintendente da Caixa Econômica Federal, Augusto
Bandeira Vargas, esse é o primeiro de 14 eventos do gênero
que o banco realizará em diferentes cidades do Brasil.
Vargas destacou que os visitantes poderão
contratar os serviços de financiamento na própria feira.
Com participação de 180 construtoras (114 expondo 140
empreendimentos) e 60 imobiliárias, o Feirão de São
Paulo espera atrair 150 mil pessoas. Só para a edição
paulista será disponibilizado cerca de R$1 bilhão, que
poderá atender até 500 mil famílias.
Em 2005, o mesmo programa movimentou
R$1,6 bilhão e recebeu a visita de cerca de 359 mil pessoas.
Para este ano, a expectativa é de um público de mais de
500 mil pessoas.
A partir do próximo mês,
os feirões ocorrem em Campinas (SP), Ribeirão Preto (SP),
Niterói (RJ), Belo Horizonte (MG), Uberlândia (MG), Brasília
(DF), Salvador (BA), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE),
Recife (PE), Porto Alegre (RS) e São José dos Campos (SP).
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JORNAL DO COMMERCIO / MANAUS,
26 de abril de 2006 | Economia
Previdência responde - Sistema Informatizado
de Controle de Óbitos – SISOBI
Maria do Carmo Castro
De quem é a obrigação
de comunicar o óbito à Previdência Social?
Pelo que dispõe o artigo 68 da
Lei 8.212/91, a obrigação de comunicar o óbito
à Previdência Social é dos Cartórios de Registro
Civil de Pessoas Naturais. Os cartórios devem informar ao INSS,
até o dia 10 de cada mês, as mortes registradas no mês
anterior e, também, a não ocorrência de falecimentos.
O Titular do Cartório de Registro
Civil de Pessoas Naturais que deixar de comunicar ao INSS, no prazo
estabelecido, a ocorrência ou não de óbitos, no
mês imediatamente anterior, bem como enviar informações
inexatas, está sujeito a multa.
Como os cartórios devem informar
à Previdência Social?
A informação encaminhada
pelos cartórios deve chegar à Previdência Social
por meio eletrônico (Internet ou disquete). Para fazer a entrega
pela Internet, é preciso fazer um cadastro no Ministério
da Previdência Social, pelo e-mail sisobi@previdencia.gov.br.
Com o registro, o acesso ao Sisobinet, disponível no site www.previdencia.gov.br,
é automático. O acesso não autorizado, a disponibilização
voluntária ou acidental da senha ou a quebra de sigilo constituem
infrações que sujeitam o usuário responsabilização
administrativa, penal e civil. Para a entrega por disquete não
é necessário fazer o cadastro. O disquete deve ser entregue
no Serviço de Manutenção de Benefícios da
Gerência Executiva do INSS/AM (Av. 7 de Setembro, 280 –
Centro 5º Andar)
O que acontece
quando o aplicativo eletrônico é usado por pessoas não
autorizadas?
A distribuição deste aplicativo
a pessoas não autorizadas, desvinculadas do staff do cartório,
ou a instalação deste aplicativo em locais que não
estejam sob a responsabilidade do registrador notarial, possibilitando
a geração de arquivos fraudulentos e seu eventual envio
para o ambiente da Previdência Social, sujeitará os infratores
às sanções penais cabíveis. O acesso não
autorizado, a disponibilização voluntária ou acidental
da senha ou a quebra de sigilo constituem também infrações
que sujeitam o usuário responsabilização administrativa,
penal e civil.
Receber benefício de segurado
falecido é crime? Sim.
Denúncias ao INSS apontam que
familiares e amigos de segurados falecidos recebem, muitas vezes, o
benefício concedido pela Previdência Social. A prática
constitui crime de estelionato, previsto no artigo 171 do Código
Penal Brasileiro, cuja pena varia de um a cinco anos de reclusão,
além de multa. Uma das situações mais comuns ocorre
quando o segurado entrega o cartão e a senha para um amigo ou
alguém da família para efetuar, por ele, os saques mensais.
Quando ocorre o óbito do segurado, o fato não é
comunicado ao INSS nem pelos familiares nem pelo cartório. Assim,
a pessoa, de posse do cartão e da senha, passa a receber, indevidamente,
os valores referentes ao benefício.
O Que acontece quando o INSS detecta
casos dessa natureza?
Quando o INSS detecta casos dessa natureza,
encaminha à Polícia Federal que, após investigação,
remete à Justiça Federal para a instauração
do processo criminal.
Que outras situações
de recebimento de benefícios de segurados falecidos são
detectadas pelo INSS?
Outra situação freqüentemente
detectada pela auditoria do Instituto decorre da falta de informação
dos familiares ou mesmo da inércia em buscar a regularização
junto ao INSS. Também é comum o fato de dependentes do
segurado continuarem recebendo, após o óbito, o pagamento
do benefício concedido ao titular, ao invés de legalmente
requererem o benefício a que teriam direito, denominado pensão
por morte. Depois de alguns meses recebendo o benefício, o dependente
procura o INSS para regularizar a situação, quando é
informado que a pensão por morte que lhe é devida será
concedida, a contar da data do requerimento, uma vez que já se
passaram 30 dias do óbito, e que serão descontados os
valores recebidos indevidamente. Nesse caso específico, se ficar
comprovado que não houve o intuito de enganar ou causar prejuízo
à Previdência Social, é afastado o enquadramento
da conduta no Código Penal, permanecendo, porém, o desconto
dos valores pagos indevidamente.
Qual orientação que
o INSS dá para os familiares de beneficiários falecidos?
Para evitar qualquer tipo de situação
constrangedora, o INSS orienta a população beneficiária
para que, em caso de óbito do titular, o fato seja informado,
o mais rápido possível, à Agência da Previdência
Social onde o benefício é mantido, a fim de que se proceda
a transformação em pensão por morte, se for o caso,
ou cesse definitivamente o pagamento do benefício.
Quem são os dependentes do
segurado que podem requer a Pensão Por Morte? São três
classes os dependentes do segurado?
São três classes: Cônjuge,
companheiro(a) e filhos menores de 21 anos, não-emancipados ou
inválidos; Pais; Irmãos menores de 21 anos, não-emancipados
ou inválidos.
Enteados ou menores de 21 anos que estejam
sob tutela do segurado possuem os mesmos direitos dos filhos, desde
que não possuam bens para garantir seu sustento e sua educação.
A dependência econômica de cônjuges, companheiros
e filhos é presumida. Nos demais casos deve ser comprovada por
documentos, como declaração do Imposto de Renda.
Para ser considerado companheiro(a) é
preciso comprovar união estável com segurado(a). A Ação
Civil Pública nº 2000.71.00.009347-0 determina que companheiro(a)
homossexual de segurado(a) terá direito a pensão por morte
e auxílio-reclusão. Havendo dependentes de uma classe,
os integrantes da classe seguinte perdem o direito ao benefício.
Como requerer Pensão por Morte
pela internet?
Através da PREVNet www.previdencia.gov.br.
Para efetuar o requerimento é
necessário fornecer Dados do(a) ex-segurado(a): Nome completo,
número do benefício que o segurado(a) recebia em vida,
data de nascimento e a data do óbito;
Dados dos dependentes: Nome completo,
data de nascimento e o número da Carteira de Identidade. Nome
completo da mãe. Se não tiver o número da Carteira
de Identidade ou da Carteira de Trabalho informe o nome do Cartório
que expediu a sua Certidão de Nascimento ou de Casamento.
Atenção:
O requerimento via Internet pode ser
feito se estiver dentro do período de até doze meses após
o óbito do ex-segurado que estava em gozo de qualquer benefício
previdenciário na data do óbito. Se o óbito ocorreu
a mais de doze meses, a pensão deve ser requerida nas Agências
da Previdência Social.
Os dependentes menores de 16 anos que
necessitem de representante legal (tutor ou curador) devem requerer
a pensão por morte nas Agências da Previdência Social.
Esta coluna é as terças-feiras
com material fornecido pela gerência regional do INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social), sob a coordenação da jornalista
e chefe da seção de comunicação social,
Maria do Carmo Castro carmo.castro@previdencia.gov.br
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
26 de abril de 2006
Empresa que alugava de 19 mil m²
por R$ 1 é multada por má-fé
A Justiça do Trabalho manteve
o leilão que arrematou, em janeiro deste ano, o prédio
que pertencia à Maternidade de São Paulo, além
de decretar a quebra do contrato de locação daquele imóvel.
Segundo a assessoria do TRT-SP (Tribunal
Regional do Trabalho de São Paulo), o valor do arremate foi de
R$18,5 milhões, e servirá para liquidar cerca de 600 processos
movidos contra a Associação Hospitalar e Maternidade de
São Paulo.
Na mesma decisão, o juiz Marcos
Neves Fava, da 41ª Vara do Trabalho, também determinou a
imediata desocupação do imóvel, e multou a empresa
JCN Participações, que mantinha o contrato de locação,
além da Associação Hospitalar e Maternidade São
Paulo, em R$ 2 milhões, por litigância de má-fé.
Segundo a assessoria do TRT-SP, a JCN
e outro arrematante interessado entraram com embargos à arrematação.
Eles questionavam, entre outros procedimentos da licitação,
que a carta de fiança não foi aceita como garantia de
pagamento. Eles também alegavam que o preço de arrematação
do imóvel foi "vil". O imóvel foi arrematado
pela empresa Casablanc.
De acordo com o juiz, a JCN nunca pretendeu
adquirir o imóvel nem mesmo pagar pela dívida trabalhista
da maternidade, como alegou. Para ele, a motivação da
empresa para continuar com o imóvel é a possibilidade
de poder alugar um edifício de R$ 19 mil m², no Bairro da
Bela Vista [uma das áreas urbanas mais caras para o mercado imobiliário]
pelo valor mensal de R$ 1 durante cem anos. A empresa tinha opção
de compra do imóvel por R$ 100 mil, e não a efetivou.
Ainda de acordo com o juiz Fava, "apenas
com a utilização do meio legal [o leilão] –
artigo 888, parágrafo terceiro da CLT (Consolidação
das Leis de Trabalho), de forma transparente e eficaz (artigo 37, caput
da Constituição), é que se atingiu, no bojo do
leilão, aquilo que pretendia o devedor e interessava à
execução".
Quanto ao "preço vil"
alegado pela JCN, Marcos Fava explicou que, à época do
leilão, acumulavam-se R$ 17 milhões em dívidas
trabalhistas contra a maternidade. "A partir desse valor, considerando
inexistir, no processo do trabalho, a figura do “preço
vil”, uma vez que a lei é expressa em estabelecer que o
bem será vendido pelo maior lance, o juízo acolheu a proposta,
nos termos do edital de convocação do ato público",
explicou.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
26 de abril de 2006
STJ não aceita recurso enviado
por e-mail
A 6ª Turma do STJ (Superior Tribunal
de Justiça) confirmou o entendimento de que não é
possível analisar recurso apresentado por e-mail. A decisão
seguiu o entendimento do relator, ministro Nilson Naves. Para ele, não
é possível julgar um recurso que não apresente
a assinatura do advogado que fez a interposição.
De acordo com a assessoria do STJ, a
petição com o pedido de agravo regimental foi enviada
por e-mail à secretaria do tribunal.
O relator destacou que não existe
regulamentação sobre a possibilidade do uso desse meio,
tampouco consta do processo outro documento, assinado e registrado dentro
do prazo, interpondo o agravo regimental.
No caso em questão, por meio de
um agravo de instrumento, pretendia-se rediscutir um caso de penhora
de imóvel no Estado de São Paulo. Inicialmente, em decisão
individual, o ministro Naves não atendeu ao pedido para que o
recurso especial fosse admitido no STJ.
O relator não encontrou na questão
ofensa à lei federal ou divergência entre a jurisprudência
sobre o assunto. Daí a nova tentativa de recurso, no caso um
agravo regimental, para que a questão fosse apreciada, mais uma
vez sem sucesso, por toda a 6ª Turma.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
26 de abril de 2006
Advogado que não prestar contas
ao cliente deve pagar juros e correção
O advogado constituído deve prestar
contas ao seu cliente dos valores recebidos no curso do processo. Caso
contrário, ele pode ser condenado em ação de prestação
de contas, e terá de pagar uma restituição com
o valor de todos os débitos judiciais com correção
monetária. O entendimento é da 3ª Turma do STJ (Superior
Tribunal de Justiça).
Segundo a assessoria do STJ, o caso em
questão é envolve um proprietário de um posto de
gasolina em São Paulo, que entrou na Justiça afirmando
que seu ex-advogado tinha o dever de prestar contas a respeito de valores
recebidos e não repassados durante o cumprimento de seus serviços.
Em primeiro grau, a ação
foi julgada procedente. O advogado foi condenado não só
a prestar contas à empresa, como também obrigado a declarar
um crédito corrigido no valor de R$ 455.432,49.
Em segunda instância, o TJ-SP (Tribunal
de Justiça de São Paulo) alterou apenas a parte referente
aos valores pagos pela sucumbência. Para o tribunal, "quando
o mesmo litigante sucumbe nas duas fases da ação de prestação
de contas, deve preponderar, de forma majorada, os honorários
advocatícios arbitrados na segunda fase, em substituição
ao que foi arbitrado na primeira fase".
Diante da decisão, o advogado
entrou com recurso especial no STJ. Alega que, em ação
de prestação de contas, não é autorizado
computar correção monetária. Para ele, mesmo que
ela fosse permitida, deveria ser contada a partir do ajuizamento da
ação, não do momento em que os valores foram recebidos
durante o cumprimento do mandato.
De acordo com a assessoria do STJ, a
ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso, manteve na íntegra
a decisão do tribunal estadual. Para ela, não tem fundamento
a alegação de que o Código Processual Civil proíbe
a incidência de correção monetária sobre
o saldo credor apurado na segunda fase da ação.
Em primeiro lugar, porque o dispositivo
legal determina expressamente que "o saldo credor declarado na
sentença poderá ser cobrado em execução
forçada". Em segundo, porque a jurisprudência do STJ
já está consolidada no sentido de estender a correção
a todos os débitos resultantes de decisão judicial, qualquer
que seja a sua natureza, após a edição da Lei 6.899/1981.

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