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ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 27 de
abril de 2006 | Economia
Custo médio da construção
sobe 0,24% em março
A entidade destacou que, em março, a
maior alta de preços foi no Rio de Janeiro, onde o CUB ficou
4,30% mais caro, e no Ceará, com alta de 2,89%
Beth Moreira
SÃO PAULO - O custo médio
do metro quadrado de construção (CUB) no Brasil subiu
0,24% em março, acumulando alta de 0,76% no ano e de 4,65% nos
últimos 12 meses. O dado, divulgado nesta quarta-feira pela Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostram
que, em reais, o indicador médio foi de R$ 839,55.
A entidade destacou que, em março,
a maior alta de preços foi no Rio de Janeiro, onde o CUB ficou
4,30% mais caro, e no Ceará, com alta de 2,89%. Por outro lado,
alguns Estados apresentaram quedas, como Mato Grosso, com deflação
de 4,23%; Sergipe, com retração de 0,58%; e Santa Catarina,
com queda de 0,39%.
Mão de obra
Na média brasileira, o custo de
mão-de-obra aumentou 0,59%, chegando a R$ 428,39 por metro quadrado.
Por regiões, as altas mais significativas neste item foram observadas
no Rio de Janeiro, com 7,83%; no Ceará, com 6,87% - ambas em
função da data-base de reajuste de salários no
mês de referência - e no Espírito Santo, com 0,17%.
O Mato Grosso do Sul teve a deflação
mais expressiva, de 1,09%. Ocorreram, ainda, quedas em Santa Catarina
(-0,34%), Rio Grande do Sul (-0,30%) e São Paulo (-0,14%). Nos
demais Estados, o custo da mão-de-obra manteve-se praticamente
estável.
Materiais
Já o custo de materiais
na média do Brasil caiu 0,11%, correspondendo a R$ 411,14 por
metro quadrado. Foram destaque as quedas ocorridas no Mato Grosso, de
6,30%; Sergipe, de 1,04%; Distrito Federal, de 0,48%; Santa Catarina,
de 0,45%; e Ceará, de 0,42%.
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A VOZ DA CIDADE / VOLTA
REDONDA (RJ), 27 de abril de 2006 | Economia
Sindicato da Construção
Civil participa da Semana de Prevenção de Acidentes do
Trabalho
VOLTA REDONDA - Sexta-feira, será
lembrado o Dia Internacional de Luta contra Acidentes e Doenças
no Trabalho. Para comemorar a data será realizada na Companhia
de Habitação de Volta Redonda (Cohab) a Semana Interna
de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat). Na programação,
estão várias palestras voltadas para os trabalhadores
da construção civil. O presidente do sindicato que representa
a categoria, Dejair Martins, afirma que a maioria dos profissionais
da área participará do evento.
O nosso objetivo é alertar os
trabalhadores sobre a necessidade de redobrarem a atenção
em relação às questões envolvendo a segurança
nos ambientes de trabalho, já que a construção
civil é uma das categorias com os mais altos índices de
acidentes com vítimas fatais e de mutilações no
país”, afirma Dejair, informando que nesta semana a diretoria
do sindicato ministrou aos profissionais da área uma palestra
sobre Segurança do Trabalho na Construção Civil,
no Pátio da Secretaria Municipal de Obras.
De acordo com ele, dados do Sistema Federal
de Inspeção do Trabalho apontam que 196 trabalhadores
do setor de construção civil morreram vitimas de acidentes
de trabalho em 2003. Os serventes de obras são os trabalhadores
com o maior número de óbitos, um total de 76, conforme
a Classificação Brasileira de Ocupação (CBO).
Pela Classificação
Nacional de Atividades Econômicas (Cnae) o número de trabalhadores
de edificações chega a 151 vítimas em acidentes
de trabalho não fatais. "É diante dessas estatísticas
que o sindicato vem intensificando as fiscalizações nos
ambientes de trabalho das obras de construção civil da
região, além de buscar o cumprimento da lei por parte
dos empregadores que devem oferecer condições dignas de
trabalho aos funcionários. A distribuição dos equipamentos
de proteção individual (EPIs) e de proteção
coletiva é de suma importância”, frisa o presidente
do sindicato.
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DIÁRIO ONLINE, 27
de abril de 2006 | Política
São Paulo: Trabalhadores da construção
civil ensaiam greve em maio
William Glauber
Do Diário do Grande ABC
Mediante entraves na negociação
do dissídio coletivo, os trabalhadores da construção
civil do Estado de São Paulo prometem esvaziar os canteiros de
obras a partir do dia 8 de maio. Após reunião com o setor
patronal, representado pelo Sinduscon-SP (Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São Paulo), sindicalistas
da Força Sindical, CUT (Central Única dos Trabalhadores)
e Federação dos Trabalhadores da Construção
Civil aprovaram indicativo de greve em represália à proposta
de reajuste de 3%, apresentada com base em projeções da
inflação para 2006.
Há um mês, os sindicalistas
reivindicam reajuste de 13%, mas, em negociação, se satisfazem
com 8% de aumento. No entanto, a distância entre os índices
patronal e dos trabalhadores seria justificada, segundo o patronato,
pela redução gradativa da inflação nos últimos
anos.
Em contrapartida, os representantes dos
trabalhadores argumentam que o pacote de benefícios do governo
federal para a construção civil impulsionaria também
ganhos salariais aos empregados do setor, que, para este ano, projeta
crescimento de 14%. “Sem alternativas, vamos ter de entrar em
greve”, frisou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da
Indústria da Construção Civil e do Mobiliário
de São Bernardo e Diadema (filiado à CUT), Cladeonor Neves
da Silva.
O sindicalista, que esteve presente na
reunião de ontem, contou também que o setor patronal se
recusou a discutir as cláusulas sociais da convenção.
Os trabalhadores reivindicam, por exemplo, seguro de vida obrigatório,
uso do protetor solar e fornecimento de café da manhã.
“Disseram que discutem somente em maio do ano que vem”,
disse Silva. Os trabalhadores também exigem o fim das terceirizações.
Os sindicatos dos trabalhadores,
de ambas as centrais, se reúnem novamente nesta sexta-feira –
dia 28. No encontro, eles traçarão as estratégias
de mobilização da categoria, caso a greve seja deflagrada
após aprovação em assembléias. No dia 5
de maio, os sindicatos convocarão os trabalhadores para deliberarem
sobre a proposta. A reportagem não encontrou representantes do
Sinduscon para comentar o assunto.
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Agência Diap, 27 de
abril de 2006
PSB e entidades pedem prioridade para
temas trabalhistas
A bancada do PSB quer que o mês de maio, quando se comemora o
Dia do Trabalho (dia 1º), seja dedicado na Câmara à
apreciação de matérias trabalhistas. A sugestão
foi apresentada hoje, por integrantes do partido e entidades sindicais,
ao presidente da Casa, Aldo Rebelo. Atualmente, tramitam na Casa 203
projetos relacionados ao tema. Entre esses, a bancada reuniu 28 que
podem ter prioridade no próximo mês. Esses projetos tratam
de assuntos como assédio moral, estrutura sindical, aposentadoria
rural e direitos dos empregados domésticos.
Uma das propostas é o PL 6273/05,
da deputada Sandra Rosado (PSB-RN), que proíbe descontos no salário
de empregados domésticos relativos ao fornecimento de alimentação,
vestuário, produtos de higiene e moradia.
Pauta em dia
Na opinião do representante da Central Única dos Trabalhadores
(CUT) em Brasília, Valmir Locatelli, a ação pode
viabilizar iniciativas por vezes deixadas em segundo plano na agenda
do plenário. "As discussões nacionais muitas vezes
não são interesses imediatos dos trabalhadores. É
preciso botar essa pauta em dia", afirmou. O líder do PSB
na Câmara, deputado Paulo Baltazar (RJ), destacou que vários
dos projetos trabalhistas estão com a análise bastante
avançada. Alguns, inclusive, nem precisam passar pelo plenário,
por tramitarem em caráter conclusivo.
Aval de líderes
Aldo Rebelo disse que a sugestão do PSB é "mais do
que apropriada" e que esses interesses são "permanentes".
Ele destacou, no entanto, a necessidade de liberação da
pauta do Plenário e do aval do Colégio de Líderes
para a votação das propostas. as Paulo Baltazar já
tem planos para que os projetos tenham prioridade no próximo
mês. "O PSB vai propor, junto com as entidades sindicais,
um seminário para congregar todos os interesses e achar uma pauta
a mais enxuta possível. Vamos buscar o convencimento de todas
as lideranças partidárias para que esse projeto tenha
êxito", disse Baltazar.
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Nova Central, 27 de abril
de 2006
Conflito de competências entre o
TST e o STJ
A ampliação da competência da Justiça do
Trabalho introduzida pela reforma do Judiciário (Emenda Constitucional
nº 45/2004) está suscitando mais uma controvérsia.
Não há consenso entre os ministros do TST sobre o procedimento
a ser adotado em relação aos recursos encaminhados pelo
Superior Tribunal de Justiça em razão da alteração
constitucional. Uma ala dos ministros entende que é preciso a
intervenção do Supremo Tribunal Federal, ao qual foi suscitado
conflito negativo de competência. Outra corrente propõe
que os processos sejam simplesmente devolvidos ao STJ.
Decisões divergentes em relação
ao procedimento a ser adotado nos recursos encaminhados pelo STJ (aproximadamente
650 desde a entrada em vigor da EC 45/2004) foram tomadas por duas Turmas
do TST nesta quarta-feira (26). Por unanimidade de votos, a Quinta Turma,
em voto relatado pelo ministro João Batista Brito Pereira, decidiu
suscitar conflito negativo de competência perante o STF, recusando-se
a julgar o recurso. Já a Quarta Turma decidiu suprimir essa etapa.
Em voto relatado pelo ministro Ives Gandra Martins Filho, a Turma decidiu,
também por unanimidade, devolver o processo diretamente ao STJ,
sem julgar-lhe o mérito.
A divergência entre as duas Turmas
restringe-se ao procedimento, já que ambas entendem que há
competência residual do STJ para apreciar esses recursos e que
não cabe ao TST fazê-lo. Mas há uma terceira corrente
de ministros que defende o julgamento desses recursos pelo TST. A situação
preocupa o presidente do Tribunal, ministro Ronaldo Lopes Leal, que
proporá uma reunião de todos os ministros especificamente
para tratar da questão. O temor de Leal é o de que o impasse
cause prejuízo aos trabalhadores envolvidos nos recursos, retardando
o desfecho das causas e sua execução.
O caso julgado pela Quinta Turma envolve
a Confederação Nacional da Agricultura, dois proprietários
rurais, e discute o pagamento de contribuição sindical
rural. A ação tramitou na primeira instância cível
paulista e, posteriormente, o Tribunal de Justiça de São
Paulo examinou o tema de forma favorável aos proprietários.
A CNA buscou, então, a reforma da decisão no Superior
Tribunal de Justiça, por meio de recurso especial. O STJ, contudo,
afirmou sua incompetência para o exame da questão diante
da nova redação do artigo 114 da Constituição,
que atribuiu competência à Justiça do Trabalho para
julgar ações sobre representação sindical,
entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos
e empregadores.
O STJ remeteu o recurso especial ao TST.
Aqui a matéria foi autuada como recurso de revista e distribuída
à Quinta Turma. O mérito da questão, entretanto,
sequer foi examinado pela Turma. O ministro Brito Pereira manifestou,
de forma preliminar, a inviabilidade processual do exame do recurso.
Para ele, “o Tribunal Superior do Trabalho não tem competência
para o exame dos recursos especiais interpostos perante o Superior Tribunal
de Justiça e remetidos para esta Corte por força da Emenda
Constitucional 45/04”.
Segundo Brito Pereira, a definição
da competência para o exame das ações judiciais
segue classificação da legislação processual
civil e dentre suas categorias estão a competência em razão
da matéria (temática) e a hierárquica (funcional).
A EC 45 ampliou a competência da Justiça do Trabalho em
razão da matéria, permitindo o exame de outras hipóteses
de conflito. Por isso, segundo o relator, permanece com o STJ a competência
para o exame dos recursos contestando decisões dos Tribunais
de Justiça Estaduais e do Distrito Federal e dos Tribunais Regionais
Federais (TRFs).
Coincidentemente, o recurso analisado
pela Quarta Turma envolve o mesmo tema: contribuição sindical
rural. De acordo com o ministro Ives Gandra, há “competência
residual” da Justiça Comum para julgar recursos contra
decisões de instâncias inferiores. Em seu voto, o ministro
citou recente decisão da Primeira Seção do STJ
nesse sentido que, por sua vez, baseia-se em jurisprudência do
Supremo a respeito de competência residual. Segundo o ministro
Ives Gandra, em razão da jurisprudência já pacificada
nos dois Tribunais (STJ e STF) e, em nome da celeridade processual,
não é preciso suscitar o conflito negativo de competência.
(RR 166.888/2006-998-02-00.2 e RR 167.418/2006-998-02-00.5)
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Nova Central, 27 de abril
de 2006
TST esclarece sobre validade das convenções
e acordos coletivos
As convenções e acordos coletivos são instrumentos
normativos, resultantes de negociação coletiva, por meio
da qual se celebra um pacto de vontade com vigência limitada no
tempo, cujas cláusulas vigoram no período estabelecido
na lei. Com esse esclarecimento do ministro Barros Levenhagen (relator),
a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou recurso de revista
a um trabalhador portuário que pedia a validade de cláusula
coletiva além do limite legal de dois anos. O TST também
afirmou a necessidade de formalização do acordo coletivo
junto ao Ministério do Trabalho.
O recurso foi interposto no TST contra
decisão tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 12ª
Região (com jurisdição em Santa Catarina), que
declarou a inviabilidade de cláusula de acordo coletivo de trabalho
assinado entre a Companhia Docas de Ibituba e o Sindicato dos Trabalhadores
nos Serviços Portuários local. Em 1º junho de 2000,
as partes firmaram dois acordos estabelecendo, na cláusula 26,
estabilidade no emprego com prazos diferenciados. Em um deles, estendeu-se
a garantia até 31 de maio de 2005.
O TRT catarinense considerou que a previsão
de estabilidade de cinco anos afrontou o art. 614, § 3º, da
CLT, onde a vigência das convenções e acordos coletivos
é limitada a um máximo de dois anos. Também foi
verificado que o acordo invocado pelo trabalhador foi objeto de registro
em um cartório local de títulos e documentos, e não
na Delegacia Regional do Trabalho, como prevê a CLT.
O trabalhador argumentou, no TST, que
a decisão regional teria afrontado dispositivos legais e constitucionais.
Dentre eles, os princípios da Constituição Federal
que impõem a autonomia sindical e o respeito às convenções
e acordos firmados (arts. 7º, XXVI e 8º). Alegou, ainda, que
o depósito e registro dos acordos coletivos em órgão
do Ministério do Trabalho significaria mera formalidade, insuscetível
de comprometer a validade do acerto entre as partes.
O ministro Barros Levenhagen considerou
correta a decisão regional. “A CLT, nos artigos 613 e 614,
estabeleceu especificamente os requisitos das convenções
e acordos coletivos, não deixando dúvidas quanto à
modalidade escrita e pública, com o registro e arquivo do acordado
entre as partes no órgão competente do Ministério
do Trabalho e Emprego, a fim de conferir validade e eficácia
à negociação coletiva”, afirmou.
O relator também confirmou
a validade da regra da CLT que limita em dois anos os efeitos dos acertos
firmados entre patrões e empregados. “É certo que
o disposto nos artigos 7º, inciso XXVI, e 8º da Carta Magna
fortaleceu a negociação coletiva mediante a participação
dos sindicatos, reconhecendo expressamente as convenções
e acordos coletivos, no entanto, a regra contida no § 3º do
art. 614 da CLT, limitando o prazo de vigência das convenções
e acordos coletivos, não choca com estes preceitos constitucionais”,
concluiu. (RR 1258/2002-043-12-00.6)
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Nova Central, 27 de abril de 2006
Senadores poderão votar lei que
garante seguro-desemprego a empregado doméstico
O projeto de lei que garante ao trabalhador doméstico o direito
ao seguro-desemprego pode ser votado hoje na Comissão de Assuntos
Sociais do Senado. A reunião para a análise da matéria
está prevista para as 9h30. Outras propostas, como a aposentadoria
diferenciada para os portadores da síndrome da talidomida e a
que cria incentivo fiscal para o empregador que construir moradias para
seus empregados também devem ser votadas nesta quinta-feira (27).
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
27 de abril de 2006 | Economia
Domésticos possuem direitos inegociáveis
Redação/O Estado do Paraná
Foto: Valquir Aureliano/O Estado
Empregador que recolhe FGTS dá direito a seguro-desemprego para
o trabalhador.
Os principais direitos dos trabalhadores domésticos são
aviso prévio por dispensa, salário mínimo, 13.º
salário, férias anuais remuneradas, licença-maternidade
de 120 dias sem prejuízo do salário, licença-paternidade
de cinco dias, aposentadoria e auxílio-doença. Nenhum
desses direitos são negociáveis (o empregador não
pode negociar com o empregado a subtração de nenhum deles),
pois estão previstos na Lei n.º 5.859, de 11 de dezembro
de 1972 e na Constituição Federal.
Entre os benefícios que podem
ser negociados estão plano de saúde e seguro de vida (o
empregador não é obrigado a pagar estes benefícios),
a inclusão no programa de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS), sendo este o único meio de acesso ao seguro-desemprego,
também facultativo. Cabe ao empregador decidir se registra ou
não o doméstico no FGTS.
Diaristas
Já no caso do diarista, ele só
tem acesso a esses direitos se sua freqüência for habitual
ou maior que duas vezes por semana ou, ainda, se trabalhar por mais
de cinco anos no mesmo local. Mesmo de forma eventual, há um
vínculo empregatício, pois neste caso, mesmo que esse
empregado trabalhe menos que duas vezes por semana, também terá
direito à formalização do contrato de trabalho.
O empregador, ao contratar um empregado
doméstico, deve preencher na carteira de trabalho os dados referentes
à data de admissão, remuneração combinada
e a função a ser exercida. A partir disso, a contribuição
previdenciária passará a ser recolhida e, caso ele decida
recolher o FGTS - que é facultativo - o trabalhador terá
direito a vantagens como indenização na rescisão
do contrato de trabalho e acesso ao seguro-desemprego.
Quando o empregador recolhe o FGTS, o
trabalhador terá direito ao seguro-desemprego. Isso significa
que o empregado doméstico que trabalhou por no mínimo
15 meses, nos últimos dois anos, de forma contínua ou
alternada, e foi dispensado sem justa causa, terá direito a receber
um salário mínimo durante três meses. O valor do
FGTS corresponde a 8% do valor da remuneração.
Denúncias
A DRT/PR recebe poucas denúncias
vindas de domésticos que, geralmente, dizem respeito ao término
do contrato de trabalho, quando o empregador não paga os direitos
do empregado. Neste caso, a DRT convoca ambas as partes para que haja
uma orientação do pagamento das dívidas.
Caso o doméstico queira denunciar
a falta de registro ele deve comparecer à DRT/PR, em qualquer
subdelegacia do Estado (Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Cascavel
e Foz do Iguaçu), ou no seu sindicato responsável. O objetivo
da delegacia é convocar o empregador e empregado, para que haja
o entendimento, sem cobrar nada.
Empregados domésticos são
todos aqueles que prestam serviços de natureza contínua
e de finalidade não lucrativa a pessoa ou a família no
âmbito residencial, ou seja, o trabalhador não pode gerar
lucros financeiros ao empregador. Enfermeiros, motoristas, faxineiras,
babás e até mesmo pilotos de avião também
podem ser considerados trabalhadores domésticos, desde que atuem
nas condições acima e tenham uma freqüência
de trabalho maior que duas vezes por semana.
Combate à informalidade
Entre as ações do governo
federal que visam reduzir a informalidade do setor, está a criação
da Medida Provisória n.º 284, de 6 de março de 2006,
que incentiva o empregador a registrar seu empregado doméstico.
A medida autoriza a dedução do valor da contribuição
patronal, paga à Previdência Social pelo empregador doméstico,
na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda das
pessoas físicas. Para o delegado do Trabalho, a iniciativa é
positiva, já que ambas as partes sairão ganhando.
Só um terço dos trabalhadores
possuem carteira assinada
Brasília (ABr) - Fazer comida,
arrumar a casa, lavar e passar roupa e ainda cuidar de crianças
durante todo o dia de segunda a sábado, em troca de um salário
mínimo por mês, com direito a férias e ao 13.º
salário.
Isso é o que prevê a regulamentação
do trabalho da empregada doméstica. No entanto, de cerca de 1,6
milhão de trabalhadoras nas seis maiores regiões metropolitanas
do País, apenas 544 mil têm a carteira de trabalho assinada.
O perfil do empregado doméstico
no Brasil está num suplemento especial divulgado ontem pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O estudo mostra
que a categoria representa 8,1% da população ocupada no
Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte
e Recife e as mulheres são a maioria.
Entre todas as mulheres que trabalham
nas seis regiões, 17,5% são faxineiras, diaristas, babás,
cozinheiras, lavadeiras, arrumadeiras ou acompanhantes de idosos ou
doentes. A pesquisa revela que nos últimos quatro anos aumentou
a procura pela profissão, principalmente em São Paulo
e no Rio de Janeiro, onde os salários pagos são maiores.
O nível de instrução
das domésticas ainda é muito baixo. Nem 10% delas freqüentam
a escola e apenas 36% conseguiram concluir o ensino fundamental. O estudo
revela que grande parte (37,3%) é responsável pelo domicílio
e que as negras ainda são a maioria entre as domésticas.
A presidente da Federação
Nacional das Empregadas Domésticas, Creusa Maria Oliveira, disse
que o maior desafio para o reconhecimento dos direitos da categoria
é conscientizar as próprias empregadas para exigirem das
patroas o respeito à legislação. Segundo Creusa,
muitas trabalhadoras acabam aceitando acordos para não perder
o emprego.
“Queremos que nossos direitos sejam
iguais aos dos trabalhadores comuns, mas para isso temos que mobilizar
um número maior de empregadas, o que é muito difícil
porque muitas sequer sabem ler. Então, estamos fazendo um trabalho
de base, nas praças onde as babás ficam com as crianças,
e também nas feiras, supermercados. Procuramos resgatar a auto-estima
da empregada e aproveitamos para orientá-la a procurar o seu
sindicato e exigir da patroa que assine sua carteira de trabalho”,
acrescentou.
Creusa admitiu que muitas domésticas
preferem ficar na informalidade e trabalhando em casas diferentes como
diaristas para ganhar um salário melhor. “Isso acontece,
principalmente, nas grandes cidades como Rio de Janeiro e São
Paulo, onde elas conseguem dobrar o salário no final do mês.”
Jussara Maria de Oliveira, de 35 anos,
trabalha em casa de família desde os 16 anos e nunca teve a carteira
de trabalho assinada. Segundo ela, “as patroas dizem que fica
muito caro assinar a carteira e que em troca me dão o dinheiro
da passagem e uma cesta básica. Então é melhor
ficar assim”.
A pesquisa do IBGE também mostrou
que o rendimento da empregada doméstica representa apenas 35%
do que é recebido por um trabalhador comum e quase 30% da categoria
ainda recebe menos de um salário mínimo.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
27 de abril de 2006 | Nacional
Lula lança campanha da reeleição
amanhã
Redação/O Estado do Paraná
O 13.º Encontro Nacional que
o Partido dos Trabalhadores (PT) realiza a partir de amanhã,
será palco para o lançamento das principais diretrizes
da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva. A participação de Lula no evento foi confirmada
ontem, pelo assessor especial da Presidência da República
para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia. "No
segundo mandato de Lula, a prioridade será o salto de qualidade,
com base nas conquistas já alcançadas nestes quatro anos,
e com ênfase para o crescimento econômico superior ao já
registrado", destacou Garcia, após participar, na manhã
de ontem, do encontro que reuniu os presidentes do Brasil, da Venezuela,
Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner.
Cotado para ser o coordenador do programa de governo do PT nestas eleições,
Garcia citou os principais pontos que, no seu entender, serão
a base do eventual segundo mandato de Lula: crescimento superior ao
do atual mandato, estimulado pela distribuição de renda;
respeito ao controle inflacionário e equilíbrio fiscal,
levando em conta a redução da vulnerabilidade externa
brasileira; preservação das instituições
democráticas do País; e a associação do
desenvolvimento ao dos países da América do Sul. "No
novo governo, daremos ênfase também à educação,
cultura, ciência e tecnologia", complementou.
Marco Aurélio Garcia disse que a participação do
presidente Lula neste Encontro Nacional da legenda servirá para
"animar a militância". Segundo o assessor especial,
"Lula não tomou a decisão de se candidatar à
reeleição, mas o partido já tomou a decisão
por dele". E complementou: "Lula é a nossa grande liderança".
A exemplo de outros dirigentes petistas, como o presidente nacional
da legenda, Ricardo Berzoini, Garcia também acredita que a crise
política que o governo e o PT enfrentaram "já foi
absorvida há muito tempo". Neste encontro, os integrantes
da legenda terão como prioridade a reeleição de
Lula, e deixarão os temas polêmicos de lado. "Este
governo enfrentou uma crise com duros ataques permanentes, e conseguiu
manter as instituições democráticas", exemplificou
Garcia, destacando que o governo espera agora o julgamento da Justiça.
"E nós confiamos nas instituições deste País",
completou.
Na avaliação de Marco Aurélio Garcia, é
fundamental apresentar à sociedade "o acervo de todas as
importantes realizações do governo Lula". Após
o Encontro Nacional da legenda, que termina no domingo (30), ele destacou
que as sugestões para o programa de governo começarão
a ser discutidas com os partidos aliados nesta campanha presidencial.
Partido esquece valerioduto em balanço
interno sobre corrupção
Brasília (AE) - Numa das mais notáveis acrobacias já
feitas em seus 26 anos de existência, o PT conseguiu publicar
um boletim sobre o combate à corrupção por parte
do governo de Luiz Inácio Lula da Silva sem tocar no maior escândalo
dos últimos tempos no País, o mensalão. Em nenhuma
linha das oito páginas de O cerco à corrupção
é dito que com o mensalão caiu parte da cúpula
do governo, toda a direção do PT, as presidências
do PL, PP e PTB, partidos aliados, e as diretorias de estatais como
os Correios e Furnas.
Também não é lembrado pela publicação
que por causa do mensalão foram feitas no Congresso duas CPIs
e que 40 pessoas foram indiciadas pelo procurador-geral da República,
Antônio Fernando de Souza, entre elas os ex-ministros petistas
José Dirceu (Casa Civil, cassado) e Luiz Gushiken, o ex-presidente
do PT José Genoino, o ex-secretário-geral Sílvio
Pereira e o ex-tesoureiro Delúbio Soares. Todos os cinco tiveram
papel fundamental na eleição de Lula. Dirceu e Gushiken
foram coordenadores da campanha do candidato petista, em 2002; Silvinho
e Delúbio eram dois dos principais dirigentes partidários;
Genoino foi candidato ao governo de São Paulo.
Como nada disso é tratado no boletim que será distribuído
no Encontro Nacional do PT, o partido preferiu cuidar de outras corrupções.
Assim, afirma que desde 2003 o governo do presidente Lula "vem
desmontando esquemas históricos de fraude e corrupção
contra o Estado e a sociedade por meio da reestruturação
de mecanismos de prevenção, controle, fiscalização
e combate a todo tipo de crime ligado à dilapidação
do patrimônio público".
PT usará encontro para "enterrar"
crise
São Paulo (AE) - A presença do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no encontro nacional do PT, no próximo final de
semana, deve ajudar o partido a deixar para trás os temas da
crise política e do mensalão para se dedicar à
questão da reeleição. Lula, que manteve um distanciamento
do partido desde a eclosão da crise e compareceu a poucos eventos
da sigla nos últimos meses, estará presente no encontro
amanhã à tarde. E, mesmo sem assumir publicamente sua
candidatura, estará diante de uma série de discussões
sobre a reeleição.
O encontro nacional, que se estende até domingo, será
centrado em temas como a estratégia do partido para a eleição,
as linhas para o programa de governo de um eventual segundo mandato
e política de alianças da sigla. O debate tem por base
textos elaborados por comissões internas do PT.
Segundo o presidente nacional da sigla, deputado federal Ricardo Berzoini,
o encontro permitirá mostrar um clima de unidade partidária
e um esforço conjunto em torno do tema da reeleição
de Lula, depois do período de turbulência atravessado pelo
PT. "O clima é de unidade, de confiança mútua",
disse. Berzoini, que vem defendendo há algum tempo que o debate
sobre a crise já não é mais prioridade dentro do
partido, acrescentou que os que esperam encontrar discussões
polêmicas sobre este tema deixarão o evento decepcionados.
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JORNAL O VALOR ECONÔMICO,
27 de abril de 2006 | Economia
Emprego ganha qualidade e paga salário
maior
Em média, um trabalhador brasileiro
que conseguiu emprego com carteira assinada em fevereiro deste ano foi
contratado por um salário de R$ 583, valor 4,1% superior ao dos
que conseguiram um trabalho no mesmo mês de 2005, já descontada
a inflação.
No ano passado, nessa mesma comparação,
o salário médio dos novos admitidos no mercado cresceu
bem menos: 1,7% em relação a 2004, segundo dados da MB
Associados. Além do saldo entre vagas abertas e fechadas ter
sido recorde em fevereiro - 176,6 mil em 2006, um aumento de 140% em
relação ao mesmo mês do ano passado -, a qualidade
dos novos empregos também é melhor. A indústria
de transformação, setor que, tradicionalmente, paga os
salários mais altos, abriu 23,5 mil postos em fevereiro. No bimestre,
o número beira os 43 mil. Já em 2005, em fevereiro, esse
setor teve um saldo entre demissões e contratações
de apenas 810 vagas e, no bimestre, o saldo foi de 33,6 mil.
Para Marcelo de Ávila, economista
do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esses números
sinalizam uma recuperação da indústria e a continuidade
da melhora do mercado de trabalho em 2006. Outra notícia positiva
diz respeito à diferença de salários de quem é
contratado e de quem é demitido. Há dez anos, por exemplo,
o salário dos admitidos equivalia a 84% do rendimento dos desligados.
Em 2005, esse percentual foi de 89%. Fábio Romão, da LCA
Consultores, que fez os cálculos com base nos dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do
Trabalho, acredita que essa diferença entre rendimentos tem ficado
maior ao longo dos anos por conta de uma maior demanda por trabalhadores
nos setores que empregam mão-de-obra mais qualificada.
Séries
É o caso das instituições
financeiras. Nos dois primeiros meses deste ano, o saldo de vagas nesse
ramo de atividade chegou a 4,5 mil. Em igual período de 2005,
a quantidade de novos empregos formais foi quatro vezes menor: 1,1 mil
postos. Estruturalmente, o rendimento de quem acaba de arrumar um emprego
é menor do que o daqueles que estão deixando o mercado.
Isso acontece porque um profissional que está há mais
tempo empregado já passou por aumentos salariais, como os dissídios
da categoria. E, ao mesmo tempo, para quem é admitido este pode
ser o primeiro emprego ou então um novo trabalho depois de muito
tempo desocupado, o que leva os trabalhadores a aceitarem salários
menores. "Nos últimos anos, no entanto, a tendência
tem sido de redução do espaço entre os salários",
comenta Romão.
A análise das séries
do salário médio desde 1996 até agora também
indica que o rendimento dos contratados é bem mais volátil
do que o dos demitidos. Em tempos de pouco crescimento, como em 2002,
quando o PIB cresceu apenas 1,9% , o salário de admissão
despencou 21% e o dos demitidos sofreu uma redução de
17%. Nesses períodos, mais pessoas procuram emprego para ajudar
na renda familiar. Com um contingente maior de pessoas em busca de trabalho,
a pressão por aumento de salário é menor, ao mesmo
tempo em que a pressão inflacionária acaba sendo maior,
o que potencializa a corrosão dos salários. Há
ainda o alto custo das demissões, que faz com que os empresários
tenham mais cautela na hora de dispensar funcionários.
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PORTAL DA ILHA / FLORIANÓPOLIS,
27 de abril de 2006 | Mundo
Trabalhadores fazem greve geral na Argentina
A Central dos Trabalhadores Argentinos
(CTA), de centro-esquerda, convocou um protesto em todo o país
para 20 de abril, que incluirá greves e mobilizações,
por aumentos salariais e democracia sindical no país.
A principal mobilização
será em Buenos Aires, onde funcionários públicos
e professores universitários, entre outros, marcharão
rumo ao Ministério do Trabalho e ao Congresso. As mobilizações
ocorrerão também em 18 cidades do interior do país.
A CTA pediu hoje o aumento do salário mínimo assim como
outras organizações trabalhistas.
Pablo Micelli, secretário geral
do ATE, principal sindicato dos funcionários públicos
argentinos, pediu um aumento salarial de 30% para o setor.
Vários sindicatos envolvidos na
central sindical CGT, governista, assinaram novos acordos coletivos
de trabalho aceitando o teto salarial de 20% imposto pelo governo de
Néstor Kirchner, com a desculpa de conter a inflação.
"Querem limitar as necessidades
dos trabalhadores, mas não podem impor um limite à rentabilidade
das empresas", disse Víctor De Gennaro, secretário-geral
da CTA, com mais de um milhão de afiliados.
"Apesar de terem se passado 23 anos
desde o retorno da democracia ao país, os empresários
ainda não querem (assim como o governo) que a democracia sindical
chegue as suas fábricas", acrescentou.
A principal central sindical do país
é a CGT, fundada nos anos 40 pelo peronismo e alinhada atualmente
com o presidente Kirchner.
A CTA, de tendência social-democrata,
nasceu nos anos 90 para enfrentar as privatizações do
então presidente Carlos Menem (1989-1999), cujo modelo econômico
era apoiado pela CGT. (ANSA)
Agência ANSA
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DCI – Comércio,
Indústria e Serviços, 27 de abril de 2006
Contagem de férias pode ser alterada
PanoramaBrasil
A Comissão de Assuntos Sociais
(CAS) do Senado Federal aprovou na última quinta-feira projeto
de lei que determina que a contagem do prazo prescricional do direito
de férias dos trabalhadores começará a contar apenas
após a cessação do contrato de trabalho.
Pela atual legislação,
o trabalhador pode reclamar as férias, ou o seu pagamento, até
o prazo de 12 meses subseqüentes à data em que adquire o
direito. O Projeto de Lei 196/2003, de autoria do senador Antônio
Carlos Valadares (PSB-SE), presidente da comissão, altera o artigo
149 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e recebeu
decisão terminativa da CAS.
O senador Paulo Paim (PT-RS) destacou,
ao ler o relatório da senadora Patrícia Saboya Gomes (PSB-CE),
que a atual legislação pode beneficiar empregadores desonestos,
já que, de acordo com a Constituição, as ações
trabalhistas só podem ser efetivadas em até 2 anos após
o trabalhador deixar o emprego, permitindo que sejam discutidos apenas
direitos relativos aos 5 anos anteriores ao início da ação.
Com a prescrição qüinqüenal, o empregado pode,
atualmente, perder o direito de reclamar férias já prescritas
porque o empregador não as concedeu na época devida.
Aprendizes
A Comissão de Assuntos Sociais
do Senado Federal aprovou também projeto de lei da deputada Ann
Pontes (PMDB-PA) que garante aos aprendizes a conclusão do ensino
médio e jornada reduzida de trabalho (PLC 49/2005). A proposta
(PLC 49/2005) altera o parágrafo primeiro do artigo 428 e o caput
e o parágrafo primeiro do artigo 432 da CLT.
Ao apresentar o relatório do senador
Valdir Raupp (PMDB-RO), Paulo Paim destacou que a iniciativa é
importante por assegurar aos jovens brasileiros a conclusão também
do nível médio, e não apenas a do nível
fundamental.
Na mesma reunião, a Comissão
de Assuntos Sociais ainda aprovou o PLS 142/2004, do senador paraibano
Ney Suassuna (PMDB), que permite ao trabalhador com mais de 45 anos
de idade e que esteja desempregado sacar o saldo de sua conta individual
no Fundo de Participação PIS/Pasep.
O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG),
relator do projeto, informou ainda que a proposta também determina
que os critérios exigidos para a concessão do benefício
deverão ser definidos pelo Conselho Deliberativo do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (Codefat).
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DIÁRIO ONLINE, 27
de abril de 2006 | Política
Trabalhador sem documento pode comprovar
tempo de contribuição
Do Diário do Grande ABC
Os segurados da Previdência Social
que perderam documentos de comprovação de suas contribuições
ao órgão, como Carteira de Trabalho, podem recorrer à
empresa em que trabalharam para obtenção dos papéis
– que servirão de prova do tempo de contribuição,
como folha de registro de empregados. A documentação deve
ser posta à disposição da Previdência pelo
empregador.
Caso a empresa não tenha mais
as informações nem disponibilize um responsável
pela massa falida (no caso de falência), o trabalhador deverá
procurar a Junta Comercial de sua região, para obter provas de
que a empresa realmente existiu.
Além disso, ele deve reunir o
maior número de documentos possível da época em
que trabalhou e que façam alguma referência ao serviço
desempenhado e à sua ligação com a empresa, como
holerites, crachás, contrato de trabalho, comprovantes de FGTS,
correspondências, fotos, recibos, etc.
Justificação – Com
esses documentos, o trabalhador deve entrar com um pedido de Justificação
Administrativa em uma agência do INSS, para que o instituto analise
e verifique a possibilidade de comprovação do tempo de
contribuição. Além desses documentos, o segurado
terá de apresentar ao INSS entre três e seis testemunhas.
O período de trabalho e de contribuição
a partir de julho de 1994 poderá ser comprovado pelo INSS, numa
consulta ao CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais).
Porém, isso somente será
possível se as empresas em que o segurado trabalhou forneceram
os dados da Rais (Relação Anual de Informações
Sociais) e do FGTS ( Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
27 de abril de 2006
Comissão pode votar proibição
de filas em bancos e órgãos públicos
A Comissão de Finanças
e Tributação da Câmara dos Deputados pode votar
nesta quarta-feira (26/4) o Projeto de Lei 3832/97, do deputado Enio
Bacci (PDT-RS), que institui a obrigatoriedade de atendimento _sem filas_
nos órgãos e instituições públicas
federais, estaduais e municipais, inclusive postos de saúde e
instituições financeiras.
O relator, deputado Mussa Demes (PFL-PI),
recomenda a aprovação de substitutivo que dá prazo
máximo de 35 minutos para o atendimento ou obriga o órgão
ou banco a oferecer horário alternativo que satisfaça
o usuário.
Também está na pauta o
Projeto de Lei Complementar 106/00, do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR),
que altera a forma de definir a população municipal para
cálculo do FPM (Fundo de Participação dos Municípios),
considerando o resultado oficial do último censo sem os atuais
ajustes anuais.
A reunião deve começar
em instantes no plenário 4.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
27 de abril de 2006
Empresa que usa endereço e telefone
de outra herda também ação trabalhista
Uma empresa que está localizada
no mesmo endereço de outra, desenvolvendo a mesma atividade,
e utilizando-se dos mesmos equipamentos e linhas telefônicas pode
ser considerada sucessora e incluída em reclamação
trabalhista.
Com esse entendimento, os juízes
da 10ª Turma do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São
Paulo) determinaram a inclusão da empresa Aline Estética
no pólo passivo de uma ação trabalhista, apresentada
por um ex-manobrista, contra a Única Centro Estética Beleza
On Line e também a Iole Estética, em processo de rito
sumaríssimo (reclamações até 40 salários
mínimos).
Segundo informações da
assessoria do TRT-SP, no momento em que as empresas teriam que ser citadas,
constatou-se que existia uma outra funcionando no mesmo endereço
e ramo de atividades. Ela também se utilizava dos equipamentos
e telefones da Única e da Iole. Nessa situação,
o manobrista requereu a inclusão dessa nova empresa no pólo
passivo de sua reclamação.
O juiz da 61ª Vara do Trabalho de
São Paulo indeferiu o pedido, alegando que as diligências
demandariam tempo incompatível com os limites impostos pelo procedimento
do Rito Sumaríssimo e extinguiu a reclamação, sem
julgamento do mérito. Inconformado, o trabalhador recorreu ao
TRT-SP.
A juíza Sônia Aparecida
Gindro, relatora do recurso em segunda instância, entendeu que
"o reclamante apenas tentou se adaptar a uma situação
criada pelas rés pois, no endereço em que trabalhou, no
momento da citação foi encontrada outra empresa, a qual
atua no mesmo ramo de negócios”. A juíza ressaltou
que os sócios da nova empresa eram “coincidentemente”,
os filhos da Sra. Iole, proprietária do estabelecimento anterior.
Para a relatora, o que se observa no
processo é a prática "de má-fé por
parte das rés, as quais se estão esquivando da citação.
O Poder Judiciário não pode compactuar com tal atitude".
Se o procedimento sumaríssimo não pode ser aplicado ao
processo, destaca a juíza, "registra-se neste momento, impositivo
que se converta o rito, passando a ação a ser processada
pelo ordinário".
Por unanimidade, os juízes
da 10ª Turma, acompanharam o voto da juíza Sônia Gindro,
determinando o retorno do processo à vara para inclusão
da empresa Aline Estética no pólo passivo da ação
e, caso seja necessário, para a conversão de rito sumaríssimo
para ordinário.
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de abril de 2006
Foto no trabalho
Uso não autorizado de imagem gera
indenização
A utilização de foto de
trabalhador em campanha publicitária sem autorização
viola o direito de imagem e caracteriza dano moral. O entendimento,
reiterado diversas vezes pela Justiça do Trabalho, foi aplicado
no julgamento de um Agravo de Instrumento da Torre Empreendimento Rural
e Construções, no TST, contra a decisão de segunda
instância que mandou a empresa indenizar um ex-empregado.
Segundo os autos, a empresa publicou,
num jornal de circulação local de Aracajú (SE),
a propaganda usando a foto do trabalhador — um gari — sem
a sua autorização. O Tribunal Regional do Trabalho da
20ª Região acolheu o pedido de indenização
por danos morais, por entender que houve ofensa a seu direito de imagem.
A reparação foi fixada em R$ 1,5 mil.
Na decisão, os juízes do
TRT sergipano ressaltaram que a Constituição Federal “diz
que todos são iguais perante a lei, sem distinção
de qualquer natureza” e “assegura a inviolabilidade da intimidade,
da vida privada, da honra e da imagem das pessoas”.
A empresa recorreu ao TST. Sustentou
que “a simples publicação de foto em jornal semanário
não pode traduzir a prova de que houve lesão e dano à
imagem do trabalhador”. O ministro João Oreste Dalazen,
relator, considerou o contrário. Para ele, o uso indevido da
imagem caracteriza dano moral, passível de indenização,
conforme o Código Civil (artigo 186).
“O poder de direção
patronal está sujeito a limites inderrogáveis, como o
respeito à integridade moral do empregado que lhe é reconhecida
no plano constitucional”, ressaltou o ministro. “A utilização
da imagem sem o consentimento de seu titular configurou o ato ilícito,
independentemente do fim a que se destinava, uma vez que resultou na
violação do patrimônio jurídico personalíssimo
do trabalhador”, concluiu.
AIRR 00097/2002-920-20-40.4
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Folha de São Paulo,
27 de abril de 2006
CRISE NO GOVERNO/ VIOLAÇÃO DE
SIGILO
Em entrevista improvisada, presidente diz que nunca foi questionado
sobre o caso
Irritado, Lula se recusa a responder sobre
caseiro
EDUARDO SCOLESE, KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em uma entrevista de cerca de 20 minutos
ontem à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou, irritado, que não daria opinião sobre a quebra
do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Lula
disse ainda que todos os dias conversa com "milhares de pessoas"
e que "ninguém nunca perguntou" sobre o assunto. O
presidente falou de surpresa durante evento de lançamento de
livro do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), no Centro Cultural Banco
do Brasil, em Brasília. Disse que fará um "discurso
Lulinha, paz e amor" na reunião do encontro nacional do
PT, amanhã, em São Paulo.
A quebra dos sigilos do caseiro Francenildo
causou uma das maiores crises no governo Lula e resultou na demissão
do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e do presidente da Caixa Econômica
Federal, Jorge Mattoso. "Não dou opinião [sobre a
violação]. Isso a CPI vai julgar, a Polícia Federal
vai julgar", afirmou, antes de novamente ser questionado e demonstrar
nervosismo com o tema. "Eu ando todo o dia, converso com milhares
de pessoas e ninguém nunca me perguntou isso."
Inaugurações
Sobre sua candidatura à reeleição,
Lula voltou a dizer que ainda não está decidido, apesar
de a oposição dizer que ele já está em campanha
ao participar de inaugurações de obras. "Não
vou decidir escondido, vou decidir publicamente." Por enquanto,
ele afirma estar preocupado com a inauguração de obras.
"Se eu disser que sou candidato, eu não posso fazer [inauguração].
E se o partido [PT] fizer convenção [prevista para junho],
vai ficar mais difícil."
Ele ironizou os que reclamam de suas
ações como presidente. "Estamos numa fase em que
a única forma de as pessoas dizerem que eu não sou candidato
é se eu ficar preso das 8 da manhã até as 10 da
noite no meu gabinete e ninguém me ver. Se eu sair pra cumprimentar
alguém, vão dizer eu sou candidato." Para ele, o
livro de Mercadante, "Brasil: Primeiro Tempo - Análise Comparativa
do Governo Lula", é um "retrato fiel" do país.
"Esse livro é uma constatação", afirmou
o presidente, ao lado do líder do governo no Senado.
Economia
Antes da entrevista, chamou para uma
rápida conversa o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
Disse a ele que ouviu críticas na imprensa sobre controle da
inflação e que tanto Meirelles como o ministro Guido Mantega
(Fazenda) deveriam "ir ao debate" para responder a essas críticas.
Depois, já na conversa com a imprensa,
defendeu a política econômica do governo, citando o ex-ministro
Palocci. "Quem fez o sacrifício fomos nós. Quem foi
xingado durante meses foi o Meirelles, foi o Palocci, foi o presidente
Lula, foi o Aloizio Mercadante que nos defendia, foi o Renan. É
normal que as pessoas queiram mais."
Eleição
Lula também falou rapidamente
sobre PMDB e PSDB durante a entrevista improvisada. Questionado se a
demora de PSDB e PFL para escolher o vice do tucano Geraldo Alckmin
o favorece, afirmou: "Não tenho a menor noção."
Disse que sua preocupação atual é "ajudar"
o presidente do Senado, Renan Calheiros, a "pacificar o PMDB".
E prosseguiu, desta vez citando Alckmin. "Antigamente, no Brasil,
o PT era tido como o partido que só brigava. Hoje eu fico vendo
a situação do Renan [PMDB] e a situação
do Alckmin [PSDB], eu fico pensando: nossa, puxa vida, como o PT é
tranqüilo."
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Folha de São Paulo,
27 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Yoshiaki Nakano, um dos principais colaboradores do presidenciável
Geraldo Alckmin, propõe que déficit nominal seja zerado
Economista tucano quer desvalorizar real
CATIA SEABRA
DA REPORTAGEM LOCAL
O economista Yoshiaki Nakano, um dos
principais colaboradores do pré-candidato do PSDB à Presidência,
Geraldo Alckmin, defendeu ontem a fixação em lei de um
prazo de dois anos para que o déficit nominal seja zerado no
país. Diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação
Getúlio Vargas, ele afirma que, sem cortes capazes de permitir
que a arrecadação da União seja maior que as despesas,
não será possível voltar a crescer. "Se formos
incapazes de fazer isso, que é o mínimo, mínimo
necessário para começar a mudar, então esquece."
Na saída do debate promovido pela FGV, Nakano afirmou que o cumprimento
do prazo "depende de vontade política". "Zerando
em dois anos, sobram mais dois para governar."
Pela proposta de Nakano, a mesma lei
estabeleceria um prazo de dez anos para redução da proporção
dívida/PIB de cerca de 50% para 30%. A recuperação
econômica dependeria do casamento desse ajuste fiscal vigoroso
-em média, de 10% a 15% do PIB- com a desvalorização
do real. Segundo ele, esses são os dois "elementos-chave"
para a retomada do crescimento. "Não vejo como o país
voltar a crescer a não ser com o câmbio desvalorizado."
Assim, diz, será possível aumentar as exportações,
gerando emprego e aumentando a demanda interna.
Nakano reconhece, porém, que a
desvalorização "evidentemente, vai gerar inflação".
"Pode gerar pressão inflacionária."
Para deter a inflação, o ajuste. Segundo ele, todas as
experiências bem sucedidas de ajuste "foram precedidas por
desvalorização cambial". "Você faz ajuste
cambial e a economia começa a recuperar. Aí, pode fazer
corte de gastos -e a experiência em corte de gastos é de
10%, 15% do PIB- isso não provoca recessão." Graças
ao modelo, o governo -sem déficit- poderia reduzir a taxa de
juros por não depender mais de financiamento. "O grande
problema é fazer essa transição com dosagem correta,
de uma forma que não bote a economia numa situação
complicada."
No debate, Nakano apresentou o ajuste
como meio de garantir investimentos em infra-estrutura. "Precisamos
recompor o Estado desenvolvimentista. Não precisamos mais ter
vergonha de ser desenvolvimentista. Até pouco tempo, quando se
falava em desenvolvimentismo, você era pichado de toda forma.
Agora, já tenho até coragem de falar que precisamos de
um Estado desenvolvimentista", disse o economista.
Ele citou exemplos de sua atuação
no governo Mario Covas (1995-2001), mas disse que não haveria
receita para ajuste. "Como faz? Cortando. Não tem jeito.
É uma caixa-preta. Você vai descobrir o que está
lá dentro", disse. Questionado, Nakano apontou Alckmin como
candidato capaz de implementar essas medidas, "por ter saído
da mesma escola". Secretário no governo Covas, Nakano presta
assessoria informal a Alckmin, desde 2005, quando era chamado, aos domingos,
ao Palácio dos Bandeirantes. Alckmin costuma consultá-lo
antes de viagens pelo país, como a que fez a Rio Verde, em Goiás.
Segundo o coordenador de programa de Alckmin, João Carlos Meirelles,
Nakano é um dos "principais colaboradores" do tucano.
Mas o candidato ouve "várias vertentes para decidir a que
melhor casa crescimento e desenvolvimento social".
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Folha de São Paulo,
27 de abril de 2006
TRABALHO
Após forte expansão em fevereiro, mercado contrata número
menor de trabalhadores em março, segundo o Caged
Empregos com registro crescem menos
FERNANDO ITOKAZU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois da forte expansão em fevereiro,
o mercado do emprego formal no país gerou em março bem
menos vagas do que as registradas no mês anterior e no mesmo período
do ano passado. Na avaliação do ministro Luiz Marinho
(Trabalho), o resultado era esperado, já que em fevereiro a geração
de empregos formais havia sido "excepcional". Descontadas
as demissões, o saldo de empregos formais no mês passado
foi de 76.455 postos de trabalho. Em fevereiro, foram criadas 176.632
vagas e, em março de 2005, 102.965.
"Como o resultado anterior foi o
melhor registrado nos meses de fevereiro, era esperado que em março
fosse inferior", afirmou o ministro do Trabalho. "Houve antecipação
de contratação ou postergação de demissões."
Para o Ministério do Trabalho, os dados de março não
representam sinal de arrefecimento no ritmo de geração
de empregos. Os primeiros meses do ano são influenciados por
fatores sazonais, como antecipação de safra, ciclo escolar
e período de chuvas. Segundo o ministério, esses fatores
podem se concentrar em janeiro ou em fevereiro e março. "O
que é importante é o acumulado no trimestre", disse
Marinho.
Entre janeiro e março foram criados
339.703 novos postos de trabalho com carteira assinada. Esse resultado
é superior ao do mesmo período de 2005, quando ficou em
292.222 vagas, mas inferior ao primeiro trimestre de 2004 (347.392 vagas).
Para o governo, esses dados representam a tendência para o ano.
"Tenho convicção de que 2006 será melhor do
que 2005", afirmou Marinho, acrescentando, porém, que não
deve ser superado o recorde de 2004. O Caged (Cadastro Geral de Empregados
e Desempregados), criado em 1992 e que mede o emprego formal do país,
registrou naquele ano a criação de 1,523 milhão
de vagas.
No ano passado, foi criado 1,253 milhão
de empregos. A previsão do governo é que em 2006 seja
gerado entre 1,35 milhão e 1,40 milhão de vagas. Marinho
explicou que a melhora em relação ao ano passado pode
ser explicada pela trajetória macroeconômica. "Durante
o ano passado, a economia toda reclamou da taxa Selic", afirmou.
Os juros chegaram, em setembro de 2005, a 19,75% ao ano. Na semana passada,
o Banco Central reduziu novamente em 0,75 ponto percentual os juros
básicos da economia, que chegaram a 15,75% ao ano. O novo salário
mínimo, de R$ 350 e que será pago a partir do mês
que vem, também foi citado como estímulo para o aumento
de vagas. "O reajuste agregará consumo, movimentação
na economia, aumento de demanda e, portanto, mais emprego."
Destaques
O maior saldo líquido de contratações
foi obtido pelo setor de serviços, com 40.725 postos. A indústria
de transformação ficou em segundo lugar, com 25.062. Luiz
Marinho citou ainda a agropecuária (6.765), que mostra recuperação
da crise que afetou o setor, e a construção civil (5.203),
que sofre, nesse período, com a influência sazonal da chuva,
mas esse fator negativo tem sido compensado pelas medidas de incentivo
ao setor. Dos setores analisados pelo Caged, somente o comércio
registrou queda no nível de emprego em março, com 8.573
postos fechados. O resultado foi fortemente influenciado pelo comércio
varejista, que reduziu o número de assalariados com carteira
assinada em 11.602 postos. Após apresentar os dados de março,
o ministro se mostrou otimista no curto prazo. "Historicamente,
os resultados de abril são superiores a março", disse
Marinho.
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Folha de São Paulo,
27 de abril de 2006
HERANÇA DOS PLANOS
Em ação, CUT obteve pagamento maior do que de acordo
Sindicato quer nova correção
de FGTS
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Advogados que representam sindicatos
beneficiados na ação civil pública que garante
o pagamento da correção do FGTS (Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço) referente aos planos Verão (1989) e
Collor 1 (1990) recorreram à Justiça para pedir que a
Caixa Econômica Federal convoque todas as entidades beneficiadas
na ação para firmar o mesmo acordo assinado com a CUT.
A Caixa fez acordo com 52 sindicatos cutistas que prevê o pagamento
da correção de 16,64% do Plano Verão e de 44,8%
do Plano Collor 1, além da aplicação da TR (Taxa
Referencial) e mais 3% ao ano. Hoje, mais 31 sindicatos da CUT firmarão
acordo com a CEF.
Só têm direito às
correções os trabalhadores que tinham conta no fundo com
saldo em janeiro de 1989 e/ ou abril de 1990 e não assinaram
o termo de adesão proposto pelo governo. "Por que a Caixa
fechou acordo com 52 sindicatos da CUT quando existem mais de 3.000
habilitados nos 39 volumes desse processo?", questiona o advogado
João José Sady. Ele representa, na ação
civil pública, o sindicato dos trabalhadores em processamento
de dados nas estatais da capital.
O advogado entrou com pedido de liminar
no TRF (Tribunal Regional Federal) de São Paulo no último
dia 18 para pedir que a Caixa publique um edital convocando "todas
as entidades habilitadas no processo para que venham a aderir ao acordo
[feito com a CUT]" e que estenda a todas elas os mesmos benefícios
firmados com os sindicatos da central. Para Sady, é preciso lembrar
que "não foi só a CUT que entrou com a ação"
que pedia a correção das perdas do FGTS. Em sua petição
ao desembargador federal André Nabarrete, relator do processo
que determina o pagamento dos expurgos, o advogado afirma que "não
se pode acusar a Caixa, sob gestão petista, de estar privilegiando
os filiados à CUT, sabidamente ligada ao PT.
Mas o banco oficial adotaria uma atitude
mais justa se estendesse os termos a todos os trabalhadores aos quais
ainda é devido o FGTS. Afinal, o Sol deve nascer para todos".
A Federação dos Empregados no Comércio do Estado
de São Paulo, entidade que reúne cerca de 60 sindicatos,
também recorreu ao TRF com o mesmo pedido. "O propagado
"acordo da CUT" deve obrigatoriamente ser estendido a todos
os trabalhadores", informa, em sua petição, o advogado
Hedair de Arruda Falcão Filho, que representa a federação
dos comerciários.
O gerente de FGTS em São Paulo,
Gildásio Freitas Silveira, representante da Caixa nos acordos
firmados com os sindicatos, nega que tenha havido qualquer favorecimento
à CUT. "Foi a central que nos procurou. Qualquer sindicato
que esteja habilitado nessa ação pode nos procurar para
fazer um acordo nesses moldes." Ele afirmou que "vários
acordos" -não soube precisar quantos- foram firmados, antes
mesmo do assinado com a CUT, com sindicatos ligados a outras centrais
ou independentes. Citou o dos ferroviários, o dos engenheiros
e o dos eletricitários.
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Folha de São Paulo,
27 de abril de 2006
RETRATO DO BRASIL
Negros e pardos representam 62% da categoria, mostra estudo
Melhora nível escolar dos domésticos,
aponta IBGE
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Apesar da melhora no nível de
instrução dos empregados domésticos, o perfil desse
contingente de 1,6 milhão de pessoas nas seis principais regiões
metropolitanas revela que 64% têm menos de oito anos de estudo
e que 61,8% são negros ou pardos, diz estudo do IBGE (Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2002, 71% dos trabalhadores
domésticos tinham menos de oito anos de estudo, percentual que
foi caindo gradualmente até 2006. Entre os domésticos
com menor nível de escolaridade, 44,6% tinham de 4 a 7 anos de
estudo, 12,7% possuíam 1 a 3 anos e 6,6% eram sem instrução.
"O avanço reflete a melhora
do nível de escolaridade da população como um todo,
que aumenta a cada ano, e ao fato de a maioria dos trabalhadores domésticos
serem mulheres, cujo nível de instrução é
maior do que o dos homens", afirmou Kátia Namir, economista
da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE. O número
médio de anos de estudo dos domésticos subiu de 5,4 em
março de 2002 para 5,9 anos em igual mês de 2006. A despeito
do avanço, ainda está distante da média de 9,2
anos da população ocupada -o número era de 8,7
em março de 2002.
Apesar de o rendimento dos domésticos
representar apenas 35% da renda média dos ocupados, 14,2% dos
trabalhadores desse contingente tinham mais de 11 anos de estudo (ensino
médio completo). Enquanto a renda média era de R$ 1.006,8
para todas as categorias, os domésticos ganhavam, em média,
R$ 350,5. Mais baixo, o rendimento médio dos domésticos
sofreu retração menor nos últimos anos. De março
2002 a março de 2006, a renda média dos domésticos
caiu 4,7% -menos do que o recuo de 5,6% do rendimento médio de
todos os trabalhadores.
Segundo o IBGE, as mulheres e os negros
e pardos têm presença relativamente maior no contingente
dos domésticos do que no mercado de trabalho e na estrutura da
população apta a se ocupar. O percentual de empregados
domésticos em relação ao total de ocupados era
de 8,1% em março deste ano -mais do que os 7,7% de 2002. Já
entre as mulheres, o percentual era de 17,5%, sendo a mais expressiva
forma de inserção feminina no mercado de trabalho e a
que cresceu mais desde de 2002. Segundo o IBGE, 94,3% dos empregados
domésticas eram do sexo feminino. Os pretos e pardos, por sua
vez, são 44% das pessoas em idade ativa (10 anos ou mais), contra
55,1% de brancos.
Jornada menor
A idéia de que a doméstica
acorda de manhã e só termina de trabalhar quando vai dormir
não se confirma pelos dados do IBGE, já que a jornada
média dos domésticos (de 37 horas e 36 minutos) é
4 horas e 18 minutos menor do que a média de todas as formas
de inserção no mercado de trabalho -41 horas e 54 minutos.
Para Kátia Namir, a jornada mais curta se explica pelo trabalho
como diarista, que ganha espaço nas grandes cidades. Muitos desses
profissionais, diz ela, não se ocupam a semana toda, o que faz
cair a jornada média.
O estudo do IBGE revela ainda que
as condições de trabalho são mais precárias
entre os empregados domésticos. A maioria (65,6%) não
tinha carteira assinada -esse percentual é inferior a 30% na
média. Em 2002, o percentual estava em 62,6%.
O contingente de domésticos com carteira assinada concentrava
34,4% dos trabalhadores domésticos -o percentual era de 37,4%
em março de 2002.

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