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O ESTADO DO PARANÁ, 30 de abril de 2006
Unicidade sindical, decisões do
STF, registro no MTE e medidas judiciais (2)
Edésio Passos
8. Sistema confederativo: Derivado da unicidade sindical
vigente anteriormente à CF/88, o sistema confederativo de organização
sindical foi mantido, como está expresso no inciso IV do artigo
8.º, quando permite que a contribuição da categoria
profissional, fixada pela assembléia geral, seja destinada ao
custeio do referido sistema confederativo, composto do sindicato, federações
e confederações. O Sindicato tem sua definição
na CLT (art.551 e seguintes) e as Federações Sindicais,
quer de empregados como de empregadores, são “associações
sindicais de grau superior” (art.533). A Federação
forma-se com, no mínimo, cinco sindicatos da categoria profissional
ou econômica, “desde que representem a maioria absoluta
de um grupo de atividades ou profissões idênticas, similares
ou conexas” (art.534), podendo ter base territorial estadual,
interestadual ou nacional. Já as Confederações
se constituíram com o mínimo de 3 (três) Federações
(art.535) e são especificadas pelos parágrafos do referido
artigo.
9. Centrais Sindicais: as Centrais Sindicais estão fora
da organização sindicais, não incluídas
no sistema previstas na CF/88, nem por lei ordinária. São
associações sindicais com registro apenas no cartório
de pessoas jurídicas. Mas o governo federal tem reconhecido,
de fato, a representatividade dessas entidades horizontais de cúpula,
até mesmo indicando seus membros para compor organismos da administração
pública e negociando direitos dos trabalhadores com seus dirigentes.
As Centrais são de dirigentes sindicais de trabalhadores e não
há organismos patronais correspondentes.
10. Sindicalismo pós CF/88: após as normas sobre
organização sindical constantes da CF/88, coube ao Poder
Judiciário, em especial à Justiça Comum, o STJ
e o STF, definir os parâmetros da atividade sindical. Recentemente,
com a EC 45/05, a Justiça do Trabalho passou a ter competência
para conhecer e julgar das ações derivadas dos conflitos
sindicais. Mas com os poderes de registro e de fiscalização,
o Ministério do Trabalho continuou intervindo diretamente na
organização sindical, assim como, de modo menos intenso,
a Procuradoria do Trabalho.
11. Expansão do sistema econômico: com a expansão
do sistema econômico, a inflexão derivada da nova etapa
do capitalismo globalizado e as modificações no sistema
produtivo, as categorias econômicas e profissionais foram se multiplicando
e originando novas estruturas, diferenciadas dos planos básicos
da organização sindical prevista na CLT. Neste sentido,
sindicatos de tipo novo foram constituídos, reconhecidos judicial
ou administrativamente. Essa inovação também tem
relevante marca com a criação dos novos sindicatos, federações
e confederações derivadas dos trabalhadores do setor público.
12. A reforma sindical frustrada: mas quer no plano
das organizações sindicais de trabalhadores, como na de
empregadores, gradativamente veio sendo quebrada a unicidade sindical,
com o rompimento do sistema por entidades criadas pela Central Única
dos Trabalhadores, de concepção pluralista e visando combater
as entidades do sistema anterior a CF/88. Formaram-se sindicatos, federações
e confederações que buscaram o reconhecimento oficial,
mas sempre mantendo a atuação de fato. A proposta de reforma
sindical do Ministério do Trabalho, oriunda do Fórum Nacional
do Trabalho, pretendia justamente a desconstituição/desagregação
do sistema da unicidade, mas a reação nacional da grande
maioria das entidades sindicais de empregados e empregadores, impediu
a manobra, frustrando a ação ministerial sustentada especialmente
pela direção nacional da CUT.
13. Quebra da unicidade: mas se não foi possível
a quebra do sistema da unicidade sindical pela reforma pretendida, ela
vem sendo efetivada pelo reconhecimento de sindicatos, federações
e confederações paralelas ou desdobradas das entidades
sindicais do plano básico. O mais recente exemplo dessa desconstituição
pela decisão do Ministério do Trabalho, é a aprovação
da nota técnica que reconhece a existência legal da Confederação
Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro Contraf organização
sustenta pela política da Central Única dos Trabalhadores.
14. Nota Técnica n.º 111/06: A Nota Técnica
n.º 111/06 (Proc. 46000.002554/2006-46, pedido de registro sindical)
desconsidera a impugnação apresentada pela confederação
do plano básico anterior a CF/88( Confederação
Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito Contec), assim
como a impugnação apresentada pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores no Comércio, concluindo que não
há conflito de representação com a entidade que
requereu registro, que passará a representar “a categoria
dos trabalhadores em Bancos Comerciais, Bancos de Investimentos, Financeiros,
Cadernetas de Poupança, Caixas Econômicas, Bancos Múltiplos,
Cooperativas de Crédito em Geral, como também os Trabalhadores
em Empresas Coligadas pertencentes ou contratadas por Grupo Econômico
Bancário ou Financeiro, cujo desempenho profissional contribua
de forma direta ou indireta para consecução e desenvolvimento
da atividade preponderante da empresa principal, com abrangência
Nacional, uma vez que foram atendidas as exigências da portaria
nº343/00)”.
15. Pluralismo sindical: se esta decisão do Ministério
do Trabalho, adotada em pedido de registro com tramitação
rapidíssima, menos de 90 dias (há processos de registro
sindical tramitando há muitos anos no MTE), não for anulada
pela Justiça do Trabalho, confirma-se a linha oficial no sentido
de, com base na concepção da Central Única dos
Trabalhadores, reconhecer as entidades paralelas, rompendo com a unicidade
sindical e avançando rumo ao pluralismo sindical. No caso concreto,
se mantida a legalidade da Contraf, poderão ser criadas Federações
e Sindicatos a sua imagem e semelhança, em um sistema confederativo
duplo.
16. Fragmentação da CNTI: ao mesmo tempo
em que o MTE reconhecida a Contraf, paralela à Contec, a CUT
e a Força Sindical davam seqüência à decisão
de fragmentar a Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Indústria (Cnti), entidade fundamental na luta contra a quebra
da unicidade sindical e uma das fundadores da Nova Central Sindical
dos Trabalhadores(NCST). Neste sentido, no mesmo rumo da Contraf, foi
fundadas a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas
Indústrias Têxtil, Vestuário, Couro, Calçados
e Afins e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas
Indústrias da Construção, da Madeira e Assemelhados,
esta última em assembléia no dia 07 de abril, em São
Paulo, pelas federações do Acre, Amazonas, Bahia e Espírito
Santo, mesmo diante da oposição da maioria, ou seja, outras
doze federações estaduais contrárias à divisão
proposta. Esta assembléia está sub judice, por decisão
do Juiz do Trabalho Dr. Eduardo Ranulssi, do TRT da 2.ª Região,
ao despachar liminarmente medida cautelar da CNTI.
O presidente da CNTI e presidente da Nova Central, ex-ministro José
Calixto Ramos, afirmou, em nota oficial: “Temos afirmado, em todas
as oportunidades, que existem caminhos legais para criar entidades sindicais,
porém não podemos admitir que dividam a CNTI através
de processos forjados, mentirosos e ilegítimos, simplesmente
para atender interesses individuais ou de grupos. Portanto, fiquem certos
de que a CNTI, no que lhe couber, não deixará passar desapercebida
essa manobra sórdida que investem contra esta entidade”.
18. Medidas judiciais: os inúmeros conflitos
que estão surgindo entre as entidades sindicais e contra a ação
do Ministério do Trabalho e Emprego, tendem a aumentar gradativamente,
na medida em que fracassaram as tentativas de uma ação
coordenada visando aprovar emenda constitucional e legislação
de sustento que viabilizem o aperfeiçoamento da organização
sindical, possibilitando que os trabalhadores possam ter um sistema
eficaz de representação. Entretanto, as justificativas
teóricas que indeferem impugnações das entidades
historicamente constituídas, em favor de entidades respaldadas
pela política do Ministério do Trabalho, levará
o movimento sindical a um processo de radicalização permanente,
em prejuízo da proposta do Presidente Luiz Inácio Lula
da Silva em promover o aperfeiçoamento da organização
sindical. Além disso, os prejuízos serão contabilizados
pela classe trabalhadora, submetida a um processo de fragmentação
que somente a debilitará.
Edésio Passos é advogado,
ex-deputado federal (PT/PR) e membro da Comissão Nacional de
Direito e Relações do Trabalho do Ministério do
Trabalho e Emprego. E-mail: edesiopassos@terra.com.br.
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Nova Central, 1º de
maio de 2006
1º DE MAIO
Dia Mundial do Trabalho
Criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris, o Dia
Mundial do Trabalho homenageia a greve geral do dia 1º de maio
de 1886, ocorrida em Chicago. Na época, a cidade era o principal
centro industrial dos Estados Unidos. A palavra de ordem principal era
redução de jornada para 8 horas diárias. A repressão
ao movimento foi violenta, resultando em ferimentos, prisões
e mortes. Em memória dos mártires de Chicago e das suas
reivindicações operárias; pelo significado do movimento
para todos os trabalhadores do mundo, em luta pelos seus direitos, o
1º de Maio passou a ser Dia Mundial do Trabalho.
Hoje, 120 anos depois, a luta continua.
Neste período, a classe trabalhadora conquistou avanços
significativos, com a legalização de direitos antes negados
e até severamente reprimidos. O direito de greve, proteção
social, contrato de trabalho, organização sindical, a
unicidade sindical, as jornada de 8 horas, tudo isso veio com luta e
muito sacrifício, sempre em momentos de grande unidade dos trabalhadores.
Essas conquistas não podem ser tomadas. Por isto é preciso
resistir e lutar por nenhum direito a menos. E os trabalhadores sabem
como lutar. Como na França, onde impediram o governo do presidente
Jacques Chirac de impor a demissão, sem justa causa, para todos
os jovens de até 26 anos de idade.
Ou como no Brasil, onde os trabalhadores
organizados pelo sistema confederativo impediram a aprovação
da reforma sindical-trabalhista do primeiro Governo Lula. Assim, neste
primeiro de maio, em vez de sorteios, shows pirotécnicos e artísticos,
a NOVA CENTRAL propõe a unidade de todos os trabalhadores na
luta para garantir que não haverá NENHUM DIREITO A MENOS.
Brasília, 1º de maio de 2006. NOVA CENTRAL SINDICAL DE TRABALHADORES
– NCST.
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Agência Câmara,
29 de abril de 2006
Trabalho aprova treinamento profissional
para jovens
A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço
Público aprovou na terça-feira (25) o Projeto de Lei 2084/03,
do deputado Paes Landim (PFL-PI), que prevê aproveitamento de
jovens dispensados do serviço militar obrigatório por
meio de um programa de treinamento profissional. O parecer do relator,
deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), foi favorável. Para o relator,
a proposta tem "inegável valor social", pois enfrenta
dois fatores de exclusão do mercado de trabalho que não
decorrem da vontade ou do interesse do trabalhador: a inexperiência
profissional e a espera pela definição relativa ao cumprimento
ou não do serviço militar obrigatório. Picciani
afirma que o serviço militar obrigatório "é
inclusive um ônus público que o jovem deve suportar em
benefício da segurança nacional".
Garantias
O relator considera que o PL 2084/03
cria "um disciplinamento jurídico que permite aos órgãos
públicos abrir suas portas aos jovens como aprendizes, assegurando-lhes,
ao mesmo tempo, um mínimo de garantias trabalhistas". O
projeto beneficia também os demais jovens de 16 a 18 anos ao
determinar que União, estados, municípios, Distrito Federal
e empresas podem contratá-los, pelo prazo máximo de 12
meses, na condição de aprendizes. Emenda do deputado Leonardo
Picciani que foi incorporada ao texto proíbe o trabalho insalubre
ou perigoso dos jovens.
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Agência Senado, 29
de abril de 2006
Projeto prevê incentivo fiscal
a empresário que doar material de construção para
moradia popular
A senadora Maria do Carmo Alves (PFL-SE) apresentou projeto de lei (PLS
35/06), que prevê incentivo fiscal, com dedução
no Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para as empresas que realizarem
doações de material de construção a programas
governamentais de habilitação popular. Pelo projeto, a
pessoa jurídica, tributada pelo IR na base do lucro real, poderá
deduzir até 5% do imposto devido, desde que referentes à
metade do valor das doações de materiais de construção
civil para uso em programa governamentais de habitação
popular, a cargo da União, de estados, DF ou de municípios.
Em sua justificativa, Maria do
Carmo argumenta que a moradia popular representa um dos grandes problemas
do Brasil, com um déficit de 6,5 milhões de unidades,
acrescidas de 400 mil novas carências por ano. A senadora lembra,
ainda, que 92% do déficit em moradias concentram-se em famílias
com renda inferior a cinco salários mínimos, exatamente
as que são atendidas em programas de moradia popular. Assim,
ela espera que o mecanismo criado pelo projeto possa estimular a participação
solidária da iniciativa privada na tarefa de assegurar a todos
os brasileiros o direito a uma moradia digna.
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Diário Vermelho,
30 de abril de 2006
380 mil acidentes de trabalho por ano,
"verdadeira guerra"
O Brasil tem um prejuízo aproximado de R$ 21 bilhões por
ano com gastos em acidentes de trabalho. Este número, resultado
de pesquisa realizada pela Fundação de Economia da USP
e que representa cerca de 4% do PIB brasileiro, é citado pelo
chefe do Setor de Saúde e Segurança no Trabalho, do Ministério
do Trabalho do Paraná, Sergio Barros, como uma catástrofe
para o país. "Uma verdadeira guerra, em que são feridos
anualmente 380 mil trabalhadores e 1% desse total vai a óbito",
diz Barros.
A última estatística realizada
pelo Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, em
2004, mostra que o número de acidentes de trabalho no Paraná,
aumentou em relação a anos anteriores. De 35.185 acidentes
com processos encerrados pelo Instituto Nacional de Seguridade Social
(INSS) depois de completado o tratamento e indenizadas as seqüelas,
212 trabalhadores morreram e 968 ficaram permanentemente incapacitados.
Em 2003 haviam sido registrados 30.906 acidentes com 225 óbitos,
que deixaram 846 pessoas inválidas. De 2003 para 2004 houve um
aumento de mais de 4,3 mil acidentes de trabalho.
Levantamento realizado pelo Comitê
Estadual de Investigação de Óbitos e Amputações
Relacionadas ao Trabalho – formado por representantes de diversos
órgãos e instituições, como o Ministério
Público, secretarias estaduais, INSS e a Delegacia Regional do
Trabalho, mostra: em Curitiba, de 1998 a 2005, foram investigados pela
Secretaria da Saúde 716 óbitos, 365 amputações
e 810 acidentes graves supostamente relacionados a atividades laborais.
A atualização e a exatidão
desses dados , segundo Barros, se torna difícil porque menos
da metade dos acidentes de trabalho que acontecem no Estado são
notificados às autoridades. "E o grande número de
trabalhadores no mercado informal faz com que esta estatística
possa ser duplicada", observa. A representante do Ministério
Público do Paraná no comitê, Roselene Sonda, defende
a criação de um banco de dados que reúna informações
dos diversos órgãos que atuam nesses casos, pois os números
desencontrados dificultam que o governo adote uma política pública
eficiente para reverter o quadro.
Industrialização pode
agravar o quadro
Há um aumento do número
de acidentes no Paraná, nos últimos anos. Em 2001 foram
cerca de 24 mil, em 2003 saltaram para 30 mil e em 2004, para 35 mil.
Isto pode ser atribuído, segundo o representante do ministério,
à retomada da economia paranaense, que nos últimos dez
anos teve seu PIB aumentado de R$ 35 para R$ 70 bilhões. "O
processo de industrialização pode ter contribuído
para esse aumento, principalmente nos setores madeireiro, moveleiro
e agrícola".
No interior do estado, grande parte
dos maquinários é antiga e oferece riscos ao trabalhador,
que na maioria das vezes não recebe o treinamento adequado. Barros
reclama do pequeno número de auditores fiscais para realizar
o trabalho de orientação sobre segurança nas empresas.
Segundo ele, em todo o Brasil são apenas 3 mil e no Paraná,
são 140 fiscais mais 35 especialistas na área de segurança
do trabalho. Cada um deles, atende uma média de 30 empresas por
mês.
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Diário Vermelho,
30 de abril de 2006
OIT discute desemprego nas Américas
com 35 países em Brasília
Começa na próxima terça-feira (2), em Brasília,
a 16ª Reunião Regional Americana da Organização
Internacional do Trabalho (OIT). O encontro vai reunir trabalhadores,
empregadores e representantes de governo de 35 países do continente
americano. Segundo a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo,
o tema principal é uma agenda hemisférica para a geração
do trabalho decente que será apresentada pelo diretor-geral da
OIT, Juan Somavia.
"O que a OIT vem assinalando já
há vários anos é que não basta ter qualquer
emprego ou ocupação. É necessário que esse
emprego cumpra certas condições mínimas em termos
de remuneração, direitos do trabalho, proteção
social, e de ausência de discriminação", explicou
Abramo em entrevista à Rádio Nacional. Ela acrescenta
que "a questão da igualdade de oportunidades é um
aspecto central do que nós chamamos de agenda do trabalho decente
- para que as pessoas possam realmente não viver numa situação
de pobreza e viver completamente a sua cidadania".
Dados da OIT apontam que existem
cerca de 18,3 milhões de desempregados na América Latina.
Além disso, de 10 empregos criados, sete estão no setor
informal em condições precárias. De acordo com
a diretora, no mundo inteiro existe um déficit de trabalho decente.
Metade da população trabalhadora vive com menos de US$
2 por dia.
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O ESTADO DO PARANÁ,
02 de fevereiro de 2006
OIT apresenta plano contra a informalidade
Segundo a Organização Internacional
do Trabalho (OIT), um dos passos para combater o trabalho infantil é
a existência de programas sociais que evitem que as crianças
permaneçam nessa situação.
No caso do Brasil, essa etapa foi feita com a implantação
e a ampliação de um programa de transferência de
renda, o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil
(Peti), ligado ao Bolsa Família e gerido pelo Ministério
do Desenvolvimento Social.
A secretária-executiva do Fórum de Combate à Exploração
da Criança e do Adolescente, Isa Oliveira, diz que a principal
diferença do Peti para os demais programas de transferência
de renda do governo são as atividades de "contra-turno".
"Em turno diferente do cursado na escola, as crianças praticam
esportes e outras atividades sócio-educativas", explica.
As atividades são realizadas pelas prefeituras e órgãos
de assistência social. Para o pagamento de professores, aquisição
de equipamento e manutenção do local, o governo federal
repassa às prefeituras R$ 10 por criança atendida nas
cidades urbanas e R$ 20 em zonas rurais. Em 2002, o Peti atendia a 810
mil crianças. Hoje, 1,1 milhão são atendidas. Mais
de 2,7 mil municípios já aderiram ao programa.
O trabalho no campo é o que mais emprega crianças. As
áreas urbanas são as principais empregadoras de adolescentes,
a partir dos 15 anos. O Piauí é o estado campeão
em trabalho infantil. Seguido de Rondônia, Maranhão, Pará
e Bahia.
Os problemas brasileiros também são comuns aos países
vizinhos. Cerca de 18,3 milhões de trabalhadores urbanos estão
desempregados na América Latina. Sete de cada dez novos empregos
são criados em condições de precariedade no setor
informal.
Em todo o mundo, há aproximadamente 192 milhões de pessoas
desempregadas, o equivalente a 6% de toda a força de trabalho.
Seria necessário criar 40 milhões de novos empregos a
cada ano para atender àqueles que ingressam no mercado de trabalho.
A desigualdade de renda também é um problema mundial.
Em média, quem vive nos países mais ricos tem uma renda
20 vezes superior à de quem vive nas nações mais
pobres. Os dados são da OIT.
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Agência CUT, 1º de maio de 2006
Projeto de lei do deputado José
Pimentel é armadilha contra o trabalhador brasileiro
A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras e
Usuários de Vale-Transporte e de Outros Benefícios (Abravale)
lançou uma nota onde alerta para os riscos do projeto de Lei
de Conversão da Medida Provisória 283, cujo relator é
o deputado José Pimentel (PT-Ceará). Segundo a Abravale,
ele “esconde uma armadilha para o trabalhador brasileiro”.
LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA
No projeto de Lei de Conversão da Medida Provisória 283,
cujo relator é o deputado José Pimentel do PT do Ceará
esconde-se uma armadilha para o trabalhador brasileiro. No artigo 18º,
o texto - que trata da questão da concessão da Vale-Transporte
- determina que o empregador custeiE apenas 6% do valor gasto pelo trabalhador
para o deslocamento ao trabalho. Ou seja, exatamente o inverso do que
acontece hoje: o empregado entra com 6%, e o empregador com o restante,
94%.
Para se ter uma idéia do absurdo da proposição,
segundo estudos de mercado, um trabalhador gasta em média em
transporte R$ 150,00 por mês. Se ele ganha, por exemplo, R$ 500,00,
desembolsa em transporte R$ 30,00, em média. Se o projeto de
Lei de Conversão da MP 283 for aprovada na íntegra, este
trabalhar passará a pagar R$ 120,00 para ir ao trabalho, ou seja
4 vezes mais do que gasta hoje, ou então quase 25% de sua renda.
A Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras e
Usuários de Vale-Transporte e de Outros Benefícios (Abravale)
não só repudia esta medida por se tratar de uma espoliação
de um direito, como chama atenção para a necessidade da
discussão responsável, profunda e ética sobre a
importância do Vale-Transporte para o trabalhador.
PROTESTO - "Há apenas dois meses
o governo teve que voltar atrás quando na MP 280 permitia o pagamento
do Vale-Transporte em dinheiro, pois provou-se que essa modalidade prejudicaria
tanto empregadores como empresários. Nós da Abravale,
juntamente com entidades representativas do setor, entendemos que a
questão do Vale-Transporte ser fornecido em espécie está
encerrada", declara André Martins, presidente da entidade.
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Folha de São Paulo,
29 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Em encontro do PT, presidente afirma que adversários não
vão derrotá-lo "na disputa democrática"
Lula desafia a oposição
e diz estar pronto para rechaçá-la
MALU DELGADO, FÁBIO ZANINI
DA REPORTAGEM LOCAL
A uma platéia de quase 2.000 petistas
que pediam em coro sua reeleição o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva demonstrou pela primeira vez segurança de que vencerá
a disputa. E lançou um desafio à oposição:
"Que venham! Que venham, porque estaremos prontos para rechaçá-los".
Foi o trecho final -e mais aplaudido- de sua fala no 13º Encontro
Nacional do PT, encerrada com o jingle da campanha presidencial de 1989,
"Lula lá".
"Na disputa democrática,
eles [da oposição] não nos derrotarão",
disse. Lula atacou a oposição e a imprensa ao falar da
crise política enfrentada em seu governo. Disse que "tem
a dimensão histórica" do que está acontecendo
no país e que o PT não pode aceitar ser julgado pelo PSDB
e pelo PFL. Ironizou ainda o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002),
deixando claro que quer comparar os resultados de seu mandato com o
do tucano. "Comparar nosso governo com o passado é a mesma
coisa que comparar o Corinthians com o Íbis", disse em referência
a um clube pernambucano que já foi chamado de "o pior do
mundo".
Lula não poupou o PT e colocou
condições para entrar na disputa. Disse que só
aceita ser candidato à Presidência se o partido abrir espaço
para aliados nos Estados. "Não podemos permitir que em cada
Estado prevaleça só a vontade do Estado. Se pode prevalecer,
então não venham me dizer que a prioridade é o
projeto nacional." O PT convidou para o evento representantes de
partidos políticos aliados, como PSB e PC do B. O vice-presidente,
José Alencar (PMR), afirmou que apoiará Lula "onde
quer que esteja", numa indicação de que poderá
deixar de fazer parte da chapa na reeleição.
Representantes políticos de 16
países, como Cuba, China, Venezuela e Estados Unidos, acompanharam
o discurso de Lula. Lula afirmou ainda que muitos "companheiros"
passaram a maior parte do mandato preocupados em criticar o governo
e a política econômica em vez de "fazer oposição"
aos adversários. Disse que está preparado "fisicamente,
psicologicamente e politicamente" para a disputa. E que tudo o
que quer na vida é fazer comparações, inclusive
no campo ético. "É preciso levantar a cabeça
para não ter vergonha do debate ético. Não podemos
permitir que os setores mais conservadores venham nos dar lição
de ética."
Para o presidente, o PT, na oposição,
era "fichinha" perto do PSDB e o PFL. "Não atacávamos
as pessoas, não mexíamos nas famílias. Porque para
nós era valor sagrado, não mexíamos nas relações
pessoais", disse, referindo-se a denúncias de irregularidades
envolvendo a empresa de jogos eletrônicos de seu filho Fábio.
Bem-humorado e arranhando o espanhol em vários momentos, Lula
mencionou a presença do ex-ministro José Dirceu, que foi
ovacionado mas também vaiado por alguns petistas. Elogiou o empenho
de Dirceu e também a paciência do ex-ministro da Fazenda
Antonio Palocci para que a política econômica fosse mantida.
"Eu me lembro da preocupação
que alguns tinham do que ia acontecer conosco no primeiro ano de governo.
Nossos algozes torciam, tinham a convicção de que nós
não íamos dar conta do recado e que o Brasil estaria quebrado
no primeiro ano de governo." Em nova referência a Dirceu
e Palocci, prometeu defendê-los: "Companheiro nosso, na dúvida,
é nosso companheiro." Seguindo a linha de criticar as elites
e vincular a crise a uma espécie de disputa de classes, o presidente
disse que é vítima da má vontade dos ricos. "Tenho
noção do que uma parte muito pequena da elite política
brasileira faz com aqueles que ocupam postos que eles pensavam que eram
só deles na história deste país."
O presidente, cujo mandato foi
marcado pela tensão nas relações com meios de comunicação,
disse duvidar que exista no mundo um defensor maior que ele da liberdade
de imprensa. "Uma parte da imprensa sabe que não tem sido
democrática comigo." Em uma alfinetada em seu adversário
Geraldo Alckmin, que defende um "choque de gestão",
Lula minimizou o impacto do discurso oposicionista: "Se eles não
querem fazer disputa econômica nem projetos sociais, o que vamos
debater, choque de gestão?".
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Folha de São Paulo,
29 de abril de 2006
CAMPO MINADO
Ações somam metade do total de 2005, aponta Ouvidoria
Agrária
Invasões de terra aumentam 75%
no 1º trimestre
PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O número de invasões de
terra no campo aumentou 75% no primeiro trimestre deste ano, na comparação
com o mesmo período de 2005. Em relação aos últimos
três meses do ano passado, a ampliação foi de 233%.
De janeiro a março deste ano, houve 110 invasões de terras
-69 delas, só em março, segunda maior marca atingida no
governo Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro trimestre de 2005,
foram 63 e, no último, 33 invasões. Os sem-terra argumentam
que invasões são o meio mais eficaz de pressionar o governo
para acelerar a reforma agrária. Neste mês, convencidos
de que a reforma só sairá quando a população
das cidades considerá-la "urgente e necessária",
o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) anunciou que investirá
em ações urbanas. A declaração, radicalização
verbal em forma de ameaça no ano eleitoral, é termômetro
da insatisfação dos sem-terra com a gestão petista.
Os números de abril, mês
em que o MST historicamente atua mais ativamente -marca o aniversário
do massacre de Eldorado do Carajás, em 1996-, ainda não
estão fechados. As 69 invasões de março são
mais que o triplo da média de ações mensais dos
sem-terra. De janeiro de 2003 a dezembro de 2005, houve, em média,
21 invasões por mês. Com apenas três meses decorridos
este ano, o número de invasões, 110, chegou à metade
de todo o total do ano passado (220 casos). Os números integram
o balanço da Ouvidoria Agrária Nacional, órgão
do governo criado em 1999 para prevenir e controlar os conflitos no
campo.
Se a escalada de invasões chegou
a um dos picos no governo Lula, aparentemente as mortes no campo vão
na direção contrária. Até agora, não
houve morte comprovadamente ligada a confrontos agrários -ainda
há 22 casos em investigação. Segundo a ouvidoria,
o governo de Lula -que, em campanha, disse ser o único candidato
capaz de conter a violência no campo- registrou 880 invasões
a imóveis rurais em todo o país. No segundo mandato de
Fernando Henrique Cardoso (1999-2002), foram 999 invasões.
Desocupação
As cerca de 200 famílias
ligadas ao MST desocuparam ontem, de forma pacífica, a fazenda
Agril, no norte do Espírito Santo, invadida na quarta-feira.
Dois líderes foram detidos e, segundo a Polícia Militar,
seriam liberados até ontem à noite, após assinarem
termo circunstanciado por desobediência à ordem judicial
-o decreto de reintegração de posse da área. A
fazenda fica entre os municípios de Linhares e Aracruz (80 km
de Vitória) e pertence à Aracruz Celulose. A área
já havia sido invadida no ano passado. A coordenação
estadual do MST argumenta que parte das terras é devoluta (do
Estado), e que pretende forçar o poder público a confiscar
a área. A empresa diz que possui a documentação
da posse. Segundo a empresa, a propriedade no Espírito Santo
tem 8.700 hectares e 78% da sua extensão é coberta por
áreas passíveis de preservação ambiental.
O restante é usado para plantio de eucaliptos.
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Folha de São Paulo,
29 de abril de 2006
CRÉDITO
Valor cai a R$ 19,5 bi em 2006
FAT terá menos recurso para investimentos
FERNANDO ITOKAZU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O Codefat (Conselho Deliberativo do Fundo
de Amparo ao Trabalhador) aprovou ontem a alocação de
menos recursos neste ano para programas e linhas de crédito especiais
do que o montante inicialmente destinado a essas aplicações
no ano passado. Os chamados depósitos especiais terão
R$ 19,495 bilhões neste ano, dos quais R$ 14 bilhões de
recursos novos e R$ 5,495 bilhões da reaplicação
de investimentos. Em 2005, o Codefat aprovou a alocação
de R$ 17,715 bilhões e, com a reaplicação, o valor
passou para R$ 21,182 bilhões.
O presidente do Codefat e secretário
de Políticas Públicas e Emprego do Ministério do
Trabalho, Remígio Todeschini, afirmou que o total a ser utilizado
neste ano pode chegar a R$ 23 bilhões. O programa com maior volume
de recursos programado para 2006 é o FAT-Infra-Estrutura Econômica,
com R$ 3,812 bilhões. No ano passado, esse programa recebeu R$
3,575 bilhões.
Na seqüência entre os
programas com mais verbas, aparece o Proger Urbano, que financia micro
e pequenas empresas, cooperativas, associações, profissionais
liberais e trabalhadores dos setores formal e liberal. A destinação
ao programa neste ano é de R$ 2 bilhões. Empreendimentos
de micro e pequeno porte e infra-estrutura são duas das prioridades
citadas pelo Codefat para 2006. Todeschini também anunciou o
orçamento do FAT para este ano. Serão R$ 28,1 bilhões.
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Folha de São Paulo,
29 de abril de 2006
ACERTO COM O LEÃO
Total supera em 7% os 20,56 mi do ano passado; 98,2% dos contribuintes
entregaram pela internet
Receita recebe 22 mi de declarações
do IR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mais de 22 milhões de contribuintes
entregaram as declarações do Imposto de Renda dentro do
prazo estipulado pela Receita Federal, encerrado ontem, às 20h.
A previsão da Receita era receber 22 milhões de declarações
neste ano -7% a mais em relação aos 20,56 milhões
de 2005. O sistema on-line da Receita fechou a contagem com 21.610.796
declarações entregues por meio eletrônico. Foram
cerca de 400 mil formulários via Correios. No total, foram 22,01
milhões. O secretário da Receita, Jorge Rachid, destacou
o fato de 98,2% dos contribuintes terem feito a declaração
por meio eletrônico. No ano passado, 97,8% dos contribuintes optaram
por esse meio.
"Dá segurança ao contribuinte,
reduz o custo para a sociedade e podemos dar maior agilidade ao processo",
afirmou Rachid, que informou também que não houve congestionamento
no sistema. O dia com a maior quantidade de entregas foi quinta-feira
(penúltimo dia), com 2,4 milhões durante 20 horas. Ontem,
com tempo de entrega menor (15 horas), o volume chegou a 2,165 milhões.
O sistema da Receita tem capacidade para receber 3 milhões de
declarações por dia, sem problemas de congestionamento.
Primeiro lote
em junho
A Receita informou que pretende liberar o primeiro dos sete lotes de
restituições no dia 16 de junho próximo. Terão
prioridade no recebimento das restituições os idosos (mais
de 60 anos) e aqueles que entregaram primeiro. O supervisor nacional
do Imposto de Renda, Joaquim Adir, estima o número de idosos
em 900 mil. O último lote normal será pago em 15 de dezembro.
Os contribuintes que não entregaram as declarações
dentro do prazo terão que pagar multa de 1% ao mês sobre
o valor do IR devido, ainda que já pago.
No ano passado, os contribuintes
que não cumpriram o prazo foram 1,078 milhão, e a Receita
estima que o número deste ano seja próximo disso. O valor
mínimo da multa é de R$ 165,74, e o máximo, de
20% do IR devido. Para quem não tem imposto a pagar, a multa
é de R$ 165,74. O sistema da Receita só volta a funcionar
às 8h da próxima terça. O contribuinte que entregar
a declaração a partir da próxima semana vai receber
a notificação de multa por atraso logo após a transmissão.
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Folha de São Paulo,
30 de abril de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Diretriz aprovada ontem permite coligações com partidos
mensaleiros como PP, PTB e PL
PT atende a Lula e concede liberdade total
para alianças
FÁBIO ZANINI, EM SÃO PAULO
LILIAN CHRISTOFOLETTI, DA REPORTAGEM LOCAL
O PT aprovou ontem uma política
de alianças ampla, que inclui a possibilidade de coligações
com os partidos mais identificados com o escândalo do mensalão
(PP, PTB e PL), além do PMDB. Vetadas estão apenas alianças
com PFL e PSDB, os dois principais partidos de oposição,
que na prática já estavam excluídos em razão
da verticalização.
O PPS, que discute o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, entrou numa categoria especial -não há veto
total, mas "forte restrição". O 13º Encontro
Nacional também confirmou o presidente do partido, Ricardo Berzoini,
como coordenador-geral da campanha.
A decisão de liberar coligações
com legendas claramente de direita, como o PP (sucessor da Arena, partido
de sustentação do regime militar) veio um dia depois de
um duro discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos
1.200 delegados do encontro. Em tom de cobrança, por vezes dando
uma bronca no partido, Lula pediu que os "companheiros" cedam
espaço para outras legendas nos Estados e montem palanques grandes,
pensando sempre no projeto nacional. O PT tende a ter candidatura própria
em 20 Estados, mesmo em locais em que o partido é quase "nanico",
como Alagoas e Paraíba.
Na diretriz aprovada ontem, a direção
petista fez uma pequena concessão a alguns agrupamentos de esquerda,
que estavam preocupados em evitar um "vale-tudo" nos Estados.
Por isso, caberá ao diretório nacional dar a última
palavra sobre essas coligações. A idéia inicial
era dar autonomia completa aos diretórios locais. "É
importante que se constituam alianças com partidos que integram
a base de apoio do governo, bem como com partidos que não integram
a base, mas que nos Estados são aliados das forças democráticas
e populares e adversárias do PSDB e PFL, núcleo da oposição
conservadora que devemos derrotar", afirma a diretriz.
O trecho que menciona siglas que não
integram a base, mas podem ser aliados locais é uma referência
a PDT e PV.
Em outra concessão a grupos como Articulação de
Esquerda ("radical") e Movimento PT ("centrista"),
a diretriz aprovada pede uma "governabilidade de novo tipo"
em um hipotético segundo mandato de Lula, com "maior incidência
do PT e demais partidos de esquerda". Isso poderá abrir
caminho para o PT se apoderar ainda mais da administração
federal a partir de 2007. A autorização para coligações
amplas foi aprovada por cerca de 80% do partido. Ficaram contra apenas
a Democracia Socialista (DS, a segunda corrente interna mais importante)
e a minúscula O Trabalho, de extrema-esquerda. Essas correntes
defendiam aliança apenas com partidos de esquerda, como PSB e
PC do B.
A ordem no PT é de pragmatismo.
Mesmo o veto explícito a tucanos e pefelistas não significa
que alianças brancas em alguns Estados não sejam toleradas.
Em Sergipe, por exemplo, o petista Marcelo Déda disputará
o governo e quer Albano Franco (PSDB) como candidato ao Senado. No final
da tarde, o governo quase foi surpreendido com uma moção
pedindo a anulação da privatização da Vale
do Rio Doce, ocorrida em 1997. O quórum baixo por pouco não
levou à aprovação da emenda, rejeitada por 358
a 305.
Descanso
Depois de visitar uma feira de habitação, inaugurar o
depósito das Casas Bahia em São Bernardo e de discursar
no encontro do PT, Lula vai passar o fim de semana no litoral paulista.
O presidente chegou na manhã de ontem ao Forte dos Andradas,
área restrita ao Exército, no Guarujá.
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Folha de São Paulo,
30 de abril de 2006
1º DE MAIO
Trabalhadores com mais de 11 anos de estudo tiveram as maiores perdas
entre 2002 e 2006, aponta estudo do IBGE
Renda dos mais instruídos cai 12%
em 4 anos
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Um diploma universitário ou o
ingresso no ensino superior não são garantias de que os
salários não se deteriorem de modo mais intenso em períodos
de crise. Estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)
obtido pela Folha aponta que as maiores perdas, entre 2002 e 2006, ocorreram
para os trabalhadores com mais de 11 anos de estudo -ou seja, os que
concluíram ao menos o ensino médio. O rendimento médio
das pessoas ocupadas com maior grau de escolaridade caiu 12,3% de março
de 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, a março
de 2006, ano final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula
da Silva.
Nessa faixa, o rendimento cedeu de R$
1.617,12 em março de 2002 para R$ 1.439,50 em março de
2006, embora tenha se recuperado de 2005 para 2006 -alta de 4,1%. Já
a faixa de escolaridade mais baixa -sem instrução ou com
até 1 ano de estudo- teve a menor perda: 0,3%. O rendimento desse
contingente baixou de R$ 420,48 para R$ 419,40. Apesar da queda diferenciada,
a distância entre os rendimentos do topo e os da base da pirâmide
de escolaridade ainda se manteve expressiva. A renda dos menos escolarizados
representava 26% do rendimento dos trabalhadores com mais anos de estudo
em março de 2002. Correspondia, em março de 2006, a 29,1%,
graças à queda mais intensa dos salários dos mais
escolarizados.
Os dados do IBGE revelam ainda que, em
geral, a perda de renda cresce conforme avança o grau de instrução
do trabalhador. O recuo ficou em 9,3% na faixa de 1 a 3 anos de estudo
-de R$ 498,74 em março de 2002 para R$ 452,40 em março
de 2006. No extrato de 4 a 7 anos de estudo, a queda foi menor: 4,3%
-de R$ 556,39 para R$ 532,30. Na camada das pessoas ocupadas com 8 a
10 anos de freqüência à escola, a retração
ficou em 9,1%, com a renda média passando de R$ 687,31 para R$
625,00.
Recuperação
Pelos dados do IBGE, o rendimento médio registrou, porém,
recuperação de março de 2005 a março de
2006. Mas novamente o avanço foi mais intenso para as faixas
de menor escolaridade. Para a camada sem instrução ou
com 1 ano de estudo, a alta foi de 15,8%. Já para a parcela de
trabalhadores com 1 a 3 anos de estudo, ficou em 9,2%. No caso dos ocupados
com 4 a 7 anos de estudo, o incremento foi de 10,1%. A renda dos trabalhadores
com 8 a 10 anos de estudo cresceu 2,7%. Já na faixa de 11 anos
ou mais, a expansão ficou em 4,1%.
Para o economista da Unicamp (Universidade
Estadual de Campinas) Marcio Pochmann, os dados reforçam a tese
de que ter diploma no país não assegura nem emprego nem
recomposição do rendimento. "Isso é só
mais uma confirmação de algo que a gente diz há
mais tempo: a escolaridade maior não representa salário
melhor e mais emprego", afirma. A maior perda real da remuneração
das pessoas com maior nível de instrução ocorre
em razão da grande oferta de mão-de-obra qualificada,
sem a contrapartida da expansão das vagas "de classe média".
A força de trabalho "abundante", diz, traz um alto
nível de competição no mercado de trabalho que
achata os salários, especialmente em períodos de fraco
nível de atividade econômica.
Com farta oferta de mão-de-obra
no Brasil, as empresas podem selecionar profissionais qualificados pagando
salários mais baixos e muitas vezes contratando um profissional
mais capacitado do que a função exigiria, segundo Pochmann.
O fenômeno, segundo ele, não é uma tendência
mundial. Trata-se de uma anomalia do mercado de trabalho brasileiro,
no qual existe uma redução de postos de trabalho que possuem
remunerações mais elevadas. "O modelo econômico
brasileiro destrói empregos de classe média. Isso é
uma questão brasileira. Muitos países estão com
forte desenvolvimento tecnológico importando mão-de-obra
qualificada", afirma Pochmann. Dos 2,5 milhões de brasileiros
que vivem no exterior, diz, boa parte são profissionais graduados
e que não encontraram boas condições de trabalho
no Brasil, buscado o mercado externo.
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Folha de São Paulo,
30 de abril de 2006
1º DE MAIO
Apesar de aumento do mínimo e das vagas, mercado vive precarização
e queda no rendimento real do trabalhador
Sob Lula, emprego cresce, mas renda cai
CLAUDIA ROLLI, FÁTIMA FERNANDES
DA REPORTAGEM LOCAL
Sob o comando do governo Lula, o salário
mínimo subiu, o desemprego diminuiu e aumentou a contratação
com carteira assinada. Mas a administração do PT não
foi capaz de inibir a precarização do mercado de trabalho,
de conter a queda do rendimento real do trabalhador e de realizar uma
das principais promessas de campanha -a reforma sindical. Essa é
a avaliação de economistas, sindicalistas, advogados e
pesquisadores sobre o desempenho do mercado de trabalho no Brasil no
governo petista.
O aumento real do salário mínimo
foi de 25,32% de 2003 a 2006, segundo o Dieese. No primeiro mandato
de FHC (1995-1998), o salário mínimo encolheu, com uma
queda real de 2,40%. Entre 1999 e 2002, segundo mandato do governo tucano,
voltou a crescer -nesse período o ganho real foi de 20,56%. Quem
ganhava salário mínimo precisava trabalhar 158 horas e
45 minutos em março de 2002 para comprar uma cesta básica
em São Paulo. Em março de 2006, o trabalhador precisou
de 130 horas. Em seis regiões metropolitanas do país,
a taxa de desemprego caiu de 12,9%, em março de 2002, para 10,4%
em março deste ano. E a população ocupada com carteira
assinada passou de 40,8% para 41,3% da PEA (População
Economicamente Ativa), no período, segundo o IBGE.
Apesar dos indicadores serem positivos,
especialistas dizem que esperavam mais de Lula, como regras para impedir
demissões e o achatamento de salários. Consideram ainda
que o governo não aproveitou as condições favoráveis
do mercado internacional para criar um modelo de crescimento sustentado
de produção e emprego -deu só continuidade à
política econômica do governo anterior.
"Emprego e salário mínimo
melhoraram nos últimos anos no país. No caso do mínimo,
a trajetória de aumento ocorre desde a desvalorização
do real, em 1999. Ainda não podemos afirmar que esse crescimento
de salário e de emprego é sustentado", afirma Maria
Cristina Cacciamali, professora da USP. Quem acompanha o mercado de
trabalho (e tem ou não afinidade com o PT) não tem dúvidas
de que alguns números são mais positivos para os trabalhadores.
"A política econômica do PT deveria estar mais comprometida
com o crescimento do país. Esperávamos que, com Lula,
o Brasil crescesse 5% ao ano, não 3%", afirma Claudio Dedecca,
economista e professor da Unicamp.
Rendimento cai
Um indicador do mercado de trabalho ainda é negativo. O rendimento
médio da população ocupada em seis regiões
metropolitanas do país, segundo o IBGE, caiu 5,6% quando comparados
os meses de março de 2002 e março de 2006 -passou de R$
1.066,08 para R$ 1.006,80. Para Clemente Ganz Lúcio, diretor
do Dieese, emprego e renda só crescem de forma sustentada se
a taxa de investimento no país aumentar. "O presidente Lula
disse que dobraria o valor do salário mínimo, não
conseguiu. Para isso, é preciso garantir o crescimento da economia.
O Brasil precisa investir 25% do PIB
ao ano. Essa taxa hoje é inferior a 20%", diz. Há
duas décadas, o pífio crescimento da economia tem reflexo
negativo no emprego e na remuneração, diz João
Sabóia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ. É bom
lembrar, segundo os especialistas, que o emprego que surgiu, na sua
maioria, é de baixa remuneração. "A precariedade
no mercado de trabalho continua elevadíssima. Tem muita gente
no Brasil que ganha menos do que um salário mínimo. A
expectativa era que todas essas questões fossem enfrentadas de
forma mais firme pelo governo", diz Sabóia.
Do 1,5 milhão de pessoas contratadas
formalmente entre janeiro e novembro de 2005, 1,023 milhão ganhavam
de 1 a 1,5 salários mínimos e 400 mil recebiam de 1,5
a 2 salários mínimos, segundo informa o sociólogo
José Pastore. "Essas duas faixas representam 95% dos novos
contratados." Para Pastore, não há o que comemorar
amanhã, Dia do Trabalho. "A taxa de desemprego caiu, mas
ainda é alta. Lula entrou com uma geração de empregos
da ordem de 1,5 milhão por ano, e a situação é
a mesma hoje. Disse que gostaria de criar 10 milhões de empregos
formais em quatro anos, mas deve abrir 6 milhões de vagas. Nada
mudou muito."
O que comemorar
"São 3,7 milhões de vagas criadas desde 2003. Claro
que há o que comemorar. Estamos retomando o crescimento da renda
e dando oportunidade aos jovens. O governo não falhou",
diz o ministro Luiz Marinho (Trabalho). O governo também não
foi capaz de conter a rotatividade, um dos principais mecanismos de
precarização do mercado de trabalho, diz Arnaldo Mazzei
Nogueira, professor da PUC-SP e da USP. "Para fortalecer o emprego,
é necessário regular as demissões e evitar que
as empresas demitam trabalhadores de salários mais altos e contratem
por menos. Nisso o governo falhou."
O nível de emprego com carteira
assinada no setor privado aumentou 10% entre 2002 e 2005, enquanto a
massa de salários dos empregados cresceu apenas 1,6%, segundo
estudo de Marcio Pochmann, professor da Unicamp. "O emprego cresce,
cada vez mais pessoas são incorporadas ao mercado. Mas o impacto
na folha de pagamento das empresas praticamente não se altera."
As críticas ao governo Lula são mais contundentes quando
o assunto é a reforma sindical. "O governo não fez
nada na área trabalhista e sindical porque prometeu segurança
aos empresários e melhorias aos empregados. Garantiu que faria
uma omelete sem quebrar nenhum ovo. Não havia como. Por isso,
"cozinhou" interminavelmente projetos de reformas", diz
o advogado trabalhista João José Sady.
"Nada aconteceu, além de
muita reunião. A reforma sindical não saiu do papel e
a trabalhista nem foi tocada. Enquanto isso, pequenas e micro empresas
continuam sobrecarregadas com despesas de contratação.
O que contribui para a incidência do trabalho informal",
afirma Pastore. O projeto de reforma sindical foi enviado à Câmara
no final de 2004, quando Ricardo Berzoini era ministro do Trabalho.
Em 2005, a crise política abalou a capacidade de ação
do governo, segundo dizem os especialistas, e impediu a realização
de mudanças na estrutura sindical.
Na análise de Adalberto
Cardoso, diretor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas
do Rio de Janeiro), apesar de o governo não ter feito mudanças
para fortalecer os sindicatos, conseguiu barrar projetos, como os do
governo FHC, que queria a flexibilização de direitos.
"Saiu de cena a proposta de impor que as negociações
entre patrões e empregados se sobrepusessem à lei, o que
poderia implicar perda de direitos históricos, como férias,
13º salário. O governo Lula voltou a assumir o compromisso
de defender e assegurar o que está na lei."
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Folha de São Paulo,
30 de abril de 2006
CUT é atacada por apoio ao governo
petista
DA REPORTAGEM LOCAL
A CUT, maior central sindical do país,
é alvo de críticas de sindicalistas e estudiosos. Eles
consideram que a central está mais distante de suas bandeiras
históricas, com a perda de autonomia em relação
ao governo petista. Como prova disso, citam o fato de o ex-presidente
da CUT, Luiz Marinho, ter assumido o cargo de ministro do Trabalho.
Mencionam ainda os elogios da direção da central ao governo
do PT. "Estou satisfeito quando olho o passado e com muita expectativa
quanto ao futuro. A implementação de um projeto de mudança
só é possível com Lula", afirmou João
Felício, presidente da CUT.
O que a CUT critica é a falta
de crescimento sustentado do país. "O país precisa
crescer entre 5% e 6% ao ano para absorver milhões de jovens
que querem entrar no mercado de trabalho. Mas não há dúvida
que esse governo foi bem melhor que o anterior", diz. Para José
Maria de Almeida, presidente do PSTU e um dos dirigentes da Conlutas,
entidade formada por movimentos populares e sindicatos que deixaram
a CUT desde 2003, o sindicalismo passa por uma "profunda"
crise. "Essa crise se expressa com a ausência gritante da
CUT nas mobilizações mais importantes do país,
como as contra a corrupção no governo Lula. A central
deixou de ser um instrumento de defesa dos interesses dos trabalhadores
quando resolveu se bandear para o governo. Várias entidades de
servidores saíram da central."
"A CUT está no poder e as
pessoas acham que isso é o fim do mundo. A central está
alinhada ao seu partido. Mas enfrenta um dilema: defende os trabalhadores
e apóia o governo." Apesar das críticas, Cardoso
diz que a CUT não perdeu espaço no governo Lula. Em 2002,
a CUT representava 3.309 entidades. No primeiro ano do governo Lula,
o número aumentou para 3.341. Até março deste ano,
chegou a 3.490. "A perda de autonomia pode comprometer a CUT no
futuro, mas a central mantém a hegemonia", diz Arnaldo Mazzei
Nogueira, professor da PUC-SP e da USP. "Reconheço que não
conseguimos avançar como oposição. Mas vamos crescer.
Desde 2003, registramos 150 sindicatos a mais por ano", diz Paulo
Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.
Para Nogueira, houve um retrocesso
no movimento sindical. "Em vez de os sindicatos se unirem, se organizarem
por ramo de produção, por exemplo, como defendiam os cutistas
e os sindicalistas que estão hoje no poder, a fragmentação
aumentou. O número de sindicatos cresce, mas sem a devida representatividade.
Essa fragmentação propicia o "peleguismo" sindical."
No primeiro ano do governo Lula, 339 novos sindicatos foram registrados
no ministério. Em 2005, o número subiu para 398. O MTE
informa que tem de registrar as entidades, como determina a portaria
de 343, de 2000. (CR e FF)
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Folha de São Paulo,
1º de maio de 2006
1º DE MAIO
Mão-de-obra em infra-estrutura é competitiva, mas problemas
estão na formação universitária e especializada
Chances dos brasileiros dividem analistas
FÁTIMA FERNANDES, CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
O trabalhador brasileiro está
preparado para enfrentar a concorrência com a mão-de-obra
internacional? A resposta a essa pergunta divide a opinião de
especialistas no mercado de trabalho. "Em alguns setores, como
o automotivo, o siderúrgico e o petroquímico, o trabalhador
está preparado. Mas a mão-de-obra de setores que exigem
mais conhecimento, já não está", afirma João
Felício, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Especialistas no mercado de trabalho
dizem que o Brasil tem baixo nível de escolaridade e pouco investimento
em qualificação de trabalhador. "Há 500 anos,
o Brasil despreza a educação. As empresas que assumiram
o papel do Estado e investiram no seu quadro de pessoal estão
se dando muito bem aqui e no exterior", afirma Luis Carlos Moro,
advogado da área trabalhista. A competição com
a China não é fácil, na avaliação
de Maria Cristina Cacciamali, professora de estudos do trabalho da USP,
porque o chinês recebe um salário muito baixo. "Também
não é fácil competir com a Índia, que possui
elevado contingente de mão-de-obra de nível universitário
nas áreas de engenharia, matemática e física. O
perfil educacional do brasileiro é complicado", afirma.
Com pequeno crescimento econômico,
na avaliação de Cacciamali, o trabalhador não consegue
acumular valor na sua experiência profissional. "As oportunidades
de emprego são racionadas e quando abre uma vaga ela é
de baixa qualidade, que não acrescenta nada à experiência
do trabalhador. Precisamos de um choque de crescimento no país
para ver esse jogo mudar", afirma.
A qualificação da mão-de-obra
brasileira é, na análise de Clemente Ganz Lúcio,
diretor técnico do Dieese, "um dos gargalos a serem enfrentados
pelo país. Temos certamente pessoal qualificado em alguns setores,
só que o Brasil tem uma economia muito diversificada. É
preciso aprimorar os investimentos em toda a mão-de-obra. Investir
em educação é o diferencial para garantir a concorrência
do Brasil no exterior", afirma.
Na área agrícola, na análise
do diretor técnico do Dieese, o trabalhador brasileiro desenvolveu
capacidade de competição. "O que fizemos nessa área
é completamente possível de fazer em outras", afirma.
O baixo custo do trabalho na indústria torna a mão-de-obra
brasileira altamente competitiva ao ser comparada ao mercado internacional,
na análise de Adalberto Cardoso, diretor de ensino do Iuperj
(Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro).
"Não há como competir
com um país que utiliza trabalho escravo em sua produção,
caso da China . Mas estamos em condições de concorrer
com México, Coréia, Índia e os países da
América Latina", diz. Levantamento do BLS (Bureau of Labor
Statistics), Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA,
mostra que o custo do trabalho na indústria brasileira é
da ordem de US$ 3 por hora, segundo dados de 2004. Na Coréia,
por exemplo, é de US$ 11,52. Cardoso descarta a necessidade de
mudanças na legislação trabalhista para tornar
a mão-de-obra mais competitiva para atrair mais investimentos
ao país.
"Não adianta mudar as leis.
Não adianta ter mão-de-obra barata e qualificada. Não
adianta ter cadeias produtivas integradas, nem infra-estrutura para
exportação. Quem determina onde eles devem investir, infelizmente,
são as agências de classificação de risco."
João Sabóia, diretor do Instituto de Economia da UFRJ,
acredita que o esforço do Brasil para manter a mão-de-obra
competitiva tem de ser diário e em todos os níveis de
governo. "Não dá para ter trabalhador competitivo
quando prefeituras desviam verbas de merenda escolar para os bolsos
dos parentes dos prefeitos, quando Estados gastam dinheiro para fazer
propaganda de candidatos e quando há corte de verbas para as
Universidades", afirma Sabóia.
Comemorações
Hoje, as duas maiores centrais sindicais brasileiras, Força Sindical
e CUT, promovem dois grandes atos em São Paulo para comemorar
o Dia do Trabalho. Com programação de shows durante quase
todo o dia, elas esperam atrair público estimado em 3,5 milhões
de pessoas -2 milhões esperadas no evento da CUT, na av. Paulista,
e 1,5 milhão na festa da Força, na praça Campo
de Bagatelle, na zona norte. Além de um grande número
de shows, as centrais programaram uma agenda de reivindicações.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
01 de maio de 2006
SINDICALISMO
Conlutas representa 3 mi de trabalhadores

PROTESTO José Maria de Almeida é um dos fundadores da
Conlutas
FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
Após dois anos de atuação
como um movimento político informal, reunindo sindicalistas,
estudantes e movimentos sociais, a Conlutas (Coordenação
Nacional de Lutas) será oficializada a partir da próxima
semana como a mais nova central sindical do país.
A fundação da Conlutas acontecerá durante um encontro
que será realizado entre os dias 5 e 7 de maio em Sumaré,
região noroeste de São Paulo.
Segundo seus dirigentes, a central nasce com o apoio de 250 sindicatos
e 80 movimentos populares, que representariam cerca de 3 milhões
de trabalhadores. A CUT, maior central sindical do país, representa
22,5 milhões de trabalhadores. À Força Sindical
estão ligados 7,1 milhões.
O principal nome da nova central sindical, José Maria de Almeida,
presidente nacional do PSTU, diz que a oficialização da
Conlutas é o início de um processo de recomposição
do sindicalismo. "A CUT já vinha funcionando com precariedade
desde o governo FHC, porém ainda era um instrumento dos trabalhadores.
Mas no governo Lula a crise aumentou, porque a CUT agora é um
instrumento do governo, que o ajuda a aplicar as suas políticas
e defende interesses contrários aos dos trabalhadores",
disse Almeida, ex-petista e fundador da CUT ao lado do presidente Lula.
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FOLHA DE SÃO PAULO, 01 de maio de 2006
VINICIUS TORRES FREIRE
Os primeiros e os últimos
de maio
SÃO PAULO - O sarcasmo da história no último Primeiro
de Maio do primeiro governo sindicalista e operário do Brasil
é que os temas da hora não sejam trabalho e emprego, mas
assistência social e propinas.
O sindicato-mor da esquerda, a CUT, revelou de vez sua natureza pelega;
nomeou o ministro do Trabalho. Os sindicalistas-mores no governo eram
uma quadrilha, no dizer do procurador-geral. Os pelegos originais, os
da Força Sindical, fazem festinha para seu candidato a patrão,
Geraldo Alckmin. O grevista típico é servidor público,
núcleo da CUT.
O programa social de Lula é uma rede de proteção
social focalizada, o colchão social recomendado pelo Banco Mundial
para atenuar a miséria de inempregáveis de países
em reformas. Isto é, Lula copia política pública
que o PT e outras gentes tediosas chamam de "neoliberal".
O poder de compra do salário mínimo foi menor nos anos
Lula do que nos anos 70 da ditadura, antes do início de 15 anos
de convulsão econômica e hiperinflação. Como
caíram os preços relativos do consumo popular, o mínimo
continua, então, achatado.
É verdade que o mínimo compra mais sob Lula do que sob
FHC. Mas o grosso da melhora deveu-se ao fim da hiperinflação,
em 1995. Em resumo, sem inflação baixa e crescimento,
toda a conversa sobre aumentos do mínimo é cascata, daqui
por diante econômica ou fiscalmente inviável sem fortes
aumentos de produtividade.
É verdade ainda que mais gente hoje tem acesso ao mínimo.
Mas o mínimo tornou-se a referência das bolsas sociais
e previdenciárias. Mesmo quando pago a trabalhadores, é
quase uma bolsa-social também.
O mercado de trabalho não é um mercado, tão engessado
que é. Onde o governo poderia ajudar a criar empregos e mercados,
na ponta da tecnologia ou na base de programas de infra-estrutura e
de melhorias sociais (estradas, água limpa, esgoto e casa popular),
não há políticas públicas.
Em suma, a gente continua a fingir que os problemas econômicos
essenciais não são trabalho e eficiência.
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Como é delicado, tema não deverá, porém,
ser abordado na campanha eleitoral
Lula e assessores planejam nova reforma
da Previdência
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
Está em estudo no governo, de
forma silenciosa e discreta, a implementação de uma segunda
reforma da Previdência e a adoção de uma política
mais flexível do regime de metas de inflação a
partir de 2007 caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja
reeleito. Lula tem dito a membros da equipe econômica que está
satisfeito com os indicadores e não quer "inventar"
mudanças num eventual segundo mandato. Só que ele e seus
auxiliares sabem que não será possível crescer
sem enfrentar o déficit da Previdência e temas espinhosos,
como a desvinculação de receitas da saúde.
A Folha apurou que esses temas, que despertam
reações negativas no PT, na sociedade e no mercado, não
serão abordados abertamente na campanha. O discurso eleitoral
será genérico, apontando especialmente a redução
gradual da taxa básica de juros e de mais investimentos públicos
como elementos cruciais para se obter crescimento econômico. A
nova reforma da Previdência não englobaria, inicialmente,
mudanças no fator previdenciário (alteração
no tempo de contribuição e idade para concessão
das aposentadorias), conforme relatos de auxiliares do presidente.
A idéia central é apertar
o cerco à concessão de alguns benefícios do INSS
(Instituto Nacional do Seguro Social), como auxílio-doença,
e investir na informatização de todos os postos do país
para reduzir fraudes. Ainda neste ano o governo enviará ao Congresso
todos os projetos para regulamentar os fundos de pensão do servidor
público, assuntos pendentes desde a aprovação da
reforma em 2003. Caso as iniciativas para aumento de arrecadação
da Previdência não produzam os resultados esperados, a
mudança no fator previdenciário não está
descartada. "A Previdência tem de ser continuamente avaliada
e reorganizada", disse à Folha o ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo.
Os auxiliares diretos de Lula não
trabalham com a perspectiva de redução do superávit
primário, como defende o PT. "Vamos manter o superávit
de 4,25% num segundo mandato, e acreditamos que, com uma taxa média
de crescimento de 4,5% do PIB, conseguiríamos praticamente zerar
o déficit de governo em quatro anos", afirmou Bernardo.
Superávit
As apostas do governo para que a média de crescimento supere
4,5% estão escoradas na redução da Selic (hoje
em 15,75%). "Diminuindo a taxa de juros diminui o peso da conta
do Tesouro, e [com isso] temos condição de zerar o déficit
nominal. Acho perfeitamente possível conseguir isso no próximo
mandato", afirmou Bernardo. O PT rejeita discutir a proposta do
déficit nominal zero, elaborada pelo ex-ministro e deputado Delfim
Netto (PMDB-SP). Ele alerta que o déficit da Previdência
pode chegar a 3,4% do PIB em 2010 e que esse cenário exigiria
um superávit de pelo menos 6% para evitar o descontrole da dívida
pública. As ponderações de Delfim são consideradas
por Lula.
Se uma nova reforma da Previdência
e o aumento do superávit causam celeuma entre petistas, a mudança
nas metas de inflação, por outro lado, agradaria ao partido.
Essa é uma bandeira antiga do líder do governo no Senado,
Aloizio Mercadante (PT-SP), e do ministro Guido Mantega (Fazenda). A
aposta é que, com a inflação sob controle e juros
em queda, seria possível ampliar o intervalo de tolerância
do regime de metas (hoje de dois pontos percentuais) ou o período
em que se persegue a meta (fixada em 4,5%) de 12 para 24 ou 36 meses.
Essa mudança permitiria ao governo aumentar gastos sociais. "Temos
que assumir o que muda e o que será mantido. Meia dúzia
de frases de efeito não vão colar", disse Mercadante.
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2006
TENSÃO ENTRE VIZINHOS
Presidente boliviano assina decreto que aumenta impostos e assume o
controle de 2 refinarias da estatal brasileira
Morales invade Petrobrás e nacionaliza
gás
FABIANO MAISONNAVE
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente boliviano, Evo Morales,
invadiu com tropas do Exército uma instalação da
Petrobras para anunciar a chamada nacionalização da exploração
do gás e do petróleo no país. As medidas, consideradas
mais duras do que o que vinha sendo especulado, incluem determinação
para que o Estado assuma o controle acionário das duas refinarias
da Petrobras no país e o aumento imediato do imposto sobre o
gás de 50% para 82%.
Caso as empresas não aceitem as
medidas, terão de deixar o país após prazo de 180
dias. "Queremos pedir-lhes aos companheiros trabalhadores da Petrobras
presentes a ser fiéis com a sua pátria, a respeitar disciplinadamente
este decreto supremo para que esse recurso natural retorne às
mãos do povo boliviano", disse Morales, em discurso no megacampo
de gás de San Alberto (Departamento de Tarija, sul do país),
explorado pela Petrobras Bolívia.
O evento da assinatura do decreto em
San Alberto foi realizado sem que a estatal brasileira fosse ao menos
avisada. A Petrobras tem uma carga altamente simbólica, pois
é a maior empresa instalada no país: com cerca de US$
1 bilhão investido, é responsável por 15% do PIB
boliviano. Sessenta e dois por cento do gás natural consumido
no Brasil e 74% do produto usado em São Paulo provêm da
Bolívia. À noite em La Paz, em discurso no balcão
do Palácio Quemado, Morales prometeu nacionalizar outras áreas,
como a terra: "Estamos começando a nacionalizar os hidrocarbonetos,
depois serão todos os recursos naturais pelos quais lutaram nossos
antepassados, e esses recursos serão transferidos ao controle
do Estado". Durante todo o dia de ontem, as Forças Armadas
assumiram a segurança das 56 instalações de hidrocarbonetos
em todo o país. As empresas petroleiras já esperavam operações
militares, vistas com a finalidade de causar impacto na opinião
pública boliviana.
Uma das medidas consideradas mais duras
e surpreendentes pelas empresas foi o aumento da tributação
de atuais 50% para 82% sobre o faturamento, fora do marco legal da Lei
de Hidrocarbonetos, aprovada em maio do ano passado ainda no governo
Carlos Mesas, com o respaldo do MAS (Movimento ao Socialismo), de Morales.
Essa lei já havia aumentado a tributação sobre
o faturamento de 18% para 50%. A decisão contraria o que o governo
boliviano vinha dizendo nas últimas semanas, ao afirmar que o
decreto de nacionalização serviria apenas para regulamentar
a lei do ano passado. Com os adicionais 32%, o decreto está sendo
tratado pela diplomacia brasileira e pelo setor empresarial como uma
nova lei.
O decreto de ontem prevê que o
aumento tributário seja aplicado imediatamente a megacampos cuja
produção tenha sido superior a 100 milhões de pés
cúbicos diários, o que atinge os campos operados pela
Petrobras. A cobrança será apenas durante a transição
de 180 dias. O restante do faturamento, 18%, será para que as
empresas cubram o "custo de operação, amortização
de investimentos e lucros", segundo o decreto.
Já a Petrobras Bolívia
Refinación S.A., que administra duas refinarias, em Santa Cruz
e Cochabamba, está entre as empresas nas quais "se nacionalizam
as ações necessárias para que a Yacimientos Petrolíferos
Fiscales Bolivianos (estatal boliviana) controle com o mínimo
de 50% mais um". O decreto não especifica como -ou se- será
feito o pagamento. As duas plantas, compradas em 1999 por pouco mais
de US$ 100 milhões, dominam o comércio de derivados de
petróleo na Bolívia. O decreto também teve medidas
consideradas ainda pouco claras, como a que transforma as empresas multinacionais
em meras prestadoras de serviço ao Estado boliviano.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 02
de maio de 2006 | Mundo
REAÇÃO
Lula fará reunião de emergência
Genebra – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizará
hoje, em Brasília, uma reunião de emergência para
tratar da decisão da Bolívia de nacionalizar os campos
de petróleo e gás. As informações são
do Ita–maraty, que será representado no encontro pelo ministro
interino das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.
A crise em La Paz ainda exigiu que o chanceler Celso Amorim abandonasse
uma reunião em Genebra com os mais altos representantes de Comércio
dos Estados Unidos. Amorim está na Suíça para reuniões
sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC),
mas considera retornar ao Brasil antecipadamente ainda hoje diante da
situação na Bolívia.
O presidente da Petrobrás, José
Sérgio Gabrielli, disse ontem que a empresa vai “tomar
as medidas necessárias, em todas as instâncias”,
para preservar os investimentos na Bolívia, ameaçados
após a assinatura do decreto da nacionalização,
ontem, pelo presidente Evo Morales.
“Foram medidas unilaterais e não
amistosas”, afirmou o executivo, que antecipou sua volta ao Brasil
para avaliar a questão com o governo brasileiro e técnicos
mais próximos das atividades no país vizinho.
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Folha de São Paulo,
02 de maio de 2006
Lula anuncia mudanças em leis trabalhistas
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Aproveitando o Dia do Trabalho, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem enviar ao Congresso
Nacional propostas de mudanças nas leis sindicais e trabalhistas.
Com isso, o presidente pretende compensar a demora na aprovação
das reformas nessas duas áreas, anunciadas como prioridade no
início de seu governo.
No seu programa de rádio "Café
com o presidente", Lula disse que mandará ao Congresso nesta
semana um projeto de lei para regulamentar o direito de greve e implantar
as negociações coletivas para servidores públicos,
seguindo orientação da OIT (Organização
Internacional do Trabalho). "O governo está preparando algumas
medidas, atendendo a uma reivindicação do movimento sindical,
que chegará ao consenso sobre algumas coisas importantes",
disse Lula.
O presidente também prometeu para
esta semana a criação do chamado Conselho Nacional de
Relações do Trabalho, colegiado que será composto
por representantes do governo, empresários e trabalhadores e
terá como função debater questões relacionadas
às áreas sindical e trabalhista.
"A idéia é
criar um canal permanente de negociação, de diálogo",
afirmou o presidente. Outro projeto de lei prometido por Lula para esta
semana é o da regulamentação das centrais sindicais,
como a CUT, a CGT e a Força Sindical. Apesar de existirem há
anos, não existe uma legislação específica
que fale sobre seu funcionamento. O reconhecimento formal da existência
das centrais era um dos pontos da reforma sindical, que chegou a ser
enviada ao Congresso, mas não foi votada até agora.
A reforma trabalhista não
chegou a ser encaminhada. Lula também disse que pretende colocar
em audiência pública nesta semana um projeto de lei que
regulamente o funcionamento das cooperativas de trabalho. Além
de anunciar essas medidas, Lula também aproveitou o Dia do Trabalho
para falar sobre assuntos como o aumento do salário mínimo
e do crescimento da renda dos trabalhadores. "Eu acho que nós
temos muito que comemorar neste 1º de Maio", disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 02
de maio de 2006 | Brasil
DIA DO TRABALHO-Regulamentação
do direito de greve e negociação coletiva para servidores
compõem o pacote
Lula anuncia mudanças na
lei sindical
Brasília – Aproveitando o Dia do Trabalho, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva prometeu ontem enviar ao Congresso
Nacional propostas de mudanças nas leis sindical e trabalhista.
Com isso, o presidente pretende compensar a demora na aprovação
das reformas nessas duas áreas, anunciadas como prioridade no
início de seu governo.
No seu programa semanal de rádio
“Café com o presidente”, Lula disse que vai mandar
ao Congresso nesta semana um projeto de lei para regulamentar o direito
de greve e implantar as negociações coletivas para servidores
públicos, seguindo orientação da Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
“O governo está preparando algumas medidas, atendendo a
uma reivindicação do movimento sindical, que chegará
ao consenso sobre algumas coisas importantes”, disse Lula.
O presidente também prometeu para
esta semana a criação do chamado Conselho Nacional de
Relações do Trabalho, colegiado que será composto
por representantes do governo, empresários e trabalhadores e
terá como função debater questões relacionadas
às áreas sindical e trabalhista. “A idéia
é criar um canal permanente de negociação, de diálogo”,
afirmou o presidente.
Centrais sindicais
Outro projeto de lei prometido por Lula
para esta semana é o da regulamentação das centrais
sindicais, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central
Geral dos Trabalhadores (CGT) e a Força Sindical. Apesar de existirem
há anos, não existe uma legislação específica
que fale sobre seu funcionamento.
O reconhecimento formal da existência
das centrais era um dos pontos da reforma sindical, que chegou a ser
enviada ao Congresso, mas não foi votada até agora. A
reforma trabalhista não chegou a ser encaminhada.
Por último, Lula também
disse que pretende colocar em audiência pública nesta semana
um projeto de lei que regulamente o funcionamento das cooperativas de
trabalho.
A existência dessas cooperativas
está relacionada, em parte, à flexibilização
das leis trabalhistas, já que os seus cooperados não são
empregados de nenhuma empresa, apenas prestam serviços a terceiros.
Dessa forma, os cooperados não
têm direito a benefícios como férias remuneradas
e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). É comum
a formação de cooperativas em áreas como saúde
(médicos, dentistas, enfermeiros), transporte (taxistas, perueiros),
entre outras.
Além de anunciar essas medidas,
Lula também aproveitou o Dia do Trabalho para falar, no “Café
com o presidente”, sobre assuntos como o aumento do salário
mínimo e do crescimento da renda dos trabalhadores.
Mesmo sem assumir formalmente sua intenção
de concorrer à reeleição, Lula já havia
abordado essas questões em seu pronunciamento em cadeia de rádio
e televisão, ontem.
“Eu acho que nós temos muito
que comemorar neste 1.º de Maio”, disse Lula, citando coisas
como a correção da tabela do Imposto de Renda, o crescimento
das exportações e a criação de empregos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 02
de maio de 2006 | Brasil
TRABALHO
Medidas anunciadas
Conselho Nacional de Relações
do Trabalho
• Nesta semana deve ser criado
um conselho formado por representantes do governo, empresários
e trabalhadores para debater questões trabalhistas.
Greve no setor público
• Lula promete enviar ao Congresso
nos próximos dias um projeto de lei que regulamenta o direito
de greve e estabelece a negociação coletiva para servidores
públicos.
Centrais sindicais
• Em outro projeto de lei a ser
enviado ao Congresso nesta semana, será proposto que as centrais
sindicais tenham sua existência formalmente reconhecida, o que
hoje não acontece.
Cooperativas de trabalho
• Será colocada em consulta
pública uma proposta para regulamentar o funcionamento das cooperativas
de trabalho.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 02 de maio de 2006
| Brasil
INFÂNCIA
OIT divulga na quinta relatório
sobre o trabalho infantil
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lança
na quinta-feira, em Brasília, o relatório “A eliminação
do trabalho infantil, um objetivo ao nosso alcance”. O governo
brasileiro ainda não teve acesso ao documento, mas a perspectiva
é que o país tenha destaque na avaliação.
O otimismo é porque o Estatuto da Criança e do Adolescente
(Lei 8069/1990) e a legislação brasileira sobre o tema
são modelos para a OIT.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 02
de maio de 2006 | Consumidor
ATENDIMENTO-Desempregado esperou dois
meses pelo benefício
Banco deve pagar FGTS em até
10 dias
O susto do desemprego muitas vezes é amenizado pela possibilidade
de sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e assim
dar entrada no seguro-desemprego ou até mesmo investir num negócio
próprio. Mas mesmo que a empresa cumpra sua parte e faça
os depósitos corretamente, nem sempre é fácil colocar
as mãos no próprio dinheiro. O desrespeito dos bancos
à lei que limita o tempo de espera em filas e a burocracia podem
aumentar o tempo de angústia.
No caso do parnanguara Cristiano Goulart,
a espera aumentou de dez dias, que é o prazo normal para o pagamento,
para dois meses. Em janeiro deste ano, ele foi à Caixa Econômica
Federal (CEF) retirar seu FGTS. A empresa havia depositado a multa rescisória
de contrato de trabalho cinco dias depois da demissão. Mas Goulart
não conseguiu. Ficou mais de uma hora na fila e quando chegou
ao caixa, foi informado de que deveria voltar em outra data, que foi
então agendada. “Disseram que eram procedimentos internos”,
lembra.
A segunda visita não resolveu, nem a terceira. Durante dois meses,
Goulart foi à agência seis vezes, em datas previamente
marcadas, esperando na fila entre uma hora e meia e três horas
cada vez. Só conseguiu o dinheiro depois de entrar em contato
com o Procon, que resolveu o problema entrando em contato com a gerência
do banco em Paranaguá e solicitando que o pagamento fosse feito
com urgência e sem que o cliente precisasse entrar na fila de
novo. Com a demora, Goulart não conseguiu dar entrada no pedido
de seguro-desemprego. “Isso me causou sérios danos morais”,
ressalta.
Prazo de pagamento
Pela lei, é a Caixa Econômica
Federal o banco que recebe todos os depósios de FGTS e multas
rescisórias por demissões sem justa causa (40% do valor
do Fundo de Garantia). O prazo concedido para que o pagamento seja efetuado
é de dez dias. Para o pagamento, o banco exige a rescisão
do contrato, a carteira de trabalho e um documento. Já para dar
entrada no seguro-desemprego, também gerido pela Caixa, os documentos
exigidos são todos os acima mais o comprovante de saque do FGTS.
A CEF informou que não foi possível averiguar o caso específico
de Goulart para saber a causa dos adiamentos.
Tempo na fila
Desde o dia 19 de dezembro do ano passado,
os bancos que deixarem seus clientes esperando mais de 20 minutos em
dias normais e 30 minutos em vésperas e dias seguintes a feriados
podem ser multados pelo Procon – o valor vai de 200 a 3 milhões
de Ufirs (unidade que vale pouco mais de um real). Antes disso, a partir
de 2001, apenas os reincidentes eram multados, e em 10 mil Ufirs no
máximo.
O Procon recebe reclamações
freqüentes de cidadãos cansados de esperar em agências
bancárias, mas não consegue fiscalizar todos. “A
média de espera tem sido de 30 a 50 minutos, especialmente entre
as 12 e as 14 horas”, diz a advogada da entidade, Marta Paim.
A nova legislação também exige que o banco forneça
senha numérica a todos os clientes com data e horário
de entrada na fila. “Este é o comprovante para a pessoa
poder reclamar depois”, lembra a advogada.
Sobre a demora no atendimento no caso
de Cristiano Goulart, a CEF respondeu que possui apenas uma agência
em Paranaguá, e por isso o fluxo de pessoas é intenso.
De acordo com a assessoria de imprensa do banco, nos próximos
meses será inaugurada uma nova unidade na cidade.
Helena Carnieri
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JORNAL GAZETA DO POVO, 30
de abril de 2006 | Paraná
LIGAÇÕES SUSPEITAS
Ministério Público
investiga parcerias da Cohapar
As parcerias entre a Cohapar e as 842 associações de moradores
são alvo de investigação do Ministério Público
Estadual desde o dia 18 de abril. Segundo o promotor de Justiça
Wilde Soares Pugliese, responsável pelo caso, a própria
empresa solicitou a apuração, após a circulação
de uma carta assinada por “José da Silva”, que denuncia
a suposta existência de um esquema dentro da Cohapar.
Sobre as possíveis irregularidades,
o promotor afirma que o estado não pode interferir na administração
das associações (comprar material, contratar mão-de-obra
e nem funcionários públicos movimentar a conta corrente
das entidades). Ele vai solicitar à Cohapar cópia dos
atos legais que permitem as parcerias para iniciar a apuração.
O MP tem quatro investigações
sobre a Cohapar. Uma das diligências é sobre prestação
de serviço, aberta porque um operário que trabalhou para
uma associação, na construção de uma vila
rural, entrou com ação trabalhista contra a empresa. Na
discussão judicial, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu
o direito a horas-extras, mas não o vínculo empregatício,
porque não tinha feito concurso público.
Segundo o advogado Josenir Teixeira,
membro da comissão do terceiro setor da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB), seção São Paulo, as parcerias das
entidades com o estado são legais, mas não se pode interferir
nas administrações. “A administração
pública não pode usar uma entidade para continuar a frente
do projeto. Se firma um convênio, só pode fiscalizar. Não
pode bater o escanteio e correr para cabecear. Ou o estado confia ou
não confia nas entidades”, explica
De acordo com Teixeira, os requisitos
legais não podem ser desrespeitados. “As parcerias são
importantes, mas existem regras mínimas a serem cumpridas. Uma
delas proíbe a ingerência do estado.”
Gabriel Guy Léger, procurador-geral
do Ministério Público do Tribunal de Contas do Estado,
segue a mesma linha: “O máximo que o estado pode fazer
nesse tipo de caso é fiscalizar o plano de aplicação”.
Léger lembra que há outros tipos de irregularidades semelhantes
nas parcerias feitas com entidades para contratar funcionários
sem concurso público. (JNB)
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JORNAL DO ESTADO, 29 de abril de 2006
Certificação de madeira
reflorestada cresce 154%
De 2003 a 2005, área de extração
legal e controlada aumentou no país, e mais empresas procuram
e compram o material
Bruna Martins Fontes
Folhapress
No início da década, só os mais persistentes conseguiam
achar madeira certificada para usar como estrutura e piso ou decorar
a casa com móveis feitos com ela.
Passados seis anos, a boa notícia para quem quer fugir da extração
e do comércio ilegais que abocanham a maioria absoluta do mercado
é que já há mais florestas e revendedores tanto
de madeira certificada como de móveis, pisos e outros itens feitos
com ela.
Desde 2000, a área de florestas certificadas mais do que quadruplicou
no país: foi de 0,86 milhão de hectare para 3,65 milhões
de hectares — em 2003, era de 1,44 milhão de hectare. Mesmo
assim, só 3% do volume de madeira explorada na Amazônia
— que tem no mercado paulista seu maior consumidor — é
certificado.
“Ainda é pouco, mas o crescimento tem sido exponencial”,
confirma Luís Fernando Guedes Pinto, secretário-executivo
da certificadora brasileira Instituto de Manejo e Certificação
Florestal e Agrícola (Imaflora).
A diferença da madeira certificada para a legal (extraída
e transportada com autorização federal) é que a
primeira é obrigatoriamente plantada ou retirada de áreas
onde a extração é controlada e há um intervalo
para a mata se recuperar do desflorestamento.
Uma tática é dividir a área em 30 lotes e explorar
apenas um por ano — assim, o terreno sofre retiradas uma vez a
cada 30 anos. A certificação também indica que
as empresas não utilizam trabalho escravo, infantil ou irregular.
Mais produtos
Segundo especialistas, o selo de certificação do Forest
Stewardship Council (FCS), que tem uma árvore estilizada com
um sinal de “visto”, é a única maneira de
ter certeza de que a madeira não é retirada nem vendida
ilegalmente.
“Para saber se a origem é legal, pode-se pedir ao revendedor
que mostre a ATPF (Autorização de Transporte de Produtos
Florestais) do lote”, explica Leonardo Sobral, gerente da Cikel.
O problema é que não é fácil obter esse
dado, nem se assegurar de que a ATPF não é “fria”.
Outra diferença é que a madeira legal nem sempre indica
a preservação da floresta. Há dois tipos de autorização
de exploração — uma delas é a de desmatamento.
Nos últimos anos, também aumentou o número de empresas
que conseguiram a certificação de cadeia de custódia,
que checa de onde vem a madeira processada por serrarias, fabricantes
e designers. Em 2000, apenas 21 tinham essa certificação;
em 2005, eram 183. Há uma lista delas no site www.fsc.org.br.
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JORNAL DO ESTADO, 29 de abril de 2006
Consumidor ainda é barreira
Apesar do aumento da oferta, a expansão do uso de madeira certificada
na construção esbarra na ponta final: o consumidor. Os
depósitos de madeira são os que mais consomem as toras
que vêm da Amazônia. Vendem para indústrias, construtoras
e para o consumidor final, mas ele raramente sabe que pode optar pelas
que levam o selo da certificação.
Outro gargalo é que ainda não há uma grande cadeia
revendedora de madeira certificada. E, em muitos casos, ela é
de 20% a 30% mais cara do que uma que não tem certificação.
“É o custo da legalidade”, pondera Mauro Armelin,
36, coordenador de políticas do WWF Brasil (World Wildlife Fund).
Em alguns casos, a diferença de preço quase inexiste.
“Uma chapa de MDF certificado custa o mesmo que a comum”,
exemplifica Karla Aharonian, gerente de produtos ecológicos da
Ecoleo (www. ecoleo.com.br).
Por outro lado, quem processa a madeira começa a partir para
a certificação da cadeia de custódia, que traça
todo o percurso da matéria-prima usada para fazer móveis,
pisos e outros produtos e confirmar que é certificada.
“Aumentou o interesse por esse selo porque a demanda por produtos
certificados vem crescendo. Com o aumento do consumo consciente, até
pequenas empresas começam a se interessar”, conta Karina
Tagata, gerente de desenvolvimento de negócios da certificadora
SGS do Brasil (www.br.sgs.com). (BMF)
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FOLHA DE LONDRINA, 01 de
maio de 2006
América Latina sela acordos estratégicos
Governos de Cuba, Venezuela e Bolívia
fortalecem laços políticos e econômicos, inquietando
os Estados Unidos
France Presse
Hugo Chávez, Fidel Castro e Evo Morales:
acordos prevêem o fortalecimento de uma política latino-americana
Havana - Cuba, Venezuela e Bolívia juntaram neste fim de semana
suas três revoluções em uma cúpula em Havana
chamada ‘‘santíssima trindade antiimperialista’’,
em meio a um incendiado clima político na América Latina
e ao incômodo de Washington.
Os três presidentes da região
mais radicalmente opostos aos Estados Unidos, Fidel Castro, Hugo Chávez
e Evo Morales, assinaram no encontro, de sábado, o Tratado Comercial
dos Povos (TCP), em alternativa aos TLC promovidos pela Casa Branca.
Selando a aliança, Morales somou
a Bolívia à Alternativa Bolivariana para as Américas
(Alba), um ano depois de Chávez e Fidel assinarem acordos que
colocaram em funcionamento a estratégia frente à Área
de Livre Comércio das Américas (Alca).
‘‘Agora somos três
a defender o povo latino-americano. Três gerações,
três revoluções’’, frisou Morales, que
expressou em Havana sua admiração pela sabedoria do avô
Fidel Castro e do irmão Hugo Chávez.
Uma santíssima trindade revolucionária,
segundo o presidente venezuelano.
‘‘Construímos
a Alba, um novo modelo de integração contra a Alca, contra
o imperialismo, contra o capitalismo. E agora o Evo vem aí para
somar’’, frisou Chávez.
A Bolívia sai com as mãos
cheias do pacto tripartite, já que a Venezuela - que fornece
a Havana mais de 90 mil barris diários de petróleo - lhe
repassará o produto bruto e diesel a partir de um fundo de 100
milhões de dólares para o desenvolvimento e 30 milhões
em gastos sociais. Já Cuba proporcionará ao país
sul-americano médicos e seis centros oftalmológicos e
de alfabetização.
‘‘Assim como a Alba
derrotou a Alca, o TCP tem de derrotar o TLC, frente a certas imposições
e condicionamentos dos Estados Unidos’’, frisou Morales.
‘‘Somente em Cuba e na Venezuela podemos encontrar apoio
incondicional’’, destacou. Para Chávez os TLC são
um plano imperial de colonização e, por isso, reiterou
em Cuba sua decisão de retirar a Venezuela da Comunidade Andina
de Nações (CAN), cujos integrantes Colômbia e Peru
já assinaram tratados com os Estados Unidos enquanto o Equador
negocia um.
Havana e Caracas saíram então
para um encontro em La Paz, prometendo comprar toda a soja da Bolívia,
que ficará sem mercado após o TLC ser firmado pela Colômbia
com os Estados Unidos.
Com a adesão da Bolívia
à Alba, teme-se que o país siga os passos da Venezuela
e se retire da CAN. Morales convidou Chávez a ficar na comunidade
para a ‘‘refundação’’ do projeto
sob o nome ‘‘Comunidade Antiimperialista de Nações’’.
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FOLHA DE LONDRINA, 01 de
maio de 2006
Qualificação é garantia
de emprego
Empregadores exigem profissionais com conhecimentos
práticos e teóricos
Diante de um mercado de trabalho cada vez mais competitivo é
natural que as exigências dos empregadores sobre as qualificações
dos funcionários aumentem. Mas, afinal, quais qualidades um trabalhador
deve apresentar ao mercado para conseguir um emprego? A característica
básica é a qualificação. Ainda falta capacitação
– técnica e prática – aos candidatos a um
emprego. Há muitos trabalhadores com baixa escolaridade, sem
conhecimentos de informática ou de línguas estrangeiras
e com conhecimentos não atualizados da sua profissão.
O consultor em treinamento, desenvolvimento
e liderança empresarial Abraham Shapiro, enumera que duas empresas
instaladas em Londrina – de diferentes segmentos – montaram
uma ‘‘escola’’ dentro de sua própria
estrutura para investir em reciclagem e formação de profissionais.
A intenção desses empresários é aperfeiçoar
seus funcionários e ainda investir em formação
de mão-de-obra para o seu próprio ‘‘consumo’’.
Ruth Hayashi, coordenadora de Recrutamento
e Seleção da Labor Trabalho Temporário, lembra
que os empregadores estão mais exigentes e pedem um grau de instrução
maior, conhecimentos em informática e em línguas estrangeiras.
‘‘Além disso, o candidato deve ter uma boa desenvoltura
e não ser muito tímido porque ele não vai conseguir
expressar seus conhecimentos’’, aconselha Ruth. Ter um bom
vocabulário também é um item importante. Para Shapiro,
falta ao trabalhador a ‘‘consciência verdadeira do
seu papel na empresa’’. ‘‘Em geral, o que percebemos
é que os candidatos têm um nível mais baixo do que
se espera dele e eles não estão dispostos a se superar’’,
comenta.
Ele acrescenta que os funcionários
não estão dispostos a assumir os objetivos e metas da
empresa para qual trabalha. Além disso, falta ‘‘sintonia’’
com as inovações do campo profissional de cada um. ‘‘Para
se diferenciar, o trabalhador tem que apresentar habilidades suplementares.
Esses diferenciais abrem a possibilidade de crescimento dentro da empresa
porque são características de cargos de liderança’’,
salienta. Na sua avaliação, muitas pessoas hoje estão
interessadas no emprego apenas para ter um salário e não
para somar com a estrutura da empresa.
‘‘O que o empregador
quer hoje é conhecer também as habilidades emocionais,
de como os candidatos se comportam em períodos de crise, em momentos
de conflitos. O trabalhador tem que ser transparente na entrevista’’,
explica o consultor. O seu conselho é que os estudos nunca devem
ser abandonados. ‘‘As pessoas têm que ter amor pelos
estudos e pela leitura’’, salienta.
Os estágios em empresas
também podem ser o caminho para que muitos universitários
consigam atender a uma exigência do mercado: a experiência
profissional. Segundo Ruth Hayashi, mesmo sem remuneração
ou com salários considerados baixos o estágio deve ser
encarado como um aprendizado. ‘‘Os estágios formam
o profissional, que pode ser efetivado na empresa ou apresentar uma
experiência ao mercado’’, explica.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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FOLHA DE LONDRINA, 29 de
abril de 2006
Sindicatos terão estruturas modificadas
Estão previstas entre as mudanças
a representatividade mínima das entidades, prestação
de contas e processos de gestão e sucessão dos cargos
Mudanças na atual estrutura sindical brasileira devem começar
a ser feitas ainda neste ano. A expectativa, segundo o delegado regional
do Trabalho do Paraná, Geraldo Serathiuk, é que até
dezembro algumas leis que regem o assunto já estejam modificadas.
Ele informou que durante todo o ano passado esses temas foram discutidos
por uma comissão tripartite (formada por representantes de empresários,
sindicalistas e do governo) em nível nacional. Por enquanto,
somente os pontos de concordância entre as partes é que
serão alterados.
Entre os itens que devem ser modificados
com maior rapidez estão: representatividade mínima dos
sindicatos, prestação de contas e os processos de gestão
e sucessão dos cargos de diretoria para evitar que alguns presidentes
sejam ‘‘eternizados’’ no cargo. A fundação
e existência de um sindicato ficarão condicionadas a uma
filiação de, no mínimo, 25% do total da classe
representada. ‘‘Quanto mais fragmentado e pulverizado menor
é a representatividade dessas entidades’’, afirma
Serathiuk.
Atualmente, não se sabe ao menos
quantos sindicatos estão estabelecidos no Brasil. Para conhecer
esse número, está sendo feito um recenseamento dessas
entidades. Esse trabalho prossegue até julho mas, até
agora, cerca de 12 mil sindicatos já foram cadastrados. Além
disso, o governo também está cadastrando entidades por
meio das guias Rais, pagas por empresários. ‘‘Vai
ter que haver uma fusão e concentração de sindicatos’’,
diz o delegado. Ele acrescenta que há liberdade sindical no País,
mas não há regulamentação.
‘‘São cobradas
contribuições, mas não há prestação
de contas de maneira transparente. Isso estimula que representantes
se perpetuem nos cargos e a sociedade acaba se tornando refém
dessas pessoas que, nem sempre, trabalham de forma ética. Alguns
sindicatos estão virando balcão de negócios e não
estão atendendo os interesses sociais’’, afirma Serathiuk.
Ele acrescenta que o atual modelo sindical e as leis trabalhistas ‘‘são
péssimas’’ para trabalhadores e empregadores. ‘‘Os
trabalhadores estão se tornando vítimas das oligarquias
sindicais, que atuam por proveitos próprios’’, diz.
Domingo - Outro ponto que deverá
ser modificado é a autonomia municipal para legislar sobre o
horário de funcionamento do comércio local. A atribuição
deverá passar para o governo federal para evitar a continuidade
das tensões em negociações entre as partes. A alteração
ainda deve permitir a criação de escalas de trabalho e
folgas mais flexíveis às atuais, inclusive com determinação
do valor da hora trabalhada.
Trabalhadores terceirizados também
devem ganhar mais proteção da lei com a aproximação
dos direitos trabalhistas com funcionários diretamente contratados
pela empresa. ‘‘Hoje, a legislação determina
a responsabilidade solidária dos empregadores, mas não
garante direitos como pagamento de horas-extras e planos de cargos e
salários’’, explica o delegado.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
02/05/2006
Competência para ação
anulatória restringe-se ao MPT
A competência para a proposição
de ação anulatória visando ao cancelamento de cláusulas
de acordos ou convenções coletivas é exclusiva
do Ministério Público do Trabalho (MPT). O posicionamento
foi firmado pela Seção Especializada em Dissídios
Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho após exame e
extinção de um processo, conforme o voto do ministro Milton
de Moura França (redator do acórdão). A ação
havia sido proposta pela Rosch Administradora de Serviços e Informática
Ltda, que pretendia a anulação de cláusulas de
convenções coletivas.
A empresa questionava a validade da cláusula
3ª da convenção firmada entre o Sindicato das Empresas
de Informática e Processamento de Dados do Estado de Santa Catarina
e o Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados.
A cláusula estabeleceu regra para a fixação do
piso salarial dos trabalhadores, considerado exorbitante pela empresa
e em desacordo com dispositivos constitucionais e da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT).
A argumentação formulada
pela Rosch, contudo, sequer foi examinada pela SDC. Segundo o ministro
Moura França, o membro de uma categoria econômica (empregadores)
ou profissional (empregados) não tem legitimidade para pedir,
em ação anulatória, a declaração
de nulidade das condições de trabalho estabelecidas em
instrumento normativo.
“Se entende que seu direito subjetivo
está ameaçado ou violado, cabe-lhe discutir, por meio
de dissídio individual, a validade, seja da assembléia-geral,
seja das condições de trabalho, postulando não
a sua nulidade, mas sim a sua ineficácia, com efeitos restritos
no processo em que for parte”, afirmou o ministro.
O redator do acórdão também
esclareceu que a ação anulatória destina-se à
exclusão de cláusula que contrarie interesses difusos
ou coletivos ou que atente contra a ordem jurídica. Nesse âmbito,
a legislação confere ao Ministério Público
a legitimidade para agir em juízo.
“Permitir que o trabalhador
ou uma empresa, isoladamente, em ação anulatória,
venha se sobrepor à vontade da categoria, econômica ou
profissional, que representa a legítima manifestação
da assembléia, é negar validade à vontade coletiva,
com priorização do interesse individual, procedimento
a ser repelido nos exatos limites da ordem jurídica vigente”,
concluiu Moura França ao votar a extinção do processo.
(ROAA 771/2002-000-12-00)
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02/05/2006
TST firma entendimento sobre incorporação
de função ao salário
O direito à incorporação
salarial da gratificação de função recebida
por mais de dez anos também se estende ao trabalhador que, durante
esse mesmo período, ocupou diversas funções. O
precedente foi firmado pela Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho
ao deferir recurso de revista, segundo voto do ministro Milton de Moura
França (relator), a um bancário brasiliense. A decisão
é um desdobramento da construção jurisprudencial
do TST que, em sua Súmula nº 372, previu a incorporação
da gratificação ao salário.
“O fundamento para a incorporação
ao salário é o recebimento de gratificação
por dez ou mais anos, pouco importando se, nesse lapso de tempo, o empregado
tenha exercido funções diversas”, explicou o ministro
Moura França ao deferir o recurso e garantir o pagamento da parcela.
A incorporação da gratificação
havia sido negada pelo Tribunal Regional do Trabalho do Distrito Federal
(10ª Região), apesar do trabalhador ter desempenhado 13
funções gratificadas distintas por mais de 22 anos no
Banco de Brasília S/A (BRB). A decisão do TRT baseou-se
em interpretação da então vigente Orientação
Jurisprudencial nº 45 da Subseção de Dissídios
Individuais – 1 (SDI-1) do TST, convertida recentemente na Súmula
nº 372.
“Somente aos empregados que, por
dez anos ou mais, exerceram, de forma ininterrupta, uma única
função de confiança é que se dirige a OJ
nº 45 da SDI-I do TST, a qual não pode ser estendida àqueles
que por igual período exerceram diversas funções
de confiança, sob pena de se estar não apenas desmerecendo
a própria confiança, como tratando igualmente os desiguais”,
registrou o TRT.
A análise do ministro Moura França
sobre o tema demonstrou o equívoco do Tribunal Regional na aplicação
da jurisprudência do TST. O relator do recurso destacou que o
objetivo do entendimento foi o de impedir que o empregado, após
dez ou mais anos recebendo gratificação, tivesse seu ganho
reduzido por causa de reversão ao antigo cargo. “Extrair-se
da Súmula nº 372 do TST a conclusão de que é
necessário o exercício ininterrupto de determinada função
gratificada por mais de 10 anos tem conteúdo restritivo e, portanto,
desautorizador do comando da súmula mencionada”.
Quanto ao caso concreto, o relator
e a Quarta Turma entenderam que “é juridicamente razoável
se concluir que o empregado que recebeu diversas gratificações,
durante quase 22 anos, tenha assegurado, pelo menos, o direito à
incorporação da gratificação que recebeu
por maior período nesses 22 anos de exercício de cargo
de confiança”. (RR 606/2003-008-10-00.2)
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02/05/2006
Perícia é imprescindível
para determinar insalubridade
Na reclamação trabalhista
em que o trabalhador (ou o sindicato, representando um grupo de trabalhadores)
pede o pagamento de adicional de insalubridade ou periculosidade, o
juiz deve designar perito habilitado ou requisitar perícia ao
órgão competente do Ministério do Trabalho. Com
esse entendimento, baseado no artigo 195, § 2º, da CLT, a
Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho determinou o retorno
de um processo à Vara do Trabalho, para que se proceda à
perícia.
A reclamação trabalhista
foi ajuizada por um ex-empregado da Constec- Consultoria e Serviços
Gerais Ltda., de Barcarena (PA), pleiteando o pagamento de adicional
de insalubridade. As testemunhas apresentadas confirmaram que ele havia
trabalhado, entre 1997 e 2002, em condições altamente
insalubres devido ao contato com substâncias tóxicas como
bauxita, soda cáustica, hidróxido de sódio, cal
virgem, ácido sulfúrico e outros. Um atestado de saúde
ocupacional também registrava que o ex-empregado atuava em ambiente
submetido aos riscos de calor, eletricidade, produtos químicos,
ruídos e vapores.
A Vara do Trabalho de Abaetuba (PA) indeferiu
o adicional com base na CLT e considerou que seria necessária
a realização de perícia técnica até
mesmo para apurar o grau de insalubridade. O trabalhador recorreu ao
Tribunal Regional do Trabalho do Pará (8ª Região),
que modificou a sentença e condenou a Constec ao pagamento do
adicional em grau médio, com as devidas repercussões,
reconhecendo o direito mesmo sem a prova técnica específica.
A empresa recorreu, então, ao TST.
A relatora do recurso de revista, ministra
Maria Cristina Peduzzi, deu razão às alegações
da empresa. “A prova pericial revela-se imprescindível
para a apuração das condições do ambiente
de trabalho e, conseqüentemente, para a determinação
do nível de exposição do empregado aos agentes
nocivos”, salientou em seu voto. “No caso, o próprio
TRT, verificando as provas apresentadas, reconheceu a falta de parâmetros
para fixar o grau de insalubridade, condenando ao pagamento de adicional
em grau médio, sem que se determinasse a realização
da perícia”.
A ministra Cristina ressaltou ainda
que, “na sistemática adotada pela CLT, ainda que as partes
não requeiram expressamente a produção de prova
pericial, cumpre ao juiz, de ofício, requisitá-la”.
Por unanimidade, a Turma decidiu pela anulação do processo
a partir da audiência de instrução e determinou
seu retorno à Vara do Trabalho, para que seja determinada a realização
de perícia a fim de apurar a presença do agente insalubre
e, então, dar prosseguimento ao feito. (RR 922/2003-101-08-00.9)

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