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FETRACONSPAR, 05 de maio de 2006
Federações reúnem-se
com o MTE para discutir a IN nº 3
Dando continuidade aos esclarecimentos
sobre arquivamento e registro de convenções coletivas
de trabalho no Ministério do Trabalho e Emprego, as Federações
de Trabalhadores do Estado do Paraná, estarão reunidas,
hoje, a partir das 08:30 horas, na Delegacia Regional do Trabalho, com
o Chefe da SERET Doutor Fábio Lantmann, para discutir os encaminhamentos,
haja vista a publicação da Instrução Normativa
nº 3, de 03 de abril de 2006.
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Agência Câmara,
05 de maio de 2006
Aprovada dedução de domésticos
no Imposto de Renda
Foi aprovado, ontem (04/05), o projeto de lei de conversão apresentado
à Medida Provisória 284/06, que permite à pessoa
física descontar do Imposto de Renda a contribuição
previdenciária relativa ao empregado doméstico. A MP é
a primeira de três que ainda trancam a pauta de votações.
A relatora, deputada Sandra Rosado (PSB-RN), apresentou seu parecer
na última terça-feira (2), e um acordo proposto pelo primeiro-secretário
da Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PL-PE), permitiu
a votação da MP hoje, mas a análise dos destaques
feitos ao texto ficaram para a próxima terça-feira (9).
Hoje à tarde (04/05) não
haverá votações. Inocêncio fez, no entanto,
um apelo para que as lideranças cheguem a uma solução
para liberação da pauta. Ele propôs votações
na terça-feira à tarde, quarta-feira pela manhã
e à tarde, para tentar a votação da minirreforma
tributária (PEC 285/04), se possível ainda na noite de
quarta. "Houve um compromisso com os prefeitos municipais, que
precisa ser cumprido, vamos votar logo a reforma", disse.
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Diário Vermelho,
5 de maio de 2006
Cemig reprime reunião sindical
com truculência
A truculência se tornou marca registrada de Minas Gerais sob o
governo Aécio Neves. Nesta quinta-feira (04/05), dirigentes do
Sindieletro foram brutalmente agredidos durante reunião pacífica
de trabalhadores na sede da Cemig (Companhia Energética de Minas
Gerais). Mesmo não reagindo ao violento ataque policial, Marcelo
Correia, coordenador-geral do sindicato, recebeu mais chutes e socos.
A camisa do diretor Wilian Vagner foi rasgada no corpo, o que chocou
os trabalhadores presentes à reunião.
Em protesto contra a repressão
fascista e crescente de Aécio, o Sindieletro realiza ato público
nesta sexta-feira, às 12 horas, em frente à sede da Cemig.
Para José Celestino Lourenço, o Tino, membro da Executiva
Nacional da CUT, “a brutalidade e a covardia da agressão
relembraram a ditadura militar”. De acordo com ele, “o governador
Aécio Neves é um dos articuladores desta violência,
que faz com que Minas seja um estado onde não se respira liberdade.
Esta prática abusiva, infelizmente, vem sendo acobertada pela
grande imprensa, que faz o jogo de Aécio”.
Paulo Adriano, empregado do setor de
Tecnologia da Informação, se revelou perplexo com a reação
policial. “Nunca esperava uma atitude dessa da Cemig. Quando cheguei,
eles já estavam colocando o pessoal do sindicato lá fora”,
diz Adriano. “Uma coisa que me assustou foi o cara com uma arma
presa nas costas. Quando o Marcelo chamou o policial militar para interrogar
o sujeito, ele apresentou uma carteira de policial, mas ele estava à
paisana e com a arma presa por uma correia nas costas. Para mim, lembrou
o ocorrido na ditadura, as cenas de repressão. Tive a impressão
de ver a ditadura voltando”.
“O que eu vi foi uma baixaria”,
resume Paulo Gobira (RS/GR). “O que aconteceu foi uma releitura
da década de 60, da ditadura, lamentável e desnecessária.
A reunião era para esclarecer fatos que não foram esclarecidos
pela própria direção da empresa. Era interesse
do trabalhador”. Segundo Maria Mazzarello (AC), “a Cemig
deu ordens expressas de não deixar o sindicato se pronunciar.
Isso gerou mal-estar, provocações verbais, empurrões
totalmente desnecessários”. A funcionária lamentou
que, nos últimos tempos, a Cemig tenha abandonado o princípio
de debate com os trabalhadores.
O Sindieletro acionou a Polícia
Militar, na tentativa de conter a repressão, provocada por seguranças
da própria Cemig. A postura da empresa — de optar pela
violência em vez de negociar com os representantes legais dos
trabalhadores — contraria todo o discurso da Cemig, que diz respeitar
a liberdade sindical e as determinações da Organização
Internacional do Trabalho. Dirigentes agredidos fizeram boletim de ocorrência.
Na reunião que causou o problema,
o Sindieletro tratava de compra de anuênios dos empregados —
uma proposta que a Cemig tenta efetuar a toque de caixa. A reação
desmedida desta quinta-feira revela que a empresa pretende desprezar
as reivindicações da categoria e seu sindicato. É
prova de que negociações individuais poderão ser
impostas, para desarticular o movimento.
Uma das principais queixas dos
trabalhadores diz respeito à falta de diálogo e à
imposição de políticas impopulares. Aécio
e seus asseclas se mostram cada vez mais avessos a receber entidades
representativas. “No caso da educação, o governo
continua se negando a negociar uma pauta que foi protocolada no mês
de março”, lembra Tino, da CUT.
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Folha de São Paulo,
05 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Pacote deve custar R$ 5 mi; anúncio só deve ser feito
quando petista assumir candidatura
Publicitário João Santana
fará a campanha de Lula
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
João Santana será o marqueteiro
da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à
reeleição. Lula fechou com Santana no mês passado
e orientou o presidente do PT e futuro coordenador de sua campanha,
Ricardo Berzoini, a tratar de detalhes da contratação,
inclusive do financeiro. Lula pediu que haja um caixa para sua campanha
separado das finanças das campanhas estaduais, ao contrário
de 2002, quando o então tesoureiro Delúbio Soares cuidou
de todo o dinheiro.
A Folha apurou que há duas negociações
em curso com Santana. A primeira prevê uma remuneração
em torno de R$ 5 milhões para um pacote incluindo o trabalho
do marqueteiro propriamente dito, pesquisas para definir estratégias
e produção de TV. A segunda só prevê a contratação
do trabalho de Santana: o PT cuidaria das demais áreas. A tendência
é que vingue o pacote: R$ 5 milhões é um valor
baixo para uma campanha presidencial. Em 2002, o PT disse ter gasto
R$ 7,085 milhões na campanha de TV de Lula.
Auxiliares do presidente disseram que
ele montará campanha com estrutura mais enxuta que a de 2002
por entender que será beneficiado pelo cargo que ocupa. Há
farto registro televisivo dos 40 meses em que Lula preside o país.
Imagens do presidente poderão ser compradas da Radiobrás.
Lula já vem cumprindo extensa "agenda positiva" de
inaugurações, viagens e solenidades que deverá
se estender até junho, quando ele pretende assumir a candidatura.
Em relação às imagens, Lula já teria um
robusto "banco de dados" disponível a preço
razoável. Isso baratearia o custo da campanha, disseram à
Folha dois auxiliares diretos do presidente, que confirmaram o acerto
com Santana.
Fernando Henrique Cardoso, o primeiro
a se beneficiar da reeleição, regulamentou gastos de um
presidente-candidato. Por exemplo: o partido deverá pagar o combustível
de uma viagem de cunho eleitoral, mas não terá de pagar
pelo aparato de segurança e de cerimonial do presidente. "Farei
campanha governando", tem dito Lula, que avalia que a posição
já garantirá espaço suficiente na imprensa e que
o mais caro e trabalhoso será o programa de TV.
Santana vem dando consultoria a
Lula desde novembro passado, quando foi indicado pelo então ministro
Antonio Palocci Filho (Fazenda). Santana, que fez a campanha vitoriosa
de Palocci à Prefeitura de Ribeirão Preto em 2000, foi
o responsável pela elaboração do pronunciamento
oficial de Lula no 1º de Maio. Ele é ex-sócio de
Duda Mendonça, que fez a campanha de Lula em 2002 e que perdeu
a conta da Secom em 2005 após ter admitido que recebeu R$ 10,5
milhões no exterior de Marcos Valério. Lula já
espera problemas com o anúncio de Santana, que deverá
ser feito só depois de o presidente assumir a candidatura.
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Folha de São Paulo,
05 de maio de 2006
TENSÃO ENTRE VIZINHOS
Última palavra sobre investimentos cabe a Lula, afirma
Morales diz que Petrobras faz chantagem
com Bolívia
DA FOLHA ONLINE, DA SUCURSAL DO RIO
DA ENVIADA ESPECIAL A LA PAZ
O presidente da Bolívia, Evo Morales,
afirmou ontem que a Petrobras faz "chantagem" ao afirmar que
não fará novos investimentos no país vizinho devido
ao decreto que nacionalizou as reservas de petróleo e gás.
"Podem chantagear, mas não é possível que
com nossos recursos tenham uma grande empresa e deixem a economia de
nosso país mal", afirmou, em comunicado divulgado pela Agência
Boliviana de Informação, antes da reunião em Puerto
Iguazú com os colegas Luiz Inácio Lula da Silva, Hugo
Chávez (Venezuela) e Néstor Kirchner (Argentina). No encontro,
evitou falar sobre o assunto.
À noite em La Paz, na volta da
reunião, Morales minimizou as declarações da direção
da Petrobras, fazendo referência ao apoio manifestado a ele por
Lula durante o encontro de Puerto Iguazú. "Acima das empresas
de Estado está o presidente. A última palavra cabe ao
presidente", afirmou. O presidente boliviano disse que Lula lhe
pediu, inclusive, uma lista de projetos que poderiam contar com financiamento
do governo brasileiro, entre eles a construção de estradas.
Anteontem, a Petrobras havia informado
que suspendeu novos investimentos na Bolívia, mesmo os que já
haviam sido divulgados, como a ampliação do gasoduto que
traz o combustível ao Brasil. Além disso, o presidente
da estatal, José Sérgio Gabrielli, também afirmou
não aceitar a cobrança de preços diferentes dos
estabelecidos em contrato e que estaria disposto a acionar o tribunal
internacional de arbitragem em Nova York para tentar impedir reajustes.
Reação
As declarações de Morales
ontem foram mal recebidas na Petrobras. Um dirigente que não
quis se identificar disse que a reação não representa
chantagem, mas uma decisão empresarial. O executivo afirmou que
já não havia uma programação de investimentos
nem um projeto detalhado de novos investimentos. Existia apenas uma
possibilidade de elevar a capacidade atual do gasoduto Brasil-Bolívia
em 15 milhões de metros cúbicos -dos atuais 30 milhões
de metros cúbicos/dia para os 45 milhões de metros cúbicos/dia.
Diante da nacionalização da companhia naquele país,
não se cogita tal expansão.
Oficialmente, a Petrobras informou
que não iria comentar as declarações de Morales.
A direção da Petrobras ainda acredita poder solucionar
o impasse com o governo boliviano antes dos 180 dias previstos como
período de transição no decreto presidencial de
nacionalização do petróleo e do gás anunciado
na última segunda-feira. Dentro do prazo de transição
de 180 dias, o decreto presidencial prevê que a companhia estatal
YPFB absorva até 50% mais uma ação das empresas
de óleo e gás e repasse para elas 18% dos recursos obtidos
com a venda da produção dos campos. A YPFB também
definirá os preços praticados, embora o decreto não
mencione aumento.
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Folha de São Paulo,
05 de maio de 2006
TRABALHO
Para banco, suspensão de financiamento poderia gerar mais cortes
além dos previstos na reestruturação da empresa
BNDES mantém empréstimo
à Volkswagen
JANAINA LAGE, DA SUCURSAL DO RIO
CLAUDIA ROLLI, DA REPORTAGEM LOCAL
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) informou que vai concluir a operação
de financiamento de R$ 497,1 milhões anunciada há menos
de um mês para a Volkswagen, apesar do anúncio de reestruturação
e demissões na empresa. O banco ainda não desembolsou
os recursos, mas o contrato deve ser assinado neste mês. Esse
é o segundo empréstimo concedido à montadora desde
o final do ano passado. Em novembro, o BNDES já havia liberado
US$ 303 milhões para a Volks, de um pacote de US$ 853 milhões
para montadoras (incluiu Ford, GM e Fiat), com o objetivo de promover
a exportação de veículos. Em 2003, as montadoras
já haviam obtido outro empréstimo, de R$ 1,4 bilhão,
para a produção de bens destinados à exportação.
A Volks informou ontem que não
há relação entre os empréstimos feitos pelo
banco e seu processo de reestruturação anunciado anteontem.
O plano prevê a demissão de funcionários, o corte
de benefícios dos empregados e a redução dos custos
das fábricas, o que inclui a possibilidade de fechamento de uma
unidade. Para o BNDES, a suspensão da operação
poderia resultar em um número maior de demissões. Além
disso, o banco sustenta que o crescimento da economia nos próximos
anos deve reduzir os cortes previstos pela montadora.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos
do ABC (CUT), a VW quer demitir 5.773 trabalhadores das unidades de
São Bernardo do Campo, Taubaté e São José
dos Pinhais (PR) até 2008. "Qualquer empresa que recebe
incentivos de políticas públicas, como empréstimos
do BNDES, ou tem subsídios fiscais deveria oferecer ao país
contrapartidas sociais, como a geração de empregos ou,
no mínimo, a manutenção dos postos de trabalho",
diz José Lopez Feijóo, presidente do sindicato. Ele quer
discutir com o governo a inclusão dessa regra nos futuros empréstimos
do BNDES. "A Volks foi esperta. Primeiro fez o empréstimo
e só depois anunciou a reestruturação."
O empréstimo divulgado pelo BNDES
em abril é destinado à expansão da produção
de veículos Fox e CrossFox, à atualização
dos designs de seus modelos e a melhorias no processo produtivo da companhia.
A empresa informou que os contratos do BNDES referem-se a operações
já realizadas. O banco destacou que a Volks, quinta maior exportadora
brasileira, foi responsável por 3,2% do superávit comercial
brasileiro no ano passado.
Segundo Carlos Lessa, ex-presidente do
BNDES, durante o período que esteve à frente do banco,
as montadoras faziam uma "choradeira permanente" para obter
novos financiamentos. "Como o BNDES tem a única linha que
faz financiamentos de fôlego, as próprias matrizes recomendavam
que as empresas procurassem o banco." Para ele, o governo deveria
chamar a montadora para a mesa de negociação. "É
absurdo destruir capacidade produtiva num país em que 10% da
população está desempregada."
O problema das montadoras, segundo Lessa,
é a taxa de câmbio: as montadoras instalaram plataformas
de exportação supondo uma determinada paridade cambial,
mas o Banco Central adotou uma política de valorização
do câmbio para conter a inflação, o que prejudicou
as exportações e aniquilou alguns setores da economia.
"O que a Volkswagen fez foi botar a faca no peito do governo. Deve
estar partindo da hipótese de que o presidente foi um metalúrgico
do ABC", disse.
No Paraná, a fábrica
da Volkswagen, em parceria com a Audi, cortou a produção
de 800 para 540 carros por dia e deu férias coletivas para cerca
de 1.000 dos 4.200 funcionários, na última segunda-feira.
É a segunda vez que isso ocorre neste ano. A primeira foi em
janeiro. A Volks diz que a medida é reflexo do recuo das exportações.
Hoje, sindicalistas das cinco unidades da montadora se reúnem
para definir ações em conjunto.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 05 de maio de 2006
| Brasil
POSSE
Presidente do TSE diz que Brasil
virou país do faz-de-conta
Brasília – O novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), ministro Marco Aurélio de Mello, disse ontem que “o
Brasil se tornou um país do faz-de-conta” e criticou agentes
públicos. “Se a ordem jurídica não aceita
o desconhecimento da lei como escusa até do mais humilde dos
cidadãos, muito menos há de admitir a desinformação
dos fatos pelos agentes públicos, a brandirem (acenarem com)
a ignorância dos acontecimentos como tábua de salvação”,
afirmou ele. “Faz de conta que não se produziu o maior
dos escândalos nacionais, que os culpados nada sabiam, o que lhes
daria uma carta de alforria prévia para continuar agindo como
se nada de mal houvessem feito”, disse. O ministro fez essas afirmações
ao tomar posse na presidência do TSE, cargo no qual comandará
estas eleições.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 05
de maio de 2006 | Brasil
PESQUISA-Relatório da OIT aponta que
caiu 36% o número de trabalhadores com idade entre 10 e 17 anos
Trabalho infantil diminui no Brasil
entre 1992 e 2004
Brasília – O Brasil conseguiu manter taxas nacionais constantes
de redução do trabalho infantil desde o início
da década de 90. Relatório mundial da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) divulgado ontem mostra que o número
de crianças trabalhadoras entre 10 e 17 anos caiu 36% entre 1992
e 2004. Na faixa etária de cinco a nove anos, a queda foi de
60%.
Os números gerais, no entanto,
escondem uma problema que o Brasil ainda tem que enfrentar: a metade
dos estados brasileiros não conseguiu manter redução
constante nos índices de trabalho infantil nos últimos
14 anos. E, em alguns casos, houve aumento no último ano.
A análise dos dados das Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílio
(Pnad) de 1992 a 2004, feita pela OIT, mostra que em alguns estados
aumentou o número de crianças entre 10 e 17 anos trabalhando.
É o caso de Mato Grosso do Sul, que teve acréscimo em
2002, caiu em 2003 e voltou a subir em 2004. O mesmo aconteceu em Santa
Catarina. No Acre, os índices subiram consideravelmente em 2002,
caíram um pouco em 2003 e voltaram a crescer em 2004. O mesmo
aconteceu em outros dez estados. “Se não houvesse essas
oscilações a queda nos índices poderia ter sido
ainda bem maior”, disse Osvaldo Russo, secretário nacional
de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento
Social.
A aposta do governo para manter uma queda
constante é a integração do Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil (Peti) com o Bolsa Família. “Precisamos
melhorar a gestão e garantir o cumprimento das contrapartidas,
que no caso do Peti, além da escola, são o turno extra
de atividades que a criança tem que freqüentar”, afirmou
o secretário. “Com a integração vai ser possível
ainda ampliar o número de crianças no programa, coisa
que não conseguíamos mais.”
O Peti, uma das primeiras iniciativas
do mundo que aliou a transferência de renda com a tentativa de
tirar crianças do trabalho, mereceu elogios no relatório
da OIT. “O Peti é visto pela OIT como fundamental, mas
a transferência de renda tem que estar vinculada a um incremento
no investimento em educação”, disse Pedro Américo,
coordenador do Programa Internacional para Erradicação
do Trabalho Infantil (Ipec, na sigla em inglês) da OIT.
O relatório da OIT mostra
que a educação é dos fatores de maior impacto na
redução do trabalho infantil. Cruzamentos de dados do
Brasil mostram que, entre as crianças que estudam, a proporção
das que trabalham é menos da metade do que entre aquelas que
estão fora da escola.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 05
de maio de 2006 | Brasil
TRABALHO
Queda mais expressiva foi na América
Latina
Brasília – O número de crianças trabalhadoras
no mundo vem caindo. Entre 2000 e 2004, foram 28 milhões de crianças
a menos no mercado de trabalho. A queda mais expressiva aconteceu na
América Latina, mas até mesmo a região mais pobre,
a África Subsaariana, teve uma pequena redução.
Apenas na Ásia a situação não mudou.
O panorama apresentado no relatório
global da Organização Internacional do Trabalho (OIT)
é otimista. O diretor-geral da OIT, Juan Somavia, acredita que
será possível eliminar as piores formas de trabalho infantil
– trabalhos considerados degradantes ou perigosos, como em pedreiras
ou olarias – até 2016, uma das metas colocadas aos países
que assinaram o acordo contra o trabalho infantil.
“A eliminação do
trabalho infantil está ao nosso alcance”, disse Somavia.
“Apesar de ser um desafio de enormes proporções,
estamos no caminho correto.” A avaliação da OIT
é de que a queda não foi maior por falta de vontade política
dos países e de esforços maiores para integrar a erradicação
do trabalho infantil a projetos de desenvolvimento.
“Se não há
vontade política, não há vontade de implementar
políticas e encontrar recursos para ações”,
disse Eduardo Araújo, diretor do Programa Internacional de Erradicação
do Trabalho Infantil da OIT para a América Latina.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 05
de maio de 2006 | Economia
INDÚSTRIA
Cai número de horas trabalhadas
O número de horas trabalhadas na produção caiu
0,7% em março, segundo dados da Confederação Nacional
da Indústria (CNI). Paulo Mol, economista da entidade, disse
que esperava um aumento em março. “Os dados de março
ainda não apresentam o vigor que se esperava” afirmou Mol.
As vendas reais na indústria cresceram 0,86%, e o uso do parque
industrial ficou em 81,1% da capacidade total. O emprego industrial
teve alta de 0,27% na comparação com fevereiro.
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O ESTADO DO PARANÁ,
05 de maio de 2006
Ninguém sabe como serão
as eleições
Joyce Carvalho
Foto: Chuniti Kawamura/O Estado
Seminário Reforma Política Eleitoral: há apenas
indícios de como serão as eleições.
O processo eleitoral deste ano ainda está indefinido e especialistas
preferem não arriscar em dizer o que pode acontecer com o projeto
de lei em trâmite no Congresso Nacional, que propõe alterações
nas eleições. Esse assunto foi amplamente debatido ontem
no Seminário Reforma Política Eleitoral, realizado na
Câmara Municipal de Curitiba.
Eneida Desirre Salgado, mestra em Direito pela Universidade Federal
do Paraná e professora de Direito Constitucional e Eleitoral
no Centro Universitário Positivo (Unicenp), diz que somente há
indícios de como ocorrerão as eleições deste
ano. Para ela, nunca houve um momento de calmaria quanto às normas
dos processos eleitorais. Antes da Lei 9.504/1997, leis eram feitas
em todos os anos de eleições para determinar as regras
a serem cumpridas. Depois de 1997, isto não foi mais feito. "É
difícil falar em democracia sem ter as regras do jogo",
analisa.
Ela questiona o argumento usado para sustentar o projeto de lei que
está em andamento no Congresso Nacional. A moralização,
como defendem os deputados e senadores não precisa passar por
uma legislação. "A moralização não
passa por uma proposta política. É preciso mudar a forma
de fazer política, não dependendo apenas da legislação.
Mais do que mudar a lei, é preciso cumprir a lei", afirma
Eneida. Para ela, nenhuma lei complementar seria necessária se
fossem cumpridas a Lei 9.504/1997 e a Constituição de
1988, principalmente os artigos 1, 2, 3, 14 e 37.
O advogado especialista em direito eleitoral, Henrique Neves da Silva,
conta que o projeto de lei foi proposto com a intenção
de se fazer uma mudança radical, pois o Congresso Nacional se
viu obrigado a dar uma resposta à sociedade sobre esse assunto.
"Mas, desde o começo, o projeto apresentou dúvidas
se é constitucional e válido para este ano ou não.
O Congresso diz: 'a lei está aqui', só que já reconheceu
que quem vai aplicar isso é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)",
relata.
De acordo com ele, isso vai criar uma saia justa no Executivo. "Como
o presidente Lula vai se comportar, sendo um possível candidato?
Vai vetar artigos ou ficar quieto e passar a bola para o TSE. O artigo
16 da Constituição diz que alterações como
estas podem entram em vigência após um ano", fala
Silva. Tudo depende de como se encara o processo eleitoral. Pode-se
pensar, por exemplo, que processo eleitoral começa apenas com
a regulamentação da forma de escolha. Então, muitos
artigos do projeto de lei, caso aprovado, poderiam entrar em vigor ainda
este ano, segundo o advogado. Expressando uma opinião pessoal,
Silva acredita que "vão dizer que a lei não se aplica
e o Tribunal vai determinar algumas normas. O que vale hoje é
a lei 9.504 e suas resoluções".
Na opinião de Eneida Salgado, será difícil que
haja uma lei eleitoral que realmente funcione devido a sua origem, o
Legislativo, diretamente ligado com as eleições. "É
como se um presidiário fizesse a lei de execuções
penais", compara. A indefinição sobre como serão
as eleições deste ano prejudica todos os setores da sociedade,
pois advogados, candidatos e eleitores ainda não sabem como serão
as campanhas e as suas regras.
Henrique Silva ainda expôs ser contra o financiamento público
de campanhas, porque atualmente este procedimento já é
misto. O horário gratuito na televisão não é
realmente de graça, já que as emissoras possuem compensação
fiscal pelo uso do horário para os programas eleitorais. "Já
há o uso de recurso público. Se houvesse o financiamento
público, como seria feita a divisão? É difícil
mexer com o dinheiro público e isso necessitaria uma fiscalização
intensa. O financiamento público não vai gerar igualdade
nos resultados", opina.
Para os especialistas, a corrupção existente nos processos
eleitorais, de compra e venda de votos, pode acabar com a educação.
Eles defendem que os eleitores devem ser esclarecidos sobre como funcionam
as eleições e as suas conseqüências. "É
mais do que necessária uma educação de preparo,
no ensino básico, mas também na universidade. Quanto maior
a abrangência, mais se eliminará a falta de conhecimento",
conclui. Eneida completa que a educação também
deve partir do núcleo familiar.
Sobre a divulgação de pesquisas eleitorais na imprensa,
Silva comenta que os levantamentos possuem a utilidade de informação
e é possível que decidam os votos. Para ele, o leitor
tem direito da informação, que deve ser verdadeira. Eneida
revela que as tentativas de regulamentar as pesquisas mostram que há
o reconhecimento da influência delas no eleitorado.
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FOLHA DE LONDRINA , 05 de
maio de 2006
Seu Direito - Salário Regional
Aprovado salário mínimo estadual de R$ 437, eu poderei
continuar pagando o salário mínimo federal para minha
empregada doméstica (ela mesma concorda em permanecer com este
salário) ou vou ser obrigada a registrar a funcionária
com o valor estadual?
O salário mínimo regional
''aprovado'' em primeira votação na Assembléia
dia 3 de maio não é novidade do nosso ''Governador''.
No Brasil, Estados como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro já
possuem seus próprios mínimos regionais e convivem bem
com o fato. No RJ, foi aprovado o salário mínimo em dezembro
de 2000 e seu valor atual é de R$ 369,45. Já no RS, foi
outorgado em julho de 2001 e hoje corresponde a R$ 374,67.
Os beneficiários deste ''novo''
salário mínimo serão os empregados paranaenses
que trabalham com carteira assinada e que não possuem acordo
ou convenção coletiva para definir um piso salarial entre
o sindicato que os representa e a classe patronal. Resumindo, quem possui
piso instituído por sindicato não terá alteração
salarial, mesmo que receba menos do que os R$ 437.
Os grandes beneficiários do salário
mínimo regional serão os trabalhadores domésticos
e os trabalhadores rurais. Funcionários do comércio que
possuem piso salarial estipulado por convenção ou acordo
coletivo não terão reajustes nos vencimentos, mesmo recebendo
valores inferiores ao mínimo regional.
Respondendo à sua pergunta, o
leitor deve continuar pagando o salário mínimo federal
até a aprovação da Lei o projeto só foi
aprovado em 1 discussão na Assembléia, faltando mais atos
para torna-se verdadeiramente uma Lei. Com a aprovação
final, você terá que pagar o salário mínimo
regional para sua empregada doméstica e não o salário
mínimo federal, mesmo com a anuência de sua funcionária.
Saliento que o projeto deverá
ser melhor analisado durante as próximas semanas, pois poderão
haver falhas que serão alteradas ou discutidas judicialmente,
como o problema do parágrafo único do artigo 3º do
projeto que determina que ''caso o piso salarial constante de acordo
coletivo de trabalho ou convenção coletiva de trabalho
seja inferior ao valor do piso salarial instituído nesta Lei,
será garantido ao trabalhador pagamento do valor ora instituído''.
Este artigo vai em confronto a Lei complementar 103/00 que emenda o
artigo 7º da Constituição Federal e, provavelmente,
será discutida através de Ação Direta de
Inconstitucionalidade (Adin), no Supremo Tribunal Federal.
Caso o projeto seja aprovado e depois
derrubado na Justiça, os trabalhadores que foram beneficiados
com a medida voltam a receber o salário mínimo nacional
de R$ 350, contudo, o salário recebido pelo trabalhador enquanto
a Lei estava em vigor não poderá ser devolvido.
A questão do salário mínimo
regional é muito polêmica, devendo ser melhor discutida
pela coletividade.
João Felipe B. Albuquerque,
advogado
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FOLHA DE LONDRINA, 05 de
maio de 2006
O 'grande abismo' entre o PIB e o salário
mínimo
São Paulo - De 1940 até 2004, o Produto Interno Bruto
(PIB) brasileiro - a soma de todas as riquezas produzidas pelo país
-cresceu cinco vezes, enquanto o salário mínimo real decresceu
a menos de 1/3 do seu valor inicial. Essa é uma das conclusões
de um estudo divulgado nesta semana pelo Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Segundo
a entidade, os números mostram que não se pode apostar
no crescimento econômico como única forma de elevação
real do salário mínimo.
A pesquisa do Dieese afirma que esse
‘‘grande abismo’’ entre o crescimento do PIB
per capita e do mínimo é resultado de políticas
que levaram ao aprofundamento da desigualdade social. O país
gerou mais riqueza, mas ela não foi distribuída de forma
equitativa. No índice de Gini, calculado pela Organização
das Nações Unidas (ONU), o Brasil aparece como país
mais desigual que outras nações sul-americanas como Uruguai,
Bolívia, Peru, Argentina, Chile e Colômbia.
De acordo com o estudo, a concentração
de renda tem sido em favor dos detentores do capital. A participação
dos trabalhadores na renda nacional caiu de 57% em 1949 para 36% em
2003. Para combater a desigualdade de renda, o Dieese propõe
uma política de valorização do salário mínimo.
No Brasil, 32% dos trabalhadores ganham
até R$ 350 mensais. No Nordeste esse percentual é de 58%
e, no Norte, de 37%. ‘‘É quase impossível
desenvolver uma política de correção da desigualdade
sem que se utilize o salário mínimo como um de seus principais
instrumentos’’, diz o estudo.
O atual salário mínimo
de R$ 350 corresponde a cerca de 40% do valor inicial, de 1940. Nesse
período, a remuneração era equivalente a R$ 922,50,
segundo correção para os valores de março deste
ano. Apesar desses números, o Brasil vive um momento de recuperação
do salário mínimo.
Segundo o estudo do Dieese, quase
40 milhões de brasileiros têm os rendimentos baseados no
salário mínimo, entre trabalhadores assalariados, pensionistas
e aposentados.
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SITE DO MTE, 05 de maio de 2006
Delegacia Regional do Trabalho no Paraná
Seção de Comunicação Social
DRT divulga quais atividades geraram
mais acidentes de trabalho
Ao analisar dados do Anuário Estatístico de Acidentes
de Trabalho de 2004, a Delegacia Regional do Trabalho (DRT/PR) pôde
constatar que no Paraná a atividade econômica que mais
apresentou a ocorrência de acidentes de trabalho foi a de atendimento
hospitalar: 1840 acidentes. O segundo lugar ficou com a fabricação
de automóveis e utilitários com 1458 vítimas, seguida
pela fabricação de papel com 1227. O setor que registrou
mais mortes foi o transporte rodoviário de cargas, matando 18
trabalhadores. Em segundo lugar houve um empate entre construção
civil e serviços prestados às empresas, com 10 mortes
em cada atividade. Com relação à quantidade de
trabalhadores que ficaram incapacitados, 44 atuavam no desdobramento
de madeira e 43 na construção civil. Ao todo, mais de
35.185 acidentes foram liquidados – processos encerrados pelo
INSS depois de completado o tratamento e indenizadas as seqüelas.
Do total de vitimados, 212 trabalhadores morreram e 968 ficaram permanentemente
incapacitados. Confira, abaixo, as tabelas com os 20 setores que geraram
mais acidentes no Paraná em 2004. O delegado regional do Trabalho,
Geraldo Serathiuk, informa que a DRT está trabalhando em conjunto
com outras entidades para a criação de um sistema de informações
sobre os setores econômicos e locais que mais geraram acidentes
de trabalho. Os dados estão sendo levantados pelo Ministério
Público do Trabalho (MPT), Ministério Público do
Trabalho (MPE), DRT, Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Secretaria
de Estado da Saúde (SESA) e INSS. “Eles serão de
conhecimento comum, pois só assim será possível
tomar providências fiscais mais eficazes como também desenvolver
trabalhos preventivos conjuntos com as entidades de trabalhadores e
empresários”, destaca Serathiuk.

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JORNAL O TEMPO / SÃO
PAULO, 05 de maio de 2006 | Economia
S. Paulo: Eletricitários das quatro
maiores usinas da Cesp decretam greve
A greve é total nas quatro maiores usinas
da empresa - Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera e Três
irmãos, onde mais de mil trabalhadores de um total de 1.600 estão
parados
Cley Scholz
SÃO PAULO - A Companhia Energética
de São Paulo (Cesp), uma das empresas mais endividadas do País,
com dívida de R$ 10 bilhões, enfrenta desde ontem uma
greve por causa da divergência entre trabalhadores e direção
da empresa sobre a forma de distribuição da participação
nos lucros e resultados. A greve é total nas quatro maiores usinas
da empresa - Ilha Solteira, Jupiá, Porto Primavera e Três
irmãos, onde mais de mil trabalhadores de um total de 1.600 estão
parados.
O Sindicato dos Eletricitários
de Campinas garante que o fornecimento de energia não será
afetado, pois equipes estão sendo organizadas para garantir o
serviço, considerado essencial. Mas o presidente da entidade,
Wilson Marques de Almeida, admite que os serviços de manutenção
preventiva estão parados e que isso aumenta o risco de desligamento
do sistema, o que poderia resultar em apagão.
Os trabalhadores exigem que a estatal
pague de forma igual para todos os funcionários a remuneração
por resultados, o equivalente a um mês da folha de pagamentos,
mas a empresa não aceita e quer distribuir 52,5% dos resultados
de forma igual para todos e os 47,5% restantes de forma proporcional
aos salários. O cálculo dos resultados é feito
com base no lucro antes do pagamento do serviço da dívida,
que segundo o último balanço é de US$ 4,4 bilhões,
sendo 45% em moeda estrangeira.
O prazo dado pelo sindicato para
que a direção da Cesp solucionasse o problema da forma
de distribuição da participação nos resultados
se esgotou na última terça, já que o termo aditivo
do acordo salarial assinado em junho do ano passado prevê que
o pagamento aconteça cinco dias depois de aprovação
em reunião da Assembléia Geral Ordinária.
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JORNAL O TEMPO / SÃO
PAULO, 05 de maio de 2006 | Economia
Centrais sindicais se reúnem para
discutir demissões na Volks
Depois da demissão de cerca de 6 mil
trabalhadores da Volks, a CUT e a Força Sindical discutem ações
conjuntas em defesa dos empregos dos funcionários
Carolina Ruhman
SÃO PAULO - A Central Única
dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical irão se reunir
na sexta-feira em São Bernardo do Campo, através das comissões
de fábrica das unidades da Volkswagen de São José
dos Pinhais, de São Bernardo do Campo e de Taubaté, para
discutir sobre as demissões na montadora e para elaborar ações
conjuntas em defesa dos empregos dos trabalhadores. A Volks anunciou
na quarta-feira a demissão de cerca de 6 mil trabalhadores.
De acordo com nota enviada à imprensa,
a discussão só deve produzir frutos na próxima
terça-feira, quando os presidentes da Confederação
Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), filiada à
Força Sindical, Eleno Bezerra, e da Confederação
Nacional dos Metalúrgicos (CNM), da CUT, Carlos Alberto Grana,
irão se reunir na sede da Força para então divulgar
a estratégia adotada pelas centrais para lidar com o problema.
"Essa questão envolve toda
a cadeia produtiva. Se a Volks concretizar o seu plano, o número
de demitidos será muito maior, pois, para cada trabalhador demitido
na montadora três outros são demitidos na cadeia. Só
o setor de autopeças emprega mais de 100 mil pessoas no País",
afirmou Bezerra.
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JORNAL O TEMPO / SÃO
PAULO, 05 de maio de 2006 | Economia
Preço da cesta no Rio aumenta e
é maior para mais pobres
Em reais, o total passou de R$ 303,36 para R$
305,52
Alessandra Saraiva
RIO DE JANEIRO - O custo da cesta de
compras na cidade do Rio de Janeiro subiu 0,71% em abril, ante queda
de 1,69% em março, segundo informou nesta quinta-feira o Instituto
Fecomercio-RJ. Em reais, o total passou de R$ 303,36 para R$ 305,52.
O aumento atingiu todas as faixas de rendimento familiar pesquisadas
pelo instituto, mas foi mais forte para as de baixa renda.
Para os grupos que recebem até
oito salários mínimos, a elevação foi de
0,78%. Já para as que estão acima dessa faixa de renda,
o avanço ficou em 0,66%. Na análise por produtos, o instituto
informou que o tomate foi o item que mais subiu de preço, encerrando
o período com uma alta de 36,78%. Outras altas expressivas foram
vistas na cebola, com 9,88%; e na carne seca, com 8,68%. Compensando
as altas, frutas como maçã, laranja pêra e banana
prata, caíram respectivamente, 15,88%, 8,39% e 8,37%.
No acumulado do ano, o custo da cesta
contabiliza queda de 0,99% até abril. Em relação
aos últimos 12 meses até abril, há também
registro de deflação, um pouco menor, de 0,16%. A pesquisa
sobre cesta de compras abrange variações de preços
de 39 produtos que mais pesam no orçamento, consumidos por famílias
de dez diferentes faixas de renda.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
05 de maio de 2006 | Economia
Alta dos juros é vista como principal
vilã da valorização
SÃO PAULO - A política
monetária do governo em manter os juros altos para conter a inflação
é uma das principais causas da valorização da taxa
cambial brasileira, considerada por executivos como um dos grandes vilões
enfrentados pela economia nacional. “O governo precisa investir
em políticas de reserva e mercado de futuro. Só assim
chegaremos ao investment graded consolidado”, explicou o professor
titular do Instituto de Economia da Unicamp, Luciano Coutinho, durante
mesa redonda sobre a Política Cambial Brasileira, realizada hoje,
na Fiesp.
Segundo os executivos, a valorização
cambial transfere a renda da exportação para o consumo
interno de “alimentos”, habitual no governo Lula. “Esta
transferência de renda é uma prática extremamente
estéril, uma vez que o País não consegue obter
lucro desta maneira. Socialmente é muito bom, mas para a economia
é um desastre”, argumentou o diretor do Departamento de
Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex)
da Fiesp, Roberto Giannetti.
No entanto, se depender da queda dos
juros, a valorização cambial não dará trégua.
Segundo o economista-chefe da Federação Brasileira de
Bancos (Febraban), Roberto Troster, estão previstos cortes “mínimos”
na Selic de 0.50 ponto percentual e, a partir de agosto, os cortes serão
de 0.25 ponto percentual. Devido ao ano eleitoral, dificilmente a política
monetária mudará. A expectativa de que a taxa de câmbio
fique como está até 2007, é extremamente danoso
à economia”, disse Troster.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
05 de maio de 2006 | Economia
CNI revela que vendas industriais aumentaram
em março
BRASÍLIA - O boletim "Indicadores
Industriais", que a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) divulgou hoje, mostra que as vendas do setor, em março,
aumentaram 18,44% em relação a fevereiro. Após
ajuste sazonal, a alta foi de 0,86%.
Conforme a CNI, o crescimento das vendas
- que ocorreu apesar de a valorização do real limitar
a rentabilidade das empresas exportadoras - relaciona-se, em grande
parte, à redução dos juros e aos impactos positivos
da expansão do crédito e da renda familiar. As horas trabalhadas
no setor registraram queda de 0,70% em relação a fevereiro
- o que sugere a continuidade do processo de ajustes nos estoques das
empresas.
Quanto ao nível de utilização
da capacidade instalada, ele caiu 0,9 ponto percentual em março
em relação ao mesmo mês em 2005, e atingiu 82,1%.
Mas, para a CNI, não há riscos de gargalos na produção
neste ano, ainda que o ritmo de expansão da atividade acelere-se
ao longo do período. Em março, o número de empregados
na indústria subiu 0,60% em relação a fevereiro.
Após o ajuste sazonal, a alta foi de 0,27%. Na comparação
com 2005, houve crescimento de 0,88%, no terceiro mês do ano.
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de maio de 2006
Tratamento isonômico
Acordo coletivo deve valer para ativos
e pensionistas
Acordo coletivo deve respeitar igualdade
de tratamento entre trabalhadores ativos e aposentados e pensionistas.
O entendimento é da 1ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho,
que estendeu o pagamento de cesta-alimentação a um grupo
de inativos da Caixa Econômica Federal em Minas Gerais. O benefício
previsto em acordo coletivo era destinado apenas aos empregados em atividade.
Segundo o ministro João Oreste Dalazen, relator da questão,
o teor da cláusula da negociação coletiva representou
uma tentativa de burlar a exigência de igualdade de tratamento,
além de demonstrar “intolerável insensibilidade
para com aposentados e pensionistas”.
No TST, os inativos sustentaram que a
parcela questionada nada mais expressou que um aumento disfarçado
do antigo “auxílio-alimentação”, no
mesmo valor pago aos empregados ativos, motivo pelo qual reivindicaram
a extensão da vantagem. O ministro constatou que tanto ativos
quanto inativos recebiam, por meio de um cartão magnético,
o auxílio-alimentação. Com o mesmo cartão,
os empregados ativos receberam o auxílio cesta-alimentação,
criado exclusivamente para eles pelos acordos coletivos de trabalho
de 2002/2003 e 2003/2004.
“A nomenclatura, a natureza e a
forma de pagamento de ambos os benefícios são praticamente
idênticas, diferenciando apenas pelo fato de que o auxílio
cesta-alimentação foi destinado exclusivamente aos empregados
em atividade”, observou o ministro. Segundo o relator, a disposição
da cláusula quis excluir o pagamento da vantagem a aposentados
e pensionistas. “A fraude se evidencia, principalmente, na efetiva
desigualdade entre os reajustes do benefício auxílio alimentação
e do auxílio cesta-alimentação, bastando acentuar-se
que àquele concedeu-se um reajuste de 6% (R$ 11,00 - R$ 11,67),
enquanto este sofreu uma majoração de 100% (R$ 50,00 -
R$ 100,00)”.
A decisão do Tribunal Superior
do Trabalho reconheceu a disparidade de tratamento entre ativos e aposentados
em oposição ao dispositivo constitucional que promove
a igualdade de todos (artigo 5º, CF) e à regra da CLT (artigo
468) que veda as alterações contratuais em prejuízo
dos empregados.
RR 1.295/2004-018-03-00.5
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de maio de 2006
Competência da dor
Justiça do Trabalho não
julga dano moral por morte
Não cabe à Justiça
do Trabalho julgar dano moral por morte de trabalhador durante o expediente.
O entendimento é da Seção Especializada em Dissídios
Individuais (SDI-2) do Tribunal Superior do Trabalho, que entendeu que
a dor moral está relacionada à perda do ente querido e
não com a relação de trabalho. Dessa forma confirmou
a indenização por dano material e determinou que a ação
por dano material voltar à Vara Cível original. O trabalhador
foi vítima da explosão de um compressor dentro da Retífica
Carvalho, onde trabalhava. A sua família interpôs ação
na Vara Cível, que entendeu que a competência para apurar
as responsabilidades moral e material seria da Justiça do Trabalho.
A Vara do Trabalho de Rio Verde condenou
a empresa ao pagamento de indenização por danos morais
no valor de R$ 60 mil por entender que “houve negligência
no cumprimento das normas de segurança e higiene no trabalho
no que tange às condições de segurança para
desenvolvimento das atividades laborais”. Acolheu também
o pedido de indenização por danos materiais, fixando o
valor em R$ 15 mil, diante da inexistência do seguro de vida obrigatório,
previsto na Constituição (artigo 7º, XXVIII).
A retífica recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 18ª
Região (Goiás). O argumento foi o da inviabilidade da
sentença trabalhista, uma vez que as autoras formularam a ação
em busca de direitos próprios e não do trabalhador. O
TRT negou a ação rescisória e a questão
foi objeto de recurso ordinário no Tribunal Superior do Trabalho.
O ministro Gelson de Azevedo, em seu
voto, destacou a existência de dois pedidos de indenização.
O primeiro de dano material pela inobservância do seguro obrigatório
e o outro, por dano moral, pela dor e sofrimento sofridos pela viúva
e filha do empregado falecido. “Em relação ao primeiro
pedido, não há dúvidas acerca da competência
da Justiça do Trabalho, haja vista que a obrigação
de contratar seguro contra acidentes de trabalho pressupõe a
existência de um contrato de trabalho ou relação
de emprego”, sustentou o relator ao confirmar a condenação
da Vara do Trabalho.
No entanto, a SDI-2 entendeu que
não é possível o exame do pedido de danos morais
decorrentes do sofrimento gerado pelo acidente. “Está claro
aí que o trauma emocional guarda relação com a
perda do ente querido, ou seja, o que se invoca é o sofrimento
próprio das autoras, e, não, qualquer direito sonegado
pertencente ao trabalhador falecido”, entendeu o ministro. Dessa
forma, a decisão trabalhista em relação aos danos
morais foi cancelada e passa às mãos da Vara Cível
de Rio Verde.
ROAR 307/2003-000-18-00.3
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de maio de 2006
Autor legítimo
MPT pode propor ação contra
demissão de funcionários
O Ministério Público do
Trabalho tem legitimidade para propor ação contra empresa
que dispensa empregados com estabilidade acidentária. O entendimento
é da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho que permitiu
a interposição de Ação Civil Pública
contra a Sumidenso do Brasil Indústria Elétrica. O processo
deve retornar ao Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais, para
que prossiga no julgamento do recurso ordinário. Na ação,
o Ministério Público do Trabalho pedia a declaração
da ilicitude das demissões e da contratação de
mão-de-obra terceirizada pela empresa, além do registro
de jornada de trabalho, reverter a dispensa imotivada de empregados
participantes de movimento grevista, livre exercício de atividade
sindical e indenização por danos de natureza coletiva.
A 1ª Vara do Trabalho de Betim (MG)
julgou o pedido parcialmente procedente. Condenou a empresa a cumprir
as obrigações de não demitir imotivadamente os
trabalhadores portadores de estabilidade acidentária e de permitir
a anotação da real e efetiva jornada de trabalho nos controles
de ponto pelos empregados. A empresa recorreu ao Tribunal Regional do
Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais), que acolheu as alegações
de ilegitimidade do Ministério Público para ajuizar esse
tipo de ação e declarou o processo extinto sem julgamento
do mérito. O Ministério Público entrou com pedido
de Recurso de Revista no TST. Sustentou que tem legitimidade para propor
ação civil pública que visa à proteção
dos direitos pedidos. Segundo o MPT, os trabalhadores protegidos são
identificáveis e os interesses defendidos são sociais.
Diferente do TRT, a ministra Maria Cristina
Peduzzi entendeu que a ação envolve interesses individuais
homogêneos. “Consideram-se direitos individuais homogêneos
os decorrentes de origem comum”, sustentou. “É essa
comunidade que confere semelhança – mas não igualdade
– aos direitos, recomendando, assim, a defesa conjunta.”
Além disso, a ação visa “proteger todo um
grupo de trabalhadores, denotando a inserção dos direitos
defendidos no campo dos interesses coletivos. Diante desses elementos,
conclui-se tratar, no caso, de direitos individuais homogêneos”,
afirmou a ministra.
Em seu voto, a ministra fundamenta a
decisão na Lei Complementar 75/93 (artigo 83, III) que estabelece
“a legitimidade do Ministério Público para a defesa
judicial de direitos individuais homogêneos, enquanto subespécie
dos direitos coletivos. Além disso, no caso, a relevância
social dos direitos defendidos fundamenta a atuação do
MPT, como prevê a Constituição federal”, concluiu.
RR 1476/2001-026-03-00.3
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de maio de 2006
Engorda mas não alimenta
Sanduíche com refrigerante e batata
frita não é refeição
Um sanduiche acompnhado de batatas fritas
e refigerante não se constitui propriamente uma refeição.
Tampouco uma lanchonete fast food pode ser confundida com um restaurante.
Por isso, a Justiça do Trabalho de São Paulo condenou
a rede de lanchonetes McDonald's a reembolsar um ex-funcionário
que recebia um sanduiche todo dia a título de refeição.
A decisão é da 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 2ª Região. A rede terá de indenizar o ex-funcionário
com R$ 5 por dia trabalhado na loja.
O funcionário alegou que, em vez
de tichet-refeição, a lanchonete oferecia diariamente
um refrigerante, um sanduíche e um pacote de batata fritas como
refeição. A ação foi apresentada na 7ª
Vara do Trabalho de São Paulo requerendo o pagamento do vale-alimentação,
entre outras verbas. A decisão de primeira instância considerou
que por pertencer ao ramo de refeições, o Mc Donald’s
não tinha a obrigação de fornecer tickets. O empregado
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
Na segunda instância, o juiz Ricardo
Costa Trigueiros sustentou que "o fornecimento de lanche pelo empregador
a seus empregados, não se confunde com a refeição
preconizada na norma coletiva, mormente ante o elevado teor calórico
e questionável grau nutritivo dos produtos comercializados pela
reclamada, conhecida empresa do ramo da alimentação rápida
(fast food), a par da notória impropriedade do seu consumo diário".
Para o relator, "a imposição do consumo diário
de simples lanche que não supre as necessidades alimentares do
trabalhador (...) pode por em risco a sua saúde".
Processo 00076.2003.007.02.00-0
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
05 de maio de 2006
Comissão do Senado aprova projeto
que garante FGTS a empregada doméstica
A CAS (Comissão de Assuntos Sociais)
do Senado aprovou nesta quinta-feira (4/5), por unanimidade, o projeto
de lei que garante aos empregados domésticos o direito ao FGTS
(Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). O texto será
agora votado no plenário da casa. A autora do projeto, deputada
Almerinda de Carvalho (PMDB-RJ), justificou a matéria alegando
que há no Brasil mais de 6 milhões de empregados domésticos.
"Esse enorme contingente de trabalhadores submete-se a condições
de trabalho que são marcadamente piores do que as vividas pelo
conjunto de pessoas ocupadas no Brasil", disse a senadora na justificativa
do projeto. Segundo ela, 54% dos empregados domésticos informais
permanecem menos de um ano com o mesmo empregador.
O presidente da comissão,
senador Antônio Carlos Valadares, apresentou requerimento de urgência
para a proposta. Com isso, a Mesa é obrigada a incluir o projeto
na pauta do plenário no prazo máximo de 48 horas.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/05/2006
Relator esclarece decisão sobre intervalo
intrajornada
Recente decisão tomada pela Seção
de Dissídios Coletivos (SDC) do Tribunal Superior do Trabalho
tem provocado debates intensos nas primeira e segunda instâncias
da Justiça do Trabalho. A questão ganhou repercussão
por envolver a liberdade das partes – empregadores e empregados
– em dispor dos direitos trabalhistas nas negociações
coletivas. A SDC admitiu, numa situação específica,
hipótese de flexibilização do intervalo intrajornada,
destinado ao descanso de quem trabalha mais de seis horas por dia.
Preocupado com eventual má interpretação,
o relator da decisão, ministro Luciano de Castilho, tem confirmado
a validade da Orientação Jurisprudencial nº 342 da
Subseção de Dissídios Individuais – 1 (SDI-1)
do TST. Esse posicionamento tem sido reafirmado em palestras que o ministro
tem proferido a magistrados em todo o País.
Luciano de Castilho lembra que o entendimento
consolidado do TST aponta para a impossibilidade de negociação
coletiva em torno do intervalo destinado a repouso e alimentação
dentro da jornada. “É inválida cláusula de
acordo ou convenção coletiva de trabalho contemplando
a supressão ou redução do intervalo intrajornada
porque este constitui medida de higiene, saúde e segurança
do trabalho, garantido por norma de ordem pública (artigo 71
da CLT e art. 7º, XXII, da CF/88), infenso à negociação
coletiva”, afirma a OJ nº 342.
A decisão da SDC foi unânime
e tomada de acordo com as peculiaridades do caso concreto, envolvendo
convenção coletiva firmada entre empresas e empregados
do transporte de passageiros da cidade do Rio de Janeiro. As características
desse tipo de prestação de serviços justificaram
a exceção aberta pelo TST em relação ao
intervalo intrajornada, pois não foram afetados os chamados direitos
inegociáveis.
Empregados e empresas tinham acertado
a supressão do intervalo intrajornada de uma hora em troca de
intervalos menores de cinco minutos, ao final de cada viagem. A pausa
foi condicionada às possibilidades de cada linha e desde que
não contrariadas normas de trânsito ou da Secretaria Municipal
de Transportes Urbanos. Em troca, os condutores teriam a redução
da jornada semanal para 42 horas (sete horas diárias) e adicional
de 5% sobre o salário.
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª
Região (com jurisdição no Estado do Rio de Janeiro)
examinou recurso do Ministério Público do Trabalho local
e cancelou a cláusula por entendê-la contrária à
previsão do artigo 71 da CLT. O dispositivo é o que prevê
o intervalo intrajornada de pelo menos uma hora para os trabalhadores
submetidos a jornada contínua que exceda seis horas.
Na decisão da SDC, Luciano de
Castilho registrou a impossibilidade de negociação de
direitos que afetem a segurança, saúde e dignidade do
trabalhador. Esses “limites intransponíveis”, contudo,
não foram ultrapassados pela convenção coletiva
carioca, que regulou situação não prevista de forma
ampla pelo artigo 71 da CLT.
O relator observou que a própria
CLT permite a redução do intervalo intrajornada por ato
do Ministério do Trabalho. Acrescentou que o acerto entre as
partes não se estende aos trabalhadores que já se encontram
em sobrejornada. “Quanto a ferir a saúde do trabalhador,
bem como sua segurança e a da comunidade em geral – pois
cuida-se de transporte coletivo urbano na cidade do Rio de Janeiro –
não há prova objetiva de que isto possa acontecer”,
afirmou, ao conceder o recurso às empresas.
O posicionamento não levou
ao restabelecimento integral da cláusula. A SDC decidiu pela
supressão das condições impostas à concessão
das pausas de cinco minutos, o que evita a atividade do motorista por
sete horas sem intervalo, “um absurdo objetivo que deve ser afastado”,
segundo Luciano de Castilho. Na mesma decisão, foi mantida a
jornada semanal de 42 horas – questionada pelo MPT – e o
posicionamento do TRT sobre o fornecimento de cesta básica aos
trabalhadores.
(ROAA 141515/2004-900-01-00.5)

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