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Folha de São Paulo, 09 de maio de 2006
Construção terá reajuste
de 6%
DA FOLHA ONLINE
Os trabalhadores da construção
civil de São Paulo aceitaram reajuste salarial de 6,01% retroativo
a 1º deste mês e encerraram a greve iniciada no dia 3. O
acordo foi assinado pelos sindicatos da categoria e patronal em audiência
ontem no TRT (Tribunal Regional do Trabalho). O sindicato dos trabalhadores
informou que, nesse percentual, está embutido um aumento real
superior aos 2% obtidos pela categoria em 2005. O acordo entre empregadores
e trabalhadores prevê reajuste de 12,5% no vale-refeição
(para R$ 9) e a alteração de alguns produtos da cesta
básica. De acordo com o Sinduscon (sindicato patronal), o salário
normativo é de R$ 620,40.
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Diário Vermelho,
9 de maio de 2006
Paraná comemora aprovação
do maior salário mínimo do País
Aprovado ontem (08) pela Assembléia Legislativa do Paraná,
o maior salário mímino do País. Agora só
falta a aprovação por parte do Governador Roberto Requião.
Emendas ao projeto inicial foram derrubadas. Centenas de trabalhadores
representando as centrais sindicais e o Comitê pela Aprovação
do Salário Mínimo Regional comemoraram nesta segunda-feira
(08) nas as galerias da Assembléia Legislativa a aprovação
definitiva da proposta do governador Roberto Requião, que fixa
o salário mínimo regional do Paraná entre R$ 427,00
e R$ 437,80.
O Paraná terá o maior salário-mínimo
do País. O projeto teve votação unânime com
51 votos favoráveis. Logo após a votação,
os deputados derrubaram duas emendas – uma da Comissão
de Finanças e outra da bancada do PPS. O projeto de lei 02/2006,
tem como meta corrigir as distorções sociais e melhorar
a distribuição de renda entre a população
de baixa renda do estado. Com a aprovação da proposta
até 600 mil trabalhadores que não possuem representação
sindical poderão ser beneficiados, segundo avaliação
da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
A mensagem do governador Roberto Requião,
criando o piso mínimo regional, garantiu um feito inédito:
a proposta uniu todas as centrais sindicais do estado. Além da
CUT, participaram da mobilização a NCST, CGT, Força
Sindical e SDS, entidades de classe, federações trabalhistas,
Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos)
e da Delegacia Regional do Ministério do Trabalho.
O governador Roberto Requião comemorou
a aprovação e já antecipou o convite aos presidentes
das centrais sindicais para a sanção do projeto. O salário
mínimo regional, cerca de 20% acima do piso mínimo nacional
de R$ 350, tem estimativa de injetar de R$ 46 milhões a R$ 66
milhões na economia do Paraná.
Igualdade –
Para o presidente da Nova Central de Trabalhadores do Estado do Paraná
(NCST), Epitácio Antonio dos Santos, o salário mínimo
regional é a melhor forma de distribuir a renda no estado de
forma justa e igualitária. “Ficamos ansiosos pela aprovação,
principalmente depois que foi apresentada uma emenda que a gente não
precisava”, disse. Segundo ele, a alteração era
dispensável porque no texto original já está previsto
o reajuste anual a cada 1º de maio.
“A aprovação deste
projeto é um anseio de todos os trabalhadores do Paraná”,
afirmou. A NCST estima que de 500 a 600 mil trabalhadores sem organização
representativa serão beneficiados com o novo mínimo regional.
“São em média 390 mil trabalhadores domésticos
e mais de 200 mil da agricultura”.
O presidente da Força Sindical,
Sérgio Butka, destacou principalmente as questões sociais
que deverão ser corrigidas com o novo piso. “Nosso estado
tem um bom indicador do PIB, mas tem as maiores desigualdades sociais
dos três estados do Sul”, revelou. O novo salário,
na opinião dele, vai corrigir estas distorções
e melhorar o poder de compra dos trabalhadores. “Além disso,
vai estabilizar o crescimento salarial dos demais trabalhadores nas
negociações da data-base de cada categoria com representação
sindical”, afirmou.
Para a CUT, o percentual de trabalhadores
a ser atendido com o novo piso regional do Paraná, o maior do
país superando os já existentes no Rio Grande do Sul e
Rio de Janeiro, pode chegar a 800 mil. “Estamos prevendo que este
patamar salarial terá uma função muito importante
na melhoria da distribuição de renda no estado”,
disse o presidente estadual da Central, Roni Anderson.
Negociação
– Em relação aos reajustes do mínimo
regional, Anderson informou que isto já está embutido
no projeto. “Essa discussão será realizada anualmente.
O que importava mesmo agora era aprovar o salário diferenciado
proposto pelo governo do estado”, concluiu. Logo após a
aprovação da proposta, os deputados derrubaram as duas
emendas que atrasaram em uma semana a votação. A primeira,
do deputado Elio Rusch, da Comissão de Finanças, acrescentava
os servidores públicos estaduais. A proposta parecer contrário
da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ),
mantido por 38 votos favoráveis contra 13 contrários e
duas ausências.
A segunda emenda, da bancada do
PPS, recebeu parecer favorável da CCJ, derrubado por 39 votos
contrários contra 12 favoráveis e duas ausências.
“Estas emendas não tinham qualquer cabimento, principalmente
neste momento em que os trabalhadores anseiam tanto por um salário
mais justo”, afirmou o Líder do Governo na Assembléia,
Dobrandino da Silva. Logo após o término da sessão,
os deputados realizaram uma sessão extraordinária e aprovaram
novamente por unanimidade. O trâmite deverá ser concluído
definitivamente na Casa de Leis nesta terça-feira (9), com a
votação da Redação Final do projeto.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de maio de 2006 | Política
ASSEMBLÉIA-Deputados aprovam lei que
cria teto estadual de R$ 427
Salário mínimo regional
passa a ser pago em junho
Os trabalhadores do Paraná que não têm piso salarial
definido em dissídios coletivos vão começar a receber
o novo salário mínimo regional de R$ 427 a R$ 437,80 no
próximo mês. A Assembléia Legislativa aprovou ontem
por unanimidade o projeto do governo que cria o benefício. A
lei deve ser sancionada ainda esta semana pelo governador Roberto Requião
(PMDB).
O novo salário mínimo,
pelos cálculos do governo, vai representar um acréscimo
de até R$ 66 milhões por mês na economia do Paraná.
A previsão é de que a nova lei alcance de forma direta
e indireta 600 mil trabalhadores, entre eles as empregadas domésticas.
Divididos entre a pressão das centrais sindicais, que exigiam
o reajuste, e dos empresários, que ameaçam demitir pessoal
por não suportar o aumento, os deputados estaduais decidiram
ficar do lado do governo e dos trabalhadores. “Com as galerias
lotadas de sindicalistas e trabalhadores, quem seria capaz de dizer
não abertamente, a cinco meses das eleições?”,
questionou o deputado Mauro Moraes (PMDB), que se declara autor da idéia
que deu origem ao projeto. Dos 54 parlamentares, 51 presentes votaram
a favor do aumento. Chico Noroeste (PL) e Padre Paulo Campos (PT) não
compareceram. O deputado Hermas Brandão (PSDB) presidiu a sessão
e, por isso, não vota, conforme previsto pelo Regimento Interno
da Assembléia.
A mensagem do governo foi aprovada sem
alterações, apesar da tentativa da oposição
de modificar o texto da lei através de uma emenda estendendo
o reajuste ao funcionalismo público. A bancada do PPS apresentou
outra emenda concedendo um aumento anual de 7% acima da inflação
aos trabalhadores. As duas propostas foram derrubadas pelo plenário.
A emenda do deputado Élio Rusch
(PFL), que garantia o mesmo piso aos servidores públicos, foi
rejeitada pela bancada governista. Os argumentos foram de que a Comissão
de Constituição e Justiça (CCJ) considerou a emenda
inconstitucional e que a categoria será beneficiada por outro
projeto do Executivo que cria o “Piso Social Complementar”
do funcionalismo público em R$ 580.
Para o autor, Élio Rusch, a oposição
fez o que podia para aprovar a emenda, mas prevaleceu a vontade do governo.
A emenda, segundo ele, garantiria ganhos reais aos trabalhadores, que
passariam a receber o piso de R$ 427. “Na proposta do governo,
o salário é de R$ 580, mas incorpora vantagens, abonos
e gratificações que o servidor acumulou na carreira. Não
é um valor real”, comparou. “Se tivessem direito
ao novo piso, os servidores poderiam ter uma correção
salarial concreta, mas infelizmente o governo não quer”,
disse o líder do PFL, Plauto Miró Guimarães.
A emenda do PPS também foi barrada
por 39 deputados. Marcos Isfer (PPS) tentou convencer a maioria da necessidade
de incluir na lei um aumento anual de 7% nos próximos 12 anos,
mas prevaleceu o entendimento de que a Assembléia não
poderia estabelecer um teto até 2018 sem levar em consideração
a situação econômica do estado durante esse período.
O presidente da CCJ, Durval Amaral (PFL),
disse que a nova lei pode ser questionada na Justiça pelas empresas
porque estende o benefício a categorias que têm dissídio
coletivo ou acordo de trabalho com valores menores do que o novo mínimo,
o que contraria a lei complementar que fixa o salário no Brasil.
Para o líder da oposição,
Valdir Rossoni (PSDB), o tema foi tratado no afogadilho, às vésperas
do período eleitoral. Apesar de ter votado favorável,
o deputado questiona a iniciativa do governo depois de três anos
e meio de mandato.
O líder do governo, Dobrandino
da Silva (PMDB), comemorou o resultado e disse que os deputados tiveram
“consciência da responsabilidade” ao aprovar a lei.
“O salário mínimo no Paraná é muito
baixo e foi uma questão de justiça criar um piso maior”,
afirmou.
Kátia Chagas
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de maio de 2006 | Política
VITÓRIA
Governo e trabalhadores comemoram
aprovação
O governador Roberto Requião disse ontem que prevaleceu “a
visão solidária da sociedade” na Assembléia.
O salário mínimo estadual será aplicado a categorias
que não têm dissídio ou acordo coletivo de trabalho.
O economista Cid Cordeiro Silva, supervisor técnico do Dieese,
afirma que o reajuste salarial não deve ter impacto negativo,
como alega o setor produtivo, que teme que o aumento pode provocar demissões
e incentivar a informalidade . “Eles estão superestimando
os impactos do novo piso regional, que já foi adotado pelo Rio
de Janeiro e Rio Grande do Sul. Nesses dois estados não tivemos
onda de demissões e nem fechamento de empresas”, disse
Cordeiro.
Para o presidente da Nova Central de
Trabalhadores do Estado do Paraná (NCST), Epitácio Antônio
dos Santos, o salário mínimo regional é a melhor
forma de distribuir a renda no estado. “A aprovação
deste projeto é um anseio de todos os trabalhadores do Paraná”,
disse. O presidente da Força Sindical, Sérgio Butka, também
comemorou a aprovação. “Nosso estado tem as maiores
desigualdades sociais dos três estados do Sul.”
O delegado regional do Trabalho,
Geraldo Serathiuk, disse que Paraná tem “plenas condições”
de absorver o salário mínimo regional. “O estado
está tendo uma expansão de crédito de bancos públicos
e privados de R$ 12 bilhões nos últimos três anos”,
afirmou. “Não é verdadeira a afirmação
de que não estamos preparados para o piso regional.”
FOTO JORNAL DO ESTADO
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DIÁRIO DO GRANDE
ABC / SÃO PAULO, 09 de maio de 2006 | Economia
Construção civil abriu 6,2
mil vagas em março
O nível de emprego formal na construção
civil brasileira voltou a subir em março, com alta de 0,4% em
relação a fevereiro, o correspondente à abertura
de 6,2 mil vagas. Segundo o SindusCon-SP (Sindicato da Indústria
da Construção Civil do Estado de São Paulo), o
ritmo de crescimento, entretanto, foi menor do que no mês anterior,
quando tinha crescido 1,2%.
No trimestre, o setor gerou 42,8 mil
empregos (3%). No fim de março, a construção civil
brasileira registrava 1,438 milhão de trabalhadores formais.
Em São Paulo, a construção
civil contratou 1,2 mil trabalhadores formais em março, 0,3%
a mais que em fevereiro. No trimestre, o crescimento foi de 2,24%. No
fim de março, o setor empregava 393,5 mil pessoas no Estado.
A maior alta foi registrada na região
de São José do Rio Preto, com acréscimo de 285
trabalhadores (+2,74%). Já a maior queda ocorreu na região
de Presidente Prudente, com redução de 3,78%, ou 205 vagas
a menos.
Na capital paulista, foram abertas 1.025
vagas, uma evolução de 0,56% comparado a fevereiro. No
primeiro trimestre, foram criados 4.067 empregos (+2,24%).
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Folha de São Paulo,
09 de maio de 2006
TRABALHO
MP exclui as entidades na partilha dos recursos do imposto sindical;
Força quer os 20% que vão para o governo
Lula legaliza centrais, mas não
dá verba
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Com a reforma sindical parada no Congresso,
o governo decidiu antecipar mudanças previstas na proposta e
anunciou ontem um pacote de medidas nas áreas trabalhista e sindical.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou duas medidas provisórias
para legalizar a situação das centrais sindicais na representação
dos trabalhadores e criar o Conselho Nacional das Relações
do Trabalho. O reconhecimento das centrais, porém, não
garante a integração das centrais à atual estrutura
sindical, deixando-as de fora da partilha dos recursos obtidos anualmente
com o imposto sindical.
Ontem, Lula também enviou ao Legislativo
um projeto de lei para regulamentar o funcionamento das cooperativas
de trabalho. No anúncio das medidas, o ministro Luiz Marinho
(Trabalho) disse que, nos próximos dias, o governo assegurará
aos trabalhadores assento nos conselhos de administração
das estatais federais. Um decreto deverá ser editado criando
as vagas. A medida não deverá se aplicar a todas as estatais.
A tendência é que se limite às empresas de sociedade
anônima, sendo uma vaga por estatal. Além da abertura dos
conselhos para os trabalhadores, Marinho disse que o governo deverá
fechar em breve um acordo para regulamentar o trabalho no comércio
aos domingos. A expectativa era que as duas medidas também fossem
anunciadas ontem, mas houve impasse entre o governo e os trabalhadores.
No caso da vaga nas estatais, a Força
Sindical declarou ser contrária à medida. "Essa é
uma forma de o governo se manter no poder das estatais, caso perca a
eleição", disse Paulinho. O chefe-de-gabinete do
ministro do Trabalho, Osvaldo Bargas, rebate as críticas afirmando
que a vaga será destinada a qualquer trabalhador e não
se trata de representação sindical nos conselhos. Ele
disse ainda que, na discussão sobre o trabalho no comércio
aos domingos, o governo defende que os comerciários trabalhem
dois domingos por mês e folguem dois. Os sindicalistas pedem três
folgas no mês.
Respaldo legal
As centrais sindicais até agora
não tinham respaldo legal para negociar em nome dos trabalhadores.
Com a MP, elas passam a representar juridicamente os empregados, mas
continuam de fora da estrutura sindical. Para os sindicalistas, a medida
é um avanço, mas eles pedem recursos para o financiamento
das atividades. Querem uma fatia da contribuição sindical
obrigatória, cuja arrecadação hoje é dividida
entre sindicatos, federações, confederações
e governo. "Faltou o dinheiro. Não adianta sermos a instância
máxima na representação do trabalhador se não
temos dinheiro para sequer entrar com uma ação na Justiça.
Queremos os 20% que hoje vão para o governo", declarou o
presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva.
O presidente da CUT (Central Única
dos Trabalhadores), João Felício, afirmou que as centrais
vão ao Congresso para fazer uma emenda ao texto da MP e assegurar
um mecanismo de sustentação financeira para as entidades.
Para o Trabalho, alterar a divisão dos recursos do imposto sindical
por meio de medida provisória pode ser inconstitucional.
Já a MP que cria o Conselho
Nacional de Relações do Trabalho, na prática, transforma
o Fórum Nacional do Trabalho em um colegiado (governo, patrões
e empregados) permanente. Foi no fórum que o cerne da reforma
sindical foi definido. O texto-base ficou pronto em 2004, mas só
finalizado pelo governo no início de 2005, quando foi enviado
ao Congresso.
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Força Sindical, 09
de maio de 2006
Folha Online: POR PATRÍCIA ZIMMERMANN
Centrais querem parcela do governo sobre
o imposto sindical
Depois de reconhecidas hoje como representantes legítimas dos
trabalhadores, as centrais sindicais vão reivindicar agora uma
parcela do imposto sindical que fica com o Ministério do Trabalho.
A informação é do presidente da Força Sindical,
Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Ele disse hoje que as centrais sindicais
precisam de recursos para levar adiante ações na Justiça
em defesa dos interesses dos trabalhadores, por exemplo.
As centrais deverão tentar negociar
no Congresso, durante a tramitação da medida provisória
em que são reconhecidas como representantes dos trabalhadores,
essa fonte de recursos. Segundo um dirigente sindical, o governo promete
não ser contra a medida, mas preferiu não incluir no texto
da MP a participação das centrais na divisão da
arrecadação com o imposto sindical. Hoje o Ministério
do Trabalho fica com 20% do imposto, os sindicatos com 60%, as federações
com 15% e as federações com 5% do imposto, que é
equivalente a um dia de salário do trabalhador.
Paulinho pretende redirecionar para as
centrais toda a parcela hoje recolhida pelo Ministério do Trabalho.
Já o secretário-geral da Força Sindical, João
Carlos Gonçalves (o Juruna), disse que a idéia é
que 50% do que vai para o Ministério do Trabalho (ou 10% do total
do imposto arrecadado) seja distribuído entre as centrais, de
acordo com a representatividade de cada uma. O assunto ainda está
em discussão na CUT (Central Única dos Trabalhadores).De
acordo com o Ministério do Trabalho, 17 entidades reivindicam
hoje a a denominação de central sindical. Paulinho participou
hoje de solenidade no Palácio do Planalto em que o governo lançou
um pacote com três medidas na área trabalhista.
Medida
Além da medida provisória
na qual reconhece as centrais sindicais, o pacote de medidas inclui
a criação do Conselho Nacional do Trabalho, também
por medida provisória, e um projeto de lei com a regulamentação
das cooperativas trabalhistas. Segundo o ministro do Trabalho, Luiz
Marinho, o reconhecimento das centrais é o pagamento de uma "dívida
do Estado com o movimento sindical", que não tinha garantia
jurídica de sua representatividade, já reconhecida de
fato pela sociedade.
Ele destacou que a medida vai contribuir
para inibir um problema corrente que é a busca de alguns setores
de buscar as leis trabalhistas. O ministro destacou ainda que a criação
do Conselho Nacional do Trabalho vai abrir um "espaço permanente
de diálogo" entre trabalhadores, empregadores e o governo,
além de servir como um ambiente de discussão para colaborar
com o Legislativo na busca de aperfeiçoamento das leis trabalhistas.
Marinho descartou, no entanto,
a possibilidade de perda de direitos dos trabalhadores ao discutir a
revisão da legislação. "Não há
condições de pensar a reforma trabalhista sob a ótica
da retirada de direitos", disse. Já o projeto de lei das
cooperativas de trabalho estabelece critérios para o funcionamento,
participação de associados e redução de
exigências que vão impedir que essas entidades sejam utilizadas
para burlar a legislação. Segundo Marinho, essa proposta
foi a única enviada por meio de projeto de lei, e não
medida provisória, porque o assunto ainda vai demandar um pouco
mais de trabalho e discussão do Legislativo. Nos dois outros
casos, o assunto já foi discutido com os presidentes das da Câmara
e do Senado.
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Diário Vermelho,
9 de maio de 2006
Centrais sindicais comemoraram pacote
assinado por Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta segunda-feira
(08/05), um pacote de medidas provisórias (MPs) que fortalecem
os trabalhadores e os sindicatos. A criação do Conselho
Nacional de Relações do Trabalho (CNRT) e o reconhecimento
jurídico das centrais sindicais foram as principais novidades.
CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Força Sindical
elogiaram o pacote. Para Wagner Gomes, vice-presidente nacional da CUT,
“o anúncio é uma grande vitória para o movimento
sindical”.
Wagner afirma que o pacote federal demonstra
“o posicionamento democrático do governo, que aceita a
representação dos trabalhadores”. Antes da legalização
das centrais, “os patrões negociavam com a CUT apenas se
quisessem. Daqui para frente, tudo muda”, afirmou. O vice-presidente-nacional
da entidade elogiou também a regulamentação da
convenção 151 da OIT (Organização Internacional
do Trabalho): “Agora os servidores públicos podem se organizar
para lutar por seus interesses”.
Com 23 anos de história, a CUT
é a maior central sindical do país. Tem 3.489 entidades
filiadas (sindicatos, em sua maioria) e exerce a representação
de 22.533.798 trabalhadores. Sua não-legalização
era uma forma de limitar o poder dos sindicatos. Como entidade sem reconhecimento
jurídico, a CUT não podia assinar acordos nacionais nem
encaminhar ações de inconstitucionalidade. O cenário
muda com a medida provisória editada por Lula. “É
um fato histórico”, afirmou João Antonio Felício,
presidente da CUT. “As centrais sindicais, desde a fundação,
lutam pela sua legalização”.
Segundo Felício, a instituição
do CNRT é igualmente positivo, uma vez que, no Brasil, as relações
entre poder público e organizações sociais são
muito conflitantes. “Conseguimos consolidar um espaço de
negociação coletiva. Nada poderá ser decidido nesse
conselho que não seja fruto de um consenso”, garantiu Felício.
Antes de assinar as medidas, Lula se reuniu com Marinho, Felício
e outros representantes de centrais sindicais. Os eventos desta segunda-feira
ocorreram pela manhã e consolidam acordos travados ao longo dos
últimos meses. Apenas a regulamentação do trabalho
aos domingos não foi acordada.
A pedido do movimento sindical, as medidas
provisórias foram encaminhadas separadamente ao Congresso Nacional.
“Foi um entendimento construído com os setores representativos”,
disse o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. “As duas MPs estão
mais ou menos discutidas com os presidentes das duas casas legislativas
(Câmara dos Deputados e Senado) — o que criava condições
para esse tipo de andamento”.
Passo a passo
com os trabalhadores – De acordo com Luiz Marinho, o CNRT
será uma instância oficial e permanente de diálogo,
reunindo cinco representantes cada segmento — trabalhadores, empregadores
e governo. Sua criação beneficia o andamento de ações
processuais na área, desafogando a lenta Justiça Trabalhista.
“Tiramos uma grande demanda da mesa do Judiciário para
resolver a partir do efetivo papel da negociação”,
disse Marinho.
Já as centrais sindicais, finalmente
legalizadas, ganham respaldo jurídico para negociar com o governo.
A regularização não significa que a presidência
tratava antes as centrais de forma desrespeitosa. “É estranho
falar que vamos reconhecer as centrais sindicais. Elas têm reconhecimento
de fato, mas, no mundo jurídico, não são reconhecidas
sindicalmente”, lembrou o ministro. “Era preciso trazer,
à luz da nossa legislação, esse reconhecimento”.
Regulamentação
das cooperativas – O projeto de lei que regulariza a formação
de cooperativas inibe desvios, como o trabalho informal. A medida estabelece
critérios para o funcionamento e participação de
associados e cria o Programa de Fomento às Cooperativas de Trabalho
(Pronacoop). O objetivo da iniciativa é dar crédito e
apoio jurídico às cooperativas, com recursos do Fundo
de Amparo ao Trabalhador (FAT). Pequenos grupos poderão se beneficiar
dos programas públicos de fomento.
Trabalho aos
domingos – A única reivindicação não-contemplada
pelo pacote foi a medida provisória que regulamenta o trabalho
aos domingos. Não houve acordo entre empregados e empregadores.
“Queríamos os quatro domingos e ficamos em dois. Os empresários
queriam ficar com os outros dois à livre disposição
deles”, declarou o presidente da Força Sindical, Paulo
Pereira. A proposta deve ser encaminhada ao Congresso tão logo
as partes cheguem a ao acerto.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de maio de 2006 | Brasil
CRISE-Conselho vai encaminhar queixa-crime a
procurador-geral
OAB rejeita impeachment de Lula,
mas pede investigações
Ailton de Freitas/Ag. O Globo
O relator Sérgio Ferraz (em pé), defendeu o impeachment;
Busato (sentado) acha que é tarde
Brasília – O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB) decidiu ontem pedir ao procurador-geral da República,
Antônio Fernando de Souza, que aprofunde as investigações
em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) para
apurar a existência do mensalão. De acordo com o presidente
nacional da OAB, Roberto Busato, será formulada e encaminhada
uma queixa-crime a Souza com base nos supostos indícios de envolvimento
de Lula com o mensalão. Esse encaminhamento, que deverá
ser feito num prazo máximo de 15 dias, foi aprovado por 17 votos
a 15.
Na mesma reunião do Conselho Federal,
a OAB rejeitou hoje por 25 votos a 7 uma proposta para que a entidade
protocolasse um pedido de impeachment contra Lula no Congresso. A maioria
dos conselheiros concluiu que não é oportuna a abertura
de um processo de impeachment no atual momento, a cinco meses das eleições,
e também que não está provado que o presidente
Lula cometeu crime de responsabilidade.
Avisado sobre a decisão da OAB, o procurador-geral da República
deu sinais de que pretende manter um trabalho independente nas investigações.
Por meio de sua assessoria, disse, de forma enigmática, que “todas
as investigações a respeito desse episódio estão
sendo aprofundadas”. Souza não quis citar nomes nem revelar
se Lula está entre os investigados.
Autora da proposta de pedido de impeachment,
a advogada Elenice Carille, de Mato Grosso do Sul, fez duras críticas
ao presidente da República. “A ignorância criminosa
dos fatos, que invoca o presidente da República, importa em crime
por omissão, em crime que não deixa impressão digital
e que não deixa qualquer prova material, mas nem por isso deixa
de ser crime”, afirmou a conselheira.
Entre os advogados que apoiaram
a proposta de encaminhar um pedido ao procurador-geral está José
Roberto Batocchio. Atualmente ele advoga para o ex-ministro da Fazenda
Antônio Palocci. Junto com a queixa-crime, a entidade deverá
enviar ao procurador-geral uma cópia do voto do relator do caso,
Sergio Ferraz. Em seu trabalho, Ferraz indica uma série de elementos
sobre as suspeitas de envolvimento de Lula no episódio.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de maio de 2006 | Brasil
CRISE
Próximos passos
Lula é alvo de investigações do Ministério
Público (MP) desde o ano passado. Até agora, no entanto,
não foram encontradas provas de seu envolvimento nas irregularidades.
O pedido da OAB é uma forma de incentivar esse trabalho e impedir
seu arquivamento.
Se durante as investigações
o procurador-geral da República encontrar provas do envolvimento
do presidente Lula no esquema do mensalão – compra de votos
de deputados federais – é preciso que pelo menos dois terços
da Câmara dos Deputados autorize o julgamento.
Em ano eleitoral, é pouco provável
que o procurador consiga reunir provas e conseguir o julgamento da questão
no plenário da Câmara antes das eleições.
Caso o plenário da Câmara negue o pedido, o presidente
poderá ser julgado apenas quando deixar seu cargo pela justiça
comum.
Se ocorrer o improvável –
o procurador-geral consiga reunir provas contra o presidente e a Câmara
aprove o início do julgamento antes das eleições
deste ano –, o presidente será afastado de suas funções
e submetido a julgamento no Senado Federal, por ser acusado em crime
de responsabilidade (atos do presidente da República que atentem
contra a Constituição).
Se fossem infrações
penais comuns, o julgamento correria no Supremo Tribunal Federal.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de maio de 2006 | Brasil
CRISE
Contra e a favor
Trechos do voto rejeitado do conselheiro federal OAB, Sérgio
Ferraz, relator do pedido de impeachment Lula.
“O dever da OAB é o de não
compactuar com o crime, com a imoralidade e com o abuso do Poder. Ao
povo cabe soberanamente decidir se apóia, ou não, o pedido
de impeachment.”
“Esse presidente que aí
está, com seus charutos cubanos, seus vinhos Romanée Conti,
seus ternos caros, nada tem que ver com o operário um dia idealizado
pelo eleitorado. O sonho acabou!”
“Nunca o ‘rouba, mas faz’
alcançou tão fortemente a aceitação popular,
quanto nesses dias de nossa infeliz República.”
“Não temos dúvida
em afirmar que jamais houve, na história do presidencialismo
brasileiro, tanta imoralidade e deterioração quanto no
atual governo.”
Trechos da proposta do jurista Fábio
Konder Comparato, contrária ao impeachment:
“Não raramente, os partidos
de oposição ao presidente da República preferem,
em lugar de oferecer diretamente a denúncia, aguardar que alguém
de fora do meio político o faça, não para destituir
de seu cargo o acusado, mas antes para enfraquecê-lo politicamente,
em vista do próximo pleito eleitoral.”
“Seria, portanto, lamentável
que a OAB se prestasse, nesse episódio, a fazer o triste papel
de joguete da luta política partidária.”
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de maio de 2006 | Brasil
CRISE
“Ordem deu um recado à
oposição”
Brasília – O ministro das Relações Institucionais,
Tarso Genro, afirmou que a decisão da OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil) serve como um recado para a oposição: que somente
as eleições poderão retirar o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva do Palácio do Planalto.
A OAB, na opinião do ministro,
ao arquivar o processo de impeachment de Lula por 25 votos a 7 e remeter
um pedido para o Ministério Público investigar o presidente,
teria evitado a ação da oposição de tentar
desestabilizar o presidente. “A OAB chama a população
à razão (...) e diz para à oposição:
vocês querem o governo, então ganhem a eleição”,
afirmou Tarso Genro. “A tentativa de instrumentalização
da OAB por parte da oposição foi flagrante. A OAB teve
a dignidade de não se envolver no jogo político ordinário”,
continuou o ministro. A decisão OAB foi comunicada ao presidente
Lula por Tarso Genro.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 09
de maio de 2006 | Economia
BALANÇA
Exportações crescem
em maio
Brasília – A balança comercial brasileira registrou
superávit de US$ 880 milhões na primeira semana de maio,
resultado de exportações no valor de US$ 2,069 bilhões
e importações de US$ 1,189 bilhão. Após
bater recorde histórico em abril (US$ 372,6 milhões),
a média diária das importações na primeira
semana do mês, com quatro dias úteis, ficou em US$ 297,3
milhões – o que representa uma queda de 2% em relação
à média diária de maio de 2005, de US$ 303,3 milhões.
Por outro lado, a média diária das exportações
na primeira semana de maio ficou em US$ 517,3 milhões (10,6%
maior que a de maio de 2005).
No acumulado do ano, no entanto,
as exportações estão crescendo em um ritmo menor
que as importações. As exportações acumulam
US$ 41,2 bilhões e as importações, US$ 27,9 bilhões,
com saldo positivo de US$ 13,3 bilhões no ano.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
09 de maio de 2006 | Economia
Medida sobre trabalho aos domingos
não teve acordo
BRASÍLIA - Uma medida que regulamenta
o trabalho aos domingos não pôde ser encaminhada ao Congresso
nesta segunda-feira junto ao pacote para as áreas trabalhista
e sindical. As negociações não foram concluídas
entre empregados e empregadores.
"Não chegamos a um acordo
por que queríamos os quatro domingos [de folga]. Não conseguimos
chegar a um entendimento, ficamos em dois [de folga], mas os empresários
queriam ficar com os outros dois a livre disposição deles",
explica o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira.
O presidente da CUT, João Felício,
se diz otimista quanto ao destino das discussões sobre o trabalho
aos domingos. "Com certeza vamos efetivar um bom acordo e caminhar
para a humanização do mundo do trabalho", afirma.
O ministro do Trabalho e Emprego,
Luiz Marinho, garantiu que o governo está ponto para encaminhar
o projeto ao Congresso Nacional assim que as partes cheguem a um acordo.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
09 de maio de 2006 | Economia
Feirões de imóveis em S.
Paulo movimentaram R$ 533 milhões
SÃO PAULO - Os paulistas aproveitaram
os feirões da Caixa Econômica Federal em Campinas, Ribeirão
Preto e São Paulo para buscar oportunidades de financiamento
na compra ou reforma de imóveis da região.
Somadas, as edições do
feirão nas três cidades geraram negócios da ordem
de R$ 533 milhões. Em Campinas, cerca de R$ 67,5 milhões
foram negociados no evento que terminou ontem. Em 2005, o feirão
movimentou R$ 52,7 milhões no município.
Este ano, ao todo, 110 imóveis
foram vendidos pelas construtoras durante o evento, movimentando cerca
de R$ 7,2 milhões. Em Ribeirão Preto (SP), onde o feirão
também acabou ontem, só no primeiro dia de evento foram
negociados cerca de R$ 23 milhões pela Caixa.
Desse volume, R$ 1,9 milhão se
referem a contratos assinados no ato da compra. Mais de 9,3 mil imóveis
foram oferecidos para negócios. Na capital paulista, o evento
terminou em 30 de abril e recebeu 146 mil pessoas. Mais de 43 mil unidades
residenciais foram oferecidas.
Cerca de R$ 344 milhões em vendas
entraram em negociação e o volume de financiamentos chegou
a R$ 98,5 milhões, somando os quase 1,8 mil contratos. Até
o fim de junho, a Caixa espera um total de 14,5 mil imóveis vendidos
em função do feirão. Quem não pôde
ir ao evento, deve procurar uma das agências da Caixa.
Todas elas estão oferecendo as
mesmas condições de financiamento do feirão aos
interessados nos imóveis. O próximo evento em São
Paulo está previsto para ocorrer em São José dos
Campos, mas a data ainda não foi definida.
A expectativa da Caixa Econômica
Federal para este ano é de que os feirões sejam visitados
em todo o país por mais de 500 mil pessoas que buscam linhas
de financiamento para aquisição de imóveis novos,
usados ou na planta.
O banco também financia contratos
para construção, aquisição de terreno e
material de construção, e para reforma e ampliação
de imóvel usado.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 09 de maio de 2006 | Economia
Economia mundial cresce, mas há
risco de inflação
O grupo considera que é preciso observar
os riscos inflacionários "com grande atenção"
EFE
BALISÉIA, Suíça
- Para que o crescimento mundial seja sustentável, é preciso
haver cuidado com o risco inflacionário. A afirmação
foi feita pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude
Trichet, durante o encontro do grupo de bancos centrais do G10, formado
pelas principais potências mundiais, nesta segunda-feira. Durante
a reunião, foi afirmado ainda que a economia global atravessa
um período "excepcional" de crescimento.
O porta-voz dos bancos do G10 disse que
o grupo considerara que é preciso observar os riscos inflacionários
"com grande atenção" e recomendou trabalhar
sobre eles tanto na escala mundial como em cada economia. Foram citados
os preços do petróleo e da energia, os desequilíbrios
globais e o protecionismo econômico como fatores estimulantes
da alta de preço mundial.
Ainda assim, o francês disse que
as expectativas de inflação em nível mundial "estão
ancoradas". Ele acrescentou que ainda não se materializaram
os chamados "efeitos secundários" derivados das altas
dos preços, especialmente no nível dos salários
e dos custos trabalhistas.
Com relação ao crescimento
econômico, Trichet destacou a contribuição das economias
emergentes ao desenvolvimento mundial.
O G-10, que é integrado por Alemanha,
Bélgica, Canadá, Estados Unidos, França, Holanda,
Itália, Japão, Reino Unido, Suécia e Suíça,
reúne-se a cada dois meses na sede do Banco para Compensações
Internacionais na Basiléia (Suíça) para debater
a situação da economia mundial.
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CONSULTOR JURÍDICO,
09 de maio de 2006
Processo quarentão
Aposentados esperam 39 anos por decisão
judicial
Trinta e nove anos. Esse foi o tempo
que um grupo de aposentados da antiga Companhia Mogiana de Estradas
de Ferro teve de esperar para ter reconhecido o direito de receber indenização
referente ao complemento de aposentadoria. O processo tramitou na Justiça
do Trabalho da 15ª Região (Campinas, SP).
Dos 146 aposentados que faziam parte
da ação, apenas cinco ainda estão vivos. A indenização
do restante poderá ser solicitada pelos herdeiros, parte deles
na terceira geração. A informação é
da repórter Silvana Guaiume, do portal Estadão.
O processo trabalhista foi aberto em
1967. O juiz Carlos Eduardo Oliveira Dias, da 1ª Vara do Tribunal
Regional do Trabalho de Campinas, homologou o valor bruto da indenização
de R$ 22 milhões, sendo R$ 15 milhões apenas de juros
aplicados sobre o valor principal. Ele explicou que essa é a
ação mais antiga da 1ª Vara.
Dias disse acreditar que parte dos herdeiros
desconhece a ação trabalhista. Joaquina do Nascimento
Palmas, de 90 anos, viúva do reclamante Francisco Chagas Palmas,
de Casa Branca, contou que há muitos anos deu uma procuração
a um advogado, mas não se recorda o nome dele.
Segundo Dias, a Rede Ferroviária
Federal deve recorrer da decisão para tentar reduzir o valor
das indenizações. O processo tem 58 volumes e 11,6 mil
páginas.
O juiz pretende transformá-lo
em peça de estudo no acervo do TRT Campinas. “Terá
caráter de documento histórico”. Ele atribuiu a
demora na definição da sentença à falta
de efetivo e explicou que apenas a 1ª Vara recebeu 588 novas ações
trabalhistas este ano e acumula outras 4 mil de anos anteriores.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
09 de maio de 2006
TRT-SP: bate-boca com patroa dá
demissão por justa causa
Empregada que insiste em discussão
com a patroa, sabendo que aquela tem saúde frágil, dá
motivo para demissão por justa causa. Com esta convicção,
os juízes da 11ª Turma do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho
de São Paulo) mantiveram a demissão por justo motivo de
uma doméstica acusada de bater boca com a patroa doente.
Segundo a assessoria de imprensa do TRT-SP,
após ser demitida, a ex-empregada entrou com ação
trabalhista na 51ª Vara do Trabalho de São Paulo tentando
reverter sua demissão por justa causa. Em depoimento na vara,
a doméstica disse que ministrava medicação diária
e sabia dos problemas de saúde da patroa (cardiopatia e pressão
alta).
Uma das testemunhas ouvidas no processo
confirmou que nunca vira a ex-empregada agredir a patroa, mas numa das
vezes em que visitou a casa onde a doméstica trabalhava, percebeu
que os ânimos estavam bastante exaltados. Na vara, a juíza
entendeu que a discussão da doméstica com a patroa de
saúde frágil justificava a quebra do contrato de trabalho
e manteve a justa causa da demissão.
O Juiz Carlos Francisco Berardo, relator
do processo no tribunal, observou que, se a empregada sabia das limitações
da patroa, "poderia conversar com outro integrante do casal, o
que não fez". Para ele, "está caracterizada
a falta, em face das circunstâncias do caso (trabalho doméstico)".
Para ele, nesse caso, a confiança
necessária à continuidade do relacionamento deixou de
existir, resultando na rescisão por justa causa.
Por unanimidade, os juízes
da 11ª Turma do TRT-SP acompanharam o relator e mantiveram a justa
causa na demissão da doméstica.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
09 de maio de 2006
Recurso apresentado antes de acórdão
é considerado intempestivo, diz TST
Qualquer recurso apresentado antes da
publicação do acórdão será considerado
fora do prazo (intempestivo). Esse foi o entendimento do TST (Tribunal
Superior do Trabalho) ao decidir uma questão que foi alvo de
divergência entre as SDIs (Seções de Dissídios
Individuais) 1 e 2, que compõem o tribunal.
A divergência foi suscitada no
julgamento de embargos à SDI-2 propostos prematuramente pela
empresa NETT Veículos. Ante a diferença de entendimentos,
o ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho pediu a suspensão
da proclamação do resultado do julgamento para que o tema
fosse analisado e decidido pelo Pleno.
Segundo a assessoria do TST, o tribunal
seguiu entendimento semelhante aos do STF (Supremo Tribunal Federal),
no sentido de que a contagem para o prazo inicial da interposição
de qualquer recurso se dá no primeiro dia útil após
a publicação oficial do respectivo acórdão.
O relator do processo, ministro José
Simpliciano Fernandes, votou a favor da intempestividade. Sua justificativa
era de que somente a partir do conhecimento dos fundamentos adotados
pelo julgador a parte derrotada tem condições de apresentar
sua defesa. Nessas condições ela poderia impugnar especificamente
as razões da decisão recorrida indicando os motivos pelos
quais requer novo julgamento.
O ministro Barros Levenhagen esclareceu
que o recurso interposto prematuramente traz complicações
nos prazos em relação à parte contrária
na ação, podendo desencadear discussões processuais
que poderiam ser evitadas.
O ministro Ives Gandra, que sempre defendeu
a tese da intempestividade, argumentou que uma das razões da
obrigatoriedade da fundamentação dos votos proferidos
por magistrados é justamente a de convencer a parte vencida de
que o direito está com a parte vencedora. "A parte poderá
se convencer e desistir de recorrer se tomar ciência do inteiro
teor do acórdão, onde o juiz explicita todos os motivos
que o levaram a julgar nesse ou naquele sentido", disse ele.
O vice-presidente do Tribunal, ministro
Rider de Brito, que presidia a sessão, foi além: "a
decisão prolatada só tem validade no mundo jurídico
após a sua publicação pelo órgão
oficial".
Outro lado
A corrente contrária, defendida
pelos ministros João Oreste Dalazen, João Batista Brito
Pereira e Maria Cristina Peduzzi é de a que, sendo pública
a sessão de julgamento, muitas vezes as partes são chamadas
para assistir ou sustentar e as razões da decisão são
expostas oralmente pelo relator. Assim, nada impede que as partes façam
anotações e, desta forma, conheçam antecipadamente
os fundamentos da decisão contra a qual pretendem recorrer.
O outro argumento é o de
que o Tribunal deve acompanhar a evolução tecnológica,
que dentro em breve disponibilizará eletronicamente os votos
logo em seguida ao julgamento.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
09/05/2006
Rebaixar empregada após licença-maternidade
configura dano moral
Empregada deslocada de função
após o retorno de licença-maternidade é ato discriminatório,
passível de indenização por danos morais. A decisão,
do TRT da 4a Região, foi mantida pelo Tribunal Superior do Trabalho,
em voto do ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, relator do processo.
A empresa Celular CRT S/A foi condenada
a indenizar sua empregada, por danos morais, por tê-la rebaixado
da função de supervisora para caixa, embora sem redução
de salário, logo após seu retorno da licença-maternidade.
Segundo o voto do ministro, a Constituição
Federal, em seu artigo 6°, considera a proteção à
maternidade como um direito social. “Se a Reclamante vivenciou
a maternidade, por certo que as condições de trabalho
após a respectiva licença deveriam permanecer as mesmas,
sob pena de a afronta à Constituição”, disse
ele.
O ministro baseou-se também nos
artigos 927 do Código Civil e 468 da CLT. O primeiro determina
que quem causar dano a outro, por ato ilícito, fica obrigado
a repará-lo. O segundo define que somente será lícita
a alteração das condições dos contratos
individuais de trabalho por mútuo consentimento e, ainda assim,
desde que não traga prejuízos ao empregado.
O valor da indenização
também foi alvo de discussão no processo. A sentença
original fixou o montante em R$5 mil reais e o Regional, ao prover o
recurso da empregada, aumentou o valor para R$13 mil, o que foi mantido
pelo TST.
A tese regional, mantida pelo TST,
é de que o valor inicial não reparava o dano sofrido nem
cumpria a função de educar o empregador, devendo a indenização
ser fixada considerando-se além da dimensão do dano, a
capacidade patrimonial da empresa, representando um acréscimo
em suas despesas, de forma a desestimular a reincidência.
(proc. RR-213/2004-010-04-00.9)

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