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CIDADEBIZ.COM.BR / SÃO PAULO, 15 de
maio de 2006
Reajuste de salários eleva o custo
da construção civil entre março e abril
Custo nacional por m² passou de R$ 548,22
para R$ 550,51, w a maior parte refere-se aos materiais
A variação do custo da
construção civil dobrou no mês de abril em relação
a março. O Índice Nacional da Construção
Civil (INCC), calculado pelo IBGE, subiu de 0,20% para 0,42%. A aceleração
foi provocada pelos reajustes salariais dos trabalhadores do setor.
A parcela da mão-de-obra teve
variação de 0,97% em abril, enquanto em março havia
ficado em 0,04%. Já a parcela dos materiais desacelerou de 0,31%
em março para 0,02% em abril, menor percentual registrado desde
2001.
Em relação a abril de 2005
(0,79%), o INCC recuou 0,37 ponto percentual. Nos 4 primeiros meses
do ano, o custo da construção civil acumula alta de 1,36%.
Neste mesmo período, os materiais subiram 1,14%, bem abaixo da
variação de 3,11% no mesmo período do ano passado.
A mão-de-obra acumula alta de 1,66%, também abaixo dos
2% acumulados nos primeiros quatro meses de 2005.
A região Nordeste apresentou o
maior índice regional de abril (0,61%) e a Sudeste ficou com
o segundo maior índice (0,57%) por conta dos reajustes salariais
ocorridos no Ceará e Bahia e no Rio de Janeiro.
O custo nacional por metro quadrado passou
de R$ 548,22 em março para R$ 550,51 em abril. Deste valor, R$
320,93 são referentes aos materiais e R$ 229,58 à mão-de-obra.
O INCC é calculado pelo
IBGE em convênio com a Caixa Econômica Federal e desde 2002
é usado como referência para a delimitação
de custos de execução de obras públicas.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
15 de maio de 2006 | Economia
Redução de imposto contém
preços da construção civil
BRASÍLIA - Depois de alcançar
em março uma variação de 0,20%, o menor resultado
desde setembro de 2005, o Índice Nacional da Construção
Civil, (INCC) teve variação de 0,42% em abril.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), na comparação com abril de
2005 (0,79%), o índice atual foi inferior em 0,37 ponto percentual.
André Furtado Brás, coordenador
no Índice de preços ao consumidor, associa a queda nos
últimos meses ao pacote de apoio á construção
civil que o governo federal lançou em fevereiro desse ano.
Uma das medidas foi o Decreto 5.697,
que trouxe a redução da alíquota de Imposto sobre
Produtos Industrializados (IPI) para diversos itens da cesta básica
de materiais de construção.
Brás afirma que não é
possível determinar se a redução de IPI foi o único
motivo para a queda, mas afirma que a medida "foi importante para
que isso acontecesse".
Brás ressalta que os produtos
que tiveram a alíquota reduzida obtiveram maior queda de preço
no período de janeiro a março, e cita como exemplo o Cimento
(1,06%), Tubos e conexões de PVC (0,99%) e o Aço (2,30%).
A Fundação Getúlio
Vargas (FGV) divulgou em abril resultados que apontam esses três
produtos como as maiores influências na queda INCC acompanhados
dos produtos: Compensados e Laje pré-moldada para forro.
Segundo o IBGE, o custo nacional por
metro quadrado passou de R$ 547,14 (fevereiro) para R$ 548,22 (março),
dos quais R$ 320,85 relativos aos materiais e R$ 227,37 a mão-de-obra.
A região Norte e Nordeste tiveram o índice mais elevado
em março 0,24%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de maio de 2006 | Economia
CÂMBIO-Faturamento com exportações
cresceu 5% em 2005, contra 42% no ano anterior
Setor moveleiro amarga perdas com
valorização do real
O real forte têm derrubado o faturamento do setor moveleiro no
Brasil. O setor é mais um que depende do mercado externo para
ter bons resultados, e a desvalorização do dólar
diminuiu o ritmo das vendas ao exterior. Enquanto as exportações
cresceram 42% de 2003 para 2004, no ano passado o aumento foi de apenas
5%. A receita com o mercado externo passou de US$ 662 milhões
em 2003 para US$ 941 milhões em 2004. Já em 2005, as vendas
renderam US$ 991 milhões.
Na última quinta feira, um grupo
de empresários moveleiros se reuniu em Brasília com o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, para pedir ações que
aliviem o impacto negativo do câmbio nas exportações.
A resposta do governo foi a mesma dada a dirigentes dos setores automotivo
e calçadista, que haviam feito um pedido semelhante. Mantega
afirmou que a política cambial será mantida e que a queda
da taxa Selic no Brasil – associada à elevação
dos juros nos Estados Unidos – fará com que o câmbio
se torne mais competitivo.
Paraná
De acordo com dados da Associação
Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel),
o Paraná é o terceiro maior exportador de móveis
do país, com uma fatia de 7% no volume de vendas ao exterior.
Em primeiro lugar aparece Santa Catarina, com cerca de 45% das exportações,
seguida do Rio Grande do Sul, com quase 30% do mercado. A região
de Arapongas, no Norte paranaense, a 400 quilômetros de Curitiba,
é um pólo do setor que possui 150 fábricas e emprega
quase 8 mil pessoas.
O setor moveleiro acredita que um câmbio
entre R$ 2,40 e R$ 2,60 seria positivo para aumentar as exportações.
“Quem está exportando está tendo prejuízo
enquanto o mercado interno também está complicado. Estou
vendo grandes lojas de móveis fecharem em Curitiba”, reclama
o empresário Constantino Bezeruska, presidente do Sindicato da
Indústria do Mobiliário e Marcenaria do Estado do Paraná
(Simov).
Para o presidente do Sindicato
das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Valdecir
Tudino – que exporta 20% da produção (racks e estantes)
de sua fábrica –, os fabricantes estão revendo custos
de toda a cadeia produtiva para reconquistar sua competitividade no
mercado internacional. “Outro fator que traz reflexos positivos
é o investimento em qualidade e em um design mais apurado”,
avalia.
Marco Sanchotene
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de maio de 2006 | Economia
ALÍVIO
Previsão de US$ 10,8 mi
em negócios
No momento em que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ouvia em Brasília
os fabricantes de móveis, Arapongas concluía a 5.ª
edição do Projeto Comprador. O evento reuniu, durante
três dias, trinta fabricantes de móveis em rodadas de negociação
direta com importadores de 14 países da Europa, África,
América do Norte e Central, além do Mercosul. Apesar das
dificuldades do setor, a iniciativa deve gerar, nos próximos
12 meses, um total de US$ 10,8 milhões em negócios, informam
empresários e o Sebrae-PR.
Na última edição
do Projeto Comprador, no segundo semestre de 2005, estiveram presentes
12 compradores internacionais, que negociaram de forma direta com mais
de 20 fabricantes do pólo moveleiro de Arapongas. Na época,
o valor dos negócios firmados ficou na casa dos US$ 4 milhões.
(MS)
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Folha de São Paulo,
14 de maio de 2006
TRABALHO
Acusação é feita por sindicalistas de várias
centrais; para ministério, quem reclama teme perda de receita
de imposto
Governo favorece sindicato em troca de
apoio
FÁTIMA FERNANDES, CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Sindicalistas ligados a diversas centrais
sindicais acusam o Ministério do Trabalho de conceder registros
a sindicatos em troca de apoio político ao governo Lula, principalmente
neste ano de eleições em que ter influência sobre
os trabalhadores vale votos. Afirmam ainda que têm de recorrer
à Justiça para impedir que o ministério libere
a criação de mais de um sindicato de trabalhadores em
uma mesma região, desrespeitando a Constituição,
que estabelece a unicidade sindical. Nos últimos três anos,
o ministério concedeu registro para 762 entidades sindicais no
país -o número não inclui os que foram abertos
por ordem da Justiça.
Mais: revelam haver uma indústria
para montar sindicatos em busca do imposto compulsório arrecadado
do salário dos trabalhadores com carteira assinada. No ano passado,
o imposto sindical somou quase R$ 1 bilhão. Desse valor, 60%
ficam com os sindicatos, 15% com as federações estaduais,
5% com as confederações e 20% com o governo. O Ministério
do Trabalho informa que as reclamações partem de sindicalistas
insatisfeitos com o desmembramento de seus sindicatos e que a pressão
faz parte de um jogo de interesses dos que não conseguiram evitar
a divisão de suas bases -e a perda de receita.
"Se não tiver influência,
não tem registro para sindicato. A Força tem dificuldades
para abrir sindicatos. Criamos o sindicato dos trabalhadores em concessionárias
de estradas e em refeições rápidas e não
conseguimos o registro. Se fôssemos afinados com o PT, ia sair",
diz Paulo Pereira da Silva, presidente da Força. A situação
se repete, segundo 25 sindicalistas e advogados da área trabalhista
consultados pela Folha, com sindicatos de trabalhadores das áreas
de construção civil, transporte, têxtil, saúde,
comércio, publicidade, lavanderias e diversões. Vários
sindicalistas preferem não se identificar.
"Cartucho"
"É no mínimo estranho
o Ministério do Trabalho liberar registro para o Sindibin [Sindicato
dos Empregados de Bingos do Estado de São Paulo], a partir de
processo que estava arquivado e impugnado por 14 entidades desde 95",
diz Elisson Zapparoli, presidente do Sindiversões (Sindicato
dos Empregados em Casas de Diversões de São Paulo e Região),
que nasceu nos anos 60. "Conseguiram porque têm "cartucho"
[recurso para obter algo] com o governo." Zapparoli afirma que,
desde 2004, representa também os trabalhadores em casas de bingo
-atividade que funciona sem amparo legal no Brasil- porque fez uma alteração
em seu estatuto.
Ao saber que o Sindibin tinha autorização
na mesma região, Zapparoli entrou com mandado de segurança
contra o ato do ministério e obteve liminar para suspender o
registro do concorrente. "Travamos uma batalha na Justiça
com o Sindiversões. Cumprimos uma série de exigências
para ter o registro. O que eles querem é manter a arrecadação
do imposto sindical", diz Nelson Gomes Ferreira, vice-presidente
do Sindibin. "O meu sindicato é vítima da troca de
influência no ministério", diz Almir Macedo Pereira,
presidente do sindicato que reúne os condutores em transporte
rodoviário de cargas próprias de São Paulo. O sindicato
migrou da Força Sindical para a CUT.
Pereira informa que já deixou
de ser "cutista" porque o ministério reconheceu o registro
de sindicato (o dos Trabalhadores nas Empresas de Ônibus Rodoviários
Internacionais, Interestaduais, Intermunicipais e de Setor Diferenciado),
por motivos políticos, que concorre com sua base e teria sido
criado por dirigentes ligados à CUT. "A certidão
sindical deles diz que representam motoristas da indústria e
do comércio de São Paulo. Nós também."
O advogado Arnaldo Donizete Dantas, que representa o sindicato dos motoristas
do setor diferenciado, diz não haver conflito de representação
entre os sindicatos porque as categorias profissionais foram "desmembradas".
"Não houve influência
política na concessão do registro sindical. A representação
foi dada pelos trabalhadores que buscaram o sindicato em assembléias
representativas", afirma Dantas. "Os dois sindicatos surgiram
de desmembramentos do Sindicato dos Motoristas de São Paulo.
Eles representam os motoristas do comércio, mas só nas
empresas de concretagem e terraplanagem. No nosso caso, são os
motoristas de prestadoras de serviços." Para o advogado
trabalhista João José Sady, "o trânsito na
copa e na cozinha é mais fácil para quem é cutista".
Ele diz que a CUT tem hoje o mesmo privilégio que a Força
teve no governo FHC.
"Estrutura arcaica"
A disputa entre sindicatos -e que envolve
o ministério- começou a partir da Constituição
de 1988, que definiu que o Estado não deve interferir na organização
sindical, na avaliação de Sady. "Passou a ser permitido
fundar sindicatos novos sem autorização do Estado, criar
sindicatos onde antes era proibido, bem como desmembrar sindicatos por
categoria ou por cidade, sem autorização do Estado e independentemente
da concordância do sindicato desmembrado. Isso gerou um furioso
processo de criação de novas entidades."
O advogado informa que essa situação
se agravou em 2004, com o decreto nº 5.063, que determina que os
pedidos de impugnação aos pedidos de registro sindical
fossem decididos pelo próprio secretário de Relações
do Trabalho.
A "bagunça" no setor, segundo João Felício,
presidente da CUT, é reflexo da estrutura arcaica. "O sindicato
perde eleição e cria outro com outro nome para garantir
o imposto [sindical]."
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Folha de São Paulo,
14 de maio de 2006
"Assessor de 28 sindicatos"
tenta registro próprio
DA REPORTAGEM LOCAL
Há 21 anos circulando pelos corredores
do Ministério do Trabalho, em Brasília, Ademir Florentino
da Silva, 43, conhecido pelos colegas sindicalistas como Rodapé,
hoje presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Placas,
Faixas, Painéis e Pinturas em Gerais e Anexos e Afins do Estado
de São Paulo, diz que "batalha" desde 2005 para conseguir
o registro de seu sindicato.
"Tenho 28 procurações
para representar sindicatos que assessoro em Brasília. Trabalho
na honestidade", afirma o "assessor" de sindicatos, que
já foi serralheiro e ajudante de motorista de caminhão.
Entre seus clientes está o sindicato dos empregados em estacionamentos
do Ceará. Rodapé diz que já ajudou "muita
gente" que hoje está no poder. "Trabalhei em eleições
de vários sindicatos de gente que hoje me vira as costas."
Relata ainda que há tráfico de influência no ministério.
"Consegue-se registro sindical com ajuda de deputados [sem dizer
nomes] com trânsito livre no ministério. Só sobe
ao 4º andar [onde está o setor de registros] quem eles querem."
Diz ainda que existem sindicatos que "negociam" impugnações.
"Custa até R$ 25 mil para um sindicato retirar o pedido
de impugnação e fazer acordo." (CR e FF)
FRASES
Se não tiver influência,
não tem registro
PAULO PEREIRA DA SILVA
presidente da Força Sindical
Há uma bagunça no movimento
sindical, reflexo de sua estrutura arcaica. O sindicato perde eleição
e cria outro com outro nome para garantir o imposto [sindical]
JOÃO FELÍCIO
presidente da CUT
É mais fácil abrir
sindicato do que colocar carrocinha de cachorro-quente na esquina, que
sempre é fiscalizada
OSWALDO BARGAS
chefe-de-gabinete do Ministério do Trabalho
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Folha de São Paulo,
14 de maio de 2006
OUTRO LADO
Não há privilégio
a entidades, afirma Ministério do Trabalho
DA REPORTAGEM LOCAL
Ex-secretário de Relações
do Trabalho e atual chefe-de-gabinete do Ministério do Trabalho,
Oswaldo Bargas afirma que não há privilégios a
sindicatos ligados à CUT ou a qualquer central e que não
há troca de apoio político por registro sindical. Ele
admite que há sindicatos diferentes representando trabalhadores
da mesma categoria e na mesma região devido a "falhas"
na legislação. "A Constituição Federal
diz que é livre a organização sindical, mas ao
mesmo tempo diz que tem de obedecer à unicidade sindical [só
um sindicato pode representar uma categoria profissional ou econômica
em uma região]."
O ministério está "amarrado",
na sua avaliação, porque tem de cumprir a portaria 343,
criada em 2000 pelo então ministro do Trabalho, Francisco Dornelles.
Por essa regra, as entidades que cumprirem os requisitos técnicos
estabelecidos têm direito a promover convenções
e negociações coletivas e representar legalmente suas
categorias em suas bases territoriais. "Quem achar que foi prejudicado
pode ir à Justiça." Para Bargas, os sindicalistas
que acusam o ministério "são aqueles afetados pela
divisão de suas bases" e que "pressionam o governo
para evitar que seus sindicatos sejam desmembrados".
A posição dos sindicalistas,
diz, é curiosa. "Quando alguém divide a base deles
[dos que reclamam], são contra [a liberdade sindical]. Mas, quando
tiram a base de outros [sindicatos], são a favor." A solução
para resolver o caos na estrutura sindical -uma vez que, segundo ele,
é "mais fácil abrir sindicato do que colocar carrocinha
de cachorro-quente na esquina, que sempre é fiscalizada"-
é a reforma sindical. "Defendo a liberdade sindical, mas
o sindicato tem de ter representatividade. O trabalhador tem de ter
o direito de ser sócio ou não e de escolher o sindicato
que o represente." E diz que o governo Lula cumpriu a promessa
de encaminhar o projeto de reforma sindical para o Congresso.
Bargas reconhece que há uma indústria
na formação de sindicatos no país e que é
movida por negócios feitos entre os sindicalistas. "Não
tenho como provar, mas temos informação de que há
sindicatos que vendem impugnação." Ele explica que
um grupo abre um sindicato em uma região. Outro, dono de outra
entidade, recorre ao ministério e pede a impugnação
desse sindicato. Após acordo entre as partes, o grupo retira
o pedido de impugnação. Ex-ministro do Trabalho, Jaques
Wagner diz que só o fim do imposto sindical pode acabar com as
disputas entre os sindicatos. "O Estado não tem de dizer
quem tem o direito de se organizar. A organização sindical
é livre. A quem pediu registro que se dê [o registro]."
(CR e FF)
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Agência Diap, 15 de
maio de 2006
Cenários para a eleição
da Câmara dos Deputados
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
A crise de imagem do Congresso, particularmente
da Câmara dos Deputados, tem desafiado os analistas políticas
a antecipar os cenários de renovação e composição
partidária da próxima legislatura, a ser eleita em 1º
de outubro próximo. Nos prognósticos do DIAP, da Arko
Advice e do cientista político David Fleischer, que fazem um
verdadeiro exercício de futurologia, há três consensos:
a renovação será grande, o PT será o principal
perdedor e o PMDB terá a maior bancada.
Sempre com a ressalva de que os prognósticos
podem sofrer ajustes, dependendo da política de alianças
e da prioridade que os partidos atribuam à eleição
proporcional, que deverá considerar a verticalização
e a cláusula de barreira, os analistas fizeram suas projeções
partindo da premissa de que os partidos serão pragmáticos,
inclusive no recrutamento dos candidatos nas convenções.
Exceto as divergências sobre a grande redução da
bancada do PT, não há nada de espetacular na performance
dos grandes partidos, que devem crescer moderadamente em relação
à composição atual.
PMDB
Composição eleição /atual: 75 / 83
Previsão DIAP: 80 a 95
Previsão Arko Advice: 90 a 110
Previsão David Fleischer: 90 a 95
PT
Composição eleição /atual: 91 / 81
Previsão DIAP: 60 a 75
Previsão Arko Advice: 55 a 70
Previsão David Fleischer: 45 a 50
PFL
Composição eleição /atual: 84 / 65
Previsão DIAP: 75 a 90
Previsão Arko Advice: 65 a 80
Previsão David Fleischer: 80 a 85
PSDB
Composição eleição /atual: 70/58
Previsão DIAP: 70 a 85
Previsão Arko Advice: 65 a 80
Previsão David Fleischer: 70 a 75
Em relação aos partidos médios (PP, PTB, PL, PDT,
PSB), há acordo entre os analistas sobre a tendência de
redução das bancadas de direita e centro-direita (PL,
PP e PTB) e de crescimento dos de centro-esquerda (PDT e PSB) Os primeiros,
que se beneficiaram da adesão dos dissidentes dos partidos de
oposição, notadamente PFL e PSDB, cresceram artificialmente
nesta legislatura e terão dificuldades, em outubro próximo,
até para eleger o mesmo número de parlamentares que sufragaram
em 2002. Estima-se que o PDT passe de 20 para algo entre 25 e 35 e o
PSB de 28 para algo entre 30 e 40 deputados. Uma das razões para
esse crescimento do PDT e do PSB seria a migração de votos
do PT, que perde eleitores em razão de seu envolvimento com o
escândalo do mensalão.
Quanto aos pequenos partidos de orientação
ideológica, a avaliação quase unânime é
de que PCdoB e PPS crescem, mas o PSol e o PV terão dificuldades
para manter suas atuais bancadas, respectivamente de sete e oito deputados
cada. Estima-se que o PC do B passe de 12 para algo entre 14 e 16 e
o PPS de 16 para entre 20 e 25. A superação da cláusula
de barreira está fora do horizonte desses partidos.
Sobre o índice de renovação,
igualmente, é consenso entre os analistas que será muito
próximo do da eleição de 1990, que chegou a 62%.
Historicamente, os índices de renovação oscilam
entre 40% e 60%. Em 1994, foi de 54%, em 1998, de 43% e de 2002, de
46%. A explicação para uma renovação superior
a 50% está associada à decepção de parcela
do eleitorado com o envolvimento de muitos parlamentares nos escândalos,
tanto do mensalão quanto nas fraudes na aquisição
de ambulâncias.
Em conclusão, pode-se afirmar,
salvo mudança drástica do cenário, que: a) haverá
uma grande renovação, b) o crescimento do PMDB, PFL e
PSDB será decorrente da perda de vagas no Parlamento do PTB,
PP e PL, e c) o aumento de bancada do PSB, PDT e PPS se dará
por herança de parte dos votos do PT. Antônio
Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e Diretor
de Documentação do DIAP – Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar.
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Nova Central, 13 de maio
de 2006
Debate do Super-Simples
PLP 123 reforça tributação
regressiva, reduz direitos dos trabalhadores e causa prejuízos
ao País

Mesa da plenária coordenada pelo presidente da NCST
O presidente da Nova Central, José
Calixto Ramos, coordenou a plenária nacional para debater o PLP
123/2004 do "Super Simples", realizada nesta quinta-feira,
dia 11, no auditório Freitas Nobre da, Câmara dos Deputados.
Ao lado das entidades do Fórum Nacional do Fisco, da Conlutas,
da CSPB, da Contratu e da CNTT, ele assegurou que a Nova Central vai
encampar as mobilizações para impedir a aprovação
desse projeto. "Nós não somos contrários a
que as micro e pequenas empresas tenham condições de produzir
e contribuir para o desenvolvimento do País, o que não
aceitamos é que isto seja feito mediante a retirada de direitos
dos trabalhadores>", afirmou.
“O PLP 123, do Super-Simples,
representa o início da segunda fase de reformas neoliberais de
redução do Estado e da Administração Pública.
O projeto, caso aprovado, será uma verdadeira reforma do sistema
e da administração tributária. O Unafisco defende
uma reforma tributária que desonere o trabalhador brasileiro,
por isso o imposto deve ser pago por aqueles que têm maior capacidade
contributiva”. A afirmação foi feita pela diretora
de Estudos Técnicos do Unafisco, Clair Hickmann, que representou
o Sindicato no debate realizado, na manhã de ontem, na Câmara
dos Deputados.
Clair Hickman destacou a importância
estratégica da Administração Tributária
para a eficácia e eficiência do sistema tributário,
porque não adianta um excelente ordenamento jurídico sem
o devido aparelhamento da máquina administrativa para fiscalizar
o cumprimento das leis. Nesse sentido é fundamental a SRF manter
a competência plena para fiscalizar as empresas do Super-Simples.
Para o Unafisco, quem se beneficia com
a retirada dessa competência são pessoas ou sociedades
que montam grandes esquemas de sonegação com base em empresas
aparentemente pequenas localizadas, muitas vezes, em diferentes unidades
da federação. Quem perde com a sonegação
é a sociedade porque isso provoca a concorrência desleal
na economia e fere o princípio da isonomia tributária.
É papel da Administração Tributária defender
o interesse da sociedade e o cumprimento das leis fiscais.
A diretora ressaltou ainda que, embora
o foco da Receita Federal não seja fiscalizar as pequenas empresas,
a manutenção de sua competência para fiscalizá-las
é fundamental para o efetivo combate à sonegação
como, por exemplo, nos casos de movimentação incompatível
com a receita declarada.
Renúncia
Fiscal – Segundo estimativa do governo federal, a renúncia
de arrecadação com as contribuições previdenciárias
patronais do Simples atual (Lei 9.317/96) é de R$ 5,6 bilhões
por ano, o que diminui os recursos destinados ao financiamento da Previdência.
Com a aprovação do PLP 123/04, o suposto déficit
da previdência aumentará ainda mais.
Para a Federação Nacional do Fisco Estadual (Fenafisco),
representada por Rogério Cândido, com a aprovação
do Super-Simples, teremos uma avalanche de abertura de pequenas empresas.
Segundo ele, o fato de as pequenas empresas não precisarem comprovar
a propriedade ou o contrato de locação do imóvel
da sede do estabelecimento, conforme prevê o projeto, fará
o país virar um laranjal.
“No Brasil
há três tipos de empresários: um pequeno
grupo que cumpre com suas obrigações (pagamento de impostos),
independentemente da presença do Estado; um segundo grupo que
engloba a maioria dos empresários que cumpre suas obrigações
graças à presença fiscalizadora do Estado e um
terceiro grupo de empresários que não paga impostos de
forma alguma”, destacou Rogério Cândido.
 
José Calixto, denuncia os riscos do Super
Simples. Na plenária, o vice-presidente da NCST, Omar José,
tendo à sua direita o presidente da NCST-MG, Antônio Miranda.
Defesa do trabalhador
– “Os trabalhadores brasileiros são a razão
de estarmos aqui neste seminário. Defendemos um serviço
público de qualidade para o povo brasileiro e a manutenção
do conceito de seguridade social implementado pela Constituição
Federal de 1988”, afirmou o representante da Federação
Nacional dos Auditores-fiscais da Receita Federal (Fenafisp), Robson
Guedes Lassarot. Ele chamou também atenção para
a renúncia fiscal que trará sérios problemas ao
financiamento da Previdência Social brasileira.
O representante da Associação
Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social (Anfip),
Floriano Martins, disse que as entidades deveriam estar discutindo a
inclusão dos trabalhadores no sistema previdenciário e
não a redução de direitos.
Estado mínimo - A diminuição do Estado brasileiro,
esta é a principal conseqüência do PLP 123 apontada
pelo representante da Federação Nacional dos Auditores
e Fiscais dos Tributos Municipais (Fenafim), Luiz Antônio Barreto.
“Este projeto desestrutura o Estado brasileiro e principalmente
a Administração Tributária, disse. Na avaliação
de sua entidade, o Super-Simples esvazia o poder de fiscalizar do ente
federado, o que poderá trazer graves conseqüências
para a sociedade.” Temos de alertar a sociedade para os aspectos
negativos do projeto.
Para a presidente do Sindicato Nacional
dos Auditores-fiscais do Trabalho (Sinait), Rosa Maria Campos Jorge,
este projeto atinge um dos principais pilares da nossa Constituição,
que é o princípio de isonomia, pois, ao retirar direitos
dos empregados das empresas do Super-Simples, cria duas classes de trabalhadores
no país: os que terão a proteção do Estado
e aqueles que não terão a tutela do Estado.
Reforma trabalhista
– Para o deputado Sérgio Miranda (PDT-MG), o projeto de
lei traz embutido o início de uma reforma trabalhista, sindical
e previdenciária. O parlamentar conclamou os trabalhadores e
as entidades para realizar um grande movimento para dizer que não
aceitam a redução de direitos.
Um dos pontos que preocupa o parlamentar
é a possibilidade de não haver fiscalização
da contribuição previdenciária do trabalhador.
Para ele, retirar a fiscalização federal das pequenas
empresas é um risco tremendo, já que a contribuição
previdenciária ficará sujeita à apropriação
indébita.
O deputado Babá (PSOL-PA) destacou
que seu partido também considera preocupante a possibilidade
de aprovação do Super-Simples. “O projeto vai eliminar
qualquer possibilidade de fiscalização e será muito
prejudicial à sociedade”, prevê o parlamentar. Ele
criticou ainda o tratamento que os servidores públicos têm
recebido por parte do governo federal e lembrou que dezenas de categorias
se encontram em greve ou mobilizadas neste momento por falta de cumprimento
de acordos, por parte do governo, ou por falta de negociação.
Os deputados Luciana Genro (PSOL) e João Alfredo (PSOL-CE) também
compareceram ao evento e manifestaram apoio à luta do Fórum
Nacional do Fisco.
Frente Ampla
– O vice-presidente da CSPB e diretor da Nova Central, Sebastião
Soares, defendeu a formação de uma Frente Ampla das entidades
sindicais para articular uma grande mobilização nacional
contra os projetos que prejudicam o País e os trabalhadores e
que estão em tramitação no Congresso Nacional.
Ele disse que é importante e necessário impedir a aprovação
do “Super Simples”, mas, é preciso também,
"nos unirmos para evitar que sejam aprovados vários outros
projetos que são nocivos ao País e aos trabalhadores".
O evento, realizado durante toda
a manhã de ontem, reuniu lideranças de trabalhadores de
diversas categorias e contou com o apoio de várias entidades
como a Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), a Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), a Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Turismo e Hospedagem (Contratuh), a Confederação
dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB) e a Coordenação
Nacional de Lutas.
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Nova Central, 13 de maio
de 2006
Agressão Covarde
Na manhã do dia 11/05, o sindicalista Ronaldo Soares, Presidente
do Sindicato dos Empregados no Comércio de Patrocinio-MG e Região
e Membro da Diretoria da NCST, foi agredido fisicamente pelo Vereador
Alcides Dornelas dos Santos. O motivo da agressão se deu pelo
simples fato de o sindicalista, que estava presente na Galeria da Camara,
ter se manifestado contrário a um projeto de lei que contraria
lei Organica do Município. O presidente da Câmara deixou
a mesa dos trabalhos e dirigiu-se à galeira.
De surpresa, agrediu o sindicalista com
socos e ponta-pés que, no impacto, foi jogado para fora da galeria
violentamente. Mesmo caído e indefeso, Ronaldo Soares continou
sendo agredido sem ter condições de se defender. A notícia
veiculada pela imprensa local, deixou a população revoltada
com ato brutal e desumano contra o sindicalista.
A Nova Central manifesta a sua
indignação contra essa brutalidade e vai recorrer às
instâncias competentes para que o agressor seja punido. Ao mesmo
tempo pede a solidariedade de todos os dirigentes sindicais do país
contra essa barbaridade. Maiores informações através
dos fones 34 3831-7274 (Sindicato) e Jornal Correio Regional de Patrocinio
34 9134.5642 ou, 34 3831-1596 ou 34 3831-1896 (Radio Difusora de Patrocínio).
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Folha de São Paulo,
13 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Interlocutores de Lula foram autorizados a negociar 4 itens do programa
de governo; no PSDB, trunfo é vaga na chapa Serra
PSDB e PT iniciam vale-tudo pelo PMDB
CATIA SEABRA, MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
Com a provável derrubada da candidatura
própria do PMDB à Presidência, PSDB e PT se lançaram
numa ofensiva para conquistar o apoio da legenda. Vale tudo, de envio
de telegrama a oferta de participação no governo, para
evitar que o PMDB reforce o time adversário. Enquanto interlocutores
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram autorizados a negociar
com a direção do PMDB quatro itens do programa de governo,
no PSDB, um trunfo para neutralizar a investida petista é a oferta
da vaga na chapa de Serra ao governo paulista na disputa pelo Senado.
Na noite de quinta-feira, numa reunião
com o partido, Serra pediu que os tucanos estejam abertos à composição.
No mesmo dia, ligou para o presidente do PMDB, Michel Temer. Foi um
recado para os que reagem mal à presença do presidente
do PMDB-SP, Orestes Quércia, em seu palanque. Serra disse que
não aceita o "já ganhou" e, prevendo uma eleição
difícil, pediu que a vice e a vaga para o Senado estejam livres
para ampliação da aliança. Na segunda-feira, o
presidente estadual do PSDB, Sidnei Beraldo, pedirá à
deputada Zulaiê Cobra que desista da disputa pelo Senado.
O pré-candidato do PSDB à
Presidência, Geraldo Alckmin, mandou telegrama para o ex-governador
Anthony Garotinho, pré-candidato à Presidência,
recorreu ao ex-governador Jarbas Vasconcelos (PMDB-CE) e conversou com
o governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto. No Estado, onde
PMDB e PT são rivais históricos, a oferta é de
pacto de não-agressão com Rigotto.
O governo federal, por sua vez, ainda
não descarta uma coligação formal com o PMDB. Por
isso negocia com a direção do partido quatro tópicos
do programa de governo: ações para promoção
do crescimento econômico, alternativas para redução
da equação dívida pública/PIB, propostas
para geração de empregos e investimentos prioritários
na educação.
Os peemedebistas teriam espaço para mostrar propostas para essas
áreas, podendo opinar até sobre a política econômica.
A direção do PT já procurou o presidente do PMDB,
Michel Temer, e Quércia. Na segunda-feira, o ministro Tarso Genro
(Relações Institucionais) conversa com Itamar Franco.
O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio
Mercadante, também procurou Quércia.
Estados
A marcação é cerrada.
No Ceará, o governador tucano Lúcio Alcântara ofereceu
espaço ao PMDB em seu governo. Mas, em negociação
com a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), e o ex-ministro Ciro
Gomes, o PMDB tende a fechar com o PT e o PSB. Em Santa Catarina, o
governador Luiz Henrique (PMDB) é aliado ao PSDB, mas seu humor
começa a melhorar com o PT, desde que foi procurado por Tarso
e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Partiu do Planalto a ordem
para que pendências da União com SC sejam resolvidas.
O assédio do PT não tem
fronteiras. Um peemedebista disse à Folha que até o presidente
da Venezuela, Hugo Chávez, tentou convencer o governador do Paraná,
Roberto Requião, da importância de reeleger Lula.
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Folha de São Paulo,
13 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006/REGRAS DO JOGO
Marco Aurélio de Mello, presidente do TSE, cita preceito constitucional
que veta mudanças na legislação um ano antes da
eleição
Nova lei eleitoral não deve valer
em 2006
PEDRO DIAS LEITE
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente do TSE (Tribunal Superior
Eleitoral), Marco Aurélio de Mello, sinalizou ontem que as mudanças
na lei eleitoral sancionadas nesta semana pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva não deverão valer neste ano. O texto, aprovado
pelo Congresso no final de abril, proíbe a realização
de showmícios, a distribuição de camisetas e brindes
e a divulgação de pesquisas nos 15 dias que antecedem
a eleição. Também vedava o uso de cenas externas
na propaganda na TV, mas o artigo foi vetado por Lula.
Sérgio Lima/Folha Imagem

Marco Aurélio de Mello, que ironizou propaganda de políticos
A Constituição estabelece
que mudanças na legislação só podem ser
feitas pelo menos um ano antes das eleições, para evitar
casuísmos. Os sete juízes do TSE vão decidir, na
semana que vem, se as alterações interferem na disputa.
"O Tribunal Superior Eleitoral, na próxima semana, estará
se pronunciando quanto a preceitos da nova lei aplicáveis ou
não às eleições de 2006 e terá como
base maior a lei fundamental, que precisa ser um pouco mais amada",
disse Marco Aurélio.
"Está na Constituição,
em bom vernáculo, que qualquer modificação normativa
do processo eleitoral deve se fazer com antecedência mínima
de um ano", completou. Sobre o fato de as medidas terem sido votadas
e aprovadas neste ano pelo Congresso, ele disse: "Por que o Congresso
não atuou com a antecedência necessária? É
muito fácil jogar nas costas do TSE".
Se valer a interpretação
do presidente do TSE no julgamento do tribunal, quase nada da nova legislação
vai vigorar nas eleições. Até medidas positivas,
como a prestação de contas na internet, não serão
obrigatórias. "O tribunal vai pinçar o que realmente
pode ser aplicado a essas eleições", afirmou Marco
Aurélio. "Os elementos repercutem no processo eleitoral?
Se a resposta for positiva, não teremos a observância dessas
regras em 2006." O presidente do TSE, que já fizera duras
críticas aos políticos em seu discurso de posse, defendeu
que os eleitores busquem "novos rumos, bem escolhendo os seus representantes".
"Às vezes o eleitor tem a
visão míope de que o voto não repercute, de não
é fundamental. É fundamental o voto conscientizado quanto
à boa escolha daqueles que deverão representá-lo",
disse. Marco Aurélio, que também é ministro do
Supremo Tribunal Federal, disse vai buscar combater o abuso econômico
e também a "propaganda enganosa". "Como seria
bom se pudéssemos aplicar às eleições o
Código do Consumidor", afirmou ontem.
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Folha de São Paulo,
13 de maio de 2006
TENSÃO ENTRE VIZINHOS
Presidentes do Uruguai, Paraguai e Argentina não participam de
reunião entre países do bloco e a EU
Nem paraguaio segue Lula no Mercosul
DO ENVIADO ESPECIAL A VIENA
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva ficou absolutamente só no Mercosul, ao menos na hipótese
de uma reunião de cúpula do bloco sul-americano com seus
parceiros da União Européia, uma tradição
das três reuniões anteriores da cúpula maior, a
dos europeus com o conjunto da América Latina/Caribe. Primeiro,
foi o uruguaio Tabaré Vázquez que anunciou que cruzaria
todo o Atlântico, atravessaria meia Europa, mas só ficaria
para a grande cúpula, não para a do Mercosul-UE.
Depois, foi a vez do paraguaio Nicanor Duarte Frutos, que tomou decisão
idêntica. Aí, naturalmente, Néstor Kirchner, da
Argentina, desistiu. Resultado: haverá a reunião, hoje,
mas será apenas entre ministros.
Ontem, o presidente Lula tentava pôr
boa cara para o episódio: "Eu já sabia, ainda no
Brasil, que a reunião seria apenas entre ministros. O Tabaré
não podia, o Kirchner não podia, ia me reunir apenas com
o [chanceler Celso] Amorim e os paraguaios?", perguntou o presidente
brasileiro. Na verdade, não é que Kirchner ou Tabaré
não pudessem. Não queriam. Conforme a Folha informou ontem,
o presidente argentino fez saber ao governo brasileiro que não
quer nem ver seu colega uruguaio. Ontem, os dois praticaram cenas explícitas
de estranhamento, durante a tradicional foto chamada "álbum
de família", na qual todos os governantes posam juntos.
Kirchner já havia se instalado
em seu lugar para a foto quando Tabaré entrou. O uruguaio cumprimentou
o primeiro, o segundo e o terceiro governantes. Ao chegar perto de seu
sócio no Mercosul, ambos viraram de lado e nem se deram as mãos.
Se nem se cumprimentam, passo obviamente prévio a qualquer reunião,
não dá para se reunirem com quem quer que seja. Kirchner
e Tabaré estão em guerra devido ao veto argentino à
instalação de duas fábricas de celulose na fronteira
dos dois países.
Com esse grau de animosidade em
um dos lados da negociação, o acordo União Européia-Mercosul,
que já vinha avançando muito lentamente, foi jogado para
depois que fique claro qual o resultado da Rodada Doha, lançada
em 2001 na capital do Qatar e estancada desde então. Não
é o único problema ao Sul: a caudalosa e excessivamente
retórica declaração final da cúpula de Viena,
emitida ontem, tem 59 itens, todos fechados pelos 60 participantes de
forma relativamente tranqüila. Menos o capítulo dedicado
à negociação da UE com a Comunidade Andina de Nações,
que deveria ter sido lançada precisamente em Viena. Como a CAN
não se punha de acordo, ficou em aberto. Mas, para acentuar ainda
mais os problemas do Sul, os europeus anunciaram, sim, com festas, as
negociações para um acordo de livre comércio com
a América Central. (CR)
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Folha de São Paulo, 13 de maio de 2006
PANORÂMICA - TRABALHO
Metalúrgicos farão "paralisações
de advertência' em fábricas da Volkswagen
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José
Lopez Feijóo, disse ontem que os trabalhadores das cinco fábricas
da Volkswagen no Brasil farão "paralisações
de advertência" a partir da semana do dia 22. A Volks anunciou
que, devido ao dólar desvalorizado, deverá cortar os custos
com pessoal em 25% até 2008 e pode fechar uma das cinco fábricas.
Segundo sindicatos, a empresa deve demitir 5.773 mil funcionários
no Brasil. De acordo com o sindicalista, as ações serão
pontuais, somadas a manifestações públicas, atingindo
uma unidade por vez. Feijóo não descartou a possibilidade
de uma greve por prazo indeterminado. Procurada, a assessoria da empresa
no Brasil não quis se manifestar. (DA FOLHA ONLINE)
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Folha de São Paulo,
14 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Por 351 a 303 votos, partido desiste da candidatura; resultado deve
ser contestado
Ala governista vence e PMDB não
concorrerá à Presidência
Sérgio Lima/Folha Imagem
Anthony Garotinho cumprimenta Itamar Franco em convenção
FERNANDO RODRIGUES, SILVIO NAVARRO
RANIER BRAGON, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Mesmo sob ameaça de contestação
na Justiça, o PMDB oficializou ontem em uma convenção
nacional extraordinária a decisão de não ter candidato
próprio a presidente da República nas eleições
de outubro. A tese que derruba a possibilidade de indicação
de Anthony Garotinho para concorrer ao Palácio do Planalto foi
aprovada por 351 votos a 303. Houve ainda dois votos em branco e um
nulo -total de 657 votos. O número de votos é maior do
que o de convencionais (528) porque alguns têm direito a votar
mais de uma vez por ocuparem vários cargos dentro da burocracia
partidária.
A decisão agrada ao Planalto já
que, com a desistência do PMDB, a disputa fica polarizada entre
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o pré-candidato
do PSDB, Geraldo Alckmin. A avaliação do PT é que,
com a saída de Garotinho, Lula tem chances de vencer no primeiro
turno. Garotinho ocupa, atualmente, a terceira colocação
nas pesquisas de intenção de votos -lideradas pelo petista,
seguido pelo tucano.
Mas apesar de o resultado representar
uma vitória da ala governista do PMDB, a margem de votos (48)
foi bem menor do que alardeava o presidente do Senado, Renan Calheiros
(AL), antes da apuração. Além disso, o presidente
nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), concordou em classificar
o encontro de ontem como "consulta informal, pendente de decisão
judicial". Os derrotados disseram que insistirão na tese
da candidatura própria até junho, mês das convenções
partidárias.
"Nós ganhamos, eles devem estar pensando quem foram os traidores.
Liberaram [verbas para] emendas, distribuíram ambulâncias
e não conseguiram nem 50 votos a mais de diferença. Na
convenção de 11 de junho teremos mais tempo para reverter
o quadro", disse Garotinho.
O político fluminense se refere
à data na qual está pré-marcada uma convenção
da sigla que poderá escolher um candidato ao Palácio do
Planalto. Nada garante, entretanto, que ela ocorrerá. Após
a apuração, Garotinho chamou o senador Pedro Simon (RS)
à mesa e anunciou, em tom de campanha, que abria mão de
sua pré-candidatura para ser vice na chapa à Presidência
encabeçada por Simon. O senador disse ter negado o convite. "O
Itamar e ele são os candidatos", afirmou.
"Até junho, muita coisa ainda vai acontecer. Essa chapa
Simon-Garotinho é uma novidade e pode mudar o cenário",
disse Temer.
Além de Renan, os principais defensores
da não-candidatura são os senadores José Sarney
(AP) e Ney Suassuna (PB) e os deputados Geddel Vieira de Lima (BA) e
Eunício Oliveira (CE). O PMDB chefia hoje três ministérios
(Minas e Energia, Saúde e Comunicações) e possui
a maior bancada da Câmara (83 deputados). "Ganhamos, não
teremos candidato por decisão da convenção nacional
tomada por sua maioria", disse o vice-líder do governo no
Senado, Romero Jucá (RR).
Devido à chamada verticalização,
um postulante à Presidência inviabilizaria vários
acordos para os pré-candidatos aos governos estaduais, já
que as disputas locais teriam de respeitar o que foi fixado como aliança
nacional. A Executiva Nacional do partido havia aprovado anteontem uma
resolução que permitia que a candidatura própria
fosse rejeitada com os votos da maioria simples dos presentes, e não
com dois terços dos votos dos convencionais peemedebistas, como
defendia o grupo de Garotinho.
Ontem, minutos antes da chegada de Garotinho
à convenção, apoiadores do ex-governador do Rio
de Janeiro comemoravam a concessão de uma medida liminar (decisão
judicial provisória) que anulava provisoriamente os resultados
do encontro.
Como a liminar não impediu a realização da convenção,
seus efeitos eram limitados. "O principal é que a decisão
política será tomada e o PMDB não terá candidato
a presidente", disse Renan, que acumulava o cargo de presidente
da República ontem porque o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva estava no exterior.
Renan chegou a ironizar a insistência
do ex-governador do Rio para ser candidato a presidente: "Garotinho
que não come não cresce". Garotinho fez greve de
fome, protestando por se considerar perseguido pela imprensa. O outro
pré-candidato, Itamar Franco, disse que "não é
possível que esse partido seja submisso, coadjuvante, em benefício
daqueles que só visam os seus ideais".
O grande defensor de Garotinho era o
deputado Eduardo Cunha (RJ), autor do pedido de liminar, que usou metáforas
futebolísticas na tribuna. "Não ter candidato é
como o time de futebol que não joga. Time que não joga
não tem torcida. Aqui é igual a Libertadores da América.
Hoje é só o primeiro jogo. O de volta, o jogo final, será
a convenção de junho."
A maior reclamação dos apoiadores de Garotinho se referia
a uma questão formal, adotada em dezembro de 2004, por outra
convenção do PMDB. À época, a sigla decidiu
que teria candidato próprio e que essa decisão só
seria revogada por outro encontro nacional com dois terços dos
votos -rejeitado pela Comissão Executiva Nacional do PMDB.
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Folha de São Paulo,
14 de maio de 2006
TRABALHO
Pagamento obrigatório, aprovado pela Câmara, deverá
fazer com que mais patrões deixem de registrar empregados
FGTS a doméstico pode elevar informalidade
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
A decisão da Câmara dos
Deputados na quarta-feira, de tornar obrigatório o depósito
do FGTS para os empregados domésticos, poderá ser um tiro
no pé na intenção do governo de aumentar a contratação
daqueles trabalhadores com registro em carteira. O motivo é simples:
obrigar os patrões a pagar mais 8% todos os meses é um
gasto adicional que muitos dos que hoje têm domésticos
registrados provavelmente não tenham condições
de mantê-los nessa condição.
Transformar o FGTS hoje opcional em obrigatório
pode ser um incentivo à demissão de quem está trabalhando
com registro em carteira. E mais: quem tem um doméstico "informal",
mas tenciona registrá-lo, provavelmente vai desistir da idéia
para não ter de suportar mais esse ônus. Para aumentar
o número de domésticos com registro em carteira, o governo
editou a medida provisória nº 284, de 6 de março.
Como incentivo ao registro, a MP permite ao patrão que declara
IR no modelo completo o desconto, do imposto devido, dos valores pagos
no ano ao INSS referentes à parte do empregado (12% sobre um
salário mínimo e apenas para um empregado). Em síntese,
um prêmio para que os que descumprem a lei passem a cumpri-la.
Ao analisar a MP, a Câmara aprovou
diversas mudanças, sendo a principal delas a que torna obrigatório
o FGTS aos domésticos. As alterações na MP terão
de passar pelo Senado. Se aprovadas, irão à sanção
presidencial, quando poderão ser vetadas. Segundo o consultor
Mario Avelino, especialista em FGTS, a medida terá efeito contrário
ao pretendido, uma vez que trará mais gastos aos patrões.
Avelino lembra, também, que a obrigatoriedade do FGTS acarretará
o pagamento da multa de 40% na demissão sem justa causa. Assim,
não serão apenas 8% por mês, mas 11,2% (8% sobre
40%).
Para o consultor, os 4,8 milhões
de domésticos em todo o país que não têm
registro em carteira vão continuar na ilegalidade. Além
disso, o 1,67 milhão que está registrado corre o risco
de ser demitido para depois ser readmitido sem registro -ou ser registrado
recebendo o salário mínimo, com a diferença sendo
paga por fora. As conseqüências disso podem ser mais informalidade
e mais desemprego em um setor que tem apenas um trabalhador com registro
(25%) em carteira para outros três sem registro (75%).
Uma forma de minimizar o problema, segundo
Avelino, seria eliminar a multa de 40% para o patrão que demitisse
o empregado doméstico sem justa causa. Com isso, haveria um ônus
menor para o patrão, mantendo-se os demais direitos trabalhistas,
como 13º salário e férias proporcionais.
Salário-família trará
perda
Outra medida aprovada pela Câmara
é a obrigatoriedade do pagamento do salário-família
às domésticas gestantes.
Embora seja louvável essa iniciativa, uma vez que o benefício
é devido às demais trabalhadoras, a decisão tem
um agravante: a falta de recursos para custear a despesa. Como não
há, por ora, tal fonte, ela teria de ser criada, o que implicaria
elevar a carga tributária. Além disso, o saldo dos dois
benefícios (IR mais salário-família) poderá
trazer prejuízo ao governo. É que o patrão pagará
R$ 42 mensais de contribuição ao INSS (12% sobre R$ 350).
Esse valor será, na declaração do ano seguinte,
descontado do IR devido. É como se o governo estivesse "devolvendo"
ao contribuinte os R$ 42.
Os 7,65% da empregada resultam em R$
26,77 por mês. No total, serão R$ 68,77. Hoje, o salário-família
é de R$ 22,33 para quem ganha até R$ 435,52. Se a doméstica
tiver dois filhos menores de 14 anos (os que têm direito ao benefício),
receberá R$ 44,66. Nesse caso, segundo Avelino, o INSS teria
déficit de R$ 17,89 por mês. Se ela tiver um filho, receberá
R$ 22,33 e o INSS terá apenas R$ 4,44 por mês. "É
uma irresponsabilidade fiscal", diz Avelino.
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Folha de São Paulo,
15 de maio de 2006
JUSTIÇA
Levantamento aponta categoria jovem e de alto grau de mobilidade social,
mas apenas 1,1% se declara da cor preta
Mulheres são 42% dos juízes
do Trabalho, diz pesquisa
JANAINA LAGE
DA SUCURSAL DO RIO
Os juízes do Trabalho representam
uma categoria mais jovem, com maior presença feminina e alto
grau de mobilidade social, revela a pesquisa "Perfil da Magistratura
do Trabalho no Brasil". A pesquisa faz um retrato dos juízes
do Trabalho no país e mostra a avaliação deles
sobre o desempenho da Justiça. As mulheres representam 42% do
total de juízes do Trabalho, proporção superior
à observada entre os juízes da Justiça comum. A
idade média dos entrevistados é 46 anos. Quase 50% dos
juízes têm pais que só concluíram o ensino
fundamental. Segundo a professora Elina Pessanha, da UFRJ, uma das responsáveis
pela pesquisa, o resultado evidencia a tendência de mobilidade
social observada no país nas últimas décadas. "Barreiras
que bloqueiam a entrada no espaço das elites foram derrubadas
com mais ímpeto pelos magistrados do Trabalho.
Além disso, essa Justiça
é mais voltada para a correção das desigualdades
sociais", disse. De acordo com a pesquisa, 41,6% dos juízes
têm pais que não completaram o ensino fundamental. O percentual
dos que têm mães que não concluíram o ensino
fundamental chega a 46,3%. O aumento dos concursos públicos e
a expansão das varas de trabalho mudaram a dinâmica de
recrutamento da categoria. "Os juízes constituem uma categoria
de elite, e muitos vieram de estratos menos privilegiados da população",
afirmou Pessanha.
Esse cenário de maior diversidade
social não é válido na análise da cor. Segundo
a pesquisa, só 1,1% dos entrevistados declararam ser da cor preta.
A grande maioria (87,6%) afirma ser branca. "Os pobres entram,
mas os negros, não", afirmou Pessanha. Em relação
à carreira, a maioria dos entrevistados defende a democratização
dos critérios de promoção e da escolha dos dirigentes
de tribunais superiores. "Eles defendem critérios objetivos
de promoção e que o conjunto de juízes participe
de forma mais ativa no processo", afirmou.
Os juízes reconhecem que, embora
a Justiça do Trabalho seja menos burocratizada do que a comum,
muito ainda precisa ser feito para que ela ganhe agilidade. Entre os
entrevistados, 74% apontam a maior velocidade na execução
das sentenças como um dos fatores que poderiam aprimorar o desempenho
da Justiça. Até que a decisão da Justiça
se torne realidade, muitas vezes os patrões começam a
recorrer e a criar condições para alegar que não
têm recursos disponíveis para o pagamento de indenização.
Eles destacam medidas como a "penhora on-line", um ofício
eletrônico do juiz, que, por força de convênio entre
o TST (Tribunal Superior do Trabalho) e o BC, permite bloquear os recursos
financeiros do empregador vencido na causa. Outro ponto destacado é
a limitação do grau de recursos, citado por 80% dos juízes.
Para 80,6% dos juízes, a população
tem, em geral, uma avaliação positiva da Justiça
do Trabalho, apesar das reclamações, consideradas justificadas,
de morosidade. Para 72% dos entrevistados, a Justiça do Trabalho
é mais acessível e rápida do que os outros ramos
da Justiça. Na avaliação de 82% dos juízes
consultados, a mídia tem um papel relevante no esclarecimento
público sobre a atuação desse ramo do Judiciário.
Além de Pessanha, a pesquisa também foi elaborada por
Regina Morel (UFRJ) e por Ângela Maria de Castro Gomes (FGV) e
foi financiada pelo CNPq e pela Faperj (Fundação de Apoio
à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).
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O ESTADO DO PARANÁ,
14 de maio de 2006
Análise inicial da lei do piso
salarial regional
Edésio Passos
A Assembléia Legislativa
do Paraná aprovou por ampla maioria a mensagem do Executivo Estadual
(Projeto de Lei 002/006) que institui o piso salarial regional, depois
de profundos debates entre empregados, empregadores, parlamentares,
representantes do governo, advogados, economistas e outros setores interessados.
O piso salarial regional complementa o salário mínimo
nacional que está em vigor desde 1.º de abril de 2006, por
medida provisória, pois o Presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, no permissivo do art. 62 da CF/88, editou a MP n.º 288,
de 30.3.06, tendo em vista a não aprovação do projeto
de lei sobre a mesma matéria encaminhado ao Congresso Nacional.
No caso do Paraná, a iniciativa do projeto de lei partiu do Governador
Roberto Requião, mediante proposição inicial da
Nova Central Sindical dos Trabalhadores-Paraná, presidida por
Epitácio Antônio dos Santos, proposta baseada na legislação
estadual existente no Rio Grande do Sul (Lei n.º 12.283/2005) e
no Rio de Janeiro (Lei n.º 4.686/2005).
Análise inicial
“Art. 1.º No Estado do Paraná, conforme permissivo
previsto no inciso V, do art 7.º, da Constituição
Federal, nos termos da Lei Complementar n.º 103, de 14 de julho
de 2000, o piso salarial de empregado integrantes das categorias profissionais
abaixo enunciada será de:”
O art. 7.º, inciso V, da CF/88 assegura: “piso salarial proporcional
à extensão e à complexidade do trabalho”.
A Lei Complementar n.º 103/2000, “autoriza os Estados e o
Distrito Federal a instituir o piso salarial a que se refere o inciso
V do art. 7.º da Constituição Federal, por aplicação
no parágrafo único do seu art. 22”. “Art.
1.º Os Estados e o Distrito Federal ficam autorizados a instituir,
mediante lei de iniciativa do Poder Executivo, o piso salarial de que
trata o inciso V do art. 7.º da Constituição Federal
para os empregados que não tenham piso salarial definido em lei
federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho. §
1.º A autorização de que trata este artigo não
poderá ser exercida: I no segundo semestre do ano em que se verificar
eleição para os cargos de Governador dos Estados e do
Distrito Federal e de Deputados Estaduais e Distritais; II em relação
à remuneração de servidores públicos municipais.
§ 2.º O piso salarial a que se refere o caput poderá
ser estendido aos empregados domésticos. Art. 2.º Esta Lei
Complementar entra em vigor da data de sua publicação”.
“Art. 1.º I R$ 427,00 (quatrocentos e vinte e sete reais)
para trabalhadores agropecuários e florestais; II R$ 429,12 (quatrocentos
e vinte e nove reais e doze centavos) para os empregados domésticos,
serventes, trabalhadores de serviços de conservação,
manutenção, empresas comerciais, industriais, áreas
verdes e logradouros públicos, não especializados, contínuo
e mensageiro; auxiliar de serviços gerais e de escritório;
empregados do comércio não especializados; III R$ 431,28
(quatrocentos e trinta e um reais e vinte e oito centavos) para classificadores
de correspondência e carteiros, trabalhadores em serviços
administrativos, cozinheiros, operadores de caixa, lavadeiras e tintureiras,
barbeiros, cabeleireiros, manicures e pedicures, operadores de máquinas
e implementos de agricultura, pecuária e exploração
florestal, trabalhadores de tratamento de madeira, de fabricação
de papel e papelão, fiandeiro, tecelões e tingidores,
trabalhadores de curtimento, trabalhadores de preparação
de alimentos e bebidas, trabalhadores de costura e estofadores, trabalhadores
de fabricação de calçadas e artefatos de couro,
vidreiro e ceramistas, confeccionadores de papel e papelão, detetizadores,
pescadores, vendedores, trabalhadores de serviços de higiene
e saúde, trabalhadores de serviços de proteção
e segurança, trabalhadores de serviços de turismo e hospedagem;
IV R$ 433,44 (quatrocentos e trinta e três reais e quarenta e
quatro centavos) para trabalhadores da construção civil,
despachantes, fiscais; cobradores de transporte coletivo, trabalhadores
de minas, pedreiras e contadores, pintores, cortadores polidores e gravadores
de pedras, pedreiros, trabalhadores de fabricação de produtos
de borracha e plástico, e garçom; V R$ 435,61 (quatrocentos
e trinta e cinco reais e sessenta e um centavos) para administradores,
capatazes de explorações agropecuárias, florestais,
trabalhadores de usinagem de metais, encanadores, soldadores, chapeadores,
caldeireiros, e montadores de estruturas metálicas, trabalhadores
de artes gráficas, condutores de veículos de transportes,
trabalhadores de confecção de instrumentos musicais, produtos
de vime e similares, trabalhadores de derivados de minerais não
metálicos, trabalhadores de movimentação e manipulação
de mercadorias e materiais, operadores de máquinas da construção
civil e mineração, telegrafistas e bar-men, trabalhadores
de edifícios e condomínios; VI R$ 437,80 (quatrocentos
e trinta e sete reais e oitenta centavos) para trabalhadores de serviços
de contabilidade e caixas, operadores de máquinas de contabilidade
e de calcular, operadores de máquinas de processamento automáticos
de dados, secretários, datilógrafos e estenógrafos,
chefes de serviço de transportes e comunicações,
telefonistas e operadores de telefone e telemarketing, trabalhadores
da rede de energia e telecomunicações, supervisores de
compras e vendas, compradores, agentes técnicos de vendas e representantes
comerciais, mordomos e governantas, trabalhadores de serventia e comissários
(serviço de transporte de passageiros) agentes de mestria, mestre,
contramestres, supervisor de produção e manutenção
industrial, trabalhadores metalúrgicos e siderúrgicos,
operadores de instalações de processamento químico,
trabalhadores de tratamento de fumo e fabricação de charutos
e cigarros, operadores de estação de rádio e televisão
e de equipamentos de sonorização e de projeção
cinematográfica, operadores de máquinas fixas e de equipamentos
similares, sommeiler, maitre de hotel, ajustadores mecânicos,
montadores e mecânicos de máquinas, veículos de
instrumentos de precisão, eletricistas, eletrônicos, joalheiros
e ourives, marceneiros e operadores de máquinas de lavrar madeira,
supervisores de produção e manutenção industrial.
Parágrafo único. A data-base para reajuste dos pisos salariais
é de 1.º de maio”.
A lei é enumerativa, indicando as categorias profissionais abrangidas
pela Lei e fixando a data-base para o reajuste anual dos pisos salariais
em 1.º de maio. As entidades sindicais representativas dos empregados
serão as responsáveis para a verificação
das condições de efetivadade da nova lei que, por certo,
passará por um período de análise e implementação.
“Art. 2.º Os pisos fixados nesta lei não substituem,
para quaisquer fins de direito, o salário mínimo previsto
no inciso IV do art. 7.º da Constituição Federal”.
Trata-se da garantia de que o salário mínimo nacional
não pode ser substituído pelos pisos salariais fixados
na Lei, para quaisquer fins de direito, uma vez que a lei federal prevalece
sobre a estadual, no caso de aplicação específica
em casos concretos.
“Art. 3.º Esta lei não se aplica aos empregados que
têm piso salarial definido em lei federal, convenção
ou acordo coletivo e aos servidores públicos municipais. Parágrafo
único. Caso o piso salarial constante de acordo coletivo de trabalho
ou convenção coletiva de trabalho seja inferior ao valor
do piso salarial instituído nesta lei, será garantido
ao trabalhador pagamento do valor ora instituído”.
Dispositivo legal que garante que os pisos salariais firmados em acordos
e convenções coletivas de trabalho prevalecem sobre os
valores indicados na lei, desde que superiores aos mesmos. Mas se inferiores,
conforme está claro no parágrafo único, serão
aplicados os valores da lei. Trata-se do princípio da prevalência
da lei quando esta for mais benéfica que as normas dos instrumentos
normativos intersindicais. Visa, ainda, impedir a burla da lei, com
a fixação de instrumentos normativos que prejudiquem os
trabalhadores.
“Art. 4.º A presente lei aplica-se aos trabalhadores domésticos”.
A abrangência em relação aos trabalhadores domésticos
está reafirmada neste artigo, pois o valor de R$ 429,12 está
determinado a esta categoria profissional (art. 1.º, II).
“Art. 5.º A presente Lei entra em vigor na data de sua publicação,
produzindo seus efeitos a partir de 1.º de maio de 2006. Art. 6.º
Revogam-se as disposições em contrário”.
Tanto o início da vigência, como a data-base para reajuste
anual, estão previstas para a data de 1.º de maio.
São observações iniciais que serão aprofundadas
no desdobramento da aplicação da nova lei estadual, avançando
significativamente em direção a um novo patamar dos direitos
sociais no Paraná, além de possibilitar desenvolvimento
econômico com o crescimento da massa salarial.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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REVISTA ISTO É, 15
de abril de 2006
ESPECIAL
A vitória sobre a fome
Sem ajuda do governo, voluntários fazem
com que 56 milhões de brasileiros consigam comer
Por Célia Chaim e Eliane Lobato
Carolyne, dois anos, é filha de Monalisa, 17. Mas não
são apenas esses nomes nobres que elas carregam com orgulho.
Ela, a mãe, representa centenas e centenas de mulheres que moram
numa das maiores favelas de São Paulo, a Paraisópolis,
na zona sul da cidade, com 50 mil habitantes. Ali é fato: ninguém
passa fome, embora saiba bem o que é isso. A comida vem graças
à União dos Moradores da Paraisópolis, entidade
mantida por doações generosas. Na hora do almoço,
crianças e idosos fazem fila na porta do refeitório. Terça-feira
9 o cardápio era arroz, feijão, macarrão e lingüiça,
aguardado pelas crianças com água na boca. Tudo o que
recebem vem exclusivamente de doações. Se alguma autoridade
esteve por lá, foi passagem relâmpago, suficiente para
deixar promessas não cumpridas. “Neste ano eles vêm
porque terá eleição, mas nós não
acreditamos mais”, diz a voluntária Graça, moradora
do bairro. Com comida, escolas, creches, esportes e até aulas
de inglês, além de muitos voluntários, Paraisópolis
chegou a um nível em que dispensa a demagogia de políticos
e a ajuda do governo.
Na promessa: Lula
anunciou na posse que acabaria com a fome no País. Fez mais do
que os antecessores, mas não cumpriu a meta
O Brasil produz alimentos com abundância. E tem recursos naturais
de sobra para resolver rapidamente as carências alimentares de
todos os seus habitantes. Por tudo isso, é incrível que
56 milhões de pessoas no País encontrem, de alguma maneira,
dificuldade para comer todo dia. Só conseguem trocar o prato
de farinha com água por outro com arroz, feijão e “mistura”
(carnes e legumes) porque uma corrente de pessoas e instituições
civis, sem esperar e muito menos receber auxílio do governo,
ajuda essa pobre massa. Esses socorridos vivem na faixa da indigência,
com renda mensal individual inferior a R$ 79. Um valor insuficiente
até mesmo para comprar alimentos com o mínimo de calorias
para manter de pé, com dignidade, uma pessoa o mês inteiro.
O presidente Lula fez mais do que seus antecessores no combate à
fome. Apesar disso, chega ao final de seu mandato sem cumprir a promessa
feita na posse: “No meu governo todos os brasileiros vão
tomar café da manhã, almoçar e jantar.” A
verdadeira revolução que ele faria – e não
fez – não está totalmente perdida graças
a esses grupos não governamentais que, patrocinados por empresas
privadas, combatem a fome em várias frentes, da música
ao esporte, da educação à tecnologia.

Carência: milhões vivem com menos de R$
79 por mês. Por isso, falta dinheiro para comprar até as
calorias necessárias
Oberlan Motta, 53 anos, distribui quentinhas para moradores de rua no
subúrbio do Rio de Janeiro. Na terça-feira 9, reconheceu
um antigo companheiro de escola entre os miseráveis que esperavam
na fila. Ambos estudaram na Escola Técnica de Niterói
e se emocionaram com o reencontro. Motta é um dos 400 voluntários
fixos da entidade Movimento de Amor ao Próximo (MAP), que nasceu
há mais de duas décadas para distribuir alimentos, roupas
e remédios para moradores de rua. A organização
é ecumênica, mas a maioria dos voluntários é
kardecista. Não recebe verba pública, só doações.
Atua em bairros de subúrbio do Rio, como Ilha do Governador,
Rocha Miranda, Manguinhos e Jacarepaguá. Hoje, distribuem dez
mil quentinhas por mês. A comida é servida acompanhada
de talheres de plástico e água. “Eles pedem muita
água, principalmente as crianças que cheiram cola. Ficam
ressecadas e precisam de líquido”, diz.
Motta costuma ouvir dos amigos que é um louco por fazer caridade
“para esses vagabundos!” E responde: “Sou louco sim,
espero morrer louco. Se tivesse mais malucos como eu, não teríamos
tanta violência no mundo.” E os “loucos” se
multiplicam em associações e entidades. A dona-de-casa
carioca Delclemir Ferraz Dias, 54 anos, é uma. Ela é um
dos pilares do comitê Fraternidade Sol, ligado à ONG Ação
da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida. Assim como
Motta, partiu para a ação no combate à fome. “Não
aceitamos políticos. Nosso trabalho é todo feito graças
à boa vontade de pessoas comuns que querem ajudar”, diz
ela. Del, como é conhecida, distribui sopa para moradores de
rua. Seu “ponto” é na praça Cruz Vermelha,
no centro do Rio. “Temos 40 famílias cadastradas para receber,
o ano todo, cestas básicas. E distribuímos cerca de 100
caixinhas de sopa por noite”, explica.

Panelas cheias: as cozinheiras Ivaneide, Adalgisa e Maria numa
favela de São Paulo: comida para crianças todos os dias
As caixas a que ela se refere são embalagens de leite recolhidas
por voluntários, recicladas e reaproveitadas como recipiente
para a sopa. Del trabalha como poucos voluntários e recebe doações
de restaurantes como o Cheio de Vida, o mais assíduo, doador
há cinco anos. Ela diz que sua ação “não
é apenas dar comida”. E explica: “É um meio
de não só matar a fome, mas também conversar, dar
uma ajuda, tentar encontrar empregos, dar apoio moral, mostrar que tem
alguém preocupado com eles, que não estão sozinhos.”
Segundo ela, há “pessoas boas” nas ruas. “Muitos
são viciados sim, mas o álcool é uma fuga. Eles
foram abandonados pela família, pelo Estado... Beber é
uma maneira de esquecer.”
Entre os voluntários do comitê de Del está o jovem
Rafael Bteshe, 22 anos, carioca, morador de Ipanema. Filho de pais médicos,
é estudante de artes plásticas da UFRJ e integra a banda
Ruah. Ele ajuda a distribuir sopa duas vezes por semana. “Acho
que é o mínimo que posso fazer.” Morador de rua,
Luiz Francisco da Silva, 52 anos, nasceu em Macaé, interior do
Rio de Janeiro, e vive abandonado nas ruas da capital. “Tô
desempregado há anos”, justifica. Ex-marceneiro e ajudante
de camelô, hoje ele vive como “catador de latinhas”
para reciclagem. “Ontem, catei dois quilos de latinhas, vendi
por R$ 5,80, deu para almoçar”, diz. Luiz não tem
planos para o futuro. Seus projetos mais longos são estar vivo
e assistir aos jogos da Copa no telão que será instalado
na Central do Brasil, no Rio. “Se o Brasil ganhar a Copa, as coisas
vão melhorar”, acredita.
Esperar dádivas que virão com o futebol é bobagem.
Com a música, a Associação Meninos do Morumbi,
de São Paulo, resgatou da fome, da pobreza aguda e da violência
mais de quatro mil crianças e adolescentes pobres de toda a região
– Campo Limpo, Paraisópolis, Vila Sonia, Real Parque, Jardim
Jaqueline, Morumbi pobre (existe sim e é grande), Caxingui e
os municípios de Taboão da Serra e Embu. O show do grupo
é o produto das oficinas de canto, dança e percussão.
Integram o repertório músicas folclóricas do Brasil
e da África, do universo pop, dos cultos brasileiros e composições
próprias. A banda fez em torno de 500 shows no Brasil e na Europa
(Inglaterra e França) desde 1996. Eles se apresentaram em grandes
teatros e festivais no Brasil e no Exterior, como o Teatro Municipal,
Sala São Paulo e no nobre Royal Festival Hall, em Londres. Gravaram
CDs com grandes nomes da música brasileira e internacional. É
na associação que eles, dia a dia, recuperam sua cidadania.
Eles se orgulham do que fazem – o que seria impossível
se Flávio Pimenta não tivesse criado a associação.
Os Meninos do Morumbi se mantêm em pé porque comem o ideal
para arrebentar nos instrumentos musicais (de 2.000 a 2.500 calorias
diárias). Diz a medicina que não dá para tapear
o estômago: 100 calorias abaixo desse patamar por dia e já
se vive com uma fome crônica e se é vítima das conseqüências
que a subnutrição traz à saúde, como o fraco
desenvolvimento físico e intelectual do indivíduo. O recado
final, da Food and Agriculture Organization, a FAO, das Nações
Unidas, é direto: “É hora de os países descobrirem
porque milhões de pessoas passam fome em um mundo que produz
alimentos mais do que suficientes para cada homem, mulher e criança.”
Poucas questões são tão adequadas ao Brasil como
essa.
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REVISTA ISTO É, 15 de maio de 2006
BNDS
Mais pobres pagam menos
Fiocca fala sobre a redução do
custo dos empréstimos do BNDES
Por Aziz Filho
Com previsão de despejar R$ 55 bilhões no mercado em 2006,
o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
é o instrumento número 1 de intervenção
na economia brasileira. Liderar tal caixa-forte em ano eleitoral não
é tarefa para amadores. Desde 28 de março, o leme está
com um economista de 37 anos que nunca se filiou a partido político.
Casado, sem filhos, o paulistano Demian Fiocca, mais jovem presidente
do banco, tenta escapar dos holofotes mesmo tendo nas mãos operações
polêmicas de socorro a empresas como Varig e Volkswagen. Fiocca
recebeu ISTOÉ em seu gabinete na quarta-feira 10, para a sua
primeira entrevista exclusiva no cargo.
ISTOÉ – Qual é a sua ideologia?
Demian Fiocca – Sou social-democrata no sentido europeu, mais
Romano Prodi do que Silvio Berlusconi e mais José Zapatero do
que José Maria Aznar.
ISTOÉ – Pretende marcar sua gestão com alguma bandeira
ou fazer o feijão-com-arroz operacional?
Fiocca – Não vou criar bandeiras. O presidente Lula quer
continuidade. Já revisamos as políticas e cabe agora combinar
a boa gestão bancária com atuação ativa
no desenvolvimento. Em governos passados a visão técnica
era desvinculada do desenvolvimento.
ISTOÉ – O banco emprestou meio bilhão de
reais à Volkwagen, que em seguida anunciou seis mil demissões.
Fiocca – Reforçamos o comprometimento de longo prazo da
Volks no País. Os investimentos da empresa são de R$ 920
milhões. As demissões anunciadas foram pela queda de exportações
com a valorização do real. Reduções de pessoal
no programa que financiamos devem ser negociadas com os sindicatos e
submetidas ao BNDES.
ISTOÉ – As montadoras já não foram
privilegiadas demais pelo BNDES?
Fiocca – Não há razão para excluirmos um
setor. No governo passado, a variação do spread (juro
do banco, acima da TJLP) para executar políticas públicas
ia de 2,5% a 3% ao ano. O BNDES era mais banqueiro e menos agência
de fomento. Agora, o spread vai de zero a 3%. É menor para regiões
menos desenvolvidas e setores de maior impacto em emprego e infra-estrutura,
como a bioenergia. Para as montadoras, é de 2%. Para ferrovias
no Norte e Nordeste, é zero.
ISTOÉ – O BNDES aplica em São Paulo cinco
vezes mais que no Nordeste ou no Norte/Centro- Oeste. Não é
muita concentração?
Fiocca – Valeria o raciocínio se tivéssemos escassez
de recursos. Atendemos toda a demanda com critérios universais.
Reduzimos as taxas para regiões menos ricas, mas o volume depende
da demanda.
ISTOÉ – Há indício de que o BNDES
de Lula reduziu desigualdades sociais?
Fiocca – O governo tem várias políticas sociais
e a do BNDES pode não ser a mais direta. Os primeiros resultados
de nossos estudos mostram que, em quatro anos, o crescimento da renda
dos 50% mais pobres terá sido equivalente ao de 12 anos. Era
de 11,5% da renda nacional em 1990 e 13,2% em 2002. Será de 15%
em 2006. Há uma consistência neste governo em ser mais
social-democrata do que o anterior.
ISTOÉ – O BNDES ainda é hospital de empresas
malgeridas?
Fiocca – Não. Seria, se emprestasse e rolasse a dívida
até virar déficit público. Vamos ajudar a Varig
se houver um investidor em condições de captar, como foi
na venda da Varig Log e da VEM para a TAP. Financiamos US$ 40 milhões,
evitamos 6.200 demissões e a TAP já nos pagou. Um banco
público não deve lavar as mãos para o mercado.
Defendemos uma gestão social-democrata competente, não
o paternalismo ou o liberalismo.
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CONSULTOR JURÍDICO,
15 de maio de 2006
Prestação de contas
Mesmo sem vínculo, trabalhador
têm de pagar contribuição
Mesmo sem vínculo empregatício,
empregado e empregador precisam contribuir para o INSS. O entendimento
é da 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros
acolheram o recurso do INSS contra decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (São Paulo).
A Turma entendeu que apesar de ter sido
afastada a existência de vínculo, o relacionamento havido
entre as partes assumiu o formato de prestação de serviços,
de forma autônoma, atraindo a incidência de contribuição
social.
O TRT paulista decidiu que diante da
ausência de vínculo de emprego não cabe incidência
de contribuição, já que o acordo firmado em juízo
representa a livre manifestação das partes, com o objetivo
de colocar fim ao litígio.
No entanto, o ministro Alberto Bresciani
destacou que, embora a conciliação seja o objetivo do
Poder Judiciário, existem preceitos de ordem pública,
orientadores do convívio em sociedade, que não podem ser
objeto de livre deliberação entre as partes.
“Embora caiba aos litigantes o
juízo da oportunidade e da composição de acordo,
não poderão firmá-lo de maneira a eximir-se das
contribuições previdenciárias, segundo o contorno
da lei”, sustentou o relator.
O voto se baseou no artigo 195 da Constituição
Federal, que disciplina a forma de contribuição previdenciária.
O artigo prevê que a seguridade social será financiada
por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei,
mediante recursos provenientes dos orçamentos da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de contribuições
sociais do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na
forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos
do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à
pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo
empregatício.
RR-524/2000-012-02-00.8
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
15 de maio de 2006
Eleitor poderá consultar declaração
de bens de candidatos na internet, diz TSE
O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro
Marco Aurélio Mello, anunciou nesta sexta-feira (12/5) o sistema
pelo qual os partidos políticos ficarão obrigados a registrar
seus candidatos. A principal novidade do sistema CandEx é que
os eleitores poderão ter acesso a diversos dados dos candidatos,
como a declaração de bens.
Segundo a assessoria do TSE, todos os pedidos de registro
de candidatura devem ser acompanhados da declaração de
bens (seguindo a Lei 9504/97), além de outros dados obrigatórios
como nome completo, data de nascimento, grau de instrução,
número do título e ocupação. Eles devem
ser entregues pelos partidos à Justiça Eleitoral na forma
de disquete. Caso haja divergências nesses dados, o candidato
deverá apontar quais estão atualizados.
Quando o partido gravar os dados do candidato no disquete,
o sistema vai gerar um código de segurança, que será
conferido pela Justiça Eleitoral quando do pedido de registro.
Isso evitará possíveis alterações de dados
fornecidos pelos candidatos.
Apesar dos dados serem fornecidos por meio eletrônico,
o candidato também deverá entregar o pedido impresso no
ato do registro, bem como uma foto 5x7.
O anúncio foi feito foi feito em um encontro de
diretores-gerais, secretários judiciários e de informática
da Justiça Eleitoral.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
15/05/2006
Calçados Azaléia: férias
fracionadas serão pagas em dobro
O fracionamento dos 30 dias de férias
em vários períodos inferiores a dez dias descaracteriza
a finalidade para a qual foi criada – a de permitir o descanso
e a recomposição das energias do trabalhador. Nesse caso,
é cabível a condenação do empregador ao
pagamento das férias em dobro. Com base nessa interpretação,
a Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu
(rejeitou) um recurso de revista da Calçados Azaléia contra
decisão do Tribunal Regional da 4ª Região. A empresa
foi condenada ao pagamento em dobro das férias, acrescido do
abono de 1/3.
No julgamento do recurso ordinário,
o TRT concluiu que “as irregularidades constatadas não
acarretam apenas sanção administrativa, autorizando que
se considerem não concedidos os períodos de descanso anual".
Ao recorrer ao TST, a Azaléia
defendeu o cabimento das férias em dobro apenas quando forem
concedidas após o prazo estabelecido na CLT – nos 12 meses
subseqüentes à data de aquisição do direito.
Com relação ao abono, afirmava que, como este havia sido
pago junto com as férias, não existiria base legal para
determinar que fosse pago novamente. Alegou, ainda, que precisava fracionar
as férias de seus empregados “por uma questão de
mercado, pois é este que determina a produção da
empresa”.
O relator do recurso de revista, ministro
Barros Levenhagen, ressaltou que o artigo 134 da CLT prevê a concessão
de férias em um só período, abrindo a possibilidade
de fracionamento apenas em casos excepcionais, em períodos não
inferiores a dez dias corridos. Na origem da criação das
férias, ressalta o relator, “encontram-se fundamentos de
natureza biológica (combate aos problemas psicofisiológicos
decorrentes da fadiga e da excessiva racionalização do
serviço); de caráter social (possibilita o maior convívio
familiar social, prática de atividades recreativas, culturais
e físicas, essenciais à saúde física e mental
do indivíduo); e de natureza econômica (o combate à
fadiga resulta em maior quantidade e melhor qualidade de serviço,
uma vez que o trabalhador estressado tem seu rendimento comprometido).”
O ministro Levenhagen frisou que, na
redação do artigo 134 da CLT, “sobressai a preocupação
do legislador em evitar que esse objetivo se desvirtue, tanto pelo interesse
do empregador quanto pelo do empregado, que muitas vezes, inadvertidamente,
procura ‘negociar’ esse direito |