 |
Agência Diap, 16 de maio de 2006
Congresso:
Incertezas sobre a qualidade da renovação
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
Erros de avaliação, estratégias
equivocadas e desvios de conduta de alguns parlamentares causaram estragos
na imagem dos políticos e das instituições, particularmente
do Congresso Nacional, de conseqüências imprevisíveis
e de difícil mensuração. O sentimento predominante
é de que a atual composição do Congresso é
a pior que o Brasil já teve. Isto provocará uma grande
renovação, mas não há nenhuma garantia de
que será qualitativa.
O sentimento de revolta e indignação
presente na população é conseqüência
dos erros de avaliação de um restrito grupo de parlamentares
influentes do Congresso, mas principalmente do desvio de conduta de
alguns congressistas. Faltou liderança para evitar tamanho estrago
à imagem da instituição. Os principais erros e
desvios de conduta, em número de cinco, são os seguintes,
que foram se acumulando.
O primeiro foi a insistência na
PEC da reeleição das Mesas Diretoras da Câmara e
do Senado. O segundo a troca de votos no Parlamento por apoio financeiro
para pagamento de dívida de campanha ou para enriquecimento de
parlamentares. O terceiro foi a eleição de Severino Cavalcanti
para a presidência da Câmara, um deputado sem estatura para
ser chefe de poder. O quarto foi a absolvição generalizada,
sem critério, de parlamentares. O quinto foi o crime de utilizar
recursos destinados à saúde para fraude na compra de ambulâncias.
Esses episódios, que foram rapidamente
detectados e denunciados graças à liberdade de imprensa,
à transparência e agilidade de instituições
como a Controlaria Geral da União, o Ministério Público
e a Polícia Federal, projetaram um julgamento negativo do Congresso
como instituição, o que é negativo para a própria
democracia. Os parlamentares individualmente ou a natureza das decisões
que tomam coletivamente é que deve ser objeto de julgamento,
e não a instituição, que exerce três funções
fundamentais: i) representar a população, ii) legitimar
o exercício do poder e iii) assegurar a democracia.
A percepção de que o atual
Congresso é o pior da história não está
associada à qualidade das políticas públicas que
produziu nem a outros fatores inerentes às suas funções
de representar, legislar e fiscalizar a aplicação de recursos
públicos. Está vinculada à sensação
de paralisia decorrente da crise política e principalmente da
questão ética e da conduta reprovável, ilegal,
imoral e até criminosa de alguns parlamentares, como os já
citados em parágrafos anteriores.
O atual Congresso, sem fazer juízo
de valor, aprovou e incorporou ao ordenamento jurídico brasileiro
uma série de matérias e políticas públicas
que não podem ser desprezadas em razão da crise. Sem qualquer
juízo de valor, vêm à cabeça algumas matérias
aprovadas, como: i) Estatuto do Desarmamento, ii) Estatuto do Idoso,
iii) reforma tributária, iv) reforma da previdência e PEC
paralela, v) programa bolsa-família, vi) Lei de Biodisel, vii)
Prouni, viii) novo Código Civil, ix) Lei de Biossegurança,
x) nova Lei de Falência, xi) reforma do Judiciário, xii)
PPPs e consórcios públicos, xiii) PEC do sistema financeiro,
xiv) aumento real do salário mínimo e programa de microcrédito,
inclusive os empréstimos em consignação, xv) MP
do Bem, xvi) redução dos gastos de campanha, entre outras.
O grande problema da crise como a que
vive o atual Congresso é que as pessoas costumam generalizar,
colocando todo mundo no mesmo nível, como se fosse farinha do
mesmo saco, sem separar o joio do trigo, abrindo espaço para
todo tipo de vigaristas e oportunidades. Com isso, as pessoas sérias
e decentes findam sendo punidas e substituídas por inescrupulosos
sem que tenham absolutamente nenhuma culpa.
O eleitor, neste pleito de 2006, terá
que votar com muita tranqüilidade e consciência, para rechaçar
os desqualificados que desonraram seus mandatos e substituí-los
por pessoas com trajetórias limpas, sem cair na alienação
do voto branco ou nulo. Anular o voto, em geral, além de não
punir os maus políticos, costuma prejudicar os bons, tanto os
com mandatos quanto os que colocam seu nome à disposição
dos partidos para exercer com dignidade um mandato parlamentar.
A mudança é necessária,
mas há de ser qualitativa, com a substituição dos
inescrupulosos, desonestos e corruptos por pessoas compromissadas com
a ética, com o interesse público e o sentido republicano.
Para tanto, o eleitor terá que refletir melhor e fazer um esforço
adicional, recorrendo as entidades da sociedade civil, como os sindicatos,
a OAB, a CNBB, a FENAJ e outras instituições de credibilidade,
para identificar pessoas com trajetórias limpas e comprometidas
com um país mais justo. Antônio
Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e Diretor
de Documentação do DIAP – Departamento Intersindical
de Assessoria Parlamentar.
|
CFT/PR, 16 de maio de 2006
Grande mobilização no
dia da sanção da lei do piso regional
Nesta terça-feira dia 16 às 14h na Assembléia
Legislativa do Estado do Paraná, o Governador Roberto Requião
sancionará a Lei que instituí o Piso Regional no valor
de R$ 427,00 até R$ 437,80, vetando o parágrafo que
poderia ser o motivo para ADI do setor empresarial. Todas as Entidades
estão convidadas para participar do ato na ALEP, demonstrando
assim a gratidão aos parlamentares que aprovaram a proposta.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de maio de 2006 | Política
MÍNIMO REGIONAL
Requião leva “platéia”
para sancionar lei
O governador Roberto Requião pretende levar uma comitiva para
acompanhar a sanção do projeto de lei que cria o salário
mínimo regional. Foram convidadas cinco centrais sindicais –
CUT, Força Sindical, CGT, NCST e SDS –, o Dieese, a Delegacia
Regional do Trabalho e representantes do movimento popular para acompanhar
a assinatura do projeto, que ocorre hoje, às 14h30, na Assembléia
Legislativa. O piso mínimo de R$ 427 vai valer para trabalhadores
de categorias que não têm acordos coletivos.
Além da sanção
do mínimo, está na pauta do Legistativo hoje a segunda
votação do projeto do governo que fixa em R$ 580 a menor
remuneração dos servidores do quadro geral do estado.
Ontem os deputados aprovaram por unanimidade, em primeira discussão,
a mensagem, que está tramitando em regime de urgência.
Com a nova faixa salarial, a estimativa do governo é de que o
menor salário mínimo dos servidores será 24,6%
maior que dos trabalhadores da iniciativa privada e 39,6% superior ao
piso mínimo nacional estabelecido pelo governo federal. Só
terão direito ao piso complementar, no entanto, os ocupantes
de cargos com jornada diária de oito horas ou de 40 horas semanais.
Os únicos servidores com vencimentos inferiores ao previsto na
proposta estão no quadro do Instituto Agronômico do Paraná
(Iapar).
|
Folha de São Paulo,
16 de maio de 2006
HORA DAS CONCLUSÕES
Antonio Fernando de Souza afirma que não há referências
contra o presidente e que Ministério Público não
servirá a interesses partidários
Procurador-geral diz que Lula não
estará no inquérito do mensalão
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O procurador-geral da República,
Antonio Fernando de Souza, disse ontem que manterá o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva excluído do inquérito
criminal do mensalão por falta de indícios contra ele,
afirmou que quem acusa Lula "está fazendo uma leitura política"
e anunciou que o Ministério Público não servirá
a interesses partidários. "São quilos de documentos
e montanhas de depoimentos, mas não há nenhuma referência
a ele", disse. "Quem investiga tem de ter pelo menos uma referência.
Você não pode inventar. Eu tenho de ter muito cuidado porque
o Ministério Público não tem interesse partidário
nem político."
Souza afirmou que tem feito esse alerta
a deputados e senadores que o procuram para pedir a adoção
de providências no inquérito criminal do mensalão,
que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal), sob o seu comando. "Quando
os parlamentares vão lá [na sede da Procuradoria Geral],
eu digo que não vão ter uma solução política
dentro do Ministério Publico. Também não se pode
resolver a questão política no STF. Solução
política é no Congresso ou então na urna."
Apuração sobre suspeita
de crime contra deputados, ministros e o presidente da República
depende de iniciativa do procurador-geral e tramita no STF, em razão
do foro privilegiado. Sobre a decisão da OAB (Ordem dos Advogados
do Brasil), na semana passada, de pedir o aprofundamento das investigações
em relação ao presidente Lula, Souza respondeu: "Eles
teriam de me trazer fatos novos". Souza disse que quem avaliar
os fatos contidos no inquérito do mensalão duvidará
da participação de Lula. Segundo ele, não há
depoimentos ou documentos que confirmem a afirmação do
ex-deputado Roberto Jefferson de que Lula fora avisado sobre a compra
de apoio de deputados aliados.
O procurador-geral esclareceu que o termo
"organização criminosa", que ele usou na denúncia
criminal contra 40 pessoas envolvidas no mensalão, não
é relativa a nenhum partido político, em referência
indireta ao PT. "Muitas pessoas podem fazer ilações
com o que está afirmado na minha denúncia [ao STF contra
40 pessoas], mas ela não se refere a nenhum partido como organização
criminosa. Ela se refere a pessoas determinadas, que desviam de sua
conduta, como existe em qualquer instituição. Tem na igreja,
até em organizações privadas", afirmou. O
procurador-geral disse que essa expressão é apenas um
"termo técnico". "Não quer dizer que é
uma organização que esteja penetrada por todo o Estado."
Contas no exterior
Souza anunciou também que pedirá
hoje ao STF que ordene à Polícia Federal a realização
de novas diligências para aprofundar as investigações
em relação a deputados sobre os quais ainda pairam dúvidas.
O procurador-geral disse já ter informações suficientes
sobre a inocência de pelo menos parte dos assessores diretos de
Lula citados em reportagem da "Veja" como titulares de contas
bancárias em paraísos fiscais, entre os quais o ministro
da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. "O Márcio
já me demonstrou que o dinheiro que ele tinha saiu regulamente
do país e retornou regularmente. Quando a pessoa declara no Imposto
de Renda que tem recurso no exterior e se refere àquele recurso,
o que eu posso fazer? Está regular.
Essas coisas chegam aos montes, mas eu
não embarco em qualquer uma." Ele afirmou que ainda não
decidiu se pedirá ou não ao STF a abertura de inquérito
criminal contra deputados e senadores suspeitos de envolvimento no esquema
de desvio de verbas orçamentárias na compra de ambulância,
sob investigação na Operação Sanguessuga.
|
Folha de São Paulo,
16 de maio de 2006
TENSÃO ENTRE VIZINHOS
Boliviano sofre boicote de partidos de direita em pronunciamento feito
ao Parlamento Europeu
Evo agora rejeita indenização
à Petrobras
O presidente boliviano, Evo Morales, fala ao
Parlamento Europeu, esvaziado por protesto da direita contra plano de
nacionalização
CLÓVIS ROSSI
ENVIADO ESPECIAL A ESTRASBURGO
O presidente boliviano, Evo Morales,
deixou ontem definitivamente claro que seu governo não vai indenizar
a Petrobras pelos investimentos feitos no país vizinho, mas poderá
fazê-lo em relação às instalações
da estatal brasileira, na dependência dos resultados de uma auditoria
já em andamento. As afirmações de Morales sobre
a indenização percorreram uma caminho tortuoso nos últimos
quatro dias. Começou em Viena (Áustria), na quinta-feira,
dizendo que não pagaria indenização às empresas
petrolíferas que já tivessem lucrado na Bolívia
o suficiente para compensar tanto investimentos quanto gastos com instalações.
Ontem, em pronunciamento ao Parlamento
Europeu em Estrasburgo (França), disse o contrário: "Qualquer
empresa tem todo o direito de recuperar seus investimentos e [os gastos
com] instalações". Por fim, em entrevista coletiva,
pouco depois, a Folha quis saber qual das duas afirmações
valia. Morales começou dizendo que tudo dependeria do resultado
de auditorias já em andamento. Em seguida, afirmou que esse levantamento
havia apontado que, "nos megacampos, de San Alberto e Margarita,
o investimento já foi recuperado".
São justamente campos da Petrobras,
que, por isso, só teria direito a compensação pelas
instalações. Assim mesmo na dependência da conclusão
das auditorias. A visita de Morales ao Parlamento Europeu foi, acima
de tudo, uma operação para tranqüilizar a Europa
política e, por meio dela, os investidores europeus, sobre as
intenções do novo governo boliviano. O presidente acoplou
a um discurso moderado, no qual chegou a afirmar que nada tem contra
a empresa privada, a falta de menções aos dois demônios
do empresariado na América Latina (Hugo Chávez, da Venezuela,
e Fidel Castro, de Cuba), ao menos no pronunciamento em plenário.
Elas seriam feitas, depois, tanto na
coletiva como no debate com a Comissão de Relações
Exteriores do Parlamento. A operação tranqüilizadora
esbarrou, no entanto, nos fatos: quando Morales já falava à
Comissão, bateu em Estrasburgo a informação de
que seu governo estava dando três dias de prazo para que o banco
espanhol BBVA e a seguradora suíça Zurich entregassem
de graça ao Estado as ações que gerenciam em fundo
coletivo de investimentos, aplicados nas empresas petrolíferas
agora nacionalizadas (não é o caso da Petrobras).
Um deputado espanhol perguntou sobre
o tema ao presidente, que disse que não se tratava, contra todas
as aparências, de expropriação ou apropriação
de ativos. Mas, para chegar a essa conclusão, é preciso
seguir o raciocínio de Morales, que é mais político
que de lógica econômica capitalista. Para ele, os fundos
de investimentos usaram "dinheiro do trabalhador boliviano"
sem entrarem com aporte de capital novo. Logo, ao exigir a devolução
ao Estado, não está expropriando recursos privados, mas
retornando ao Estado o dinheiro do trabalhador da Bolívia.
Morales repetiu em Estrasburgo todo o
discurso feito em Viena, mas na segunda e moderada fase de sua estada
na capital austríaca, sem os ataques a Petrobras e ao Brasil.
Voltou inclusive à tese de que "alguns meios de comunicação"
querem colocá-lo em confronto com o "companheiro" Lula.
O discurso colou, ao menos na metade do público, a metade de
esquerda, que aplaudiu bastante o presidente da Bolívia ao término
de sua fala. Na Comissão de Relações Exteriores,
houve até promessas de apoio, além de demonstrações
de compreensão para com as posições do presidente
da Bolívia.
Mas em nítida evidência
de como suas políticas polarizam o mundo político, a direita
reagiu exatamente ao contrário. Primeiro, o grupo Popular Europeu
(conservadores e democrata-cristão) apresentou proposta para
que fosse anulado o convite a Morales. Perdeu. Depois, nova proposta
para que o Parlamento declarasse que a nacionalização
dos recursos naturais viola os direitos humanos. Não passou de
novo. Talvez por isso, o grupo Popular abandonou o plenário,
antes que Morales começasse a falar, diminuindo o quorum, até
então de 224 deputados (no total são 732).
O abandono da sala é tão
inusitado que, na coletiva, o presidente do Parlamento, o socialista
espanhol Josep Borrell, teve que responder se era o "momento mais
penoso" de sua gestão. Disse que não. Lamentava o
comportamento, mas "cada deputado é dono de suas atitudes".
Já Morales, na Comissão, foi ao ataque, dizendo que a
ausência demonstrava "desprezo" e era até uma
"tentativa de humilhação". Cobrado, ainda na
coletiva, o presidente da Bolívia não deu detalhes da
iminente reforma agrária (que preferiu batizar de "revolução").
Apenas repetiu o que dissera em Viena: terras produtivas não
seriam atingidas, mesmo que tivessem 2.000 ou 3.000 hectares.
|
Folha de São Paulo,
16 de maio de 2006
TRABALHO
960 vagas de São José dos Campos iriam para a fábrica
de Gravataí (RS)
General Motors pode levar empregos de
SP para o Sul
DO "AGORA"
A crise no setor automobilístico
vai custar mais empregos nas montadoras. Desta vez, a General Motors
do Brasil decidiu cortar 960 empregos de sua fábrica em São
José dos Campos (a 91 km da capital paulista). A montadora tem
um "plano de otimização" que deve transferir
postos de trabalho para a fábrica de Gravataí, no Rio
Grande do Sul. Das 960 demissões, 150 serão de funcionários
temporários da empresa. Os cortes devem começar em agosto
próximo.
O Sindicato dos Metalúrgicos de
São José dos Campos e Região já se posicionou
contra as demissões. Na tarde de ontem, representantes dos trabalhadores
e da GM tiveram uma reunião para tentar resolver o impasse. "Nós
vamos nos organizar para uma mobilização e resistir às
demissões", afirmou o tesoureiro-geral do sindicato, Vivaldo
Moreira Araújo. O sindicalista diz que já está
marcada uma assembléia para hoje de manhã para tentar
enfrentar os cortes.
Segundo comunicado da empresa, o objetivo
é "reduzir significativamente os volumes de produção
para exportação". Ainda de acordo com o comunicado,
o plano terá um "saldo positivo de 310 empregos", já
que a GM pretende contratar 970 funcionários no Rio Grande do
Sul e mais 300 engenheiros e designers para a fábrica de São
Caetano do Sul (ABC). A fábrica da GM em São José
dos Campos foi inaugurada em 1959. Emprega 9.700 funcionários
e produz as linhas de automóveis Corsa, Meriva, picapes S10 e
Montana, Blazer e Zafira. O plano da montadora prevê a redução
de um turno na produção da linha Corsa e também
de um turno da linha de embalagens para componentes de exportação.
Mais cortes
A GM não é a primeira montadora
a passar por reestruturação neste ano. A Volkswagen do
Brasil já anunciou, no dia 3, que pretende reduzir, até
2008, em 25% os custos de produção em suas cinco fábricas
brasileiras. Segundo os representantes dos trabalhadores da Volks, o
plano deve provocar 5.773 demissões em três unidades, duas
em São Paulo e uma no Paraná. A empresa nega os números.
Segundo o presidente da Volks do Brasil, Hans-Christian Maergner, a
sede da montadora, na Alemanha, recomendou o fechamento de uma das fábricas
brasileiras, sem apontar qual delas.
|
Folha de São Paulo,
16 de maio de 2006
Indústrias de calçados cogitam
demitir 25 mil
LÉO GERCHMANN
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
O setor calçadista, que reclama
modificações na política cambial, constatou queda
de 8% nos embarques nos primeiros quatro meses deste ano em relação
ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Abicalçados
(reúne as indústrias de calçados). A previsão
da entidade é que, se nos próximos meses continuarem as
reduções das vendas ao exterior, podem ocorrer 25 mil
novas demissões. Em 2005, segundo dados da Abicalçados,
mais de 20 mil pessoas foram demitidas nas empresas do setor.
Foram enviados ao exterior, de
janeiro a abril deste ano, 70,4 milhões de pares de calçados.
No mesmo período do ano passado foram exportados 76,2 milhões
de pares. O faturamento do setor foi de US$ 626,3 milhões nos
primeiros quatro meses deste ano, contra US$ 626,1 milhões entre
janeiro e abril de 2005.
|
O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 16 de maio de 2006 | Economia
Emprego industrial cai 1% no primeiro
trimestre
Tomando como base o trimestre imediatamente
anterior, a queda foi de 0,4%
SÃO PAULO - Apesar dos resultados
da produção industrial assinalarem uma tendência
de alta no início de 2006, os dados da geração
de empregos no setor, divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que nos três
primeiros meses deste ano o total de pessoal empregado teve recuo de
1%, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Tomando como base o trimestre imediatamente anterior, a queda foi de
0,4%. Apesar dos indícios de queda, o indicador acumulado nos
últimos 12 meses ficou positivo em 0,2%.
Segundo o IBGE, a perda de dinamismo
observada na passagem do quarto trimestre de 2005 - quando a queda foi
de 0,8% na comparação com o mesmo período do ano
passado - para o primeiro deste ano atingiu 11 dos 14 locais pesquisados.
O Estado onde o recuo foi mais sentido foi Pernambuco, que, na mesma
base de comparação, a queda passou de 0,3% para retração
de 1,9%.
Por atividade, dez tiveram diminuição
no pessoal empregado. O destaque ficou para o setor de Máquinas
e equipamentos, que passou de recuo de 4,5% nos trabalhadores para queda
de 8,4%. O grupo de Produtos de metal também teve desaquecimento.No
último trimestre de 2005 havia tido um aumento de 4% no total
de funcionários, ao passo que, nos três primeiros meses
de 2006, contratou 0,4% a mais.
Primeiro trimestre x primeiro trimestre
Na comparação com o mesmo
período do ano passado, nove locais e 11 ramos reduziram o contingente
de trabalhadores. Em nível nacional, as principais contribuições
negativas vieram de calçados e artigos de couro, com queda de
14%; e máquinas e equipamentos, com -8,4%.
Regionalmente, Rio Grande do Sul, com
queda de 9,2%; e região Nordeste, com diminuição
de 3,1%; exerceram as principais pressões negativas.
Por outro lado, a região Norte
e Centro-Oeste, com expansão de 8,1%; e Minas Gerais, com aumento
de 2,4% no total de empregados, figuraram como as principais influências
positivas no resultado anual entre os locais. Alimentos e bebidas, por
sua vez, com expansão de 8,3% no total de pessoal ocupado, teve
o melhor resultado no que diz respeito a setores.
Março
O resultado de março não
foi diferente do anunciado pelas comparações do trimestre.
Segundo o IBGE, a queda foi de 0,9%, tomando como base o mesmo período
do ano passado. A queda foi um resultado de demissões em nova
dos 14 locais e 10 dos 18 segmentos pesquisados.
Os principais impactos negativos ficaram
a cargo de Rio Grande do Sul, com queda de 9%; região Nordeste,
com retração de 3%; e Paraná, com diminuição
de 3,4% no total de empregados.
Em contraste, a região que compreende
o Norte e o Centro-Oeste, com 7,6%; e o Estado de Minas Gerais, com
avanço de 3,1%; representaram os principais impactos positivos,
beneficiados, sobretudo, pelo grupo de Alimentos e bebidas, com alta
de 17,3% e 16,9%, respectivamente.
Em termos setoriais, no total do país,
as principais contribuições negativas vieram das indústrias
de Calçados e artigos de couro, com queda de 12,9%; Máquinas
e equipamentos, com retração de 8,2%; e madeira, com -13,9%.
Horas pagas
O indicador de horas pagas acumulado
no primeiro trimestre, em relação a igual período
do ano passado, recuou 0,4%. Houve queda em 10 dos 18 setores industriais
e em nove dos 14 locais pesquisados.
Regionalmente, a maior influência
negativa veio do Rio Grande do Sul, com queda de 8,3%; Paraná,
com -5,7%; região Nordeste, com -3,5%; e Santa Catarina, com
-4,4%.
Analisando apenas março, o número
de horas pagas aos trabalhadores da indústria, na série
com ajuste sazonal, teve diminuição de 1,8%, em relação
a fevereiro, após crescer 1,9% no mês anterior.
Folha de pagamento
Ainda, segundo o IBGE, apesar de pagar
melhor seus funcionários no primeiro trimestre deste ano, tomando
como base o mesmo período do ano anterior, a trajetória
de alta na folha de pagamento diminui desde o terceiro trimestre do
ano passado, quando a alta foi de 3,8%. No último período
de 2005 a alta havia sido de 1,55, ao passo que, de janeiro a março
deste ano, o incremento foi de 0,5%.
Em março, além da
diminuição no total de empregados, a indústria
também reduziu sua folha de pagamento em 2%, após avançar
7,9% nos dois meses anteriores, já descontadas as influências
sazonais. Em relação ao mesmo período do ano passado,
a folha de pagamento real recuou 0,8%.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de maio de 2006 | Mundo
CERCO A CARACAS-Chávez não ajuda
na luta contra o terror, diz Washington
EUA proíbem venda de armas
para a Venezuela
Washington – Os Estados Unidos proibiram ontem a venda de armas
e material militar à Venezuela, ao considerar que o país
não coopera na luta contra o terrorismo. O presidente Hugo Chávez
chamou a atitude de “imperialista”. Nos cinco primeiros
anos do governo Chávez (iniciado em 1999), os venezuelanos gastaram
US$ 78,3 milhões com a compra de armas leves, munições
e componentes de indústrias norte-americanas.
O porta-voz do Departamento de Estado,
Sean McCormack, disse que está convencido de que o governo venezuelano
“ganhou honestamente seu lugar entre os países que não
cooperam na luta antiterrorista”. Ele denunciou as relações
da Venezuela com países como Irã e Cuba, “que apóiam
o terrorismo e compartilham informações de inteligência”.
Essa é a atitude mais drástica dos Estados Unidos contra
a Venezuela, depois de anos de críticas duras dos dois lados.
Ambos os países têm um importante comércio. A Venezuela
é o quarto maior fornecedor de petróleo dos Estados Unidos
– cerca de 80% do petróleo venezuelano é vendido
para os norte-americanos.
De Londres, Chávez reagiu e considerou
a decisão dos Estados Unidos como “uma manifestação
da política do império contra países pequenos da
Terra”. Mas se apressou a dizer que não suspenderia as
exportações de petróleo aos Estados Unidos. “Eu
tenho consciência da minha responsabilidade”, afirmou o
presidente venezuelano.
“Suspender o fornecimento seria
uma loucura, elevaria o preço do barril de petróleo a
US$ 100.”
Em janeiro, os Estados Unidos impediram
que Brasil e Espanha vendessem à Venezuela armas e material militar
que dependem de tecnologia americana. Washington negou ao governo espanhol
a licença para vender 12 aviões militares com componentes
norte-americanos à Venezuela. A explicação foi
que o governo Chávez “contribuía para a instabilidade
regional”.
Ao mesmo tempo, alertaram ao Brasil sobre
o problema de vender 36 aviões da Embraer, que também
precisam da tecnologia norte-americana. Mas não conseguiram impedir
a venda de 100 mil fuzis Kalashnikov russos.
Nos últimos meses, as críticas
norte-americanas vinham diminuindo. A secretária de Estado, Condoleezza
Rice, fracassou ao pedir aos países latino-americanas que ajudassem
a criar uma frente anti-Chávez. Rice havia dito que a Venezuela
era “o maior problema da região”. Não foi
ouvida.
A Venezuela teria se tornado intermediário
de armas. Na Bolívia, o candidato à Assembléia
Constituinte Jesús Marcos López pediu explicações
ao governo sobre a suposta compra de 30 mil armas de Caracas, supostamente
adquiridas para uma organização paramilitar.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 16
de maio de 2006 | Mundo
LONDRES
Combustível com desconto
Londres – O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou
ontem que seu país, quinto produtor mundial de petróleo,
fornecerá combustível barato aos pobres da capital britânica.
Ele disse que deu instruções para que duas refinarias
britânicas com participação da PDVSA (estatal venezuelana)
vendam petróleo mais barato aos mais desfavorecidos de Londres.
O governo de Londres disse que o desconto será bem-vindo.
|
O ESTADO DO PARANÁ,
16 de maio de 2006
Cooperativas de trabalho: é a
hora
Opinião Pública
Daniel Augusto Maddalena
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou
ao Congresso Nacional o anteprojeto de Lei das Cooperativas de Trabalho.
A decisão chega em boa hora, embora pese o fato de ter sido tomada
às vésperas da eleição, o que imprime à
iniciativa um certo ar eleitoreiro. Afinal, esse modelo de trabalho
autogerido necessitava, há muito, ser efetivamente regulamentado.
A íntegra do texto da proposta traz algumas medidas polêmicas.
Entre elas, uma idéia centralizadora - imperativa desse governo
- em relação à supressão de uma garantia
constitucional das sociedades cooperativas, com uma tentativa velada
de controle das mesmas. Tirar a autonomia das cooperativas e deixá-las
sob a égide do Ministério do Trabalho é, no mínimo,
um passo retrógrado ou ‘cheira’ a uma conspiração
sindical que quer ter acesso às mesmas, quiçá para
angariar mais contribuições.
Fato é que, com o advento de uma legislação que
regulamente o setor, muita gente terá prejuízo, principalmente
aqueles cooperativistas de plantão que entendiam e operavam o
sistema no “vai-da-valsa”. A falta de regulamentação
dava margem para se manipular o modelo de acordo com o interesse de
alguns poucos clientes e dirigentes. Ponto positivo para a proposta,
que também firma a necessidade de autogestão do modelo,
o que abre espaço para que sejam desenvolvidas estratégias
de competitividade e, por conseqüência, se inicie um processo
de “seleção natural” das cooperativas.
O cenário pintado com o anteprojeto revela uma preocupação
ainda maior com os profissionais que irão operar e gerir o sistema.
Para as cooperativas sérias, se faz presente desde já
a necessidade de busca de profissionalização através
de consultorias, da administração, de serviços
de apoio e suporte, além de especialização jurídica.
As que nada fizerem em prol de seus cooperados e, menos ainda, a favor
da mantença de um contrato salubre com seus clientes deixarão
de existir.
O espaço se abre frente a esse novo paradigma. As cooperativas
de trabalho precisam saber aproveitar a proposta para que, como o marco
de uma nova era que se inicia para tais sociedades, seja ele respeitado
e operado, servindo como a consolidação de um modelo que
o corporativismo sindicalista e das empresas de mão-de-obra combateram
com fúria avassaladora durante anos.
A proposta de lei traz novo alento à iniciativa de milhares de
trabalhadores que, cansados de esperar - e nunca receber - o prometido
“emprego de carteira assinada”, tomaram em suas mãos
os seus destinos e buscaram, com o amparo da nossa Constituição,
das propostas da OIT e de tantas oportunidades que o mercado lhes reserva,
os resultados do sustento de suas famílias através do
trabalho digno, honrado e cooperado.
É preciso observar como os agentes se comportarão frente
a essa proposta, antes de tirar qualquer tipo de conclusão. De
momento, cabe dizer: “Antes tarde do que nunca”. Qualquer
que seja a iniciativa, é iniciativa. Que apodreçam na
mesmice aqueles que não querem alterar o status quo. Isso incomoda
alguns, mas com certeza beneficia muitos. O que importa é que
o modelo de trabalho associado via cooperativas seja definitivamente
abraçado pela sociedade brasileira como um avanço importante
na história do País. O processo de profissionalismo do
setor parece, enfim, ter começado.
Daniel Augusto Maddalena é consultor
especializado em cooperativismo.
|
O ESTADO DO PARANÁ, 16 de maio de 2006
30% dos trabalhadores são terceirizados
Cintia Végas
Atualmente, um terço da população trabalhadora
do Brasil presta serviços terceirizados. No Paraná, do
total de empregos gerados, 30% são terceirizados. Atualmente,
são cerca de 920 mil trabalhadores que atuam como terceiros no
Estado, estando ligados a 1,6 mil empresas. Destes, 280 mil estão
em Curitiba e municípios da Região Metropolitana, onde
existem aproximadamente setecentas empresas formais prestadoras de serviços
terceirizados.
Os dados foram divulgados ontem, durante o 2.º Fórum da
Terceirização do Paraná, realizado em Curitiba
e organizado pela Câmara Técnica de Regulação
dos Serviços Terceirizados. O evento teve como objetivo esclarecer
os empresários sobre as vantagens da terceirização
de serviços e orientá-los sobre como contratar prestadores
idôneos que ofereçam qualidade e o suporte técnico
necessário.
“O setor de terceirizações já está
consolidado e existe para facilitar a vida das empresas contratantes.
Quando uma empresa opta em terceirizar, determinados serviços,
como por exemplo de limpeza e informática, ela passa a ter um
tempo maior para focar seus esforços em seu próprio negócio,
transferindo algumas responsabilidades”, comenta o diretor da
Câmara Setorial das Empresas de Recursos Humanos e diretor de
uma empresa de terceirização na área de RH, Luiz
Mauro Lebelem.
Na opinião do presidente do Sindicato das Empresas de Serviços
Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícia, Informações
e Pesquisas no Estado do Paraná, Mário Elmir Berti, para
o trabalhador é vantajoso ser funcionário de empresa terceirizada
porque a empresa contratante acaba exercendo fiscalização
paralela ao Ministério do Trabalho ao exigir que a prestadora
de serviços esteja em dia com suas funções trabalhistas.
Para a própria contratante, é vantajoso o fato de os vínculos
trabalhistas estarem ligados a terceirizadora, embora exista corresponsabilidade.
“Para evitar as conseqüências da corresponsabilidade,
é importante justamente que a empresa contratante verifique se
a empresa terceirizada está legalizada, bem estruturada, possui
referência e tem um histórico de atuação”,
diz Mário. “Infelizmente, existem empresas terceirizadas
oriundas de outras regiões, que não possuem vínculos
com a cidade onde atuam, oferecem preços abaixo dos valores de
mercado e não são honestas com seus trabalhadores, deixando
de recolher INSS e FGTS. Isto acaba denegrindo a imagem do setor”,
finaliza.
|
JORNAL VALOR ONLINE, 16
de maio de 2006
Valor da folha de pagamento da indústria
decresce 2% em março
RIO - O valor real da folha de pagamento
da indústria nacional cedeu 2% em março depois de dois
meses com resultados positivos. Em relação ao terceiro
mês de 2005, houve decréscimo de 0,8%.
No acumulado dos últimos 12 meses,
registrou-se alta de 2,5%.Os números foram apresentados há
pouco pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE)
na Pesquisa Industrial Mensal de Empregos e Salários.
No acumulado do primeiro trimestre, o
valor da folha de pagamento real apresentou expansão de 0,5%.
De acordo com o instituto, no confronto
de março último com mesmo mês de 2005, o recuo de
0,8% na folha de pagamento real foi justificado pela redução
do salário em nove dos 14 locais pesquisados, com destaque para
o Rio Grande do Sul (-10,2%), onde o principal ramo que influenciou
negativamente o valor da folha foi o de calçados e artigos de
couro (-26,7%).
No Paraná, a queda da massa salarial
chegou a 9% e, em Minas Gerais, alcançou 5,7%.
Na mesma base de comparação,
11 dos 18 segmentos industriais pesquisados no país mostraram
queda real na folha de pagamento, sendo que as baixas mais expressivas
ficaram com máquinas e equipamentos (-11,7%), calçados
e artigos de couro (-15,7%) e madeira (-15,8%).
Em sentido oposto, os principais
impactos positivos foram observados em produtos químicos (12%)
e máquinas e aparelhos eletroeletrônicas e de comunicações
(14,6%), seguido por meios de transportes (8,1%).
|
O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 16 de maio de 2006 | Economia
Portaria do INSS proíbe cobrança
da tarifa para aposentados
Bancos não poderão mais cobrar
a Taxa de Abertura de Crédito (TAC) nas novas operações
Vânia Cristino
BRASÍLIA - Os bancos que operam
com o empréstimo com desconto em folha para aposentados e pensionistas
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não poderão
mais cobrar a Taxa de Abertura de Crédito (TAC) nas novas operações.
Instrução normativa do INSS proibindo a cobrança
foi publicada hoje no Diário Oficial em cumprimento à
decisão do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS).
O Conselho decidiu pela proibição depois de receber solicitação
nesse sentido por parte dos representantes dos aposentados.
De acordo com o INSS, os bancos são
obrigados a cumprir a decisão. A instituição que
insistir na cobrança da taxa pode ser punida com a suspensão
provisória das operações ou até mesmo com
o descredenciamento. Só em abril, segundo dados da Previdência
Social, os empréstimos com desconto em folha movimentaram R$
470,7 milhões. No mês, foram realizadas 332,2 mil novas
operações, com 160,8 mil segurados.
Os valores acumulados desde que
essa modalidade de crédito passou a ser oferecida pelos bancos,
em maio de 2004, atingiram em abril último R$ 13,7 bilhões,
registrando um crescimento de 3,54% sobre março, quando o acumulado
era de R$ 13,3 bilhões. No empréstimo com desconto em
folha o segurado não pode comprometer mais do que 30% do valor
do seu benefício com o pagamento mensal da parcela do financiamento.
|
INFOMONEY, 16 de maio de
2006 | Economia
Saiba mais sobre a Pesquisa Industrial
Mensal de Emprego e Salário do IBGE
SÃO PAULO - Diante da impossibilidade
de prever o futuro, resta aos agentes econômicos tomarem decisões
de investimentos, produção e consumo baseados apenas em
suas expectativas acerca do que deverá acontecer com a economia
do País e do mundo. Contudo, estas expectativas não se
formam aleatoriamente e quanto maior a quantidade de informação
disponível, maior será a capacidade dos agentes de projetarem
resultados futuros.
Neste sentido, diversas instituições
e órgãos ligados ao governo realizam inúmeras pesquisas
sobre vários segmentos da economia. Em linha com esta necessidade,
o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - um
dos principais órgãos do governo na elaboração
de pesquisas econômicas, responsável inclusive pela mensuração
do PIB (Produto Interno Bruto), divulga mensalmente, entre outros indicadores,
a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (PIMES).
Um quadro do emprego e do salário
A pesquisa fornece indicadores de curto
prazo referentes ao comportamento do emprego e dos salários do
setor industrial, bem como informações sobre pessoal ocupado
assalariado, admissões, desligamentos, número de horas
pagas e valor da folha de pagamentos, tanto em termos nominais, ou seja,
valores correntes, quanto em termos reais, deflacionados pelo Índice
Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Ao apresentar, tanto numa perspectiva
nacional como regional, a evolução, no curto prazo, de
algumas variáveis relacionadas ao mercado de trabalho industrial,
a pesquisa permite aos agentes realizarem inferências acerca da
economia, já que o nível de emprego e renda tem impacto
direto sobre consumo, que por sua vez, podem estimular ou desestimular
a produção e, conseqüentemente, os investimentos.
Além de abranger 18 segmentos
industriais, a pesquisa é realizada nos Estados do Ceará,
Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São
Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nas Regiões
Norte, Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Região Sul.
Dados são preliminares
A amostra da pesquisa tem como referência
informações do Cadastro Central de Empresas do IBGE (CEMPRE)
e considera empresas que estão dedicadas principalmente à
produção industrial, que apresentam pelo menos cinco pessoas
ocupadas assalariadas. Ademais, a investigação é
realizada em cerca de 5.500 plantas industriais.
Entretanto, é importante destacar
que os índices apresentados na pesquisa são preliminares
estando, portanto, sujeitos à retificação caso
algum participante da pesquisa alterar seus dados históricos
de maneira que possa influenciar os índices divulgados.
Pesquisa teve início em 1968
A série atual da PIMES teve início
em dezembro de 2000 e, além dos indicadores publicados serem
comparados ao índice do mesmo mês do ano anterior, há
também a divulgação de dados acumulados desde janeiro
de cada ano comparados ao mesmo período do ano anterior, e a
comparação de índices acumulados nos 12 meses com
os 12 meses imediatamente anteriores.
Vale lembrar que para as variáveis
pessoal ocupado assalariado, número de horas pagas e valor da
folha de pagamento real, em nível nacional, para os segmentos
da indústria geral, indústrias extrativas e indústrias
de transformação, divulga-se também a comparação
com o mês imediatamente anterior com ajuste sazonal.
De acordo com o IBGE, a pesquisa teve
início em 1968 e na ocasião era denominada Pesquisa Industrial
Mensal - Dados Gerais, até que em 1997 passou a ser chamada Pesquisa
Industrial Mensal - Emprego, Salários e Valor da Produção.
Porém, a partir de 2001 a pesquisa foi reformulada e deixou de
levantar informações referentes ao valor da produção
industrial, quando recebeu a denominação que carrega até
hoje.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
16 de maio de 2006
Questão de competência
Justiça do Trabalho julga ação
contra fundo de pensão
A Justiça do Trabalho é
competente para processar a julgar reclamação trabalhista
de ex-funcionário que pede a complementação de
sua aposentadoria junto à Sistel e à Brasil Telecom. A
decisão é da 6ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho.
O caso foi relatora pelo ministro Horácio Senna Pires.
O aposentado alegou que desde a sua admissão
descontou do salário contribuição em favor da Sistel.
Quando foi desligado da empresa, optou pela restituição,
não paga integralmente. Ele entrou com ação, mas
o Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina)
declarou a incompetência da Justiça Trabalhista para apreciar
o processo.
No entanto, a 6ª Turma entendeu
que não há distinção entre a empresa contratante
e a Fundação Sistel, pois a primeira é mantenedora
da fundação de previdência privada, sendo responsável
pelo pagamento da reserva de poupança feita durante o contrato
de trabalho.
Segundo o ministro Horácio, é
clara a competência da Justiça do Trabalho na análise
do processo. “Na medida em que os descontos efetuados no salário
do empregado decorreram do contrato de trabalho e que a Telesc é
a mantenedora e patrocinadora da Sistel, resta clara a competência
da Justiça do Trabalho, nos termos do artigo 114 da CF”.
RR-751.793/01.3
|
CONSULTOR JURÍDICO,
16 de maio de 2006
Inépcia da inicial
Se parte não diz valor da dívida,
juiz não deve dizer
por Priscyla Costa
Se na petição inicial,
o autor não especifica o valor da contribuição
sindical devida pela empresa, não cabe ao juiz reajustar o pedido,
sob pena de se afastar a imparcialidade da função e o
rigor da lei. O entendimento é do juiz Daniel de Paula Guimarães,
da 2ª Vara de Mogi das Cruzes (SP), que julgou extinta a ação
movida pelo Sindicato do Comércio Varejista de Mogi contra a
Comercial Auto Matica.
O sindicato cobrava o pagamento da contribuição
sindical, mas não especificou o valor devido. Na primeira data
designada para julgamento, a instrução processual foi
reaberta para que o autor da ação prestasse esclarecimento,
mas não o fez, sempre se limitando a informar que a empresa pagava
o mínimo.
O juiz considerou que a petição
não estava clara e extinguiu o processo, sem julgamento do mérito.
Afirmou que o “sindicato autor tem legitimidade para cobrar judicialmente
a parcela de seu crédito, mas não a totalidade da obrigação,
e ao juiz não cabe ajustar o pedido para, no caso de condenação,
determinar o pagamento da parcela”.
“O direito de agir é geral
e abstrato, consiste em invocar a tutela jurisdicional do Estado para
decidir sobre uma pretensão, manifestada em concreto por meio
da petição inicial, que deve respeitar os requisitos do
artigo 840 da CLT.”
“Merece registro, que no
processo do trabalho, o juiz não despacha ordenando a citação
(parágrafo 1º do artigo 219 do CPC), constituindo o ato
providência meramente cartorial, razão pela qual, deixa
de apreciar as irregularidades da inicial, fazendo-o apenas no momento
da prolação da sentença, e no presente caso, em
face da citação, da oferta da citação, e
do encerramento da fase instrutória, impossível a concessão
de prazo para emenda previsto no artigo 284 do CPC, face as restrições
do artigo 294 do mesmo diploma”, concluiu.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
16/05/2006
TST: gerenciamento de serviços gera
responsabilidade subsidiária
A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho restabeleceu sentença que condenou a Trans Sistemas
de Transportes S.A. subsidiariamente numa reclamação trabalhista
movida por ex-empregado da Companhia Industrial Santa Matilde, sediada
em Conselheiro Lafaiete (MG). A Trans Sistemas, sediada em São
Paulo (SP), mantinha com a Santa Matilde um contrato de gerenciamento
de serviços voltado para a produção e venda de
vagões ferroviários.
Ao ajuizar a reclamação,
o ex-empregado – que prestou serviços à Santa Matilde
entre 1998 e 2001 na função de traçador –
listou a Trans como responsável subsidiária pelos créditos
trabalhistas que pleiteava, considerando que esta “se beneficiou
dos serviços prestados”. A Vara do Trabalho de Conselheiro
Lafaiete registrou na sentença que a Trans Sistemas “supervisionava
e fiscalizava a produção de vagões, usando mão-de-obra
dos empregados, para garantir a qualidade dos produtos”, e condenou-a
juntamente com a Santa Matilde ao pagamento das verbas trabalhistas
deferidas na reclamação.
O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª
Região (MG) modificou a decisão, dando provimento a recurso
ordinário da Trans, por entender que a empresa “esteve
à frente dos negócios da Santa Matilde como gestora, em
razão da ‘transferência’ da administração
do usufruto judicial (...) em razão do seu nome comercial, sua
experiência de mercado, sua respeitabilidade e idoneidade”.
O TRT concluiu que o caso não se enquadrava na Súmula
331 do TST, que trata de terceirização, e isentou a Trans
Sistemas de responsabilidade subsidiária.
O trabalhador recorreu então ao
TST, sustentando que “se a empresa já sabia da situação
falimentar da Santa Matilde e aceitou o pacto de gestão judicial
de negócios, com base em tecnologia de ponta, para soerguer a
falida, inclusive para possibilitar a participação desta
em licitações e concorrências, é inevitável
sua responsabilidade subsidiária.”
O relator do recurso de revista, ministro
Alberto Bresciani, afirmou estar certo “de que a decisão
regional contraria a Súmula 331 do TST”. Ele ressaltou
que o item IV da Súmula, “ao impor ao tomador de serviços
a responsabilidade pelo inadimplemento das obrigações
trabalhistas do efetivo empregador, não se apega a modelo jurídico
determinado, buscando, antes, resguardar o trabalhador que se vê
atrelado a relação triangular, vinculado a duas empresas
que se beneficiam de seu trabalho.” O foco, portanto, é
o princípio da realidade e da proteção do trabalhador,
“regentes genuínos do Direito do Trabalho”.
O ministro Bresciani destacou que o trabalhador,
por força de uma transação da qual não participou,
se viu prestando serviços para outra empresa, ao mesmo tempo
em que mantinha o vínculo com sua empregadora original. “A
Trans Sistemas tomou para si o gerenciamento dos negócios da
efetiva empregadora – Cia. Industrial Santa Matilde –, assumindo
usufruto judicial, com participação em todos os afazeres
da empresa gerida. O modelo de gestão alcançava todos
os setores da empresa, restando patente assim que se o empregado não
prestou serviços diretamente à Trans (porque não
foi por ela contratado), não há dúvidas de que
o fez, no mínimo, indiretamente, nos mesmos moldes que todos
os demais trabalhadores atrelados à Santa Matilde.”
Para o relator, “o princípio
da realidade desconsiderará os ajustes que possam ter feito as
duas empresas, na medida em que a Trans, sem sombra de dúvidas,
aproveitou-se dos serviços do trabalhador, assumindo a posição
de tomadora de serviços.” Prosseguindo na análise,
afirmou que “é de suma relevância observar que, a
despeito de toda a nomenclatura evocada, não há gestão
de negócios, pois – como estão todos os envolvidos
de acordo – a intervenção da Trans se dá
por força de contrato. O contrato de gerenciamento de serviços
pode ser assimilado ao contrato de prestação de serviços,
à locação de serviços, aspecto que, mais
uma vez, torna apropriada a menção da Súmula 331.”
O ministro Bresciani destacou o
processo, na sessão de julgamento da Terceira Turma, por considerá-lo
“importante e emblemático”. Em seu voto, fez questão
de registrar que “os fatos não são estáticos,
mas caminham atrelados ao tempo; conformam outras realidades, às
quais o Direito e seus aplicadores – com ênfase para o Poder
Judiciário – não podem estar alheios. Novos paradigmas
surgem; novas soluções são necessárias.”(RR-903/2001-055-03-00.1)

|