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Folha de São Paulo, 17 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006
Sondagem informal do partido aponta a vitória do senador pernambucano
contra José Agripino (RN) para a chapa com tucano
Vice de Alckmin deve ser o pefelista José
Jorge
CATIA SEABRA, JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Sondagem informal do PFL aponta José
Jorge (PE) como o escolhido para ser o vice na chapa de Geraldo Alckmin
(PSDB) a presidente. A consulta oficial está marcada para amanhã,
mas, segundo a cúpula do partido, servirá apenas para
referendar o nome do senador pernambucano. O rival de Jorge na disputa
é o também senador José Agripino (RN). Ontem, seus
correligionários e ele próprio ainda diziam que vencerão
a disputa pelo posto, apesar de reconhecerem alto grau de dificuldade.
Estão habilitadas a votar 96 pessoas -governadores, vice-governadores,
prefeitos, vice-prefeitos, senadores, deputados e membros da Executiva
do PFL sem mandato eletivo.
Jorge conta com o apoio da cúpula
do partido em São Paulo -Gilberto Kassab, Cláudio Lembo
e Rodrigo Garcia- e é o candidato de Jorge Bornhausen, presidente
da sigla, do senador Marco Maciel (PE) e de Cesar Maia, prefeito do
Rio. Integrantes desse grupo falavam ontem em uma proporção
de 3 votos a 1 para Jorge, mas ele previa vitória por uma vantagem
de 10 a 15 votos. Já Agripino tem a predileção
de Alckmin, apesar de os tucanos afirmarem publicamente que não
interferirão no processo e respeitarão qualquer decisão.
Como contrapeso, Jorge tinha a seu lado o conterrâneo e também
senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), coordenador da campanha tucana.
"Estou otimista e acho que vou ganhar,
mas meu adversário deve achar a mesma coisa, caso contrário
já teria desistido", disse Jorge. "Levantamento que
vale é o oficial. Vou ganhar a consulta", afirmou Agripino,
que, no entanto, fez uma ressalva: "Tenho a preocupação
de que muitos colegas que votariam em mim não deram certeza de
comparecimento". A consulta, por meio de voto secreto, será
em Brasília, mas, segundo o partido, as cédulas poderão
ser enviadas pelo Correio. Confirmada a escolha de Jorge, o comando
da campanha de Alckmin espera sua dedicação quase integral
na tentativa de melhorar os índices de intenção
de voto do tucano no Nordeste, onde Lula tem grande vantagem. Além
do PFL, Alckmin buscará o apoio do PPS. Ele já estuda
a retirada da candidatura de Eduardo Paes ao governo do Rio em favor
de Denise Frossard (PPS) para fechar aliança nacional com o partido.
Efeito "apagão"
José Jorge era o ministro das
Minas e Energia no governo Fernando Henrique Cardoso no período
da crise que culminou no racionamento de 2001 e 2002. Por conta disso,
alas do PSDB e do PFL temem que a escolha de seu nome vincule ainda
mais a candidatura Alckmin ao final do governo FHC, quando, além
da crise energética, o país enfrentou um aumento da inflação
-fatores que prejudicaram José Serra, derrotado por Lula em 2002.
Mas Agripino deve perder a disputa no PFL por conta da cisão
entre Bornhausen e o senador Antonio Carlos Magalhães (BA), entusiasta
do parlamentar do Rio Grande do Norte. O presidente da sigla, que chegou
a ser cotado para o posto de vice, colocou todo seu peso político
a favor de Jorge. No início de abril, Bornhausen chegou a realizar
uma consulta no partido que, segundo ele, deu vitória a Jorge.
Ainda assim, Agripino insistiu em seguir na disputa.
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Folha de São Paulo,
17 de maio de 2006
MERCADO FINANCEIRO
Inflação menor nos EUA traz alívio a investidor,
e moeda cai 2,33%; Bolsa volta a subir após quatro pregões
Dólar sofre maior queda em nove
meses
DA REPORTAGEM LOCAL
A escalada que o dólar vinha emplacando
desde quinta-feira foi interrompida ontem. Dados sobre a inflação
no atacado nos EUA, que surpreenderam os analistas positivamente, acabaram
por derrubar o dólar diante de várias moedas. No mercado
doméstico, o dólar caiu 2,33% -maior baixa em nove meses.
Ontem, a moeda norte-americana fechou o dia vendida a R$ 2,135. Entre
quinta e segunda, o dólar havia acumulado valorização
de 6,07%.
O fato de a inflação norte-americana
não ter vindo acima das projeções pode ser um sinal
de que há condições de os juros pararem de subir
no país. No mercado de câmbio emergente, o dólar
registrou importantes quedas diante das moedas chilena, mexicana e turca.
A Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou o sobe-e-desce do
mercado acionário americano.
No fim do pregão, o Ibovespa -índice que agrupa as 55
ações de maior liquidez- registrava alta de 0,37%. Durante
o dia, a Bolsa chegou a subir 1,73%.
A valorização de 1,09%
da ação preferencial da Petrobras -a segunda mais negociada,
que concentrou 12% do giro do pregão- ajudou a fazer o Ibovespa
fechar em terreno positivo. No pior momento do dia, a Bolsa registrou
baixa de 0,89%. A alta de ontem representou a interrupção
de quatro pregões seguidos de queda, que resultaram em perdas
acumuladas de 6,45% da Bovespa. O pregão de ontem movimentou
R$ 3,16 bilhões, valor bem superior à média diária
de 2006 (R$ 2,46 bilhões).
Os números da inflação
no atacado nos Estados Unidos fizeram as taxas pagas pelos títulos
do Tesouro norte-americano recuar, movimento que permitiu que os papéis
de emergentes se recuperassem. O Global-40, papel da dívida externa
brasileira mais transacionado, subiu 0,92%. O risco-país chegou
ao fim das operações em baixa de 3,98%, aos 241 pontos.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), os negócios
no mercado de juros responderam à melhora do mercado. O contrato
DI -que mostra as projeções futuras para os juros- que
vence daqui a um ano fechou com taxa de 14,74%, ante 14,85% do dia anterior.
No DI com resgate daqui a 24 meses, a taxa recuou de 15,10% para 14,94%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17
de maio de 2006 | Política
SALÁRIO-Governo sanciona lei que cria
mínimo estadual de R$ 427
Piso regional é “glicose”
a municípios, diz Requião
O governador Roberto Requião (PMDB) afirmou ontem que a criação
do novo salário mínimo no Paraná será uma
“injeção de glicose direta na veia dos municípios”.
Ao sancionar na Assembléia Legislativa a lei que eleva o valor
do piso no estado a R$ 427 e R$ 437,80, dependendo da categoria, o governador
disse que o salário “vai entrar imediatamente na padaria,
no botequim da esquina e na loja de calçados”. “Esse
dinheiro vai fazer o comércio circular no âmbito municipal,
restabelecendo o círculo virtuoso do desenvolvimento econômico”,
disse, cercado por deputados e representantes de movimentos trabalhistas,
convidados pelo governo do estado.
Só terão direito aos novos
salários, que começam a ser pagos no próximo mês,
as categorias que não têm dissídio coletivo, como
empregadas domésticas. Os demais trabalhadores organizados em
sindicatos continuarão tendo como base o salário mínimo
nacional de R$ 350.
O Paraná, segundo o governador, terá o maior piso do país,
acima dos estados de Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, que também
pagam salários diferenciados. A previsão é atender
até 600 mil trabalhadores e injetar cerca de R$ 66 milhões
mensais na economia do estado.
Em um discurso rápido e de improviso,
Requião agradeceu a Assembléia Legislativa pela aprovação
por unanimidade do projeto e os representantes das centrais sindicais
e movimentos populares. O governador lembrou que o projeto teve a resistência
de alguns setores “conservadores” e disse que a Assembléia
Legislativa foi pressionada, mas mostrou que “é mais sensível
às razões do trabalho e da população que
às razões estreitas de grupos econômicos equivocados”.
Durante as discussões da mensagem
na Assembléia, nos últimos dois meses, representantes
de empresários e trabalhadores tiveram espaço para apresentar
suas posições sobre o piso diferenciado. A iniciativa
do governo recebeu o aval de sindicatos, mas foi criticada por entidades
como a Federação das Indústrias do Estado do Paraná
(FIEP), a Associação Comercial do Paraná (ACP)
e a Federação da Agricultura do Estado do Paraná
(Faep) , que ameaçam recorrer à Justiça para impedir
que a nova lei entre em vigor.
A justificativa das federações
que são contra a lei é de que o novo mínimo de
até R$ 437,80 é inconstitucional e vai provocar demissões
porque os empregadores, principalmente os pequenos empresários,
não terão como arcar com a diferença salarial.
Para o governador, o argumento
não tem consistência. “Alguns empresários
alegam que o reajuste vai pesar, mas esqueceram que não estão
pagando ICMS”, declarou, ao citar programas criados em seu mandato
como a isenção de impostos para microempresas e a dilação
para os investimentos industriais em municípios com menor Índice
de Desenvolvimento Humano (IDH).
Kátia Chagas
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JORNAL GAZETA DO POVO, 17
de maio de 2006 | Paraná
EDUCAÇÃO-Curitiba deve ser escolhida
para aplicar modelo de alfabetização desenvolvido no páis
de Fidel Castro
PR vai testar método de
ensino cubano
Método eliminou analfabetismo na Venezuela, diz Wágner
Amaral.
A capital paranaense deve ser a cidade escolhida para a implantação
de um projeto-piloto no estado que irá utilizar um método
cubano na alfabetização de jovens e adultos. A experiência
pode iniciar ainda no segundo semestre deste ano e depende de uma resposta
positiva do Ministério da Educação (MEC) e de definições
de relações diplomáticas com Cuba. “Pensamos
em implantar em cidades com baixo IDH [Índice de Desenvolvimento
Humano], como Adrianópolis, mas teríamos que manter uma
equipe nestes locais, o que poderia inviabilizar o projeto”, disse
o coordenador do programa Paraná Alfabetizado, Wagner Roberto
do Amaral. A taxa de analfabetismo no estado é de 9,5%, entre
quem tem mais de 15 anos, segundo o Censo de 2000.
No método chamado de “Yo,
Sí Puedo” (Sim, eu Posso), a alfabetização
é feita a partir da associação de números
com letras, as aulas são transmitidas pela televisão,
por meio de um vídeo, sem a presença de um professor.
Tem a duração de sete semanas e ênfase na memorização.
No ano passado, a Venezuela foi declarada pela Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência
e a Cultura (Unesco) país livre do analfabetismo por utilizar
esta metodologia criada por Cuba. O modelo já é usado
em 17 países, entre eles Haiti, Argentina, México, Nicarágua,
Bolívia, Equador e República Dominicana, e alfabetizou
cerca de 1,5 milhão de pessoas.
No Brasil, a experiência está em teste no Piauí
desde outubro do ano passado, a partir de uma parceria estabelecida
entre o MEC e o governo cubano. O projeto-piloto envolve os municípios
de Buriti dos Lopes, Caxingó e Murici dos Portelas, todos com
altos índices de analfabetismo. Na mesma época em que
o MEC estabelecia esta parceria com Cuba, em 2005, o estado do Paraná
conhecia o método na Venezuela. “Numa ação
de intercâmbio o Paraná descobriu este método que
vinha alfabetizando muita gente naquele país”, diz Amaral.
O projeto a ser implantado no Paraná
deve envolver oito turmas e se dará em duas maneiras. Numa delas,
o modelo cubano será implantado em sua fórmula original.
Na outra, será misturado com características do método
do educador Paulo Freire, que é usado há 40 anos no Brasil
e surgiu como uma crítica ao sistema tradicional que utilizava
a cartilha como ferramenta didática no ensino da leitura e da
escrita. O uso do método da cartilha também estimulava
a memorização.
Na perspectiva criada por Paulo Freire
a alfabetização parte do contexto até chegar a
palavra. Neste método, que é utilizado atualmente em 3
mil turmas do programa Paraná Alfabetizado, o educando aprende
a ler em sete meses. “A palavra sempre está ligada a algo
marcante na vida do educando”, diz. Já no cubano, os temas
em debate não têm ligação com a letra que
está sendo estudada e os alunos assistem a discussão em
vídeo, sem participação.
O hibridismo na implantação
da experiência cubana ocorre a partir de reflexões feitas
pelos especialistas da Secretaria de Estado da Educação.
“Há uma série de questões pedagógicas
que devem ser discutidas. Não queremos que o método venha
prejudicar, mas somar e contribuir para a qualidade da alfabetização
no estado”, afirma o coordenador.iana Duarte

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JORNAL GAZETA DO POVO, 17
de maio de 2006 | Paraná
OPINIÃO
“Nem todos têm familiaridade
com números”
A professora do curso de Pedagogia e Letras da Pontifícia Universidade
Católica do Paraná (PUCPR), Sandra Maria Baby, se preocupa
com o fato do método cubano partir do pressuposto de que as pessoas
possuem familiaridade com os números. Esta é a justificativa
da metodologia cubana para alfabetizar a partir da associação
de letras com os números.
Com 30 anos de experiência
em alfabetização de crianças, jovens e adultos,
a professora questiona esta familiaridade universal com os algarismos.
“Não sei se na prática isso vai dar certo. Já
tive alunos que não conseguem nem manusear dinheiro. Muitos conhecem
numerais numa quantidade muito pequena, que nem chega à quantidade
de letras no alfabeto”, diz. Outra reflexão feita pela
professora é a memorização, na qual também
baseia-se o método importado. “Se não houver continuidade,
a pessoa pode esquecer o que foi aprendido”, diz. (TD)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 17 de maio de 2006 | Economia
Previsão de inflação
do governo recua e chega ao centro da meta
O governo ainda promoveu um corte de R$ 14,2
bilhões nas despesas discricionárias (sem vinculação
determinada pela Constituição). O corte vai se concentrar
basicamente no Poder Executivo
Fabio Graner
BRASÍLIA - O Ministério
do Planejamento revisou a projeção para o Índice
de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano em relação
à proposta orçamentária de 2006 aprovada no Congresso,
passando de 4,6% para 4,5% este ano. Com isso, a estimativa de inflação
chega ao centro da meta fixada pelo Conselho Monetário (Nacional).
Também foi alterada a estimativa
para o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna
(IGP-DI), que passou de 4,86% para 2,36%. O ministério manteve
a estimativa de crescimento do PIB de 4,5% em 2006 e reduziu a projeção
para a taxa de câmbio média do ano, de R$ 2,33 para R$
2,16.
O Planejamento também alterou
sua estimativa de déficit para a Previdência Social, passando
de R$ 39,1 bilhões para R$ 43,2 bilhões.
O governo ainda promoveu um corte
de R$ 14,2 bilhões nas despesas discricionárias (sem vinculação
determinada pela Constituição). Com isso, essas despesas
passaram de R$ 97,4 bilhões no Orçamento aprovado para
R$ 83,1 bilhões no decreto de contingenciamento. O corte vai
se concentrar basicamente no Poder Executivo.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 17 de maio de 2006 | Economia
Lucro da Wal-Mart cresce 6,3% e supera
previsões
A empresa fechou o período com saldo
de US$ 2,615 bilhões, ante os US$ 2,461 bilhões registrados
nos três primeiros meses de 2005
EFE
NOVA YORK - A companhia Wal-Mart, maior
rede de lojas do mundo, informou neste terça-feira que seu lucro
líquido no último trimestre cresceu 6,3% - acima das previsões
dos analistas de Wall Street. A empresa fechou o período com
saldo de US$ 2,615 bilhões (US$ 0,63 por ação),
ante os US$ 2,461 bilhões (US$ 0,58 por título) registrados
nos três primeiros meses de 2005.
As vendas totais superaram os US$ 79,613
bilhões, 12,3% a mais que no primeiro trimestre de 2005, enquanto
a receita total subiu para US$ 80,468 bilhões. Os analistas consultados
pela empresa Thomson First Call esperavam um ganho de US$ 0,61 por ação
e receita total de US$ 80,430 bilhões.
As vendas na rede de lojas Wal-Mart cresceram
10,2%, chegando a US$ 52,499 bilhões, enquanto as da cadeia Sam´s
Club aumentaram 6,8%, para US$ 9,775 bilhões.
As vendas internacionais da companhia
somaram US$ 17,339 bilhões, 22,9% a mais que no primeiro trimestre
de 2005.
Este aumento nos negócios internacionais
foi devido, em parte, à compra de uma maior participação
na companhia japonesa The Seiyu, à aquisição da
Sonae Distribuição Brasil e de uma participação
majoritária na Central American Retail Holding Company, na América
Central.
Preocupação
Apesar dos bons resultados, a Wal-Mart
afirmou que está preocupada com o aumento dos preços do
combustível, que pode afetar o nível de despesa dos americanos,
ao mesmo tempo em que faz subir os custos da companhia.
Para o segundo trimestre, a companhia
espera ter lucro de US$ 0,70 a US$ 0,74 por ação, enquanto
os analistas esperam US$ 0,74 por título.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
17 de maio de 2006 | Política
Lula corta R$ 14,2 bilhões do orçamento
BRASÍLIA – O orçamento
geral da União de 2006 foi sancionado ontem pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, mas já sofreu um corte de R$ 14,2
bilhões nos gastos programados. O decreto sobre o bloqueio de
recursos será publicado hoje no “Diário Oficial”,
mas o governo já antecipou que os cortes se concentraram nos
ministérios cujo orçamento foi mais inchado por emendas
parlamentares.
Apenas os R$ 2,9 bilhões das emendas
individuais – justamente as que estão no centro das denúncias
de desvios investigadas pela Polícia Federal – foram poupados.
Proporcionalmente, o Ministério do Turismo é o mais atingido
pelo chamado contingenciamento, que reduziu em 76,2% suas verbas de
custeio e investimento. O Ministério da Saúde foi o que
menos perdeu, apenas 1,6%. O Ministério da Educação
e o Ministério do Desenvolvimento Social, responsável
pelo programa Bolsa Família, também foram razoavelmente
preservados.
“Recebemos a orientação
do presidente Lula de preservar os investimentos na área social”,
justificou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Inicialmente,
a equipe econômica planejava um corte bem maior, da ordem de R$
20 bilhões, mas a medida foi vetada pelo Palácio do Planalto,
que a considerou muito antipática em ano eleitoral.
“O corte de R$ 20 bilhões
foi uma conclusão do Congresso. De fato, essa era a primeira
conclusão. Mas fizemos os ajustes e conseguimos um corte bem
menor”, disse Bernardo.
Lula obrigou a Receita Federal a refazer
suas contas e chegar a números mais realistas para a arrecadação
– normalmente a equipe econômica sempre projeta uma receita
mais baixa no início do ano, para segurar as despesas, e vai
ajustando-a para cima no decorrer do período.
Neste ano de eleições,
em que o governo tem pressa em gastar e inaugurar obras, o presidente
pediu que sua equipe procedesse de modo contrário: liberar mais
gastos agora e, se necessário, apertar o cinto no final do ano,
depois que o resultado das urnas já for conhecido.
Contingenciamento menor
Embora oficialmente o corte tenha sido
de R$ 14,2 bilhões, na prática ele foi de apenas R$ 10,3
bilhões. Isso porque os ministérios já receberam
um reforço de mais R$ 3,7 bilhões em créditos,
que anteciparam os gastos da lei orçamentária, antes de
sua aprovação pelo Congresso.
O Ministério dos Transportes,
por exemplo, perdeu R$ 2,3 bilhões no contingenciamento, mas
recuperou R$ 642 milhões em créditos. O Ministério
das Cidades sofreu um corte de R$ 1,8 bilhão, concentrado nas
emendas, mas ganhou R$ 977 milhões novos, principalmente para
habitação popular.
O Ministério da Justiça,
que está agora envolvido na crise da segurança pública,
foi atingido por um corte de R$ 195 milhões (R$ 41 milhões
de emendas), mas Bernardo informou que o presidente da República
já solicitou que esses valores sejam revistos e as demandas do
ministro Márcio Thomas Bastos atendidas.
“Temos orientação
de conversar com o ministro para fazer ajustes adicionais”, disse.
A pressa do governo para gastar também se justifica pelas restrições
da lei eleitoral.
Os convênios com municípios,
por exemplo, para execução de obras e aquisição
de equipamentos precisam ser assinados e postos em prática até
o final de junho. Depois disso, só podem ser repassados recursos
para obras já iniciadas.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
17 de maio de 2006 | Economia
Antigo dono pode requerer direito de continuar
na casa
QUEILA ARIADNE
O 2º Feirão da Casa Própria
colocará à venda 770 imóveis adjudicados, aqueles
que foram tomados judicialmente pela Caixa Econômica Federal por
falta de pagamento. De acordo com o superintendente regional da Caixa,
Dimas Lamounier, eles são em média 20% mais baratos.
Apesar do atrativo, a Associação
Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH) alerta
para a dor de cabeça que a economia pode se transformar se os
imóveis estiverem ocupados.
“O risco é muito grande.
O antigo proprietário pode entrar na Justiça requerendo
o direito de continuar na casa. A briga pode se estender por anos”,
afirma o diretor administrativo da ABMH de Belo Horizonte, Lúcio
de Queiroz. Segundo Lamounier, apenas 30% dos imóveis adjudicados
ainda estão ocupados.
“Mesmo assim, a situação
já está totalmente legalizada e o novo dono vai demorar
de 15 a 90 dias para retirar o antigo morador”, garante o superintendente
da Caixa.
Leilão
De acordo com Queiroz, a situação
não é tão simples. O imóvel pode ser leiloado
a partir da terceira prestação atrasada. “Qualquer
brecha deixada pela Caixa, como falta do aviso de leilão ou aumento
da prestação acima do previsto, dá ao antigo proprietário
o direito de questionar o leilão judicialmente”, destaca
Queiroz.
Portanto, ressalta o diretor da ABMH,
só é vantajoso adquirir um imóvel tomado judicialmente
se ele estiver desocupado. Durante o feirão, as unidades adjudicadas
não serão vendidas em leilões tradicionais.
“A venda será direta. O
primeiro que fizer uma proposta condizente com a avaliação
financeira da Caixa Econômica, leva o imóvel”, explica
Lamounier.
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CONSULTOR JURÍDICO,
17 de maio de 2006
Questão de competência
Justiça comum decide sobre trabalho
em dia de greve
A Justiça comum tem a competência
de decidir sobre o direito de acesso de funcionários ao local
de trabalho durante movimento grevista, não a Justiça
Trabalhista. O entendimento é da 2ª Seção
do Superior Tribunal, estabelecendo que em situações em
que a discussão seja simplesmente sobre o acesso aos imóveis
e não sobre o direito de greve o processo deverá ser julgado
pela Justiça Estadual comum.
A ação inicial foi proposta
na Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro pelo Service Bank Serviços
Tecnológicos e Representação Comercial contra o
Sindicato dos Bancários do estado do Rio de Janeiro. Segundo
a autora do processo, o sindicato teria promovido um piquete de grevistas
na porta da empresa e impedido o acesso de funcionários e malotes.
No entanto, conforme consta nos autos, os funcionários da Service
Bank não têm vinculação com o respectivo
sindicato, mas sim com o Sindicato dos Trabalhadores Autônomos.
A 49ª Vara Cível fluminense
declinou da competência. Diante disso, a 53ª Vara do Trabalho
do Rio suscitou o conflito de competência sob o argumento de que
não se discute no processo o direito ao exercício de greve.
Ao resolver o conflito, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro
declarou competente a Justiça comum estadual. A empresa recorreu
ao STJ, pedindo a revisão da decisão.
O ministro Ari Pargendler considerou
que a empresa não tem natureza de instituição financeira,
limitando-se a prestar serviços. "Assim, a empresa está
alheia a qualquer discussão entre as instituições
bancárias e o sindicato dos funcionários respectivos,
descabendo, portanto, qualquer indagação a respeito de
eventual legitimidade da greve deflagrada", argumenta. O ministro
estabeleceu a competência da Justiça estadual para resolver
o conflito.
CC 57.730
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CONSULTOR JURÍDICO,
17 de maio de 2006
Perna curta
Prova obtida no Orkut é aceita
em processo trabalhista
Depoimentos no site de relacionamento
da internet Orkut foram aceitos como prova num recurso julgado pela
1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande do Sul). No processo, discute-se a validade de justa causa
de um empregado que fazia colas para alunos.
Segundo os autos, o ex-funcionário
usava a máquina de fotocópia da biblioteca do colégio
para elaborar as colas e plastificava os papéis, sempre com todo
o conteúdo didático passado pelos professores. O material
era usado pelos alunos para fraudar os exames escolares.
A primeira instância da Justiça
do Trabalho gaúcha reverteu a dispensa por justa causa do ex-empregado.
O colégio recorreu. Como prova das acusações, a
direção da escola imprimiu os depoimentos dos alunos feitos
no Orkut para homenagear o trabalhador. Uma comunidade foi criada pelos
amigos do funcionário e tinha mais de 500 membros.
Entre os depoimentos de alunos coletados
no Orkut e usados pelo colégio como uma das provas de participação
do empregado na fraude estão as seguintes mensagens: “Parabéns,
seu ..... completando mais um ano e, neste ano, vai nos ajudar a fazer
mais colas para passar nas provas!”; “Grande ..... !!! O
cara mais parceiro do colégio. Sempre fazendo minhas colas e
ajudando a passar de ano!”; “Quem não cola não
sai da escola. Ainda bem que temos o seu ...”; “Seu ....,
feliz Natal. Graças a ti eu passei por média.”
O relator do processo no TRT gaúcho
considerou que o empregado quebrou o princípio da boa-fé
objetiva. Apesar de o funcionário ser membro do Conselho Fiscal
de seu sindicato, o que lhe garantiria proteção provisória
contra despedida, os juízes acolheram o recurso e julgaram procedente
a demissão por justa causa.
Processo 00080-2005-013-04-00-0 (RO)
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CONSULTOR JURÍDICO,
17 de maio de 2006
Unidos pelo Judiciário
STF, STJ e TST assinam termos de cooperação
técnica
O Supremo Tribunal Federal, o Tribunal
Superior do Trabalho e o Superior Tribunal de Justiça assinaram,
nesta terça-feira (16/5), termos de cooperação
técnica que pretendem tornar o Poder Judiciário mais ágil
e menos burocrático. Um dos termos de cooperação
dá início ao trabalho de padronização e
desenvolvimento das experiências de processo virtual.
A idéia é montar um modelo
único de processos virtuais, desenvolvido em software livre e
disponível a todos os tribunais interessados sem custo. Pelo
mesmo acordo, será desenvolvido o projeto de Diário Oficial
eletrônico. Outro termo de cooperação assinado diz
respeito à uniformização de nomenclatura e de classificação
dos processos.
“Com essa iniciativa, faremos
com que a tecnologia e suas máquinas trabalhem em prol do Poder
Judiciário”, afirmou a ministra Ellen Gracie, presidente
do STF, na cerimônia realizada nesta terça-feira (16/5),
antes do início da reunião do Conselho Nacional de Justiça.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
17/05/2006
TST defere danos morais por anotação
indevida na CTPS
A anotação de demissão
por justa causa, na Carteira de Trabalho (CTPS) estigamatiza o demitido
e representa motivo suficiente para o pagamento de indenização
por danos morais ao trabalhador prejudicado. Sob esse entendimento,
manifestado pelo ministro Lélio Bentes Corrêa (relator),
a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou a Petrobrás
S/A a pagar indenização no valor de R$ 15 mil a um ex-empregado,
demitido por justa causa.
“A anotação na CTPS
quanto à justa causa – atitude vedada por lei - revela-se
suficiente para causar dano ao ex-empregado, na medida em que, inegavelmente,
constitui-se, além do óbvio constrangimento, mais um obstáculo
para o trabalhador conseguir novo emprego, acarretando-lhe, assim, inegável
prejuízo”, observou Lélio Bentes, ao votar pelo
deferimento de recurso de revista ao trabalhador, que não tentou
descaracterizar a justa causa, apenas pediu a indenização
pelos danos morais.
Segundo o artigo 29, parágrafo
4º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), é
proibido ao empregador efetuar anotações desabonadoras
à conduta do empregado em sua Carteira de Trabalho e Previdência
Social. A decisão do TST modifica pronunciamento do Tribunal
Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas Gerais), que negou
a indenização por danos morais diante da evidência
da justa causa. “Ainda que por ocasião da rescisão
contratual, seja de competência do empregador somente a anotação
da data de término da relação de emprego, e outras
determinadas por lei (aí não computando o motivo da dispensa),
não constitui inverdade a anotação lançada
pelo empregador”, registrou o TRT mineiro.
A decisão de segunda instância
acrescentou que a anotação do motivo da justa causa na
CTPS não seria causa bastante para deferir a indenização,
“já que o dano, como elemento indispensável à
configuração da responsabilidade, resulta de violação
de norma jurídica, com conseqüência lesiva a bem de
direito, o que não ocorreu”. Também observou que
o trabalhador não buscou a exclusão da anotação,
só a indenização.
A tese regional foi, contudo, afastada
pelo TST independentemente da discussão relativa a veracidade
da justa causa. “Ao contrário do entendimento adotado,
o dano, como elemento indispensável à configuração
da responsabilidade, resultou de violação da norma jurídica
e do prejuízo causado, ainda que não se constitua inverdade
a anotação lançada pelo empregador”, afirmou
Lélio Bentes.
Uma vez reconhecida a ocorrência
do dano, a Primeira Turma fixou o valor da indenização
em R$ 15 mil. O valor, segundo o relator da questão, foi apurado
de forma proporcional ao sofrimento do trabalhador e à capacidade
econômica do infrator. O recurso de revista envolvia, ainda, o
pedido de deferimento de outras verbas relacionadas à relação
de emprego e sua extinção. Todas essas outras solicitações
do trabalhador, contudo, forma negadas pelo TST. (RR 657859/2000.5)
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17/05/2006
TST: incorporação de gratificações
diferentes se faz pela média
A incorporação ao salário
de gratificação de várias funções
exercidas ao longo de dez anos deve ser feita pela média atualizada
das gratificações. A Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho adotou este entendimento ao julgar recurso de revista da
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) contra a condenação
ao pagamento de incorporação da maior gratificação
a um funcionário que durante 13 anos exerceu diversas funções
diferentes.
No caso julgado, o empregado ficou apenas
três dias, ao longo de 13 anos, sem exercer uma função
gratificada. No recurso, contra a condenação imposta pelo
Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região (PI), a Conab
alegava que o exercício de funções diversas, com
remuneração diferenciada, e a interrupção
do exercício durante três dias descaracterizariam o direito
à incorporação, baseado no princípio da
estabilidade econômica.
O relator do recurso de revista, ministro
Ives Gandra Martins Filho, ressaltou em seu voto que a jurisprudência
do TST (Súmula 372, I) prevê que o trabalhador que recebe
por mais de dez anos gratificação de função
tem o direito à sua incorporação se o empregador,
sem motivo justo, revertê-lo a seu cargo efetivo. para o relator,
“o fato de o trabalhador, num período de quase 13 anos,
não ter exercido função por apenas três dias
não impede a incorporação pedida, tendo em vista
o princípio da razoabilidade e a abrangência da Súmula
372, que é garantir a estabilidade financeira do trabalhador
e a irredutibilidade salarial”.
Com relação aos valores,
o ministro Ives Gandra Filho observou que “o TRT entendeu que
a supressão da maior gratificação acarretaria sério
desequilíbrio no orçamento familiar. “ No entanto,
embora a diretriz da jurisprudência não exija o exercício
da mesma função por dez ou mais anos, por certo que o
trabalhador, tendo exercido diferentes funções, faz jus
à incorporação pela média das gratificações
recebidas nos últimos dez anos de trabalho.”
Por unanimidade, a Quarta Turma deu provimento
parcial ao recurso da Conab, determinando que a incorporação
seja calculada pela média atualizada das gratificações.
(RR 775/2003-001-22-00.2)

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