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JORNAL DO ESTADO, 18 de maio de 2006
OBRAS PARADAS
Prejuízo era previsível,
diz Sinduscon
Sindicato alertou para risco de paralisação
de obras por defasagem em preços máximos
Abraão Benício
Em janeiro de 2005, logo depois do governo do Estado ter contratado,
sem licitação, a empresa Alpha San Construção
e Saneamento para construção e reforma de cinco escolas
estaduais no valor de R$ 6,6 milhões, o presidente do Sindicato
da Indústria da Construção Civil no Paraná
(Sinduscon/PR), Julio Araujo Filho já alertava – em entrevista
ao Jornal do Estado – que os preços máximos estabelecidos
pelo governo Requião para execução das obras estavam
bem abaixo dos valores reais de mercado e que isso poderia trazer problemas
futuros na entrega das escolas. “Era evidente que com aqueles
valores não se poderia concluir as obras. Pois a Alpha San topou
e não está conseguindo cumprir. Você não
entra numa loja e compra uma televisão por R$ 20,00. Nós
fizemos o alerta”, comenta o presidente.
Passado pouco mais de um ano, as previsões
do Sinduscon-PR se confirmaram. Depois de ter pago quase meio milhão
de reais a Alpha San, o governo do Estado foi obrigado a rescindir os
contratos por irregularidades nas obras e descumprimento dos prazos
de execução.
Na época em que foram firmados
os contratos, o governo Requião, para dispensar a licitação,
alegou que não haviam outras empresas interessadas, propostas
válidas e, principalmente, que as obras deveriam ser realizadas
em caráter de urgência, para que as escolas entrassem em
funcionamento no início de 2005. “A Fundepar procurou o
Sinduscon-PR pedindo que indicássemos empresas para participarem
da licitação. Fizemos uma planilha de custos e preferimos
não indicar nenhuma empresa, pois os tetos do governo estavam
defasados em mais de 30%”, explica Julio Araujo Filho.
Reincidência — Além
destes cinco contratos de dezembro de 2004, o governo do Paraná,
via Fundepar, firmou outros dois contratos para construção
de escolas em São José dos Pinhais com a mesma Alpha San.
Na última sexta-feira, o governador Roberto Requião (PMDB)
informou que estava encaminhando denúncia ao Ministério
Público Estadual (MP-PR) contra a empresa.
Uma auditoria chefiada pelo próprio
secretário de Educação, Maurício Requião
– irmão do governador – teria detectado irregularidades
nestas duas obras. Porém, por estes serviços, a Alpha
San já recebeu do governo do Estado, entre fevereiro e maio deste
ano, mais de R$ 68 mil.
Em outro contrato, firmado para construção
de um terminal de ônibus na cidade de Colombo, o Estado, através
da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba
(Comec), já pagou em 2006 outros R$ 157 mil para a Alpha San.
O Tribunal de Contas (TC) foi procurado
pela reportagem para esclarecer qual a real situação da
empresa Alpha San. Mas segundo o TC, a empresa não possui registro
junto ao tribunal. Por lei, todas as empresas vencedoras de licitações
e que prestaram serviços ao governo do Estado ou Prefeituras
devem, obrigatoriamente, ter este tipo de registro.
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A TARDE ONLINE / SALVADOR,
18 de maio de 2006 | Economia
Receita de material de construção
cai 16,35% em abril
O faturamento real (deflacionado pelo
Índice Nacional da Construção Civil, INCC) da indústria
brasileira de materiais de construção caiu 16,35% em abril
na comparação com o mês de março, e recuou
15,74% sobre abril de 2005, de acordo com levantamento divulgado hoje
pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais
de Construção (Abramat). No acumulado do ano, a queda
é de 10,6%.
Segundo a entidade, a redução
das vendas deve-se aos feriados prolongados, que prejudicaram o giro
de comércio, principalmente nos home centers, onde parte significativa
das vendas ocorre nos finais de semana.
A associação destaca também
que a queda mais significativa foi registrada nas vendas dos Estados
agrícolas, notadamente os produtores de grãos para exportação,
como os das Regiões Centro-Oeste e Sul, além do segmento
do agribusiness de exportação. "A crise na agricultura
pelo descasamento do câmbio, que penaliza a remuneração
dos produtores, está afetando outros setores não diretamente
ligados ao agribusiness", avalia.
Os materiais básicos tiveram um
desempenho negativo no mercado interno de 3,83% no faturamento nominal
acumulado e de 9,13% no faturamento deflacionado pelo INCC. As exportações
em queda acentuada de 40% reduziram ainda mais os indicadores totais,
já prejudicados pelo menor número de dias de faturamento
e pelo menor giro do comércio.
Os materiais de acabamento tiveram um
comportamento melhor, mostrando valores positivos nos índices
acumulados do mercado interno, com crescimento de 6,69% no faturamento
nominal acumulado e 0,85% no faturamento deflacionado pelo INCC.
As exportações apresentaram
queda inferior ao todo, mas foram suficientes para reduzir o crescimento
do faturamento total nominal acumulado para 4,86% e tornar negativo
em 0,88% o faturamento deflacionado pelo INCC. "As exportações,
embora tenham um desempenho negativo, demonstram que esses produtos
têm alguma capacidade para enfrentar o câmbio adverso, notadamente
pela tecnologia e design desenvolvidos em certos casos a mercados específicos",
ressalta a Abramat.
Os materiais recentemente desonerados
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) mostraram bom desempenho,
com um crescimento de 7% no faturamento nominal acumulado e 1,11% no
faturamento deflacionado pelo INCC.
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Agência CUT, 18 de
maio de 2006
Greve dos 50 mil no Espírito Santo.
Vitória se mobiliza
Por: Júnior Eler
Nesta quinta-feira (18) haverá
assembléia geral, na Praça Oito, às 15 horas, para
avaliar a greve dos trabalhadores da construção civil
e montagem no Espírito Santo. Estima-se a presença de
cerca de 20 mil operários, que seguirão para o Palácio
Anchieta, onde solicitarão o apoio do Governo do Estado para
sensibilizar os patrões. Os operários querem retomar as
negociações, que foram suspensas pelo Sindicato Patronal.
A greve geral completa sete dias nesta quarta-feira. Com a adesão
de operários de Guarapari e São Mateus ao movimento iniciado
na capital Vitória, o número de grevistas chega a cerca
de 50 mil. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 16,6%,
elevação do valor da cesta básica de R$ 65,00 para
R$ 80,00, isenção no desconto em folha do vale-transporte,
hora-extra a 50% durante a semana e 100% aos sábados, e pagamento
dos dias parados.
Os patrões ofereceram 10% de aumento, mas a proposta foi rejeitada
pelos companheiros. O Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil, Montagem e Similares (Sintraconst-ES) estima que mais de 800
obras estão paralisadas, incluindo as gigantes Companhia Siderúrgica
de Tubarão (CST) e Companhia Vale do Rio Doce (CVRD).
RESISTÊNCIA - Piquetes estão espalhados
em várias obras estratégicas. Pela estimativa do presidente
do Sintraconst, Erci Nicolau, a greve tem adesão de mais de 90%
da Categoria. “A peãozada está decidida a não
arredar o pé. Vamos até o fim. É fato concreto,
e até bem divulgado pelo Governo do Estado e pelos empresários,
que a economia do Espírito Santo está crescendo acima
da média nacional. Mas este crescimento não está
garantindo uma melhor qualidade de vida para os operários, que
são quem constroem este Estado”, enfatizou o sindicalista.
Erci ressaltou que o movimento é pacífico e a cada dia
tem mais adesões. “Os operários da construção
civil e montagem têm os menores salários do Estado. O Espírito
Santo é a ‘menina dos olhos’ do País, é
um Estado rico, está em franco desenvolvimento. Mas esta riqueza
tem que chegar à mesa do trabalhador. Para isso, contamos também
com o apoio da população. E a nossa luta continua”,
frisou.
CRESCIMENTO – O movimento grevista começou
com os trabalhadores da empresa Andrade Gutierrez, empreiteira da CST.
Após 15 dias parados, os operários suspenderam a greve
para negociar o Acordo Coletivo. Como as negociações travaram,
cerca de 14 mil trabalhadores da área da CST cruzaram os braços.
O movimento cresceu com a adesão de trabalhadores de diversas
obras espalhadas no Espírito Santo.
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Agência Senado, 18
de maio de 2006
Multas para quem contratar menores de
16 anos podem aumentar
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) poderá
tornar-se mais rígida em relação às pessoas
que empregarem menores de 16 anos, ressalvada a contratação,
na condição de aprendiz, de menores a partir dos 14 anos.
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira
(17), em decisão terminativa, projeto de lei da senadora Lúcia
Vânia (PSDB-GO) que estabelece novos valores e multas para quem
descumprir as normas de proteção ao trabalho do menor
(PLS 343/05).
Pela proposta, a multa passará
a ser de R$ 611, 84, aplicada tantas vezes quantos forem os menores
empregados em desacordo com as normas de proteção ao trabalho
dessa categoria, na condição de aprendiz. Em caso de reincidência,
o valor será cobrado em dobro. Pelo atual texto da CLT, a multa
é de um salário mínimo, ou seja, R$ 350,00.
O projeto prevê ainda uma nova
multa, diferenciada e mais pesada, para os que se utilizarem de mão-de-obra
de menores de 16 anos de forma ilegal, como, por exemplo, a contratação
de menores de 14 anos, o que não é permitido sob nenhuma
hipótese. Para esses casos, a multa será de R$ 3 mil,
aplicada tantas vezes quantos forem os menores contratados. Ainda com
base na proposta, todos os recursos arrecadados com a aplicação
de multas serão destinados ao Fundo Nacional para a Criança
e o Adolescente (FNCA).
Lúcia Vânia lembra, na justificativa
ao seu projeto, que o drama do trabalho infantil compõe um "quadro
aterrador", pois perpetua a exclusão que ocorre nas classes
em situação de precariedade econômica e social.
Na opinião da senadora, o trabalho infantil também perpetua
o círculo de vulnerabilidade e degradação no qual
crianças pobres não podem estudar porque têm que
trabalhar para ajudar no sustento de suas famílias, tornando-se,
assim, adultos pobres e sem qualificação profissional,
que, no futuro, também terão filhos que não poderão
freqüentar uma escola pelo mesmo motivo.
- A erradicação do trabalho
infantil tem de enfrentar o desafio da inclusão social não
só de crianças, mas também de suas famílias,
compreendendo a cidadania como pleno exercício dos direitos sociais,
civis e políticos - afirma a senadora.
Em seu parecer favorável ao projeto,
o senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) lembra que o Poder Público
vem desenvolvendo vários programas com o objetivo de contribuir
para a geração de empregos e treinamento profissional
para melhorar a qualidade de vida dos membros adultos das famílias.
- Com esses instrumentos, pretende-se
dificultar a exposição precoce de suas crianças
no mercado de trabalho - destacou Tourinho.
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Agência Diap, 18 de
maio de 2006
Legislação do Trabalho
Redução da jornada de trabalho
foi unanimidade em seminário da Câmara
Na terça, dia 16/05, parlamentares e representantes do movimento
sindical debateram em seminário alternativas para o aperfeiçoamento
da legislação trabalhista brasileira sem redução
de direitos. Promovido pela Liderança do PSB na Câmara
dos Deputados, com apoio do DIAP, o evento foi um desdobramento de iniciativa
da bancada, que sugeriu ao presidente da Câmara, deputado Aldo
Rebelo (PCdoB/SP), que a Casa dê prioridade, no mês de maio,
a uma agenda de proposições de interesse dos trabalhadores.
O encontro com o presidente Aldo aconteceu no dia 26 de abril.
Os trabalhos do seminário foram
abertos pelo líder do PSB, deputado Alexandre Cardoso (RJ). Ele
disse que o partido quer fixar um marco “para não ser atropelado
pelas emergências”, como está acontecendo com o Congresso
agora no que se refere à crise da Segurança Pública
em São Paulo. “Vamos nos antecipar e manter um mutirão
anualmente, para dar andamento às matérias, para que elas
não fiquem engavetadas. Esse fórum do PSB, PT, PCdoB,
CUT, DIAP e CMS deve sair com uma atitude ousada. Vamos propor uma pauta
ao presidente da Câmara, pela votação de matérias
como a redução da jornada de trabalho”, propôs
o líder. Após a abertura, o seminário passou a
ser coordenado pelo deputado Carlos Mota (PSB/MG), que também
fez o encerramento dos trabalhos, no auditório Freitas Nobre.
Ainda como parte da abertura, os participantes
do seminário ouviram as manifestações da representante
da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Coordenação
dos Movimentos Sociais (CMS), Elisângela dos Santos Araújo,
e do diretor de Documentação do DIAP, Antônio Augusto
de Queiroz.
Elisângela destacou importantes
bandeiras dos trabalhadores como a redução da jornada
de trabalho e o controle das horas extras. Ela também chamou
atenção para outras medidas que não estão
diretamente relacionadas com os direitos trabalhistas, mas que são
fundamentais para o desenvolvimento do país e para a geração
de empregos: a redução das taxas de juros e a reforma
agrária.
Em seu pronunciamento, o diretor do DIAP,
Antônio Augusto de Queiroz, considerou muito apropriada a iniciativa
do “mutirão” do trabalhador e do seminário.
“Os setores que historicamente lutam pelos direitos dos trabalhadores
não podem deixar passar a oportunidade de, com Lula na Presidência
da República e Aldo Rebelo na presidência da Câmara,
avançar em uma agenda trabalhista positiva”.
Queiroz também comentou o recente
pacote trabalhista que o Executivo encaminhou ao Congresso. “O
pacote é muito mais sindical do que trabalhista e não
reúne questões importantes que até já tramitam
no Congresso como a redução da jornada de trabalho, a
proibição da demissão imotivada e a proporcionalidade
do aviso prévio”.
O pacote trabalhista que o presidente
Lula enviou ao Congresso Nacional é composto de três matérias.
A MP 293/06, que regulamenta as centrais sindicais; a MP 294/06, que
cria o Conselho Nacional de Relações de Trabalho; e um
projeto de lei que regulamenta o funcionamento das cooperativas de trabalho.
Para Antônio Augusto, o Congresso
Nacional precisa dar uma resposta aos trabalhadores, aprovando reivindicações
unânimes do movimento sindical, como a questão da insalubridade.
Isso porque os servidores públicos não têm direito
ao adicional e nem à aposentadoria proporcional por exercer atividades
de risco.
Sob pressão
O primeiro tema do seminário foi
abordado por dois parlamentares. O senador Paulo Paim (PT/RS) e o deputado
Daniel Almeida (PCdoB/BA) debateram o papel do Parlamento na melhoria
das condições de empregabilidade no Brasil.
Paim, que antes de ser eleito para o
Senado atuou por mais de vinte anos como deputado federal, ressaltou
que “a vivacidade do movimento social é imprescindível.
Essa Casa só funciona sob pressão e, se falta mobilização
dos movimentos sociais, quem está no governo só irá
ouvir o outro lado (empresários, bancos) que faz pressão
permanente”.
O senador também falou sobre a
redução da jornada de trabalho. Ele é autor junto
com o deputado Inácio Arruda (PCdoB/CE) da PEC nº 231/95,
que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. O senador
explicou que a idéia, depois de aprovada a emenda, é reduzir
uma hora da jornada por ano até que se chegue a 36 horas. A medida,
segundo o senador, pode gerar seis milhões de empregos.
O deputado Daniel Almeida, ao abordar
a questão da redução da jornada de trabalho, defendeu
que o trabalhador aproveite o tempo livre em formação
profissional para ter condições de se manter no mercado
de trabalho. Ele fez um importante alerta acerca do projeto de lei que
regulamenta o funcionamento das cooperativas de trabalho.
Segundo Almeida, o projeto das cooperativas
chegou ao Congresso com uma grave lacuna: não há um piso
salarial mínimo previsto para os cooperados nem compulsoriedade
de contribuição para a previdência. Ou seja, não
existe garantias de que o cooperado receberá pelo menos o salário
mínimo nem de que esse segmento será incorporado ao sistema
previdenciário brasileiro.
Congresso e sociedade
O relacionamento entre Congresso, partidos
políticos e movimentos sociais foi amplamente debatido pelos
convidados Joilson Cardoso, secretário-geral do Movimento Sindical
PSB, e José Calixto Ramos, presidente da Nova Central Sindical
de Trabalhadores – NCST.
Joilson observou a necessidade de estreitamento
das relações dos movimentos sociais com o Congresso Nacional,
onde há mais de 200 propostas que dizem respeito aos trabalhadores,
pois muitas delas garantem direitos, mas outras retiram benefícios.
Segundo ele, o movimento sindical, que historicamente cumpre um importante
papel na sociedade, sofre com problemas como a baixa sindicalização
e a informalidade.
O presidente da NCST afirmou que, ao
longo dos anos, o sindicalismo ganhou respeito da sociedade e do Parlamento.
Antes, sindicato era visto como “coisa de comunista”, hoje,
revelou Calixto, “é a nona instituição nacional
no ranking de instituições com mais credibilidade no país,
segundo o IBGE”. Ele também defendeu que a relação
entre sindicato e partido deve ser equilibrada, “um nunca pode
ser o braço ou a extensão do outro”.
Valorização do trabalho
O membro do corpo técnico Flávio
Tonelli representou o DIAP em palestra que discorreu sobre o diagnóstico
da realidade do trabalho no Brasil. Ele dividiu os debates com o representante
da CUT, Vilmar Locateli.
Tonelli reconheceu que o Governo Lula
tomou medidas importantes, mas a acomodação da política
econômica dificulta o equacionamento dos problemas do mundo do
trabalho. Ele ressaltou que o crescimento do PIB foi incorporado pelo
capital, não houve participação do trabalhador.
“É preciso crescer, mas numa linha de distribuição
de renda”, alerta.
Para Tonelli, o Brasil tem que implementar
um projeto de desenvolvimento com valorização do trabalho.
Após apresentar dados sobre o diagnóstico do trabalho
no Brasil, o palestrante elencou as seguintes sugestões: mudança
da política econômica estabelecendo metas de crescimento
e de desenvolvimento social; universalização dos serviços
públicos; valorização dos empregos, combate à
informalidade, valorização permanente dos salários,
proteção legal para direitos dos trabalhadores, regulamentação
e fiscalização.
Propôs, ainda, a redução
da jornada de trabalho e o fortalecimento do movimento sindical com
a edição de leis para punir atos anti-sindicais.
O último palestrante, Vilmar Locateli,
foi mais uma voz que se somou à posição unânime
pela redução da jornada de trabalho. “A matéria
deve constar do mutirão do trabalhador porque é consenso
na luta dos trabalhadores”, defendeu o sindicalista. Ele também
reforçou a necessidade de implementação de uma
política de elevação da capacidade aquisitiva do
salário mínimo.
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Nova Central, 18 de maio
de 2006
Em casos de transferência, empregado
só tem direito ao adicional se for comprovado o caráter
provisório da mesma
Empregado transferido de cidade, por ordem do empregador, só
tem direito ao adicional de transferência se ficar comprovado
que esta se deu em caráter provisório. A decisão
diz respeito a ação rescisória proposta pelo Banco
do Brasil em que se discutia o caráter provisório da transferência
de empregada que permaneceu por 20 anos no local para onde foi transferida,
até ser dispensada do emprego.
O voto, do ministro Ives Gandra da Silva
Martins Filho, acolhido por maioria na Seção Especializada
em Dissídios Individuais (SDI-2), desconstituiu a decisão
do TRT da 9a Região (Paraná) que reiteradamente vem decidindo
que toda transferência é provisória, sendo devido
o referido adicional.
O ministro Ives Gandra Martins
Filho baseou seu voto na jurisprudência do TST (OJ 113 da SDI-1)
que diz ser a provisioriedade o pressuposto legal apto a legitimar o
recebimento do adicional de transferência. O ministro, na seção
de julgamento, afirmou que "foge à razoabilidade" admitir-se
como provisória uma transferência que durou 20 anos, até
a dispensa da empregada. ROAR-6.283/2003-909-09-00.6.
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Folha de São Paulo,
18 de maio de 2006
Fome atinge 14 milhões de pessoas
no país, diz IBGE
PEDRO SOARES
RAPHAEL GOMIDE
Quase 14 milhões de brasileiros
(ou 7,7% da população) viviam em domicílios nos
quais a fome esteve presente ao menos um dia em 2004, revela a primeira
pesquisa sobre Segurança Alimentar feita pelo IBGE, como suplemento
da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio). Considerando
todos os níveis de insegurança alimentar, 72 milhões
de pessoas (39,8%) estavam vulneráveis à fome em maior
ou menor grau: tinham preocupação com a falta de dinheiro
para comprar comida, perderam qualidade em sua dieta ou ingeriram alimentos
em quantidade insuficiente.
Eram 18 milhões de domicílios
afetados pelo problema --ou 34,8% do total. Segundo o levantamento do
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que usou
metodologia adaptada ao Brasil, a insegurança alimentar grave
(ao menos uma pessoa da família relatou ter sentido fome nos
90 dias anteriores à pesquisa) atingiu 6,5% dos domicílios
do país, ou 3,35 milhões de lares.
Os 14 milhões de pessoas vulneráveis
à fome representam menos de um terço dos 44 milhões
usados como base para a implantação do Fome Zero. O cálculo
indireto, a partir da renda, levou em conta linha de pobreza definida
a partir de dados da Pnad-IBGE. Nesta pesquisa, a avaliação
é direta, mensurada a partir da percepção dos entrevistados
sobre sua segurança alimentar.
Para a economista Lena Lavinas, do Instituto
de Economia da UFRJ, os 72 milhões de pessoas em insegurança
alimentar mostram que o contingente de pessoas abaixo da linha de indigência
--sem dinheiro para consumir uma dieta de 2.200 calorias diárias--
é superior ao estimado pelo governo.
"A questão que se coloca
é que a linha de indigência é então de 72
milhões de pessoas. Será que essas informações
não servem para redefinir a linha do governo Lula, que estima
55 milhões de pessoas na pobreza? Essa é a conclusão
que se tira dessa pesquisa", disse.
Segurança alimentar
Relacionada diretamente à renda,
a segurança alimentar consiste no direito ao acesso regular e
permanente de alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem
comprometer outras necessidades essenciais.
A insegurança alimentar, por sua
vez, está dividida em diferentes níveis: o leve inclui
a preocupação com a possível falta de comida; o
moderado representa perda da qualidade da alimentação
e alguma restrição na quantidade de alimentos; o grave
evidencia a fome. Embora as metodologias das pesquisas sejam distintas,
nos Estados Unidos a insegurança alimentar atingia 16,5% dos
domicílios em 2002, sendo 3,5% desses classificados no nível
grave. A escala brasileira foi adaptada da norte-americana.
A pesquisa mostra ainda que metade das
crianças até 17 anos viviam em lares com algum grau de
insegurança alimentar --50,5% na faixa de 0 a 4 anos e 48,3%
na de 5 a 17 anos. Em geral, o problema diminui com a idade e a conseqüente
capacidade de trabalho e geração de renda. Os domicílios
com apenas adultos são menos suscetíveis à essa
situação --presente em 24,2% desses lares - do que aqueles
com crianças e adolescentes (42%).
Mais da metade (52%) das pessoas afetadas
pela fome em seu domicílio viviam no Nordeste, que concentrava
7,24 milhões de pessoas com insegurança alimentar grave.
O Maranhão é o Estado com maior percentual de lares com
o problema (18%). Os pesquisadores foram a campo entre outubro e dezembro
de 2004. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome encomendou e patrocinou a levantamento.
Em 2005, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva havia posto em dúvida a precisão de levantamentos
sobre hábitos alimentares ao contestar a Pesquisa de Orçamentos
Familiares (POF) do IBGE, que demonstrava haver mais pessoas acima do
peso do que com fome no país. "A fome não é
coisa medida em pesquisa", havia dito. Em 2003, o excesso de peso
afetava 41% dos homens brasileiros e 40% das mulheres. A POF mede o
consumo dos famílias e mostrou que o excesso de peso superava
o déficit de peso oito vezes entre as mulheres e 15 vezes entre
os homens.
Cenário
Apesar dos dados graves, o IBGE alerta: "O cenário não
é a África, vamos deixar isso claro, embora no estágio
mais grave seja identificada a fome", afirmou Márcia Quintslr,
chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento do IBGE.
Demonstração disso
é que, em domicílios com renda per capita de até
um quarto de salário mínimo, a insegurança alimentar
moderada ou grave chega a 61,2%. Para os lares com rendimento superior
a três salários mínimos per capita, isso só
se aplica a 1%.
Gráfico: Gazeta do Povo, 18 de maio de
2006
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Folha de São Paulo,
18 de maio de 2006
Programas sociais só beneficiam
um terço dos que passam fome
DA SUCURSAL DO RIO
Dos 18 milhões de domicílios
com algum nível de insegurança alimentar, apenas 5,3 milhões
(29% do total) eram beneficiários dos programas sociais de transferência
de renda, de acordo os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios). Ou seja: ainda existiam no país, em 2004,
12,5 milhões domicílios vulneráveis à fome
que não recebiam repasses do governo.
Naquele ano, 8 milhões de domicílios
tinham algum morador beneficiado por programas de transferência
de renda das diferentes esferas de governo, como o Bolsa-Família.
Entre os domicílios que recebiam transferências de renda,
os dados mostram que a maioria (66%) tinha ao menos um morador que relatou
insegurança alimentar em algum nível.
Uma distorção de foco dos
programas sociais, segundo especialistas, é que em 34% dos domicílios
que recebiam recursos de transferência de renda não houve
preocupação nem chegaram a faltar alimentos para uma dieta
saudável por restrições de renda. Dos domicílios
atendidos por programas sociais, 14,9% estavam em situação
de insegurança alimentar grave, na qual moradores relataram que
chegaram a passar fome ao menos uma vez nos três meses anteriores
à pesquisa, realizada em outubro de 2004. Era 1,2 milhão
de lares nessa situação.
Para Lena Lavinas, do Instituto de Economia
da UFRJ, os dados relevam a "enorme exclusão das políticas
sociais". Mostram ainda, diz, que os programas são "mal
desenhados e inadequados". "As estatísticas apontam
que há um déficit de cobertura de mais de 12 milhões
de pessoas. Os dados mostram que há um erro de focalização
gravíssimo", afirmou.
"O Bolsa-Família é
só uma forma de organizar a fila, na qual os mais pobres nunca
são os primeiros por desinformação ou porque simplesmente
o recurso destinado ao município acaba. Os programas de transferência
de renda têm de contemplar todos que precisam, que pela pesquisa
são 72 milhões de pessoas."
O secretário de Avaliação
e Gestão da Informação do Ministério de
Desenvolvimento Social, Rômulo Paes, afirmou que os programas
sociais hoje englobam mais gente que em 2004 e que o Bolsa-Família
vai incluir até o fim do ano as pessoas que não estavam
atendidas naquele ano. O governo estima que o Bolsa-Família atingirá
11,1 milhões de domicílios até o fim do ano. Hoje,
9,1 milhões de famílias recebem o benefício. Em
2004, eram 6,7 milhões os atendidos. (PS e RG)
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de maio
de 2006
O Brasil é o melhor lugar para
enriquecer
Consultor diz que nunca foi tão fácil
ganhar dinheiro como nos tempos atuais; no entanto, é preciso
investimento, tempo e inteligência
Dinheiro, tempo e decisões inteligentes.
Embora pareça óbvio, a união destes três
''ingredientes'' é apontada como fator fundamental para que as
pessoas consigam enriquecer nos tempos atuais. ''Nos últimos
anos não houve melhor lugar no mundo para se ganhar dinheiro
como no Brasil'', afirma o consultor Gustavo Cerbasi, mestre em Administração,
com especialização em Economia Familiar e Economia Doméstica.
A afirmação é amparada
em dois pilares: estabilidade da economia, portanto, um cenário
bem mais previsível do que nos períodos de hiperinflação,
e altas taxas de juros que, aliás, são uma das maiores
do mundo. ''Juros altos fazem a melhor multiplicação do
dinheiro, mas desde que se tenha algum dinheiro'', comenta Cerbasi.
E, ao contrário do que muitos imaginam, não é preciso
grandes quantias para que essa ''multiplicação'' ocorra.
Um exemplo são aplicações
em fundos de previdência privada. Com menos de R$ 100 mensais,
poupados durante 40 anos, é possível garantir uma aposentadoria
de R$ 10 mil por mês. Além disso, o advento da internet
e a consequente popularização das informações
ampliou os limites das ''pessoas comuns'' e trouxe novas possibilidades
de investimentos. É o caso do mercado de ações
que, embora esteja mais acessível, ainda é considerado
temerário por investidores de perfil conservador.
Na avaliação de Cerbasi,
a internet possibilita que o investidor comum acompanhe as informações
do mercado financeiro, tornando mais fáceis as decisões
sobre a hora de comprar e de vender os lotes. ''Escolhas erradas possibilitam
grandes perdas. Vender ações porque o mercado está
nervoso ou em períodos de crise não são considerados
bons negócios. Nesse caso, os investidores não podem ser
ingênuos'', argumenta. Segundo ele, grandes compradores de ações,
inclusive, aproveitam a ingenuidade de pequenos investidores para fazer
bons negócios.
No mercado das ações é
preciso levar em conta a solidez da empresa e entender quando há
oscilações passageiras do mercado. O consultor até
faz uma comparação com as compras feitas em final de feira.
''A melhor hora de comprar é aquela em que os produtos ainda
estão com boa qualidade e os preços já estão
em liquidação. Com a bolsa de valores é a mesma
coisa, é preciso entender os tiques do mercado'', observa. Uma
alternativa para pequenos investidores são os fundos de ações,
que são administrados por um gestor. ''Se o dinheiro for aplicado
em boas empresas é improvável que se perca dinheiro'',
diz.
Mas como em todo negócio é
preciso tempo, esforço e dedicação para fazer render
seu dinheiro. ''Quatro ou cinco horas por semana é suficiente
para se manter informado sobre o mercado financeiro. Não é
preciso acompanhar o andamento da bolsa de valores a cada meia hora'',
comenta o consultor. No entanto, ele reconhece que, atualmente, informação
é mais importante do que dinheiro. Esse ''ingrediente'' é
considerado fator fundamental para acertar nas decisões.
Mesmo para investidores que não
gostam do mercado financeiro ou de movimentações bancárias,
há outras formas de enriquecer. Uma delas pode ser aplicações
em imóveis. ''O aluguel garante uma renda mensal. No entanto,
é possível garimpar oportunidades e comprar um bom imóvel
por um preço mais baixo e depois, com calma, vender pelo preço
mais baixo. Só que isso exige mais trabalho e mais esforço'',
comenta. A pessoa que quer multiplicar o seu dinheiro tem, basicamente,
que reconhecer boas oportunidades de negócios.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
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FOLHA DE LONDRINA, 18 de maio
de 2006
EUA aprovam cerca na fronteira mexicana
Por 83 votos a 16, o Senado aprovou a
construção de mais 595 quilômetros de cerca tripla
e de controles de veículos em 805 quilômetros na fronteira
São Paulo - O Senado dos Estados Unidos aprovou ontem uma emenda
que prevê a construção de uma cerca de 595 quilômetros
ao longo da fronteira entre o território americano e o México.
A emenda aprovada pelos senadores por
83 votos a favor e 16 contra também dá sinal verde à
colocação de barreiras em cerca de 800 quilômetros
da fronteira a fim de impedir a passagem de automóveis.
A medida foi proposta pelos republicanos,
que são maioria nas duas câmaras que compõem o Congresso.
No início da manhã de ontem,
o Senado aprovou outra emenda que exclui de eventuais programas de legalização
estrangeiros com antecedentes criminais, dentro de um debate acirrado
sobre a reforma migratória.
A emenda, proposta pelos senadores republicanos
Jon Kyl (Arizona) e John Cornyn (Texas), exclui imigrantes ilegais que
tenham sido condenados por um delito grave ou por três delitos
menores.
Resta ainda debater cerca de dez emendas
relativas à questão migratória, que o Senado quer
resolver antes do final do mês.
Com uma manifestação em
frente à Suprema Corte e ao Congresso americano, centenas de
imigrantes, ilegais ou não, iniciaram ontem um dia nacional de
mobilização para defender a legalização
dos estrangeiros em reuniões com legisladores.
Quatrocentos religiosos, sindicalistas,
cidadãos americanos e estrangeiros ilegais de 20 Estados reuniram-se
com seus representantes e senadores, enquanto o Senado discute uma reforma
migratória que poderia legalizar parte dos 12 milhões
de imigrantes que vivem sem papéis nos Estados Unidos.
Na segunda-feira, o presidente americano,
George W. Bush, anunciou que irá enviar mais de seis mil soldados
da Guarda Nacional para a fronteira entre os Estados Unidos e o México
a fim de conter a imigração ilegal.
Em um pronunciamento em rede nacional
de televisão, Bush negou que estivesse promovendo uma ''militarização''
da fronteira, mas disse que queria usar as tropas para apoiar as patrulhas
de controle fronteiriço e que seis mil soldados serão
enviados à região nos próximos dois anos.
''Em coordenação
com os governadores (dos Estados da fronteira), até seis mil
membros da Guarda Nacional serão enviados à nossa fronteira
sul'', afirmou o presidente. Apesar destas medidas, Bush ressaltou que
''os Estados Unidos não vão militarizar sua fronteira
sul''. ''O México é nosso vizinho e nosso amigo.''
Folhapress
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 18 de maio de 20006 | Economia
CEF tem lucro de R$ 700 milhões,
o maior do 1º trimestre
O montante representa um crescimento de 47,3%
nos três primeiros meses de 2006, tomando como base o mesmo período
do ano passado
Gustavo Freire
BRASÍLIA - A Caixa Econômica
Federal (CEF) informou nesta quarta-feira que teve lucro de R$ 700 milhões
no primeiro trimestre deste ano. O montante é o maior de todos
os anos para o período, com crescimento de 47,3% tomando como
base o mesmo período do ano passado.
De acordo com a instituição,
as receitas com operações de crédito tiveram expansão
de 31% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período
do ano passado. O crédito comercial da CEF, por sua vez, apresentou
aumento de 37%.
Outros bancos
O resultado do lucro da CEF, apesar de
ser recorde para a instituição no período, é
inferior ao registrado por outros bancos do País, no mesmo período
com a mesma base de comparação. O Banco do Brasil, por
exemplo, registrou lucro líquido de R$ 2,3 bilhões, um
aumento de 142,9%. O resultado corresponde a retorno sobre patrimônio
líquido médio anualizado de 63% e lucro por ação
de R$ 2,93.
O Banco Itaú Holding Financeira
atingiu R$ 1,460 bilhão, com crescimento de 28%, enquanto os
ganhos do Bradesco cresceram 26,9%, chegando a R$ 1,530 bilhão.
O resultado da CEF é maior do que o registrado pelo Unibanco.
O banco teve crescimento 29,69% em seus ganhos líquidos, chegando
a R$ 520,445 milhões. O ganho por ação foi de 0,37206.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 18 de maio de 20006 | Economia
Dólar dispara para R$ 2,2040 e
Bolsa despenca
SÃO PAULO - O mercado externo
trouxe mais um dia de nervosismo para os mercados no Brasil. O dólar
comercial encerrou o dia cotado a R$ 2,2040, no patamar máximo
desta quarta-feira, em alta de 3,18%. A Bolsa de valores de São
Paulo (Bovespa) fechou em baixa de 2,86%.
Novamente o temor vem dos Estados Unidos.
Os últimos dados sobre a inflação norte-americana
foram maiores do que o esperado. Os investidores foram contagiados pelo
pessimismo ao interpretar que a alta da inflação em abril
dará motivações ao Fed (Federal Reserve, o banco
central dos EUA) para aplicar novas altas nas taxas de juros, o que
teria grande impacto nas famílias e empresas endividadas.
Ou seja, há um risco maior no
cenário geral, o que acaba prejudicando os negócios em
países emergentes, como o Brasil. Os investidores tendem a deixar
os mercados onde o risco é maior ou exigem um prêmio maior
para negociar nestes mercados.
O risco Brasil - taxa que mede a desconfiança
do investidor estrangeiro em relação à capacidade
de pagamento do País - fechou no patamar máximo do dia,
em 260 pontos base. Isso significa que o governo brasileiro para um
prêmio de 2,60 pontos acima dos juros dos títulos norte-americanos,
considerados sem risco.
Números nos EUA
O Departamento do Trabalho dos EUA informou
nesta manhã que o Índice de Preços ao Consumidor
(IPC) subiu 0,6% no mês passado, acima do 0,4% de março
e do 0,5% esperado pelos analistas. Descontando-se os produtos de preço
volátil como os combustíveis e os alimentos, o núcleo
da inflação foi de 0,3% em abril, também acima
do 0,2% previsto pelos analistas.
Em Nova York, este cenário pessimista
levou a uma onda de vendas de ações nas bolsas, que fez
com que o Dow Jones - índice que mede o desempenho das ações
mais negociadas na Bolsa de Nova York - caísse mais de 200 pontos
e fechasse em 2,86%. O mercado tecnológico Nasdaq, no qual se
cota a maior parte das empresas de setores tecnológicos, caiu
1,50%.
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O ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 18 de maio de 20006 | Economia
Bancos poderão mudar horário
em dias de jogos do Brasil na Copa
As alterações nos horários
durante a Copa do Mundo terão que ser informadas ao público
com dois dias úteis de antecedência
Gustavo Freire
BRASÍLIA - O Banco Central (BC) informou
hoje que os bancos poderão alterar os horários de atendimento
ao públicos nos dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo de Futebol.
Pelo texto da Circular 3.322, as agências bancárias poderão
ficar abertas neste dias por um mínimo de apenas 4 horas.
As instituições financeiras
também não precisarão observar a obrigatoriedade
de permanecerem abertos entre 12 horas e 15 horas nos dias de partidas
da seleção brasileira. Em dias normais, os bancos, além
de terem que observar este horário, são obrigados a manter
o atendimento ao público por um mínimo de cinco horas.
Na primeira fase da Copa do Mundo, a
seleção brasileira fará os jogos contra a Croácia
e o Japão às 16 horas de dias úteis - na terça,
dia 13 e na quinta-feira, dia 22, respectivamente. A partida contra
a Austrália será realizada às 13 horas do domingo,
dia 18.
As alterações nos horários
durante a Copa do Mundo terão que ser informadas ao público
com dois dias úteis de antecedência. O aviso da mudança,
de acordo com a norma do BC, terá que ser afixado nas agências
bancárias.
Na Copa do Mundo do Japão
e Coréia do Sul, os bancos não precisaram fazer adaptações
em seus horários de funcionamento. É que, naquela Copa,
os jogos do Brasil foram transmitidos para o país durante a madrugada,
em função das diferenças de fuso horário
em relação aos locais onde as partidas foram disputadas.
Se a seleção passar para as próximas fases da Copa
do Mundo da Alemanha, os bancos poderão fazer novas alterações
em seus horários de atendimento.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
18 de maio de 2006 | Economia
Telefone social pode alcançar até
80% da população do país
BRASÍLIA - O ministro das Comunicações,
Hélio Costa, afirmou que o número de linhas fixas no país
não aumentou nos últimos cinco anos por causa dos preços
cobrados pela assinatura básica mensal. Na opinião dele,
o alto valor da cobrança "levou ao telefone pai de santo,
aquele que só recebe".
Segundo ele, o projeto aprovado hoje
na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informática da Câmara dos Deputados para reduzir o valor
da assinatura vai alcançar quem ganha entre três e quatro
salários mínimos, o que representa, respectivamente, 65%
e 80% da população brasileira. "A importância
do projeto é a inclusão de pelo menos 12 milhões
de brasileiros na telefonia fixa, porque, com uma assinatura básica
na faixa de R$ 40 a R$ 45, a maioria dos brasileiros que ganha até
três salários mínimos não tem condição
de ter telefone em casa", disse.
"Com a redução para
aproximadamente R$ 17 ou R$ 18, vamos facilitar a inclusão do
telefone nos lares brasileiros que ainda não dispõem dele",
acrescentou. O projeto segue agora para a Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ). "Começamos a peregrinação
junto aos deputados da comissão para que possamos aprovar [o
projeto] o mais rápido possível", disse. Depois de
passar pela CCJ, o projeto segue para o plenário da Câmara,
devendo passar também pelo Senado Federal.
De acordo com Costa, a redução
do valor da assinatura vai beneficiar escolas. "Temos 70 mil escolas
públicas no Brasil na zona urbana que não têm telefone
porque a caixa não tem condição de pagar a assinatura
básica do telefone", observou. "Da mesma forma, 30
mil escolas rurais não têm telefone por não conseguirem
pagar a assinatura. Esse projeto vai resolver todos esses problemas",
afirmou.
O relator do projeto, deputado
José Rocha (PFL- BA), explicou que ele altera a Lei Geral das
Telecomunicações, permitindo que o governo instituia,
por meio de decreto, a tarifa social. Ele lembrou que a redução
pode alcançar serviços agregados, como a internet. "Do
telefone vem os outros serviços, como a internet, que passa a
ficar à disposição das pessoas que ainda não
dispunham de sinal em sua residência".
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
18 de maio de 2006
TSE mantém regra da verticalização
para eleições de outubro
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) manteve
a verticalização para as eleições deste
ano. A regra que obriga os partidos a repetirem as coligações
nacionais nos estados. A decisão foi tomada em sessão
plenária na noite de ontem (16/5) e divulgada em nota.
O PSL (Partido Social Liberal) havia
pedido reconsideração quanto à possibilidade de
que a emenda constitucional que derrubou a verticalização
valesse para as eleições de outubro. A emenda que pôs
fim à verticalização foi aprovada pelo o Congresso
Nacional em fevereiro deste ano, mas a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
entrou com uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade)
no STF (Supremo Tribunal Federal) contra a decisão dos parlamentares.
No final de março, por 9 votos
a 2, o Supremo manteve a obrigatoriedade de repetição
das coligações nacionais sob o argumento de que o artigo
16 da Constituição Federal proíbe qualquer alteração
no processo eleitoral no período de um ano antes das eleições.
Agora, os ministros do TSE também entenderam que modificar as
regras a menos de um ano da eleição "afetaria a segurança
jurídica" das decisões tomadas pelo tribunal.
Na próxima terça-feira
(23/5) o plenário do TSE decidirá se as novas normais
eleitorais, introduzidas pela Lei 11.300/06 - a chamada minirreforma
eleitoral, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
no último dia 10 - valerão para as eleições
deste ano.
As normas proíbem a distribuição
de brindes (camisetas, bonés, canetas, por exemplo), a realização
de showmícios, a apresentação de artistas e personalidades
nas campanhas e a divulgação de pesquisas eleitorais a
partir do 15º dia anterior à data da eleição.
O uso de outdoor também fica restringido. Além disso,
partidos, coligações e candidatos serão obrigados
a publicar relatórios discriminando os recursos recebidos para
financiamento das campanhas e os gastos efetuados. Os documentos devem
ser divulgados em seis de agosto, seis de setembro e depois das eleições.
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de maio de 2006
Substituição processual
Sindicato pode reivindicar o direito de
toda a categoria
A substituição processual
feita pelo sindicato — aquela em que ele vem em nome próprio
reivindicar direito alheio — é ampla e abrange não
apenas os associados, mas toda a categoria. O entendimento é
da 4ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho. Os ministros condenaram
a Companhia Vale do Rio Doce a pagar adicional de periculosidade a todos
os empregados representados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria
de Extração de Ferro e Metais Básicos de Congonhas,
Belo Vale e Outro Preto (MG).
A Companhia Vale do Rio Doce recorreu
ao Tribunal Superior do Trabalho contra a decisão do Tribunal
de Justiça Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas
Gerais). Alegou que a substituição processual na Justiça
do Trabalho não deveria abranger qualquer questão trabalhista
e toda a categoria. O Tribunal Superior, no entanto, não acolheu
o argumento.
O ministro Ives Gandra Filho, relator,
esclareceu que a Constituição Federal de 1988, em seu
artigo 8º, ampliou a abrangência da substituição
processual, que antes se limitava à defesa dos interesses individuais
e coletivos apenas dos associados, e hoje atinge toda a categoria representada
pelo sindicato substituto.
“Em um contexto constitucional
de unicidade sindical e de imposição de contribuição
sindical de toda a categoria ao sindicato único que a representa,
esse modelo de substituição processual ampla, geral e
irrestrita, quer quanto aos sujeitos substituídos, quer quanto
às matérias veiculáveis, é aceitável
e não compromete a atuação sindical na defesa do
trabalhador”, concluiu o relator.
Processo 1.185/2003-069-03-00.5
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de maio de 2006
Acerto de contas
Patroa pode abater da dívida valor
de empréstimo
A 6ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (São Paulo) decidiu que
patroa pode abater da dívida trabalhista o valor de empréstimo
feito a empregada doméstica. O empréstimo de R$ 140 foi
feito para quitar compra de produtos “Avon”.
Após ser condenada pela 33ª
Vara do Trabalho de São Paulo, a reconhecer o vínculo
empregatício e pagar verbas previdenciárias e rescisórias,
a patroa recorreu ao TRT-2. Ela pediu a reforma da decisão anterior
e o abatimento de R$ 140 referentes a produtos de beleza que pagou para
a ex-empregada, e que não foram incluídos no cálculo
feito pela Vara.
Em seu voto, o juiz Rafael Edson Pugliese
Ribeiro reconheceu que tanto o registro em carteira, quanto as verbas
previdenciárias, são obrigação da patroa,
assim como o pagamento das rescisórias. No entanto, uma vez que
a própria empregada concordou que a patroa quitou dívida
sua com a "Avon", o juiz compreendeu que o valor deveria ser
abatido na quitação.
O juiz entendeu que "ao acolher
o pagamento de dívida da autora como forma lícita de pagamento
das verbas rescisórias, conforme autorização da
autora, o valor dessa dívida deve ser considerado como pagamento".
Também observou que o valor do título pago não
havia sido incluído nos cálculos, determinando que a patroa
subtraia da dívida pendente o pagamento à "Avon".
Processo 01091.2005.033.02.00-3
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
18/05/2006
Contribuição ao INSS não
incide sobre aviso prévio indenizado
A contribuição previdenciária
não incide sobre os valores correspondentes ao aviso prévio
indenizado. Decisão neste sentido foi tomada pela Primeira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, que negou agravo de instrumento ao
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A hipótese de recolhimento
da contribuição foi afastada, segundo o juiz convocado
Guilherme Bastos (relator), diante da natureza estritamente indenizatória
da parcela paga ao trabalhador.
O objetivo da autarquia federal era o
de obter, no TST, o reconhecimento da incidência da contribuição
sobre o valor pago a título de aviso prévio indenizado
a um ex-empregado da Satipel Industrial S/A. A cobrança havia
sido afastada pela primeira instância trabalhista gaúcha
e, posteriormente, pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região
(Rio Grande do Sul).
O entendimento regional foi o da inviabilidade
do recolhimento sobre a parcela indenizatória. “Registre-se,
por oportuno, que não vinga a tese da natureza salarial do aviso
prévio indenizado, pois consoante a alínea “f”
do inciso V, do parágrafo 9º, do artigo 214 do Decreto 3.048/99
referida parcela não integra o salário de contribuição,
portanto não há falar em incidência de contribuição
previdenciária”, registrou o TRT gaúcho.
A manifestação foi questionada
pelo INSS com base em dispositivos do Código Tributário
Nacional ( artigos 116 e 123 do CTN), que limitariam a liberdade das
partes para a transação das parcelas do contrato de trabalho.
O INSS argumentou, ainda, que a isenção da contribuição
previdenciária sobre o aviso prévio indenizado foi afastada
pela Lei nº 8.212 de 1991.
No TST, Guilherme Bastos reforçou
a inviabilidade da cobrança da contribuição e afastou
a alegação do INSS ao registrar que a legislação
posterior sobre o tema – Lei nº 9.528 de 1997 – silencia
quanto ao fato de o aviso prévio integrar ou não o chamado
salário de contribuição.
“Recorde-se que o Decreto nº
3.048/99, o qual regulamenta a lei mencionada, exclui a parcela aviso
prévio do salário de contribuição. Sabe-se
que o decreto não pode contrariar a lei a qual regulamenta, até
em obediência à hierarquia entre as fontes formais de direito,
entretanto, repita-se, a lei é silente”, explicou o relator.
Guilherme Bastos concluiu seu voto
com menção à natureza da parcela que gerou o recurso
do INSS. “Como o aviso prévio indenizado não cuida
de retribuição ao trabalho prestado, tampouco de compensação
por tempo à disposição do empregador, configurando-se
em indenização pelo serviço não prestado,
resta evidente a sua natureza não-salarial, pois não há
salário sem trabalho efetivamente prestado”, concluiu.
(AIRR 154/2003-731-04-40.0)

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