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Agência Diap, 19 de maio de 2006
Direito do Trabalhador
Câncer e Aids: doenças graves
permitem saque do FGTS
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode ser sacado
integralmente em diversas situações, não necessariamente
por conta de demissão sem justa causa. Doenças como câncer
e Aids permitem ao trabalhador o resgate do saldo da conta vinculada
do fundo. Não somente no caso do titular da conta do FGTS está
doente, mas quando qualquer um de seus dependentes estiver acometido
pelo câncer ou portador do vírus HIV.
No ano passado, 32,6 mil trabalhadores
com neoplasia maligna sacaram o FGTS, o equivalente a R$ 137,4 milhões.
Já 29,2 mil trabalhadores portadores de HIV resgataram R$ 34,
2 milhões da conta vinculada do fundo.
Trabalhadores com câncer e com
vírus HIV também podem retirar o PIS/Pasep de contas cadastradas
no sistema antes de 4 de outubro de 1988. As cotas são de responsabilidade
do Ministério da Fazenda. O Fundo PIS/Pasep é resultante
da unificação dos fundos constituídos com recursos
do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de
Formação do Patrimônio do Servidor Público
(Pasep).
Como requerer
Para requerer, o beneficiário
deve se dirigir a uma das agências da Caixa Econômica. Para
os doentes com HIV, é preciso apresentar carteira de trabalho,
comprovante de inscrição no PIS/Pasep, atestado médico
fornecido para a Previdência Social ou por órgão
oficial de previdência social estadual ou municipal, com menção
à Lei nº 7.670/88, exames laboratoriais correspondentes,
comprovação de dependência, quando o portador da
doença não for o titular da conta do FGTS.
Para os casos de neoplasias, carteira
de trabalho, comprovante de inscrição no PIS/Pasep, atestado
médico fornecido para a Previdência Social ou por órgão
oficial de previdência social estadual ou municipal, com menção
à Lei nº 8.922/94, exames histológicos ou anatopatológicos,
conforme o caso, e comprovação de dependência, quando
o portador da doença não for o titular da conta do FGTS.
Outros casos
A movimentação da conta
vinculada do FGTS também pode ser feita por extinção
total da empresa, fechamento de quaisquer de seus estabelecimentos,
filiais ou agências, por exemplo.
Por aposentadoria; falecimento do trabalhador;
pagamento de parte das prestações decorrentes de financiamento
habitacional no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação
(SFH); liquidação ou amortização do saldo
devedor do financiamento; quando o titular da conta vinculada tem idade
igual ou superior a 70 anos; permanência da conta por três
anos ininterruptos sem depósito, para os contratos rescindidos
até 13 de julho de 1990 e para os demais contratos, com a permanência
do trabalhador por três anos ininterruptos fora do regime do FGTS;
aplicação em quotas de Fundos Mútuos de Privatização,
regidos pela Lei nº 6.385, de 7 de dezembro de 1976, sendo permitida
a utilização máxima de 50% do saldo.
Desastre natural
Está prevista, ainda, a possibilidade
de retirada do saldo do FGTS, nos casos de necessidade pessoal em urgências
e gravidades decorrentes de desastre natural, com limite de R$ 2,6 mil
por pessoa.
Serão observadas as seguintes
condições: o trabalhador deverá ser residente em
áreas comprovadamente atingidas de município ou do Distrito
Federal em situação de emergência ou em estado de
calamidade pública, formalmente reconhecidos pelo governo federal.
A solicitação de movimentação da conta vinculada
será admitida até 90 dias após a publicação
do ato de reconhecimento, pelo governo federal, da situação
de emergência ou de estado de calamidade pública.
A Lei nº 8.036/90, que dispõe
sobre o FGTS, determina ainda que o trabalhador pode resgatar o valor
do saldo do fundo quando ele ou qualquer de seus dependentes estiver
em estágio terminal, em razão de doença grave.
Porém, o inciso 14º do artigo 20, que trata deste item,
está em fase de regulamentação. Apesar de o texto
ter sido incluído na lei em 2001, o inciso precisa ser regulamentado
por decreto.
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Nova Central, 19 de maio
de 2006
Trabalhadora demitida durante gravidez
tem direito à indenização
O artigo 10, inciso II, letra “b” do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias (ADCT) protege a empregada gestante
de forma ampla pois não impõe qualquer condição
para o exercício do direito à estabilidade provisória,
compreendida entre a confirmação da gravidez até
cinco meses após o parto. Com esse esclarecimento do ministro
Aloysio Corrêa da Veiga (relator), a Sexta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho deferiu recurso de revista a uma trabalhadora mineira, que
teve seu direito negado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª
Região (Minas Gerais).
A decisão unânime do TST
levou em consideração a jurisprudência consolidada
no item I de sua Súmula 244. “O desconhecimento do estado
gravídico pelo empregador não afasta o direito ao pagamento
da indenização decorrente da estabilidade (art. 10, II,
"b" do ADCT)”, prevê o entendimento do Tribunal
sobre o tema.
No caso concreto, a trabalhadora obteve
o reconhecimento de seu direito na 4ª Vara do Trabalho de Uberlândia,
uma vez que, à época de sua demissão pela Algar
Call Center Service S/A (ACS), estava grávida. A empresa, contudo,
recorreu da sentença e obteve decisão favorável
no TRT mineiro, que reprovou a conduta adotada em juízo pela
gestante.
“Percebe-se claramente que a empregada
não tinha o menor conhecimento de seu estado gravídico
e, também, não tinha a intenção de retornar
ao emprego, mas apenas receber salários sem a respectiva contraprestação,
tanto que sequer postulou a reintegração, aspecto que
caracteriza verdadeiro abuso de direito”, registrou a decisão
da segunda instância (TRT-MG).
O recurso da trabalhadora no TST garantiu-lhe
o restabelecimento da sentença favorável. O ministro Aloysio
Veiga observou que a gestante não chegou a abrir mão do
direito à estabilidade temporária.
Foi demonstrado, segundo o relator, que
a empregada não contou com um advogado em primeira instância,
tendo seu pedido sido reduzido a termo por um servidor da Vara do Trabalho.
“Não há que se falar em renúncia da estabilidade,
visto que só é admissível quando benéfica
e quando importa declaração de vontade manifestada de
forma livre e consciente e, no caso, não se valeu da devida assistência
legal, justificando o fato de não ter pedido reintegração
no emprego em razão do desconhecimento da possibilidade de retorno
ao trabalho”, afirmou o relator, ao reproduzir a argumentação
da trabalhadora.
Aloysio Veiga esclareceu, ainda, que
o abuso de direito não pode ser presumido e não foi provado
que a empregada houvesse buscado seu direito à estabilidade com
o propósito único e exclusivo de obter a indenização.
“Há outros elementos capazes de fragilizar o argumento
do abuso de direito, como a ausência de assistência sindical
na homologação da rescisão e o fato do ajuizamento
da ação ter se realizado a termo, sem acompanhamento de
advogado”, concluiu, ao assegurar a indenização
da trabalhadora com base na Súmula 244, I do TST. (RR 859/2005-104-03-00.9)
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Diário Vermelho,
19 de maio de 2006
Dieese registra a realização
de 299 greves em 2005
No ano passado, os trabalhadores paralisaram suas atividades durante
20 mil horas. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 299 greves foram realizadas
em 2005.
Desse total, a maior parte (52%) foi
registrada no âmbito federal. Na análise do Dieese, que
obteve informações de 159 greves, verificou-se que 2 milhões
de trabalhadores participaram das paralisações, com uma
média de 12 745 participantes por greve. O número é
superior ao de 2004, quando essa mesma média foi de 8 552. No
setor privado, foram 135 greves, com a maior parte delas na indústria
(74). Ao contrário do que aconteceu na esfera pública,
onde a principal reivindicação dos trabalhadores foi por
aumento de salários, na indústria o motivo principal é
outro: das 74 greves analisadas pelo Dieese, em 35% delas os pleitos
estão relacionados a participação em lucros e/ou
resultados.
O reajuste salarial, na indústria,
vem em segundo lugar entre as reivindicações. Já
no setor de serviços, o aumento de salários foi o principal
motivo das greves (71%). Quanto ao resultado das negociações,
os trabalhadores tanto na esfera pública como na privada –
na maior parte das vezes — tiveram suas reivindicações
parcialmente atendidas, com uma parcela de 60,2%. Das 108 greves analisadas,
o Dieese observou que apenas em 8% delas nenhuma reivindicação
foi atendida. Em 15% dos casos os trabalhadores foram totalmente atendidos
em seus pleitos.
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Folha de São Paulo,
19 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006
Disputa pela vaga de vice do tucano foi decidida por seis votos e reflete
a divisão entre os grupos de ACM e do presidente do partido,
Jorge Bornhausen
PFL ignora Alckmin e escolhe José
Jorge
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PFL escolheu para ser vice na chapa
de Geraldo Alckmin à Presidência o nome que menos agradava
ao tucano, o senador José Jorge (PE). Alckmin preferia que o
também senador José Agripino Maia (RN), derrotado ontem
na disputa interna do partido, fosse seu companheiro na campanha. A
aliança entre os dois partidos será formalizada no próximo
dia 29, em Recife.
Após o anúncio do resultado, Alckmin telefonou para Agripino,
disse esperar "contar com o apoio dele na campanha e no governo"
e lamentou o resultado: "Raspamos na trave, hein?".
Em público, Alckmin desconversou.
"A minha preferência era pelo José. Havia dois Josés,
o Jorge e o Agripino. Se eu pudesse escolher, teria dois vices. Mas
esta é uma escolha que cabe ao PFL. O senador José Agripino
vai nos ajudar, vai cooperar conosco", disse Alckmin ontem, em
Belém. Vencedor da prévia, Jorge afirmou que trabalhará
para desatar os últimos nós que ainda emperram a aliança
em alguns Estados e que montará "pontos de apoio" para
que Alckmin possa crescer no Nordeste. "Vou cumprir o papel que
o presidente [Alckmin] escolher", declarou o escolhido.
Jorge também enumerou os três
pontos principais para a construção do programa de governo:
"A ética, que foi jogada no lixo neste governo, a geração
de empregos e a educação". Questionado sobre a segurança
pública, disse que "é preciso ser o mais rigoroso
possível com o crime organizado" e que "não
existe bandidagem local mas bandidagem nacional".
Ex-ministro de Minas e Energia do governo
Fernando Henrique Cardoso, Jorge esquivou-se de comparações
entre a gestão passada e um eventual governo Alckmin. "São
os mesmos partidos, as mesmas alianças, mas são governos
diferentes", disse. Sobre a falta de energia elétrica que
assolou o país em sua gestão no ministério, declarou:
"Eu fui o ministro que salvou o Brasil do apagão. Para se
instalar uma crise energética são necessários quatro
anos".
Divisão no PFL
A indicação do candidato
a vice foi feita em uma espécie de prévia, com urna e
voto secreto, na presidência do partido, em Brasília. Foram
consultados 96 membros da sigla entre as bancadas da Câmara e
do Senado, os governadores e vices, membros da Executiva Nacional e
prefeitos de capitais. A decisão ainda tem de ser referendada
em convenção nacional, marcada para 14 de junho.
A votação durou duas horas
e meia. A apuração, realizada na seqüência,
foi acompanhada sob tensão pelos dois senadores que pleiteavam
o posto e decidida por seis votos a favor de Jorge: 51 a 45, o que reflete
a divisão entre as alas do PFL ligadas ao presidente do partido,
Jorge Bornhausen (SC), que apoiava Jorge nos bastidores, e ao senador
Antonio Carlos Magalhães (BA), que trabalhava pela indicação
de Agripino.
Com o anúncio do placar adverso,
Agripino deixou a sala abatido, com ACM. Mais tarde, disse que esperava
ganhar. "Eu tinha as minhas contas, mas muitas pessoas mudaram
de opinião". Nos bastidores, comentava-se que o pano de
fundo da disputa fora a vitória de Bornhausen e do prefeito do
Rio de Janeiro, Cesar Maia, sobre o grupo "carlista". "Foi
uma eleição empatada. As duas vertentes eram positivas:
uma queria um vice ativo, a outra, mais discreto. Do ponto de vista
eleitoral, acho o vice mais discreto melhor porque é bom um vice
que não atrapalha", disse o prefeito do Rio.
"O placar apertado mostra que os
dois tinham prestígio. O partido sai unido e agora vamos completar
e formalizar a aliança", disse Bornhausen. Dos 96 integrantes,
apenas seis não foram a Brasília e enviaram os votos por
outros consultados, entre eles o governador de São Paulo, Cláudio
Lembo, cujo voto foi levado pelo prefeito da capital paulista, Gilberto
Kassab.
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Folha de São Paulo,
19 de maio de 2006
ENERGIA
Para reduzir "risco Bolívia", Petrobras elevará
produção e testará álcool como substituto
em usinas; diesel poderá incluir óleo vegetal
Governo cria plano contra dependência
de gás
HUMBERTO MEDINA, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
PATRÍCIA ZIMMERMANN, DA FOLHA ONLINE
A Petrobras anunciou ontem que irá
aumentar a oferta de gás natural produzido no Brasil em 24,2
milhões de metros cúbicos por dia a partir de 2008. O
Brasil continuará importando gás boliviano, mas o aumento
da demanda nos próximos anos poderá ser atendido por gás
do país. O gás adicional virá de novas descobertas
na bacia do Espírito Santo. "Nós temos um contrato
com a Bolívia, que eu espero que esteja em vigor até 2019,
para transporte de 30 milhões de metros cúbicos por dia,
que nós transportamos hoje 25 milhões. Esse contrato está
em vigor e continuará em vigor. Nós estamos falando em
24,2 milhões de metros cúbicos adicionais", informou
José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras.
Hoje o país consome 36 milhões
de metros cúbicos por dia. A demanda até 2010 deve subir
20% ao ano. A decisão da Petrobras quer evitar uma dependência
maior da Bolívia. O anúncio foi feito ao presidente Luiz
Inácio Lula da Silva em reunião no CNPE (Conselho Nacional
de Política Energética) ontem no Palácio do Planalto.
Na mesma reunião, a Petrobras informou que concluiu os testes
para introduzir o óleo vegetal no processo de produção
do óleo diesel. "Esse conjunto de ações faz
parte do plano de redução de dependência energética
do país", disse o ministro Silas Rondeau (Minas e Energia).
O uso de óleo vegetal na produção
do diesel foi considerado um "paradigma tecnológico",
e a estatal está patenteando o processo. O óleo vegetal
vai aumentar o volume de diesel produzido e melhorar a qualidade do
produto, segundo a empresa.
Hoje a demanda de óleo diesel no país é de aproximadamente
45 bilhões de litros por ano, parte dela importada. O aumento
na produção com o uso do óleo vegetal não
poderá, a princípio, substituir o volume importado.
De acordo com o ministro Roberto Rodrigues
(Agricultura), o uso de óleo vegetal poderá criar uma
demanda adicional para a soja de aproximadamente 1,2 milhão de
toneladas, colhidas em cerca de 420 mil hectares, que produzirão
cerca de 6 bilhões de litros de óleo vegetal . O aumento
da demanda levará a uma melhor cotação da soja.
Termelétricas
Rondeau anunciou também que a
Petrobras irá testar o uso de álcool como combustível
das usinas termelétricas. Os primeiros testes serão realizados
em setembro, na usina Barbosa Lima Sobrinho, no Estado do Rio de Janeiro,
mas o governo ainda não tem prazo para o uso do produto em escala
industrial. Os técnicos ouvidos pela Folha avaliam que o programa
precisa ser encaminhado com cuidado, pois poderia afetar diretamente
o mercado de álcool dos automóveis. Isso porque o país
enfrentou recentemente uma crise no abastecimento de álcool durante
a entressafra de cana, quando os preços do produto subiram de
forma preocupante, e o governo precisou interferir no mercado.
O próprio ministro Roberto
Rodrigues reconheceu que o programa será implementado como alternativa,
e não como substituto do gás natural, e que será
necessário um programa de estocagem do produto. Nas termelétricas,
o gás natural pode ser substituído, além do álcool,
por óleo diesel (caso de algumas usinas hoje), GLP (gás
liqüefeito de petróleo) e GNL (gás natural liqüefeito).
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Folha de São Paulo,
19 de maio de 2006
TRABALHO
Movimento deve se repetir em uma das três unidades da montadora
Volks-PR pára contra demissões
LÉO GERCHMANN
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
A fábrica da Volkswagen-Audi em
São José dos Pinhais (região metropolitana de Curitiba)
paralisou ontem suas atividades por quase cinco horas e deverá
parar novamente, durante 24 horas, na semana que vem -em dia ainda a
ser definido. O movimento se deve às 206 demissões que,
de acordo com os sindicalistas, ocorreram na empresa desde janeiro.
A primeira paralisação de ontem ocorreu entre as 5h30
e as 8h. À tarde, das 14h às 16h15. Para hoje, não
há previsão de parada.
De acordo com o SMC (Sindicato dos Metalúrgicos
da Grande Curitiba), na próxima semana haverá paralisação
de 24 horas em alguma das três plantas da empresa onde deve ocorrer
reestruturação: São José dos Pinhais, Taubaté
(SP) ou São Bernardo do Campo (SP) -a mais provável. ""Vamos
decidir isso até o fim de semana. Na segunda-feira, anunciaremos
a decisão. Defendemos que a primeira planta a paralisar as atividades
seja a de Taubaté ou a de São Bernardo do Campo.
Cada uma vai paralisar durante 24 horas
a cada semana", disse o presidente do SMC, Sérgio Butka,
que vai acertar o cronograma de paralisações com seus
colegas paulistas pelo telefone e em reuniões de cada sindicato.
Independentemente dessa paralisação programada, a unidade
de São José dos Pinhais vai parar também por 24
horas, caso haja alguma demissão na empresa. Podem, portanto,
ocorrer duas paradas de 24 horas na semana. A fábrica de São
José dos Pinhais tem 4.200 trabalhadores. Desse total, 1.200
funcionários estão em férias coletivas desde o
dia 2 e retornam na segunda-feira.
""A empresa se comprometeu
a dialogar conosco antes de promover cortes na sua reestruturação
e não está cumprindo o combinado. Imagina a insegurança
de todo o pessoal. Nesta semana, foram 28 demissões.
Até 2008, pretendem cortar 1.420
vagas, sendo 940 só em 2006. Estão demitindo "pingadinho".
Temos a informação de que na próxima semana serão
mais 28 [demissões]. Parar é nossa reação",
acrescentou Butka. A Volkswagen, por meio de sua assessoria de imprensa,
confirma as 28 demissões, mas nega relação delas
com o plano de reestruturação da empresa.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19 de maio de 2006
| Política
CIDADANIA-Projeto “Brasil Melhor”
propõe redução do Legislativo
Empresários e OAB vão
promover voto consciente
Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Oliveira Franco, da OAB, e Cláudio Slaviero, da ACP: mobilização
A Associação Comercial do Paraná (ACP) e a Ordem
dos Advogados do Brasil–Paraná (OAB-PR) se uniram para
elaborar uma campanha conjunta de conscientização do voto.
O projeto “Brasil Melhor”, apresentado ontem em Curitiba,
pretende mostrar para a sociedade a importância do voto qualificado.
As duas entidades tinham projetos individuais de campanhas
de cidadania pelo voto consciente e resolveram unir forças. “Conversamos
sobre as CPIs que viraram pizza e resolvemos não ficar omissos”,
disse o presidente da OAB-PR, Manoel Antônio de Oliveira Franco.
“Tanto nós como a ACP temos inserção na sociedade
e credibilidade. Nossos associados têm uma condição
cultural e social que exige uma manifestação sobre os
fatos que assolam o país.”
A primeira reunião com empresários e advogados para discutir
a campanha foi realizada ontem, para elaborar formas de transmitir as
mensagens para a sociedade. “Queremos que o cidadão entenda
que é preciso votar naqueles que se comprometam em trabalhar
para a sociedade e não escolher um candidato pelo segmento econômico
que faz parte, laços familiares ou de amizade. O voto é
a maneira que temos hoje de mostrar nossa indignação”,
disse Franco.
Além da ação pelo voto consciente,
as entidades defenderão três pontos na campanha: a redução
do número de cargos de confiança e comissionados, defendendo
o concurso público e atacando o nepotismo; a redução
dos número de deputados federais, estaduais e vereadores, como
forma de enxugar a máquina pública e os gastos com o parlamento,
além da discriminação obrigatória dos impostos
em todas as mercadorias e bens de consumo.
Segundo a direção das duas entidades,
a campanha é apartidária e vai utilizar a estrutura da
OAB-PR e da ACP em todo o estado. Apesar de se tratar de uma iniciativa
local, os idealizadores esperam que o projeto tenha repercussão
suficiente para se tornar um movimento nacional. Mesmo porque as três
principais propostas do “Brasil Melhor” precisam passar
pelo parlamento federal para serem efetivadas.
Daniela Neves
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19
de maio de 2006 | Política
CIDADANIA
Para um país melhor
As principais propostas da campanha lançada ontem:
* Ação pelo voto consciente.
* Redução do número
de cargos de confiança e comissionados, defendendo o concurso
público e atacando o nepotismo.
* Redução dos número
de deputados federais, estaduais e vereadores, como forma de enxugar
a máquina pública.
* Discriminação obrigatória
dos impostos em todas as mercadorias e bens de consumo.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19
de maio de 2006 | Economia
PESQUISA
Menos industriais estão
dispostos a elevar investimento
São Paulo – A maior parte das empresas brasileiras pretende
investir mais neste ano do que em 2005, segundo pesquisa realizada pela
Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgada ontem.
Das 1.043 indústrias ouvidas entre 31 de março e 5 de
maio, 55% projetam investir mais. Apenas 16% delas afirmam que pretendem
investir menos do que no ano passado. No ano passado, no entanto, o
índice de empresários que pretendiam aumentar o aporte
de recursos era de 65%, contra 8% dos que pretendiam diminuir.
Aumentar a capacidade de produção
foi o motivo apontado por 49% dos entrevistados para investir mais.
Seguem-se aumentar a eficiência produtiva e substituir máquinas
e/ou equipamentos. Entre os fatores que limitam os investimentos, os
mais citados pelas indústrias foram carga tributária elevada,
incertezas sobre a demanda e custo do financimento.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19
de maio de 2006 | Mundo
DIREITOS HUMANOS-Órgão com representantes
de sete países latinos tem o mesmo status do Conselho de Segurança
Brasil ganha vaga em novo conselho
Tom Haskell-Pool/Reuters
Crianças recebem proteína na Coréia do Norte: órgão
da ONU vai ampliar pressão pelo respeito aos direitos básicos
Curitiba – O Brasil e outros sete
países da América Latina e Caribe foram eleitos na última
semana para o novo Conselho de Direitos Humanos das Nações
Unidas. Grupos defensores dos direitos humanos criticaram a eleição
de países reconhecidos como violadores de direitos humanos para
compor as 47 vagas do Conselho (veja quadro), como Arábia Saudita,
Paquistão, Rússia, Cuba e China, mas a criação
de novas normas tende a exercer uma “cobrança indireta”
sobre política interna desses países, dizem os especialistas.
Lucia Nader, coordenadora de Relações
Internacionais da ONG Conectas Direitos Humanos, comenta que o Brasil
foi o mais votado da América Latina, com 165 votos dos 191 membros,
e terá mandato de dois anos, podendo ser reeleito apenas uma
vez. No médio prazo a perspectiva é que o Brasil deixe
de ser apenas um ator coadjuvante e tenha maior poder de decisão
na ONU, diz o professor de Direito Civil da Universidade Federal do
Paraná, Luiz Edson Fachin. “Mas, por enquanto, estamos
em uma encruzilhada porque ainda precisamos nos firmar como liderança
regional.”
A antiga Comissão de Direitos Humanos, criada em 1946, perdeu
um pouco de sua credibilidade por ser muito seletiva e politizada, analisa
Lucia. “Muitos faziam parte da Comissão simplesmente para
se proteger de denúncias.” Em setembro de 2005, o secretário-geral
das Nações Unidas, Kofi Annan, propôs a substituição
da comissão por um novo conselho. O órgão tem hoje
o mesmo status do Conselho de Segurança e do Conselho Econômico
e Social.
“O Conselho ganhou mais legitimidade
porque foi eleito pelos 191 membros da Assembléia Geral da ONU
e poderá ficar mais ágil porque o número de participantes
caiu de 53 para 47”, afirma Lucia. As normas do novo Conselho
prevêem a expulsão de países que violam os direitos
humanos e todos os participantes estarão submetidos à
relatórios periódicos.
Com a mudança de status político
dos Direitos Humanos dentro da ONU,se espera mais discussões
sobre as garantias dos indivíduos, assim como maior participação
dos Estados e comprometimento internacional, avalia o especialista em
Direito Internacional, Friedman Wendpap.
Para Fachin, o Conselho precisa
ter a partir de agora uma função mais promocional, pró-ativa
e preventiva diante de conflitos internacionais bélicos ou divergências
econômicas. “A nova arquitetura interna do Conselho não
deve ser mais defensiva.” Para Lucia, será preciso pressionar
para que os países façam do órgão um lugar
efetivo. Os Estados Unidos ficaram de fora do Conselho, por defenderem
que fosse formado apenas por um grupo pequeno de países e somente
aqueles que respeitam os direitos humanos.
Keyse Caldeira
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19
de maio de 2006 | Mundo
DIREITOS HUMANOS
Os eleitos
Os 47 membros participam da primeira sessão do Conselho de Direitos
Humanos da ONU no dia 19 de junho. Confira os eleitos:
África: Argélia,
Camarões, Djibouti, Gabão, Gana, Mali, Marrocos, Ilha
Maurício, Nigéria, Senegal, África do Sul, Tunísia
e Zâmbia.
Ásia: Arábia
Saudita, Bahrein, Bangladesh, China, Filipinas, Índia, Indonésia,
Japão, Jordânia, Malásia, Paquistão, Coréia
do Sul e Sri Lanka.
Europa Oriental: Azerbaijão,
Rússia, Polônia, República Tcheca, Romênia
e Ucrânia.
América Latina e Caribe:
Argentina, Brasil, Cuba, Equador, Guatemala, México, Peru e Uruguai.
Europa Occidental e outros:
Alemanha, Canadá, Finlândia, França, Países
Baixos, Suíça e Reino Unido.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 18 de maio de 2006 | Economia
Arrecadação de abril é
o 2º melhor resultado da história
A arrecadação de impostos e contribuições
federais no mês de abril atingiu R$ 34,966 bilhões. Petrolíferas
e bancos puxaram arrecadação
Fabio Graner e Renata Veríssimo
BRASÍLIA - A arrecadação
de impostos e contribuições federais no mês de abril
atingiu R$ 34,966 bilhões, informou na tarde de hoje a Secretaria
da Receita Federal. Trata-se do melhor resultado para meses de abril
e o segundo mais forte na série histórica. O valor só
não supera a arrecadação de dezembro de 2005 que,
corrigida pelo IPCA, soma R$ 37,246 bilhões. A Receita destaca,
no entanto, que os meses de dezembro são, tradicionalmente, mais
fortes em volume de arrecadação.
A arrecadação de abril
é 5,29% superior ao registrado em abril de 2005, que foi de R$
33,208 bilhões (valor atualizado pelo Índice de Preços
ao Consumidor Amplo - IPCA). Em relação a março
de 2006, o crescimento em abril foi de 19,36%. No primeiro quadrimestre
deste ano, a arrecadação federal chegou a R$ 125,345 bilhões,
valor 2,67% maior que os R$ 122,936 bilhões (atualizado pelo
IPCA) verificado em igual período de 2005.
Petrolíferas e bancos puxaram
arrecadação
De acordo com o secretário-adjunto
da Receita Federal, Ricardo Pinheiro, o forte resultado da arrecadação
em abril foi provocado pelas receitas maiores obtidas com o Imposto
de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição
Social sobre Lucro Líquido (CSLL) do setor de petróleo
e também pela maior arrecadação do IRPJ das instituições
financeiras. "O restante está dentro da normalidade",
disse Pinheiro.
O setor de petróleo rendeu em
IRPJ para os cofres do governo em abril R$ 953 milhões, ante
R$ 515 milhões no mesmo período de 2005. A arrecadação
da CSLL do setor na mesma comparação passou de R$ 192
milhões para R$ 345 milhões. "Isso é reflexo
do lucro das empresas do setor", afirmou.
No setor financeiro, Pinheiro explicou
que no ano passado a arrecadação de IRPJ foi prejudicada
por uma decisão judicial que permitiu uma compensação
de créditos dos bancos. "Como esses créditos cessaram
neste ano, a arrecadação está crescendo",
afirmou. No período, a arrecadação de IRPJ com
os bancos passou de R$ 397 milhões para R$ 614 milhões,
uma expansão, em termos reais, de 47,57%.
Previdência
Já a arrecadação
previdenciária em abril somou R$ 9,929 bilhões. Esse valor
é 7,17% superior aos R$ 8,854 bilhões (valor atualizado
pelo IPCA) verificado em abril de 2005. No primeiro quadrimestre deste
ano, a arrecadação da Previdência totalizou R$ 39,767
bilhões, montante 8,96% maior do que os R$ 34,667 bilhões
(valor atualizado pelo IPCA)registrados de janeiro a abril de 2005.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
18 de maio de 2006 | Economia
Sul ameaçado com desabastecimento
PORTO ALEGRE e CUIABÁ –
Os bloqueios de estradas em diversos pontos do Rio Grande do Sul podem
causar desabastecimento no interior do Estado.
Desde o início dos protestos,
na terça-feira, diversas cidades gaúchas começam
a sentir o reflexo das paralisações nas rodovias estaduais
e federais, causando transtornos para comerciantes, viajantes, universitários
e o trânsito em geral. Um dos exemplos foi o cancelamento, pela
Universidade de Ijuí (Unijui) das aulas nos turnos das noite
em todos os seus campi e núcleos universitários, já
que os ônibus com os alunos ficam trancados nas rodovias.
Em Carazinho na Região do Alto
Jacuí, no entroncamento das BRs 285 e 386 a juíza da 3ª
Vara Cível do município, Marlene de Souza, determinou
a liberação do trecho para a passagem de ônibus,
veículos dos Correios e caminhões com cargas perecíveis.
Se a ordem não for cumprida, a Federação dos Trabalhadores
na Agricultura (Fetag), o Sindicato Rural e o Sindicato dos Trabalhadores
Rurais de Carazinho, que são os responsáveis pelos protestos,
terão que pagar uma multa diária de R$ 30 mil.
Em São Luiz Gonzaga, na Região
das Missões, o trevo de acesso à cidade, na BR-285 com
a RS-168, também encontra-se bloqueado, e o comércio local
fechou as portas.
O vice-presidente da Associação
do Comércio e Indústria (ACI) do município, Amauri
Feron, está preocupado com a situação.
“Se continuar assim, corremos o
risco de ter desabastecimento de gás de cozinha, leite longa-vida,
carne bovina e hortigranjeiros.” O leite e seus derivados também
podem faltar, conforme o presidente do Sindicato dos Produtores de Leite
no Estado, Jones Raguzzoni.
“Existem caminhões com leite
parados há mais de 24 horas. Vai estragar o produto e, como estamos
na entressafra, corremos o risco de desabastecimento”, alertou.
Confronto
Agricultores de Mato Grosso entraram
em confronto com policiais rodoviários federais ontem na cidade
de Sorriso, no Norte do Estado. Por determinação da Justiça,
a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tentou cumprir mandado
de desocupação da BR-163, também conhecida como
rodovia Cuiabá- Santarém.
Os policiais lançaram uma bomba
de efeito moral e disparam tiros para o alto. Cinco pessoas foram presas
e sete feridas.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
18 de maio de 2006 | Economia
Movimentação de carga importada
cresce 14% no país
BRASÍLIA - No mês de abril
de 2006 a Infraero apresentou crescimento de 14,7% na movimentação
de carga importada por via aérea, em relação ao
mesmo mês do ano anterior. Foram 26,8 mil toneladas, contra 23,4
mil toneladas. Na exportação, foi registrada redução
de 17,5%, diminuindo de 25,3 mil toneladas para 20,8 mil toneladas.
O movimento de carga exportada e importada reduziu 2%, passando de 48,7
mil, para 47,7 mil toneladas.
Estes números foram mantidos,
se levado em consideração que no último ano o índice
de movimentação de carga aérea foi negativo. Isto
é, movimento do ano de 2005 em comparação os de
2004 teve redução de 3,9%. A movimentação
de carga no mês de abril deste ano representou R$ 51 milhões.
No ano anterior, este número foi de R$ 46 milhões, um
aumento de 10,9%.
A expectativa da Infraero é de
fechar o ano com R$ 633 milhões em receita de carga. Este é
um dos setores mais rentáveis da empresa, que em 2005 representou
22% da receita bruta total.
Outro fator que deve ser observado é
que, historicamente, as indústrias aquecem sua produção
no segundo semestre do ano, o que leva a crer que 2006 fechará
com números de movimentação de carga mais expressivos
que os do primeiro semestre.
Dos 32 terminais de logística
de carga brasileiros, todos administrados pela Infraero, o primeiro
em arrecadação é o do Aeroporto Internacional de
São Paulo, que movimentou em abril deste ano, R$ 18 milhões.
Em seguida vêm os terminais dos Aeroportos de Campinas, Manaus
e Galeão.
Entre os produtos que mais apresentaram
crescimento na movimentação de carga internacional estão
celulares, DVDs e eletroeletrônicos em geral.
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CONSULTOR JURÍDICO,
18 de maio de 2006
‘Sistema execrável’
TST dispensa precatório para débito
de pequeno valor
Não é razoável admitir
que o crédito trabalhista de pequeno valor, devido por ente público,
submeta-se “às delongas e incertezas características
do execrável sistema do precatório”, para que seja
pago ao trabalhador. A afirmação é do ministro
João Oreste Dalazen, no julgamento do recurso do Hospital de
Clínicas de Porto Alegre, pela 1ª Turma.
O HCPA conseguiu ser dispensado do pagamento
de precatório de uma dívida de menos de 60 salários
mínimos. O TST também reconheceu a impenhorabilidade dos
bens, serviços e rendas da unidade hospitalar.
“Acrescente-se, ainda, que trata-se
de hospital vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do
Sul e que presta relevantes serviços na área de saúde,
destacadamente em relação a pessoas provenientes do Sistema
Único de Saúde”, afirmou o ministro Dalazen.
O relator observou, também, que
a Emenda Constitucional 20 de 1998 acrescentou dispositivo ao artigo
100 da Constituição para excluir do regime dos precatórios
“os pagamentos de obrigações da Fazenda Pública
Federal, Estadual ou Municipal, decorrentes de sentença judicial
passada em julgado, definidas em lei como de pequeno valor”.
Outro ponto destacado pelo ministro Dalazen
foi a vigência da Lei 10.259 de 2001 que, ao instituir os Juizados
Especiais Federais, dispensou o uso dos precatórios para o pagamento
de débitos inferiores a 60 salários mínimos no
prazo de 60 dias, contados da entrega da requisição judicial
de pagamento.
Nesse contexto, frisou o relator, o empregado
deveria contar com a mesma vantagem, sobretudo em relação
a verbas de natureza alimentar, como é o caso da trabalhista.
Citou, ainda, a previsão Orientação Jurisprudencial
1 do Pleno do TST. A regra diz: “há dispensa da expedição
de precatório, na forma do art. 100, § 3º, da CF/1988,
quando a execução contra a Fazenda Pública não
exceder os valores definidos, provisoriamente, pela Emenda Constitucional
nº 37/2002, como obrigações de pequeno valor, inexistindo
ilegalidade, sob esse prisma, na determinação de seqüestro
da quantia devida pelo ente público.”
AIRR 71.233/2002-900-04-00.9
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19/05/2006
TST afasta requisito para atuação
judicial do sindicato
A tramitação do processo
trabalhista movido pelo sindicato da categoria não depende da
apresentação, nos autos, da relação dos
que estão sendo substituídos em juízo pela entidade
sindical. Sob esse entendimento unânime, a Seção
de Dissídios Individuais – 1 (SDI-1) negou embargos em
recurso de revista à General Motors do Brasil Ltda. A decisão
confirmou, segundo voto do ministro Carlos Alberto Reis de Paula (relator),
o exame de reclamação trabalhista formulada pelo Sindicato
dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região
(SP).
A manifestação da SDI-1
resultou na manutenção de decisão anterior da Primeira
Turma do TST, que deferiu recurso de revista à entidade sindical
do interior paulista, garantindo-lhe a tramitação de reclamação
trabalhista sobre o pagamento do adicional de periculosidade ao conjunto
da categoria. Esse exame será feito por Vara do Trabalho de São
José dos Campos, onde o processo foi originalmente proposto.
O exame inicial sobre o tema, na primeira
instância paulista, foi desfavorável ao sindicato. A ausência
da lista dos trabalhadores substituídos levou ao indeferimento
do processo sem que seu mérito – o direito ao adicional
de periculosidade – fosse apreciado. O entendimento, em seguida
confirmado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas – SP), foi o de que a ausência dos substituídos
resultaria no cerceamento de defesa da montadora, pois a concessão
do adicional envolveria o exame de condições de trabalho
individualizadas.
Os órgãos judiciais do
TST, contudo, afastaram o entendimento das instâncias regionais.
Segundo o ministro Carlos Alberto, a exigência da lista não
pode prevalecer diante do cancelamento da Súmula nº 310
do TST, que interpretava a previsão do texto constitucional sobre
o tema (artigo 8º, inciso III) e dispunha sobre os requisitos para
a atuação do sindicato em nome da categoria que representa.
“Em face do texto constitucional,
têm os sindicatos legitimidade para ajuizar ação,
em benefício de integrantes da categoria, desde que presente
um nexo entre o interesse a ser protegido pela entidade sindical e o
interesse em disputa dos integrantes da categoria", afirmou o relator,
ao negar os embargos à empresa e, assim, confirmar o retorno
do processo à primeira instância para novo exame, desta
vez sobre o mérito: o direito ou não ao adicional de periculosidade.
(ERR 962/2000-013-15-00.1)
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19/05/2006
Turma do TST admite multa em caso de falsa
justa causa
A multa do artigo 477, parágrafo
8º, da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), devida
quando há atraso no pagamento das verbas rescisórias,
também se aplica aos casos em que a dispensa do trabalhador por
justa causa é descaracterizada por decisão judicial. A
hipótese foi admitida pela Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, conforme tese desenvolvida pela ministra Maria Cristina
Peduzzi, relatora de recurso de revista negado, por unanimidade, a um
proprietário rural paranaense.
“Segundo o artigo 2º da CLT,
os riscos da prestação dos serviços devem ser suportados
pelo empregador, incluindo-se naqueles os decorrentes do próprio
contrato de trabalho”, afirmou Cristina Peduzzi ao fundamentar
a decisão da Terceira Turma.
No caso concreto, após pouco mais
de quatro anos de relação de emprego, um lavrador do interior
do Paraná ajuizou reclamação trabalhista na Vara
do Trabalho de Rolândia. Além de verbas salariais, pediu
o pagamento da multa do artigo 477, uma vez que não recebeu as
parcelas rescisórias na época prevista em lei.
O empregador contestou o pedido com a
afirmação de que o trabalhador tinha sido demitido por
justa causa, conforme as previsões das letras “e”
e “h” do artigo 482 da CLT (desídia no desempenho
das respectivas funções e ato de indisciplina ou de insubordinação).
A alegação, contudo, não foi objeto de qualquer
prova e, por isso, a sentença foi favorável ao lavrador,
considerado como dispensado sem justa causa. Posteriormente, o Tribunal
Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná) confirmou
o direito ao pagamento da multa do artigo 477 da CLT.
“A multa é devida quando
do atraso no pagamento das verbas rescisórias mesmo com a desconstituição
da justa causa somente em juízo, pois tem-se que o atraso ocorreu
por culpa exclusiva do empregador ao emprestar natureza equivocada à
rescisão contratual, ainda mais no caso como o presente, em que,
em nenhum momento, foi apresentada justificativa plausível para
a dispensa por justo motivo”, registrou a decisão do TRT/PR.
No TST, a relatora do recurso de revista
examinou o tema a partir de um elemento essencial à caracterização
da figura do empregador: os riscos de seu empreendimento. “Nesse
sentido, a imputação da justa causa consubstancia risco
assumido pelo empregador, que causa dano, material e moral, à
esfera jurídica alheia (trabalhador)”, observou Cristina
Peduzzi.
“Assim, no presente caso,
diante da controvérsia acerca da configuração da
justa causa e do reconhecimento judicial da despedida imotivada, a assunção
dos riscos do empreendimento pelo empregador, a teor do art. 2º
da CLT, justifica a aplicação da multa prevista no artigo
477, parágrafo 8º, da CLT”, concluiu. Na mesma decisão,
a Terceira Turma do TST confirmou a decisão regional que atribuiu
ao empregador o ônus da prova em relação aos depósitos
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). (RR 757518/2001.2)

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