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JORNAL GAZETA DO POVO, 21 de maio de 2006 |
Imóveis
MERCADO
Pequenas mas valentes
A construção de pequenos
condomínios é uma das principais fontes de renda das empresas
menores.
Em um mercado competitivo e cheio de incertezas, as micro e pequenas
empresas da construção civil de Curitiba sobrevivem como
podem aos percalços econômicos. Elas aguardam a valorização
dos preços dos produtos imobiliários justamente em uma
cidade onde desvalorização parece ser palavra de ordem.
A capital paranaense tem uma das menores
médias de preços do metro quadrado construído entre
as grandes cidades do Brasil. À despeito disso, as pequenas empresas
resistem lutando em duas frentes: trabalhando em áreas que não
interessam às grandes e prestando serviços. Segundo Welington
Folly Filho, diretor da Simétrica Construção Civil,
que conta com 20 funcionários, a concorrência com as grandes
empresas não chega a atrapalhar. “Participamos de muitas
licitações para realizar pequenas obras públicas,
algo pelo qual as grandes dificilmente se interessam, pelo baixo valor
que envolvem”, explica Folly Filho.
Além das obras públicas, contratadas via licitação,
as construtoras de menor porte se dedicam também à construção
de pequenos empreendimentos. Mário Boaron, sócio-proprietário
da Engerama Engenharia, afirma que o trabalho deve ser proporcional
ao tamanho das empresas. “Nosso foco principal são os condomínios
residenciais. Atualmente fazemos muitos sobrados, em pequenos condomínios
horizontais”, destaca.
Reformas também fazem parte dessa
rotina, como afirma Antônio Peryuk Júnior, diretor da AB
Júnior Construção Civil. “Atuamos, basicamente,
em obras de reparos”, diz o dirigente, que ainda revela outro
campo aberto para a exploração das microempresas da área.
“Realizamos também consultoria de custos para as grandes
construtoras”, diz.
Segundo Plínio Pessoa Filho,
diretor da Construtora Pessoa, as boas pequenas e médias construtoras
locais têm a sua fatia de mercado praticamente assegurada por
uma razão simples. “Qualquer pessoa pode ter fácil
acesso aos responsáveis por ela, diferentemente de uma S.A. de
fora, cujos donos ninguém conhece”, ressalta. Quanto aos
preços baixos praticados em Curitiba, Andrei Giacomazzi, sócio-diretor
da Giacomazzi Construtora, se diz otimista. “Acredito que a tendência
é aumentar o preço por aqui, principalmente por causa
da diminuição do número de ofertas no mercado que
estamos observando”, prevê Giacomazzi.
Flávio Miranda
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de maio de 2006 | Imóveis
MERCADO
Em Curitiba, preço espanta
“estrangeiras”
O desenvolvimento de Curitiba e a difusão da imagem de cidade
moderna e bem planejada fizeram da capital paranaense um pólo
de atração de pessoas e de grandes empresas vindas de
diferentes partes do país. No setor da construção
civil, no entanto, tal apelo não funciona: pouquíssimas
são as empresas de fora da cidade que se arriscam no mercado
curitibano, atípico e pouco atrativo às grandes organizações
do setor.
Se o número de grandes empresas
atuando na construção é pequeno em todo o Brasil,
em Curitiba há agravantes que espantam ainda mais as grandes
empresas da cidade, consolidando a capital paranaense como um autêntico
reduto das micro e pequenas empresas da construção.
Segundo dados fornecidos pelo Sindicato
da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná
(Sinduscon-PR), em 2004 operavam 2.057 construtoras na cidade, das quais
2.019 contavam com até 99 empregados. “Pode-se contar nos
dedos as grandes empresas do setor em Curitiba”, destaca Júlio
Araújo Filho, presidente do Sinduscon-PR.
Para o executivo, o custo do imóvel
pronto em Curitiba, comparado ao de outras cidades do mesmo e até
de menor porte, é o que mais afugenta as grandes empresas, que
ajudam a fomentar o desenvolvimento do setor (são os 4,62% responsáveis
por 43% do valor movimentado na área). “O preço
médio do metro quadrado em Curitiba está em torno de R$
1,2 mil. Em Florianópolis é de R$ 2 mil, e em Porto Alegre
R$ 2,5 mil. Como justificar esse desnível?”, questiona
Araújo Filho.
Para Fernando Thá, diretor
de comunicação da Associação dos Dirigentes
de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR),
a resposta pode estar no paradoxal comportamento do curitibano. “Trata-se
de um dos povos mais exigentes quanto à qualidade, mas que não
gosta de pagar o preço por ela.”
(FM)
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de maio de 2006 | Imóveis
MÃO-DE-OBRA
Pequenas são grandes empregadoras
Se em Curitiba há poucas grandes construtoras, no resto do país
não é muito diferente. A Câmara Brasileira da Indústria
da Construção (CBIC) fez uma pesquisa em 2001 que ratifica
o que já se suspeitava: as micro, pequenas e médias empresas
(que correspondem a 95,4% de um total de 96.968 organizações)
são as que mais empregam no setor da construção
no Brasil. Segundo o estudo, de um total de 1.120.882 trabalhadores
da área, 72,1% desempenham suas atividades nas empresas menores,
ao passo que as grandes (que somam apenas 4,62% do total de empresas)
empregam 27,93% dos funcionários do setor.
(FM)
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de maio de 2006 | Imóveis
SAIBA MAIS
Perfil
O critério para classificar o porte de uma empresa pode variar,
mas alguns estudos estabelecem parâmetros para tal definição,
sendo os mais usuais o número de empregados registrados, a receita
operacional e o faturamento da empreendedora. Pela distinção
quanto ao número de empregados, a CBIC considera o seguinte:
• Microempresa: até
19 empregados;
• Pequena: de 20 a 99 empregados;
• Média: de 100 a 499 empregados;
• Grande: 500 funcionários ou mais.
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INFORME SERGIPE.COM, 22
de maio de 2006
Empregados da construção
civil assinam acordo salarial
Pela primeira vez em 13 anos, os Sindicatos
da Indústria da Construção Civil - Sinduscon/SE-
e dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção
Civil - Sintracon - assinaram o acordo coletivo no mês de maio,
que é a data base da categoria.
A assinatura aconteceu ontem (19), durante
um almoço organizando pelo Sinduscon/SE para comemorar a filiação
de novos associados. "Os percentuais negociados foram satisfatório,
mas queremos destacar o sucesso das negociações que permitiu
chegarmos a um entendimento rapidamente sem que houvesse desgastes para
ambos os lados", comemora o presidente do Sintracon, Jaime Humbelino
de Souza.
Segundo o presidente do Sinduscon/SE,
Luciano Barreto, ao assinarem o acordo no mês da data base, os
dois sindicatos mostraram maturidade e que é possível
manter uma convivência harmoniosa entre empregadores e empregados.
"Somos parceiros e precisamos fazer um debate equilibrado como
o que resultou no acordo que estamos assinando agora".
Pelo acordo assinado ontem, o profissional
(pedreiro, carpinteiro, eletricista, encanador, armador, motorista da
construção civil, pintor, etc) terão o salário
reajustado em 10.86%. Já os guincheiros, dampeiros e cabos de
turma ganharam um reajuste de 11%, enquanto os mestres de obras e encarregados
vão ter os salários reajustados em 10%. O aumento para
o pessoal do escritório central será de 7%. Finalmente,
o ajudante prático, meio-oficial, auxiliares de almoxarifado
e apontador, betoneiro e servente terão um aumento de 16.88.
"Esses reajuste é válido para todos os trabalhadores
na construção civil do Estado de Sergipe", afirma
Humbelino de Souza.
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Agência CUT, 22 de
maio de 2006
Espírito Santo
Garra e solidariedade vitaminam greve
da construção civil
Por: Leonardo Wexell Severo
Milhares de operários da construção
civil do Espírito Santo decidiram em assembléia realizada
em frente ao Tribunal Regional do Trabalho, quinta-feira (18), continuar
a paralisação iniciada no dia 11, envolvendo os setores
de edificações e linha de montagem industrial em todo
o Estado.
Sem que a audiência de conciliação
chegasse a um acordo entre trabalhadores e empresários, o juiz
Cláudio Armando Couce de Menezes determinou que o processo de
dissídio coletivo seja distribuído.
A GREVE CONTINUA - “Além
da enorme garra e determinação de luta dos 50 mil companheiros
em greve no Estado, a solidariedade militante e a contribuição
financeira do conjunto das categorias têm cumprido um papel fundamental
para o êxito do movimento”, declarou o presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Construção
Civil e da Madeira (Conticom/CUT), Waldemar Pires de Oliveira.
Em sua contraproposta, os trabalhadores
reivindicam 16% de aumento salarial para o auxiliar de construção,
13% para o restante da categoria, R$ 60,00 de cesta alimentação
aos trabalhadores da linha de montagem (que não possuem alojamento),
R$ 80,00 do mesmo benefício aos operários das edificações
e pagamento integral dos dias parados.
PROVOCAÇÃO PATRONAL
- Na assembléia em frente ao TRT, no Centro de Vitória,
os operários denunciaram que a alimentação dos
terceirizados foi cortada, e que os patrões ameaçaram
não pagar o adiantamento quinzenal dos empregados, efetuado todo
dia 20 de cada mês, questões que poderiam radicalizar o
movimento da categoria.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores
em Construção Civil (Sintraconst-ES), Erci Carlos Nicolau,
lembrou que o Estado está em grande crescimento econômico,
devido às empresas que, atraídas pela alta lucratividade,
não param de chegar ao Espírito Santo. "Apesar do
crescimento da riqueza no Estado, ela está concentrada na mão
de poucos e vem sendo dividida de forma injusta. A massa salarial dos
trabalhadores teve desvalorização de 18% desde 1994",
denunciou Erci, citando dados do Departamento Intersindical de Estatísticas
e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
COLABORAÇÕES
– A campanha de arrecadação para o fundo de greve
continua de vento em popa. Contribua com a luta. Deposite qualquer quantia
na conta: Caixa Econômica Federal – Agência 167 –
Conta Corrente 376-3 – Operação 003.
INFORMAÇÕES – (27) 3322.4221.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de maio de 2006 | Imóveis
HABITAÇÃO POPULAR
Programa federal recebe R$ 1 bi
Depois de muita pressão do setor da construção,
o ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou decreto que autoriza o
Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) a contrair empréstimo
de R$ 1 bilhão junto ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS). O recurso foi autorizado pelo Conselho Curador em outubro de
2005, com o objetivo de garantir o funcionamento do Programa de Arrendamento
Residencial (PAR).
Os construtores recorreram aos
representantes dos estados na Câmara dos Deputados e no Senado
Federal, em Brasília, para impedir a descontinuidade do PAR.
Segundo o presidente do Sinduscon-PR Julio Araujo Filho, o senador Flávio
Arns (PT) e outros parlamentares paranaenses foram contatados para evitar
que o programa fosse suspenso – o que impediria a construção
de 6,2 mil unidades habitacionais destinadas para famílias de
mais baixa renda.
O decreto já estava assinado pelos ministros Márcio Fortes
(Cidades) e Luiz Marinho (Trabalho) e dependia apenas da adesão
do Ministério da Fazenda para ir à sanção
da presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Criado em junho de 1999,
o PAR já permitiu o acesso à moradia para mais de 200
mil famílias de menor renda. A propriedade do imóvel é
concedida depois de 15 anos de pagamento de taxa mensal de arrendamento
na faixa compreendida entre R$ 100 e R$ 250.
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Agência Câmara,
22 de maio de 2006
Aprovado depósito prévio
para ação rescisória trabalhista
A Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania (CCJ) aprovou na quarta-feira (17) o Projeto de Lei 4735/04,
do Executivo, que determina que a ação rescisória
na Justiça do Trabalho só será admitida se houver
o depósito de 20% do valor da causa. A intenção
é reduzir o uso da medida, instrumento considerado excepcional,
mas que, de acordo com o Poder Executivo, tem sido usado como recurso
para prolongar a indefinição do caso. A proposta, que
tramitava em caráter conclusivo, segue agora para o Senado.
Parcimônia
A ação rescisória
é usada para corrigir sentença ou acordo judicial e só
pode ser ajuizada dentro do prazo decadencial de dois anos após
o trânsito em julgado da decisão de mérito. Ou seja,
até dois anos depois de já terem esgotados todos os prazos
para qualquer tipo de recurso. As hipóteses em que se pode ajuizar
esse tipo de ação são apenas as nove previstas
no artigo 485 do Código de Processo Civil - geralmente casos
de erros, suspeitas sobre a isenção do juiz e novas provas
decisivas antes desconhecidas.
"Obviamente, tal instrumento deve
ser utilizado de forma parcimoniosa, uma vez que coloca em risco a segurança
jurídica da coisa julgada", observa o relator, deputado
Maurício Rands (PT-PE).
Depósito prévio
Atualmente, a Justiça do Trabalho
não exige depósito para ajuizar a ação.
O projeto só mantém essa liberalidade no caso em que o
autor da ação comprove impossibilidade de arcar com os
custos. "Assim, a proposição, ao determinar o depósito
prévio, desestimula as aventuras jurídicas e somente fará
uso da ação quem julgue ter ocorrido algumas das hipóteses
da lei", afirmou Rands.
O parlamentar lembrou ainda que o projeto
faz parte de um conjunto de propostas apresentadas pelo Poder Executivo
após o "Pacto por um Judiciário mais Rápido
e Democrático", firmado pelos presidentes da República,
do Supremo Tribunal Federal, da Câmara dos Deputados e do Senado
com a finalidade de dar celeridade à Justiça.
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Nova Central, 22 de maio
de 2006
Reunião em São Paulo
NCST participa de reunião para
elaborar proposta de regimento interno do Conselho Nacional de Relações
do Trabalho
A Nova Central vai participar de mais uma reunião organizada
pelo Ministério do Trabalho e Emprego para debater e deliberar
questões relacionadas às Medidas Provisórias 293,
que reconhece as centrais sindicais, e 294, que criou o Conselho Nacional
de Relações do Trabalho-CNRT.
Entre os assuntos estão a elaboração
da proposta de Regimento Interno do Conselho Nacional de Relações
de Trabalho e análise das emendas às Medidas Provisórias
293 e 294. O encontro entre o Governo e as centrais sindicais será
realizado em São Paulo, nos dias 23 e 24 de maio, na Sala de
Reuniões do Gabinete do Ministro, na Delegacia Regional do Trabalho,
situada na Rua Martins Fontes, nº. 109 - Centro - São Paulo/SP.
A referida reunião
terá a seguinte agenda:
- 23/05/2006
10h00 às 12h30 - Discussão da Instituição
do Conselho Nacional de Relações do Trabalho - CNRT.
12h30 às 14h00 - Horário de almoço.
14h00 às 19h00 - Elaboração de proposta do Regimento
Interno do Conselho Nacional de Relações do Trabalho.
- 24/05/2006
08h00 às 12h00 - Análise das 42 emendas da Medida Provisória
nº. 293 e das 32 emendas da Medida Provisória nº. 294,
que estão em trâmite no Congresso Nacional.
12h00 às 13h30 - Horário de almoço.
13h30 às 18h00 - Continuação dos debates da parte
da manhã.
A Nova Central será representada pelo seu Diretor de Finanças,
João Domingos Gomes dos Santos, que também é presidente
da CSPB-Confederação dos Servidores Públicos do
Brasil.
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Diário Vermelho,
21 de maio de 2006
Lula ressalta bom momento do movimento
sindical
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, neste domingo
(21/05), em São Paulo, a sede do Sindicato dos Comerciários
de São Paulo. Em seu discurso, o presidente destacou que o movimento
sindical vive um de suas melhores fases. "O movimento sindical
nunca viveu um momento como vive agora. Poucas vezes na história
o movimento teve as condições de participação
que tem hoje", afirmou.
O presidente fez um breve retrospecto
de sua atuação como dirigente sindical. Ele afirmou que
na década de 70, quando atuava como presidente do Sindicato dos
Metalúrgico de São Paulo, muitos acreditavam que ele não
conseguiria fazer muita coisa. Mas, segundo o presidente, o fato de
ter sido eleito sem vícios e com compromisso para com os metalúrgicos
ajudou a mudar a história do movimento sindical brasileiro.
Para o presidente Lula, o que fortalece
os sindicatos é o fato de a categoria dos trabalhadores ter no
movimento sindical a sua referência de representação
junto ao estado e aos empregadores. "Quando você inaugura
uma sede está permitindo que os trabalhadores encontrem a porta
aberta durante muitas horas por dia para conversar e trazer suas reclamações",
afirmou.
Lula disse ainda que se antes os sindicatos
eram órgãos de contestação, hoje eles precisam
ser algo mais. "O papel sagrado do sindicato hoje é, além
de contestar, conseguir fazer propostas de melhoria para sua própria
categoria". Lula falou da criação do Fórum
Nacional do Trabalho e da proposta de reforma sindical que tramita no
Congresso Nacional.
"As coisas vão acontecer
na medida em que aconteça uma evolução na cabeça
dos dirigentes sindicais e dos trabalhadores. Estamos no século
21, era da informática, da fibra ótica, e não podemos
ter a mesma legislação da década de 40", disse.
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Folha de São Paulo,
20 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006
Tucano diz nos EUA que candidatura Alckmin foi abalada pela crise na
segurança
Contra Lula, Tasso defende "grande
campanha negativa"
LEILA SUWWAN
DE NOVA YORK
O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati
(CE), disse ontem a empresários e investidores nos Estados Unidos
que o foco da campanha presidencial tucana será abalar a imagem
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e responsabilizá-lo
pelos scândalos de corrupção que derrubaram seus
amigos no governo. "Teremos de fazer uma grande campanha negativa
para mostrar que ele [Lula] estava ciente da corrupção."
Segundo Tasso, só assim será
possível eleger Geraldo Alckmin (PSDB), que avaliou ser um candidato
sem carisma e que terá profundos problemas para contornar o impacto
da crise de segurança em São Paulo. Para Tasso, os ataques
do crime organizado afetaram o "cartão de visitas"
de Alckmin, a gestão no governo de São Paulo. "Será
um profundo problema na campanha a partir de agora, mas não é
algo que não possamos resolver. Não é um problema
só de São Paulo (...). recisamos encarar não só
como problema social, mas de polícia e Legislativo", disse,
lembrando haver indicações de que Lula também é
considerado responsável pela crise. "Parece haver uma identificação
da população entre o PT e a desordem."
Polícias
Declarando-se "muito preocupado"
com os efeitos dos ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Estado,
Jereissati disse, porém, que já está definida a
estratégia para minimizar o efeito negativo perante o eleitorado:
focar na questão como problema nacional e internacional, alimentado
por falhas federais no controle das fronteiras e do narcotráfico
e nas deficiências da legislação penal.
Segundo ele, o crime organizado está
em estágios "pré-mafiosos" e não pode
ser simplesmente associado à pobreza ou à falta de programas
sociais do governo estadual. Além disso, a campanha tucana voltará
a defender proposta antiga de unificação das polícias
Civil e Militar. Tasso considerou "ineficiente" a divisão
atualmente em vigor.
Traições
O tucano insistiu na importância
de que as camadas mais pobres associem a corrupção a Lula,
que até agora tem feito papel de vítima traída.
"Todos os seus amigos [de Lula] foram responsabilizados. Lula não
pode ficar impune. Alckmin só poderá ganhar se isso aparecer",
disse. "A imagem do PT foi totalmente danificada. Vão conseguir
talvez dois governos. Mas Lula ainda é carismático, é
difícil mudar isso na classe baixa. Estamos tentando tudo. Faremos
o melhor possível."
"Lula foi hábil, conseguiu
botar a culpa nos outros e fez papel de vítima. Derrubou um a
um: José Dirceu, José Genoino, Antonio Palocci, Delúbio
Soares, Silvinho Pereira. Queremos mostrar que é impossível
o sujeito ser vítima de todos os amigos, é mais fácil
que as vítimas sejam os amigos."
Carisma
Questionado pelo público sobre
o carisma do candidato tucano, Tasso respondeu que "Alckmin não
é" carismático, o que provocou risos no grupo de
cerca de 40 convidados no Conselho das Américas, em Nova York,
e gerou certo constrangimento. Chegou a ser questionado se o PSDB pensava
em trocar de candidato. "Não há a menor chance",
respondeu. O senador ia debater no local as eleições com
o presidente do PT, Ricardo Berzoini, que cancelou de última
hora a participação no evento. Segundo Tasso, parte da
propaganda política do PSDB na campanha será voltada a
mostrar que a gênese do Bolsa Família aconteceu na gestão
Fernando Henrique Cardoso e que não houve "nada de novo"
em saúde e educação no governo Lula.
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Folha de São Paulo,
20 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006
Senador seria candidato a presidente, e ex-governador, a vice; Itamar
deve anunciar na segunda desistência a sua candidatura
Simon aceita se aliar a Garotinho e formar
chapa à Presidência
SERGIO TORRES, DA SUCURSAL DO RIO
PAULO PEIXOTO, DA AGÊNCIA FOLHA, EM BELO HORIZONTE
O senador Pedro Simon (RS) e o ex-governador
Anthony Garotinho acertaram ontem a apresentação à
convenção do PMDB de uma chapa conjunta para a disputa
da Presidência da República. Simon, 76, será o candidato.
Garotinho, 45, o vice. A desistência de Garotinho a ser ele mesmo
o candidato começou a ser esboçada na convenção
extraordinária do PMDB, há uma semana, que determinou
que o partido não tenha candidato próprio ao Planalto
nas eleições de outubro. Na ocasião, ele anunciou
que, se Simon concordasse, aceitaria ser o vice da chapa.
Assim, Garotinho tenta minar as resistências
de lideranças do partido que eram favoráveis à
candidatura própria, mas contrárias a que ele fosse o
candidato do partido. Essas lideranças em sua maioria desembarcaram
da tese da candidatura própria depois que Garotinho derrotou
o governador Germano Rigotto (RS) numa consulta informal para definir
o candidato do partido. Inicialmente, Simon recusou a proposta de Garotinho.
Ontem, o senador disse à Folha que pensou melhor sobre o assunto,
desde então conversou várias vezes com Garotinho e líderes
do PMDB e decidiu aceitar ser o líder da chapa proposta pelo
ex-governador.
"Por mim, estou aceitando. O Garotinho
falou, e eu aceitei. Eu estou participando", afirmou Simon, em
entrevista por telefone. Simon e Garotinho finalizaram os entendimentos
por telefone ontem à tarde. Na conversa, ficou acertado que o
lançamento oficial da chapa ocorrerá na semana que vem,
possivelmente na quarta. Antes do anúncio oficial da chapa, Simon
pretende conversar com lideranças do PMDB governista, como o
senador José Sarney (AP) e o presidente do Senado, Renan Calheiros
(AL), na tentativa de convencê-los a apoiar a candidatura na convenção
do partido, marcada para 11 de junho.
"Estou fazendo todo o esforço
em busca de um entendimento. Inclusive, hoje [ontem], da tribuna do
Senado, fiz um longo pronunciamento dirigido praticamente ao Renan e
ao Sarney para ver se a gente senta numa mesa e encontra uma forma de
participar dessa eleição", afirmou o senador. Em
2002, o senador chegou a pleitear ser o indicado do PMDB à eleição
presidencial, mas o partido decidiu se aliar ao PSDB. De acordo com
Simon, a situação do país exige a presença
de um candidato do PMDB na eleição a presidente. "Está
ficando tão grave [o quadro nacional], tão complicado,
com essa história de São Paulo [ataques do PCC] e tudo
o mais, que o PMDB não pode se dar ao luxo de ficar de fora.
Então, vamos fazer uma discussão interna", afirmou.
Antes do anúncio da chapa com
Garotinho, Simon planeja conversar também com o ex-governador
Orestes Quércia (SP), que deve voltar na terça dos EUA.
Simon disse gostar de Garotinho, diferentemente de outros líderes
do partido. "Disse a ele que não tenho restrição
a seu nome, acho que é um belo nome."
Itamar
O ex-presidente Itamar Franco, o outro
pré-candidato do PMDB, vai renunciar à sua pré-candidatura.
Ele também deverá anunciar apoio à candidatura
de Simon. A decisão será anunciada na tarde de segunda,
na sede do PMDB-MG, em encontro com as bancadas federal e estadual do
partido, conforme disse à Folha o deputado Marcelo Siqueira (PMDB-MG),
do grupo de Itamar. O deputado disse que o ex-presidente aceitou a pré-candidatura
justamente por achar que o partido deve ter candidato, mas o prazo dado
por Itamar para que o partido definisse a questão foi a convenção
extraordinária do último dia 13. Agora ele vai tentar
ser candidato ao Senado com apoio do governador Aécio Neves (PSDB),
candidato à reeleição.
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Folha de São Paulo,
20 de maio de 2006
TRABALHO
Decisão prevê o repasse de 1% do faturamento a plano de
assistência social para amparar trabalhador e família
Liminar manda usina cuidar de funcionário
MARCELO TOLEDO
DA FOLHA RIBEIRÃO
A Justiça Federal de Araraquara
concedeu liminar que obriga sete usinas da região de Ribeirão
Preto a repassar pelo menos 1% do seu faturamento ao PAS (Plano de Assistência
Social), que visa dar apoio aos trabalhadores rurais e suas famílias.
A decisão foi tomada após ação do Ministério
Público Federal e é a primeira do tipo envolvendo usinas
da região de Ribeirão Preto. O PAS dá apoio logístico,
por exemplo, às famílias e aos trabalhadores migrantes
do Nordeste ou do Vale do Jequitinhonha que chegam às cidades
para trabalhar nas usinas. Os programas de ajuda incluem as áreas
de educação, higiene e saúde, além do financiamento
de cooperativas de consumo e de culturas de subsistência.
Apesar de ter sido instituído
por uma lei federal de 1965, o PAS deixou de ser repassado pelas usinas
após a extinção do IAA (Instituto do Açúcar
e do Álcool), em 1990. O plano estipula a aplicação
de pelo menos 1% sobre o preço de cada saco de açúcar
de 60 quilos produzido, da tonelada de cana-de-açúcar
entregue por fornecedores e lavradores à usina ou de 2% sobre
o valor oficial do litro de qualquer tipo de álcool produzido
nas destilarias nos programas assistenciais para trabalhadores.
A ação atinge as usinas
Santa Luiza, Corona, Irmãos Malosso, Maringá, Santa Fé,
Zanin e Santa Cruz. As usinas alegam que, com a extinção
do órgão e, posteriormente, o fim do preço oficial
do combustível, elas estão desobrigadas de cumprir o repasse.
"Não é porque um órgão foi extinto
que a lei deixou de existir", afirmou a procuradora da República
Eloisa Helena Machado, autora da ação. Segundo a decisão
do juiz Leonardo Estevam Zanini, da 1ª Vara Federal de Araraquara,
a União tem que fiscalizar em 90 dias se o plano está
sendo cumprido. Em caso de descumprimento, há multa diária
de R$ 10 mil.
O porta-voz das usinas Maringá,
Zanin e Santa Cruz, João Pereira Pinto, 53, afirmou que as usinas
vão recorrer da decisão judicial. Na Santa Fé,
os diretores participavam de um curso e não poderiam comentar.
O gerente de indústria da Irmãos Malosso, Paulo Katayama,
indicado para falar sobre o assunto, não estava na usina. A Folha
não obteve contato com as outras usinas.
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Folha de São Paulo,
21 de maio de 2006
Agricultura familiar do PT favorece a
CUT e sindicatos
Governo gasta mais neste ano com subsídio
no campo que com Bolsa-Família
Para ter direito a créditos do Pronaf, agricultores têm
de se filiar a sindicatos, que vivem explosão de adesões
em áreas rurais no Brasil
FERNANDO CANZIAN
DA REPORTAGEM LOCAL
As ações do governo Lula
na agricultura familiar estão provocando uma explosão
na sindicalização de trabalhadores rurais. A CUT, central
sindical historicamente ligada ao PT, é a principal beneficiada.
O potencial econômico e político das iniciativas são
comparáveis aos do Bolsa-Família, um dos pilares de sustentação
da popularidade do governo. A gestão federal do PT multiplicou
por quase cinco a verba do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento
da Agricultura Familiar). A partir de julho, na reta final da campanha
eleitoral, o governo começa a liberar o recorde de R$ 10 bilhões
a agricultores familiares.
Neste ano, o orçamento do Bolsa-Família
também será recorde, de R$ 8,7 bilhões. Para ter
direito aos créditos fortemente subsidiados do Pronaf, uma das
duas opções dos agricultores é entrar para um sindicato
de trabalhadores. É o que vêm fazendo, ampliando principalmente
a base da CUT (Central Única dos Trabalhadores), pró-governo.
Dos 3.490 sindicatos hoje filiados à central, 1.272 (36%) são
de agricultores. O governo nega o uso político do Pronaf.
Com tendência de aceleração
nos últimos anos e predominância feminina, a sindicalização
no meio rural cresceu 40% entre 1999 e 2004, quase quatro vezes acima
da média de todos os outros setores (11,8%). Espremidas debaixo
da pirâmide salarial brasileira, as trabalhadoras agrícolas
são hoje, proporcionalmente, o principal motor da recuperação
do sindicalismo no Brasil: 65% mais mulheres no campo se sindicalizaram
entre 1999 e 2004.
Hoje, o país tem mais mulheres
sindicalizadas na área rural do que homens, segundo levantamento
do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), da
Unicamp. Por meio do Pronaf, os agricultores familiares mais pobres
tomam empréstimos a juros de 1% ao ano e podem deixar de pagar
até 50% dos créditos. Nas linhas mais caras, os juros
são bem inferiores aos de mercado -no máximo de 7,25%
ao ano.
Desvantagem salarial
Algumas das ações do Pronaf
visam justamente o fortalecimento da posição feminina.
No Brasil, trabalhadoras brancas ganham 40% menos do que homens brancos.
As negras, até 70% menos. Na comparação salarial
cidade/campo, a desvantagem é ainda maior. Assim como no caso
dos benefícios financeiros (para quem recebe) e políticos
(para o governo) do Bolsa-Família, grande parte do dinheiro do
Pronaf para a área rural vai para o Nordeste -onde a verba foi
multiplicada por cinco.
Na região, o segundo maior colégio
eleitoral do Brasil, o presidente Lula tem hoje, disparado, as maiores
taxas de intenção de voto e de aprovação.
Elisangela Araujo, coordenadora-geral da Fetraf (Federação
dos Trabalhadores na Agricultura Familiar), ligada à CUT, diz
que houve aumento de 30% no número de novos sindicalistas no
governo Lula. No Sindicato dos Trabalhadores Rurais em Feira de Santana
(BA), a sindicalização também está em plena
expansão, com predominância feminina. Hoje, mais de 75%
dos 12 mil filiados são mulheres. "A proporção
aumenta a cada ano", diz Conceição Borges Ferreira,
dirigente do sindicato.
O Pronaf é defendido por governo,
sindicatos e CUT como forma de melhorar a situação de
milhões de agricultores familiares que têm, em grande parte,
culturas de subsistência, com algumas sobras para comercialização.
"Arranjos institucionais qualificam melhor a política, com
monitoramentos. Nós dialogamos muito com os movimentos [sindicais].
Mas não há vínculos políticos", afirma
Valter Bianchini, secretário de Agricultura Familiar do Ministério
do Desenvolvimento Agrário.
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Folha de São Paulo,
21 de maio de 2006
Atuar com sindicatos "é diretriz"
de Lula
Secretário diz que, quanto mais ativa
a organização, maior a qualificação para
os créditos; mulheres lideram as filiações
Em termos proporcionais, percentual de trabalhadores rurais sindicalizados
no país já excede a média de outras atividades
combinadas
DA REPORTAGEM LOCAL
Os dois principais interlocutores da
direção do Pronaf na organização dos programas
de agricultura familiar são ligados à CUT -cujo ex-presidente,
Luiz Marinho, é ministro do Trabalho do governo Lula. A Fetraf
e a Contag (Confederação dos Trabalhadores na Agricultura)
reúnem os sindicatos que mais crescem com a sindicalização
de agricultores. Valter Bianchini, secretário de Agricultura
Familiar, reconhece que a sindicalização aumenta o aceso
aos créditos.
"Os agricultores que conseguem receber
mais créditos são os que têm mais organização.
Quanto mais atuante for o sindicato, maior será a presença
e maior a qualificação para as linhas de crédito",
afirma. Ele diz que o diálogo com a Fetraf e a Contag é
"uma diretriz do governo do presidente Lula". Para poder ter
acesso aos créditos do Pronaf, o agricultor familiar tem de obter
uma declaração provando sua condição.
Esse documento só pode ser fornecido
por um sindicato ou por uma Emater (Empresa de Assistência Técnica
e Extensão Rural, nos Estados). Segundo Bianchini, a situação
das Emater hoje é de "fragilidade", o que explicaria
a sindicalização. Os R$ 10 bilhões do Pronaf previstos
para serem liberados a partir de 1º de julho devem atender a cerca
de 2 milhões dos 4 milhões de agricultores familiares,
mais da metade abaixo da linha de pobreza (que têm direito a juros
negativos e a anistia de 25% a 50% do valor dos empréstimos).
O presidente da CUT, João Felício,
diz que a participação da central no sindicalismo rural
"sempre foi muito forte" e que a representação
dos delegados da área agrícola equivale à do funcionalismo
público. Para Carmem Foro, coordenadora da Contag, há
outras razões para a ampliação da sindicalização
feminina no campo, como a necessidade de comprovar a atividade para
que se tenha direito ao salário-maternidade. Segundo os resultados
do estudo do Cesit/Unicamp, elaborado pelo economista Marcio Pochmann,
o percentual de mulheres e homens sindicalizados no campo hoje já
é maior do que a média dos trabalhadores sindicalizados
em nível nacional. (FERNANDO CANZIAN)
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Folha de São Paulo,
22 de maio de 2006
Trabalhador ganha cada vez menos ao se
aposentar
Valor médio dos benefícios por
tempo de contribuição caiu 3% no ano passado
Com a aplicação integral do fator previdenciário,
tendência é que redução no valor das aposentadorias
se acentue, diz estudo
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O trabalhador brasileiro está
ganhando cada vez menos na hora de se aposentar. Estudo feito pela Anfip
(Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência
Social) mostra que o fator previdenciário reduziu em 3,09% o
valor médio das aposentadorias por tempo de contribuição
que foram concedidas em 2005. A tendência é que a redução
seja ainda mais acentuada neste ano. A perda no valor dos benefícios
se deve ao fato de que 2005 foi o primeiro ano em que o fator previdenciário
foi aplicado integralmente. Criado no final de 1999, o mecanismo foi
utilizado de forma gradual (0,5% a cada mês) e crescente durante
cinco anos. No ano passado, o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
adotou, ao longo dos 12 meses, o fator "cheio" para calcular
os benefícios. Isso levou ao achatamento do valor médio
das aposentadorias por tempo de contribuição.
O fator previdenciário é
uma fórmula de cálculo que considera a idade do segurado,
a alíquota (31%), o tempo de contribuição e a chamada
expectativa de sobrevida -estimativa de vida após a aposentadoria.
O dispositivo tem o efeito de reduzir o valor dos benefícios
de quem se aposenta mais cedo e foi instituído com o objetivo
de estimular o trabalhador a permanecer mais tempo em atividade. Nesses
casos, o fator pode elevar o valor da aposentadoria. A regra de cálculo
é obrigatória para os trabalhadores que se aposentam por
tempo de contribuição. Nas aposentadorias por idade, a
aplicação do mecanismo é opcional.
Crescimento mínimo
Segundo o estudo da Anfip, enquanto em
2004 o trabalhador se aposentou, em média, com benefício
igual a R$ 955,18, no ano passado esse valor minguou para R$ 925,70
(valores atualizados pelo INPC). Além da garfada no valor das
aposentadorias, a entidade destaca que ainda houve estagnação
no número de benefícios concedidos no ano passado. Em
2004, as novas aposentadorias por tempo de contribuição
somaram 3,662 milhões. Em 2005, o número apresentou crescimento
marginal de 1,8%, para 3,702 milhões.
"No ano passado, o fator foi aplicado
integralmente e mostrou seu efeito perverso, ao achatar as aposentadorias",
declarou o presidente da Anfip, Ovídio Palmeira Filho. "O
valor real médio dos benefícios voltou aos níveis
de 1999. O aposentado, então, não teve melhoria de vida.
Isso aconteceu mesmo com os aumentos reais do salário mínimo,
que desaparecem por causa do fator", explicou o economista da entidade
Juliano Sander. Procurado pela Folha, o Ministério da Previdência
não quis se manifestar sobre o estudo.
A tendência é que os efeitos
do fator reduzam ainda mais o valor do benefício do aposentado
neste ano e nos próximos, já que a população
brasileira vem registrando anualmente aumento na sua expectativa de
vida. O indicador, que é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), na avaliação da Anfip,
é a principal variável na aplicação do fator.
Para o presidente do Sindicato
Nacional dos Aposentados da Força Sindical, João Batista
Inocentini, o estudo da Anfip mostra apenas uma média, pois há
casos em que o fator chega a reduzir em 40% o valor dos benefícios.
"Esse é o caso de quem se aposenta com 45 anos, que leva
uma ferrada. Mesmo quem trabalha até 55, 60 anos não consegue
chegar ao teto da Previdência [atualmente R$ 2.801,56]. O valor
fica, no máximo, em torno de R$ 1.900", afirma o sindicalista.
Embora o fator estimule o trabalhador a permanecer mais tempo na ativa,
o estudo da entidade ressalta que é cada vez mais difícil
para o trabalhador mais velho permanecer no mercado de trabalho.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de maio de 2006 | Mundo
REFERENDO-Eleitores aprovam a separação
da Sérvia. Votos pelo “sim” chegam a 56%, segundo
projeções
Montenegro independente
Podogorica – Os eleitores da república de Montenegro aprovaram
ontem num referendo a separação da região da Sérvia,
com a qual a região forma uma federação que sucedeu
a república da Iugoslávia. Projeções extra-oficiais
da contagem dos votos apontavam na noite de ontem vitória do
“sim” por 56,3%, superando o mínimo de 55% requerido
pela Constituição para validar o resultado. O cálculo
é das entidades Centro para Eleições Livres e Democracia
(Cemi) e o Centro pelo Monitoramento.
Tão logo esses números
foram divulgados, Podogorica, a capital de Montenegro, foi tomada por
fogos de artifício e o ruído de tiros disparados par ao
alto. Se o resultado for confirmado, significará a dissolução
da união da Sérvia com Montenegro, estabelecida em 1918,
ao fim da 1.ª Guerra Mundial.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de maio de 2006
Há quem recuse propostas de trabalho
Lyrian Saiki
Foto: Aliocha Maurício/O
Estado

Sala de recepção da Delegacia Regional do Trabalho, em
Curitiba: há quem não aceite ofertas.
Recusar uma proposta de trabalho pode parecer, num primeiro momento,
um disparate. Afinal, num País em que a taxa de desemprego gira
em torno de 10%, ficar fora do mercado de trabalho por mera opção
é, no mínimo, algo questionável. O que poucas pessoas
sabem é que recusar um emprego é uma prática muito
mais comum do que se imagina. Conforme pesquisa divulgada na semana
passada pelo Grupo Catho, de São Paulo, 49% dos desempregados
entrevistados já recusaram pelo menos uma oferta de trabalho.
A pesquisa foi aplicada a 15.170 desempregados brasileiros, de todos
os níveis sociais, entre maio e julho do ano passado.
Conforme a pesquisa, 37,53% recusaram uma proposta de emprego por causa
de remuneração insuficiente; 6,8% não gostaram
da empresa; 13,82% acharam que a empresa era muito longe da residência;
1% não gostou das pessoas e 22,08% não gostaram do trabalho
oferecido.
“A gente começa a perceber que as pessoas não buscam
só emprego, mas um local onde elas se sintam valorizadas. Não
querem ser apenas um ‘tapa-buraco’”, analisou a vice-presidente
executiva da Divisão de Consultoria do Grupo Catho, Silvana Case.
Segundo ela, num primeiro momento o resultado da pesquisa surpreendeu.
“A gente se pergunta: como uma pessoa que está desempregada
recusa uma oferta de emprego? Mas por outro lado, vejo como um ponto
positivo porque demonstra a consciência das pessoas. Elas não
aceitam qualquer coisa simplesmente porque estão desempregadas”,
afirmou. Para Silvana, é preferível não aceitar
determinada proposta a aceitar e continuar procurando outro emprego.
“É melhor não aceitar do que ficar com um pé
na empresa e outro fora.”
A pesquisa revelou ainda que a recusa foi maior entre os homens: 51%,
contra 46% entre as mulheres. E não foi apenas uma proposta recusada;
em média, eles recusaram 2,5 propostas. Outro dado importante
é que o brasileiro desempregado, em geral, recebe verbas rescisórias
que geram em torno de oito a dez meses de sua última remuneração
mensal. “Nós observamos que o desempregado brasileiro só
começa a trabalhar sério na procura de emprego quando
esse dinheiro está acabando”, afirmou Silvana.
“Não compensa”
Na sede da Agência do Trabalhador, no centro de Curitiba, milhares
de trabalhadores desempregados buscam diariamente uma oportunidade de
emprego. É o caso do frentista Marcelo Correia, 28, desempregado
há dez dias, que aguardava para ser atendido na agência
na última sexta-feira. “Eu estava precisando de dinheiro,
fiz um acordo com o posto e saí. Agora, estou procurando outro
emprego”, contou.
Desempregado há um ano e meio, Ariel Baczynski, 22, revelou que
já teve propostas de emprego, mas não aceitou até
hoje porque o salário oferecido era muito baixo - salário
mínimo ou até abaixo disso. “Um bom salário,
para mim, tem que ser acima de R$ 500,00”, afirmou. Outra dificuldade,
segundo Baczynski, é a exigência de experiência.
“Tenho o segundo grau completo e um curso industrial, mas não
contratam sem experiência.”
Para o eletricista José Batista Cunha, o problema é a
idade. Com 49 anos, Cunha conta que arrumar um emprego está cada
vez mais difícil. “Ultimamente, só estou trabalhando
como temporário, dois ou três meses”, contou. Com
salário médio de R$ 850,00, o eletricista admite que recusa
o emprego quando o salário é menor do que esse. “Querem
pagar R$ 500,00, assim não dá”, reclamou.
Para Inês Resner, 22, desempregada há três meses,
o baixo salário oferecido é de fato um problema. “Querem
pagar R$ 300,00 para um emprego de atendente. Com esse salário,
não dá sequer para pagar o aluguel”, criticou. “O
problema é que tem muita gente desesperada que se sujeita a ganhar
isso.”
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O ESTADO DO PARANÁ, 21 de maio de 2006
Análise de veto parcial à
lei do piso salarial regional
Edésio Passos
O Governador Roberto Requião sancionou
a lei que institui o piso salarial regional. A solenidade foi na Assembléia
Legislativa, como homenagem aos parlamentares que, a unanimidade, aprovaram
a proposta. O Governador foi acompanhado pelos dirigentes sindicais
dos trabalhadores, de todos os segmentos profissionais e ramos de representação
político-sindical. Efetivamente, proposição inicial
da Nova Central Sindical dos Trabalhadores foi incorporada por todos
os setores sindicais, em um amplo movimento unitário. Ressalte-se
a posição do presidente da Assembléia Legislativa,
deputado Hermas Brandão, ao possibilitar amplo debate sobre o
tema com a presença constante dos dirigentes sindicais nas sessões
legislativas, além de rapidamente colocar em votação
o projeto de lei. Finalmente, todos os parlamentares sensibilizaram-se
para a proposição e posicionaram-se no sentido de respaldar
a proposta.
Governador Roberto Requião sancionou a lei com veto ao parágrafo
único do artigo 3.º, com a seguinte redação:
“Art. 3.º... Parágrafo único: Caso o piso salarial
constante de acordo coletivo de trabalho ou convenção
coletiva de trabalho seja inferior ao valor do piso salarial instituído
nesta lei, será garantido ao trabalhador pagamento do valor ora
instituído”. O veto visa adiantar-se ao possível
questionamento do texto legal perante o Supremo Tribunal Federal, através
de ação direta de inconstitucionalidade anunciada pelas
entidades sindicais patronais.
Em nosso comentário sobre o texto vetado, em edição
anterior do caderno “Direito e Justiça” (14.05.06),
afirmamos sobre o parágrafo único do art. 3.º: “Dispositivo
legal que garante que os pisos salariais firmados em acordos e convenções
coletivas de trabalho prevalecem sobre os valores indicados na lei,
desde que superiores aos mesmos. Mas se inferiores, conforme está
claro no parágrafo único, serão aplicados os valores
da lei. Trata-se do princípio da prevalência da lei quando
esta for mais benéfica que as normas dos instrumentos normativos
inter-sindicais. Visa, ainda, impedir a burla da lei, com a fixação
de instrumentos normativos que prejudiquem os trabalhadores. O questionamento
apresentado sobre este parágrafo, por representantes das entidades
sindicais de empregadores e por alguns parlamentares, repousa na afirmação
de que a lei do piso salarial regional se destina a categorias profissionais
sem proteção do acordo ou da convenção coletiva
de trabalho. Entretanto, o que se evidencia é que, na existência
de acordo ou convenção coletiva de trabalho fixando valor
inferior ao piso fixado em lei, esta prevalece sobre aquele, pois inconcebível
que os trabalhadores sem representação sindical ou sem
instrumento normativo protetor, percebam salários superiores
aos trabalhadores que são protegidos por normas coletivas salariais.
Neste sentido, a lei paranaense avança em relação
aos textos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul que não têm
esta previsão legal.”
A conseqüência do veto abre a possibilidade de pisos salariais
diferenciados nas categorias profissionais no que se refere aos setores
que possuem acordo ou convenção coletiva de trabalho com
pisos em valores menores aos da lei, enquanto que os setores sem tais
instrumentos normativos terão garantia de pisos em valores superiores.
O parágrafo vetado visava impedir esta situação,
além de determinar a prevalência da lei sobre acordos e
convenções coletivas que viessem a fixar pisos inferiores
aos do texto legal, desnaturando o sentido da lei de garantia de salários
regionais por categoria profissional.
Entretanto, a avaliação do Governador Roberto Requião
foi de atender as ponderações dos setores empresariais,
em benefício da manutenção da lei, com o objetivo
de que as partes, em consenso, nas negociações coletivas,
possam, gradativamente, atingir aos níveis salariais indicados
na lei. Certamente, será o que ocorrerá, mesmo que esse
ajuste possa se delongar. Isto porque, mesmo sem este dispositivo protetor,
a vigência de pisos salariais superiores aos propostos pelas entidades
sindicais dos empregadores, suscitará atitudes dos dirigentes
sindicais dos trabalhadores no sentido de pressionar para que os valores
da lei sejam respeitados.
Muitos dirigentes têm assinalado preferir não firmar instrumentos
normativos com valores dos pisos inferiores ao da lei, para que esta
seja aplicada, forma de pressão legítima e dentro dos
parâmetros das negociações coletivas em defesa dos
interesses dos trabalhadores.
Por seu turno, as entidades sindicais de empregadores deverão
medir as conseqüências negativas e desestimulantes em manter
em acordos e convenções coletivas de trabalho pisos salariais
inferiores aos da lei.
Teremos, assim, neste início da aplicação concreta
da lei, a gradativa acomodação dos setores profissionais
e econômicos em face a elevação necessária
dos níveis salariais em favor do crescimento da massa salarial
e do desenvolvimento econômico-social. Será o momento em
que as dúvidas serão apresentadas aos advogados das entidades
sindicais para aprofundar o entendimento da lei, pois toda a novidade
legislativa de início oferece dificuldades inúmeras.
Afora o dispositivo vetado pelo Governador, no mais a lei estará
sendo aplicada de imediato, já que a vigência da mesma
é a 1.º de maio. Os trabalhadores não protegidos
por normas coletivas desde já poderão reivindicar a fixação
dos novos níveis de salário. Tais trabalhadores têm
representação sindical pelo sindicato ou federação.
Eis que, mesmo não havendo o instrumento normativo abrangente
a determinada categoria profissional em município específico,
a representação poderá ser do sindicato e, na ausência
dessa representação sindical, pela federação
do setor.
Outro ponto que suscitou indagações, diz respeito a não
aplicação da lei aos servidores municipais. Porém,
o artigo 3.º é explícito a respeito: “Art.
3.º - Esta lei não se aplica aos empregados que têm
piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo
coletivo e aos servidores públicos municipais”. Isto porque
os servidores públicos municipais têm suas remunerações
fixadas por lei municipal aprovadas com diferenciações
em cada município, neste caso respeitado o salário mínimo
nacional.
As empregadas(os) domésticas(os) têm situação
definida na lei, quer na especificação do valor de R$
429,12, como no artigo que trata da aplicação do texto
legal: “Art. 4.º A presente lei aplica-se aos trabalhadores
domésticos”. Este valor está em vigor desde 1.º
de maio.
No que se refere aos servidores públicos estaduais também
são regidos por legislação específica aprovada
anualmente e, na situação atual, através de proposta
encaminhada pelo Governador do Estado a Assembléia Legislativa,
com pisos superiores aos da nova lei.
As categorias profissionais que não são apontadas na lei
serão atendidas pela entidade sindical representativa, pois a
lei é enumerativa, indicando as categorias profissionais abrangidas.
Duas situações poderão ocorrer (1) a categoria
profissional está especificada na lei, mas com outra denominação
(2) categoria nascida das novas formas de trabalho, com denominações
específicas. Em ambas as situações, a negociação
coletiva pela entidade sindical poderá resolver o problema, ou
o pedido judicial.
No que concerne à Justiça do Trabalho, qualquer entidade
sindical ou o trabalhador individualmente poderá acioná-la
visando esclarecer a aplicação dos dispositivos da nova
lei, inclusive através de ação de cumprimento em
nome dos empregados prejudicados. No caso de dissídio coletivo
de trabalho, a lei poderá servir como paradigma para a fixação
de pisos salariais que, no caso do TRT do Paraná, estão
sendo deferidos.
Outra questão importante diz respeito ao reajustamento dos valores
fixados. A lei que indica a data-base para o reajuste anual dos pisos
salariais em 1.º de maio. Desde já, está estabelecida
a anualidade. Mas como se trata de lei, não havendo dispositivo
de correção automática, a cada ano o Poder Executivo
encaminhará a proposta a Assembléia Legislativa para estabelecer
os novos níveis.
Papel fundamental será exercido pelo esclarecimento através
da ação das entidades sindicais, dos organismos do governo
estadual e da delegacia regional do trabalho. É importante que
sejam publicadas cartilhas explicativas dos direitos dos trabalhadores
e deveres das empresas, indicando locais onde esclarecimentos podem
ser prestados. Este trabalho é fundamental para o êxito
da efetiva aplicação da lei. As entidades sindicais representativas
dos empregados e empregadores serão as responsáveis para
a verificação das condições de efetividade
da nova lei que, por certo, passará por um período de
análise e implementação.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
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REVISTA ISTO É, 22 de maio de 2006
Câmbio
O outro lado da moeda
Valorização do real irrita os
exportadores, mas também tem efeitos positivos na economia
Por Milton Gamez
A taxa de câmbio voltou ao centro do debate econômico no
Brasil. O dólar caiu para menos de R$ 2,20 este ano – na
quinta-feira 18, fechou a R$ 2,18 – e representantes de montadoras
de automóveis, agricultores e fabricantes de calçados
voltaram a Brasília nas últimas duas semanas para reclamar
dos efeitos negativos da valorização do real em suas atividades.
Nos últimos três anos, o real fortaleceu-se 37% diante
do dólar, o que reduziu as receitas em reais de produtos vendidos
no Exterior. Na semana passada, a General Motors seguiu a trilha da
Volkswagen e anunciou a demissão de 960 funcionários da
fábrica de São José dos Campos para compensar a
perda de competitividade em suas exportações. Essas companhias
têm motivos fortes para se queixar da política cambial
do governo Lula, mas nunca é tarde para lembrar que a questão
não pode ser vista apenas do ponto de vista de quem exporta.
O outro lado da moeda é que muitos setores da economia têm
sido beneficiados pelo real forte – inclusive, paradoxalmente,
os próprios exportadores.
Por um lado, o dólar mais barato significa que as empresas exportadoras
têm recebido menos reais do que gostariam por suas vendas no mercado
internacional. No ano passado, as exportações brasileiras
somaram US$ 118,3 bilhões e, até a primeira quinzena de
maio deste ano, a cifra acumulada é de US$ 43,6 bilhões.
Por outro lado, o real fortalecido é uma boa notícia para
as companhias importadoras. Elas precisam de menos reais para saldar
suas encomendas em moeda forte. Foram US$ 73,6 bilhões em 2005
e US$ 29,2 bilhões este ano. Acontece que muitas das maiores
exportadoras do País são também as maiores importadoras.
Elas compram, no Exterior, insumos, componentes e maquinário
para fazer produtos que serão vendidos no mercado local ou exportados.
Ou seja, na briga cambial, elas perdem de um lado e ganham de outro.
No ano passado, nove das dez maiores exportadoras do País –
Petrobras, Vale do Rio Doce, Embraer, Bunge Alimentos, Volkswagen, General
Motors, Ford, Cargill Agrícola e Gerdau Açominas –
também figuraram na lista das maiores importadoras. Juntas, elas
exportaram US$ 25,7 bilhões e importaram US$ 12,7 bilhões.
No grupo das 50 maiores exportadoras, também atuam pesado nas
duas pontas do comércio exterior companhias como DaimlerChrysler,
CST, Motorola, Nokia, Caterpillar, Braskem, CSN, Volvo, Scania, Robert
Bosch, Cosipa, Fiat, Usiminas e Caraíba Metais. No fundo, as
importações ajudam as companhias a melhorar a qualidade
de seus produtos e as torna mais competitivas para vender lá
fora – o que explica, em parte, o forte crescimento das exportações
brasileiras nos últimos anos, diz o secretário de Comércio
Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat. “Uma
das razões para o vigor das exportações é
a importação de insumos e equipamentos”, diz. Matérias-primas
e bens de capital ainda representam 70% das compras externas e os bens
de consumo, 12,2%.
Quem ganha: vendas da Kodak crescem, diz Bautista
Outro efeito importante é o impacto do dólar barato nos
índices de inflação. Se a cotação
do dólar voltar a subir, as empresas terão de repassar
aumentos de custos para os preços dos produtos no mercado interno,
o que poderia interromper a queda dos juros. Se não conseguirem,
tenderão a reduzir as importações, o que também
seria ruim. “A importação gera competição
interna e disputa de preço”, lembra Meziat, sem fazer juízo
de valor sobre a taxa de câmbio ideal. Se o real voltar a se desvalorizar,
os consumidores sairão perdendo. “O dólar barato
é bom para o consumidor, pois afeta o poder de compra do salário”,
diz o economista Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central.
O fato é que, em setores importantes de consumo, como o de eletroeletrônicos,
o fortalecimento do real jogou muitos preços para baixo. Os preços
de aparelhos como as tevês com telas de plasma e cristal líquido
– as vedetes da Copa do Mundo de Futebol – caíram
mais da metade desde o começo do ano passado. Modelos de plasma
da Philips com 42 polegadas, que antes custavam R$ 20 mil, saem hoje
por R$ 8 mil. “O dólar mais barato e os avanços
tecnológicos permitiram a queda dos preços”, diz
José Fuentes, vice-presidente de Consumo da Phillips. Segundo
ele, o câmbio contribuiu com 10% a 15% de redução
dos custos dos aparelhos, que levam telas importadas da Ásia
e são montados no Brasil com alto índice de nacionalização.
A empresa espera vender um milhão de tevês este ano até
a Copa, das quais 150 mil de alta definição.
A Kodak, que importou US$ 97 milhões em 2005, é outra
que está surfando na onda do dólar mais barato. As vendas
de câmaras digitais – 100% importadas – cresceram
40% este ano em relação aos primeiros meses de 2005. “A
taxa de câmbio está muito favorável”, diz
Fernando Bautista, presidente da Kodak. Mais do que a redução
de custos dos importados, o real valorizado é um sinal importante
para atrair investimentos, afirma o executivo. “O câmbio
forte reflete uma economia de estrutura mais sólida”, diz.
Por essas e outras, o governo não deve mexer no regime de câmbio
flutuante.
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CIDADE VERDE.COM / PIAUÍ,
20 de maio de 2006
Saiba como usar o seu FGTS na hora de comprar
a casa própria
FGTS barrado
EDSON VALENTE
da Folha de S.Paulo
Na hora de dar o golpe final na dívida
de um financiamento, a primeira arma é sacar o saldo do FGTS
(Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).Mas muitos só
descobrem no final que não podem usá-lo para amortizar
ou quitar o que devem. "Na maioria dos casos, há empecilho
legal que não foi percebido antes", avalia a advogada Mirelle
Ottoni, 35.
A principal controvérsia é
a do segundo saque: o comprador usa o FGTS para saldar uma parcela maior
(como a das chaves) e não consegue sacar de novo para quitar
ou amortizar o financiamento, mesmo com dois anos entre as duas operações,
como manda a lei.
No primeiro saque, o comprador lavra
escritura ou assina compromisso de compra e venda em cartório.
"Depois, a Caixa Econômica Federal não libera o dinheiro.
Diz que já há imóvel em seu nome", exemplifica
Marcia Padulla, da Gouveia e Padulla Advogados.
Para o gerente do FGTS da CEF em São
Paulo Gildásio Freitas Silveira, 45, a escritura não é
obstáculo para o segundo saque, e sim o financiamento fora das
regras do SFH (Sistema Financeiro da Habitação). "Não
aceitamos que seja feito com a construtora", crava.
Advogados interpretam que o segundo saque
é possível mesmo quando o financiamento é feito
com bancos. Para obter o dinheiro, a alternativa mais eficaz é
recorrer à Justiça, como fez a profissional de marketing
Natalie Adler, 33. "Retiramos para as chaves, mas não conseguimos
sacar para quitar a dívida. A CEF disse que já havia um
imóvel em nosso nome."
Ela conta que, em 60 dias, conseguiu
o dinheiro. No processo, sustentou que havia dívida e hipoteca
e que o imóvel foi financiado nas regras do SFH.
O secretário da Comissão
de Direito Imobiliário da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil),
Edwin Britto, 56, sugere que o mutuário seja claro ao declarar
o objetivo da primeira retirada para obter as chaves. "Ele às
vezes diz que vai quitar o imóvel, pois é o meio mais
rápido de obter a liberação."
Regras pulverizadas
Outro fator que complica é que
as regras são "pulverizadas", diz Marcel Cordeiro,
35, da Pompeu, Longo, Kignel e Cipullo Advogados. "É preciso
vasculhar a legislação."
O gerente-geral da CEF Elimar Sousa Oliveira,
54, admite que há muitas regras e condições. "São
específicas para cada caso." A legislação
está no site da CEF.
O ideal é consultar o banco antes
de financiar, para saber como poderá usar o FGTS. Linhas com
mensalidades pré-fixadas só o aceitam para quitar parcelas,
não o saldo devedor.
Para quitar uma obra, o banco permite
o saque, mas exige financiamento. Foi o que ocorreu com um cliente de
Paulo Roberto Teixeira da Silva, 36, da Albino Advogados Associados.
"Interpreto como "venda casada': só liberam o que é
seu se contratar o produto. Preocupado com a demora do Judiciário,
ele se curvou à exigência."
Quem tiver terreno pode usar o
FGTS para comprar um imóvel se provar que não há
edificação no lote.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 22 de maio de 2006 | Economia
Saldo da conta corrente do país
cai em abril
As transações correntes
somadas à balança de capitais resulta no balanço
de pagamentos, que é o registro contábil de todas as transações
de um país com outros países do mundo
Fábio Graner e Gustavo Freire
BRASÍLIA - As transações
correntes renderam em abril dois terços a menos do que no mesmo
período do ano passado, acumulando um saldo de US$ 241 milhões,
contra US$ 715 milhões. As transações correntes
somadas à balança de capitais resulta no balanço
de pagamentos, que é o registro contábil de todas as transações
de um país com outros países do mundo.
No saldo das transações
correntes do mês passado, foram determinantes para o resultado
de abril o superávit de US$ 3,097 bilhões da balança
comercial, o déficit de US$ 3,190 bilhões na conta de
serviços - fretes pagos e recebidos de navios estrangeiros, juros
de empréstimos estrangeiros, lucros remetidos e recebidos do
exterior etc - e as transferências unilaterais de US$ 334 milhões.
Resultado em 4 meses
Nos quatro primeiros meses do ano, a
conta corrente do balanço de pagamentos apresentou superávit
de US$ 2,031 bilhões. Em igual período do ano passado,
o saldo foi positivo em US$ 3,377 bilhões. O saldo acumulado
no ano até agora representa 0,70% do PIB.
Foram determinantes para o resultado
do ano o superávit de US$ 12,438 bilhões da balança
comercial, o déficit de US$ 11,684 bilhões na conta de
serviços e rendas e as transferências unilaterais de US$
1,277 bilhão.
No acumulado dos últimos 12 meses
encerrados em abril, o saldo em transações correntes é
positivo em US$ 12,847 bilhões, o equivalente a 1,54% do PIB.
Dívida externa
A dívida externa brasileira era
estimada em US$ 161,862 bilhões em abril. Em março, a
dívida estava em US$ 168,257 bi. A queda ficou mais concentrada
na dívida de médio e longo prazo e foi reduzida em abril
com relação a março em US$ 150,258 bi para US$
144,089 bi. A dívida de curto prazo, por sua vez, caiu de US$
17,999 bi para US$ 17,773 bi.
O chefe do Departamento Econômico
do BC, Altamir Lopes, afirmou esta dívida é a menor desde
dezembro de 1995, quando estava em US$ 153 bilhões. Em março,
a dívida externa somava US$ 168,257 bilhões.
Segundo Altamir, essa redução
se deu fundamentalmente na dívida do setor público não
financeiro, por conta da antecipação do pagamento de bradies
(títulos), que somou, juntamente com a parcela que vencia em
abril, US$ 6,459 bilhões. O chefe do Depec afirmou que a dívida
do setor público não financeiro, de US$ 76,1 bilhões,
está no menor nível desde o início da série
em 1990.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
22 de maio de 2006
Pedido mal feito prejudica direito trabalhista,
diz TRT-SP
Por mais que a doutrina e a jurisprudência
garantam um direito, é o pedido do reclamante que garante a concessão
do benefício, não cabendo ao juiz extrapolar os limites
do recurso. Com esta posição, os juízes da 1ª
Turma do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo),
negaram provimento a recurso de um ex-empregado que pretendia penhorar
veículo alienado de seu antigo patrão para quitar dívida
trabalhista.
Segundo a assessoria de imprensa do TRT-SP,
após conseguir a execução de veículo para
garantir o pagamento da dívida, ele teve a execução
embargada pelo ex-patrão, que alegou se tratar de veículo
alienado. O ex-empregado, então, recorreu ao TRT-SP pedindo a
penhora do automóvel.
A juíza Maria Inês Moura
Santos Alves da Cunha, relatora do processo no tribunal, esclareceu
que o bem alienado fiduciariamente é impenhorável, "considerando
que o domínio da instituição credora é indiscutível
até o pagamento integral das parcelas".
Para ela, entretanto, é possível
limitar os direitos do devedor financiado. "O automóvel
não integra (ainda) o patrimônio do devedor (trabalhista
e fiduciário), todavia, nada impede que os seus direitos sobre
tal bem sejam apanhados em garantia, afigurando-se a hipótese
de sub-rogação", observou.
Assim, entendeu a juíza Maria
Inês, a penhora recairia sobre os direitos das prestações
pagas e referentes ao automóvel alienado. No entanto, como o
ex-empregado pediu a penhora sobre o automóvel, não sobre
os direitos do devedor, seu pedido teria de ser negado, já que
a decisão do juiz deve se limitar ao pedido nos autos.
Por unanimidade de votos, os juízes
da 1ª Turma acompanharam o voto da relatora.
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de maio de 2006
Ausência de sindicato
Federação pode representar
trabalhadores na Justiça
Nas localidades em que não há
sindicato, cabe a federação da categoria representar os
empregados em ações trabalhistas. O entendimento foi firmado
no dia 9 de maio pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal. A questão
foi discutida numa Reclamação ajuizada pela Federação
Nacional dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis
e Derivados de Petróleo. O ministro Carlos Ayres Britto, relator,
já havia concedido liminar para a federação.
De acordo com a entidade, as Varas do
Trabalho nas cidades de Vitória (ES), Curitiba (PR), Recife (PE)
e Uberlândia (MG) violaram decisão do Supremo no RE 202.097.
No julgamento deste recurso, a Corte entendeu caber à federação
a representação dos empregados dos postos de serviços
de combustíveis e derivados de petróleo.
Assim, a Turma decidiu cassar as decisões
judiciais da 8ª Vara do Trabalho de Recife, da 4ª Vara do
Trabalho de Uberlândia e da 7ª Vara do Trabalho de Curitiba.
Quanto à questão de Vitória, caracterizada pela
decisão do juízo de colocar a disposição
da Justiça as contribuições habituais dos trabalhadores,
o ministro Carlos Ayres Britto entendeu que não houve ofensa
a decisão do Supremo.
RCL 3.488
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
22/05/2006
Morte de empregado afasta prazo da CLT para
quitação de verbas
Os ministros da Sexta Turma do Tribunal
Superior do Trabalho decidiram que não é devida a multa
prevista no artigo 477 da CLT quando a rescisão do contrato de
trabalho se dá com a morte do empregado. Segundo o dispositivo,
o não pagamento das verbas rescisórias até o primeiro
dia útil imediato ao término do contrato, ou até
o décimo dia, contado da data da notificação da
demissão (ausência do aviso prévio), implica em
multa no valor de um salário em favor do trabalhador.
A empresa Indústria e Comércio
de Produtos Alimentícios Ceres Ltda, inconformada com a decisão
do TRT da 6a Região (Pernambuco), que a condenou ao pagamento
da multa do artigo 477 da CLT pelo atraso no pagamento das verbas, recorreu
ao TST alegando não pagou as verbas salariais, de imediato, porque
não sabia a quem pagar.
Para o TRT/PE, a mera alegação
de não saber a quem pagar tais verbas não era suficiente
para eximir o empregador da multa pela não observância
do prazo fixado pela lei. “A recorrente poderia ter se valido
da ação de consignação em pagamento para
que ficasse isenta da obrigação”, registrou o acórdão
regional. O TRT acrescentou, ainda, que na ficha funcional do empregado
falecido constava o seu endereço e os nomes dos beneficiários.
O ministro Horácio Pires,
ao discordar do entendimento de segunda instância, disse não
ser razoável penalizar a empresa com a multa, uma vez que o rompimento
do contrato de trabalho se deu independentemente da iniciativa de qualquer
das partes, com a morte do empregado. Quanto à consignação
em pagamento, o relator considerou-a desnecessária, tendo em
vista que os prazos previstos no artigo 477 da CLT são pequenos
em comparação com um processo sucessório.
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22/05/2006
TST reconhece competência em ação
sobre contribuição sindical
A Justiça do Trabalho é
o órgão responsável pelo exame das causas judiciais
envolvendo a cobrança de contribuição sindical.
O reconhecimento da competência dos magistrados trabalhistas para
solucionar os processos sobre o tema partiu da Subseção
de Dissídios Individuais – 2 (SDI-2), após exame
de recurso ordinário em ação rescisória
da Companhia Paulista de Força e Luz. Com base no voto do ministro
Emmanoel Pereira (relator), a SDI-2 negou o recurso formulado pela empresa.
“Ao ser editada a Emenda Constitucional
nº 45 de 2004, foi alterada a disposição contida
no artigo 114 da Constituição Federal de 1988 para consagrar
a competência da Justiça do Trabalho para processar e julgar
as ações sobre representação sindical entre
sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores e entre sindicatos e empregadores”,
afirmou Emmanoel Pereira, ao fundamentar seu voto.
O objetivo da Companhia era o de rescindir
sentença contrária proferida pela 1ª Vara do Trabalho
de Ribeirão Preto após exame de ação proposta
pelo Sindicato dos Empregados na Geração, Transmissão
e Distribuição de Eletricidade no Município de
Ribeirão Preto (Sindluz). O mérito do processo envolvia
a obrigatoriedade do recolhimento da contribuição e seu
posterior repasse à entidade sindical.
A condenação foi objeto
de ação rescisória julgada improcedente pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas – SP),
que reconheceu a competência da Justiça Trabalhista para
solucionar a questão.
Segundo o argumento da empresa paulista,
a prerrogativa de julgamento seria da Justiça Comum. Para tanto,
baseou-se em posicionamento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça
e transformado em sua Súmula nº 222, onde firmou-se que
“compete à Justiça Comum dos Estados processar e
julgar as ações relativas à contribuição
sindical prevista no artigo 578 da CLT”.
A alegação da empresa
foi, contudo, refutada pelo TST. Segundo o ministro Emmanoel Pereira,
a ampliação da competência da Justiça do
Trabalho, introduzida pela Reforma do Judiciário (Emenda Constitucional
45), corresponde a norma processual de aplicação imediata.
“Assim, se cabe à Justiça do Trabalho julgar ações
relativas a representação sindical, também lhe
é dado conhecer das causas decorrentes destas demandas e entre
elas está a relativa à contribuição sindical”,
observou o relator.
(ROAR 1.881/2002-000-15-00.4)
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22/05/2006
TST mantém reintegração
de empregado com doença profissional
O Tribunal Superior do Trabalho, em
julgamento da Quinta Turma, manteve a decisão do TRT da 2a
Região (São Paulo) que condenou a General Motors do
Brasil Ltda a reintegrar um empregado dispensado após contrair
tenossinovite, doença profissional ocasionada por esforços
repetitivos.
A decisão levou em consideração
tanto o laudo pericial apresentado em juízo quanto a existência
de acordo coletivo de trabalho garantindo a permanência no emprego
em caso de doença profissional.
O relator do processo, ministro Gelson
de Azevedo, entendeu correta a decisão do tribunal quanto à
reintegração, tendo em vista que o laudo pericial constatou
que a doença adquirida pelo trabalhador gerou incapacidade para
o exercício da função que ele exercia na empresa,
mas não para outros tipos de trabalho. Por isso, o empregado
poderia ter sido aproveitado em outro setor. A General Motors deverá,
ainda, pagar todos os salários correspondentes ao período
de afastamento.
No recurso de revista encaminhado ao
TST, a General Motors alegou que o trabalhador não fazia jus
à reintegração ao emprego porque a doença
não fora atestada pelo INSS, e que o acordo coletivo de trabalho
com previsão da garantia de emprego expirou antes da sentença
em que se determinou a reintegração.
O ministro Gelson de Azevedo ressaltou
em seu voto que a inexistência de atestado do INSS foi suprida
pelo laudo pericial que constatou a tenossinovite. Quanto à vigência
da norma coletiva, o relator baseou-se na jurisprudência do TST
no sentido de que, se preenchidos todos os pressupostos para a aquisição
de estabilidade decorrente de acidente do doença profissional,
ainda durante a vigência do instrumento normativo, a estabilidade
é assegurada mesmo após o término da vigência
da norma. (RR-545.902/1999.7)

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