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CORREIRO DO ESTADO / MS, 23 de maio de 2006
| Economia
Projeto de senador anima o setor da construção
civil
MORADIAS POPULARES Representantes do Secovi
e da Federação dos Trabalhadores elogiaram proposta do
senador Antonio João em prol da construção de mais
moradias em MS
VERA HALFEN
Projeto pretende reverter o déficit habitacional
em MS e gerar mais emprego e renda para trabalhadores
A destinação de 15% dos
valores das prestações mensais das dívidas dos
Estados com o Governo federal, para o financiamento da casa própria,
defendida no projeto elaborado pelo senador Antonio João Hugo
Rodrigues (PTB), entusiasmou o setor imobiliário na Capital.
O presidente do Secovi, Marcos Augusto
Netto, recebeu com empolgação a notícia do projeto
e comenta que ele vai ao encontro de soluções para os
problemas no setor da habitação, que se arrastam há
20 anos, devido à falta de recursos.
"Não li o texto do projeto",
comenta Netto, "mas entendemos que é positivo, porque se
propõe a diminuir o déficit de moradias no Estado".
Hoje, segundo Netto, o sistema da habitação se divide
em dois subsistemas: o primeiro, de caráter social, criado pela
Lei 11.124/05, que é o Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social, destinado às pessoas que têm renda
mensal de até cinco salários mínimos e é
o foco do projeto do senador. O segundo subsistema é o de mercado,
para financiamentos dirigidos à classe média com rendimentos
acima de cinco salários mínimos.
Em relação ao fundo social,
Netto frisa que já foram designados para 2006 R$ 1 bilhão
que já estão sendo aplicados nos financiamentos. "Acredito
que o objetivo do projeto do senador Antonio João, em direcionar
a receita de R$ 4,5 milhões para o setor habitacional, é
muito interessante. Porém, será necessário seguir
os caminhos estabelecidos. O setor sugere que os 15% poderiam ser divididos
em duas partes: 5% para o fundo social e os outros 10% para o fundo
estadual, que é fiscalizado e só pode ser investido em
habitação. Esta é uma sugestão do setor
ao senador para o aperfeiçoamento de um projeto que é
inteligente e que daria um reforço técnico".
Poupança
Segundo Marcos Augusto Netto, também
o subsistema de habitação de mercado (renda acima de cinco
salários mínimos) passa por dificuldades. Ele lembra que
os recursos são basicamente oriundos da caderneta de poupança.
Nos últimos anos, o setor imobiliário e o Governo vêm
aperfeiçoando o sistema de financiamento para que os bancos voltem
a financiar habitações. Em anos anteriores, as instituições
evitavam fazer financiamentos imobiliários porque não
tinham garantias. Hoje os bancos já começam a investir
no setor.
Netto mostra a evolução
destes financiamentos no País e destaca que em 2002 o sistema
bancário financiou R$ 1,7 bilhão; em 2003, R$ 2,2 bilhões;
no ano de 2004, R$ 3 bilhões; em 2005, R$ 4,8 bilhões
e a projeção para 2006 é de R$ 8 bilhões.
"Ocorre que destes recursos, a maioria
não vem para o nosso Estado, ao contrário, nossa captação
da poupança vai embora para aplicação em outros
Estados. Apenas cinco Estados – BA, MG, RS, RJ e SP – consomem
entre 86% e 88% destes recursos. Mato Grosso do Sul, em 2002, ficou
com a migalha de 0,35% dos recursos; em 2003 recebeu 0,73%, já
em 2004 ficou com 0,47% e em 2005 – que foi o pior desempenho
e em 18º lugar – fechou o ano com 0,17% de participação".
Os recursos da poupança, aplicados
em habitação no Estado em 2005, em valores, foi de R$
8,3 milhões (0,17%). Porém, a poupança ficou em
R$ 32,02 milhões. "Tivemos uma sangria de nossos recursos
na ordem de R$ 23,6 milhões recolhidos, que foram aplicados em
outros Estados", enfatiza Netto.
Em uma estimativa para 2006, o quadro
fica ainda pior: aplicando-se o mesmo percentual de 2005 (0,66%), os
recursos seriam de R$ 52,8 milhões. "Se dividirmos por R$
50 mil, que é o valor em moradia de classe média, teríamos
1.056 famílias com a casa própria neste ano. "Esta
é uma distorção de aplicação de recursos
de mercado. Poderíamos fazer um mutirão e reunir todos
os setores de consumo, autoridades municipais e estaduais para que juntos
pudéssemos reverter este quadro. Precisamos justamente de recursos
para aplicar na habitação, pressionar os bancos, mostrar
o poder de negociação, porque cada real que captamos gera
emprego, imposto e riqueza para o nosso Estado. Nós estamos abertos
para ajudar".
Trabalhadores
Também o coordenador do
Fórum Sindical dos Trabalhadores em MS, José Lucas da
Silva, mostra entusiasmo com o projeto. "Nunca é tarde.
O senador não poderia ter acertado melhor com este projeto. No
Estado, o déficit de habitações é muito
grande; a população quer ter moradia própria. O
setor está torcendo para que o projeto seja aprovado o mais rápido
possível".
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ESTADÃO.COM /SÃO
PAULO, 23 de maio de 2006 | Economia
FGTS liberou R$ 2,187 bilhões para
construção até abril
Apenas 40% do montante foi investido na construção
de novas moradias de interesse social. O restante foi utilizado para
reformas
Beth Moreira
SÃO PAULO - O envio de recursos
do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) para o setor
habitacional somou R$ 2,187 bilhões no primeiro quadrimestre
de 2006, segundo dados divulgados nesta terça-feira pela Câmara
Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Segundo
a entidade, apenas 40% do montante foi investido na construção
de novas moradias de interesse social. A maior parte dos recursos -
60% - foi usada para financiar a compra de imóveis usados e cestas
de materiais de construção (reformas).
Em nota, a entidade destaca que o atraso
na aprovação da portaria ministerial que autoriza o ingresso
de R$ 1 bilhão do FGTS ao Fundo de Arrendamento Residencial prejudicou
o investimento em novas moradias. De acordo com o presidente da CBIC,
Paulo Safady Simão, o baixo repasse para construção
de novas moradias contribui para a performance pouco favorável
do setor, principalmente em relação ao crescimento dos
postos de trabalho formais da construção civil.
A entidade destaca dados do Cadastro
Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do
Trabalho, que mostra que de janeiro de 2003 a março de 2006 foram
criados no país 3,762 milhões de novos empregos formais.
Desse total, a construção civil participou com apenas
3,4%, ou 129 mil empregos. "É seguramente a pior participação
do setor nos últimos anos", destaca.
Na avaliação do presidente
da CBIC, se pelo menos 75% dos valores investidos contemplassem a construção
de novas habitações, teriam sido criados nos primeiros
meses desse ano mais 49,330 mil empregos formais, o que significaria
um acréscimo de mais 35% nos empregos gerados nos últimos
três anos.
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Agência Diap, 23 de
maio de 2006
Minirreforma Eleitoral
TSE discute lei eleitoral; norma só
deverá valer para as próximas eleições
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decide nesta terça-feira,
23/05, se a “minirreforma eleitoral” (Lei no 11.300/06)
entra em vigor para as próximas eleições. Entre
as regras modificadas está a que proíbe a distribuição
de brindes e a participação de artistas, bem como os showmícios.
Os partidos políticos também ficam impedidos de usar imagens
externas no horário eleitoral gratuito, programadas para ir ao
ar no dia 15 de agosto.
Na semana passada, o presidente
do TSE, ministro Marco Aurélio Mello, discordou da aplicação
das regras em 2006. Ele usa como argumento o princípio constitucional
da anualidade, segundo o qual mudanças das normas eleitorais
devem respeitar o prazo de doze meses antes do pleito. “Está
na Constituição Federal, em bom vernáculo, que
qualquer modificação normativa do processo eleitoral tem
que ser feita com antecedência mínima de um ano”,
reforça o ministro.
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Agência Diap, 23 de
maio de 2006
Direitos Trabalhistas
CAS pode votar várias proposições
de interesse dos trabalhadores
A Comissão de Assuntos Sociais se reúne nesta quarta-feira,
24/05, às 9h30, e pode votar várias proposições
de interesse dos trabalhadores, com destaque para o PLS nº 244/03,
que altera a Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, para disciplinar
a correção dos benefícios previdenciários.
O projeto é do senador Paulo Paim (PT/RS) e recebeu parecer favorável
do relator, senador Flávio Arns (PT/PR).
Há ainda o PLS nº 10/06,
que altera os artigos 32 e 80 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de
1991, para dispor sobre o acesso do empregado às informações
relativas ao recolhimento de suas contribuições ao INSS,
e dá outras providências. O autor do projeto é o
senador Cristovam Buarque (PDT/DF) e o relator, que ofereceu favorável,
é o senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG).
Destaca-se também o PLS nº
443/03, do senador Aelton Freitas (PL/MG), que possibilita o saque dos
recursos acumulados no Fundo de Participação PIS-Pasep
em caso de desemprego involuntário. O relator, senador Eduardo
Azeredo (PSDB/MG), emitiu parecer favorável ao projeto.
O PLS nº 170/05 é outro projeto
que merece destaque na agenda da CAS. A proposição modifica
o artigo 193 da Consolidação das Leis do Trabalho e concede
adicional de periculosidade aos eletricitários. De autoria do
petista gaúcho Paulo Paim, o projeto recebeu parecer favorável
do relator, senador Rodolpho Tourinho (PFL/BA).
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Diário Vermelho,
22 de maio de 2006
FMI defende "reforma" trabalhista
em países pobres
A diretora adjunta do Fundo Monetário
Internacional (FMI), Anne Krueger, disse que para solucionar o problema
da brecha entre o mercado de trabalho formal e o informal nos países
“em desenvolvimento” é preciso dar maior flexibilidade
ao primeiro.
No discurso no primeiro dia do
Fórum da Organização para a Cooperação
e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Krueger afirmou que em muitos
países “em desenvolvimento” a regulamentação
trabalhista impediu o aumento da produtividade e a polarização
do mercado de trabalho. A diretora do FMI disse que se cria uma brecha
entre o setor formal, no qual os empregados estão muito protegidos,
mas que está estagnado, e um sistema informal sem garantias para
os trabalhadores.
Krueger afirmou que em um país “emergente” como a
China, à medida que se desenvolva, os trabalhadores desejarão
chegar a postos cada vez mais produtivos e serão gerados problemas
de escassez de mão-de-obra nos setores de baixa qualificação
e com piores salários. No mesmo debate, o presidente do sindicato
americano AFL-CIO, John Sweeney, afirmou que as garantias dos direitos
humanos e sociais deveriam ser levadas em conta nos acordos de liberalização
comercial.
Sweeney afirmou que a entrada da China e da Índia na economia
mundial representa um grande desafio, se for levado em conta que nos
últimos 15 anos a mão-de-obra dobrou no mundo. A conseqüência
disto foi a queda nos salários. "É preciso garantir
que o nivelamento será feito por cima, e não por baixo",
afirmou. Para Sweeney, o modelo trabalhista dos países nórdicos
europeus é um modelo de equilíbrio. O Fórum da
OCDE termina nesta terça-feira, quando começa o Conselho
de ministros da organização com uma análise da
situação econômica geral e a apresentação
do relatório semestral de Perspectivas. Com agências.
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2006
Vice sai em defesa de Alckmin e diz que
Lula foi "fracasso na segurança"
DA REPORTAGEM LOCAL
Escolhido pelo PFL para ser candidato
a vice na chapa do tucano Geraldo Alckmin à Presidência,
o senador José Jorge (PE) atacou ontem o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, seu provável adversário nas eleições
de outubro. Disse que o petista foi um "fracasso total na área
da segurança pública". Questionado se a crise de
segurança em São Paulo não poderia prejudicar a
campanha de Alckmin, já que ele esteve no Palácio dos
Bandeirantes como vice de Mario Covas e governador titular por mais
de 11 anos, o senador pefelista respondeu que não. E jogou a
responsabilidade para o governo federal.
"Segurança também
é responsabilidade da União. O crime organizado caminha
pelo país inteiro. Por exemplo, em Pernambuco [seu Estado natal],
às vezes os grandes assaltos são praticados por bandidos
que vêm de outros Estados. É uma questão nacional
que o governo Lula, infelizmente, não enfrentou", afirmou
o senador na tarde de ontem, após visita de solidariedade ao
governador paulista, o também pefelista Cláudio Lembo.
Repasses federais
José Jorge criticou também
os repasses federais para os Estados. "No Orçamento o governo
promete uma quantia irrisória. E pior, não cumpre. Eles
também falam dos presídios federais, que já deveriam
estar prontos. Mas nenhum foi inaugurado até agora", disse.
A Folha perguntou ao senador se a crise na segurança em São
Paulo não vai prejudicar Alckmin eleitoralmente. José
Jorge acha que não. "A população vai fazer
um entendimento correto", disse.
A reportagem insistiu e perguntou qual
a opinião dele sobre a gestão da segurança pública
no Estado. "Não dá para acompanhar tão de
perto. Mas há indicadores de que melhorou bastante. A situação
está fora de controle não só em São Paulo
mas também no Rio e em outros Estados", disse Jorge. A assessoria
de imprensa do Ministério da Justiça afirmou ontem que
não vai comentar as declarações dadas pelo senador
José Jorge.
FHC
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
foi ao ataque ontem contra o governo Lula. FHC disse que o governo trata
a crise da segurança pública como questão de escolaridade.
"Infelizmente, o presidente Lula disse que isso é uma questão
de escolaridade. Não é. Se fosse assim, no passado, quando
a escolaridade era mais baixa, teríamos mais crimes." Criticado
por Lula por causa do apagão de 2001, FHC revidou ao comentar
a escolha de Jorge (ministro de Minas e Energia de FHC, que ficou conhecido
como "ministro do apagão") para ser vice de Alckmin.
"O povo não pensa assim. Tem de pensar no futuro. Aí
sim, eu estou preocupado. Não está havendo investimento
em energia elétrica." (FABIO SCHIVARTCHE)
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
"Se ninguém quer, eu vou", afirmou o senador gaúcho,
sobre eventual candidatura pelo partido à Presidência da
República. Em Minas, ex-presidente formaliza sua intenção
de concorrer ao Senado; para Hélio Costa, nova chapa é
sonho de uma noite de verão
Itamar desiste e Simon se oferece ao
PMDB
PAULO PEIXOTO, DA AGÊNCIA FOLHA, EM
BELO HORIZONTE
LÉO GERCHMANN , DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
No mesmo dia em que o ex-presidente Itamar
Franco (PMDB-MG) anunciou, em Belo Horizonte, que desistiu de sua pré-candidatura
à Presidência da República, a 1.712 km dali, em
Porto Alegre, seu colega de partido, o senador gaúcho Pedro Simon,
anunciou: "Se ninguém quer, eu vou". Mas Simon já
adiantou que acha muito difícil o PMDB manter candidatura própria
e apontou os caciques do partido -referindo-se aos senadores José
Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL)- como responsáveis pela falta
de candidato.
"O comando do partido não
deixa", disse Simon, referindo-se à possibilidade de candidatura
própria. Ele lamentou a "realidade" de que "a
decisão está nas mãos dos caciques". Para
o senador, o partido deve se apresentar como uma alternativa aos dois
partidos que governaram o país nos últimos 12 anos: o
PT e o PSDB. "O PT e o PSDB vão passar a campanha falando
mal um do outro, mas sem apresentar propostas."
Ao defender a candidatura, Simon fez
uma referência aos incidentes violentos promovidos por facção
criminosa nos últimos dias em São Paulo. "Temos uma
máfia organizada como nos Estados Unidos e na Itália,
pela continuidade da ação e quantidade de gente envolvida.
O PMDB precisa ter um candidato para colocar em prática a Operação
Mãos Limpas", afirmou ele. Simon disse que vai tentar convencer
o partido a não adiar a convenção de 11 para 29
de junho, véspera da data-limite para a definição
das candidaturas. A estratégia dos governistas é levar
a convenção para o prazo final, quando as coligações
estaduais já estariam fechadas, enterrando de vez a proposta
de candidatura própria a presidente. Simon pretende se encontrar
com Sarney e Renan.
Itamar
Em Minas, Itamar formalizou sua
desistência após encontrar-se com parte das bancadas estadual
e federal do PMDB mineiro. Depois, se inscreveu para disputar a indicação
da sigla em Minas para concorrer ao Senado. Não quis comentar
a articulação para que Simon seja o pré-candidato
ao Planalto, mas sinalizou que, se ocorrer, apoiará a candidatura.
"Se o PMDB tiver uma candidatura nacional, estarei firmado nessa
candidatura", afirmou ele, que disse não querer falar sobre
a pré-candidatura Simon pelo fato de o senador não ter
conversado com ele. Disse ter recebido informações de
que Simon aguardava a desistência dele para, então, procurá-lo.
Presente ao anúncio, o ministro Hélio Costa é contra
a pré-candidatura de Simon. "Não comungo com a idéia
e acho que é meio shakesperiana, porque é sonho de uma
noite de verão, ou de inverno", disse ele, que apóia
a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva.
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2006
TRABALHO
Fábricas da Volks vão parar
por 24h na próxima semana
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Três unidades da Volkswagen vão
parar por 24 horas na próxima semana em reação
ao anúncio de reestruturação da montadora no país,
que pode resultar na demissão de 5.773 trabalhadores nos próximos
dois anos. A paralisação vai afetar a produção
de São Bernardo do Campo (ABC), Taubaté (SP) e São
José dos Pinhais (PR), onde trabalham 21 mil funcionários.
Nesses locais, haverá ainda manifestações de rua
envolvendo as famílias dos empregados.
Nas fábricas de São Carlos
(SP) e Resende (RJ), onde não estão previstos cortes de
pessoal, haverá protestos em solidariedade aos outros empregados.
"Daqui para a frente, haverá uma manifestação
a cada semana. Vamos responder à reestruturação
com luta", disse José Lopez Feijóo, presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (CUT).
A Volkswagen preferiu não comentar
as decisões dos trabalhadores. Os sindicalistas entregam hoje
à montadora um documento em que se negam a discutir qualquer
assunto relativo à reestruturação de forma isolada.
A Volks já havia convocado os sindicatos de Taubaté e
do ABC para uma reunião hoje, além de agendar encontro
com os trabalhadores de São José dos Pinhais na quinta-feira
e de São Carlos no dia 30. "Vamos combater essa tentativa
de colocar trabalhadores de uma unidade contra os de outra", diz
Claudio Gramm, que representa dos trabalhadores da Volkswagen no Paraná.
Trabalhadores da VW em 22 países
decidiram marcar um dia de protesto mundial, em que usarão faixas
ou adesivos contra a reestruturação proposta pela empresa
para evitar prejuízos com as exportações. A montadora
alega que a valorização do real agravou a situação
das exportações, por isso será necessário
reduzir custos com pessoal em torno de 25%. "A Volkswagen quer
ter lucro arrancando o couro dos trabalhadores", diz Feijóo.
"Seria um sonho [conseguir fazer uma paralisação
mundial em todas as 44 unidades da VW em 22 países]. Mas precisamos
ter o pé no chão." Onze entidades que representam
100 mil empregados da VW assinaram um manifesto no México contra
as decisões da montadora.
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2006
Mulher chefia mais lares e trabalha mais;
renda cai
De 91 a 2000, taxa de ocupação
feminina aumentou em todas as faixas etárias
No Sul e Sudeste, negras e pardas recebem 50% a menos que brancas, diz
IBGE; renda média foi de R$ 330 para R$ 300 no Sudeste
TALITA FIGUEIREDO
DA SUCURSAL DO RIO
Ao contrário do que aconteceu
com os homens, aumentou, em todas as faixas etárias, a taxa de
ocupação das mulheres entre 1991 e 2000. A faixa etária
em que houve o maior crescimento foi entre 25 e 49 anos, que subiu de
45,3% para 61,5%. Se estão trabalhando mais, elas também
estão ganhando menos em todas as regiões -no Sudeste,
seu rendimento médio caiu de R$ 330 para R$ 300. O número
de domicílios chefiados pelas mulheres cresceu 37%, passando
de 18,1% para 24,9% neste período.
Esses domicílios têm melhores
condições de saneamento básico do que o chefiado
por homens. Os dados constam da pesquisa do Snig (Sistema Nacional de
Informações de Gênero), baseados nos Censos de 1991
e 2000, divulgada ontem pelo IBGE e feita em parceria com a Secretaria
Especial de Política para as Mulheres. "As mulheres foram
maciçamente para o mercado de trabalho na década de 90.
Uma intensa mudança comportamental se aliou à queda da
renda e ao empobrecimento das famílias, empurrando seus membros
para o mercado de trabalho", disse a economista da Universidade
Federal Fluminense Hildete Pereira de Melo. Apesar do aumento na taxa
de ocupação, as mulheres se empregam prioritariamente
em ocupações chamadas "extensões da vida doméstica",
como trabalhadoras domésticas ou sem remuneração
(27,4%). Elas ganham em média 30% a menos do que os homens.
As regiões Centro-oeste, Sul e
Sudeste concentram a maior proporção de discriminação,
tanto de gênero, quanto de cor. Nessas regiões há
maior proporção de mulheres que ganham menos de 70% dos
rendimentos dos homens. "É pura discriminação.
Essa é uma das batalha mais sérias das mulheres: salário
igual para trabalho igual", disse Hildete. A pesquisa mostra que
mulheres negras e pardas ganham ainda menos do que as brancas. Em 2000,
elas recebiam em média 51% do rendimento médio das brancas.
A diferença salarial é maior na área urbana do
Estado do Rio, onde as pretas e pardas chegam a ganhar só 48,6%
da renda das brancas.
Norte e Nordeste, regiões onde
normalmente o rendimento é menor também para homens, tem
desigualdade menor. "No Brasil, as conquistas das mulheres foram
enormes nas últimas décadas. Uma delas foi o acesso à
educação, que beneficiou em especial as mulheres. Hoje,
quase 64% dos que concluem o ensino superior são mulheres. Mas
o impacto dessa situação no mercado de trabalho ainda
não se fez. Levará algum tempo ainda", disse a ministra
Nilcéa Freire (Secretaria Especial de Políticas para Mulheres)
no lançamento no Rio.
Apesar de ter diminuído
um pouco o fluxo migratório do Nordeste para o Sudeste, aumentou
profundamente a diferença entre homens e mulheres que migram.
Em 1991, entre os homens que moravam no Nordeste havia pelo menos cinco
anos, 290.679 foram para o Sudeste. O número de mulheres foi
de 292.370. Já em 2000, o número de mulheres (281.872)
que migraram foi 22,5% maior que o de homens (218.185), provavelmente
em razão das parcas oportunidades de trabalho no Nordeste.
Fonte
do Gráfico: Jornal Gazeta do Povo (23/05/2006)
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2006
Mulheres têm locomoção
pior; homens ouvem menos
DA SUCURSAL DO RIO
A principal deficiência física
detectada na análise dos dados do Snig é a locomoção,
tanto para homens quanto mulheres. Apesar de não ter sido medida
em 1991, os dados de 2000 são relevantes para mostrar que o mal
atinge grande parte da população. A dificuldade de caminhar
e subir escadas das mulheres supera a dos homens. A cada 100 mil mulheres,
346,5 tinham o problema em 2000, enquanto para homens eram 329,3.
Homens, por outro lado, sofrem mais da
incapacidade de ouvir. Para cada 100 mil homens, em 2000, 103,4 eram
surdos, enquanto entre as mulheres a relação era de 92,7.
Em 1991, os valores aferidos foram 125,1 e 111,5, respectivamente. As
mulheres, que enxergavam melhor que os homens em 1991, passaram a ter
mais deficiências visuais do que eles, em 2000.
O número de homens que não
enxergam caiu de 105 para 83,9 por 100 mil habitantes. Para as mulheres
a redução foi menor, de 93,9 para 90,3. Segundo a ministra
Nilcéa Freira (Secretaria Especial de Políticas para as
Mulheres), os indicadores de deficiência por microrregiões
ajudam a elaboração de políticas públicas
específicas a cada parte do Brasil.
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Folha de São Paulo,
23 de maio de 2006
Migrantes são maioria entre domésticas
Moradora da Posse, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), Patrícia
Galdino de Oliveira, 34, sabe o que é ser chefe de família.
Por dois anos, o marido ficou desempregado, logo depois do nascimento
do segundo filho, Thiago, 3. Trabalhando como faxineira, ela arcou com
as despesas da casa sozinha. Há dois anos o marido Rogério
Oliveira voltou a trabalhar, mas ainda ganha menos do que ela. Como
porteiro, recebe líquido pouco mais de R$ 300. Oliveira alterna
o trabalho diário em duas casas e ganha, em média, R$
750 mais as passagens.
O setor doméstico é
o que mais emprega as mulheres, quase um terço delas. Este também
é o serviço que mais emprega os migrantes do Nordeste.
Como empregadas domésticas, ganham mais no Sudeste. Jaciene da
Silva, 31, saiu de Salvador, na Bahia. "Fiquei espantada, porque
quando cheguei aqui soube que tinha direito a férias, folga.
Lá não tem nada disso." Jaciene ganha dois salários
mínimos, o dobro do que recebia antes. "Mulher não
pode mais ficar sem trabalhar", diz. (TF)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de maio de 2006 | Brasil
RETROCESSO
Trabalho infantil entre meninas
cresce em quatro áreas rurais
Rio – O estudo do IBGE mostra aumento da ocupação
entre meninas e adolescentes em áreas rurais de quatro regiões
do país. Na área rural do Norte, o nível de ocupação
das meninas era de 5,2% e subiu para 11,3%.
A exceção é a área
rural da região Sul, onde o nível de ocupação
manteve-se o mesmo (11,4% em 1991 e 11,5% em 2000). Nas demais regiões,
na passagem de 1991 para 2000, houve um aumento da ocupação
feminina nas áreas rurais: de 8,5% para 12,3% no Nordeste; de
21,4% para 22,7% no Sudeste e de 6,6% para 8,3% no Centro-Oeste.
No entanto, a pesquisa confirma
que o trabalho infantil vem se reduzindo nos últimos anos. Em
1991, 24,5% das crianças e adolescentes de 10 a 17 de idade do
sexo masculino trabalhavam, enquanto que entre as meninas, essa taxa
era de 11,7%. Em 2000, ambos os porcentuais diminuíram, passando
para 18,1% e 9,8%, respectivamente.
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ESTADÃO.COM /SÃO
PAULO, 23 de maio de 2006 | Economia
Bolsas caem no mundo todo; dólar
tem a maior alta em 3 anos
Investidores estão preocupados com o
cenário de pressão inflacionária que seria contido
apenas com a alta dos juros
SÃO PAULO - Bolsas de todo o mundo
fecharam em queda com o aumento da aversão ao risco. No Brasil,
a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou a tendência
e, às 16h30, estava em 36.649 pontos, baixa de 2,87%. Durante
o dia, o Ibovespa - que mede o desempenho das ações mais
negociadas na Bolsa - chegou a cair mais de 5%. O dólar comercial
fechou cotado a R$ 2,2890, em alta de 3,67%, a maior variação
desde 26 de maio de 2003. O risco Brasil - taxa que mede a desconfiança
do investidor estrangeiro em relação à capacidade
de pagamento da dívida do País - subiu para 275 pontos
base.
Investidores estão preocupados
com o cenário de pressão inflacionária que seria
contido apenas com a alta dos juros. Nesta manhã, em entrevista
em Viena, o diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, observou que os bancos
centrais precisam reduzir o estímulo monetário em virtude
do risco inflacionário. Para o mercado, quando as taxas sobem,
o mercado acionário perde atratividades. Os investidores iniciam
um movimento de ações, o que provoca a que dos preços
desses ativos.
Na Ásia, a maior parte das bolsas
fechou com queda acima de 2%, algumas delas depois de terem amargado
forte desvalorização, como a indiana, onde o índice
de referência chegou a despencar 10%. Também na Europa,
o movimento foi de queda das ações. Em Madri, a bolsa
caiu 6,40%; em Milão, 3,76%; em Paris, 2,65%; e em Frankfurt,
2,22%.
Na Bolsa de Tóquio, os papéis
da mineradora Sumitomo Metal fecharam em baixa de 3,9% e os da Showa
Shell Sekiyu, de petróleo, recuaram 3,5%. Na Bolsa de Hong Kong,
o índice Corporativo Chinês, composto em sua maioria por
ações de companhias chinesas relacionadas ao setor de
commodities metálicas e de petróleo, caiu 5,6%.
A Bolsa de Moscou fechou com desvalorização
de 9%, a maior queda desde os problemas com a petrolífera Yukos.
Entre as mais punidas pelas vendas hoje estiveram a Gazprom (-12%),
a Surgut (-15%) e a Sberbank (-13%). Praga caiu 5,9% e Budapeste, 3,9%,
com vendas lideradas por ações de commodities. Na Turquia,
a Bolsa de Istambul fechou em queda de 7,6%. Nos países latinos,
a Bolsa de Buenos Aires caiu perto de 7%, enquanto a do México
abriu em queda de 3,5%.
Em Nova York, o Nasdaq, bolsa que negocia
ações do setor de tecnologia e Internet, registrou perdas
maiores. Às 16h24 (de Brasília), o Nasdaq recuava 0,64%
e o Dow Jones, índice que mede o desempenho das ações
mais negociadas na bolsa de Nova York, operava com leve alta de 0,09%.
Nervosismo deve continuar nos próximos
dias
O diretor para mercados emergentes da
Goldman Sachs, Paulo Leme, acredita que a oscilação que
tem afetado os mercados internacionais e o doméstico deve prosseguir
ao longo desta semana. Segundo ele, o grau de incerteza do mercado financeiro
hoje está muito maior, não só por causa do aumento
da inflação americana na margem e arrefecimento do crescimento
dos Estados Unidos na margem, como também devido à preocupação
em relação a trajetória dos juros americanos. Uma
amostra de que os parâmetros da "Era Greenspan" mudaram.
Para Leme, o Federal Reserve (banco central
dos Estados Unidos) enfrenta hoje um dilema com os juros. "A sinuca
é: se agora a taxa de juro depende de expectativas de inflação
e agora o mercado está subindo as expectativas de inflação,
não fica claro o que o Fed terá que fazer em junho e no
final do ano. Portanto, o mercado está começando a cobrar
um prêmio de risco devido a essa incerteza de menor crescimento
e maior inflação. Então, o mercado deve continuar
muito volátil", avaliou, em entrevista ao Broadcast Ao Vivo.
O diretor acredita, porém, que
o mercado deve se reacomodar e estabilizar em 2, 4 ou 6 semanas. "Mas
com uma maneira de operar diferente, com maior volatilidade e talvez
com uma menor demanda na margem para ativos de maior riscos, nos quais
incluímos os emergentes", explicou.
Paulo Leme, no entanto, mantém
sua expectativa para a próxima reunião do Fed. "Apesar
do aumento da inflação e da cifra de core inflation, que
foi bastante alta na semana passada, o Fed não subirá
as taxas de juros em junho", disse. Segundo ele, somente após
os dados norte-americanos dos próximos 2 ou 3 meses é
que será possível avaliar se o aperto monetário
realmente irá parar com os juros em 5%.
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ESTADÃO.COM /SÃO
PAULO, 23 de maio de 2006 | Economia
Governo busca economia de 4,5% do PIB
A mudança foi feita após confusão
de informações. O total destinado aos pagamentos é
de R$ 72,4 bilhões, e não de R$ 78 bilhões anunciados
anteriormente
Sergio Gobetti
BRASÍLIA - O decreto de programação
financeira do governo federal, publicado na edição extra
do Diário Oficial da União, com data de sexta-feira mas
divulgada apenas nesta segunda-feira, mostra que a equipe econômica
brasileira persegue uma meta de economia maior do que a divulgada anteriormente.
De acordo com o texto, o objetivo é superávit primário
de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) - arrecadação menos
as despesas, exceto o pagamento de juros -, e não 4,1%, como
chegou a ser noticiado na semana passada.
Na ocasião, o Ministério
do Planejamento suscitou essa dúvida ao divulgar que liberaria
R$ 78 bilhões para "empenho" de despesas discricionárias,
o que acarretaria uma economia de apenas 3,21% do PIB na esfera federal
- à qual se somariam outros 0,9% de Estados e municípios,
totalizando 4,11% do PIB precisamente.
Na prática, entretanto, o decreto
indica que a despesa efetivamente liberada para gastos (pagamentos)
é de apenas R$ 72,4 bilhões, incluindo R$ 3 bilhões
de investimentos do projeto piloto negociado com o Fundo Monetário
Internacional (FMI). Ou seja, há uma diferença a menor
de R$ 5,6 bilhões (0,27% do PIB) na despesa, que foi mantida
em uma reserva financeira especial, resultando - por enquanto - em superávit
de 3,47% na esfera federal.
Além disso, segundo fontes do
governo, estima-se que Estados e municípios obtenham superávit
primário de 1% do PIB e não 0,9%, como inicialmente divulgado.
Assim, chega-se a um superávit de 4,47% do PIB, que pode ser
maior se o governo não gastar todos os R$ 3 bilhões que
estão liberados para o projeto piloto, como é comum de
acontecer.
Confusão
A confusão com os números
é causada pela dualidade dos discursos, pela forma pouco transparente
com que a equipe econômica continua realizando sua programação
financeira e pelas diferenças entre os limites para "empenhar"
e "pagar" as despesas.
O que interessa para o cálculo
do superávit primário é a despesa paga e não
a empenhada. Até porque o "empenho" é uma simples
sinalização de gasto que pode não ocorrer.
No ano passado, por exemplo, o governo
chegou a empenhar R$ 17,3 bilhões em investimentos, dos quais
R$ 11,2 bilhões eram despesas virtuais que ficaram pendentes
de pagamento - os chamados restos a pagar "não processados".
Neste ano, segundo o decreto da equipe econômica, o máximo
que o governo poderá pagar desses restos a pagar é R$
7,4 bilhões de um total de R$ 15 bilhões - aí incluindo
despesas de custeio e inversões financeiras e não apenas
investimentos.
Nesse contexto, a hipótese cogitada
de superávit de apenas 4,1% do PIB só ocorreria se o governo
gastasse todos os R$ 3 bilhões do projeto piloto e mais os R$
5,6 bilhões que estão mantidos na reserva financeira.
Além disso, Estados e municípios precisariam frustrar
em 0,2% sua cota no superávit primário - uma seqüência
de condições pouco prováveis de acontecerem simultaneamente.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
23 de maio de 2006
Construtora atrasa entrega de obra e deve
indenizar casal em R$ 12,6 mil
A 2ª Câmara de Direito Civil
do TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina), em apelação
sob relatoria do desembargador Luiz Carlos Freyesleben, condenou a Aria
Construtora e Incorporadora em indenizar um casal por danos materiais
e morais, em R$ 12,6 mil, provocados pelo atraso na entrega de um apartamento.
Segundo os autos, o casal comprou um
apartamento da Aria com previsão de entrega para maio de 2001.
O prazo acabou adiado para fevereiro de 2002. Como o casamento estava
marcado para janeiro daquele ano, os noivos precisaram se alojar na
casa dos pais logo após retornarem da lua de mel. Em fevereiro,
contudo, providenciaram a mudança ainda com o prédio em
obras – só concluídas em março de 2002.
Eles propuseram então ação
de indenização por danos materiais e morais. Em primeira
instância, obtiveram indenização de R$ 4.600. Agora,
o valor foi majorado para R$ 12,6 mil, em julgamento unânime na
2ª Câmara de Direito Civil do TJ-SC.
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CONSULTOR JURÍDICO,
23 de maio de 2006
Acidente de trabalho
Funcionário deve ser treinado
para atividade de risco
Empresa que desloca funcionário
para exercer função de alta periculosidade, sem o prévio
treinamento, é responsável pelo dano que qualquer acidente
possa causar. O entendimento é da 9ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (São Paulo) e condena a
Pan Papel Industrial e Comércio a pagar 150 salários mínimos
para um operário que perdeu os quatro dedos da mão direta
em uma máquina.
O autor da ação foi contratado
para trabalhar como ajudante geral. Mesmo sem ter o preparo suficiente,
a empresa o deslocou para operar uma máquina de cortar papel,
onde ele sofreu o acidente. O trabalhador, então, entrou com
pedido de indenização por danos morais e materiais, mas
a 41ª Vara do Trabalho de São Paulo negou o pedido. O operário
recorreu ao TRT paulista.
O relator, juiz Luiz Edgar Ferraz de
Oliveira, entendeu que, embora não houvesse intenção
da empresa em que o operário se ferisse, “agiu com culpa
ao deslocar o reclamante para trabalhar na máquina operadora”.
Para ele, “o reclamante não era operador. Era ajudante.
O ajudante não tem qualificação profissional para
operar máquinas que normalmente são operadas por pessoas
especializadas no seu mecanismo e manuseio”.
“Configura-se culpa do empregador
ordenar ou permitir o deslocamento de um ajudante para exercer funções
de operador de máquina, sem provar que o preparou tecnicamente
para o exercício daquelas atribuições, quando for
previsível a possibilidade da ocorrência de grave acidente
de trabalho.”
Processo: 02658.2005.041.02.00-3
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/05/2006
TST manda Itaú pagar complementação
de auxílio-doença
O Tribunal Superior do Trabalho, em julgamento
proferido pela Quarta Turma, manteve a condenação do Banco
Itaú no pagamento de complementação de auxílio-doença
a uma funcionária, mesmo tendo expirado a vigência do acordo
coletivo que previa tal vantagem.
A empregada do antigo Banerj, cujo controle
acionário passou para o Banco Itaú, ajuizou reclamação
trabalhista em 2001 pleiteando, entre outros pedidos, a manutenção
da complementação do auxílio-doença, no
valor de R$ 31,26, que era pago pelo banco, por força de acordo
coletivo, como forma de complementação do benefício
pago pelo INSS.
Ela afastou-se do trabalho em 1996 por
motivo de doença psicológica grave, decorrente de obesidade.
A complementação foi suspensa de forma unilateral em novembro
de 1997, sob o argumento de que o acordo coletivo que previa o pagamento
havia expirado e o novo acordo não contemplava mais tal verba.
A juíza da 14a Vara do Trabalho
do Rio de Janeiro julgou procedente o pedido da empregada, concedendo-lhe,
inclusive, o direito de continuar recebendo o auxílio até
o julgamento final da causa (antecipação de tutela).
Na sentença, a juíza afirmou
que “todas as vantagens recebidas habitualmente pelo empregado,
mesmo por liberalidade do empregador, passam a integrar definitivamente
o contrato de trabalho”. O TRT do Rio de Janeiro (1a Região)
manteve a sentença em sua totalidade.
Inconformado com a decisão, o
Banco Itaú recorreu ao TST, por meio de recurso de revista, a
fim de modificar o acórdão. Alegou não estar obrigado
a pagar uma vantagem que estava prevista em acordo coletivo já
expirado. Argumentou que os direitos e vantagens inseridos em normas
coletivas não se incorporam ao salário dos empregados.
O ministro Ives Gandra da Silva
Martins Filho, relator do processo no TST, entendeu que mesmo ultrapassado
o prazo de validade da norma coletiva, o fato de o empregador, por liberalidade,
continuar concedendo a vantagem, retrata a intenção de
integrar no contrato de trabalho do empregado as condições
sociais que não foram renovadas.RR-449/2001-014-01-00.4
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23/05/2006
TST reconhece sucessão trabalhista
de massa falida
A empresa Woodhill Comercial S/A foi
considerada pela Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho responsável
pelos créditos trabalhistas de empregado da Massa Falida de Hermes
Macedo S/A. Um contrato de cessão e venda de marca entre as empresas,
sem interromper a atividade empresarial, confirmou a sucessão
trabalhista entre a Hermes e a Woodhill. De acordo com o relator do
recurso, ministro Barros Levenhagen, “aquele que sucedeu ao antigo
empregador responde pelos encargos trabalhistas”.
O empregado foi admitido pela Hermes
Macedo, que já tinha contrato de concessão e de venda
de marca com a Diretiva Empreendimentos, transferidos para a Woodhill.
A decisão da Turma ressaltou que “o sucessor é responsável
pelos direitos trabalhistas oriundos das relações laborais
vigentes à época do repasse, bem como pelos débitos
de igual natureza decorrentes de contratos já rescindidos”.
O TST baseou-se nos artigos 10 e 448
da CLT para reconhecer a sucessão trabalhista e a responsabilidade
solidária da Woodhill com a Hermes, excluindo a massa falida
da ação. O contrato de cessão e de venda transferiu
tecnologia, treinamento de pessoal, equipamentos, móveis e instalações.
A decisão reformou a tese do Tribunal
Regional do Trabalho da 4ª Região (Rio Grande do Sul), que
não reconhecia a sucessão trabalhista, sob a alegação
de que ambas as empresas tinham obrigações com os empregados.
O TRT utilizou o artigo 267 do CPC na argumentação.
O ministro Levenhagen reafirmou que “sempre
que o empregador é substituído na exploração
do negócio, com transferência de bens e sem ruptura da
atividade empresarial, a sucessão é reconhecida,”
de acordo com os artigos 10 e 448 da CLT. A mudança na propriedade
ou na estrutura jurídica da empresa não deve afetar os
contratos de trabalho dos empregados.(RR – 137720/2004-900-04-00.5)

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