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GAZETA ON LINE / VITÓRIA (ES), 24 de
maio de 2006
Greve na construção civil
não afeta mercado imobiliário
Apesar da greve dos trabalhadores da
construção civil se estender por mais de 10 dias, o setor
imobiliário no Estado ainda não foi impactado pelos efeitos
da paralisação. Na avaliação do presidente
da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário
(Ademi), Rodrigo Gomes de Almeida, as negociações no setor
estão normalizadas.
Segundo o presidente da Ademi seria necessário
uma greve de meses para que a construção dos imóveis
pudesse efetivamente atrasar. “O setor imobiliário permanece
tranqüilo porque temos a expectativa de que a greve não
dure mais muito tempo. As vendas dos imóveis continuam ocorrendo
normalmente, as empresas têm atendido os clientes e a paralisação
não chega a comprometer o cronograma das obras. As empresas terão
condições de recuperar esses dias mantendo o planejamento,”
garante.
Construções em toda a cidade
de Vitória estão interrompidas o que para Rodrigo Gomes
de Almeida gera prejuízo para as empresas que têm um custo
fixo de manutenção com maquinário mesmo com as
obras paradas. “Para os trabalhadores também há
prejuízos porque uma posição do setor de construção
é descontar os dias não trabalhados,” afirmou Almeida.
Nesta terça-feira os operários
da construção civil estiveram concentrados em piquetes
nos portões Central e Norte da Companhia Siderúrgica de
Tubarão (CST), na Serra. A categoria garante que está
cumprindo a determinação da Justiça de liberar
a entrada nas obras de 5% dos trabalhadores e também dos funcionários
do setor administrativo. Entretanto o presidente do sindicato dos trabalhadores
(Sintraconst) Ercy Nicolau reclama que as empresas não estão
cumprindo o acordo e não estão depositando a quinzena
dos funcionários.
A greve na construção civil
já foi para na Justiça, pois o sindicato das empresas
do setor (Sindicon) entrou com um dissídio coletivo. A expectativa
do sindicato é que a decisão judicial saia até
a próxima semana.
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A TARDE ONLINE / SALVADOR,
24 de maio de 2006 | Economia
Custo da construção civil
aumentou 0,14% em abril
O custo médio do metro quadrado
de construção no Brasil variou 0,14% em abril, acumulando
alta de 0,90% no ano e de 4,43% nos últimos 12 meses. O índice
é calculado pelo Banco de Dados da Câmara Brasileira da
Indústria da Construção (CBIC). Em valores monetários,
o Custo Unitário Básico (CUB) médio foi de R$ 840,75
por metro quadrado.
A entidade destaca que em abril observou-se
aumentos nominais mais significativos no valor do custo global em Sergipe
(+2,70%) e no Maranhão (+2,04%). Já os Estados de Mato
Grosso (-3,15%), Rio de Janeiro (-0,48%), Alagoas (-0,45%), Goiás
(-0,21%) e Pernambuco (-0,16%) apresentaram quedas.
Na composição relativa
do CUB médio Brasil, o CUB mão-de-obra correspondeu a
R$ 429,41 por metro quadrado, com alta de 0,24%. As variações
mais significativas neste item foram observadas em Sergipe (+8,13%),
na Bahia (+1,83%) e no Ceará (+1,06%). Ocorreram, ainda, quedas
no Rio de Janeiro (-0,38%) e no Rio Grande do Sul (-0,09%).
O CUB materiais na média Brasil
subiu 0,04%, correspondendo a R$ 411,32 por metro quadrado. As altas
mais expressivas ocorreram no Maranhão (+3,71%) e em Minas Gerais
(+1,04%). Foram destaque as quedas ocorridas no Mato Grosso (-4,80%),
em Sergipe (-1,68%), em Alagoas (-0,84%), no Rio de Janeiro (-0,61%),
em Goiás (-0,47%) e em Pernambuco (-0,30%).
Entre as regiões, o Nordeste apresentou
a maior elevação nominal no custo global (+0,89%). O CUB
mão-de-obra regional subiu 1,59% puxado pela alta ocorrida em
Sergipe (+8,13%). Os custos com os materiais de construção
na região apresentaram variação positiva de 0,31%,
influenciados pelos reajustes de preços no Maranhão (+3,71%).
Em seguida está a região Norte, com variação
global de 0,37%.
O CUB mão-de-obra manteve-se estável
enquanto o custo com os materiais de construção apresentou
incremento de 0,70%, como reflexo das altas ocorridas em Rondônia
(+0,81%) e no Amazonas (+0,74%). No Sul, o custo global variou 0,08%.
O CUB mão-de-obra ficou praticamente estável. Os materiais
subiram 0,14%, como resultado das altas ocorridas no Paraná (+0,18%),
no Rio Grande do Sul (+0,13%) e em Santa Catarina (+0,09%).
Na região Sudeste, o CUB
global variou 0,04%. O CUB mão-de-obra caiu 0,05%, em reflexo
do resultado negativo ocorrido no Rio de Janeiro (-0,38%), posto que
os outros estados permaneceram estáveis. O CUB materiais apresentou
alta de 0,15%, como efeito dos acréscimos nos preços dos
insumos de 1,04% em Minas Gerais e 0,10% em São Paulo. No Centro-Oeste,
o CUB médio global caiu 0,47%. Este resultado deve-se à
deflação de 0,95% no CUB materiais que foi puxada pelas
quedas de 4,80% no Mato Grosso e 0,47% em Goiás. O CUB mão-de-obra
subiu 0,05% influenciado pelo resultado do Mato Grosso do Sul (+0,29%)
já que nos outros estados e no Distrito Federal não se
observou alterações.
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DOURADO NEWS / MATO GROSSO,
24 de maio de 2006 | Educação
UFMS oferece curso para profissionais
da construção civil
Pedreiros, serventes e demais profissionais que formam
a mão-de-obra básica para o setor da construção
civil poderão participar de um curso sobre argamassa, com instrutores
da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). O curso será
realizado gratuitamente nos dias 26 e 27 de maio na FAP (Faculdade de
Ponta Porã) e terá duração de 12 horas/aulas.
Quem quiser participar pode se inscrever na Prefeitura
a partir de amanhã, na Seretaria Municipal de Infra-estrutura
com o Eliseu. A inscrição é gratuita e se exige
apenas um documento de identificação do interessado. As
aulas serão oferecidas na sexta-feira a partir das 19 horas e,
no sábado, a partir das 7 e meia da manhã.
O conteúdo básico consiste em instruções
sobre dosagem/traço/mistura; componentes da argamassa-cimento/areia/água;
outros materiais (aditivos); ensaios e outros; tipos de argamassa-assentamento/revestimento;
mistura de argamassa-obra/usina/industrializada; cuidados de aplicação;
assentamento de placas cerâmicas. Este conteúdo se refere
à parte teórica.
Já na parte prática, o conteúdo
consiste na montagem de padiola; rodar um traço de argamassa-manual
ou betoneira; construir uma parede e assentamento de placas cerâmicas.
Os instrutores do curso são a professora do curso de Engenharia
Civil da UFMS, Sandra Bertocini e o acadêmico Maycon Souza Arruda.
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Agência Diap, 24 de
maio de 2006
Representação Sindical
STF julga parcialmente procedente ação
sobre representação de entidade
Nas localidades em que não haja sindicato, a representação
direta dos trabalhadores ou dos integrantes da categoria econômica
é da federação de âmbito nacional. Esse foi
o entendimento da Primeira Turma durante análise da Reclamação
3488. Em outubro de 2005, o relator da matéria, ministro Carlos
Ayres Britto, cassou a cautelar concedida por ele em que permitia à
Federação Nacional dos Empregados em Postos de Serviços
de Combustíveis e Derivados de Petróleo representar os
interesses dos trabalhadores ligados à entidade. À época,
ele reconsiderou a sua decisão diante dos novos argumentos trazidos
pelo Sindicato dos Trabalhadores do Comércio de Minério
e Derivados do Petróleo, que havia protocolado petição
contra a concessão da liminar.
De acordo com a federação,
as Varas do Trabalho nas cidades de Vitória (ES), Curitiba (PR),
Recife (PE) e Uberlândia (MG) violaram decisão do Supremo
no RE 202097. No julgamento do RE, a Corte entendeu caber à federação
a representação dos empregados dos postos de serviços
de combustíveis e derivados de petróleo.
Desentendimento
Conforme a reclamação,
alguns sindicatos filiados à entidade ajuizaram ações
junto à Justiça do Trabalho contra as alterações
de competência estabelecidas pela Emenda Constitucional nº
45. Os sindicatos alegavam, nas ações, que sempre representaram
a categoria dos empregados em postos de serviços de combustíveis
e derivados de petróleo e que a federação estava
pretendendo usurpar a representatividade, ferindo o princípio
da unicidade sindical, o direito adquirido, o ato jurídico perfeito
e a coisa julgada, pretendendo a duplicidade de representação.
Entretanto, o sindicato afirmava, na
petição, que a Federação não tem
realizado qualquer ato no sentido de verdadeiramente representar a categoria
dos trabalhadores do comércio de minério e derivados do
petróleo no Estado do Espírito Santo e não possui
sede e funcionários no estado para prestar assistência
à categoria. Ainda segundo o sindicato, a entidade não
poderia sequer realizar homologações de rescisão
de contrato de trabalho e nem orientar os trabalhadores sobre seus direitos
e deveres laborais.
Ao julgar a questão, o relator,
ministro Carlos Ayres Britto, votou pela procedência parcial do
pedido para cassar as decisões das Varas do Trabalho. “Cabe
aos trabalhadores daquelas regiões e não a uma entidade
diversa, diante de suas realidades fáticas, se organizarem para
suplantar eventuais dificuldades”, afirmou o ministro.
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Diário Vermelho,
24 de maio de 2006
Brasil bate recorde de geração
de empregos
O nível de emprego formal, ou seja, com carteira assinada, cresceu
0,87% no último mês em relação a abril do
ano passado. O resultado é considerado o segundo melhor para
o mês de abril da série apurada pelo Cadastro Geral de
Empregados e Desempregados (Caged), divulgada ontem (23) pelo Ministério
do Trabalho.
Em abril, foram gerados no país
229.803 empregos com carteira assinada. Este é o melhor quadrimestre
da série histórica do Cadastro Geral de Empregos e Desempregados
(Caged) - de janeiro a abril de 2006, os novos postos de trabalho somam
569.506. Nos últimos 12 meses, foram gerados no país 1.265.170
postos de trabalho. Entre janeiro de 2003 e abril de 2006, o total chega
a 3.992.196.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo ministro do
Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Para ele, o desempenho favorável
do quadrimestre é atribuído a fatores sazonais relacionados
ao agronegócio, potencializados pelos efeitos positivos da balança
comercial, da redução da taxa de juros e de medidas de
incentivo à construção civil.
Crescimento
Os setores que mais cresceram nos primeiros
meses do ano foram os serviços, com a geração de
231.327 empregos, e a indústria de transformação,
responsável pela criação de 146.509 vagas. Em terceiro
lugar está a agropecuária, que gerou 71.796 postos, seguida
pela construção civil, com a abertura de 54.068 vagas
– o melhor resultado do setor para o quadrimestre, desde a criação
do Caged.
Em abril, o principal responsável
pela expansão do emprego foi o setor da indústria de transformação.
Foram geradas 78.481 vagas, número bem próximo ao melhor
desempenho do setor, registrado no mesmo mês de 2005 (+ 79.495
postos). Todos os ramos da indústria de transformação
contribuíram para esse resultado favorável, mas o destaque
foi a indústria de produtos alimentícios, que gerou 48.675
empregos com carteira assinada.
O setor de serviços foi outro
que apresentou o segundo melhor resultado para abril, com a criação
de 72.627 postos. Desse total, 24.814 foram criados no ramo de administração
de imóveis, valores mobiliários e serviços técnicos
e profissionais, enquanto 17.347 foram gerados pelos serviços
de alojamento, alimentação, reparação e
manutenção.
Os demais setores também apresentaram
resultado positivo. A agricultura foi responsável por 32.718
vagas em abril e 71.796 no primeiro quadrimestre, especialmente nas
atividades relacionadas à cana-de-açúcar. Tanto
no mês quanto no ano, a agricultura foi o terceiro setor que mais
criou empregos. O comércio gerou 26.656 postos em abril, revertendo
o resultado negativo de março, quando foram fechadas 8.573 vagas.
E a construção civil também obteve um desempenho
positivo, com a criação de 12.628 empregos.
Em termos geográficos, os destaques no crescimento de emprego
são as regiões Sudeste (+ 164.296 postos) e a Nordeste
(+ 12.721). Já na Região Sul, foram criados 34.923 postos;
na Região Centro-Oeste, 11.356 e, no Norte, 6.507 empregos celetistas.
Os estados com saldos positivos mais expressivos foram: São Paulo
(+107.735 vagas), Minas Gerais (+29.990 postos), Paraná (+20.330
postos) e Rio de Janeiro (+18.293 vagas).
Já o conjunto das nove regiões
metropolitanas foi responsável, em abril, pela ampliação
de 64.963 postos de trabalho com carteira assinada. As áreas
metropolitanas de São Paulo (+30.574 postos) e Rio de Janeiro
(+12.918 postos) foram as que evidenciaram maior dinamismo.
No interior dos estados desses aglomerados
urbanos foram gerados 130.500 empregos, com destaque para o interior
de São Paulo (+77.161 postos) e de Minas Gerais (+24.166 postos)
O bom desempenho dos municípios não integrantes das regiões
metropolitanas pode ser atribuído à agroindústria.
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego.
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Nova Central, 24 de maio
de 2006
Trabalhador não precisa se afastar
do emprego ao se aposentar
O trabalhador precisa se afastar da empresa para se aposentar? Essa
é uma dúvida comum dos segurados da Previdência
Social. Isso porque, até julho de 1991, o desligamento da atividade
era exigido de quem fosse solicitar aposentadoria por tempo de contribuição,
por idade ou especial. A exigência, porém, deixou de existir
a partir de 24 de julho de 1991, com a entrada em vigor da Lei 8.213,
que trata dos Planos de Benefícios da Previdência Social.
A única aposentadoria que exige que o empregado se afaste do
emprego é a por invalidez, uma vez que a incapacidade é
fator determinante para concessão desse benefício.
Outra dúvida comum dos empregados
que têm seus contratos de trabalho regidos pela Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT) se refere à aposentadoria especial,
que é concedida pela Previdência a quem exerceu atividade
insalubre. O trabalhador, ao obter a aposentadoria especial, pode permanecer
ou voltar a exercer a mesma atividade? Não. De acordo com o artigo
48 do Decreto 3.048/99, o empregado pode até continuar na mesma
empresa, mas não a exercer atividade insalubre. Se encaixam nesse
tipo de atividade aquelas realizadas sob condições insalubres
que acarretem prejuízos à saúde do trabalhador,
como os causados por exposição contínua e permanente
a agentes químicos (exemplo: arsênico e berílios),
físicos (ruídos, vibrações, radiações
ionizantes, etc) e biológicos (microorganismos e parasitas infectocontagiosos
vivos).
Veja abaixo os quatro tipos de aposentadoria
concedidos pela Previdência:
Por tempo de contribuição
– Para ter direito a esse benefício, integral,
o trabalhador deve comprovar 35 anos de contribuição,
no caso dos homens, e 30 anos, se mulher, sem que tenha que comprovar
idade mínima. Caso o trabalhador queria a aposentadoria proporcional,
deve comprovar idade de, no mínimo, 53 anos de idade para os
homens e 48 para as mulheres, além do tempo de contribuição
de 30 anos para os homens e 25 anos para as mulheres.
Por idade – Para
a concessão desse benefício, a legislação
previdenciária exige que o interessado tenha no mínimo
65 anos de idade (homens) e 60 anos (mulheres). Além da idade,
é necessário um tempo mínimo de contribuição
que varia de 12 a 15 anos, dependendo da data de filiação
do contribuinte à Previdência.
Especial – Além
de um tempo mínimo de serviço (15, 20 ou 25 anos), o interessado
nessa aposentadoria deve comprovar que trabalhou exposto a agentes químicos,
físicos ou biológicos nocivos à saúde. Essa
comprovação é feita por meio de um documento chamado
Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), emitido
pela empresa e baseado no Laudo Técnico de Condições
Ambientais de Trabalho.
Por Invalidez
- Essa aposentadoria é concedida ao trabalhador que, por motivo
de doença ou acidente, for considerado pela perícia médica
do INSS incapaz para o trabalho. Para fazer jus a esse benefício,
o trabalhador deve ter contribuido para a Previdência por no mínimo
12 meses, no caso de doença. Em se tratando de acidente não
é necessária a carência, mas o segurado tem de estar
inscrito na Previdência Social.
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Folha de São Paulo,
24 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006 / REGRAS DO JOGO
Restrição a pesquisas não
valerá em 2006
TSE decide que apenas três itens da nova
legislação eleitoral não serão aplicados
neste ano, por contrariar a Constituição
Terá validade imediata a proibição da distribuição
de camisetas, bonés, cestas básicas e qualquer tipo de
brinde durante a campanha
SILVANA DE FREITAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu
ontem aplicar neste ano quase integralmente a lei que instituiu novas
regras eleitorais para arrecadação, gastos, prestação
de contas e propaganda de candidatos. Foi adiada a aplicação
de apenas três pontos da lei, entre os quais o que proíbe
a divulgação de pesquisas eleitorais nos 15 dias que antecedem
as eleições e no dia da votação. Os ministros
consideraram que essa proibição violaria o princípio
constitucional do direito à informação (artigo
220).
Também não valerá
neste ano a norma que prevê a aprovação, pelo Congresso,
até o dia 10 de junho, de lei específica fixando o limite
de gastos de campanha para os cargos em disputa. O terceiro item que
não vigorará neste ano é o cálculo do tempo
de TV de cada partido com base na bancada eleita, não a existente
no início da legislatura, em fevereiro. O tribunal apreciou cada
um dos artigos da lei nº 11.300, chamada de "minirreforma
eleitoral", sancionada em 10 de maio pelo presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, para avaliar se eles estão de acordo ou não
com a exigência da Constituição de aprovação
de mudanças no processo eleitoral pelo menos um ano antes da
votação.
Cassação
A lei autoriza a rejeição
da prestação de contas da campanha e a cassação
de mandato por abuso de poder econômico se houver comprovação
do caixa dois, definido como "o uso de recursos financeiros para
pagamentos de gastos eleitorais que não provenham de conta específica"
do candidato. Por ela, o candidato passará a ser co-responsável
pela veracidade das informações financeiras e contábeis
da campanha e deve assinar a prestação de contas juntamente
com a pessoa designada para fazê-la.
Outra novidade é que os candidatos
ficarão obrigados, durante a campanha, a prestar contas de arrecadação
e gastos, sem revelar doadores, em dois momentos: 6 de agosto e 6 de
setembro. Na parte de propaganda, a lei proíbe uso de outdoors
e distribuição de camisetas, bonés, canetas, brindes,
cestas básicas e qualquer tipo de material durante a campanha.
O relator, ministro Gerardo Grossi, discordou dessas proibições,
mas foi vencido. "A eleição deve ter alegria. As
pessoas devem ter o direito de usar a camisa do candidato de que gostam.
Estaremos diante de uma eleição cinzenta. Não é
por aí que a ladroeira se faz." Grossi e o presidente do
TSE, Marco Aurélio de Mello, votaram pela não-aplicação
de várias normas, mas a maioria as aprovou.
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Folha de São Paulo,
24 de maio de 2006
PT anuncia candidatura de Lula na inauguração
da nova sede em Brasília
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A direção do PT anunciou
que no dia 24 de junho o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
será lançado oficialmente candidato à reeleição.
O anúncio foi feito pelo secretário de Finanças
da sigla, Paulo Ferreira, durante a inauguração da nova
sede do partido em Brasíla. "Quero aproveitar para convidar
a todos, no dia 24, às 10h, para a homologação
da candidatura do presidente Lula", disse Ferreira. O evento de
lançamento, segundo o tesoureiro petista, ocorrerá em
um clube, em Brasília.
A inauguração da nova sede
foi marcada por discursos em tom triunfalista dos ministros Tarso Genro
(Relações Institucionais) e Luiz Dulci (Secretaria Geral
da Presidência), que comemoraram o bom desempenho de Lula nas
pesquisas. "Ninguém derrota este partido de cima para baixo
e nem de fora para dentro", disse Dulci. "A alma do PT não
será destruída nunca porque é bem maior que todos
nós", completou. Tarso Genro foi aplaudido ao citar, mas
sem mencionar o autor, uma frase do presidente do PFL, senador Jorge
Bornhausen (SC), no auge do escândalo do mensalão. "Lembro
de uma frase de um senador que pode ser a síntese da cobertura
política sobre o PT, quando disse que esta raça estaria
liquidada para sempre.
Esse tipo de informação
era muito mais uma torcida do que análise do que o PT representa
para a história do país", disse Tarso. A frase original
de Bornhausen, dita numa reunião com empresários, foi
a seguinte: "Não estou triste nem desencantado [com o momento
por que passa o país], pelo contrário. Estou encantado
porque vamos nos ver livre dessa raça durante pelo menos 30 anos".
Em sua fala, Ricardo Berzoini,
presidente do PT, mencionou a "dor e a angústia" dos
adversários que, segundo ele, "investiram na instabilidade"
e agora chegam às "eleições sem um programa"
para o Brasil: "Eles só sabem repetir crise. O povo não
gosta de crise." Segundo o o tesoureiro do PT, que chegou a se
referir a sigla como "o maior partido de esquerda do mundo",
o preço do aluguel do escritório é de R$ 7.000,
mais R$ 3.150 de condomínio mensais. A locação
da antiga sede custava R$ 12 mil.
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Folha de São Paulo,
24 de maio de 2006
PT ataca privatizações e
reduz peso do Bolsa-Família na corrida eleitoral
MALU DELGADO, DA REPORTAGEM LOCAL
FÁBIO ZANINI , DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No confronto direto que travará
com o PSDB na campanha eleitoral, o PT decidiu dar atenção
especial às privatizações feitas no governo Fernando
Henrique Cardoso. A estratégia de usar o balanço de privatizações
como arma eleitoral contra os tucanos fica clara na versão final
dos documentos elaborados pelo PT no último Encontro Nacional,
em abril.
Somente no sábado passado o PT
divulgou a redação final dos dois textos -um com diretrizes
do programa de governo e outro sobre conjuntura e tática eleitoral.
A maior parte repete versões anteriores já divulgadas,
inclusive a que fala em "divulgação de um dossiê
das privatizações e da quebradeira a ser lançado
em maio". Mas foram acrescentados elementos do discurso anti-privatizações.
A versão final também reduz
a importância do Bolsa-Família. Afirmam que o programa
"tem impacto menor do que políticas sociais como o SUS e
a Previdência Social", mas é "importante instrumento
de distribuição de renda". "O governo Lula (...)
não deu a devida atenção à apuração
das privatizações ocorridas sob a batuta tucana",
diz um capítulo novo. "O PT reconhece que subestimou a condição
de permeabilidade do Estado às pressões corruptoras advindas
dos setores privados, sobretudo daqueles que se locupletaram do processo
de privatizações ocorrido a partir da década de
90."
Apesar de propor uma devassa sobre o
tema, o PT nega que estejam em curso novas investigações.
O secretário de Relações Internacionais do PT e
responsável pelas emendas ao texto final, Valter Pomar, explica
o que é o dossiê: "As informações sobre
as privatizações serão condensadas para uso da
militância e da sociedade". No capítulo sobre finanças,
o PT repete que sempre foi crítico da influência do poder
econômico, o que não livrou o partido dos erros cometidos.
Dizem que não é possível fazer campanhas sem recursos
privados hoje, "mas também é ingênuo achar
que todos os empresários que contribuem com as campanhas eleitorais
do PT o fazem desinteressadamente".
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O ESTADO DO PARANÁ,
24 de maio de 2006
Previdência teve déficit
de R$ 2,6 bilhões em abril
Foto: Lucimar do Carmo/O Estado
Helmut Schwarzer: resultado deve ser maior em maio.
A Previdência Social registrou déficit de R$ 2,609 bilhões
em abril de 2006, divulgou ontem o Ministério da Previdência
Social. O resultado é 25,4% maior do que o déficit registrado
no mesmo mês de 2005, quando atingiu R$ 2,080 bilhões.
A arrecadação no mês de abril foi de R$ 9,280 bilhões,
enquanto as despesas totalizaram R$ 11,890 bilhões.
No primeiro quadrimestre, a Previdência acumula déficit
de R$ 12,549 bilhões, 13,1% a mais do que no mesmo período
de 2005, quando somou R$ 11,092 bilhões. A arrecadação
de janeiro a abril atingiu R$ 36,095 bilhões, enquanto as despesas
foram de R$ 48,645 bilhões.
O secretário da Previdência Social, Helmut Schwarzer, disse
que a previsão de déficit para maio é de R$ 3,7
bilhões, em função do reajuste do salário
mínimo e dos demais benefícios previdenciários
a partir de 1.º de abril. Com isso, segundo ele, as despesas com
benefícios vão “para outro patamar”.
A observação do secretário foi feita em função
de certa estabilidade que ocorreu no desempenho da previdência
em abril deste ano em relação a março. O déficit
no mês passado foi apenas 0,2% maior do que o do mês anterior,
enquanto que a arrecadação e as despesas cresceram 0,8%
e 0,6%, respectivamente no mesmo período.
Schwarzer disse que a Previdência continua trabalhando com uma
previsão de déficit para o ano de R$ 45,8 bilhões.
No entanto, ele admitiu que é possível que o número
chegue a R$ 43,2 bilhões conforme está previsto no decreto
de programação orçamentária divulgado na
semana passada pelo Ministério do Planejamento.
Segundo ele, esta redução será possível
como resultado do recenseamento dos beneficiários, que deve proporcionar
economia entre R$ 900 milhões e R$ 1,3 bilhão. Além
disso, as mudanças no Simples, informou, podem trazer um ganho
de até R$ 2 bilhões no ano.
As despesas com decisões judiciais também podem beneficiar
as contas da previdência. Segundo Schwarzer, a previsão
para o ano é de R$ 4,8 bilhões de gastos com despesas
judiciais. Os valores mensais registrados até abril, entretanto,
mostram que este item pode ficar abaixo da projeção. Até
abril, o governo desembolsou com decisões judiciais cerca de
R$ 2,2 bilhões.
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de maio
de 2006
Brasil tem 361 mil atrás das grade
País faz parte dos dez maiores sistemas
penais do mundo
Brasília- Os cerca de 361 mil detentos
espalhados em mais de mil estabelecimentos penais e milhares de delegacias
fazem do Brasil um dos dez maiores sistemas penais do mundo. Somente
11 nações - além do Brasil, Estados Unidos, China,
Rússia, Índia, Irã, México, Ruanda, África
do Sul, Tailândia e Ucrânia - contabilizam mais de 100 mil
pessoas mantidas encarceradas pelo Estado. Nos casos americano, chinês
e russo, são mais de um milhão de pessoas.
O Brasil tem um índice de encarceramento
de quase um preso para cada 500 habitantes, inferior, por exemplo, ao
dos Estados Unidos (645), porém bastante superior ao de países
latino-americanos como Chile, México e Venezuela.
É um descomunal fardo que a sociedade
e o Estado não têm sabido enfrentar. Segundo os dados consolidados
em dezembro de 2005 pelo Departamento Penitenciário Nacional
(Depen), do Ministério da Justiça, apenas o estado de
São Paulo - que na semana passada viveu o drama de uma virtual
onda de terrorismo contra as forças de segurança e alvos
civis, em atentados promovidos por uma organização criminosa
que atua dentro e fora das grades, o Primeiro Comando da Capital (PCC)
- tinha uma população carcerária de 120 mil pessoas,
das quais pouco mais de 70 mil em regime fechado, um número poderoso,
quando se considera que 73% dos municípios brasileiros têm
menos de 20 mil habitantes.
Ainda que a Constituição
de 1988 e a Lei de Execuções Penais (1984) contenham garantias
explícitas de proteção à população
encarcerada, inclusive ''o respeito à integridade física
e moral'', sabe-se que grande parte desses 361 mil brasileiros cumpre
as penas a eles atribuídas pela Justiça em estabelecimentos
superlotados, com más condições de ressocialização,
poucas oportunidades de qualificação profissional e educacional
e à mercê de toda sorte de violência. Mais recentemente,
subjugados pelo crime organizado representado pelo PCC, pela Falange
Vermelha e tantas outras organizações criminosas.
Relatório divulgado há
menos de dois anos pela organização internacional Human
Rights Watch, dedicada à defesa dos direitos humanos, constata
que ''a realidade no Brasil passa longe das descrições
da lei''.
''O sistema penal do país sofre
a falta de uma infra-estrutura física necessária para
garantir o cumprimento da lei. Em muitos estados, por exemplo, as casas
dos albergados simplesmente não existem; em outros, falta capacidade
suficiente para atender ao número de detentos. Colônias
agrícolas são igualmente raras. Não existem vagas
suficientes nos presídios para suportar o número de novos
detentos, forçando muitos presos condenados a permanecerem em
delegacias durante anos'' - descreve o documento.
Até o ano passado, ainda
segundo as estatísticas do Depen, o déficit no sistema
penitenciário nacional era estimado em 90 mil vagas. ''Prisões
superlotadas são extremamente perigosas: aumentam as tensões
elevando a violência entre os presos, tentativas de fuga e ataques
aos guardas. Não é surpresa que uma parcela significativa
dos incidentes de rebeliões, greves de fome e outras formas de
protesto nos estabelecimentos prisionais seja diretamente atribuída
à superlotação'', avalia James Cavallaro, diretor
no Brasil da divisão das Américas da Human Rights Watch.
Agência Senado
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de
maio de 2006
Lei é moderna, mas a execução
é falha
A trajetória de um preso pelo sistema penal brasileiro seria
sempre a mesma, independentemente de sua condição social,
raça, cor ou credo. Não é, mais uma vez, o que
efetivamente ocorre. Se a Lei de Execuções Penais (LEP)
fosse seguida rigorosamente, logo após detido pela polícia,
o suspeito seria levado à delegacia para registro da ocorrência.
Dentro de poucos dias, caso não fosse libertado, seria transferido
para uma cadeia ou casa de detenção enquanto aguardasse
julgamento. Uma vez condenado, seria, transferido para um dos três
tipos de estabelecimento para presos sentenciados - ainda segundo a
lei , divididos entre fechados (presídios), semi-aberto (colônias
agrícolas etc.) e abertos (casa do albergado, por exemplo).
O tipo de estabelecimento vai depender
fatores como a pena imposta, o tipo de crime e o grau de periculosidade.
Na prática, no entanto, essas categorias são muito mais
maleáveis e a troca de presos das várias classificações
entre os diversos estabelecimentos acaba sendo muito maior do que a
lei sugere. No entanto, se ele iniciasse o cumprimento de sua pena em
um presídio, deveria normalmente ser transferido para um local
do tipo menos restritivo antes de servir toda sua pena, permitindo que
ele fosse se acostumando a um grau maior de liberdade antes de retornar
à sociedade.
Exemplo da falta de sintonia entre as
boas intenções e a realidade é que LEP não
tem como foco a punição, mas a ''ressocialização
das pessoas condenadas''. Preocupa-se com a humanização
do sistema prisional e estimula juizes a fazerem uso de penas alternativas.
''A Lei de Execução Penal,
adotada em 1984, é extremamente moderna, reconhece um respeito
saudável aos direitos humanos dos presos e contém várias
provisões ordenando tratamento individualizado, protegendo os
direitos substantivos e processuais dos presos e garantindo assistência
médica, jurídica, educacional, social, religiosa e material'',
reconhece o relatório do Human Rights Watch, ao analisar o sistema
penitenciário brasileiro, lembrando que entre a teoria e a prática
existe uma grande diferença.
Em vigor desde 1994, as ''Regras
Mínimas para o Tratamento do Preso no Brasil'', elaboradas pelo
governo federal, contêm 65 artigos que regulamentam alimentação,
assistência médica, disciplina, contato com o mundo exterior,
educação, trabalho e direito ao voto dos presos. Baseado
em idêntico documento da Organização das Nações
Unidas (ONU), é certamente um dos instrumentos legais menos obedecidos
no país.(Agência Senado)
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FOLHA DE LONDRINA, 24 de
maio de 2006
Jovens com baixa escolaridade são
maioria nas prisões
Rio - A população carcerária nos municípios
de São Paulo e Rio de Janeiro é formada, em sua maioria,
por homens jovens, solteiros e com baixa escolaridade. O perfil está
no estudo produzido pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação
Getúlio Vargas (FGV) e divulgado ontem.
O levantamento compara a população
adulta das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro com a população
carcerária nos dois municípios. A pesquisa cruzou os números
do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), realizada a partir de uma amostra de 5,4 mil presidiários
paulistas e 1 mil detentos cariocas.
Os dados revelaram que 97,7% dos
presos nas penitenciárias e presídios de São Paulo
são homens, contra 48% da população masculina paulista.
Destes, 80,6% são solteiros e 54,5% são jovens, na faixa
etária entre 20 e 29 anos.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
24 de maio de 2006 | Economia
Decisões sobre guerra fiscal favorecem
contribuintes, diz STJ
BRASÍLIA - A ministra do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon afirmou que as ações
relativas à guerra fiscal entre estados – resultante da
adoção de diferentes alíquotas do Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) - têm
sido decididas em favor dos contribuintes.
"Entendemos que a melhor forma de
barrarmos a guerra fiscal é favorecendo o contribuinte, porque
o ICMS é um imposto da dona-de-casa, do cidadão comum,
já que está embutido em todas as mercadorias que nós
compramos, nas mercadorias que estão sobre a nossa mesa e que
não podemos deixar de comprar", disse.
A ministra participou hoje do seminário
ICMS – Questões atuais, promovido pelo Instituto Brasileiro
de Estudos Tributários (Ibet). Segundo ela, o ICMS representa
23,71% de toda a receita tributária do país.
"Ele tem uma participação
muito significativa, saindo não do empresário da classe
alta, mas basicamente de todos os consumidores da classe baixa e da
classe média". A ministra citou dois aspectos que, para
ela, tornam o ICMS um "imposto injusto".
O primeiro é que o cidadão
não sabe, de fato, o valor real que está pagando de imposto.
"Às vezes, o valor da mercadoria é pequeno, mas o
que encarece o preço final é a incidência do imposto,
que é muito alta, e nós não temos essa percepção".
O segundo ponto é que o
ICMS não é um imposto progressivo, como o Imposto de Renda
de Pessoa Física (IRPF). "No caso do imposto de renda, quem
ganha mais, paga mais, quem ganha menos, paga menos. Mas no do ICMS
não, todo mundo paga igual".
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
24 de maio de 2006
Brasil mantém alto índice
de violação aos direitos humanos, diz Anistia
A população brasileira,
em especial os indígenas e excluídos socialmente, continuaram
sofrendo altos índices de violação aos direitos
humanos. A afirmação é do Informe 2006 da Anistia
Internacional, divulgado nesta terça-feira (23/5) em Londres.
Este relatório analisou casos de violação dos Direitos
Humanos em 150 países no ano de 2005.
Em relação ao Brasil, a
Anistia disse que houve muitas propostas do governo federal. Entretanto,
poucos governos estatuais cumpriram as promessas de reformar a segurança
pública.
O documento informou que as violações
dos direitos humanos cometidos pela polícia no Brasil, que incluem
execuções extrajudiciais, tortura e uso excessivo da força,
persistiam em todo país. "A tortura e os maus tratos estavam
generalizados no sistema carcerário, onde as condições
são cruéis, desumanas e degradantes", afirma o documento.
A Anistia também constatou que
indígenas sofreram agressões e foram assassinados, assim
como forçados a se retirar de suas terras de origem. Segundo
o órgão internacional, o governo federal não cumpriu
seu objetivo de demarcar todas as terras indígenas.
Outra situação crítica
citada no relatório foi o caso de defensores dos direitos humanos
e de ativistas que fizeram campanha pela reforma agrária. Segundo
o documento, eles sofreram ameaças, ataques e, em alguns casos,
foram assassinados. De acordo com o relatório, houve impunidade
dos autores de violação aos direitos humanos por causa
da lentidão da Justiça.
A Anistia lembrou que o ano de 2005 foi
marcado por uma crise política ao aparecer provas da existência
de uma corrupção envolvendo membros do governo e do Congresso
Nacional.
A organização destacou
que foram feitos esforços importantes em relação
ao desarmamento da população e uma lei promulgada em 2003
para controlar o porte de armas contribuiu, aparentemente, na diminuição
de homicídios em todo país.
A Secretaria de Direitos Humanos, ligada
à Presidência da República, informou que ainda não
recebeu oficialmente o relatório da Anistia Internacional.
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CONSULTOR JURÍDICO,
24 de maio de 2006
Assistência judicial
TRT paulista nega Justiça gratuita
a pessoa jurídica
Na Justiça do Trabalho, somente
pessoa física pode pedir o benefício da assistência
judicial gratuita. O entendimento é da 4ª Turma do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo), que
negou o pedido da Interclínicas Serviços Médicos
Hospitalares. Cabe recurso.
Depois de ter o mesmo pedido negado pela
43ª Vara do Trabalho de São Paulo, a empresa — que
está em regime de liquidação extrajudicial —
recorreu ao TRT paulista pedindo a reforma da sentença. Alegou
que pessoa jurídica em dificuldade financeira tem os mesmos privilégios
das pessoas físicas e, além disso, o direito ao favor
legal conferido às pessoas jurídicas em regime falimentar.
Baseado no parágrafo 1º do
artigo 899 da CLT, o juiz Paulo Augusto Câmara, relator do recurso,
não acolheu o argumento. “A reclamada não se insere
no rol das pessoas jurídicas dispensadas de tal preparo. O regime
de liquidação extrajudicial não se equipara ao
regime falimentar”, considerou o juiz.
Para o juiz, as pessoas jurídicas
não podem ser contempladas com os benefícios da Justiça
gratuita, visto que “a parte beneficiária deve ser passível
de responder pelo crime de falsidade ideológica, tipo legal que
tem como sujeito ativo qualquer pessoa física, já que
a jurídica não pode sofrer a pena de reclusão prevista
para a hipótese (artigo 299 do Código Penal)”. A
decisão da 4ª Turma foi unânime.
Entendimento superior
Recentemente, o Tribunal Superior do
Trabalho firmou entendimento contrário ao do estabelecido no
TRT paulista. Para a 1ª Turma, o empregador microempresário
que comprova dificuldades para pagar custas processuais também
tem direito ao benefício da Justiça gratuita.
Os ministros garantiram a um dono
de uma banca de jornais em Curitiba (PR) a isenção de
custas processuais para recorrer da sentença em que foi condenado
a pagar verbas trabalhistas.
Processo 00340.2005.043.02.01-3
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CONSULTOR JURÍDICO,
24 de maio de 2006
Brincadeiras no trabalho
Funcionário chamado de gay deve
ser indenizado
Empresa que discrimina e demite empregado
por causa de sua opção sexual pratica ato lesivo à
honra e boa fama do trabalhador, devendo indenizá-lo por danos
morais. O entendimento unânime é da 12ª Câmara
do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP).
O trabalhador entrou com reclamação
alegando que era constantemente ofendido e humilhado pelo seu chefe
no ambiente de trabalho. Ele relatou que passou a ser alvo de risos
e piadas entre os seus colegas em razão das brincadeiras vexatórias
praticadas por seu superior, que colocou um objeto fálico em
sua gaveta, além de chamá-lo de gay.
A empresa, Impec Industrial, alegou que,
assim que tomou conhecimento da brincadeira, procurou apurar quem era
o autor, mas não descobriu. Negou que qualquer pessoa de cargo
de direção ou representante da empresa tenha sido responsável
pelo episódio e que o trabalhador teria feito o pedido de demissão.
A 1ª Vara do Trabalho de Franca
julgou o pedido procedente em parte e condenou a empresa a pagar R$
3 mil de indenização para o empregado por danos morais.
Ambas as partes recorreram ao TRT. A empresa alegou que não haveria
propósito para condenação e que não pode
ser responsabilizada pela conduta preconceituosa e subjetiva de seus
empregados. O funcionário alegou que o valor da indenização
era pouco.
O relator, juiz Edison dos Santos Pelegrini,
constatou que, segundo as testemunhas, o chefe do trabalhador, além
de chamá-lo de gay na frente dos demais colegas de trabalho,
disse que havia saído com ele e mantido relações
sexuais, bem como relatado que foi ele quem colocou o objeto fálico
na mesa do reclamante.
"Ficou evidente que o ex-funcionário
era alvo de perseguição do seu chefe, que o humilhava
na frente dos demais colegas de trabalho, submetendo-o a brincadeiras
constrangedoras e chamando-o pejorativamente de gay", disse Pelegrini.
Além do constrangimento, o juiz constatou que o trabalhador sofria
ameaças de demissão.
Para o relator, a empresa, ao tomar conhecimento
do caso, deixou que o próprio acusado apurasse os fatos. "O
empregador foi omisso na apuração dos fatos e, ao não
tomar providências, legitimou o comportamento do agressor como
se fosse culturalmente normal e aceitável", sustentou Pelegrini.
Amparado pela Constituição
Federal, CLT, Código Civil e jurisprudência, o juiz manteve
a condenação imposta à empresa, inclusive quanto
ao seu valor, fundamentando que qualquer pessoa tem liberdade de adotar
a orientação sexual que quiser. "O tratamento no
ambiente de trabalho deve ser cordial, saudável, respeitoso e
aquele que desrespeita regras de urbanidade deve ser punido."
Processo: 00872-2005-015-15-00-8 ROPS
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
24/05/2006
Caixa Econômica prepara-se para desistir
de recursos no TST
O presidente do Tribunal Superior do
Trabalho, ministro Ronaldo Lopes Leal, determinou que se proceda ao
levantamento do número de recursos em tramitação
no TST envolvendo a Caixa Econômica Federal. De acordo com a presidente
da CEF, Maria Fernanda Ramos Coelho, a intenção da CEF
é formular petição de desistência em pelo
menos mil recursos ainda este ano. No ano passado, a Caixa desistiu
de oitocentos processos movidos por prestadores de serviço de
empresas terceirizadas pleiteando a condenação subsidiária
da CEF.
A CEF quer ampliar o rol de temas para
possível desistência ou celebração de acordos.
Para isso, advogados da CEF terão vista dos processos para um
levantamento dos principais assuntos tratados nos recursos. No último
ranking das empresas com maior número de processos em tramitação
no TST, divulgado em fevereiro de 2006, a CEF figurou em quinto lugar,
com 2.297 recursos.
“A cada nova estatística,
a Caixa vem conquistando posições inferiores do ranking,
distanciando-se da liderança, em decorrência de desistência
e redução de interposição de recursos. Por
isso, queremos prosseguir neste trabalho para que permaneçam
no TST apenas recursos cujos temas representem novidade ou exijam urgente
pacificação”, registrou a presidente da CEF no Projeto
de Redução de Recursos no TST, entregue ao ministro Ronaldo
Leal.
De acordo com Maria Fernanda, além
da desistência de recursos em tramitação no TST,
é objetivo da instituição “estancar novos
recursos”, especialmente nas matérias já pacificadas
pela jurisprudência da Corte Trabalhista, sem que o banco abra
mão da defesa de seus interesses nas matérias que entender
adequada e necessária. A presidente da CEF reafirmou a política
de cumprimento espontâneo das decisões judiciais transitadas
em julgado para evitar a instauração e o prolongamento
do processo de execução.
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24/05/2006
Recurso sem procuração do
advogado é considerado inexistente
A ausência de procuração
do advogado que subscreve o recurso impede a apreciação
judicial da causa. Com essa previsão da Súmula nº
164 do Tribunal Superior do Trabalho, sua Seção de Dissídios
Individuais – 1 (SDI-1) negou embargos em agravo de instrumento
(em recurso de revista) a um ex-empregado da Companhia de Processamento
de Dados do Município de São Paulo (Prodam) . A decisão
relatada pelo ministro Carlos Alberto Reis de Paula confirma posicionamento
anterior da Primeira Turma do TST.
A situação examinada pela
SDI-1 corresponde à situação processual chamada
de irregularidade de representação. Segundo o artigo 37
do Código de Processo Civil, “sem instrumento de mandato,
o advogado não será admitido a procurar em juízo”.
Já o Estatuto da OAB (Lei nº 8.906 de 1994), estabelece
que “o advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo
prova do mandato”. Ambas as leis excetuam a exigência da
procuração para a prática de atos urgentes, o que
não desobriga o advogado de apresentar o mandato num prazo de
15 dias.
No caso concreto, a defesa do trabalhador
ingressou com recurso de revista contra decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (São Paulo). O exame do
TRT sobre a matéria levou à negativa de remessa do recurso
para o TST. Diante dessa decisão, a parte optou pelo agravo de
instrumento, interposto diretamente no TST. Nessa oportunidade, contudo,
não foi anexada a procuração do subscritor do agravo.
A omissão levou a Primeira Turma
do TST a considerar como inexistente o agravo de instrumento da parte.
A decisão baseou-se na Súmula 164 do TST, onde é
dito que “o não-cumprimento das determinações
dos parágrafos 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº
8.906 de 1994 e do artigo 37, parágrafo único, do Código
de Processo Civil importa o não-conhecimento de recurso, por
inexistente, exceto na hipótese de mandato tácito”.
Na SDI-1, a parte alegou que a procuração
do autor do agravo não seria peça essencial à tramitação
do recurso. Frisou que na decisão regional, em que foi negada
a remessa do recurso de revista, constou o nome do defensor que redigiu
o agravo. Argumentou que a decisão da Primeira Turma do TST teria
violado a Constituição.
O ministro Carlos Alberto demonstrou,
contudo, o acerto da decisão da Primeira Turma, fiel à
jurisprudência do TST. O relator também lembrou que a tramitação
dos recursos depende do preenchimento dos chamados pressupostos de admissibilidade,
o pagamento das custas, a observância do prazo e a regularidade
de representação.
“É, portanto, responsabilidade
total da parte, e não dever do julgador, zelar pela adequada
interposição do recurso, motivo pelo qual a decisão
não gerou violação aos princípios constitucionais
da legalidade, devido processo legal e ampla defesa, pois a parte teve
o direito de recorrer, tanto que interpôs o agravo, contudo, o
fez de forma irregular”, concluiu o ministro Carlos Alberto. (EEDAIRR
2741/1993-030-02-40.9)

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