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GAZETA ONLINE / VITÓRIA (ES), 25 de
maio de 2006
Greve na construção civil
deve terminar nesta quinta-feira
A greve de trabalhadores da construção civil deve terminar
nesta quinta-feira no Espírito Santo. Enquanto isso, os trabalhadores
de carro-forte mantêm a greve e professores da rede particular,
delegados e servidores do Cefetes ameaçam paralisação
geral.
Os trabalhadores da construção
civil podem voltar ao trabalho nesta quinta-feira. A Justiça
determinou que eles acatem a proposta patronal que prevê reajuste
salarial de 11%, R$ 80 para cesta básica, e a compensação
dos dias não trabalhados. A decisão foi tomada nesta tarde
em reunião realizada entre o sindicato dos trabalhadores, o sindicato
patronal, representantes do Ministério Público Estadual
e da Justiça do Trabalho.
Os funcionários do setor industrial
deverão trabalhar oito sábados intercalados para recuperar
os dias perdidos. Já os do não-industrial, cinco sábados,
também intercalados.
Nesta tarde, o acordo foi discutido e
aprovado pelos trabalhadores em assembléia realizada em Vitória
. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil (Sintraconst), Erci Nicolau, a proposta agora será apresentada
em assembléias, na manhã desta quinta-feira, nos canteiros
de obras da CST, CVRD e Samarco.
De acordo com o secretário jurídico
do Sintraconst, Aécio Darly de Jesus, "tudo indica que os
trabalhos sejam retomados nesta quinta-feira mesmo". Mais de 50
mil trabalhadores estão em greve no Estado.
O presidente do Sindicato das Empresas
da Construção Civil (Sindicon), Aristóteles Passos
Costa Neto, afirmou que algumas construtoras terão problemas
com a entrega de obras, mas vão tentar chegar o mais próximo
possível da meta estipulada, com a compensação
dos dias de trabalho perdidos. Entretanto, o prejuízo dos custos,
como o aluguel de máquinas, não terá como ser recuperado.
Por meio da assessoria de imprensa, a
Samarco informou que, por causa da greve dos trabalhadores, a construção
civil do projeto Terceira Pelotização está parada,
mas as demais operações foram mantidas. A empresa ainda
não identificou comprometimento do prazo das obras porque o cronograma
foi estruturado “com determinada flexibilidade para cobrir eventuais
imprevistos”.
Já as obras de expansão
da CST/Arcelor, em Tubarão, estão comprometidas por conta
da paralisação, iniciada no último dia 2. Segundo
o diretor Comercial da siderúrgica, Benjamim Mário Baptista
Filho, a inauguração do terceiro alto-forno prevista para
novembro próximo poderá ser adiada.
Mário ressaltou, entretanto,
que "somente depois que terminar a greve é que poderemos
avaliar concretamente o quanto a paralisação afetará
o nosso cronograma". Ele lembrou que a obra já computa atrasos
da greve realizada no ano passado.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de maio de 2006 | Dinheiro
Dólar a R$ 2,40 já ameaça
corte no juro
Moeda americana já subiu 16% desde o dia
10, com investidores estrangeiros desfazendo suas apostas no real forte
Valorização encarece produtos importados e pode pressionar
a inflação, o que, para analistas, diminui a liberdade de
ação do BC
FABRICIO VIEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL
A escalada do dólar ontem mostrou
que a crise que assola o mercado financeiro nas últimas duas
semanas ainda não acabou. O dólar subiu 4,71%, maior alta
diária desde setembro de 2002, e foi a R$ 2,40.A moeda americana
não valia tanto diante do real desde agosto de 2005. Como o cenário
ainda carrega muitas dúvidas, ninguém se arrisca a afirmar
até onde a cotação pode ir. Desde o dia 10, quando
o humor do mercado internacional começou a azedar, o dólar
acumula valorização de 16,45%.
Nesse cenário de incertezas internas
e externas, o câmbio é quem mais tem sofrido pressão.
Compra de dólares por parte de estrangeiros que têm vendido
suas ações na Bolsa tem tido peso importante na depreciação
do real nos últimos dias. Junto a isso, investidores estrangeiros
têm enxugado suas posições vendidas em dólar
no mercado local e externo.
Por aqui, isso é verificado nos
números que mostram o tamanho da posição vendida
em dólar dos estrangeiros na BM&F (Bolsa de Mercadorias &
Futuros). A diminuição dessa posição indica
que os investidores passaram a acreditar menos na possibilidade de o
real se valorizar. E vice-versa.
No começo de março, quando
o real parecia não ter limites para se valorizar diante do dólar,
as posições vendidas líquidas dos estrangeiros
alcançaram US$ 13,76 bilhões. Na última segunda-feira,
com a mudança brusca nas expectativas, essa cifra havia sido
reduzida para US$ 5,75 bilhões."No curto prazo, o dólar
tem tudo para testar um patamar acima do de hoje [ontem]", diz
Adauto Lima, economista do banco WestLB.
A grande preocupação do
mercado se relaciona às futuras decisões do Fed (o banco
central dos Estados Unidos). Analistas e investidores passaram a considerar
que são expressivas as chances de o Fed seguir elevando os juros
básicos americanos, que estão em 5% ao ano.Ontem as operações
no mercado internacional oscilaram devido aos dados sobre moradia e
bens duráveis divulgados nos EUA, que não deram sinais
claros aos investidores sobre o futuro dos juros no país.
Como a próxima reunião
do Fed só acontecerá daqui a um mês, as próximas
semanas tendem ainda a ser de grande volatilidade no mercado.Os investidores
estrangeiros nos últimos dias estão se desfazendo de ativos
-ações, moeda e títulos da dívida- de emergentes
para comprar papéis do Tesouro dos EUA, que têm passado
a pagar taxas mais elevadas, como reflexo da expectativa de alta dos
juros básicos americanos.
"O dólar a R$ 2,40 mostra
desespero, um está indo atrás do outro, correndo para
comprar moeda", afirma João Medeiros, diretor de câmbio
da corretora Pionner. A equipe econômica do governo previa que
um processo prolongado de alta dos juros americanos poderia levar o
dólar a uma cotação entre R$ 2,30 e R$ 2,40 -mas
o teto dessa projeção já foi atingido nos negócios
de ontem.
Com o dólar nesse patamar, analistas
começaram a discutir a hipótese de o Copom (Comitê
de Política Monetária do Banco Central) decidir manter
a taxa básica inalterada, nos atuais 15,75%, em sua reunião
na próxima semana. O dólar mais alto encarece as importações,
elevando preços no Brasil.
"O dólar nesse nível
diminuiu o grau de liberdade do Banco Central para definir a taxa básica",
diz Lima. Os exportadores estão segurando seus dólares,
atentos à evolução do câmbio. Mas ainda é
cedo para afirmar se a moeda vai seguir nesse nível", diz
Mário Battistel, diretor de câmbio da corretora Novação.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25
de maio de 2006 | Economia
CONTAS PÚBLICAS
Governo faz ajuste recorde e superávit
alcança R$ 14,9 bi
Brasília – Impulsionado pela arrecadação
tributária e pelos lucros alcançados por bancos públicos,
o governo federal fez um aperto fiscal recorde de R$ 14,9 bilhões
em abril, valor que equivale a todo o superávit primário
acumulado pelo governo no primeiro trimestre deste ano. O superávit
de abril representa também mais que o dobro do registrado no
mês anterior (R$ 7,228 bilhões).
As contas do Tesouro foram favorecidas
pelo aumento de arrecadação com o pagamento das primeiras
cotas do Imposto de Renda, assim como da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido referente ao primeiro trimestre
do ano. Combinados, levaram cerca de R$ 2,8 bilhões aos cofres
do governo. Além disso, Caixa Econômica Federal, Banco
do Brasil e BNDES repassaram ao Tesouro cerca de R$ 1,6 bilhão
em dividendos. Já os gastos do governo recuaram um pouco entre
março e abril, passando de R$ 27,8 bilhões para R$ 27,0
bilhões.
O superávit representa a
diferença entre as despesas e receitas do governo central, excluídos
os pagamentos de juros. No primeiro quadrimeste do ano o superávit
primário ficou em R$ 29,608 bilhões, o equivalente a 4,66%
do Produto Interno Bruto (PIB). A meta de superávit primário
como um todo – incluindo estatais e governos regionais –
é de 4,25%.
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JORNAL
FOLHA DE SÃO PAULO, 25 de maio de 2006 | Dinheiro
Indústria pressiona Lula por mudanças
Empresários paulistas levarão ao
presidente projeto com propostas para o setor que reforçam "desenvolvimentismo"
Fiesp também encaminhará sugestões para outros candidatos
a presidente; entre as reformas, estaria a elevação de financiamentos
MARCELO BILLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Os industriais paulistas apresentarão, entre amanhã e
sexta, uma extensa lista de reformas que, consideram, colocariam o Brasil
de volta na rota do crescimento. E não são poucas. Vão
desde mudanças nas políticas macroeconômicas até
a definição de gastos com defesa, passando, claro, por
tema caro ao setor, a política industrial.
Todas as propostas serão apresentadas
a partir de hoje, no Congresso da Indústria, promovido pela Fiesp
(Federação das Indústrias do Estado de São
Paulo), e que deve ser encerrado na sexta-feira pelo presidente Luiz
Inacio Lula da Silva. A Folha teve acesso ao documento-base que os industriais
utilizarão para definir sua proposta de política industrial
e entregá-la ao governo.
No final do congresso, a indústria
paulista divulgará documentos que juntos poderiam muito bem ser
considerados um programa de governo. Não à toa eles serão
enviados para todos os candidatos a presidente e governadores do país.
O Brasil, teoricamente, tem uma política
industrial, a PITCE (Política Industrial, Tecnológica
e de Comércio Exterior). Lançada com pompa e circunstância
há dois anos, elogiada por economistas simpáticos à
adoção de políticas de incentivos e pelos industriais,
ela hoje agrada a poucos setores. O descontentamento ocorre menos pelo
seu conteúdo do que pela falta de implementação
de medidas. "A PITCE é uma diretriz para a política
industrial. Não temos monitoramento, não tem acompanhamento,
cobrança", diz José Ricardo Roriz Coelho, diretor
do departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp.
Propostas
A proposta da Fiesp é ampla. Nela
está a parte da política industrial que agrada aos economistas
liberais, as chamadas políticas horizontais, que benefeciam toda
a economia, sem definir setores ou áreas.
Estão lá as mudanças
do ambiente de negócios, que os economistas ortodoxos do Ministério
da Fazenda chamariam de reformas microeconômicas. Menciona-se
a necessidade de modernizar a gestão industrial e reduzir o custo
do crédito, um dos maiores do mundo.
Mas grande parte da política industrial
que deve sair do congresso está mesmo alinhada à linha
dos "desenvolvimentistas". A Fiesp lembra da necessidade de
aumentar o investimento industrial que, se chegasse a 1% do PIB, garantiria
crescimento do setor de 7% ao ano, criando 30 mil empregos.
As propostas: utilização
de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para financiamento
de micro, pequenas e médias empresas; maior empenho do BNDES
para fazer os recursos chegarem ao setor, principalmente para os pequenos;
maior participação dos bancos públicos no repasse
de empréstimos do BNDES. Claro, não poderia faltar menção
ao ponto mais criticado: os juros. Os industriais dizem que as despesas
financeiras consomem pelo menos 49% do resultado operacional das grandes
empresas e 51% do das pequenas e médias.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
25 de maio de 2006
Industriais têm que participar da
política
Gisele Rech
O presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da
Rocha Loures, aproveita o Dia da Indústria, comemorado hoje,
para convocar o setor para uma maior participação no debate
dos rumos políticos do Brasil. Segundo o dirigente, a atual conduta
governista, que privilegia os sistema financeiro em detrimento da produção,
tem comprometido o crescimento industrial do Brasil.
“Todo o potencial do setor industrial e toda a contribuição
que a indústria vem dando ao longo dos anos para o desenvolvimento
do estado e do País não podem ser colocados em risco por
conta de uma política econômica inadequada”, diz.
Ele questiona o direcionamento que o governo tem dado ao montante proveniente
das altas taxas de impostos pagas pelos empresários. “As
empresas é que geram emprego e riqueza e tudo que o governo faz
é gastar muito e mal o imposto que geramos”. Representativamente,
no Paraná, a indústria de transformação
é responsável por 25% do PIB estadual, com a geração
de 400 mil empregos diretos. Considerando-se também a construção
civil, a extração mineral e os serviços industriais,
como luz e água, a participação no PIB sobe para
41%.
Para tornar a participação dos empresários mais
efetiva na política, foi criada a Ação Política
Empresarial. “Além da responsabilidade social, o empresário
precisa ter consciência da sua responsabilidade política”.
Ações
No Sudoeste do Paraná, o Dia da Indústria será
marcado por um protesto das lideranças do setor, que promovem
a 2.ª edição do Dia da Luta da Indústria.
Dentre as principais reivindicações dos empresários
da região estão a redução das cargas tributárias,
a redução de encargos sociais e a aplicação
de um câmbio que viabilize as exportações.
Já em Ponta Grossa o dia será de homenagem, já
que a Hübner Fundição recebe o Troféu Indústria
do ano 2006, concedido pela coordenadoria regional da Fiep. A empresa
ganhou destaque devido ao desenvolvimento e apoio a novas tecnologias
e responsabilidade social, resultando em grandes investimentos realizados
na região.
Em Curitiba, a comemoração será apenas no dia 12
de junho, quando será entregue o prêmio Mérito Industrial
às personalidades de destaque no setor. Os homenageados serão
os empresários Edson Luiz Campagnolo, Francisco Simeão
Rodrigues Neto e Wilson Bill. Na ocasião, o empresário
Luiz Lourenço será homenageado com a medalha de “Honra
ao Mérito”.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25
de maio de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006-CNT/Sensus mostra
que intenções de voto no presidente subiram de 37,5% para
40,5%
Lula vence no 1.º turno, aponta
pesquisa
Brasília – A pesquisa CNT/ Sensus mostrou que o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva voltaria a ganhar no primeiro turno,
em qualquer cenário eleitoral, subindo de 37,5% para 40,5% das
intenções de voto. A pesquisa de maio revelou que somente
o presidente Lula aumentou sua taxa de intenção de voto
entre os principais presidenciáveis do país, o que lhe
garantiria, caso as eleições fossem hoje, uma vitória
já no primeiro turno. Pelo universo da pesquisa, essa taxa de
intenção seria suficiente para obter mais da metade dos
votos válidos.
O candidato do PSDB, o ex-governador
de São Paulo Geraldo Alckmin, perdeu intenção de
voto, de 20,6% para 18,7%. O ex-governador do Rio Anthony Garotinho
(PMDB) também caiu, de 15% para 11,4%. As intenções
de voto da senadora Heloísa Helena (AL), representante do PSol,
subiram de 4,3% para 6,1%.
No segundo turno, de acordo com a CNT/Sensus, Lula teria 48,8% dos votos
contra 31,3% do candidato tucano. Em abril, a mesma simulação
apontava 45% para Lula e 33,2% para Alckmin. A Sensus considerou que
Alckmin perdeu intenção de voto devido a onda de violência
que atingiu São Paulo nos últimos dias.
Rejeição
O ex-governador de São Paulo e
Garotinho também acumulam más notícias em outro
item importante da pesquisa: a taxa de rejeição dos eleitores
aos candidatos. Enquanto a taxa de Lula ficou praticamente estável
– de 35,7% para 34,7% –, a rejeição a Alckmin
subiu de 33,5% em abril para 40,6% em maio. A rejeição
a Garotinho também cresceu: de 50,7% para 60,7%.
Ricardo Guedes, diretor da Sensus, afirma
que, com esse nível de rejeição, o ex-governador
de São Paulo está praticamente fora da disputa eleitoral.
“Verificamos empiricamente na eleição brasileira
que quem tem até 35% no índice de rejeição
está dentro do jogo político. Quem tem 40% ou mais, está
fora”, afirmou.
A sondagem ouviu 2 mil pessoas
entre os dias 18 e 21 de maio em 195 municípios em 24 estados.
A margem de erro é de 3 pontos.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 25
de maio de 2006 | Brasil
CAMPANHA
PFL diz que acendeu a “luz
amarela”
Brasília – Apesar da estratégia de minimizar o resultado
da pesquisa CNT/Sensus, integrantes do PFL admitem que esse desempenho
“acendeu a luz amarela” na campanha do tucano Geraldo Alckmin.
“Nosso candidato vai precisar se esforçar mais para que
suas propostas possam chegar às pessoas”, disse o deputado
Pauderney Avelino (PFL-AM). “A luz amarela está acesa há
muito tempo.”
No PSDB, a expectativa era de que
Lula pontuaria mais na pesquisa, especialmente depois da campanha da
Petrobrás de auto-suficiência do petróleo. O PT
comemorou com discrição o resultado da pesquisa.
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AGÊNCIA DIAP DE NOTÍCIAS,
25 de maio de 2006
Eleições 2006
Minirreforma eleitoral valerá para
a próxima eleição
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em
julgamento realizado nesta terça-feira, 23/05, manteve a aplicabilidade
da maioria das novas regras eleitorais introduzidas pela Lei nº
11.300/06, a chamada minirreforma eleitoral. Foram mantidas a proibição
de showmícios, a distribuição de brindes e as propagandas
em outdoors.
Os candidatos também ficam obrigados
a prestar contas das campanhas eleitorais pela internet. Em contrapartida,
os ministros consideraram inaplicável para 2006 a fixação
de um teto para os gastos com campanhas eleitorais.
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio,
considerou "salutares" as mudanças aprovadas nesta
terça pelo Tribunal. Segundo ele, o Brasil terá eleições
mais transparentes este ano. "As mudanças são salutares
para se lograr um pleito justo, um pleito como toda sociedade brasileira
quer, fidedigno à vontade dos eleitores", declarou o ministro.
Para Marco Aurélio, a Corte deixou
claro que "não se deve partir para benesses visando a cooptar
o voto do eleitor". O presidente do TSE também disse acreditar
que o "caixa dois" não será "tão
necessário" nas eleições de 2006, manifestando
a expectativa de que a Corte se reúna em breve para aprovar as
mudanças no campo didático e pedagógico das eleições.
Prestação de contas
pela Internet
Os ministros julgaram aplicável
para 2006 o parágrafo 4º, acrescido ao artigo 28 da Lei
9.504/97 (Lei das Eleições), que dispõe sobre a
prestação de contas dos candidatos. Com a novidade, os
candidatos ficam obrigados a prestar contas dos gastos eleitorais pela
internet.
Segundo o dispositivo, os partidos, coligações
e candidatos "são obrigados, durante a campanha eleitoral,
a divulgar, pela rede mundial de computadores, nos dias 6 de agosto
e 6 de setembro, relatório discriminando os recursos em dinheiro
ou estimáveis em dinheiro que tenham recebido para financiamento
da campanha eleitoral."
Distribuição de brindes
e showmícios
O plenário do TSE julgou aplicável
para as eleições de 2006 os parágrafos 4º,
5º, 6º, 7º e 8º do artigo 39, que dispõem
sobre a propaganda eleitoral. Ficou mantida a proibição
da distribuição de brindes, como bonés, camisetas
e chaveiros, cestas básicas ou quaisquer outros bens que possam
proporcionar vantagem ao eleitor.
A Corte também manteve a proibição
da realização de showmícios e de eventos assemelhados
para a promoção de candidatos. Além disso, confirmou
a vedação quanto à propaganda eleitoral feita em
outdoors.
Doações em dinheiro
O Tribunal também decidiu manter
os parágrafos 4º e 5º do artigo 23, que dispõe
sobre as doações de pessoas físicas às campanhas
eleitorais. Com a decisão, ficaram proibidas quaisquer doações
em dinheiro de pessoas físicas para os candidatos. Atualmente,
essa modalidade de doação é válida, desde
que feita mediante a emissão de recibo.
Outros dispositivos
Os ministros também decidiram
manter o artigo 21, que dispõe sobre a solidariedade do candidato
com a pessoa designada por ele para fazer a administração
financeira de sua campanha, devendo ambos assinar a respectiva prestação
de contas.
Os parágrafos 3º e 4º
acrescidos ao artigo 22 também valerão para as eleições.
O parágrafo 3º diz que o uso de recursos financeiros para
pagamento de gastos eleitorais que não provenham de conta específica
implica a desaprovação da prestação de contas
do partido ou do candidato. Comprovado o abuso de poder econômico,
será cancelado o registro da candidatura ou cassado o diploma.
O TSE também considerou aplicáveis
de imediato as alterações feitas no artigo 24 da Lei das
Eleições, que veda as doações feitas por
"entidades beneficentes e religiosas; entidades esportivas que
recebam recursos públicos; organizações não-governamentais
que recebam recursos públicos; e organizações da
sociedade civil de interesse público".
Dispositivos inaplicáveis
em 2006
Os ministros consideraram inaplicáveis
para 2006 três dispositivos da Lei 11.300/06: os artigos 17-A
e 18, que tratam da limitação dos gastos de campanha;
e o artigo 47, parágrafo 3º, que define as legendas, com
representação na Câmara, que têm direito à
propaganda gratuita no rádio e na televisão. O artigo
35-A, referente à divulgação de pesquisas eleitorais,
foi considerado inconstitucional.
Os artigos 17-A e 18, referentes aos
gastos de campanha dispunham que a cada eleição caberia
à lei fixar, até o dia 10 de junho de cada ano eleitoral,
o limite dos gastos de campanha para os cargos em disputa. No caso da
não edição da lei, caberia a cada partido fixar
o limite dos gastos.
O relator, ministro Gerardo Grossi, entendeu
que o artigo é inaplicável às eleições
de 2006 porque, ao interferir em matéria de despesas de campanha,
o processo eleitoral estaria sendo alterado. De acordo com o artigo
16 da Constituição Federal, a lei que alterar o processo
eleitoral entra em vigor na data de sua publicação, não
se aplicando à eleição que ocorrer até um
ano da data de sua vigência.
O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio,
acompanhou o relator. Segundo ele, no dispositivo, há mudança
substancial, "porque no artigo 18 da 9.504/97, temos a obrigatoriedade
de candidatos, partidos e coligações comunicarem, sem
o limite estipulado por lei, à Justiça Eleitoral, os valores
máximos de gasto que farão por candidato. Aqui, há
o lado intransponível revelado pelo artigo 16 da Constituição
Federal".
A divergência da questão
foi levantada pelo ministro César Asfor Rocha, para quem a nova
regra não traria mudança substancial ao processo eleitoral.
"Em última análise, caberá ao partido político
fixar o limite dos gastos. Apenas quando não for indicada a lei,
e evidentemente a lei poderia ser estabelecida ainda que não
houvesse a Lei 11.300", afirmou. Os ministros José Delgado
e Caputo Bastos acompanharam a divergência.
O plenário também decidiu
que o artigo 18 da Lei nº 11.300/06 também é inaplicável
às próximas eleições, devido à vinculação
ao artigo 17-A. O artigo 18 estabelecia que no pedido de registro de
seus candidatos, os partidos e coligações comunicariam
aos Tribunais Eleitorais os valores máximos de gastos que farão
por cargo eletivo a que concorrerem.
Pesquisas eleitorais
O TSE decidiu ainda pela inconstitucionalidade
do artigo 35-A, que proibia a divulgação de pesquisas
eleitorais, por qualquer meio de comunicação, a partir
do 15º dia anterior até às 18h do dia do pleito.
Apenas o ministro Carlos Ayres Britto se manifestou pelo afastamento
de inconstitucionalidade, e recomendou a aplicação do
artigo nas eleições de 2008.
Direito à propaganda gratuitam
Por fim, o TSE julgou inaplicável
nas eleições de 2006 o disposto no artigo 47, parágrafo
terceiro, que dispunha que a representação de cada partido
na Câmara dos Deputados seria resultante da eleição.
Atualmente, a representação válida é aquela
existente no início da legislatura. A regra serve para garantir
à legenda o direito à propaganda partidária gratuita
em cadeia nacional de rádio e televisão.
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JORNAL O ESTADO DO PARANÁ,
25 de maio de 2006
CCJ aprova projeto do telefone social
Redação/O Estado do Paraná
A Comissão de Constituição e Justiça da
Câmara aprovou ontem o projeto de lei que cria o telefone social.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, que acompanhou
a votação, previu que o novo serviço, destinado
a população de baixa renda, entrará em vigor em
julho deste ano.
O projeto agora deverá ser votado no plenário da Câmara
depois que os deputados conseguirem limpar a pauta que está trancada
por conta da falta de acordo para votação de medidas provisórias.
Depois da Câmara, o projeto terá que ser examinado pelo
Senado.
O ministro Hélio Costa disse, porém, que já conversou
com os senadores para que a tramitação do projeto seja
bem rápida. Ele disse na comissão que o telefone social
permitirá que 12 milhões de brasileiros passem a ter acesso
à telefonia fixa. Ele disse aos deputados que há cinco
anos não há aumento no número de linhas de telefones
fixos e que o celular pré-pago passou a ser o substituto do telefone
fixo, porque nele não há cobrança da taxa mensal
de assinatura.
Pelo projeto, a taxa de assinatura básica do telefone social
não poderá custar mais que 50% da taxa cobrada no telefone
convencional, que hoje é de cerca de R$ 40,00. Depois de aprovado
no Congresso, o projeto terá ainda que ser regulamentado para
detalhar os critérios de quem poderá ter acesso ao novo
serviço. A idéia inicial do ministro Hélio Costa
é que o telefone social seja destinado apenas a famílias
com renda mensal de até três salários mínimos.
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AGÊNCIA DIAP, 25 de
maio de 2006
Direitos Trabalhistas
CAS aprova projetos de interesse dos trabalhadores
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado aprovou nesta
quarta-feira, 24/05, sete proposições de interesse dos
trabalhadores. Os projetos ampliam o acesso a informações
e a direitos previdenciários e trabalhistas.
A primeira proposição aprovada
foi o PLS nº 10/06, do senador Cristovam Buarque (PDT/DF), que
altera os artigos 32 e 80 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991,
para dispor sobre o acesso do empregado às informações
relativas ao recolhimento de suas contribuições ao INSS.
O projeto, que teve como relator o senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG),
foi aprovado por unanimidade no colegiado.
Também foi aprovado por unanimidade
o substitutivo apresentado pelo relator, senador Flávio Arns
(PT/RS), ao PLS n° 139/03, do senador Paulo Paim (PT/RS), que “dispõe
sobre o exercício da profissão de ortoptista”.
Outra proposição importante
aprovada pela CAS foi o PLS nº 529/03, da senadora Serys Slhessarenko
(PT/MT), que “dispõe sobre os Planos de Benefícios
da Previdência Social e dá outras providências, no
que concerne ao salário-maternidade devido à segurada
especial”. O projeto, que teve como relatora a senadora Maria
do Carmo Alves (PFL/SE), garante ainda que “o prazo de exercício
e atividade rural, a ser comprovado pelas seguradas especiais, é
reduzido de doze para dez meses”.
O PLS nº 227/05, do senador Arthur
Virgílio (PSDB/AM), também foi aprovado pela Comissão.
O projeto estende aos técnicos de nível médio,
regularmente inscritos nos Conselhos Regionais de Engenharia, Arquitetura
e Agronomia (Crea), o piso salarial. O relator, senador Paulo Paim,
afirmou que o projeto será acatado de forma parcial, ou seja,
“a categoria será incluída”. Mas, quanto ao
valor nominal do mínimo, será retirado, ou então
o valor do salário da categoria poderia ficar engessado”,
explicou.
Foi aprovado ainda o PLS n° 20/05,
do senador Flávio Arns e relatado pelo senador Eduardo Azeredo
(PSDB/MG), que “elimina a obrigatoriedade de renovação,
a cada três anos, do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência
Social para fins de isenção previdenciária”.
A Comissão aprovou também
o PLS nº 170/05, que modifica o artigo 193 da Consolidação
das Leis do Trabalho, que concede adicional de periculosidade aos eletricitários.
A proposição é do senador Paulo Paim. A matéria
recebeu parecer favorável do relator, senador Rodolpho Tourinho
(PFL/BA).
Por fim, a CAS aprovou por unanimidade,
o PLS nº 82/03, do senador Paulo Paim, que modifica o artigo 193
da Consolidação das Leis do Trabalho e acrescenta o parágrafo
3º, concedendo adicional de periculosidade aos carteiros. O relator
da matéria foi o senador Mão Santa (PMDB/PI).
Com exceção do PLS
nº 227/05, todos os demais são terminativos na Comissão.
Isto é, senão houver recurso contrário à
decisão da CAS, os projetos irão direto para exame da
Câmara dos Deputados.
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AGÊNCIA DIAP DE NOTÍCIAS,
25 de maio de 2006
Inclusão Previdenciária
Projeto que trata do tema é mais
abrangente, inclui donas-de-casa e autônomos
O representante do DIAP, Flávio
Tonelli Vaz, participou de audiência pública na Comissão
de Seguridade Social e Família da Câmara realizada nesta
terça-feira, 23/05, que debateu o PL nº 5.773/05, do deputado
Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB/SP).
O projeto inclui mais trabalhadores no
sistema previdenciário do INSS ao fixar uma alíquota para
trabalhadores autônomos e donas-de-casa de baixa renda em 10%;
prevê ainda a contribuição das micro e pequenas
empresas em 2% sobre a receita bruta; fixa o valor do benefício
em um salário mínimo e reduz o período da carência.
Ao falar na audiência, Flávio
Tonelli esclareceu que o projeto é mais abrangente, pois não
inclui apenas as donas-de-casa, inclui “o trabalhador que atua
no âmbito da sua residência”, frisou. Ele lembrou
ainda que a Emenda Constitucional 47 (Paralela da Previdência)
trata do trabalhador que atua na sua própria residência.
Para Flávio Tonelli, é
necessária a criação de um mecanismo de contribuição
das donas-de-casa e dos trabalhadores autônomos e a definição
da carência para que possam usufruir dos benefícios da
Previdência.
Representantes da Campanha Nacional pela
Aposentadoria das Donas de Casa defendem a não-contribuição
das donas de casa de baixa renda e a aposentadoria aos 60 anos, recebendo
um salário mínimo por mês.
Avanço
Segundo o representante do DIAP, a Emenda
47 foi um avanço, porque permitiu que haja contribuições
à Previdência e carência para o trabalhador de baixa
renda que atua por conta própria em sua residência.
Ele sugeriu que esses segurados possam
parcelar a dívida que têm com o sistema previdenciário
para poderem receber aposentadoria. "Se uma empresa pode parcelar
a dívida com a Previdência, por que não abrir essa
possibilidade para o segurado?", questionou.
Outras categorias
Tonelli afirmou ainda, que além
das donas-de-casa, existem outras categorias que precisam ser incluídas
no sistema previdenciário. Ele citou o caso dos estagiários,
que muitas vezes, são submetidos às condições
de trabalho de um empregado formal. Se houver um acidente no trabalho,
por exemplo, não existirá qualquer tipo de amparo da Previdência.
Para o representante do DIAP, a inclusão
previdenciária é que garantirá o futuro do sistema.
Ele destacou que o país passa hoje por um momento de precarização
do mercado de trabalho, sendo necessário criar mecanismos de
formalização do emprego. “Mais de cinco milhões
de postos de trabalho acima de três salários mínimos
foram destruídos”, lembrou.
Participaram ainda do debate o vice-presidente
do Sindicato Nacional dos Aposentados e representante da Força
Sindical, Paulo José Zanetti, que destacou que a entidade é
favorável à inclusão das donas-de-casa e outras
categorias no sistema previdenciário, mas é necessário
encontrar uma forma de incluí-las sem que isso provoque a quebra
do sistema.
Também o dirigente do Sindicato
Nacional dos Aposentados da Central Única dos Trabalhadores (CUT),
Epitácio Luiz Epaminondas, afirmou que a central é favorável
ao projeto de lei, que regulamenta a previdência especial para
as donas-de-casa e a contribuição previdenciária
diferenciada para as empresas, conforme seu porte e o número
de empregados.
Segundo Epaminondas, cerca de 1,8 milhão
de donas-de-casa não têm renda ou recebem menos de um salário
mínimo por mês.
No Senado
Nesta Casa legislativa havia um projeto
de lei que trata da inclusão previdenciária. Era o PLS
n º 318/05, do senador Rodolpho Tourinho (PFL/BA). O projeto estabelece
o limite de contribuição de 11% para o contribuinte individual
com renda mensal de até dois salários mínimos e
que trabalhe por conta própria, sem relação de
trabalho com empresa ou equiparado.
Também é incluído
como segurado facultativo sem renda própria que se dedique exclusivamente
ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência,
desde que pertencente à família de baixa renda - será
de 11% (onze por cento) sobre o valor correspondente ao limite mínimo
mensal do salário de contribuição, desde que esses
segurados optem pela exclusão do direito ao benefício
de aposentadoria por tempo de contribuição.
A matéria foi aprovada no Senado no dia 2 de maio e encaminhada
à Câmara. Na Casa revisora, o projeto receberá novo
número. Todos os projetos de autoria de deputados serão
anexados ao do senador baiano, pois está com a tramitação
mais avançada.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 25 de maio de 2006 | Dinheiro
TRABALHO
Câmara convoca volks e sindicatos
O presidente da Volkswagen, Hans-Christian
Maergner, e o presidente do BNDES, Demian Fiocca, serão chamados
pela Câmara dos Deputados para participar de audiência pública.
Também serão convocados sindicalistas que representam
os trabalhadores. O objetivo é discutir as demissões na
Volks, além do processo de reestruturação das empresas
do setor automotivo no país. "O BNDES será chamado
a explicar os empréstimos concedidos a automobilísticas
e o resultado disso em contrapartidas sociais", diz Ivan Valente
(PSOL-SP).
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CONSULTOR JURÍDICO,
25 de maio de 2006
Combate à escravidão
Defensores dos direitos humanos são
ameaçados em TO
Em região historicamente marcada
por conflitos fundiários, membros do Núcleo de Direitos
Humanos de Araguaína, que atuam no núcleo de Ananás,
localizada no Bico do Papagaio, em Tocantins, sofreram ameaças
de fazendeiros insatisfeitos com o combate à escravidão.
As informações são de Iberê Thenório
para o site Repórter Brasil.
Nesta quarta-feira (24/5), em reunião
ordinária da Conatrae — Comissão Nacional para a
Erradicação do Trabalho Escravo no Ministério da
Justiça, em Brasília, a entidade solicitou que o governo
federal tome medidas urgentes a respeito das ameaças. A Conatrae
é um órgão colegiado que reúne instituições
públicas e sociedade civil que atuam na erradicação
do trabalho escravo.
Na reunião, estavam presentes
o ministro chefe da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência
da República, Paulo Vanucchi, e representantes de ministérios
e órgãos federais, entre eles o Ministério Público
Federal e a Polícia Federal.
O início das intimidações
coincide com a libertação de 201 trabalhadores escravos
da fazenda Castanhal, em Ananás, de propriedade de Joaquim Farias
Daflon. Dono de cerca de 10 mil cabeças de gado, Daflon já
havia sido flagrado usando mão-de-obra escrava em duas ocasiões
anteriores. Na mesma fazenda, foram libertadas 72 pessoas em maio de
2003 e em novembro de 2001.
Daflon está na “lista suja"
do trabalho escravo, cadastro governamental que divulga os que comprovadamente
foram flagrados cometendo esse crime. Após tomar conhecimento
da última libertação, a rede de supermercados Wal-Mart,
signatária do Pacto Nacional pela Erradicação do
Trabalho Escravo, organizado pelo instituto Ethos e pela Organização
Internacional do Trabalho, suspendeu qualquer negócio comercial
com o Frigorífico Frinorte, do fazendeiro, até que o fato
seja esclarecido pelo frigorífico e pelo governo federal.
Ananás lidera as denúncias
da Comissão Pastoral da Terra de fazendas que utilizam mão-de-obra
escrava. Desde 1985, a instituição levou ao Ministério
do Trabalho 16 casos. Além disso, seis propriedades que aparecem
na "lista suja" são do município. A cidade vizinha,
Araguaína, é a segunda colocada no estado, com 11 casos.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
25/05/2006
Atuação da empresa não
pode prejudicar direito do trabalhado
O exercício do direito do trabalhador
não pode ficar condicionado à atuação da
parte contrária. Sob esse entendimento, manifestado pela ministra
Maria Cristina Peduzzi (relatora), a SubSeção de Dissídios
Individuais – 1 do Tribunal Superior do Trabalho (SDI-1) negou,
por unanimidade, embargos em recurso de revista à Souza Cruz
S/A. A decisão da SDI-1 confirmou o direito de um ex-empregado
à indenização correspondente à estabilidade
por acidente de trabalho, para a qual a empresa não forneceu
a necessária Comunicação de Acidente de Trabalho
(CAT).
O objetivo da Souza Cruz era o de obter,
no TST, o reconhecimento da prescrição da reclamação
trabalhista proposta pelo ex-empregado à Justiça do Trabalho
da 8ª Região (Pará e Amapá). Segundo a empresa,
o processo foi ajuizado mais de dois anos após o término
da relação de emprego, o que teria resultado na perda
do direito de ação, pois só exercido após
o prazo bienal previsto na Constituição.
O exame da questão pelo TST (Segunda
Turma e depois SDI-1) revelou que, apesar de ter conhecimento da doença
do trabalhador, a empresa não emitiu a CAT – necessária
para a solicitação do auxílio-doença junto
ao INSS. A obtenção do documento só ocorreu após
solicitação feita pelo ex-empregado ao Ministério
Público Estadual. Se a Souza Cruz houvesse fornecido a CAT no
decorrer da relação de emprego, o contrato de trabalho
estaria suspenso conforme prevê a legislação (Lei
nº 8.213 de 1991).
“Suspenso o contrato de trabalho,
em virtude do empregado haver sido acometido de doença profissional,
com percepção de auxílio-doença, opera-se
a suspensão igualmente do fluxo do prazo de prescrição
para a ação trabalhista”, registraram a Segunda
Turma e a SDI-1 sobre a questão.
A comprovação de que o
trabalhador já estava adoentado antes de sua demissão
levou à confirmação de seu direito e, sobretudo,
da conduta da empresa. “A malícia não pode afastar
o exercício do direito da parte contrária”, observou
Cristina Peduzzi ao mencionar a omissão da empregadora como obstáculo
à concessão do benefício previdenciário
do auxílio-doença.
Os próprios argumentos da empresa
em seu recurso, segundo a relatora, permitiram identificar que sua atuação
“dificultou o exercício do direito do trabalhador”.
Cristina Peduzzi também afirmou que, se fosse aceita a tese empresarial
de que a inobservância da emissão da CAT não levaria
à suspensão do prazo prescricional, seria interessante,
para a própria empresa, descumprir o direito. “E isso,
obviamente, não pode ser convalidado pelo Tribunal Superior do
Trabalho”, acrescentou.
(ERR 473491/1998.0)

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