 |
24 HORAS NEWS / MATO GROSSO, 29 de maio de 2006
Madeireiras em Mato Grosso reduzem volume
de exportacões
Angela Fogaça
de Sinop
As exportações de madeira
na região de Sinop, maior pólo da produção
no Estado, continuam baixas. No ano passado, no setor de compensados,
as exportações caíram cerca de 80%. Neste ano,
de acordo com o vice-presidente do Sindusmad, José Eduardo Pinto,
algumas empresas de grande portes pararam de exportar compensados ou
estão produzindo com 30% de sua capacidade.
No setor madeireiro em geral, as empresas
estão operando com 30 a 40% de sua capacidade. A entrada da Secretaria
Estadual de Meio Ambiente que dá condições maiores
das empresas trabalharem, ainda está iniciando", disse ele.
A economia, como um todo, segundo o presidente, não está
entusiasmando o produtor a aumentar a produção.
O ano de 2005 fechou com um déficit
de 4,53% nas exportações de madeira. Neste primeiro trimestre,
o setor já amargava um déficit de 26,20%, com um montante
de 34,861 milhões, contra 47,238 milhões no mesmo período
do ano passado. Em 2004, a exportação de compensados do
municípios de Sinop chegou a US$ 32.800.654 e esse volume de
negócios foi reduzido a US$ 21.637.926 no ano passado. A queda
se deve à crise que assolou o setor madeireiro depois de ser
deflagrada a operação Curupira. A queda nas exportações
foi principalmente no segmento de madeira perfilada e objetos de madeira.
No setor de compensados, o que causou
a maior queda nas exportações do ano passado, foi a falta
de matéria-prima, atrelada aos preços baixos. "Hoje,
o dólar continua baixo, porém o preço teve uma
reação. Há 6 meses atrás, a gente pagava
para trabalhar com o compensado, com um custo operacional muito alto",
afirmou ele.
A produção baixa gera uma
demanda maior, o que ajudou a elevar o preço no mercado internacional.
"Podemos dizer que o setor madeireiro foi beneficiado com a entrada
da Sema, mas ainda está muito no início. A rentabilidade
continua ruim e o empresário madeireiro não tem motivação",
desabafa o empresário.
Ele destaca que o Sindusmad - Sindicato
das Indústrias Madeireiras do Norte de Mato Grosso - está
buscando alternativas para incentivar o setor, mas com certeza ainda
vai levar algum tempo para o setor se reestruturar. "Á nível
de Estado, temos uma carga tributária muito alta. É ICMS,
Fethab, classificação, tributos que em outros estados
do Brasil não tem ou são mais baixos. A nossa carga é
o dobro do Pará. Aliada ao frete, é o que prejudica a
nossa competitividade", disse José Eduardo.
Apesar de todos os problemas do setor,
que não puderam escoar a produção na semana passada,
ele garantiu que os madeireiros mantém o apoio ao movimento deflagrado
pelos produtores rurais.
|
Diário Vermelho,
27 de maio de 2006
Com PSB e PCdoB, Lula terá oito
minutos e 22 segundos na TV
As alianças tradicionais do PT, com o PSB e PCdoB, renderiam
a Lula 8 minutos e 22 segundos de programa eleitoral de rádio
e TV. O tempo de televisão de cada partido é calculado
de acordo com o tamanho da bancada que tomou posse no início
da Legislatura --1º de janeiro de 2003. No último pleito,
o PT elegeu o maior número de deputados federais (91), o que
garantiu ao partido o maior tempo de propaganda eleitoral. Na seqüência
aparecem PFL, PMDB e PSDB.
As investidas do PT para conseguir o
apoio formal do PMDB à possível candidatura do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva podem render mais do que uma aliança
de peso em torno do petista. O PT precisa do PMDB para esticar o tempo
que o presidente Lula terá na campanha para propaganda política.
Sem o apoio do PMDB, Lula terá
menos tempo do que o pré-candidato do PSDB à Presidência,
Geraldo Alckmin. Até agora, pelo menos, o tucano conseguiu mais
tempo na rádio e TV do que Lula, mas a diferença é
pequena. A aliança com o PFL garantiu a Alckmin 9 minutos e 2
segundos para sua campanha de rádio e TV, que será levada
ao ar a partir de 15 de agosto. Esse tempo não leva em conta
o período adicional que é distribuído igualmente
para cada candidato.
Pela legislação, serão
divididos entre todos os postulantes 16 minutos e 40 segundos por dia
de programa. Se houver quatro os candidatos, por exemplo, o tempo total
da aliança PSDB-PFL será de 13 minutos e 12 segundos.
Sem o apoio dos pefelistas, Alckmin teria apenas 4 minutos e 4 segundos
de programa partidário no rádio e na TV. Esse período
é menor que o tempo que o PT tem sozinho para seus programas
de rádio e TV: 5 minutos e 44 segundos.
O tempo da campanha de rádio e
TV de cada partido faz parte de um levantamento da assessoria jurídica
do PPS que a Folha Online teve acesso. O PFL --que indicou o senador
José Jorge (PE) para ser o vice na chapa de Alckmin-- agregou
4 minutos e 58 segundos de tempo de TV e rádio para a candidatura
do tucano.
Para conseguir mais tempo de programa
eleitoral gratuito do que Geraldo Alckmin, Lula terá que conseguir
o apoio formal do PMDB à sua candidatura. As alianças
que vem sendo negociadas pelo petista -- com PCdoB e PSB-- não
garantem a Lula mais exposição do que Alckmin.
Uma coligação apenas com
o PMDB levaria Lula a ter 10 minutos e 16 segundos --sem considerar
o tempo igualitário para todos os candidatos. Desse tempo, 4
minutos e 32 segundos são do PMDB e 5 minutos e 44 segundos do
PT. Caso venha a concretizar a coligação com o PSB e o
PCdoB, a campanha de rádio e TV do petista subiria para 12 minutos
e 54 segundos com o reforço do PMDB. Com isso, Lula conseguiria
ultrapassar Alckmin no tempo de exposição no horário
gratuito de rádio e TV.
Aliados tradicionais
As alianças tradicionais do PT,
com o PSB e PCdoB, renderiam a Lula 8 minutos e 22 segundos de programa
eleitoral de rádio e TV. Como o PMDB ainda não definiu
se terá ou não candidato próprio, os tucanos e
pefelistas ainda apostam numa virada do desempenho de Alckmin a partir
do início da campanha eleitoral na rádio e TV. "Quando
o programa eleitoral começar, nós vamos crescer nas pesquisas",
avalia o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), um dos coordenadores
da campanha do PSDB.
O cenário pode melhorar ainda
mais para Alckmin caso PSB decida não apoiar formalmente a candidatura
do presidente Lula. O comando do partido quer a coligação,
mas ainda enfrenta a resistência de alguns diretórios.
Com o apoio apenas do PCdoB, Lula terá apenas 6 minutos e 34
segundos de tempo de rádio e TV. Se o PT fechar uma aliança
com PMDB, PSB e PCdoB, terá 3 minutos e 52 segundos de vantagem
sobre o tucano em tempo de exposição na campanha eleitoral.
Distribuição
O tempo de televisão de cada partido
é calculado de acordo com o tamanho da bancada que tomou posse
no início da Legislatura --1º de janeiro de 2003. No último
pleito, o PT elegeu o maior número de deputados federais (91),
o que garantiu ao partido o maior tempo de propaganda eleitoral. Na
seqüência aparecem PFL, PMDB e PSDB.
Os candidatos ainda têm direito
a um tempo distribuído igualitariamente pela Justiça Eleitoral.
No total os candidatos têm 50 minutos diários de programa,
divididos em dois blocos de 25 minutos. Desse tempo, 1/3 é dividido
para todos os candidatos e 2/3 proporcionalmente ao número de
deputados federais filiados aos partidos desde o início da legislatura.
|
Nova Centra, 27 de maio
de 2006
MOBILIZAÇÃO NO CONGRESSO
Ante-projeto de lei das terceirizações
é nocivo aos trabalhadores
O FST, através do coordenador José Schultz, adverte para
o ante-projeto de lei das terceirizações em tramitação
no Congresso, conhecido como o projeto Sandro Mabel. O Projeto de Lei
nº 4330/2004 dispõe sobre o contrato de prestação
de serviço a terceiros e as relações de trabalho
dele decorrentes, bem como, a Complementação de Voto e
Emendas aceitas pelo Relator.
O Projeto do deputado Sandro Mabel entrou
em pauta do dia 24/05, na comissão de Desenvolvimento Econômico,
Indústria e Comércio, com o seguinte andamento: a comissão
aprovou apenas os requerimentos, ficando os projetos em pauta, para
a próxima semana.
Segundo Sczhultz, “esse projeto
é nocivo aos trabalhadores, pois muda todo o conceito de empresa
preponderante, que tem a obrigação de manter sob sua responsabilidade
as relações de trabalho dos empregados que labutam nasatividades
meio e fim da empresa, ficando assim, responsável pelas relações
de trabalho, a empresa terceirizada.”
|
Folha de São Paulo,
27 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006 / POBREZA EM DEBATE
Tarso pede fim do "conceito arcaico"
de direito adquirido
Ricardo Nogueira/Folha Imagem
O ministro Tarso Genro acompanha o seminário "Pobreza, Igualdade
e Desenvolvimento", realizado no Cebrap, em São Paulo
Ministro diz que corte de despesa
da União é condição para crescimento do
país
Articulador político de Lula
defende em debate que é preciso eliminar privilégios que
a Constituição de 88 deu aos que não contribuem
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
O ministro de Relações
Institucionais, Tarso Genro, defendeu ontem a "redução
drástica de despesas da União, com corte de salários,
pensões e aposentadorias como uma medida exemplar" e crucial
para que o país consiga crescer a médio prazo. Especializado
em direito trabalhista, afirmou que é preciso "remover o
conceito arcaico de direito adquirido" e "cassar privilégios
para os quais as pessoas não contribuíram".
"Que se cortem privilégios,
e não direitos", afirmou Tarso, durante seminário
promovido ontem pelo Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento),
pelo IDS (Institute of Development Studies) e pela Folha. O ex-ministro
Bresser Pereira também participou da mesa redonda "Brasil:
desafios para os próximos 10, 15 anos". Bresser defendeu
como saída para o crescimento o "novo desenvolvimentismo",
cujo eixo central é um rigoroso ajuste fiscal por pelo menos
um ano e meio no próximo mandato.
Tarso repetiu a mesma frase utilizada
por Bresser em 1995. O petista disse ontem que "a valer" a
tese do direito adquirido, senhores de escravos continuariam a ter "direito
de posse" dos negros mesmo após a abolição.
"Tem que distinguir direito adquirido de privilégio adquirido.
Os escravagistas afirmavam no século passado que a escravidão
não poderia acabar, porque eles tinham direito adquirido sobre
os escravos", havia dito Bresser quando ministro da Administração
de FHC, diante da dificuldade de aprovar a reforma da Previdência
na época.
Tarso afirmou que tais mudanças
só podem ser feitas por emenda constitucional, o que significa
fazer outra reforma da Previdência Social ou administrativa num
novo mandato. O petista pregou ainda uma reforma de Estado no próximo
governo como um dos caminhos para remover os obstáculos ao crescimento.
Ele sugeriu que nenhum salário, aposentadoria ou pensão
pagos pela União superem a remuneração do presidente
da República.
No primeiro ano do governo Lula, o debate
sobre direito adquirido foi o maior entrave à aprovação
da reforma da Previdência e gerou grande divergência no
PT. Tarso reconheceu que seria muito difícil aprovar mudança
tão radical. Disse que categorias do funcionalismo que recebem
altos salários e privilégios sempre conseguem se mobilizar,
inclusive com apoio de setores políticos. Citou como exemplo
a união dos "auditores fiscais da União com o PSOL
e o PSTU". O corte em salários e aposentadorias que, segundo
o ministro, teria o objetivo de "drenar os recursos de cima para
baixo", só poderia ser feito a partir de um pacto político.
Além disso, exigiria também concordância da classe
trabalhadora.
Um compromisso político suprapartidário
com uma nova reforma da Previdência, afirmou Tarso, daria "conforto
e governabilidade, seja quem for o presidente". A construção
de um ambiente favorável a essas mudanças a partir de
2007, disse, passa por um "acordo entre todas as forças
democráticas, incluindo a direita". Bresser lembrou que
em 1993 chegou a discutir a aliança do PSDB com o PT.
Agora, para o ex-ministro, seria possível
a união da classe política a partir da constatação
de que "a estratégia da ortodoxia internacional fracassou
estrondosamente", o que gera um ambiente de críticas às
políticas de juros e do câmbio. "O novo desenvolvimentismo
é fortemente a favor de ajuste fiscal. É mais rígido
que a ortodoxia", definiu. Tanto o petista quanto o tucano pregaram
reformas para a recuperação do crescimento. "O novo
governo, seja Lula ou Alckmin, vai tentar mudar. Se vai fazer com competência,
isso não sei", disse Bresser.
|
Folha
de São Paulo, 27 de maio de 2006
PREVIDÊNCIA
Lula reafirma que quer acabar com fila do
INSS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em entrevista ontem em Brasília após evento
sobre os direitos dos idosos, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva mais uma vez prometeu acabar com as filas nas agências do
INSS. O presidente admitiu o tormento daqueles que têm de enfrentá-las.
"Nós queremos terminar com esse sofrimento." Lula tratou
do tema ao ser questionado se as filas seriam reduzidas num segundo
mandato. "Deixa eu lhe falar uma coisa. [Em relação
a fila do INSS], está sendo feito um trabalho, eu diria, de uma
grandeza extraordinária."
Segundo o presidente, com a inauguração
de centros de atendimento por telefone, os idosos não vão
mais precisar sair de casa. E citou um exemplo: "No dia 16 eu estarei
indo a Recife inaugurar um call center em que trabalharão 1.200
pessoas para marcar a perícia médica, que é um
dos grandes problemas da fila. Então, ninguém mais vai
precisar sair de casa. Marca por telefone e não paga nada".
(ES E PDL)
|
Folha
de São Paulo, 28 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Se reeleito, Lula quer buscar acordo político
com tucanos
Presidente busca diluir dependência do PMDB
em eventual segundo governo - Ele avalia que Aécio e Serra, que
cobiçarão Planalto em 2010 se eleitos em Minas e São
Paulo, terão interesse em fim de guerra com PT
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Em conversas reservadas, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva já faz planos para um segundo mandato. Além
da oferta de governo de coalizão com o PMDB, Lula diz que tentará
fazer um acordo político com o que ele chama de prováveis
"vencedores" do PSDB após as eleições
de outubro. Lula avalia que os "vencedores" serão Aécio
Neves, que deverá ser eleito governador de Minas, e José
Serra, favorito na disputa pelo governo paulista. Segundo pesquisa Datafolha
divulgada na sexta, Aécio e Serra seriam eleitos no primeiro
turno com expressiva vantagem sobre o segundo colocado.
O acordo imaginado por Lula passa por agenda comum e
pela interrupção da guerra que PT e PSDB travam desde
o início do escândalo do "mensalão". O
presidente, como declarou na sexta, pretende reeditar nesta campanha
a versão "Lulinha Paz e Amor" de 2002. Ele conta com
o interesse de Aécio e Serra em disputar a Presidência
em 2010, quando não poderá concorrer, se reeleito. Lula
tem canal direto com Aécio. E vice-versa. Em Minas, é
comum a intenção de voto Lula-Aécio.
A relação com Serra é complicada
do ponto de vista político devido à candidatura ao Palácio
dos Bandeirantes de Aloizio Mercadante, ex-líder do PT no Senado.
Pessoalmente, ambos dizem gostar um do outro. Lula deixará claro
seu apoio a Mercadante, mas não pretende atuar como em 2004,
quando respondeu a processo na Justiça Eleitoral ao participar
de ato de campanha da então prefeita Marta Suplicy, vencida justamente
por Serra.
Cautela
Na condição de candidato, Lula tem preocupação
com o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio de Mello
na presidência do Tribunal Superior Eleitoral. Na avaliação
do Planalto, Marco Aurélio deu sinais de que será osso
duro de roer caso Lula dê motivo para contestações
na Justiça. O presidente também quer dar um sinal político
à oposição: não pretende, se eleito, ir
à forra contra o bombardeio que tem sofrido. Na avaliação
do petista, Serra e Aécio liderarão a oposição
a partir de 2007.
As maiores mágoas de Lula são com o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso e com o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen
(SC). Lula designou cinco emissários para contatos com o PSDB.
O ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), já
convidou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM),
para uma reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico
e Social. O ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) teve
ao menos três encontros com Serra na crise do "mensalão".
E o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), já falou
com o tucano em nome de Lula. O ex-tucano e hoje deputado petista Sigmaringa
Seixas (DF) também atua como bombeiro em momentos de crise. Em
Minas, o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), é
uma das principais pontes de Lula com o tucano.
|
Folha de São Paulo,
28 de maio de 2006
Bolsa-Família é o programa
com mais foco
Comparações do Banco Mundial
mostram que 73% dos benefícios se destinam a pessoas que estão
entre as 20% mais pobres do país - Pesquisadores elogiam alcance
do programa, mas apontam necessidade de conectar atendidos ao mercado
de trabalho
ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO
Estudo do Banco Mundial mostra que, em
termos quantitativos, não há dúvida: o Brasil tem
o mais amplo e bem focalizado programa de transferência de renda
da América Latina. Mas, em termos qualitativos, temos algo a
aprender com alguns vizinhos, como o Chile, que criou um programa que
dá atenção especializada para ajudar os beneficiados
a ingressar no mercado de trabalho.
A partir de dois relatórios produzidos
pelo Banco Mundial e dos dados recentes da Pnad, pesquisa anual do IBGE,
foi possível comparar o percentual dos benefícios que
chegam aos mais pobres em sete programas similares da região.
Apesar de deixar de fora de todos os seus programas de transferência
de renda, segundo a Pnad de 2004, quase a metade da população
que vive com menos de um quarto de salário mínimo per
capita, o Brasil aparece com o maior percentual de benefícios
(73%) do Bolsa-Família chegando efetivamente aos 20% mais pobres.
Em seguida aparecem Chile (58%), Nicarágua (55%), Honduras (43%),
República Dominicana (35%), México (32%) e Argentina (32%).
Mais famílias
O Brasil tem também o programa
que atende ao maior número de famílias. Em 2005, eram
8,7 milhões. O segundo maior programa é o mexicano, chamado
Oportunidades, com 5 milhões de famílias. Kathy Lindert,
coordenadora setorial do departamento de desenvolvimento humano do Banco
Mundial, lembra que a boa focalização do Bolsa-Família
não é regra entre os benefícios do Estado brasileiro.
"O resultado do Bolsa-Família
é impressionante. Outros programas no Brasil também são
razoavelmente bem focalizados, como o de merenda escolar. Mas, no outro
extremo, os benefícios transferidos pela previdência são
altamente regressivos, com 55% deles indo para os 20% mais ricos."
No que diz respeito à inserção no mercado de trabalho,
Lindert afirma que já há experiências no mundo que
tentam "conectar" melhor os pobres ao emprego: "Iniciativas
que conectem os beneficiários dos programas a serviços
de intermediação para emprego ajudam a tornar esses beneficiários
independentes".
Para Luis Mora, consultor do Fundo
das Nações Unidas para a População no México,
a dificuldade que apresentam os países da América Latina
para fazer esse ingresso no mercado tem a ver com a visão predominante
na região de tentar promover uma "proteção
social". "A principal dificuldade de todos esses programas
é conseguir tirar o foco do "alívio da pobreza"
para a "erradicação da pobreza'", afirma Mora.
Para Claudio Santibanez, ex-coordenador do programa Chile Solidário,
essa tarefa não é fácil. "A idéia do
Chile Solidário foi justamente promover as famílias a
uma situação de independência com condições
mínimas de vida", diz Santibanez.
|
Folha
de São Paulo, 29 de maio de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Lula reserva R$ 890 mi para habitação
e favorece aliados
Maior parte dos recursos deve ir para prefeituras
comandadas por partidos pró-governo - Valor, reservado em apenas
um dia, é mais que o dobro do aplicado no passado em moradia popular
e urbanização de favelas
MARTA SALOMON, LUCIANA CONSTANTINO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Numa operação marcada pela
pressa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reservou, em pleno
ano eleitoral, R$ 890 milhões para gastos extras em habitação,
sendo a maior parte (R$ 840 milhões) em programas de urbanização
de favelas e o restante na construção de moradias de baixa
renda. A maior parte da verba vai para municípios governados
por partidos aliados a Lula. Objeto de uma autorização
de despesa extraordinária no Orçamento, criada por medida
provisória, o dinheiro já havia dado o primeiro passo
na direção do gasto -o chamado empenho- antes mesmo da
aprovação da MP pelo Congresso. A maior parte dos recursos
foi comprometida com obras em apenas um dia.
O elo entre a pressa e o calendário
eleitoral é claro. "É importante que prefeitos e
governadores se apressem, pois a Lei Eleitoral restringe repasses de
recursos federais após o dia 30 de junho", disse o ministro
das Cidades, Marcio Fortes, em mensagem publicada no endereço
eletrônico da pasta. Nessa mensagem, Fortes cobra que municípios
e Estados que tiveram projetos selecionados apresentem logo a documentação
necessária na Caixa Econômica Federal. Os contratos devem
ser assinados até 16 de junho. O dinheiro só pode ser
liberado após a vistoria das obras, mas a lei não proíbe
repasses aos contratos assinados antes da data-limite.
O Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social, de onde sairão os recursos, foi criado em
2005. Mas as suas duas principais ações -urbanização
de favelas e construção de moradias para pobres- já
existiam e receberam R$ 368,3 milhões no ano passado. Ou seja,
em um ano, menos da metade do valor comprometido num único dia.
Os R$ 890 milhões chamam a atenção mesmo se comparados
com os valores do maior programa social do governo Lula. O crédito
extraordinário para a área de habitação
representa pouco mais de um terço do total comprometido até
a semana passada com o Bolsa-Família (R$ 2,5 bilhões).
É também mais que o dobro das verbas para a manutenção
das rodovias federais (R$ 405,1 milhões).
Aliados
Dados registrados no Siafi (sistema de
acompanhamento de gastos federais) mostram que 101 cidades vão
receber mais de R$ 1 milhão do Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social. Os repasses para esse grupo somam R$ 808 milhões
dos R$ 890 milhões do fundo. A maior parte do dinheiro será
destinada a cidades governadas por políticos de partidos aliados
ao governo Lula.
Considerando o PMDB um aliado (tem cargos
no governo), 63% dos recursos vão para 60 municípios governados
por aliados. Esse percentual cai para 52,5% sem os peemedebistas -o
partido tem governistas e oposicionistas. Já os partidos da oposição,
que governam 32 cidades, ficam com 25% do total. O restante é
administrado por partidos que oscilam entre oposição e
situação.
Votações obstruídas
O suposto favorecimento atrapalhou as
votações no Senado de medidas provisórias que tratavam
de gastos extras para outras áreas. O senador Antonio Carlos
Magalhães (PFL-BA) comandou a obstrução. "Não
venham dizer que a pressa é ditada por exigências legais,
face ao calendário eleitoral", reclamou. "O que o governo
faz agora é um acinte." O Ministério das Cidades
nega favorecimento. Diz que a distribuição dos recursos
obedeceu a critérios de seleção de propostas encaminhadas
por prefeitos e governadores. Entre os critérios considerados
estão o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e a falta
de moradias apropriadas.
A Folha consultou a lista de municípios
atendidos e encontrou uma matemática peculiar na seleção.
Fortaleza (CE), governada pelo PT, por exemplo, é o terceiro
na lista dos que mais devem receber recursos -R$ 30,736 milhões.
Mas ocupa o 50º lugar no ranking de desenvolvimento humano dos
municípios escolhidos e está longe de atender ao maior
número de famílias. Há outras 17 cidades com mais
que 1.760 famílias a serem beneficiadas. Belém (PA), administrada
pelo PTB, é a segunda cidade que mais receberá dinheiro
do fundo (R$ 33,459 milhões), embora esteja em 46º lugar
no ranking dos municípios menos desenvolvidos. O número
de famílias atendidas em Belém é menor do que o
de outras 12 cidades selecionadas.
Lula faturou politicamente o programa
de habitação em solenidade no Palácio do Planalto,
no início de fevereiro. Em seu discurso, Lula disse que dava
prioridade "ao setor mais humilhado da sociedade, aquele que mora
nas piores condições, a começar por aqueles que
moram em situação degradante, em palafitas espalhadas
por este país afora". NA INTERNET - Dados da liberação
no site do Ministério das Cidades.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de maio de 2006 | Economia
Valorização do real aumentou
custo do trabalho em 2005
Nos últimos três anos, o custo
do trabalho em dólar aumentou em 60%, o que afeta negativamente
a competitividade dos produtos brasileiros no cenário externo
Carolina Ruhman
SÃO PAULO - Estudo realizado pela
Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou
que o custo unitário em dólares da mão-de-obra
industrial disparou 33,7% em 2005. Os principais responsáveis
pelo aumento do índice foram a valorização do real
ante a moeda norte-americana, a alta de 1,1% do custo real médio
com salários, e a queda de 1,4% da produtividade do trabalho.
De acordo com a pesquisa, divulgada nesta sexta-feira, o custo do trabalho
cresceu no ano passado, em reais, 2,5% - o primeiro aumento no qüinqüênio
2001-2005.
Somente nos últimos três
anos, o custo unitário do trabalho em dólar teve um acréscimo
de 60%, o que afeta negativamente a competitividade dos produtos brasileiros
no cenário externo. Na avaliação da CNI, para compensar
a desvantagem, "as empresas deverão empreender um esforço
ainda maior na busca pelo aumento da produtividade e/ou redução
do custo real com salários".
O índice da entidade é
medido como o custo com mão-de-obra para produzir uma unidade
do produto, e é utilizado para analisar a evolução
da competitividade da indústria em diferentes países.
O custo do trabalho é determinante para o aumento do custo de
produção e afeta, assim, o preço final das mercadorias.
"Supondo-se que os demais custos de produção permaneçam
inalterados, o aumento do custo do trabalho eleva o custo de se produzir
no Brasil em relação a outros países", explicou
a CNI.
A longo prazo, além da valorização
do real, o que mais preocupa a indústria no aumento do custo
de produção é a redução de produtividade
do trabalho, que foi de 1,4% no ano passado. No acumulado dos últimos
cinco anos, a produtividade da indústria brasileira cresceu apenas
3,4%. "Esse fraco desempenho corrói o ganho acumulado na
década de 90 e compromete o vigor das exportações
no futuro", afirmou o estudo.
|
O VALOR ONLINE/ RIO DE JANEIRO,
29 de maio de 2006 | Economia
IBGE verifica aumento da renda do trabalhador
em abril
RIO - O rendimento médio real
habitualmente recebido pelas pessoas ocupadas ficou em R$ 1. Em comparação
com abril do ano passado, houve aumento de 4,7% segundo informou o IBGE.
Relativamente a março, das seis
regiões metropolitanas pesquisadas, três apresentaram alta
no rendimento: Recife (0,9%), Belo Horizonte (1,4%) e São Paulo
(1,5%).
Em contrapartida, Rio de Janeiro e Porto
Alegre apuram queda no poder de compra do trabalhador, de 1% e 0,7%,
respectivamente.
Nesse confronto, os trabalhadores com
carteira de trabalho assinada no setor privado tiveram incremento de
1% no rendimento médio, para R$ 1.
026,90.
Os empregados sem carteira de trabalho
assinada no setor privado viram elevação de 1,6%, para
R$ 656,90.
Os trabalhadores por conta própria
ficaram com rendimento 2,1% menor, de R$ 805,60.
Em comparação a abril de
2005, houve recuperação de 5,3% no rendimento dos trabalhadores
com carteira assinada.
Os trabalhadores sem carteira ficaram
com renda 5,5% maior e os trabalhadores por conta própria tiveram
aumento de 5,7%.
O rendimento médio subiu em todas
as seis regiões pesquisadas no confronto de abril último
com igual período de 2005: Recife (6,4%), Salvador (2%), Belo
Horizonte (2,1%), Rio de Janeiro (2,4%), São Paulo (7,5%) e Porto
Alegre (4,1%).
|
GAZETA DE LIMEIRA, 29 de
maio de 2006 | Trabalho
Mais de 5 mil procuram emprego
por mês no PAT
O Posto de Atendimento ao Trabalhador
(PAT) recebe por mês uma média de 5,4 mil pessoas. A maioria
busca emprego e a minoria outros serviços como pedido de seguro
desemprego. Por dia, em torno de 180 pessoas se dirigem ao PAT com a
intenção de conseguir, pelo menos, uma entrevista de trabalho.
Diariamente profissionais são
encaminhados para realização de seleção
em empresas, mas os índices de desemprego apontados no último
mês pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
do Ministério do Trabalho (MT) expõe o problema que a
cidade tem vivido com relação ao déficit de vagas
disponíveis.
Conforme os dados do Caged, no mês
de abril, quando a última estatística foi divulgada, foram
abertos 183 postos de trabalho na cidade (ocorreram 2.147 admissões
e 1.964 dispensas).
Isso mostra o grande obstáculo
que o trabalhador tem enfrentado no mercado para obter sucesso quando
o assunto é emprego. Na tentativa de aumentar o índice
de empregabilidade, o PAT está promovendo o recadastramento dos
profissionais para atender aos novos critérios de atendimento
estabelecidos pelo Estado. Trata-se da informatização
do sistema.
Com a medida, os trabalhadores estão
sendo novamente avaliados e todas as informações referentes
ao seu potencial, grau de escolaridade, aperfeiçoamentos, entre
muitos outros quesitos estão sendo incluídos numa ficha
que ficará armazenada no banco de dados da entidade.
Na opinião de Alan Silva, coordenador
do PAT, o investimento em softwares feito pelo governo do Estado contribuirá
no encaminhamento desses trabalhadores. “Isso é importante
porque saberemos agora, ao certo, quando o profissional tem o perfil
adequado para aquela vaga. Com isso, ele não perde tempo”,
explica.
Desde que o Posto foi informatizado,
há um mês, cerca de 1,3 mil pessoas compareceram à
sede para realizar o recadastramento ou o cadastramento.
Essa nova fase do PAT mostrou, conforme
Silva, a incidência de migrantes em Limeira. Ele contou que uma
grande quantidade de pessoas da Bahia, Paraná, Minas Gerais e
outros estados brasileiros procurou a repartição para
apresentação de dados na tentativa de conseguir emprego.
O antigo banco de dados da instituição
possui 67 mil nomes, por isso, agora, os profissionais devem procurá-la
para atualização das informações. O coordenador
disse que a população não precisa ter pressa. (BL)
|
JORNAL O GLOBO, 29 de maio
de 2006 | Economia
Luz amarela nas exportações
Henrique Gomes Batista e Eliane Oliveira
BRASÍLIA
O grande volume de dólares que
ingressaram no país devido às exportações
está mascarando sérios problemas do comércio exterior:
898 empresas deixaram de exportar no último quadrimestre, 52,2%
das vendas estão concentradas em 69 grandes empresas —
que ameaçam não renovar seus contratos de exportação
por estarem perdendo rentabilidade — e o volume de mercadorias
embarcadas caiu 11,12% em abril. Isso significa que o aumento de 6,54%
na receita exportada em relação ao mesmo mês do
ano passado foi causado apenas pela alta nos preços das commodities
. Este cenário, marcado pela forte valorização
do real em relação ao dólar nos últimos
meses, já faz alguns especialistas acreditarem que o Brasil não
vai alcançar a meta de exportar US$ 132 bilhões em 2006.
As projeções giram em torno de US$ 120 bilhões.
— Quem é grande está
aumentando a exportação, enquanto os pequenos estão
saindo. E isso está acontecendo por causa do câmbio —
afirma o vice-presidente da Associação de Comércio
Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.
AEB: câmbio afeta mais manufaturados
As grandes empresas, que venderam mais
de US$ 100 milhões nos primeiros quatro meses do ano, responderam
por 52,2% do total dos dólares que entraram no Brasil devido
às vendas externas. Esse percentual foi de 45,79% no primeiro
quadrimestre de 2005 e era de apenas 32,30% em 2002, segundo o Ministério
do Desenvolvimento.
O número de grandes empresas que
negociam mais de US$ 100 milhões por quadrimestre também
cresceu, comprovando a concentração das vendas externas:
foram 69 neste ano, contra 55 em 2005 e 23 em 2002. Essa concentração
tende a ser prejudicial, uma vez que as empresas começam a planejar
a não-renovação de contratos no exterior, o que
pode afetar o total das vendas brasileiras, o superávit da balança
comercial e até mesmo o crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB, o conjunto de riquezas geradas pelo país) brasileiro.
— Diversas empresas estão
dizendo que não pretendem renovar seus contratos. Quando me perguntam
o que acho, respondo: resistam o máximo que puderem, pois é
ainda mais difícil voltar ao mercado — conta o vice-presidente
da AEB.
Segundo Castro, os produtos mais afetados
pelo câmbio são os manufaturados, que não têm
cotação em bolsa, como ocorre com as commodities . Ele
chama a atenção para a queda, nas últimas semanas,
da média diária exportada, que está em cerca de
US$ 475 milhões, quando o ideal para se alcançar a meta
de US$ 132 bilhões seria uma média de US$ 552 milhões.
— Se projetarmos as vendas externas
para os números de hoje, o total exportado em 2006 seria de US$
120 bilhões — diz Castro.
Os dados de abril do Ministério
do Desenvolvimento confirmam esses movimentos. No primeiro quadrimestre
do ano passado, 13.373 empresas exportaram, número que caiu para
12.475 no mesmo período de 2006. Esta foi a primeira queda na
década: o total de firmas exportadoras se igualou ao do primeiro
quadrimestre de 2003.
O economista Fábio Silveira, da
RC Consultores, destaca que a perda de rentabilidade tem como componente,
além da valorização do real, o aumento do custo
da mão-de-obra. Os salários foram reajustados em reais
e o preço do produto, em dólar, está mais baixo.
Sua estimativa de exportações para 2006 é de US$
125 bilhões.
— É isso o que está
tirando muita gente do mercado. Há produtos com preços
elevados, como minério de ferro, petróleo, café,
açúcar, madeira, papel e celulose. Por essa razão,
o quadro não está pior — afirma Silveira.
A Confederação Nacional
da Indústria (CNI) alerta para o risco de uma queda nos valores
das commodities — que estão sustentando parte das exportações
— o que agravaria o cenário.
— Os preços médios
dos produtos brasileiros estão 12% maiores do que no ano passado,
mas estamos em um momento muito confuso, não sabemos o comportamento
futuro desses preços, depende muito da demanda externa —
afirma Paulo Mol, economista da CNI, lembrando que sinais mais claros
do mercado só serão conhecidos em algumas semanas.
‘Classe média compra
mais importados’
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento
Industrial (Iedi) também segue essa avaliação e
lembra que apenas três produtos (petróleo e derivados,
minério de ferro e soja em grão) são responsáveis
por mais da metade (51,5%) do aumento de US$ 33,6 bilhões para
US$ 39,2 bilhões — mais US$ 5,5 bilhões —
das exportações este ano e que isso se deve ao valor das
commodities , que tendem a sofrer com a alta volatilidade do mercado
global.
Guilherme Loureiro, economista da consultoria
Tendências, destaca que as exportações tiveram um
bom desempenho no ano passado e continuam tendo em 2006 graças
à demanda mundial. Em sua opinião, as importações
deverão crescer a taxas maiores este ano, com a aceleração
da atividade econômica. Ele prevê um total exportado em
2006 de US$ 129,8 bilhões.
— É natural a piora da rentabilidade
das exportações, mas não se pode dizer que o câmbio
está desequilibrado. Mesmo porque quem mais está se favorecendo
com o real valorizado é a classe média, que compra produtos
importados mais baratos — pondera Loureiro.
|
DIÁRIO ONLINE / ABC
PAULISTA, 29 de maio de 2006 | Economia
Greves nas indústrias: 35% por
PLR
William Glauber
Do Diário do Grande ABC
A maior parte das greves dos trabalhadores
da indústria brasileira eclodiu por PLR (Participação
nos Lucros ou Resultados). Pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Socioeconômicos) revela que, em
2005, 26 paralisações no chão de fábrica
– 35% das 74 greves registradas na indústria – reivindicaram
o benefício, à frente das 21 paradas por reajuste salarial,
equivalentes a 28%.
O ranking da indústria difere
da lista geral das pautas das 299 greves ocorridas no país ao
longo do ano passado. Entre as 16 reivindicações elencadas
pela pesquisa do Dieese, PLR aparece apenas em sexto lugar, com 37 greves
realizadas (12%), atrás de reajuste salarial, plano de cargos,
alimentação, condições de trabalho e atraso
de salário.
O expoente do movimento grevista por
PLR foram os 25 dias de braços cruzados na Volkswagen, em São
Bernardo, encerrados após decisão na Justiça do
Trabalho. Boa parte das greves na indústria aconteceu apenas
durante um dia. O estudo aponta também greves na Mercedes-Benz
e General Motors, no Grande ABC, como exemplos de organização
e solidariedade.
No ano passado, 52 paralisações
aconteceram na metalurgia, o que corresponde a 70% das greves em fábricas.
Em seguida, estão 15 greves (20%) na indústria da construção
civil e do mobiliário. Os trabalhadores de alimentação,
de vidro, químicos e farmacêuticos responderam por sete
paralisações (10%).
Amadurecimento –
O diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, explica
que as categorias e o movimento sindical asseguraram na indústria
padrão de negociação que garante recuperação
do salário na data-base. Segundo Lúcio, as discussões
por reajuste salarial estão mais consolidadas porque há
controle da inflação, crescimento econômico e melhores
resultados das empresas.
Dessa forma, os trabalhadores recorrem
às negociações por PLR para garantir também
parte dos lucros e, assim, conquistar mais rendimentos. “Os ganhos
diferenciados dos trabalhadores serão conquistados caso a caso
na disputa pela participação”, diz Lúcio.
Segundo o pesquisador, o condicionamento
de PLR a metas motivou diversos movimentos grevistas na indústria
brasileira. “A conquista de PLR cria expectativas. Às vezes,
uma meta não é alcançada, e o ganho do trabalhador
não se confirma.” Esse modelo de greve, segundo classificação
do Dieese, enquadra-se como defensiva.
Lúcio destaca, no entanto, que
nos últimos dois anos houve mudança qualitativa no perfil
das paralisações, por atuarem com caráter propositivo.
“As empresas têm bons resultados, e os trabalhadores lutam,
com propostas, pela participação”, destaca. Em 2005,
70% das greves apresentaram alternativas ao setor patronal.
Participação –
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (filiado à
CUT), José Lopez Feijóo, aponta a mesma justificativa
de Lúcio para explicar as paralisações por PLR
na indústria. “Estamos com boas campanhas salariais, que
não necessitam de greve. Em quatro anos, nossa categoria conquistou
11,5% de aumento real. Mas, por PLR, tivemos lutas e pequenas paralisações.”
Feijóo diz, no entanto, que o
caso mais longo foi a negociação da PLR com a Volks. “A
grande paralisação foi na montadora por conta de uma postura
radical da empresa”, critica. “O valor ficou aquém
do que queríamos, mas acima do apresentado pela Volks.”
A Justiça determinou PLR de R$ 4.750. Em 2005, o benefício
injetou R$ 250 milhões na economia do Grande ABC.
Protesto – Liderados
pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano (filiado
à Força Sindical), 2 mil empregados da GM ocuparam a avenida
Goiás em 18 de maio do ano passado contra PDV (Programa de Demissões
Voluntárias) e para criticar a política econômica
do governo federal. O presidente da entidade, Aparecido Inácio
da Silva, o Cidão, conta que o movimento reverteu o programa.
“Não acatamos o PDV e buscamos saída com a GM. Negociamos
banco de horas e evitamos dispensas.”
|
JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
29 de maio de 2006 | Economia
Empréstimo a aposentado pode ter
juros bem mais baixos
BRASÍLIA - Ao participar hoje
cerimônia de encerramento da 1ª Conferência Nacional
dos Direitos da Pessoa Idosa, o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva disse que o governo estuda a possibilidade de reduzir os juros
cobrados nos empréstimos consignados para aposentados, descontados
em folha de pagamento.
Segundo ele, os ministros do Trabalho
e Emprego, Luiz Marinho, e da Previdência Social, Nelson Machado,
analisam com representantes das centrais sindicais uma taxa que seja
compatível aos rendimentos dos aposentados.
"Os bancos podem baixar, e muito,
os juros porque a garantia é a folha de pagamento. O risco de
prejuízo é zero. Eu quero ver se nós resolvemos
isso prontamente", disse.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de maio de 2006 | Economia
VW alemã melhora indenizações
para acelerar demissões
A montadora explicou que os trabalhadores que
se decidirem logo por aceitar a indenização receberão
um prêmio
EFE
FRANKFURT, Alemanha - Com o intuito de acelerar
o corte de funcionário, o fabricante automobilístico alemão
Volkswagen melhorou sua oferta de indenizações. Nesta
sexta-feira, a companhia confirmou que enviará a 85 mil funcionários
da parte ocidental da Alemanha, amparados pelo convênio coletivo,
uma carta com as condições da nova oferta. Não
foram anunciados, porém, quantos cortes serão feitos.
A montadora explicou que os trabalhadores
que se decidirem logo por aceitar a indenização receberão
um prêmio. O jornal Hannoversche Allgemeine Zeitung informou em
sua edição desta sexta-feira que a Volkswagen melhorou
notavelmente sua oferta de indenizações, que poderia chegar
a um máximo de 250 mil euros (US$ 320 mil) no caso de pessoas
que trabalharam muitos anos na empresa.
Em meados de fevereiro, o maior fabricante
automobilístico da Europa anunciou um programa de reestruturação
"de profundo alcance", que afetará até 20 mil
trabalhadores do grupo na Alemanha nos próximos três anos
- um de cada cinco empregados.
O atual convênio coletivo da Volkswagen
impede demissões forçosas até o fim de 2011. Segundo
disse o representante de pessoal da marca Skoda, Martin Jahn, esta filial
da Volkswagen também estuda cortes de empregos em algumas áreas
fora da Alemanha, que poderiam afetar 2.800 trabalhadores de logística,
mas não da produção.
A Skoda analisa agora os custos para
aumentar os rendimentos sobre os recursos próprios dos atuais
7,5% para 9%.
Brasil
Segundo sindicatos, no Brasil estão
previstas 6 mil demissões para os próximos dois anos.
O dado não foi confirmado pela montadora.
A companhia possui cinco plantas
no País - São Bernardo do Campo, Taubaté e São
Carlos, em São Paulo; Resende, no Rio de Janeiro, e a de São
José dos Pinhais, no Paraná. Nesta última, o processo
de desligamentos já foi iniciado.
|
CONSULTOR JURÍDICO,
29 de maio de 2006
Volta ao trabalho
Aposentadoria por invalidez não
extingue contrato
por Adriana Aguiar
A aposentadoria por invalidez não
extingue o contrato de trabalho mas suspende o contrato até o
retorno voluntário do trabalhador à atividade. O entendimento
é da juíza Maria Cecília Fernandes Alvares Leite
do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas).
A juíza manteve a sentença
da primeira instância que condenou a TV Aliança Paulista
de Sorocaba e a TV Globo (como solidariamente responsável) a
manter o contrato de trabalho da funcionária Débora César
Rodrigues, aposentada por invalidez em maio de 2005. A juíza
manteve o entendimento de que as empresas fazem parte de um grupo econômico,
já que João Roberto Marinho era sócio das duas
TVs. Por isso devem responder juntas pelas obrigações
trabalhistas.
A aposentadoria por invalidez não
é concedida em caráter irrevogável, de acordo com
a juíza, porque a incapacidade de trabalho pode deixar de existir.
Para Maria Cecília, o artigo 46 da lei 8.213/91 diz que o aposentado
por invalidez ao retornar voluntariamente ao trabalho tem a sua aposentadoria
automaticamente cancelada a partir da data do retorno ao trabalho.
Também manteve o entendimento
de que a empregada acidentada tem direito à complementação
integral entre o valor do salário, como se estivesse trabalhando,
e o valor do benefício pago ao INSS, enquanto durar o afastamento.
Quanto às horas extras, a juíza
também manteve a condenação. Segundo ela, o parágrafo
2° do artigo 74 da CLT impõe que a empresa que tem mais de
dez funcionários, é obrigada a registrar a hora de entrada
e saída, de forma manual, mecânica ou eletrônica.
Para Maria Cecília, como a TV Aliança não apresentou
nenhuma destas provas, o que vale é a jornada de trabalho alegada
pelos funcionários. Além disso condenou as empresas ao
pagamento das horas intrajornadas trabalhadas, já que a sua ausência
pode causar danos à saúde do empregado e viola o artigo
71 da CLT.
Processo: 02500.2003.003.15.00-4 RO
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
29 de maio de 2006
Dano moral no trabalho pode ter valor
mínimo de dez vezes o valor do salário
Roseli Ribeiro
O Projeto de Lei 2.369/2003, do deputado
Mauro Passos (PT-SC), em tramitação na Câmara dos
Deputados, pretende inovar a legislação trabalhista, tipificando
a conduta caracterizadora de assédio moral nas empresas.
Segundo a redação proposta,
a intenção é transformar o assédio moral
em ilícito trabalhista. A pena indenizatória terá
o valor mínimo equivalente a dez vezes a remuneração
do empregado, sendo calculada em dobro em caso de reincidência.
O projeto pretende definir assédio
moral afirmando que o mesmo consiste “no constrangimento do trabalhador
por seus superiores hierárquicos ou colegas, através de
atos repetitivos, tendo como objetivo, deliberado ou não, ou
como efeito, a degradação das relações de
trabalho e que: atente contra sua dignidade ou seus direitos, ou afete
sua higidez física ou mental, ou comprometa a sua carreira profissional”.
Em 28 de abril de 2005, o projeto obteve
parecer favorável do deputado Vicentinho (PT-SP), relator na
Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço
Público da Câmara, mas não foi votado ainda. Se
aprovado nesta primeira comissão, o projeto passará, em
caráter conclusivo pela apreciação da CCJ (Comissão
de Constituição e Justiça), e, se aprovado, poderá
ser encaminhado ao Senado.
A advogada Aparecida Tokumi Hashimoto,
especialista em direito do trabalho e sócia do escritório
Granadeiro Guimarães Advogados, não acredita que tipificar
a conduta seja uma boa maneira de enfrentar a questão.
Para ela, a doutrina e a jurisprudência
são capazes de identificar os atos que impliquem na conduta desabonadora,
avaliando as mudanças sociais e nas relações de
trabalho, que são muito mais dinâmicas do que a evolução
legislativa.
Maria de Fátima Zanetti Barbosa
e Santos, especialista em direito do trabalho, tem a mesma opinião:
“a conceituação do que seja assédio moral
é desnecessária.”
Os especialistas divergem sobre a criação
de um patamar mínimo para penalizar o empregador.
Sólon Cunha, advogado trabalhista
e sócio do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice
é contrário à pretensão do legislador de
tarifar o dano moral. Ele considera “um absurdo tarifar o dano
moral”. Segundo Sólon Cunha, a dor moral deve ser avaliada,
caso à caso, não podendo se partir de uma pena mínima,
como pretende o legislador.
André Horta Veneziano, professor
de direito do trabalho no Complexo Jurídico Damásio de
Jesus, pondera que o próprio cálculo da respectiva indenização
“corresponde a uma das áreas em que se apresentam as maiores
dificuldades no exercício da função judicante.”
Para a indenização ser
fixada são considerados vários fatores: “A posição
social ou política do ofendido, a situação econômica
do ofensor, a intensidade do ânimo de ofender, a gravidade e repercussão
da ofensa”, afirma Veneziano.
Segundo o especialista, um patamar mínimo
pode “produzir enriquecimento ou empobrecimento sem causa das
partes, seja por deixar de compensar adequadamente o mal sofrido, seja
por agregar ganhos financeiros superiores a uma compensação
razoável.”
A advogada Aparecida Hashimoto acredita
que a medida possa ser “salutar", pois, "muitas vezes,
é feita a fixação de indenização
em valor irrisório, que não chega a reparar o sofrimento
suportado pelo empregado”.
Maria de Fátima Zanetti Barbosa
e Santos concorda que a fixação de um valor mínimo
pode “inibir a conduta de prepostos de forma a não configurar
essa falta.”
De acordo com ela, “deixar ao critério
subjetivo do juiz pode implicar em penas mínimas que não
sejam capazes de incentivar aos empregadores em fiscalizar os atos de
seus prepostos.”
Além de fixar o conceito do ato
de assédio moral na relações trabalhistas e fixar
uma pena mínima, o projeto d lei procura obrigar empregador a
tomar providências para evitar e prevenir o assédio moral
nas relações de trabalho. Essas medidas devem ser educativas
e disciplinadoras.
Algumas empresas já realizam palestras
sobre o tema para os funcionários e editam códigos de
comportamento, com regras de educação. Até porque,
essas atitudes educativas são balizadas pelo juiz no momento
de fixação de pena em caso de eventual condenação
do empregador.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de maio de 2006 | Brasil
DANOS MORAIS
Cliente de mercado recebe indenização
por escorregar no piso molhado
R$ 5 mil é o valor que um cliente que escorregou no piso molhado
de uma das unidades supermercado Carrefour, no Rio de Janeiro, vai receber
de indenização por danos morais. José Moreira fazia
compras quando se desequilibrou e sofreu uma queda que lhe causou contusões
no nariz e no braço e joelho esquerdos. Por causa do acidente,
ele sofreu incapacidade total e temporária para o exercício
de suas atividades habituais pelo período de 12 dias, o que levou
o juiz Maurício Chaves de Souza Lima, da 2.ª Vara Cível
de Bangu, a fixar a indenização por danos materiais em
R$ 128,33, equivalente a onze trinta avos do salário mínimo,
e ao pagamento de R$ 5 mil. O supermercado não apresentou defesa
no processo.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de maio de 2006 | Brasil
PESQUISA-Catolicismo ainda é a religião
predominante no Brasil, mas pentecostais ganham força nas periferias
Um país de capitais católicas
Curitiba – As capitais brasileiras contam com uma população
predominantemente católica, que habita os bairros mais centrais
das cidades. O segundo grupo religioso mais importante, os evangélicos,
ganha fiéis em ritmo acelerado e sua penetração
cresce em sentido aos bairros mais afastados e cidades das regiões
metropolitanas. Essas conclusões estão no livro Religião
e Sociedade em Capitais Brasileiras (PUC/RJ e Loyola), dos pesquisadores
César Romero Jacob, Dora Rodrigues Hees, Philippe Waniez e Violette
Brustlein.
O estudo mapeia a religiosidade dos habitantes
das 19 capitais mais populosas do Brasil. Segundo César Romero,
chefe do departamento de Comunicação da PUC-RJ e coordenador
do projeto, o livro tem como mérito mostrar as características
comuns da religiosidade do brasileiro ao mesmo tempo em que evidencia
as particularidades de cada cidade.
Curitiba, que aparece como a nona capital em porcentual de católicos
nas capitais brasileiras, com 70% da população declaradamente
seguidora da Igreja Romana, também apresenta concentração
de fiéis nos bairros centrais, como Água Verde e Batel.
Mas o maior índice de católicos da Grande Curitiba está
nos municípios de São José dos Pinhais e Araucária.
“Até 88% da população se declara católica
nessas cidades”, explica Romero.
Para o professor de Teologia da PUC-PR,
Mário Betiato, a forte presença de colônias italianas
e polonesas nas duas cidades pode explicar a pouca representatividade
das religiões pentecostais nesses dois municípios. “São
etnias tradicionalmente católicas.”
Por outro lado, em bairros mais afastados
do centro, especialmente, os da parte norte da capital, como Abranches
e Santa Cândida, os pentecostais chegam a 20% da população.
O mesmo ocorre com os municípios
de Almirante Tamandaré e Colombo, localizado ao norte de Curitiba,
que contam com Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) –
indicador que mensura a qualidade de vida nos municípios –,
piores que os de São José dos Pinhais e Araucária.
“Em geral, as igrejas pentecostais têm um discurso mais
próximo das camadas mais humildes. Os evengélicos tradicionais
e os católicos têm um rito um pouco mais complicado que
pode dificultar a compreensão do culto”, diz Paulo Roberto
Quentino, pastor e secretário-executivo da Conveção
Brasileiras das Igrejas Evangélicas Irmãos Menonitas.
Dentre os evangélicos pentecostais,
os fiéis da Igreja Assembléia de Deus chegam a 4% da população,
seguidos pelo Evangelho Quadrangular, que conta com 3,2% dos curitibanos,
a Congregação Cristã, com 2,9% e a Igreja Universal
do Reino de Deus, com 1,6%.
“A localização da
Congregação Cristã no mapa também revela
uma particularidade em Curitiba. Esses fiés estão concentrados
praticamente em dois bairros: São Miguel e CIC”, ressalta
Romero.
Já entre os chamados evangélicos
de missão, o grupo mais expressivo na capital paranaense é
o dos batistas, com 1,3% da população. Mas, de acordo
com o coordenador do estudo, chama a atenção a forte presença
de luteranos. “Esse grupo aparece mais em Curitiba do que a média
das outras cidades e está basicamente localizado nas regiões
centrais.”
O livro também revela que a presença
de judeus, muçulmanos, e de fiéis de religisões
afro-brasileiras é pouco significativa. “O que pode acontecer
é que a pessoa freqüente a umbanda e o candomblé,
mas ao responder a pesquisa, diz ser católico. Esse foi um fator
que verificamos em Salvador por exemplo, onde muita pouca gente se assumiu
como umbandista, por exemplo”
Os habitantes da Grande Curitiba
que declararam não ter religião não alcançam
6%, um dos menores porcentuais das capitais brasileiras.
Guilherme Voitch

|
JORNAL GAZETA DO POVO, 29
de maio de 2006 | Brasil
LUTERANOS
“Nosso círculo de
amizade se formou ao redor da Igreja”
Curitiba – A gaúcha Elizabeth Horst, 54 anos, há
dez morando em Curitiba, explica sua presença na cidade pela
fé na Igreja Luterana. Há mais de 20 anos, ela deixou
Santo Ângelo (RS), sua cidade natal, para morar na capital paranaense,
acompanhando o marido que tinha arranjado emprego.
Casados na Igreja Luterana em Santo Ângelo,
ela e o marido procuraram pela religião em Curitiba. Passaram
a freqüentar o culto na Comunidade do Redentor, uma das mais antigas
igrejas da cidade, no centro.
Além das orações,
fizeram amigos. “Nosso círculo de amizade se formou ao
redor da Igreja”, explica.
Em 1984, o casal voltou para o Rio Grande
do Sul, mas ficou a vontade de continuar em Curitiba. “Queríamos
que as crianças crescessem aqui”, diz. Em 1996, eles voltaram
para a capital paranaense e o desejo de Elizabeth se concretizou. Desde
então ela trabalha no colégio Martinus, ao lado da Comunidade
do Redentor, reencontrou os amigos, voltou a freqüentar a Comunidade
do Redentor e viu os dois filhos se destacaram atuando no grupo de jovens
luteranos.
De acordo com o livro Religião
e Sociedade em Capitais Brasileiras, 0,7% dos curitibanos são
luteranos. (GV)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
28 de maio de 2006
Novas questões sobre unicidade
sindical e medidas judiciais
Edésio Passos
Em três edições
sucessivas deste caderno, comentamos pontos relativos à unicidade
sindical, decisões judiciais e administrativas, além das
controvérsias nascidas dos conflitos entre segmentos sindicais
específicos. Nossa análise se dirigiu a apontar as contradições
e controvérsias nascidas a partir da Constituição
Federal de 1988, quando se definiu a autonomia e liberdade sindical
nos termos do artigo 8.º daquela Carta. A partir de então,
com a liberdade de fundação de entidade sindical, os conflitos
foram se acentuando, obrigando às partes a ingressar com medidas
judiciais, resultando em importantes decisões do Judiciário
sobre a matéria, inclusive do Supremo Tribunal Federal, já
analisadas. Eis novas observações sobre os pontos destacados
nos textos anteriores, na seqüência dos acontecimentos.
Desmembramento da CNTI: Dentre esses pontos, destacamos
a Ação Cautelar Inominada ajuizada pela CNTI contra a
Comissão Pró-Fundação da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Construção,
da Madeira e Assemelhados, comentando o despacho do juiz da 47.ª
Vara do Trabalho de São Paulo, concedendo parcialmente a liminar
requerida, quando foi destacado que: “Trata-se de ação
cautelar inominada, com pedido de liminar, inaudita altera parte, em
que os requerentes requerem a sustação da reunião
marcada para o dia 7 (sete) de abril de 2006, alegando nulidades no
edital de convocação, tais como: 01 - descumprimento do
art. 53, caput, da CLT. 02 - reunião em local não apropriado.
03 - denominação em desacordo com a lei. 04 - expressão
imprecisa na denominação. 05 - assembléia com “qualquer
número de presentes”. 06 - falta de quorum para votação.
07 - participação de sindicatos. 08 - falta de decisão
da maioria. Relatados. Decide-se. A ação proposta visa
a sustação da reunião marcada para o dia sete de
abril do corrente ano, alegando que a criação de nova
Confederação fere ao já deliberado em reunião
das Federações interessadas, as quais se declararam contrárias
à formação de nova Confederação e
aponta irregularidades no Edital de Convocação. Tais questões,
em realidade, são matérias que envolvem o próprio
mérito, o qual deverá ser apreciado no momento oportuno.
Todavia, diante da situação exposta na inicial, por ora
acolho parcialmente a liminar requerida, “inaudita altera parte”,
apenas e tão somente para sustar os efeitos da reunião
a ser realizada dia 7 de abril de 2006, cuja realização
fica mantida até decisão final da presente demanda, nos
termos do parágrafo 7.º do art. 273, do CPC e parágrafo
3.º do art. 461 do CPC. Cite-se a Requerida para que, querendo,
apresente sua contestação no prazo legal. Expeça-se
mandado de citação com a máxima urgência.
Ciência ao Requerente. São Paulo, 04.04.2006. Eduardo Ranulssi,
Juiz do Trabalho” (autos 00274.2006.047.02.00.5).
Criação de Confederação: Na oportunidade,
segundo relatou Geraldo Ramthun, dirigente da CNTI e presidente da Federação
dos Trabalhadores na Indústria da Construção e
do Mobiliário do Estado do Paraná, embora mais de 2/3
das Federações dos setores profissionais envolvidos tivesse
comparecido a assembléia de fundação da nova Confederação,
foram impedidas de ingressar no recinto da reunião, face a presença
de força militar e de segurança privada convocada e contratada
pelos interessados na assembléia. Esclareceu que as entidades
sindicais realizaram, defronte o local da assembléia, assembléia
para debater a matéria e, a unanimidade, rejeitaram a fundação
da nova Confederação. Mesmo assim, quer diante da cautelar,
quer com a assembléia da maioria rejeitando a criação
da nova entidade, os dirigentes de Central Única dos Trabalhadores
e da Força Sindical divulgaram comunicado, no dia seguinte, dando
por criada a nova Confederação. A controvérsia
não foi sanada pelo Ministério do Trabalho e retornou
o conflito com a mesma intensidade.
Nova assembléia: No dia 19 de maio, os integrantes
da Comissão para fundação da nova Confederação
Sindical, realizaram nova assembléia em São Paulo. Conforme
novo relato de Geraldo Ramthun, em nome do Departamento Nacional dos
Trabalhadores nas Industria da Construção e do Mobiliário
da CNTI, “chegando no endereço, as federações
encontraram forte aparato policial com suas viaturas, além de
grades de ferro impedindo a entrada. Observou-se também dezenas
de seguranças particulares no local e pessoas com credenciais
escrito de um lado CUT e do outro Força Sindical. Os representantes
das entidades apresentaram-se aos policiais e seguranças que
estavam na porta de entrada, e prontamente foram impedidos de entrar
no local. Os policiais informaram que ali era uma assembléia
dos bancários. Devido a falta de informações concretas
e o impedimento da entrada no local, as Federações decidiram
instalar a Assembléia no endereço da convocação,
porém, no lado de fora. Após lido o edital, as 12 federações
presentes, votaram por unanimidade a não fundação
da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias
da Construção, da Madeira e Assemelhados. Ao final, as
federações repudiaram a proposta de divisionismo e conclamaram
todos os dirigentes a unificar forças, para o fortalecimento
dos trabalhadores da construção e do mobiliário
e da CNTI. Repudiaram ainda, a presença de policiais e viaturas
no local, haja vista a falta de policiamento em tantos bairros da cidade
de São Paulo, como a imprensa vem noticiando. O que aconteceu
dia 7 de abril e na data de hoje, 19 de maio de 2006, é um alerta
ao movimento sindical brasileiro e será denunciado aos organismos
nacionais e internacionais. O estado de direito deve ser respeitado,
sob pena de paraquedistas de última hora, com suas idéias
atrasadas, mais com faro flexibilizante adiantado, de mãos dadas
com o capital, joguem na lata de lixo as conquistas da tão combalida
classe trabalhadora”.
Segunda liminar: No mesmo sentido anterior, a CNTI buscou nova
medida judicial perante o dr. Eduardo Ranulssi, juiz da 47.ª Vara
do Trabalho de São Paulo, que, em despacho em ação
cautelar, decidiu na mesma linha afirmativa ao assinalar: “...
também acolho parcialmente a liminar aqui requerida, “inaudita
altera parte”, apenas e tão somente para igualmente sustar
os efeitos da Assembléia designada para o dia 19 de maio de 2006,
às 10h, cuja realização fica mantida, até
decisão final da demanda, nos termos do parágrafo 7.º
do art. 273, do CPC e parágrafo 3.º do art. 461 do CPC.
Tendo-se em vista o requerido pelos autores no item de n.º 4.4
da presente Medida, expeça-se ofício ao Ministério
Público do Trabalho e Emprego em Brasília, aos cuidados
do Ilmo. Sr. Secretário das Relações do Trabalho
dando-lhe ciência da concessão parcial de liminar, tanto
neste quanto no feito autuado sob n.º 274-200-5, para os devidos
fins”.
Pluralidade sindical: No que concerne à questão
da pluralidade sindical admitida pelo Ministério do Trabalho
e Emprego analisada em nossos textos anteriores, citando a criação
de nova Confederação Nacional de Bancários, denominada
de Contraf, assim como Federações Estaduais da categoria
profissional orientadas pela Central Única dos Trabalhadores,
releva noticiar as informações da própria CUT sobre
o caminho que vem sendo trilhado rumo ao pluralismo. Eis o relato sobre
a nova Confederação, já legitimada por ato ministerial:
“...foi criada uma confederação sindical, a Contraf,
que não aglutinará somente uma ou duas categorias profissionais,
mas sim todos os que trabalham no sistema financeiro. A lógica
não é representar apenas os 400 mil, mas sim de 1,5 a
2 milhões de trabalhadores do sistema. “Há muito
tempo estamos discutindo na CUT a criação da representação
por ramo de atividade para nos contrapormos à estratégia
dos grandes grupos financeiros, que usam as mais diversas artimanhas
para reduzir direitos dos trabalhadores. Se tentam nos dividir, nos
unimos novamente numa estrutura mais ampla”, afirma Vagner Freitas,
presidente da Contraf. A confederação foi criada em janeiro,
numa assembléia realizada no Paraná, e aglutinou nove
federações, com 110 sindicatos filiados, cuja base é
composta por 360 mil trabalhadores do ramo financeiro. “Estamos
num momento histórico, em que nasce uma entidade ampla, representante
de diversos segmentos sociais. E dentro da estratégia da CUT
de ampliar a representação dos trabalhadores, enfrentando
os diversos artifícios usados pelas empresas, como terceirização
e segmentação de atividades”, conclui. Se para passar
por cima dos direitos trabalhistas os bancos se segmentam, na hora de
defender seus interesses é o contrário. Embora há
décadas exista a Federação Nacional dos Bancos
(Fenaban), recentemente surgiu a Confederação Nacional
do Sistema Financeiro (Consif), que representa bancos e empresas que,
dizem, não são bancos. Para o presidente do Sindicato
dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz
Cláudio Marcolino, a Contraf representa a consolidação
da política de contratação dos trabalhadores do
sistema financeiro nacional e o fortalecimento da categoria. “Já
fomos a primeira categoria profissional a conseguir uma convenção
coletiva em todo o País e também estamos construindo a
primeira representação por ramo de atividade. Passo importante
na defesa dos direitos dos trabalhadores”, assegura. (in Agência
CUT de Notícias, 19.5.06)
Edésio Passos é advogado,
ex-deputado federal (PT/PR) e membro da Comissão Nacional de
Direito e Relações do Trabalho do Ministério do
Trabalho e Emprego.
E-mail: edesiopassos@terra.com.br
|
O ESTADO DO PARANÁ,
27 de maio de 2006
Comitê quer previnir acidentes de
trabalho
Rosângela Oliveira [27/05/2006]
Foto: Aliocha Maurício/O
Estado
INSS, secretarias de Saúde, DRT e hospitais estavam no encontro.
Montar um banco de dados único, que reúna todas as informações
sobre mortes e amputações decorrentes de acidentes de
trabalho. Essa é a proposta do Comitê Estadual de Investigação
de Óbitos e Amputações Relacionadas ao Trabalho
no Paraná, cujos membros se reuniram ontem, em Curitiba, com
representantes de diversas instituições que recebem esses
dados. Com a unificação, será possível atuar
de forma preventiva nos setores e segmentos que lideram as ocorrências.
As fontes que irão alimentar esse banco de dados virão
de instituições como o Instituto Nacional de Seguridade
Social (INSS), secretarias Estadual e Municipal de Saúde, Delegacia
Regional do Trabalho (DRT) e hospitais. De acordo com a assistente social
do Ministério Público do Paraná, Roselene Sonda,
os dados que existem hoje não são consistentes, pois ocorrem
muitas falhas de informação.
Estimativas da Fundacentro, entidade ligada ao Ministério do
Trabalho que atua em pesquisa relacionada à segurança
e saúde dos trabalhadores, é que as subnotificações
chegam a 80%. Outro problema são os funcionários terceirizados,
já que as empresas não identificam os trabalhadores por
categoria, mas generalizam a função.
Apesar dos dados de mortes e amputações relacionados ao
trabalho serem incompletos, alguns setores já indicam a necessidade
de uma atuação urgente. A Prefeitura de Curitiba verificou
que os óbitos decorrentes de acidentes de trabalho lideram na
construção civil e transporte. Em relação
às amputações, a maioria dos casos ocorre nos setores
de metalurgia e indústria alimentícia. A coordenadora
da Secretaria do Trabalho da capital, Lisian Lourenço Nass, acredita
que quando as notificações passarem a ser obrigatórias,
os dados chegarão mais próximos da realidade.
A representante do Centro Estadual de Saúde do Trabalho da Secretaria
Estadual da Saúde (Sesa), Olga Estefania, afirmou que isso está
próximo de acontecer, pois hoje a Rede Nacional de Atenção
à Saúde do Trabalhador, do Ministério da Saúde,
está exigindo a notificação obrigatória.
Segundo Olga, os dados da secretaria apontam que, de 1996 a 2005, foram
notificadas 3.234 mortes e amputações no Paraná.
Porém, quando se investiga quais os segmentos onde as situações
ocorrem com mais freqüência as informações
não constam. "Por isso, com a notificação
obrigatória teremos mais qualidade e quantidade nas emissões",
falou.
Para a promotora de Justiça da Promotoria de Defesa à
Saúde do Trabalhador, Elaine Sanches, o grande desafio agora
será unificar esses dados, "pois será com base neles
que poderemos direcionar as ações".
|
REVISTA ISTO É, 29 de maio de 2006
Sindicato dos ladrões: Jimmy
Hoffa liderou o poderoso sindicato dos caminhoneiros, estabelecendo
fortes relações com a máfia
Morto pela máfia
Um mistério de três decadas
Escavações podem levar ao corpo
nunca encontrado do sindicalista jimmy hoffa, assassinado em 1975
Por Osmar Freitas Jr. – Nova York
Jimmy Hoffa nasceu em Brazil, e, talvez por isso, houve quem espalhasse
o boato de que ele havia fugido para o Brasil com uma go-go girl, em
julho de 1975. Tudo bobagem, é claro. O homem nasceu em 1913
no Estado americano de Indiana, numa cidade chamada Brazil. Ele foi
um importante dirigente sindical, lutou com tenacidade por direitos
civis e econômicos de seus companheiros, desafiou os donos do
poder e foi preso por isso. Hoffa foi um líder dos oprimidos,
mas também tinha ligações com a máfia. Aqueles
que assistiram ao filme Hoffa (1992), com Jack Nicholson no papel principal,
entendem tal mistura. O enredo é uma biografia romantizada do
sindicalista mais famoso dos EUA, mas que não deixa dúvidas
sobre suas ligações com mafiosos. E essa associação
provou-se fatal: Jimmy foi morto há 31 anos e seu corpo desapareceu.
Já procuraram nos locais mais improváveis.
O mafioso Anthony Salerno jurou que o corpo de Hoffa estava na zona
do gol no estádio dos Giants, em New Jersey. Salerno estava cumprindo
pena de 102 anos quando contou esta história e ele pretendia
colaborar com as autoridades para diminuir sua sentença. Foram
feitas escavações em duas áreas da extremidade
do gramado e o meio de campo. Nada foi encontrado. Outras improváveis
últimas moradas do corpo do sindicalista incluem: o lixão
de Fresh Kill, em Staten Island, que foi devidamente vasculhado; a funilaria
de um automóvel Chevrolet, à qual teria sido misturado
durante a moldagem da lataria. Hoffa poderia até estar no túmulo
de Elvis Presley, que estaria vivo e escondido.
Na segunda-feira 22, os americanos foram surpreendidos com a notícia
de que o FBI investigava o solo de uma fazenda na pacata Milford Township,
um haras a 15 quilômetros de Detroit. A informação
sobre o paradeiro dos restos de Hoffa teria vindo de um certo Donovan
Wells, que morava no haras em 1975. Na época, a propriedade era
de Rolland McMaster, um sindicalista protegido da vítima. A hipótese
mais aceita é de que Hoffa foi assassinado no estacionamento
do restaurante Machus Red Fox, a nove quilômetros de onde as escavadeiras
agora trabalham. McMaster – que está cumprindo pena por
tráfico de maconha em Kentucky – contribuiu para a nova
busca, confessando que havia ajudado a enterrar o ex-líder e
amigo, com quem ele estava rompido.
Traição: Hoffa apoiou John Kennedy, mas foi perseguido
por Bob (no detalhe)
Hoffa talvez tenha sido o líder sindical mais importante do trabalhismo
americano. Comandava os “Teamsters”, a central que reúne
os empregados do setor de transporte. Nessa categoria estão incluídos
desde motoristas até estivadores, passando por mecânicos,
frentistas de postos de combustível, empacotadores e mais centenas
de funções. Eleito à presidência da entidade
de classe em 1952, Hoffa era idolatrado e conseguiu avanços legislativos
de proteção a seus comandados, aumentos de salários,
estabelecimento de planos de saúde, carga horária decente
e seguro-desemprego.
A máfia, vendo oportunidades de bons negócios no setor,
impôs sua vontade ao comando da categoria. Hoffa sucumbiu e tornou-se
aliado importante do crime organizado. “Sob o comando mafioso,
era possível paralisar toda a economia do país com uma
greve de transportes. A contratação de trabalhadores,
pelas empresas, passava pelo crivo do sindicato”, diz o historiador
Donald Trivers. Conta-se que a eleição de John Kennedy,
em 1960, só foi possível depois que a máfia corrompeu
as urnas de Chicago, e Hoffa mandou os Teamsters votarem no candidato
democrata e quebrarem a cabeça dos que preferiam Richard Nixon.
Se Hoffa esperava recompensas por ser cabo eleitoral, o governo Kennedy
foi, no mínimo, uma decepção. O titular da Pasta
da Justiça, Robert Kennedy, irmão do presidente, fez uma
caça às bruxas mafiosas e centrou fogo também nos
Teamsters. As investigações levariam à condenação
de Hoffa a 15 anos de prisão em 1967. A pena foi comutada em
1971. Hoffa voltou à ativa na política sindical, mas os
tempos eram outros e a máfia já não queria uma
figura carismática, mas queimada, como ele. Em 30 de julho de
1975 ele sumiu do mapa.
|
FOLHA DE SÃO PAULO, 28 de maio de 2006
Confira prazos para guardar contas e outros
documentos
Em geral, período não supera
5 anos, mas há casos em que os papéis devem ser mantidos
por tempo indeterminado
Guardar toda a papelada não exige tanto trabalho,
pois é mais uma questão de disciplina; podem ser usados
envelopes, pastas ou gavetas
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Por quanto devem ser guardados
os comprovantes de pagamentos de contas e outros documentos comuns de
uma casa? Essa pergunta costuma atormentar as pessoas, uma vez que hoje,
apesar da internet, ainda é preciso ter um comprovante em papel
das contas dos diversos serviços e de tributos pagos todo mês,
uma vez por ano ou esporadicamente.
Guardar toda a papelada não exige tanto trabalho -é mais
uma questão de disciplina. É preciso organizar as contas
que chegam mensalmente pelo correio, como água, luz, telefone,
TV a cabo, extratos bancários e de cartões de crédito
etc.
Não existe um sistema único que possa ser indicado para
todos. Cada um deve ter uma sistemática própria, conforme
achar mais fácil -pode ser em pastas, envelopes ou até
em gavetas. "O mais importante é saber onde estão
os papéis na hora em que precisamos deles", diz Robson Pedron
Matos, advogado da área cível do escritório Moreau
Advogados.
Matos sugere que as pessoas façam uma separação
dos documentos. Assim, as contas do dia-a-dia (água, luz, telefone
etc.) devem ficar todas num mesmo local, para facilitar em caso de necessidade.
Uma segunda relação inclui recibos de pagamentos, como
aluguel, condomínio, prestações da casa própria,
consórcios de bens etc.
Recibos de planos de saúde, de consultas médicas, de escolas
e extratos bancários, por exemplo, devem compor outra relação,
uma vez que serão usados na hora de fazer a declaração
do Imposto de Renda.
Uma vez feita a declaração, todos esses documentos devem
ser guardados juntos, inclusive o disquete, por pelo menos cinco anos
(após o ano de entrega).
O advogado também sugere que as pessoas separem as contas e os
documentos por anos. Assim, ao final de cada ano, o ideal é juntá-los
e colocá-los em um mesmo envelope, pasta ou gaveta, indicando
o ano.
No quadro acima estão as contas e documentos mais comuns de uma
família. Em muitos casos, não há uma regra definida
quanto ao prazo exato de guarda. Por esse motivo, os prazos indicados
pela Folha podem até ser excessivos. Esse cuidado foi adotado
para evitar a indicação de prazo menor, que possa vir
a prejudicar o consumidor/contribuinte.
|
FOLHA DE SÃO PAULO, 28 de maio de 2006
Empresas têm custo e burocracia
para preservar papelada exigida pelo fisco
DA REPORTAGEM LOCAL
A burocracia do fisco brasileiro custa caro às empresas. Para
manter todos os documentos exigidos pela fiscalização
é preciso contratar gente e ter espaço adequado.
A quantidade de documentos exigida é tão grande que o
departamento jurídico do Sescon-SP (Sindicato das Empresas de
Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias,
Informações e Pesquisas do Estado de São Paulo)
elaborou um guia para facilitar o trabalho das empresas.
O guia tem nome compatível com a extensa relação
do que cada empresa precisa guardar: "Guia de Prazos para Guarda
e Manutenção de Livros e Documentos Fiscais e Multas de
Obrigações Acessórias". No quadro ao lado
está apenas uma pequena amostra do guia.
Segundo Antonio Marangon, presidente do Sescon-SP, uma forma de reduzir
o acúmulo dos documentos que é necessário manter
guardados seria os fiscos federal, estaduais e municipais mandarem às
empresas, anualmente, um comunicado informando sua situação
fiscal.
Se isso fosse feito, as empresas não precisariam manter tantos
documentos arquivados por tanto tempo. "A sociedade precisa pressionar
para que o país tenha menos burocracia, como já vem fazendo
com o aumento de tributos. É preciso reduzir o prazo de guarda
dos documentos para diminuir os custos das empresas."
Ele diz que há dois outros fatores que atrapalham a vida das
empresas: o prazo reduzido para pagar tributos e a informalidade. No
primeiro caso, segundo Marangon, há empresas que são obrigadas
a pagar o tributo antes mesmo de receber pela venda de seus produtos.
É o caso de uma indústria que paga o IPI. Hoje, esse imposto
é pago entre 3 dias e até 15 dias após o fato gerador
(que pode ser decendial ou mensal).
A informalidade, diz Marangon, está crescendo no país
pela necessidade de sobrevivência das empresas. Para sobreviver,
as empresas geram uma concorrência desleal com aquelas que pagam
seus tributos em dia e cumprem as regras fiscais.
Para José Constantino de Bastos Jr., assessor da presidência
do Sescon-SP, se o fisco fosse mais ágil, as empresas não
teriam de guardar tantos documentos. "O contribuinte tem, às
vezes, menos de um mês para cumprir uma obrigação,
enquanto o fisco tem cinco anos, ou mais, para dizer se ele cumpriu
corretamente aquela obrigação. Isso não é
justo." (MC)

|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
29/05/2006
Perícia é dispensável
quando não há dúvidas sobre periculosidade
A realização de perícia
para determinar a necessidade ou não do pagamento do adicional
de periculosidade só é obrigatória nos casos em
que há controvérsia acerca das condições
perigosas de trabalho, conforme previsto na CLT. Quando o fato é
incontroverso, ela é dispensável, e o indeferimento pelo
juiz do pedido de realização de perícia não
constitui cerceamento de defesa.
Com base nesse entendimento, a Sexta
Turma do Tribunal Superior do Trabalho não conheceu (rejeitou)
recurso da Companhia Energética de Brasília (CEB), condenada
a complementar o pagamento de periculosidade a um empregado que, durante
dez anos, recebeu o adicional em índices inferiores aos 30%.
Em reclamação trabalhista
ajuizada na 5ª Vara do Trabalho de Brasília (DF), o empregado
informou que, entre 1993 e 1998, a CEB não pagou o adicional
de periculosidade de forma integral, e pediu o pagamento da complementação
e seus reflexos em férias e 13º salário. A Vara deferiu
parcialmente o pedido, e a sentença foi mantida pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins).
No recurso de revista ao TST, a CEB alegou
que as decisões anteriores eram nulas por ter havido cerceamento
de defesa, uma vez que foram negados os pedidos de produção
de provas periciais e testemunhais. A empresa sustentou que o empregado
havia trabalhado, nos dez últimos anos do contrato, no almoxarifado,
entregando e recebendo material e testando lâmpadas.
No seu entendimento, tal local e tais
funções não caracterizam condições
perigosas de trabalho. Não havendo os requisitos legais para
a percepção do adicional de periculosidade, a CEB insistiu
que a realização da perícia era “absolutamente
imprescindível para a solução da controvérsia”.
O relator do recurso de revista, ministro
Horácio de Senna Pires, ressaltou que o TRT já havia registrado
que a prova pericial era desnecessária, uma vez que o teor da
defesa da CEB junto à Vara do Trabalho “torna incontroversa
a efetiva prestação de trabalho em condições
que ensejam o pagamento do adicional de periculosidade”.
A empresa afirmou, naquela ocasião,
que as atividades do empregado não eram desenvolvidas essencialmente
em área de risco, e o próprio pagamento do adicional de
forma proporcional era uma admissão da exposição
parcial ao risco. “Somente seria possível cogitar-se de
cerceamento de defesa decorrente do indeferimento da perícia
mediante reexame dos exatos termos da defesa, procedimento vedado na
presente fase recursal pela Súmula nº 126 do TST”,
afirmou o relator.
A alegação de que o empregado
trabalhava no almoxarifado, segundo o ministro Horácio, eram
“absolutamente estranhas ao acórdão regional”
– ou seja, tratava-se de matéria não abordada na
decisão que a CEB visava modificar. Sua confirmação,
mais uma vez, exigiria o exame de fatos e provas, procedimento vedado
pela mesma Súmula nº 126.
Citando o acórdão
do TRT, o relator observou que “o trabalho exercido em condições
perigosas, ainda que de forma intermitente, dá ao empregado o
direito de receber o adicional de periculosidade de forma integral,
pois os riscos não se medem pelo tempo de exposição,
como ocorre na hipótese da insalubridade, mas pela simples presença
do fator perigoso.” (RR 689306/00.9)
|
29/05/2006
TST decide conflito entre normas coletivas
A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho, em voto do ministro Carlos Alberto Reis de Paula, decidiu
manter a decisão do Tribunal Regional do Trabalho a 15a Região
(Campinas-SP) que negou o pedido de reajuste salarial e abono a empregados
aposentados do Banco Banespa.
O processo teve início com a constatação
de existência concomitante de convenção coletiva
e acordo homologado em dissídio coletivo regendo a mesma situação
jurídica. Cláusulas de um de outro mostraram-se conflitantes,
tendo o ministro que decidir qual situação deveria prevalecer.
O TRT indeferiu o pedido de reajuste
salarial de 5,5% sobre os proventos de aposentadoria e o abono de R$
1mil, previstos na convenção coletiva de trabalho firmada
entre a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e a Confederação
Nacional dos Bancários. Baseou-se, entre outros motivos, no acordo
coletivo celebrado entre o Banespa e o sindicato de classe dos trabalhadores,
que previa ser essa a única norma coletiva aplicável para
disciplinar as condições de salário e trabalho
entre as partes.
Entendeu a primeira instância trabalhista
que o acordo coletivo representou a vontade de todos, não havendo
como aplicar uma convenção coletiva estranha às
partes. A solução encontrada pelo ministro Carlos Alberto
Reis de Paula para resolver o conflito foi no sentido de que deve prevalecer
o instrumento mais favorável ao trabalhador, devendo esse ser
interpretado em sua totalidade.
Os autores da ação pretendiam
que utilizassem cláusulas de ambas as normas, pinçando
aquelas mais favoráveis de um e de outro. No acordo firmado com
o sindicato da categoria profissional e homologado em dissídio
coletivo, ficou constatada a existência de vantagem global para
toda a categoria, sendo mais benéfica aos trabalhadores.
“Em respeito ao princípio
da unicidade das normas coletivas deve-se aplicar à hipótese
a teoria do conglobamento, pela qual, ao contrário da teoria
da acumulação, deve-se interpretar as normas em seu conjunto”,
disse o ministro Carlos Alberto. (RR-538/2002-113-15-00.7)

|