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JORNAL DO ESTADO, 05 de junho de 2006
Jonas Oliveira
Geraldo Ramthun, da Fetraconspar: investigação em obra
de Apucarana revelou artimanha ilegal
MPT vai à justiça contra
Cohapar
Companhia continua driblando lei trabalhista
e deixando de recolher impostos
Abraão Benício
O Ministério Público do Trabalho (MPT/PR) vai entrar com
uma ação civil pública contra o governo Requião,
devido à irregularidades encontradas na contratação
de trabalhadores pela Companhia de Habitação do Paraná
(Cohapar) para construção de casas populares em todo Estado.
“Realmente foram constatadas várias irregularidades. As
investigações estão em fase final e nos próximos
dias devemos entrar com a ação”, informa o procurador
do MPT-PR, Ricardo Bruel da Silveira.
Desde 2003, com base em denúncias do Comitê de Combate
à Informalidade – formado por representantes dos sindicatos
do setor de construção do Paraná - o MPT-PR vinha
investigando a situação dos trabalhadores contratados
— sem registro em carteira — pela Cohapar para participarem
da construção de moradias populares, supostamente, em
regime de mutirão.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Indústria
da Construção do Paraná (Fetraconspar) e membro
do Comitê, Geraldo Ramthun explica como o órgão
do governo do Estado faz para driblar a legislação trabalhistas.
“Tudo começou quando investigamos uma obra em Apucarana.
A Cohapar alegava que as casas eram construídas em regime de
mutirão, o que não é verdade, já que não
são os futuros moradores que as constrõem. Descobrimos
que a Companhia firma acordo com associações de moradores
dos municípios, que acabam fazendo as contratações.
Desta forma, o governo fica livre dos encargos trabalhistas”.
O procurador do MPT-PR confirma a manobra do Estado. “A Cohapar
licita as obras e transfere a competência da execução
para as associações de moradores, que acabam não
registrando os trabalhadores”.
Como estes programas habitacionais da Cohapar são realizados
com recursos repassados pela Caixa Econômica, algumas dessas moradias
acabam sendo construídas com dinheiro recolhido através
do próprio Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
“O mais grave é que a Cohapar usa recursos do FGTS, o mesmo
imposto que está deixando de recolher quando se nega a registrar
os trabalhadores”, destaca Bruel.
Autônomos — A Delegacia Regional do Trabalho do
Paraná (DRT) também foi acionada para acompanhar o caso
e garante que já entrou em contato com a Caixa Econômica
para cobrar providências. “Conversei recentemente com representantes
da Caixa para que eles estabeleçam uma formatação
jurídica para as contratações para que não
haja mais conflito entre os trabalhadores e a Cohapar. Enquanto isso
não for feito, continuaremos dependendo de ações
fiscalizatórias para que a lei seja cumprida. A DRT está
atendendo com prioridade todas as denúncias contra a Cohapar”,
afirma o delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk.
O Superintendente Jurídico da Cohapar, Clóvis Augusto
Veiga da Costa alega que os trabalhadores são autônomos,
por isso não possuem registro. “A relação
de trabalho é estabelecida com as associações de
moradores e não com a Cohapar. Além do que, esses trabalhadores
são todos autônomos”.
OBRAS DA COHAPAR COM TRABALHADORES SEM
REGISTRO
• Município de Apucarana/PR
213 casas no Conjunto Cerejeira, no Catuaí II;
09 casas no Afonso Camargo
• Município de Arapongas/PR
108 casas no Alto da Boa Vista
13 casas no Conjunto Nossa Senhora das Graças
• Município de Marechal Cândido Rondon/PR
26 casas no Loteamento Britânia
125 casas no Loteamento Jardim Ciprestes
• Município de Ibiporã/PR
231 casas no Conjunto Habitacional Sabóia
91 casas no Residencial Agenor Barduco
• Município de Andirá/PR
110 casas no Residencial Andirá I
• Município de Itambaracá/PR
95 casas no Residencial Itambaracá I
• Município de Sertaneja/PR
63 casas no Residencial Sertaneja I
• Município de Rancho Alegre/PR
100 casas a construir.
• Município de Matelândia/PR
39 casas
• Município de Medianeira/PR
50 casas
• Município de Missal/PR
86 casas
• Município de Ramilândia/PR
51 casas
• Município de Santa Terezinha do Itaipu/PR
119 casas
• Município de Ponta Grossa/PR
500 casas no Conjunto Santa Clara
• Município de Irati/PR
92 casas
• Município de Ivaí/PR
120 casas
• Município de Teixeira Soares/PR
24 casas
• Município de Rio Azul/PR
142 casas
• Município de Rebouças/PR
20 casas
• Município de São João do Triunfo/PR
70 casas
• Município de Guamiranga/PR
50 casas
• Município de Fernandes Pinheiro/PR
40 casas
• Município de Palmeira/PR
210 casas
• Município de Ribeirão do Pinhal/PR
185 casas
• Município de Cambé/PR
500 casas
• Município de Jaboti/PR
163 casas
• Município de Conselheiro Mairink/PR
100 casas
• Município de Japira/PR
40 casas
• Município de Quatiguá/PR
44 casas
• Município de Pinhalão /PR
60 casas
• Município de Congonhinhas/PR
70 casas
• Município de Jundiaí do Sul/PR
40 casas
• Município de Nova América da Colina/PR
100 casas
• Município de Assaí/PR
312 casas
• Município de Centenário do Sul/PR
85 casas
• Município de Primeiro de Maio/PR
134 casas
• Município de Guapirama/PR
70 casas
• Município de Santa Amélia/PR
25 casas
• Município de Santa Cecília do Pavão/PR
71 casas
• Município de Cornélio Procópio
/PR
420 casas
• Município de Bandeirantes/PR
120 casas
• Município de Tamarana /PR
43 casas
• Município de Florestópolis/PR
25 casas
• Município de Alvorada do Sul/PR
45 casas
TOTAL DE OBRAS: 48
TOTAL DE CASAS: 5.449
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JORNAL DO ESTADO, 05 de junho de 2006
Empresa recua e promete solução
Em 2004, a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar)
foi procurada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT),
que ofereceu a oportunidade para que o órgão do governo
do Estado regularizasse a situação dos trabalhadores e
passasse a recolher os impostos devidos. “Tentamos que a Cohapar
assinasse um termo de ajuste de conduta para que as irregularidades
fossem resolvidas. Mas eles se recusaram”, explica o procurador
do MPT-PR, Ricardo Bruel da Silveira.
O Comitê de Combate à Informalidade também tentou
intervir junto à Companhia, que novamente se recusou a atender
aos apêlos. “Lembro que pedimos à Cohapar que nos
enviasse os comprovantes de recolhimento dos trabalhadores como autônomos,
mas não fomos atendidos. Em 2004, tivemos uma audiência
na Procuradoria do Trabalho e foi dado prazo de 15 dias para que a Cohapar
entregasse um relatório de todas as obras e dos trabalhadores
envolvidos. Pois, novamente, não tivemos retorno. Eles dizem
que estão gerando empregos, mas não é assim. O
Estado deveria dar o exemplo e agir de acordo com a legislação”,
dispara o presidente da Fetraconspar e membro do Comitê, Geraldo
Ramthun.
Atestado — Depois que foi procurada pela reportagem do Jornal
do Estado para responder as denúncias, a Cohapar entrou em contato
com o MPT-PR e com a Delegacia Regional do Trabalho e agendou, já
para a tarde de hoje, uma audiência na sede da Procuradoria. “A
Cohapar informou que a nova direção está disposta
a acatar as recomendações da Procuradoria Regional do
Trabalho e firmar o termo de compromisso regularizando o registro e
segurança dos trabalhadores que atuam em seus canteiros de obras”,
informa o delegado do Trabalho, Geraldo Serathiuk.
Desde o início de abril, a Cohapar passou a ser presidida por
Rosangela Curra, já que o ex-presidente Luiz Claudio Romanelli
se licenciou do cargo para concorrer a uma vaga na Assembléia
Legislativa. Contra Romanelli, que é deputado estadual do partido
e da base de apoio do governador Roberto Requião (PMDB), pesam
acusações de desvio de salários de funcionários
“fantasmas” nomeados da Assembléia em benefício
próprio. Informações não oficiais apontam
ainda a ocupação de cargos na Cohapar por cabos eleitorais
que trabalhariam na campanha de Romanelli. (AB)
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FOLHA DE LONDRINA, 04 de junho
de 2006
PIB da construção
civil cresce 7% no 1º trimestre
Arquivo Folha
Sinduscon-SP já havia detectado aumento no nível de emprego
do setor no período de janeiro a março
O Produto Interno Bruto da construção civil cresceu 7%
no primeiro trimestre de 2006, em relação ao mesmo período
de 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). O desempenho é positivo mas deve ser visto com uma certa
cautela, na avaliação do presidente do Sindicato da Indústria
da Construção do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP),
João Claudio Robusti.
''Ficou dentro do desempenho esperado
porque ocorreu sobre uma base de comparação muito deprimida.
O primeiro trimestre do ano passado havia registrado um crescimento
de apenas 0,6%. Além disso, o crescimento do primeiro trimestre
de 2006 foi fortemente impulsionado pelo consumo de materiais de construção.
O consumo de aço cresceu 25,7% e o de cimento, 12%'', disse o
empresário. Segundo o dirigente o SindusCon-SP, levantamentos
da entidade já haviam mostrado crescimento do nível de
emprego da construção no primeiro trimestre. ''Por essa
razão, já esperávamos um aumento no produto do
setor'', completou.
O presidente do sindicato ressalvou que
os 7% de crescimento da construção apontados pelo IBGE
não foram sentidos por parte das empresas do segmento formal
do setor da construção, especialmente dos setores de habitação
popular e obras públicas, ''que continuam no aguardo da liberação
dos recursos federais.''
Robusti comentou que o desempenho
da construção no primeiro trimestre foi o melhor desde
o terceiro trimestre de 2004, quando o setor cresceu 11,6%. Mas, segundo
ele, a melhor taxa para captar o que de fato está ocorrendo é
a comparação do desempenho da construção
dos últimos quatro trimestres com os quatro trimestres anteriores.
Nesta comparação, o crescimento foi de 2,8%, segundo o
IBGE.
Reportagem Local
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JORNAL DA CIDADE / BAURU,
04 de junho de 2006
Bauru: Trabalhadores da construção
civil prometem iniciar greve
Trabalhadores da construção
civil de Bauru prometem iniciar greve geral na segunda-feira. De acordo
com a assessoria de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil de Bauru, a categoria reivindica aumento do piso salarial.
Segundo o presidente do sindicato, Claudio
da Silva Gomes, a maioria das empresas patronais não aceita a
fixação de um novo piso salarial para a categoria, definido
em convenção coletiva.
Em função disso, a decisão
pela greve foi tomada em assembléias setorizadas realizadas nos
canteiros de obras da cidade ao longo desta semana.
Gomes afirma que, a partir do dia 5 deste
mês, a greve deve atingir as principais obras da cidade. Depois,
o objetivo é realizar um arrastão pelos demais canteiros
de obras estimulando, através de piquetes, a paralisação
dos trabalhadores.
O sindicalista enfatiza que a principal
reivindicação dos trabalhadores da construção
civil é a elevação do piso salarial. “Os
trabalhadores qualificados (pedreiros, eletricistas, encanadores, armadores
etc) recebem salário de R$ 719,40. O sindicato quer aumentar
para R$ 783,40”, destaca.
Já para o piso dos trabalhadores
não qualificados (serventes, ajudantes e auxiliares de pedreiros),
o aumento reivindicado é dos atuais R$ 585,20 para R$ 637,00.
De acordo com Claudio da Silva Gomes,
a fixação de um novo piso salarial visa atender as necessidades
básicas dos trabalhadores do setor.
O sindicalista estima que de um total
de 6 mil trabalhadores da construção civil em Bauru, mais
de 3 mil devem cruzar os braços a partir de segunda-feira, já
que as empresas ainda não teriam definido o novo piso salarial.
A categoria tem data-base em 1 de maio
e pede reajuste salarial de 6%.
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JORNAL DE PIRACICABA, 03
de junho de 2006
Em busca da qualidade do trabalho na construção
civil
O mundo do trabalho está passando
por rápidas e profundas transformações devido,
principalmente, às conquistas tecnológicas que provocam
tanto o desaparecimento como a criação de novas profissões
e a mudança nos processos de trabalho. Nesse ritmo acelerado,
o mundo produtivo passa por um crescente grau de automação
nos processos de produção em alguns segmentos de serviços,
como lazer, turismo, entretenimento, alimentação etc.
Na construção civil, o
uso da automação e modernização ainda se
restringe a grandes obras, como por exemplo a construção
de viadutos, pontes e edifícios de grande porte, chamada construção
pesada. A maioria das construções utiliza técnicas
convencionais, com bastante desperdício de materiais e tempo,
causando prejuízos financeiros para todos os envolvidos.
Entretanto, já começamos
a perceber algumas modificações nos sistemas construtivos
em obras de pequeno porte, a fim de torná-los mais simples e
eficientes. Um exemplo disso é o uso de componentes industrializados
como a argamassa de assentamento de revestimento cerâmico, que
otimiza o processo de trabalho e melhora a qualidade do serviço.
O processo de trabalho também
tem sofrido modificações, com um número cada vez
maior de empresas especializadas. Essas empresas especializam-se em
determinado tipo de prestação de serviço como fundações,
sondagens, projetos arquitetônicos e projetos complementares,
exigindo de toda sua equipe de profissionais, além do domínio
das competências de sua especialidade, uma visão ampla
do processo de produção em que a obra está envolvida.
Temos assim um novo cenário na área da construção
civil e podemos perceber a necessidade da profissionalização
do pessoal desse setor da economia.
A mão-de-obra da construção
civil brasileira é formada, geralmente, por profissionais autônomos
que trabalham de modo rudimentar, sem nenhuma formação
técnica. Não possuem equipamentos nem carteira assinada.
Muitos deles não são minimamente alfabetizados. Não
sabem ler plantas, desconhecem as normas de qualidade e segurança
e, às vezes, não conseguem identificar os materiais especificados
no projeto apresentado pelo arquiteto ou engenheiro.
Essa constatação explica
a falta de qualidade dos serviços de mão-de-obra nesse
campo de atividade, a carência de profissionais em serviços
especializados, a problemática relação da mão-de-obra
com o proprietário e o responsável técnico da obra.
Existem iniciativas do Estado, de grandes
empresas do setor da construção civil e, também,
de pequenas construtoras e administradoras de obras, que se preocupam
em promover a formação profissional de seus funcionários.
Porém, o processo de profissionalização da mão-de-obra
da construção civil brasileira ainda é muito lento,
dominando no mercado o trabalho informal, que muitas vezes não
atende ao padrão de qualidade pré-estabelecido.
Nesse contexto, se fazem necessárias
ações concretas, que possibilitem a transformação
da realidade atual a partir da promoção da educação
profissional, que resultará numa melhoria da qualidade do trabalho
da construção civil.
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CMI BRASIL, 03 de junho
de 2006
Chapa da CUT é derrotada pela CONLUTAS
na Construção Civil de Fortaleza
Chapa da CONLUTAS foi vitoriosa, confirmando
a decisão da categoria em 2004
Desde 2004 que os trabalhadores da Construção
Civil de Fortaleza optaram em assembléia geral pela desfiliação
do seu sindicato dos quadros da CUT.
Nas eleições ocorridas
agora nos dias 29, 30 e 31 de maio, a categoria confirmou mais uma vez
sua decisão, votando em peso na chapa 1, a chapa da CONLUTAS,
composta pelos companheiros que vem a vários anos conduzindo
as muitas lutas dessa heróica categoria.
O resultado final da eleição
foi de 2149 votos para a chapa 1, da CONLUTAS, e 804 votos para a chapa
2, da CUT.
Mais uma derrota da CUT governista, que
agora foi definitivamente afastada do Sindicato dos Trabalhadores da
Construção Civil de Fortaleza, por decisão de mais
de 70% dos votantes!
O sindicato vai continuar no rumo
das lutas, com a sua tradicional combatividade que vem demonstrando
todos esses anos (nos últimos 11 anos foram 8 greves, ocupando
as ruas e enfrentando a repressão policial).
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Folha
de São Paulo, 03 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Em tom de campanha, Lula ataca educação
da era PSDB
Sem citar nomes, presidente acusa FHC e Alckmin
de negligenciar ensino público | Petista, que improvisou discursos
em eventos em São Paulo, voltou a ligar onda de violência
a falta de investimentos em educação
MALU DELGADO, ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL
Em três discursos feitos de improviso
ontem em diferentes eventos em São Paulo, o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva formulou novas "teses" sobre pobreza, educação,
turismo e até investimentos públicos. Relembrando a própria
história e a formação como torneiro mecânico,
Lula fez críticas indiretas aos adversários do PSDB, especialmente
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o pré-candidato à
Presidência, Geraldo Alckmin. Acusou ambos de negligenciarem o
ensino público e técnico.
"Pobre não rejeita pobre.
Essa é uma máxima da sociedade", afirmou na cerimônia
de contratação de 292 jovens para o Programa Jovem Aprendiz
da Petrobras. "Neste país, falta menos dinheiro e mais criatividade
nas pessoas, mais sensibilidade de fazer as coisas", disse, na
abertura do 2º Salão do Turismo, ao sugerir e cobrar ações
que incrementem o turismo no país. A simplicidade das palavras,
que muitas vezes arrancam risadas das platéias, não esconde
que o alvo central dos ataques de Lula são sempre os tucanos.
"Eu vou dar um dado para vocês
ficarem surpresos. Todo o sistema de ensino público de São
Paulo, que é o maior Estado da Federação, hoje
tem apenas 18% dos estudantes universitários em escola pública,
e 82% estão em escolas privadas, em uma demonstração
de que foi premeditado o abandono da escola pública neste país",
disse aos jovens aprendizes, em ataque velado a Alckmin. Lula criticou
a decisão de 1998 do Ministério da Educação
de retirar a responsabilidade do ensino técnico do governo federal.
"Deixou-se de investir em escola técnica. Revogamos a lei
e este ano vamos inaugurar 32 escolas técnicas. [...] Não
há, na história da humanidade, nenhum país que
se desenvolveu pela ignorância."
"Suco de esperança"
Em clima de final de mandato, flagrado
nos sucessivos balanços de gestão que faz, Lula demonstra
estar satisfeito com os resultados de seu governo. "Não
foram poucos os que ficaram em volta do pé de laranja sapateando
e dizendo "isso aqui não vai dar em nada". Hoje [...]
estamos tomando um gostoso copo de suco de esperança." Quando
eleito em outubro de 2002, Lula disse que começaria fazendo o
necessário, depois o possível, "até chegar
no impossível". Agora, o presidente inovou: "O impossível
é apenas um pouco mais difícil", afirmou, ao citar
números do Prouni (programa que dá bolsa em universidades
para jovens carentes).
Lula disse estar convencido de que "não
é a pobreza que leva a pessoa a ser bandido", mas a desagregação
da estrutura familiar. Afirmou que os criminosos do PCC eram "crianças
bochechudas" que estavam nas ruas há mais de uma década.
Aos jovens aprendizes, Lula disse que a formação como
torneiro mecânico foi a oportunidade que o levou ao sindicalismo
e, depois, à Presidência. Mais tarde, em discurso para
trabalhadores da Petrobras no pátio da Revap (Refinaria Henrique
Lage), em São José dos Campos, voltou a provocar os tucanos.
"Acho que tem muita gente nesse
país que estudou em escola pública, não pagou nada
e, depois [de formados], alguns deles e esqueceram de que os outros
também precisavam estudar". Fernando Henrique, José
Serra e Alckmin estudaram em escolas públicas. O presidente disse
lamentar não ter diploma. "Não digo isso com orgulho,
não. Até gostaria de ser economista", brincou, dirigindo-se
ao senador Aloizio Mercadante (PT), pré-candidato ao governo
de São Paulo.
Turismo
Lula também participou da
abertura do 2º Salão do Turismo, e pediu ao ministro da
área, Walfrido Mares Guia, ações pró-turismo
em aeroportos e a reavaliação da dinâmica da aviação
brasileira, "que está antiga e superada". Lula disse
que o turismo está relacionado à auto-estima. "Se
nós não depositarmos confiança na nossa gente,
na nossa indústria, no nosso trabalhador, quem é que vai
acreditar em nós? O nosso concorrente? Nosso concorrente vai
querer nos asfixiar", afirmou. Walfrido Mares Guia cometeu uma
gafe e chamou Lula de Luiz Henrique. Bem-humorado, Lula rebateu e disse
que o ministro só não pode errar o nome da esposa.
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Folha de São Paulo,
03 de junho de 2006
Lula tem 60% dos votos válidos
no 1º turno, afirma Vox Populi
DA FOLHA ONLINE
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva venceria, no primeiro turno, as eleições à
Presidência da República com 60% dos votos válidos
-excluindo brancos e nulos-, caso o PMDB não estivesse na disputa,
informa pesquisa do instituto Vox Populi divulgada nesta sexta-feira
pela revista "Carta Capital". O pré-candidato do PSDB,
Geraldo Alckmin, teria 28%. Incluindo os votos brancos e nulos, Lula
teria 49% das intenções de voto, contra 23% de Alckmin.
Nesse mesmo cenário, sem o PMDB, a senadora Heloísa Helena
(PSOL-AL) teria 6% das intenções de voto.
Com o PMDB na disputa, Lula teria 47%
das intenções de voto, contra 21% de Alckmin, 6% do ex-governador
do Rio Anthony Garotinho (PMDB) e 5% de Heloísa Helena. Se o
senador Pedro Simon (RS) fosse escolhido o candidato do PMDB, Lula ganharia
dois pontos e teria 49% dos votos, seguido por 23% de Alckmin e 6% de
Heloísa Helena. A pesquisa Vox Populi ouviu 2.001 eleitores entre
os dias 27 e 28 de maio, em 121 municípios. A margem de erro
é de 2,2 pontos percentuais.
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Folha de São Paulo,
03 de junho de 2006
Metalúrgicos da GM fazem greve
de 24 horas
JOSÉ EDUARDO RONDON
DA AGÊNCIA FOLHA
Metalúrgicos da General Motors
de São José dos Campos (91 km a nordeste de São
Paulo) realizaram uma greve de 24 horas ontem em razão de ameaça
de demissões na empresa. A decisão sobre a paralisação
ocorreu na quarta-feira, durante assembléia da categoria. Segundo
o Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, a paralisação
foi total. "Em torno de mil veículos deixaram de ser produzidos",
disse o secretário-geral do sindicato, Luiz Carlos Prates. O
órgão estima que 960 demissões possam ocorrer.
Na parte da manhã, cerca de 4.000
metalúrgicos realizaram uma assembléia em frente à
General Motors. Uma outra assembléia, durante a tarde, foi realizada.
Ao final do ato, os funcionários iniciaram uma passeata até
a Revap (Refinaria Henrique Lage), onde entregariam uma carta ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva pedindo que ele adote providências
contra as demissões. Ainda de acordo com informações
do sindicato, cerca de 10 mil metalúrgicos participaram dos protestos.
A General Motors, por intermédio de sua assessoria de imprensa,
disse que não comentaria o caso.
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Folha de São Paulo,
03 de junho de 2006
TRABALHO
Servidores do INSS encerram greve de 3
dias
DA FOLHA ONLINE
Os servidores do INSS (Instituto Nacional
do Seguro Social) encerraram a greve de três dias e retomaram
o atendimento normal ontem. Segundo a CNTSS (Confederação
Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social), a paralisação
teve a adesão de 65% dos funcionários em 19 Estados, além
de Brasília. A greve, segundo os servidores, foi uma forma de
pressionar o governo a garantir o plano de cargos e carreira e uma melhora
nas condições de trabalho. O INSS não divulgou
o número de agências que permaneceram fechadas no país.
No Estado de São Paulo, o instituto informou que a paralisação
atingiu 40% dos postos.
O ministro da Previdência,
Nelson Machado, declarou que a paralisação rompeu um acordo
firmado em setembro de 2005, e que as reuniões para definir o
plano de carreira estão acontecendo e os trabalhos devem estar
concluídos até dia 30.
Para Pedro Totti, do CNTSS, a greve não rompeu o acordo. Ele
definiu a manifestação como positiva. "Vamos fazer
uma reunião de avaliação, mas esperamos que o plano
de carreira ganhe ritmo mais acelerado para ser finalizado no prazo."
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Folha de São Paulo,
04 de junho de 2006
ESCÂNDALO DO MENSALÃO / UM ANO
DEPOIS
Após um ano, impunidade é
a maior marca do mensalão
Investigações derrubaram a cúpula
do PT, mas poucos acusados foram cassados
Há um ano, a palavra mensalão
não fazia parte da vida brasileira. Marcos Valério não
existia. Tampouco eram conhecidos do público personagens como
Silvio Pereira ou Delúbio Soares. As entrevistas que o então
deputado Roberto Jefferson concedeu à Folha, primeiro no dia
6 e depois no dia 12 de junho, tiraram do porão esses nomes e
mudaram o rumo da política nacional. A imagem do partido ético
ruiu. A direção do PT desmoronou. O governo amargou sua
pior crise, e o fantasma do impeachment rondou o Planalto. Não
é fácil hoje, quando o escândalo do mensalão
completa um ano, imaginar o que era o governo petista antes dele. Politicamente,
o país pertencia a outra era. Mais cega, sem dúvida. Menos
cínica, talvez.
Se mais ou menos corrupta é difícil
mensurar. Da revelação dos mensaleiros, no ano passado,
à quadrilha dos 40 que o procurador-geral da República
denunciou, em abril deste ano, o país assistiu ao teatro das
CPIs e foi bombardeado por escândalos em série. Houve abalos,
baixas e acordos pelo caminho. Poucos personagens graúdos foram
punidos. A Justiça tem prazos, é certo, mas mesmo a punição
política se revelou tímida e ficou muito aquém
do esperado. A pizza no Congresso encontrou eco na indulgência
do PT com seus faltosos. Entre desiludida e anestesiada, a opinião
pública ainda espera respostas. A principal delas continua tão
pertinente como era há um ano: Lula sabia ou não sabia?
Foi cúmplice ou omisso?
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Folha de São Paulo,
04 de junho de 2006
FGTS obrigatório para os domésticos
vai aumentar informalidade, diz consultor
DA REPORTAGEM LOCAL
O pagamento obrigatório do FGTS
para os empregados domésticos elevará a informalidade
entre esses trabalhadores. A afirmação é do consultor
Mario Avelino, especialista em FGTS e autor do livro "Empregadas
Domésticas x Patroas -Conflitos e Soluções".
Mas não é apenas o depósito do fundo que elevará
a já alta informalidade no setor. "O pagamento da multa
de 40% na demissão por justa causa com certeza vai aumentar a
informalidade." Assim, Avelino propõe ao menos o fim da
multa de 40%, mesmo se o empregado for demitido por justa causa. Sua
sugestão foi transformada em projeto de lei do senador Rodolpho
Tourinho (leia acima). A seguir, os principais trechos da entrevista.
(MC)
FOLHA - De cada quatro
empregados domésticos no país, só um está
registrado. A que o sr. atribui esse alto índice de informalidade?
MARIO AVELINO - Cinco
fatores contribuem para isso: a origem do emprego doméstico vem
da escravatura, e por isso é um emprego que não precisa
de qualificação; é uma relação de
trabalho onde a confiança é a base principal, e por isso
os empregadores não se preocupam em cumprir a lei; o desconhecimento
da existência da lei nº 5.859/72 e outras que regulamentam
o emprego doméstico; o falso conceito de que é caro ter
uma doméstica registrada, quando o custo real é a contribuição
de 12% ao INSS; e as domésticas desconhecerem as vantagens de
ter a carteira de trabalho assinada.
FOLHA - O governo editou a MP 284 concedendo incentivo fiscal
ao patrão que registrar a doméstica. O sr. acha que esse
incentivo vai aumentar o registro em carteira?
AVELINO - Não,
pois a principal limitação da MP 284 é que só
pode deduzir a contribuição ao INSS na declaração
do IR o contribuinte que usar o modelo completo. A maioria dos patrões
que estão na informalidade usa o modelo simplificado.
FOLHA - O sr. tem criticado
essa medida por parte do governo, considerando-a eleitoreira. O sr.
acha que ela foi adotada pelo fato de 2006 ser ano de eleição
e o presidente Lula ser o virtual candidato do PT?
AVELINO - Não
tenho dúvidas de que a MP tem cunho eleitoreiro. Mas aplaudo
a iniciativa de, pela primeira vez, um governo tomar a iniciativa de
discutir o emprego doméstico.
FOLHA - O que há
de bom na MP?
AVELINO - Somente a
dedução, no IR, da contribuição ao INSS
paga pelo empregador.
FOLHA - E o que há
de ruim nela?
AVELINO - Todo o resto.
FOLHA - A Câmara
aprovou a MP com várias alterações. Entre elas
estão o pagamento do salário-família à doméstica
gestante e a obrigatoriedade do pagamento do FGTS, com a conseqüente
multa de 40% em caso de demissão sem justa causa. Como o sr.
vê essas alterações?
AVELINO - A obrigatoriedade
do FGTS elevará a informalidade e anulará o beneficio
da dedução da contribuição ao INSS -será
um tiro no pé. Quanto mais aumentar o custo do empregador, mais
informalidade haverá. O pagamento do salário-família
é uma irresponsabilidade fiscal e uma emenda populista para ganhar
votos, pois as contribuições do empregado e do empregador
não cobrirão os custos previdenciários. Mas aplaudo
a estabilidade para a gestante e o não-desconto de alimentação,
vestuário, material de higiene e moradia da doméstica.
FOLHA - Obrigar o patrão
a depositar o FGTS e depois a multa de 40% na demissão sem justa
causa é um ônus que poucos podem suportar. Como o sr. vê
esse custo adicional?
AVELINO - Com toda certeza
irá aumentar a informalidade.
FOLHA - O que o sr.
retiraria e o que acrescentaria ao texto?
AVELINO - Tiraria a
obrigatoriedade do FGTS e a multa de 40% na dispensa sem justa causa.
Tiraria também o salário-família. Substituiria
a dedução, no IR, da contribuição ao INSS
pela redução da mesma contribuição, com
6% para o empregador e 6% para a doméstica.
FOLHA - O sr. tem empregada?
AVELINO - Sim. A atual
está comigo desde janeiro e tem carteira assinada desde o primeiro
dia de trabalho.
FOLHA - É o sr.
que paga a contribuição dela ao INSS?
AVELINO - Sim. Pago
a parte do INSS dela e os meus 12%.
FOLHA - O sr. recolhe
o FGTS dela?
AVELINO - Não,
devido à multa de 40% na demissão sem justa causa. No
dia em que tirarem a multa, depositarei o FGTS.
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Folha
de São Paulo, 5 de junho de 2006
Projeção indica vitória
de García no Peru
Segundo o Instituto Apoyo, ex-presidente derrotou
o nacionalista Ollanta Humala por margem de cerca de seis pontos | Político
de centro-esquerda deve voltar ao poder após 16 anos para um segundo
mandato em que promete corrigir erros do primeiro
Ivan Alvarado/Reuters
García acena para seus simpatizantes após votar em Lima
FABIANO MAISONNAVE
ENVIADO ESPECIAL A LIMA
O ex-presidente de centro-esquerda Alan
García Pérez, 57, derrotou o nacionalista Ollanta Humala
e deve voltar ao cargo máximo do Peru após 16 anos, segundo
projeção realizada a partir das atas eleitorais. O candidato
do Apra (Aliança Popular Revolucionária Americana) obteve
52,7% dos votos válidos no segundo turno realizado ontem, contra
47,3% para Humala, aponta a projeção do instituto Apoyo,
considerado o mais confiável do Peru, baseada em 86,5% das atas
eleitorais de todo o país. A margem de erro é de um ponto
percentual, para cima ou para baixo.
"Já é apropriado dizer
que García é o virtual presidente eleito", disse
o diretor de Apoyo, Alfredo Torres. A posse para o mandato de cinco
anos está marcada para 28 de julho. A projeção
confirmou a forte divisão regional dos votos. No Departamento
de Ayacucho (altiplano sul), principal campo de batalha entre o Sendero
Luminoso e o Estado nos anos 1980 e 1990, Humala recebeu impressionantes
83,9% dos votos, a maior diferença em favor de um dos candidatos.
Na região de Arequipa, segunda
cidade do país e reduto mais importante de Humala, simpatizantes
do nacionalista, aos gritos de "Arequipa revolução",
atacaram os do Apra, que celebravam o resultado da boca-de-urna. Até
o fechamento desta edição, não havia informação
sobre feridos ou presos. García, por outro lado, confirma o favoritismo
no norte e vence também em Lima -onde está cerca de um
terço da população- com estimados 62,6%. A vitória
do aprista na capital peruana foi considerada crucial para "desempatar"
a polarização entre o norte e o sul.
Líder de um desastroso governo
(1985-1990), García deixou o poder em meio a um espiral de recessão,
hiperinflação, violência fora de controle promovida
pelos senderistas e escândalos de corrupção. Apesar
do fracasso, ele quase foi reeleito em 2001, quando perdeu no segundo
turno para Alejandro Toledo. Desta vez, buscou superar a alta taxa de
rejeição explorando o medo de um possível governo
Humala e usando suas principais armas: a excelente oratória e
a estrutura do Apra, único partido com presença em todo
o país. Já Humala, estreante na política, deve
se consolidar como a principal força da oposição,
sobretudo por meio de sua bancada no Congresso -a maior, com 45 das
120 cadeiras. O partido de García vem em seguida, com 36 deputados.
O Legislativo é unicameral.
Sem violência
Apesar do temor de tumulto e dos episódios
violentos nos últimos dias, os centros de votação
funcionaram normalmente, registrando apenas incidentes isolados, segundo
a ONG Transparência, que tem a maior rede de observadores. Num
deles, um homem jogou moedas e notas de dinheiro em García quando
ele saía do seu centro de votação, em Lima. O episódio
mais violento ocorreu em Huancayo, onde militantes do Apra agrediram
um funcionário eleitoral que confiscou material de campanha.
Mas as principais irregularidade foram cometidas pelos próprios
candidatos.
Por volta das 9h30, García promoveu
um café da manhã diante das câmeras acompanhado
da mulher, Pilar, e dos cinco filhos. O desjejum virou uma entrevista
de 30 minutos, deixando espaço para que ele pedisse votos, o
que é proibido no dia da votação.
Na entrevista, o ex-presidente
voltou a rechaçar a idéia de que parte do seu apoio se
deve à tese do "mal menor" e comparou a eleição
peruana com o o segundo turno francês de 2002, disputado entre
o atual presidente, Jacques Chirac, e o xenófobo líder
de extrema-direita Jean-Marie Le Pen. "Eu não sou o mal
menor, eu me considero o voto útil para o povo peruano",
disse García ontem de manhã. Já Humala antecipou
a ida ao local de votação das 12h para as 9h locais, para
evitar o episódio ocorrido no primeiro turno, quando foi cercado
por manifestantes e só saiu do prédio após a chegada
da polícia.
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O ESTADO DO PARANÁ, 04 de junho de
2006
Cooperativas de trabalho e o projeto do
governo federal
Edésio Passos
O Executivo Federal encaminhou ao Congresso
Nacional projeto de lei que “dispõe sobre a organização
e o funcionamento das cooperativas de trabalho, institui o Programa
Nacional de Fomento às Cooperativas de Trabalho - Pronacoop e
dá outras providências”. A importante proposição,
apresentada juntamente com as Medidas Provisórias que tratam
da legalização das Centrais Sindicais e cria o Conselho
Nacional de Relações do Trabalho, tem sido pouco comentada,
embora seja medida que poderá trazer inovações
na legislação do trabalho. O projeto de lei propõe
a criação de cooperativas de produção e
de serviço, revogando o artigo 442 da CLT. Efetivamente, em recente
estudo, preconizamos: “...torna-se necessária a formulação
pelo Ministério do Trabalho e Emprego e Secretaria Nacional da
Economia Solidária, de projeto-de-lei específico sobre
cooperativas de trabalho a ser encaminhado em caráter de urgência
ao Congresso Nacional, tomando-se por base a Recomendação
193/2002 da OIT e com vistas a realização das normativas
constitucionais dos artigos 5.º, XVIII, e 174, § 2.º,
inclusive o tratamento diferenciado por este regime” (in “A
responsabilidade da organização sindical na construção
da economia solidária e do cooperativismo popular”, Estudos
de Direito Cooperativo e Cidadania, ed. UFPR,2005).
Definição, princípios
e objetivos
No primeiro capítulo, define a cooperativa de trabalho como sendo
“a sociedade constituída por trabalhadores, visando o exercício
profissional em comum, para executar, com autonomia, atividades similares
ou conexas, em regime de autogestão democrática, sem ingerência
de terceiros, com a finalidade de melhorar a condição
econômica e de trabalho de seus associados”. A autonomia
indicada no texto significa que “deve ser exercida de forma coletiva
e coordenada, mediante a fixação, em assembléia
geral efetivamente representativa e democrática, das regras de
funcionamento da cooperativa e da forma de execução dos
trabalhos, nos termos desta Lei”. Os princípios fixados
em lei são os seguintes: (1) preservação dos direitos
sociais, do valor social do trabalho e da livre iniciativa (2) não-precarização
do trabalho (3) autonomia e independência (4) autogestão
e controle democráticos (5) respeito às decisões
de assembléia, observada o disposto nesta Lei (6) capacitação
permanente do sócio, mediante a educação continuada
e orientada a alcançar sua qualificação técnico-profissional
(7) participação na gestão em todos os níveis
de decisão, de acordo com o previsto em lei e no estatuto social
(8) busca do desenvolvimento sustentável para as comunidades
em que estão inseridas”. Deve ser destacada a possibilidade
de formação da cooperativa de trabalho (a) de produção,
quando seus sócios contribuem com trabalho para a produção
em comum de bens e detém os meios de produção a
qualquer título e (b) de serviço, quando constituída
por trabalhadores autônomos para viabilizar a prestação
de serviço acabado a terceiros, desvinculado dos objetivos e
atividades finalísticas do contratante. Sendo que por serviço
acabado se entende aquele que, previsto em contrato, é executado
sem a presença dos requisitos da relação de emprego.
Impõe o projeto de lei que “a cooperativa de trabalho não
pode ser utilizada para intermediação de mão-de-obra
subordinada. Deve ser constituída por, no mínimo, cinco
sócios e deve garantir aos filiados retiradas proporcionais às
horas trabalhadas, não inferiores ao piso da categoria profissional,
além de observar as normas de saúde e segurança
do trabalho previstas na CLT, respondendo o contratante da cooperativa
de serviço solidariamente pelo cumprimento das normas de segurança
e saúde do trabalho, quando os serviços forem prestados
no seu estabelecimento. Finalmente, a cooperativa deve assegurar os
direitos dos associados constituindo fundos específicos, com
base na receita apurada.
O controle da assembléia geral
Prevê o projeto de lei que o “estatuto social da cooperativa
de trabalho deve identificar o seu objeto, e é obrigatório
o uso da expressão “Cooperativa de Trabalho” na sua
razão social”, estabelecendo a assembléia geral
ordinária anual e a realização de assembléias
gerais em periodicidade não superior a noventa dias, nas quais
serão debatidos as contas da cooperativa, o resultado financeiro
e econômico, a gestão, a disciplina e a organização
do trabalho. Os associados devem participar das assembléias gerais,
cabendo aos ausentes justificar eventual falta, sob pena de sanção
e o destino das sobras líquidas será decidido em assembléia.
As decisões das assembléias gerais serão consideradas
válidas quando contarem com a aprovação da maioria
absoluta dos associados e a validade da ata depende da subscrição
de, pelo menos, trinta por cento dos associados presentes à assembléia,
dispensado o registro. Comprovada fraude ou vício nas decisões
da assembléia geral, serão elas nulas de pleno direito,
aplicando-se, conforme o caso, a legislação civil, penal
e trabalhista. Para garantir a presença dos associados, serão
notificados pessoalmente com antecedência mínima de dez
dias de sua realização. É vedado distribuir verbas
de qualquer espécie entre os associados, exceto a retirada devida
em razão do exercício de sua atividade profissional ou
retribuição por conta de reembolso de despesas comprovadamente
realizadas em proveito da cooperativa. Poderão ser fixadas, em
assembléia, diferentes faixas de retirada e a utilização
do capital integralizado deverá observar o disposto no estatuto
social e nas decisões das assembléias gerais. O conselho
de administração será composto por, no mínimo,
três associados, eleitos pela assembléia geral, para um
prazo de gestão não superior a quatro anos, sendo obrigatória
a renovação de, no mínimo, um terço do colegiado.
A cooperativa de trabalho constituída por até quinze associados
pode estabelecer para o conselho de administração composição
distinta da prevista nesta Lei, dispensada da constituição
de conselho fiscal, de acordo com o disposto no art. 56 da Lei n.º
5.764, de 16 de dezembro de 1971.
Fiscalização e penalidades
No caso da utilização de cooperativa de trabalho para
fraudar a legislação trabalhista, haverá a dissolução
judicial da sociedade, sem prejuízo das sanções
penais, civis e administrativas cabíveis, sendo legitimados para
propor a ação qualquer associado e o Ministério
Público do Trabalho. Determina o projeto que “a verificação
da existência dos requisitos da relação de emprego
implicará o reconhecimento do vínculo de emprego entre
o trabalhador e o tomador de serviços na cooperativa de serviço
e o trabalhador e a cooperativa na cooperativa de produção”.
A cooperativa de serviço responde solidariamente com o tomador
de serviços pelas obrigações trabalhistas. Caberá
ao Ministério do Trabalho e Emprego a fiscalização
e a cooperativa de trabalho que intermediar mão-de-obra subordinada
e os tomadores de seus serviços estarão sujeitos à
multa de R$ 1.113,00 por trabalhador prejudicado, dobrada na reincidência,
a ser revertida em favor do Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT. As
penalidades serão aplicadas de acordo com o estabelecido na CLT.
As irregularidades constatadas pela fiscalização, sem
prejuízo da autuação, serão comunicadas
ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério
Público Federal ou ao Ministério Público dos Estados
e do Distrito Federal e Territórios.
Pronacoop e a revogação
do art. 442/CLT
O projeto de lei prevê a instituição, no âmbito
do Ministério do Trabalho e Emprego, do Programa Nacional de
Fomento às Cooperativas de Trabalho - Pronacoop, com a finalidade
de promover o desenvolvimento e a melhoria do desempenho econômico
da cooperativa de trabalho. Será constituído pelas seguintes
ações (1) apoio à elaboração de diagnóstico
e plano de desenvolvimento institucional para as cooperativas de trabalho
dele participantes (2) apoio à realização de acompanhamento
técnico, por entidade especializada, para fortalecimento financeiro
e de gestão, bem como qualificação dos recursos
humanos (3) viabilização de linhas de crédito (4)
outras que venham a ser definidas por seu Comitê Gestor. Cria
o Comitê Gestor com atribuições de acompanhar a
implementação das ações, propor as diretrizes
nacionais, propor normas operacionais, inclusive os critérios
de inscrição e receber, analisar e elaborar proposições
direcionadas ao Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador,
Codefat. O Ministério do Trabalho e Emprego poderá celebrar
convênios, acordos, ajustes e outros instrumentos que objetivem
a cooperação técnico-científica com órgãos
do setor público e entidades privadas sem fins lucrativos, no
âmbito do Pronacoop e os recursos destinados às linhas
de crédito provenientes do FAT. Nas disposições
gerais, o projeto de lei estabelece que a cooperativa de trabalho constituída
antes da vigência da Lei terá prazo de doze meses para
adequar os seus estatutos às disposições nela previstas.
Finalmente, o projeto de lei consiga que “fica revogado o parágrafo
único do art. 442 da CLT”.
E.mail: edesiopassos@terra.com.br
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de junho de 2006 | Economia
CPMF deve ser compensável para
o setor produtivo, diz Fiesp
Segundo o diretor do Departamento de Economia
da entidade, Paulo Francini, é evidente que a contribuição
tem impacto na carga tributária
Paula Puliti
SÃO PAULO - A Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que tem
entre suas principais bandeiras a redução da carga tributária,
defende que a CPMF seja transformada em um imposto compensável.
Segundo o diretor do Departamento de Economia da entidade, Paulo Francini,
é evidente que a contribuição - atualmente em 0,38%
- tem impacto na carga tributária, que incide sobre a produção.
Mas o propósito fiscalizatório
da contribuição é uma arma contra sonegação
e "não há por que ser contra". No entanto, ressaltou,
a vigilância por meio da CPMF pode ser feita com qualquer alíquota.
Assim, não faz sentido manter a contribuição em
0,38%.
Pela proposta da Fiesp, discutida no
Congresso da Indústria 2006, o empresariado pagaria normalmente
a CPMF, mas poderia compensar o tributo no Imposto de Renda ou no Instituto
Nacional de Seguridade Social (INSS), por exemplo. "Dessa forma,
a fiscalização continuaria e não oneraria mais
a produção", disse Francini.
Na última quinta-feira, o ministro
do Planejamento, Paulo Bernardo, disse à Agência Estado
que o governo quer tornar a CPMF um imposto permanente. O anúncio
foi feito na mesma semana em que um grupo de empresários entregou
ao presidente do Senado, Renan Calheiros, proposta para tornar obrigatória
a discriminação, nos produtos, dos impostos pagos pelo
consumidor.
Papel arrecadatório
O assessor jurídico da presidência
da Fiesp, Hélcio Honda, considera que, na forma atual, a CPMF
tem um papel apenas arrecadatório. "Não se combate
a sonegação com ela", ressaltou, lembrando que já
existe o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que
pode muito bem ser utilizado para fins de vigilância do sistema.
Para o vice-presidente do Sindicato da
Indústria da Construção Civil do Estado de São
Paulo (Sinduscon-SP), Eduardo Zaidan, a decisão dá a clara
impressão de que o governo não está disposto a
mudar muita coisa em termos de arrecadação e gastos. "A
questão precisa ser muito bem discutida dentro da questão
fiscal, pois governo arrecada muito e gasta mal", disse.
O presidente da Associação
Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), Synésio Batista
da Costa, considera que a medida não é "palatável"
para os empresários e que o governo deve encontrar outra maneira
para resolver o problema fiscal do que tornar provisório mais
um imposto.
"O governo deveria cumprir o acertado:
ao vencer o prazo de vigência da CPMF, ela tem de acabar",
afirmou. Batista da Costa avalia que a prorrogação do
imposto já havia passado "goela abaixo" e que uma nova
decisão sobre a CPMF tem de ser discutida com toda a sociedade.
"Não trabalhamos com a hipótese de esse imposto continuar
a vigorar", finalizou.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 03 de junho de 2006 | Economia
Só brasileiros vêem País
como grande potência do futuro
A pesquisa intitulada “Potências
mundiais no século 21” mostra a opinião de pessoas
em nove países sobre que nações serão potências
mundiais no ano 2020
FRANKFURT, Alemanha - Uma pesquisa da
fundação alemã Bertelsmann mostra que um terço
dos brasileiros acredita que o país será uma grande potência
mundial no futuro, um otimismo que não é compartilhado
por entrevistados de outros países.
A pesquisa intitulada “Potências
mundiais no século 21” mostra a opinião de pessoas
em nove países sobre que nações serão potências
mundiais no ano 2020.
O estudo mostra que 81% do total de entrevistados
acham que os Estados Unidos são atualmente o centro do poder
mundial. No Brasil, 71% têm essa opinião.
No entanto, só 57% acham que os
Estados Unidos continuarão sendo uma potência em 2020.
No Brasil, só 39% acreditam nisso. A opinião geral é
que a China vai ter cada vez mais poder no futuro. Segundo a pesquisa,
a influência de Japão e Europa permanece relativamente
estável, porém menor que a dos Estados Unidos e da China.
Brasil ´potência´?
No Brasil, 15% dos entrevistados acham
que seu próprio País é atualmente uma potência
mundial, e 32% estão convencidos de que o Brasil será
uma potência em 2020.
No entanto, outros países não
compartilham do otimismo dos brasileiros. Só 5%do total de entrevistados
vêem o país como um centro de poder hoje, e 10% em 2020.
Entre os países que mais crêem
em uma maior influência do Brasil em 2020 estão a Alemanha
(13%), França e Grã-Bretanha (ambos 10%).
Chineses e indianos também tendem
a supervalorizar a posição futura de seus países
no cenário mundial. Enquanto 55% do total de entrevistados vêem
a China como potência mundial em 2020, 71% dos chineses pensam
o mesmo.
A diferença é ainda maior
em relação à Índia: 24% do total vêem
o país como potência do futuro, já entre os indianos,
76% pensam assim.
Para os brasileiros, as maiores ameaças
do futuro são a destruição do meio ambiente e a
pobreza, enquanto países altamente industrializados como Estados
Unidos, França e Alemanha vêem o terrorismo como o perigo
maior.
O estudo inclui resultados dos
Estados Unidos, China, Japão, Índia, Grã-Bretanha,
França, Alemanha África do Sul e Brasil. Mais de mil pessoas
foram consultadas em cada país.
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JORNAL O POVO / CEARÁ,
05 de junho de 2006 | Economia
BILHÕES
Projetos de “bondade” representam
R$ 18 bi
O aumento da popularidade do presidente
Lula também reflete os R$ 18,1 bilhões gastos com "bondades".
Entre as quais o reajuste do mínimo de R$ 300 para R$ 350, refinanciamento
de dívidas e medidas de renúncia fiscal
A popularidade do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva também está sendo alavancada por muitas
cifras, ou melhor, alguns bilhões de reais. Em 2006, o Governo
federal anunciou medidas de renúncia fiscal, reajuste do salário
mínimo e refinanciamento de dívidas, também conhecidos
como pacotes de "bondades", que representaram um gasto adicional
de R$ 18,189 bilhões aos cofres públicos.
Adicionalmente, o governo Lula pisou
no acelerador e liberou R$ 3,8 bilhões em investimentos de janeiro
a maio, volume 77% maior que o realizado em igual período de
2005 e 166% acima do registrado em 2003. Mas ainda menor do que os R$
4,8 bilhões liberados no último mandato do governo Fernando
Henrique Cardoso - nos primeiros cinco meses de 2002.
No pacote de "bondades" governamentais,
o maior destaque ficou com a Medida Provisória 288, que reajustou
o salário mínimo de R$ 300 para R$ 350, a partir de 1º
de abril. O impacto da medida no tesouro federal foi de R$ 9,4 bilhões.
Através de outra medida provisória publicada em janeiro,
a 280, Lula corrigiu a tabela do Imposto de Renda para Pessoa Física
em 8%, permitindo que 400 mil trabalhadores ficassem isentos do pagamento
do imposto e outros 250 mil pagassem menos tributo.
Na opinião do economista e analista
financeiro João Maceno Gomes, a correção da tabela
do Imposto de Renda e o reajuste do salário mínimo foram
medidas corretas que beneficiaram o trabalhador e fizeram justiça
fiscal. "E, sem dúvida, contribuíram para aumentar
o nível de popularidade do Governo, pois atingiram a grande massa
da população", avalia.
Maceno avalia que outros pacotes também
ajudaram a aquecer a economia e a recuperar alguns setores que estavam
no vermelho. Ele cita o pacote da construção civil. Em
fevereiro, a União decidiu zerar o Imposto sobre Produto Industrializado
(IPI) de 13 itens de uma cesta básica da construção
civil e reduzir para 5% o IPI de outros 28 produtos. "Eu concordo
com esse pacote por impactar na sociedade como um todo. O Brasil tem
um déficit habitacional muito grande e a construção
civil é intensiva em mão de obra e movimenta vários
setores da economia como aço, transporte e serviços",
acrescenta o presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças
no Ceará (Ibef-CE), Ênio Viana.
Mas, de acordo com Viana, também
é preciso analisar o outro lado dessas medidas. O reajuste do
salário mínimo, explica ele, impacta diretamente no déficit
da Previdência Social. A previsão para o ano é de
um déficit de R$ 45,8 bilhões, acima dos R$ 43,2 bilhões
estimados inicialmente no decreto de programação orçamentária
do Ministério do Planejamento. Elevação provocada
em boa parte pelo aumento do mínimo. No acumulado do ano, o déficit
está em R$ 12,549 bilhões, um crescimento de 13,1% na
comparação com o mesmo período do ano passado.
(Oswaldo Scaliotti)
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DCI – COMÉRCIO,
INDÚSTRIA E SERTVIÇOS / SÃO PAULO, 05 de junho
de 2006
Tendência de reajustes acima da
inflação continua em maio
Patrícia Acioli
Maio pode ser considerado um dos meses
mais agitados do ano quando o assunto é campanha salarial. Das
68 categorias que a Central Única dos Trabalhadores de São
Paulo paulista representa, 30 têm sua data-base no primeiro semestre
do ano e 15 são negociadas em maio. Na Força Sindical,
as negociações de maio ocorrem em 12 categorias, com mais
de 1 milhão de trabalhadores representados.
Em relação ao desempenho
das negociações de maio, os dados para análise
ainda não foram consolidados porque boa parte das categorias
não chegou a um acordo. Apesar disso, a CUT acredita que a tendência
será a mesma de 2005, ou seja, de reajustes superiores ao índice
da inflação. No primeiro semestre do ano passado, 86%
das negociações coletivas tiveram aumento real.
A Construção Civil, categoria
que em todo estado tem 393 mil trabalhadores, celebrou um reajuste de
6,01%. Nesse percentual está embutido um aumento real superior
aos 2% conquistados pela categoria no ano passado. Houve ainda um reajuste
de 12,5% no valor do tíquete-refeição.
Já os vigilantes de São
Paulo, que são aproximadamente 126 mil, acertaram um reajuste
de 3,39%. Além disso, conquistaram o pagamento do domingo dobrado
e a hora extra remunerada com adicional de 60% sobre o valor da hora
normal. Outra conquista da categoria foi a obrigatoriedade da empresa
contratante fornecer coletes à prova de bala para os trabalhadores.
Após greve de um dia, com adesão
de 70% dos seus funcionários, a Sabesp aprovou sua convenção
coletiva com os seguintes itens: reajuste salarial de 4,6%, com repasse
aos benefícios de cesta básica, vale-refeição,
auxílio-creche e gratificação para dirigir veículos;
reajuste de 16% na gratificação de férias; garantia
no emprego de 98% do efetivo; Participação nos Lucros
e Resultados; distribuição de uma folha de pagamento com
pagamento integral em fevereiro; manutenção das cláusulas
do acordo coletivo anterior; pagamento de um abono em novembro, de acordo
com a avaliação de desempenho.
Os metroviários também
saíram vitoriosos de sua campanha. Renovaram as cláusulas
pré-existentes no acordo coletivo e fecharam um reajuste salarial
de 4,63%, sendo 2,55% referente ao índice INPC da Fipe, e 2,03%
a título de aumento real; gratificação por tempo
de serviço para todos os metroviários que foram admitidos
a partir de maio de 2001, entre outros itens que foram negociados.
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TUDORONDÔNIA, 03 de
junho de 2006
Raupp defende correção maior
do salário mínimo para 2007
Brasília – O senador Valdir
Raupp (PMDB-RO), afirmou hoje (2) que, como relator geral do Orçamento
da União no próximo ano, vai lutar para que o salário
mínimo que vigorará em 2007, “tenha o maior incide
possível de correção, mas sem contaminas as contas
públicas e sem prejudicar o esforço de todos, governo
e trabalhadores”.
Ele acrescentou que, em 1995, o salário
mínimo valia R$ 200,00, mas,hoje, já chega a R$ 350,00,
sendo corrigido em 44%. “Espero contribuir com os esforços
de todos para melhorá-lo ainda mais ano que vem,”, frisou.
Segundo o parlamentar por Rondônia,
atualmente, em todo o Brasil, registrou-se uma recuperação
significativa do salário, porque no Brasil, 40 milhões
de pessoas recebem o mínimo. “A elevação
para R$ 350,00 trouxer aumento de R$ 15 bilhões na massa de rendimentos
em 2006, e uma elevação de mais de R$ 3,7 bilhões
na arrecadação tributária,” completou.
Valdir Raupp finalizou afirmando
que esforçar-se por um salário mínimo maior para
o próximo ano, “pois essa é uma luta justa e nobre
que apoiamos”. Para ele, não devemos desconhecer o esforço
do governo Lula em corrigir as distorções salariais, mas
também não podemos contribuir para o desequilíbrio
da estabilidade econômica que tão duramente conquistamos.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
05 de junho de 2006
Proposta elimina trancamento da pauta
do Congresso por medidas provisórias
A Câmara analisa a Proposta de
Emenda à Constituição 514/06, do deputado Roberto
Magalhães (PFL-PE), que suprime da Constituição
a possibilidade de trancamento da pauta dos plenários da Câmara
e do Senado em razão do atraso na votação de medidas
provisórias. Atualmente, depois de 45 dias de tramitação,
a medida provisória que não for votada tranca a pauta
da Casa onde estiver.
Conforme a proposta de Magalhães,
depois de 45 dias de tramitação, a medida passa a tramitar
em regime de urgência, sem trancar a pauta. Atualmente, a MP tem
um regime próprio de urgência, chamado de urgência
constitucional, que é revogado pela proposta de Roberto Magalhães.
Excesso de poder
Na opinião de Roberto Magalhães,
a mudança feita em 2001 deu um excesso de poder ao Executivo
e uma grande interferência na atividade legislativa.
"Nos últimos anos, grande
parte das sessões legislativas da Câmara e do Senado são
pautadas pelas decisões do presidente da República, e
o Parlamento brasileiro perdeu a sua autonomia de definir suas prioridades.
O presidente detém não só o poder de bloquear,
mas também o de desbloquear, ao sabor do momento político,
a ordem dos trabalhos", afirma.
O parlamentar acredita que a vedação
à reedição das medidas provisórias e a extensão
do prazo para seu exame pelo Congresso Nacional já concedem as
garantias indispensáveis à superação dos
problemas. Por esse motivo, seria desnecessário trancar a pauta
a partir de decisões do Executivo.
Tramitação
A proposta, apensada a outras PECs que
também tratam de medidas provisórias, está sendo
analisada pela Comissão de Constituição e Justiça
e de Cidadania quanto à sua admissibilidade. Se aprovada, será
analisada por uma comissão especial a ser criada especificamente
para esse fim. Depois, segue para o Plenário, onde precisa ser
votada em dois turnos.
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de junho de 2006
Mínimo do mínimo
Salário mínimo é
direito de todo trabalhador, decide juíza
por Adriana Aguiar
Independentemente das horas trabalhadas,
o trabalhador não pode receber menos que um salário mínimo,
já que esta é uma garantia constitucional. O entendimento
é da juíza Maria Cecília Fernandes Álvares
Leite do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas-SP)
que condenou a patroa de uma doméstica a pagar as diferenças
salariais e seus reflexos sobre férias e 13º salário,
arbitrados em R$ 1,5 mil.
A trabalhadora entrou com pedido de pagamento
de diferenças salariais sob o argumento de que recebia salário
inferior ao mínimo legal.
De acordo com a juíza, a trabalhadora
tem razão no seu argumento já que o salário mínimo
é uma garantia constitucional “assegurada a todos os trabalhadores
e exigível de todos os empregadores e deve ser capaz de atender
todas as necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua
família, independentemente do número de horas trabalhadas
durante o mês”. Por isso, a patroa deveria, no entendimento
da juíza, calcular o valor do salário-hora levando em
conta o salário mínimo.
O artigo 7º da Constituição
assegurou às domésticas o recebimento do salário
mínimo, mas segundo a juíza, não existe norma que
estabeleça qual a jornada de trabalho deve ser cumprida por esses
empregados, já que o inciso XIII do mesmo artigo apenas estabelece
que a jornada não deve ser superior a 8 horas por dia ou 44 horas
semanais. A juíza citou decisão anterior do TRT-15 que
mesmo que a jornada de trabalho da empregada seja menor que oito horas
por dia, não há como haver o pagamento proporcional do
mínimo sobre as horas trabalhadas.
Para a advogada trabalhista Regina Célia
Bisson o salário mínimo presume uma jornada mensal mínima
de 220 horas. Segundo a advogada, um trabalhador com jornada inferior
tem que receber o valor proporcional calculado de acordo com a MP 266/2006,
de 30 de março de 2006, que estabeleceu o novo mínimo
de R$ 350. Na MP o valor diário do salário mínimo
é de R$ 11,67 e de R$ 1,59 por hora. Por isso, se a doméstica
trabalhar menos que 220 horas, deve haver o cálculo por hora
ou pelos dias trabalhados. Ela acrescenta também que falar em
jornada de trabalho de doméstica é complicado, porque
é uma profissão que não há controle das
horas trabalhadas e não tem direito a horas extras.
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CONSULTOR JURÍDICO,
05 de junho de 2006
Quebra de protocolo
Migração de ações
para o TST provoca conflito nas Turmas
A partir da aprovação da
Reforma do Judiciário, muitas ações migraram da
Justiça comum para a Justiça do Trabalho. Só o
Superior Tribunal de Justiça remeteu ao TST cerca de 650 recursos.
Com isso, algumas Turmas do TST suscitaram um conflito de competência
que deve ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Por conta disso,
o ministro Ronaldo Lopes Leal, presidente do TST, se encontrou nesta
quinta-feira (1º/6) a ministra Ellen, presidente do STF, para pedir
máxima urgência na solução do impasse.
No Tribunal Superior do Trabalho a questão
é controversa. A 4ª e a 5ª Turmas entendem que o julgamento
desses recursos cabe ao STJ em razão da competência residual.
No entanto, os dois órgãos divergem quanto ao procedimento
mais adequado para viabilizar o retorno dos autos aquele tribunal.
A 5ª Turma pediu a intervenção
do Supremo Tribunal Federal, enquanto a 4ª Turma optou pela devolução
direta dos autos ao STJ. Há ainda uma corrente de ministros favorável
a que o TST julgue os recursos remetidos pelo STJ.
A preocupação do presidente
do TST é que o impasse cause prejuízos às partes
envolvidas nesses recursos, retardando ainda mais o desfecho das ações
judiciais. “Por esse motivo decidi levar o processo debaixo do
braço, quebrando o protocolo, e vou pedir à ministra Ellen
que esse conflito negativo de competência seja julgado com a máxima
urgência porque nosso jurisdicionado não pode esperar mais”,
explicou o ministro.
RR 166.888/2006
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
05/06/2006
TST reconhece legitimidade processual ampla
de sindicato
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho admitiu, em decisão unânime, mais uma hipótese
em que o sindicato pode atuar como substituto processual na defesa de
direitos individuais homogêneos. No caso concreto, foi reconhecido
o direito do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários
de Santos (SP) buscar, em juízo, o pagamento de anuênio
e diferenças salariais para os integrantes da categoria profissional.
O órgão do TST acolheu, segundo voto do ministro Renato
de Lacerda Paiva (relator), recurso do sindicato santista.
A decisão do TST garante a tramitação
de recurso ordinário da entidade sindical contra o Banco do Brasil
no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. O exame
sobre a matéria foi negado pelo TRT sediado em Campinas (SP),
sob a alegação de ilegitimidade do sindicato para reivindicar
o pagamento do anuênio e as diferenças salariais decorrentes
da supressão da verba até o seu restabelecimento, acrescido
de reflexos sobre outras parcelas remuneratórias.
Segundo o acórdão do TRT,
as possibilidades de substituição processual pelo sindicato
seriam limitadas. “As hipóteses são apenas aquelas
que abranjam interesses da categoria como um todo e estejam autorizados
por lei, ou seja, em situações em que se discuta a existência
de diferenças salariais pela inobservância de Lei (Leis
6.708, 7238 e 8.073) e de norma coletiva (art. 872 da CLT), ou direito
a adicionais de periculosidade ou insalubridade (art. 195, § 2º
da CLT)”, entendeu a decisão regional. “Excluídas
tais hipóteses, qualquer questionamento envolvendo direitos oriundos
da relação de trabalho deve ser perseguido pelo próprio
prejudicado, não se admitindo a substituição”,
acrescentou o TRT.
No TST, o ministro Renato Paiva ressaltou
que a controvérsia sobre a legitimidade do sindicato para atuar
como substituto processual está solucionada desde que o Supremo
Tribunal Federal afirmou a auto-aplicabilidade do artigo 8º, inciso
III da Constituição Federal. O dispositivo prevê
a legitimidade sindical para agir na “defesa dos direitos e interesses
coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões
judiciais e administrativas”.
O relator também lembrou
que o posicionamento do STF e a evolução das discussões
sobre o tema levaram, posteriormente, ao cancelamento da Súmula
nº 310 do TST, que restringia as situações em que
os sindicatos podiam atuar como substitutos processuais. “Essa
posição reflete a melhor interpretação dada
ao artigo 8º, III, da Constituição Federal, devendo-se
adotar, a partir de então, conceito amplo acerca da substituição
processual levada a efeito pelos sindicatos”, afirmou Renato Paiva
ao deferir o recurso de revista para que o TRT examine a ação
e decida se os bancários locais têm ou não direito
às verbas reivindicadas por seu sindicato. (RR 727/2000-064-15-00.2)

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