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DIÁRIO DO NORDESTE, 12 de junho de 2006
| Economia
MEDIDAS
Governo federal deve anunciar novos incentivos
para construção civil
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva deve anunciar nesta semana um pacote de medidas de incentivo
e desoneração do setor da construção civil.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Luiz Fernando Furlan, adiantou, durante palestra para empresários,
que o pacote terá 12 medidas.
Segundo ele, serão complementares
aos incentivos dados em fevereiro, como a redução do Imposto
sobre Produtos Industrializados (IPI) para a chamada “cesta básica”
do setor. “Se tudo der certo, no começo da semana o presidente
Lula estará anunciando 12 novas medidas”, disse.
Entre os produtos beneficiados estarão
porcelana, argamassa e válvulas. O governo tem interesse em reduzir
os custos do setor pelo seu potencial de gerar emprego em prazos curtos.
Em fevereiro, o presidente assinou um decreto para aumentar o crédito
imobiliário, incentivar a habitação popular e reduzir
preços de insumos.
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JORNAL DA CIDADE / BAURU,
10 de junho de 2006 | Economia
Bauru: Audiência definirá
rumo da greve de trabalhadores da construção civil
Luciana La Fortezza
Em clima de Copa do Mundo, os trabalhadores
da construção civil - em greve desde o início da
semana - esperam uma vitória nesta segunda-feira. Na ocasião,
será realizada uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho
da 15.ª Região, em Campinas, que pode dar fim à paralisação.
A expectativa foi compartilhada ontem
pela manhã por cerca de 50 representantes da categoria, que estiveram
reunidos num ato de confraternização realizado próximo
a uma obra, situada nas imediações do Bauru Shopping Center.
Enquanto sardinhas queimavam na brasa,
trabalhadores de verde e amarelo, com bandeiras empunhadas, prometiam
radicalizar o movimento, caso o piso da categoria não seja fixado.
Para quem tem qualificação ele é, atualmente, de
R$ 719,00. Os não-qualificados recebem R$ 585,20. A proposta
é de que o valor mínimo suba para R$ 783,40 e R$ 637,00,
respectivamente.
“Se não fechar, vamos ampliar
o movimento. A maioria (das construturas) fechou acordo direto com o
sindicato. Só as grandes, ligadas ao Sindicato das Indústrias
da Construção Civil (SindusCon), não. Elas aguardam
o dissídio, cuja audiência conciliatória é
na segunda à tarde”, explica Cláudio da Silva Gomes,
diretor-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção
Civil.
De acordo com ele, dos cerca de 6 mil
trabalhadores da construção civil de Bauru, mil continuam
em greve. Vários voltaram ao trabalho em função
de reajustes, que oscilaram entre 6% e 10% (e superam o piso). A situação
será completamente normalizada desde que o valor mínimo
pago em Bauru seja equiparado ao da Capital e de outras cidades do mesmo
porte, reitera Gomes.
No entanto, para o diretor regional do
SindusCon, Ralph Ribeiro Júnior, a situação já
foi normalizada durante a semana.
“Não foi uma greve dos trabalhadores
porque a adesão foi extremamente baixa. O piso (que o sindicato
reivindica) é superior ao da Capital. Vai trazer desemprego e
informalidade. Mas é o Judiciário quem decide”,
afirma. Ralph ressalta que o SindusCon também atua em favor dos
trabalhadores.
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FOLHA DE LONDRINA, 11 de junho
de 2006
Reajustes salariais inflam INCC

Rio de Janeiro - O custo da construção civil em maio quase
triplicou em relação a abril. O Índice Nacional
da Construção Civil (INCC) passou de 0,42% para 1,26%.
Segundo os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), a alta foi puxada pelos reajustes salariais
do setor, já que a data base dos trabalhadores é maio.
Na comparação com maio de 2005, o índice foi inferior
em 0,27 ponto percentual.
O INCC é composto pelas parcelas
de mão-de-obra e de materiais. Somente a mão-de-obra subiu
em maio 2,51% em relação a abril (0,97%), acumulando nos
primeiros quatro meses do ano alta de 4,21%. A parcela dos materiais
passou de 0,02% em abril para 0,27% em maio, com os reajustes nos preços
de tijolo e cimento, exercendo as maiores influências para a alta.
A gerente do levantamento, que é
feito pelo IBGE em convênio com a Caixa Econômica Federal,
Sandra Lúcia Sá dos Reis, explicou que o mês de
maio se caracteriza por índices elevados em função
da concentração dos acordos coletivos e também
por conta do reflexo do aumento do salário mínimo. ''A
aceleração é decorrente dos acordos coletivos ocorridos
em sete estados, além da influência do mínimo em
outros estados'', acrescentou.
Os índices mais altos da construção
em maio foram registrados nas regiões sudeste (1,61%) e nordeste
(1,14%), onde ficam os estados que concentraram os reajustes salariais
da mão-de-obra. O custo nacional por metro quadrado passou de
R$ 550,51 em abril para R$ 557,13 em maio. Desse total, R$ 321,79 são
referentes aos materiais e R$ 235,34, à mão-de-obra.
Sandra lembrou que o Índice
Nacional da Construção Civil é usado como referência
para a elaboração e avaliação de orçamentos,
acompanhamento de custos e programação de investimentos.
Desde 2002 o índice é usado como referência para
a delimitação de custos de execução de obras
públicas.
Cristiane Ribeiro
Agência Brasil
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
12 de junho de 2006
Construtora mineira terá que pagar
contribuição para o Sebrae
A 7ª Turma do TRF-3 (Tribunal Regional
Federal da 3° Região) negou à empresa mineira Construtora
Reno de Minas Gerais o direito de se eximir da contribuição
para o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas).
Segundo a assessoria do tribunal, o Sebrae
sustentou que as contribuições de intervenção
no domínio econômico não estão vinculadas
aos setores beneficiados pela intervenção e que a exação
guarda exata fidelidade aos Princípios Gerais da Atividade Econômica
e com as medidas e ações de apoio às micro e pequenas
empresas, presentes na Constituição (art.170 e 179).
Por sua vez, o INSS sustentou a legalidade
da contribuição, independente do porte da empresa, porque
instituída com o objetivo de financiar políticas de redução
das desigualdades regionais e sociais.
Os argumentos levantados pelo Sebrae
e pelo INSS foram acolhidos pela Turma, e a construtora terá
de contribuir.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 10 de junho de 2006 | Economia
Produção industrial cai
em seis das 14 regiões
O desaquecimento ficou a cargo de Santa Catarina,
Amazonas,Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e São
Paulo
Jacqueline Farid
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PRODUÇÃO
INDUSTRIAL |
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Local |
Variação |
| Amazonas |
-9% |
| Pará |
10,2% |
| Região
Nordeste |
1,2% |
| Ceará |
Zero |
| Pernambuco |
8,6% |
| Bahia |
5,2% |
| Minas
Gerais |
1,2% |
| Espírito
Santo |
1,3% |
| Rio
de Janeiro |
Zero |
| São
Paulo |
-1,2% |
| Paraná |
-6,3% |
| Santa
Catarina |
-10,2% |
| Rio
Grande do Sul |
-8,9% |
| Goiás |
-4,9% |
| Brasil |
-1,9% |
RIO - A produção industrial caiu em seis das 14 regiões
pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) em abril, na comparação com igual mês do
ano passado. O dado, divulgado nesta sexta-feira, mostrou ainda que
houve crescimento no indicador em seis regiões e estabilidade
em dois locais, nessa mesma base de comparação.
O desaquecimento ficou a cargo de Santa
Catarina, Amazonas,Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e
São Paulo. No Rio de Janeiro e no Ceará a produção
ficou estável, enquanto Pará, Pernambuco, Bahia, Espírito
Santo, Minas Gerais e a região Nordeste incrementaram o trabalho.
Segundo observaram os técnicos
do IBGE no documento de divulgação da taxa, a ausência
de dois dias úteis em abril deste ano em relação
a abril do ano passado foi um dos responsáveis pelo desempenho
da indústria. De acordo com o documento, "os resultados
regionais de abril contrastam com o ritmo de crescimento de março,
quando apenas dois locais apresentaram queda". Os dados regionais
da indústria em abril foram influenciados "de maneira importante"
pela diferença de dois dias úteis a menos em abril deste
ano ante igual mês do ano passado, segundo salientou André
Macedo, economista da coordenação de indústria
do IBGE.
Segundo ele, como não há
ajuste sazonal nos dados regionais, a influência dos dias úteis
sobre o resultado mensal é muito forte. "Os dados mensais
foram muito influenciados pelos dias úteis, o que mostra que
a piora do quadro regional em abril em relação a março
pode ser bastante pontual", disse Macedo.
Para Macedo, a avaliação
vale também para São Paulo, que responde por cerca de
40% da produção nacional e registrou queda de 1,2% na
produção em abril ante igual mês do ano passado.
O instituto explicou que a desaceleração
entre março e abril atinge 13 das 14 regiões investigadas,
já que mesmo os locais que apresentaram crescimento registraram
perda de ritmo. O único local que mostrou aceleração
na produção, entre março e abril, foi Pernambuco
(de 3,9% em março para 8,6% em abril), "resultado influenciado
pelo crescimento atípico em produtos de metal, por conta de concessão
de férias coletivas em abril de 2005, em uma importante empresa
do setor".
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Folha
de São Paulo, 10 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006/ALIANÇAS
Freire fecha com PSDB, ataca PT e diz não
apoiar "ladrão"
Presidente do PPS faz declaração
a militantes ao justificar aliança com tucanos | Deputado diz que
governo petista "é fraude que enxovalhou a esquerda'; PT estuda
representar contra Freire em comissão de ética
Lula Marques - 06.abr.06/Folha Imagem
O deputado Federal e presidente do PPS, Roberto Freire (PE), que ontem
fez ataque a Lula
JOSÉ ALBERTO BOMBIG
DA REPORTAGEM LOCAL
Ao explicar a militantes de seu PPS por
que não apoiará o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva nas eleições deste ano, o deputado federal Roberto
Freire (PE) afirmou ontem que não estará ao lado de "um
ladrão" na campanha. "Eu contesto este governo [federal],
não apenas no campo ético, mas moral, da decência.
Eu tenho a coragem de dizer, quando alguém vem para mim e diz,
"mas você está com [Geraldo] Alckmin [PSDB, principal
adversário de Lula]", eu digo, mas eu não estou com
ladrão, com ladrão, não, estou com Alckmin",
disse.
Freire desferiu o ataque a portas fechadas,
no evento que selou ontem a união do PPS à pré-candidatura
do tucano José Serra ao governo paulista. Ex-dirigente do PCB
(Partido Comunista Brasileiro), do qual nasceu o PPS, Freire explicava
a opção por Alckmin, apontado por parte de seu partido
como de "centro-direita": "Há um certo patrulhamento,
como se fazer essa aliança com PSDB e PFL fosse algo que fosse
manchar a nossa história. Manchar a história é
se fizermos aliança com o PT, essa fraude que enxovalhou a esquerda,
envolvendo-a naquilo que ela nunca esteve envolvida. Podemos cometer
todos os erros, menos nos aliarmos à corrupção",
afirmou ele.
Minutos depois, falando à imprensa,
Freire foi firme nas nas críticas, mas não usou a expressão
"ladrão". Quando o presidente do PPS, que desistiu
da pré-candidatura ao Planalto, já havia deixado o hotel
onde ocorreu o encontro, um assessor que gravara seu discurso à
portas fechadas, mostrou, a pedido de jornalistas, o trecho em que o
deputado chama Lula de "ladrão". Em 2002, o PPS apoiou
Lula no segundo turno contra José Serra e chegou a fazer parte
de seu governo. Segundo Freire, seu partido fez uma autocrítica
por ter incorrido em "erro".
Questionado sobre o envolvimento do senador
Eduardo Azeredo (PSDB-MG) com o "valerioduto" que irrigou
o mensalão, o deputado disse que "são coisas distintas".
O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, também deputado
federal, disse que, se confirmadas as declarações, o partido
deverá representar contra Freire no Conselho de Ética
da Câmara. "Para verificar a credibilidade de Roberto Freire,
é só pegar os índices pífios de intenção
de voto dele nas pesquisas em Pernambuco quando ainda era pré-candidato
a presidente. Ele é coveiro do PPS", disse.
Em novembro, o PT representou no Conselho
de Ética contra a deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), que,
também em evento partidário, disse que Lula era um "bandidão".
A Folha tentou ouvir novamente Freire ontem após a divulgação
da gravação, mas sua assessoria não respondeu ao
pedido de entrevista. Alckmin preferiu não comentar.
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Folha de São Paulo,
10 de junho de 2006
SINDICALISMO
Artur Henrique é eleito para presidir
a CUT
DA FOLHA ONLINE
Congresso realizado pela CUT (Central
única dos Trabalhadores) em São Paulo concluiu ontem a
votação para a escolha de sua nova diretoria e elegeu
Artur Henrique, da corrente Articulação, como novo presidente
nacional da entidade, com 69% dos 2,5 mil votos. A chapa encabeçada
por Wagner Gomes obteve 24,5% dos votos, e a de Lujan Miranda, 6,4%.
A eleição vale para o triênio 2006-2009.
Artur Henrique da Silva Santos,
44, é técnico eletrotécnico e sociólogo.
Nascido em São Paulo, iniciou sua atividade sindical em 1983,
quando foi eleito conselheiro representante dos trabalhadores da CPFL.
Como secretário nacional de Organização da CUT
(2003-2005), participou da elaboração de um projeto de
consenso para a Reforma Sindical.
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Folha
de São Paulo, 11 de junho de 2006
Bolsa-Família chega até onde
governo não leva água
Obras federais interrompidas dificultam emancipação
econômica de miseráveis no sertão
O IMPACTO dos programas assistenciais
e subsidiados sobre as famílias mais pobres do Nordeste é
incontestável. Ele significa, basicamente, mais comida na mesa
dos miseráveis e a compra de produtos essenciais. Mas onde o
Bolsa-Família chega, faltam investimentos que poderiam emancipar
economicamente os pobres. O excesso de filhos e a precariedade das chamadas
condicionalidades do programa também são barreiras. Já
os efeitos pró-Lula são irrefutáveis.
DO ENVIADO ESPECIAL AO NORDESTE
João Vitorino da Silva, 61, não
tem em sua casa água, luz, fogão, geladeira ou trabalho
fixo. Mas gerou com a mulher, Maria Lucia, 32 descendentes, sendo 11
filhos e 21 netos. De cabeça, Vitorino conta "16 votos"
entre os parentes. A maioria vive perto do Horto do Salitre (BA), região
seca e miserável não muito longe das margens do rio São
Francisco. Ao lado de sua casa, e das outras próximas, há
uma enorme cisterna de alvenaria construída com dinheiro público.
Está vazia há 8 meses. A família tem de andar "uma
légua" (6,6 km) com latas d'água na cabeça.
A alguns quilômetros dali, um gigantesco
canal de concreto serpenteia o sertão. É uma obra pública
federal iniciada em 1998. Também está seco. A água
tirada do São Francisco para irrigar toda a região pelo
canal do Salitre não foi longe. Oito anos depois, o canal está
parado por falta de investimentos, apesar de boa parte da obra civil
estar pronta. Em 2005, o governo federal destinou menos de R$ 750 mil
para o canal. Segundo Carlos Everton de Farias, presidente da Codevasf,
que supervisiona a região, o governo espera que uma PPP (parceria
público-privada) faça a obra avançar.
Olhando o canal seco, parece inacreditável
que o governo ainda divulgue a pretensão de transpor todo o São
Francisco.
O Projeto Salitre deveria atender inteiramente a região do Horto,
da Lagoa do Salitre e ir mais adiante. Enquanto o investimento para
irrigar a terra de milhares de pequenos produtores pobres não
chega, é o Bolsa-Família quem avança em toda a
região.
No entorno de Juazeiro (BA), onde está
o Salitre, 19 mil famílias, de um total de 25 mil elegíveis,
recebem o benefício. A maioria das famílias visitadas
pela Folha na Bahia, em Pernambuco e no Piauí vive em casas caindo
aos pedaços, onde todos se amontoam sobre espumas imundas na
hora de dormir. Núcleos com menos de cinco filhos é coisa
raríssima. Adolescentes de 14 anos grávidas ou já
mães, nem tanto. O alcoolismo está em toda parte. Se não
passam fome, estão seguramente subnutridos. Feijão e farinha
são o esteio da barriga. Para muitos, proteína só
raramente, quando matam um passarinho ou sacrificam um porco ou cabra
da criação.
Em Acauã (PI), onde o governo
Lula diz ter "inaugurado" o Fome Zero, Melânia Rodrigues,
40, participa dos programas sociais desde o governo FHC. Ela tem cinco
filhos. Hoje, recebe R$ 90,00 ao mês. O marido, José, faz
bicos de pedreiro. Quando há chuva e trabalho, os filhos mais
velhos vão para a roça. O do meio, Isaias, 17, saiu tardiamente
do Bolsa-Família em 2005 (a idade máxima para ter direito
ao benefício seria 15). Ato contínuo, abandonou os estudos.
"Talvez volte depois", afirma. A principal condicionalidade
para que uma mãe receba R$ 50,00 do Bolsa-Família e cada
filho mais R$ 15,00 é que eles se dirijam à escola, com
freqüência mínima de 85%.
O governo federal também tem outros
benefícios, como os dados a quem participa de programas de capacitação
profissional, como o Agente Jovem.
Resultados controversos
Nove meses depois de visitar a favela
Suvaco da Cobra, na periferia de Jaboatão dos Guararapes (PE),
a Folha retornou ao local na semana passada. Em 2005, Luan, 8, filho
de Micenéia dos Santos, 35, estava na 1ª série. Hoje,
cursa a 2ª. Com exceção de quando escreve o próprio
nome, sua caligrafia é péssima. Ele também não
conseguiu ler "Fernando" em um cartão.
A poucos metros dali, Sueli Maria Dumont,
33, mãe de oito, recebe o Bolsa-Família e tem filhos no
Agente Jovem. No ano passado, a mais velha, Cássia, 17, fazia
um curso de cabeleireira. Terminou em dezembro. Está desempregada.
Observando o Suvaco da Cobra, é bastante óbvio: o que
não falta é "salão de beleza". Outra
atividade do Agente Jovem na região é curso de bordado.
Vários especialistas consultados pela Folha vêem muitos
prós e contras na profusão de programas sociais. Os extremos
vão do combate à fome ao risco de explosão fiscal,
passando pelo assistencialismo eleitoreiro à falta de foco das
chamadas condicionalidades -como o curso de bordado.
Mas, aliado ao impacto dos reajustes
reais sobre o salário mínimo, o resultado positivo desses
programas sobre a economia é inegável. O comércio
e a produção industrial do Nordeste são os que
mais crescem hoje. A região concentra a maior parcela dos que
recebem salários mínimos, benefícios previdenciários
associados ao rendimento e dinheiro dos programas sociais. "Apesar
dos valores pequenos, os programas de fato amenizam a fome e, no agregado,
ajudam a economia como um todo", afirma Paulo Henrique de Andrade,
diretor da Associação Comercial de Juazeiro.
Do outro lado do São Francisco,
em Petrolina (PE), Rostand Freire, diretor do Clube dos Diretores Lojistas,
discorda. "Isso é migalha do governo atrás de votos.
Irrigação que é bom, não tem um metro de
cano novo investido aqui", diz. Para Sergio Vale, economista da
consultoria MB Associados, embora tragam alívio imediato aos
beneficiários miseráveis, os programas sociais criariam
uma renda e nível de consumo sem sustentação. "É
como um fogo com luz, mas sem calor." Na sua opinião, a
contrapartida ao forte aumento da renda dos mais pobres seria "um
nivelamento por baixo" do patamar médio de rendimentos.
José Márcio Camargo, economista
da PUC-Rio, vai em outra direção. "Em um país
com uma disparidade de renda como a nossa, isso de nivelar por baixo
não existe", afirma. Camargo lembra que o Bolsa-Família
custa hoje menos de 0,5% do PIB e é, na sua opinião, um
dos mais bem implementados em todo o mundo. Em trabalho recente apresentado
pelo Banco Mundial, o Bolsa-Família figurou, em termos quantitativos,
como o mais amplo e focalizado programa de renda na América Latina:
73% dos benefícios chegariam efetivamente aos 20% mais pobres.
Percorrendo o sertão nordestino,
não é difícil dar razão a todo mundo, críticos
ou não. Principalmente no essencial:
1) no curtíssimo prazo (hoje e amanhã) haveria muito mais
fome não fosse esse dinheiro; 2) o impacto eleitoral pró-Lula
é fulminante e; 3) sem mais investimentos em infra-estrutura
e no controle da natalidade, a sensação, forte, é
de "enxugar gelo".
(FERNANDO CANZIAN)
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Folha
de São Paulo, 11 de junho de 2006
Antecipar metade do 13º salário
nas férias é vantajoso
Trabalhador pode receber dinheiro em julho e aplicar
até dezembro; rendimento ajudará nas compras de fim de ano
| Quem tem dívidas, como crediário, cheque especial ou cartão
de crédito, pode "investir" antecipando o vencimento
das parcelas
MARCOS CÉZARI
DA REPORTAGEM LOCAL
Receber metade do 13º salário
junto com as férias, no meio do ano, e aplicar o dinheiro é
vantajoso para o trabalhador. Esse investimento, durante pelo menos
cinco meses, pode engordar o valor do 13º salário -a segunda
parcela é paga pelas empresas até 20 de dezembro. A vantagem
está no fato de que o valor recebido em julho será descontado,
em dezembro, pelo seu valor nominal, sem correção. Significa
dizer que, se o trabalhador receber R$ 3.000 em julho, esse será
o valor a ser descontado em dezembro.
Se for sair em férias em julho,
por exemplo, e antecipar o recebimento de metade do 13º, o trabalhador
poderá aplicar o dinheiro por cinco meses, até o início
de dezembro. Esse tipo de aplicação trazia mais vantagem
na época da inflação elevada, quando era possível
até dobrar o valor em poucos meses. Agora, entretanto, o ganho
não tem a mesma magnitude, mas mesmo assim não pode ser
desprezado. No quadro ao lado estão alguns exemplos que mostram
o quanto o trabalhador pode obter de ganho. Embora não possam
ser considerados espetaculares, os ganhos permitem que o trabalhador
compre alguns presentes ou engorde a sua ceia natalina.
A pedido da Folha, o professor de matemática
financeira José Dutra Vieira Sobrinho simulou aplicações
em poupança e em fundos de renda fixa. Nos exemplos, foram consideradas
aplicações no início de julho e resgate cinco meses
depois, no início de dezembro, para dar tempo ao trabalhador
de poder fazer as compras de Natal com tranqüilidade. Para a poupança
foi estimado um rendimento de 0,7% ao mês, ou 3,549% em cinco
meses. Na renda fixa, o juro estimado é de 0,95% ao mês
(já descontado o Imposto de Renda), ou 4,841% em cinco meses.
Para a poupança, o ganho mínimo passa de R$ 100 se o 13º
recebido for de R$ 3.000. Se o valor recebido for de R$ 10 mil, o ganho
pode superar R$ 350. No fundo de renda fixa os ganhos serão superiores
a R$ 140 e a R$ 480, respectivamente.
Pagar dívidas
Outra opção de "investimento"
para quem for receber a primeira parcela do 13º salário
nas férias é quitar dívidas, como crediário,
cheque especial e cartão de crédito. Ainda que os juros
no crediário não sejam tão elevados como os do
cartão de crédito e do cheque especial, costumam ser maiores
do que o rendimento obtido na poupança ou no fundo de renda fixa.
Se for quitar a dívida de um crediário, o consumidor deve
negociar para não pagar os juros das parcelas que serão
antecipadas.
O pagamento de dívidas do cheque
especial e do cartão de crédito traz mais vantagens financeiras,
uma vez que nesses casos o juro é bem maior -na média,
variam de 6% a 10%. Para o consumidor ter uma idéia do ganho,
uma taxa de juros de 8% ao mês dobra em nove meses. Se for de
6%, crescerá 69% em nove meses; em um ano, também dobrará.
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Folha de São Paulo,
11 de junho de 2006
Brasil, China e Índia pedem vaga
conjunta no G8
ENVIADA ESPECIAL A SÃO PETERSBURGO
Inserido no debate do G8 -grupo das sete
economias mais industrializadas do mundo e a Rússia- apenas como
convidado, o Brasil quer uma vaga definitiva ao lado da China e da Índia.
Numa reunião, ontem, com representantes dos dois países,
o ministro Guido Mantega (Fazenda) acertou que o pleito será
apresentado e, a partir de agora, as três economias se reunirão
antes dos encontros do G8 para definir uma pauta comum.
"Temos a intenção
de que o G8 nos integre de forma definitiva. Afinal de contas, são
três países importantíssimos para economia internacional",
afirmou Mantega. Para destacar essa importância, ele argumentou
que "graças a esses países o nível de inflação
no mundo é mais baixo do que poderia ser se dependesse só
do petróleo e dos países avançados". Hoje,
a participação do Brasil, da China e da Índia nos
debates do G8 depende de um convite formal da presidência do grupo,
que muda todos os anos e atualmente está com a Rússia.
Além disso, os países convidados não têm
acesso a todos os debates.
Desde o início do governo Luiz
Inácio Lula da Silva, em 2003, o Brasil vem participando regularmente
-a exceção foi 2004. Neste ano, na Rússia, o país
ficou de fora da discussão sobre energia. "Fica uma situação
esquisita porque você é convidado, participa de uma parte
do debate e não participa da outra. Imagina o Brasil não
participar da discussão de energia, sendo que é hoje o
país que mais apresenta alternativas de energia", reagiu.
Os ministros da Fazenda do G8 disseram que as perspectivas para a economia
mundial são boas, apesar de apontarem riscos, como a alta do
petróleo.
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Diário Vermelho,
11 de junho de 2006
Brasil comemora Dia Mundial de Combate
ao Trabalho Infantil
O Brasil vai celebrar segunda-feira (12) o Dia Mundial de Combate ao
Trabalho Infantil com o lançamento da publicação
sobre os prejuízos à saúde de crianças e
adolescentes, decorrentes do trabalho infantil perigoso. O lançamento
vai contar com a presença do ministro da Saúde, Agenor
Alvarez, e do coordenador nacional do Programa para Eliminação
do Trabalho Infantil (Ipec) da OIT, Pedro Américo Oliveira.
O estudo Módulos de Auto-Aprendizagem
sobre Saúde e Segurança no Trabalho Infantil e Juvenil
foi desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho
(OIT) em parceria com o Ministério da Saúde, para contribuir
no processo de formação e qualificação dos
profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde
(SUS). O documento faz parte da série Comunicação
e Educação em Saúde.
O lançamento do módulo
dá início a uma série de atividades de capacitação
com o objetivo de aumentar a visibilidade da notificação
dos casos e de alertar para os perigos que o trabalho pode acarretar
na saúde das crianças. A OIT e o Ministério querem
também que as informações sobre saúde e
segurança de meninos e meninas trabalhadores ajudem a aumentar
os esforços de proteção.
Segundo o organismo internacional, os
danos causados pelo trabalho infantil só aparecem na vida adulta
e a falta de informações dificulta as ações
de combate ao problema. Desde 2000, quando entrou em vigor a Convenção
nº 182 sobre as piores formas de trabalho infantil, a OIT busca
estratégias para identificar os causadores de deficiências
no desenvolvimento físico e mental dessas crianças e adolescentes,
bem como doenças e acidentes de trabalho.
O Brasil recebeu destaque no relatório
da OIT sobre o trabalho infantil por ter registrado uma rápida
diminuição entre 2000 e 2004 no número de crianças
trabalhadoras.
O órgão, no entanto, destaca
que ainda há mais de 2,2 milhões de crianças de
entre 5 e 14 anos de idade inseridas no trabalho infantil, o que representa
6,8% do total de crianças brasileiras. A América Latina
foi a região do mundo onde se registrou uma maior queda na incidência
do trabalho infantil entre 2000 e 2004, mas o problema ainda afeta 5,1%
das crianças da região de 5 a 14 anos, segundo a OIT.
No mundo todo essa porcentagem é de 15,8%, de acordo com o relatório
sobre a eliminação do trabalho infantil sobre o qual debatem
os delegados de 178 países presentes na 95º conferência
anual do organismo da ONU, que será realizada até 16 de
junho em Genebra.
Tarefas domésticas
O relatório oferece uma perspectiva
otimista do problema, segundo o diretor-geral da OIT, Juan Somavia,
porque se observa uma queda da incidência do trabalho infantil
no mundo e permite pensar "na erradicação das piores
formas de trabalho infantil até 2016". O relatório
contabiliza o número de crianças "economicamente
ativas", que são aquelas que realizam atividades produtivas,
destinadas ou não ao mercado, independentemente se são
remuneradas, regulares (mas por pelo menos uma hora diária) ou
legais, e exclui as tarefas realizadas no lar.
Segundo os dados da OIT, o número
de crianças economicamente ativas de entre 5 e 14 anos caiu 9,6%
durante o período estudado, afetando agora 190,7 milhões
de menores.
Por outro lado, se o objeto analisado
for o trabalho infantil - um conceito mais restrito, que exclui os maiores
de 12 anos que trabalham poucas horas por semana em tarefas leves e
legais -, o número de afetados se reduz a 165,8 milhões,
após uma queda de 11%. Nessa categoria, o número de crianças
que realizavam trabalhos perigosos - para sua saúde física
ou mental ou para seu desenvolvimento moral - caiu 33,2%, a 74,4 milhões.
O relatório destaca que a América
Latina e o Caribe se caracterizaram pela rapidez na diminuição
do número de crianças afetadas por algum tipo de trabalho
infantil. O número de crianças economicamente ativas caiu
dois terços em quatro anos, ao passar de 17,4% em 2000 a 5,7%
em 2004.
Nesse mesmo período, a taxa de
trabalho infantil caiu ainda mais, com uma redução de
16,1% para 5,1%, apesar de a população infantil, em seu
conjunto, ter aumentado 2,68%, a 111 milhões de crianças.
"As reduções maciças registradas na América
Latina e no Caribe colocaram a região em níveis similares
aos de algumas economias desenvolvidas e em transição",
afirma o relatório.
Em toda a região, há grandes
diferenças de gênero quando se compara o trabalho dos meninos
e das meninas, segundo a OIT, já que 63% dos meninos trabalham
em tarefas relacionadas com a agricultura e 43% das meninas, com prestação
de serviços.
Em vários países da América
Latina as crianças dedicam uma parte vital de seu tempo às
tarefas domésticas, especialmente as meninas, com uma intensidade
tal que esses trabalhos podem interferir no tempo que deviam dedicar
à escola e ao lazer.
Fiscalizações
No Brasil, o Ministério do Trabalho
e Emprego (MTE) vai aumentar a fiscalização nos Estados
e realizar uma série de atividades durante todo o mês de
junho com o objetivo de retirar as crianças do trabalho. A iniciativa
marca a passagem do Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, que
será comemorado amanhã. As Delegacias Regionais do Trabalho
(DRT) realizam em todos os estados ações fiscais para
retirar as crianças do trabalho, seja em pedreiras, casas de
farinha, bares, restaurantes, áreas rurais e lixões. Depois
que as crianças são encontradas, as famílias são
identificadas e encaminhadas para os programas Bolsa Família
e de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Os pais
que usam filhos pequenos como mão-de-obra, são encaminhados
ao conselho tutelar do município.
Além das operações
especiais, seis delegacias regionais - Belém, Teresina, Caruaru
(PE), Juiz de Fora (MG), Goiânia e Porto Alegre - realizam seminários
para conscientizar a população das piores formas de exploração
do trabalho infantil. A ação é uma parceria com
o Fórum Estadual de Erradicação do Trabalho Infantil,
do qual as DRTs fazem parte. Na última segunda-feira, foi lançada
em Brasília uma revista em quadrinhos da Turma da Mônica,
cujo enfoque é o fim da exploração da mão-de-obra
infantil. Foram impressos 68 mil exemplares que serão distribuídos
gratuitamente na rede pública de ensino de todo o país
pelos fóruns estaduais de prevenção e erradicação
do trabalho infantil.
As histórias alertam sobre
o trabalho infantil em atividades domésticas, nas ruas, nos lixões
e na área rural. Os temas de raça e gênero também
são abordados. O objetivo é aproveitar a popularidade
dos personagens do desenhista Maurício de Souza para enfatizar
a importância de uma infância saudável e livre da
exploração da mão-de-obra. Segundo o Ministério
do Trabalho, em todas as ações rotineiras de fiscalização
feitas nas empresas, é obrigatório verificar se há
trabalho infantil. Além disso, as delegacias regionais realizam
quatro operações especiais - duas sempre nas datas comemorativas
de 12 de junho (Dia Mundial do Combate ao Trabalho Infantil) e 12 de
outubro (Dia da Criança). Nas áreas rurais, a fiscalização
é sempre no período de safra. Com
informações da Agência Brasil.
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Nova Central, 12 de junho
de 2006
Faltar em dia de jogo do Brasil na copa
não dá demissão
A bola já começou a rolar na Copa da Alemanha e o brasileiro,
apaixonado por futebol, está em contagem regressiva para a estréia
da seleção na próxima terça-feira contra
a Croácia. Mas, diferente da Copa de 2002, no Japão, quando
os jogos aconteceram de madrugada e o torcedor tinha como opção
ver o jogo ou dormir, desta vez as partidas acontecem à tarde
e o pensamento mais recorrente no país é: "como me
livro do trabalho para ver o jogo?".
A maioria das empresas deve fazer um
acordo de liberação do funcionário e compensação
das horas em outros períodos. Algumas já planejaram como
repor com alguns minutos a mais por dia. Mas, não há lei
que regulamente o caso e o empregador pode se recusar a negociar e manter
o expediente apesar dos rojões, bandeirinhas e clima de festa.
Neste caso, se o funcionário faltar
no dia do jogo e não apresentar justificativa ou atestado, ele
terá o valor correspondente ao dia de trabalho e ao descanso
semanal descontado do salário. No caso da primeira partida, dia
13, o desconto também incluiria o feriado de Corpus Christi.
Se o funcionário deixar o ambiente
de trabalho mais cedo, também sem justificativa, terá
as horas que deixou de cumprir descontadas. Advogados trabalhistas dizem
que são raros os problemas entre empregador e funcionário
causados pela Copa ou Carnaval e que, mesmo os chefes ou patrões
mais rigorosos, também querem ver o talento do "quadrado
mágico" nos gramados.
Ou seja, faltar em dia de jogo da seleção
pode resultar em desconto no salário e advertência, mas
o trabalhador não deve ser demitido porque decidiu acompanhar
os dribles de Ronaldinho Gaúcho pela TV. A advogada trabalhista
Mitigo Koga explica que uma falta não caracteriza justa causa,
mas que o empregador, se for tão rigoroso a ponto de não
dispensar os funcionários para ver os jogos do Brasil, pode somar
a falta a outros comportamentos do funcionários e aproveitar
para dispensá-lo.
Segundo Arnaldo Varalda Filho, também
advogado trabalhista, apenas a falta consecutiva por 30 dias caracteriza
abandono de emprego e pode resultar em demissão por justa causa.
"Chegar alcoolizado reiteradamente, somado a desleixo e faltas
injustificadas, pode caracterizar desídia ou desinteresse, o
que pode levar à justa causa".
Silvio Senne, advogado trabalhista e
previdenciário da IOB Thomson, também acredita que a falta
não justifica justa causa. No entanto, ele alerta para os casos
de serviços que não podem ser interrompidos, como saúde,
segurança e transporte. "O trabalhador deve negociar revezamento
de equipes para que o mesmo funcionário não esteja trabalhando
em todos os dias de jogos da seleção", orienta. O
Brasil, se chegar à final e à disputa do tão sonhado
hexacampeonato, deve jogar sete partidas. Uma delas, da primeira fase,
está agendada para um domingo, contra a Austrália. Até
o final da Copa, dependendo dos resultados, um ou dois jogos podem cair
em final de semana.
Para os otimistas que acreditam que a
seleção do técnico Parreira disputará a
quarta final consecutiva, o Brasil deverá jogar entre quatro
ou cinco partidas no meio da semana, em horário como 12h, 13h
ou 16h. Para esses casos é que deve haver uma negociação,
reposição de horas ou utilização do banco
de horas da empresa. A advogada Mitico explica ainda que, se a empresa
decidir instalar televisores ou telões para que os funcionários
acompanhem os jogos dentro o ambiente de trabalho, há duas situações
possíveis. Se o funcionário for liberado para ver o jogo
ali ou em outro lugar, ele deve repor as horas não cumpridas.
Mas, se a empresa mantiver o funcionário
na empresa, mesmo parado para assistir a partida pela TV, e retomar
o trabalho após o jogo, não há necessidade de reposição
de horas. Na primeira fase, após o jogo com a Croácia,
na terça, às 16h, o Brasil enfrenta a Austrália
no dia 18, um domingo, às 13h. Já no dia 22, uma quinta,
é a vez da seleção encarar o Japão, às
16h.
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Folha
de São Paulo, 12 de junho de 2006
IBGE vai ampliar pesquisa de emprego
Novo levantamento abrangerá cidades do
interior ao agrupar a PME e a Pnad, e divulgação passará
a ser trimestral | Atualmente, apenas seis regiões metropolitanas
são pesquisadas; em 2002, instituto já havia mudado metodologia
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
Menos de quatro anos após anunciar
mudanças em sua pesquisa de emprego que resultaram em interrupção
na série histórica da taxa de desemprego, o IBGE já
prepara uma nova alteração no levantamento, que o tornará
mais abrangente, mas com periodicidade trimestral. Em entrevista à
Folha, a chefe da Coordenação de Emprego e Rendimento
do IBGE, Márcia Quintslr, revelou que a decisão sobre
a mudança já foi tomada e que os estudos para implementar
um novo levantamento domiciliar já estão em curso. A pesquisa
inovará ao agrupar o que hoje é a PME (Pesquisa Mensal
de Emprego) e a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).
Batizado de Pesquisa Domiciliar Contínua,
o novo levantamento responde, de acordo com Quintslr, "às
demandas da sociedade" por ter informações sobre
emprego e rendimento para todo o país -hoje, a PME só
é realizada nas seis maiores regiões metropolitanas brasileiras
(São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador
e Porto Alegre).
Em compensação, a pesquisa só divulgará
informações trimestrais -a atual é mensal. "A
periodicidade trimestral já é algo que está consolidado."
Haverá também mais uma
interrupção da série histórica da taxa de
desemprego, que já é relativamente curta. Teve início
em 2002, quando o IBGE realizou uma ampla modificação
conceitual e metodológica na PME, que passou a contar com mais
indicadores (subocupação, sub-remuneração
e outros) e resultou numa elevação do patamar do desemprego.
Em 2002 (março a dezembro), quando as duas pesquisas foram a
campo, a taxa de desemprego média pela metodologia antiga ficou
em 6%, enquanto pela nova PME foi estimada em 11,7%.
Especialistas, no entanto, não
acreditam num novo salto do desemprego, já que a maior parte
das alterações metodológicas recomendadas pela
OIT (Organização Internacional do Trabalho) já
está incorporada tanto pela nova PME quanto pela Pnad, o que
não acontecia na antiga PME. Foram justamente essas mudanças
e a introdução de um novo questionário para incorporá-las
que determinaram o aumento do patamar do desemprego. O que pode baixar
um pouco a taxa, dizem, é a incorporação das cidades
do interior (áreas rurais não devem ser pesquisadas),
onde a desocupação tende a ser menor.
Pesquisas simultâneas
Assim como foi feito em 2002, o IBGE
realizará simultaneamente a nova pesquisa domiciliar e a atual
PME com o objetivo de estudar as séries sem promover uma interrupção
brusca. Por dois anos, serão apuradas as duas pesquisas. Ainda
não está definido quando o novo levantamento irá
a campo, mas há a possibilidade de os trabalhos começarem
em 2007. Para a coordenadora do IBGE, as mudanças trarão
outro ganho a longo prazo: a redução de custos, já
que será mantida só uma equipe de campo, e não
duas, como hoje. Num primeiro momento, porém, o IBGE terá
de arcar com mais despesas, já que terá de manter a atual
PME por dois anos.
Outras prioridades
Especialistas se dividem quanto à
aprovação do projeto. "A mudança sempre traz
custos de rupturas das séries, mas, dado que esse custo já
foi incorrido na mudança de 2003, não se perde muito",
disse Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV. Ele
ressalta que o mercado de trabalho é dinâmico e "os
conceitos a ele aplicados mudam", o que justifica alterar a pesquisa.
Para Claudio Dedecca, da Unicamp, conceitualmente "a idéia
é boa", mas não prioritária.
Para ele, os recursos do IBGE são
escassos e o instituto deveria priorizar, por exemplo, a realização
de um censo econômico e a contagem da população,
que deveria ter sido feita em 2005 e só sairá em 2007.
Márcia Quintslr, do IBGE, diz que os indicadores sociais da Pnad
(educação, fecundidade e outros) serão divulgados
anualmente, como ocorre hoje.
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de junho de 2006
Câmbio atinge também o setor
moveleiro
Redação/O Estado do
Paraná
Foto: Arquivo/O Estado
Indústria de móveis perde competitividade com a queda
do dólar.
A perda de mercados externos e a corrida para conquistar fatias do mercado
dentro do Brasil são algumas das reações que os
empresários brasileiros do setor de móveis estão
sofrendo por conta da valorização do real frente ao dólar.
Essa variação cambial tem surtido efeitos positivos para
alguns setores, mas para os exportadores a realidade é diferente.
No setor moveleiro a taxa de emprego caiu no primeiro trimestre deste
ano (menos 0,64%).
É esse o foco de debates que promete esquentar o clima no Congresso
Nacional Moveleiro, que acontecerá entre os dias 28 e 29 de junho
em Arapongas, no Paraná. A queda nas exportações
já vem sendo sentida pelos empresários, principalmente
os de pequeno porte.
O superintendente da Associação Brasileira das Indústrias
do Mobiliário (Abimóvel), Miguel Sanches, avalia que é
preciso fazer uma reengenharia no mercado de móveis no Brasil.
“Agora é o momento de atuarmos fortemente junto aos arranjos
produtivos locais (APL)”, ressaltou.
Em 2005, o Brasil exportou US$ 991 milhões, sendo que os maiores
destinos foram Estados Unidos (38%), França (9%), Reino Unido
(7%) e Alemanha, Espanha e Argentina (4%). Segundo Sanches é
preciso investir em novos mercados externos para não sufocar
o mercado interno.
“Países como Venezuela e Emirados Árabes, por exemplo,
têm apresentado um crescimento nas importações de
móveis e os empresários brasileiros podem aproveitar esse
nicho”, disse.
De acordo com a gerente da Unidade de Atendimento Coletivo - Indústria
do Sebrae Nacional, Miriam Machado Zitz, a Instituição
tem trabalhado intensamente no fortalecimento das pequenas e microempresas
moveleiras para, inclusive, saber lidar com crises como esta. A idéia
de procurar novos mercados exteriores, para Miriam Zitz, é favorável,
ainda mais em se tratando de países da América do Sul.
“Mas há que haver um trabalho intenso também na
cultura do consumo de móveis no Brasil”, disse a gerente
do Sebrae. Segundo Miriam, é preciso fortalecer novas tendências
de consumo e tornar as compras de móveis tão cíclicas
e mais freqüentes do que eletrodomésticos e eletrônicos
em geral.
Em um dos mais importantes pólos exportadores de móveis
no Rio Grande do Sul, a cidade de Bento Gonçalves, duas das cinco
fontes de ocupação que mais demitiram nesse ano estão
ligadas à indústria moveleira. Dezoito vagas a menos para
operadores de centro de usinagem de madeira e 16 para operadores de
máquinas confirmam o reflexo na queda das exportações.
A perspectiva da Associação das Indústrias Moveleiras
do Rio Grande do Sul, por exemplo, é de que só naquele
estado houve uma queda de 20% nas exportações desde o
ano passado e cerca de cinco mil dos 35 mil postos de trabalho na indústria
moveleira também foram fechados desde janeiro de 2005.
Panorama Setorial
A produção da indústria moveleira no Brasil registrou
aumento de 39,6% nos últimos 11 anos, totalizando 80 milhões
de peças comercializadas por ano. No total, existem 16,1 mil
empresas formais no setor moveleiro, sendo que 96% são micro
e pequenas empresas.
O faturamento estimado dessas empresas gira em torno de US$ 5,4 bilhões,
o que representa algo em torno de 0,71% do Produto Interno Bruno (PIB).
Cerca de 190 mil pessoas trabalham com o segmento moveleiro no Brasil.
Só em 2004, US$ 6 milhões foram faturados com vendas para
o mercado interno. (ANS)
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O ESTADO DO PARANÁ,
11 de junho de 2006
Primeiras anotações sobre
a aplicação do piso salarial estadual
Edésio Passos
Em vigor desde 1.º de maio,
a Lei n.º 15.118, de 12 de maio de 2006 (DOE 12.5.06), que dispõe,
nos termos da Lei Complementar Federal n.º 103, de 14/7/2000, sobre
o piso salarial, para o Estado do Paraná, nos valores e condições
que especifica, iniciou o caminho de sua implantação concreta
nos pagamentos efetuados nos cinco primeiros dias úteis de junho
e nas negociações coletivas de trabalho. Difícil
de mensurar, ainda, o quantitativo dessa aplicação, mas
alguns pontos já podem ser assinalados no que se refere a inúmeras
categorias profissionais.
Especificidade e generalidade
O primeiro deles diz respeito a especificação profissional.
A Lei é enumerativa, por um lado, e genérica, por outro.
A generalidade está, por exemplo, ao fixar o piso salarial de
R$ 427,00 para os trabalhadores agropecuários, ou seja, abrangendo
todos os trabalhadores na agricultura e na pecuária. E a especificidade
ao determinar pisos salariais por funções com o valor
de R$ 431,28 para os operadores de máquinas e implementos de
agricultura, pecuária e exploração florestal; ou
com o valor de R$ 435,61 para os capatazes de exploração
agropecuária e florestal. Também a generalidade profissional
está presente na fixação do piso de R$ 429,12 para
os empregados domésticos e serventes, aos trabalhadores em empresas
comerciais e industriais. Mas diferencia o piso salarial, por exemplo,
para R$ 435,61 aos trabalhadores de usinagem de metais, encanadores,
soldadores, chapeadores, caldeireiros, montadores de estruturas metálicas,
trabalhadores de artes gráficas, trabalhadores de confecção
de instrumentos musicais, produtos de vime e similares, operadores de
máquinas da construção civil e mineração,
como funções industriais. Assim, ao buscar a identificação
do piso, primeiramente o interessado deve buscar a nominata funcional
e, não a encontrando, a generalidade profissional.
Inexistência de identificação
funcional
O segundo ponto refere-se a hipótese de, eventualmente, não
ser identificada a categoria profissional ou a faixa funcional em decorrência
de diversas nomenclaturas de tipo novo nascidas com o surgimento de
centenas de novos itens de produção ou serviços.
A solução interpretativa decorrerá de análise
aproximativa ou analógica, embora a fixação do
valor possa ser submetida a critério judicial. Trata-se de operação
mais complexa, pois a aproximação de uma categoria profissional
industrial com outra, para exemplificar, poderá não estar
no mesmo grupo sindical. Neste sentido, a mediação da
autoridade administrativa poderá auxiliar em se chegar a uma
aplicação justa. Não sendo possível a especificidade
funcional, o piso poderá estar ligado à generalidade profissional
mais abrangente.
Negociações coletivas
No que tange ao processo negocial coletivo, os sindicatos e federações
representativas das categoriais profissionais com data-base em maio
e em junho, já enfrentam as primeiras dificuldades com as entidades
sindicais patronais ou empresas. Os pisos salariais têm sido inseridos
nos acordos e convenções coletivas de trabalho como conquistas
importantes dos trabalhadores. São valores variáveis de
categoria para categoria e especificam funções múltiplas,
em geral adotados para todas as regiões, possibilitando um equilíbrio
regulamentador necessário a atividade produtiva. Muitos dos pisos
tomam por referencial o salário mínimo nacional, estabelecendo
percentual sobre o mesmo. Com a significativa elevação
para R$ 350,00, referidos pisos ganham aumento real também relevante.
As Federações e Sindicatos de trabalhadores estão
realizando sucessivas reuniões para estudar os reflexos da nova
lei salarial estadual nas tratativas com os empregadores.
Primeiras dificuldades
A mais complexa dificuldade está sendo encontrada na possível
existência de pisos salariais inferiores aos fixados na Lei. Com
o veto ao parágrafo único do artigo 3.º que, nesta
situação, determinava que se aplicasse o valor do piso
salarial indicado na Lei, os dirigentes sindicais dos trabalhadores
oscilam entre firmar acordos e convenções coletivas de
trabalho com pisos salariais abaixo dos valores legais, ou de, simplesmente,
não firmar os instrumentos normativos, visando a aplicação
da Lei. Também o setor empresarial enfrenta essa dificuldade.
Se insistir na fixação de piso salariais inferiores aos
da Lei, ocasionará desequilíbrios econômico-salariais
e insatisfações nos empregados. Se a entidade profissional
recusar-se ao acordo ou convenção coletiva de trabalho
e a empresa não efetuar o pagamento dos pisos salariais legais
devidos, o litígio será remetido à Justiça
do Trabalho para compelir o empregador ao pagamento dos valores constantes
da Lei em ação de cumprimento em favor de toda a categoria
profissional.
Necessária orientação
Toda a Lei no início de sua aplicação gera dificuldades,
incompreensões, interpretações diversificadas e
por vezes alguns antagonismos. O melhor, nesta fase inicial, é
o aconselhamento com operadores do Direito que tenham experiência
no campo trabalhista-sindical, especialistas em recursos humanos, fiscais
do trabalho, que possam ajudar, pelo bom senso, a encontrar formulas
que, ao mesmo tempo, beneficiem os trabalhadores e atendam aos interesses
das empresas. Importante, ainda, a realização de seminários,
debates, reuniões, publicação de textos analíticos,
para melhor encaminhar as questões surgidas. Neste sentido, participei
de debates com os dirigentes dos Sindicatos e Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação
que enfrentam, em suas negociações, algumas das dificuldades
assinaladas. Pelas observações colocadas na reunião,
pude concluir que há uma firme disposição do conjunto
sindical em percorrer caminho, mesmo longo, mas em direção
a efetiva implementação dos valores salariais mais elevados
que a Lei determina, sem abrir mão desse direito adquirido pela
classe trabalhadora paranaense.
Crescimento econômico
Mas, por certo, as empresas logo compreenderão que o pagamento
de salários mais elevados contribuirá para o crescimento
econômico e o desenvolvimento social necessários nesta
etapa da vida nacional. Um dos objetivos do governo do Paraná
foi, exatamente, propiciar que a massa salarial tivesse incremento em
todas as atividades profissionais, permitindo que o desenvolvimento
econômico fosse imediato. Por isso que, nas negociações
coletivas, as entidades sindicais dos trabalhadores tentam ajustes salariais
que possam atingir esse objetivo. Neste mesmo rumo, tem sido a aplicação
do novo valor do salário mínimo nacional, de R$ 350,00,
que, ao estabelecer percentual significativo de aumento real, propicia
a elevação da massa salarial e produto interno bruto em
benefício de toda a coletividade. Medidas como o novo valor do
salário mínimo nacional e a Lei que fixa os valores dos
pisos salariais regionais se inserem no esforço a ser empreendido
pelos trabalhadores e empregadores em suas relações produtivas.
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O governo estadual tem divulgado amplamente o valor do piso salarial
de R$ 437,00 visando chamar a atenção dos trabalhadores
em geral para esse valor máximo da Lei. O objetivo do governo
é fazer com que os pisos salariais consignados na Lei n.º
15.118/06 sejam efetivamente os pisos salariais mínimos e que
o salário mínimo regional ultrapasse o valor nacional.
Trata-se de meta a ser perseguida e somente o tempo possibilitará
esse ajuste entre empregados e empregadores. Fica, ainda, um ponto a
ser estudado relativamente aos salários dos servidores municipais,
excluídos do âmbito na Lei Estadual mas que, por decisões
dos Executivos e Legislativos Municipais, poderão atingir os
mesmos patamares estaduais.
edesiopassos@terra.com.br
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REVISTA ISTO É, 12 de junho de 2006

Metamorfose: antigo inimigo dos empresários, alan garcía
se tornou a única barreira contra o coronel ollanta humala, aliado
de chávez
América do Sul
Cartada peruana
Eleição de Alan García
no Peru dificulta a formação de uma aliança política
sul-americana liderada por Hugo Chávez
Por Cláudio Camargo
Os peruanos jogaram um balde de água fria na possibilidade de
se configurar na América do Sul um eixo geopolítico de
viés antiamericano liderado pelo presidente da Venezuela, Hugo
Chávez, secundado pelo boliviano Evo Morales. No domingo 4, no
segundo turno das eleições presidenciais do Peru, o candidato
do peito do venezuelano, o também coronel da reserva e líder
nacionalista Ollanta Humala, 43 anos, foi derrotado pelo ex-presidente
Alan Gabriel Ludwig García Pérez, 57 anos. Líder
do histórico Partido Aprista Peruano, de centro-esquerda, Alan
García recebeu o apoio tardio do empresariado e da classe média
justamente depois de ter trocado farpas com Chávez, que o chamou
de “ladrão” e ameaçou romper relações
com o Peru se ele fosse eleito.
A ironia é que García, que governou o Peru pela primeira
vez entre 1985 e 1990, representava nos anos 80 o mesmo papel de “besta
negra” do empresariado e de Washington que Chávez encarna
hoje em dia. Jovem e impulsivo, o então presidente peruano entrou
em confronto aberto com o FMI e estatizou o sistema bancário
em 1987, provocando a ira do escritor Mario Vargas Llosa. O saldo do
primeiro governo de Alan García é um pesadelo que os peruanos
querem esquecer: sua política econômica provocou uma hiperinflação
de 7.200%, levando o país a uma profunda recessão. Como
se não bastasse, naquela época o Peru se viu sitiado pelo
flagelo terrorista do Sendero Luminoso. Tanto descalabro abriu caminho
para Fujimori (1990-2000), que estabilizou o país e acabou com
o terrorismo, mas à custa de mergulhar o Peru na ditadura.
Se o “cavalo louco” – como García ficou conhecido
– aprendeu com os erros do passado, como garantiu, só o
tempo dirá. Ele terá que mostrar dotes de malabarista
para governar, pois seu partido, a Apra, conquistou apenas 36 das 120
cadeiras do Parlamento. A União pelo Peru, de Humala, ficou com
45 assentos e se converteu na maior força de oposição
– aliás, ele obteve 80% dos votos entre a população
mais pobre. Se não quiser negociar com os deputados ligados ao
líder nacionalista, o novo presidente terá de se entender
com os partidos da direita e os fujimoristas.
García recebe um país bem melhor do que deixou em 1990:
o Peru acumula cinco anos de crescimento econômico (21% do PIB),
puxado pela alta de preços internacionais do cobre e do ouro,
principais produtos da pauta de exportações. O problema
é que essa prosperidade e estabilidade não significaram
quase nenhuma mudança das péssimas condições
sociais da maioria dos peruanos. Cerca de 60% da força de trabalho
está desempregada ou subempregada e mais de 50% da população
continua vivendo abaixo do nível de pobreza.
“O discurso liberal sobre a estabilidade e os investimentos estrangeiros
como geradores de riqueza é percebido pela metade da população
como uma falácia destinada a garantir os privilégios das
elites”, afirmou o escritor peruano Santiago Rocagliolo. “Esse
foi o grande erro dos empresários peruanos durante décadas:
não se aliaram nunca com os líderes políticos para
criar um projeto mais inclusivo”, concluiu. Resta saber como Alan
García resolverá a equação sem cair novamente
na tentação populista nem se render ao falido discurso
do consenso de Washington.
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CONSULTOR JURÍDICO,
12 de junho de 2006
Vínculo empregatício
Trabalho em atividade-fim gera vínculo
de emprego
Com base no artigo 3ª da CLT, considera-se
empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza
não eventual a empregador, sob a sua dependência e mediante
salário. Com esse entendimento a 3ª Turma do Tribunal Superior
do Trabalho reconheceu o vínculo empregatício de um trabalhador
que tinha como atividade a retirada de tocos em uma fazenda.
A decisão considerou que o trabalho
de destoca é atividade da fazenda e não pode ser considerado
como serviço terceirizado, mantendo assim a sentença da
Vara do Trabalho de Itapeva (SP) e a decisão do Tribunal Regional
do Trabalho da 15ª Região (Campinas).
De acordo com a jurisprudência
do TST, é ilegal a contratação de trabalhadores
por meio de intermediador de mão-de-obra para exercer atividade-fim
de uma empresa. Quando isso ocorre, o vínculo de trabalho é
formado diretamente com o empregador. No caso julgado pelo TST, a pretensão
do proprietário da fazenda era transferir ao prestador de serviço
a responsabilidade pelas obrigações trabalhistas.
O empregado trabalhava exclusivamente
na fazenda, de segunda à sexta-feira, obedecia ordens e recebia
salário do empreiteiro. São requisitos necessários
para o reconhecimento do vínculo empregatício a pessoalidade,
a habitualidade, a subordinação e a dependência
econômica, o que caracteriza o caso (artigo 2º da CLT).
O relator do processo no TST, juiz convocado
Ricardo Alencar Machado, esclareceu que “os serviços de
limpeza da terra, destoca e outros estão relacionados à
atividade-fim desenvolvida, que é a exploração
de propriedade rural, além de estarem diretamente conectados
ao processo produtivo empresarial da fazenda”.
Segundo a decisão, os serviços
terceirizados mencionados na Súmula 331 do TST são voltados
exclusivamente ao asseio e à higiene do meio ambiente de trabalho,
que contribuem para a produção, mas não são
essenciais à atividade-fim, como eram os serviços de destoca
na Fazenda
AIRR 445/2004-047-15-40.8

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