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FOLHA DE SÃO PAULO, 13 de junho de 2006
Governo corta tributo da Construção
Civil
Nova lista anunciada pelo Planalto diminui
ou zera alíquota de IPI para 11 itens; desoneração
será de R$ 55 mi por ano
Medida complementa pacote anunciado por Lula
em fevereiro; setor pede inclusão de mais produtos, como materiais
elétricos
JULIANNA SOFIA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O governo voltou a reduzir tributos para
estimular a construção civil. Uma nova lista de desoneração
para material de construção foi divulgada ontem e 11 tipos
de produtos terão as alíquotas de IPI (Impostos sobre
Produtos Industrializados) reduzidas ou zeradas. Com a medida, a Receita
Federal deixará de arrecadar R$ 55 milhões por ano.
No início de fevereiro, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva havia anunciado um pacote de medidas para a construção
civil, que incluiu a ampliação de recursos para empréstimos
habitacionais, além da redução de tributos para
41 produtos usados em reformas e construção de imóveis.
O conjunto das medidas envolvia cerca de R$ 18,7 bilhões em recursos
público e privado.
De acordo com a Receita Federal, a lista publicada ontem no "Diário
Oficial" da União é um ajuste na relação
de produtos cuja desoneração foi anunciada no começo
do ano. A primeira lista representou uma renúncia fiscal de R$
1 bilhão por ano.
Dos 11 itens divulgados ontem, três terão a alíquota
de IPI zerada. Sobre esses produtos (acessórios de tubos de plásticos,
portas, janelas, caixilhos, alizares e soleiras de plástico e
de alumínio) antes incidia 5% de IPI.
Para massas niveladoras, seladores, argamassas e concretos (não-refratários),
ladrilhos e placas (lajes) para pavimentação ou revestimento
(não-vidrados nem esmaltados) de cerâmica, houve uma redução
do IPI de 10% para 5%. O mesmo vale para cubos, pastilhas e artigos
semelhantes para mosaicos (não-vidrados nem esmaltados), de cerâmica,
mesmo com suporte. Válvulas de retenção e válvulas
dos tipos globo e esfera, entre outros, tiveram redução
de imposto de 12% para 5%.
Benefícios
Estudo da Abramat (Associação Brasileira da Indústria
de Materiais de Construção) mostra que as medidas anunciadas
em fevereiro já trouxeram benefícios para o setor.
Embora tenha comemorado a nova lista de desoneração, a
entidade afirma que ainda precisam ser incluídos outros produtos,
como telas de aço e outros produtos de aço, cimento, fechaduras
e dobradiças e materiais elétricos.
Com as medidas para o setor da construção, o governo busca
atingir a classe média, mas principalmente as pessoas que querem
reformar o local onde moram ou construir os chamados "puxadinhos"
(novos cômodos geralmente feitos sem projeto ou orientação).
Na época da elaboração do pacote de desoneração,
a discussão sobre a desoneração para material de
construção levou a uma forte disputa entre os ministérios
da Fazenda e do Desenvolvimento.
O então ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) era contra reduzir
a zero a alíquota do IPI de produtos de construção.
O colega Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) chegou a apresentar
uma proposta para zerar o imposto de 80 itens.
Com a resistência de Palocci, o número final de produtos
beneficiados na lista acabou ficando em 41.
Agora, sob o comando do ministro Guido Mantega, a Fazenda fez um ajuste
na relação de itens cujo IPI foi reduzido, incluindo mais
11 produtos.
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Agência Diap, 13 de
junho de 2006
É preciso construir uma agenda
unitária e positiva dos movimentos sociais
Autor (a): Marcos Verlaine
Os movimentos sociais — composto
pelos movimentos sindical e estudantil, de mulheres, de negros, de moradia,
entre outros tantos — precisam construir uma agenda política
e reivindicativa unitária e positiva. Unitária porque
deve partir de um amplo consenso democrático, de modo a abarcar
as demandas mais imprescindíveis da luta social brasileira. Positiva
porque deve refletir uma luta que amplie direitos e conquistas e não
seja apenas um “apagar de incêndio” ou uma corrida
atrás do “prejuízo”, como comumente acontece.
Demandas e temas não faltam, pelo
contrário, até sobram, diante de tantas injustiças
e desigualdades. Nesse sentido, foi louvável a iniciativa da
bancada do PSB na Câmara de propor uma “agenda dos trabalhadores”
no mês de maio, em comemoração ao Dia Internacional
do Trabalhador.
Os movimentos sociais carecem de uma
agenda que os unifique, com amplo e sustentável conteúdo
político e social, que seja capaz de mobilizar os trabalhadores,
jovens, intelectuais progressistas, mulheres e todos os setores excluídos
ou em desvantagem.
É preciso tirar proveito positivo
de ter um presidente da República e um presidente da Câmara,
que são oriundos desses movimentos, para construir uma agenda
que abarque temas que possam mobilizar a sociedade. O momento é
mais que propício para isto. Estamos em ano eleitoral, quando
o debate político ganha expressiva parcela da população,
que, em geral, fica alheia ao debate por falta de bandeiras justas e
amplas.
Além da retórica
Mais que proselitismo ou retórica,
um conjunto de demandas sociais precisa ser organizado e levado às
ruas e ao Poder Legislativo, desaguadouro das grandes batalhas políticas
desde a redemocratização do país. O Congresso brasileiro
é o palco onde as grandes demandas do povo — nesta quadra
histórica — devem se descortinar, a fim de que sejam resolvidas
de modo a diminuir as enormes diferenças sociais de nosso país.
Isso naturalmente não impede ou invalida as jornadas de luta
nas ruas e praças, ao contrário, uma completa a outra.
O Parlamento brasileiro, aliás,
“exerce papel fundamental para a democracia, entre outras razões,
porque organiza, de modo pacífico, as condições
que a sociedade não quer e nem pode assumir, sob pena de jogar
o país na barbárie.”
Sugestão
Há hoje no Congresso Nacional
um conjunto de proposições que precisam ser “turbinadas”,
a fim ampliar direitos e conquistas dos trabalhadores e do povo de modo
geral. Essas demandas não serão resolvidas sem que haja
uma grande e organizada pressão sobre a “Casa das Leis”.
Como é sabido, o Congresso funciona
melhor sobre a necessária pressão popular, de modo a fazer
avançar a agenda dos movimentos sociais. Para contribuir com
a formatação dessa agenda, vai aqui uma sugestão,
que entendo aponta para a construção da agenda unitária
e positiva. Sabemos que algumas dessas proposições ainda
não têm força para se viabilizar, mas é preciso
criar as bases para um amplo debate com a sociedade.
Temas
Todos os temas aqui sugeridos estão
em discussão no Congresso, mas só terão desdobramentos
exitosos se houver uma articulação dos movimentos sociais
capaz de transformá-los em temas da sociedade brasileira.
Em debate realizado recentemente na Câmara,
no seminário organizado pela Liderança do PSB, o tema
central e consensual entre os debatedores foi a diminuição
da jornada de trabalho — PEC 231/95, do deputado Inácio
Arruda (PCdoB/CE) e do ex-deputado e atual senador Paulo Paim (PT/RS).
Pela proposta, diminui-se a jornada de trabalho de 44 para 40 horas
semanais. Segundo os autores, a aprovação desta PEC pode
gerar cerca de seis milhões de postos de trabalho.
Mas outros temas, já formatados
em projetos de lei, podem ser relacionados, a fim de montar a agenda
dos movimentos sociais. O fim do fator previdenciário é
outro tema que pode compor uma agenda dos trabalhadores. O fator serve
de cálculo de benefícios da Previdência Social.
Pelo fator, há uma diminuição de 30% e 35% para
homens e mulheres no valor do benefício que os trabalhadores
recebiam quando na ativa. Um projeto de lei do senador Paim propõe
extinguir o redutor. Trata-se do PLS 296/03, aprovado na Comissão
de Assuntos Socais do Senado.
Outra importante proposição
pode fazer parte da agenda unitária e positiva. Trata-se da ampliação
do prazo da licença-maternidade de quatro para seis meses. Essa
possibilidade é realçada no projeto de lei da senadora
Patrícia Saboya Gomes (PSB/CE) — PLS 281/05, que está
em discussão na Comissão de Direitos Humanos e Legislação
Participativa do Senado.
Igualdade racial e neoescravismo
Outras duas proposições
merecem destaque na agenda dos movimentos sociais. Uma é o projeto
de lei (PL 6.264/05 [PLS 213/03, no Senado]), do senador Paulo Paim,
que estabelece critérios para o combate à discriminação
racial de afro-brasileiros. O projeto vai ser debatido numa comissão
especial.
A proposta que combate o neoescravismo,
de amplo apelo social, é a PEC 438/01, do ex-senador Ademir Andrade
(PSB/PA). A PEC pune com a pena de perda da posse da terra onde for
constatada a exploração de trabalho escravo; revertendo
a área ao assentamento dos colonos que já trabalhavam
na respectiva área. A matéria está pronta para
votação em dois turnos no plenário da Câmara.
Como se vê, temas não
faltam, só é preciso organizá-los a fim de torná-los
fonte de reflexão, debate e ação política,
para melhorar a vida de nosso povo. No próximo artigo, elencarei
outros projetos que podem compor a agenda dos trabalhadores e do povo
brasileiro. Marcos Verlaine é assessor
parlamentar do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).
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Nova Central, 13 de junho
de 2006
Empregado doméstico não
tem direito a horas extras, esclarece TST
Decisão da Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho manteve
acórdão do Tribunal Regional do Trabalho do Espírito
Santo (17ª Região) que não concedeu a uma empregada
doméstica o direito de receber horas extras. Segundo o relator
do processo, ministro Alberto Bresciani, o parágrafo único
do artigo 7º da Constituição Federal garante aos
empregados domésticos nove dos 34 direitos aos trabalhadores
enumerados no dispositivo.
Mas não estão entre eles
os incisos XIII e XVI, que tratam sobre jornada de trabalho limitada
e horas extras. A empregada não teve reconhecido também
o direito à indenização por dano moral.
A doméstica alegou na ação
que foi despedida de forma brusca quando o empregador descobriu sua
gravidez, tendo gritado com ela no ato da despedida. A empregada pediu
indenização por dano moral e pagamento de aviso prévio,
abono natalino, férias vencidas e proporcionais, além
de horas extras. A Vara do Trabalho concedeu parte das verbas trabalhistas,
mas negou o pedido de horas extras, com base na Constituição,
e de indenização por dano moral, por falta de provas.
O TRT/ES manteve a sentença e negou seguimento ao recurso de
revista da doméstica.
São direitos do trabalhador doméstico,
o salário mínimo, sem redução ao longo do
contrato, décimo terceiro salário, repouso semanal remunerado,
férias anuais remuneradas, licença-maternidade ou paternidade,
aviso prévio, aposentadoria e a sua integração
à previdência social. O entendimento do TST é pacífico
no sentido de cumprir o disposto na Constituição.
Segundo o ministro Alberto Bresciani,
“a despeito das condições atípicas em que
se dá o seu ofício, com a natural dificuldade de controle
e de atendimento aos direitos normalmente assegurados aos trabalhadores
urbanos, não há dúvidas de que a legislação
é tímida em relação aos empregados domésticos,
renegando-lhes garantias necessárias à preservação
de sua dignidade profissional”.
O relator esclareceu que não há
como utilizar o princípio da isonomia, igualando os trabalhadores
domésticos aos urbanos, pela diversidade citada na Constituição.
“Os trabalhadores domésticos
não foram contemplados com as normas sobre jornada, sendo-lhes
indevidos o adicional noturno, horas extras e as pausas intrajornadas”,
concluiu. A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo da doméstica.
Com isso, está mantida a decisão regional. (AI RR 810/2001-002-17-00.5)
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Folha
de São Paulo, 13 de junho de 2006
Executiva do PMDB enterra candidatura à
Presidência
Por 12 votos a 0, cúpula do partido decide
não apoiar nenhum nome ao Planalto | Político ligado a Garotinho
obtém liminar para realizar a convenção no dia 22,
mas aliados do ex-governador nem apareceram para votar
FERNANDA KRAKOVICS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de meses de indefinição
e conflitos internos, o PMDB sepultou ontem a candidatura própria
à Presidência. O partido também não fará
aliança no plano nacional: a opção é a de
ficar livre nos Estados para compor com diferentes siglas. O caminho
escolhido pelo PMDB levou em conta a regra da verticalização,
em vigor nas eleições deste ano por determinação
do Tribunal Superior Eleitoral: o partido que estiver em uma aliança
nacional não pode contrariá-la nos Estados.
A decisão foi tomada por unanimidade,
12 a 0, em reunião da Executiva Nacional. "Não tem
outra saída a essa altura. É muito triste", afirmou
o senador Pedro Simon (PMDB-RS), pré-candidato do partido. A
polêmica, no entanto, ainda não está encerrada.
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ligado ao ex-governador do Rio Anthony
Garotinho, obteve uma liminar na Justiça para realizar a convenção
do partido no dia 22. "É claro que o partido não
descumprirá uma decisão judicial porque isso não
é democrático", disse ele.
O presidente do partido, Michel Temer
(PMDB-SP), afirmou que vai recorrer da decisão. "O Judiciário
não pode estabelecer uma data porque isso fere a autonomia do
partido. Politicamente eu diria que a candidatura própria é
inviável", afirmou Temer.
Garotinho
A cúpula do partido afirma que
se a convenção for realizada, apenas dois diretórios
estaduais compareceriam, o que inviabilizaria o evento. Integrantes
da equipe de Garotinho afirmaram que ele está de acordo com a
decisão tomada pela Executiva, porque seria "impossível
a candidatura própria prosperar". Segundo eles, um sinal
foi o fato de Garotinho não ter comparecido à reunião.
Ele já foi pré-candidato do partido e agora apoiava Simon.
Agora o partido se dividirá entre os apoios ao presidente Lula
e ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. "Acho que a tendência
é meio a meio, mas com pequena diferença a favor do PSDB",
disse Temer.
Apesar de ter aceitado a decisão,
Simon criticou o comando partidário: "Estão todos
com cargo no governo [Lula]. Isso pesou mais do que a candidatura à
Presidência da República. Não há amor, dedicação
pelo partido", disse ele no Senado. "É uma legião
estrangeira no comando. Eles não conseguem sentir a história
do PMDB." Buscando uma saída honrosa para Simon, Temer propôs
na reunião que fosse dado um prazo até sexta-feira para
que a candidatura fosse retirada. A proposta foi contestada de imediato.
"Queria que a Executiva assumisse o compromisso de encerrar esse
assunto hoje [ontem].
Não há como encaminhar
a candidatura própria e esse debate só serve para desgastar
cada vez mais a nossa imagem", disse o deputado Eunício
Oliveira (PMDB-CE), ex-ministro das Comunicações. Ele
concorrerá ao Senado aliado ao PT. O PMDB teve ontem um raro
momento de harmonia na reunião da Executiva. A única voz
dissonante era a de Cunha. Simon já sabia da decisão a
ser tomada. "Estamos dando como falecida a idéia da candidatura
própria", disse o deputado Moreira Franco (PMDB-RJ).
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Folha de São Paulo,
13 de junho de 2006
TRABALHO ESCRAVO
PF liberta 24 trabalhadores e prende 2
empresários no Rio
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO
RIO
Os empresários Devanir Leão
e José Leão, que mantinham 24 homens trabalhando de forma
semelhante à escrava em uma pedreira, foram presos ontem em operação
da Polícia Federal, da Delegacia Regional do Ministério
do Trabalho e da Feema em Bom Jardim (a 165 km do Rio), na região
serrana. Segundo o delegado da PF Eduardo Fonte, os trabalhadores da
pedreira Jundiá, além de não terem carteira assinada,
atuavam sem equipamento de segurança, não possuíam
jornada definida e ganhavam só R$ 40 por mil paralelepípedos
extraídos. "Eles recebiam cerca de R$ 400, mas tinham que
pagar R$ 5 por refeição no local, o que reduzia o valor
mensal a menos de um salário mínimo", disse o delegado.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 13
de junho de 2006 | Economia
COMÉRCIO EXTERIOR
Balança tem superávit
de US$ 790 mi
A balança comercial registrou superávit de US$ 790 milhões
na segunda semana de junho, resultado de exportações no
valor de US$ 2,772 bilhões e importações de US$
1,982 bilhão. O saldo foi 26,23% inferior ao da segunda semana
de maio, quando atingiu US$ 1,071 bilhão. A balança comercial
brasileira vem mostrando uma desaceleração no ritmo de
crescimento do superávit que, no acumulado do ano, já
está menor que no mesmo período do ano passado.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 13 de junho de 2006 | Economia
América Latina Logística
inicia demissão em massa
Cerca de 1,5 mil trabalhadores são demitidos
desde a semana passada, quando a ALL anunciou um plano de reestruturação
das empresas
Chico Siqueira
ARAÇATUBA - Um mês depois
de comprar por R$ 1,405 bilhão a Novoeste e a Brasil Ferrovias
(formada pela Ferroban e Ferronorte), a América Latina Logística
(ALL) iniciou a demissão em massa de 35% do quadro de 4,3 mil
funcionários das duas empresas nos estados de São Paulo,
Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Cerca de 1,5 mil trabalhadores são
demitidos desde a semana passada, quando a ALL anunciou um plano de
reestruturação das empresas.
A notícia surpreendeu os trabalhadores,
que fizeram protestos. Na sexta-feira, eles bloquearam com pessoal e
equipamentos o trecho da ferrovia Novoeste, em Araçatuba, São
Paulo, interrompendo o tráfego de trens entre São Paulo
e Mato Grosso do Sul. Mais de 20 vagões carregados com 2,1 mil
toneladas de açúcar não puderam seguir viagem para
o porto de Santos. A ferrovia foi desinterditada somente depois da zero
hora de sábado. Mas o tráfego foi interrompido novamente
na noite de domingo, por dois acidentes, que segundo a ALL, foram causados
por sabotagem, nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Em Promissão, São Paulo,
duas locomotivas e dois vagões com 120 mil litros de óleo
vegetal saíram dos trilhos, cujos dormentes, segundo a ALL, foram
retirados do local de propósito para causar o descarrilamento.
Em Alto Alegre (MS), uma locomotiva e um vagão com 60 mil litros
de óleo diesel descarrilaram pelo mesmo motivo. O óleo
não vazou dos vagões, segundo a assessoria da ALL.
Sabotagem
O Sindicato dos Trabalhadores em Ferrovias
em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, que responde
pela malha, negou a sabotagem e disse que os acidentes foram causados
por falta de gente e manutenção. Segundo o sindicato,
as demissões foram feitas sem critério, sem que os trabalhadores
fossem avisados e em plena época de dissídio coletivo.
"Faltou até mesmo equipes
de salvamento nesses acidente, porque foi quase todo mundo demitido",
diz José Carlos da Silva, coordenador do sindicato. Segundo ele,
as demissões atingiram na verdade 1.926 trabalhadores, 45% do
quadro das empresas. Na malha da Novoeste, que cobre 1,6 mil quilômetros
entre Bauru e Corumbá e mais o ramal entre Campo Grande e Ponta
Porá, foram demitidos 430 dos 780 trabalhadores do trecho.
"Não tem como tocar o trabalho
com este número de funcionários, por isso, há os
acidentes e os trens são obrigados a transitar a 15km/h",
disse. O sindicato, segundo ele, vai recorrer ao Ministério Público
do Trabalho para denunciar irregularidades nas demissões e tentar
com a ALL uma forma de ela rever as demissões.
Pulverizadas
De acordo com a ALL, as demissões
foram "pulverizadas" e necessárias para acabar com
a duplicidade de cargos ocorrida pela compra das empresas e como uma
tentativa de reanimar a saúde financeira da Brasil Ferrovias,
que atravessa situação falimentar. Além disso,
segundo a ALL, as empresas estavam com o quadro de funcionários
"inchado". Segundo a ALL, os debates do dissídio coletivo
vão continuar e a empresa está cumprindo a legislação
obrigatória com os demitidos. Já a redução
da velocidade dos trens se deve às informações
que a ALL recebeu de que haveria sabotagens com a retirada de dormentes
dos trilhos.
A ALL explicou que a reestruturação
das empresas inclui, além de mudança no quadro de pessoal,
redesenho operacional e alterações no setor de mecânica
e na via permanente, além da implantação de uma
gestão voltada para resultados e redução de custos.
"A decisão leva em conta
a necessidade de implantar um modelo para recuperação
da empresa que estabeleça condições reais de crescimento,
buscando assegurar o emprego daqueles que nela permanecem e viabilizar
investimentos", diz o atual presidente da Brasil Ferrovias, Pedro
Roberto Almeida em texto distribuído pela assessoria da ALL.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 13 de junho de 2006 | Economia
CEF já liberou R$ 5,3 bilhões
para o crédito imobiliário
O valor corresponde ao total disponibilizado
pela Caixa para o setor no ano de 2002 e é recorde para o primeiro
semestre
Adriana Chiarini
RIO - A presidente da Caixa Econômica
Federal (CEF), Maria Fernanda Coelho, disse nesta segunda-feira que
a instituição já liberou R$ 5,3 bilhões
em crédito imobiliário este ano (até sexta-feira).
O valor corresponde ao total disponibilizado pela Caixa para o setor
no ano de 2002 e é recorde para o primeiro semestre. A meta da
Caixa para o ano é liberar R$ 10,3 bilhões para o crédito
imobiliário.
No ano passado, a instituição
financiou R$ 9 bilhões para o setor. Segundo Maria Fernanda,
a meta deste ano será facilmente alcançada "e talvez
até seja necessário ampliar o orçamento disponível
para habitação". De acordo com ela, o sistema financeiro,
incluindo os bancos privados, deverão emprestar mais de R$ 18
bilhões em crédito imobiliário este ano, valor
que também será recorde histórico.
Em discurso na sede do Sindicato
da Indústria Construção Civil do Rio de Janeiro
(Sinduscon-Rio) ela lembrou que o setor da construção
civil cresceu 7% no primeiro trimestre deste ano em relação
ao mesmo período do ano passado, e foi um dos setores que impulsionou
o aumento do Produto Interno Bruto (PIB).
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 13 de junho de 2006 | Economia
Depósitos em previdência
privada crescem 23,18%
No primeiro quadrimestre do ano o total chegou
a R$ 6,470 bilhões. Somente em abril, as captações
cresceram 13% na comparação com o mesmo período
do ano passado
Gabriela Villen
SÃO PAULO - O volume de novos
depósitos no sistema de previdência privada complementar
aberta cresceu 23,18% no primeiro quadrimestre do ano, chegando a R$
6,470 bilhões no período, conforme informou nesta segunda-feira
a Associação Nacional de Previdência Privada (ANPP).
Somente em abril, as captações cresceram 13% na comparação
com o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 1,5 bilhão.
O Vida Gerador de Benefício Livre
(VGBL - não dedutível do Imposto de Renda) captou R$ 4
bilhões de recursos entre janeiro e abril, com crescimento de
50% em relação ao mesmo período de 2005, que somou
R$ 2,7 bilhões. Já o Plano Gerador de Benefício
Livre (PGBL - aplicação em que incide risco, já
que não há garantia de rentabilidade) apresentou captação
de R$ 1,4 bilhão, o que representou uma alta de 6,86% em relação
ao mesmo período de 2005. Os planos tradicionais captaram R$
1 bilhão, com queda de 17,42% contra o volume arrecadado entre
janeiro e abril de 2005, que somou R$ 1,2 bilhão.
Em relação ao público
que investe em previdência, o melhor desempenho ficou com os planos
individuais, que tiveram crescimento de 30,43% passando de R$ 3,9 bilhões
para R$ 5,5 bilhões entre o primeiro quadrimestre de 2005 e o
primeiro quadrimestre de 2006.
Os planos corporativos e os voltados
para menores de idade empataram em segundo lugar, registrando um crescimento
de 8% no volume de novos depósitos. O volume de investimentos
nos planos para menores de idade subiu de R$ 218,9 milhões, entre
janeiro e abril de 2005, para R$ 236,2 milhões, no mesmo período
de 2006.
Entre os planos corporativos, a captação
de novos recursos passou de R$ 1 bilhão, no primeiro quadrimestre
de 2005, para R$ 1,2 bilhão registrado no primeiro quadrimestre
deste ano.
Seguradoras
Em relação às seguradoras,
a Bradesco Vida e Previdência lidera o ranking de captação,
com 36% dos volumes de contribuição; seguida pela Itaú
Vida e Previdência, 17%; Brasilprev, 11%; Unibanco, 8%; Caixa
Vida e Previdência, 8%; HSBC, 5%; Real 4%; Santander, 3%; Icatu
Hartford, 2%; e Capemi, 1%. As demais seguradoras somam 5% do total
de novas contribuições.
A carteira de investimentos do mercado
de previdência privada - que inclui reservas técnicas,
reservas livres, capital de seguradoras e outros valores - cresceu 25,87%
no primeiro quadrimestre do ano na comparação com o mesmo
período do ano anterior. Com isso, a carteira do setor acumulou
R$ 86,6 bilhões.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
13 de junho de 2006
CCJ da Câmara aprova divulgação
de tributos em nota fiscal
A CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania) da Câmara dos Deputados aprovou
o Projeto de Lei 4854/05, que determina que a empresa ou instituição
que vender ou revender produto ou prestar algum serviço deverá
informar ao consumidor, no cupom fiscal ou documento similar, de forma
visível e destacada do preço, os impostos indiretos incidentes
sobre a operação.
Não deverão constar das
notas fiscais o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o Imposto
de Importação. De acordo com o projeto, a União,
os Estados, o Distrito Federal e os municípios também
deverão divulgar tabela contendo os percentuais dos preços
que correspondem a tributos de sua competência.
Projetos rejeitados
O PL 4854/05, que é de autoria
do deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), tramitava em conjunto com outros
dez projetos que tratam de assunto similar.
O parecer do relator, deputado Fernando
Coruja (PPS-SC), foi pela juridicidade, constitucionalidade e técnica
legislativa de todos, mas o único aprovado no mérito foi
o PL 4854/05.
"Dentre as formas possíveis
de informar a parcela correspondente aos tributos nos preços
pagos pelos consumidores, entendemos que a mais efetiva é a que
determina a sua exibição nos documentos fiscais. Dada
a complexidade do sistema tributário nacional, seria inviável
fazer constar dos rótulos ou embalagens os tributos incidentes
sobre os produtos", justificou o relator, fazendo referência
a propostas presentes em outros projetos.
Tramitação
Na Comissão de Defesa do Consumidor,
o PL 3488/97 e seus apensados foram rejeitados em análise anterior.
Agora, os projetos serão submetidos ao Plenário.
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CONSULTOR JURÍDICO,
13 de junho de 2006
Prejuízo à sociedade
Justiça do Trabalho de São
Paulo está parada há 40 dias
Às vésperas de completar
40 dias do início da greve dos funcionários da Justiça
Trabalhista da 2ª Região, que abrange Grande São
Paulo e Baixada Santista, 46 municípios estão com suas
atividades paralisadas e cerca de 700 mil processos estão sem
seguimento.
O balanço foi divulgado em nota
pela seccional paulista da OAB, assinada pelo presidente da entidade,
Luiz Flávio Borges D’Urso, e pelo secretário-geral,
Arnor Gomes da Silva Júnior. Os dois manifestam preocupação
com a continuidade da greve. “A OAB-SP conclama aos dirigentes
classistas dos serventuários da Justiça do Trabalho para
que atentem para o disposto na legislação de greve, garantindo
aos jurisdicionados e a seus procuradores o atendimento mínimo
disposto em lei pelas secretarias, como forma de minimizar seus efeitos”,
afirma a nota.
Leia a íntegra da nota:
GREVE DO JUDICIÁRIO TRABALHISTA
São infindáveis as manifestações
recebidas de advogados militantes no foro trabalhista e mesmo de simples
cidadãos que têm na Ordem dos Advogados do Brasil a guardiã
da sociedade civil e seu último bastião na constante busca
dos direitos de cidadania insculpidos na Constituição
Cidadã de 1988, inconformados com os rumos tomados pelo movimento
paredista promovido pelos serventuários da Justiça do
Trabalho em nosso Estado de São Paulo.
Ao iniciar-se o movimento, a OAB paulista
prontamente solicitou a intervenção das diretorias dos
Egrégios TRTs da 2ª e 15ª Regiões fazendo ver
que a paralisação das atividades daquelas cortes causaria
graves prejuízos não só à advocacia mas
principalmente aos jurisdicionados.
Invariavelmente atentos às reivindicações
da OAB SP, os ilustres presidentes daqueles tribunais manifestaram-se
imediatamente, cuidando de garantir à advocacia obreira que esta
não sofresse qualquer prejuízo processual, garantindo-lhe
desde logo a suspensão dos prazos.
Há mais, informada do fato de
que poderia estar ocorrendo por parte dos grevistas mera paralisação
das atividades, sem que se ausentassem dos postos de trabalho e até
mesmo assinalando o ponto, a digníssima Juíza Presidente
do TRT da 2ª. Região Dra. Dora Vaz Treviño, igualmente
não resignada com o movimento, que sob a ótica da advocacia,
nada obstante a justiça das reivindicações, se
mostra inoportuno por dar margem a que seja interpretado pela opinião
pública como de cunho eminentemente político diante do
momento em que se inicia o embate eleitoral, determinou aos diretores
de secretaria que a informassem diariamente da situação
funcional de cada Vara e respectiva Secretaria, para as providências
necessárias.
Há necessidade de que se encontre
um ponto de equilíbrio entre os interesses das partes envolvidas
para que se chegue a uma pronta solução, ainda que não
definitiva, para o impasse criado com a greve dos serventuários.
A OAB SP, comprometida com a comunidade
jurídico-trabalhista na defesa intransigente da Justiça
do Trabalho, não pode concordar com o movimento paredista daqueles
que se dispuseram a buscar com sua força de trabalho a solução
de conflitos que dizem respeito a um dos direitos mais comezinhos do
cidadão, representado pelo acesso à justiça na
demanda por verbas de natureza alimentícia, sem a garantia de
um mínimo de atendimento público pelas secretarias.
É notório que a greve se
dá pela busca da implementação de um Plano de Cargos
e Salários para os trabalhadores no Judiciário Federal,
pretensão que os advogados entendem seja justa; porém,
sendo essencial aos cidadãos o serviço prestado pelos
serventuários, a advocacia obreira não pode deixar de
repudiar a greve sem que se garanta o direito constitucionalmente previsto
de acesso à justiça, mesmo que em caráter precário,
que nas circunstâncias atuais é peremptoriamente negado.
A OAB SP conclama aos dirigentes classistas
dos serventuários da Justiça do Trabalho para que atentem
para o disposto na legislação de greve, garantindo aos
jurisdicionados e a seus procuradores o atendimento mínimo disposto
em lei pelas secretarias, como forma de minimizar seus efeitos.
LUIZ FLÁVIO BORGES D’URSO
PRESIDENTE
ARNOR GOMES DA SILVA JUNIOR
SECRETÁRIO-GERAL
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CONSULTOR JURÍDICO,
13 de junho de 2006
Presença garantida
Sindicato pode atuar em qualquer processo
trabalhista
O sindicato pode atuar na defesa de todos
e quaisquer direitos individuais e coletivos dos trabalhadores que estejam
relacionados ao vínculo empregatício. O entendimento é
do Plenário do Supremo Tribunal Federal que, por seis votos a
cinco, deu provimento ao Recurso Extraordinário do Sindicato
dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Passo Fundo (RS).
Na prática, a decisão do
STF é no sentido de que o sindicato poderá atuar tanto
nas ações de conhecimento como na liquidação
de sentenças ou na execução forçada das
sentenças.
O relator, ministro Carlos Velloso (já
aposentado), votou pelo provimento total do recurso e foi acompanhado
pelos ministros Joaquim Barbosa, Carlos Ayres Britto, Sepúlveda
Pertence, Marco Aurélio e Celso de Mello. À época
em que proferiu seu voto, Velloso ressaltou que a norma constitucional
“consagra hipótese de substituição processual”,
ou seja, o sindicato tem legitimação para defender direitos
e interesses coletivos ou individuais da categoria.
A possibilidade de o sindicato atuar
na execução da sentença trabalhista é, para
o ministro Marco Aurélio, a racionalização do processo.
“Ao invés de se ter milhares de processos, tem-se um só.”
O ministro explicou que tudo o que disser respeito ao contrato de trabalho
pode ser objeto de atuação do sindicato, embora isso não
afaste a iniciativa concorrente do trabalhador para defender seus direitos.
Divergência
A divergência, que não prosperou,
foi aberta pelo ministro Nelson Jobim. Ele adotava a posição
de que o sindicato não poderia atuar em demandas de liquidação
ou execução de sentença relativa a direitos individuais
homogêneos, na qualidade de substituto processual. Seguiram o
entendimento de Jobim os ministros Cezar Peluso e Eros Grau.
Ao votar nesta segunda-feira (12/6),
o ministro Gilmar Mendes, que havia pedido vista dos autos, decidiu
acompanhar o entendimento de Jobim e votou pela improcedência
parcial do recurso. Para Mendes, sempre caberá ao trabalhador
a escolha dos meios mais adequados para fazer valer seus interesses
reforçando sua autonomia para decidir.
“Portanto, a interpretação
adequada do artigo 8º, inciso III da Constituição,
a meu ver, deve ser no sentido de preservar tanto a função
constitucional dos sindicatos na proteção dos direitos
sociais-trabalhistas como a autonomia individual do trabalhador na escolha
dos mecanismos mais adequados para a efetivação desses
direitos de forma a se estabelecer o grau de participação
necessário para o pleno exercício da cidadania.”
Última a votar, a ministra Ellen
Gracie também acompanhou a divergência.
A ação
O sindicato ajuizou ação
contra decisão do Tribunal Superior do Trabalho na qual se entendeu
que o artigo 8º, inciso III da Constituição Federal
não autoriza substituição processual pelo órgão.
RE 210.029
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CONSULTOR JURÍDICO,
13 de junho de 2006
Contrato informal
Empregador é multado com base em
salário pago por fora
O salário pago “por fora”
deve ser computado quando o empregador fizer os cálculos das
verbas rescisórias devidas ao empregado, sob pena de aplicação
da multa do artigo 477 da CLT. Tal multa é aplicada na Justiça
do Trabalho quando o empregador atrasa o pagamento das verbas rescisórias
do funcionário.
Com esse entendimento, a 2ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, acompanhando o voto do relator do
processo, Márcio Ribeiro do Vale, confirmou a aplicação
da multa imposta a um fazendeiro paulista.
O dono da fazenda contratou uma empregada,
em 1992, para trabalhar na roça, com um salário de R$
182. Nos fins de semana, ela fazia serviços extras na cozinha
da fazenda, recebendo no final do mês, por ambos os serviços,
R$ 240
Quando demitiu a empregada, em novembro
de 2000, o fazendeiro pagou as verbas rescisórias da empregada
com base apenas do salário de R$ 182, e desconsiderou os valores
pagos “por fora”.
O Tribunal Regional do Trabalho da 15ª
Região (Campinas), confirmando a sentença imposta em primeiro
grau, condenou o fazendeiro a pagar para a ex-empregada todas as verbas
rescisórias que eram devidas, como o 13°salário, férias
e FGTS, considerando o valor total do salário. Incluiu na condenação,
ainda, o valor referente à multa do artigo 477 da CLT.
Inconformado com a imposição
da multa, o fazendeiro recorreu ao TST. Alegou que pagou sem atraso
as verbas rescisórias e que a penalidade prevista no artigo 477
da CLT destina-se a reprimir a atitude do empregador que cause injustificado
atraso no pagamento das verbas rescisórias incontroversas, o
que não era o caso discutido nos autos, em que o reconhecimento
do pagamento de salário “por fora” se deu somente
em juízo.
Em seu voto, o relator destacou que o
fato de o salário “por fora” ter sido reconhecido
em juízo não significa que este era controverso, ainda
mais quando o fazendeiro admitiu, em seu depoimento, a existência
de tais pagamentos. “Verifica-se que o empregador não pagou
as verbas rescisórias no valor que sabia que era devido, não
podendo ser isentado da multa em questão com a simples alegação
de que havia dúvida quanto a essa verba”, concluiu do Vale.
Processo1083/2001-008-15-00.2
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
13/06/2006
Membro de sindicato constituído irregularmente
não é estável
O dirigente de entidade sindical irregularmente
criada não tem direito à estabilidade provisória
prevista na Constituição Federal. Com essa constatação
do ministro Carlos Alberto Reis de Paula (relator), a Terceira Turma
do Tribunal Superior do Trabalho negou agravo de instrumento a um sindicalista.
A decisão do TST confirmou a validade da demissão do trabalhador
dos quadros da Imerys Rio Capim S/A, empresa com atividade extrativista
no Estado do Pará.
A decisão tomada pelo TST resultou
na manutenção de acórdão firmado pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 8ª Região (Pará e Amapá),
que reconheceu a legalidade da dispensa sem justa causa. Segundo o empregado,
a dispensa não teria sido válida por ele ter sido eleito
secretário-geral de sindicato recém-criado.
A Justiça do Trabalho paraense,
contudo, considerou irregular a criação do Sindicato dos
Trabalhadores nas Indústrias de Extração, Beneficiamento
e Industrialização de Minérios dos Municípios
de Ipixuna, Paragominas e Barcarena no Estado do Pará (Stiebim/PA).
Os autos indicaram como inválido o ato de criação
da entidade sindical, uma vez que não foi demonstrada a concordância
do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas dos
Estados do Pará e Amapá (Stiepa) com o desmembramento
e a criação de nova entidade em sua base territorial de
atuação.
“Uma vez provado que a nova entidade
não foi criada por decisão da assembléia convocada
pelo sindicato originário (Stiepa), não há como
emprestar validade ao ato de criação para, em conseqüência,
gerar efeitos válidos relativos à estabilidade sindical
de seus supostos dirigentes”, registrou o TRT. O órgão
regional também apontou a inexistência de prova do registro
do Stiebim no Ministério do Trabalho (MtB), além da ausência
de comunicação oficial à empresa sobre o novo ente
sindical e o fato de o pedido de registro sindical ter ocorrido após
a demissão do trabalhador.
No TST, o sindicalista sustentou que
sua dispensa teria resultado em violação do artigo 8º,
inciso VIII, da Constituição Federal, que proíbe
a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura
a cargo de direção ou representação sindical
e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final
do mandato. Também alegou ofensa ao dispositivo constitucional
que impede o Estado de exigir autorização para o funcionamento
de sindicato (artigo 8º, inciso I).
As alegações foram afastadas
pelo relator do agravo. O ministro Carlos Alberto frisou que a autorização
estatal para fundação de sindicato não é
exigida, mas sim o registro no órgão competente (MtB),
no caso dos autos, inexistente. Também observou que o artigo
8º, VIII, não foi violado. “O referido dispositivo
trata exclusivamente do limite temporal da estabilidade provisória
do dirigente sindical, não enfoca a situação do
registro no Ministério do Trabalho nem trata da comunicação
oficial à empresa”.
Carlos Alberto também esclareceu
que o sistema da unicidade sindical não impede a criação
de sindicatos a partir do desmembramento da base territorial de outra
entidade, desde que respeitado o módulo mínimo de um município.
No caso, entretanto, “não houve o reconhecimento da representatividade
do novo sindicato pelo MtB, detentor das informações respectivas
acerca da regularidade das bases territoriais”, disse o relator,
após ressaltar que também não houve comunicação
da eleição do sindicalista à empresa.(AIRR 1108/2003-101-08-40.6)
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