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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de junho de 2006
| Economia
PREÇOS
IGP-M sobe com alta na construção
A disparada nos preços da construção civil (de
0,45% para 1,80%) puxou para cima a primeira prévia do Índice
Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de junho, que subiu 0,27%,
ante alta de 0,21% em igual prévia em maio. Segundo a Fundação
Getúlio Vargas (FGV), o indicador, usado para reajustar preços
de aluguel e de energia elétrica, também foi pressionado
pela continuidade nos aumentos dos preços dos metais.
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JORNAL DA CIDADE / BAURU,
14 de junho de 2006 | Economia
Bauru
Trabalhador da construção civil aceita reajuste e volta
ao trabalho
Thatiza Curuci
Os trabalhadores da construção
civil, que estavam em greve desde o último dia 6, voltaram ao
trabalho ontem. A afirmação é do diretor-presidente
do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de
Bauru, Cláudio da Silva Gomes. A categoria aceitou a proposta
de reajuste de 6,1% feita em audiência no Tribunal Regional do
Trabalho da 15.ª Região, em Campinas, na tarde de anteontem.
“Os funcionários que estavam
em greve voltaram ao trabalho normalmente. Avaliamos como positivo o
movimento, mas ainda estamos apreensivos”, diz Gomes.
Ele refere-se ao pagamento dos salários.
“Vamos esperar até o quinto dia útil do mês
de julho. Caso o salário não seja pago, entraremos em
greve novamente”, conclui.
O reajuste aceito representa aumento
de 6% a 25% para os trabalhadores. A proposta de estabelecer um piso
salarial único de R$ 620,40 não foi aceita pelo Sindicato
das Indústrias da Construção Civil (SindusCon).
“Temos argumentos para não
aceitar a proposta e todos os pontos serão apresentados ao TRT
na próxima oportunidade”, afirma o diretor regional do
SindusCon em Bauru, Ralph Ribeiro Júnior.
Para ele, o estabelecimento do piso salarial
único poderia gerar desemprego e aumento da informalidade.
Justiça
Na Justiça do Trabalho,
cerca de 60% dos servidores continuam em greve. O movimento foi iniciado
no dia 17 de maio em Bauru. A categoria reivindica a revisão
de cargos e salários de todos os setores do Poder Judiciário,
restituição do desconto no auxílio-alimentação
dos funcionários, pagamento dos quintos e décimos pela
jornada de 35 horas semanais, aumento do auxílio-alimentação
e reajuste salarial de 11,98%.
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A NOTÍCIA / TO, 14
de junho de 2006
ESTADO
Assembléia autoriza Sindicato a
entrar em estado de greve
Autor(a): Assessoria Sindjor/TO
Após a recusa dos jornalistas
em acatar o piso salarial proposto pela Organização Jaime
Câmara (OJC), a Assembléia Geral da categoria, realizada
no último sábado, dia 10, autorizou a Diretoria do Sindicato
a entrar em estado de greve, enquanto não fechar a negociação
salarial e com Dissídio Coletivo contra aquela empresa, por achar
insatisfatória a proposta patronal apresentada durante a 3ª
rodada de negociação, na Delegacia Regional do Trabalho
(DRT), no dia 29/05.
Enquanto as demais empresas no estado,
hoje cerca de 39, pagam um piso de R$ 1.100,00, a OJC acena para o presente
acordo com proposta de R$ 900,00 e um reajuste de apenas 2,54%, o que
a categoria considera como um ato prejudicial aos profissionais, ou
seja, como uma tentativa de puxar para baixo o valor do piso salarial
dos jornalistas - deixando-o num patamar inferior ao já praticado
há cerca de um ano pela maioria das empresas.
O filme está surrado, mas é
repetido a cada ano, com um agravante: a apatia dos profissionais daquela
empresa torna-se dramática ao acatarem a política de achatamento
salarial da empresa, o que já está se tornando mal vista
não só pela categoria de um modo geral, como pelas demais
empresas do ramo - fato que começa a gerar interpretações
de uma discriminação às avessas, já que
quem pode mais, paga menos.
Com isso, a categoria fica sem armas
para conseguir maiores avanços nas negociações
junto as demais empresas que propuseram manter o piso praticado atualmente
(R$ 1.100,00), até que a defasagem da OJC seja corrigida, já
que não é segredo para ninguém que a empresa alcança
considerável receita em seu faturamento publicitário,
mediante a expansão dos seus negócios, com despesas arcadas
pelo governo e, mesmo assim, é pródiga em chorar miséria
negando-se a valorizar seus funcionários
Histórico
No final do ano passado, o Sindicato
já havia fechado o Acordo Coletivo de Trabalho 2005/2006 com
os representantes de 12 empresas proprietárias de jornais, televisão
e rádio no estado do Tocantins, com um piso salarial no valor
de R$ 1.100,00, ficando apenas a empresa OJC num patamar abaixo: R$
850,00 por não acatar o valor fechado com as demais. Essa situação
tem deixado a categoria indignada, visto que com o surgimento de novas
empresas, a opção acabaria sendo pelo piso mais baixo.
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Nova Central, 14 de junho
de 2006
Regra da CLT garante equiparação
salarial
O empregado readmitido terá computado em seu tempo de serviço
os períodos trabalhados anteriormente na empresa, a menos que
tenha sido dispensado por falta grave, houver recebido indenização
legal ou tenha se aposentado espontaneamente. Essa exceção
prevista na legislação trabalhista (artigo 453, CLT) foi
aplicada pela Terceira Turma do Tribunal Superior do Trabalho para confirmar
o direito de um empregado administrativo da Santa Casa de Misericórdia
do Rio de Janeiro à equiparação salarial. A decisão
do TST negou agravo de instrumento ao hospital.
O posicionamento adotado pelo TST, segundo
voto do juiz convocado Ronan Neves Koury (relator), confirmou decisão
do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (Rio de Janeiro),
onde foi reconhecida a identidade de funções exercidas
entre o empregado que ingressou em juízo e um colega que recebia
remuneração maior. O TRT-RJ entendeu como preenchidos
os requisitos do artigo 461 da CLT, que trata da equiparação
salarial.
“Sendo idêntica a função,
a todo trabalho de igual valor, prestado ao mesmo empregador, na mesma
localidade, corresponderá igual salário, sem distinção
de sexo, nacionalidade ou idade”, prevê a norma legal.
A Santa Casa de Misericórdia argumentou
que a decisão regional seria inviável pois o trabalhador
que serviu como modelo à equiparação salarial –
juridicamente chamado de paradigma – cumpria um segundo contrato
com a empresa, após ter sido readmitido. Tal situação
atrairia a incidência do parágrafo 1º do artigo 461
da CLT, que restringe a equiparação entre empregados cuja
diferença de tempo de serviço não ultrapasse dois
anos.
No TST, Ronan Neves Koury observou
que a integração do tempo de serviço, alegada pela
Santa Casa de Misericórdia, não ocorreu, pois na conclusão
do primeiro contrato de trabalho, o empregado modelo recebeu a indenização
prevista no artigo 453 da CLT. “Cabe registrar que rescindido
o contrato de trabalho com o pagamento de parcelas rescisórias,
na forma mencionada no artigo 453 da CLT, descabe considerar o período
anterior de trabalho para qualquer efeito, inclusive como óbice
para o pedido de equiparação salarial”, concluiu
o relator ao negar o agravo de instrumento.
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Valor Econômico, 14
de junho de 2006
Sindicatos esperam repor inflação
em todos os acordos
Por Raquel Salgado
A expectativa de crescimento de 4% da
economia brasileira e de uma trajetória mais contida para o aumento
de preços ao consumidor devem fazer com que 100% das negociações
salariais deste ano reponham pelo menos as perdas causadas pela inflação
acumulada nos 12 meses anteriores à data-base das categorias.
Em 2005, 80% dos acordos repuseram a inflação. Os percentuais
de reajustes reais, contudo, tendem a continuar no mesmo nível:
entre 1% e 2%.
A avaliação é de
José Silvestre de Oliveira, supervisor do escritório regional
do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicos
(Dieese), e de dirigentes sindicais. Para Oliveira, o cenário
macroeconômico deste ano é mais positivo para os aumentos
salariais. "A inflação, variável crucial no
momento da negociação, vai jogar a favor dos trabalhadores",
afirma.
As categorias que fecharam acordos no
começo deste ano contaram com uma inflação acumulada
decrescente, que cedeu de 4,85% em janeiro até 2,75% em maio,
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), principal
indicador utilizado nas negociações. Até o fim
do ano, segundo as projeções da consultoria Rosenberg
& Associados, esse indicador ficará em 3,57%. Em 2005, boa
parte das categorias negociou acordos com uma elevação
de preços acima de 5%.
Eleno José Bezerra, presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da confederação
nacional da categoria, filiada à Força Sindical, diz que
o desempenho da indústria automotiva até agora faz com
que a categoria planeje reivindicar reajuste de cerca de 3% acima da
inflação. Em 2005, os metalúrgicos de São
Paulo conseguiram aumento real de 2,88% e abono equivalente a 24% do
salário.
"O ambiente deste ano é ainda
mais favorável para os acordos", diz Bezerra. Para ele,
o que pode dar alguma dor de cabeça aos trabalhadores é
o câmbio valorizado. Como muitas empresas metalúrgicas
são exportadoras, ele espera "uma choradeira dos patrões".
"Isso ocorre sempre, mas vamos usar os números do setor
para rebatê-los", diz. De janeiro a abril deste ano, pelos
dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos
Automotores (Anfavea), a produção total de veículos
automotores cresceu 4,1% em relação ao ano passado. Já
as exportações aumentaram 1,7%.
A Volkswagen, que no começo de
maio anunciou a intenção de demitir 5,7 mil trabalhadores
no Brasil, usou o câmbio como uma das justificativas para uma
reestruturação da empresa no país. Além
de demitir funcionários das unidades de São Bernardo do
Campo, São José dos Pinhais e Taubaté, a Volks
também pretende aumentar a contribuição mensal
dos empregados para o plano médico, reajustar os salários
abaixo da inflação (85% do INPC), além de reduzir
em 35% a tabela salarial de novos contratados na empresa.
Para este ano, no entanto, o aumento
já está garantido. José Lopez Feijóo, presidente
do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, lembra que em 2005 a categoria
fechou um acordo inédito, que garantiu reajuste real para dois
anos consecutivos. Em 2006, os metalúrgicos da região
que trabalham em autopeças vão receber 1,99% além
da inflação e os de autopeças e fundição,
1,3%. Entre 2005 e 2006, o aumento real para todos os metalúrgicos
do ABC chegará a 5%.
A atitude da montadora colocou o movimento
sindical em estado de alerta. Metalúrgicos de outras empresas
e trabalhadores do ramo químico, que fornecem peças para
montadoras, planejam unir forças para evitar que a Volks coloque
em prática tais intenções. "Não podemos
deixar que isso ocorra, caso contrário abrirá precedente
para outras empresas agirem da mesma forma", ressalta Moisés
Selerges, diretor da Comissão de Fábrica da DaimlerChrysler.
No entanto, Selerges diz que, apesar
de os trabalhadores da Daimler estarem apreensivos com a situação
na Volks, não temem algo parecido. "Estamos vivendo um bom
momento na produção. A percepção entre os
metalúrgicos é a de que esse problema da Volks é
pontual e não de todo o setor."
Sem a queixa do câmbio e com a
lucratividade em alta, os bancos devem, mais uma vez, sofrer forte pressão
dos trabalhadores por aumento salarial e maior participação
nos lucros e resultados. Com data-base em setembro e campanha nacional
unificada, os bancários buscam percentuais acima da inflação
maiores do que o 1% conseguido em 2005. Carlos Cordeiro, secretário-geral
da Contraf, entidade que representa os trabalhadores do ramo financeiro,
diz que as principais reivindicações serão um aumento
real melhor do que o do ano passado e uma participação
de 5% no lucro líquido dos bancos, além de 1,8 salário
a mais.
No primeiro semestre algumas categorias
já sentem os benefícios do aquecimento econômico.
Os trabalhadores no setor de álcool, por exemplo, têm data-base
em maio e fecharam acordos que variam entre 3,66% e 6,66% além
da inflação. Sergio Luiz Leite, secretário executivo
da Federação dos Químicos de São Paulo,
admite que o setor foi especialmente bem, mas diz que os demais ramos,
que têm negociação em novembro, vão lutar
por percentuais parecidos. Para ele, os trabalhadores na indústria
de plástico e de tintas devem fechar bons acordos. Em agosto,
os químicos se reúnem para definir as principais reivindicações.
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Folha
de São Paulo, 14 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Sem PSB, Alencar volta a ser o mais provável
vice de Lula
Como no caso do PMDB, interesses regionais impedem
aliança entre PT e socialistas | Se presidente conquistar a reeleição,
partidos aliados esperam obter a filiação de seu companheiro
de chapa, hoje abrigado no PRB
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva deve repetir, na tentativa de reeleição, a parceria
com o empresário mineiro José Alencar (PRB) na vice-presidência.
Essa é a aposta de aliados do presidente, devido aos empecilhos
para a aliança formal com o PSB e à decisão tomada
pelo PMDB nesta semana de não apoiar nenhum candidato à
Presidência. Ontem, Lula se reuniu com o presidente do PSB, Eduardo
Campos. O presidente pediu um prazo até o dia 21 para que o PSB
anuncie se fará ou não aliança formal com o PT.
Hoje, recebe o ex-ministro Ciro Gomes. O presidente prefere Ciro como
vice, mas está ciente das dificuldades para a aliança
pelas exigências da cláusula de barreira -por essa regra,
partidos com menos de 5% dos votos válidos terão corte
nas verbas do Fundo Partidário e no tempo de TV.
Sem aliança formal com Lula, o
PSB teria mais flexibilidade para fazer coligações nos
Estados e aumentar o número de votos. "Se apoiar Lula hoje
significar amanhã não existir o PSB, eu não posso
fazer isso e também isso não é bom para o governo
dele, para a governabilidade [num eventual segundo mandato]", disse
Eduardo Campos, após o encontro. Segundo Campos, a aliança
só seria possível se o PT fosse flexível nos Estados
e firmasse compromisso de apoio a candidatos do PSB em eventuais segundos
turnos. Outra condição seria a neutralidade de Lula onde
PSB e PT forem rivais.
Campos, candidato ao governo de Pernambuco,
ficou contrariado com o anúncio de apoio do PTB à candidatura
de seu adversário Humberto Costa, do PT. O deputado Armando Monteiro,
do PTB, saiu da disputa após conversar com Lula. Segundo o secretário-geral
do PSB, Renato Casagrande, há problemas de coligação
com o PT em oito Estados. "O partido certamente não fará
aliança formal [com Lula]", afirmou.
Sem opções
Com as dificuldades, restaria a Lula
a conservadora opção por Alencar. Diante desse cenário,
dirigentes do PSB admitem que já há conversas para atrair
Alencar à legenda. O PMDB também cobiça a filiação
dele. Políticos próximos a Alencar dizem que ele aceitará
o convite de Lula. Com 74 anos, não mostra disposição
para uma eleição difícil ao Senado -enfrentando
Itamar Franco-, muito menos para um duelo com Aécio Neves pelo
governo.
"Vai dar a lógica:
Alencar na vice. O que é muito bom para Minas Gerais", afirmou
ontem o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT). "A
rigor, nunca houve convite de Lula ao PSB [para a vice-presidência].
Acho que o governo Lula já escolheu seus aliados, que são
a tropa do PMDB governista", provocou o 2º vice-presidente
do PSB, Beto Albuquerque, também vice-líder do governo
na Câmara.
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Folha
de São Paulo, 14 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PESQUISA
Estável, Ibope prevê vitória
de Lula no 1º turno com 48%
Levantamento mostra Alckmin em segundo com 19%;
petista também venceria eventual 2º turno contra tucano |
Aprovação ao governo do PT e confiança no presidente
atingem índices similares aos do período antes das denúncias
do mensalão
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) venceria o candidato do PSDB à Presidência,
Geraldo Alckmin, no primeiro turno se a eleição fosse
hoje, segundo pesquisa feita pelo Ibope para a CNI (Confederação
Nacional da Indústria). De acordo com o levantamento, sem um
candidato do PMDB, o presidente tem 48% das intenções
de voto, contra 19% de Alckmin, e 6% da senadora Heloísa Helena
(PSOL). A inclusão do nome do senador Pedro Simon (PMDB) praticamente
não altera o cenário: Lula segue com 48%; Alckmin teria
18%; Heloísa Helena, 5%; e o peemedebista, 2%.
A pesquisa reflete uma "estabilidade
eleitoral" se comparada com a pesquisa Ibope divulgada pela Rede
Globo no dia 1º de junho, quando Lula também tinha 48% das
intenções de voto contra 19% de Alckmin. A pesquisa divulgada
ontem foi realizada entre os dia 5 e 7 de junho e, segundo o instituto,
não captou eventuais efeitos da depredação da Câmara
pelo MLST, no dia 6, nem da polêmica entre Lula e o atacante da
seleção brasileira Ronaldo. Em comparação
com a pesquisa CNI/Ibope, realizada em março, Lula ampliou em
cinco pontos percentuais sua vantagem em relação a Alckmin.
O petista também ganharia com folga um eventual segundo turno,
por 53% a 29%.
Em abordagem espontânea, sem a
sugestão de lista de nomes, Lula mantém vantagem em relação
ao tucano: 32% contra 8%. Nesse caso, o número de eleitores que
dizem ainda não saber em quem vão votar é de 46%.
Lula tem desempenho melhor em relação à rejeição:
28% contra 34% de Alckmin. Os resultados da pesquisa sobre a aprovação
do governo em diferentes áreas e o grau de confiança no
presidente mostram o retorno dos índices anteriores à
crise política. Na pesquisa, 56% afirmaram que confiam em Lula,
mesmo índice de junho de 2005, mês em que o ex-deputado
Roberto Jefferson (PTB) denunciou o esquema do mensalão. Esse
número caiu a 44% no auge da crise.
Segundo os dados, a avaliação
positiva do governo (ótimo e bom) atingiu o patamar de 44%, o
melhor índice desde 2003. A avaliação negativa
(ruim e péssimo) caiu de 22% para 19%. Outros 36% disseram considerar
o governo regular. A aprovação também melhorou
setorialmente, especialmente na área social: 56% aprovam as políticas
de combate à pobreza, e 54% os programas para saúde e
educação.
O instituto também fez perguntas
sobre segurança pública para avaliar o impacto da onda
de violência ocorrida em São Paulo -50% disseram que piorou
nos últimos meses.
Em uma comparação com o
governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), 55% disseram considerar a
gestão Lula melhor. Outros 23% afirmaram achar "igual",
e 18% disseram que o governo petista é pior.
O universo da pesquisa é de 2.002
eleitores, em 143 municípios. A margem de erro é de dois
pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal
Superior Eleitoral) sob o número 8308/2006.
A CNI é presidida pelo deputado
federal Armando Monteiro Neto (PTB-PE). Neto chegou a cogitar disputar
o governo de Pernambuco, mas deve apoiar o candidato petista Humberto
Costa.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 14 de junho de 2006
| Economia
VEÍCULOS
Volks conversa com sindicatos
A direção da Volkswagen e representantes de trabalhadores
de quatro das cinco fábricas do grupo no país se reúnem
hoje para discutir o plano de reestruturação do grupo
que prevê a demissão de 5.773 trabalhadores, o equivalente
a 25% do quadro atual, além de corte em igual proporção
nos custos com a folha de pagamento. O encontro será tenso. Hoje,
a montadora informou a dispensa de 30 alunos do Serviço Nacional
de Aprendizagem Industrial (Senai).
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de junho
de 2006
Brasil pode sair do ‘buraco’
pagando dívida pública
Projeto de economista mostra que é possível
País se livrar de credores e voltar a crescer
O Brasil tem jeito. Se você acha
que é conversa pra boi dormir, experimente ao menos conhecer
o programa idealizado pelo economista Almir Rockembach. Há dez
anos, ele vem se dedicando a convencer compatriotas de que a nossa dívida
pública, hoje passando de R$ 1 trilhão, pode ser paga.
E que conforme ela vai sendo liquidada, os juros e a carga tributária
caem, o País recupera sua soberania e os seus 56 milhões
de miseráveis ganham plenas chances de sair do buraco.
O projeto ''Brasil Sem Dívidas:
um modelo para reflexão'' pode não ser infalível,
mas vem fortemente embasado em números da economia nacional e
sugere os instrumentos necessários para atingir seu objetivo.
Bem diferente do discurso oco e cheio de promessas miraculosas que se
repete a cada campanha eleitoral. Rockembach, que é paranaense
de Pato Branco, mas se considera um ''pé-vermelho'', diz que
fez questão que o primeiro grande evento de apresentação
do projeto fosse feito em Londrina, através da Folha. Para tanto,
o jornal promoveu uma palestra seguida de debate, no Hotel Sumatra,
que reuniu o economista, colegas da área e outros profissionais,
cujo resultado você lê nesta reportagem.
''Em junho de 1995, tínhamos R$
1,88 de patrimônio para cada R$ 1 de dívida do setor público.
Era uma situação invejável no mundo inteiro. Por
isso vieram para cá empresários estrangeiros, muitos dos
quais receberam de graça esse patrimônio, e outros ainda
se valeram de recursos do (BNDES) Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social para financiar incompetências externas'',
lembra Rockembach, para explicar como o Brasil perdeu ''a oportunidade
de se construir com um caixa soberano, ficando com um caixa subalterno''
após privatizações mal feitas.
Por subalterno, entenda-se um país
que foi perdendo liquidez até chegar em dezembro de 2005 com
apenas R$ 0,08 de patrimônio para cada R$ 1 de dívida,
ou R$ 1 trilhão no total. O valor corresponde a 51,6% do nosso
Produto Interno Bruto (PIB). O monstro dos juros engordou na mesma proporção,
atingindo R$ 157 bilhões no ano passado. Citando os acumulados
dos últimos sete anos, o economista aponta que a dívida
atual é composta por quase R$ 920 bilhões só em
juros. Os números são do Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e do Banco Central (BC).
Como o dinheiro que sai dos cofres públicos
- ou seja, do bolso de cada cidadão - é cada vez mais
insuficiente para cobrir os juros, a dívida tende ao infinito.
''Isso é uma burrice. Estamos com uma política monetária
que concentra fortemente a riqueza nas mãos de financiadores
da dívida pública e utiliza o aparelho do Estado para
fazer essa transferência. Do outro lado, multiplica a miséria.
Não é triste ver que no país mais rico do mundo
já somos 56 milhões de miseráveis?'', questiona,
citando estatística divulgada em 2004 pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV), sobre o total de brasileiros com renda
mensal inferior a R$ 79.
A legião de miseráveis
é apenas o extremo da situação. Com juros e carga
tributária nas alturas, a classe média também está
empobrecendo e cada vez mais perdendo poder aquisitivo. No setor agrícola,
a radicalização dos protestos diz tudo. Enquanto isso...
''Veja os lucros dos bancos: não
há registro na história econômica de balanços
nesses níveis. Os produtores, sejam agrícolas, de carros,
de máquinas, de bens de capital, não têm 10% desse
lucro. É óbvio que essa concentração de
renda vai acabar levando a uma ruptura do sistema econômico, talvez
em um ano e meio, no máximo dois'', arrisca o economista Ismael
Mologni, participante do debate.
Continua na página 3
Vanessa Navarro
Reportagem Local
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de junho de 2006
Dívida dos Estados totaliza R$
334 bi
Proposta do economista Almir Rockembach é
começar pagando a dívida do estado que deve menos, evoluindo
até chegar ao que deve mais.
Para o economista Almir Rockembach a solução dos problemas
econômicos brasileiros existe e começa com o pagamento
da dívida dos estados e municípios. Analisando o balanço
do setor público do País, disponível para qualquer
cidadão no site do Tesouro Nacional (www.tesouro.fazenda.gov.br),
o economista encontrou um excedente de recursos que passa pelos cofres
públicos da ordem de R$ 26,2 bilhões/ano.
O valor encontra-se em uma rubrica contábil
chamada ''outras receitas correntes''. É onde são registrados
os recursos referentes ao pagamento de dívidas ativas (créditos
que o setor público tem junto aos contribuintes, cidadãos
ou empresas), que entram na composição do nosso superávit
primário (receita menos despesas).
O programa propõe a utilização
desses recursos até o limite de 1,2% do PIB, ou R$ 24 bilhões/ano,
para não comprometer o equilíbrio financeiro. Multiplicando
esse valor por um prazo-programa estabelecido em cinco anos, Rockembach
chegou a uma receita potencial de R$ 120 bilhões. Para ele, isso
significa ''suficiência financeira'', uma vez que R$ 100 bilhões
já bastariam para quitar a dívida de 23 estados brasileiros
juntos.
No final do ano passado, o economista
incluiu no projeto o uso de reservas internacionais estratégicas
do governo federal, limitadas a R$ 20 bilhões/ano (1% do PIB).
À época, elas foram empregadas no pagamento de uma dívida
não vencida ao Fundo Monetário Internacional (FMI). O
raciocínio do consultor é: se havia sobras disponíveis
para uma finalidade sem urgência, por que não empregá-las
na ''salvação nacional''?
Definida a fonte de recursos, elegeu-se
como primeira parte da execução do programa o pagamento
da dívida pública dos 26 estados brasileiros mais o Distrito
Federal, além de seus respectivos municípios. Juntos,
eles devem R$ 334 bilhões. A idéia é começar
quitando a dívida do estado que deve menos, evoluindo até
chegar ao que deve mais. Exceto por São Paulo e Rio de Janeiro,
os maiores devedores, todos os estados teriam seus débitos liquidados
em 48 meses.
Já entre o 13º e o 16º
mês do programa, afirma Rockembach, o governo sinalizaria que
tem caixa suficiente para liquidar a dívida e retiraria do mercado
''renegociações absurdas, um ente público que demanda
da poupança 80% para financiar o seu déficit''. A consequência
seria uma forte redução na taxa de juros da economia brasileira,
hoje em 15,25% ao ano. Isso aumentaria a eficiência financeira
de SP e RJ, que devem juntos mais de meio trilhão de reais, facilitando
o pagamento de suas dívidas. O próximo desafio seria a
liquidação das dívidas da União, que fecharam
2005 em R$ 664 bilhões.
Matematicamente, a idéia
tem tudo para dar certo. Mas ainda depende de vontade política
e da própria sociedade. O idealizador do projeto provoca: ''Precisamos
acordar esse gigante adormecido, o povo brasileiro, que assiste passivamente
à derrocada do País. Ele não sabe a força
que tem.''
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de junho
de 2006
Governadores estão num beco sem
saída
Almir Rockembach formatou o programa de pagamento da dívida dos
estados brasileiros apostando que os governadores irão abraçar
a proposta de uma ''ação confederada''. Não se
trata apenas de otimismo, garante, mas da constatação
de que esses administradores estão num beco sem saída.
''No processo de renegociação
da dívida pública, o governo federal obrigou que os governos
estaduais transferissem para a União, na média nacional,
15% da receita tributária. Isso significou engessamento. Os governadores
ficaram sem condições de atender demandas da sociedade,
o que é extremamente grave'', avalia. O reflexo de tamanha impotência
é sempre temido em épocas eleitorais, provocando uma corrida
dos candidatos a reeleição para recuperar o tempo perdido
no último ano de mandato.
''Temos 27 governadores que hoje
não têm projeto nenhum, e que na falta de projetos não
podem influenciar as bancadas regionais. Aí elas ficam à
deriva, indo atrás de mensalinho, mensalão, sanguessuga,
chupacabra. Se essas bancadas estiverem orientadas para um mesmo norte,
vamos ter uma força política no Congresso Nacional suficiente
para enfrentar a força dos financiadores da dívida pública'',
confia o economista. (V.N.)
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
junho de 2006
Enfrentando a reação dos
financiadores da dívida
É até engraçado, para a grande maioria dos brasileiros,
imaginar que alguém possa não gostar de receber de volta
um dinheiro emprestado. Mas é exatamente assim com os financiadores
da dívida pública, que vivem de especulação
e fazem fortuna em cima dos juros pagos sobre um valor que tende ao
infinito. Por isso, qualquer plano de liquidação da dívida
precisa prever que haverá forte reação dos credores.
''Há reação porque
a mamata dos banqueiros acaba por aí. O primeiro grande problema
que eles podem criar para um programa dessa natureza é se reunir
num cartel, pegar esse dinheiro que está sendo pago a eles e
financiar a custo baixíssimo a festa do consumo. Isso criaria
um problema muito sério de desabastecimento e, com ele, a inflação'',
pondera Rockembach.
Para evitar tais medidas, uma das
sugestões do economista é apelar para o depósito
compulsório que os bancos fazem no Banco Central (BC), hoje em
20%. ''Ao fazer o pagamento, a gente tem que convidar o banqueiro a
participar do projeto de consertação nacional, usando
esses recursos para investir no aparelho produtivo. Se ele aceitar,
o depósito compulsório baixa para 5%. Se não, sobe
para 85%'', radicaliza. (V.N.)
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
junho de 2006
Formando uma poupança pública
Um saldo acumulado no Fundo de Recuperação
das Finanças Públicas (FRFP) ao longo do processo de pagamento
da dívida poderá dar origem a uma ''poupança pública'',
algo que inexiste no Brasil, lembra Rockembach. O dinheiro viria de
um depósito compulsório dos governos que já tivessem
suas dívidas liquidadas pelo programa.
''Tomemos o exemplo do Amapá,
menor devedor. No segundo mês do programa, o governador do AP
está desobrigado, por liquidação total da dívida,
de transferir à União 15% de sua receita tributária.
É justo e necessário que esse governador fique com 10%
dessa receita, mas que 5% seja depositado no FRFP'', ilustra.
O economista não cita cifras,
mas acredita que em cerca de 20 anos essa poupança possa alcançar
70% do PIB. ''Vamos ter aqui o poder público mais rico do mundo.
Isso se a gente não permitir tanta corrupção, por
que se essa gente tivesse uma poupança, hein? Qual seria o tamanho
do tubo do valerioduto?'', ironiza. Para evitar desvios, ele sugere
que um ''colégio de notáveis'' confira as contas e decida
sobre o destino do dinheiro, ''em sala aberta e com a televisão
ligada o tempo todo''. (V.N.)
‘‘A idéia é
genial, ousada e tem totais condições de ser posta em
prática. Talvez antes mesmo de colocar o programa em execução,
a maior dificuldade seja criar as condições políticas
para que o problema da dívida pública tenha sua real dimensão
compreendida. Hoje as pessoas menos esclarecidas sequer têm acesso
a esse tipo de informação. E a busca de soluções
passa pelo conhecimento do problema, e pela conscientização
da sociedade de que este é um problema também dela.’’
Antônio Carlos Araújo,
advogado e professor de Direito da PUC
‘‘É provável
que o programa tenha alguma falha, mas é uma solução
técnica que merece ser discutida. E soluções técnicas
existem para resolver os problemas, o que não existe é
vontade política para implementá-las. A gente percebe
que o Congresso Nacional não vem dando a importância devida
à dívida pública. Há pessoas competentes
lá dentro, mas que por questões políticas não
estão empenhadas em discutir a questão. Isso é
uma tragédia para o País. Por isso a sociedade civil tem
que se envolver.’’
Edson Rui Jóia, administrador
de empresas
‘‘Minha impressão
é que é uma idéia nova e totalmente factível,
desde que haja interesse político e da sociedade civil em abraçá-la.
Esse projeto tem a finalidade de fazer com que haja uma equanimidade
em termos de procedimentos econômico-financeiros no País,
provocando uma cidadania mais completa para o nosso povo sofrido. Seria
muito importante que se resgatasse aqueles 56 milhões de brasileiros
que estão na miséria. Tecnicamente, não vejo nenhuma
incongruência no programa.’’
Celso Barbosa, economista e tributarista
‘‘O projeto é muito
interessante e pode dar certo, desde que haja um grande pacto entre
políticos, empresários e trabalhadores. O apoio dos governadores
é essencial. Torna-se necessário agora que este projeto
seja mais divulgado e debatido para que possamos colocá-lo em
prática o mais rápido possível. A iniciativa da
Folha neste tipo de debate mostra que o jornal tem preocupação
com os problemas do País e está empenhado em também
encontrar uma solução.’’
Paulo Muniz, empresário
‘‘Nesses últimos dez
anos nós transferimos todo o dinheiro do trabalho dos brasileiros
para os banqueiros e ficamos sem capacidade de investimento em nada
- setor produtivo, educação, saúde. Eu me interessei
muito pela idéia do Almir porque nós temos que sair dessa
de alguma forma, é uma faca no peito. Temos hoje uma grande oportunidade
de ser o supridor de energia líquida renovável do mundo,
diante do colapso energético do petróleo, mas precisamos
ter capacidade de investimento.’’
Bautista Vidal, especialista em energias
alternativas, criador do Pró-Álcool
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FOLHA DE LONDRINA, 14 de
junho de 2006
Colega prefere ‘‘pacto social’’
O economista Ismael Mologni avalia que o projeto ''Brasil Sem Dívidas''
é bastante consistente do ponto de vista macroeconômico,
mas que ''a dificuldade é ser exequível''. ''A experiência
mundial que a literatura econômica traz é de que é
mais factível e menos doloroso fazer um pacto político
- entre aplicadores de dinheiro, captadores, trabalhadores, governo,
banqueiros - quando o país chega a uma ruptura'', argumenta.
Mologni cita os casos das três
maiores potências econômicas atuais para corroborar seu
ponto de vista. ''Na Alemanha, em outubro de 1923, houve uma inflação
de 29.536%. Foi feito um pacto, hoje é a terceira potência
mundial. Da mesma forma, o Japão destruído da guerra tinha,
em 1955, renda per capita igual à da Uganda hoje. Agora é
a segunda potência com renda per capita de US$ 45 mil. E os EUA,
com 12 milhões de desempregados após a quebra da Bolsa
em 1929, fez o new deal (novo acordo) com os banqueiros e hoje é
o que vemos.''
Ele afirma ainda que o Brasil não
está longe do momento em que, falido, será forçado
a se reestabelecer. ''Estamos chegando num momento de perda de auto-estima.
Essa é a pior. As estradas e a saúde estão sucateadas.
A situação em que estão hoje os agricultores, a
classe média, começou lá atrás, nos juros
altos, desde o Plano Real. É um processo lento e implacável
que não é visto a curto prazo'', conclui. (V.N.)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 14 de junho de 2006 | Economia
Inflação abaixo da meta
não significa política rigorosa
Segundo o diretor de Política Econômica
do Banco Central, Afonso Beviláqua, o resultado é um indício
de que o regime de metas de inflação funciona adequadamente
Fabio Graner e Adriana Fernandes
BRASÍLIA - O diretor de Política
Econômica do Banco Central, Afonso Beviláqua, afirmou,
nesta terça-feira, que o fato da inflação medida
pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado
nos últimos 12 meses encerrados em maio ter ficado abaixo da
meta de 4,5% prevista para todo o ano, não significa que a política
monetária implementada pelo BC seja rigorosa demais. Para ele,
o resultado é um indício de que o regime de metas de inflação
funciona adequadamente.
"É normal que a inflação
oscile ao redor da meta. É normal que ela fique abaixo da meta
e também que, diante de choques, fique temporariamente acima
da meta. Na nossa avaliação, a evolução
dos índices de preço não significa política
monetária apertada demais", disse, reiterando as palavras
do presidente do BC, Henrique Meirelles, sobre o cumprimento das metas
de inflação. "Faremos tudo o que está ao nosso
alcance para atingir as metas".
O diretor do BC reconheceu que os juros
no Brasil são muito altos, mas ponderou que eles são mais
baixos do que no passado e que a tendência é caírem
a médio e longo prazo como resultado de um ambiente macroeconômico
mais saudável, cuja precondição é que a
inflação se mantenha nas metas. Ele também destacou
que a política monetária precisa ser conduzida de modo
a permitir que a economia cresça preenchendo o chamado hiato
do produto de forma disciplinada do ponto de vista dos preços.
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ÚLTIMO SEGUNDO, 14
de junho de 2006 | Economia
OCDE revê estratégia para
aumentar geração de empregos e renda
Estimular a geração de
emprego e de renda é o novo desafio no âmbito trabalhista
que os países devem enfrentar, com a superação
de obstáculos à atividade e com renovados esforços
para melhorar a qualificação dos trabalhadores, segundo
a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico (OCDE).
Essa é a mensagem enviada hoje
pela OCDE a seus 30 países-membros no relatório "Perspectivas
para o Emprego", no qual revê a estratégia adotada
há doze anos.
O "clube dos países desenvolvidos"
defende elaborar políticas macroeconômicas apropriadas,
superar a falta de estímulo à atividade, reformar os regulamentos
dos mercados de trabalho e dos produtos - que criam obstáculos
à demanda de mão-de-obra -, e desenvolver as qualificações
e competências dos trabalhadores nessa era da globalização.
"Enquanto há dez anos atrás
o tema-chave era o alto desemprego, o desafio agora é expandir
o emprego e a renda", afirmou José Ángel Gurría,
novo secretário-geral da OCDE e ex-ministro de Finanças
e Exteriores mexicano, ao apresentar o relatório à imprensa.
Em uma palavra, "o que se requer
hoje são mais trabalhos e mais bem pagos. Os sistemas que excluem
do emprego as pessoas são injustos e devem ser trocados",
sentenciou Gurría, que em 1º de junho sucedeu o canadense
Donald Johnston no cargo.
No entanto, combater o persistente alto
desemprego é uma tarefa inacabada. Especialmente em grandes países
europeus, o envelhecimento da população mostra que o estímulo
à atividade trabalhista é agora "uma prioridade-chave",
disse.
Hoje há quatro ativos por aposentado
na OCDE, em 2050 haverá dois ativos por aposentado.
Paralelamente, cerca de 265 milhões
(35%) de pessoas em idade economicamente ativa não trabalham
na zona da OCDE. Destes, 37% (6,5%) estão desempregados, e a
maioria dos 228 milhões restantes recebe auxílio por incapacidade
ou doença (42 milhões), aposentadoria antecipada ou assistência
a famílias.
Na maior parte dos países, as
pessoas sem trabalho costumam ser jovens, mulheres, idosos, deficientes
físicos e imigrantes, disse Gurría, ressaltando que o
aumento "rápido" de pessoas que recebem auxílio
por incapacidade é uma grande preocupação em muitos
países.
O índice de atividade das mulheres
aumentou no geral, mas ainda assim continua 20% inferior ao dos homens
de 25 a 55 anos. O dos homens idosos é 25% mais baixo.
A OCDE recomenda quatro linhas de ação
para responder aos novos desafios, e afirma que são úteis
não só para os países ricos, mas também
para facilitar a transição do trabalho informal ao formal
em economias emergentes - como México e Turquia, ou países
da Europa central e oriental -, mas reconhece que não há
apenas uma receita.
A nova estratégia deve ser adaptada
às "preferências sociais nacionais. O caminho para
Roma não é único", disse Gurría, insistindo
na necessidade de vontade política para fazer reformas.
Segundo a OCDE, certos países
como os Estados Unidos obtêm bons resultados com baixos níveis
de seguro-desemprego, de impostos e de regulamentos trabalhistas, mas
ao preço de má distribuição na renda bastante
marcada.
Outros, como a Dinamarca e Holanda, obtêm
bons resultados, mas com subsídios generosos e medidas "fortes"
de "ativação" dos desempregados, o que representa
altas despesas orçamentárias.
Mas "nem tudo vale", advertiu
Gurría, ao afirmar que esses dois enfoques têm em comum
a ênfase na estabilidade macroeconômica e uma forte concorrência
nos mercados de produtos.
Para a OCDE, é possível
ter uma mistura de subsídios generosos e apoio ativo à
procura de emprego, mas com ameaça de sanções para
quem não cumprir suas obrigações.
Também é crucial superar
os impedimentos à incorporação trabalhista de grupos
sub-representados, como mulheres - medidas favoráveis à
família, ajudas para creches, incentivos fiscais - e idosos -
suprimir incentivos à aposentadoria antecipada.
A OCDE defende também maior convergência
entre os contratos permanentes e temporários, e mais segurança
jurídica para o empregador, no sentido de saber que custará
uma demissão.
Para aumentar a demanda de mão-de-obra,
é preciso favorecer a entrada de pessoas pouco qualificadas no
mercado de trabalho, afirma o relatório, que, no entanto, enfatiza
a necessidade de uma formação eficaz ao longo da vida.
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AGÊNCIA BRASILEIRA
DE NOTÍCIAS, 14 de junho de 2006 | Economia
SENAI e SESI abrem escolas no interior
para atender demanda industrial
O deslocamento da indústria para
longe dos grandes centros começa a exigir que o trabalhador do
interior procure maior preparação para aproveitar a oferta
de empregos com maiores salários. A tendência é
confirmada por um dos mais importantes formadores de mão-de-obra
qualificada do país, o Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial (SENAI), que começa a orientar suas ações
no mesmo sentido, abrindo suas portas para o trabalhador das pequenas
cidades brasileiras. O alerta veio do índice de matrículas
em 2004: 53,7% foram de fora das capitais.
Há pouco tempo, as empresas que
tinham seus negócios no interior precisavam buscar capacitação
para seus empregados nos grandes centros. Hoje a realidade começa
a mudar. "Verificamos que as empresas que estão no interior
têm inserção internacional, exigem um alto padrão
de qualidade de mão-de-obra e se utilizam de alta tecnologia.
Ou seja, precisam de profissionais muito qualificados", diz a diretora
de operações do SENAI, Regina Torres.
Por isso, a instituição
muda também a direção de suas iniciativas de educação
profissionalizante. Aumentou para 272 unidades fixas no interior e ainda
criou 321 unidades móveis, equipadas com 225 kits didáticos.
O número engloba desde barcos e caminhões-escola até
os kits do Programa de Ações Móveis (PAM) que utiliza
pequenos contêineres para levar a educação profissional
e os serviços técnicos e tecnológicos a distantes
localidades do país. Com esse projeto, já foram realizadas
13.749 capacitações, ligadas a 25 segmentos industriais.
Um dos primeiros parceiros do SENAI no
novo projeto de interiorização de suas ações
foi a Companhia Vale do Rio Doce, a maior produtora e exportadora de
minérios de ferro do mundo, que tem unidades em 14 estados brasileiros.
Em 2005, a empresa, graças a uma parceria com o SENAI capacitou
7.370 trabalhadores no interior dos estados do Maranhão, Bahia,
Pará, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
EMPREGO NO INTERIOR
- De acordo com uma pesquisa recente do próprio SENAI,
mais de três quartos das vagas criadas pelo setor industrial nos
últimos cinco anos surgiram no interior, principalmente em municípios
do Sul e do Sudeste. É o caso de cidades do Paraná. Das
cinqüenta microrregiões que mais geraram emprego nos últimos
anos, cinco ficam no estado.
Por lá, o outro braço da
indústria, o SESI, iniciou no ano passado um projeto pioneiro
para acompanhar essa tendência. A instituição está
levando para o interior uma nova modalidade de ensino onde os alunos,
além de cursar o ensino formal, podem optar por cursos profissionalizantes
nas áreas como metalmecânica, automobilística e
gestão de alimentos. Neste ano, o projeto-piloto, realizado em
2005 em Curitiba e São José dos Pinhais, será ampliado
para Londrina, Maringá, Bandeirantes, Campo Largo, Rio Negro
e Cascavel, todos com autorização da Secretaria Estadual
da Educação.
Segundo a responsável pelo projeto,
Suely Pacheco, a idéia de levar a iniciativa para outras cidades
do estado surgiu quando alguns industriais de Maringá procuraram
colégios da rede. "Vimos assim que a demanda por mão-de-obra
tecnicamente qualificada e empreendedora estava crescendo nesses lugares",
disse ela. No ano passado, o SESI começou a ir até as
empresas de todo o estado vender a idéia. E encontrou interessados.
A instituição conquistou
parceiros como a Renault e a Bosch. A Renault, por exemplo, participou
da arquitetura do curso desde o início e decidiu custear a educação
de cinco alunos de regiões carentes de São José
dos Pinhais. Segundo Cristina Gonçalves, analista de Recursos
Humanos e chefe da área de responsabilidade social da Renault,
o objetivo é formar esses alunos, prepará-los e desenvolvê-los,
além de contribuir para a inclusão de mão-de-obra
profissionalizante no mercado de trabalho. Segundo ela, a empresa acredita
no ensino diferenciado para tornar o profissional mais completo. "Hoje,
não tem espaço só para parte técnica, mas
é preciso formar um profissional mais completo e agregando valores
de empreendedorismo", disse ela.
ESTÁGIO
NAS FÉRIAS - Em 2006, os alunos, que têm em média
13 anos, farão um estágio de férias, onde terão
a proximidade com uma linha de montagem da fábrica. Além
de custear os alunos, a empresa também contribui com sugestões
técnicas às áreas automobilísticas, mecânica,
gestão de processos, metrologia e usinagem.
As aulas, diferentes daquelas dos colégios
convencionais, contam com oficinas de trabalho que levam os alunos a
pesquisar sobre assuntos de áreas distintas, possibilitando a
exploração de conteúdos transversais e temáticos.
O conteúdo é definido a partir das necessidades de formação
de mão-de-obra de cada região. Assim, em Curitiba e São
José dos Pinhais, por exemplo, os alunos podem optar por áreas
como metalmecânica, automobilística e gestão de
alimentos.
Outra frente de atendimento do SENAI
no interior do país é com os Arranjos Produtivos Locais
(APLs), que vêm dinamizando a economia nessas regiões.
É o caso de Ubá, em Minas Gerais, que também está
no ranking das cinqüenta microrregiões que mais criaram
empregos nos últimos anos, segundo a pesquisa do SENAI sobre
a geração de emprego industrial na capital e interior
do Brasil, lançada no ano passado. Um dos responsáveis
por isso é o pólo moveleiro da região, o terceiro
maior do país. Somente as indústrias da área são
responsáveis por 7.048 empregos diretos.
O SENAI oferece cursos para atender áreas
específicas do pólo, com destaque em design industrial
moveleiro. Além disso, construiu um laboratório de testes
e dá assistência técnica a empresas em áreas
como layout e processo produtivo. Tem também o núcleo
de design em parceria com Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para desenvolvimento de produtos
para pequenas companhias.
PETRÓLEO
E GÁS – A interiorização do ensino
do SENAI também acompanha o movimento de indústrias em
torno de um produto, como é o caso do Petróleo em Mossoró,
no Rio Grande do Norte. Até o final de 2007, uma Escola de Petróleo
será criada para formar profissionais da área, além
de incentivar atividades de pesquisa e extensão.
O projeto é resultado de uma parceria
entre a Fundação Municipal de Apoio à Geração
de Emprego e Renda (Funger), o SENAI, o Centro Tecnológico do
Gás (CTGás), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN) e a Universidade Federal Rural do Semi-árido (Ufersa).
Uma pesquisa com 34 empresas do setor
de petróleo de Mossoró revelou que há dificuldades
na seleção de trabalhadores por falta de mão-de-obra
qualificada na região. Ao analisar o porte das empresas, os pesquisadores
identificaram que 47% têm até 60 trabalhadores contratados.
Isso significa que precisam terceirizar
os serviços de aperfeiçoamento e qualificação
de pessoal, porque a manutenção de um departamento responsável
por essa área é economicamente inviável. As maiores
necessidades de contratações são de pessoas para
ocuparem cargos de mecânico, supervisor, ajudante administrativo,
operador de empilhadeira, montador e eletricista industrial.
O exemplo da região Norte vem
de Rondônia. O SENAI oferecerá cursos de capacitação
de mão-de-obra voltados às principais necessidades das
empresas do estado. Uma pesquisa realizada em setembro pelo SENAI e
o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) identificou o perfil dos profissionais
exigidos pelos setores de alimentos e bebidas, cerâmica, confecções,
construção, mobiliário e utilidade pública.
Foram pesquisados 132 estabelecimentos industriais nas regiões
de Ariquemes, Cacoal, Ji-Paraná e Vilhena, além da capital,
abrangendo um universo de 10.828 empregados.
Na área de alimentos, por
exemplo, a pesquisa mostrou que há grande carência de profissionais
qualificados nos ramos de padeiro, desossador e magarefe (classificador
de carnes). No setor ceramista, a dificuldade é encontrar pessoas
qualificadas para exercer função de técnico em
cerâmica, eletricista industrial, operador de maromba (máquina
que dá forma ao barro) e foguista (alimentador da caldeira).
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GAZETA DO SUL, 14 de junho
de 2006
Famílias de baixa renda de Caxias
do Sul terão casa própria
A Caixa Econômica Federal e a Prefeitura
de Caxias do Sul assinaram nesta segunda-feira (12) parceria para construção
do quinto residencial na cidade, dentro do Programa de Arrendamento
Residencial (PAR). Serão investidos, ao todo, recursos da ordem
de R$ 9 milhões, para a construção do Residencial
Bonalume, que irá beneficiar 300 famílias com renda entre
dois e quatro salários mínimos.
Cada unidade do empreendimento, localizado
no Bairro Bom Pastor, na esquina das ruas Irmã Geni e Sepé
Tiarajú, terá área de 34m², distribuída
em dois dormitórios, sala, cozinha e área de serviço
e terá custo de R$ 30 mil. O empreendimento, construído
no sistema de condomínio fechado, conta ainda com salão
de festas e playground.
Os interessados em adquirir uma unidade
podem fazer inscrições na Secretaria de Habitação,
no primeiro andar da Prefeitura de Caxias do Sul, com carteira de identidade,
CPF e comprovantes de renda.
O Programa - Programa do governo federal
viabilizado pela CAIXA, o PAR introduziu no Brasil um novo conceito
de acesso à moradia: o arrendamento residencial. Foi criado para
atender famílias com renda mensal de até 6 salários
mínimos. Os imóveis têm o valor médio de
R$ 25 mil onde o morador paga, durante 15 anos, uma taxa mensal de arrendamento
de aproximadamente R$ 170,00, em valores atuais, com opção
de compra ao final do prazo contratado.
Os imóveis construídos
pelo PAR estão em áreas com infra-estrutura urbana e são
compostos de dois quartos, sala, cozinha, banheiro e vaga de garagem.
A parceria com os governos estaduais e prefeituras é determinante
para o êxito do Programa. Eles são responsáveis
por identificar as áreas prioritárias, viabilizar a infra-estrutura
do local e selecionar os arrendatários que serão encaminhados
para a CAIXA.
O Programa de Arrendamento Residencial
pode ser utilizado em municípios que possuam mais de 100 mil
habitantes de população urbana. Em Caxias do Sul, nos
cinco projetos viabilizados pelo Programa, estão sendo investidos
R$ 34 milhões em 1.220 unidades habitacionais. Deste total 240
famílias já estão residindo em suas moradias próprias,
e mais 240 serão beneficiadas em agosto próximo.
As informações são
da Assessoria de Imprensa da CAIXA – Regional Caxias do Sul
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
14/06/2006
JT decide sobre pedido de complementação
de aposentadoria
Os ministros que compõem a Segunda
Turma do Tribunal Superior do Trabalho decidiram que o TST tem competência
para julgar ação que envolve pedido de complementação
de aposentadoria.
A autora da ação ajuizou
reclamação trabalhista cobrando complementação
de aposentadoria da Brasil Telecom e da Fundação dos Empregados
da Companhia Riograndense de Telecomunicações, com base
no Estatuto da empresa, que prevê que todas as parcelas que recebem
a incidência da contribuição previdenciária
devem compor o salário real de benefício.
O Tribunal Regional do Trabalho da 4a
Região (Rio Grande do Sul) julgou procedente o pedido, condenando
ambas, de forma solidária, a pagarem à empregada as diferenças
de suplementação de aposentadoria pela integração
de horas extras prestadas nos últimos doze meses de trabalho.
Tanto a Brasil Telecom quanto a Fundação
recorreram ao TST alegando que a Justiça do Trabalho não
tem competência para julgar ações que tenham por
objeto complementação de aposentadoria e que não
há lei fixando a competência para apreciar a relação
de natureza associativa mantida entre as partes.
Argumentaram, ainda, que o artigo 36
da Lei n° 6.435/77 estabelece que a competência para julgar
esse tipo de litígio é da justiça comum, tal como
ocorre com as ações que envolvam o INSS, não podendo
ser diferente o tratamento para as entidades fechadas de previdência
social.
O acórdão regional elucidou
a questão afirmando que a complementação dos proventos
decorre do contrato de trabalho havido com a Companhia Riograndense
de Telecomunicações, sendo “irrecusável a
competência material desta Justiça Especializada para instruir
e julgar o feito, visto tratar sobre litígio que tem origem no
vínculo de emprego”.
O relator do processo, ministro Renato
de Lacerda Paiva, mantendo a decisão do TRT de gaúcho,
acrescentou que a expressão “outras controvérsias
decorrentes da relação de trabalho”, contida no
inciso IX, do artigo 114 da Constituição Federal autoriza
a Justiça do Trabalho a dirimir questões dessa natureza.
(RR-91.671/2003-900-04-00.4)

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