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DIÁRIO DO GRANDE ABC / SÃO PAULO,
17 de junho de 2006
Sindicatos da construção
definem convenções coletivas em SP
Anderson Amaral
Do Diário do Grande ABC
Seis sindicatos de trabalhadores da construção
civil firmaram convenções coletivas com o SindusCon-SP
(Sindicato da Indústria da Construção no Estado
de São Paulo), entre eles os de Santo André e São
Bernardo. Pelo acordo, que contempla também as demais cidades
da região, os salários serão corrigidos em 6,01%,
retroativamente a 1º de maio. A diferença relativa a este
mês será paga na folha de junho.
Com isso, o salário normativo
da categoria passa a ser de R$ 620,40, ou R$ 2,82 por hora para uma
jornada de 220 horas mensais. Por sua vez, o tíquete-refeição
subiu para R$ 9, enquanto as cestas básicas devem ter pelo menos
30 quilos e uma composição diferente da atualmente fornecida.
As demais cláusulas da convenção
assinada em 2005 continuam válidas, como a obrigatoriedade e
composição mínima do café da manhã,
o seguro de vida opcional e a possibilidade de negociação
de banco de horas.As convenções também estipulam
o desconto, na folha de pagamento dos trabalhadores, de contribuição
retributiva de representação assistencial, bem como os
prazos para oposição.
Também foi mantida a cláusula
24 (Campanha da Indústria da Habitação), que preconiza
a união de esforços do SindusCon-SP e de sindicatos de
trabalhadores em favor do fortalecimento do setor.Desapontamento –
Embora as convenções tenham mantido as cláusulas
sociais de acordos dos anos anteriores, o resultado da negociação
desapontou o presidente do Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores
da Indústria da Construção Civil e Mobiliário,
Edson Bernardes. “O acordo não é o melhor que já
conseguimos, mas também não é o pior”, afirma.
Bernardes ressalta que os sindicatos
têm cada vez menos margem de manobra para negociar com a indústria.
“Atualmente, brigamos e, como resultado, apenas conseguimos manter
as conquistas que já temos. Infelizmente, as negociações
não trouxeram nem avanços sociais, nem econômicos”,
ressalta o sindicalista, avaliando também que o salário
da categoria “é muito baixo”.
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GAZETA DE LIMEIRA / SÃO
PAULO, 18 de junho de 2006
REAJUSTE
Trabalhadores da construção
recebem ganho real de salário
Em junho foram assinados acordos coletivos
e definidos reajustes salariais para três setores da categoria
da construção de Limeira: civil, pesada e montagem industrial.
Os trabalhadores terão um reajuste de 5,5%, índice superior
à inflação acumulada do período de 3,4%.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores
nas Indústrias Cerâmicas, da Construção e
Mobiliário de Limeira e Região (Siticecom), existem três
mil trabalhadores da construção.
Além do aumento, os profissionais
tiveram seus pisos salariais alterados para R$ 580,80 (trabalhadores
não-qualificados) e R$ 704,00 (qualificados). A Participação
nos Lucros e Resultados (PLR) ficou em R$ 120, que serão pagos
em duas vezes de R$ 60, uma em agosto e outra em março de 2007.
Já a construção
pesada teve o piso reajustado para R$ 589,60 (não-qualificados)
e R$ 723,80 (qualificados). A PLR ficou em R$ 100, sendo R$ 50 pagos
em agosto e R$ 50 em março de 2007. O novo piso da montagem industrial
ficou em R$ 770,00, com PLR de R$ 120 pagos em duas de R$ 60. (ESS)
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Folha
de São Paulo, 16 de junho de 2006
No 1º tri, Argentina cresce 8,6%, puxada
por indústria e construção
Resultado leva país a alcançar quatro
anos ininterruptos de expansão do PIB
DA REDAÇÃO
A economia argentina cresceu 8,6% no
primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período
do ano passado, informou ontem o Indec, o órgão de estatísticas
do país. O Brasil, usando o mesmo tipo de comparação,
cresceu 3,4% no trimestre passado. A indústria foi o motor do
crescimento no país vizinho, juntamente com a construção
civil. O setor industrial cresceu 8,5%, enquanto o de construção
alcançou taxa de crescimento de 24,1%, novamente, sempre na comparação
com o primeiro trimestre do ano passado.
Com o resultado registrado no primeiro
trimestre, a Argentina acumula quatro anos seguidos de crescimento ininterrupto,
ou 16 trimestres. Os dados mostram que a economia do país vizinho
mantém o vigor com que vem crescendo nos últimos anos.
Em 2003, primeiro ano de recuperação após a crise
sem precedentes que atingiu o país, o crescimento foi de 8,7%.
Tanto em 2004 quanto em 2005 a economia cresceu cerca de 9% ao ano.
O PIB (Produto Interno Bruto) argentino
é hoje 37,5% maior do que em 2002, ano em que a economia encolhera
quase 10%. Na prática, o país vizinho já recuperou
as perdas causadas pela crise que antecedeu e se seguiu ao calote da
dívida externa. Hoje, a economia já cresceu 9,8% em relação
ao pico atingido pelo PIB do país, no segundo trimestre de 1998.
Para este ano, o governo fez todas as suas contas considerando um crescimento
de cerca de 4%. Os números mostram que 2006 começou realmente
com um ritmo menor de crescimento, o que, no entanto, não preocupa
economistas.
Em relação ao final
do ano passado, a taxa de crescimento da economia foi de 1,2%. Parte
importante dos analistas diz avaliar que é saudável para
o país crescer um pouco menos para evitar pressões inflacionárias.
Um sinal positivo do ponto de vista do combate à inflação:
o investimento cresceu 22,8% em relação ao primeiro trimestre
de 2005, impulsionado pela alta de aplicações em construção
civil (23%) e em compra de novos equipamentos e máquinas (crescimento
de 22,6%).
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Agência Câmara,
15 de junho de 2006
Projeto inclui ritmo de trabalho em negociação
sindical
O ritmo de trabalho e as medidas de prevenção da fadiga
poderão tornar-se itens obrigatórios da pauta de negociação
coletiva entre sindicatos e empresas. É o que determina o Projeto
de Lei 6740/06, apresentado pelo deputado Marco Maia (PT-RS). A proposta
também atribui ao Ministério do Trabalho a competência
para elaborar regulamentação específica sobre o
ritmo de trabalho e a prevenção da fadiga.
O autor argumenta que o ambiente de competitividade
da economia leva as empresas a buscar, cada vez mais, alternativas para
reduzir os custos da produção, muitas vezes ao custo do
sacrifício dos trabalhadores. É esse o caso, diz o deputado,
da intensificação do ritmo de trabalho, quando as empresas
aumentam a produção sem novas contratações
e, na maioria das vezes, sem o pagamento de horas extras.
Doenças ocupacionais
Segundo Marco Maia, é comum o
aumento do ritmo de trabalho causar danos aos trabalhadores, como doenças
ocupacionais e acidentes de trabalho, em decorrência de movimentos
repetitivos e trabalho extenuante. Como exemplo, o deputado relata que
frigoríficos no Rio Grande do Sul expandiram a produção
sem contratar mais trabalhadores. Ao invés disso, aumentaram
a velocidade das nóreas, que são as correntes transportadoras
de frangos na linha de produção. "Como o empregado
desse setor não tem controle sobre o ritmo de trabalho, que é
ditado pela máquina, o que se vê é uma grande quantidade
de trabalhadores lesionados em decorrência do trabalho intenso
e repetitivo", denuncia Marco Maia.
Campanhas de
alerta
O deputado cita ainda a campanha lançada pela Confederação
Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação
(Contac) contra o ritmo de trabalho. Motivada pelo crescente número
de doenças ocupacionais e acidentes nas indústrias avícolas,
a campanha menciona como exemplos as cidades gaúchas de Serafina
Corrêa e Marau, onde 25% dos trabalhadores de uma empresa estão
doentes; além de Concórdia, em Santa Catarina, onde outra
empresa apresenta índices semelhantes. De acordo com o parlamentar,
também há campanhas de mobilização e conscientização
a respeito do impacto negativo do crescente ritmo de trabalho entre
aeroviários, bancários, metalúrgicos e nas empresas
terceirizadas de telecomunicações.
Tramitação
O projeto, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT), será analisado em caráter conclusivo pelas comissões
de Trabalho, de Administração e Serviço Público;
e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Agência Câmara,
15 de junho de 2006
Proposta isenta desempregado de pagar
água e luz
A Câmara analisa o Projeto de Lei 6737/06, do deputado Carlos
Souza (PP-AM), que isenta trabalhadores desempregados do pagamento de
tarifas mensais de serviços públicos, como água
e luz, até os limites mínimos de consumo. Segundo o texto,
a isenção será concedida durante o período
máximo de seis meses. Para contas de água, será
considerado consumo de até 10 m3 por mês, enquanto para
as contas de energia elétrica, o limite será de até
220 kwh por mês.
Pessoas com deficiência
Pela proposta, serão beneficiados os trabalhadores desempregados
que tenham filhos com idade de até sete anos ou que mantenham
em casa pessoa com idade acima de 65 anos. As pessoas com deficiência,
desde que sejam impedidas de exercer atividades profissionais, também
serão beneficiadas pelo mesmo período. A comprovação
de desemprego será feita com a apresentação da
Carteira de Trabalho e Previdência Social, enquanto a comprovação
da deficiência se dará por atestado fornecido por médico
vinculado a órgão público integrante do Sistema
Único de Saúde (SUS). Para ter direito ao benefício,
o usuário deverá apresentar requerimento mensal à
companhia local de água ou energia elétrica, acompanhado
de cópia da documentação exigida.
Tramitação
O projeto, que tramita em regime de prioridade, será analisado
pelas comissões de Trabalho, de Administração e
Serviço Público; e de Constituição e Justiça
e de Cidadania. Apensado ao Projeto de Lei 1921/99, o texto será
submetido à votação em plenário.
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Agência Senado, 16
de junho de 2006
Projeto na pauta da CE prevê uso
de recursos do FAT para remunerar estágios
A pauta da próxima reunião da Comissão de Educação
(CE), prevista para terça-feira (20), inclui projeto que prevê
que estágios em empresas e universidades serão parcialmente
remunerados com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Também
está na pauta um projeto que obriga emissoras de rádio
e televisão a divulgar gratuitamente as campanhas nacionais de
vacinação. Há ainda uma proposta que busca tipificar
os delitos na área de informática e outra que amplia a
relação das empresas beneficiadas pelo Sistema Integrado
de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas
e das Empresas de Pequeno Porte (Simples).
O PLS 177/02, projeto de lei do senador
José Agripino (PFL-RN), propõe que o Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT) financie parcialmente a concessão de bolsas
de especialização profissional, com o objetivo de treinar
estudantes por meio de estágios remunerados de seis meses em
empresas e universidades. O relator da matéria, senador Valdir
Raupp (PMDB-RO), emitiu parecer favorável à proposta.
Já o projeto de lei do senador
Juvêncio da Fonseca (PSDB-MS), o PLS 21/06, determina que, "nos
dez dias que antecederem as campanhas nacionais de vacinação,
as emissoras de rádio e televisão reservarão cinco
minutos diários, divididos em inserções distribuídas
ao longo de sua programação, no horário das 6 horas
às 24 horas, para a divulgação das campanhas, sem
ônus para o Poder Público". Em seu parecer favorável
à proposta, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) argumenta
que é procedente a sustentação do autor do projeto
de que os ganhos que a medida propiciará à sociedade superarão
o ônus a ser suportado pelas emissoras de radiodifusão.
O relator ainda lembra que essas emissoras "exploram tais serviços
por delegação do Estado".
O projeto de lei que trata da tipificação
de delitos na área de informática, de autoria do presidente
do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), é o PLS 76/00. Ele tramita
com outras duas proposições - uma do senador Leomar Quintanilha
(PC do B-TO) e outra do deputado Luiz Piauhylino (PDT-PE). O que a CE
irá votar é um substitutivo do senador Eduardo Azeredo
(PSDB-MG), que incorpora sugestões dos três projetos.Já
a proposta que amplia a abrangência das empresas a serem beneficiadas
pelo Simples é o PLS 129/03, de autoria do senador Wellington
Salgado (PMDB-MG). A reunião da Comissão de Educação
desta terça-feira está marcada para as 11h, na sala 15
da Ala Alexandre Costa.
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Diário Vermelho,
18 de junho de 2006
Der Spiegel: Volkswagen pode cortar mais
10 mil empregos
Negando uma informação veiculada pela revista semanal
alemã Der Spiegel, um alto executivo da indústria automobilística
alemã Volkswagen, afirmou que a situação da empresa
é séria, porém não há invormações
de que a empresa poderia cortar mais 10 mil empregos no núcleo
da marca VW.
O chefe de pessoal da VW, Horst Neumann,
disse não ter informado aos representantes dos trabalhadores
que os cortes de empregos poderiam ser estendidos, como foi informado
pela revista alemã Spiegel.
"Eu nunca disse tal coisa",
afirmou ele por meio de um porta-voz da empresa no sábado, em
entrevista coletiva.
"A situação na VW
é séria, mas não há motivo para pânico,
e certamente não há motivos para criar pânico."
A VW disse em fevereiro que cerca de
20 mil empregos na Alemanha poderiam ser afetados por um programa de
reestruturação de três anos na área de veículos
de passageiros. A revista Spiegel informou que mais 10 mil empregos
poderiam estar em risco, porque os altos custos significam que a produção
da próxima geração do modelo Golf poderia ser transferida
da fábrica de Wolfsburg, na Alemanha.
O presidente da empresa, Bernd Pischetsrieder,
disse em fevereiro que não tinha planos de fechar nenhuma fábrica
ou cancelar o acordo salarial interno da Volkswagen, que protege da
demissão 100 mil trabalhadores em suas seis fábricas da
Alemanha Ocidental até o final de 2011.
A montadora já havia prometido
cortar milhares de empregos na Alemanha, mas apenas por meio de pacotes
de aposentadoria precoce e demissão voluntária que poderiam
custar centenas de milhões de euros em encargos de reestruturação.
A Spiegel disse que os trabalhadores em Wolfsburg não podem esperar
melhoras com a produção do novo Scirocco, porque a diretoria
da empresa havia decidido basear a produção do veículo
em Portugal por motivos de custos.
Em outro artigo, a revista Automobilwoche
disse que a Volkswagen estaria decidindo se a produção
do Fox pode ser transferida do Brasil para a Europa, devido à
valorização do real. O chefe de marca da VW, Wolfgang
Bernhard, também pretendia cortar o preço da próxima
geração do Polo em até 2 mil euros, disse a Automobilwoche,
citando fontes da VW, graças a custos de produção
mais baixos. Com agências internacionais.
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Nova Central, 16 de junho
de 2006
MP cria Conselho Nacional de Relações
de Trabalho
A Câmara analisa a Medida Provisória 294/06, que cria na
estrutura do Ministério do Trabalho o Conselho Nacional de Relações
de Trabalho (CNRT), órgão com representantes do governo
federal, dos trabalhadores e dos empregadores que terá função
consultiva e deliberativa em assuntos trabalhistas. Uma das principais
atribuições do conselho será propor e ajudar elaborar
projetos de lei sobre relações de trabalho e sindicais.
A criação do colegiado,
de acordo com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, foi decidida pelo
Fórum Nacional do Trabalho, órgão com função
similar, criado em 2003 para discutir uma possível reforma trabalhista
e sindical. "Os espaços públicos criados [nessa área]
sempre foram estabelecidos por decretos e portarias. A institucionalização
de um espaço permanente de negociação tripartite,
por meio de medida provisória, é de suma importância
para a consolidação da prática do diálogo
social no Brasil", disse o ministro.
Câmaras bipartites
O CNRT terá duas câmaras
bipartites, com dez membros titulares e dez suplentes, uma para os trabalhadores
e outra para os empregadores. Dentro de cada câmara, o governo
terá a metade dos membros. Nenhum dos integrantes do CNRT - incluindo
os membros das câmaras - serão remunerados, mas o exercício
de suas funções será considerado, de acordo com
a MP, serviço de relevante interesse público.
Convenção da OIT
Marinho afirma que a criação
do CNRT atende à previsão da Convenção 144
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que determina
que os países signatários, como é o caso do Brasil,
realize consultas permanentes e efetivas às entidades representativas
dos trabalhadores e dos empregadores em assuntos relacionados a questões
sindicais e trabalhistas.
De acordo com a MP, o CNRT terá
15 membros titulares e 15 suplentes, sendo que o governo, os trabalhadores
e os empregadores terão, cada um, um terço desses membros.
O texto prevê que os representantes dos trabalhadores serão
indicados pelas centrais sindicais, mas os representantes dos empregadores
serão apontados pelas confederações sindicais respectivas.
O mandato dos representantes dos trabalhadores e dos empregadores no
conselho será de três anos, mas os representantes do governo
não terão mandato com duração definida e
poderão ser substituídos a qualquer tempo.
Tramitação
A MP está em vigor desde
sua edição, em 9 de maio, mas precisa ser convertida em
lei pelo Congresso Nacional em no máximo 60 dias, prorrogáveis
por igual período.
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Nova Central, 16 de junho
de 2006
Diárias superiores a 50% do salário
têm natureza salarial
O valor recebido a título de diárias de viagem superior
a 50% do salário do empregado tem natureza salarial inclusive
para fins de indenização, enquanto forem pagas. Não
geram direito, porém, à integração definitiva
ao salário, podendo ser suprimidas quando as viagens deixarem
de ocorrer. Com este entendimento, a Quarta Turma do Tribunal Superior
do Trabalho rejeitou agravo de instrumento da Companhia Estadual de
Energia Elétrica (CEEE), negando-lhe provimento, e um recurso
de revista de um ex-empregado da empresa, que não foi conhecido.
A relatora dos recursos, juíza convocada Maria de Assis Calsing,
verificou que a decisão estava de acordo com a jurisprudência
do TST.
O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª
Região (RS) havia determinado a integração das
diárias para fins de cálculo das gratificações
de férias e de farmácia. Embora a CEEE alegasse que essas
vantagens foram instituídas “por mera liberalidade”,
com critérios definidos pelo próprio empregador, o entendimento
do TRT foi diferente. “Se determinada vantagem é instituída
por norma regulamentar, não tem tal caráter. As diárias
de viagem, a seu turno, quando excedentes a 50% do salário, perdem
a natureza indenizatória”, dizia a decisão.
No recurso de revista, cujo trancamento
pelo TRT originou o agravo de instrumento, a CEEE sustentou que a integração
das diárias em gratificações de férias e
de farmácia não tinha previsão legal. A juíza
Maria Calsing, porém, concluiu que, “ao constatar que as
diárias excediam 50% do salário do empregado e determinar
sua integração na base de cálculo das gratificações
de férias e de farmácia o TRT apenas interpretou de forma
razoável o artigo 457 da CLT”, e negou provimento ao agravo.
No mesmo processo, o empregado recorreu
contra a decisão que entendeu possível a supressão
das diárias de viagem quando o empregado não mais se ausentar
da sede do serviço por causa de viagens. Sua alegação
era a de que, sendo as diárias superiores a 50% do salário,
não poderiam ser suprimidas, pois caracterizaria redução
de salário.
O TRT confirmou que as diárias
eram pagas por dia de deslocamento para fora da sede de trabalho, independente
de comprovação de despesas. “Logo, não comporta
dúvida a correlação dos valores pagos com seu afastamento
da sede. Desta sorte, não se pode cogitar da hipótese
de pagamentos sem a destinação de ressarcir despesas de
viagem, e, por conseqüência, não se desenha a hipótese
de salário, contraprestação de serviços
normais.” A Quarta Turma, seguindo o voto da relatora, constatou
que “a decisão regional encontra-se em consonância
com a Súmula nº 101 do TST – que prevê a integração
de diárias superiores a 50% “enquanto perdurarem as viagens”.
(AIRR e RR 769171/2001.2)
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Nova Central, 17 de junho
de 2006
Contratos de trabalho podem ser suspensos
se empresa estiver em crise
Os contratos de trabalho poderão ser suspensos quando a empresa
for afetada por crise econômica e financeira e perder as condições
de manter o nível da produção ou o fornecimento
de serviços. É o que determina o projeto de lei 76/2005,
do senador Jefferson Péres (PDT-AM), que está na Comissão
de Assuntos Sociais do Senado.
A proposta altera a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), que já permite a suspensão
dos contratos de dois a cinco meses para participação
dos trabalhadores em cursos ou programas de qualificação
profissional. Nestes casos, é concedida a Bolsa Qualificação,
espécie de seguro-desemprego custeado pelo Fundo de Amparo ao
Trabalhador.
O empresário deixa, portanto,
de pagar os salários e de recolher os encargos sociais, mas,
voluntariamente, pode conceder ao trabalhador ajuda mensal. Há
necessidade, no entanto, de acordo ou convenção coletiva
e prévia concordância dos trabalhadores para que os contratos
sejam suspensos. Os senadores analisam, agora, se a empresa poderá
também suspender os contratos de trabalho em virtude de uma crise
econômico-financeira.
"A idéia é que a empresa
possa manter o trabalhador, em vez de demiti-lo, até que verificar
se a crise é conjuntural, ou seja, se pode ou não ser
contornada. Passadas as dificuldades, os trabalhadores podem ser reintegrados",
explica o senador Jefferson Péres.
A Confederação Nacional
da Indústria apóia a proposta. "Em tempos de grave
crise, torna-se impossível manter o nível de produção
e o fornecimento de serviços, sem que haja redução
dos postos de trabalho", diz. O projeto de lei recebeu parecer
favorável do senador Mão Santa (PMDB-PI) na Comissão
de Assuntos Sociais do Senado. Fonte: Com informações
DCI (SP) e CNTTT.
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Nova Central, 17 de junho de 2006
TST disponibiliza Sistema de Cálculo
Trabalhista Rápido pela internet
Patrões e empregados já podem saber o valor da rescisão
contratual pela internet. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) disponibilizou
em sua página na rede mundial de computadores (www.tst.gov.br)
o Sistema de Cálculo Trabalhista Rápido, que fornece em
menos de dois segundos (após a realização do download)
valores como aviso prévio, horas extras, décimo terceiro
salário, FGTS e demais encargos trabalhistas.
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Folha de São Paulo,
15 de junho de 2006
FISIOLOGISMO
PMDB exige mais cargos, mas Lula quer
esperar até a eleição
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de enterrar a candidatura própria
do partido e de decidir não fazer aliança com nenhum candidato
a presidente, a ala governista do PMDB agora negocia com o Palácio
do Planalto a indicação do atual presidente da Funasa
(Fundação Nacional da Saúde), Paulo Lustosa, para
substituir Agenor Álvares no Ministério da Saúde.
Lula já deixou de indicar Lustosa para três cargos que
ele cobiçava: Ministério das Comunicações,
diretoria-geral da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações)
e a própria pasta da Saúde. Ontem, surgiu o nome de Sérgio
Machado, presidente da Transpetro, subsidiária da Petrobras,
para o posto. Machado também é da ala governista do PMDB.
Lula resiste à pressão
dos governistas do PMDB pela obtenção imediata de mais
cargos no governo. O presidente deseja fazer nomeações
somente após as eleições. A ala governista, porém,
pressiona fortemente, sob o argumento de que matou a candidatura própria,
o que facilitaria a definição da eleição
presidencial no primeiro turno. Lula é hoje favorito nas pesquisas.
O argumento do Palácio do Planalto para resistir a Lustosa são
supostas ligações dele com lobistas dos setores de saúde
e comunicações.
No entanto, os defensores de seu nome
dizem que, se tais conexões são verdadeiras, ele não
deveria ter ocupado a secretaria-executiva da pasta das Comunicações
nem a Funasa. Há divergências sobre quem apadrinha Lustosa.
Uma ala da bancada da Câmara afirma que ele é ligado ao
presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e ao senador José
Sarney (AP). Amigos de Sarney e Renan dizem que Lustosa é aliado
do ex-ministro das Comunicações Eunício Oliveira,
deputado federal que desejaria retomar o controle da bancada peemedebista
na Câmara e vitaminar eventual candidatura ao Senado no Ceará.
Quando o deputado federal Saraiva
Felipe (PMDB-MG) deixou a Saúde no final de março para
disputar as eleições, Lustosa foi indicado para substituí-lo.
Lula resistiu. Preferiu o então secretário-executivo,
Agenor Álvares. Deputados peemedebistas se queixam de que Álvares
seria ligado a Saraiva e a petistas. Ou seja, atenderia interesses de
um só deputado peemedebista e de membros de outro partido. Dizem
ainda que a pasta da Saúde seria, de direito, do PMDB. Os peemedebistas
também querem mais cargos em estatais. Lula se queixou do "apetite"
dos aliados. Diz que precisa do PMDB, mas que não aceitaria ultimato.
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Folha
de São Paulo, 15 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Aliança PSDB-PFL está indefinida
em 17 Estados e no DF
Se prazo para acordo terminasse hoje, Alckmin
teria palanque ideal, com apenas um candidato da chapa, em nove Estados
Coordenação da campanha esboça
mapa de acordos, mas não consegue avançar; candidato tucano
crê em "solução de última hora"
SILVIO NAVARRO
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Na segunda reunião desde que foi
criado para balizar a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à Presidência,
o chamado "conselho político", formado por lideranças
do PFL e do PSDB, decidiu ontem que nomeará coordenadores regionais
para fazer ajustes nas alianças estaduais. Caso o prazo terminasse
hoje, as alianças só se fechariam nos moldes ideais (apenas
um palanque) em um terço dos Estados. Em 17 Estados e no Distrito
Federal, a situação está indefinida. Na reunião
de ontem, os presidentes do PSDB, Tasso Jereissati (CE), e do PFL, Jorge
Bornhausen (SC), esboçaram um mapa das alianças estaduais
entre as siglas, mas não conseguiram avançar em nenhuma
negociação. O prazo final para a formalização
das coligações, com a realização de convenções,
é 30 de junho.
O dilema de pefelistas e tucanos é
um cenário que hoje aponta para apenas nove Estados onde Alckmin
não terá os dois partidos de sua chapa em lados opostos,
independentemente de terem ou não candidatos próprios
-PA, SP, PE, PB, MG, ES, RR, AC e AP. É dado como certo hoje
que em seis Estados os dois partidos deverão concorrer entre
si. São eles: AL, AM, GO, RJ, RO e TO. Essa lista ainda poderá
incluir o Maranhão e o Paraná, onde tucanos aguardam uma
definição se o PDT terá ou não candidato
ao governo estadual. Na Bahia, o governador Paulo Souto (PFL) estará
com Alckmin, mas o PSDB local não apoiará o pefelista.
Bornhausen disse ontem que em outros
oito Estados -CE, PI, RS, RN, MS, MT, SC e SE- e no Distrito Federal
ainda há margem para acordos. No entanto, os diretórios
regionais das siglas descartam possibilidade de acerto em pelo menos
três deles: MT, RN e SE. "Vamos fazer um esforço para
diminuir ao mínimo [os entraves], mas, se não conseguirmos
vamos estabelecer critérios para distribuir os palanques",
disse Bornhausen. "Onde não se pode somar, vamos construir
soluções de campanha."
"Há dissidências de
um lado e de outro", disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR),
cujo Estado é um dos mais problemáticos já que
nem PFL nem PSDB têm candidatos considerados favoritos para a
disputa e tendem a apoiar outras siglas. Questionado sobre o cenário
complicado de alianças, Alckmin disse acreditar em soluções
de última hora. "Política é sempre assim,
as coisas acabam se resolvendo na última hora. Mas acho que vai
reduzir." A coordenação de campanha de Alckmin aguarda
uma posição oficial do PPS. A expectativa é de
apoio formal do partido.
Um dia após a divulgação
de pesquisa Ibope apontando vitória do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva no primeiro turno, Alckmin reclamou que o petista faz
"campanha descarada" ao inaugurar "pedra fundamental
todos os dias". Ontem, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) negou
uma liminar solicitada pelo PSDB que, entre outras coisas, acusa o presidente
Lula de fazer propaganda eleitoral antecipada.
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Folha
de São Paulo, 15 de junho de 2006
Emprego industrial tem 1º avanço
no ano, mas renda mantém queda
IBGE avalia que ainda não é possível
apontar reaquecimento no setor
TALITA FIGUEIREDO
DA SUCURSAL DO RIO
Pela primeira vez neste ano, o emprego
na indústria apresentou saldo positivo. Mas o crescimento de
0,5% de abril em relação a março ainda não
permite afirmar que houve reaquecimento do setor, segundo a Pesquisa
Mensal de Emprego e Salário na Indústria do IBGE. Na comparação
com o ano passado, houve retração. A taxa de ocupação
de abril deste ano é 0,8% menor que a do mesmo período
de 2005, oitavo resultado negativo consecutivo nesta comparação.
No acumulado de janeiro a abril, a queda também foi de 0,8%.
Nos últimos 12 meses, foi de 0,1%.
"Em 2004, houve um movimento forte de recuperação
da indústria, que gerou empregos em 2005. Com o decorrer do ano,
a taxa começou a cair e a atividade industrial não fez
movimentos de retomada do crescimento", informou a economista da
Coordenação da Indústria do IBGE Isabela Nunes.
O emprego industrial caiu, em relação
a abril de 2005, em 8 das 14 regiões pesquisadas. Das 18 atividades
pesquisadas pelo IBGE, 10 reduziram o número de funcionários
contratados. Os piores resultados foram os dos setores de calçados
e artigos de couro (-12,4%) e máquinas e equipamentos (-8,7%).
O último foi afetado pela queda da atividade agrícola.
"A indústria de calçados
e artigos de couro, setor muito empregador, não tem se beneficiado
da desvalorização do câmbio: não há
benefícios para a exportação e há grande
competição com produtos semelhantes importados por preços
melhores", afirma Isabela Nunes. Os setores que mais se destacaram
no aumento de contratações foram alimentos e bebidas (7,7%)
e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações
(5,9%).
Renda real em queda
De março a abril, a renda real
do trabalhador teve queda de 0,7%, segundo saldo negativo em dois meses.
O resultado intensificou a retração do índice acumulado
de fevereiro a abril, que chegou a -2,7%. No quadrimestre, o valor real
da folha de pagamento mostra avanço de 0,4%, ritmo de alta menor
que o do último quadrimestre de 2005 (2%). Quando a comparação
é feita com o mesmo mês de 2005, a alta é de 0,3%.
O número de horas pagas aos trabalhadores
da indústria cresceu 0,5% em relação a março,
após recuo de 1,7%. Mas ainda é cedo para identificar
sinais de crescimento do emprego. O desempenho foi insuficiente para
compensar a queda de 1,7% registrada entre fevereiro e março.
Na comparação feita
com abril de 2005, o número de horas pagas recuou 0,4%. No acumulado
do ano houve queda de 0,3%. Os setores responsáveis pelas principais
quedas nesta variável foram o de madeira (-13,6%), calçados
e artigos de couro (-6,5%), vestuário (-6,2%) e máquinas
e equipamentos (-5,5%).
|
Folha
de São Paulo, 17 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Oposição faz jogo rasteiro,
afirma Lula
Sem citar nomes, presidente respondeu ao ataque
do vice de Alckmin, José Jorge (PFL), que o acusou de "beber
muito" | Em discurso em Olinda, petista disse ainda que seus adversários
não têm caráter; PT contesta no TSE programa de TV
do PFL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM OLINDA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Após ser acusado de ligação
com o mensalão e de "beber muito" e ser preguiçoso,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que a oposição
faz jogo "rasteiro" e que seus adversários não
têm caráter. "Todo dia aparece alguém para
me agredir, possivelmente porque essas pessoas estão pensando
assim: puxa vida, nós estamos governando o Brasil desde que Cabral
pôs os pés aqui e não conseguimos fazer [nada].
Por que esse metalúrgico está fazendo?", disse Lula,
em discurso para moradores da periferia de Olinda (PE).
O presidente mesmo respondeu à
indagação: "Este metalúrgico está fazendo
porque tem uma coisa que eles [seus adversários] não têm:
este metalúrgico tem caráter". Na véspera,
o senador José Jorge (PFL-PE), candidato a vice-presidente na
chapa do tucano Geraldo Alckmin, havia dito, em discurso, que Lula "não
trabalha, só viaja e bebe muito". O presidente também
foi atacado anteontem no programa partidário do PFL, integralmente
dedicado ao escândalo do "mensalão".
Sem citar nomes, Lula voltou à
carga contra os adversários no discurso: "A eles que vivem
transmitindo ódio todo dia, a eles que vivem transmitindo inveja
e preconceito todo dia, não quero dedicar um minuto, mas, certamente,
quero dedicar a vida inteira para ajudar o povo pobre deste país
a viver com dignidade." Lula anunciou em Pernambuco a liberação
de R$ 74,9 milhões do Fundo Nacional de Habitação
de Interesse Social para melhoria das condições de moradia
de 5.473 famílias que vivem em assentamentos precários
em seis cidades de Pernambuco.
Mais tarde, em Brasília, em encontro
com estudantes, o presidente voltou a fazer referências indiretas
aos ataques da oposição. "Hoje a situação
é igual àquela do jogador malandro, que fica provocando,
fica infernizando para cavar a expulsão do adversário."
As declarações foram feitas na abertura do 13º Congresso
da União da Juventude Socialista, entidade ligada ao PC do B.
O auditório, um dos mais caros de Brasília, levou Lula
a fazer ironia com os cerca de 1.500 estudantes presentes: "Há
dez anos, chamariam vocês de pequena burguesia, de traidores da
revolução".
Ainda no momento em que rebatia as críticas
da oposição, Lula se comparou aos torturados pela ditadura
militar. "Vocês não sabem o que é a gente aprender
a apanhar. É mais difícil do que aprender a bater",
afirmou, dizendo depois ter respeito pelos que foram torturados pela
ditadura, mas que nem assim delataram os companheiros. "Suportar
a dor física é tão duro quanto suportar a dor da
infâmia, da leviandade e das falsidades. Quanta indignação
houve por parte de alguns quando, depois de nos baterem por um ano e
meio, sai uma pesquisa em que eu subo e eles descem." No final
do encontro, um manifestante atirou uma bola de papel na direção
do presidente e foi retirado do auditório.
Programa do PFL
O PT decidiu entrar com uma representação
contra o PFL na Justiça Eleitoral por conta do programa de TV
de anteontem, no qual Lula foi relacionado ao escândalo do mensalão.
De acordo com Berzoini, o programa desrespeitou a lei eleitoral por
ter sido usado só para atacar o PT e o governo, sem apresentar
propostas do partido.
|
Folha
de São Paulo, 18 de junho de 2006
Meta de inflação de 2008
deve ser de 4,5%
CMN, que se reúne na quinta, deve confirmar
o mesmo alvo para o ano que vem, com intervalo de dois pontos percentuais
| Equipe também vai definir nova TJLP, hoje em 8,15% anuais; tendência
é nova redução, o que atenderá pedido do setor
produtivo
KENNEDY ALENCAR
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O CMN (Conselho Monetário Nacional)
fixará em 4,5% ao ano a meta de inflação (IPCA)
para 2008, segundo apurou a Folha em conversas reservadas com auxiliares
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O CMN, que se reunirá
na próxima quinta-feira, pretende confirmar a meta de 4,5% para
2007. E deve manter inalterado o intervalo de variação
em relação ao centro da meta (dois pontos percentuais
para mais ou para menos, o que deixa o teto da inflação
em 6,5% ao ano).
Na última semana, Lula teve conversas
separadas com os três integrantes do CMN: o presidente do Banco
Central, Henrique Meirelles, e os ministros Paulo Bernardo (Planejamento)
e Guido Mantega (Fazenda). Ouviu de todos eles a opinião de que
a meta de inflação de 2008 deveria ser mantida no patamar
atual. O presidente concordou e avalizou a decisão.
TJLP
Além de confirmar a meta de inflação
de 2007 e fixar a de 2008, o CMN discutirá ainda a eventual redução
da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). Essa taxa é fixada trimestralmente.
Para os meses de abril, maio e junho, foi estabelecida em 8,15%. A tendência
é que haja redução para o próximo trimestre,
mas os três membros do conselho ainda precisam chegar a um consenso.
Crítico do Banco Central e de
suposta ambição da meta de inflação implementada
pelo seu antecessor, Antonio Palocci Filho, Mantega agora quer mantê-la
em 4,5%. Considera que não há clima político para
mudá-la nem seria desejável fazê-lo, pois avalia
que a inflação já está próxima dos
4,5%. Bernardo, afinado com o pensamento de Palocci, ponderou que, num
ano político, não valeria a pena promover um debate sobre
eventual redução da meta, muito menos de seu aumento.
Para ele, a inflação está sob controle, e a preocupação
principal do governo para os próximos anos deverá ser
com a redução de gastos públicos, apesar de Lula
tê-los elevado neste ano, quando disputará a reeleição.
Segundo um auxiliar direto de Lula, o
presidente achou mais sensata a posição defendida por
Meirelles e a usou como argumento em reunião com aliados políticos.
Na opinião do presidente do BC, o Brasil deveria consolidar nos
próximos anos um patamar baixo de inflação, obtido
a duras penas. Daí ter defendido a manutenção dos
4,5% para 2008 e até mesmo para os dois últimos anos de
um eventual segundo mandato de Lula.
No alvo
Neste ano, será a primeira vez
em que deverá ser atingido o centro da meta de 4,5%. Em 2005,
o Banco Central o alterou para 5,1%. E obteve inflação
de 5,7% naquele ano. Em 2006, após o forte aperto monetário
que começou a ser relaxado em setembro do ano passado, a inflação
poderá ficar até um pouco abaixo do centro da meta. A
última pesquisa realizada pelo Banco Central semanalmente com
instituições financeiras e empresas de consultoria aponta
que a inflação fechará o ano em 4,22%.
Usando argumento que ouviu de Meirelles,
Lula tem dito que faz mais sentido buscar repetir tal patamar nos próximos
anos do que apertar a meta um pouco mais. O presidente do Banco Central
defende que inflação superior a 5% já traz forte
risco de indexação. Avalia que 4,5% é o possível
no atual estágio econômico do país para que não
seja necessário novo e duro processo de alta da taxa básica
de juros, a Selic, hoje em 15,25% anuais. Meirelles disse a Lula que
a economia estará crescendo perto de 5% ao ano no auge da disputa
eleitoral, cujo primeiro turno será em 1º de outubro. Para
o presidente, a economia e o Bolsa-Família são responsáveis
pelo seu favoritismo nas pesquisas.
|
Folha
de São Paulo, 19 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Lula faz "populismo cambial",
diz Alckmin
Presidenciável tucano prevê crise
econômica para o ano que vem, provocada pela política monetária
do governo do PT | Candidato do PSDB aponta falta de controle de gastos
federais, mas não menciona problemas financeiros que deixou para
sucessor em SP
ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL
O candidato tucano à Presidência,
Geraldo Alckmin, afirmou ontem ver com "preocupação"
o caminho tomado pelo Brasil com o "populismo cambial" e "populismo
fiscal" do presidente Luiz Inácio Lula e que o resultado
disso poderá ser uma grave crise já em 2007. "Poderemos
ter problemas de importação de alimento, problema de inflação,
problema de diminuição da balança comercial, desemprego,
uma série de questões. Com esse populismo cambial nós
estamos desmontando tudo que dá emprego: a indústria têxtil,
indústria de sapato, brinquedo, móvel, agora atinge a
automobilística, de máquina", afirmou
Para o ex-governador, que nega adotar a teoria do caos, um dos pontos
mais preocupantes é a agricultura, crise que ele disse ter sentido
melhor com sua visita ao Rio Grande do Sul anteontem.
"É absoluto realismo. Nós,
infelizmente, tivemos problemas gravíssimos na agricultura. Vai
ter que importar alimento? Inflação para cima, custo de
comida para cima e emprego, para baixo. As pessoas não estão
avaliando bem. Não vai ter efeito agora, mas na safra do ano
que vem, é evidente que a safra vai ser muito menor", disse
o tucano. O Palácio do Planalto afirmou ontem, por meio de sua
assessoria de imprensa, que não iria comentar as declarações
do tucano. Procurado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não
foi localizado pela reportagem para responder às críticas
ao governo petista.
As críticas de Alckmin a Lula
foram contrapostas com auto-elogios ao seu governo em São Paulo
e com medidas que serão incorporadas ao seu plano de governo.
Até para mostrar caminhos possíveis, ele cutucou Lula.
"Precisa ter controle dos convênios, dos gastos, controle
de dinheiro. A operação sanguessuga é um caso,
mas, se você for verificar, quase em todos os ministérios
isso deve estar se reproduzindo. Não há controle",
alfinetou ele.
O tucano não mencionou, porém,
os problemas financeiros enfrentados pelo seu sucessor, Cláudio
Lembo (PFL), que suspendeu os gastos no Estado após uma frustração
de receita de R$ 311 milhões no primeiro quadrimestre deste ano.
Alckmin falou com os jornalistas ao final do jogo do Brasil em frente
ao seu apartamento, no Morumbi, em São Paulo. A assessoria de
Alckmin chegou a anunciar que ele assistiria ao jogo em São Bernardo
do Campo, reduto lulista, mas a agenda foi alterada. "Domingo é
dia da família. O pessoal do PSDB que iria lá [em São
Bernardo] assistir, eu não tinha programado", amenizou.
Pelos cálculos do tucano, Lula
não deve se beneficiar caso o Brasil volte campeão. "Cada
coisa é uma coisa. São coisas distintas. Não tem
nada a ver Copa do Mundo com a escolha de candidato à Presidência
da República. É só olhar a última Copa.
O Brasil foi campeão e governo perdeu a eleição."
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JORNAL GAZETA DO POVO, 19
de junho de 2006 | Brasil
BOLSA FAMÍLIA
Ministério faz reajuste
de benefício no Sul
Brasília – Na Região Sul, um número maior
de famílias que o previsto rece-be o Programa Bolsa Família.
Em Santa Catarina, 121 mil famílias se enquadram nos requisitos
do programa, mas em maio 132 mil receberam o benefício. O mesmo
ocorreu no Paraná, onde 402 mil poderiam ter recebido a ajuda
e 420 mil foram beneficiadas. “Nesses estados, reduzimos a estimativa.
Mas há todo um processo de desligamento”, diz a secretária
nacional de Renda e Cidadania do Ministério do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome, Rosani Cunha. “A gente tem feito
muita exclusão seja por duplicidade de pagamento de benefício
ou porque a família mudou de situação.”
|
FOLHA DE SÃO PAULO, 18 de junho de
2006
ELEIÇÕES 2006/MÁQUINA PÚBLICA
Governo Lula distribui TVs e rádios
educativas a políticos
Entre os contemplados estão os senadores
Magno Malta, do PL, e Leonel Pavan, do PSDB
Desde 2003, de cada três
concessões de rádio, uma foi parar nas mãos de
pessoas com interesses eleitorais; fundações ocultam donos
ELVIRA LOBATO
DA SUCURSAL DO RIO
O governo Lula reproduziu uma prática
dos que o antecederam e distribuiu pelo menos sete concessões
de TV e 27 rádios educativas a fundações ligadas
a políticos. Também foi generoso com igrejas: destinou
pelo menos uma emissora de TV e dez rádios educativas a fundações
ligadas a organizações religiosas. Esse fenômeno
confirma a afirmação de funcionários graduados
do Ministério das Comunicações de que, no Brasil,
a radiodifusão ""ou é altar ou é palanque".
Entre políticos contemplados estão os senadores Magno
Malta (PL-ES) e Leonel Pavan (PSDB-SC). A lista inclui ainda os deputados
federais João Caldas (PL-AL), Wladimir Costa (PMDB-PA) e Silas
Câmara (PTB-AM), além de deputados estaduais, ex-deputados,
prefeitos e ex-prefeitos (veja quadro na pág. A5). Em três
anos e meio de governo, Lula aprovou 110 emissoras educativas, sendo
29 televisões e 81 rádios. Levando em conta somente as
concessões a políticos, significa que ao menos uma em
cada três rádios foi parar, diretamente ou indiretamente,
nas mãos deles. Fernando Henrique Cardoso autorizou 239 rádios
FM e 118 TVs educativas em oito anos. No final de seu segundo mandato,
a Folha, em levantamento semelhante, comprovou que pelo menos 13 fundações
ligadas a deputados federais receberam TVs, desmentindo a promessa que
ele havia feito de que colocaria um ponto final no uso político
das concessões de radiodifusão. FHC acabou com a distribuição
gratuita de concessões para rádios e TVs comerciais -passaram
a ser vendidas em licitações públicas-, mas as
educativas continuam sendo distribuídas gratuitamente a escolhidos
pelo Executivo. Antes de FHC, os políticos recebiam emissoras
comerciais. No governo do general João Baptista Figueiredo (1978
a 1985), foram distribuídas 634 concessões, entre rádios
e televisões, mas não se sabe quantas foram para políticos.
No governo Sarney (1985-90), houve recorde de 958 concessões
de rádio e TV distribuídas. Muitos políticos construíram
patrimônios de radiodifusão naquele período em nome
de ""laranjas".
Fachadas
A Folha pesquisou em cartórios e promotorias de Justiça
a origem de cerca de metade das fundações atendidas no
governo Lula. O número de emissoras dadas a políticos
pode ser maior porque parte das fundações existe apenas
no papel. A Fundação Dona Dadá, presidida pela
mulher de Magno Malta, por exemplo, tem como endereço o escritório
do senador, em Vila Velha. A rádio foi aprovada pelo ministro
Hélio Costa em abril. A Fundação Rodesindo Pavan,
que recebeu uma rádio em Balneário Camboriú (SC),
em 2004, é presidida pela mulher do senador Leonel Pavan, segundo
a documentação existente no Senado. Malta e Pavan não
comentaram o assunto. A identificação dos políticos
é difícil porque eles não aparecem diretamente
como responsáveis pelas fundações, mas se fazem
representar por parentes, assessores e cabos eleitorais. O deputado
federal João Caldas (PL-AL) é um desses casos. Ele criou
a Fundação Quilombo, em Alagoas, e recebeu licença
para uma rádio FM educativa em Maceió, em dezembro do
ano passado. No governo FHC, a fundação recebeu uma TV
educativa em Maceió e cinco emissoras de rádio no interior
do Estado. Oficialmente, as rádios não pertencem a João
Caldas, mas à Fundação Quilombo. No site do ministério,
consta o nome de uma ex-assessora dele, Maria Betania Botelho Alves,
como presidente. Caldas diz que não tem rádios e que a
ex-assessora já deixou a entidade. No entanto, empresários
alagoanos afirmam que ele é dono da rede de rádios educativas
Farol Sat. Funcionários da Farol Sat, em Maceió, também
o apontam como proprietário. Caldas admite que é um dos
instituidores da fundação. Ele disse à Folha que
o envolvimento de políticos com a radiodifusão acontece
em todo o país. ""Não acredito que isso mude.
As pessoas mais influentes são as que têm meios de comunicação,
como ACM na Bahia, Orestes Quércia em São Paulo e a família
Sarney no Maranhão. Comunicação dá voto."
Ministros
Os três ministros que chefiaram a pasta das Comunicações
no governo Lula -Miro Teixeira (PDT), Eunício de Oliveira (PMDB)
e Hélio Costa (PMDB)- aprovaram quantidades parecidas de rádios.
Foram 23 autorizadas por Teixeira, 25 por Costa e 31 por Oliveira. Os
três sustentam que não sabiam do elo das fundações
com políticos, mas, curiosamente, todos reclamam da pressão
constante dos parlamentares reivindicando novas outorgas. As concessões
de TV são dadas por decreto do presidente, enquanto as de rádio
são aprovadas pelo ministro, por portaria. As concessões
de TV são por 15 anos, renováveis, e as de rádio,
por 10 anos, também renováveis.
Colaboraram PAULO PEIXOTO , da Agência
Folha em Belo Horizonte, KAMILA FERNANDES , da Agência Folha em
Fortaleza, e LILIAN CHRISTOFOLETTI , da Reportagem Local
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FOLHA DE SÃO PAULO, 18 de junho de
2006
ELEIÇÕES 2006 / PUBLICIDADE SUSPEITA
Estatais anunciam em revista pró-Lula
Publicação da central sindical
CGTB teve, na última edição, 7 páginas de
anúncios pagos por entidades ligadas ao governo
O ex-ministro José Dirceu
foi foco de uma reportagem que ocupou cinco páginas e recebeu
o título "Dirceu, Guerreiro do Povo Brasileiro"
ROGÉRIO PAGNAN
LILIAN CHRISTOFOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
Criada há cerca de 20 anos e com
apenas 17 edições publicadas, a desconhecida revista "CGTB"
conseguiu nos últimos três anos formar uma carteira de
anunciantes com as principais empresas estatais do governo federal.
A revista, pró-Lula e com tiragem de 30 mil exemplares, é
produzida pela CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), que
tem baixa representatividade entre as centrais sindicais do país.
O vice-presidente é o peemedebista Ubiraci Dantas de Oliveira,
o Bira, que é o diretor responsável pela publicação.
Na última edição, de novembro/dezembro de 2005,
7 das 12 páginas de anúncios da "CGTB" são
pagas por entidades ligadas ao governo Lula: a CEF (Caixa Econômica
Federal), a Petrobras, a Eletrobrás e o próprio governo
federal.
O anúncio em página interna custa cerca de R$ 10 mil.
Já a contracapa vale aproximadamente R$ 20 mil por edição.
Publicações anteriores da "CGTB" têm o
patrocínio do Banco do Brasil (na gestão de Henrique Pizzolato,
afastado após denúncias de irregularidades), do Sebrae
(sob a presidência de Paulo Okamotto, amigo de Lula), do Ministério
da Educação, dos Correios e de Furnas Centrais Elétricas.
A apresentação da linha editorial da revista, no site
da CGTB, é direta: "O Brasil e o mundo precisam que o governo
Lula dê certo. Essa é uma oportunidade que acontece uma
vez a cada século. É uma responsabilidade de toda a sociedade".
Questionado sobre o teor pró-PT e os anunciantes, Bira disse
que a revista não é pró-Lula, mas, sim, pró-trabalhadores
e que o interesse das estatais está no desempenho da publicação.
"A revista está fazendo um sucesso esplêndido."
As reportagens destacam realizações e promessas do governo
Lula, defendem petistas acusados de corrupção e criticam
a imprensa.
"Guerreiro do Povo"
O ex-ministro José Dirceu, que teve o mandato parlamentar cassado
após suposto envolvimento com o "mensalão",
mereceu reportagem de cinco páginas intitulada "Dirceu,
Guerreiro do Povo Brasileiro".
O texto começa assim: "Muitos exemplos da história
da humanidade podem ser utilizados para fazermos uma analogia com a
luta travada pelo deputado José Dirceu para derrubar a chicana
montada pela mídia. Poucos exemplos podem explicar a grandeza
do seu caráter".
Na última edição, oito ministros de Lula aparecem
em fotos ou reportagem. O presidente tem direito a cinco fotos.
Os tucanos têm tratamento diferente. "Lula devolve aos aposentados
reajuste surrupiado por FHC", diz o título de uma reportagem
publicada no primeiro semestre de 2005.
Uma das raras referências positivas ao PSDB é uma reportagem
de página inteira sobre o Programa Bom Prato, com foto do ex-governador
Geraldo Alckmin (PSDB), hoje adversário de Lula na disputa eleitoral.
A clientes, segundo a Folha apurou, Bira diz que a notícia foi
paga pelo governo de São Paulo. À reportagem, negou o
pagamento e afirmou que o texto foi um reconhecimento pela qualidade
do programa, que vende comida a R$ 1.
A CGTB é formada por cerca de 20 sindicatos, entre metalúrgicos,
trabalhadores da indústria têxtil e processadores e dados.
Bira diz que o número é maior, 480 sindicatos. A central
participou, ao lado da CUT, da festa do Primeiro de Maio neste ano.
Houve manifestação em apoio à reeleição
de Lula.
Neste mês, sindicatos ligados à CUT lançaram a "Revista
do Brasil", com texto sobre a resistência de Lula à
crise do mensalão. As entidades negam que a revista seja favorável
a Lula.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
18 de junho de 2006
Outro lado
Revista nega linha editorial pró-governo
DA REPORTAGEM LOCAL
O diretor responsável pela revista da CGTB, Ubiraci Dantas de
Oliveira, negou haver uma linha editorial pró-Lula e uma ligação
entre as verbas federais e as reportagens favoráveis aos petistas.
Para ele, foi o "sucesso espetacular" da revista que atraiu
as estatais. "Nossa lógica não é ficar puxando
o saco de ninguém para poder se dar bem. Nós defendemos
uma linha editorial pró-Brasil, pró-trabalhadores",
disse.
Ainda de acordo com Bira, como é conhecido, não só
o governo federal mas o governo de SP e empresas privadas buscam o veículo
em razão de sua "seriedade e representatividade".
A justificativa das estatais e do governo federal é parecida:
uma estratégia de marketing. Só o Banco do Brasil fugiu
do padrão: disse ter suspendido os patrocínios em julho
de 2005, quando o diretor de Marketing Henrique Pizzolato deixou o cargo.
Para o banco, existem outros meios mais eficientes para atingir o público
sindical.
A Secom e as demais estatais afirmaram que o investimento não
teve conotação política, mas obedeceu a uma necessidade
mercadológica.
O governo de SP rechaçou a afirmação de que a reportagem
sobre o "Bom Prato", na penúltima edição,
foi paga. Disse que pagou R$ 6,4 mil por um anúncio de uma página.
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FOLHA DE SÃO PAULO,
18 de junho de 2006
Outro Lado
Estatais têm autonomia, diz candidato
DA REPORTAGEM LOCAL
A assessoria de imprensa do candidato Geraldo Alckmin afirma que "as
estatais têm autonomia e independência sobre as suas campanhas
publicitárias". O ex-assessor especial de Comunicação
de Alckmin, Roger Ferreira, diz que "todos os planos de mídia
realizados na ocasião pelo Governo de São Paulo foram
técnicos".
"O Governo do Estado de São Paulo tem o menor gasto publicitário
por habitante de todo o setor público brasileiro. Reafirmo que
as estatais têm inteira responsabilidade sobre as suas respectivas
ações de comunicação", afirma Ferreira.
A superintendência de Comunicação da CDHU afirma
que "o critério para a escolha dos veículos de comunicação
nas campanhas de comunicação é 100% técnico".
"É estabelecido por pesquisas de mídia que levam
em consideração o público alvo, a freqüência
mínima para atingir os mais variados públicos", informou
a companhia.
A CDHU repete o que a Sabesp sustentou em maio: "O critério
adotado para a escolha dos veículos que recebem os anúncios
das campanhas é simples e 100% técnico", afirmou
Luiz Aversa, superintendente de Comunicação da empresa
de saneamento básico. "De forma alguma houve direcionamento
ou orientação política na construção
do plano de mídia", disse Aversa.
Valores
As duas estatais mantêm a mesma argumentação do
deputado Wagner Salustiano para não prestar informações
sobre os custos dos anúncios. "A W.A.S. reserva-se o direito
de não comentar, tendo em vista o caráter privado de tais
informações, assegurando que houve regular emissão
de notas fiscais, de acordo com a legislação vigente",
disse André Boiani Azevedo, advogado que representa Salustiano.
"Por envolver relações comerciais com terceiros e
para manter a confidencialidade das informações de caráter
estratégico , a CDHU entende que os valores investidos nas campanhas
não devem ser divulgados", informou a estatal à Folha.
A Sabesp argumenta que tem por norma não informar valores, "pois
são frutos de negociação e programação
específicas, com a participação da agência
de publicidade". "Não nos parece ético divulgar
valores individuais, até mesmo em respeito aos veículos
e a seu corpo de anunciantes." (FV)
|
FOLHA DE LONDRINA, 18 de junho
de 2006
Sindicato deve orientar o trabalhador
na homologação
São Paulo - Quando é demitido ou pede demissão,
o trabalhador com mais de um ano na mesma empresa tem o direito de ser
orientado por um representante de seu sindicato no momento de receber
as verbas rescisórias. As regras que devem ser observadas nessa
assistência sindical estão na instrução normativa
nº 3, de 21 de junho de 2002, da Secretaria de Relações
do Trabalho.
Segundo a instrução, as
regras foram estabelecidas para ''uniformizar e atualizar os procedimentos
na prestação da assistência à rescisão
contratual, em face das alterações legislativas e ratificações
de convenções internacionais''.
Um dos principais objetivos da assistência
sindical ''consiste em orientar e esclarecer empregado e empregador
sobre o cumprimento da lei, assim como zelar pelo efetivo pagamento
das parcelas devidas''.
Segundo a instrução, é
proibido cobrar do trabalhador qualquer taxa ou encargo pela prestação
da assistência sindical na rescisão do contrato de trabalho.
Em seus 45 artigos, a instrução
detalha quem pode prestar assistência ao trabalhador, os prazos
para o pagamento, os documentos que a empresa tem de apresentar no ato
da rescisão, as verbas rescisórias que têm de ser
pagas e outros procedimentos que devem ser observados.
No caso de empregado menor de idade (a
instrução usa a expressão adolescente), será
obrigatória a presença e a assinatura de seu representante
legal.
A instrução enumera,
em seu artigo 12, todos os documentos que a empresa é obrigada
a apresentar no ato da homologação. Entre eles estão
o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho (em quatro vias),
a carteira de trabalho com todas as anotações atualizadas,
o extrato atualizado do FGTS e a guia para o saque (no caso de demissão
sem justa causa) e o requerimento para o trabalhador receber o seguro-desemprego.
(Folhapress)
|
O ESTADO DO PARANÁ,
18 de junho de 2006
“Que o direito não se torne
árido, mas se preserve fértil.”
Edésio Passos
“As Revistas Jurídicas no campo do Direito do Trabalho
- escrevemos neste caderno jurídico, edição de
18.02.2001 - desempenharam (e desempenham) papel importante no avanço
da doutrina e da jurisprudência em nosso país. A “Revista
do Trabalho”, das Edições Trabalhistas, fundada
em 1933, de Alino da Costa Monteiro e Calheiros Bomfim, e a “Revista
Legislação do Trabalho” (LTr), de 1937, são
marcos fundamentais em nossa história jurídica. Por isso,
é sempre auspicioso comentar cada novo título que venha
a enriquecer essa caminhada.” Naquela oportunidade, fizemos referência
especial à circulação de duas edições
da tradicional Revista do TRT 9.ª Região, volumes dos anos
1999/2.000 (semestre de janeiro a junho). Assinalamos que “a Revista
do TRT da 9.ª Região segue a tradição brasileira
do Poder Judiciário de editar publicações de doutrina,
jurisprudência, discursos e resenhas, além de notas informativas
de suas atividades mais expressivas. No caso do TRT do Paraná,
o primeiro número foi editado em dezembro de 1976, então
sob a presidência do juiz Alcides Nunes Guimarães, sendo
a Comissão da Revista integrada pelos juízes Wagner Drdla
Giglio, Pedro Ribeiro Tavares e Leonardo Abagge. Aquela publicação
histórica, impressa pela Editora LTr, transcreve a Lei n.º
6.241,de 22/09/1975, que criou a 9.ª Região da Justiça
do Trabalho e o TRT respectivo, com jurisdição no Paraná
e Santa Catarina, e a correspondente Procuradoria Regional do Trabalho;
a ata da instalação do TRT de 17/09/1976; o Regimento
Interno do TRT; os perfís dos oito juízes do TRT; os discursos
na solenidade de instalação e um depoimento de relevante
valor histórico do dr. Manoel de Oliveira Franco Sobrinho, catedrático
da UFPr e juiz federal à época, sobre as origens da Justiça
do Trabalho e do TRT da 9.ª Região”.
O recente número da Revista do TRT 9.ª, ano 30, n.º
55, julho/dezembro-2005, é editado pela Comissão composta
pela presidente juíza Ana Carolina Zaina e os juízes Marco
Antônio Vianna Mansur e Marlene Teresinha Fuverki Suguimatsu,
ainda na presidência do TRT do juiz Fernando Eizo Ono, com cooordenação
de produção e diagramação por Dorilis França
Dutra e Elizabeth Zimmermann, e na Secretaria de Apoio Judiciário
Waldecir Antônio Machado. Significativa a transcrição
dos discursos da solenidade de posse da administração
do biênio 2004/5, do então juíz-presidente Lauremi
Camaroski (2002/3), do advogado Carlos Roberto Ribas Santiago (OAB),
da Procuradora Chefe da Procuradoria Regional do Trabalho Lair Carmen
Silveira da Rocha Guimarães, da juíza Morgana de Almeida
Richa (Amatra-IX), da juíza Ana Carolina Zaina, e do presidente
empossado na oportunidade Fernando Eizo Ono. Também registrado
o discurso do juiz do TRT Ney José de Freitas, quando da inauguração
da sede da Escola de Administração Judiciária do
TRT da 9.ª Região (05.12.2005).
A matéria doutrinária é rica (1) O salário-comissão
e sua alteração, de Arnaldo Sussekind (2) A cobrança
de honorários profissionais perante a Justiça do Trabalho,
de Eneida Cornel (3) Direitos Fundamentais Sociais:uma visão
crítica da realidade brasileira, de Dinaura Godinho Pimentel
Gomes (4) Ações Coletivas no Processo do Trabalho: instrumentos
de realização dos ideais de acesso às tutelas jurídica
e jurisdicional, de Emília Simeão Albino Sako (5) Breves
anotações sobre as Convenções Fundamentais
da OIT, de Martha Halfeld Furtado de Mendonça Schmidt (6) A identidade
social européia: dificuldades e limites da política comunitária
de proteção social, de Marie-France Mialon (7) O estrangeiro
no sujeito e a faculdade de julgar na contemporaneidade, de Silvane
Maria Marchesini (8) O Estado e as relações entre capital
e trabalho no Brasil, de Juarez Varallo Pont (9) A inconstitucionalidade
da violação de e-mail do empregado pelo empregador, de
Euler Sinoir de Oliveira (10) Informação assimétrica
na negociação coletiva:uma análise da greve como
estratégia pela teoria dos jogos, de Tânia Christina Zotto
(11). A jurisprudência apresenta acórdãos da lavra
da juíza Rosemarie Diedrichs Pimpão, do juíz Luiz
Celso Napp e da juíza Ana Carolina Zaina, acrescida de seis súmulas
e argüições de inconstitucionalidade, além
de várias Resoluções Administrativas.
Retiro do texto de apresentação da Revista este magnífico
pensamento: “Embora de maneira singela, esta obra espera cumprir
o dever de propiciar aos leitores fonte importante de conhecimento na
pesquisa diária que se impõe, para que o direito não
se torne árido e de aplicação puramente mecânica,
mas que se preserve fértil, contemporâneo e operante como
fonte de transformação da realidade, sem olvidar-se da
responsabilidade social que lhe é inerente”. Finalmente,
relembro o objetivo manifestado pelo então presidente juiz Alcides
Nunes Guimarães quando, no primeiro número da Revista,
assinalava: “Destina-se referida publicação a difundir
a jurisprudência do TRT, a par da divulgação de
estudos jurídicos, doutrinários, da lavra dos Juízes
e de cultores do direito em geral, teoria e prática do direito
laboral”. Enfatizava que a Revista contribuiria na “tarefa
de formular um ordenamento jurídico, uma sistemática trabalhista,
consentânea com o progresso sócio-cultural que desfruta
a nação brasileira, na atualidade”.
TRABALHO EM REVISTA: Em abril, a editora Decisório
Trabalhista publicou o número 285 da Revista Trabalho, edição
nacional, no seu vigésimo-quarto ano. Além de farto noticiário
jurídico-trabalhista-sindical, a Revista traz seu suplemento
especial de doutrina em fascículos com excelentes textos (a)
Lei n.º 11.232/2005: Reforma da execução civil e
direito processual do trabalho, de Gustavo Filipe Barbosa Garcia (b)
Direito à intimidade x revista pessoal do empregado, de Lilia
Leonor Abreu e Deyse Jacqueline Zimmermann (c) Compreendendo os novos
limites à propriedade: uma análise do art.1228 do Código
Civil Brasileiro, de Camilo de Lelis Colani Barbosa e Rodolfo Pamplona
Filho (d) Tutela penal do trabalho: prevenção e consolidação
de direitos e liberdades pelo juízo trabalhista, de Emília
Simeão Albino Sako e Hermann de Araújo Hackadt (e) Proposta
de trabalho solidário, imediato e juridicamente viável:
uma breve análise sobre as mazelas e possíveis soluções
em relação à conjuntura atual, de Ricardo Tadeu
M. da Fonseca e Cláudia Afanio (f) Rumos do direito eletrônico:
IV Congresso Mundial de Direito e Informática, de Mario Antônio
Lobato de Paiva. Neste número foi publicado artigo de minha autoria
sobre “Representação Sindical: categoria profissional
diferenciada, base econômica e dissídio coletivo”,
assim como o texto do advogado Luiz Salvador sobre a “necessidade
de criação de Centros de Referência em Saúde
do Trabalhador”, em favor dos lesionados desamparados (informações:
www.otrabalho.com.br)
REVISTA BONIJURIS: Ainda em abril circulou o número
509, ano XVIII, da Revista Bonijuris, dirigida pelo dr. Luiz Fernando
de Queiroz, destacando textos doutrinários (1) A nulidade parcial
da sentença penal como artifício para manutenção
do decreto condenatórios:error in judicando, de Mário
Helton Jorge (2) Competência para controle do quantum na indenização
do dano moral, de Leandro Vieira (3) A função social do
contrato e as operações bancárias, de Eloir José
Dall’Agnol (4) Liminares na Justiça do Trabalho, de Wagner
da Mota Mendonça (5) Questões importantes para o exame
de ordem relativas ao Tribunal do Júri, de Elaine Borges Ribeiro
dos Santos. Acórdãos de inteiro teor, como decidem os
Tribunais e legislação completam a tradicional publicação
(informações: www.bonijuris.com.br).
TEMAS LABORAIS LUSO-BRASILEIROS: A Editora LTr editou
livro com “Temas Laborais Luso-Brasileiros”, obra coordenada
pelos juristas Nilton Correia, Paula Forjaz, Alta Madeira e J.Ferreira
da Silva, publicando artigos de associados da Associação
Luso-Brasileira de Juristas do Trabalho, entidade que, com menos de
dois anos de existência, já apresenta a segunda obra, tendo
realizado congressos binacionais e participado de inúmeros conclaves
internacionais. A publicação, dentro dos princípios
da Jutra, quer “universalizar os princípios fundamentais
do Direito do Trabalho”.
ESTATUTO JURÍDICO DO PATRIMÔNIO MÍNIMO: Em
segunda edição atualizada da Editora Renovar, o jurista
prof. Luiz Edson Fachin, da UFPR, na sua obra “Estatuto Jurídico
do Patrimônio Mínimo”, analisa importantes questões
à luz do novo Código Civil brasileiro e da Constituição
Federal. Leitura de tema grande atualidade inserido em tese para o concurso
de professor titular na UFPR, defendendo “a existência de
uma garantia patrimonial mínima inerente a toda pessoa humana,
integrante da respectiva esfera jurídica individual ao lado dos
atributos pertinentes à própria condição
humana”. Consulta obrigatória (informações:
www.editorarenovar.com.br).
ARCHIMEDES CASTRO CAMPOS JR.: Por merecimento, nomeado
pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dr. Archimedes Castro
Campos Jr. assumiu uma das cadeiras de juiz do Egrégio Tribunal
Regional do Trabalho da 9.ª Região, onde já havia
sido convocado em diversas oportunidades. O jovem magistrado ingressou
na Justiça do Trabalho em 1990, destacando-se quer pela sua capacidade
jurídica, como eficiência no exercício de suas atribuições
jurisdicionais. Paranaense de Palmas, o dr.Archimedes já tomou
posse no dia 09 de junho, mas a solenidade perante o Tribunal Pleno
e a comunidade jurídica paranaense será em data a ser
fixada.
TRABALHO E CIDADANIA: A Coordenadoria de Estudos, Pesquisas
e Relações do Trabalho da Secretaria do Estado do Trabalho,
Emprego e Promoção Social, publicou a revista “Trabalho
e Cidadania”, com estudos sobre desenvolvimento local e inclusão
social, destacando o texto do advogado Sandro Lunard Nicoladeli sobre
“A Economia Solidária: reflexões de uma política
pública na busca da sua consolidação estatal e
jurídica” (imprensa@setp.pr.gov.br) *** A Companhia de
Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE),
do grupo Eletrobrás, ao apoiar manifestações culturais
da comunidade do Rio Grande do Sul, publicou o livro de contos “Histórias
de Quinta”, projeto da Coordenadoria de Responsabilidade Social
(www.cgtee.gov.br) *** “América Latina: a política
em tempos (pós) neoliberais” é a temática
principal do “CEPAT Informa” do mês de maio de 2006,
abordando ainda questões relacionadas com migrações,
conjuntura e a nova organização social do trabalho (cepat@brturbo.com.br).
Edésio Passos é assessor jurídico de entidades
sindicais de trabalhadores e ex-deputado federal (PT/PR). E.mail: edesiopassos@terra.com.br
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 18 de junho de 2006 | Economia
CEF reinicia em julho pagamento de diferenças
do FGTS
Vão receber a última parcela os
trabalhadores que possuíam créditos entre R$ 5 mil e R$
8 mil
Vânia Cristino
BRASÍLIA - A Caixa Econômica
Federal inicia, no próximo mês, mais uma fase de pagamento
dos créditos complementares do Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS), relativos aos planos econômicos Collor
(1990) e Verão (1989), para os trabalhadores que aceitaram, no
passado, fazer acordo com o governo. Vão receber a última
parcela os trabalhadores que possuíam créditos entre R$
5 mil e R$ 8 mil. Os que tinham mais de R$ 8 mil a receber recebem a
penúltima parcela. A última será paga em janeiro
de 2007. De acordo com a Caixa o montante a ser liberado na economia
será da ordem de R$ 1 bilhão.
Pelos dados da Caixa, até o início
do ano já tinham sido liberados para os trabalhadores R$ 36 bilhões.
Desse total R$ 29,4 bilhões já foram efetivamente sacados.
A maioria dos trabalhadores terá o dinheiro diretamente creditado
na conta corrente do banco indicado por ele por ocasião da adesão
ao acordo. Segundo a Caixa o crédito deverá ser feito
entre o dia 10 e 20 de julho.
Os pagamentos referentes aos planos econômicos
começaram em 2002, em parcelas semestrais, para os trabalhadores
que aceitaram os termos propostos pelo governo e assinaram o termo de
adesão. O pagamento foi integral e feito em uma única
parcela, até junho de 2002, para quem tinha até R$ 1 mil
a receber. A partir desse valor, o pagamento foi escalonado. Quem tinha
mais dinheiro a pegar começou a receber mais tarde e também
sofreu um deságio de até 15%. Quem não concordou
com a proposta do governo entrou ou continuou com ação
na Justiça.
A decisão de propor um acordo
a todos os trabalhadores partiu do governo só depois que o Supremo
Tribunal Federal (STF) decidiu, em última instância, que
quem trabalhava na época dos planos Collor e Verão tinha
direito à diferença de correção monetária
que não havia sido creditada nas contas do FGTS. A diferença
correspondia a 16,64% (plano Verão, de 1989) e 44,80% (plano
Collor, de 1990).
Antes disso, por decisão judicial,
a Caixa já tinha sido obrigada a fazer cerca de 137 mil créditos,
equivalentes a R$ 907,2 milhões. Outras 800 mil ações
encontravam-se em tramitação na Justiça. A estimativa
inicial do governo era que 38,8 milhões de trabalhadores teriam
direito a receber cerca de R$ 42,4 bilhões. Cerca de 32 milhões
de trabalhadores assinaram o termo de adesão.
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JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
19 de junho de 2006 | Economia
Lula veta artigos e muda tabela de imposto
de renda
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva sancionou lei que corrige em 8% a tabela do Imposto de
Renda Pessoa Física. Foram vetados dois artigos que tratavam
da reabertura do Programa de Recuperação Fiscal (Refis).
A lei foi publicada hoje no Diário Oficial da União.
De acordo com a lei, quem ganhar até
R$ 1.257,12 por mês ficará isento de pagar qualquer alíquota
de Imposto de Renda. Quem ganhar acima deste valor, entre R$ 1.257,13
e 2.512,08, terá de pagar alíquota de 15% referente ao
salário. E, acima de R$ 2.512,08, a alíquota será
de 27,5%. A nova alíquota do Imposto de Renda já está
em vigor desde o começo deste ano.
Os dois artigos vetados previam novo
prazo para que empresas que não pagaram em dia seus tributos
federais, aderissem ao Refis com o intuito de renegociar suas dívidas.
Ontem, o ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro,
disse que o governo está estudando a edição de
nova medida provisória que trate do parcelamento de débitos
tributários.
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INFO PESSOAL, 15 de junho
de 2006 | Previdência
Previdência Social começa
a agendar perícias por telefone
SÃO PAULO - A partir das 14 horas
desta sexta-feira (16), o agendamento das perícias médicas
da Previdência Social poderá ser feito pelo telefone 135
(Central de Teleatendimento da Previdência Social).
A nova central começará
a atender em caráter experimental, somente nas regiões
Norte, Nordeste e Centro-Oeste do País. O funcionamento será
de segunda-feira a sábado, das 7h às 19h, e a ligação
realizada de telefone fixo será gratuita.
Extensão a todo o País
Pelo novo serviço, os segurados
poderão agendar dia, hora e local para realizar a perícia
médica necessária para a concessão do benefício
de auxílio-doença - o que representa 63% da demanda nas
Agências da Previdência Social.
Além disso, os pedidos de Prorrogação
e Reconsideração desse benefício também
poderão ser agendados pelo 135. Gradualmente, o atendimento será
estendido para todo o País, sendo incluídos também
outros serviços da Previdência Social.
Vale lembrar que os serviços já
oferecidos pelo PREVfone (0800-780191 - 24 horas por dia) - data de
pagamento dos benefícios, mudanças de endereço,
acompanhamento da solicitação de benefício, endereços
das agências, registros de reclamações, sugestões
e elogios, informações sobre a Legislação
Previdenciária e inscrição no INSS - serão
mantidos.
Como proceder
Para agendar a perícia médica
pelo telefone, o segurado deverá informar o número de
inscrição na Previdência Social, o número
do PIS ou do NIT, o CNPJ ou CPF do empregador, o número do benefício
(se estiver recebendo auxílio-doença), a data de nascimento
e o nome da mãe.
A previsão é que a nova
central, que faz parte de um conjunto de ações para melhorar
o atendimento ao beneficiário e reduzir as filas nas Agências
da Previdência Social, atenda cerca de quatro milhões de
ligações por mês.
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PÁGINA 20 ONLINE
/ RIO BRANCO (AC), 18 de junho de 2006
COTIDIANO
CUT se vê obrigada a reconhecer
que não há mais emprego para todo mundo
Juracy Xangai
Preparar os trabalhadores brasileiros
para sobreviver em um mundo onde o emprego se torna cada vez mais raro.
Essa é a principal função da Agência de Desenvolvimento
Solidário (ADS) da Central Única dos Trabalhadores (Cut)
inaugurada na manhã de ontem em Rio Branco.
Criada em 199pela Cut juntamente com
a Unitrabalho, Dieese, Fase e outras organizações da sociedade,
a ADS veio quebrar um paradigma que sempre foi a luta dos sindicatos
e organizações de trabalhadores pela garantia do emprego
com carteira assina e emprego fixo.
“No mundo atual há cada
vez menos empregos fixos, assim os trabalhador tem de se adaptar a essa
flexibilidade de trabalhos temporários ou aprender a criar seu
próprio negócio para que tenha uma certeza de que vai
poder cumprir com seus compromissos”, explica Elza Neves Lopes
coordenadora do escritório da ADS no Acre.
De acordo com ela, essa nova realidade
da qual a maioria dos trabalhadores ainda não se apercebeu tem
o diferencial de que é ele quem vai ter de buscar os meios para
gerar sua própria renda. Para que isso seja possível a
Cut está unindo esforços com a rede de Economia Solidária
a fim de estimular os trabalhadores a criar seus próprios negócios
dentro de uma perspectiva sustentável e solidária.
“Dentro deste novo conceito baseado
no desenvolvimento sustentável o trabalhador passa a ser o sujeito
de seu próprio desenvolvimento. Esta é uma nova realidade
gerada pelo desenvolvimento tecnológico e a globalização,
uma situação com a qual não poderíamos nem
sonhar há mais de dez anos, mas que tende a atingir todas as
categorias daqui por diante”, adverte Elza.
Ela lembra que a primeira categoria a
sofrer os efeitos da globalização e do desenvolvimento
tecnológico foram os bancários. Há dez anos existiam
mais de 250 mil bancários em todo o Brasil, hoje a categoria
está reduzida a 80 mil e apesar da abertura de novas agências
a tendência é de diminuírem ainda mais as ofertas
de emprego. A segunda categoria afetada foram os metalúrgicos
que perderam emprego para os robôs.
Propostas práticas
Para o Acre a ADS já trabalha
com três projetos em parceria com os ministérios do Trabalho,
da Educação e do Desenvolvimento Agrário, além
da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes).
O principal objetivo desses projetos
é a qualificação da mão de obra estimulando-os
a desenvolver atividades empreendedoras e cooperativas. “Um dos
principais pontos fracos de nossos trabalhadores é a falta de
noção sobre como gerenciar seu próprio negócio.
Agora cabe a nós treiná-los de acordo com o nivel cultural
de cada grupo ou categoria”.
O primeiro evento dessa natureza estará
sendo realizado no dia 23 deste mês quando produtores rurais familiares
e artesãos que trabalham com sementes estarão discutindo
a formação de uma cadeia produtiva que beneficie a ambas.
A proposta estará sendo realizada graças a uma parceria
entre a ADS e a Seater.
Outro projeto prevê a preparação
de gestores para os novos negócios que estarão surgindo.
Isso será feito com trabalhadores das mais diversas categorias
através de uma parceria entre a ADS e o Programa Especial de
Qualificação (Prodesq) da Secretaria de Estado de Ação
Social (Sectas).
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CONSULTOR JURÍDICO,
16 de junho de 2006
Rápida tramitação
Cabe rito sumaríssimo em ação
ajuizada por sindicato
O fato de o sindicato representar as
partes não impede o uso do rito sumaríssimo, especialmente
quando é possível individualizar os representados nos
autos. O entendimento é da 2ª Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 2ª Região (São Paulo). Os juízes
não acolheram o recurso do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis,
Restaurantes e Bares de São Paulo contra decisão da primeira
instância, que afastou o pagamento de contribuições
assistenciais devidas por uma lanchonete.
A 57ª Vara do Trabalho de São
Paulo conduziu a reclamação pelo rito sumário porque
o valor da causa não ultrapassava 40 salários mínimos
e negou o pedido do pagamento do valor que, inclusive, já tinha
sido acertado em acordo.
Para justificar seu pedido de anulação
da sentença da primeira instância, o sindicato defendeu
que o rito sumário só é válido para ações
individuais entre empregador e empregado e não poderia ter sido
utilizado em uma ação entre um ente sindical e empresa.
Para a juíza Silvana Abramo Margherito
Ariano, relatora do recurso no tribunal, além de não ter
causado prejuízo ao sindicato, o recurso do rito sumaríssimo
cabe perfeitamente ao caso. Conforme a juíza, não se trata
de ação trabalhista coletiva, ou ação civil
pública, mas sim “ação individual porque
o sindicato pleiteia em juízo direito alheio perfeitamente delimitado,
sendo os substituídos passíveis de exata individuação.
Tanto é assim que acompanha a petição inicial quadro
demonstrativo dos títulos e valores pleiteados, considerado o
número de empregados da reclamada, que não supera 40 salários
mínimos”.
Processo: 00286.2005.057.02.00-6
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
19/06/2006
Efeitos das normas coletivas limitam-se ao
prazo de sua vigência
A Terceira Turma do Tribunal Superior
do Trabalho admitiu, por unanimidade, a possibilidade de substituição
da garantia de emprego, prevista em acordos coletivos, por nova cláusula
coletiva. A substituição foi admitida pela Turma ao conceder
recurso de revista à Rede Ferroviária Federal, conforme
voto da ministra Maria Cristina Peduzzi (relatora). A decisão
cancelou a reintegração de um demitido que havia preenchido
os requisitos para a estabilidade previstos nas normas coletivas anteriores.
“As cláusulas coletivas
somente produzem efeitos durante o seu prazo de vigência”,
observou a relatora do recurso. “Assim, caso os direitos anteriormente
assegurados sejam substituídos ou suprimidos pela nova negociação,
deve prevalecer a vontade das partes, expressa no contrato coletivo
vigente”, acrescentou Cristina Peduzzi, ao ressaltar o entendimento
da Seção Especializada em Dissídios Individuais
– 1 do TST (SDI-1) sobre o tema.
O posicionamento do TST reformula decisão
tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP),
que havia determinado a reintegração de um ferroviário
aos quadros da Fepasa, empresa incorporada pela Rede Ferroviária
Federal. O retorno do trabalhador teve como base cláusulas normativas
que previam a garantia de emprego e os requisitos para a aquisição
desse direito.
“Fica convencionado pelas partes
que os empregados da Fepasa que contem ou venham a contar com quatro
ou mais anos de serviço a ela prestados, computados estes nos
termos da lei, gozarão de uma garantia de emprego, em caráter
permanente, pelo que não poderão sofrer despedida arbitrária”,
estabelecia a cláusula.
A interpretação da regra
pelo TRT-SP apontou para a inviabilidade da norma coletiva posterior,
que suprimiu a estabilidade e, em troca, estipulou uma indenização
para os demitidos. “É incontestável que o autor
preenchia os requisitos para a aquisição do direito à
estabilidade”, afirmou o órgão regional.
Esse posicionamento, contudo, foi considerado
equivocado pela relatora. Segundo Cristina Peduzzi, o TRT contrariou
o dispositivo da Constituição Federal que prevê
o reconhecimento da validade dos acordos e convenções
coletivas (artigo 7º, inciso XXVI). A decisão também
foi contrária à Súmula nº 277 do TST, onde
é dito que as condições de trabalho alcançadas
por força de sentença normativa não integram os
contratos de forma definitiva.
Cristina Peduzzi esclareceu, na
conclusão de seu voto, que “os direitos estipulados em
normas com vigência limitada no tempo não se incorporam
ao patrimônio jurídico dos trabalhadores, podendo ser substituídos
ou suprimidos por novas cláusulas coletivas, se esse for o resultado
da negociação entre empregados e empregadores”.
(RR 787.088/2001.9)
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