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Agência Câmara, 20 de junho de
2006
Trabalho pode votar indenização
a sindicalista demitido
O Projeto de Lei 5710/01, do deputado Fernando Ferro (PT-PE), que estabelece
indenização em caso de rescisão do contrato de
empregado eleito para cargo de dirigente sindical ou suplente, pode
ser votado nesta quarta-feira (21) pela Comissão de Trabalho,
de Administração e Serviço Público. De acordo
com o texto, o valor da indenização será o dobro
da remuneração devida ao empregado durante o afastamento
até a reintegração, ou, se esta não for
possível, até o final do período da estabilidade
provisória. O parecer do relator, deputado Arnaldo Faria de Sá
(PTB-SP), é pela aprovação.
Seguro-desemprego
Também está na pauta o
PL 42/03, do deputado Wasny de Roure (PT-DF). A proposta prevê
que os desempregados com direito ao seguro-desemprego possam utilizar
os transportes coletivos urbanos de graça. O relator, deputado
Vicentinho (PT-SP), apresentou parecer pela aprovação
do projeto com emendas. Uma delas determina o custeio do benefício
com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Outra estabelece
que o Conselho Deliberativo do FAT será responsável pelos
procedimentos necessários para garantir os deslocamentos do trabalhador
desempregado na procura de um novo emprego. A terceira emenda faz apenas
um ajuste de redação.
FGTS
Outro projeto que pode ser votado é
o PL 1049/03, do deputado Walter Pinheiro (PT-BA), que possibilita a
utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço
(FGTS) por mutuários que tenham financiamentos imobiliários
concedidos por entidades fechadas de previdência complementar,
como os fundos de pensão. Pela legislação atual,
o FGTS pode ser utilizado na compra da casa própria apenas para
os financiamentos contratados nas modalidades do Sistema Financeiro
de Habitação (SFH). O relator da matéria, deputado
Sandro Mabel (PL-GO), é favorável à aprovação.
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Agência Senado, 20 de
junho de 2006
Paim defende jornada semanal de trabalho
de 36 horas
Em pronunciamento nesta segunda-feira (19), o senador Paulo Paim (PT-RS)
defendeu a redução da jornada de trabalho de 44 para 36
horas semanais, sem redução de salário. Ele afirmou
que medidas semelhantes vêm sendo tomadas em vários países
e que, no Brasil, a mudança poderia propiciar a criação
de 7 milhões de empregos. O próprio senador já
apresentou proposta de emenda à Constituição (PEC
75/03) nesse sentido, que tramita na Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado.
De acordo com o projeto, a jornada semanal
seria reduzida, inicialmente, em quatro horas. Nos anos seguintes haveria
uma redução gradual de uma hora por ano, até que
se atingisse o patamar de 36 horas semanais, que corresponderiam a uma
jornada diária de seis horas.
- Com turnos menores, o número
de empregados precisa ser maior - argumentou o parlamentar.
O senador também defendeu a aprovação
de outras matérias de sua autoria que poderiam beneficiar o trabalhador.
Entre elas, o projeto de lei do Senado (PLS 320/2004) que isenta do
recolhimento do Imposto de Renda os rendimentos que o empregado receber
acumuladamente. O imposto incidiria apenas caso os valores que deveriam
ter sido recebidos a cada mês ultrapassassem os limites mensais
de isenção do tributo. De acordo com o senador, a Justiça
já está adotando esse raciocínio em suas decisões.
Paulo Paim também criticou
matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo desta segunda-feira
afirmando que os aumentos reais do salário mínimo acumulam
um custo de R$ 250 bilhões para o setor público desde
o começo do Plano Real. Para o senador, a culpa do desequilíbrio
fiscal no Brasil deve-se mais ao pequeno crescimento da economia do
que aos aumentos do salário.
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Diário Vermelho, 20
de junho de 2006
OIT define novas diretrizes para a relação
de trabalho
Por 329 votos a favor, 94 contra e 40 abstenções, a Sessão
Plenária da 95ª Conferência da Organização
Internacional do Trabalho (OIT) aprovou a Recomendação
sobre Relação de Trabalho, em que os Estados membros devem
formular e aplicar uma política nacional destinada a examinar,
em intervalos apropriados, esclarecer e adaptar a legislação
pertinente, com a finalidade de garantir uma proteção
efetiva aos trabalhadores.
A natureza e o alcance da proteção
aos trabalhadores, vinculados por uma relação de trabalho,
devem ser definidos pela legislação ou prática,
ou ambas, considerando as normas internacionais. Essa legislação
ou prática, incluídos os elementos de seu alcance, além
do âmbito de aplicação e a responsabilidade da aplicação,
deverá ser clara e adequada com o fim de garantir a proteção
efetiva dos trabalhadores.
Durante o debate, os membros empregadores manifestaram seu desacordo
com a recomendação, por entenderem que ela não
atende aos requisitos exigidos para "um ambiente institucional
favorável aos negócios e investimentos".
A maioria dos representantes de governos e dos trabalhadores entendeu
que o instrumento aprovado contribuirá para tornar mais segura
a relação de trabalho, no contexto da triangulação
e da subcontratação, possibilitando a proteção
jurídica dos trabalhadores. A recomendação não
necessita de ratificação pelos países membros da
OIT, mas serve como orientador, estabelecendo as diretrizes que devem
ser seguidas pelos Estados membros na matéria.
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Diário Vermelho,
20 de junho de 2006
Assédio moral ou sexual já
atingiu 52% dos brasileiros
As empresas brasileiras estão cada vez mais preocupadas em evitar
ações judiciais por assédio moral ou sexual. A
preocupação não é para menos: um estudo
da Organização Internacional do Trabalho revela que 52%
das mulheres brasileiras já sofreram assédio sexual.
Orientações de condutas
éticas têm se mostrado um antídoto eficiente para
combater o problema. A maioria dos casos de assédio moral ocorrem
em grandes companhias. Já houve casos relativos ao assunto em
mais de 50 grandes empresas de São Paulo. Do total, mais de 90%
teve como resposta o litígio. O problema atingiu tal proporção
que é freqüente as empresas adotarem códigos para
garantir transparência no ambiente de trabalho. A Schering do
Brasil, por exemplo, lançou em 2003 um código de conduta
e a Motorola do Brasil mantém um telefone para esclarecer dúvidas
dos trabalhadores sobre condutas éticas.
Desde maio de 2001, a legislação brasileira passou a tratar
o assédio sexual como crime com detenção de um
a dois anos. O Código Penal, artigo 216-A, define assédio
como: "Constranger alguém com o intuito de obter vantagem
e favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição
de superior hierárquico ou ascendência, inerentes ao exercício
de emprego, cargo ou função". De acordo com a Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), o assediador pode ser demitido por justa
causa, por incontinência de conduta.
A questão do assédio é tratada de forma severa
nos Estados Unidos, país onde 45% das mulheres que trabalham
em órgãos de administração pública
já foram alvo de assédio sexual, segundo dados do escritório
Cochran Firm. Na Suécia chegou a ser editada, em 1993, uma ordenação
do Conselho Nacional Sueco de Saúde e Segurança Ocupacionais,
contendo medidas de prevenção contra o assédio
no ambiente de trabalho. Na França, o Código do Trabalho
dispõe sobre a vedação do assédio moral
pela degradação deliberada das condições
de trabalho do empregado, bem como a proteção à
testemunha que tenha presenciado a conduta referida e a nulidade de
pleno direito da ruptura do contrato com pena de um ano de reclusão
e multa de 15 mil euros.
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Nova Central, 20 de junho de 2006
Banho obrigatório no local de
trabalho dá direito ao pagamento de horas extras
O tempo gasto pelo empregado para tomar banho e trocar de uniforme
na empresa constitui tempo à disposição do empregador
quando este exige tal procedimento, devendo ser computado para o cálculo
de horas extras. A decisão foi tomada pela Segunda Turma do
Tribunal Superior do Trabalho no julgamento de reclamação
trabalhista contra a Sadia S/A, em voto relatado pelo ministro José
Simpliciano Fernandes.
A empregada foi admitida na empresa em
1992 para exercer a função de ajudante de produção,
com salário de R$ 129,88 por mês. Foi demitida por justa
causa, em 1999, acusada de ter cometido falta grave, por ter retirado
da empresa documentos sigilosos, tais como manuais de treinamento que
detalham os procedimentos técnicos utilizados na criação
das aves.
No ajuizamento da ação,
a trabalhadora pediu a anulação da demissão por
justa causa e requereu o direito ao seguro desemprego, adicionais de
produtividade e insalubridade, FGTS, multa por atraso na quitação
das verbas rescisórias (artigo 477 da CLT) e salário in
natura, por residir em uma casa cedida pela empresa. Reclamou ainda
o pagamento de horas extras, por lhe ser exigido que tomasse quatro
banhos diários, com duração de cerca de 10 minutos
cada, sem que tal tempo fosse computado nos seus cartões de ponto.
A sentença considerou que houve
motivo justificável para a despedida da empregada, negando todos
os pedidos referentes à demissão sem justa causa. Negou
o pedido de adicional de produtividade e concedeu o de insalubridade.
Com relação às horas extras, o juiz de primeiro
entendeu que o minutos gastos para os banhos deveriam ser computados
como tempo à disposição do empregador, como horário
extraordinário.
Inconformada com a decisão, a
Sadia ajuizou recurso ordinário, requerendo a reforma da sentença.
O Tribunal Regional da 9ª Região (Paraná), analisando
a prova dos autos, verificou que o tempo utilizado para banho e troca
de uniforme, exigido pela empresa, não era computado nos cartões
de ponto. O TRT/PR manteve então a condenação imposta
pela sentença originária.
A empresa recorreu ao TST utilizando
acórdãos de outros tribunais regionais para justificar
a sua pretensão de excluir dos cálculos das horas extras
o tempo despendido pelo empregado para tomar os banhos. O ministro relator
do processo, José Simpliciano Fernandes, manteve a decisão
do TRT do Paraná por entender que a empresa não conseguiu
comprovar a divergência de julgados nos mesmos moldes do tema
discutido nos autos, em que os banhos eram uma exigência da empregadora.
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Nova Central, 20 de junho
de 2006
TRT de SP define quando é possível
o uso do rito sumariíssimo em ações movidas por
sindicatos
O fato de o sindicato estar representando as partes não impede
o uso do rito sumariíssimo, especialmente, se for possível
individualizar os representados nos autos. Com este entendimento, os
juízes da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª
Região (TRT-SP), negaram provimento a recurso do Sindicato dos
Trabalhadores em Hotéis, Restaurantes e Bares de São Paulo
(Sinthoresp), que pretendia a anulação de sentença
57ª Vara do Trabalho de São Paulo que negou provimento a
seu pedido de pagamento de contribuições assistenciais
devidos por uma lanchonete.
Em virtude do baixo valor envolvido (R$
660,80), a Vara conduziu a reclamação pelo rito sumariíssimo,
procedimento para ações que não ultrapassem 40
salários mínimos, e negou provimento ao pedido, que já
havia sido objeto de acordo. Para justificar seu pedido de anulação
da sentença de 1º grau, o sindicato defendeu que o rito
sumariíssimo só é válido para ações
individuais entre empregador e empregado, e não poderia ter sido
utilizado em uma ação entre um ente sindical e empresa.
Para a juíza Silvana Abramo
Margherito Ariano, relatora do recurso no Tribunal, além de não
ter causado prejuízo ao sindicato, o recurso do rito sumariíssimo
cabe perfeitamente ao caso. Conforme a juíza Silvana esclareceu,
não se trata de ação trabalhista coletiva, ou ação
civil pública; "é ação individual porque
o sindicato pleiteia em juízo direito alheio perfeitamente delimitado,
sendo os substituídos passíveis de exata individuação.
Tanto é assim que acompanha a petição inicial quadro
demonstrativo dos títulos e valores pleiteados, considerado o
número de empregados da reclamada, que não supera 40 salários
mínimos." Por unanimidade de votos, os juízes da
2ª Turma acompanharam o voto da relatora.
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Folha
de São Paulo, 20 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Proibido de inaugurar, Lula vai fazer "vistorias"
pelo país
Presidente rebaterá críticos dizendo
que apenas segue regras criadas por PSDB e PFL
Petista cumprirá agenda de campanha nos finais de semana; segundo
Tarso, vice não deve ser definido na convenção de
sábado
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DO ENVIADO ESPECIAL A SANTO ESTEVÃO
Depois de assumir oficialmente a candidatura
à reeleição no próximo sábado, na
convenção do PT em Brasília, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva trocará as inaugurações
de obras por "vistorias". Em conversas reservadas, Lula disse
que seguirá o comportamento adotado em 1998 por Fernando Henrique
Cardoso em sua campanha pela reeleição. Lula e auxiliares
definiram que os compromissos explicitamente eleitorais do presidente
serão realizados nos finais de semana. Durante a semana, fará
as tais "vistorias", que FHC chamava de "visitas".
"A legislação proíbe
a inauguração, mas não proíbe, por exemplo,
a presença do presidente realizando inspeções de
trabalho, de obras", disse o ministro das Relações
Institucionais, Tarso Genro. Segundo auxiliares de Lula, ele pretende
responder a críticas da oposição com o argumento
de que segue uma regra criada por ela -PSDB e PFL foram os principais
patrocinadores da reeleição. Lula pediu ao presidente
do PT, Ricardo Berzoini, que o partido assuma custos de eventos de nítido
caráter eleitoral, sempre de acordo com o modelo que o PSDB usou
para FHC.
Em 1998, FHC visitou obras dias depois
de inauguradas. Em 1º de agosto, disse a jornalistas que era difícil
separar o papel de presidente do de candidato: "Sou presidente
ou sou candidato? Sou as duas coisas, porque existe reeleição
no Brasil". Segundo Tarso, o nome do companheiro de chapa de Lula
talvez não seja definido no final de semana. O mais cotado é
José Alencar, que repetiria a dobradinha de 2002.
Na Bahia
Ontem, em Santo Estevão (BA),
Lula disse que um presidente não pode ficar trancado no Palácio
do Planalto e deixar de percorrer o país em ano de eleição.
"Não posso falar em nome de candidato e de candidatura.
Não posso falar porque tem gente que todo o dia entra com um
processo contra mim na Justiça Eleitoral", afirmou o presidente
a cerca de 2.000 pessoas em evento no qual anunciou o atendimento de
3,3 milhões de pessoas no programa Luz para Todos. Antes de discursar,
ouviu um pronunciamento inusitado do prefeito da cidade, Orlando Santiago
(PFL), que é ligado ao senador pefelista Antonio Carlos Magalhães.
Santiago afirmou que, mesmo sendo de um outro partido, tinha de admitir
a importância do governo petista. "Não adianta se
colocar contra essa verten- te, eu me rendo", declarou o prefeito,
arrancando aplau- sos do público e risos da comitiva presidencial.
À noite, depois do discurso,
Lula e sua comitiva percorreram de carro dois quilômetros de estrada
de terra até o sítio Santa Rita, na zona rural de Santo
Estevão. No local, o presidente ajudou a acender pela primeira
vez as luzes na casa de Luiza Conceição, 41, casada e
mãe de cinco filhos. (PEDRO DIAS
LEITE, KENNEDY ALENCAR E EDUARDO SCOLESE)
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Folha
de São Paulo, 20 de junho de 2006
Líder do MLST é morta a tiros
no Paraná
Polícia suspeita que vingança tenha
motivado assassinatos de Jocélia Costa e de sua filha de 5 anos
anteontem à noite | Integrante do movimento afirma que coordenadora
havia sofrido ameaças por telefone; suspeito tinha sido expulso
de acampamento
Ailton Santos - 18.mai.2006/"Jornal Hoje"
Jocélia Costa e sua filha, Emanuelly, um mês antes das
mortes no acampamento da BR-369
JOSÉ MASCHIO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM LONDRINA
A líder do MLST (Movimento de
Libertação dos Sem-Terra) Jocélia Oliveira Costa,
31, foi assassinada anteontem à noite num acampamento na rodovia
BR-369, em Cascavel (PR). Sua filha, de cinco anos, também foi
morta -com um tiro na nuca. Outro integrante do MLST foi ferido na perna.
A polícia diz que o principal suspeito é um sem-terra
que Jocélia expulsou do acampamento -que reúne 230 famílias.
Segundo testemunhas, a chacina ocorreu às 21h30 de anteontem,
quando dois homens numa motocicleta chegaram atirando ao seu barraco.
Jocélia levou um tiro nas costas. Segundo o delegado Amadeu de
Araújo, a filha de Jocélia, Emanuelly, "deve ter
reconhecido os agressores e foi assassinada": "É uma
cena típica de queima de arquivo".
O sem-terra Ezequias Faleiros, 32, que
estava próximo ao barraco de Jocélia, levou um tiro na
perna. Principal testemunha do crime, Araújo disse que um dos
suspeitos foi expulso há um mês do acampamento. Outra liderança
do MLST local, Maria Ferreira, disse que Jocélia foi ameaçada
em 19 de maio: "Ligaram para seu celular e avisaram que ela ia
ver o que ia acontecer em nosso acampamento. No dia 2 deste mês,
um outro líder sofreu atentado. Essas ameaças são
de pessoas de fora do acampamento".
O delegado Araújo disse que a
polícia não foi avisada da ameaça a Jocélia
e do atentado contra outra liderança do movimento. Na tarde de
ontem, ele pediu à Justiça de Cascavel a decretação
da prisão preventiva de dois suspeitos. O MLST, que ficou conhecido
nacionalmente depois de organizar a invasão e depredação
da Câmara dos Deputados no último dia 6, é um movimento
recente no Paraná. Segundo Celso Lacerda, superintendente regional
do Incra, o movimento não tem assentamentos no Estado. O grupo
atua nos municípios de Lindoeste e Cascavel, com dois acampamentos.
Maus-tratos
A Secretaria Especial dos Direitos Humanos
pedirá ao Ministério Público e à Secretaria
de Segurança Pública do Distrito Federal que apure as
acusações feitas pelo MLST, de que integrantes do movimento
foram vítimas de maus-tratos. Mais de 500 militantes do movimento
foram mantidos presos entre os dias 6 e 9 deste mês devido à
invasão à Câmara. Depois de libertados, eles distribuíram
uma nota em que relataram casos de maus-tratos. Tanto a Polícia
Militar quanto a Polícia Legislativa negaram as acusações.
No documento protocolado na quinta-feira
passada na Secretaria dos Direitos Humanos, o MLST dá as iniciais
de dez adolescentes que teriam sido vítimas de agressões.
Amarildo Baesso, assessor da Secretaria de Direitos Humanos, disse que
nenhum dos adolescentes com quem conversou fez menção
a agressões: "Eles estavam bem, disseram que estavam se
alimentando bem. Até onde eu acompanhei, eles não fizeram
denúncia de maus-tratos".
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Folha de São Paulo,
20 de junho de 2006
TRABALHO
Volks abre PDV em fábrica de São
Bernardo
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
A Volkswagen abriu ontem um PDV (Programa
de Demissão Voluntária) na fábrica de São
Bernardo do Campo a fim de diminuir o número de demissões
que precisa realizar para se reestruturar e recuperar prejuízos
com as exportações. Sindicalistas do ABC, de Taubaté
e do Paraná informam que a montadora quer cortar 5.773 funcionários
nos próximos dois anos e reduzir benefícios dos trabalhadores.
A VW não confirma os números, embora informe que pretende
demitir em três unidades para reduzir seus custos em 25%. A Volks
emprega 21,5 mil no país.
A adesão ao PDV pode ser feita
até 19 de julho. A empresa oferece 0,4 salário por ano
trabalhado aos empregados ligados à produção e
incentivo de 0,2 salário por ano de serviço aos administrativos,
além de três meses de plano de saúde. É o
segundo PDV aberto pela VW neste ano. A empresa informa que é
obrigada a abrir três meses de PDV por ano por conta de um acordo
assinado em 2001 com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Isso
porque a montadora não pode demitir em São Bernardo -os
12 mil trabalhadores dessa fábrica têm acordo de garantia
de emprego até novembro.
A montadora chegou a anunciar na semana
passada que poderia fazer cortes "imediatamente" se os sindicalistas
não negociassem a adoção de medidas para reduzir
os custos da montadora. Entre as medidas desejadas pela VW estão:
nova tabela salarial para novos contratados (com redução
de salários de até 35%), aumento do valor do plano médico
(de 1% do salário para 3%), redução do tempo livre
de sindicalistas e extensão da jorada de trabalho em até
oito horas semanais (sem remuneração extra) para os que
cometerem falhas na produção.
Em Taubaté, segundo o sindicato
dos metalúrgicos, seis funcionários receberam carta de
demissão da VW na última sexta-feira. No mesmo dia, a
empresa procurou os trabalhadores em casa, informou que se tratava de
engano e pediu para que desconsiderassem as cartas. Para o sindicato,
a empresa já havia impresso as cartas de demissão, mas
preferiu aguardar. A Volks não comentou. Na última quarta-feira,
os sindicalistas pediram à Volks que coloque "no papel"
as medidas e as demissões que pretende fazer no país.
A VW analisa o pedido e ainda não deu resposta aos sindicalistas.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20 de junho de 2006
| Economia
COMÉRCIO EXTERIOR
Balança tem superávit de
US$ 654 mi
A balança comercial teve superávit de US$ 654 milhões
na terceira semana de junho. Com isso, o superávit acumulado
no mês subiu para US$ 1,965 bilhão. A média diária
das exportações mês teve aumento de 13,5% em relação
a junho de 2005, abaixo da alta de 23,9% das importações.
No acumulado do ano, as importações crescem mais que vendas
externas, e o superávit continua abaixo do registrado em 2005.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20 de junho de 2006
| Economia
IMPOSTOS
Arrecadação do estado cresce
6%
A arrecadação das receitas do governo do Paraná
registrou alta aproximada de 6% nos primeiros quatro meses de 2006,
informou ontem o secretário da Fazenda, Heron Arzua. Ele acredita
que, mesmo que o ritmo seja mantido, o Paraná deve registrar
um superávit em relação ao orçamento. “Mesmo
com o acréscimo na arrecadação, houve um crescimento
de igual proporção nas despesas do Executivo, principalmente
na questão de pessoal”, disse.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20
de junho de 2006 | Mundo
NACIONALIZAÇÃO-Ferrovias e telecomunicações
são novos alvos
Bolívia vai controlar mais seis
empresas
Apática, boliviana passa diante
de cartaz da Constituinte 2006
La Paz – O governo da Bolívia, que nacionalizou o setor
petrolífero no mês passado, anunciou ontem que “em
breve” assumirá o controle da maioria das ações
de seis empresas do país nos setores de energia elétrica,
ferrovias e telecomunicações. O ministro de Planejamento
do Desenvolvimento, Carlos Villegas, disse em entrevista coletiva que
a medida pode ser entendida como “nacionalização”
ou “bolivianização” das chamadas firmas “capitalizadas”,
que são administradas por capitais privados nacionais ou estrangeiros.
“O importante é que queremos
(...) obter 51% das ações para o Estado”, disse
o ministro ao dar detalhes sobre o Plano Nacional de Desenvolvimento
2006-2010 do governo de Evo Morales. As companhias “capitalizadas”
nas quais o Estado quer ter a maioria das ações são
a Empresa Nacional de Telecomunicações (Entel), as elétricas
Corani, Valle Hermoso e Guaracachi e as ferroviárias Andina e
Oriental.
Nessas companhias, os cidadãos bolivianos, representados por
duas Administradoras de Fundos de Pensões (AFPs) – da suíça
Zurique Financial Service e do espanhol Banco Bilbao Vizcaya Argentaria
(BBVA) –, têm uma participação de 48%, enquanto
os sócios privados têm 50%. “Essas ações
(gerenciadas pelas AFP) vão ser revertidas. Já temos conversas
adiantadas com as AFPs e, em seguida, vamos comprar o restante das ações,
2% ou 3%, para chegarmos aos 51%”, disse Villegas.
Na Entel, a sócia privada é
a Telecom Italia; na Corani, a americana Duke. A Guaracachi também
tem capitais dos EUA, e a Valle Hermoso é administrada por investidores
bolivianos através da empresa The Bolivian Generation Group.
No setor das ferrovias, a empresa Andina
tem participação de capitais chilenos. Já a Oriental
tem ações em posse da Trenes Continentales, da norte-americana
Genesee Wyoming.
Segundo Villegas, o Estado pagará
pelas ações necessárias para obter a participação
majoritária, mas o fará através de um plano de
pagamentos “de maneira que não haja uma carga onerosa”
para os cofres estatais, e então poderá designar diretores
próprios nas companhias. O plano exclui o Lloyd Aéreo
Boliviano (LAB), que tem passivos de US$ 170 milhões e atravessa
uma grave crise institucional.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20
de junho de 2006 | Mundo
NACIONALIZAÇÃO
Prioridades
Mão de Chávez
La Paz – A duas semanas das eleições
para a Assembléia Constituinte, a oposição boliviana
denunciou a “intromissão” do presidente venezuelano,
Hugo Chávez, no processo eleitoral, enquanto o governo do esquerdista
Evo Morales negou a acusação. O Poder Democrático
e Social (Podemos) diz que Chávez está enviando militares
à Bolívia com a desculpa de construir estradas.
Preço do gás
La Paz – Bolívia e
Brasil iniciam ainda neste mês a negociação sobre
o aumento no preço do gás natural, disse ontem a estatal
boliviana YPFB. A data coincide com o esperado anúncio formal
de um acordo já obtido com a Argentina, no qual La Paz diz ter
conseguiu um aumento de preços enquanto Buenos Aires afirma que
os valores serão mantidos até o fim deste ano. O aumento
terá influência nas negociações com o Brasil.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 20
de junho de 2006 | Mundo
GUERRA DAS PAPELEIRAS
Uruguai se recusa a mudar fábricas
Buenos Aires – O governo do Uruguai emitiu um novo sinal de que
não pretende submeter-se às pressões do governo
argentino, ao deixar claro que não forçará as empresas
Botnia (da Finlândia) e a Ence (da Espanha) a removerem as fábricas
que estão construindo há meses no município uruguaio
de Fray Bentos, sobre o Rio Uruguai, que divide esse país da
Argentina. A construção de ambas as fábricas é
o pivô da maior crise diplomática entre a Argentina e o
Uruguai desde 1955.
Os argentinos opõem-se às
fábricas argumentando que elas causarão um “apocalipse”
ambiental com conseqüências econômicas graves para
a região. Os uruguaios argumentam que as fábricas não
poluirão, e que, acima de tudo, elas possibilitarão a
esperada recuperação econômica do Uruguai.
O chanceler Reinaldo Gargano sustentou ontem que seu governo possui
“boa vontade” para resolver o conflito com a Argentina,
mas, explicou que seria “um horror” mudar as fábricas
de lugar. Segundo Gargano, “se elas poluem em um lugar, podem
poluir em outro. O importante é que não poluam de forma
alguma”.
Gargano indicou que o governo uruguaio
considera que as empresas não poluem, e que, para tranqüilizar
a Argentina, aceitam a realização “de um monitoramento
conjunto entre os dois países, que seria formidável no
sentido de buscar consenso e agir garantindo aos cidadãos que
as fábricas não poluam”. Gargano esteve em Buenos
Aires para participar da cúpula de chanceleres do Mercosul.
Diante da persistência do
impasse, a Argentina recorreu a tribunais internacionais e as empresas
em Fray Bentos anunciaram que acelerarão suas obras. A Botnia
anunciou que aumentará de 2,5 mil para 4,5 mil o número
de operários. Os analistas afirmam que este anúncio, além
de indicar uma decisão de concluir as obras o mais rápido
possível, para tornar mais difícil a remoção
das fábricas, também pretende reforçar o apoio
da população uruguaia à empreitada.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 20 de junho de 2006 | Economia
FMI elogia Brasil e prevê crescimento
de 3,5% em 2006
Segundo a diretoria do Fundo, "desbloquear
o potencial de crescimento do Brasil é o desafio mais importante"
Renato Martins
SÃO PAULO - A Diretoria Executiva
do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou relatório
no qual elogia "o bom desempenho econômico do Brasil",
prevê que o PIB do País vai crescer 3,5% em 2006 e diz
que "desbloquear o potencial de crescimento do Brasil é
o desafio mais importante". O relatório, produzido após
a visita de uma equipe técnica do FMI ao Brasil, em maio, não
tem impacto direto sobre o crédito do País, já
que no momento o Brasil não tem nenhum programa de crédito
com o Fundo.
Para o FMI, "desde a última
consulta feita de acordo com o Artigo IV, a economia brasileira continuou
a se expandir, embora a um ritmo mais moderado do que em 2004. Espera-se
que o crescimento real do PIB aumente cerca de 3,5% em 2006, de 2,25%
em 2004. A inflação também convergiu para a meta
oficial de 4,5%, dando espaço para um afrouxamento gradual da
política monetária a partir de setembro de 2005".
O documento também diz que "a
posição externa do Brasil fortaleceu-se mais. Condições
favoráveis nos mercados externos, incluindo uma demanda forte
e preços mais altos das commodities, contribuíram para
superávits comercial e em conta corrente elevados.
Ao mesmo tempo, o sentimento positivo
nos mercados financeiros, a ampla liquidez mundial e as elevadas taxas
de juro domésticas fizeram cresce os fluxos de capital para o
País. (...) O Banco Central aproveitou-se dessas condições
favoráveis para acumular reservas e recomprar dívida externa,
inclusive a recompra de todas as obrigações junto ao Fundo
e pagamentos aos credores do Clube de Paris, assim como recompras de
dívida externa privada".
Dívidas
Segundo o relatório, "a dívida
pública líquida declinou de 54,5% do PIB no fim de 2004
para cerca de 51,75% do PIB em 2005, refletindo os efeitos combinados
do superávit primário e da apreciação do
câmbio. Ao mesmo tempo, operações de gestão
da dívida eliminaram a dívida doméstica indexada
ao câmbio e quase duplicaram a maturidade de novas emissões
de dívida de renda fixa e de taxas flutuantes".
O documento diz ainda que "os diretores-executivos
consideraram bem-vindo o bom desempenho econômico do Brasil, notando
a expansão econômica contínua, a convergência
da inflação para as metas oficiais e o considerável
fortalecimento da posição externa. Eles destacaram que
as vulnerabilidades foram reduzidas, à medida que a dívida
externa foi reduzida para a taxa mais baixa em relação
ás exportações em mais de 25 anos, as reservas
internacionais cresceram para níveis mais confortáveis
e a composição da dívida doméstica melhorou.
Os diretores viram esses acontecimentos
como fatores para maior estabilidade e crescimento no longo prazo. Eles
também consideraram bem-vindo o declínio do desemprego
e o progresso significativo no alívio da pobreza e da desigualdade,
inclusive por meio de políticas sociais ativas".
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 20 de junho de 2006 | Economia
Risco fez estrangeiros retirarem US$ 2,8
bilhões do Brasil
"Estamos assistindo a uma correção
clássica para os emergentes num momento de grande incerteza global,"
disse o analista Cameron Brandt
NOVA YORK - Nas últimas cinco
semanas, a aversão ao risco dos investidores estrangeiros provocou
uma fuga de capitais da ordem de US$ 8 bilhões de dólares
nos chamados países Bric, composto pelo Brasil, Rússia,
Índia e China.
De acordo com estimativas do Ermerging
Porfolio Fund Research (EPFR), a principal fonte para investimentos
de curto prazo em mercados emergentes, a Rússia teria perdido
US$ 3 bilhões, o Brasil, US$ 2,8 bilhões e a Índia
US$ 1,7 bilhões. Já a China teria perdido US$ 500 milhões
de dólares em fundos de investimentos de curto prazo.
"Estamos assistindo a uma correção
clássica para os emergentes num momento de grande incerteza global,"
disse o analista Cameron Brandt à BBC Brasil. "Como os principais
mercados emergentes apresentam fundamentos muito mais sólidos
do que nos anos 90, não temos visto os sinais de pânico
em relação a eles como aconteceu de 1997 a 1999."
China
De acordo com o Brandt, apesar de a China
apresentar um patamar muito inferior de fuga de capital em relação
aos demais países Bric, o mercado chinês para investimentos
de curto prazo não é um bom comparativo entre os emergentes.
"A China é um mercado excessivamente regulado e muito opaco,"
disse. "Uma comparação direta dela com os demais
Brics traz uma série de distorções."
Tal como os demais analistas ouvidos
pela BBC Brasil, Brandt acredita que apesar do melhor desempenho dos
mercados globais nos últimos dias, as próximas semanas
ainda devem apresentar um alto nível de volatilidade. "A
turbulência continuará até que o mercado tenha uma
imagem consolidada do comportamento da taxa de juros nos Estados Unidos",
afirmou, referindo-se à reunião do próximo dia
29 do comitê de política monetária do banco central
americano, o Federal Reserve (Fed).
O mercado espera que o Fed aumente a
taxa americana em 0,25 ponto percentual, elevando-a para 5,25% ao ano.
Retirada técnica
Já para Vitale Meschoulan, economista-chefe
para a América Latina do banco HSBC, "a recuperação
das bolsas nos últimos dias representa uma estratégia
de curto prazo, em que os investidores estão buscando oportunidades
de compra, pois os preços dos ativos estão mais baixos
agora do que estavam em abril."
Segundo Meschoulan, a fuga de capitais
sofrida pelos emergentes, não é causada por nenhuma questão
política, como era o caso dos anos 90.
"Se você olhar para os fundamentos,
países como o Brasil deveriam ter um desempenho muito melhor.
A fuga está sendo guiada por considerações técnicas
dos investidores quanto a suas posições nos mercados."
O economista sênior para América Latina do banco DKRW,
Nuno Câmara, tem a mesma opinião, especialmente sobre o
Brasil.
"Como os fundamentos da economia
brasileira estão em ordem, apesar de toda a turbulência,
o banco central brasileiro é o único que ainda pode prosseguir
sua política de afrouxo monetário enquanto todos os outros
estão em processo de aperto", disse. "Em momento algum
dessas semanas de volatilidade, eu ouvi dos investidores alguma preocupação
em relação ao Brasil. O que eles queriam saber é
quando seria o melhor ponto de entrada para o mercado brasileiro",
acrescentou.
Campanha eleitoral
De acordo com John Welch, economista-chefe para a América Latina
do banco Lehman Brothers, "a partir de agosto, a campanha presidencial
pode acrescentar alguma volatilidade ao mercado brasileiro."
"Mas o Brasil não sofrerá
nada comparável a 2002", disse, referindo à crise
cambial que castigou a economia brasileira durante a última campanha
presidencial. No cenário global, segundo Welch, a partir de agosto,
em função da publicação dos relatórios
de ganhos das empresas americanas no segundo trimestre, os mercados
terão uma idéia mais clara do panorama econômico
na maior economia do mundo.
Welch não crê que exista
uma bolha no preço de commodities como o aço e a soja,
dois dos principais produtos da pauta de exportação brasileira.
"De fato o preço das commodities subiu muito nos últimos
anos, mas isso foi ditado pelo crescimento da economia global e não
por fatores artificiais," disse.
"Mesmo que a economia global se
desacelere - o que esperamos no próximo ano e meio - não
creio que o mundo vá mergulhar numa recessão. Creio que
o preço das commodities vá sofrer uma correção
gradativa", concluiu.
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O LIBERAL / BELÉM,
20 de junho de 2006
Pará: Dieese aponta geração
de mais de 67 mil postos de trabalho no Estado
Seis municípios registram maior taxa
de emprego em doze meses
Belém, Ananindeua, Parauepabas,
Paragominas, Marabá e Castanha são os municípios
paraenses com maior número de empregos gerados nos últimos
doze meses. O levantamento foi feito pelo Departamento Intersindical
de Estatísticas e Estucos Socioeconômicos (Dieese), tendo
como base os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)
do Ministério do Trabalho e Emprego. Só neste ano, no
período entre janeiro e abril, foram contratados 67.032 trabalhadores,
enquanto outros 65.346 perderam o emprego, resultando em um saldo positivo
1.686 postos formais com carteira assinada.
A analise feita pelo Dieese do Pará
sobre o crescimento do emprego formal por setores de atividades no Estado
do Pará nos primeiros quatro meses de 2006 mostra que os destaques
foram para o setor extrativo mineral, com crescimento de 9,54 %; serviços
de utilidade pública, com 3,24%; serviços, com 1,62 %
e comércio com 1,05 % de crescimento. Em termos de geração
de empregos por município, os maiores saldos alcançados
nos primeiros quatro meses de 2006 foram: Belém, com saldo positivo
de 2.513 postos de trabalhos gerados, seguido de Ananindeua com 1.547
postos de trabalhos, Parauapebas com 801, Paragominas com 628, Marabá
com 1.212 e Castanhal com 946 postos de trabalhos.
O balanço feito pelo Dieese do
Pará sobre a flutuação dos postos de trabalho no
Estado do Pará nos últimos doze meses, ou seja, entre
maio de 2005 e abril de 2006, mostra que foram feitas 206.887 admissões
contra 193.581 desligamentos, gerando um saldo positivo de 13.306 postos
de trabalhos, o que dá um crescimento de 3,21% na taxa de geração
de empregos. Os setores econômicos do Estado do Pará que
se destacaram na geração de postos de trabalho nos últimos
doze meses foram a indústria extrativa mineral, com crescimento
de 19,51%; construção civil, com crescimento de 11,90%;
comércio, com crescimento de 6,64%; serviços de utilidade
pública com 5,94% e serviços com 4,46 %. A partir destes
dados, o Dieese traçou o mapa do emprego formal no Estado do
Pará levando em consideração também os setores
de atividades econômicas.
SALDO
O estudo do Dieese do Pará abrangeu
apenas 24 municípios que correspondem a cerca de 17% dos 143
municípios paraenses. Nos 24 municípios pesquisados foram
feitas, no período, 151.463 admissões contra 137.807 desligamentos,
gerando um saldo positivo de 13.656 postos de trabalhos. Este saldo
total dos 24 municípios analisados pela primeira vez superou
o saldo total do Estado do Pará (que envolve 143 municípios).
'Isto quer dizer que o fechamento de postos de trabalhos nos outros
119 municipios, além dos analisados, foi muito expressivo nestes
primeiros quatro meses do ano. Esta situação pode ser
melhor avaliada quando se compara os saldos do emprego formal no Estado
do Pará dos primeiros quatro meses de 2006 em relação
ao mesmo período de 2005. Este ano o saldo ficou em 1.686 postos
de trabalho. No mesmo período de 2005 este saldo foi quase quatro
vezes maior, atingindo 6.170 postos de trabalhos. Nos últimos
doze meses foram feitas, em todo o Pará, 206.887 admissões
contra 193.581 desligamentos, gerando um saldo positivo de 13.306 postos
de trabalhos', detalha Roberto Sena.
Os municípios do Pará que
foram analisados no Mapa do Emprego Formal pelo Dieese com base em informações
do Ministério do Trabalho e Emprego são os seguintes:
Abaetetuba, Acará, Altamira, Ananindeua, Barcarena, Belém,
Bragança, Breves, Cametá, Capanema, Capitão Poço,
Castanhal, Igarapé-Miri, Itaituba, Marabá, Marituba, Moju,
Monte Alegre, Paragominas, Parauapebas, Redenção, Santarém,
Tucuruí e Viseu. O balanço feito pelo Dieese, abrangendo
a capital e os outros 23 principais municípios paraenses, mostrou
que nos últimos doze meses apresentaram resultados negativos:
Tucurui, Redenção, Itaituba, Igarapé Miri e Breves.
DESTAQUE
Dos municípios paraenses com saldos
positivos, o destaque mais uma vez foi a capital Belém, que obteve,
nos últimos doze meses, no comparativo entre admitidos e desligados,
saldo positivo de 6.112 postos de trabalhos no setor formal da economia.
Este saldo corresponde a 45,93 % do saldo total de postos de trabalhos,
que foi de 13.306 empregos gerados em todo o Estado nos últimos
doze meses. Os setores econômicos que se destacaram na geração
de postos de trabalhos formais na capital nos últimos doze meses
foram a Construção Civil, com crescimento de 8,01%; os
serviços de utilidade pública, com elevação
de 7,30%; a administração pública, com 6,14% de
crescimento; o comércio, com 4,09 %; e o setor de serviços,
com crescimento de 3,81%.
As análises mostram que de todos
os saldos de postos de trabalhos obtidos na região Norte - 46.785
postos de trabalhos nos últimos doze meses - cerca de 28,44 %
foram obtidos no Pará, ou seja, 13.306 do total. Destes cerca
de 69,42%, ou 9.238 postos de trabalhos, foram gerados na Região
Metropolitana de Belém (RMB). Deste saldo total da RMB, nos últimos
doze meses, cerca de 66,16%, ou 6.112 postos de trabalhos, foram gerados
na capital paraense.
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PORTAL ORM / BELÉM,
20 de junho de 2006
Catadores de material reciclável
ganharão qualificação
O Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) está elaborando um Plano Setorial de Qualificação
(Planseq) específico para o segmento de catadores de materiais
recicláveis. A estimativa é atender a 1.500 trabalhadores
nos cursos que deverão começar em julho. O objetivo é
capacitar trabalhadores de todas as regiões brasileiras, informais
ou que fazem parte de associações, em atividades que vão
desde a coleta segura dos materiais, até a comercialização,
a preço justo.
O processo de formação
também prevê o treinamento em equipamentos que possam gerar
escala na produção. A demanda de qualificação
foi apresentada ao MTE pelo Movimento Nacional dos Catadores de Materiais
Recicláveis (MNCR).
Realidade – Segundo levantamento
do MNCR, as pessoas que trabalham com reciclagem não contam com
qualquer tipo de equipamento de segurança individual, além
de os trabalhadores não possuírem capacitação
ou noção básica de higiene. Com isso, os catadores
ficam expostos a doenças graves ou contagiosas.
Calcula-se que haja entre 300 mil e um
milhão de pessoas trabalhando na ocupação. Mas
apenas 35 mil catadores, segundo dados do MNCR, estão vinculados
a associações, cooperativas e grupos associados.
Qualificação –
O Planseq tem como objetivo qualificar mão-de-obra a fim de ser
absorvida pelo mercado, beneficiando tanto a população
como a economia local. O MTE pretende ampliar os Planseqs este ano,
tendo em vista as demandas concretas de emprego em regiões onde
há processos de desenvolvimento mais intenso, mas falta mão-de-obra
preparada.
Já foram instalados Planseqs nas
áreas metalúrgica, aeronáutica, turismo, construção
civil, agricultura familiar e para as trabalhadoras domésticas.
Na área de petróleo, foi lançado o Planseq Petróleo
e Gás Natural, para formar trabalhadores em ocupações
de carpintaria, armador e pedreiro; e na área naval o primeiro
curso começa no final de junho no Rio.
Estão previstos, ainda, cursos
de qualificação específica nas áreas de
plástico, biodiesel, sucroalcoleiro, serviços industriais,
turismo social e ecológico, microcrédito e serviços,
entre outros.
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REVISTA CONSUMIDOR MODERNO
/ SÃO PAULO, 20 de junho de 2006
Serviço de Auxílio ao Emprego
atinge 250 mil atendimentos
Lançado no dia 1º de maio
de 2006, o SAE - Serviço de Auxílio ao Emprego já
atendeu mais de 250 mil pessoas em busca do 1º emprego, recolocação
no mercado e novas oportunidades. Nesse período o SAE disponibilizou
para consulta mais de dez mil vagas de emprego para as 126 cidades atendidas
pelo serviço, entre elas, as capitais: São Paulo, Rio
de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília,
Salvador, Recife e Fortaleza.
O serviço, que funciona 24 horas,
permite que os candidatos liguem para a central 4003-1212, e consultem
as vagas disponíveis na localidade selecionada. Com os contatos
e especificações das vagas, o próprio usuário
do SAE entrar em contato com a empresa que oferece a vaga. O custo é
de uma ligação local e possibilita a consulta de ofertas
também nas 126 cidades atendidas.
O SAE conta com infra-estrutura de telefonia
100% digital oferecida pela Intelig Telecom, oferecendo o mesmo número
de acesso em todas as cidades. Estamos muito felizes por fazer parte
deste projeto social inovador. Acreditamos que nosso produto de telefonia
local - o 4003 - irá colaborar bastante para o sucesso do serviço,
diz Wilton Serrate Jr, vice-presidente de negócios da Intelig
Telecom.
Para o empregador o SAE é gratuito
e as vagas podem ser inseridas pelo site www.brasilempregos.com.br.
A Empresa poderá inserir quantas vagas desejar e definir o tempo
que a vaga deverá ficar ativa no sistema.
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CONSULTOR JURÍDICO,
20 de junho de 2006
Trabalho de risco
Empresa é condenada a indenizar
funcionário acidentado
A CEB — Companhia Energética
de Brasília foi condenada a pagar R$ 40 mil de indenização
para um eletricista aposentado que sofreu uma descarga elétrica
durante o trabalho. A decisão é da 3ª Câmara
Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que
considerou que a empresa não investiu na segurança de
seus funcionários.
O eletricista também deverá
receber pensão mensal vitalícia no valor correspondente
à última remuneração que recebeu quando
estava em atividade, por danos materiais.
O acidente aconteceu há mais de
20 anos e deixou seqüelas no eletricista. Para os médicos,
a sobrecarga de energia elétrica causou problemas de metabolismo
na vítima. Além disso, o trabalhador sofreu lesões
na pele, diabetes, hipertensão arterial e uma úlcera na
perna direita. Meses depois, foi considerado inapto para o trabalho.
Os laudos periciais, feitos à
época do acidente, apresentaram resultados diferentes. Um deles
revelou que o acidente poderia ter sido evitado, caso a empresa pública
tivesse investido mais na segurança de seus trabalhadores.
Com base nos laudos, a 3ª Câmara
entendeu que houve culpa da empresa. O relatório de análise
de acidente de trabalho constatou que era possível evitar o acidente,
com o auxílio de um equipamento chamado isolador de disco.
"Se o documento mencionou a existência
da peça, significa que ela já existia à época
do acidente. Cumpria à ré propiciar um ambiente seguro
aos seus empregados. O acidente não ocorreria, caso houvesse
o dispositivo de segurança", concluíram os desembargadores.
Processo: 199.801.107.138-96
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CONSULTOR JURÍDICO,
20 de junho de 2006
Trabalho irregular
Contrato com município, sem concurso,
é nulo
Contrato de trabalho com município,
sem a prestação de concurso público e assinado
durante vigência da atual Constituição Federal,
é nulo. Nesse caso, é devido ao trabalhador somente salário
e recolhimento do Fundo de Garantia. A decisão é da 7ª
Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região
(Campinas, SP).
A trabalhadora entrou com reclamação
contra o município de Bananal, na Vara do Trabalho de Cruzeiro,
no interior paulista, pedindo todos os direitos trabalhistas, como registro
na carteira de trabalho, férias, 13º salário, aviso
prévio e recolhimento do FGTS. Em primeira instância, o
município foi condenado a quitar as verbas relativas ao FGTS
e salários.
Ambas as partes recorreram ao TRT de
Campinas. Segundo a prefeitura, a quitação do Fundo de
Garantia ficou comprovada. A funcionária, ao contrário,
alega que o município elabora contratos ilegais para depois pleitear
sua nulidade perante o Poder Judiciário, para se eximir de cumprir
as obrigações trabalhistas.
Para o Ministério Público
do Trabalho, em seu parecer, a trabalhadora deveria receber somente
os salários, já que o trabalho não pode ficar sem
remuneração, mas que o Fundo de Garantia seria indevido.
O relator, juiz Manuel Soares Ferreira
Carradita, decidiu que a sentença de primeira instância
deveria ser mantida integralmente. Segundo Carradita, a empregada entrou
no quadro de funcionários do município de Bananal sem
ser aprovada em concurso público, em total afronta à Constituição
Federal.
Fundamentando sua decisão
com base na súmula 363 do Tribunal Superior do Trabalho, o juiz
esclareceu que a funcionária tem direito a receber pelas horas
trabalhadas, bem como os valores relativos ao Fundo de Garantia. Mas
não tem direito aos outros direitos.
Processo: 00883-2004-040-15-00-7 RO
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
20 de junho de 2006
Declarar pobreza, sem provar, não
garante isenção, decide TRT-SP
Se o funcionário apenas menciona
ser pobre e não junta declaração própria
ou de advogado legalmente autorizado, deve pagar pelo custo da ação
trabalhista. Com este entendimento, os juízes da 3ª Turma
do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo), negaram
provimento a processo de ex-funcionário da Construtora Better
S/A, que alegando pobreza, pretendia acionar a empresa, sem pagar as
custas do processo.
Segundo a assessoria de imprensa do tribunal,
após ter seu pedido de recurso negado pela 48ª Vara do Trabalho
de São Paulo, que negou processamento ao seu pedido, um ex-funcionário
da Construtora Better S/A recorreu ao Tribunal, alegando que seu pedido
foi injustamente indeferido, e que, por não ter condições
de pagar as custas do processo, teria direito à isenção.
A juíza Eliane Aparecida da Silva
Pedroso, a quem o processo foi distribuido no Tribunal, esclareceu que,
assim como "o pagamento correto e tempestivo das custas é
um dos requisitos extrínsecos de admissibilidade do recurso ordinário",
(...) a concessão da assistência judiciária gratuita
obedece à norma própria inserida na CLT segundo a qual
o benefício é restrito às pessoas físicas
que perceberem até dois salários mínimos ou que
prestem declaração de pobreza, sob as penas da lei".
A juíza Eliane observou que em
nenhum momento a declaração de pobreza foi apresentada,
e que a procuração juntada não permitia ao advogado
representar o empregado nesta situação. "A simples
menção do estado de pobreza na petição inicial
é insuficiente porque não cumpre o comando legal, mormente
quando o instrumento de mandato sequer outorga poderes para tanto",
concluiu a juíza.
Por unanimidade, os Juízes da
3ª turma acompanharam o voto da relatora.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
20/06/2006
Decisão da SDI-1 esclarece aplicação
da Súmula 396 do TST
Uma vez extinto o período de estabilidade
a que tinha direito, o trabalhador demitido só faz jus ao pagamento
dos salários correspondentes ao período entre a data da
dispensa e o final do prazo da estabilidade, excluída a possibilidade
de reintegração. A Súmula nº 396, item I,
do TST, prevê a inviabilidade da reintegração. A
tese foi adotada pela ministra Maria Cristina Peduzzi (relatora) e integrantes
da Seção Especializada em Dissídios Individuais
– 1 (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho ao deferir embargos
em recurso de revista à Indústria de Bebidas Antarctica-Polar
S/A.
A questão examinada envolveu a
demissão sem justa causa de um empregado de filial da Antarctica
no Rio Grande do Sul, que estava a onze meses de completar o tempo de
serviço necessário à requisição da
aposentadoria. A dispensa foi determinada apesar da existência
de norma coletiva com cláusula de estabilidade, decorrente de
dissídio coletivo entre a empresa e o sindicato de empregados.
“O empregado que comprovadamente
estiver ao máximo de 36 meses para a aquisição
do direito à aposentadoria por tempo de serviço (30 anos
para homens e 25 anos para as mulheres), bem como por idade, terá
garantia de emprego ou de apenas salário até completar
o período aquisitivo da aposentadoria”, previu a norma
coletiva.
Diante da previsão, o trabalhador
obteve o reconhecimento do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª
Região (Rio Grande do Sul) do direito à reintegração
no emprego. “O objetivo é assegurar estabilidade ao empregado
que já implementou boa parte do tempo de serviço necessário
para obter aposentadoria, evitando, assim, a marginalização
dessa classe de trabalhadores que, quando despedidos, enfrentam grande
dificuldade para obtenção de um novo emprego em razão
de sua idade”, considerou o TRT-RS.
A decisão regional foi, inicialmente,
mantida pela Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho, que negou
recurso de revista à empresa. Nova análise sobre o tema
coube à SDI-1, que adequou o caso à previsão da
Súmula 396, I, do TST.
A relatora dos embargos observou que
a cláusula não garantiu ao trabalhador estabilidade até
a aposentadoria, mas até a aquisição do direito
à aposentadoria. “São duas hipóteses distintas”,
ressaltou Cristina Peduzzi. “No primeiro caso, tem-se o exercício
da aposentadoria; no segundo, o simples implemento dos requisitos para
se aposentar, quando, então, o empregado poderá exercer
seu direito”, acrescentou.
Sobre o caso, Cristina Peduzzi também
explicou que a reintegração não era necessária
para que o empregado alcançasse os requisitos para a concessão
da aposentadoria. “Ao mesmo tempo em que não se reintegra
o trabalhador, deve-se lhe garantir o direito de manutenção
do vínculo de emprego até o fim do período de estabilidade”,
afirmou a relatora.
“Assim sendo, mesmo não
trabalhando, seu contrato de trabalho, com seus salários respectivos,
é prorrogado, de forma que esse período deve ser utilizado
para fins de contagem de tempo de serviço para a aquisição
do direito à aposentadoria”, explicou Cristina Peduzzi.
A manutenção das decisões
regional e da Primeira Turma levaria, segundo a ministra, a um direito
além do previsto na cláusula do dissídio. “Estaria
determinando a reintegração, quando a própria norma
coletiva já estabelece a possibilidade de percepção
dos salários substitutivos durante o período de estabilidade,
isto é, até a data do aquisição das condições
para a aposentadoria”, concluiu. (RR 768437/2001.6)

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