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SÓ NOTÍCIAS / CUIABÁ,
21 de junho de 2006
Economia
Cuiabá: Donos de cerâmicas
analisam alternativas para produção de energia
Devido à escassez da palha de
arroz, material usado como combustível nas fornalhas das industrias
cerâmicas de Cuiabá, empresários da capital estiveram
em Sinop, há poucos dias, analisando a viabilidade de novas opções
para produção de energia, como o pó-de- serra,
que é largamente utilizado pelas empresas do município.
Uma equipe formada por empresários
da capital e representantes do Sindicato das Indústrias Cerâmicas
de Mato Grosso visitou algumas empresas de Sinop e também da
região para estudar seus métodos de produção.
Uma das empresas visitadas foi a que
Élso Hoffmamn gerência. “Eles nos compactaram e fizeram
uma visita. Analisaram fizeram perguntas e explicaram as dificuldades
enfrentadas por eles na capital pela falta da palha de arroz, que eles
usam como combustível para as fornalhas”.
Elso explicou que em Sinop nenhuma empresa
utiliza a palha de arroz como combustível e por isso a industria
não enfrenta dificuldades neste sentido. “A grande maioria
das empresas do ramo em Sinop e região utiliza ou pó de
serra ou a própria madeira como combustível para as fornalhas”,
disse.
As indústrias cerâmicas
de Cuiabá estão trabalhando com ociosidade em função
da pequena oferta de resíduos de palha de arroz. Com estoques
reduzidos muitas empresas tiveram que demitir pessoal.
Até agora, segundo levantamento
do Sindicato das Indústrias Cerâmicas de Mato Grosso, já
teriam sido demitidos 270 trabalhadores, de um total de 900 que trabalham
diretamente nas cerâmicas.
Algumas empresas já estão
comprando pó-de-serra de Sinop e Sorriso, que apesar de ser uma
alternativa cara, pelo fato do transporte do material até a capital
sair caro, foi a única alternativa encontrada pelas empresas
de Cuiabá.
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JORNAL VEJA AGORA / MARANHÃO,
21 de junho de 2006
Habitação
Liberado 28mi para construção
civil
Caixa assina convênio com Sindicato
para a construção de 1.024 casas
Em seis contratos assinados durante a
manhã de ontem, entre vice-presidentes da Caixa Econômica
Federal e o p,residente do Sindicato das Empresas da Construção
Civil no Maranhão, João Alberto Teixeira Mota, ficou acordada
a destinação de R$ 28.672.000,00 de reais em verbas para
a construção de 1.024 residências populares no Maranhão.
Os beneficiados deverão ter renda
de até quatro salários mínimos. Os conjuntos residenciais
construídos serão os condomínios Costa do Sauípe,
Murici I, Murici II, Rio Una, Rio Grajaú e Arcoverde, todos no
Bairro Turu e no Filipinho.
José Carlos Nunes, superintendente
regional da CEF no Maranhão, disse que aquele era um dia feliz
para os maranhenses, porque a assinatura não era apenas um convênio,
mas a realização de um sonho de mais de cinco mil e quinhentas
pessoas. Além disso, Carlos reafirmou a importância dos
convênios para a geração de empregos e para o desenvolvimento
do Estado.
Até o final do ano, a Caixa deverá
investir mais 100 milhões de reais no setor da construção
civil no Maranhão - o que representa 10% da adotação
anual de todo Brasil - através do PAR (Programa de Arrendamento
Residencial).
Fábio Lenza, vice-presidente da
Área de Negócios Bancários, que esteve em São
Luís especialmente para o evento, afirmou que o sucesso de vendas,
a inadimplência e a ociosidade quase zero dos projetos anteriores
motivam os investimentos no Maranhão. A ociosidade refere-se
ao período compreendido entre o momento da entrega das habitações
e a efetiva compra pelos futuros moradores - em São Luís,
os construtores geralmente conseguem vender os novos conjuntos habitacionais
em tempo recorde.
O vice-presidente também
agradeceu ao SINDUSCON pelo excelente trabalho de planejamento da demanda.
Até a data de hoje, desde o começo do ano, 50% a 60% dos
recursos destinados ao Maranhão já foram consumidos. Desde
janeiro, seis novos empreendimentos da construção civil,
viabilizados pela Caixa, foram entregues à população
de São Luís.
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GAZETA ONLINE / ES, 21 de
junho de 2006
Construção Civil: rodada
prevê R$ 2 milhões em negócios
O Sebrae/ES promove nestas terça
e quarta-feira, das 9h às 18h, no Centro de Convenções
de Vitória, a 2ª Rodada de Negócios da Construção
Civil. O objetivo principal da ação é criar um
ambiente favorável às micro e pequenas empresas do ramo,
facilitando o acesso ao mercado nacional. A perspectiva dos organizadores
é de que sejam fechados negócios em torno de R$ 2 milhões
durante o evento.
A rodada representa uma grande oportunidade
para os micro e pequenos empreendimentos capixabas venderem seus produtos
para grandes empresas do Brasil. Participam do encontro 107 empresas,
sendo 84 ofertantes capixabas das áreas da construção
civil, mármore e granito e madeireiras e 23 âncoras compradoras,
grandes construtoras estaduais e nacionais.
Novos participantes
Na edição anterior da rodada,
realizada no ano passado, foram negociados R$ 1,5 milhão, superando
em R$ 300 mil a expectativa inicial dos organizadores. Este ano, o número
de empresas ofertantes dobrou, e aumentou a participação
de grandes empresas compradoras, como Lorenge, Cittá Engenharia
e Sá Cavalcanti.
A II Rodada de Negócios da Construção
Civil é uma realização do Sebrae/ES junto com o
Sindicato das Indústrias de Rochas Ornamentais (Sindirochas),
o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sindicon)
e o Sindicato das Indústrias de Madeira e do Mobiliário
de Linhares (Sindimol).
Construção Civil no ES
O setor da Construção Civil
é um dos que mais emprega e se desenvolve no Espírito
Santo. As micro e pequenas empresas do Arranjo Produtivo Local (APL)
da Construção Civil da Região Metropolitana de
Vitória possuem faturamento médio anual de aproximadamente
R$1,4 bilhão, contabilizando em torno de 3,6 mil postos de trabalho.
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Agência Diap, 21 de
junho de 2006
Eleições 2006
Partidos definem candidatos à Presidência;
PT faz convenção no próximo sábado
Tucanos e pefelistas já homologaram a composição
que irá fazer frente à candidatura oficial – o ex-governador
de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), vai ter como companheiro
de chapa o senador pefelista José Jorge (PE). Tudo indica que
esta será a chapa que vai polarizar com a chapa encabeçada
por Lula.
O PDT também confirmou que vai
ter candidato próprio. Em convenção realizada nesta
segunda-feira, 19/06, o partido lançou o senador Cristovam Buarque
(DF). O PSol também já definiu sua chapa. Com apoio do
PSTU e do PCB, o partido sai com uma chapa “puro sangue”:
a senadora Heloísa Helena (AL) e o economista César Benjamin,
pela esquerda, irão polarizar com o Governo.
O PPS confirmou apoio informal, mas “firme
e decidido”, ao candidato tucano Geraldo Alckmin. A decisão
se deu em convenção realizada também nesta segunda-feira,
no Rio de Janeiro. O Partido Social Liberal (PSL) lançou o ex-depurado
federal Luciano Bivar a presidente da República. O PT vai confirmar
a candidatura à reeleição de Lula no próximo
sábado, em convenção nacional, em Brasília.
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Folha
de São Paulo, 21 de junho de 2006
ESCÂNDALO DO MENSALÃO/HORA DAS CONCLUSÕES
Oposição consegue aprovar
relatório da CPI dos Bingos
Texto foi aprovado por 12 votos a 2, depois que
governistas desistiram de derrubá-lo | Paulo Okamotto, que teve
indiciamento pedido pela comissão, afirma que vai recorrer à
Justiça contra o que chamou de "calúnias"
MARTA SALOMON, ADRIANO CEOLIN
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Depois de quase um ano de investigações,
a oposição derrotou o governo na CPI dos Bingos e aprovou
ontem o relatório final da comissão, que pede o indiciamento
de 83 pessoas físicas e jurídicas. Entre elas estão
Paulo Okamotto, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e presidente do Sebrae, e o ex-ministro Antonio Palocci. O texto foi
aprovado por 12 votos a 2. A oposição, porém, não
conseguiu incluir na relação, a ser encaminhada ao Ministério
Público, o chefe-de-gabinete de presidente Lula, Gilberto Carvalho,
e o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil).
A aprovação ocorreu depois
que os governistas perderam a maioria de votos de que dispunham havia
meses na CPI. Sem incriminar o presidente, o texto aprovado menciona
Luiz Inácio Lula da Silva em dois episódios -suposta doação
irregular de empresários de bingos para sua campanha e envolvimento
de assessores dele em cobrança de propina em prefeituras petistas.
As investigações da CPI
também avançaram sobre denúncias de corrupção
nas prefeituras petistas de Santo André e Ribeirão Preto
e no assassinato do prefeito Celso Daniel, em janeiro de 2002. Pelo
fato de abrir o leque das investigações, a comissão
chegou a ser chamada por Lula de "CPI do Fim do Mundo". O
relatório com os pedidos de indiciamento será enviado
ao Ministério Público.
O texto do relator Garibaldi Alves Filho
(PMDB-RN) foi aprovado com uma pequena mudança: à proposta
de legalização dos jogos de bingos serão reunidos
nove outros projetos apresentados no Senado, um deles que proíbe
a atividade. A oposição ainda tentou incluir na lista
de pedidos de indiciamento os nomes de Carvalho e de Dirceu. Eles teriam
supostamente participado do esquema de cobrança de propina e
da tentativa de atrapalhar a investigação do assassinato
do prefeito de Santo André.
Depois de admitir mudar seu parecer para
evitar que a CPI terminasse sem relatório final, Garibaldi Alves
Filho recusou o apelo da oposição. "Não tenho
motivo para agradar o presidente, mas não tenho como sugerir
o indiciamento. Isso não significa que esteja defendendo a inocência
do Gilberto Carvalho", explicou o senador.
A derrota
O governo reconheceu a derrota antes
mesmo que o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), começasse
a colher os votos dos colegas. Depois de anunciado o resultado, o senador
Tião Vianna (PT-AC) disse que, diante da derrota já iminente,
havia liberado os demais aliados do governo a aprovarem o relatório
final. A alternativa apoiada pelo governo, apresentada pelo senador
Magno Malta (PL-ES), autor do pedido de abertura da CPI dos Bingos,
não continha nenhum pedido de indiciamento e proibia os bingos.
Na virada de votos, Malta votou com o relator, assim como o senador
Eduardo Suplicy (PT-SP).
Com o governo, votaram apenas o coordenador
da bancada na CPI, Tião Vianna, e Ana Júlia Carepa (PT-PA).
A principal reação dos governistas ao resultado de ontem
deverá ser recorrer ao Supremo Tribunal Federal, com o argumento
de que a CPI não se limitou a investigar o envolvimento dos bingos
com o crime organizado, sinalizou o senador. "Qualquer um dos que
tiveram o indiciamento pedido irá apresentar defesa no Supremo
Tribunal Federal e irá derrubar", afirmou Tião Vianna,
após o anúncio do resultado. "O relatório
é frágil, talvez o mais frágil da história
do parlamento brasileiro porque rasgou o regimento e a Constituição."
Um dos que deverão recorrer ao
STF é Paulo Okamotto. Ele foi investigado pelo pagamento de uma
dívida de R$ 29,4 mil de Lula com o PT, caso revelado pela Folha.
Okamotto se responsabilizou pelo pagamento, mas não explicou
de onde tirou o dinheiro, que a oposição suspeita ter
vindo do caixa dois do partido. "Com o fim da CPI, vou poder me
defender na Justiça e comprovar minha verdade, contra as calúnias
e a luta política em que se transformou em vários momentos
essa CPI", reagiu ontem.
Jogos
O resultado da CPI abriu caminho
para a legalização das casas de bingos. O escândalo
Waldomiro Diniz (ex-assessor do Planalto flagrado cobrando propina de
empresário de jogos) abortou a operação para legalizar
a atividade no início do governo Lula. Mais de 1.500 bingos funcionam
atualmente com base em liminares. A proposta de Garibaldi Alves destina
19% do dinheiro arrecadado nos sorteios para a construção
de presídios e a compra de equipamentos para a polícia.
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Folha de São Paulo,
21 de junho de 2006
TRABALHO
Volks confirma a sindicato que pode demitir
até 6.000
KAREN CAMACHO
DA FOLHA ONLINE
A Volkswagen confirmou, em documento
entregue ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ontem, que pode
demitir de 4.000 a 6.000 funcionários até 2008. Desses,
3.000 podem ser dispensados até o final deste ano ou no início
de 2007. Segundo o documento divulgado pelo sindicato, as demissões
devem ser nas unidades Anchieta (ABC), Taubaté (SP) e São
José dos Pinhais (PR). No documento, a Volks cinco reuniões
para discutir a reestruturação com os sindicatos representantes
dos trabalhadores até o final de junho - a primeira amanhã.
Segundo o documento enviado aos sindicatos,
a redução do quadro de funcionários está
baseada na projeção de fatores macroeconômicos,
além de medidas administrativas. Com base nas primeiras projeções,
os primeiros cortes, neste ano e até o início de 2007,
envolveriam 1.800 da unidade Anchieta, 900 em São José
dos Pinhais e 300 de Taubaté.
A empresa também reforçou
que as demissões na fábrica da Anchieta apenas poderão
ocorrer a partir de 21 de novembro, quando termina o acordo de estabilidade
para aquela unidade. A empresa confirmou, em nota, que formalizou as
propostas ao sindicato, como havia sido solicitado, e propôs uma
agenda de reuniões para discutir reestruturação.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de junho de 2006 | Brasil
PREVIDÊNCIA-Governo estima em R$ 7 bilhões
o impacto de aumentos
Ministro recomenda veto a reajuste de
aposentados
Brasília – O ministro da Previdência Social, Nelson
Machado, avisou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva será orientado
a vetar o reajuste de 16,67% para os aposentados e pensionistas que
recebem mais de um salário mínimo, caso seja aprovado
pelo Senado. “É da minha responsabilidade que eu recomende
o veto. Por uma razão muito simples: não há dotação
orçamentária para esse incremento da despesa e isso estaria
em desacordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”, afirmou.
Machado entregou a Calheiros uma nota
técnica quantificando em R$ 7 bilhões o impacto na pasta
com o reajuste de 16,6%. A concessão de um reajuste superior
aos 5% acertados com associações de aposentados foi inserida
na Medida Provisória (MP) do Salário Mínimo por
emenda da Câmara.
O ministro alerta os senadores para o fato de que este custo adicional
de R$ 7 bilhões não está considerado na previsão
de déficit para este ano, que alcança R$ 43,2 bilhões.
De acordo com Machado, a entrega do estudo
ao Congresso tem como objetivo demonstrar a preocupação
do governo em relação ao impacto desse reajuste nas contas
da Previdência Social. Em abril, os aposentados e pensionistas
do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que ganham acima de um
salário mínimo tiveram um reajuste de 5%. “Nós
estamos praticando o reajuste de 5%, que foi definido após negociações
com lideranças dos aposentados e pensionistas”, comentou.
A Previdência Social paga
mensalmente cerca de 24 milhões de benefícios em todo
o país. Deste total, cerca de 8 milhões de beneficiários
recebem mais de um salário mínimo por mês.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de junho de 2006 | Mundo
PESQUISA-Brasil amplia concentração
de renda na região
Número de ricos cresce 9,7% na
América Latina
Madri – O número de ricos na América Latina aumentou
9,7% em 2005, a terceira maior taxa de crescimento regional, atrás
apenas das registradas por África e Oriente Médio, segundo
o Relatório sobre a Riqueza no Mundo publicado ontem pelas empresas
Merrill Lynch e Capgemini.
O relatório, em sua décima
edição, afirma que a escalada do preço do petróleo
foi um dos fatores que contribuíram para a acumulação
de riqueza na área. O número de pessoas físicas
com um patrimônio superior a US$ 1 milhão de dólares
– excluindo a primeira moradia e os investimentos tangíveis
– aumentou nos países latinos a um ritmo muito superior
à média mundial, de 6,5%.
Os multimilionários latino-americanos, cerca de 350 mil, controlavam
no fim do ano passado uma riqueza de US$ 4,2 trilhões, 11,8%
a mais que em 2004. O Brasil foi o país da América Latina
onde o número de multimilionários registrou o maior aumento,
de 11,3%, embora a valorização do petróleo tenha
beneficiado também o México e a Venezuela.
A alta no Brasil foi a décima
maior do mundo. No total, no fim de 2005 havia 8,7 milhões de
ricos no mundo, um número que aumentou 6,5% em relação
a 2004 e que praticamente dobrou em dez anos, já que em 1996
havia 4,5 milhões de multimilionários.
O volume de riqueza nas mãos dos
ricos cresceu no ano passado a um ritmo maior que o número de
pessoas que se incorporaram a esse seleto clube. Assim, as pessoas com
patrimônios elevados controlavam no fim de 2005 ativos financeiros
líquidos no valor de US$ 33,3 trilhões, 8,5% a mais que
em 2004.
O número de ultramilionários,
ou seja, pessoas com mais de US$ 30 milhões de patrimônio,
chegou a 85,4 mil no mundo todo, 10,2% a mais que em 2004. Segundo o
Relatório sobre a Riqueza no Mundo, os fatores que alimentaram
a geração de riqueza foram os fortes lucros registrados
nas bolsas de valores pelo terceiro ano consecutivo e o crescimento
do PIB mundial, onde um dos setores mais dinâmicos foi o imobiliário.
O relatório prevê que a
riqueza financeira controlada pelos ricos chegará a US$ 44,6
trilhões em 2010, com uma taxa anual de crescimento de 6%. A
maior parte (US$ 14,5 trilhões) estará nas mãos
de multimilionários da América do Norte, enquanto os europeus
controlarão US$ 11,2 trilhões, seguidos pelos asiáticos,
com US$ 10,6 trilhões, e pelos latino-americanos, com US$ 5,5
trilhões. No caso da América Latina, o número de
ricos aumentará a um ritmo anual de 5,9% até 2010, próximo
à média mundial.

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JORNAL GAZETA DO POVO, 21
de junho de 2006 | Mundo
MISÉRIA
Indianos alugam esposas
Mumbai – Os maridos indianos miseráveis estão alugando
suas esposas e vendendo suas filhas no país onde o número
de mulheres é inferior ao de homens, denunciou um jornal indiano.
Segundo o The Times of India, que citou autoridades policiais, ao alugar
sua esposa, mãe de dois filhos, ao patrão, um camponês
recebeu 8.000 rúpias (US$ 175 dólares ou R$ 402,5) por
mês.
As famílias pobres, ajudadas por
intermediários, vendem suas filhas para homens do estado de Gujarat
(oeste), um dos mais ricos do país, onde há mais homens
que mulheres. Segundo o jornal, os intermediários podem ganhar
até 200 mil rúpias em um mês ao esconder e vender
esposas a homens solteiros de Gujarat.
“Nós não podemos
agir contra esta atividade porque ninguém apresentou queixa”,
disse ao jornal o chefe-adjunto da polícia de Ankleshwar, no
sul do Estado, Naresh Muniya. Apesar de reconhecer que o problema existe,
o policial alegou que não tem provas.
O recenseamento de 2001 mostra
que em Gujarat há 921 mulheres para 1 mil homens. A Índia
conhece um problema sério de feticídio, decidido pelos
pais por temerem ter que pagar um importante dote para casar sua filha.
A prática do dote não se usa há mais de 20 anos,
mas ela continua corrente nestas sociedades dominadas pelo homem.
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JORNAL DO ESTADO, 21 de junho
de 2006
JOGANDO A TOALHA
Roberto Freire decide abandonar a política
Depois de 32 anos de vida pública, o presidente nacional do PPS,
deputado Roberto Freire (PE), anunciou que não irá mais
disputar cargos públicos. Desanimado com as denúncias
que abalam os poderes Legislativo e Executivo, Freire decidiu participar
das eleições deste ano apenas como coadjuvante. Vai tentar
ajudar Geraldo Alckmin (PSDB) na disputa presidencial.
Em 27 anos como parlamentar - foram cinco
mandatos consecutivos - Freire disse que não tem mais motivações
para disputar uma eleição. “Essa última legislação
foi muito constrangedora. Eu não estou mais com disposição
de disputar uma campanha. Vou atuar (na campanha de Alckmin) para não
permitir que se tenha no país o mensalão dois”,
desabafou. O deputado tentou ser candidato a presidente, mas o PPS resistiu
por causa da verticalização.
Segundo Freire, a seqüência
de uma série é sempre pior do que o original. “O
Brasil não pode ver a repetição do filme o Exterminador
do Futuro no ano que vem”, disse. O deputado também aponta
uma “deficiência grave na formação do Congresso”
como motivação para o seu desânimo. “Muitos
se elegeram para fazer negócios pessoais, escusos. Isso ficou
comprovado em vários aspectos”, considerou. “Meu
desânimo não é com a política. É um
certo constrangimento com alguns representantes. E não estamos
tendo capacidade para reagir”, complementou.
Mas as principais críticas
são para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Não é só responsabilizar o Congresso. Houve
uma infeliz coincidência nesta legislatura. O Congresso, que tem
várias deficiências. Não existe corrupção
de uma só parte”, ponderou.
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O ESTADO DO PARANÁ,
21 de junho de 2006
Repar vai fabricar combustível
biológico
Rosângela Oliveira
Foto: Lucimar do Carmo/O Estado
Presidente Lula veio ao Estado para conhecer o produto inédito
da Petrobras.
A Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), da Petrobras,
em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, é
uma das três unidades industriais do País que estará
testando uma nova tecnologia para a produção do H-Bio
(a produção de óleo diesel a partir da mistura
de óleo de soja ou de outros vegetais com petróleo). O
novo produto, que entrará em escala comercial no final deste
ano, deverá atingir 1% do diesel consumido no País, e
reduzir em 15% as importações do produto. Isso significa
uma economia de cerca de 250 milhões de litros anuais. A produção
do H-Bio terá um impacto de US$ 145 mil/ano na balança
de pagamentos.
A apresentação do novo produto foi feita ontem, na Repar,
com a presença do presidente do República, Luiz Inácio
Lula da Silva, apesar do H-Bio já estar sendo produzido desde
o início do ano na Refinaria de Gabriel Passos (Regap), em Minas
Gerais.
Em 2007, a produção também será estendida
para a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. Nas
três unidades serão investidos US$ 38 milhões. Em
2008, também iniciam a produção as refinarias paulistas
de Duque de Caxias (Reduc) e Paulínia (Replan), cujo investimento
deverá atingir outros US$ 23 milhões. Nesta fase a Petrobras
espera economizar US$ 240 milhões/ano, deixando de importar 25%
de diesel.
O H-Bio foi desenvolvido, há 18 meses, pelo Centro de Pesquisa
e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras, e surge como uma opção
diferenciada na área de combustíveis verdes renováveis
e alternativa para a atividade agroindustrial brasileira. O novo processo
irá utilizar óleo vegetal - a partir de grãos de
mamona, girassol, soja, dendê ou algodão - como insumo
para a obtenção de óleo diesel, por meio da hidrogenação
de uma mistura de óleos vegetal e mineral.
De acordo com o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli,
a nova tecnologia terá um alcance social muito grande, pois será
uma alternativa de escoamento de produção, principalmente
para pequenos agricultores. Em relação ao meio ambiente,
ele ressaltou que o H-Bio terá uma repercussão positiva,
tanto no processo industrial, que não gera resíduos, quanto
na redução de enxofre na atmosfera, já que será
um combustível com baixo teor de substância poluente.
Produção
Apesar da escala comercial do H-Bio estar prevista para dezembro, a
Petrobras espera fechar os primeiros contratos para a venda do produto
em setembro. O diretor da área de abastecimento da empresa, Paulo
Roberto da Costa, afirmou que a produção não exigirá
construção de novas plantas industriais. “Será
necessária apenas a implantação de infra-estrutura
de transporte e armazenamento dos óleos vegetais”, disse.
Ele afirmou ainda que o H-Bio não irá competir com o biodiesel,
sendo uma alternativa para redução de importação
de importação do diesel. “Nós teremos no
Brasil as duas rotas de tecnologia, do biodiesel e H-Bio. Isso será
melhor para a Petrobras e para o País, pois quanto mais produção
de origem vegetal, menor serão as importações”,
falou. Em relação ao preço, o H-Bio será
semelhante ao diesel.
Para o presidente Luiz Inácio Lula da Sila - que fez questão
de homenagear o pesquisador do Cenpes, Jeferson Roberto da Costa, um
dos responsáveis pelo desenvolvimento do H-Bio - o novo combustível
significa uma evolução muito grande da Petrobras, e que
poderá representar a sobrevivência de países da
América Latina e África. “É um programa pensado
não só para o Brasil, mas para países mais pobres.
Esperamos desenvolver parcerias com empresas estrangeiras, países
em desenvolvimento, e melhorar a vida do agricultor, que não
vai mais correr atrás do mercado internacional, pois terá
duas opções de venda do seu produto”, disse o presidente.
Lula descarta nacionalizar Petrobras
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
descartou ontem, em Araucária, na Região Metropolitana
de Curitiba, a possibilidade imediata de nacionalizar a Petrobras e
recomprar as ações (ADRs) colocadas na Bolsa de Valores
de Nova York. A proposta tinha sido feita pelo governador do Paraná,
Roberto Requião (PMDB), durante discurso em solenidade do início
de testes industriais do H-Bio, o novo óleo diesel produzido
a partir de mistura de óleo vegetal com petróleo, na Refinaria
Presidente Getúlio Vargas (Repar).
De acordo com Lula, o governador do Paraná apenas expressou uma
intenção. “Mas obviamente o governo não tem
essa prioridade”, acentuou. “Por enquanto, a prioridade
é fazer a Petrobras achar cada vez mais petróleo, achar
cada vez mais gás, produzir cada vez mais H-bio, comprar cada
vez mais biodiesel.”
Para ele, a estatal brasileira continua sendo uma “menina de ouro”.
Afinal, afirmou, saiu de um patrimônio líquido de US$ 14
bilhões para US$ 74 bilhões. “Está crescendo
a cada dia e estamos produzindo muita coisa dentro do Brasil. É
o que interessa neste momento”, afirmou. “Na hora em que
tiver de discutir outro processo, podemos pensar nisso”, disse
Lula em relação à proposta de Requião.
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GAZETA WEB.COM / MACEIÓ,
21 de junho de 2006
Acordos injetam R$ 150 milhões
em Alagoas
O Tribunal Regional do Trabalho em Alagoas
(TRT), da 19ª região, é hoje um dos seis mais eficientes
da Justiça trabalhista brasileira. A agilidade com que tem julgado
processos já fez chegar à economia alagoana cerca de R$
150 milhões nos últimos dois anos. Foram recursos pagos
aos trabalhadores alagoanos em precatórios e ações
contra empresas privadas.
Estes são alguns dos resultados
apresentados ontem pelo presidente daquele tribunal, juiz Pedro Inácio
da Silva, que deixa o cargo no dia 3 de julho próximo, encerrando
mandato de dois anos.
Penhora online foi ponto alto - Esses
investimentos fazem com que uma demanda judicial seja concluída
no prazo de três a quatro meses. Outra conquista é a penhora
on-line, que permite ao juiz, após a sentença, solicitar
ao Banco Central o seqüestro do valor do débito trabalhista
se o reclamado não efetuar o pagamento em 48 horas.
O juiz Pedro Inácio cita também
a realização de concurso público, que permitiu
a contratação de 78 novos funcionários e oito juízes
como conquistas de seu mandato e do trabalho de seus antecessores.
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MS NOTÍCIAS / MATO
GROSSO DO SUL, 21 de junho de 2006
MS: Indústria de alimentos já
demitiu mais de 10 mil no Estado
Preocupado com o desemprego de mais de
10 mil dos 25 mil operários da indústria de alimentação
e afins, só em Mato Grosso do Sul, e milhares em vários
outros Estados depois da crise da febre aftosa e da gripe aviária,
a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias
Alimentícias e Afins – CNTA, realiza na quinta-feira (22)
em Campo Grande, o I Congresso Nacional dos Trabalhadores do Setor de
Carnes, Frios e Derivados, com a presença de trabalhadores de
base e dirigentes sindicais de todo País.
O encontro será das 9h às
16h no Palácio Popular da Cultura e tem como objetivo discutir
a situação das pessoas que atuam nesses setores ainda
duramente afetados por forte crise. O reflexo mais recente em Mato Grosso
do Sul ocorreu esta semana em Ribas do Rio Pardo onde o frigorífico
Atlas deu férias coletivas para seus 390 funcionários
até avaliar que rumo deverá tomar nas próximas
semanas.
De acordo com o presidente da Federação
dos Trabalhadores nas Indústrias Alimentícias e Afins
de Mato Grosso do Sul – FTIAA/MS, Rinaldo Salmomão, esse
número de desempregados no Estado (10 mil) é real, baseado
em levantamentos feitos em todas as indústrias. Ele explicou
que “afins” implica também a produção
de ração, curtumes etc.
Durante esse I congresso que realizaremos
aqui, dirigentes sindicais de outros grandes centros, como São
Paulo, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e outros, também
apresentarão seus problemas. Segundo Rinaldo, o congresso buscará
também soluções para esses problemas e que serão
encaminhadas aos órgãos e autoridades competentes.
No encontro, os sindicalistas discutirão
também algumas reivindicações da categoria em todo
país, entre as elas: a participação nos lucros
e resultados das empresas; piso salarial nacional na proporção
do custo de vida; implantação de planos de cargos e salários
nas empresas com a participação dos sindicatos dos trabalhadores;
segurança e higiene no trabalho; fim da terceirização
e do banco de horas; redução da jornada de trabalho sem
redução de salário e a responsabilidade social
das empresas.
Ação
Quando surgiu o primeiro surto da aftosa
em Mato Grosso do Sul, no ano passado, a CNTA e outras entidades sindicais,
inclusive centrais sindicais e representantes do Ministério do
Trabalho promoveram uma reunião em Campo Grande para discutir
as conseqüências da aftosa e adotar providências no
sentido de evitar a demissão dos trabalhadores.
Depois disso, foram realizados encontros no Ministério do Desenvolvimento
e no Ministério do Trabalho com o objetivo de buscar soluções
para a crise que atinge o setor, sempre com o objetivo de preservar
o emprego dos trabalhadores.
Em uma dessas reuniões no Ministério
do Trabalho, chegaram a participar algumas empresas que estavam demitindo
ou colocando seus trabalhadores em regime de férias coletivas,
quando, mais uma vez, a CNTA, a Federação dos Trabalhadores
nas Indústrias de Alimentação de MS, entre outras
entidades, reiteraram seu posicionamento em defesa dos trabalhadores.
A CNTA, juntamente com outras entidades
laborais, também participou de audiência pública,
no Senado Federal, solicitada pelo senador Paulo Paim, com o objetivo
de discutir a crise da aftosa e suas conseqüências sobre
as empresas e os trabalhadores.
O 1o Congresso Nacional dos Trabalhadores
do Setor de Carnes, Frios e Derivados contará com a presença
de representantes de trabalhadores de todo país e estão
sendo convidados para o evento várias autoridades nacionais e
do Estado.
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PARAÍBA.COM, 21 de junho de 2006
Governo da PB negocia quase R$ 2 mi em
dívidas trabalhistas
A soma de dois acordos realizados pelo Juízo Auxiliar de Conciliação
de Precatórios do Tribunal Regional do Trabalho na semana passada
ultrapassou R$ 1,8 milhão. Os acordos, ainda dentro do Projeto
Conciliar, foram feitos pelas empresas Empasa e Interpa, empresas da
administração indireta do Governo do Estado.
As empresas tinham processos em tramitação em quase todas
as Varas do Trabalho do Estado desde 1991. Um ato do presidente do Tribunal
Regional do Trabalho, juiz Afrânio Melo, reuniu todos os processos
no Juízo Auxiliar, facilitando a negociação entre
o Governo e os servidores.
Só da Empasa foram conciliados pelo juiz André Wilson
Avellar de Aquino, 53 processos, que já estão sendo quitados
desde o último dia 12, quando foi paga a primeira parcela do
acordo. Segundo o diretor do Serviço de Expedição
e Acompanhamento de Precatórios, Fred Pedrosa, ainda este mês
será pago mais R$ 80 mil e as demais parcelas serão liberadas
a partir do dia 1º de agosto até o pagamento integral do
débito que é de R$ 1,6 milhão.
"Os valores estavam bloqueados pela Justiça Trabalhista
e foram liberados imediatamente após o acordo, em favor dos reclamantes",
revelou Fred Pedrosa. O diretor revelou ainda que o juiz André
Aquino deu um prazo de 180 dias para que a empresa quite o débito
junto ao INSS, cujo valor chega a R$ 200.000,00.
Os representantes jurídicos da Interpa fizeram acordo no valor
de R$ 548 mil referente a 12 processos com débitos vencidos e
não pagos. O valor será pago em parcelas a partir do dia
17 de novembro e a cada dia 17 dos meses subseqüentes em valores
atualizados. De acordo com Fred Pedrosa, no caso de inadimplência,
incidirá sobre a parcela vencida a multa equivalente a 20% do
valor da mesma.
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CONSULTOR
JURÍDICO, 21 de junho de 2006
Competência definida
Justiça do Trabalho não analisa
regime estatutário
A competência da Justiça
do Trabalho para reconhecer vínculo de emprego se limita ao período
em que o funcionário foi celetista. Assim, os efeitos de sentença
trabalhista determinando o pagamento de direitos decorrentes de vínculo
com o INSS não englobam o período em que o servidor da
autarquia foi regido pelo regime estatutário.
O entendimento é da 4ª Turma
do Tribunal Superior do Trabalho, ao acolher parcialmente Recurso de
Revista do INSS. O relator do recurso, ministro Ives Gandra Martins
Filho, fundamentou seu voto na Orientação Jurisprudencial
138 da SDI-1.
“Há nítida limitação
da competência material da Justiça do Trabalho pelo advento
do Regime Jurídico Único (RJU), em 1990, limitação
que deve ser observada ainda que se esteja em sede de execução
de sentença, como na presente hipótese”, afirmou
o ministro. Por unanimidade, a Turma excluiu da condenação
os efeitos da sentença relativos ao período posterior
à implantação do Regime Jurídico Único.
O INSS foi condenado a incluir uma médica
credenciada em seu Plano de Classificação de Cargos e
Empregos de Nível Médio e Superior e a pagar verbas trabalhistas
decorrentes do reconhecimento do vínculo de emprego.
Na execução da sentença,
o INSS recorreu, alegando que o enquadramento se deu no regime celetista
e que, com o RJU, todos os servidores públicos passaram ao regime
estatutário. Assim, não competiria à Justiça
do Trabalho determinar enquadramento como estatutária.
A reclamação trabalhista
foi ajuizada em 1992, junto ao juiz de Direito da comarca de São
Miguel (RN), já que à época não havia jurisdição
trabalhista no local. A médica prestava serviços para
o INSS desde 1984, mediante contrato de credenciamento, realizando perícia
médica em pacientes encaminhados pela autarquia.
O juiz julgou o pedido de reconhecimento
de vínculo procedente. A reclamação foi julgada
antes da mudança do regime jurídico e a médica
foi enquadrada como celetista. A decisão foi mantida pelo Tribunal
Regional do Trabalho da 21ª Região (RN) e pelo TST, no julgamento
de recursos interpostos pelo INSS.
O processo retornou à primeira
instância — agora na Vara do Trabalho de Pau dos Ferros
(RN) — para os cálculos e a execução. O INSS
recorreu novamente para limitar a sentença em função
da competência da Justiça do Trabalho. No julgamento deste
novo recurso, o TRT-RN entendeu que o vínculo de emprego foi
reconhecido antes da mudança de regime jurídico, sendo
a médica, portanto, celetista.
A 4ª Turma reformou o acórdão:
“A decisão colide com o disposto no artigo 114 da Constituição
Federal, que, mesmo após a ampliação dada pela
Emenda Constitucional 45/04, não engloba o regime estatutário
como categoria de competência da Justiça do Trabalho”,
observou o ministro Ives Gandra Filho.
“Portanto, ante a instauração
de novo regime jurídico, qual seja, o estatutário, cuja
apreciação a Justiça do Trabalho não detém
competência, os efeitos da sentença por ela proferida que
adentrem tal regime devem ser limitados, por óbvia inexistência
de poder para dizer o direito a partir daí”, concluiu.
RR-660/2004-921-21-00.2
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de junho de 2006
Títulos em discussão
STJ decide se debêntures podem ou
não serem penhoradas
O Superior Tribunal de Justiça
vai julgar se debêntures podem ou não ser penhoradas. Debêntures
são títulos emitidos pelas empresas com prazo certo e
remuneração certa, que têm como garantia os ativos
das empresas.
A questão já passou pelas
mãos dos ministros da 1ª Turma do STJ, que entenderam que
esse tipo de título de crédito pode, sim, ser penhorado.
Mas o estado do Rio Grande do Sul recorreu da decisão da 1ª
Turma ao próprio STJ, apresentando Embargos de Divergência.
A defesa do estado quer que a decisão seja revertida. Para isso,
defende que a conclusão dos ministros diverge de outras tomadas
pelo tribunal.
A questão foi discutida em Recurso
Especial apresentado pelo Rio Grande do Sul contra decisão da
Justiça gaúcha. Na ação, o estado buscava
rejeitar a nomeação à penhora de títulos
sem cotação em bolsa. O Tribunal de Justiça estadual
concluiu que as debêntures são títulos de crédito
causais que representam frações de valor do contrato de
mútuo, por isso servem para garantir a execução.
O governo gaúcho argumentou haver
"total descompasso com a realidade do valor atribuído aos
'títulos’ pelo executado" e "absoluta iliquidez
e certeza sobre a existência dos mesmos", uma vez que a debênture
não possui cotação em bolsa de valores.
A 1ª Turma do STJ não acolheu
as alegações do governo. O relator, ministro Teori Albino
Zavascki, explicou que a debênture, título executivo extrajudicial,
é emitida por sociedades por meio de ações, sendo
título representativo de fração de mútuo
tomado pela companhia emitente.
"A debênture confere aos seus
titulares um direito de crédito (Lei 6.404/76, artigo 52), ao
qual se agrega garantia real sobre determinado bem e/ou garantia flutuante
assegurando privilégio geral sobre todo o ativo da devedora (artigo
58). É, igualmente, título mobiliário apto a ser
negociado em Bolsa de Valores ou no mercado de balcão, nos termos
da legislação específica (Lei 6.385/76, artigo
2º)", esclareceu o ministro.
"Embora não possuam cotação
em bolsa e, portanto, não se encontrem no elenco do inciso II
do artigo 11 da referida lei, são títulos representativos
de um crédito e, em virtude disso, perfeitamente penhoráveis,
por se enquadrarem no inciso VIII do dispositivo (‘direitos e
ações’)".
O Código Processual Civil prevê
que, havendo cotação em bolsa, as debêntures são
bens penhoráveis com a gradação do artigo 655,
inciso IV ("títulos de crédito, que tenham cotação
em bolsa"). Caso contrário, são penhoráveis
como créditos, na gradação do inciso X ("direitos
e ações"), promovendo-se a penhora nos termos do
artigo 672 do CPC.
Eresp 796.116
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CONSULTOR JURÍDICO,
21 de junho de 2006
Vingança da Cinderela
Banco é condenado por deixar funcionária
no porão
por Priscyla Costa
Deixar empregada trabalhando no porão
da empresa sem condições adequadas de higiene e submetê-la
a apelidos jocosos ofende a dignidade e personalidade, configurando
assédio moral. O entendimento é da 4ª Turma do Tribunal
Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo), que
condenou o banco Bradesco a pagar R$ 60 mil de indenização
por danos morais para uma ex-empregada. Cabe recurso.
Segundo os autos, a bancária trabalhou
dentro do porão de uma das agências do Bradesco por quase
um ano, num ambiente sujo, mal iluminado e isolado. No local, tinha
de organizar os documentos de toda a instituição e acabou
apelidada pela gerência de ratazana, gata borralheira e Cinderela.
De acordo com o processo, não
havia mesa ou cadeira para o trabalho, o que a obrigava a sentar no
chão. Por conta do isolamento, a autora da ação
era desprezada pelos colegas. Os advogados da bancária também
sustentaram que como não havia relógio no local, ela perdia
a noção do tempo e tinha de ser chamada pelos demais funcionários
para almoçar ou ir embora.
Depois da demissão, a bancária
entrou com ação de indenização por danos
morais. A 4ª Vara do Trabalho de São Paulo acolheu o pedido
e o banco recorreu ao TRT paulista. A intenção foi diminuir
o valor da reparação, mas não obteve sucesso.
“O tratamento desumano e contínuo,
imposto pela empresa durante cerca de meio ano, sob a forma de discriminação
e isolamento, configurando assédio moral, ofendeu a dignidade
e personalidade da empregada, ocasionando-lhe intenso sofrimento”,
reconheceu a relatora do recurso, juíza Vilma Mazzei Capatto.
“Tanto assim que freqüentemente era vista chorando, conduzindo-a
a desgostos pessoais”, afirmou a juíza.

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