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JORNAL O GLOBO, 23 de junho de 2006 | Economia
Trabalhadores são vítimas
do golpe de emprego na construção civil
SP TV
SÃO PAULO - Com uma proposta de
trabalho atraente, homens da cidade de Sátiro Dias, na Bahia,
vieram para São Paulo para trabalhar na construção
civil. Em vez de achar trabalho, eles passam fome e vivem em um alojamento
em condições precárias. Eles foram vítimas
do golpe de emprego na construção civil. A proposta inicial
de trabalho dizia que eles seriam ajudantes na construção
de um shopping center no Tatuapé, zona leste da capital, que
teriam lugar para morar e carteira assinada. Em vez disso, eles foram
abandonados em um alojamento da região e passam fome.
No alojamento precário, moram
agora 10 pessoas. Mas o local já chegou a abrigar 42 homens.
Eles receberam algumas cestas básicas que acabaram no final da
semana passada. Desde domingo, sobrevivem com doações
da igreja. Quando chegaram à cidade, eles entregaram as carteiras
profissionais para construtora e não receberam os documentos
de volta.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores
da Construção Civil, que vistoriou o alojamento nesta
quarta-feira, as más condições de higiene do local
são impressionantes. Porém, segundo o sindicato, casos
como este são freqüentes.
- Eles buscam, no nordeste, gente simples
e desatualizada, que não sabe os seus direitos - afirma José
Pedro dos Santos, diretor do sindicato.
O encarregado da construtora, Gerson
Gomes, concorda que o local precisa de melhorias. Policiais que investigam
crimes contra trabalhadores chamaram um dos donos da construtora para
prestar esclarecimentos. Os 10 trabalhadores agora só querem
voltar para casa.
A empresa será indiciada
por cinco crimes, entre eles, falta de registro em carteira e retenção
de documentos. O sindicato informa que 500 mil pessoas trabalham na
construção civil em São Paulo e que menos da metade
tem carteira assinada.
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Agência Diap, 23 de
junho de 2006
Os equívocos do voto nulo
Autor (a): Antônio Augusto de Queiroz
O clima de indignação de
parcela importante do eleitorado nacional poderá levar pessoas
sérias e bem intencionadas a cometerem equívocos de graves
conseqüências, como o de votar nulo. O pressuposto para votar
nulo, inteiramente falso, é de que se 50% mais um dos eleitores
anularem seus votos, o pleito também será nulo, devendo
a Justiça Eleitoral convocar nova eleição no prazo
de 20 a 40 dias.
Nada mais falso. Os votos válidos,
considerados para eleger presidente, governador, prefeito, vereador,
senador e deputado, excluem os brancos e nulos. Logo, o voto nulo não
altera absolutamente nada para efeito de eleger e diplomar os eleitos,
pelos simples fato de que não será considerado.
As expressões “se a nulidade
atingir mais de metade dos votos”, invocada como condição
para anular uma eleição, não se referem aos votos
anulados no ato de votar, mas aos votos obtidos de forma fraudulenta
ou viciada. Exemplo: se um candidato, contrariando a lei, doar, oferecer,
prometer ou entregar ao eleitor, em troca do voto, bem ou vantagem pessoal
de qualquer natureza, poderá ter seu registro cassado e todos
os seus votos anulados.
A eleição só será
anulada, portanto, se mais de 50% dos votos forem obtidos por candidatos
de forma fraudulenta ou viciada, o que, convenhamos, é muito
pouco provável. Logo, votar nulo, antes de ser uma atitude de
protesto, se constitui em omissão e também em alienação
política. O voto nulo, portanto, não é a solução.
Além de um desserviço à democracia e à sociedade,
é um ato inócuo como protesto político, mas que
poderá ter conseqüências graves para a população,
especialmente para a maioria pobre, menos organizada ou pouco informada
sobre o papel dos titulares de mandatos nos poderes Legislativo e Executivo.
Em lugar do voto nulo ou branco, recomenda-se
o voto consciente. Pode-se votar em novos candidatos ou nos atuais,
e entre os atuais há muita gente séria e decente. Entretanto,
qualquer que seja a decisão, o eleitor deve sempre buscar conhecer
os candidatos, suas idéias, sua trajetória política,
seu compromisso com valores como democracia, ética, moral e,
principalmente, com os interesses da maioria do povo.
Os meios para fazer uma escolha
consciente são muitos e vão desde os sistema de busca
na internet, passam pela consulta a organizações da sociedade
civil até a leitura de periódicos, como jornais e revistas.
Vivemos numa democracia representativa e devemos conhecer muito bem
as pessoas nas quais pretendemos votar ou a quem vamos dar uma procuração
para nos representar, inclusive para cobrar atitudes, comportamentos
e votos. Antônio Augusto de Queiroz
é jornalista, analista político e Diretor de Documentação
do DIAP – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.
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Folha
de São Paulo, 23 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Sem PSB, Lula terá Alencar novamente
como seu vice
Petista define nome para não "expor"
empresário, que reclamou de indefinição ontem | Em
encontro com Eduardo Campos e Ciro Gomes, presidente foi informado de
que socialistas não podiam fazer aliança formal com PT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
DA ENVIADA ESPECIAL A BRASÍLIA
Ao se reunir com a cúpula do PSB
e ouvir que seria difícil uma aliança formal com o PT,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem a ministros
e aliados que não poderia "expor mais" o vice-presidente
José Alencar (PRB) e que repetiria a dobradinha de 2002. Em jantar
à noite, Lula fez o convite, e Alencar aceitou. A chapa será
anunciada amanhã na convenção do PT, em Brasília.
De manhã, Alencar dinamitou o
clima do encontro de Lula com os aliados. Antes da reunião, demonstrou
sua contrariedade em conversa com auxiliares de Lula e chegou a chorar.
E deu uma entrevista logo em seguida, num tom de desabafo: "Nunca
falei que ficasse desconfortável, mesmo porque eu, quando fui
candidato a vice, os quatro principais candidatos à Presidência
[Lula, Serra, Ciro e Garotinho] me convidaram, com muita honra, isso
em 2001 e 2002. Eu, por exemplo, provavelmente não tenha feito
por merecer um novo convite. Naquele tempo eles gostavam de mim, eu
era senador. Então agora eu não recebi convite de nenhum
candidato", afirmou.
"Não existe candidatura a
vice. O vice é objeto de um convite e de uma aceitação",
disse. Questionado se foi convidado, Alencar respondeu: "Não".
A seguir, começou responder de bate-pronto às perguntas.
Espera ser convidado: "Não". Quer ser convidado: "Não".
Se for convidado, aceita: "Isso é conjectura. Eu não
posso raciocinar por hipótese". Em seu desabafo, Alencar
ainda misturou religião com seu futuro político. "Eu
sei rezar uma oração que está no sermão
da montanha, que é o "Pai-Nosso". E tem um trecho que
diz assim: "Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no
céu". Isso significa que, em qualquer circunstância,
seja feita a vontade de Deus. E provavelmente Deus esteja me protegendo."
Tempo de TV
Lula pressionou a cúpula do PSB,
em reunião ontem, a formalizar a aliança com o PT a fim
de aumentar o seu tempo de TV no horário eleitoral gratuito.
Com os socialistas, teria cerca de oito minutos na TV. Agora, precisará
confirmar a aliança com o PC do B e o PRB de Alencar para alcançar
aproximadamente seis minutos. Como combinado na semana passada, o presidente
se reuniu ontem com o presidente do partido, deputado Eduardo Campos
(PE), e com os ex-ministros Ciro Gomes e Roberto Amaral, além
do presidente do PT, Ricardo Berzoini, e do ministro Tarso Genro (Relações
Institucionais). Depois, todos assistiram juntos ao jogo do Brasil contra
o Japão no Palácio da Alvorada.
Na reunião no Planalto, o presidente
ouviu dos dirigentes do PSB e do PT que as dificuldades nos Estados
não haviam sido solucionadas e que o partido correria o risco
de não cumprir a cláusula de barreira (votação
mínima exigida para que os partidos mantenham a representação
formal na Câmara em 2007, acesso ao fundo partidário e
maior tempo de TV).
"Aliança informal"
"O caminho hoje seria a aliança
informal", afirmou ontem Eduardo Campos. O presidente da sigla
completou: "O PSB não tem neste momento como finalizar sua
decisão". Campos disse que a busca pela vaga de vice e por
uma aliança formal com o PT poderia rachar o partido. "Não
queremos isso", disse. O presidente foi informado por auxiliares
que a situação de Alencar era constrangedora e que seria
preciso decidir logo a vaga de vice, sob risco de não contar
nem com ele.
No encontro, Lula disse a Campos
e a Ciro, ambos cotados para a vaga de vice, que considerava o primeiro
"quase um filho" e o segundo "um irmão".
No entanto, diante da impossibilidade de coligação formal
e do temor de afastar Alencar da campanha, afirmou que o vice o apoiou
quando o mercado o via com descrédito e insegurança. Empresário,
Alencar ajudou a Lula em 2002 a atrair apoios do setor produtivo. O
PSB cogita cancelar sua convenção nacional marcada para
o dia 28. A idéia é que os principais dirigentes da legenda
compareçam à convenção do PT amanhã
em Brasília, expliquem a opção do partido pelo
apoio informal e façam uma manifestação pró-Lula.
O próprio Berzoini, ontem à noite, comunicou aos dirigentes
do partido que a decisão estava tomada. (KENNEDY
ALENCAR, MALU DELGADO, PEDRO DIAS LEITE, EDUARDO SCOLESE E LETÍCIA
SANDER)
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Folha
de São Paulo, 23 de junho de 2006
Renda do trabalhador tem alta de 7,7%
Reajuste do salário mínimo, inflação
em queda e aumento das contratações com carteira assinada
explicam melhora |
Desemprego contrariou expectativas e cedeu pouco; para o IBGE, mercado
de trabalho ainda está em "compasso de espera"
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
A renda média real do trabalhador
cresceu 1,3% em maio na comparação com abril e 7,7% em
relação ao mesmo mês no ano passado -a maior alta
da série histórica da nova Pesquisa Mensal de Emprego
do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), iniciada
em março de 2003. Reajuste real do salário mínimo,
inflação em queda e aumento das contratações
com carteira assinada garantiram mais dinheiro no bolso do trabalhador.
Na comparação mensal, a renda subiu pelo quarto mês
consecutivo. Com aumento de R$ 13,57 de abril para maio e de R$ 60,18
em relação a maio de 2005, o rendimento médio bateu
em R$ 1.027,80.
Ainda que a renda e a formalidade tenham
aumentado em maio, nem todos os indicadores foram positivos: a taxa
de desemprego caiu apenas 0,2 ponto percentual (variação
estatisticamente estável para o IBGE). Passou de 10,4% em abril
para 10,2% em maio. Segundo o diretor do Instituto de Economia da UFRJ,
João Sabóia, o reajuste real de 12% do salário
mínimo teve um "impacto generalizado" no mercado de
trabalho, atingindo mesmo aqueles que recebem mais do que o piso de
referência ou estão na informalidade.
A inflação, avalia, não
teve efeito, já que está controlada há vários
meses. Marcelo de Ávila, economista do Ipea (Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada), e Cimar Azeredo Pereira, gerente da pesquisa
do IBGE, discordam. Dizem que o menor custo de vida também contribuiu
para a recuperação da renda. Em abril, a inflação
na seis áreas pesquisadas foi de 0,17%. Para Sabóia, a
tendência é a de que a renda continue em expansão
em razão das eleições e de medidas como a intenção
de reajustar o salário dos funcionários públicos.
"Há o interesse do governo em botar renda na mão
das pessoas neste ano."
Poucas contratações
Contrariando as expectativas de redução,
a taxa de desemprego igualou o patamar registrado em maio de 2005. "Esperávamos
uma queda da taxa de desocupação, que não aconteceu.
Isso mostra que o mercado de trabalho está em compasso de espera.
Os empresários não vêem ainda estímulo na
conjuntura econômica para contratar", disse Azeredo Pereira,
do IBGE. De acordo com Azeredo, a queda dos juros e os maiores gastos
do governo em ano eleitoral ainda não se refletiram no mercado
de trabalho, que mostra por enquanto apenas uma "tímida
recuperação", tendência sinalizada pelo avanço
(tido como estatisticamente estável) da ocupação.
O número de pessoas empregadas
nas seis regiões metropolitanas pesquisadas (São Paulo,
Rio, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Salvador) cresceu 0,6%,
com acréscimo de 113 mil pessoas de abril para maio. Foi o primeiro
dado positivo desde dezembro de 2005. Na comparação com
maio do ano passado, a expansão da população ocupada
foi de 0,8% -ou 151 mil pessoas a mais. Na avaliação de
Marcelo de Ávila, do Ipea, há um ganho de produtividade
na economia, com aumento das horas trabalhadas na produção
de bens e serviços, o que impede um avanço mais significativo
do emprego. O "compasso de espera" dos empresários
está relacionado, segundo ele, com o câmbio valorizado,
que reduz a rentabilidade de vários setores.
Pelos cálculos do Ipea, será
necessária a abertura de 190 mil postos de trabalho em junho
para que a taxa de desemprego fique abaixo da registrada em junho de
2005 -9,4%. João Sabóia, da UFRJ, diz que, ainda que estatisticamente
estável, o recuo de 0,2 ponto na taxa de desemprego de abril
para maio já indica uma tendência de declínio do
desemprego, que deve se acelerar a partir deste mês e cair continuamente
até o final do ano.
Formalidade
Mais uma vez, as contratações
com carteira superaram as formas informais de inserção
no mercado de trabalho, contribuindo também para o aumento da
renda do trabalhador. Isso porque o rendimento dos formais é
mais alto. O emprego com carteira cresceu 0,4% em comparação
com abril e 3,8% na comparação com maio. Já o sem-carteira
subiu 0,1% de abril para maio e cedeu 6,8% ante maio de 2005. No caso
do trabalho por conta própria, houve alta de 1,9% na comparação
com abril e de 1% ante maio de 2005.
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Folha de São Paulo,
23 de junho de 2006
Trabalhadores não apresentam plano
ao BNDES
DA SUCURSAL DO RIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, DO RIO
O TGV (Trabalhadores do Grupo Varig)
não entregou ontem o plano de negócios atualizado da Varig
ao BNDES. Após encontro com técnicos do banco na última
terça, os trabalhadores tinham se comprometido a entregar uma
proposta formal, com o nome dos investidores e os dados operacionais
mais recentes da Varig. Os trabalhadores pretendiam pedir US$ 150 milhões
para regularizar o fluxo de caixa da Varig e recursos para recompor
a frota. Segundo a assessoria do TGV, o pedido ficou irrelevante diante
das dificuldades para obter o necessário para pagar a primeira
parcela da Varig Operações, de US$ 75 milhões,
previsto para hoje.
A Justiça homologou a proposta
de compra apresentada pelo TGV na última segunda. Os funcionários
só se tornarão donos se conseguirem efetuar parte do pagamento
hoje. Em manifestação na porta da Varig, na quarta, eles
não pouparam críticas ao BNDES. Em petição
entregue à Justiça, o TGV informou que um dos dos consorciados
com a NV Participações, empresa dos funcionários,
ofereceu como garantias papéis de renda fixa emitidos por bancos
estrangeiros e custodiados em banco situado no exterior. Os trabalhadores
afirmam que a insegurança jurídica afugentou investidores,
mas que ainda negocia. (JANAINA LAGE E
ITALO NOGUEIRA)
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JORNAL GAZETA DO POVO, 23
de junho de 2006 | Brasil
PREVIDÊNCIA
INSS corta aposentadorias acima
de R$ 24,5 mil
Nenhum aposentado ou pensionista do Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) continuará a receber, mensalmente, benefício acima
do teto constitucional de R$ 24,5 mil, equivalente ao vencimento dos
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente o INSS paga
24 benefícios com valor acima do teto. Os valores recebidos a
mais, a partir de 1.º de janeiro de 2004, deverão ser devolvidos
aos cofres do instituto.
R$ 272 mil é a economia
que o INSS fará com a revisão dos valores das aposentadorias
acima do teto previsto para o funcionalismo.
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FOLHA DE LONDRINA, 23 de junho
de 2006
Reflorestamento atrai empresas para Telêmaco
Programa de fomento implantado pela Klabin desperta
o interesse de empresários dos setores madeireiro e moveleiro;
também é alternativa para agricultores
Fotos: Karina Yamada
Armando Giacomet, diretor da Indústria Brasileira de Molduras:
disponibilidade de matéria-prima foi fundamental para fábrica
instalar-se no município
A madeira manejada de pinus e eucalipto tem atraído empresas
da áreas madeireira e moveleira para Telêmaco Borba, município
a 128 km ao norte de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais.
O pólo industrial criado oficialmente em 1993 conta atualmente
com cerca de 35 empresas, que juntas oferecem cerca de 3,5 mil empregos.
O crescimento econômico de Telêmaco
Borba tem ligação direta com o programa de fomento florestal
implantado pela Klabin Monte Alegre, fabricante de papel e celulose,
instalada no município. A principal proposta da companhia é
lançar as sementes do futuro. Para isso apóia-se em ações
de sustentabilidade, como o programa de fomento florestal, que já
proporcionou a formação de 40 mil hectares de áreas
reflorestadas na região.
O projeto tem por objetivo gerar o equilíbrio
do meio ambiente e incentivar produtores rurais a plantar florestas,
visando o abastecimento próprio da empresa para que não
sejam cortadas árvores nativas para a produção
de celulose ou madeira bem como a comercialização para
empresas madeireiras e moveleiras. ''Isso serve para o desenvolvimento
da comunidade. A idéia de plantar florestas torna-se uma possibilidade
do produtor, que diversifica sua renda e ainda ajuda a natureza'', destaca
Paulo Vicente Ângelo, assistente técnico do Programa de
Fomento Florestal da Klabin.
Segundo ele, o manejo florestal realizado
pela Klabin, e também pelos fomentados, em forma de mosaico,
mesclando florestas plantadas e extensas áreas de matas nativas
preservadas, permite a existência de uma rica biodiversidade em
suas florestas. Por sinal, ponto fundamental para que a empresa fosse
certificada pelo Forest Stewardship Council (FSC), um dos importantes
diferenciais da empresa, o qual atesta que a produção
ocorre respeitando todos os aspectos econômicos, sociais e ambientais.
Dentro dessa proposta de desenvolvimento
da comunidade, as florestas da região de Telêmaco têm
atraído diversas indústrias. Uma delas é a Indústria
Brasileira de Molduras, que instalou-se no município há
dois anos. Segundo o diretor administrativo, Armando Giacomet, a implantação
da empresa foi possível por causa de uma parceria com a Klabin
Monte Alegre e também pela facilidade em aproveitar as florestas
da região. ''Só faz sentido a implantação
de um projeto desses porque existe disponibilidade de matéria-prima'',
reforçou Giacomet.
A fábrica de molduras emprega
quase 1 mil funcionários diretos e utiliza aproximadamente 40
mil toneladas de madeira por mês. Praticamente 100% da produção
vai para o mercado externo.
Erika Zanon
Reportagem Local
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FOLHA DE LONDRINA, 23 de junho
de 2006
Viveiro garante produção
de mudas

No local são produzidos 23 milhões de mudas ao ano
Mãos delicadas e anônimas podam com perfeição
as matrizes (mudas) plantadas no jardim clonal. Cada uma das miniestacas,
resultado da poda, é novamente plantada e preparada para ir ao
campo. De lá, anos depois, torna-se a matéria-prima para
a produção de papéis e móveis, além
de servir para o equilíbrio do meio ambiente.
Assim é o processo no viveiro
mantido pela Klabin, em Telêmaco Borba. No local são produzidos
22 milhões de mudas por ano. A missão desse viveiro, informa
o coordenador da área de produção de mudas da Klabin,
Dilur Araújo, é disponibilizar as plantas às áreas
próprias da Klabin e também aos fomentados. ''Nesse viveiro
dá para produzir tanto mudas por clonagem como por semente'',
destaca.
No jardim clonal, por exemplo, estão
plantadas 170 mil matrizes, que geram em torno de seis brotos por mês,
durante dois anos. Depois de serem retirados os brotos, eles são
tratados, passam por um processo de irrigação em estufa
e depois são levados para o campo. Já as mudas por semente
ficam um período na casa de germinação em estufa
e só depois desse processo estarão preparadas para serem
encaminhadas ao reflorestamento.
De acordo com Araújo, todo o substrato
utilizado para adubar as mudas, no período de fertilização,
é elaborado a partir da casca do pinus. ''É um produto
natural, que não provoca contaminação nenhuma à
planta que está crescendo'', enfatiza. O pinus leva em média
seis meses para ficar pronto, já o eucalipto pode ser ser levado
ao campo em 90 dias. (E.Z.)
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FOLHA DE LONDRINA, 23 de junho
de 2006
Produtores investem no plantio
Dentro da proposta de fomento, a Klabin assume a condição
de avalista de operações de crédito para produtores
credenciados e interessados no plantio de floresta nos Estados do Paraná
e Santa Catarina. O fomento, segundo o assistente técnico do
programa da empresa, Paulo Ângelo, acontece de diversas formas
e atende pequenos, médios e grandes produtores. No Paraná,
num raio de 100 quilômetros em volta da companhia, já existem
perto de 5,7 mil produtores de florestas.
Como incentivo, para o pequeno produtor,
a Klabin doa mudas de pinus ou eucalipto - que são produzidas
no viveiro da empresa. Também oferece assistência técnica,
por intermédio de profissionais da Empresa de Assistência
Técnica e Extensão Rural (Emater), por exemplo. Em contrapartida,
os produtores comprometem-se a vender as madeiras reflorestadas para
a Klabin. Já os médios e grandes produtores podem também
ganhar essas mudas e revendê-las posteriormente para a empresa,
ou comprar as plantas da Klabin e comercializá-las para outras
empresas.
''Plantei as primeiras mudas há
12 anos, quando recebi em doação alguns exemplares. Plantei
sem interesse e depois, ao cortar as primeiras madeiras, percebi que
a atividade podia dar certo'', diz o produtor Antônio Raizer de
Oliveira. As primeiras madeiras podem ser cortadas após seis
anos e chegam a render R$ 7 mil por hectare. Como o investimento é
pequeno, já que a terra precisa de um preparo mínimo para
receber as mudas e o risco de perdas é quase nulo, o reflorestamento
tem sido uma alternativa para agricultores que querem fugir da crise
do campo.
Atualmente, com uma propriedade de 32
alqueires, Oliveira destina 27 deles para o reflorestamento. Fora isso,
também cultiva milho, maracujá e alfafa, entre outras
culturas. ''Estou comprando mais terras para investir em florestas,
pois o risco é pequeno. Já com a agricultura a gente tem
muitas perdas'', observa.
Na opinião do fomentado Geraldo
Érico Speltz, ao plantar florestas, além do produtor ter
uma rentabilidade maior, ele colabora incondicionalmente com o equilíbrio
do meio ambiente. ''Se, de um lado, o produtor agrícola tem toda
a liberdade para produzir, nós que plantamos florestas precisamos
seguir o código de reflorestamento. Temos de deixar rigorosamente
áreas de vegetação permanente'', esclarece.
Speltz começou a produzir madeiras
na década de 90 e vislumbrou grandes oportunidades nessa atividade.
''Vendi uns imóveis urbanos e comprei terras para plantar'',
revela. Ao total, Speltz tem uma área de 120 alqueires de reflorestamento.
O assistente técnico do
programa da Klabin informa que a empresa conta com o Programa Passiflora,
que visa atender o pequeno e micro produtor, por meio de finaciamentos.
Os recursos, segundo ele, são provenientes do Banco Nacional
de Desenvolvimento (BNDES) e a empresa repassa ao produtor como se fosse
o próprio agente financiador. ''A gente garante o produtor junto
ao banco, como se fosse um fiador, e ele nos paga em madeira'', destaca.
(E.Z.)
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 23 de junho de 2006 | Economia
Participação de emergentes
no PIB Mundial deve saltar
Segundo estimativas do Bird, a representatividade
deve saltar dos atuais 23% para 32% em 2030
Thiago Velloso
SÃO PAULO - A participação
dos países emergentes no Produto Interno Bruto (PIB) mundial
deve saltar dos atuais 23% para cerca de 32% em 2030, segundo números
do Banco Mundial (Bird) apresentados nesta quinta-feira em São
Paulo pelo diretor-executivo da instituição, Otaviano
Canuto. Entretanto, o aumento de importância das nações
em desenvolvimento não ocorrerá de forma totalmente tranqüila,
dada a sombra do déficit em conta corrente norte-americano, principal
risco para a manutenção do crescimento econômico
do mundo.
De acordo com os dados do Banco Mundial,
os emergentes devem crescer, em média, 4,5% ao ano até
2030, contra 2,5% do mundo desenvolvido. Só a China, que hoje
participa com 4,7% do PIB global, deve passar, em 2030, a contribuir
com uma fatia de 9,9%. "Em 2030, os Estados Unidos ainda serão
os maiores, mas o conjunto das economias emergentes já vai tê-los
ultrapassado", disse Canuto, em palestra dada na Faculdade de Economia
e Administração da Universidade de São Paulo.
Segundo o economista, essa situação
de reequilíbrio das forças econômicas do mundo levará
a um impacto positivo sobre a redução da pobreza, com
exceção de alguns países da África, e a
um aumento expressivo da massa de trabalhadores assalariados do planeta.
"Nos últimos dez anos, o processo de incorporação
de forças de trabalho nas economias de mercado foi de mais de
50% da população mundial. Esse processo deve se aprofundar
ainda mais nos próximos 25 anos", avalia Canuto, ressaltando
que esse choque de oferta, aliado à inclusão de uma nova
força de trabalho, também repercutirá em uma queda
dos valores pagos aos trabalhadores. "Sem dúvida, haverá
uma queda no preço relativo da força de trabalho, mas
com aumento brutal da massa salarial."
Cenário básico
Esse cenário básico, a
que ele chamou de "Nova Ordem Mundial", ainda é passível
de ajustes, talvez negativos, por conta da dificuldade de se prever
como se dará o equilíbrio da economia norte-americana.
No tocante aos Estados Unidos, Canuto
avalia que é o déficit em conta corrente o principal fator
de preocupação. De acordo com o executivo, o déficit,
que já atinge cerca de 7% do PIB, é, de fato, insustentável.
Porém, ainda persiste a dúvida se o ajuste dessa conta
ocorrerá com uma desvalorização do dólar
- já vista em grande parte do mundo - aliada a uma depressão
da economia norte-americana; ou se isso acontecerá sem a zeragem
do déficit, permitindo, assim, a manutenção do
equilíbrio econômico internacional, em convivência
com o déficit dos Estados Unidos.
"Os mais pessimistas crêem
que um super ajuste, que levaria o déficit a zero, implicaria
em perdas patrimoniais dos países que tem financiado o déficit
americano. E que a conseqüente recessão seria inevitável.
Outros, com a visão mais otimista, crêem que é possível
conviver com um déficit americano entre 3% e 4%, porque essa
dívida também seria a materialização de
um desejo mundial", analisou.
Posição sólida
De qualquer forma, para o diretor-executivo
do Bird, os países em desenvolvimento se encontram em uma posição
mais sólida e, portanto, mais preparados para o ajuste da economia
norte-americana. De acordo com Canuto, a principal contrapartida do
déficit dos Estados Unidos em conta corrente tem sido a constante
formação de superávits pelos países emergentes
e exportadores de petróleo.
Segundo dados do Banco Mundial, desde
2000, o acúmulo na formação de reservas cambiais
dessas nações atingiu US$ 2,5 trilhões. "Com
isso, podemos dizer que a tarefa (de ter um bom desempenho econômico)
é cada vez mais nossa, mesmo com todos os riscos que vemos a
frente", comentou.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 23 de junho de 2006 | Economia
Arrecadação de maio é
recorde para o mês
No mês, foram acumulados em impostos
R$ 28,720 bilhões. O total, porém, é 17,94% inferior
ao resultado de abril
Renata Veríssimo e Adriana Fernandes
|
ARRECADAÇÃO
DA RECEITA FEDERAL |
|
Mês |
Valor
(RS$ milhões*) |
| Junho
2005 |
32.569 |
| Julho |
32.433 |
| Agosto |
29.909 |
| Setembro |
28.800 |
| Outubro |
33.163 |
| Novembro |
30.270 |
| Dezembro |
37.284 |
| Janeiro
2006 |
34.255 |
| Fevereiro |
27.765 |
| Março |
29.323 |
| Abril |
35.001 |
| Maio |
28.720 |
| Fonte:
Secretaria da Receita Federal |
| *
Valores corrigidos pelo IPCA |
BRASÍLIA - O crescimento real de 2,82% da arrecadação
da Receita Federal em maio, em comparação ao mesmo mês
do ano passado, foi puxado pelo Imposto de Renda, Imposto de Importação
(II) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido
(CSLL). Segundo o secretário-adjunto da Receita Federal, Ricardo
Pinheiro, em maio houve uma arrecadação atípica
de R$ 215 milhões da CSLL relativa a depósitos judiciais
feitos por uma empresa do setor financeiro.
Desde o final de 1998, os depósitos
judiciais relativos a tributos entram nos cofres do governo como Receita.
Se o governo perder a demanda judicial, tem 24 horas para devolver o
dinheiro, corrigido pela taxa básica de juros (Selic, atualmente
em 15,25% ao ano).
O Imposto de Renda Pessoa Física
(IRPF) apresentou em maio um aumento real de 21,32%, puxado principalmente
pelo crescimento de 235% arrecadação com os ganhos líquidos
de operações em bolsa de valores e de 31% na alienação
de bens. A arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica
(IRPJ) cobrado sobre as entidades financeiras cresceu 39,97%, devido
à retomada do pagamento regular por parte de algumas instituições
financeiras que, em 2005, estavam com demandas judiciais.
Já a arrecadação
do II teve um crescimento real de 8,59%, decorrente principalmente da
conjugação dos seguintes fatores: elevação
de 13,84% no valor em dólar das importações tributadas,
de 6,73% na alíquota média efetiva do IPI - vinculado
à Importação - e de 6,82% na alíquota média
efetiva do II e redução de 11,20% na taxa média
de câmbio.
Crescimento
Pinheiro previu ainda um crescimento
real (com correção pelo Índice de Preços
ao Consumidor Amplo - IPCA) da arrecadação entre 2% e
3% em 2006. Ele destacou que apesar da desoneração de
impostos e contribuições concedida este ano - prevista
em R$ 9 bilhões, a arrecadação apresenta crescimento
real.
Na sua avaliação, esse
resultado indica expansão da atividade econômica combinada
com maior controle da fiscalização da Receita. Mesmo com
o crescimento real, Pinheiro fez questão de ressaltar que não
há folga na arrecadação. "O crescimento da
arrecadação não pode ser olhado com base no ano
passado. Tem que ser comparado com o Orçamento da União
para este ano, que foi contingenciado", afirmou.
Queda sazonal
Ainda, segundo Pinheiro, a queda real
de 17,94% da arrecadação de maio em comparação
a de abril foi resultado de fatores sazonais (referentes a determinados
períodos do ano). Segundo ele, o resultado de maio é sazonalmente
negativo em decorrência do pagamento em abril da primeira cota
ou cota única do IRPF e do recolhimento do primeiro trimestre
do IRPJ. "Na medida do possível o contribuinte foge do parcelamento,
no qual incide a correção pela taxa Selic", disse.
Além disso, explicou, a diferença
no número de dias úteis influenciou negativamente a arrecadação
dos tributos com apuração a cada 10 dias ou com fato gerador
no mês anterior, como o IPI, Imposto de Renda Retido na Fonte,
Imposto Sobre Operação de Crédito (IOF) e Contribuição
Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF).
As demais receitas também tiveram
queda real de 64,87% provocada por fatores sazonais. Isso porque em
abril há o pagamento trimestral de royalties relativos à
extração de petróleo, fato que não ocorreu
em maio.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
23 de junho de 2006
PSDB e PFL pedem ao TSE suspensão
de programa da CUT
O PSDB e o PFL ajuizaram um pedido de
liminar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a CUT (Central Única
dos Trabalhadores) e seu presidente, Artur Henrique da Silva Santos.
Os partidos alegam que a instituição fez propaganda eleitoral
antecipada em favor do presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva. O ministro Ari Pargendler é o relator da representação.
Segundo a assessoria do TSE, a CUT veiculou,
no dia 17 de junho, o programa ReperCUTe, em horário nobre na
Rede Bandeirantes. Os dois partidos sustentam que, no programa, o presidente
da entidade faz "despudorada propaganda eleitoral, com rasgados
elogios ao governo Lula, contrapondo a sua gestão aos projetos
de ´classes´ representadas pelo PSDB e pelo PFL". Informam,
ainda, que o programa impugnado está disponível no site
da CUT na internet.
Para PSDB e PFL, a entidade sindical
violou os artigos 36 e 24 da Lei 9.504/97 (Lei das Eleições).
O artigo 36 dispõe que a propaganda eleitoral só é
permitida após o dia 5 de julho do ano da eleição,
e o artigo 24 veda, a partido e candidato, receber direta ou indiretamente
doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive
por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de uma
lista de instituições, dentre as quais estão entidades
de classe ou sindicais (inciso VI).
Ao justificar o pedido de liminar, os
partidos argumentam que o periculum in mora (perigo de lesão
na demora da decisão) está caracterizado pelo fato do
programa "ser continuamente exibido". Assim, pedem que o TSE
proíba, liminarmente, a veiculação do programa
impugnado e determine a sua imediata retirada da internet. No mérito,
requerem a imposição de multa aos representados.
Reincidência
Os partidos de oposição
alegam que está é a terceira vez que a CUT desrespeita
a legislação eleitoral. Lembram que, neste ano, a entidade
já foi condenada duas vezes, pelo TSE, ao pagamento de multa
(nas representações 897 e 916).
Na Representação 897, ajuizada
pelo PSDB, o Plenário do Tribunal proibiu a circulação
de um jornal da CUT e aplicou multa correspondente a 20 mil UFIRs, acolhendo
a alegação de que a publicação fazia propaganda
eleitoral antecipada com o objetivo de convencer o eleitor a não
votar em Geraldo Alckmin nem nos demais candidatos do PSDB. A decisão
foi proferida no dia 9 de maio.
Já na Representação
916, o PSDB obteve liminar, no dia 11 de maio, proibindo a veiculação
de um tablóide distribuído pela CUT-SP nas comemorações
do Dia do Trabalho, em São Paulo. O partido argumentou que a
CUT-SP e seu presidente realizaram "panfletagem eleitoral"
em favor de Lula e propaganda negativa contra seu eventual concorrente,
Geraldo Alckmin do PSDB.
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ÚLTIMA INSTÂNCIA,
23 de junho de 2006
Empresa não tem obrigação
de informar cliente da inscrição no SPC, diz STJ
A comunicação ao consumidor
sobre inscrição nos registros de proteção
ao crédito é obrigação do órgão
responsável por manter o cadastro, não da empresa credora
que solicitou a inscrição do cliente. Com essa conclusão,
a 3ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) rejeitou
o recurso de José Luiz Kessler contra a Unimed Ijuí –
Sociedade Cooperativa de Serviços Médicos Ltda.
Segundo o ministro Humberto Gomes de
Barros, relator do processo, o STJ já tem entendimento firmado
no sentido de que a legitimidade passiva para responder por dano moral
resultante da ausência da comunicação prevista no
CDC (Código de Defesa do Consumidor) é do banco de dados
ou entidade cadastral a quem compete, concretamente, cancelar a inscrição
solicitada pelo credor.
De acordo com informações
do STJ, o processo judicial teve início quando o agrônomo
José Luiz Kessler descobriu que estava inscrito no SPC (Serviço
de Proteção ao Crédito). De acordo com a Unimed,
a inscrição foi solicitada após o inadimplemento
de mensalidades do plano de saúde. Indignado, Kessler foi à
Justiça exigir indenização por danos morais.
Segundo Kessler, o contrato, feito com
a representante da Unimed na cidade de Ijuí (RS) para a utilização
de serviços de saúde, foi cancelado quando Kessler e sua
família se mudaram para Porto Alegre. Na oportunidade, o contratante
devolveu as carteiras e parou de pagar o plano de saúde. Apesar
disso, após três anos da desistência, ele foi impedido
de adquirir mercadorias em uma empresa agrícola por causa de
uma restrição ao crédito.
Kessler, então, procurou o posto
da Unimed e foi informado de que estava inscrito no SPC por causa do
débito das mensalidades. Por esse motivo, ele propôs ação
exigindo indenização por danos morais. Para o autor, em
contratos como o firmado com a Unimed, "o só fato do consumidor
paralisar o pagamento das mensalidades já caracteriza a desistência
desse em permanecer vinculado ao plano de saúde". Kessler
também afirmou que a empresa não cumpriu a determinação
de obrigatoriedade da comunicação prévia do registro
no SPC.
A Unimed contestou afirmando que "sequer
tinha conhecimento de ter o autor transferido residência para
outra cidade, o que somente constatou quando não mais o encontrou
nas frustradas tentativas de cobrança das prestações
inadimplidas". De acordo com a empresa, a rescisão do contrato
exige "instrumento próprio, declaração de
vontade expressa e quitação das obrigações",
o que não teria sido feito pelo contratante.
A sentença entendeu ser legítima
a inscrição no cadastro de proteção ao crédito
com base na cláusula 13 do contrato, que previa a comunicação
por escrito para a desistência do plano. No entanto o julgamento
acolheu o pedido de indenização por não ter a Unimed
informado Kessler de sua inscrição. A Unimed apelou e
teve seu pedido aceito pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande
do Sul.
Para o TJ-RS, "a simples ausência
do aviso previsto no artigo 43 do Código de Defesa do Consumidor,
não implica, por si só, a retirada da anotação
ou produção de danos morais". Segundo o Tribunal,
há a necessidade de demonstração da utilidade prática
da comunicação e dos prejuízos causados pela ausência
dessa comunicação.
Kessler entrou com recuso especial no
STJ defendendo o entendimento da sentença que considerou correto
seu pedido de indenização. O recurso teve seguimento negado
em decisão do ministro Humberto Gomes de Barros. "Na sistemática
do CDC é imprescindível a comunicação ao
consumidor da inscrição de seu nome no cadastro de proteção
ao crédito. A falta da providência gera o dever de reparar
o dano extrapatrimonial sofrido", destacou o ministro.
No entanto, segundo Gomes de Barros,
o credor é parte ilegítima para responder por dano moral
pela falta da comunicação prevista no CDC. A comunicação
é encargo dos órgãos de proteção
ao crédito. No caso, não era obrigação da
Unimed comunicar a inscrição, e sim do SPC.
O agrônomo recorreu mais
uma vez ao STJ afirmando que a Unimed teria assumido a responsabilidade
de realizar o comunicado da inscrição. O ministro Gomes
de Barros apresentou o recurso à Terceira Turma, que confirmou
seu entendimento pela rejeição do pedido de Kessler.
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
23/06/2006
TST nega dano moral em caso de justa causa
não comprovada
A inexistência de comprovação
da justa causa, imputada ao empregado pela empresa, não resulta,
necessariamente, na caracterização de dano moral. Sob
esse esclarecimento do ministro João Oreste Dalazen (relator),
a Primeira Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou recurso de revista
a um ex-empregado da Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro
– Cerj. Ele foi considerado, pela companhia, como suspeito da
prática de ato de improbidade, alegação que restou
não comprovada.
“Salvo má-fé ou patente
leviandade do empregador, acompanhada de difusão do fato, a atribuição
de justa causa para a despedida do empregado, em princípio, constitui
exercício regular de um direito, inclusive de defesa, ainda que
posteriormente não se consiga comprovar a conduta imputada ao
empregado”, considerou o ministro Dalazen, ao negar o recurso
do trabalhador, que ocupou o cargo de assessor especial.
Após integrar durante 23 anos
os quadros da Cerj, o trabalhador foi demitido sob a alegação
de justa causa. Foi considerado suspeito de ilícitos administrativos
na gestão de negócios da regional da Cerj, localizada
em São Gonçalo (RJ). Não houve, porém, comprovação
da prática das irregularidades.
O posicionamento do TST sobre o tema
mantém decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª
Região (Rio de Janeiro), igualmente desfavorável ao assessor,
que reivindicava indenização por danos morais. De acordo
com o órgão de segunda instância, a honra do trabalhador
não foi afetada pelo relatório final da comissão
de sindicância instaurada para a apuração do suposto
ato de improbidade.
“Nem mesmo se o empregador, com
comedimento e prudência, formular notícia-crime contra
um empregado seu estará, só por isso, ofendendo a honra
do trabalhador, mesmo que, depois, se verifique inexistente a justa
causa e o inquérito seja arquivado ou a ação pena
seja julgada improcedente”, considerou o TRT-RJ.
No TST, o ministro Dalazen esclareceu
que “não há como estabelecer uma necessária
relação de causalidade entre justa causa não comprovada,
ainda que por suposto ato de improbidade, e a caracterização
de dano moral”. No caso concreto, observou que, “conquanto
não provada, a alegação do empregador, em contestação,
da prática de ato de improbidade, de forma genérica e
respeitosa, como fundamento para dispensa por justa causa, sem divulgação
da notícia, não configura violação à
honra e à imagem do empregado, apta a ensejar indenização
por dano moral”.(RR 659964/2000.0)

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