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ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 27 de
junho de 2006 | Economia
Nível de emprego na construção
sobe 1,1% em abril
O setor gerou 58,4 mil novas vagas, o que representa
um aumento de 4,2% em relação ao mesmo período
do ano passado
Beth Moreira
SÃO PAULO - O nível de
emprego formal na construção civil brasileira subiu 1,1%
em abril na comparação com março, segundo dados
divulgados nesta segunda-feira pelo Sindicato da Indústria da
Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP)
e da FGV Projetos, com base em pesquisa do Ministério do Trabalho.
Segundo a entidade, o desempenho corresponde ao preenchimento de mais
15,5 mil vagas formais no setor.
No acumulado do ano até abril,
o setor gerou 58,4 mil empregos, o que representa um aumento de 4,2%
em relação ao mesmo período do ano passado. No
fim do mês, a construção civil brasileira registrava
1,454 milhão de trabalhadores formais, a maior parte (1,155 milhão)
ocupada no segmento de obras e o restante no de serviços. No
acumulado de doze meses, houve ligeira queda relativa no crescimento
do emprego, com alta de 9,8% contra os 10% dos 12 meses anteriores.
Em São Paulo, foram contratados
3,7 mil trabalhadores formais em abril, 0,96% a mais que em março.
No quadrimestre, o crescimento acumulou alta de 3,22%. No fim de abril,
o setor empregava 397,2 mil pessoas no Estado, com alta de 8,9% no acumulado
de doze meses.
A maior valorização de
abril foi registrada na região de Presidente Prudente, com inclusão
de 225 trabalhadores (+4,31%). Já a maior queda relativa ocorreu
na região de São José dos Campos, com redução
de 1,31%, ou 452 vagas a menos.
Segundo o Sinduscon, o emprego
na construção civil na região Sudeste do Brasil
registrou em abril incremento de 10,291 mil vagas (alta de 1,3% na comparação
com o mês anterior). Já no Norte, houve elevação
de 0,2%, com a abertura de apenas 115 vagas.
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INFOMONEY, 27 de junho de
2006
Empregos na Construção Civil
são marcados por desigualdades regionais
SÃO PAULO - A distribuição
dos empregos gerados pela Construção Civil continua desigual,
apesar do segmento ter crescido 12,2% em 2004, segundo Pesquisa Anual
da Indústria da Construção 2004, divulgada pelo
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo o instituto, o Sudeste concentra
51,2% dos empregos oferecidos em todo o País, enquanto 55,5%
do valor das construções executadas também acabam
na região. Um ano antes, essa relação era de 50,9%
e 55,9%, respectivamente.
Centro-Oeste melhora desempenho
Ainda de acordo com o levantamento, no
Centro-Oeste, os empregos oferecidos pelo setor passou de 7% para 7,8%
de 2003 para o ano seguinte, enquanto a participações
das construções saltou de 8% para 8,6% no mesmo período.
Na região Norte, o avanço
na participação do emprego foi de 0,3 ponto percentual
ao passar de 6,1% para 6,4%. No que diz respeito às construções
executadas, o avanço foi semelhante: ele era de 6,3%, em 2003,
e passou para 6,6% em 2004.
Região Sul registra o pior
desempenho
Enquanto o Nordeste sofreu pequena
alteração no emprego (de 19,9 para 19,8% no período
analisado) e no valor construído (passou de 15,4% para 15,6%),
a região Sul do País viu essa relação diminuir
de 2003 para 2004. A participação da região no
total de empregos oferecidos caiu de 16% para 14,9%, e o valor das construções
executadas recuou de 14,4% para 13,8%.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de junho de 2006 | Economia
América Latina crescerá
4,6%; Brasil terá aumento de 3,5%
Outros países, como México e
Argentina, terão crescimento superior ao brasileiro: de 7,7%
e 4%, respectivamente
EFE
BASILÉIA, Suíça
- As economias da América Latina crescerão uma média
de 4,6% em 2006, lideradas pelo forte crescimento da Argentina, segundo
as previsões do Banco de Compensações Internacionais
(BIS). A atividade econômica do Brasil, porém, ficará
abaixo dessa média, em 3,5% ao ano.
A instituição internacional,
com sede na Basiléia (Suíça), publicou nesta segunda-feira
seu 76º relatório anual, no qual analisa a situação
da economia global desde o início deste ano e em 2005.
O BIS afirmou que "o crescimento
observado nas economias emergentes desde 2002 se consolidou" no
período analisado, e acrescentou que o "forte crescimento
econômico foi acompanhado por um aumento do valor das exportações
e por elevados déficit por conta corrente", o que permitiu
reduzir a carga financeira da dívida externa.
A atividade econômica da Argentina
crescerá 7,7% este ano, a do México terá um crescimento
de 4% e a do Brasil, 3,5%.
Intacta
"Na América Latina, a expansão
econômica se manteve intacta e a produção industrial
voltou a crescer no Brasil e no México no início de 2006",
segundo o BIS, que também observou que "Argentina, Chile,
Colômbia e Peru registraram crescimentos acima da tendência".
As economias emergentes se beneficiaram
de condições externas favoráveis, com uma demanda
mundial forte e um acesso mais fácil ao financiamento externo,
segundo o banco internacional.
No entanto, a entidade questiona "se
as autoridades das economias emergentes aproveitaram adequadamente estas
circunstâncias favoráveis para garantir melhorias duradouras
em sua posição fiscal".
O BIS adverte também dos riscos
inflacionários devido à volatilidade dos preços
das matérias-primas e aos níveis muito baixos ou negativos
em que se situam as taxas de juros reais a curto prazo, apesar de "até
agora a inflação ter permanecido contida".
Por isso, segundo o BIS, o desafio das
autoridades de muitos países "é evitar erros nas
políticas monetárias que possam colocar em risco a estabilidade
macroeconômica e financeira".
Ao mesmo tempo, em 2005 e desde o início
do ano, "o aumento da renda familiar, a redução do
desemprego e os altos preços dos ativos potencializaram a despesa
das famílias e a confiança dos consumidores", explicou
o BIS. O BIS adverte que as previsões de crescimento da América
Latina para 2006 estão sujeitas a alguns riscos, já que
esta reativação depende das exportações,
o que as torna vulneráveis à volatilidade das economias
industrializadas e da China.
Além disso, os países que
receberam substancial financiamento externo podem ser afetados por mudanças
na confiança dos investidores, afirmou o banco de pagamentos.
Por outro lado, os fluxos líquidos
de capital para a América Latina aumentaram notavelmente em 2005,
sobretudo pelo investimento estrangeiro direto líquido, que chegou
a US$ 51 bilhões.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de junho de 2006 | Dinheiro
Cresce peso das exportações
na indústria
PEDRO SOARES
DA SUCURSAL DO RIO
A participação das exportações
na receita das empresas subiu de 10,8% em 1996 para 20,4% em 2004, segundo
a Pesquisa Industrial Anual, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística). No período, as exportações
industriais passaram de US$ 40,3 bilhões para US$ 83,3 bilhões.
Segundo Sílvio Sales, chefe da
Coordenação de Indústria do IBGE, as principais
razões da alta foram a desvalorização do real de
1999 -que estimulou o ímpeto exportador do país-, a expansão
do comércio mundial e o aumento do preço das commodities.
Em 2004, quando o câmbio médio
ficou em R$ 2,93, a produção destinada às exportações
subiu 9,9%, acima da média da indústria (8,3%). Com o
câmbio na faixa de R$ 2,25 neste ano, a produção
para o mercado externo cresce 2,2% no acumulado de 2006 até abril,
menos do que a média da indústria (2,9%).
Na análise, o IBGE classificou
as empresas de acordo com a quantidade da receita provinda do exterior.
Setores que exportaram mais de 29,3%, como os de veículos, aeronaves
e extração mineral elevaram seu peso no PIB total da indústria
de 17% em 1996 para 28,8% em 2004.
Já setores com exportações
de até 11% da receita, como vestuário e artigos de plásticos,
reduziram a contribuição para o PIB industrial de 44,1%
para 31,7%. Uma das razões é que alguns setores passaram
a integrar a categoria mais intensiva em vendas ao exterior.
Os dados mostram ainda que as grandes
empresas também são mais abertas ao comércio exterior.
Nas firmas com mais de 500 empregados, o percentual do faturamento proveniente
de exportações subiu de 13,3% de 1996 para 24,8% em 2004.
Ainda que com participação menor, as exportações
ganharam espaço na receita das pequenas e médias empresas
-de 9,4% para 13,5% e de 3,6% para 8,6%.
O IBGE também identificou os principais
produtos da indústria. De 2000 a 2004, o óleo diesel se
manteve no topo do ranking de produtos com maior faturamento (R$ 25,7
bilhões), mas foi o celular que chamou atenção,
passando da 16ª posição para a sexta (R$ 11,9 bilhões).
Os automóveis, por sua vez,
passaram da terceira posição em 1996 para a segunda em
2004. O minério de ferro avançou da quinta colocação
para a terceira, enquanto a gasolina caiu do segundo para o quarto lugar.
Dos 3.500 produtos industriais pesquisados, os dez primeiros do ranking
representavam 15,7% do total de vendas do setor.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de junho de 2006 | Economia
INDÚSTRIA
Produção dá
lugar à importação
São Paulo – A comparação entre os números
da produção industrial e importações de
manufaturados nos quatro primeiros meses deste ano mostra que o real
forte tem feito com que as compras de bens industriais no exterior cresçam
em velocidade muito maior que a produção. Isso significa
que a tendência da economia brasileira, em diversos setores, é
substituir a produção local por importados, segundo o
economista Fernando Ribeiro, da Fundação Centro de Estudos
do Comércio Exterior (Funcex).
De janeiro a abril deste ano, a produção
industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) cresceu 2,9% em relação ao mesmo período
do ano passado. Na mesma base de comparação, a importação
de bens de consumo duráveis aumentou 62,7%; a de bens de capital,
30,8%; e a de intermediários, 17,3%.
A tendência à substituição da produção
local por importados é altamente polêmica. De um lado,
esse movimento desenha um quadro negativo para as indústrias,
sobretudo as intensivas em mão-de-obra, que não conseguem
competir com os produtos mais baratos vindos de fora. O quadro que se
agrava ainda mais pelo fato de o câmbio também desacelerar
as exportações.
No entanto, enquanto alguns setores
da indústria se ressentem do aumento das importações,
os economistas comemoram. Ribeiro, da Funcex, diz que a substituição
da produção local não é exatamente ruim
nem para o consumidor e nem para a própria indústria.
Ao contrário. Primeiro, a possibilidade de incremento das importações
via câmbio significa barateamento de insumos e conseqüente
compensação da perda da rentabilidade com exportações
– este é o caso de indústrias como a elétrica
e eletrônica, a química e a automotiva.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de junho de 2006 | Economia
COMÉRCIO EXTERIOR
Balança comercial já
acumula queda de 5% no ano
Brasília – Com o crescimento das importações
em velocidade maior que o das exportações, a balança
comercial brasileira já acumula uma queda de mais de 5% no ano.
Até a quarta semana de junho,
o superávit é de US$ 17,944 bilhões, uma queda
de 5,7% na comparação com os US$ 18,970 bilhões
do mesmo período do ano passado.
Os dados foram divulgados ontem pelo
Ministério do Desenvolvimento.
As vendas de produtos ao exterior acumulam
uma alta de 11,1%, para US$ 57,754 bilhões. Já as compras
de produtos importados somam no acumulado do ano US$ 39,810 bilhões,
20,6% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.
O mercado financeiro prevê que
o superávit de 2006 será de US$ 40 bilhões. Em
2005, a balança comercial brasileira registrou um superávit
de US$ 44,8 bilhões, um recorde histórico.
Junho
O superávit comercial ficou em
US$ 515 milhões na quarta semana de junho (dias 19 a 25).
No acumulado do mês, o superávit
é de US$ 2,480 bilhão, com exportações de
US$ 8,288 bilhões e importações de US$ 5,808 bilhões.
Em junho do ano passado, o saldo foi positivo em US$ 4,034 bilhões.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de junho de 2006 | Economia
Brasileiro já pagou R$ 400 bilhões
em impostos
Segundo o impostômetro, painel
eletrônico que mede a arrecadação em tempo real,
a marca será atingida nesta terça-feira
Carolina Ruhman
SÃO PAULO - O brasileiro já
pagou R$ 400 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais
desde o início deste ano, de acordo com o impostômetro.
O painel eletrônico mede a arrecadação de tributos
em tempo real, e vai atingir esse valor nesta terça-feira, por
volta das 7 horas.
De acordo com a Associação
Comercial de São Paulo (ACSP), que mantém o painel, o
montante foi atingido, em 2005, no dia 22 de julho, portanto 25 dias
mais tarde.
Segundo dados da ACSP, somente a Receita
Federal arrecadou R$ 154,34 bilhões nos cinco primeiros meses
do ano, o que corresponde um crescimento real (descontada a inflação
pelo IPCA) de 2,7% em comparação com o mesmo período
de 2005.
Em maio, a arrecadação
tributária atingiu R$ 28,72 bilhões e bateu mais um recorde
histórico para o mês, com expansão de 2,82% sobre
o mesmo período de 2005.
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ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 27 de junho de 2006 | Economia
Empréstimo habitacional da CEF
soma R$ 5,8 bilhões
A expectativa é superar a marca dos R$
6 bilhões no término do mês de junho, com benefício
250 mil famílias
Beth Moreira
SÃO PAULO - O volume de financiamento
habitacional da Caixa Econômica Federal (CEF) no acumulado de
janeiro a 22 de junho de 2006 soma R$ 5,8 bilhões, segundo informações
da presidente do banco, Maria Fernanda Ramos Coelho. O montante corresponde
a mais de 56% do orçamento de R$ 10,3 bilhões disponíveis
para este ano e representa quase 115% mais do que o aplicado no mesmo
período do ano passado.
A expectativa da Caixa é superar
a marca dos R$ 6 bilhões no término do mês de junho,
com benefício 250 mil famílias e aproximadamente um milhão
de pessoas com moradias novas ou melhores.
Segundo Maria Fernanda, a população
de menor renda continua a ser o foco de atuação da política
habitacional do banco. "De todas as contratações
imobiliárias efetuadas no semestre, 69% foram destinadas a famílias
com renda de até cinco salários mínimos".
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O LIBERAL / BELÉM,
27 de junho de 2006
Emprego formal facilita aluguel
Quem mora em imóvel alugado sabe
o quanto é importante ter um emprego formal para provar que tem
renda suficiente para bancar o custo da locação. Essa
é uma das condições para conseguir a aprovação
da ficha cadastral pelas imobiliárias e assinar o contrato de
locação, ao lado de outras, como a apresentação
de uma das três garantias previstas em lei (fiança, seguro-fiança
ou caução) e comprovação de que não
sofre restrições de crédito.
O valor da locação, somado
com os encargos, como condomínio e IPTU, não pode passar
de 30% da renda, explica Roseli Hernandes, gerente da área de
Locação e Vendas da Lello. Ela diz que o aumento do emprego
formal vem favorecendo a aprovação de cadastros, mas lembra
que trabalhador informal também pode alugar um imóvel.
Embora cauteloso, o mercado desenvolveu mecanismos de comprovação
de crédito para esse público. É possível
apresentar extrato de conta bancária e contrato de prestação
de serviço, exemplifica Roseli.
A inexistência de restrições
ao crédito e de processos na Justiça são apenas
indícios que contam pontos a favor do candidato a inquilino.
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BOM DIA / SOROCABA, 27 de
junho de 2006
Sorocaba: Construção civil
espera retomada de novos investimentos na região
Diretor do Secovi acredita que incentivos para
o setor devem estimular empreendimentos
O mercado de construção
civil espera recuperar neste ano parte da queda de até 58% no
volume de novos empreendimentos registrada no ano passado.
O diretor regional do Secovi (Sindicato
da Habitação), Flávio Amary, disse que em 2005
o setor teve a maior queda dos últimos sete anos.
Segundo ele, a média anual de
novos empreendimentos em Sorocaba e região desde 1998 era de
4,9 mil unidades. Em 2005, esse número caiu para 3,1 mil unidades.
“No segundo semestre houve apenas um novo empreendimento imobiliário
aprovado”.
Amary disse que essa queda foi motivada
por um conjunto de fatores que influenciaram negativamente o setor.
Entre eles, o diretor citou o excesso de oferta no mercado nos últimos
anos, que pode ter provocado a desaceleração do ritmo
de lançamentos.
Neste ano, ele acredita que possa
ocorrer uma recuperação da atividade com os incentivos
dados pelo governo, principalmente com o estímulo para novos
empreendimentos. Mas Amary descarta que esse incremento seja suficiente
para repetir os anos anteriores.
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AGÊNCIA CAMARA, 27
de junho de 2006
Proposta torna inelegível político
que renunciar a mandato
A Câmara analisa o Projeto de Lei
Complementar (PLP) 305/05, do deputado Jefferson Campos (PTB-SP), que
torna inelegível por oito anos o político que renunciar
ao mandato. A renúncia também impede, pelo mesmo período,
a ocupação de cargo ou função comissionada
na administração pública.
De acordo com Jefferson Campos, o objetivo
da proposta é "preservar a dignidade do mandato conferido
pela urnas", evitando que políticos acusados de atos ilegais
renunciem ao mandato para fugir do processo de cassação.
"A história recente de nosso País registra diversos
casos de renúncia a mandatos que caracterizam logro à
vontade do eleitor", lembrou.
Cinco projetos
O PLP 305 acrescenta um dispositivo na
Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar 64/90). Atualmente, estão
em tramitação na Câmara outros cinco projetos que
prevêem a inelegibilidade de candidatos que renunciem aos mandatos
antes da instalação dos processos disciplinares.
Tramitação
O PLP 305/05 tramita em conjunto com o PLP 223/01, do deputado Orlando
Desconsi (PT-RS), que está pronto para ser votado pelo Plenário.
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JORNAL FOLHA DE SÃO
PAULO, 27 de junho de 2006 | Brasil
ELEIÇÕES 2006/PRESIDÊNCIA
Lula e FHC distorcem dados ao comparar
seus governos
Petista desencava juros altos da gestão
do PSDB, mas não explica altas taxas atuais | Tucano acusa presidente
de permitir uma valorização excessiva do real, sem citar
que utilizou mesma política em seu primeiro governo .
GUSTAVO PATU
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
No primeiro duelo retórico após
a definição das candidaturas presidenciais do PT e do
PSDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu antecessor,
Fernando Henrique Cardoso, preteriram propostas para o futuro em favor
de comparações distorcidas entre suas gestões.
Salvo declarações genéricas
de intenções, ambos omitiram o que acham que deve ser
feito para conter o gasto público e o déficit da Previdência,
reduzir os juros, elevar os investimentos e o crescimento do PIB. Culpam
um ao outro pelos problemas a serem enfrentados.
Lula, que assumiu sua candidatura à
reeleição no sábado, chegou a desencavar os juros
do Banco Central de abril de 1995, sem explicar por que a taxa, em seu
governo, continua a mais alta do planeta. FHC, no dia seguinte, acusou
Lula de permitir a valorização excessiva do real em relação
ao dólar, sem mencionar que adotou a mesma política em
seu primeiro mandato e levou o país a acumular déficits
recordes nas transações com o exterior.
Apesar de encabeçarem a disputa
pelo poder central nos últimos 12 anos, petistas e tucanos ainda
não formularam diretrizes palpáveis para o próximo
governo -ou não as revelam por cálculo eleitoral. A hipótese
é razoável: pelo diagnóstico da ortodoxia liberal
que conduziu os governos FHC e Lula, o tratamento para as mazelas apontadas
implica medidas polêmicas e impopulares.
A supervalorização cambial
é conseqüência dos juros altos, que atraem capital
especulativo ao país e provocam um excesso de oferta de dólares,
prejudicial às exportações. E os juros altos, segundo
a cartilha ortodoxa, são fabricados por um Estado que precisa
reduzir despesas -leia-se gastos sociais.
Eufemismos
Tanto Lula como o presidenciável
do PSDB, Geraldo Alckmin, falam na redução de gastos,
mas sempre sob eufemismos. "Dedicarei meu segundo governo, também,
para resolver uma questão difícil e delicada: a qualidade
do gasto público", disse o petista, repetindo, com outras
palavras, a tese do "choque de gestão" do tucano.
Duas estratégias já são
claras na campanha petista: reivindicar o mérito pela melhora
dos indicadores econômicos e sociais, que analistas atribuem principalmente
ao cenário internacional favorável, e insistir na comparação
com FHC.
Nos palanques, contexto e precisão
são deixados de lado. O petista disse ter assumido o governo
com um risco-país de "quase 2.000 pontos". Eram 1.446
pontos. Já o tucano afirmou que em seu governo a economia cresceu
à mesma média anual de 2,6% dos primeiros três anos
de Lula. Sua taxa, porém, foi de 2,3%.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de junho de 2006 | Brasil
DIREITOS HUMANOS
Governo cria comitê de prevenção
e controle da tortura no Brasil
Brasília – Em solenidade no Palácio do Planalto,
o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que cria
o Comitê Nacional de Prevenção e Controle da Tortura
no Brasil (CNPCT). O órgão, que funcionará nas
dependências da Secretaria Especial de Direitos Humanos, comandada
pelo ministro Paulo Vanucchi, é uma das recomendações
do Protocolo contra a Tortura, da Organização das Nações
Unidas (ONU), ainda não ratificado pelo Brasil.
Tortura é crime hediondo. Ontem
foi o Dia Internacional contra a Tortura. Numa visita ao país
em 2000, o então relator da ONU para a tortura, Nigel Rodley,
fez críticas ao sistema carcerário do país e ouviu
relatos de pessoas que sofreram humilhações nas cidades
e na área rural. Também esteve com ameaçados por
grileiros de terras e policiais. O governo Lula e os antecessores são
acusados por entidades internacionais de não mudar a situação
dos direitos humanos.
O governo também é criticado por não avançar
na localização e identificação de ossadas
de adversários do regime militar (1964– 1985). Nenhuma
ossada de guerrilheiro foi identificada durante o atual governo, que
tem e teve em seus quadros diversos integrantes da luta armada.
O comitê instalado ontem terá
representantes dos ministérios da Justiça e das Relações
Exteriores, de entidades não-governamentais e da academia.
Além de procuradores e magistrados.
São atribuições do órgão o acompanhamento
de projetos de lei sobre direitos humanos no Congresso e promover campanhas
publicitárias para coibir crimes.
A Secretaria Especial dos Direitos
Humanos apresentou cartazes para chamar a atenção das
pessoas em relação à tortura. “A tortura
é um crime tão grave quanto o latrocínio e o estupro”,
destacará a campanha da secretaria.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de junho de 2006
| Economia
VEÍCULOS
Câmara debate demissões
da Volkswagen
As demissões em massa na Volkswagen serão debatidas na
Câmara dos Deputados em audiência pública, amanhã,
às 10 horas. As comissões de Trabalho, Administração
e Serviço Público e de Desenvolvimento Econômico,
Indústria e Comércio discutem as implicações
sociais e econômicas do plano de reestruturação
anunciado no início de maio pela montadora. O debate foi proposto
pelos deputados Jorge Boeira (PT-SC), Ivan Valente (Psol-SP) e Dra.
Clair (PT-PR). A empresa tem um plano que prevê cortes de 4 mil
a 6 mil pessoas até 2008. Os deputados convidaram para o debate
o presidente da Volkswagen do Brasil, Hans-Christian Maergner; o presidente
do BNDES, Demian Fiocca; e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, entre
outros.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27 de junho de 2006
| Economia
LEÃO 1
Receita libera informação
da malha fina
A Receita Federal concluiu o processamento das declarações
do Imposto de Renda 2006 (ano-base 2005). Com o término dessa
primeira etapa do trabalho, feito por computador, o contribuinte pode
consultar se há pendências em sua declaração
no site da Receita Federal. Os documentos entregues em formulário
de papel ainda não foram processados. A Receita recebeu 22 milhões
de declarações pela internet neste ano e informou que
o risco de as informações sobre sua situação
não estar na internet é muito pequeno. Todos os documentos
que apresentaram pendências serão reavaliados pelos fiscais
da Receita.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de junho de 2006 | Mundo
CORÉIA DO NORTE
Viagem de Hugo Chávez preocupa
EUA
Washington – Os Estados Unidos expressaram ontem preocupação
com o anúncio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
de que viajará à Coréia do Norte para assinar acordos
que poderiam envolver a transferência de tecnologia militar. “Não
estou certo de que é o que ele espera obter dos norte-coreanos”,
indicou Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado. “Certamente,
se isso envolver a transferência de tecnologia militar, devido
ao histórico da Coréia do Norte, seria uma preocupação”,
acrescentou.
Chávez disse na sexta-feira que
viajaria ao país, com o objetivo de assinar acordos bilaterais
em tecnologia e assuntos científicos. A Coréia do Norte
afirma ter armas nucleares e possui um avançado programa de mísseis.
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JORNAL GAZETA DO POVO, 27
de junho de 2006 | Mundo
ESTADOS UNIDOS
Caridade une dupla mais rica do mundo
Nova Iorque – O megainvestidor norte-americano Warren Buffett,
considerado o segundo homem mais rico do mundo, anunciou que vai doar
US$ 30 bilhões para a Bill & Melinda Gates Foundation, a
maior instituição de caridade do mundo. Buffett, de 75
anos, vai doar 85% de suas ações classe B na Berkshire
Hathaway, cujo patrimônio é avaliado atualmente em US$
44 bilhões; ao preço de fechamento das ações
na última sexta-feira, o valor da doação seria
de US$ 30,7 bilhões.
“Estamos espantados com a decisão
de nosso amigo Warren Buffett de usar sua fortuna para tratar das desigualdades
mais desafiantes do mundo”, reagiu Bill Gates, que, além
de chairman da Microsoft, é um dos diretores da Berkshire Hathaway.
Buffett também anunciou doações para outras instituições
de caridade: a Susan Thompson Buffett Foundation (batizada em homenagem
à sua mulher, já falecida), à Howard G. Buffett
Foundation, comandada por seu filho mais velho, à Susan A. Buffett
Foundation, comandada por sua filha, e à NoVo Foundation chefiada
por seu filho mais novo, Peter; cada uma dessas instituições
receberá 5% das ações neste ano e 5% do que sobrar
a cada ano até a morte de Warren Buffett.
No caso da Bill & Melinda Gates
Foundation, uma condição é a de que ou Bill Gates
ou sua mulher, Melinda, estejam vivos e continuem a administrar sua
fundação. A Bill & Melinda Gates Foundation passará
a ter um patrimônio de mais de US$ 60 bilhões consolidando-se
ainda mais como a maior entidade filantrópica do mundo. A ONU
e todas as suas agências têm um orçamento anual de
US$ 12 bilhões.
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SITE DO MINISTÉRIO DO TRABALHO, 27
de junho de 2006
DRT resgata 13 trabalhadores em situação
análoga à escravidão no estado do Paraná
Durante uma ação fiscal, realizada
na região de Guarapuava, no último dia 20, auditores fiscais
da Delegacia Regional do Trabalho (DRT/PR), encontraram 13 trabalhadores
atuando em uma situação análoga a escravidão.
Eles desempenhavam suas atividades em áreas de reflorestamento
de pinus sem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)
e no local não havia água potável e nem instalações
sanitárias. Eles estavam morando em barracos de lona.
Após a atuação da fiscalização da
DRT, os trabalhadores foram registrados e todos os direitos trabalhistas
que estavam sendo desrespeitados foram pagos: Aviso Prévio, Fundo
de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), entre outros. De acordo
com uma das auditoras que esteve no local, os trabalhadores estavam
nessa situação há cerca de um mês. “Eles
foram contratados no dia 30 de maio”, disse ela, acrescentando
que as condições do acampamento eram terríveis.
De acordo com a AFT, nessa empresa não havia menores e nem mulheres
atuando. “A faixa etária dos trabalhadores variava de 19
a 50 anos”, informa. Os empregadores assinaram o termo de Ajusta
de Conduta, proposto pelo Ministério Público. Agora, segundo
a fiscal, o processo será encaminhado ao Ministério Público
Federal, em Brasília. Nove autos de infração foram
lavrados pelos AFTs da DRT.
Além dessa madeireira, outras duas foram fiscalizadas, onde foram
localizados trabalhadores sem registro e menores: dois com menos de
16 anos e um com 17. Todos serão encaminhados ao Programa de
Erradicação ao Trabalho Infantil.
Histórico – Em maio do ano passado, a DRT/PR encontrou
85 trabalhadores, que também estavam desempenhando atividades
em áreas de reflorestamento de pinus, na mesma situação
desses trabalhadores de Guarapuava.
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REVISTA ISTO É, 27 de junho de 2006
Globalização
A economia global vai bem e o povo vai
mal
O que dizer de um sistema econômico que
aumentou a riqueza e diminuiu o emprego? As dores da globalização
atingem também os países mais ricos
Por Milton Gamez e Osmar
Freitas Jr. – Nova York
Se estivesse vivo e assistisse à atual Copa
do Mundo da Alemanha, o general Emílio Garrastazu Médici
poderia repetir a célebre frase que disse nos anos 1970. Naquela
época, o Brasil sagrou-se tricampeão mundial de futebol
e viveu um período de bonança conhecido como “milagre
econômico”. O ditador brasileiro resumiu como poucos a disparidade
entre os números positivos e a vida da população:
“A economia vai bem e o povo vai mal.” Hoje, o mesmo acontece
não só na Alemanha, onde a taxa de desemprego é
de 11%, mas em vários países europeus e americanos, inclusive
Estados Unidos e Brasil.

Tristeza em Paris: na capital da França, senhora desempregada
pede esmola na rua
A globalização gerou riqueza e prosperidade nos últimos
anos, mas também eliminou empregos e aumentou a distância
entre ricos e pobres. Somente em Berlim, o desemprego aflige 17,4% da
população, o que cria um contraste difícil de esconder
mesmo durante a festa da Copa. Na capital alemã, a pobreza de
uma grande parte dos moradores é visível para os milhões
de turistas que foram para lá acompanhar o mundial. É
um fenômeno que marca a União Européia, onde a taxa
média de desocupados chega a 8%. Esses índices são
altos na Itália (7,7%), na França (9,3%), na Bélgica
(12%) e na Espanha (8,3%). Do outro lado do Atlântico, os Estados
Unidos, país que mais se beneficiou da globalização,
sofre com um desemprego historicamente elevado: 4,6%.
Cadê meu trabalho?: Larry (no alto, à esq.) descobriu que
seu emprego foi dado ao indiano Kalamesh. Em São Paulo, trabalhadores
buscam vagas no centro (acima)
O aumento da desigualdade social na economia mais poderosa da Terra
foi retratado na semana passada pela bíblia liberal do capitalismo,
a revista inglesa The Economist. “Se as coisas continuarem assim
por muito tempo, nós iremos acabar como o Brasil, um país
notório por sua concentração de renda e riqueza”,
afirmou uma fonte da publicação nos Estados Unidos. Por
aqui, enquanto torce pelo hexacampeonato mundial, o povo também
sofre pela busca de trabalho. Segundo a pesquisa Dieese/Seade, na região
metropolitana de São Paulo a taxa de desemprego estava em 16,9%
em abril – o dobro dos 8,5% registrados em abril de 1987. Mas
afinal, onde é que foram parar os empregos do mundo? Provavelmente,
na China ou na Índia, grandes beneficiários do processo
atual de globalização.
A história do americano Larry Berwind, 31 anos, é um bom
exemplo do que está acontecendo no mundo. Em 2001, esse nova-iorquino
formado na prestigiada Universidade de Stanford perdeu seu emprego de
autor de programas de computador numa empresa da Califórnia.
Ele ganhava US$ 4.500 mensais, além de planos de saúde
e de aposentadoria. Revoltado, Larry resolveu localizar o paradeiro
de seu cargo e embarcou numa peregrinação pelas tortuosas
vias da globalização. Descobriu, primeiro, que sua função
havia sido exportada para a Índia, onde a companhia contratou
um programador de Mumbai (ex-Bombaim) chamado Kalamesh Pandya, 38 anos.
Pai de quatro filhos, Kalamesh recebia US$ 250 por mês para fazer
o mesmo trabalho, sem nenhum benefício social.
Seis meses atrás, Larry foi visitar o indiano pessoalmente. A
surpresa: o próprio Kalamesh já havia sido mandado embora.
Sua função fora repassada para uma jovem mulher chinesa,
de Xangai, por uma fração do valor – como profetizou
Karl Marx, a história acontece duas vezes: a primeira como tragédia,
a segunda como farsa. Hoje, Larry ganha a vida como consultor free lancer
de informática e está escrevendo um livro, chamado provisoriamente
de Onde no mundo está meu emprego?. Com o adiantamento que recebeu
da editora, ele financia as viagens em busca dos novos donos de seu
antigo cargo. “A globalização serve apenas a um
consórcio de homens de negócio, a elite do capital financeiro,
que não tem pátria”, reclamou a ISTOÉ.
Na pauta do Congresso dos Estados Unidos, não há, atualmente,
um único item que procure proteger uma das marcas registradas
do chamado “american way of life”: o emprego. Entre os anos
2000 e 2003 foram perdidos três milhões de vagas no setor
manufatureiro do país. De lá para cá, não
houve recuperação digna de nota. O número de trabalhadores
nesta área mantém-se em 14,3 milhões – menor
patamar desde 1950. O déficit da balança comercial de
manufaturados foi a US$ 105 bilhões ao final de 2005. “A
relação entre o déficit comercial de produtos manufaturados
e a perda de empregos no setor é óbvia: as importações
diminuem a demanda de trabalho”, explica o economista Josh Bivens,
do respeitado Economic Policy Institute. O quadro se torna mais preocupante
para os trabalhadores americanos quando se intensificam as exportações
de empregos na área de serviços – muitas empresas
contratam companhias na Índia, onde o inglês é o
segundo idioma mais falado, para atender chamadas de consumidores americanos
em seus call centers.
O mundo já viveu vários momentos de globalização
ao longo da história. Nos anos 50, depois da Segunda Guerra Mundial,
o Japão e a Itália eram vistos como grandes ameaças
ao emprego nos demais países que começaram a importar
seus produtos. Porém, naquela época o crescimento das
economias compensava com folga os impactos negativos. “O problema
atual é que o crescimento nos países industrializados
está muito baixo”, diz Rubens Ricupero, ex-ministro da
Fazenda e ex-secretário-geral da UNCTAD, órgão
das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento.
“Fica mais difícil absorver as dores da globalização.”
Para Ricupero, esse fenômeno pode se agravar, pois a oferta de
mão-de-obra da China é inesgotável. “A tensão
comercial entre os países tende a aumentar”, prevê.17,4%
é o índice de desemprego em Berlim. Média na Europa
chega a 8%
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de junho de 2006
Custas processuais
Taxas podem ser recolhidas em banco privado
As custas processuais não precisam
ser necessariamente recolhidas em banco público. Podem ser recolhidas
em banco privado. O entendimento é da 6ª Turma do Tribunal
Superior do Trabalho, que acolheu Recurso de Revista de um eletricitário
e assegurou o trâmite do seu processo na segunda instância.
O relator foi o ministro Aloysio Corrêa da Veiga.
A decisão do TST mudou o acórdão
do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (Distrito
Federal e Tocantins). O TRT declarou a deserção (inexistência
do pagamento das custas processuais) do Recurso Ordinário ajuizado
pelo ex-empregado da CEB — Companhia Energética de Brasília.
Motivo: as custas foram pagas numa agência do Banco Real.
No TST, o trabalhador alegou que a segunda
instância ofendeu os dispositivos da Constituição
Federal. Também afirmou que inexiste qualquer monopólio
da Caixa Econômica Federal em relação ao recolhimento
de custas processuais.
Os ministros acolheram os argumentos.
O relator observou que as custas foram colocadas à disposição
da União e que o pagamento ficou comprovado com todos os requisitos
necessários. “Satisfeito, portanto, o ônus processual
do preparo (termo dado ao pagamento das custas) a que estava incumbida
a parte”, afirmou Veiga.
“A nulidade torna-se patente, na
medida em que deixou de ser apreciado o recurso da parte, com exigência
não prevista em norma legal, restando patente o excesso de formalismo
e rigor processual, o que configura cerceamento de defesa”, concluiu
o ministro.
RR 755.880/2001.9
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de junho de 2006
Negócio forjado
Ex-patrão é condenado a
indenizar doméstica por má-fé
A justiça mineira condenou um
representante comercial a pagar R$ 6 mil de indenização
a sua ex-empregada doméstica. Ele abriu no nome dela uma empresa
que causou prejuízos financeiros e emocionais. Ainda cabe recurso
da decisão da 14ª Câmara Cível do Tribunal
de Justiça de Minas Gerais.
A doméstica foi contratada para
prestar serviços na residência em 1984. Depois de 14 anos
de trabalho, o patrão solicitou que ela assinasse alguns documentos
para regularizar a situação de sua empresa. Como já
existia uma relação de confiança entre eles, a
empregada assinou todos os documentos solicitados, sem ter ciência
do conteúdo, de acordo com os autos.
Em 2000, quando já não
prestava mais serviços ao representante comercial, a doméstica
recebeu uma notificação de trânsito. O nome dela
constava como proprietária de um carro. Ela chegou a procurar
o ex-patrão, que informou que iria resolver a situação.
Um ano depois, ela recebeu uma notificação
da Receita Federal para que quitasse uma dívida tributária
de uma empresa que estava em seu nome, no prazo de dez dias, no valor
de aproximadamente R$ 140 mil. A partir dessa notificação,
ela soube que estava devendo diversos órgãos dos governos
federal, estadual e municipal.
A doméstica recorreu à
Justiça para pedir indenização pelos danos sofridos.
De acordo com os autos, o ex-patrão afirmou que, como ele estava
impedido de constituir empresa em seu nome por não conseguir
honrar dívida fiscal, propôs à doméstica
abrir a empresa no nome dela.
Em primeira instância, ele foi
condenado a pagar indenização no valor de R$ 4 mil. A
indenização foi embasada na multa de trânsito que
a doméstica recebeu e na notificação de possibilidade
de enquadramento em crime contra a ordem tributária.
Ele, então, recorreu ao Tribunal
de Justiça mineiro. Teve o recurso negado. Para os desembargadores
Elias Camilo, relator, Heloísa Combat e Renato Martins Jacob,
ficou comprovada a absoluta má-fé do ex-patrão.
Eles ressaltaram que a doméstica não chegou a receber
nenhuma vantagem econômica pelo negócio “forjado”
e também não mudou o seu padrão de vida por ter
se tornado uma “empresária”. Os desembargadores aumentaram
a indenização para R$ 6 mil.
Processo 10145030696721001
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CONSULTOR JURÍDICO,
27 de junho de 2006
Benefícios simultâneos
Aposentadoria não deve ser abatida
de indenização devida
O valor da aposentadoria não deve
ser abatido da indenização devida pelo empregador. Os
benefícios podem ser pagos simultaneamente por terem naturezas
distintas. O entendimento é da 3ª Turma do Superior Tribunal
de Justiça, que condenou a Companhia Vale do Rio Doce a indenizar
Alcides de Souza Simões. Ele perdeu as duas pernas em acidente
ocorrido a serviço da empresa e ficou permanentemente impossibilitado
de trabalhar.
A empresa foi condenada a pagar pensão
por danos materiais ao funcionário, no valor equivalente a 2/3
de seu salário mensal – inclusive a parcela de 13°
e eventuais aumentos da categoria – até que ele complete
70 anos de idade.
Os ministros do STJ mantiverem o entendimento
do Tribunal de Alçada de Minas Gerais. O tribunal mineiro afastou
o argumento de culpa exclusiva ou concorrente do funcionário
alegada pela empresa e concluiu que ela é a única responsável
pelo acidente. Para os desembargadores, houve dano, nexo causal e culpa
exclusiva do empregador. Eles entenderam que a indenização
por danos materiais também é devida, mesmo que o funcionário
tenha sido aposentado por invalidez.
A Vale recorreu da decisão. Sustentou
que, por estar aposentado, Simões recebe vencimentos iguais aos
empregados da ativa e já dispõe de recursos para prover
sua subsistência. A empresa argumentou que ao receber cumulativamente
uma nova pensão para a mesma finalidade, o dano causado estaria
sendo reparado em duplicidade, contrariando o espírito da lei.
O ministro Castro Filho citou em seu
voto precedentes do próprio STJ e do Supremo Tribunal Federal.
Segundo ele, o STJ tem decidido que a indenização previdenciária
é diversa e independente da contemplada no direito comum por
serem de origens distintas. De acordo com o ministro, o valor dela não
deve ser abatido do montante reparatório devido.
O relator afirmou ainda que a Valia,
entidade previdenciária pertencente à Companhia Vale do
Rio Doce, tem por objetivo a manutenção do fundo previdenciário
como um todo, com vistas à complementação do valor
das aposentadorias de seus associados. "Razão pela qual
não integra a remuneração destes, já que
apresenta natureza previdenciária e não salarial",
acrescentou.
A Vale do Rio Doce também foi
derrotada ao questionar a inclusão da parcela do 13° salário
e de eventuais aumentos concedidos para a categoria coletiva de trabalho.
A Vale alegou que houve divergência jurisprudencial. O ministro
afirmou que a alegação deve ser comprovada mediante confronto
analítico entre as teses adotadas no acórdão recorrido
e no paradigma colacionado, o que não se satisfaz com a simples
transcrição da ementa.
Resp 823.137
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Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
27/06/2006
Doença profissional suspende o prazo
de prescrição
O período em que o empregado esteve
afastado do trabalho para tratamento de doença profissional suspende
o fluxo do prazo prescricional para ajuizamento de ação
trabalhista. Esta foi a decisão tomada pela Segunda Turma do
Tribunal Superior do Trabalho, em ação envolvendo a Caixa
Econômica Federal (CEF).
Um advogado da CEF ajuizou reclamação
trabalhista pleiteando pagamento de horas extras. Acometido de Lesão
por Esforço Repetitivo (LER), ficou afastado do trabalho por
diversas ocasiões. Alegou que o tempo de afastamento interrompe
a prescrição.
A 2ª Vara de Trabalho de Cascavel
(Paraná) entendeu que as suspensões no contrato de trabalho
decorrentes de afastamentos pelo INSS não interrompem ou suspendem
a prescrição, admitindo o recurso do empregado apenas
em relação ao período posterior ao afastamento.
Inconformado, o autor da ação
recorreu ao Tribunal Regional do Trabalho da 9a Região (Paraná),
que manteve a decisão. Em recurso ao TST, no entanto, o empregado
teve êxito em seu pedido.
O ministro José Simpliciano Fernandes,
relator do processo, entendeu que a doença profissional, equiparada
a acidente de trabalho, é causa de suspensão da eficácia
do contrato de emprego.
Segundo o ministro, o artigo 476 da CLT
estabalece que, em caso de seguro-doença ou auxílio-enfermidade,
o empregado é considerado em licença não remunerada
durante o prazo desse benefício. A mesma regra é encontrada
na legislação previdenciária, nos artigos 63 da
Lei 8.213/91 e 3º do Decreto 3.048/99.
Durante o afastamento do empregado, os
15 primeiros dias classificam-se como interrupção do contrato
de trabalho e são remunerados pelo empregador. A partir de então,
a interrupção transforma-se em suspensão, e o ônus
passa a ser da Previdência Social.
“Estando suspenso o contrato de
trabalho, em virtude de o empregado haver sido acometido de doença
profissional, com percepção de auxílio-doença,
opera-se igualmente a suspensão do fluxo do prazo prescricional”,
concluiu o relator. (RR-424/2001-069-09-00.5)

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