 |
JORNAL DO ESTADO, 28 de junho de 2006
Cohapar se recusa a regularizar contratações
MPT vai entrar na Justiça contra companhia
por falta de registro dos trabalhadores
Abraão Benício
A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) se
recusa a regularizar a situação dos trabalhadores contratados,
sem registro, através do programa “Casa da Família”
e o Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) promete entrar
com uma ação na Justiça contra o governo Requião.
“Eles não concordaram em expandir os benefícios
à todos os trabalhadores do programa, alegando que seria um custo
muito elevado para a Companhia. Desta forma, não nos resta outra
alternativa a não ser uma ação judicial. Não
quero estabelecer prazo para isso, mas nos próximos dias estarei
dando entrada na Justiça”, afirma o procurador do MPT-PR,
Ricardo Bruel da Silveira.
Na última segunda-feira, o MPT-PR, a Delegacia Regional do Trabalho
e o Comitê de Combate à Informalidade – formado por
representantes dos sindicatos do setor de construção do
Paraná - tentaram um acordo para que a situação
dos trabalhadores fosse regularizada e ofereceram uma última
oportunidade para que a Companhia passasse a agir de acordo com a legislação
trabalhista, o que não aconteceu.
Para o presidente da Federação dos Trabalhadores
na Indústria da Construção do Paraná (Fetraconspar)
e membro do Comitê de Combate à Informalidade, Geraldo
Ramthun, o governo assinou um atestado de culpa ao se recusar a assinar
a carteira dos trabalhadores. “Eles admitiram as irregularidades
que vêm praticando, mas mesmo assim se recusam a obedecer as leis
trabalhistas. Não descansaremos enquanto esta situação
não for resolvida. Agora, cabe a Delegacia Regional do Trabalho
e ao Ministério Público do Trabalho fiscalizarem a Cohapar
e tomarem as medidas jurídicas cabíveis”.
Histórico — Desde a posse de Requião,
em 2003, a Cohapar vem driblando a legislação, deixando
de recolher os impostos e contratando, via associações
de moradores, trabalhadores para contrução de moradias
populares. A Cohapar alega, entre outras coisas, que as casas são
contruídas em regime de mutirão. Em 2004, a companhia
foi procurada pelo MPT-PR, que já vinha investigando as irregularidades.
Na época, a Cohapar se recusou a assinar um termo de ajuste de
conduta para que os trabalhadores fossem registrados e os impostos recolhidos.
No último dia 5, depois que o Jornal do Estado publicou reportagem
onde o procurador do MPT-PR Ricardo Bruel da Silveira informava que
iria recorrer a Justiça para que os direitos dos trabalhadores
fossem respeitados, a presidente da Cohapar, Rosangela Curra Kosak assinou
um termo de ajuste de conduta e se comprometeu a assinar a carteira
apenas dos serventes de pedreiro do programa. Pelo termo, a Cohapar
se compromete a exigir das associações de moradores, beneficiadas
pelo “Casa da Família”, o registro de todos os trabalhadores
que executem a função de servente, nas obras iniciadas
a partir de maio de 2006.
Em caso de descumprimento das determinações do MPT-PR,
a Companhia está sujeita ao pagamento de multa de R$ 1 mil por
trabalhador encontrado em situação irregular. “É
uma pena que a Companhia tenha se recusado a regularizar a situação
dos outros trabalhadores. Vamos entrar na Justiça e continuaremos
fiscalizando a empresa para saber se estão cumprido os compromissos
assumidos no termo de ajuste de conduta”.
|
FOLHA DE LONDRINA, 28 de junho
de 2006
Setor moveleiro deve ser reformulado
Crescimento 'insignificante' apresentado pelo
segmento obriga indústrias a buscar mais eficiência
A conjuntura econômica deve levar
o setor moveleiro a buscar mais eficiência. A desvalorização
do dólar frente ao real, a forte concorrência no mercado
internacional e a falta de uma política pública de incentivo
às exportações praticamente obrigam as indústrias
a rever o seu posicionamento no mercado. Os números oficiais
mostram que o segmento precisa traçar novas estratégias
para tentar reverter o recuo apresentado pelas indústrias moveleiras.
Nos cinco primeiros meses do ano, as exportações de mobiliário
caíram 11,5% com relação ao mesmo período
de 2005.
No entanto, as indústrias paranaenses
apresentaram um crescimento de 10%. O índice é resultado
da abertura de novos mercados na América Latina, Oriente Médio
e África e da produção de móveis de chapa
de madeira. Em geral, o setor fechou o ano passado com um crescimento
das vendas externas de 5,3%, um porcentual considerado insignificante
pela Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário
(Abimóvel), uma vez que em 2004 as indústrias apresentaram
um aumento de 42%. ''Em três anos o setor conseguiu dobrar as
exportações'', afirma. No mercado interno, a realidade
é ainda pior. Em 2005, o segmento apresentou recuo de 4%.
A conjuntura atual e as perspectivas
do mercado serão discutidas hoje durante o 1º Congresso
Nacional Moveleiro, evento realizado paralelamente à Feira Internacional
da Qualidade em Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios
para a Indústria Moveleira (Fiq 2006). O evento teve início
ontem e prossegue até sexta-feira (leia reportagem ao lado).
Também durante a feira será apresentada uma pesquisa,
realizada no final do ano passado, de título ''Panorama do setor
moveleiro brasileiro: de onde viemos e a conjuntura atual''. Foram ouvidas
mais de 500 empresas de 15 pólos produtores de todo o País
e de outras regiões.
''Acredito que os empresários
devam rever seus conceitos e o seu posicionamento no mercado. Poucas
indústrias têm uma marca forte e, por isso, as empresas
devam repensar seus negócios, com ações de marketing
e comerciais mais agressivas'', salienta o economista Marcelo Prado,
consultor e especialista em marketing industrial do Instituto de Estudos
de Marketing Industrial (Iemi), empresa que realizou a pesquisa e tem
sede em São Paulo. Na opinião do presidente da Abimóvel,
Domingos Rigoni, falta uma política pública de incentivo
às exportações.
''O governo não se preocupa com
o setor produtivo. As indústrias estão buscando mais eficiência,
mas precisamos de tecnologia de primeiro mundo, só que para isso
temos uma carga tributária que pode atingir os 39%, não
temos bons financiamentos e ainda temos que oferecer garantias absurdas.
As indústrias estão melhorando, temos boas matérias-primas,
mas falta tecnologia e políticas adequadas'', afirma Rigoni.
A China, hoje, aparece como o principal pólo produtor mundial
com a utilização de tecnologia de ponta, máquinas
modernas e eficientes e produção em massa.
Pesquisa - A pesquisa apurou que
o Brasil produz cerca de 309 milhões de peças de mobiliário
por ano, fabricadas por 14,4 mil indústrias instaladas em território
nacional. O setor gera 228 mil empregos formais e investe R$ 330 milhões
por ano. A produção nacional é fragmentada, concentrada
em empresas de pequeno porte, com menos de dez funcionários.
O estudo mostra ainda que 64,6% das empresas tem faturamento de até
R$ 120 mil e 83% têm sua produção concentrada em
móveis de madeira, principalmente de peças para dormitório.
Fernanda Mazzini
Reportagem Local
|
JORNAL VALOR ONLINE / SÃO
PAULO, 28 de junho de 2006
Atividade de construção
na Argentina avança 20,3% entre janeiro e maio, revela Kirchner
A atividade de construção
cresceu 20,3% na Argentina nos cinco primeiros meses do ano, adiantou
o presidente do país, Néstor Kirchner, nesta manhã
durante evento na Casa Rosada. Ele também indicou que o incremento
foi de 7,5% no mês em maio, levando-se em conta a sazonalidade.
Livre desse efeito, houve expansão
de 2% no período.
Kirchner notou que esses dados mostram
que o setor de construção se consolida como o principal
motor da recuperação econômica argentina e reforçou
que o governo seguirá "apoiando fortemente o investimento
privado".
Os números da construção
serão apresentados ainda hoje pelo Instituto Nacional de Estadística
y Censos (Indec).
(Juliana Cardoso | Valor Online,
com agências argentinas)
|
PRIMEIRA HORA / AGÊNCIA
DE NOTÍCIAS (MT), 28 de junho de 2006
População poderá
pagar material de construção em até 24 vezes
O Banco do Brasil alterou as condições
contratuais para a linha BB Material Construção. A partir
desta semana, a taxa de juros de 1,9 % nominal ao mês, o grande
atrativo da linha, passa a valer para o prazo de 2 a 24 meses. Até
aqui, era possível contratar essa taxa somente em 12 parcelas.
O prazo
máximo para contratação
agora é de 36 meses ante os 24 meses atuais. Nas contrações
para períodos situados entre 24 e 36 meses, a taxa é de
2,9% mensais. O financiamento é destinado a quem pretende construir,
ampliar ou reformar o imóvel em área urbana e facilita
a aquisição de material básico e acabamento, hidráulico,
elétrico e ferragens.
A linha BB Material Construção
do Banco do Brasil oferece financiamentos de até R$ 20 mil por
cliente sem necessidade de garantias ou fiador. No BB, o limite de crédito
é pré-aprovado e pode ser contratado nos mais de 21 mil
estabelecimentos conveniados à rede Visanet em todo o país.
Outra vantagem é que o cliente do Banco pode estender o pagamento
da primeira parcela do financiamento até 59 dias após
a contratação.
Lançado no final de 2003, o BB
Material Construção acumula desembolsos de R$ 1,6 bilhão
e 730 mil operações contratadas. A carteira ativa da linha,
que é o valor das operações em curso, está
atualmente em R$ 600 milhões, valor distribuído por 420
mil contratos. O Banco do Brasil dispõe de recursos da ordem
R$ 1 bilhão de reais para financiar a compra de material de construção.
Parte desses recursos são do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
A estimativa da instituição é de que o pacote de
incentivo do governo federal para o setor de construção
civil aumente a demanda para a utilização total desses
recursos.
Desde outubro do ano passado, a
linha passou a financiar também a compra de armários planejados
para cozinhas, quartos e banheiros. Para isso, basta que a loja seja
afiliada à Visanet e tenha convênio com a instituição.
Para contratar a linha de crédito não é necessário
que o cliente vá a uma agência do Banco. Ele pode solicitar
o financiamento diretamente nos terminais das lojas de material de construção,
onde passa seu cartão da bandeira Visa na função
débito e faz a opção pelo financiamento.
|
Agência Diap, 28 de
junho de 2006
Emprego
Cresce o número de trabalhadores
com carteira assinada no país
A criação de novos postos de trabalho diminuiu a informalidade
no país. A afirmação é resultado de pesquisa
divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE). Além do aumento dos postos formais de trabalho, a qualidade
das vagas geradas também faz parte dos dados divulgados. Segundo
os dados do IBGE, as estatísticas que indicavam um índice
de 13% de desempregados no país, passaram, nos dias atuais, a
ser de 10%.
Fiscalização
Um dos fatores que contribuem para o aumento dos trabalhadores formais
tem sido a fiscalização do Ministério do Trabalho
e a que é realizada pelos sindicatos de trabalhadores. Para o
professor Márcio Pochmann, da Universidade Estadual de Campinas,
o crescimento nas exportações é outro fator que
contribuiu para o aumento na quantidade de trabalho formal. "As
empresas que realizam as exportações são empresas
de grande porte, e por outro lado, os exportadores são muito
exigentes com relação às legislações
que desrespeitam aos trabalhadores". afirma o economista. De acordo
com dados do Ministério do Trabalho, entre 2003 e 2005, foram
criados 3.422.690 vagas formais de trabalho.
Indústria
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI),
a quantidade de empregos formais deverá aumentar ainda mais este
ano. Para o economista da CNI, Paulo Mol, “depois de um ano de
estabilidade no emprego industrial, os empresários estão
confiantes na recuperação da economia”. Estatísticas
do Ministério do Trabalho mostram que 40% dos empregos formais
foram oferecidos pela indústria.
|
Agência Senado, 28
de junho de 2006
FAT poderá pagar bolsas de estágios
para trabalhadores
A Comissão de Educação (CE) vota nesta quarta-feira
(28), em decisão terminativa, projeto de lei de autoria do senador
José Agripino (PFL-RN) que permite que o Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) financie estágio remunerado para trabalhadores em empresas
e universidades, pelo prazo de seis meses. Pela proposta (PLS 177/02),
fica criada a bolsa de aperfeiçoamento profissional, no valor
de R$ 200,00.
O relator, senador Valdir Raupp (PMDB-RO),
se diz a favor do projeto, por entender que custear estágios
constitui um impulso ao emprego e à formação profissional.
Mas apresentou emendas ao projeto original, entre elas a que determina
que o trabalhador somente poderá ter acesso ao benefício
caso esteja cadastrado no Sistema Nacional de Emprego (Sine), no Centro
de Integração Empresa-Escola (Ciee) ou no Instituto Euvaldo
Lodi (Iel), vinculado à Confederação Nacional da
Indústria (CNI).
Na mesma reunião, marcada para
as 10h, a CE aprecia projeto (PLS 281/03) do senador Efraim Morais (PFL-PB)
que torna obrigatório o ensino do Direito Internacional Humanitário
nas escolas e academias militares do Exército, da Marinha e da
Aeronáutica. Para o senador, a matéria, já instituída
pelas quatro convenções de Genebra, é de fundamental
importância para a formação da oficialidade.
Também consta da pauta da CE a
análise do projeto de resolução da senadora Heloísa
Helena (PSOL-AL) que determina que a TV Senado traduza para a Língua
Brasileira de Sinais (Libras) as transmissões das sessões
plenárias e reuniões das comissões da Casa (PRS
2/05).
|
Folha
de São Paulo, 28 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Alckmin tira FHC do debate para evitar
"agenda petista"
Tucano diz que sua campanha vai comparar gestão
de Lula com governo paulista | Candidato reage a discurso do presidente,
que afirmou ter pego o país "um pouco desarranjado" e
que teve desempenho extraordinário
DA REPORTAGEM LOCAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O candidato do PSDB à Presidência,
Geraldo Alckmin, trabalhará para impedir que a comparação
dos governos Lula e FHC domine o debate eleitoral. "Não
vou ser pautado pelo PT", disse ontem, após o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva atacar, mais uma vez, a oposição
e dizer que pegou o Brasil "um pouco desarranjado". Deixando
claro que quer tirar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso do centro
da campanha, Alckmin reagiu, acusando Lula de voltar o farol para o
passado. "O PT não vai nos pautar. Vamos falar do que nós
já fizemos em São Paulo e do que eles não fizeram
na área federal e o que vamos fazer."
Alckmin disse que defenderá FHC,
"porque há muitas injustiças que são colocadas".
Como exemplo, afirmou que Lula não reconhece os méritos
do antecessor. "Colhe frutos e não reconhece", criticou,
chamando de atrasada "essa coisa de você ficar o tempo inteiro
falando mal do antecessor". Ele frisou, no entanto, que o que "está
em discussão é quem pode fazer mais pelo Brasil nos próximos
quatro anos".
À noite, o tucano voltou a falar
sobre as comparações: "Essa obsessão de falar
do passado é medo do presente. Medo de discutir a corrupção,
os problemas de governo, a ineficiência, a falta de equipe e a
falta de projetos", afirmou, ao chegar na festa junina do senador
José Jorge (PFL-PE), seu vice.
"Desarranjada"
Num evento oficial e sob os gritos de
"Lula outra vez", o presidente comparou o Brasil que assumiu
a um avião desmontado. Disse que certa vez ganhou um avião
para montar com as instruções em inglês. Ele chegou
a pensar em jogar o brinquedo fora, mas depois chamou alguém
para montá-lo. "O Brasil, quando o pegamos, era assim. Ele
era uma coisa um pouco desarranjada, as pessoas achavam que não
ia dar certo."
Alckmin rebateu, afirmando que, no final
de 2002, o Brasil estava sob o "efeito PT", o "risco
Lula". "Foi simplesmente a possibilidade de vitória
do Lula que acabou piorando aí os índices no final de
2002." Ele negou que Lula tenha herdado a economia desarrumada.
"Pelo contrário. Foi o governo do presidente FHC que através
do real conseguiu fato que deve ser comemorado, que até hoje
traz benefícios para a população, que é
a estabilidade monetária", declarou o tucano.
"Pai dos pobres"
No evento, Lula mais uma vez se colocou
como o defensor dos pobres e disse que o resultado de seu governo, em
"apenas 42 meses", tem sido "extraordinário".
Ele discursou a cerca de mil pessoas que lotaram o auditório
de um clube de Brasília para a Conferência Nacional de
Economia Solidária. Três dias depois de oficializada sua
candidatura à reeleição, o presidente foi recebido
com o coro de "um, dois, três, é Lula outra vez".
Empolgado com a claque, Lula ignorou o texto preparado por sua assessoria
e discursou, de improviso, por 20 minutos, sempre em busca de comparações
e ataques a FHC. "O Brasil não estava preparado para cuidar
da parte mais pobre da população."
Segundo Lula, "quando a gente casa
com a viúva, a gente tem que herdar os filhos também.
(...) Temos que casar com o conjunto da alegria e dos problemas também".
Quando o presidente conheceu a primeira-dama em 1973, Marisa era viúva
e tinha um filho. Após casar-se com ela, Lula também adotou
o filho dela, Marcos. Na convenção petista de sábado,
Lula deu o tom de como será sua campanha, afirmando que "as
vozes do atraso estão de volta". Antevendo a estratégia,
FHC reuniu ministros no mês passado -como relatou a Folha- para
elaboração de uma cartilha em defesa de sua administração.
Domingo, FHC contra-atacou, dizendo que o presidente petista "cacareja
sobre os ovos dos outros".
Para Lula, nem mesmo os críticos
sabem explicar o segredo do sucesso de sua gestão, citando a
antecipação do pagamento da dívida brasileira com
o FMI (Fundo Monetário Nacional). "O que aconteceu? É
que nós conseguimos arrumar a casa de tal ordem que alguns críticos
do passado não sabem explicar como é que a gente resolveu
o problema", afirmou o petista. (CATIA SEABRA,
EDUARDO SCOLESE E PEDRO DIAS LEITE)
|
Folha
de São Paulo, 28 de junho de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
Atraído pelo poder, PMDB pende para
Lula nos Estados
Partido deve apoiar o candidato petista em pelo
menos 13 palanques estaduais | Oficialmente, Alckmin terá palanque
em 9 Estados, mas as omissões de candidatos que não farão
campanha explícita devem prejudicá-lo
MALU DELGADO
DA REPORTAGEM LOCAL
A composição final dos
palanques estaduais do PMDB favorece o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva na disputa pela reeleição. Oficialmente,
o partido quase se dividiu ao meio entre Lula e Geraldo Alckmin (PSDB).
Haverá, porém, engajamentos velados ao petista e omissões
em palanques da oposição, sem campanha explícita
a Alckmin, que ajudarão Lula. Pelas contas da direção
do PMDB, Lula deve ter o apoio em pelo menos 13 Estados. No balanço
feito pela cúpula do PT, estarão engajados na reeleição
lideranças peemedebistas de 14 Estados.
Houve reviravoltas na reta final. No
Piauí, o senador Mão Santa conseguiu, por pequena diferença,
viabilizar a candidatura própria contra Lula. Em Minas Gerais,
os peemedebistas abandonaram os tucanos. O PT considera o mapa pró-Lula
um trunfo que poderia auxiliar na governabilidade num eventual segundo
mandato. O partido conta com a participação do PMDB, caso
Lula seja eleito, para formar maioria no Congresso. Analistas políticos
e parlamentares apostam que o PMDB será a maior legenda na próxima
legislatura. O apoio do PMDB a Lula implicará, se vencer a eleição,
ampla participação num próximo governo.
Oficialmente, PT e PMDB estão
do mesmo lado na eleição em oito Estados: Amapá,
Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Roraima
e Tocantins. Alckmin, por sua vez, teria nove palanques: Acre, Distrito
Federal, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Piauí,
Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Sergipe. A situação
mais inusitada ocorrerá no Espírito Santo. O governador
Paulo Hartung (PMDB) é historicamente ligado aos tucanos e vai
apoiar o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Veloso Lucas (PSDB)
para o Senado. Mas fez acordo com o PT e fará campanha para Lula.
O presidente ainda contará com
apoios velados. No Maranhão, a senadora Roseana Sarney (PFL)
disputará o governo, mas não atacará Lula. Ao contrário:
o grupo político dos Sarney trabalhará a favor da reeleição.
Em Rondônia, o senador Amir Lando (PMDB) vai disputar o governo
com a petista Fátima Cleide, mas está ao lado de Lula.
Em São Paulo, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) não
fará campanha para Lula nem para Alckmin. Quércia foi
convidado por Lula para uma conversa no final de maio. A candidatura
dele em São Paulo aumenta as chances de Aloizio Mercadante (PT)
disputar o segundo turno com o ex-prefeito José Serra (PSDB),
favorito nas pesquisas.
Alckmin contará com "palanques
envergonhados" no Rio de Janeiro e Alagoas. O senador Sérgio
Cabral (PMDB) afirma que apoiará o tucano, mas o presidente do
Senado, Renan Calheiros, trabalha para minimizar o entusiasmo do correligionário.
Calheiros fez aliança em Alagoas com o tucano Teotônio
Vilela, mas fará campanha aberta para Lula. No Paraná,
Rio Grande do Sul e Goiás, Lula não terá apoio
explícito do PMDB. No entanto, o governador Roberto Requião,
a despeito das diferenças com o PT local, já anunciou,
segundo relatos de petistas, a montagem do comitê Requião/Lula.
O gaúcho Germano Rigotto também
não pretende abrir os braços para Alckmin, pois a candidatura
de Yêda Crusius (PSDB) começa a incomodá-lo. O senador
Maguito Vilela (PMDB) tem dito a dirigentes do PT que manterá
o apoio a Lula, mesmo com resistências locais do partido.
|
Folha de São Paulo,
28 de Junho de 2006
TECNOLOGIA
Nortel planeja cortar 1.100 empregos
DA FOLHA ONLINE
A fabricante de equipamentos de
telecomunicações Nortel Networks anunciou ontem que irá
cortar 1.100 empregos em suas divisões no mundo todo, além
de reformular o plano de benefícios aos aposentados. As reformas
previstas visam a aumentar margens de lucro operacional e reduzir custos.
O plano da Nortel prevê o fechamento de 1.900 vagas (do total
de 35 mil funcionários), mas também a contratação
de 800 trabalhadores no México e na Turquia. Os custos da reestruturação
planejada pela Nortel devem totalizar US$ 100 milhões nos próximos
dois anos. A empresa espera economizar US$ 275 milhões até
2008 com as demissões.
|
FOLHA DE LONDRINA, 28 de junho
de 2006
Setor industrial se reúne em Brasília
A promoção do desenvolvimento
sustentável do País estará em pauta durante o primeiro
Encontro Nacional das Indústrias, marcado para hoje e amanhã,
em Brasília. Cerca de 1,2 mil representantes do setor industrial
estarão presente para fazer uma avaliação do segmento
e definir uma agenda de propostas e de pontos considerados prioritários
para a retomada do crescimento industrial do País. O documento
final será entregue ao presidente Lula e demais candidatos ao
governo federal e aos governos estaduais.
Entre as questões urgentes que
deverão ser debatidas entrará o controle dos gastos públicos
e a reforma tributária. Segundo adiantou o presidente da Federação
das Indústrias do Estado do Paraná, Rodrigo Roucha Loures,
a finalidade do encontro - proposto pela Confederação
Nacional das Indústrias (CNI) - é validar o mapa estratégico
de crescimento industrial, que vem sendo construído há
cerca de um ano e meio. ''Dentro desse mapa temos traçadas atividades
para o futuro, analisamos o desenvolvimento sustentável e como
a indústria pode contribuir para que o País cresça
ganhando qualidade de gestão e sendo socioecologicamente correto'',
citou.
De acordo com ele, um esboço de
propostas - elaborado recentemente em Porto Alegre, em encontro dos
representantes das federações dos estados do Sul - será
apresentado no evento e deverá mostrar a necessidade dos estados
do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. ''Na verdade são
pontos de interesse geral'', observou.
Entre essas propostas dos estados do
Sul está mudanças na segurança jurídica
e pública do País. ''O empresário precisa de segurança
para investir. E aqui no País as leis são mudadas com
frequência e nem sempre as propriedades privadas são respeitadas.
É preciso mudança'', exemplificou. Outros pontos de necessidade
comum são a melhoria na infra-estrutura, como rodovias e portos,
além de reformas políticas administrativas.
Na opinião de Loures, sem
mudanças concretas e sem colocar em prática o mapa estratégico,
fica difícil inserir competitivamente o País na economia
mundial. ''Não basta estabelecer estratégias, é
preciso ainda mobilizar os industriais para obter o apoio da sociedade
e colocar em atividade essas propostas'', acrescentou. O teor político
deverá permear todas as discussões do encontro, já
que a idéia é entregar essas propostas aos candidatos
ao governo.
Erika Zanon
Reportagem Local
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 28 de junho de 2006
| Economia
BENEFÍCIO
Saque do PIS termina sexta
Cerca de 634 mil trabalhadores não sacaram o abono do PIS/Pasep
e correm o risco de perder o benefício de R$ 350, de acordo com
o Ministério do Trabalho. O prazo para o saque do benefício
termina nesta sexta, dia 30, e o trabalhador que não realizar
o saque perde o direito e o recurso volta para o Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT). Têm direito ao abono salarial trabalhadores
ou servidores públicos que estiverem inscritos no PIS ou Pasep
há 5 anos; tenham trabalhado, no mínimo, 30 dias para
empregadores participantes dos programas em 2004; tenham sido informados
corretamente na Rais; e tenham tido um salário mensal correspondente
a 2 salários mínimos em 2004.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 28
de junho de 2006 | Mundo
VENEZUELA
Chávez nega plano de adquirir
tecnologia militar
Caracas – A Venezuela negou ontem que tenha planos de adquirir
tecnologia militar norte-coreana durante a próxima visita oficial
do presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao país asiático.
A possibilidade que a Venezuela adquira
tecnologia militar da Coréia do Norte “está somente
na cabeça do governo americano”, disse o chanceler venezuelano,
Alí Rodríguez.
“De nenhuma maneira se falou
de tecnologia militar com a Coréia”, acrescentou Rodríguez
ao ser perguntado sobre a “preocupação” expressada
por Washington sobre o assunto. Chávez confirmou sua próxima
visita à Coréia do Norte como parte de uma viagem por
Belarus, Vietnã e China, cuja data não foi anunciada oficialmente,
e informou que assinará acordos de cooperação tecnológica
e científica com o governo de Pyongyang.
|
ESTADÃO.COM / SÃO PAULO, 28
de junho de 2006 | Economia
Lula abre Conferência Nacional de
Economia Solidária
A economia solidária tem se consolidado
como alternativa de inclusão social para milhares de trabalhadores
que buscam espaço no mercado
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho participam,
nesta manhã, na Academia de Tênis, em Brasília,
da cerimônia de abertura da 1ª Conferência Nacional
de Economia Solidária.
Os debates reunirão 1.112 delegados de todo o
País para discutir os avanços da economia solidária
e a implementação de políticas para o setor. O
encontro vai até quinta-feira (29).
A economia solidária tem se consolidado como alternativa
de inclusão social para milhares de trabalhadores que buscam
espaço no mercado. São mais de 15 mil empreendimentos,
entre cooperativas, associações ou administração
de empresas falidas, inserindo mais de 1,25 milhão de pessoas
em atividades de produção de bens e prestação
de serviços, consumo e crédito no País.
Durante o encontro, serão discutidos ainda temas
como a autogestão de empresas por trabalhadores, microcrédito
por meio de bancos comunitários, redes de produção
solidárias e as organizações associativas.
|
JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
28 de junho de 2006 | Economia
Ganho com exportação dobra
em oito anos
SÃO PAULO – A participação
das exportações no faturamento das indústrias brasileiras
quase dobrou entre 1996 e 2004.
A Pesquisa Industrial Anual (PIA) de
2004, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), mostra que a participação das exportações
no total do faturamento da indústrias saltou de 10,8% (R$ 38,8
bilhões) para 20,4% (R$ 239,5 bilhões) no período
comparado.
Dos 95 segmentos analisados, 85 ampliaram
a receita proveniente das exportações, como proporção
das vendas totais.
Entre os segmentos industriais, 12 permaneceram
nos três anos de análise (1996, 2000 e 2004) entre os de
alta abertura às exportações: indústria
extrativa; conservas de frutas, legumes e outros vegetais; óleos
e gorduras vegetais e animais; produtos do fumo; curtimento e outras
preparações de couro; madeira; celulose e outras pastas
para a fabricação de papel; ferro gusa, ferroligas e siderurgia;
metalurgia de metais não-ferrosos; máquinas e equipamentos
de uso na extração mineral e construção;
fabricação de armas, munições e equipamentos
militares; e aeronaves. Em 2004, esses segmentos responderam por cerca
de 40% do total exportado e por 20% do valor da transformação.
Entre os que se tornaram relativamente
mais exportadores, destacaram-se embarcações, que saiu
do grupo de baixa intensidade exportadora (em 1996 e 2000) para o de
alta (em 2004); e o de abate e preparação de carne e de
pescado, único que mostrou clara evolução a cada
ano analisado. Esses dois setores juntos respondiam por cerca 2% do
total exportado, em 1996, e passaram para aproximadamente 8,5% em 2004.
|
ESTADÃO.COM / SÃO
PAULO, 28 de junho de 2006 | Economia
Comerciantes deverão vender pãozinho
por peso
Os estabelecimentos têm até 20
de outubro para se adequarem à nova regulamentação
Gabriela Villen
SÃO PAULO - Os comerciantes de
todo o País terão até 20 de outubro para se adequarem
à nova regulamentação para a venda do pão
francês, conforme informou o Instituto Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro).
A portaria publicada na última
quinta-feira (22) no Diário da União determina que o pão
seja comercializado por peso, e não por unidades.
A indicação do preço
a pagar pelo quilograma "deverá ser grafada com dígitos
de dimensão mínima de 5 centímetros de altura e
afixada próxima ao balcão de venda e em local de fácil
visualização pelo consumidor". Além disso,
as novas regras determinam que as balanças indiquem a "massa
medida (peso) e do preço a ser pago".
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
28 de junho de 2006
Juiz pode negar seguimento à apelação
contra sentença amparada em súmulas
Roseli Ribeiro
A lei 11.276/2006, em vigor desde maio,
criou o parágrafo 1º ao artigo 518 do CPC (Código
de Processo Civil), estabelecendo que “o juiz não receberá
o recurso de apelação quando a sentença estiver
em conformidade com súmula do STJ (Superior Tribunal de Justiça)
ou STF (Superior Tribunal de Justiça)”.
A modificação pretendeu
impedir o uso indiscriminado de recursos aos tribunais para discussão
e reavaliação de temas cujo entendimento já está
pacificado pelas súmulas do STJ (Superior Tribunal de Justiça)
e o STF (Supremo Tribunal Fedral).
Como tantas outras realizadas no CPC,
a mudança não foge à regra e causa polêmica
entre processualistas ouvidos pela Última Instância.
Murilo Sechieri Costa Neves, advogado
e professor de direito processual civil no Complexo Jurídico
Damásio de Jesus, ressalta que “o § 1º do artigo
518 do CPC concede ao juiz o poder de analisar o próprio mérito
do recurso de apelação quando a sentença impugnada
estiver, no seu entender, em conformidade com a jurisprudência
sumulada dos Tribunais Superiores”.
Para Sechieri, “a apreciação
da conformidade ou não da sentença com o entendimento
do STJ ou do STF é matéria que normalmente fica –e
deveria mesmo ficar– a cargo do tribunal, a que esteja submetido
o juízo. Portanto, caberia ao tribunal avaliar a sentença
e julgar o recurso”.
“Com a reforma, o magistrado que
sentenciou pode impedir que a apelação tenha prosseguimento,
desde que ele justifique que a sentença está em consonância
com as citadas súmulas”, esclarece o especialista. “O
parágrafo primeiro do artigo 518 do CPC permite que o juízo
prolator da sentença se adiante ao julgamento do recurso e afirme
que sua decisão foi proferida de acordo com a jurisprudência
sumulada e com esse despacho obste a subida do recurso de apelação”,
destaca Sechieri.
Segundo Murilo Sechieri, “o enquadramento
da sentença em hipótese concreta das súmulas não
dispensa uma apreciação valorativa, e até mesmo
uma análise dos fatos tratados nos autos, o que deveria ser feito
por outro órgão jurisdicional que não aquele que
proferiu a decisão”.
Alexandre Freitas Câmara, advogado,
professor de direito processual civil e coordenador do corpo docente
do DIEX, avalia que o parágrafo 1º do artigo 518, cria a
figura da súmula impeditiva de apelação.
Segundo Alexandre Câmara, “trata-se
de mecanismo muito interessante, destinado a acelerar a entrega da prestação
jurisdicional, em casos em que o resultado final do processo é
bastante previsível”.
Interposição do agravo
de instrumento
Se o recorrente tiver sua apelação
recusada pelo juízo singular, com amparo no citado artigo deve
interpor o agravo de instrumento ao tribunal superior. No entendimento
de Murilo Sechieri, “caberá o uso do agravo de instrumento,
nos termos do art. 522 do CPC, para destrancar o recurso”.
Na opinião do especialista, o
uso do agravo de instrumento “se trata de expediente legislativo
destinado a diminuir ao máximo a subida do recurso de apelação”.
“Impedir a subida da apelação
e obrigar o prejudicado a se valer de outro recurso, o agravo de instrumento,
para garantir a reapreciação da matéria, é
mais uma tentativa por parte do legislador de desestimular o uso dos
recursos em razão das dificuldades criadas para o apelante”,
segundo Sechieri.
Alexandre Câmara lamenta a possibilidade
de recorrer ao uso do agravo de instrumento contra a decisão
que deixa de receber a apelação. "Isso faz com que
o processo acabe por chegar, de qualquer maneira, ao tribunal”,
afirma. Segundo, Câmara, “o melhor seria declarar irrecorrível
a decisão que não recebe a apelação. Elas
seriam impugnáveis por mandado de segurança”.
A cultura processual jurídica
tradicional deve demorar em assimilar esse novo conceito, justamente
porque é firme o entendimento de que a sentença do juiz
deve obter um novo julgamento na segunda instância pelos tribunais.
|
ÚLTIMA INSTÂNCIA,
28 de junho de 2006
PEC cria voto de desconfiança para
destituir o presidente
Agência Câmara
Tramita na Câmara a PEC (Proposta
de Emenda à Constituição) 540/06, do deputado André
Costa (PDT-RJ), que torna possível a perda do mandato do presidente
da República em caso de traição da confiança
popular na execução do programa de governo apresentado
nas eleições.
Segundo a proposta, esse ato passa a
ser considerado crime de responsabilidade, assim como atentar contra
a Constituição, a probidade administrativa ou a segurança
interna do país, entre outros. No caso especificado pela PEC,
o processo de perda de mandato só poderá ser instaurado
um ano depois da posse do presidente, por voto da maioria absoluta do
Congresso Nacional. Além disso, a perda do mandato presidencial
estará sujeita a referendo popular.
O objetivo de André Costa é
instituir no regime presidencialista a figura do voto de desconfiança,
que, no parlamentarismo, permite ao Parlamento destituir o primeiro-ministro
e seu gabinete por desaprovar sua política de governo. "Isso
tem-se revelado um instrumento de rápido e invejável equacionamento
dos grandes dilemas administrativos e impasses político-institucionais",
afirma o deputado.
"A destituição da
chefia de um governo dá-se assim segundo um entendimento bem
mais amplo do que seria a ´confiança´ depositada
em um governante, muito além das questões éticas
já contempladas na Constituição Federal e que,
em nosso ordenamento jurídico, constituem a única forma
de impedimento do presidente da República", argumenta.
Crises políticas
De acordo com o autor da proposta, observa-se,
desde a implantação do presidencialismo no Brasil, uma
longa e quase ininterrupta história de crises políticas,
seguida por convulsões sociais, golpes e guerras civis. "A
ocorrência de crises é intrínseca à atividade
política, sendo mesmo seu vício incurável",
afirma o deputado.
Para ele, importa menos o regime político
de uma nação e mais a capacidade desta em sustentar um
quadro político-institucional capaz de protegê-la do "caráter
desestabilizador e, por vezes, mesquinho" das crises políticas.
No seu entender, o que interessa à
sociedade moderna é a maneira como suas instituições
públicas respondem aos reiterados momentos de instabilidade política
e o quanto se comprometem com a sustentação da ordem democrática.
Tramitação
A proposta tramita apensada à
PEC 303/04, do deputado Michel Temer (PMDB-SP), que trata de tema semelhante,
e terá sua admissibilidade pela Comissão de Constituição
e Justiça e de Cidadania. Caso aprovada, será criada uma
comissão especial para analisar o seu mérito.
|
EXPRESSO DA NOTÍCIA
/ SÃO PAULO, 28 de junho de 2006
Empresa não pode levar acordo pré-combinado
à Justiça do Trabalho
O Ministério Público do
Trabalho (MPT) em São Paulo firmou Termo de Ajustamento de Conduta
(TAC) com a Tecnowork Indústria e Comércio de Plásticos
Ltda. e com a Pauling Indústria e Comércio de Plásticos
Ltda. para que obedeçam à lei nos atos de demissão
de seus empregados e se abstenham de utilizar indevidamente a Justiça
do Trabalho por meio de ações com acordos pré-entabulados,
destinados a garantir, artificialmente, a decisão que lhes convém.
As duas empresas comprometeram-se também,
perante a Procuradora do Trabalho Alline Pedrosa Oishi, a deixar de
induzir ou exigir que seus empregados e ex-empregados ajuizem ações
judiciais para recebimento de eventuais créditos trabalhistas,
assim como a deixar de contratar ou indicar a contratação
de advogados para patrocinar ações judiciais trabalhistas
de seus empregados e ex-empregados, visando a homologação,
transação ou conciliação judicial.
A Tecnowork comprometeu-se ainda a pagar
a multa de 40% sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), o aviso prévio e demais verbas rescisórias diretamente
a um grupo de 10 trabalhadores, tudo monetariamente corrigido, descontado
o valor anteriormente pago em acordo judicial previamente combinado.
Em relação a outros sete trabalhadores, que já
não trabalham mais em nenhuma das duas empresas, o TAC determina
que seja apresentado ao MPT o comprovante de pagamento das respectivas
verbas rescisórias.
A empresa terá de depositar R$
1 mil no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) até ao dia 30 de
junho de 2006, a título de danos morais coletivos. Caso não
cumpram as obrigações assumidas, as empresas ficarão
sujeitas ao pagamento de multa de R$ 10 mil todas as vezes que for constatado
o descumprimento do compromisso assumido perante o MPT.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
28/06/2006
Empregado que teve nome em lista negra perde
direito a dano moral
A Quarta Turma do Tribunal Superior do
Trabalho manteve a decisão do TRT da 9a Região (Paraná)
que considerou prescrito o direito de empregado que teve o nome incluído
em “lista negra” de pleitear em juízo indenização
por danos morais. O empregado ajuizou reclamação trabalhista
contra as empresas Coamo Agroindustrial Cooperativa e Employer Organização
de Recursos Humanos requerendo o pagamento da indenização.
Alegou que trabalhou para a Coamo no
período de 6/1/1986 a 13/11/1990, exercendo a função
de provador de café. Em maio de 2004, quando estava desempregado,
soube, por amigos, da existência de uma “lista negra”
de trabalhadores, elaborada pela Employer, onde constavam os nomes de
ex-empregados de várias empresas que ajuizaram reclamações
trabalhistas contra seus empregadores ou serviram de testemunhas contra
estes.
Tal lista, segundo informações
constantes nos autos, era distribuída pela Employer aos seus
tomadores de serviço com o propósito de barrar a contratação
de tais empregados. A “lista negra” foi descoberta e denunciada
pelo Ministério Público do Trabalho, contendo cerca de
sete mil nomes, inclusive o do autor desta ação.
A sentença do juiz de primeiro
grau reconheceu a existência de dano moral. Na sentença
foi dito que “o simples fato de constar da listagem mantida por
empregador é suficiente para que a pessoa tenha sua dignidade
atingida, já que é evidente a forma de discriminação”.
Ambas as empresas foram condenadas, solidariamente,
a indenizar o trabalhador pelos danos sofridos. Em recurso ao TRT/PR,
as empresas alegaram que o direito do autor estaria prescrito e pediram
a extinção do processo, obtendo êxito. O TRT/PR
entendeu que a contagem do prazo de dois anos para a proposição
da ação teve início em 6/6/2001, data em que foi
emitida a lista negra. Como a reclamação trabalhista foi
proposta mais de dois anos após esse momento, o direito foi considerado
prescrito.
Insatisfeito, o empregado recorreu ao
TST. O voto do ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, relator
do processo, foi no sentido de que o autor da ação não
conseguiu provar o momento em que tomou ciência da existência
da lista negra, motivo pelo qual o TRT utilizou como marco prescricional
a data em que a lista foi produzida.
“O artigo 5º, X, da
Constituição Federal assegura a indenização
por dano moral. Do preceito constitucional em comento, percebe-se que
a violação da honra e da imagem do cidadão está
ligada àquela que atinja o âmago da pessoa humana, equiparando-se
à violação da intimidade, devendo ser provada de
forma inequívoca para que possa servir de base à condenação
do pagamento da respectiva indenização por dano moral,
o que não ocorreu no caso dos autos”, concluiu. (RR-459/2004-091-09-00.8).
|
28/06/2006
TST admite flexibilização de horas in itinere
A forma de remuneração
do período de deslocamento do empregado até o local de
serviço, as chamadas “horas in itinere”, pode ser
objeto de flexibilização. A hipótese foi admitida
pela Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho durante julgamento
de recurso de revista, deferido à empresa Rima Industrial Ltda.
A decisão do TST reconheceu a validade de convenção
coletiva de trabalho que excluiu o pagamento de adicional correspondente
às horas in itinere, tempo à disposição
do empregador que passou a ser pago de forma simples.
“Deve-se prestigiar os acordos
e convenções coletivas, com base no artigo 7º, inciso
XXVI, da Constituição Federal, em que se consagrou o princípio
da autonomia privada da vontade coletiva, desde que a pactuação
não agrida norma de ordem pública ou norma constitucional
de proteção mínima ao empregado”, afirmou
o relator do recurso no TST, ministro Barros Levenhagen.
O posicionamento do TST altera a decisão
tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (Minas
Gerais), que negou validade à negociação coletiva
firmada entre patrões e empregados que suprimiu o acréscimo
de 50% sobre o valor das horas in itinere. “Não pode ser
aceita convenção coletiva que retire direitos mínimos
do trabalhador, em desrespeito ao artigo 114, § 2º, da Constituição
da República”, registrou o TRT mineiro.
A defesa da Rima Industrial recorreu
ao TST sob o argumento de violação ao artigo 7º,
inciso XXVI, do texto constitucional, que estimula o reconhecimento
à validade dos acordos e convenções coletivas de
trabalho. A empresa sustentou que as horas in itinere não integram
o conjunto de garantias mínimas do trabalhador, insuscetíveis
de mudança – sendo válida, portanto, a negociação
firmada.
Em seu voto, o ministro Levenhagen frisou
que a interpretação dos acordos e convenções
coletivas pressupõe o princípio do conglobamento, reflexão
jurídica em que se admite a redução de um determinado
direito mediante a concessão de outras vantagens similares, a
fim de que se alcance uma negociação equilibrada.
No caso concreto, o relator observou
que a própria legislação não estabelece
nenhum parâmetro para a remuneração do período
de deslocamento do empregado à empresa. “O parágrafo
2º do artigo 58 da CLT, introduzido pela Lei 10.243 de 2001, embora
reconhecesse o direito às horas de trânsito, nada dispôs
sobre o critério de seu pagamento, se o deveria ser de forma
simples ou acrescido do adicional de 50% das horas extras”, explicou
Levenhagen.
“Sendo assim, é imperativo
observar o que fora soberanamente pactuado na convenção
coletiva de trabalho de as horas de trânsito serem devidas de
forma simples, até porque não guardam nenhuma correlação
com as horas extras, visto que não há efetiva prestação
de serviço”, acrescentou ao consignar a validade da negociação
que previu o pagamento das horas in itinere de forma simples, sem adicional.
(RR 649/2005-072-03-00.0)
|