 |
JORNAL O ESTADO DO PARANÁ, 02 de agosto
de 2006
Obras públicas puxam a construção
civil
Lyrian Saiki
Fábio Alexandre
Prédios residenciais e comerciais não estão no
foco da construção.
O ano eleitoral mexe com diversos setores da economia, mas poucos se
beneficiam tanto como a construção civil - especialmente
empresas focadas em obras públicas, que executam desde recapeamento
de estradas, até construção de hospitais, escolas,
penitenciárias. O reflexo pode ser conferido no aumento de contratações.
Conforme dados do Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged),
do Ministério do Trabalho, no Paraná a construção
civil abriu 5.031 novos postos de trabalho no primeiro semestre deste
ano contra 1.788 no mesmo período do ano passado - ou seja, aumento
no saldo de 181%.
“A expectativa é que o setor continue contratando”,
afirmou o supervisor técnico do Dieese-PR (Departamento Intersindical
de Estatística e Estudos Sócios Econômicos, regional
Paraná), Cid Cordeiro. De fato, a construção civil
parece, finalmente, estar tomando fôlego. Depois de registrar
queda no nível de emprego em 2003 (-3.903 postos de trabalho),
o setor vem se recuperando aos poucos: encerrou 2004 com a contratação
de 1.417 pessoas e, 2005, com saldo de 2.091 postos de trabalho. Para
o economista, o número de contratações aumentou
por conta do crescimento no volume de crédito e por este ser
um ano eleitoral. Hoje o setor emprega cerca de 62 mil pessoas no Estado.
Mais funcionários
A Sial Construções Civis, que atua no mercado há
quinze anos e tem 65% das suas obras voltadas para o setor público
- especialmente do governo do Estado -, já dobrou seu quadro
de funcionários diretos: de 150 até o ano passado para
aproximadamente 300 este ano. “A gente espera poder manter estas
pessoas em 2007”, afirmou o sócio-proprietário da
Sial, Edenilson Rossi Arnaldi.
Segundo o empresário, a intensificação de obras
pelo governo neste período não é apenas uma estratégia
política, mas o resultado de um “calendário administrativo
eleitoral.” “O primeiro ano de governo costuma ser de planejamento,
regularização. As obras começam de fato apenas
a partir do segundo semestre do segundo ano de governo”, apontou.
“Além disso, a obra tem um tempo de maturação
entre o projeto e a licitação, que leva um ano no mínimo.”
No caso da Sial, as obras públicas em 2003 e 2004 ficaram praticamente
paralisadas e só foram retomadas a partir do segundo semestre
do ano passado.
Atualmente, a construtora está executando quatro obras públicas
do governo do Estado: duas penitenciárias - uma em Francisco
Beltrão e outra em Foz do Iguaçu -, o Hospital Regional
do Litoral, em Paranaguá e a reforma do Hospital da Polícia
Militar, em Curitiba. Todas as obras devem ser entregues ainda este
ano.
Apesar de sofrer menos com o baixo crescimento da economia e a taxa
de juros elevada - quando comparado ao segmento imobiliário -,
o setor de obras públicas tem suas dificuldades, segundo Rossi.
“Ao longo dos últimos quinze anos, o volume de recursos
públicos aplicado na construção civil vem caindo.
É o reflexo de um País que não cresce”, criticou.
Outros problemas, segundo ele, é a concorrência acirrada
e, em alguns casos, problemas com falta de pagamento.
Sinduscon-PR projeta crescimento para
o setor
Com base nos dados do primeiro semestre, a projeção de
crescimento da construção civil apresentada no final do
ano passado pela diretoria do Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria
da Construção Civil no Paraná) deve se concretizar.
“Se analisarmos pelo ponto de vista do licenciamento de novas
construções (a emissão de alvarás), eu diria
que está estável. Mas a área de vendas melhorou:
a velocidade de vendas saiu de 6,7% no ano passado para 10% este ano”,
apontou Hamilton Pinheiro Franck, presidente em exercício do
Sinduscon-PR.
O aumento do crédito imobiliário também tem beneficiado
o setor. “Hoje não se pode dizer que falta crédito
para compra de um imóvel. Os juros estão caindo e há
bancos financiando durante 20 anos com prestações fixas”,
afirmou. “É preciso desmistificar a idéia de que
o crédito imobiliário gera um saldo altíssimo,
como ocorreu no passado devido às ‘canetadas políticas.’”
Para Franck, apesar das boas expectativas, o baixo crescimento da economia
é um dos fatores que tem dificultado maior dinamismo do setor.
“É preciso que haja recuperação da economia.
Existe a questão do real valorizado, que tem afetado os exportadores;
no caso do Paraná, há problemas na agricultura, esse período
de estiagem, a importação de energia elétrica”,
apontou.
Sobre as obras públicas, Franck observou que de fato são
elas que têm puxado o setor este ano. “Por ser um ano eleitoral,
o setor de obras públicas é o que mais tem crescido na
construção civil. Não deveria ser assim; essas
obras deveriam ocorrer sempre”, arrematou ele.
|
JORNAL O TEMPO / MINAS GERAIS,
02 de agosto de 2006 | Economia
Sindicatos brigam por mais poder na representação
do trabalhador
BRASÍLIA – Os representantes
das principais centrais sindicais do país foram ontem ao Supremo
Tribunal Federal (STF) pedir à presidente, Ellen Gracie, para
serem ouvidos antes do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade
(Adin), proposta pelas confederações ligadas à
Nova Central Sindical dos Trabalhadores contra as Medidas Provisórias
(MPs) 293 e 294.
Essas MPs reconhecem as centrais sindicais
como instância máxima da representação dos
trabalhadores, além de criar o Conselho Nacional de Relações
de Trabalho. Ao conferir um outro status jurídico às centrais
sindicais, as MPs retiram poder de representação das confederações
de trabalhadores.
Hoje, quando há uma disputa trabalhista,
quem representa os empregados são as confederações.
Com as MPs, as centrais também poderão cumprir esse papel.
Essa seria, de acordo com técnicos, a razão pela qual
as nove confederações moveram a Adin.
Esse, porém, não é
o motivo alegado por elas na ação. As confederações
sustentam que os temas tratados nas MPs não são urgentes
nem relevantes. Portanto, o correto seria o envio de projetos de lei
ao Congresso, e não a edição de Mps.
“Essa Adin é um golpe”,
classificou o presidente interino da Força Sindical, João
Carlos Gonçalves, o Juruna, que esteve no STF. Ele garantiu à
ministra Ellen Gracie que o reconhecimento jurídico das centrais
sindicais é uma antiga reivindicação dos trabalhadores.
“As centrais sindicais são
favoráveis à votação e aprovação
das medidas editadas pelo presidente da República, pois foram
construídas por todos nós, inclusive com a participação
das confederações que ajuizaram a Adin”, disse.
|
SÓ NOTÍCIAS
/ MATO GROSSO, 02 de agosto de 2006 | Economia
Trabalhadores indústria madeireira
reclamam de demora no reajuste e cogitam paralisação
A demora na definição do
reajuste salarial dos trabalhadores da indústria madeireira de
Sinop, que está travado há quase um mês, está
causando agitação na classe, que já cogita cruzar
os braços caso o aumento não seja definido logo. Segundo
o vice-presidente do Siticom - Sindicato dos Trabalhadores na Indústria,
Construção Civil e Mobiliário do Norte –
Eder Pessine, os trabalhadores já estão se revoltando
e culpando os patrões pela demora no reajuste.
“Na verdade quem está travando
o reajuste é o Sindusmad – Sindicado das Indústrias
Madeireiras do Norte do Estado de Mato Grosso, mas os trabalhadores
não estão cientes desta situação e ameaçam
começar uma paralisação”, disse.
Hoje Eder e o presidente do Siticom,
Vilmar Galvan, que está assumindo as negociações
do reajuste dos trabalhadores, devem fazer visitas há várias
madeireiras para conversar com os associados e tentar achar um ponto
de equilíbrio para a situação, mas Galvan frisa
que caso os trabalhadores decidam pela paralisação, o
Siticom irá apoiar totalmente o movimento. “Nós
representamos os trabalhadores e qualquer decisão vinda deles
será apoiada por nós”, disse.
No entanto Galvan explica que não
irá provocar uma está situação. “É
um direito deles, mas tentaremos encontrar outras saídas”,
explicou. O impasse no reajuste é de 2%. Enquanto o Siticom cobra
o aumento de 7%, o Sindusmad oferece 5%. As negociações
para definir o reajuste não avançaram e uma audiência
com intervenção de um mediador do Ministério do
Trabalho já está sendo definida.
|
A VOZ DA CIDADE / VOLTA REDONDA,
02 de agosto de 2006
Construção civil: trabalhadores
entram em greve se empresas não avançarem nas propostas
Em estado de greve desde quarta-feira
passada, os trabalhadores da construção civil vão
conhecer hoje, em assembléia, às 17h45min, na Passagem
Superior da CSN, as propostas do sindicato patronal e decidir se as
aprovam ou se entram em greve. Antes da assembléia, a direção
do sindicato da categoria se reunirá com a representação
das empresas na segunda rodada de negociações, já
que a reunião anterior, marcada para a última semana,
não aconteceu, pois o sindicato patronal não apresentou
nenhuma proposta nova, mantendo a de reajuste salarial de 2,79%, com
base no INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor)
do período de 1º de julho de 2005 a 30 de junho de 2006.
No encontro, que será realizado
na unidade do Sesi, às 10h30min, o presidente do sindicato dos
trabalhadores, Dejair Martins, vai cobrar melhores índices de
reajuste salarial, tendo em vista as reivindicações da
categoria. Entre elas aumento real de 10%, mais o INPC, fornecimento
de cesta básica no valor entre de R$ 50 e R$ 60; 100% de hora-extra
nos dias úteis, sábados, domingos e feriados; e fornecimento
de um kit escolar nos valores de R$ 75, R$ 110 e R$ 150 para funcionários
e dependentes que cursarem Ensino Fundamental, Médio e Superior,
respectivamente. “Existem três empresas na região
que já estão ajudando os funcionários na compra
de material escolar e nós queremos ampliar para todas da região”,
ressalta Dejair Martins.
Os trabalhadores também querem
a antecipação de 50% da participação nos
lucros três meses após o fechamento do acordo coletivo
e o pagamento de outra parcela em fevereiro do ano que vem. Além
disso, pedem a fixação de um salário base para
o PPR (Plano de Participação nos Resultados).
De acordo com o presidente do sindicato,
além da parte financeira e da participação nos
lucros, itens prioritários da pauta, a preocupação
do sindicato é defender a manutenção das cláusulas
sociais do acordo anterior, uma delas o Plano Médico e Odontológico.
Em relação a esse item, é pedida às empresas
uma ajuda de custo no valor de R$ 3. “O sindicato arca sozinho
com as despesas do plano para os trabalhadores e nós estamos
pedindo uma ajuda às empresas. Com boa saúde, o rendimento
do trabalhador vai melhorar”, argumenta.
Dejair Martins não descarta a
possibilidade de a categoria deflagrar greve. Segundo ele, caso as empresas
não avancem nas propostas de aumento real os trabalhadores farão
uma paralisação geral por período indeterminado.
“Em reuniões anteriores, o sindicato patronal sinalizou
melhorias, mas agora recuou e foi até contratado um negociador
para falar em nome das empresas. Isso na nossa avaliação
pode atrapalhar muito as negociações. Se elas não
avançarem, vamos entrar em greve”, avisa Dejair, lembrando
que o aumento real mínimo previsto pela categoria varia entre
4% e 5%.
O sindicato representa cerca de cinco
mil trabalhadores de 280 empresas de pequeno, médio e grande
portes da região. A área de abrangência compreende
os municípios de Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Itatiaia,
Quatis, Porto Real e Rio Claro.
|
GAZETA ONLINE / ESPÍRITO
SANTO, 02 de agosto de 2006
Construção Civil lidera
ranking de admissões em Linhares
Linhares está entre os municípios
capixabas que mais criaram vagas de emprego no Norte do Estado. Os dados
são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério
do Trabalho. O levantamento revela ainda que, de janeiro a junho deste
ano, o município apresentou um crescimento de 8,32% em relação
ao mesmo período de 2005.
De acordo com os dados do levantamento,
os setores que mais se destacaram na criação de vagas
de emprego foram: construção civil; indústria de
transformação, como metalurgia; vestuário e alimentos;
agricultura; administração pública e comércio.
Segundo Nelson Couto, responsável
pelo setor de encaminhamento do Sistema Nacional de Emprego (Sine) de
Linhares, 1.137 admissões foram efetuadas pelo órgão
no primeiro semestre deste ano. A construção civil lidera
o número de ofertas com 927 vagas.
|
Agência Câmara, 02 de agosto de
2006
Comissão aprova mudança
em ato constitutivo da OIT
A Comissão de Constituição e Justiça e de
Cidadania (CCJ) aprovou há pouco o Projeto de Decreto Legislativo
2218/06, da Comissão de Relações Exteriores e de
Defesa Nacional, que ratifica uma mudança no ato constitutivo
da Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência
da Organização das Nações Unidas (ONU) da
qual o Brasil é integrante.
A emenda facultará à Conferência Internacional do
Trabalho, fórum anual da OIT, invalidar as convenções
internacionais de trabalho consideradas obsoletas, desde que a revogação
tenha o apoio de 2/3 dos delegados conferencistas.
A votação seguiu parecer do relator, deputado Luiz Couto
(PT-PB). O projeto ainda precisa ser votado pelo Plenário.
|
Folha
de São Paulo, 02 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006 / PRESIDÊNCIA
PT testará discurso ético
de Lula antes de colocá-lo na TV
Gravações do candidato passarão
por pesquisas qualitativas na tentativa de avaliar o tom ideal para tratar
tema polêmico | Marqueteiro de petista crê que combate à
corrupção deva ser tratado de forma secundária; destaque
será dado às realizações de Lula
VALDO CRUZ, DIRETOR-EXECUTIVO DA
SUCURSAL DE BRASÍLIA
FÁBIO ZANINI, DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O PT vai submeter a pesquisas qualitativas
cerca de 30 minutos de gravações feitas pelo presidente
Luiz Inácio Lula da Silva para seu programa de TV, com o objetivo
de testar, entre outros pontos, o tom e o formato do discurso sobre
a ética na campanha pela reeleição. A dosagem exata
de como Lula abordará o assunto é um tema delicado para
a campanha petista. Segundo a Folha apurou, o marqueteiro do petista,
João Santana, tem defendido que o tema seja tratado de forma
secundária, mas sem ficar escondido. A abordagem deve ser feita
"no atacado", de acordo com Santana. Ou seja, sem referências
específicas ao escândalo do mensalão.
O comando de campanha realizará
as pesquisas a partir da semana que vem, para avaliar essa tese a tempo
de corrigir a rota, caso necessário, antes da estréia
do programa de TV, em 15 de agosto. O presidente gravou os trechos na
última quinta-feira, em um estúdio alugado por Santana
em Brasília. O tema da ética é minoritário
na fala de Lula e ocupa cerca de cinco minutos. O restante das gravações
(cerca de 25 minutos) trata do assunto com o qual os petistas hoje se
sentem mais confortáveis: as realizações do governo,
com ênfase na comparação com os dois mandatos de
Fernando Henrique Cardoso, do PSDB (1995-2002).
As pesquisas analisam também como
a apresentação das realizações do governo
repercute entre eleitores de diferentes segmentos. Existem ainda cinco
horas de material bruto à disposição do marqueteiro
de Lula, entre imagens do presidente no cargo e de eventos de campanha.
A edição final só ficará pronta no último
momento, após os resultados das pesquisa serem conhecidos. O
PT está gastando R$ 3 milhões com a contratação
de dois institutos de pesquisas, o Vox Populi e o Criterium.
O pacote inclui qualitativas feitas simultaneamente
em diferentes regiões do país, além de um "tracking"
(acompanhamento) domiciliar diário para avaliar a qualidade dos
programas. Ao tratar da ética "no atacado", o presidente,
conforme relatos obtidos pela Folha, segue duas linhas básicas.
Cita dados para dizer que nunca a Polícia Federal e a Controladoria-Geral
da União trabalharam tanto, e com tanta liberdade, para desbaratar
esquemas de corrupção -caso da Operação
Sanguessuga.
Além disso, faz uma crítica
sutil à oposição. Diz que nenhum adversário
tem "moral" para criticar o compromisso do seu governo com
a ética, porque historicamente essa sempre foi uma bandeira empunhada
pelo PT. Figuras-símbolo do escândalo, como o ex-tesoureiro
do PT Delúbio Soares e o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto,
ou a revelação de quem "traiu" o presidente
durante o mensalão, passam longe do discurso petista. As pesquisas
dirão se isso basta, ou se será preciso Lula se explicar
durante mais tempo e com mais ênfase. Santana, segundo apurou
a Folha, aposta que está próximo do tom ideal. Na avaliação
dos lulistas, a tônica deve ser a prestação de contas
do governo, com a promessa de manutenção e ampliação
de programas sociais na próxima gestão.
|
Folha de São Paulo,
02 de agosto de 2006
ELEIÇÕES 2006
Heloísa Helena será a primeira
a aparecer no horário gratuito
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
A candidata do PSOL à Presidência,
Heloísa Helena, será a primeira a aparecer na estréia
da propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio, no dia 15,
e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá fechar o
programa desse dia. O TSE fez ontem o sorteio da ordem de aparição
dos oito candidatos ao Palácio do Planalto, incluindo Ana Maria
Rangel (PRP), que deverá ter o seu registro rejeitado, a pedido
do próprio partido.
A seqüência do dia 15 será:
Heloísa, José Maria Eymael (PSDC), Geraldo Alckmin (PSDB-PFL),
Rui Costa Pimenta (PCO), Cristovam Buarque (PDT), Luciano Bivar (PSL),
Lula (PT-PRB-PC do B) e Ana Maria Rangel. Antes, o TSE irá decidir
sobre o cancelamento da candidatura de Ana Maria e a tendência
é que a exclua da disputa. A regra vale para os dois programas
em bloco da eleição presidencial, de 25 minutos cada,
veiculados às terças, quintas e sábados.
Diariamente haverá 30 minutos
de propaganda eleitoral para todos os cargos em disputa em inserções
ao longo da programação, sendo 6 minutos dos presidenciáveis.
A ordem de aparição mudará a cada dia da propaganda
presidencial, por sistema de rodízio. O último a aparecer
em um dia será o primeiro no programa seguinte.
|
Folha
de São Paulo, 02 de agosto de 2006
Após cirurgia, Fidel se diz "estável"
Afirmação foi feita em comunicado
lido na TV; durante o dia, vigorou uma "lei de silêncio"
sobre seu estado de saúde | Presidente da Assembléia Legislativa,
Ricardo Alarcón, diz que ditador "lutará até
o último momento", mas que isso "está bem longe"
DA REDAÇÃO
O ditador cubano, Fidel Castro, 79, anunciou
ontem, em comunicado atribuído a ele e lido na TV cubana, que
se encontra "estável" e "de bom humor" após
ter passado por uma cirurgia no intestino. "Posso dizer que é
uma situação estável, mas uma evolução
geral do estado de saúde necessita do transcurso do tempo. O
que mais posso dizer é que a situação se manterá
estável durante muitos dias, antes de poder dar um veredicto",
disse. Durante todo o dia, não foram divulgadas informações
concretas sobre a situação. Fidel justificou: "Na
situação específica de Cuba, devido aos planos
do império [EUA], meu estado de saúde se torna um segredo
de Estado, e os compatriotas devem compreender isso". Tudo será
conhecido "em seu devido tempo", disse. Na única manifestação
da cúpula do regime, o presidente da Assembléia Nacional,
Ricardo Alarcón, disse que o ditador está longe do "fim".
"O imperialismo ignora a magnitude
de Fidel Castro. O líder cubano sempre lutará até
o último momento. Mas esse último momento está
bem longe", disse Alarcón à agência de notícias
estatal Prensa Latina. Ele acrescentou que, apesar da operação,
Fidel "está vigilante até o último detalhe
e toma medidas para enfrentar qualquer agressão inimiga".
Informações vagas vinham filtradas pelos governos da região.
A Chancelaria venezuelana se limitou a dizer que o processo de recuperação
de Fidel "está avançando positivamente". Já
o ministro do Interior do Chile, Belisario Velasco, disse ter sido informado
por "pessoas conhecidas" que Fidel "reagiu bem à
cirurgia" e "estava fora de perigo", segundo o diário
chileno "El Mercurio". Em Cuba, os meios de comunicação
(TV, rádio, jornais e a Prensa Latina) estão nas mãos
do Partido Comunista e respondem diretamente ao governo, que tem controle
total das informações.
Em nota lida na noite de anteontem na
TV e na rádio cubana por seu secretário particular, Fidel
afirmou que "o enorme esforço realizado" em viagens
recentes "provocou uma crise intestinal aguda com sangramento constante
que me obrigou a enfrentar uma complicada operação cirúrgica".
Na nota, Fidel transferiu o poder transitoriamente a seu irmão,
Raúl Castro, pela primeira vez em 47 anos. Raúl assumiu
as funções de primeiro-secretário do Comitê
Central do PC, comandante-em-chefe das Forças Armadas e presidente
do Conselho de Estado e de Governo.
A área de saúde foi delegada
a José Ramón Balaguer Cabrera e a de educação,
a José Ramón Machado Ventura e Esteban Lazo Hernández,
membros do Burô Político do PC.
Normalidade
O regime cubano se esforçou
para manter uma aparência de normalidade na ilha. "Os cubanos
receberam a notícia com muita tristeza", afirmou o embaixador
brasileiro em Havana, Tilden Santiago. "A cidade mantém
seu ritmo normal, os comércios estão funcionando normalmente,
os transportes públicos também, mas há uma tristeza
no rosto das pessoas. Querem que Fidel retorne, que recupere a saúde."
"Tudo está normal aqui por enquanto. É como um pequeno
teste de como as coisas podem ser sem Fidel", disse o cubano Emilio
García.
|
JORNAL GAZETA DO POVO, 02
de agosto de 2006 | Economia
COMÉRCIO EXTERIOR-Superávit comercial
de US$ 25 bilhões no semestre é o maior da história
Balança bate recorde com
preços altos e fim da greve
Brasília – Apesar do real valorizado, o superávit
comercial atingiu recorde histórico neste ano, chegando a US$
25,17 bilhões no acumulado de janeiro a julho, acima dos US$
24,65 bilhões registrados no mesmo período de 2005. O
resultado foi atribuído à alta dos preços de produtos
exportados pelo país. A greve dos funcionários da Receita
Federal encerrada em junho, que durou quase dois meses, também
ajudou a balança comercial a atingir patamares sem precedentes
em julho.
O Brasil registrou no mês passado
exportações de US$ 13,6 bilhões, 23% a mais que
em julho de 2005. O país nunca exportou tanto em um único
mês. A média diária dos embarques foi de US$ 648,7
milhões, bem acima do padrão do comércio brasileiro.
Segundo o secretário de Comércio Exterior do Ministério
do Desenvolvimento, Armando Meziat, julho não deve ser parâmetro
para avaliar o desempenho do ano. Por isso, o governo não vai
rever a meta de exportações de US$ 132 bilhões
em 2006. “Houve muito represamento nas operações
de comércio por causa da greve. O resultado de julho não
pode ser avaliado isoladamente. É preciso considerar a média
das exportações de maio, junho e julho, que é de
US$ 552 milhões, e está dentro do patamar projetado pelo
governo.”
Segundo Meziat, neste ano a média
diária de exportação deve se consolidar acima de
US$ 500 milhões e até o fim do ano o país deve
exportar mais de US$ 11 bilhões por mês. Em julho, as importações
somaram US$ 7,9 bilhões, alta de 31,8% com relação
a julho de 2005, e também superaram o recorde anterior, de agosto
de 2005, quando o país importou US$ 7,6 bilhões. O resultado
foi um saldo também recorde de US$ 5,6 bilhões.
Embora o governo não tenha feito
cálculos sobre quanto o país deve importar no ano, Meziat
crê que as compras vão continuar subindo por causa do estímulo
do dólar barato e por apostar no aquecimento da economia até
dezembro.
O saldo comercial nos últimos
12 meses está em US$ 45,2 bilhões, acima da projeção
do mercado, que espera um superávit comercial de cerca de US$
40 bilhões, abaixo dos US$ 44,7 bilhões de 2005. O secretário
também acredita que o saldo neste ano seja de cerca de US$ 40
bilhões. “Assim como as exportações costumam
melhorar no segundo semestre por causa da safra agrícola, as
importações também aumentam mais no fim do ano
tradicionalmente.”
Mantega
O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
descartou ontem a edição de medidas adicionais para a
área cambial. Segundo ele, o conjunto de ações
voltadas para o exportador, anunciado na semana passada, já é
suficiente e deve levar, na opinião dele, a uma atenuação
da valorização da taxa de câmbio. “O Brasil
tem o câmbio flutuante, que é o melhor regime cambial,
mas há alguma interferência do governo nesse câmbio”,
disse, para demonstrar que o pacote de medidas para o setor exportador
não é a única forma de ação do governo
na taxa de câmbio.
|
JORNAL A TARDE ONLINE /
SALVADOR, 02 de agosto de 2006 | Economia
Margem de lucro da indústria é
a maior em três anos
A margem de lucro líquido da indústria
atingiu no primeiro trimestre de 2006 a maior marca em três anos
e superou o desempenho do comércio e dos serviços, segundo
pesquisa da Serasa. A explicação para o bom desempenho
do lucro líquido da indústria em relação
aos demais setores é que a queda do dólar reduziu o endividamento
das empresas em moeda estrangeira e melhorou o resultado financeiro.
Segundo a pesquisa realizada a partir
de 10 mil balanços de empresas dos três setores, indústria,
comércio e serviços, a margem de lucro líquido
da indústria entre janeiro e março foi de 11% das vendas.
A pesquisa não leva em consideração o desempenho
da Petrobrás, a maior empresa do País, que, por isso,
distorce os resultados.
No mesmo período, o indicador
para as empresas do setor de serviços atingiu 9,6% das vendas
e o do comércio, 2,3%. Na média dos três setores,
a margem de lucro líquido atingiu 8,5% das vendas no primeiro
trimestre, o melhor resultado desde 2004.
No primeiro trimestre de 2005, a margem
de lucro líquido dos três setores havia sido de 7,7% e,
em igual período do ano anterior, 7%. A margem líquida
de lucro é o lucro líquido em relação às
vendas. É o que realmente sobra para a empresa após todo
o processo produtivo e dos acertos financeiros.
"O impacto financeiro melhorou o
resultado das companhias", afirma o gerente de Análise de
Crédito da Serasa e responsável pela pesquisa, Marcio
Torres. Ele diz que os destaques positivos no setor industrial foram
os segmentos de papel e celulose e o siderúrgico, com rentabilidade
de 22,8% e de 19,3%, respectivamente.
As empresas exportadoras, como de papel
e celulose e aço, reduziram o endividamento em dólar,
mais que compensando a perda de competitividade das exportações
por causa do câmbio, diz Torres. No caso da siderurgia, ele acrescenta,
além dos ganhos financeiros, a queda do preço do carvão
mineral e do coque, importantes insumos.
O diretor-financeiro da Aracruz, Isac
Zagury, que exporta 98% da celulose que produz, diz que uma combinação
de fatores favoráveis levou a companhia a atingir no primeiro
trimestre um lucro líquido de R$ 347,9 milhões, 96% maior
do que o obtido no último trimestre de 2005 e 73% superior ao
do mesmo período de 2005.
Entre esses fatores estão a alta
do preço da celulose no mercado internacional, que subiu 10%
em dólar em 2005 e mais 10% este ano. Além disso, atropeladas
pelo dólar, as empresas do setor racionalizaram custos de produção
para compensar as perdas cambiais e reduziram o endividamento em moeda
estrangeira. "O Brasil também tem custo de produção
de celulose competitivo: a metade da média mundial", lembra.
O diretor-financeiro da Usiminas, Paulo
Penido, ressalta que as vantagens competitivas do Brasil na siderurgia
contribuem para o desempenho do setor. As siderúrgicas, observa,
reduziram o endividamento em dólar por causa do ciclo de alta
encerrado no primeiro semestre de 2005. "Em dois anos, nós
reduzimos em US$ 1 bilhão o endividamento." Ele discorda
da análise de Torres, que aponta a queda dos preços do
carvão de coque. "Nossos contratos de compra são
de longo prazo."
Já a indústria têxtil
apresentou o pior desempenho e teve margem negativa de 6,5%. "O
câmbio baixo penaliza duas vezes o setor têxtil", diz
Torres. Com o real valorizado, ele perde competitividade nas exportações
e é prejudicado pelo aumento das importações.
|
Notícias do Tribunal
Superior do Trabalho
02/08/2006
Atraso na compensação de cheque
leva à multa do art. 477 da CLT
A Segunda Turma do Tribunal Superior
do Trabalho determinou a aplicação da multa do artigo
477 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) à
General Motors (GM) do Brasil Ltda., pela emissão de um cheque
de outra praça para o pagamento das verbas rescisórias
a um ex-empregado. A decisão foi tomada conforme voto do juiz
convocado Márcio Ribeiro do Valle, relator de recurso de revista
deferido a uma metalúrgico que trabalhou na fábrica da
GM em Gravataí (RS).
Após sua demissão pela
montadora, o trabalhador teve o acerto de sua rescisão firmado
no município gaúcho, mas com um cheque nominal e cruzado
da praça de São Paulo. O desligamento da empresa ocorreu
em 22 de janeiro de 2002, a homologação com o recebimento
do cheque em 31 de janeiro e a compensação dos valores,
em razão das peculiaridades do pagamento, só aconteceu
em 6 de fevereiro.
A demora comprovada na quitação
das verbas rescisórias levou a primeira instância gaúcha
(Vara do Trabalho) a determinar a incidência da multa prevista
no artigo 477, parágrafo 8º, da CLT. De acordo com a legislação,
o pagamento das parcelas da rescisão tem de ocorrer até
o primeiro dia útil imediato ao término do contrato ou
até o décimo dia, contado da data da notificação
da demissão, quando da ausência do aviso prévio
(artigo 477, parágrafo 6º, letras “a” e “b”).
O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª
Região (Rio Grande do Sul), contudo, entendeu que a quitação
foi regular. “Não há qualquer determinação
legal para que o pagamento das verbas rescisórias seja feito
em dinheiro, ou mesmo em cheque da praça onde ocorreu o pagamento”,
registrou o TRT. “Trata-se o cheque de ordem de pagamento à
vista e o prazo necessário para a sua compensação
não configura atraso no respectivo pagamento”, acrescentou
a decisão regional, ao afastar a multa.
A sanção foi restabelecida
pela Segunda Turma do TST. De acordo com voto de Márcio Ribeiro
do Valle, a demora na compensação bancária, por
ser o cheque oriundo de outra praça, configurou o atraso no pagamento
e atraiu a incidência da multa.
“Entendo que, quando o legislador
fixou os prazos para pagamento das verbas rescisórias, o fez
com a finalidade de que a parte (trabalhador) pudesse ter assegurado,
dentro de um curto espaço de tempo, o recebimento dessas parcelas
que, indiscutivelmente, irão assegurar a subsistência do
empregado e seus familiares, preservando a dignidade do trabalhador”,
argumentou o relator.
Uma vez demonstrada a demora na
quitação dos débitos, o TST entendeu que a aplicação
da multa, imposta originalmente pela primeira instância, foi justificada
diante do desrespeito à finalidade da lei. “Assim sendo,
é perfeitamente cabível a aplicação da multa
do artigo 477, parágrafo 8º, diante da mora no recebimento
das verbas rescisórias, por ação e responsabilidade
exclusivas da empregadora”, concluiu Márcio Ribeiro do
Valle. (RR 1089/2002-231-04-00.4)
|
02/08/2006
TST considera inválida cláusula
que suprime adicional noturno
O dispositivo constitucional (artigo
7º, inciso XXVI) que autoriza as partes a celebrarem convenções
e acordos coletivos e estimula o reconhecimento dos resultados dessas
negociações não permite a supressão de direitos
fundamentais, igualmente previstos na Constituição. Com
esse entendimento, frisado pelo ministro Renato de Lacerda Paiva, a
Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou recurso de revista
a uma empresa catarinense e garantiu a um ex-empregado o pagamento do
adicional por trabalho em período noturno (período definido
por lei entre 22h e 5h).
O recurso da Duas Rodas Industrial Ltda.
pretendia reformar decisão tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho
da 12ª Região (Santa Catarina), que considerou inválida
cláusula de acordo coletivo de trabalho que afastou o pagamento
do adicional noturno.
“As partes reconhecem de forma
expressa que o período que adentrar o horário noturno
legal relativo ao 1º e 2º turnos não será considerado
como jornada noturna para qualquer fim, especialmente para fins de adicional
noturno e redução da hora noturna. Por conseqüência,
não será devido qualquer adicional ou redução
em decorrência do horário”, previu a cláusula
do acordo coletivo.
A empresa não conseguiu o reconhecimento
da validade dessa cláusula no TST. O ministro Renato Paiva destacou,
em seu voto, que a negociação coletiva só pode
alcançar os chamados “direitos renunciáveis”,
que não afetam a saúde física e mental do trabalhador.
“Neste sentido, ao incluir o adicional noturno como um direito
social (artigo 7º, IX), o intuito do legislador foi o de assegurar
uma maior proteção ao empregado, tanto que o dispositivo
foi considerado como cláusula pétrea”, observou
o relator, ao demonstrar a inviabilidade de negociação
em torno do adicional noturno, cuja remuneração é
superior a do diurno segundo a norma constitucional.
Renato Paiva citou, ainda, outra decisão
tomada pelo TST (relatoria do ministro Barros Levenhagen) em relação
ao mesmo tópico e à mesma empresa catarinense. Na oportunidade,
foi dito que “a flexibilização de normas de ordem
pública mediante a celebração de acordo coletivo
é inadmissível nas hipóteses em que negar um determinado
direito garantido pela legislação vigente, sob pena de
se incidir em retrocesso às condições de trabalho
já asseguradas pelos trabalhadores”.
O outro ponto do recurso de revista da
empresa foi deferido pela Segunda Turma a fim de excluir da condenação
sofrida os valores relativos a horas extras decorrentes de minutos anteriores
e posteriores à jornada de trabalho. (RR 369/2001-019-12-00.0).

|